Comércio Internacional

Brasil contesta restrições da União Europeia a proteínas animais e alerta para impacto no acordo Mercosul-UE

O governo brasileiro manifestou preocupação com o início da implementação de restrições da União Europeia (UE) à entrada de produtos brasileiros de proteína animal no mercado europeu. A medida tem como base o Regulamento (UE) 2019/6, relacionado ao uso de antimicrobianos.

Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmaram que o Brasil mantém diálogo político e técnico com as autoridades europeias para buscar a continuidade dos fluxos comerciais.

Segundo o governo, desde a decisão da União Europeia, tomada em 12 de maio de 2026, foram realizadas reuniões e tratativas com representantes do bloco. O Brasil também apresentou documentação e informações adicionais sobre os controles adotados nas cadeias de carne de aves, pescados, carne bovina, ovos e mel.

Auditoria avalia controles brasileiros

Como parte das negociações, o Brasil concordou com a realização de uma auditoria nas cadeias de carne de aves e mel. A missão europeia começou em 24 de agosto e tem conclusão prevista para esta sexta-feira (4).

Durante a auditoria, equipes técnicas brasileiras apresentam aos representantes europeus os procedimentos de controle e fiscalização adotados no país, incluindo a estrutura e o funcionamento do sistema oficial de defesa agropecuária.

O governo brasileiro reforçou que considera sólido o sistema nacional de defesa agropecuária e destacou que os produtos brasileiros são exportados para mais de 150 países.

O Brasil também argumenta que sua posição como um dos principais fornecedores de proteína animal para o mercado europeu demonstra a conformidade histórica das exportações brasileiras com os padrões exigidos pelo bloco.

Governo vê risco de impacto nas negociações Mercosul-UE

Além da questão sanitária e regulatória, Brasília relaciona as novas restrições às negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

De acordo com o governo brasileiro, os produtos atingidos pelas medidas europeias estavam contemplados em quotas e reduções tarifárias negociadas no acordo. Por isso, a exclusão desses produtos do mercado europeu poderia reduzir parte dos ganhos obtidos pelo Brasil durante as negociações.

Na avaliação do governo, a manutenção das restrições pode alterar o equilíbrio das concessões que permitiu a conclusão das negociações do acordo.

A posição brasileira é de que a solução seja construída a partir de critérios científicos, transparência e diálogo técnico, sem influência de medidas de caráter protecionista.

Brasil admite adoção de medidas de reciprocidade

O governo também elevou o tom em relação à possibilidade de prolongamento do impasse. Na nota, Brasil afirma que, caso as tratativas não resultem em uma solução considerada satisfatória, poderá recorrer aos instrumentos previstos na legislação nacional e nos acordos internacionais aplicáveis.

Entre as possibilidades citadas estão medidas de reciprocidade previstas no ordenamento jurídico brasileiro, mecanismos estabelecidos no futuro Acordo Mercosul-União Europeia e instrumentos disponíveis no sistema multilateral de comércio.

A disputa ocorre em um momento estratégico para as relações comerciais entre Brasil e União Europeia, especialmente diante da relevância do mercado europeu para as exportações brasileiras de produtos agropecuários.

O governo brasileiro afirma que continuará trabalhando para que as restrições sejam revistas e para preservar condições equilibradas de acesso ao mercado europeu para os produtos de proteína animal produzidos no país.

Fonte: Mapa
Texto: Redação
Imagem: Arquivo ReConecta News

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Agronegócio

Veto da União Europeia ao agro brasileiro pode gerar impacto de US$ 2 bilhões nas exportações

A União Europeia (UE) começa a suspender nesta quinta-feira (3) a entrada de produtos de origem animal provenientes do Brasil. A decisão foi tomada diante da falta de comprovação considerada suficiente sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

A restrição atinge carne bovina, carne de frango, ovos, mel e pescados e pode provocar perdas próximas de US$ 2 bilhões em exportações ao longo de um ano.

Por que a União Europeia suspendeu as compras do Brasil?

A União Europeia mantém regras rígidas para o uso de antimicrobianos na produção de alimentos de origem animal. O bloco veta substâncias utilizadas como promotores de crescimento e também medicamentos que tenham aplicação no tratamento de infecções humanas.

A política busca reduzir a resistência antimicrobiana, considerada um dos principais desafios sanitários globais, além de diminuir o risco de surgimento das chamadas superbactérias.

A proibição da entrada de alimentos produzidos com o uso dessas substâncias foi definida pela UE em 2019 e regulamentada em 2023. O Brasil recebeu o alerta sobre as novas exigências há sete anos, mas não conseguiu implementar a tempo mecanismos capazes de demonstrar o cumprimento das normas europeias.

Brasil tentou evitar a interrupção das exportações

Nos últimos meses, o governo brasileiro intensificou as negociações técnicas e diplomáticas para tentar impedir a suspensão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou diretamente das tratativas, mas as iniciativas não foram suficientes para alterar a decisão anunciada pelos europeus em maio.

Com a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer esses produtos ao bloco, a exportação de carne bovina para a Europa pode permanecer interrompida até 2028.

No caso do frango brasileiro, entretanto, existe a possibilidade de uma retomada ainda em 2026, dependendo do resultado das avaliações realizadas pelos técnicos europeus.

Protocolo para bovinos não evitou o bloqueio

Para tentar cumprir as exigências, o Brasil apresentou um protocolo privado destinado a certificar bovinos livres de antimicrobianos, posteriormente homologado pelo Ministério da Agricultura.

A proposta brasileira previa um período de transição, durante o qual as exportações continuariam enquanto os mecanismos de controle fossem ampliados. A União Europeia, porém, rejeitou o pedido.

Frigoríficos e produtores começaram a aderir ao protocolo, mas a medida não produz efeitos imediatos. Isso ocorre porque são necessários cerca de dois anos entre o nascimento e o abate dos animais.

