Agronegócio

Fertilizantes: guerra no Oriente Médio e crise no agro reduzem demanda para a safra 2026/27

A combinação entre os impactos da guerra no Oriente Médio e as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio brasileiro começa a refletir diretamente no mercado de fertilizantes. A indústria estima uma queda de pelo menos 10% nas entregas de insumos destinadas à safra 2026/27, cenário influenciado pelo aumento dos custos, incertezas logísticas e menor capacidade de investimento dos produtores rurais.

Além da alta nos preços provocada pelo conflito, fatores como o endividamento dos agricultores, o crédito rural mais caro e a redução da rentabilidade das principais culturas têm levado muitos produtores a adiar a compra de adubos.

Compras seguem abaixo do ritmo registrado no ano passado

O atraso nas negociações já é percebido nas principais culturas do país. Para a próxima safra de soja, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões, cerca de 80% da demanda por fertilizantes foi negociada até o momento. No mesmo período do ciclo anterior, esse percentual era de 85%.

No caso do milho segunda safra, o ritmo também desacelerou. As compras alcançam aproximadamente 30%, abaixo dos 35% registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar do cenário desafiador, representantes do setor observam uma recuperação nas negociações nas últimas semanas, impulsionada pela valorização da soja, que melhorou a relação de troca entre o grão e os fertilizantes. Esse movimento trouxe maior dinamismo ao mercado, embora as incertezas permaneçam.

Mercado deve recuar após ano recorde

Depois de atingir um recorde de 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues em 2025, o setor projeta retração em 2026. As estimativas variam entre uma redução de 5 milhões e 10 milhões de toneladas, com maior impacto sobre os produtos à base de nitrogênio e fósforo.

Parte dessa retração está ligada ao aumento dos custos dos insumos. Segundo executivos da indústria, atualmente o produtor precisa desembolsar o equivalente a duas ou até quatro sacas de soja a mais para adquirir fertilizantes, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Guerra eleva preços das matérias-primas

Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços dos fertilizantes vêm sendo pressionados pelas incertezas envolvendo as principais rotas marítimas da região.

Os produtos fosfatados e nitrogenados sofreram sucessivos reajustes, impulsionados principalmente pela forte valorização do enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes e também utilizada pela indústria de baterias.

Levantamento da consultoria StoneX aponta que o preço da tonelada de enxofre mais do que dobrou ao longo do ano. O MAP (fosfato monoamônico) também registrou alta expressiva, enquanto a ureia acumula semanas consecutivas de valorização.

O aumento no custo do enxofre levou empresas do setor a rever temporariamente parte das operações industriais no Brasil, sem previsão para normalização, já que a retomada depende da estabilização do mercado internacional da matéria-prima.

Indústria enfrenta concorrência por insumos

Além da oferta limitada, fabricantes de fertilizantes enfrentam uma nova disputa pelo enxofre com a indústria global de baterias, segmento que tem ampliado a demanda pelo produto e consegue absorver preços mais elevados.

Essa concorrência aumenta a pressão sobre os custos de produção e amplia os desafios para manter a competitividade do mercado de fertilizantes.

Estoques permanecem menores, mas abastecimento segue controlado

Os estoques de fertilizantes no Brasil estão cerca de 14% abaixo do nível registrado no mesmo período de 2025. Apesar da redução, representantes do setor avaliam que o volume disponível ainda é suficiente para atender entre dois meses e meio e três meses de consumo, patamar considerado adequado diante da expectativa de retração da demanda.

Logística preocupa importadores

Além da escalada dos preços, o conflito internacional também afeta a logística de abastecimento. O ciclo entre a importação das matérias-primas e a entrega dos fertilizantes ao mercado brasileiro pode levar aproximadamente três meses, incluindo embarque, transporte marítimo, desembaraço aduaneiro e distribuição.

Empresas recomendam que os produtores antecipem o planejamento das compras para evitar possíveis atrasos decorrentes de gargalos logísticos e congestionamentos portuários.

Mesmo com parte da matéria-prima vindo de regiões próximas ao conflito, grandes fabricantes afirmam que têm buscado diversificar fornecedores em países como Canadá, Estados Unidos, China, Marrocos, Egito e Catar para reduzir riscos no abastecimento.

