Internacional

Algodão recua mais de 5% na semana em Nova York e amplia pressão sobre os preços

Os preços do algodão fecharam a sessão da última sexta-feira (18) em forte baixa na Bolsa de Nova York. O movimento negativo também marcou o desempenho semanal, com os principais contratos acumulando perdas superiores a 5%.

No encerramento do pregão, o contrato outubro/26 caiu 1,03 centavo de dólar, ou 1,31%, para 77,38 cents por libra-peso. O dezembro/26 recuou 1,02 centavo, equivalente a 1,24%, e terminou cotado a 81,15 cents/lb.

Entre os contratos mais longos, o março/27 perdeu 1,02 centavo (-1,20%), encerrando a 83,79 cents/lb. Já o maio/27 teve queda de 0,95 centavo (-1,10%), para 85,36 cents/lb.

Contratos de algodão acumulam perdas superiores a 5%

Na comparação com o fechamento da semana anterior, a queda foi ainda mais expressiva.

O contrato outubro/26 passou de 82,38 para 77,38 cents/lb, uma retração de 5 centavos, ou 6,07%. O dezembro/26 caiu de 86,06 para 81,15 cents/lb, acumulando perda de 4,91 centavos (-5,70%).

Já o março/27 recuou de 88,56 para 83,79 cents/lb, baixa de 4,77 centavos (-5,39%). No maio/27, a cotação passou de 89,95 para 85,36 cents/lb, queda de 4,59 centavos (-5,10%).

O desempenho reforça o cenário de pressão sobre as cotações do algodão em Nova York, em meio ao acompanhamento dos dados de oferta, demanda e exportações dos Estados Unidos.

Exportações dos EUA superam média histórica em volume comprometido

Os dados mais recentes sobre as exportações de algodão dos Estados Unidos mostram que os compromissos para a temporada 2026/27 alcançavam aproximadamente 4,5 milhões de fardos até 10 de setembro.

Esse volume está 13% acima da média registrada nos últimos cinco anos. Apesar disso, os compromissos representam 39% da projeção de exportações do USDA para toda a temporada.

O percentual fica abaixo da média histórica de 48%, indicando que, embora o volume comprometido esteja acima do padrão recente, a comercialização ainda representa uma parcela menor da previsão total para a temporada.

Vendas semanais somam mais de 77 mil fardos

No relatório referente à semana encerrada em 10 de setembro, os Estados Unidos registraram vendas líquidas de 71.231 fardos de algodão para a temporada 2026/27.

Para o ciclo 2027/28, foram contabilizados outros 6.160 fardos em vendas líquidas.

Somando os dois períodos, as novas vendas chegaram a 77.391 fardos na semana.

Os embarques também apresentaram movimentação significativa. No período analisado, foram exportados 142.078 fardos de algodão.

Mercado acompanha demanda e exportações

Com as cotações acumulando perdas superiores a 5% na semana, os dados de comercialização e exportação dos Estados Unidos permanecem no radar do mercado.

O comportamento das exportações de algodão, juntamente com o ritmo das vendas para as próximas safras, deve continuar influenciando as expectativas dos agentes e a formação dos preços na Bolsa de Nova York.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Exportação

Exportações de amendoim desaceleram em agosto e pressionam preços da cadeia

Os números de agosto do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam uma desaceleração nas exportações de amendoim. Tanto os embarques de grãos quanto os de óleo recuaram no mês, dando continuidade a uma sequência de quedas que chama atenção por ocorrer antes do período tradicionalmente mais fraco do ano.

As exportações de grãos de amendoim registraram a segunda queda consecutiva, enquanto os embarques de óleo de amendoim recuaram pelo terceiro mês seguido. Historicamente, o período costuma apresentar estabilidade ou até crescimento nos volumes exportados, com uma redução mais significativa esperada apenas nos últimos meses do ano.

Em 2026, entretanto, o movimento de desaceleração começou mais cedo.

Exportações ainda acumulam resultados positivos

Apesar do recuo observado em agosto, o desempenho acumulado do ano ainda apresenta números relevantes.

Entre janeiro e agosto, o volume exportado de grãos de amendoim está 20% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Caso a média mensal seja mantida nos próximos meses, o país poderá encerrar 2026 com um novo recorde histórico de embarques.

No caso do óleo, o cenário é diferente. O volume acumulado está 24% abaixo do observado na comparação anual. Ainda assim, a expectativa é de que as exportações superem a marca de 125 mil toneladas, um patamar considerado expressivo dentro da série histórica.

O principal desafio, portanto, não está necessariamente na quantidade exportada, mas na remuneração obtida pela cadeia do amendoim.

Preços internacionais preocupam o setor

Quando os valores são analisados em dólar, o cenário fica mais evidente. A receita acumulada com as exportações de grãos e óleo de amendoim chega a aproximadamente US$ 378 milhões entre janeiro e agosto, abaixo dos US$ 396 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

A diferença mostra que o aumento dos volumes exportados não vem sendo acompanhado na mesma proporção pela receita.

Atualmente, os preços recebidos nas exportações de grãos e óleo de amendoim estão, respectivamente, 34% e 38% abaixo dos níveis registrados em 2021. Ao mesmo tempo, os custos enfrentados por produtores, beneficiadores e exportadores avançaram.

O resultado é uma forte pressão sobre as margens de toda a cadeia.

Custo de produção limita rentabilidade

Na origem, as cotações do amendoim estão atualmente na faixa de R$ 72 a R$ 78 por saca de 25 quilos. Para uma parcela significativa dos produtores, esses valores ainda não são suficientes para cobrir os custos de produção.

A situação também afeta empresas responsáveis pelo beneficiamento, processamento e exportação. A aquisição da matéria-prima nesses níveis de preço pode resultar em margens muito reduzidas ou até negativas, especialmente no segmento de óleo de amendoim.

Ao mesmo tempo, o mercado doméstico permanece enfraquecido, reduzindo as alternativas para a comercialização da produção.

O cenário, portanto, reúne preços pressionados, custos elevados e demanda interna desaquecida, criando um ambiente desafiador para o setor.