Dessa forma, caso o mercado europeu permaneça fechado para a carne bovina brasileira até 2028, os frigoríficos podem acumular perdas de aproximadamente US$ 2 bilhões.

Fiscalização do frango passa por avaliação europeia

O governo brasileiro também colocou em funcionamento, em 1º de julho, um novo procedimento de fiscalização das cadeias produtivas. Na avicultura, foi acrescentada uma etapa adicional de controle.

Essas medidas estão sendo avaliadas por uma missão técnica da União Europeia, que está no Brasil desde a semana passada. A inspeção inclui o sistema de produção de frango e também visitas a empresas exportadoras de mel e produtos apícolas.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que a avaliação europeia ocorre de forma satisfatória. Segundo a entidade, o setor avícola brasileiro já atende integralmente aos requisitos estabelecidos pela UE.

Frango pode voltar ao mercado europeu ainda em 2026

A expectativa do setor é de que a missão técnica aprove os procedimentos adotados pelo Brasil e recomende a volta do país à lista de exportadores autorizados.

A decisão caberá ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, que poderá analisar o caso em uma reunião prevista para novembro.

O impacto sobre a cadeia de frango também tende a ser menor porque os exportadores brasileiros aumentaram os embarques para a Europa nos últimos meses, antecipando uma possível suspensão.

Importadores europeus chegaram a reforçar seus estoques. Segundo uma fonte do setor, as reservas seriam suficientes para cobrir pelo menos o mês de setembro.

Além disso, a União Europeia deverá aceitar os produtos que foram certificados no Brasil até 2 de setembro. Por isso, a interrupção das compras não necessariamente terá efeito imediato sobre os embarques.

Entre janeiro e julho, o Brasil exportou quase 226,5 mil toneladas de frango para a Europa, volume 73,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Brasil pode recorrer à OMC e adotar retaliações

Com a entrada em vigor da medida, o governo brasileiro poderá avaliar ações de reciprocidade contra produtos europeus. Entre as possibilidades estão restrições a azeites e produtos lácteos da Europa.

O país também pode recorrer aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

O ministro da Agricultura, André de Paula, classificou como “inadmissível” a exclusão do Brasil da lista de exportadores e mantém a expectativa de que o país consiga recuperar o acesso ao mercado europeu ainda neste ano.

Segundo declarações recentes do ministro, o impasse passou a depender principalmente de negociações diplomáticas e de uma ampla pactuação envolvendo diferentes setores do governo.

O presidente Lula também enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na tentativa de normalizar as exportações brasileiras de frango e mel.

Ovos e pescados terão impacto menor

Para os setores de ovos e pescados, os efeitos da suspensão tendem a ser mais limitados.

O mercado europeu foi reaberto aos ovos brasileiros apenas em abril. Desde então, foram exportadas somente 239 toneladas para o bloco, o que reduz o impacto econômico imediato da medida.

No caso dos pescados, as exportações já estavam suspensas desde 2018, devido à ausência de um sistema de controle sanitário adequado para as embarcações.

Além disso, o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Jairo Gund, afirmou que o setor “nunca utilizou” antimicrobianos.

Governo ainda não comenta oficialmente

Os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores foram procurados uma semana antes, mas não apresentaram resposta.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que o tema está sob responsabilidade do Ministério da Agricultura. O Palácio do Planalto também não se manifestou.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Comércio Exterior

CNA pede medidas contra União Europeia após embargo à carne brasileira

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal medidas de resposta ao embargo da União Europeia à carne brasileira, anunciado pelo bloco nesta semana. A entidade também pediu ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre a qualidade do azeite de oliva importado e comercializado no Brasil.

CNA quer reação ao embargo europeu

Em ofício encaminhado ao Itamaraty, o presidente da CNA, João Martins, pediu que o governo acione o Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões (MRC) em resposta à decisão europeia de suspender as compras de carne do Brasil.

Segundo a entidade, o mecanismo permitiria ao país buscar uma recomposição do equilíbrio comercial por meio de compensações equivalentes. Entre as possibilidades está a suspensão de concessões tarifárias concedidas ao bloco europeu.

A medida ocorre após a União Europeia confirmar que interromperá, a partir de quinta-feira, as importações de carne brasileira. O bloco argumenta que o Brasil não teria assegurado o cumprimento das regras europeias relacionadas ao uso de substâncias antimicrobianas.

Exportações de carne para a UE movimentam US$ 1,8 bilhão

A CNA argumenta que o embargo poderá gerar impactos relevantes para o setor agropecuário brasileiro. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango.

De acordo com dados do governo, as exportações brasileiras de carne bovina e de frango para a União Europeia somaram aproximadamente US$ 1,8 bilhão no ano passado.

Para a confederação, o potencial prejuízo ao comércio de produtos de origem animal justifica a adoção de medidas para restabelecer o equilíbrio nas relações comerciais com o bloco.

Entidade pede investigação sobre azeite importado

Paralelamente à reação ao embargo, a CNA solicitou ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre o azeite de oliva importado e vendido no mercado brasileiro.

O pedido tem como objetivo verificar se os produtos comercializados atendem aos requisitos nacionais de identidade, qualidade e classificação estabelecidos pela legislação.

Embora o comunicado da CNA sobre o azeite não cite diretamente a União Europeia, o bloco europeu é responsável pela ampla maioria das importações brasileiras do produto. Em 2025, cerca de 89% das quase 90 mil toneladas de azeite importadas pelo Brasil tiveram origem na UE, principalmente em Portugal, Espanha e Itália.

CNA questiona classificação de azeites extravirgens

No documento enviado ao ministro da Agricultura, André de Paula, João Martins pediu que sejam verificadas eventuais diferenças entre a classificação declarada na importação e as características efetivamente encontradas nos produtos disponíveis para os consumidores brasileiros.

A preocupação da entidade está concentrada especialmente nos azeites comercializados como extravirgens.