Importações atrasadas acendem alerta

A consultoria StoneX também observa atraso nas importações brasileiras de fertilizantes, o que pode exigir aceleração das compras nos próximos meses para recompor os estoques antes do início da safra.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de interrupções em importantes corredores marítimos, como a região do Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para exportações de países produtores de fertilizantes, incluindo a Arábia Saudita.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

Ler Mais
Portos

Porto de Santos avalia transferência de cargas em alto-mar para ampliar exportações de grãos

A Autoridade Portuária de Santos (APS) e o Porto de Ningbo-Zhoushan, na China, iniciaram uma cooperação técnica para avaliar a implantação de operações de transferência de cargas em alto-mar entre navios, modelo conhecido como ship-to-ship (STS). A proposta busca aumentar a eficiência das exportações brasileiras de soja e milho, principais commodities enviadas ao mercado chinês.

O acordo prevê a criação de um grupo de trabalho formado por especialistas dos dois portos. A primeira reunião técnica está programada para ocorrer na China dentro de aproximadamente 45 dias, marcando o início dos estudos sobre a viabilidade da operação. Atualmente, nenhum dos dois complexos portuários utiliza esse sistema para movimentação de grãos.

Objetivo é permitir embarques em navios de maior porte

O projeto pretende possibilitar que navios do tipo capesize, com capacidade entre 150 mil e 180 mil toneladas, sejam carregados em alto-mar por meio da transferência da carga transportada inicialmente por embarcações menores que operam no cais santista.

Hoje, os maiores navios graneleiros que atracam no Porto de Santos transportam cerca de 80 mil toneladas. Com a adoção do novo modelo, seria possível ampliar significativamente o volume embarcado sem depender exclusivamente da infraestrutura disponível nos berços de atracação.

Segundo o diretor de Operações da APS, Edilberto Ferreira Beto Mendes, a iniciativa busca aumentar a competitividade logística e reduzir custos.

“Eles buscam alternativas para receber cargas de navios com maior volume. Obviamente, isso aumenta a eficiência da operação e reduz emissão de carbono e o custo do frete marítimo”, afirmou em entrevista ao jornal A Tribuna.

Modelo pode acelerar operações e reduzir custos logísticos

De acordo com a APS, o transbordo offshore permitirá que embarcações menores retornem mais rapidamente aos terminais para novos carregamentos, tornando o fluxo operacional mais ágil e eficiente.

A parceria também atende à necessidade do Porto de Ningbo-Zhoushan, considerado o maior porto do mundo em movimentação de cargas, com mais de 1,4 bilhão de toneladas movimentadas por ano.

Em comparação, o Porto de Santos registrou movimentação de 186,4 milhões de toneladas no último ano, volume equivalente a cerca de 13,3% do complexo portuário chinês.

Estratégia amplia competitividade do Porto de Santos

Segundo Beto Mendes, Santos foi escolhido para a cooperação devido à sua relevância no comércio exterior brasileiro e por concentrar grande parte das exportações de grãos destinadas à China.

O diretor ressalta que o acordo não representa um projeto pronto, mas sim uma etapa de desenvolvimento conjunto para definir o modelo operacional, as tecnologias necessárias e os procedimentos de segurança para a operação de transbordo navio a navio.

A delegação brasileira que participará das discussões na China será composta pelo superintendente de Operações do Porto de Santos, além de especialistas das áreas operacional e ambiental da Autoridade Portuária.

Estudos incluem aspectos ambientais e viabilidade técnica

Apesar do potencial da iniciativa, ainda não existe um cronograma para a implantação da tecnologia. Nesta fase, os trabalhos estarão concentrados na análise da viabilidade técnica, dos impactos ambientais, dos requisitos operacionais e das normas necessárias para execução das operações.

Para a APS, a adoção desse sistema poderá permitir que o Porto de Santos receba embarcações com até 21 metros de calado, ampliando significativamente sua capacidade logística e reduzindo a dependência de futuros projetos de aprofundamento do canal de navegação.

Expectativa é acompanhar o crescimento das exportações brasileiras

A proposta integra o planejamento estratégico da Autoridade Portuária para preparar o complexo santista para o aumento da movimentação de cargas nos próximos anos, especialmente do agronegócio.

A expectativa é que o Porto de Santos alcance aproximadamente 300 milhões de toneladas movimentadas na próxima década, cenário que exigirá investimentos em infraestrutura, inovação e eficiência logística.