Produtor precisa buscar eficiência e produtividade

Parte significativa dos fatores que afetam a cadeia está fora do controle direto dos agentes do setor. Entre eles estão taxas de juros, gastos públicos, câmbio, clima, conflitos internacionais, tarifas comerciais, preço do diesel, custo Brasil, crédito e seguro agrícola.

Ainda assim, existem medidas que podem ser adotadas dentro das propriedades.

Para o produtor, a busca por redução dos custos de produção e aumento da produtividade deve permanecer entre as prioridades, sempre considerando as condições climáticas.

Boas práticas agrícolas, manejo integrado de pragas, semeadura na palha — especialmente nas propriedades paulistas — e uma gestão mais precisa do negócio podem contribuir para melhorar a eficiência.

Outro ponto fundamental é projetar antecipadamente os custos da próxima safra e acompanhar o comportamento do mercado. A análise das tendências dos preços futuros do amendoim pode ajudar o produtor a tomar decisões de comercialização com maior planejamento.

Cadeia precisa estimular consumo e agregar valor

Para os demais integrantes da cadeia, a estratégia passa por maior integração e atuação conjunta.

Uma das oportunidades está no fortalecimento do consumo interno de amendoim e óleo de amendoim, produtos associados a benefícios à saúde e que ainda possuem espaço para ampliar sua presença na alimentação dos brasileiros.

Também há espaço para desenvolver ações de marketing, rastreabilidade e promoção comercial tanto no mercado nacional quanto no exterior.

Experiências internacionais mostram que iniciativas desse tipo podem contribuir para ampliar o consumo doméstico. Um mercado interno mais forte, por sua vez, ajudaria a reduzir a dependência do setor em relação às oscilações dos preços internacionais e ao desempenho das exportações.

Diversificação pode reduzir exposição ao mercado externo

O atual cenário reforça a importância de construir uma cadeia de amendoim mais eficiente, integrada e diversificada.

A expansão do consumo interno, combinada à melhoria da produtividade, controle de custos, rastreabilidade e estratégias comerciais, pode criar novas alternativas para produtores e empresas do setor.

O desafio é transformar um cenário de margens pressionadas em oportunidades de maior eficiência e agregação de valor ao longo da cadeia.

Como resume uma frase frequentemente atribuída a Winston Churchill: “O sucesso não é definitivo, o fracasso não é fatal, o que conta é a coragem de continuar”.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

China compra mais 111 mil toneladas de soja dos EUA antes de encontro entre Trump e Xi

A China voltou a comprar soja dos Estados Unidos na última sexta-feira (18), em mais um movimento que reforça a demanda chinesa pela oleaginosa norte-americana. Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), foram comercializadas 111 mil toneladas de soja, com embarque previsto para o ano comercial 2026/27.

A nova operação ocorre às vésperas do aguardado encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, aumentando a atenção do mercado para os possíveis desdobramentos das negociações comerciais entre Estados Unidos e China.

Compras chinesas de soja ganham ritmo em setembro

O anúncio desta sexta-feira amplia uma sequência de negócios realizados pela China no mercado norte-americano ao longo de setembro.

De acordo com os comunicados do USDA, os compradores chineses já haviam adquirido volumes expressivos de soja dos EUA neste mês:

  • 136 mil toneladas em 1º de setembro;
  • 202 mil toneladas em 2 de setembro;
  • 192 mil toneladas em 3 de setembro;
  • 272 mil toneladas em 10 de setembro;
  • 111 mil toneladas anunciadas nesta sexta-feira (18).

A repetição das operações mantém a demanda chinesa em evidência justamente durante um período importante para a comercialização da nova safra dos Estados Unidos.

Soja está no radar das negociações entre Trump e Xi

A retomada das compras ocorre em um momento particularmente relevante para o comércio agrícola global. O encontro entre Trump e Xi Jinping é aguardado pelo mercado diante das discussões envolvendo tarifas e relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Nesse contexto, a soja aparece entre os produtos agrícolas acompanhados de perto por traders e produtores. Mudanças nas políticas comerciais ou novos compromissos de compra da China podem alterar os fluxos internacionais da oleaginosa.

Para os Estados Unidos, a continuidade das vendas representa um importante sinal de demanda durante a entrada da nova safra no mercado.

Efeito pode chegar ao mercado brasileiro

O movimento chinês também interessa diretamente ao mercado brasileiro de soja.

O aumento das compras da China nos Estados Unidos pode influenciar as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago, além de afetar os prêmios de exportação e a formação dos preços nos portos brasileiros.

Por isso, além do volume efetivamente negociado, o mercado acompanha os próximos passos das relações comerciais entre Washington e Pequim. Eventuais novos acordos ou mudanças nas tarifas poderão interferir na distribuição da demanda chinesa entre os principais fornecedores mundiais de soja.

Com a reunião entre Trump e Xi no horizonte, as novas compras chinesas acrescentam mais um elemento ao cenário de preços da soja, exportações e competição entre Estados Unidos e Brasil pelo principal mercado consumidor da oleaginosa.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Trump e Xi se preparam para encontro decisivo, com soja no centro das negociações entre EUA e China

Donald Trump e Xi Jinping ainda não se encontraram pessoalmente, mas Estados Unidos e China já movimentam suas estratégias antes de uma das reuniões de maior peso econômico e geopolítico de 2026. O encontro está previsto para a próxima quinta-feira, 24 de setembro, em Washington.

Será a segunda reunião presencial entre os dois líderes neste ano. A primeira ocorreu em maio, durante a visita de Trump a Pequim. Agora, Xi deverá voltar à Casa Branca pela primeira vez em cerca de uma década. O presidente chinês esteve nos Estados Unidos em 2023 para a cúpula da APEC, em São Francisco, mas aquela passagem pelo país não incluiu uma visita à sede do governo americano.

Tarifas e comércio entram na pauta de Trump e Xi

A dimensão da reunião vai muito além da relação comercial. Entre os assuntos que podem influenciar as negociações estão tarifas, tecnologia, inteligência artificial, minerais críticos, Taiwan, relações da China com o Irã, energia e agricultura.

Nos últimos dias, Washington e Pequim deram sinais de que estão preparando o terreno para a reunião.

Segundo informações da Bloomberg divulgadas nesta sexta-feira (18), os Estados Unidos devem deixar para depois do encontro entre Trump e Xi o anúncio de novas tarifas relacionadas ao que Washington considera excesso de capacidade produtiva de parceiros comerciais.