Segundo a CNA, a entrada no mercado nacional de produtos que não correspondam à classificação informada poderia gerar uma vantagem competitiva indevida aos importadores e prejudicar a valorização da produção brasileira.

As importações de azeite provenientes da União Europeia movimentaram cerca de US$ 540 milhões no ano passado, valor inferior ao registrado nas exportações brasileiras de carnes para o bloco.

Até o momento, os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores não haviam se manifestado sobre os pedidos da CNA.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Agronegócio

China e soja brasileira: quem está do outro lado do mercado que movimenta o agronegócio?

A China se tornou muito mais do que o principal comprador de importantes produtos do agronegócio brasileiro. A força do mercado chinês já influencia o ritmo das exportações, a operação de portos e ferrovias e até as referências de preços que chegam às propriedades rurais.

Para o produtor brasileiro, entender o que ocorre no outro lado dessa cadeia deixou de ser apenas uma questão comercial. É uma forma de acompanhar os fatores que podem interferir diretamente na produção de soja, nos custos e na formação de preços.

China se transforma em potência econômica

Em pouco mais de 70 anos, a China passou de um país marcado pela pobreza para uma das principais potências econômicas globais. Em 2025, o PIB da China alcançou 140,2 trilhões de yuans, avanço de aproximadamente 5% na comparação com o ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês.

A expansão econômica aumentou a presença do país no comércio internacional e aproximou ainda mais a China do agronegócio brasileiro.

Essa relação é particularmente relevante no mercado de soja brasileira. Todos os anos, milhões de toneladas do grão cruzam o oceano para abastecer a indústria chinesa. Ao mesmo tempo, o Brasil mantém uma forte dependência desse mercado para escoar uma parcela significativa de sua produção.

Para produtores que participaram da expedição da Agrinvest Commodities à China, conhecer o país permitiu observar de perto uma cadeia que está cada vez mais conectada, apesar da distância física.

“Em se tratando de mercado da soja, Brasil e China só têm uma coisa que nos separa: é o oceano. Cinquenta dias de viagem. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, afirma Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.

China também é importante para os insumos agrícolas

A relação comercial entre os dois países não acontece somente no sentido Brasil-China. Enquanto os produtores brasileiros enviam principalmente commodities agrícolas para o mercado asiático, a China também participa do fornecimento de produtos essenciais para a agricultura brasileira.

O país está entre os principais fornecedores de defensivos agrícolas e de matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes destinados ao Brasil.

Segundo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, existe uma relação de dependência mútua nessa cadeia.

“Nós vendemos para eles a nossa soja, vendemos proteína e compramos deles os nossos insumos”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.

O cenário é ainda mais relevante porque o Brasil depende fortemente do mercado externo para atender sua demanda por fertilizantes. A produção nacional representa menos de 20% do volume consumido no país.

Com isso, alterações na oferta internacional ou decisões tomadas por grandes fornecedores podem afetar diretamente os custos da produção brasileira.

Souza destaca que questões envolvendo patentes e políticas adotadas pela China contribuíram, nos últimos anos, para mudanças importantes nos preços de determinados produtos. Assim, movimentos originados no mercado chinês podem chegar ao produtor brasileiro antes mesmo que ele perceba a causa.

China compra cerca de 80% da soja exportada pelo Brasil

A dimensão do mercado chinês fica evidente nos números das exportações. Em 2025, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja do Brasil, volume correspondente a aproximadamente 80% das exportações brasileiras do grão naquele ano, conforme dados apresentados durante a expedição acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Depois de chegar ao país asiático, grande parte da soja é destinada ao processamento industrial.

O farelo de soja é utilizado principalmente na fabricação de ração animal, enquanto o óleo extraído do grão abastece a indústria alimentícia e outros setores.

A China também produz soja internamente. A colheita nacional é estimada entre 20 milhões e 21 milhões de toneladas.

Há, porém, uma diferença importante entre a produção chinesa e a soja importada em larga escala. A produção doméstica é convencional, ou seja, não transgênica, e uma parcela relevante é destinada diretamente à alimentação humana.

Dos grãos produzidos no próprio país, aproximadamente 14 milhões de toneladas são consumidos internamente.

Tofu, shoyu e outros alimentos fazem parte da dieta chinesa

A soja está presente em diversos produtos tradicionais consumidos na China, entre eles tofu e shoyu, além de outros alimentos derivados do grão.

“Essa soja produzida na China é 100% não GMO, então é soja convencional”, explica Vanin.

O consumo aparece também no dia a dia da população. Júlio Guan, guia turístico que acompanhou a expedição, conta que produtos derivados da soja fazem parte de sua alimentação cotidiana.

“No meu café da manhã eu como frango, suíno e leite de soja e tofu também. Produtor brasileiro que produz muita soja vende para a China, a gente come bastante”, relata.

Conhecer o consumidor chinês pode ajudar o produtor brasileiro

Para quem trabalha no campo, visitar a China significa mais do que conhecer o principal destino da soja exportada pelo Brasil. A experiência permite observar hábitos de consumo, mudanças na indústria e novas exigências que podem, posteriormente, impactar a cadeia produtiva brasileira.

Entender como o grão brasileiro é utilizado na indústria chinesa também ajuda a dimensionar o tamanho e a complexidade da demanda.

Na avaliação de Vanin, acompanhar esse processo amplia a visão do produtor sobre o mercado e permite observar de perto a velocidade das transformações tecnológicas chinesas.

A viagem também revelou uma diferença entre a percepção que parte dos brasileiros tem sobre a China e a realidade encontrada durante a expedição.

O agricultor Adelar José Marafon participou da viagem justamente para conhecer o país pessoalmente e formar sua própria opinião.

“A China na verdade é um tabu muito grande quando se fala dela, porque ela muita coisa é fechada. A gente ouve muitas versões daqui de dentro da China. Então eu estou aqui para realmente tirar as minhas conclusões, para ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”, afirma.