Operações ship-to-ship já são utilizadas em outros países

As operações ship-to-ship (STS) já fazem parte da logística portuária em diversos mercados internacionais. O modelo é empregado para movimentação de petróleo, derivados, gases liquefeitos e granéis sólidos, como minério de ferro, carvão e, em alguns casos, grãos.

Entre os países que utilizam esse tipo de operação estão Indonésia, Índia, Austrália e Estados Unidos.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Luiz Damasceno/APS/Divulgação

Ler Mais
Exportação

Exportações de frango do Brasil devem crescer mais de 10% em 2026, projeta ABPA

As exportações de frango do Brasil devem alcançar 5,875 milhões de toneladas em 2026, um crescimento de 10,3% em relação às 5,324 milhões de toneladas embarcadas no ano anterior. A projeção foi divulgada nesta terça-feira (28) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo.

Para 2027, a expectativa é de continuidade no avanço das vendas externas, embora em ritmo mais moderado. A entidade estima que os embarques cheguem a 6,050 milhões de toneladas, representando alta de 3% sobre o volume previsto para 2026.

Produção de carne de frango também deve aumentar

A produção brasileira de carne de frango deve acompanhar o crescimento das exportações. Segundo a ABPA, o país poderá produzir entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, volume até 5,6% superior ao registrado no ano passado.

Já para 2027, a estimativa aponta produção de aproximadamente 16,6 milhões de toneladas, com expansão de 2,8%.

No mercado interno, a oferta de carne de frango também deve crescer. A disponibilidade prevista para 2026 é de 10,275 milhões de toneladas, aumento de 3,1% na comparação anual. Em 2027, o volume pode atingir 10,55 milhões de toneladas, representando avanço de 2,7%.

Produção e exportações de carne suína continuam em alta

As projeções da ABPA também indicam crescimento para a carne suína. A produção brasileira deve chegar a 5,87 milhões de toneladas em 2026, alta de 5% frente ao ano anterior.

Para 2027, a expectativa é de uma expansão de 3,1%, elevando a produção para cerca de 6,05 milhões de toneladas.

Nas exportações, o setor mantém perspectiva positiva. Os embarques de carne suína brasileira devem alcançar 1,6 milhão de toneladas em 2026, crescimento de 5,9%. Em 2027, a previsão sobe para 1,7 milhão de toneladas, com incremento de 6,3%.

Produção de ovos cresce, mas exportações devem recuar em 2026

A produção de ovos no Brasil também deve apresentar evolução. A ABPA estima que o país alcance 64,8 bilhões de unidades em 2026, aumento de 4,1% em relação ao ano anterior.

Em 2027, a produção poderá atingir 66,5 bilhões de unidades, representando crescimento adicional de até 2,6%.

No comércio exterior, porém, o cenário é diferente. A associação projeta uma redução de 26,6% nas exportações de ovos em 2026, com embarques estimados em 30 milhões. Para 2027, a expectativa é de recuperação, com alta de até 15% e volume previsto de 64,5 milhões exportados.

Setor de proteína animal mantém perspectiva positiva

As estimativas da ABPA reforçam um cenário favorável para a proteína animal brasileira, impulsionado pelo aumento da produção e pela demanda internacional. O desempenho esperado para frango, carne suína e ovos consolida o Brasil como um dos principais fornecedores globais desses produtos.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canva/Creative Commons

Ler Mais
Exportação

China amplia mercado para polpas e frutas congeladas brasileiras com nova autorização de exportação

A China abriu um novo caminho para ampliar as importações de produtos brasileiros ao liberar os procedimentos necessários para a exportação de polpas e frutas congeladas produzidas no Brasil. Com a medida, empresas do setor já podem iniciar o processo de habilitação para comercializar esses alimentos no mercado chinês.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) passou a disponibilizar em seu sistema o modelo oficial do certificado sanitário que acompanhará as exportações brasileiras. A inclusão do documento representa um passo essencial para que os embarques sejam autorizados.

Cadastro no sistema chinês é obrigatório para exportadores

Com a publicação do certificado, os estabelecimentos interessados já podem solicitar o registro no China Import Food Enterprise Registration (Cifer), plataforma obrigatória para empresas que desejam acessar o mercado chinês.

