Comércio Exterior

Montadoras defendem incentivos fiscais para veículos com maior conteúdo nacional

As principais montadoras instaladas no Brasil iniciaram negociações com o governo federal para criar mecanismos que favoreçam a produção local de veículos. A proposta em discussão prevê que automóveis com maior participação de componentes fabricados no país tenham tributação reduzida, enquanto modelos com menor índice de nacionalização sejam submetidos a uma carga tributária mais elevada.

A iniciativa surge em um momento de forte crescimento das importações, especialmente de veículos produzidos na China, e busca fortalecer a competitividade da indústria automotiva brasileira.

Setor avalia mudanças no Mover e no Imposto Seletivo

Entre as alternativas analisadas pela indústria está a revisão do Programa Mover, política voltada ao desenvolvimento do setor automotivo. Outra possibilidade envolve ajustes na aplicação do Imposto Seletivo, tributo criado pela reforma tributária e previsto para entrar em vigor em janeiro.

Conhecido popularmente como “imposto do pecado”, o novo tributo tem como objetivo aumentar a taxação de produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Como os veículos estão entre os itens que serão impactados, representantes da indústria defendem que critérios relacionados à produção nacional também sejam considerados na definição das alíquotas.

Importações crescem antes da alta da tarifa

O debate acontece às vésperas da elevação da tarifa de importação para veículos híbridos e elétricos, que passará a 35% a partir de 1º de julho.

Com a proximidade do reajuste, importadores intensificaram os embarques para o país. Dados do setor apontam que os estoques de veículos importados alcançam atualmente cerca de 300 mil unidades, volume significativamente superior às pouco mais de 70 mil unidades produzidas localmente.

Volkswagen alerta para pressão sobre fabricantes nacionais

Segundo Ciro Possobom, presidente da Volkswagen no Brasil, o elevado volume de veículos importados em estoque tem provocado uma disputa mais intensa por consumidores, levando a reduções de preços que afetam diretamente os fabricantes instalados no país.

O executivo também destacou a situação dos veículos importados no sistema CKD (Completely Knocked Down), montados localmente a partir de kits de peças importadas. Atualmente, essa modalidade continua sujeita a uma tarifa de apenas 14% até janeiro do próximo ano, percentual considerado insuficiente para equilibrar a concorrência com a produção nacional.

Para Possobom, a combinação entre grandes estoques importados e a manutenção da tarifa reduzida para CKD deve tornar os próximos meses desafiadores para a indústria automotiva brasileira.

Concorrência chinesa domina debate do setor

O avanço das fabricantes chinesas esteve entre os principais temas discutidos durante a segunda edição do Anfavea Visions, evento promovido pela associação que representa as montadoras no país.

Além da concorrência internacional, o encontro abordou temas como eletrificação, combustíveis alternativos, conectividade veicular e os impactos da inteligência artificial na transformação da indústria automotiva.

Volkswagen aposta em produção local e eletrificação

Ao comentar os desafios do mercado, Possobom afirmou que busca integrar diferentes características culturais na gestão da operação brasileira. Segundo ele, a disciplina tradicional da indústria alemã, a velocidade das empresas chinesas e a criatividade brasileira precisam caminhar juntas para enfrentar as mudanças do setor.

O executivo também ressaltou que a Volkswagen segue investindo na transição para a mobilidade elétrica, aproveitando experiências acumuladas em mercados como Europa e China. A estratégia inclui a adaptação de projetos globais para atender às necessidades dos consumidores brasileiros.

Apesar de reconhecer que oscilações econômicas podem tornar a importação mais atrativa em determinados momentos, Possobom reforçou sua confiança na produção nacional. A montadora está executando um plano de investimentos de R$ 16 bilhões entre 2024 e 2028 e considera a fabricação local fundamental para sustentar grandes volumes de vendas e reduzir a exposição às variações cambiais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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