China quer manter parceria estratégica com o Brasil

A relação comercial também é considerada estratégica pelo governo chinês. Yin Ruifeng, vice-presidente de dados, analista e representante do Ministério da Agricultura da China, afirma que o país pretende manter uma relação estável com o Brasil nos próximos anos.

A expectativa é de continuidade da demanda por grandes volumes de produtos agrícolas brasileiros, especialmente soja, algodão e açúcar.

Segundo Ruifeng, o Brasil é a principal fonte chinesa de importações dessas commodities a granel, e a intenção é preservar essa participação em patamares elevados.

A representante chinesa também destacou a importância da qualidade e da sustentabilidade para os produtores brasileiros que desejam manter espaço no mercado chinês.

“Continuem produzindo produtos de alta qualidade para aumentar e manter essa boa relação entre a China e o Brasil, e sempre mantenham o desenvolvimento sustentável, uma agricultura e proteção ao meio ambiente”, ressalta.

A mensagem indica que a competitividade brasileira no mercado asiático não deverá depender apenas de volume e preço. Qualidade dos produtos, sustentabilidade no agronegócio e preservação ambiental tendem a ganhar peso nas relações comerciais.

Produtor precisa acompanhar demanda, preços e custos

Para o agricultor brasileiro, acompanhar a China significa observar uma série de fatores que vão muito além da quantidade de soja vendida.

Mudanças no consumo chinês, decisões políticas, disponibilidade de insumos, custos de produção e comportamento dos preços internacionais podem ter reflexos na rentabilidade das lavouras brasileiras.

A expedição da Agrinvest Commodities teve justamente o objetivo de aproximar os produtores da outra ponta da cadeia.

Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, destaca que esse contato permite conectar quem produz àqueles que consomem a produção brasileira.

“Isso nos deixa muito gratificante dessa nossa missão, pela vida também dessa conectividade, trazer a produção com o consumidor, cada vez mais próximo”, avalia.

Para ele, conhecer o mercado chinês ajuda o produtor a identificar para onde a soja está indo e compreender quem está por trás da demanda.

Brasil e China estão ligados pela cadeia da soja

A distância geográfica entre os dois países continua sendo de milhares de quilômetros, mas o agronegócio Brasil-China criou uma conexão cada vez mais estreita.

A soja produzida nas propriedades brasileiras atravessa o oceano para abastecer uma das maiores cadeias industriais e alimentares do planeta. No caminho inverso, decisões tomadas na China podem chegar às fazendas brasileiras por meio de alterações na demanda, nos preços e nos custos dos insumos.

Por isso, compreender quem está do outro lado da cadeia da soja brasileira se tornou cada vez mais importante para o produtor que busca antecipar movimentos do mercado e tomar decisões mais estratégicas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

China enfrenta impactos climáticos nas lavouras e pode aumentar demanda por grãos da América Latina

As condições climáticas adversas registradas desde meados de julho em importantes regiões agrícolas da China colocam em alerta a produção de milho, soja e algodão. O avanço de ondas de calor, chuvas intensas e inundações já afeta áreas produtoras do nordeste do país, da planície do norte e de Xinjiang.

O cenário passou a ser acompanhado de perto nesta quinta-feira, 27 de agosto, por produtores, exportadores e empresas do agronegócio latino-americano. Caso os danos provoquem perdas relevantes de produtividade ou comprometam a qualidade da safra chinesa, o país poderá recorrer mais ao mercado internacional, com possíveis reflexos sobre os fluxos globais de grãos, fibras e ração animal.

Clima extremo atinge principais regiões agrícolas da China

Segundo informações divulgadas pela Reuters, algumas das principais províncias produtoras chinesas enfrentaram condições meteorológicas fora do padrão.

Em Jilin e Liaoning, as temperaturas alcançaram ou ultrapassaram recordes históricos em diversas estações. Já Heilongjiang foi afetada por uma sequência de chuvas e episódios de inundação. Em Henan, o calor intenso registrado em julho foi seguido por fortes precipitações relacionadas ao tufão Dolphin.

Neste momento, o mercado busca dimensionar os efeitos efetivos sobre a safra. A principal dúvida é se os eventos climáticos resultarão em queda de produtividade, problemas de qualidade dos grãos ou uma combinação dos dois fatores. A resposta será fundamental para determinar se a China precisará ampliar suas compras externas.

Milho chinês entra no radar dos exportadores

No caso do milho, as temperaturas elevadas coincidiram, em determinadas áreas, com fases importantes do desenvolvimento das plantas. O calor persistente durante a polinização pode prejudicar a formação dos grãos, enquanto o excesso de água aumenta os riscos em áreas mais baixas do nordeste chinês.

Apesar dos problemas localizados, analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a expansão da área cultivada com milho pode ajudar a limitar eventuais perdas na produção total. Por isso, ainda não há elementos suficientes para projetar uma queda expressiva da oferta doméstica.

A qualidade do milho disponível após a colheita, entretanto, ganha importância. Eventuais problemas nesse aspecto podem elevar a necessidade da indústria chinesa de recorrer a fornecedores externos para garantir matéria-prima destinada à alimentação animal.

América Latina pode ser afetada por novas compras chinesas

Uma eventual redução da disponibilidade de grãos para alimentação animal na China poderia alterar os fluxos internacionais de milho, sorgo e outros produtos utilizados na pecuária.

Nesse cenário, Brasil e Argentina aparecem entre os países diretamente interessados, já que estão entre os principais exportadores mundiais de milho. Ao mesmo tempo, terão de disputar espaço no mercado chinês com os Estados Unidos e outros fornecedores.

Os efeitos para o agronegócio da América Latina também podem ocorrer de forma indireta, por meio de mudanças nos preços internacionais, prêmios de exportação, custos de frete e contratos negociados nos mercados futuros.

Importações chinesas de milho e sorgo já avançaram

Os números do comércio exterior indicam que a China vem aumentando a aquisição de alguns produtos agrícolas.