O cadastro deve ser realizado diretamente pelo exportador, que é responsável por apresentar toda a documentação exigida pelas autoridades da China. Após a análise e aprovação do pedido, a empresa recebe um número de registro, requisito indispensável para embarcar os produtos ao país asiático.

Produtos autorizados incluem açaí, manga e maracujá

A autorização contempla polpas e frutas congeladas obtidas de espécies já reconhecidas pelas autoridades chinesas como alimentos aptos para consumo humano.

Entre as frutas liberadas estão:

  • Açaí
  • Manga
  • Goiaba
  • Abacaxi
  • Maracujá

Outras espécies já aprovadas pela legislação chinesa também poderão ser exportadas. Já as frutas que ainda não possuem esse reconhecimento continuam sujeitas aos procedimentos específicos previstos para novos alimentos.

Certificado sanitário será exigido nos embarques

Além do registro no sistema Cifer, todas as exportações deverão ser acompanhadas pelo certificado sanitário oficial acordado entre Brasil e China.

O Ministério da Agricultura orienta que os exportadores consultem previamente todas as exigências sanitárias, técnicas e aduaneiras definidas pelas autoridades chinesas antes de iniciar o processo de habilitação.

Depois da aprovação do cadastro pela GACC e da emissão do certificado sanitário pela autoridade brasileira competente, as empresas estarão aptas a realizar as exportações conforme as normas vigentes entre os dois países.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Pitome / CeasaRS / Especial / CP

Ler Mais
Informação

Governo critica exigência da União Europeia sobre antimicrobianos e defende sistema sanitário brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificou como “inaceitável” a exigência da União Europeia (UE) para que o Brasil comprove previamente o controle do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes ao bloco europeu.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (23), a pasta reforçou que o país deve permanecer na lista de nações autorizadas a exportar para a UE, independentemente do tempo necessário para que todas as cadeias produtivas atendam integralmente às novas exigências sanitárias.

Brasil defende confiança no sistema de fiscalização

O governo brasileiro argumenta que o comércio internacional de produtos agropecuários é sustentado pela confiança entre as autoridades sanitárias e pelo reconhecimento dos sistemas oficiais de inspeção.

Na avaliação do ministério, exigir a comprovação antecipada de medidas que são implementadas gradualmente ao longo do processo produtivo contraria esse princípio.

Segundo o Mapa, cabe justamente ao sistema oficial de fiscalização verificar o cumprimento das normas e garantir que apenas produtos em conformidade com os requisitos sanitários recebam certificação para exportação.

Certificação depende do ciclo produtivo

O Brasil passou a adotar recentemente um modelo de controle que acompanha todo o ciclo de produção dos animais quanto ao uso de antimicrobianos.

O tempo necessário para atender às exigências varia conforme a cadeia produtiva. Na pecuária bovina, por exemplo, a certificação pode levar cerca de dois anos, enquanto na produção de aves o processo é concluído em aproximadamente 40 dias.

Para o ministério, essa diferença demonstra que a disponibilidade de produtos aptos para exportação depende do ciclo de produção de cada setor, sem comprometer a credibilidade do sistema brasileiro de fiscalização.

Governo afirma que não pediu flexibilização das regras

O Ministério da Agricultura destacou que o Brasil não solicitou mudanças nas normas sanitárias da União Europeia.

Segundo a pasta, o compromisso continua sendo cumprir integralmente as exigências estabelecidas pelos mercados importadores, preservando os padrões internacionais de segurança alimentar.

O governo informou ainda que encaminhou à Comissão Europeia uma ampla documentação técnica com informações sobre os mecanismos de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação aplicados às cadeias de carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca.

Até o momento, de acordo com o ministério, as autoridades europeias ainda não apresentaram uma manifestação definitiva sobre os documentos enviados.

Setor quer manutenção do Brasil na lista de exportadores

Representantes da indústria frigorífica e da pecuária apoiaram a posição adotada pelo governo brasileiro.

Segundo fontes do setor, a principal reivindicação é que o Brasil permaneça habilitado para exportar ao bloco europeu, ainda que parte dos produtos leve mais tempo para atender plenamente às novas exigências.

Na avaliação de integrantes da cadeia produtiva, a discussão sobre a disponibilidade de animais certificados não deve ser confundida com a confiabilidade do sistema sanitário nacional.

Entenda o impasse com a União Europeia

Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro, alegando falhas na comprovação do controle do uso de antimicrobianos.

