Tecnologia

China acelera digitalização da manufatura com IA, 5G e fábricas inteligentes

A China vem ampliando de forma acelerada a digitalização da manufatura, apostando em inteligência artificial (IA), redes 5G e fábricas inteligentes para modernizar suas linhas de produção. A estratégia busca elevar a eficiência operacional, reduzir custos e fortalecer a competitividade da indústria em escala global.

Empresas industriais têm adotado equipamentos autônomos, migrado dados para a computação em nuvem e estruturado clusters industriais inteligentes, promovendo maior integração entre tecnologia e produção.

Milhares de fábricas inteligentes já estão em operação

Dados oficiais indicam que, em 2025, o país já contava com mais de 7 mil fábricas inteligentes de nível avançado e mais de 500 classificadas como de nível excelente. O avanço também se reflete na conectividade industrial, com mais de 20 mil projetos de redes privadas 5G e cerca de 8 mil fábricas conectadas ao 5G.

O ecossistema industrial chinês reúne ainda mais de 600 mil pequenas e médias empresas inovadoras, 504 mil companhias de alta tecnologia, 140 mil PMEs especializadas e diferenciadas, além de 17,6 mil “pequenas gigantes” e 1.862 campeãs individuais da manufatura.

IA fortalece cadeias produtivas e inovação

Para Du Chuanzhong, diretor do Instituto de Economia Industrial da Universidade de Nankai, a integração da IA à manufatura eleva o nível de digitalização e amplia a resiliência das cadeias industriais e de suprimentos. Segundo ele, a tecnologia estimula novos modelos produtivos e contribui diretamente para o crescimento econômico.

Política pública acelera a indústria inteligente

O governo chinês lançou o documento “Opiniões sobre a Implementação da Ação Especial ‘Inteligência Artificial + Manufatura’”, que define duas frentes principais. A primeira prioriza a industrialização da inteligência, fortalecendo a oferta tecnológica. A segunda amplia o uso da IA nas fábricas, acelerando a inteligência da indústria.

O objetivo é consolidar o ecossistema industrial, integrar inovação científica e produtiva e promover um desenvolvimento inteligente, verde e integrado da manufatura.

Casos práticos mostram ganhos expressivos

Em Qingdao (Shandong), uma fábrica de equipamentos adotou AGVs, sistemas de inspeção visual por IA e sensores em tempo real. O índice de precisão na identificação de defeitos chegou a 99,7%, enquanto a manutenção preditiva antecipa falhas com até 72 horas, elevando a eficiência global dos equipamentos para mais de 85%.

Já em Mianyang (Sichuan), um parque de manufatura inteligente de robôs opera veículos autônomos sob um sistema integrado de “um cérebro, múltiplos controles”, reduzindo custos e melhorando a gestão. A plataforma em nuvem desenvolvida localmente conecta drones, robôs quadrúpedes e equipamentos autônomos.

Digitalização melhora produtividade e reduz desperdícios

Em Shenyang (Liaoning), uma fabricante de equipamentos passou a utilizar guindastes automatizados, máquinas CNC e painéis digitais de monitoramento. Após a transformação digital, a eficiência no processamento de componentes centrais aumentou 28,2%, além da economia anual de 1,9 milhão de desenhos técnicos.

Em Nanjing (Jiangsu), uma empresa de equipamentos de comunicação sem fio implementou AGVs, braços robóticos com câmeras de IA e redes privadas 5G. O sistema elevou a eficiência produtiva em 42% e reduziu a taxa de defeitos em 47%, apoiando mais de mil empresas dos setores eletrônico, mineral e siderúrgico.

Manufatura digital amplia serviços e modelos de negócio

Segundo Yang Gangqiang, professor associado da Universidade de Wuhan, a digitalização expande a manufatura para o setor de serviços inteligentes, com modelos baseados em plataformas digitais e soluções modulares, especialmente voltadas às PMEs.

Desafios incluem custos e formação de talentos

Apesar dos avanços, Du Chuanzhong alerta que os investimentos iniciais podem pressionar o caixa das pequenas e médias empresas. Ele defende subsídios governamentais, fundos específicos para digitalização, fortalecimento do ecossistema de serviços e a formação de profissionais que combinem conhecimento tecnológico, gestão e operação industrial.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua

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Exportação

Exportação de carne suína: Brasil ultrapassa o Canadá e vira o 3º maior exportador do mundo

O Brasil alcançou um novo patamar na exportação de carne suína e passou a ocupar a terceira posição no ranking mundial do setor. Dados divulgados nesta quarta-feira (7) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que o país embarcou 1,510 milhão de toneladas em 2025, volume recorde que representa crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior.

Com esse desempenho, a suinocultura brasileira superou o Canadá e, pela primeira vez, conquistou o posto de terceiro maior exportador global da proteína.

Dezembro impulsiona recorde anual de embarques

O resultado expressivo foi puxado principalmente pelo desempenho do último mês do ano. Em dezembro, as exportações de carne suína brasileira avançaram 25,8%, com embarques de 137,8 mil toneladas, consolidando o ritmo acelerado do setor em 2025.

A receita acompanhou o crescimento do volume exportado. No acumulado do ano, o faturamento somou US$ 3,619 bilhões, alta de 19,3%, indicando não apenas maior quantidade vendida, mas também melhor remuneração no mercado internacional.

Preço médio sobe e reflete valorização do produto brasileiro

A diferença entre o crescimento da receita e o aumento do volume exportado evidencia uma valorização do preço médio da tonelada de carne suína. Enquanto os embarques cresceram 11,6%, o faturamento avançou quase o dobro desse percentual.

Segundo a ABPA, esse movimento está diretamente ligado à credibilidade sanitária do Brasil, que se manteve fora das grandes crises de Peste Suína Africana (PSA) registradas em países da Europa e da Ásia. O cenário reforçou a imagem do país como fornecedor confiável, com regularidade e segurança alimentar.

Filipinas assumem liderança entre os destinos

Um dos pontos mais relevantes do balanço de 2025 foi a mudança no perfil dos principais compradores. As Filipinas passaram a ser o maior destino da carne suína brasileira, com importações de 392,9 mil toneladas, crescimento expressivo de 54,5%.

Com isso, o país asiático superou a China, que reduziu suas compras em 33,9%, totalizando 159,2 mil toneladas no período.

Diversificação de mercados fortalece o setor

Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o novo cenário confirma o sucesso da estratégia de diversificação de mercados. Segundo ele, o Brasil reduziu a dependência do mercado chinês e ampliou presença em destinos considerados estratégicos.

Entre os destaques estão o Japão, com aumento de 22,4% nas importações, e o Chile, que registrou crescimento de 4,9%. A ampliação do leque de compradores contribui para maior estabilidade e previsibilidade ao setor exportador.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Internacional

Travessia Shenzhen Zhongshan: túnel subaquático de 6,8 km consolida a China como referência em engenharia marítima

A China vem transformando o transporte em regiões costeiras com obras de grande escala no fundo do mar. Um dos exemplos mais recentes é a travessia Shenzhen Zhongshan, que completa um ano de operação somando mais de 31,5 milhões de viagens. O sistema integra túnel subaquático, pontes e ilhas artificiais, reduzindo distâncias e ampliando a eficiência logística no sul do país.

Túneis submarinos mudam a mobilidade em baías e estuários

Dirigir sob o mar deixou de ser algo excepcional em áreas estratégicas chinesas. Nos últimos anos, o país colocou em funcionamento travessias que combinam túneis submersos com mais de 5 km, pontes estaiadas e acessos artificiais, criando rotas menos vulneráveis a condições climáticas, marés e tráfego marítimo intenso.

Essas soluções passaram a ser adotadas principalmente em regiões densamente povoadas, onde estuários e baías antes representavam gargalos à mobilidade urbana e ao transporte de cargas.

Hong Kong–Zhuhai–Macau abriu caminho para obras de grande porte

Inaugurado em outubro de 2018, o sistema Hong Kong Zhuhai Macau tornou-se um marco da engenharia subaquática. A estrutura inclui um túnel imerso de aproximadamente 6,7 km, formado por 33 elementos pré-fabricados, cada um com cerca de 180 metros de comprimento.

A escolha pelo túnel, em vez de uma ponte contínua, atendeu a restrições técnicas do local, como a preservação do canal de navegação e limites de altura impostos pela proximidade do aeroporto de Hong Kong.

Shenzhen Zhongshan tem um dos maiores túneis subaquáticos do mundo

Aberta ao tráfego em 30 de junho de 2024, a ligação Shenzhen Zhongshan elevou o patamar dessas obras. O projeto inclui um túnel subaquático de 6,8 km de extensão e 46 metros de largura, integrado a pontes e ilhas artificiais.

Autoridades locais classificam a estrutura como um dos maiores túneis do tipo tubo de aço e concreto já construídos, projetado para suportar alto volume de tráfego e condições marítimas complexas.

Outros exemplos incluem Qingdao e a baía de Jiaozhou

Outro caso relevante está em Qingdao, na baía de Jiaozhou. O túnel rodoviário da região entrou em operação em julho de 2011 e possui cerca de 7,8 km de extensão total, sendo quase 4 km sob área marítima. A obra é frequentemente citada em estudos técnicos sobre travessias submersas em larga escala.

Como funciona o método do túnel imerso

O túnel imerso difere da escavação tradicional. Em vez de perfurar todo o trajeto, grandes módulos são produzidos em terra, em ambiente industrial controlado. Após a conclusão, esses segmentos flutuam até o local da obra.

No fundo do mar, uma vala previamente dragada recebe os módulos, que são posicionados com equipamentos de alta precisão. A fase mais crítica é o encaixe entre os elementos, que exige controle rigoroso de alinhamento, peso e flutuabilidade.

Depois da união, sistemas de vedação estanque garantem que o túnel funcione como um único tubo contínuo. Em seguida, a estrutura é recoberta com areia e brita para proteção e estabilidade.

Geologia, vedação e monitoramento definem o sucesso do projeto

Antes da execução, são realizadas sondagens detalhadas do leito marinho, que identificam sedimentos, rochas fraturadas e o comportamento do solo sob carga. Esses dados influenciam o traçado, o método construtivo e o tipo de revestimento.

Durante a operação, túneis subaquáticos dependem de monitoramento em tempo real, inspeções periódicas e sistemas de segurança para garantir estabilidade estrutural e controle de infiltrações ao longo de décadas.

Logística impulsiona obras, mas custos e manutenção geram debate

A principal motivação para esses corredores submersos é logística. Ao encurtar distâncias entre centros urbanos e industriais, as travessias reorganizam fluxos de transporte e aumentam a produtividade regional.

Na travessia Shenzhen Zhongshan, dados oficiais indicam mais de 31,5 milhões de viagens de veículos no primeiro ano, evidenciando alta demanda desde a abertura.

Por outro lado, megaprojetos desse tipo também geram discussões sobre custos elevados, impactos ambientais e manutenção de longo prazo. Sistemas de ventilação, segurança contra incêndio e inspeções constantes tornam essas obras complexas não apenas do ponto de vista técnico, mas também de gestão pública.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Inovação

China cria máquina de hipergravidade que gera força 1.900 vezes maior que a da Terra

Cientistas da Universidade de Zhejiang, no leste da China, colocaram em operação uma das mais avançadas estruturas de pesquisa do mundo: a CHIEF1900, uma centrífuga gigante capaz de produzir forças equivalentes a 1.900 vezes a gravidade da Terra. Instalada a 15 metros abaixo do solo para reduzir vibrações, a máquina estabeleceu um novo recorde global, superando um equipamento semelhante utilizado pelo Exército dos Estados Unidos.

A centrífuga integra um complexo científico interdisciplinar avaliado em US$ 285 milhões e foi projetada para funcionar como um verdadeiro “compressor de tempo” aplicado à ciência e à engenharia, permitindo simulações extremamente aceleradas de fenômenos naturais e estruturais.

Como a hipergravidade acelera o tempo científico

O princípio por trás da chamada compressão do tempo está no uso de centrífugas de hipergravidade, que reproduzem em laboratório processos que, na natureza, levariam décadas ou até milhares de anos para se manifestar. Ao intensificar a força gravitacional, o comportamento físico dos materiais ocorre de forma proporcionalmente mais rápida.

Na engenharia civil, por exemplo, um modelo reduzido de 3 metros de uma barragem, submetido a 100g (cem vezes a gravidade terrestre), reproduz com precisão o mesmo nível de tensão e estresse estrutural que uma barragem real de 300 metros de altura enfrentaria ao longo de sua vida útil.

Com a CHIEF1900, pesquisadores conseguem ainda simular a dispersão de poluentes no solo ao longo de milhares de anos em apenas algumas horas de experimento.

Desafios extremos e soluções de engenharia

Operar sob forças de 1.900 toneladas-g impõe desafios técnicos severos. Para efeito de comparação, uma máquina de lavar roupas atinge cerca de duas toneladas-g. Em níveis tão elevados, calor e pressão podem comprometer a integridade do equipamento.

Para contornar esses riscos, engenheiros chineses desenvolveram um sistema avançado de controle térmico, baseado em ambiente a vácuo, com uso combinado de fluidos refrigerantes e ventilação especializada, evitando o superaquecimento ou a deformação estrutural da centrífuga.

Aplicações científicas e impacto internacional

As aplicações da CHIEF1900 abrangem diversas áreas estratégicas. Entre elas estão estudos sobre o comportamento de células e plantas em gravidade extrema, simulações de condições encontradas em outros planetas, análises da interação entre trens de alta velocidade e o solo ao longo de anos de operação e testes de resistência de materiais submetidos a acelerações intensas.

Aberta à comunidade científica internacional, a instalação posiciona a China como um novo polo global de pesquisas em física e engenharia de grande escala. O rápido avanço do país, que saltou de modelos anteriores para a CHIEF1900 em pouco tempo, evidencia um forte investimento estatal em pesquisa experimental de fronteira.

FONTE: Xataka Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xataka Brasil

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Exportação

Japão pede suspensão de controles da China sobre exportações de terras-raras

O governo do Japão solicitou que a China suspenda o reforço nos controles de exportação sobre produtos de uso duplo, civil e militar, que podem atingir itens estratégicos como os elementos de terras-raras. O pedido foi feito após o Ministério do Comércio chinês anunciar, no mesmo dia, a adoção imediata das novas regras.

Embora Pequim não tenha detalhado quais produtos serão afetados, autoridades japonesas demonstraram preocupação com possíveis restrições ao fornecimento de minerais críticos, fundamentais para as indústrias de tecnologia, defesa e transição energética.

Temor de restrições a minerais estratégicos

Tóquio avalia que parte dos elementos de terras-raras pode estar incluída na lista chinesa de produtos classificados como de dupla utilização. Esses materiais são essenciais para a fabricação de semicondutores, equipamentos eletrônicos, baterias e sistemas militares avançados, setores nos quais o Japão tem forte dependência de importações.

A falta de clareza sobre o alcance das medidas aumentou a apreensão do governo japonês, que vê risco de impacto direto em cadeias globais de suprimentos.

Crise diplomática entre Japão e China se intensifica

O episódio amplia a tensão diplomática entre os dois países, agravada após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre a possibilidade de reação militar em caso de um ataque a Taiwan. Analistas apontam que o momento e o tom do anúncio chinês podem estar ligados a esse contexto geopolítico sensível.

O secretário-geral do Escritório de Assuntos Asiáticos e da Oceania do Ministério das Relações Exteriores do Japão, Masaaki Kanai, afirmou que apresentou um protesto formal às autoridades chinesas. Segundo comunicado oficial, Kanai “protestou veementemente e exigiu a revogação das medidas”.

Pedido formal apresentado à embaixada chinesa

A reclamação foi encaminhada diretamente a Shi Yong, vice-chefe da missão da embaixada da China no Japão, informou o ministério japonês. Para Kanai, as novas regras “se desviam significativamente da prática internacional” e são “absolutamente inaceitáveis e profundamente lamentáveis”.

Especialistas avaliam que a linguagem ambígua utilizada por Pequim pode ser uma estratégia para pressionar o governo japonês a adotar uma postura mais moderada nas relações bilaterais.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: JIJI Press/AFP

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Comércio Exterior

Acordo UE-Mercosul ganha fôlego com apoio da Itália e pressão geopolítica internacional

A mudança de posição da Itália em favor da assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul pode destravar, finalmente, a conclusão de um tratado negociado há mais de duas décadas. A informação, divulgada pela Bloomberg, surge em um momento de crescente instabilidade internacional e reforça a leitura de especialistas de que o cenário geopolítico atual passou a favorecer o avanço do pacto comercial.

Além do reposicionamento italiano, analistas apontam que a atuação mais dura dos Estados Unidos na América do Sul, especialmente após ações do governo Donald Trump contra a Venezuela, tem acelerado a busca europeia por parceiros considerados mais previsíveis.

Pressão dos EUA aproxima Europa e Mercosul

Consultores em comércio exterior e direito internacional avaliam que o endurecimento da política externa americana acaba funcionando como um fator de aproximação entre europeus e sul-americanos. Em um ambiente global marcado por incertezas, a UE tende a fortalecer relações com regiões onde há maior estabilidade institucional e histórica cooperação econômica.

Nesse contexto, o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, surge como um parceiro estratégico, sobretudo diante da crescente influência da China na região, tanto como fornecedora de produtos industriais quanto como grande compradora de commodities.

Itália recua após pressão interna na UE

Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio da consultoria BMJ, o apoio italiano representa um avanço relevante e reflete pressões internas dentro da própria União Europeia, que cobrava uma definição após sucessivos adiamentos liderados por Roma.

Segundo ele, o movimento também indica que a UE percebe estar perdendo espaço na América Latina e vê no acordo UE-Mercosul uma oportunidade de recuperar influência. A conjuntura envolvendo a Venezuela, afirma Barral, pode ter pesado nessa avaliação estratégica.

Acordo amplia projeção global da União Europeia

Na avaliação de Marcos Jank, professor e pesquisador sênior de agronegócio global no Insper, a assinatura do tratado ajudaria a União Europeia a manter relevância fora do continente em um mundo cada vez mais fragmentado e competitivo.

Ele destaca que o discurso recente dos Estados Unidos, ao tratar a América Latina como área de influência direta de Washington, tende a empurrar a Europa para mais perto do Mercosul, reforçando laços históricos e econômicos.

Jank ressalta ainda que, diferentemente da relação com a China, marcada por disputas hegemônicas explícitas, o acordo com o Mercosul é mais previsível, fruto de negociações longas e transparentes.

“Muito vantajoso para a Europa”, dizem diplomatas

Para Roberto Jaguaribe, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-embaixador do Brasil na Alemanha, a instabilidade do sistema internacional já vinha estimulando a Europa a buscar parceiros confiáveis, e a ofensiva americana contra a Venezuela apenas reforçou essa necessidade.

No caso italiano, Jaguaribe avalia que a primeira-ministra Giorgia Meloni sempre reconheceu a importância do acordo, mas adotou inicialmente uma postura cautelosa para administrar resistências internas e ampliar seu espaço de negociação política dentro da UE.

Segundo o diplomata, o acordo é estratégico porque oferece à Europa uma vantagem competitiva rara frente a potências como Estados Unidos e China, que não têm acesso ao mercado do Mercosul nas mesmas condições.

Jaguaribe afirma ainda que o movimento italiano tende a favorecer uma decisão mais pragmática dentro do bloco europeu, em um momento em que a UE enfrenta dificuldades para sustentar posições tradicionais no campo do direito internacional.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Nicolas Tucat/AFP

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Exportação

Exportações brasileiras para os EUA caem 6,6% em 2025 após tarifaço de Trump

As exportações do Brasil para os Estados Unidos recuaram 6,6% em 2025, totalizando US$ 37,716 bilhões, em um ano fortemente impactado pelo tarifaço do governo Donald Trump. Em 2024, as vendas ao mercado norte-americano haviam alcançado US$ 40,368 bilhões. No sentido oposto, as importações de produtos dos EUA cresceram 11,3% e somaram US$ 45,246 bilhões, ante US$ 40,652 bilhões no ano anterior.

Com esse movimento, o Brasil fechou 2025 com déficit de US$ 7,530 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Tarifas ainda atingem parte relevante das exportações

O desempenho negativo reflete os efeitos das tarifas impostas durante o governo Trump. Embora em novembro tenha sido anunciada a retirada da sobretaxa adicional de 40% sobre parte dos produtos brasileiros, 22% das exportações para os EUA, o equivalente a US$ 8,9 bilhões, continuam sujeitas às tarifas adotadas em julho, segundo cálculos do Mdic.

Dentro desse grupo, há produtos que pagam apenas a sobretaxa de 40% e outros que acumulam esse percentual com a tarifa-base de 10%. Além disso, 15% das exportações, cerca de US$ 6,2 bilhões, seguem submetidas exclusivamente à taxa de 10%.

Outro ponto de pressão vem das tarifas da Seção 232, aplicadas a produtos considerados estratégicos para a segurança nacional dos Estados Unidos. Essas medidas atingem 27% das vendas brasileiras, aproximadamente US$ 10,9 bilhões. Apenas 36% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano estão livres de encargos adicionais.

Desempenho em dezembro mantém tendência de queda

Mesmo após a redução parcial das tarifas, as exportações brasileiras para os EUA caíram 7,2% em dezembro, somando US$ 3,449 bilhões, contra US$ 3,717 bilhões no mesmo mês de 2024. Foi a quinta retração mensal consecutiva desde a imposição da sobretaxa de 50% anunciada em julho.

As importações de produtos norte-americanos, por sua vez, tiveram queda de 1,5% em dezembro na comparação anual.

Governo aposta no diálogo com Washington

Em entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin afirmou que o governo brasileiro mantém a estratégia de negociação e diálogo com os Estados Unidos. Segundo ele, as conversas já permitiram reduzir o número de itens afetados pelas tarifas.

Alckmin ressaltou que o objetivo agora é avançar na flexibilização das tarifas que ainda atingem 22% da pauta exportadora brasileira. Ele destacou o relacionamento entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump como um fator que pode destravar novos acordos, incluindo temas como tarifas, barreiras não tarifárias, terras raras, datacenters e o regime especial para centros de dados, o Redata.

China e União Europeia compensam perdas

Enquanto o comércio com os Estados Unidos perdeu força, o Brasil ampliou as trocas com outros parceiros estratégicos. As exportações para a China cresceram 6% em 2025 e alcançaram US$ 100,021 bilhões. As importações chinesas avançaram 11,5%, somando US$ 70,930 bilhões, o que garantiu superávit de US$ 29,091 bilhões para o Brasil.

Já o comércio com a União Europeia teve crescimento mais moderado. As exportações brasileiras ao bloco subiram 3,2%, totalizando US$ 49,810 bilhões, enquanto as importações avançaram 6,4%, para US$ 50,290 bilhões, resultando em déficit de US$ 480 milhões. Em dezembro, mês marcado pelo adiamento da assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, as vendas brasileiras ao bloco europeu registraram alta expressiva de 39% na comparação anual.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: © MAPA/Divulgação

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Exportação

Exportações de petróleo brasileiro para a China podem ganhar força com novo cenário geopolítico

O governo brasileiro avalia, de forma reservada, a possibilidade de ampliar as exportações de petróleo bruto para a China diante de mudanças no contexto internacional envolvendo Venezuela e Estados Unidos. A análise considera uma possível reconfiguração do comércio global de energia, que pode abrir espaço para novos fornecedores no mercado asiático.

Mudanças no comércio internacional de energia

A expectativa de maior aproximação comercial entre Estados Unidos e Venezuela no setor energético levou integrantes do Itamaraty a avaliar que o Brasil poderia ocupar parte do espaço atualmente preenchido pelo petróleo venezuelano na China. Caso haja redução das exportações da Venezuela ao país asiático, o petróleo brasileiro surge como alternativa viável para suprir a demanda.

A China já é, hoje, o principal destino do petróleo bruto exportado pelo Brasil, o que reforça a percepção de que existe margem para ampliar essa relação comercial. Trata-se do mesmo tipo de produto energético adquirido pelos chineses da Venezuela, fator que fortalece o potencial de expansão da participação brasileira.

Relação com os Estados Unidos e impactos indiretos

Enquanto isso, os Estados Unidos aparecem como o segundo maior comprador de derivados de petróleo do Brasil, como diesel e querosene de aviação, atrás apenas de Cingapura. No entanto, dados recentes indicam uma redução gradual da participação norte-americana nessas compras, tendência que pode se intensificar caso o intercâmbio energético entre Washington e Caracas avance.

Esse movimento é acompanhado de perto por assessores do governo, que enxergam no atual rearranjo internacional uma oportunidade estratégica para diversificar mercados e fortalecer a presença brasileira no comércio global de energia.

Estratégia semelhante a momentos anteriores

A leitura feita por integrantes do governo é semelhante à adotada durante o período do chamado “tarifaço”, quando medidas comerciais impostas pelo então — e atual — presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levaram o Brasil a buscar alternativas para reduzir a dependência de mercados específicos.

Agora, a possível mudança no fluxo do petróleo venezuelano reacende essa estratégia de reposicionamento internacional.

Margem Equatorial no radar do governo

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também destacam o potencial futuro do petróleo da Margem Equatorial. Apesar de ainda não haver uma data definida para o início da produção, a expectativa é que essa nova fronteira exploratória possa reforçar o papel do Brasil como fornecedor estratégico de energia, especialmente para a China, ampliando a relevância do país no cenário global.

FONTE: Brasil 247 e CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/PILAR OLIVARES

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Exportação

Brasil reage às cotas chinesas sobre carne bovina e tenta conter perdas bilionárias

O Brasil reagiu às cotas impostas pela China à carne bovina e iniciou uma ofensiva diplomática e comercial para reduzir os impactos da medida sobre o setor exportador. As restrições chinesas colocam em risco um dos principais eixos do comércio bilateral e podem gerar perdas bilionárias já a partir de 2026.

Em nota divulgada na quarta-feira (31), os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), da Agricultura e Pecuária (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE) informaram que acompanham a decisão “com atenção” e que atuarão de forma integrada com o setor privado para defender os interesses da cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

Diálogo bilateral e possível atuação na OMC

Segundo o governo, o tema será tratado tanto no diálogo bilateral com Pequim quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora as salvaguardas não tenham sido justificadas por práticas desleais, como dumping ou subsídios ilegais, autoridades brasileiras avaliam que a iniciativa gera distorções relevantes em um mercado no qual o Brasil se consolidou como fornecedor estratégico.

O comunicado oficial ressalta que as medidas chinesas são aplicáveis a importações de todas as origens, mas o impacto sobre o Brasil tende a ser mais expressivo devido ao elevado volume exportado ao país asiático.

Cotas e sobretaxa afetam volumes e preços

As restrições chinesas à carne bovina entraram em vigor no dia 1º e terão validade inicial de três anos. As novas regras fixam uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para as importações do produto brasileiro. O volume que ultrapassar esse limite será taxado com uma sobretaxa de 55%, além da tarifa de importação de 12% já existente.

A combinação de cotas e tarifas deve afetar diretamente os volumes embarcados e a formação de preços, reduzindo a competitividade da carne brasileira no mercado chinês.

China é principal destino da carne brasileira

A China ocupa atualmente a posição de maior importador mundial e segundo maior consumidor de carne bovina, atrás apenas dos Estados Unidos. Nos últimos anos, tornou-se o principal destino das exportações brasileiras, com influência decisiva sobre os preços internacionais do produto.

Em 2024, mais de um terço da carne bovina exportada pelo Brasil teve como destino o mercado chinês, evidenciando o grau de dependência comercial do setor em relação ao país asiático.

Setor estima perdas de até US$ 3 bilhões

Para a indústria brasileira, o impacto financeiro pode ser expressivo. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estima que as salvaguardas impostas pela China possam resultar em uma perda de até US$ 3 bilhões em receita em 2026, caso não haja flexibilização das regras ou redirecionamento relevante das exportações.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Ladeira/Folhapress

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Economia

China define prioridades para a agricultura em 2026 com foco em modernização e revitalização rural.

Diretrizes agrícolas marcam início do 15º Plano Quinquenal.

A Conferência Central de Trabalho Rural da China, realizada nesta semana em Pequim, estabeleceu as principais diretrizes das políticas agrícolas e rurais do país para 2026. As definições foram divulgadas nesta terça-feira pela agência estatal Xinhua e ganham peso estratégico por antecederem o início do 15º Plano Quinquenal (2026–2030).

Antes do encontro, o Comitê Permanente do Birô Político do Partido Comunista da China (PCCh) promoveu uma reunião preparatória para alinhar as orientações sobre agricultura, áreas rurais e agricultores. O presidente Xi Jinping, que também ocupa os cargos de secretário-geral do PCCh e presidente da Comissão Militar Central, enviou instruções oficiais ao evento.

Agricultura no centro da estratégia nacional

Nas mensagens encaminhadas à conferência, Xi Jinping ressaltou que 2026 inaugura um novo ciclo de planejamento nacional, tornando essencial o fortalecimento das políticas voltadas ao desenvolvimento agrícola, à revitalização rural e à integração entre áreas urbanas e rurais.

Entre os principais objetivos definidos estão:

  • Avanço da modernização agrícola
  • Promoção integral da revitalização rural
  • Fortalecimento da coordenação entre campo e cidade

Segurança alimentar e renda no campo

A conferência reforçou a prioridade de assegurar a produção de grãos, além de ampliar a efetividade das políticas de apoio à agricultura, ao aumento da renda dos agricultores e ao desenvolvimento sustentável das regiões rurais.

O encontro ocorre na esteira da Conferência Central de Trabalho Econômico, que já havia destacado a integração urbano-rural, e após a divulgação das recomendações preliminares do 15º Plano Quinquenal, que colocam a agricultura como setor estratégico.

Documento Central nº 1 orienta políticas anuais

Segundo a Xinhua, os participantes analisaram um rascunho das diretrizes centrais voltadas à modernização agrícola e ao avanço da revitalização rural em todas as frentes. Tradicionalmente, essas orientações são consolidadas no chamado “Documento Central nº 1”, publicado anualmente no início do ano e considerado um termômetro das prioridades do governo central chinês.

Entre os temas debatidos estiveram a estabilização da produção de grãos e oleaginosas, a ampliação da capacidade produtiva agrícola e o fortalecimento de uma oferta alimentar diversificada.

Soja, comércio internacional e impacto no Brasil

De acordo com a Reuters, o plano prevê o aumento da produção doméstica de soja e de óleo de soja, o que pode reduzir parcialmente a demanda chinesa pela commodity no mercado internacional. Atualmente, o Brasil é o principal exportador de soja para a China, posição fortalecida após a guerra tarifária entre Estados Unidos e China.

Apesar disso, Brasil e China têm aprofundado a cooperação na cadeia de comércio da soja, movimento que tende a reduzir ainda mais a participação norte-americana nesse mercado estratégico.

Tecnologia impulsiona nova produtividade no campo

Outro ponto de destaque foi o papel crescente da inovação tecnológica no agronegócio. A conferência indicou esforços para acelerar avanços em tecnologias agrícolas essenciais, ampliar a aplicação prática de pesquisas científicas e desenvolver novos modelos de produtividade, adaptados às realidades regionais.

Resultados recentes sustentam metas futuras

Dados oficiais mostram que, em 2024, a produção total de grãos da China superou 700 milhões de toneladas pela primeira vez. Além disso, mais de 66 milhões de hectares de terras agrícolas de alto padrão já haviam sido desenvolvidas. Esses números são apontados como base sólida para a continuidade da modernização agrícola chinesa no próximo ciclo de planejamento nacional.

Fonte: Xinhua e Reuters
Texto: Redação

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