Entre janeiro e julho, o país importou 1,36 milhão de toneladas de milho, volume 61,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. As compras de sorgo cresceram 86,2%, enquanto as de cevada aumentaram 53,4%, segundo dados citados pela Reuters.

O movimento, por si só, não comprova o início de um ciclo estrutural de grandes importações. Ainda assim, mostra uma utilização maior de grãos importados e substitutos para alimentação animal.

Para os exportadores latino-americanos, a evolução das compras chinesas durante e após a colheita será um indicador mais importante para avaliar os efeitos do clima do que as primeiras estimativas de perdas nas lavouras.

Soja exige atenção especial de Brasil e Argentina

O mercado de soja apresenta características diferentes. Em Heilongjiang, o excesso de chuva prejudicou condições de temperatura do solo e reduziu a disponibilidade de luz, aumentando os riscos para a qualidade da produção e para os níveis de proteína.

Entretanto, existe uma diferença importante entre a soja produzida internamente pela China e aquela adquirida no exterior. Grande parte da produção doméstica é não transgênica e destinada ao consumo humano. Já a soja importada é utilizada principalmente no processamento industrial, conhecido como crushing, e na alimentação animal.

Por isso, uma eventual quebra da produção chinesa não necessariamente provocará um aumento proporcional das importações. Mesmo assim, qualquer mudança significativa na demanda do país asiático continua sendo estratégica para Brasil e Argentina, que concentram grande parcela da oferta mundial de soja.

Algodão também pode sofrer impactos

O algodão chinês é outro produto sob observação. Xinjiang responde por mais de 90% da produção nacional e enfrentou temperaturas elevadas e pouca chuva.

Em algumas áreas, as condições climáticas reduziram o número médio de cápsulas por planta, sinalizando possíveis impactos sobre a produtividade.

Ao mesmo tempo, as importações chinesas já chamam atenção. Nos primeiros sete meses de 2026, o país comprou 1,02 milhão de toneladas de algodão, praticamente o mesmo volume adquirido ao longo de todo o ano de 2025, conforme dados divulgados pela Reuters.

Se as perdas na produção doméstica forem maiores do que o esperado, a necessidade de importações poderá crescer e modificar a disputa entre fornecedores internacionais. O movimento interessa especialmente ao Brasil, que vem ampliando sua participação no comércio global de algodão.

Próximos dados serão decisivos para o mercado agrícola

Para produtores e empresas do agronegócio brasileiro e latino-americano, o principal indicador será a transformação dos danos climáticos em compras efetivas da China.

Relatórios sobre a qualidade da safra, o comportamento das importações de milho e demais grãos forrageiros, o ritmo do processamento de soja e os números do comércio de algodão serão fundamentais para medir o impacto real.

O cenário, portanto, não significa necessariamente uma alta automática das commodities agrícolas. Ele acrescenta, porém, uma variável importante às estratégias comerciais dos grandes exportadores.

Se a China precisar recorrer com maior intensidade ao mercado internacional, Brasil, Argentina, Estados Unidos e outros grandes fornecedores agrícolas voltarão a disputar de maneira ainda mais intensa a demanda do maior comprador de diversos produtos do agronegócio mundial.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Tingshu Wang

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Agronegócio

Hidrovia do Tapajós: falta de dragagem pode causar prejuízo de até R$ 850 milhões

A falta de dragagem de manutenção na hidrovia do Tapajós pode provocar perdas de até R$ 850 milhões para a cadeia produtiva, segundo estimativas de entidades ligadas ao setor. O alerta foi encaminhado nesta sexta-feira (28) ao Ministério da Agricultura e Pecuária, acompanhado de um pedido para que o governo federal tome medidas para preservar a navegabilidade do rio.

O documento é liderado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e reúne diferentes representantes do setor produtivo. As entidades consideram a realização da dragagem uma medida urgente diante do risco de queda acentuada no nível dos rios durante a safra 2026/2027.

A preocupação está relacionada aos possíveis efeitos de uma restrição à navegação. Caso as embarcações tenham sua capacidade reduzida ou deixem de operar em determinados trechos, parte das cargas poderá ser transferida para as rodovias, aumentando os custos logísticos, a pressão sobre a cadeia produtiva e as emissões de carbono.

O que está em jogo no Tapajós

A dragagem consiste na retirada de sedimentos acumulados no leito do rio para manter condições adequadas de navegação. O serviço interfere diretamente no calado das embarcações, ou seja, na profundidade que fica submersa.

Com a diminuição do nível da água, a distância entre o fundo do rio e o casco das embarcações também fica menor. Isso pode obrigar os operadores a reduzir a quantidade de carga transportada ou até interromper a navegação em trechos onde a profundidade se torne insuficiente.

O governo federal chegou a contratar uma intervenção de manutenção, mas o serviço acabou suspenso após manifestações contrárias de povos indígenas com territórios próximos ao Rio Tapajós.

Dragagem foi suspensa após protestos

Em janeiro de 2026, uma empresa foi contratada para executar a dragagem de manutenção na hidrovia. No mês seguinte, porém, o governo federal suspendeu a operação diante da resistência das comunidades indígenas da região.

A possibilidade de uma seca extrema associada ao El Niño fez o assunto voltar à pauta. Uma nova intervenção emergencial chegou a ser autorizada, mas posteriormente foi desautorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, o Ministério de Portos e Aeroportos monitora diariamente o nível do Rio Tapajós e as condições de navegação. Até o momento, a profundidade ainda não chegou a uma situação considerada crítica.

O setor produtivo, entretanto, cobra uma alternativa preventiva para o caso de uma estiagem mais severa comprometer a navegabilidade.

Transporte de grãos pode ser afetado

De acordo com a FPA, uma eventual redução ou interrupção da capacidade de transporte pela hidrovia poderá acrescentar entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada aos custos logísticos.