Como alternativa, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento desses insumos na produção nacional para atender às exigências europeias. No entanto, estimativas do setor apontam que essa medida poderia elevar os custos da cadeia pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, devido ao aumento das despesas com alimentação animal e medicamentos.

Exportações para a União Europeia movimentam bilhões

A União Europeia permanece entre os principais mercados para a proteína animal brasileira.

Em 2025, o bloco importou aproximadamente 128 mil toneladas de carne bovina do Brasil, movimentando cerca de US$ 1 bilhão. Considerando todas as proteínas exportadas, o comércio entre as partes alcançou US$ 1,8 bilhão.

O Ministério da Agricultura reafirmou que continuará o diálogo técnico com as autoridades europeias e defendeu que futuras decisões sejam baseadas em critérios científicos, transparência e cooperação internacional, princípios considerados fundamentais para o comércio global de produtos agropecuários.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araujo/CNA

Ler Mais
Exportação

Brasil pode perder posição para a Argentina nas exportações de milho, aponta consultoria

O Brasil poderá deixar de ocupar o posto de segundo maior exportador de milho do mundo na safra 2025/26. A projeção é da consultoria Hedgepoint Global Markets, que aponta a Argentina como favorita para assumir a vice-liderança do ranking internacional, atrás apenas dos Estados Unidos.

Segundo a análise, a mudança é influenciada pelas dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros para atender o mercado do Irã, um dos maiores compradores do cereal. Ao mesmo tempo, a Argentina ganhou competitividade após registrar uma safra robusta, ampliando sua capacidade de oferta ao mercado externo.

Argentina deve superar o Brasil nos embarques

A Hedgepoint estima que o Brasil exporte cerca de 43 milhões de toneladas de milho na temporada 2025/26. Já a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que a Argentina deverá embarcar aproximadamente 45 milhões de toneladas no mesmo período.

Caso o cenário se confirme, o país vizinho assumirá a segunda colocação entre os maiores exportadores globais do grão.

Apesar da possível perda de posição no ranking, a expectativa é de crescimento nas vendas externas brasileiras em relação ao ciclo anterior, quando o país exportou 41,1 milhões de toneladas.

Irã continua sendo mercado estratégico

De acordo com a consultoria, o Irã permanece como o principal destino do milho brasileiro. Em 2025, o país importou cerca de 9 milhões de toneladas do cereal produzido no Brasil.

Entretanto, o ritmo das compras diminuiu neste ano. Nos primeiros meses de 2026, as importações iranianas somaram aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, abaixo das 2,3 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

Essa redução nas aquisições é um dos fatores que afetam o desempenho das exportações brasileiras.

Demanda interna por milho segue em alta

Enquanto o mercado externo enfrenta desafios, o consumo doméstico continua avançando.

A Hedgepoint prevê que a demanda de milho para produção de etanol aumente em 5,5 milhões de toneladas, alcançando 28,5 milhões de toneladas na safra 2025/26.

Já o setor de ração animal deverá consumir 61,2 milhões de toneladas, um crescimento estimado em 200 mil toneladas na comparação com o ciclo anterior.

Produção brasileira deve permanecer estável

Para a próxima temporada, a consultoria projeta uma safra de milho de 140,3 milhões de toneladas no Brasil.

O volume representa uma leve redução em relação às 140,5 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior, indicando um cenário de estabilidade na produção nacional, mesmo diante das mudanças previstas no mercado internacional.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Parana

Ler Mais
Logística

TCP conclui ampliação da ferrovia no Terminal de Contêineres de Paranaguá e eleva capacidade operacional

A TCP, administradora do Terminal de Contêineres de Paranaguá, e a Brado Logística finalizaram, em julho, as obras de expansão da infraestrutura ferroviária dentro do terminal paranaense. A modernização deve aumentar em cerca de 20% a capacidade de movimentação de cargas por ferrovia, além de tornar as operações mais ágeis e eficientes.

Nova linha férrea amplia transporte de contêineres

Com a implantação de uma terceira linha ferroviária e de uma nova área de manobras, o terminal passa a ampliar sua capacidade anual de transporte de contêineres cheios de 55 mil para aproximadamente 66 mil unidades.

O ramal ferroviário conecta o Porto de Paranaguá aos municípios de Ortigueira, Cambé e Cascavel, importantes polos de produção de papel, celulose e carne de frango, fortalecendo o escoamento da produção para o mercado externo.