Um relatório que poderia ser divulgado antes da reunião teria a possibilidade de recomendar uma tarifa adicional de 7,5% sobre produtos chineses. Até o momento, porém, não há definição sobre a alíquota final, e o governo americano não informou oficialmente a razão para o adiamento.

Enquanto isso, o mercado financeiro também acompanha os movimentos chineses. O yuan offshore chegou a 6,6957 por dólar nesta sexta-feira, maior nível desde julho de 2022. A valorização ocorreu após o Banco Popular da China reforçar sua taxa de referência pela oitava sessão consecutiva.

Empresários chineses podem acompanhar Xi

As articulações não se limitam aos governos. Estados Unidos e China também trabalham na composição de uma possível delegação de empresários chineses para acompanhar Xi durante a visita.

Executivos de grandes empresas dos setores de veículos elétricos, baterias, tecnologia, bancos e agronegócio estão entre os nomes considerados. A lista, entretanto, ainda não foi concluída e pode depender das negociações previstas para este fim de semana entre o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-premiê chinês He Lifeng.

Apesar dos preparativos em Washington, Pequim ainda não havia confirmado publicamente e de forma explícita a reunião até quinta-feira. Em conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o chanceler chinês Wang Yi afirmou que os dois países deveriam preparar a próxima etapa das interações de alto nível, sem mencionar diretamente o encontro entre Trump e Xi.

Soja ganha importância nas negociações agrícolas

Em meio a temas como Taiwan, Irã, tecnologia e minerais estratégicos, a soja pode parecer uma questão secundária. Para o mercado agrícola, porém, qualquer mudança na relação comercial entre Estados Unidos e China pode produzir efeitos relevantes.

“No caso da soja, ela é um temperinho dessa coisa que é muito maior. Ela faz parte do que está se discutindo”, afirmou Eduardo Vanin, sênior agriculture strategist da Marex, ao Notícias Agrícolas.

Segundo o analista, um eventual acordo comercial precisaria envolver produtos de grande relevância para as importações chinesas. Entre eles, estariam petróleo, gás e soja.

A avaliação ajuda a dimensionar o papel da oleaginosa: ela é apenas uma das peças de uma negociação muito mais ampla, mas tem potencial para afetar preços, fluxos internacionais e a concorrência entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado chinês de soja.

Agricultura pode ser área de avanço entre os países

A agricultura aparece entre os setores com possibilidade de avanço nas negociações. Neste mês, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que podem surgir anúncios envolvendo produtos agrícolas e barreiras não tarifárias.

Além da soja, milho e sorgo também podem fazer parte das discussões.

De acordo com a Casa Branca, a China teria se comprometido, após o encontro de Trump e Xi no ano passado, a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Pequim, contudo, não reconheceu publicamente o compromisso nos mesmos termos apresentados pelo governo dos Estados Unidos.

As compras chinesas realizadas até agora, por outro lado, caminham na direção do volume indicado por Washington. A China já teria adquirido quase metade desse montante e continua ativa no mercado americano.

Somente na semana passada, compradores chineses adquiriram aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos. A possibilidade de novos compromissos agrícolas ocorre em um momento em que a demanda chinesa voltou a ganhar destaque no mercado de Chicago.

Mais compras chinesas poderiam mexer com Chicago

Para Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, uma eventual ampliação das compras chinesas poderia encontrar os Estados Unidos em um cenário de menor disponibilidade.

“Os Estados Unidos não têm soja para se comprometer a exportar tanto assim a mais para a China”, afirmou o analista ao Notícias Agrícolas. Na avaliação dele, uma compra adicional de 5 milhões de toneladas poderia provocar uma forte reação no mercado de curto prazo, especialmente em Chicago.

Palavro, entretanto, não considera que um aumento das compras chinesas nos Estados Unidos necessariamente prejudicaria o Brasil.

Segundo ele, uma eventual perda de participação brasileira na demanda chinesa poderia ser compensada por outros mercados, já que Brasil e Estados Unidos são os dois principais fornecedores globais da oleaginosa.

Outro ponto destacado pelo analista é a relação entre os preços internacionais e o mercado brasileiro. Uma valorização da soja americana tende a influenciar também as cotações brasileiras.

Por isso, para o produtor nacional, será importante observar não apenas o volume que a China eventualmente comprar dos Estados Unidos, mas também os efeitos sobre Chicago, prêmios de exportação e preços da soja no Brasil.

Irã, Taiwan e energia ampliam as negociações

O contexto atual também diferencia a reunião de setembro de outras negociações entre Trump e Xi.

Para Eduardo Vanin, as relações entre China e Irã ganharam importância, assim como Taiwan, tecnologia e comércio. O analista avalia que o peso das questões envolvidas atualmente é maior do que em negociações anteriores.

Nesse cenário, produtos como soja, petróleo e gás podem funcionar como elementos de uma eventual composição comercial entre Washington e Pequim.

A questão do Irã já está presente na agenda diplomática. Nesta semana, Wang Yi conversou com Marco Rubio sobre a situação do Oriente Médio, depois de receber em Pequim o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

A China defendeu a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Energia também pode entrar no acordo

O setor energético é outro ponto de interesse nas relações entre os dois países. As compras chinesas de petróleo e gás dos Estados Unidos foram interrompidas depois da adoção de tarifas.

Uma eventual redução recíproca das tarifas, que vem sendo discutida entre Washington e Pequim, poderia criar condições para a retomada desses fluxos comerciais.

Assim, a negociação entre Trump e Xi envolve uma combinação de interesses econômicos, tecnológicos, energéticos e geopolíticos, com a agricultura inserida nesse cenário mais amplo.

O que está em jogo para a soja brasileira

A reunião entre Trump e Xi ocorre em um momento de atenção redobrada dos mercados agrícolas. Uma eventual mudança na política comercial entre Estados Unidos e China pode alterar os fluxos globais de soja, afetando diretamente as referências internacionais e os prêmios praticados no Brasil.

Para o mercado agrícola, algumas questões serão especialmente importantes: a China anunciará novas compras de soja americana? Haverá redução de tarifas? Os dois países estabelecerão novos compromissos para produtos agrícolas?