As entidades também estimam que até 5 milhões de toneladas de grãos possam ter o escoamento prejudicado. A transferência dessas cargas para caminhões poderia gerar ainda cerca de 55 mil toneladas adicionais de emissões de carbono.

A hidrovia do Tapajós é considerada um dos principais corredores do Arco Norte, rota utilizada para transportar a produção agrícola do Centro-Oeste até portos das regiões Norte e Nordeste.

A importância da via cresceu nos últimos anos. Em 2025, foram movimentadas 16,8 milhões de toneladas de cargas pelo Rio Tapajós, alta de 14,3% em comparação com 2024, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Soja e milho dominam as cargas

O agronegócio é o principal usuário da hidrovia. Aproximadamente 88% das cargas transportadas pelo Tapajós são compostas por soja e milho.

Somente nos dois primeiros meses de 2026, o volume movimentado dos dois produtos chegou a 2,04 milhões de toneladas, reforçando o papel estratégico do rio para o escoamento da produção agrícola brasileira.

Setor alerta para risco de nova seca

A possibilidade de uma nova queda expressiva no nível dos rios é a principal preocupação das entidades. O documento encaminhado ao governo cita a possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, fenômeno que pode provocar redução das chuvas na região Norte.

O setor produtivo lembra os efeitos registrados durante o El Niño de 2023 e 2024, quando a estiagem reduziu o nível do Tapajós e dificultou o transporte de cargas pela hidrovia.

Diante desse cenário, a avaliação das entidades é de que uma intervenção preventiva poderia evitar problemas maiores durante o período de seca.

Dragagem poderia ser custeada pelo setor privado

As entidades defendem ainda que a manutenção da hidrovia seja realizada sem utilização de recursos públicos.

O documento menciona um acordo de cooperação entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani), que permite a participação da iniciativa privada na execução de serviços de dragagem de manutenção.

Segundo o setor produtivo, esse modelo possibilitaria realizar a intervenção sem gerar despesas para o governo federal. A solicitação é para que a alternativa seja viabilizada antes do período de estiagem mais intenso.

Pedido também envolve outras hidrovias

A preocupação das entidades não está restrita ao Tapajós. O documento também chama atenção para a necessidade de manutenção contínua de hidrovias estratégicas, citando como exemplo o Rio Madeira.

A intenção é reduzir a vulnerabilidade da matriz logística brasileira diante de períodos de seca e garantir alternativas para o transporte de grandes volumes de commodities.

O novo pedido foi apresentado aproximadamente dois meses depois de a FPA encaminhar outra solicitação ao governo federal para assegurar as condições de navegação no Tapajós. De acordo com a frente parlamentar, as medidas solicitadas anteriormente ainda não haviam sido executadas.

Agora, as entidades esperam que o Ministério da Agricultura e Pecuária intensifique a articulação com a Casa Civil e demais órgãos envolvidos para viabilizar os serviços de manutenção nos pontos considerados críticos antes do período mais severo de estiagem.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: José Cruz/Agência Brasil

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Portos

Fertilizantes terão prioridade no desembarque no Porto de Santos e em portos do Brasil

Os fertilizantes importados destinados à safra 2026/2027 deverão receber tratamento prioritário no desembarque em portos públicos brasileiros. A medida foi aprovada pela Comissão Nacional das Autoridades nos Portos (Conaportos) por meio da Resolução nº 3, de 12 de agosto de 2026.

A recomendação orienta as Autoridades Portuárias a adotarem procedimentos para facilitar a atracação e o desembarque de fertilizantes minerais e outros insumos agrícolas necessários ao abastecimento da próxima safra.

Medida busca garantir abastecimento da safra 2026/2027

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a iniciativa foi construída em conjunto com outros órgãos do Governo Federal e tem como objetivo aumentar a fluidez na movimentação portuária dos insumos.

A decisão ocorre diante de riscos identificados no cenário internacional, que podem afetar o fluxo de fertilizantes agrícolas utilizados na produção brasileira.

A medida tem impacto especialmente sobre cargas de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, além de produtos que fornecem macro e micronutrientes essenciais para as lavouras.

Crise geopolítica aumenta preocupação com fertilizantes

A recomendação da Conaportos foi baseada em avaliação técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O órgão apontou possíveis riscos para a regularidade do abastecimento nacional em razão das tensões geopolíticas e dos obstáculos enfrentados pela logística internacional.

O cenário aumenta a necessidade de garantir que os insumos para a agricultura cheguem ao país com maior previsibilidade, principalmente durante o período de preparação para a safra 2026/2027.

Prioridade não altera fiscalização das cargas

Apesar da prioridade operacional, a resolução não prevê qualquer flexibilização dos procedimentos de controle aplicados aos produtos importados.

Os fertilizantes importados continuarão sujeitos às exigências sanitárias, fitossanitárias, aduaneiras e de qualidade previstas na legislação.

A recomendação tem caráter emergencial e busca apenas agilizar a movimentação portuária, permitindo que as cargas tenham preferência na atracação e no desembarque.

Portos terão fluxo monitorado durante seis meses

O desempenho da medida será acompanhado de forma conjunta pelas autoridades responsáveis. Serão monitorados os fluxos de cargas e o tempo de permanência dos produtos nos portos.

As informações deverão ser encaminhadas mensalmente à Secretaria Nacional de Portos, do MPor. O acompanhamento servirá para verificar os resultados da iniciativa e orientar possíveis mudanças durante sua aplicação.

A resolução terá validade de seis meses a partir da publicação e poderá ser prorrogada ou revisada conforme a evolução do cenário e as necessidades de abastecimento do mercado brasileiro.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Exportação

Exportações brasileiras de banana recuam em julho com perda de competitividade

As exportações brasileiras de banana registraram queda em julho, pressionadas pela menor demanda internacional e pela perda de competitividade do produto nacional. Segundo dados do Comex Stat, o volume embarcado somou 3,2 mil toneladas, uma redução de 27% em relação a junho.