Segundo Fabio Mattos, gerente comercial da TCP, o investimento representa um ganho relevante de produtividade para os clientes atendidos por esses corredores logísticos.

Infraestrutura fortalece logística do Paraná

Para a Brado Logística, a entrega da obra marca uma nova fase para o transporte multimodal no estado. De acordo com Vinicius Cordeiro, gerente executivo Comercial e de Novos Negócios da empresa, a expansão amplia as conexões entre produtores e mercados nacionais e internacionais, oferecendo uma alternativa mais eficiente e sustentável para o transporte de cargas.

O executivo destaca que a melhoria é especialmente importante para o agronegócio e para o setor industrial paranaense, que demandam soluções logísticas capazes de acompanhar o crescimento da produção e ampliar a competitividade das exportações.

Operação ferroviária ganha mais agilidade

A TCP é o único terminal portuário da região Sul com ligação ferroviária direta ao pátio de operações. Com a expansão, foram adicionados 757 metros de trilhos, incluindo a terceira linha e uma nova área destinada às manobras ferroviárias.

Antes da ampliação, o terminal operava com duas linhas, permitindo a movimentação de um trem por vez durante as operações de carga e descarga. Agora, será possível realizar o atendimento simultâneo de dois trens enquanto uma terceira composição deixa o terminal, aumentando a fluidez operacional.

Menos impactos no trânsito da Avenida Portuária

Outra mudança importante ocorre na circulação ferroviária dentro de Paranaguá. Anteriormente, os trens precisavam ser divididos em duas composições menores para atravessar a passagem de nível da Avenida Portuária, interrompendo o trânsito em duas ocasiões.

Com a nova configuração, os trens poderão cruzar a via em composição completa, reduzindo o número de bloqueios, diminuindo o tempo de espera para motoristas e garantindo maior fluidez tanto para o transporte ferroviário quanto para o tráfego urbano.

Investimentos somam R$ 500 milhões nos últimos cinco anos

A ampliação faz parte de um plano de modernização da TCP, que investiu aproximadamente R$ 500 milhões em infraestrutura e ampliação da capacidade operacional nos últimos cinco anos.

Para acompanhar o aumento da movimentação ferroviária, o terminal passou a operar com três guindastes RTG, todos eletrificados por meio da instalação de barramentos elétricos. A iniciativa reduz em cerca de 771 toneladas por ano as emissões de carbono relacionadas à operação desses equipamentos.

Além disso, a empresa incorporou novos Terminal Tractors (TTs) e promoveu adaptações no gate de acesso para atender à terceira linha ferroviária e melhorar o fluxo interno de cargas.

Brado reforça investimentos para ampliar eficiência

A Brado Logística também realizou aportes em equipamentos e componentes ferroviários essenciais para a expansão da infraestrutura. Entre as melhorias estão a instalação de novos trilhos e de três aparelhos de mudança de via (AMVs), que ampliam a capacidade de manobras, reduzem o tempo de espera das composições e aumentam a produtividade do terminal.

Segundo a empresa, os investimentos elevam a confiabilidade da operação e oferecem maior capacidade de resposta ao crescimento da demanda por transporte ferroviário.

Para Washington Renan Bohnn, gerente de operações logísticas da TCP, a ampliação fortalece a integração entre os modais de transporte, aumenta a eficiência das operações e contribui para tornar a cadeia logística do comércio exterior brasileiro mais competitiva.

FONTE: TCP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Informação

VLI bate recorde na movimentação de grãos e farelos no primeiro semestre de 2026

A VLI alcançou um novo marco em suas operações logísticas ao registrar o maior volume de grãos e farelos transportado em um primeiro semestre desde o início de suas atividades. Entre janeiro e junho de 2026, a empresa movimentou 12,4 milhões de toneladas úteis (MTU), resultado que representa um crescimento de 7,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo trimestre também registra desempenho histórico

O avanço foi impulsionado por um segundo trimestre de forte desempenho. No período entre abril e junho, a companhia transportou 7,9 milhões de MTU de grãos e farelos, volume 8% superior ao registrado no segundo trimestre do ano anterior e o maior já alcançado pela empresa para esse intervalo.