Para o produtor brasileiro, o impacto dependerá também da reação de Chicago, dos prêmios de exportação e da capacidade de outros mercados absorverem eventuais volumes que deixem de ser destinados à China.

A soja, portanto, é apenas uma peça dentro de uma negociação que envolve comércio, tecnologia, energia, segurança e geopolítica. Mesmo assim, qualquer sinal de mudança na relação entre Washington e Pequim pode repercutir rapidamente nas cotações agrícolas e no mercado brasileiro.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agricultura

Reforma tributária muda cálculo para compra de insumos no campo a partir de 2027

A reforma tributária deve mudar a forma como produtores rurais avaliam a compra de insumos a partir de 2027. Com o início de uma nova etapa da transição, a entrada da CBS e o fim do PIS e da Cofins tornam mais relevante a análise do tratamento tributário aplicado a cada operação.

Enquanto isso, o IBS substituirá gradualmente o ICMS e o ISS até 2033. Na prática, o produtor precisará considerar mais do que o preço apresentado pelo fornecedor para identificar o custo efetivo de uma aquisição.

Isso ocorre porque o novo sistema prevê mecanismos de créditos tributários. Dependendo da operação, um produto com preço maior pode representar um custo econômico menor após a consideração dos créditos. No setor agropecuário, porém, essa avaliação exige atenção porque diferentes insumos terão tratamentos específicos e algumas operações poderão envolver diferimento.

Preço do produto não será o único fator de decisão

A Lei Complementar nº 214/2025 criou o IBS e a CBS e estabeleceu regras para a utilização de créditos no novo sistema tributário. A transição começou em 2026, com a extinção do PIS e da Cofins prevista para 2027, enquanto a substituição dos atuais tributos sobre o consumo ocorrerá gradualmente até 2033.

Com a mudança, a análise de uma compra deverá considerar fatores como preço, tributação, regime do fornecedor e possibilidade de aproveitamento de créditos.

A documentação fiscal também ganha importância. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS trabalham na adaptação dos documentos fiscais eletrônicos às novas regras, o que exigirá ajustes de sistemas e procedimentos por parte das empresas e produtores.

Crédito tributário pode alterar comparação entre fornecedores

Uma situação hipotética ajuda a demonstrar o funcionamento dessa lógica.

Imagine que um fornecedor ofereça determinado produto por R$ 110 mil, com possibilidade de gerar R$ 10 mil em crédito tributário. Outro apresenta preço de R$ 104 mil, mas permite apenas R$ 2 mil de crédito.

Considerando apenas o valor da nota, a segunda proposta seria mais barata. Depois da consideração dos créditos, porém, os custos econômicos seriam de R$ 100 mil e R$ 102 mil, respectivamente.

Os valores são meramente ilustrativos e não representam necessariamente o tratamento de uma operação específica. O exemplo mostra, contudo, por que preço, tributos e créditos precisarão ser avaliados conjuntamente.

O crédito, entretanto, não estará necessariamente disponível em todas as situações nem poderá ser utilizado de forma imediata. Por isso, as regras específicas aplicáveis aos produtos e às operações do setor rural serão determinantes.

Insumos agropecuários terão tratamento específico

A legislação prevê redução de 60% nas alíquotas do IBS e da CBS para determinados insumos agropecuários e aquícolas listados no Anexo IX da Lei Complementar nº 214.

Entre os produtos abrangidos estão fertilizantes, biofertilizantes, corretivos de solo, remineralizadores, substratos e determinados bioinsumos, desde que atendidas as classificações e demais exigências previstas na legislação.

A redução não se aplica indistintamente a qualquer produto comercializado para produtores rurais. O benefício depende do enquadramento da mercadoria nas classificações estabelecidas e, nos casos previstos, do respectivo registro como insumo agropecuário ou aquícola.

Também existem operações que estarão sujeitas ao diferimento do IBS e da CBS. Nessa modalidade, o recolhimento do tributo é transferido para uma etapa posterior da cadeia, o que pode modificar a análise dos créditos e do custo tributário da compra.

Regime tributário do fornecedor ganha importância

O enquadramento fiscal da empresa que vende o produto ou presta o serviço também deverá entrar na análise.

As regras do Simples Nacional estão sendo adaptadas para incorporar o IBS e a CBS. Em agosto de 2026, o Comitê Gestor do Simples Nacional aprovou alterações relacionadas à adequação do regime à reforma tributária.

Para produtores e demais compradores submetidos ao regime regular, isso significa que fornecedores enquadrados em regimes diferentes poderão produzir efeitos tributários distintos.

Assim, a área responsável pelas compras terá de considerar não apenas descontos e condições comerciais. O regime tributário do fornecedor, a tributação do produto, a existência de diferimento e o crédito efetivamente aproveitável também poderão influenciar a decisão.

Produtor rural pessoa física terá novas exigências

A reforma também terá reflexos para determinados produtores rurais pessoas físicas.

O governo prorrogou para 1º de janeiro de 2027 a obrigatoriedade de inscrição no CNPJ e de emissão dos documentos fiscais previstos na regulamentação da CBS para a pessoa física que se enquadrar nas hipóteses estabelecidas, incluindo o produtor rural pessoa física mencionado na regulamentação.

Até 31 de dezembro de 2026, permanecem os mecanismos atuais de identificação fiscal nas situações abrangidas.

A prorrogação amplia o prazo para que produtores rurais, contadores e fornecedores adaptem seus sistemas e procedimentos. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de organização fiscal dentro das propriedades.

Cadastro de produtos e fornecedores exige revisão

A preparação para a nova sistemática passa pela revisão do cadastro de produtos e fornecedores.

Cada item utilizado na atividade rural deverá ser analisado de acordo com sua classificação fiscal e com o tratamento tributário previsto na reforma. Também será necessário acompanhar as alterações nos documentos fiscais eletrônicos.

Uma documentação emitida de forma inadequada pode prejudicar o aproveitamento do tratamento tributário previsto para determinada operação.

Por isso, a gestão das compras tende a incorporar novos critérios. Na aquisição de um lote de fertilizantes, por exemplo, o produtor deverá avaliar não apenas o valor negociado, mas também frete, condições de pagamento, qualidade, prazo de entrega, regime tributário do fornecedor, tributação aplicável e eventual crédito.

A mesma lógica poderá ser aplicada à contratação de serviços, aquisição de máquinas e compra de outros itens necessários à produção.

Gestão de custos ganha nova dimensão

A chegada da CBS e a implantação gradual do IBS tornam a gestão tributária no agronegócio um componente ainda mais relevante das decisões de compra.

Na prática, o produtor precisará substituir comparações baseadas exclusivamente no preço bruto por uma análise mais ampla do custo da operação. A capacidade de identificar corretamente os créditos e os tratamentos previstos para cada produto poderá interferir no resultado econômico das aquisições.

Com a continuidade da transição até 2033, a tendência é de que fornecedores, produtores e profissionais responsáveis pela gestão das propriedades precisem adaptar processos, sistemas e controles para acompanhar as novas regras.

FONTE: Seu Crédito Digital
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Agronegócio

Renato Guimarães deixará comando da FMC Brasil em novembro

O executivo Renato Guimarães deixará, em novembro, os cargos de vice-presidente global e CEO da FMC para a América Latina e o Brasil. Ele ocupa as duas posições desde março de 2024.

A saída foi comunicada pelo próprio executivo na quarta-feira (16), em uma publicação no LinkedIn. Até o momento, a FMC não informou quem assumirá os cargos.

“Depois de quase três anos, chegou o momento de anunciar que, em novembro, encerrarei meu ciclo na FMC”, afirmou Guimarães na publicação.

O executivo agradeceu a clientes, distribuidores, parceiros e funcionários com quem trabalhou durante o período. Também indicou que pretende permanecer ativo no mercado, seja em novas funções executivas ou na participação em conselhos de empresas.

Mudança ocorre durante revisão estratégica da FMC

A saída de Guimarães acontece enquanto a FMC Corporation, fabricante norte-americana de defensivos agrícolas, analisa alternativas para seu negócio global.

Entre as possibilidades avaliadas pela companhia estão a venda total ou parcial da empresa. A revisão ocorre em meio a um cenário de elevado endividamento, que somava US$ 4,08 bilhões.

A FMC anunciou a avaliação de alternativas estratégicas em fevereiro, juntamente com a divulgação dos resultados financeiros de 2025. Na ocasião, a companhia informou que seu conselho de administração havia autorizado a análise de diferentes opções para o futuro do negócio.

Empresa busca reduzir dívida em US$ 1 bilhão

A redução do endividamento foi definida pela FMC como uma das prioridades para 2026.

A companhia estabeleceu a meta de diminuir a dívida em US$ 1 bilhão por meio da venda de ativos e de acordos de licenciamento. Entre as iniciativas anunciadas está a venda da operação comercial da empresa na Índia.

O movimento faz parte da estratégia da FMC para fortalecer sua estrutura financeira enquanto avalia alternativas para o futuro da companhia em escala global.

Trajetória inclui Sinagro e Syngenta

Antes de assumir o comando da FMC na América Latina e no Brasil, Renato Guimarães atuou por quase seis anos como CEO da Sinagro, distribuidora de insumos agrícolas controlada pela UPL.

Após a saída do executivo, a empresa passou a utilizar a marca Sinova.

Formado em engenharia agronômica, Guimarães também ocupou posições de liderança na Syngenta e acumulou experiência na área de consultoria.

Executivo avalia próximos passos profissionais

Com a saída da FMC prevista para novembro, Guimarães afirmou que pretende continuar trabalhando no setor.

Entre as possibilidades consideradas pelo executivo estão o retorno à consultoria e a atuação como membro de conselhos de empresas.

A mudança encerra o ciclo de Guimarães na FMC em um momento de transformações estratégicas para a companhia, que busca reduzir seu endividamento e avalia diferentes alternativas para o futuro de suas operações globais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação FMC

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Agricultura

Algodão pode ganhar força em 2026/27 com oferta global mais ajustada

O mercado internacional de algodão começa a safra 2026/27 diante de uma relação mais estreita entre oferta e demanda. De acordo com análise do Itaú BBA, o cenário pode contribuir para dar sustentação às cotações da fibra ao longo do novo ciclo.

A instituição projeta uma produção mundial de algodão de 25,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo global é estimado em 26,8 milhões de toneladas. A diferença resultaria em um déficit próximo de 1,2 milhão de toneladas.

Com a demanda acima da produção, os estoques globais devem recuar de 16,4 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 15,2 milhões de toneladas em 2026/27.

Segundo o Itaú BBA, esse equilíbrio mais apertado torna os preços mais vulneráveis a eventuais problemas de produção nos principais países produtores e exportadores.

Estoques chineses reduzem oferta disponível no mercado

A relação entre oferta e demanda fica ainda mais restrita quando os estoques mantidos pela China são retirados da conta. Isso ocorre porque uma parcela relevante dessas reservas possui menor disponibilidade para o comércio internacional.

Nesse cenário, eventuais perdas de produção nos Estados Unidos, Índia ou China poderiam ampliar a pressão sobre as cotações internacionais do algodão.

Brasil amplia presença nas exportações de algodão

O Brasil encerrou a safra 2025/26 com produção recorde de aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de pluma, mesmo diante de uma redução de 6,3% na área cultivada, que ficou próxima de 2,07 milhões de hectares.

O desempenho foi favorecido por condições climáticas consideradas favoráveis, pelo aumento da participação de áreas irrigadas e pela adoção de novas tecnologias, fatores que ajudaram a compensar a menor área plantada.

As exportações brasileiras de algodão também alcançaram recorde no ano comercial 2025/26, com 3,4 milhões de toneladas embarcadas.

A China importou 1,5 milhão de toneladas da fibra no período. Desse total, 784 mil toneladas tiveram origem no Brasil, o equivalente a 51% das compras chinesas.

Mercado brasileiro diversifica destinos

A China continua sendo um importante mercado para o algodão brasileiro, mas os embarques vêm alcançando outros países.

Em agosto de 2026, a Índia respondeu por 26% das exportações brasileiras da fibra. Na sequência apareceram Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia.

Na avaliação do Itaú BBA, a ampliação desses mercados reduz a dependência brasileira em relação à China e aproxima o país de importantes centros mundiais de processamento e transformação do algodão.

Alta dos preços melhora margem do produtor

A recuperação das cotações do algodão também trouxe melhora para a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Entre o início de julho e a primeira metade de setembro, o preço da fibra no mercado interno, considerando a referência de Rondonópolis (MT), avançou 6,4%, chegando a R$ 4,04 por libra-peso.

No mercado futuro de Nova York, a valorização acumulada desde julho superou 8%. A média passou de US$ 0,775 para US$ 0,84 por libra-peso na primeira quinzena de setembro.

A alta também favoreceu a relação de troca do algodão com importantes fertilizantes, como MAP, ureia e KCl. Com isso, foi necessária uma quantidade menor da fibra para adquirir os mesmos volumes desses insumos.

Margem do algodão de segunda safra sobe em Mato Grosso

Diante da melhora dos preços, o Itaú BBA revisou sua estimativa para a margem agrícola do algodão de segunda safra em Mato Grosso.

A projeção para 2026/27 passou de 26% para aproximadamente 38%. A estimativa anterior, divulgada em abril, considerava os preços observados naquele momento.

A melhora da rentabilidade pode aumentar a atratividade do algodão em relação a outras opções de segunda safra e estimular o crescimento da área cultivada no próximo ciclo.

Área brasileira pode superar 2,2 milhões de hectares

As primeiras projeções do banco indicam que a área plantada com algodão no Brasil poderá ultrapassar os 2,2 milhões de hectares registrados na safra 2024/25.

Mesmo com uma possível expansão do cultivo, a produção nacional projetada para 2026/27 é de 4,2 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 4,4 milhões de toneladas alcançado no ciclo anterior.

A diferença está relacionada a uma perspectiva mais conservadora para a produtividade das lavouras.

El Niño aparece como fator de risco

Entre os principais pontos de atenção para a próxima safra está o comportamento do El Niño. Segundo o relatório, o fenômeno pode provocar maior irregularidade nas chuvas em áreas do Centro-Oeste e do Matopiba durante o desenvolvimento do algodão de segunda safra.

Em Mato Grosso, a definição da área cultivada também dependerá da competitividade do algodão diante do milho e do calendário de plantio da soja.

Caso as chuvas atrasem, a janela disponível para a implantação do algodão pode ser reduzida, afetando as decisões dos produtores.

Produção de algodão dos EUA é revisada para baixo

Nos Estados Unidos, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu sua estimativa para a produção de algodão na safra 2026/27.

A projeção passou de 2,96 milhões de toneladas em agosto para 2,87 milhões de toneladas em setembro, após a piora das condições das lavouras durante o verão.

A produtividade média estimada também recuou, de 0,96 tonelada por hectare na safra anterior para 0,87 tonelada por hectare no novo ciclo.

Na semana encerrada em 13 de setembro, apenas 36% das lavouras norte-americanas estavam classificadas entre boas e excelentes. No mesmo período de 2025, esse percentual era de 52%.

Outro fator de preocupação é a seca nos Estados Unidos. No início de setembro, cerca de 59% da área destinada ao algodão apresentava algum nível de estiagem, com situação especialmente crítica no Texas, principal estado produtor.

Com a revisão para baixo na produção, os estoques finais norte-americanos foram estimados em 780 mil toneladas. A previsão para as exportações, entretanto, permaneceu em 2,7 milhões de toneladas.

China e Índia também trazem incertezas

A produção chinesa de algodão também deve diminuir em 2026/27. O adido agrícola do USDA estima 7,1 milhões de toneladas, queda de 5,6% em relação à temporada anterior. A previsão oficial do departamento é um pouco maior, de 7,3 milhões de toneladas.

A retração está associada principalmente à redução da área cultivada em Xinjiang e a condições climáticas menos favoráveis.

Embora o consumo chinês de algodão permaneça próximo de 9 milhões de toneladas, o Itaú BBA observa que a diferença entre produção e consumo não significa necessariamente um aumento proporcional das importações.

A China conta com estoques elevados e utiliza mecanismos como cotas de importação e reservas governamentais. Além disso, o ritmo das compras externas depende da rentabilidade da indústria têxtil do país.

Na Índia, por sua vez, o comportamento do El Niño e das monções está entre os principais fatores de risco. Uma eventual queda de produtividade poderia diminuir o algodão disponível para exportação e elevar a necessidade de importações para atender a indústria doméstica.

Maior oferta pode limitar repasse de preços

A chegada da nova safra tende a aumentar a disponibilidade de fibra no mercado. Com isso, as tradings podem ganhar maior poder de negociação, dificultando que toda a valorização observada em Nova York seja repassada aos produtores brasileiros.

O Itaú BBA aponta que o aumento da área cultivada e das exportações brasileiras pode ampliar esse risco durante a colheita de 2027.

Nesse contexto, a gestão comercial e de riscos ganha importância para preservar as margens dos produtores diante de possíveis oscilações do mercado.

Cenário internacional ainda depende da demanda

No cenário considerado pelo Itaú BBA, a menor produção norte-americana e a redução dos estoques mundiais tendem a oferecer sustentação às cotações internacionais do algodão, mantendo espaço para as exportações brasileiras.

Há, contudo, fatores que podem pressionar os preços. Entre eles estão uma eventual desaceleração da economia mundial, menor consumo da indústria têxtil, redução das compras chinesas ou uma produção brasileira superior às expectativas.

A concorrência das fibras sintéticas, principalmente o poliéster, também permanece como um fator que limita uma recuperação mais forte da demanda global por algodão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Agritech

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Agricultura

Produção agrícola brasileira chega a R$ 927,2 bilhões em 2025

A produção agrícola brasileira alcançou 345,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2025, segundo dados da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa um crescimento de 18,2% em relação a 2024, ano em que a agricultura brasileira foi afetada por condições climáticas adversas associadas ao fenômeno El Niño.

O valor gerado pela produção também atingiu um novo patamar. Em 2025, foram movimentados R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4% na comparação anual. Os valores são nominais, ou seja, consideram a moeda corrente de cada período e não foram corrigidos pela inflação.

De acordo com o levantamento, trata-se do maior valor registrado desde a criação do Plano Real, em 1994.

Área colhida supera 100 milhões de hectares

Outro destaque da pesquisa foi o avanço da área destinada à colheita. Pela primeira vez, o país ultrapassou a marca de 100 milhões de hectares, chegando a 100,6 milhões de hectares em 2025.

O número representa aumento de 4,4% em relação ao ano anterior. Em termos territoriais, a área corresponde a aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados.

Para efeito de comparação, a extensão é superior à área do Mato Grosso, que possui 903,2 mil km², e se aproxima do território da Bolívia, com cerca de 1,10 milhão de km².

Soja responde por 34% do valor da produção

A soja continuou como um dos principais produtos da agricultura brasileira. O grão respondeu por 34% do valor total da produção agrícola, alcançando R$ 315,2 bilhões.

A colheita chegou a 165,2 milhões de toneladas, crescimento de 14,4% em relação a 2024. Foram produzidas 20,8 milhões de toneladas a mais do que no ano anterior.

O IBGE relaciona a sustentação dos preços da commodity ao cenário internacional. Segundo o instituto, a guerra tarifária entre Estados Unidos e China aumentou a procura chinesa pela soja brasileira, contribuindo para manter os preços internos relativamente estáveis nos últimos meses de 2025.

O desempenho mantém o Brasil entre os principais protagonistas do mercado mundial de soja, tanto na produção quanto nas exportações.

Tecnologia impulsiona produção de algodão

A produção de algodão também apresentou crescimento expressivo. Conforme o IBGE, o volume produzido aumentou 16,4% em um ano, chegando a 6 milhões de toneladas.

O avanço foi associado principalmente aos investimentos em tecnologia agrícola, sustentabilidade e eficiência produtiva, com destaque para as áreas do Cerrado brasileiro, especialmente no Mato Grosso.

O desempenho contribuiu para que o Brasil alcançasse a liderança mundial nas exportações de algodão. Para o IBGE, o resultado amplia a presença brasileira nos mercados de produtos têxteis e de commodities.

Valor da produção de café cresce 44,7%

O café apresentou uma diferença importante entre crescimento físico e financeiro. A produção aumentou 3% em 2025, chegando a 3,4 milhões de toneladas.

Já o valor da produção avançou 44,7% e se aproximou de R$ 100 bilhões. O aumento ocorreu principalmente devido à forte valorização do preço da saca no mercado internacional.

Segundo o levantamento, fatores climáticos e naturais, incluindo o chamado exaurimento das plantas, limitaram o crescimento da produção.

Mato Grosso lidera valor da produção agrícola

Entre os estados brasileiros, o Mato Grosso permaneceu na primeira posição em valor da produção agrícola. Em 2025, o estado movimentou R$ 165,6 bilhões, crescimento de 37,1% em relação ao ano anterior.

A produção mato-grossense correspondeu a 17,9% do valor total registrado no país.

Estados com maior valor da produção agrícola em 2025

  • Mato Grosso: R$ 165,6 bilhões
  • São Paulo: R$ 124 bilhões
  • Minas Gerais: R$ 109,4 bilhões
  • Paraná: R$ 87,7 bilhões
  • Goiás: R$ 72,7 bilhões
  • Rio Grande do Sul: R$ 71,3 bilhões
  • Bahia: R$ 55,5 bilhões
  • Mato Grosso do Sul: R$ 47,8 bilhões
  • Pará: R$ 38,4 bilhões
  • Espírito Santo: R$ 33,7 bilhões

Centro-Oeste retoma liderança sobre o Sudeste

A distribuição regional do valor da produção também mudou em 2025. O Centro-Oeste voltou a superar o Sudeste, depois de ter ficado atrás da região em 2024.

O valor da produção agropecuária do Centro-Oeste cresceu 31,8% e chegou a R$ 288 bilhões. Soja, milho e algodão foram os principais responsáveis pelo desempenho.

O Sudeste, por sua vez, registrou R$ 271 bilhões, com café e cana-de-açúcar entre os principais destaques.

Historicamente, o Sudeste liderou esse indicador até 2017. Entre 2018 e 2023, o Centro-Oeste assumiu a primeira posição. Em 2024, o Sudeste voltou a ocupar a liderança, retomada pelo Centro-Oeste no ano seguinte.

Valor da produção agrícola por região

  • Centro-Oeste: R$ 288 bilhões
  • Sudeste: R$ 271 bilhões
  • Sul: R$ 181,1 bilhões
  • Nordeste: R$ 113,7 bilhões
  • Norte: R$ 73,4 bilhões

Os resultados da PAM mostram um cenário de expansão da produção agrícola no Brasil em 2025, tanto em volume quanto em área colhida e valor econômico, com destaque para culturas como soja, algodão e café e para a participação do Centro-Oeste no desempenho nacional.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: CNA/Wenderson Araujo/Trilux

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Agronegócio

Safra 2025/26 deve alcançar recorde de 361,7 milhões de toneladas, estima Conab

A safra brasileira de grãos 2025/26 deve terminar com produção recorde de 361,7 milhões de toneladas de grãos e fibras, segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado representa crescimento de 2,6% em comparação com o ciclo 2024/25 e avanço de 0,3% ante a projeção divulgada em agosto.

A nova estimativa considera o avanço da colheita do milho segunda safra, que vem apresentando produtividade superior à inicialmente projetada.

No balanço geral, soja, milho e algodão registram aumento de produção, enquanto arroz, feijão e trigo apresentam retração em relação à temporada anterior.

Área plantada cresce no Brasil

A área destinada ao cultivo de grãos e fibras chegou a 83,5 milhões de hectares em 2025/26, alta de 1,7% sobre o ciclo anterior.

Os principais avanços foram registrados em:

  • Soja: aumento de 1,3 milhão de hectares, ou 2,7%;
  • Milho: expansão de 762,5 mil hectares, equivalente a 3,5%;
  • Sorgo: crescimento de 32,9%, chegando a 537 mil hectares adicionais.

Produção de soja bate recorde

Principal cultura agrícola do país, a soja deve alcançar 180,4 milhões de toneladas, o maior volume já registrado pela série histórica da Conab.

A projeção representa aumento de 5,2% frente à safra anterior. A área cultivada cresceu 2,7%, enquanto a produtividade da soja avançou 2,5%.

As exportações também devem atingir um novo recorde, com previsão de embarques de 116,2 milhões de toneladas.

Milho chega a 144 milhões de toneladas

A produção brasileira de milho está estimada em 144 milhões de toneladas, crescimento de 2% na comparação com a temporada anterior.

A primeira safra apresenta produtividade recorde de 7.191 kg por hectare, alta de 8,8%. Já a segunda safra deve produzir 112,1 milhões de toneladas, volume 1% inferior ao recorde anterior.

Para a terceira safra, a previsão é de queda de 20,1%, com produção estimada em 2,39 milhões de toneladas.

Algodão também registra recorde

A produção de algodão deve chegar a 4,14 milhões de toneladas em 2025/26, maior resultado da série histórica da Conab.

Mesmo com a redução de 3,2% na área cultivada, estimada em 2,02 milhões de hectares, a produtividade deve crescer 4,9%, alcançando o recorde de 2.053 kg de pluma por hectare.

O volume projetado supera em 1,5% o resultado da safra passada e está 1,4% acima da estimativa apresentada em agosto.

Feijão tem redução na produção

Entre as culturas com queda, o feijão deve registrar produção de 2,95 milhões de toneladas, retração de 3,6% em relação ao ciclo anterior.

A principal razão é a diminuição de 5,7% na área cultivada. Em contrapartida, a produtividade média aumentou 2,2%, chegando a 1.161 kg por hectare.

Para atender ao mercado interno, a demanda projetada é de 2,7 milhões de toneladas, praticamente no mesmo nível da safra anterior.

Arroz recua 13,2%

A produção de arroz está estimada em 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2% em relação a 2024/25.

A área plantada diminuiu 14%, para aproximadamente 1,52 milhão de hectares. Apesar disso, a produtividade média avançou 1%, alcançando 7.303 kg por hectare.

De acordo com a Conab, a redução da área está relacionada aos preços menos remuneradores ao produtor e à substituição do cultivo por alternativas como soja e milho.

Trigo tem maior queda entre as culturas

Entre os principais cultivos, o trigo apresenta a maior retração. A produção estimada para 2025/26 é de 5,74 milhões de toneladas, queda de 27,1% ante a temporada anterior.

A área cultivada recuou 21,2%, enquanto a produtividade média caiu 7,5%, para 2.978 kg por hectare.

Com a menor oferta nacional, as importações de trigo devem alcançar aproximadamente 7,06 milhões de toneladas.

A Conab informou que seguirá atualizando as projeções das culturas que ainda permanecem no campo, como o trigo, nos próximos levantamentos.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Agronegócio

Produção de carne bovina do Brasil deve cair 3,6% em 2027, prevê Conab

A produção de carne bovina no Brasil deve recuar novamente em 2027, segundo projeção divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa aponta queda de 3,6% em relação a 2026, para aproximadamente 11,4 milhões de toneladas.

A redução deve ocorrer em meio à retomada gradual do ciclo pecuário, com expectativa de aumento na retenção de fêmeas para recomposição do rebanho bovino. Com menos vacas destinadas ao abate, a disponibilidade de animais para a produção de carne tende a diminuir.

Produção deve registrar segundo ano consecutivo de queda

Caso a previsão se confirme, 2027 será o segundo ano seguido de redução na produção brasileira de carne bovina.

De acordo com os dados da Conab, o país produziu 11,9 milhões de toneladas em 2025 e deve encerrar 2026 com aproximadamente 11,84 milhões de toneladas.

Apesar da perspectiva de retração, a companhia avalia que a reversão do ciclo pecuário está acontecendo de maneira mais lenta do que o inicialmente esperado.

No primeiro semestre de 2026, os abates de bovinos permaneceram acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os fatores que sustentaram o resultado estão a disponibilidade de fêmeas, o aumento do peso médio das carcaças e a maior utilização de sistemas de confinamento.

Retenção de fêmeas pode reduzir oferta de animais

A valorização dos bezerros e dos animais destinados à reposição do rebanho é apontada pela Conab como um sinal de menor disponibilidade nessas categorias.

Esse movimento tende a estimular os pecuaristas a preservar matrizes, reduzindo a oferta de animais para abate e contribuindo para a queda projetada na produção de carne em 2027.

O Brasil segue como um dos principais protagonistas do mercado internacional de carne bovina. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país liderou a produção mundial em 2025/26, com cerca de 20% do total, enquanto os Estados Unidos enfrentam uma redução no tamanho do rebanho.

Exportações de carne bovina devem crescer

Mesmo com a previsão de queda na produção, as exportações brasileiras de carne bovina devem avançar em 2027.

A Conab estima embarques de 4,8 milhões de toneladas, alta de 2,2% em relação ao volume projetado para 2026.

A expectativa é que o Brasil encerre 2026 com exportações de aproximadamente 4,7 milhões de toneladas, acima dos 4,5 milhões de toneladas registrados em 2025.

O desempenho positivo observado no primeiro semestre foi sustentado principalmente pela demanda da China, pelos preços internacionais elevados e pela abertura de novos mercados.

Para a segunda metade do ano, entretanto, a Conab prevê uma desaceleração dos embarques, em razão do preenchimento de uma cota chinesa que possui tarifas de importação mais baixas.

Consumo interno enfrenta concorrência de frango e suíno

No mercado doméstico, o consumo de carne bovina permanece moderado e concentrado principalmente nos cortes de menor preço.

A Conab aponta perda de competitividade da carne bovina diante das carnes de frango e suína, especialmente entre consumidores de menor renda.

Esse cenário também dificulta o repasse integral da valorização da arroba do boi para os preços pagos pelos consumidores no varejo.

Produção de carne de frango deve atingir novo recorde

Enquanto a produção bovina deve recuar, a produção brasileira de carne de frango deve continuar crescendo.

A Conab projeta um novo recorde em 2027, com produção estimada em 16,7 milhões de toneladas. Para comparação, a previsão é de 16,3 milhões de toneladas em 2026, contra 15,8 milhões em 2025.

O Brasil também ocupa a liderança mundial nas exportações de carne de frango. Para 2027, a expectativa da Conab é de crescimento de 0,8% nas exportações do produto.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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