A receita também apresentou retração. As vendas externas movimentaram R$ 1,5 milhão em valor FOB, queda de 15% na comparação mensal.

Banana de Santa Catarina enfrenta dificuldades no mercado externo

Grande parte da banana brasileira enviada aos países do sul da América é produzida no norte de Santa Catarina. A região, porém, atravessa um período de menor oferta e enfrenta problemas na comercialização da fruta.

As baixas temperaturas características do inverno afetam a qualidade da banana nanica, comprometendo principalmente a aparência do produto. Além disso, a época de menor produção reduz a disponibilidade da fruta, contribuindo para a elevação dos preços.

Esse cenário diminui a competitividade da banana catarinense diante do produto equatoriano. Além da aparência menos atrativa para os compradores internacionais, a fruta brasileira chega ao mercado com preços mais altos em razão da oferta limitada.

Mercado argentino reduz demanda por banana brasileira

A Argentina está entre os principais destinos da banana brasileira, mas a demanda no país apresentou redução. Ainda assim, os embarques poderiam ter enfrentado uma queda mais acentuada devido às dificuldades logísticas registradas na região.

A principal rota de transporte da fruta passa pela Cordilheira dos Andes, que permaneceu fechada por cerca de 30 dias entre julho e agosto. O bloqueio ocorreu devido ao acúmulo de neve no trajeto entre Mendoza, na Argentina, e Santiago, no Chile.

A interrupção prejudicou o transporte tanto da banana brasileira quanto da banana equatoriana destinada ao mercado argentino.

Retomada da logística pode aumentar concorrência

Com a retomada gradual do tráfego de veículos em meados de agosto, a tendência é de aumento da entrada de banana equatoriana na Argentina. O movimento pode elevar a concorrência no mercado e pressionar os preços recebidos pelo produto brasileiro.

Para os próximos meses, o cenário permanece desafiador para os produtores catarinenses. A expectativa de manutenção da produção de banana em Santa Catarina em níveis reduzidos pode limitar os embarques externos justamente em um momento de maior competição com a fruta equatoriana.

Dessa forma, além da menor demanda internacional, fatores climáticos, oferta restrita e dificuldades logísticas devem continuar influenciando a competitividade da banana brasileira no mercado externo.

FONTE: HF Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/HF Brasil

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Comércio Exterior

China muda hábitos alimentares e abre oportunidades para a indústria de alimentos de SC

As mudanças nos hábitos alimentares da China e a estratégia do país para aumentar a produção doméstica de alimentos devem entrar no radar da indústria catarinense. Estudo do Observatório FIESC mostra que fatores como urbanização, industrialização e crescimento da renda estão alterando o perfil de consumo chinês, com possíveis reflexos sobre as exportações de Santa Catarina para a China.

A análise foi apresentada nesta terça-feira (25), durante reunião do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC.

Mudanças no consumo chinês exigem atenção de SC

Para Rosimeri Francener, presidente do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC, acompanhar a transformação do mercado chinês é essencial para antecipar movimentos capazes de afetar a economia catarinense.

Segundo ela, a indústria atravessa uma transformação significativa nos padrões globais de produção e consumo e precisa se preparar para continuar competitiva diante dessas mudanças.

A pesquisadora Tamires Costa, do Observatório FIESC, explica que a China vem adotando medidas para ampliar a produção nacional de alimentos e incorporar mais tecnologia à indústria do setor.

Entre os objetivos estabelecidos nos planos quinquenais está o aumento da produção de grãos, que deverá passar de 650 milhões para 725 milhões de toneladas até 2030.

Autossuficiência chinesa pode pressionar exportações

Embora tenha uma produção agrícola de grande escala, a China ainda depende do mercado externo em determinadas cadeias, como a soja. Em segmentos importantes para Santa Catarina, porém, o nível de produção doméstica é elevado.

No caso do frango, a autossuficiência chinesa chega a 98%. Para a carne suína, o índice é de 97%. Os dois produtos estão entre os principais itens da pauta exportadora catarinense destinada ao mercado chinês.

Os dados do Observatório FIESC mostram uma diferença importante no desempenho das exportações. Enquanto as vendas brasileiras dos produtos analisados cresceram 47% na série histórica considerada, as exportações catarinenses registraram queda de 34%.

Carne suína mostra impacto da recuperação chinesa

A trajetória da carne suína catarinense ajuda a explicar os efeitos da mudança no mercado chinês.

Durante o período mais crítico da peste suína africana, a autossuficiência da China caiu de 97% para 89% em 2020. A redução da produção doméstica abriu espaço para fornecedores estrangeiros e impulsionou as vendas de Santa Catarina.

Em 2021, o Estado chegou a exportar US$ 758 milhões em carne suína para a China. Com a recuperação da produção chinesa nos anos seguintes, porém, Santa Catarina perdeu aproximadamente US$ 490 milhões em exportações entre 2021 e 2024.

O cenário demonstra como a dependência de poucos produtos e de um único grande mercado pode aumentar a exposição da indústria às mudanças na oferta e na demanda internacional.

Diversificação pode ampliar espaço para SC na China

O estudo do Observatório FIESC aponta que Santa Catarina possui alternativas para diversificar as exportações de alimentos destinadas ao mercado chinês.

Entre os produtos catarinenses que já são produzidos e exportados e apresentam potencial de crescimento estão:

  • Pescados e crustáceos;
  • Preparações alimentícias;
  • Miudezas comestíveis;
  • Farinha de carne;
  • Produtos para alimentação animal;
  • Leite em pó.

A estratégia pode incluir ainda o avanço de produtos com maior valor agregado. A mudança no perfil de consumo dos chineses cria espaço para alimentos processados, segmento no qual a indústria catarinense possui capacidade de transformar matérias-primas em produtos de maior valor.

Condição sanitária é diferencial competitivo

Além da capacidade industrial, Santa Catarina conta com um diferencial importante para ampliar sua presença no mercado asiático: a condição sanitária do Estado.