Agronegócio impulsiona crescimento da logística

Segundo Carolina Hernandez, diretora Comercial, de Projetos e Planejamento Estratégico da VLI, os números refletem a importância da empresa para a cadeia logística do agronegócio brasileiro.

De acordo com a executiva, a companhia atua como parceira estratégica ao oferecer soluções logísticas integradas, contribuindo para o escoamento das safras, o aumento da eficiência operacional e o fortalecimento da competitividade do setor. Ela destacou ainda que a VLI seguirá investindo para apoiar o desenvolvimento das cadeias produtivas do país.

Corredores logísticos sustentam expansão das operações

Os resultados foram alcançados com o desempenho dos três principais corredores logísticos operados pela empresa.

O Corredor Norte conecta as regiões produtoras do Matopiba e do Centro-Oeste ao Terminal Portuário São Luís, no Maranhão. Já o Corredor Leste atende áreas produtoras de Minas Gerais e do Espírito Santo, com acesso aos terminais portuários capixabas.

No Corredor Sudeste, a operação integra as regiões agrícolas do Centro-Oeste ao Porto de Santos, um dos principais canais de exportação do agronegócio brasileiro.

FONTE: Datamar News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Exportação

Acordo Mercosul-União Europeia pode impulsionar exportações de Santa Catarina no Sul do Brasil

A entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia poderá abrir novas oportunidades para empresas brasileiras no comércio internacional, especialmente nos estados da Região Sul. Um estudo desenvolvido pela ApexBrasil, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aponta que Santa Catarina é o estado sulista com maior potencial de expansão das exportações para o bloco europeu.

A parceria comercial envolve um mercado estimado em US$ 24,2 trilhões e prevê a redução de barreiras tarifárias, criando novas possibilidades para setores industriais e do agronegócio brasileiro.

O levantamento analisou produtos com potencial de entrada no mercado europeu a partir dos códigos tarifários internacionais e identificou oportunidades de diversificação da pauta exportadora nacional. Atualmente, mais de 8 mil empresas brasileiras já vendem para a União Europeia, com liderança de São Paulo, seguido por Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Indústria de transformação lidera perfil exportador do Sul

O estudo destaca que a Região Sul possui uma estrutura produtiva integrada entre indústria, tecnologia e agroindústria. Nos três estados, a indústria de transformação representa entre 73% e 91% das exportações, reforçando o potencial de produtos com maior valor agregado.

Entre os principais segmentos beneficiados pelo acordo estão máquinas e equipamentos, automotivo, madeira processada, alimentos, proteínas animais e produtos manufaturados.

Paraná tem potencial em setores industriais e agroindustriais

O Paraná apresenta uma balança comercial historicamente positiva e registra crescimento médio anual de 4,4% nas exportações.

A indústria de transformação responde por 73,4% das vendas externas do estado, enquanto o agronegócio representa 25,6%. Entre os principais produtos exportados em 2025 estão soja, carne de aves, farelo de soja, açúcar e milho.

O estudo identificou 76 códigos tarifários com oportunidades para o mercado europeu, sendo 45 ligados à indústria e 31 ao setor agrícola.

Atualmente, 744 empresas paranaenses exportam para a União Europeia. Entre os setores com maior possibilidade de crescimento estão a cadeia automotiva, a indústria madeireira, máquinas, equipamentos industriais, válvulas, bombas e produtos derivados da soja e do milho.

Rio Grande do Sul combina commodities e produtos de maior valor agregado

O Rio Grande do Sul mantém uma economia exportadora diversificada, reunindo produtos agrícolas e itens industriais mais complexos.

A indústria de transformação representa 76,7% das exportações gaúchas. Em 2025, os principais produtos vendidos ao exterior foram soja, tabaco, farelo de soja, carne de aves, celulose e carne suína.

A análise da ApexBrasil e do MDIC apontou 74 produtos com potencial de crescimento no mercado europeu, sendo 47 industriais e 27 ligados ao agronegócio.

Entre as oportunidades estão autopeças, polímeros de etileno, derivados de petróleo, calçados de couro e sintéticos, além da ampliação das vendas de carnes e produtos processados.

Santa Catarina concentra maior número de oportunidades no estudo

Apesar de apresentar déficit comercial desde 2009, Santa Catarina possui uma das bases industriais mais fortes do país. A indústria de transformação representa 91,4% da pauta exportadora estadual.