De acordo com Tamires Costa, esse fator pode contribuir para aumentar a competitividade dos produtos catarinenses e facilitar a conquista de novos espaços no mercado chinês de alimentos.

A expansão, entretanto, depende de uma estratégia que acompanhe de perto as políticas de autossuficiência alimentar da China e as mudanças no comportamento dos consumidores.

Indústria catarinense precisa reduzir concentração

Para o setor produtivo de Santa Catarina, o principal desafio é diminuir a dependência de um grupo restrito de produtos e ampliar a variedade de itens exportados.

Isso envolve diversificar a pauta, investir em produtos de maior valor agregado e prospectar novos destinos internacionais. A estratégia pode reduzir a vulnerabilidade da indústria catarinense às oscilações de demanda provocadas pelas mudanças no mercado chinês.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Sustentabilidade

Algodão brasileiro busca novos mercados com tecnologia, qualidade e sustentabilidade

O algodão brasileiro vive uma nova etapa de expansão no mercado internacional, mas o aumento da produção já não é suficiente para garantir competitividade. Com as exportações em crescimento, produtores enfrentam uma cobrança maior por qualidade, rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade, além dos desafios relacionados ao clima, às pragas e às doenças.

Esse cenário estará no centro dos debates do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), marcado para 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG). O evento reunirá produtores, pesquisadores, consultores, técnicos e empresas para discutir desde o manejo das lavouras até as exigências dos compradores da fibra brasileira.

Congresso debate desafios da produção de algodão

A programação do CBA inclui temas ligados à fisiologia do algodoeiro, resiliência produtiva e impactos das mudanças climáticas sobre as lavouras.

Também estão previstos debates sobre o bicudo-do-algodoeiro, outras pragas e doenças, nematologia, matologia e destruição de soqueira. Agricultura digital, melhoramento vegetal e biotecnologia completam parte da agenda científica.

As discussões avançam ainda para as etapas posteriores à produção, com conteúdos sobre colheita, beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço. A proposta é aproximar os avanços técnicos das decisões tomadas nas propriedades e das demandas de toda a cadeia produtiva.

Para Marcio Portocarrero, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o congresso acompanha as mudanças que vêm transformando a cotonicultura.

Segundo ele, o evento coloca em debate questões que vão da ciência e tecnologia à sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e mercado.

Produtividade precisa vir acompanhada de qualidade

A maior presença do Brasil no mercado mundial de algodão aumenta a responsabilidade do setor. A produção em larga escala precisa estar associada a padrões de qualidade capazes de atender diferentes perfis de consumidores.

Nesse contexto, a origem da fibra e as condições utilizadas em sua produção ganham importância. Rastreabilidade e transparência passam a ser fatores estratégicos para uma cadeia que pretende ampliar sua participação no comércio internacional.

Ao mesmo tempo, problemas recorrentes no campo continuam influenciando os resultados. Condições climáticas adversas, pragas, doenças e falhas de manejo podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade do algodão.

Portocarrero afirma que a expansão internacional coloca a cotonicultura brasileira diante de uma nova fase, na qual produtividade, inovação e responsabilidade precisam avançar conjuntamente.

Ciência busca soluções para os desafios do campo

A programação científica do congresso terá 12 horas de palestras distribuídas em duas plenárias. Os conteúdos abrangem diferentes etapas da produção e buscam aprofundar questões que afetam diretamente o desempenho das lavouras.

Entre os temas estão a fisiologia do algodoeiro e sua capacidade de preservar a produtividade em situações adversas. O manejo fitossanitário também terá destaque, com discussões sobre bicudo, fitopatologia, nematologia e matologia.

O período pós-colheita também será abordado. Beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço serão discutidos ao lado de melhoramento vegetal e biotecnologia.

As chamadas Plenárias Conexões ampliarão o debate para assuntos como mercado, estratégia, liderança, sustentabilidade e perspectivas para o setor. A proposta é relacionar o desenvolvimento técnico da produção às transformações que ocorrem no mercado.

Agricultura digital ganha espaço na cotonicultura

A agricultura digital vem ampliando as possibilidades de monitoramento, manejo e tomada de decisão nas propriedades. O tema será discutido no congresso junto a ferramentas como biotecnologia e melhoramento genético.

Quatro Hubs Técnicos concentrarão debates especializados. A programação também terá workshops e minicursos voltados ao aprofundamento de conteúdos e à troca de experiências entre profissionais.

A área de exposição reunirá empresas que atuam na cadeia do algodão, com apresentação de tecnologias, produtos e serviços destinados às diferentes etapas da produção e do beneficiamento.

A aproximação entre fornecedores de soluções e profissionais do campo deve facilitar o debate sobre tecnologias capazes de responder aos desafios enfrentados pela cotonicultura.

Para Portocarrero, a trajetória do algodão brasileiro foi marcada por tecnologia, profissionalização e capacidade de adaptação. Na avaliação do executivo, a próxima etapa depende de manter esse processo de evolução sem deixar de lado qualidade e responsabilidade.

Congresso reúne setor em momento de expansão

Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o 15º Congresso Brasileiro do Algodão será realizado no Expominas, em Belo Horizonte.

A edição anterior aconteceu em Fortaleza e reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países e 25 estados. O encontro contou com 114 palestrantes, 62 patrocinadores, 19 hubs temáticos e 288 trabalhos científicos.

Para a edição deste ano, a organização estima a participação de aproximadamente 2.500 pessoas, entre produtores, pesquisadores, consultores, técnicos, representantes de empresas e outros profissionais.

O encontro ocorre em um momento estratégico para o setor algodoeiro brasileiro. Entre os principais desafios estão aumentar a eficiência produtiva, preservar a qualidade da fibra, incorporar novas tecnologias e atender às exigências de compradores cada vez mais atentos à sustentabilidade e à origem dos produtos.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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