Em 2025, os principais produtos enviados ao exterior foram carne de aves, carne suína, geradores elétricos, soja e madeira.

O estado foi o que apresentou o maior número de oportunidades identificadas pelo estudo para a União Europeia entre os três estados do Sul: são 167 produtos com potencial de expansão, sendo 128 industriais e 39 do agronegócio.

Santa Catarina já conta com 761 empresas exportadoras para o bloco europeu. Entre os segmentos considerados estratégicos estão bens de capital, motores elétricos, componentes automotivos, bombas, compensados de madeira, produtos plásticos e a cadeia consolidada de proteínas animais.

Acordo pode transformar cenário econômico regional

A expectativa é que o acordo comercial Mercosul-UE contribua para ampliar a presença das empresas brasileiras no mercado europeu e estimular setores estratégicos da economia sulista.

Para o economista e geógrafo Roberto Uebel, o Paraná tende a ser um dos principais beneficiados pela parceria, principalmente em áreas como agroindústria e setor automotivo. Segundo ele, além do impacto nas exportações, o acordo também pode favorecer consumidores brasileiros com maior acesso a produtos europeus.

FONTE: Amanhã
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Amanhã

Ler Mais
Comércio Internacional

Canal do Panamá reduz capacidade por seca e aumenta pressão sobre fretes internacionais

A seca no Canal do Panamá voltou a impactar a logística marítima global. A partir de 25 de julho, a Autoridade do Canal do Panamá suspenderá os leilões diários do terceiro período de reservas para as eclusas Panamax. A decisão, informada pela agência de transporte marítimo Norton Lilly, foi motivada pela queda no nível de água do Lago Gatún e pelo risco de intensificação do fenômeno El Niño.

Com a medida, a capacidade diária de reservas será reduzida de 36 para 34 embarcações. Até o momento, não há previsão para o encerramento da restrição.

Histórico de restrições reforça vulnerabilidade da hidrovia

A nova limitação ocorre após uma sequência de episódios semelhantes registrados em 2023 e 2024. Naqueles anos, a escassez de água obrigou a adoção de restrições de calado e à diminuição do número diário de navios autorizados a cruzar o canal, afetando diretamente o comércio internacional.

No início de 2026, a Autoridade do Canal havia indicado uma recuperação das operações, com maior previsibilidade no planejamento logístico e sem reajustes tarifários. Entretanto, a retomada das restrições demonstra que a infraestrutura continua vulnerável às condições climáticas, especialmente diante das previsões relacionadas ao El Niño.

Problemas em rotas estratégicas elevam impacto no transporte marítimo

O cenário ganha ainda mais relevância porque coincide com dificuldades em outros importantes corredores marítimos. As tensões envolvendo Irã e Estados Unidos reduziram drasticamente a movimentação no Estreito de Ormuz, enquanto os ataques do grupo Houthi no Mar Vermelho seguem obrigando companhias marítimas a redirecionar embarcações pelo Cabo da Boa Esperança.

A combinação desses fatores amplia a pressão sobre as principais rotas do transporte marítimo, elevando custos logísticos, aumentando os prazos de entrega e pressionando os fretes internacionais.

Brasil pode enfrentar aumento de custos e atrasos nas operações

Para o Brasil, o Canal do Panamá é uma das principais ligações comerciais com a Ásia e a costa oeste dos Estados Unidos, além de desempenhar papel importante no escoamento de commodities agrícolas.

Com a suspensão do terceiro período de reservas, a disputa por vagas disponíveis nos dois primeiros períodos tende a aumentar, encarecendo as reservas antecipadas. Navios que não conseguirem confirmar um slot poderão enfrentar filas de espera ou optar por rotas alternativas, como o desvio pelo Cabo da Boa Esperança, solução que aumenta significativamente o tempo de viagem e os custos operacionais.

Agronegócio e indústria estão entre os setores mais afetados

Os efeitos da medida devem ser sentidos principalmente pelo agronegócio exportador e pelas empresas que importam insumos industriais, segmentos que dependem de cronogramas logísticos rigorosos.

Além do risco de atrasos nas entregas, a instabilidade nos prazos pode ampliar a exposição cambial em contratos vinculados à data de recebimento das cargas. O cenário também pode levar empresas a revisar cláusulas contratuais relacionadas à força maior e aos limites de tolerância para atrasos logísticos.

FONTE: FUP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FUP

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook