Tecnologia

Marcas chinesas chegam a 17% do mercado brasileiro de veículos

A presença das marcas chinesas de carros no Brasil ganhou força rapidamente. Em apenas um ano, a participação dessas fabricantes no mercado nacional passou de 9% para 17%, impulsionada principalmente pelo avanço dos carros eletrificados e pela crescente aceitação dos consumidores brasileiros.

A expansão coloca as montadoras chinesas em posição de destaque no setor automotivo brasileiro. Ao mesmo tempo, o avanço preocupa mercados tradicionais, que estudam medidas para proteger suas próprias indústrias.

Carros chineses avançam com a eletrificação

As fabricantes chinesas se tornaram protagonistas da eletrificação automotiva no Brasil, segmento que vem conquistando espaço entre os consumidores.

O cenário, porém, é diferente em outros grandes mercados. Nos Estados Unidos, por exemplo, a entrada de veículos chineses enfrenta uma tarifa de importação de 100%, mantida desde o governo de Joe Biden. Na Europa, também estão em discussão medidas para aumentar a proteção da indústria local diante da concorrência asiática.

No Brasil, uma iniciativa semelhante já provocou controvérsia no passado.

Brasil já adotou barreira para carros importados

Em 2011, o governo brasileiro aumentou em 30 pontos percentuais o IPI incidente sobre veículos importados de países de fora do Mercosul. Com a medida, a alíquota chegou a 70%.

O chamado “super IPI” tinha como justificativa a proteção dos empregos no setor automotivo brasileiro e o estímulo aos investimentos e à inovação dentro do país.

A decisão, entretanto, gerou reação internacional. Alguns países recorreram à Organização Mundial do Comércio (OMC), que concluiu, em 2017, que a política brasileira contrariava regras do comércio internacional. Posteriormente, o mecanismo foi retirado.

Stellantis defende incentivo à produção local

O presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, afirma não apoiar um aumento do Imposto de Importação. Para o executivo, o caminho poderia ser outro: oferecer vantagens às empresas que ampliem a fabricação nacional e utilizem mais componentes produzidos no Brasil.

Na avaliação de Zola, o sistema deveria estimular a produção local, beneficiando empresas de acordo com o nível de nacionalização de seus veículos.

O executivo também questiona a falta de incentivos para a compra de insumos nacionais.

“As montadoras que estão no Brasil não recebem incentivo para comprar aço local ou nenhum outro tipo de insumo. Enquanto isso, o aço chinês entra nos carros semimontados sem imposto”, afirma.

Medidas de 2011 estimularam fábricas de marcas premium

Apesar das controvérsias, o aumento do IPI em 2011 contribuiu para que algumas marcas de luxo que atuavam apenas com importações passassem a produzir veículos no Brasil.

Foi o caso de Mercedes-Benz, BMW e Jaguar Land Rover.

Atualmente, apenas a BMW mantém uma fábrica em funcionamento em Araquari, em Santa Catarina. A Mercedes-Benz encerrou as atividades de sua unidade em Iracemápolis, São Paulo, no fim de 2020. A planta foi posteriormente adquirida pela chinesa GWM, que iniciou a produção em agosto de 2025.

A GWM também avalia novos investimentos. Segundo Diego Fernandes, responsável pelas operações da empresa, o grupo tem planos para construir outra fábrica em Aracruz, no Espírito Santo.

Já a unidade da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no Rio de Janeiro, continua sem comprador. Nos bastidores do setor automotivo, o grupo Chery aparece como interessado na aquisição da planta.

Chery prepara expansão no Brasil

O CEO da Chery no Brasil, Peng Hu, evita comentar diretamente as negociações envolvendo a fábrica de Itatiaia. O executivo, porém, confirma que a empresa terá uma unidade industrial no país.

Segundo Hu, os termos do acordo ainda precisam ser definidos e formalizados, motivo pelo qual os detalhes permanecem sob sigilo.

A atuação do executivo no Brasil também ganhou novas dimensões. Quando concedeu sua primeira entrevista ao Valor, em dezembro de 2025, Hu era responsável por duas marcas do grupo, Omoda e Jaecoo, criadas pela Chery para atuação internacional e que não são comercializadas na China.

Em julho deste ano, ele passou a comandar as operações do grupo Chery na região.

iCar e novos modelos estão nos planos

A estratégia de crescimento da Chery prevê novas marcas e segmentos no mercado brasileiro. A partir do primeiro trimestre de 2027, a empresa pretende lançar a iCar no país.

De acordo com Hu, mais de 100 grupos de concessionárias já demonstraram interesse em representar a nova marca.

A Chery também prepara projetos relacionados ao uso de etanol em carros híbridos. Engenheiros brasileiros trabalham em conjunto com a equipe de desenvolvimento na China para criar motores capazes de utilizar o combustível derivado da cana-de-açúcar.

Para 2027, a fabricante ainda prevê a chegada de uma nova marca de luxo e a entrada no segmento de carros compactos.

Futuro da produção da Chery pela CAOA ainda é incerto

A expansão direta do grupo Chery no Brasil também levanta dúvidas sobre o futuro da produção de veículos da marca realizada pelo grupo brasileiro CAOA.

Hu afirma não ser o responsável por essa questão. Neste momento, sua atuação está concentrada nos projetos de crescimento e expansão da fabricante chinesa no mercado nacional.

A Chery já ampliou sua participação nas vendas brasileiras para 2,5%, alcançando a 13ª colocação no ranking geral de comercialização de veículos.

Robôs humanoides chegam às concessionárias

Além de investir em novos produtos e ampliar sua participação no mercado, a Chery prepara iniciativas para diferenciar a experiência dos consumidores.

Uma das novidades será a presença de robôs humanoides nas concessionárias do grupo. Os equipamentos deverão recepcionar os clientes e fazer parte da estratégia da empresa para aproximar tecnologia e atendimento no ponto de venda.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ana Paula Paiva/Valor

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Tecnologia

Hyundai defende concorrência equilibrada para enfrentar avanço dos carros chineses

A expansão das montadoras chinesas preocupa parte da indústria automotiva global, mas o CEO mundial da Hyundai, José Muñoz, avalia que ainda é possível competir com essas empresas. Para o executivo, o caminho passa por garantir condições equilibradas de concorrência, proteger determinados setores estratégicos e manter investimentos contínuos em produtos e tecnologia.

Muñoz reconhece que os veículos chineses, geralmente mais baratos, poderiam conquistar rapidamente espaço nos Estados Unidos caso as atuais barreiras comerciais fossem retiradas. A declaração foi feita durante a apresentação do Hyundai Tucson 2027, em Nova York.

Hyundai pede condições iguais de competição

Na avaliação de Muñoz, todas as fabricantes que disputam o mercado norte-americano deveriam atuar sob regras semelhantes. O executivo afirma que a Hyundai já enfrenta concorrentes de diferentes países em diversos mercados e apresenta bons resultados quando considera que existe um ambiente competitivo equilibrado.

A preocupação com a chegada das marcas chinesas aos Estados Unidos tem como referência o desempenho observado na Europa. Nos últimos anos, fabricantes da China ampliaram sua participação no continente oferecendo veículos cerca de 30% mais baratos que modelos europeus equivalentes, mesmo com a incidência de tarifas.

O avanço aumentou a pressão sobre fabricantes tradicionais, como Volkswagen, Volvo e Mercedes, e alimenta o receio de que um movimento semelhante ocorra no mercado norte-americano.

Tarifas dificultam entrada de veículos chineses nos EUA

Atualmente, tarifas elevadas e restrições relacionadas a softwares chineses representam obstáculos importantes para a comercialização direta desses veículos nos Estados Unidos.

O cenário, porém, pode mudar. Donald Trump já afirmou que aceitaria a instalação de fábricas de montadoras chinesas no território americano, desde que as operações empregassem trabalhadores dos Estados Unidos.

Analistas também avaliam que as fabricantes chinesas podem encontrar alternativas para entrar no mercado, seja por meio da produção local, seja por acordos e parcerias com empresas já estabelecidas no país.

Apesar dessa possibilidade, Muñoz afirma que a Hyundai não desenvolveu uma estratégia específica para enfrentar uma eventual entrada dessas marcas. Segundo ele, a prioridade é aprimorar continuamente os próprios veículos, reduzir custos e avançar em tecnologia, independentemente da origem dos concorrentes.

Integração vertical é aposta para reduzir custos

Uma das estratégias da Hyundai é ampliar a integração vertical, aumentando a produção interna de componentes e tecnologias. A intenção é melhorar a relação entre custo e qualidade e diminuir a dependência de fornecedores externos.

Muñoz cita como exemplo o investimento de US$ 5,8 bilhões, equivalente a cerca de R$ 28,9 bilhões, na Louisiana. O projeto prevê a produção de aço com menor impacto ambiental e faz parte dos esforços da empresa para elevar sua competitividade.

A estratégia também deve avançar em áreas como software e tecnologias automotivas, com maior desenvolvimento interno para ampliar o controle sobre custos e reduzir dependências.

Eletrificação mostra diferenças entre China, Europa e EUA

Muñoz admite que ainda não é possível prever exatamente o impacto que uma eventual entrada das montadoras chinesas provocaria nos Estados Unidos. Para ele, entretanto, o desempenho dessas empresas na Europa oferece uma referência importante.

A diferença entre os mercados também aparece na eletrificação dos veículos. Na China, os modelos elétricos já representam mais de 60% das vendas. Na Europa, a participação supera 20%. Nos Estados Unidos, por outro lado, os veículos elétricos permanecem abaixo de 6% do mercado após a retirada dos subsídios federais promovida pelo governo Trump e pelo Congresso.

Além da polarização política e de uma infraestrutura de recarga ainda considerada insuficiente, a disponibilidade de veículos elétricos acessíveis é apontada como um dos principais obstáculos à expansão desse segmento.

Muñoz, no entanto, acredita que os Estados Unidos ainda podem avançar e classifica o país como o mercado automotivo mais competitivo do mundo.

Hyundai aposta em elétricos e híbridos

A Hyundai mantém no mercado americano modelos elétricos como o Ioniq 5 e o Ioniq 9, enquanto amplia sua oferta de veículos híbridos.

Os carros híbridos ganharam importância nos resultados de eletrificação da companhia e estão presentes em modelos de grande volume de vendas, como o Tucson.

O Hyundai Group recentemente ultrapassou a Honda nas vendas de híbridos nos Estados Unidos e passou a ocupar a segunda colocação do segmento, atrás apenas da Toyota.

Baterias continuam sendo um desafio

Outro ponto de atenção está na produção de baterias. Muñoz reconhece que a China possui uma vantagem relevante nesse setor graças à enorme escala alcançada por sua indústria.

A Hyundai, por sua vez, mantém uma joint venture com a SK On para fabricar baterias nos Estados Unidos, em uma unidade localizada na Geórgia, próxima à Metaplant onde a empresa produz veículos elétricos e híbridos.

Segundo o executivo, alcançar grandes volumes de produção é fundamental para ganhar competitividade, já que a bateria representa uma parcela significativa do custo total de um carro elétrico.

Apesar da vantagem chinesa em escala, Muñoz afirma não estar preocupado com a situação. Ele destaca que os Estados Unidos já possuem produção doméstica de baterias conduzida por alguns dos maiores fabricantes mundiais.

FONTE: Notícias Automotivas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Automotivas

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Exportação

Carros chineses pressionam frete marítimo e expõem falta de navios para exportação

A explosão das exportações de carros chineses está criando um novo gargalo no comércio global: a falta de navios especializados para transportar veículos. Com as montadoras ampliando rapidamente suas vendas no exterior, a capacidade disponível de transporte marítimo de veículos não tem acompanhado o ritmo da produção.

Os chamados navios Ro-Ro, projetados para receber automóveis diretamente em seus conveses, estão com a capacidade comprometida por longos períodos. O aumento da procura fez as taxas de afretamento subirem 65% neste ano, segundo dados citados por executivos do setor.

Exportações chinesas aumentam pressão sobre navios

A expansão internacional das montadoras chinesas ocorre em meio à forte disputa entre mais de 100 marcas, ao excesso de capacidade produtiva e ao enfraquecimento do mercado doméstico.

Com isso, fabricantes passaram a buscar espaço adicional para enviar veículos à América Latina, Europa e Austrália. Em alguns casos, a falta de navios especializados levou empresas a utilizar contêineres convencionais, normalmente destinados ao transporte de produtos como roupas, móveis e eletrônicos.

Lasse Kristoffersen, presidente da Wallenius Wilhelmsen, afirmou que o crescimento do segmento está diretamente relacionado ao avanço das exportações chinesas.

A indústria naval já havia reagido à maior demanda com uma onda de encomendas. Mesmo assim, a frota mundial de navios transportadores de veículos aumentou cerca de 40% e ainda não é suficiente para atender às necessidades da China.

China pode exportar até 10 milhões de veículos

A dimensão do avanço chinês ajuda a explicar o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Segundo o grupo de pesquisa Mobility Global, a China exportou pouco menos de 600 mil carros e vans em 2019. Para 2026, a estimativa é de que esse volume possa chegar a 10 milhões de veículos.

Na União Europeia, a expansão das marcas chinesas também ganhou velocidade. No primeiro semestre de 2026, os licenciamentos da SAIC Motor cresceram 19%, enquanto os da BYD mais que dobraram, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.

Entre as montadoras tradicionais, o desempenho foi mais moderado. A Stellantis avançou 6%, a Volkswagen cresceu 2,6% e a Renault registrou queda de 4,2%.

Andreas Enger, presidente da Höegh Autoliners, afirmou que a China deixou de ter uma participação pouco relevante no mercado externo e se tornou a maior exportadora mundial de veículos em apenas cinco anos.

O avanço das exportações também elevou os fretes marítimos de automóveis para aproximadamente o dobro dos níveis registrados antes da pandemia.

Afretamento de navios volta a disparar

O mercado esperava uma redução das tarifas em 2026, principalmente porque uma quantidade significativa de novos navios entraria em operação.

Entre 2022 e 2025, empresas do setor investiram bilhões de dólares na construção de transportadores de veículos, impulsionadas pelo aumento do consumo de automóveis e pela rápida expansão das exportações chinesas.

A forte demanda chegou a levar as taxas de afretamento a cerca de US$ 115 mil por dia no fim de 2023 e início de 2024.

A esperada acomodação, porém, não se concretizou. Com a capacidade novamente pressionada, o custo médio anual para afretar um grande navio transportador de veículos alcançou US$ 70 mil por dia em junho, segundo a corretora marítima Clarksons. No fim de 2025, a média estava em US$ 42,5 mil.

Mercado chinês mais fraco estimula vendas no exterior

A expansão das exportações também funciona como alternativa para as montadoras diante da desaceleração do mercado doméstico.

Com poucas exceções, os veículos chineses não são enviados aos Estados Unidos em grande escala devido às tarifas de importação e às restrições relacionadas a softwares, associadas por Washington a preocupações de segurança nacional.

Em outros mercados, entretanto, os modelos elétricos e híbridos chineses vêm ganhando espaço. Fabricantes como BYD e SAIC Motor avançaram em países como Reino Unido, Brasil e Alemanha, além de ampliarem sua presença fora da China.

Tu Le, diretor da consultoria Sino Auto Insights, considera que a estratégia agressiva de exportação funciona como uma espécie de válvula de escape para a indústria diante do enfraquecimento das vendas internas.

No primeiro semestre de 2026, as vendas de veículos na China recuaram mais de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

Falta de navios leva carros para contêineres

Os transportadores especializados continuam sendo a alternativa preferida pelas montadoras. Nesse modelo, os veículos são conduzidos diretamente para dentro do navio, o que tende a reduzir custos e diminuir o risco de danos durante o processo logístico.

Eric Dessupoiu, vice-presidente de logística de veículos acabados da Ceva Logistics, afirma que, quando não encontram espaço nos navios especializados, as empresas recorrem ao transporte de carros em contêineres.

De acordo com Kristoffersen, da Wallenius Wilhelmsen, até quatro milhões de veículos deixam a China todos os anos em contêineres ou por outros meios que não os navios tradicionais de transporte de automóveis.

O uso de contêineres para carros não é uma novidade. O que mudou foi a escala da operação. Durante a pandemia de Covid-19, a procura por transporte de veículos superou a oferta de navios, levando o setor a ampliar o uso desse modelo.

Christoph Seitz, vice-presidente global de veículos acabados da DP World, afirmou que algumas montadoras ocidentais inicialmente demonstraram resistência à alternativa. As fabricantes chinesas, porém, teriam adotado a solução rapidamente diante da necessidade de ampliar a capacidade de exportação.

Como funciona o transporte de carros em contêineres

O processo exige etapas adicionais em comparação com os navios especializados.

Primeiro, os automóveis são levados a um pátio próximo ao porto. Depois, são colocados dentro dos contêineres e transportados por guindastes até o navio. No destino, o procedimento precisa ser realizado novamente no sentido inverso.

A demanda cresceu a ponto de grandes empresas do transporte marítimo de contêineres, como Maersk e MSC, passarem a oferecer serviços diretamente às montadoras.

A alternativa, portanto, deixou de ser apenas uma solução emergencial e passou a integrar a estrutura logística utilizada para escoar parte da produção chinesa.

BYD investe na própria frota marítima

Diante da dificuldade de encontrar capacidade suficiente no mercado, a BYD decidiu atuar diretamente no transporte marítimo.

A montadora chinesa colocou em operação seu primeiro navio próprio para transporte de veículos em 2024. Atualmente, segundo as informações apresentadas no texto, a empresa conta com uma frota de oito embarcações.

O movimento mostra como a expansão das exportações chinesas está alterando não apenas o mercado automotivo, mas também a logística internacional necessária para levar esses veículos aos consumidores.

Com a produção chinesa crescendo mais rapidamente do que a capacidade global de transporte especializado, o setor enfrenta um novo desafio: encontrar navios suficientes para acompanhar a transformação da China em uma potência cada vez maior nas exportações automotivas.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Tecnologia

Carros chineses já representam mais da metade dos veículos importados pelo Brasil em 2026

A participação dos carros chineses no Brasil atingiu um novo patamar em 2026. Entre janeiro e julho, mais de 180 mil veículos fabricados na China foram importados pelo país, número que corresponde a 52,4% de todos os veículos importados pelo Brasil no período.

Os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam que as importações de veículos chineses cresceram 105,4% nos primeiros sete meses do ano, na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

O avanço foi muito superior ao registrado pelo conjunto das importações. Ao todo, o Brasil recebeu 344,1 mil veículos estrangeiros entre janeiro e julho, alta de 25,7% em relação ao ano anterior.

China domina as importações de veículos

O desempenho mostra uma mudança importante na composição dos veículos importados pelo Brasil. A China passou a responder pela maior parcela desse mercado em um momento de forte expansão das montadoras chinesas e de aumento da oferta de novos modelos.

Enquanto as importações totais cresceram pouco mais de 25% em um ano, os veículos fabricados na China tiveram alta superior a 100%. Dessa forma, os fabricantes chineses não apenas acompanham o crescimento do mercado de importados, mas também ampliam sua participação entre os veículos que chegam ao país.

Esse movimento acontece paralelamente ao avanço dos carros elétricos e híbridos no mercado brasileiro.

Em julho, os veículos eletrificados representaram 23,5% dos emplacamentos no Brasil, a maior participação já registrada até então. No acumulado de 2026, os emplacamentos dessa categoria cresceram 120,8% frente aos primeiros sete meses de 2025.

A forte presença de fabricantes chineses no segmento de eletrificados ajuda a explicar parte desse crescimento. Empresas do país asiático têm ampliado a oferta de carros elétricos, híbridos e outros modelos eletrificados para os consumidores brasileiros.

Importações crescem enquanto exportações brasileiras caem

O avanço dos veículos estrangeiros ocorre em um cenário diferente para as exportações da indústria automotiva brasileira.

Entre janeiro e julho, foram exportados 255,9 mil veículos produzidos no Brasil, uma redução de 20,8% em relação ao mesmo período de 2025.

A Argentina teve papel importante nesse resultado. Os embarques brasileiros destinados ao país vizinho recuaram 35,4% no acumulado do ano. Segundo a Anfavea, com exceção da Colômbia, as exportações para os demais mercados latino-americanos também apresentaram queda.

Por outro lado, a produção de veículos no Brasil manteve trajetória positiva. As fábricas instaladas no país produziram mais de 1,6 milhão de unidades nos sete primeiros meses de 2026, crescimento de 8,3% sobre o mesmo período do ano passado.

O cenário cria um contraste dentro do setor automotivo: a indústria nacional produz mais, mas enfrenta simultaneamente uma concorrência crescente dos veículos chineses importados.

Novas marcas chinesas ampliam a disputa no mercado brasileiro

A participação da China pode aumentar ainda mais com a chegada de novas fabricantes ao país. Empresas como iCAUR, Lepas, Luxeed, Freelander e DFM já possuem planos para atuar no mercado automotivo brasileiro.

A movimentação ocorre após a expansão de marcas como BYD, GWM, Omoda e Jaecoo, que passaram a disputar consumidores com as montadoras tradicionais.

Além do aumento das importações, a instalação de operações industriais no Brasil pode modificar a dinâmica desse mercado nos próximos anos. Com a produção local, parte dos veículos que atualmente são trazidos do exterior poderá passar a ser fabricada em território nacional.

China já é a principal origem dos veículos importados

Os números registrados até julho de 2026 evidenciam a mudança no perfil dos carros importados no Brasil. Com mais de 180 mil unidades e uma participação de 52,4%, os veículos produzidos na China já representam mais da metade das importações brasileiras.

O resultado consolida o país asiático como a principal origem dos veículos trazidos do exterior e reforça a expansão das montadoras chinesas no Brasil, especialmente em segmentos como elétricos e híbridos.

A tendência também sinaliza uma transformação na competição do setor automotivo brasileiro, que deve ganhar novos participantes à medida que mais marcas chinesas avancem em seus planos de operação no país.

FONTE: Vrum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Vrum

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Comércio Exterior

Montadoras defendem incentivos fiscais para veículos com maior conteúdo nacional

As principais montadoras instaladas no Brasil iniciaram negociações com o governo federal para criar mecanismos que favoreçam a produção local de veículos. A proposta em discussão prevê que automóveis com maior participação de componentes fabricados no país tenham tributação reduzida, enquanto modelos com menor índice de nacionalização sejam submetidos a uma carga tributária mais elevada.

A iniciativa surge em um momento de forte crescimento das importações, especialmente de veículos produzidos na China, e busca fortalecer a competitividade da indústria automotiva brasileira.

Setor avalia mudanças no Mover e no Imposto Seletivo

Entre as alternativas analisadas pela indústria está a revisão do Programa Mover, política voltada ao desenvolvimento do setor automotivo. Outra possibilidade envolve ajustes na aplicação do Imposto Seletivo, tributo criado pela reforma tributária e previsto para entrar em vigor em janeiro.

Conhecido popularmente como “imposto do pecado”, o novo tributo tem como objetivo aumentar a taxação de produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Como os veículos estão entre os itens que serão impactados, representantes da indústria defendem que critérios relacionados à produção nacional também sejam considerados na definição das alíquotas.

Importações crescem antes da alta da tarifa

O debate acontece às vésperas da elevação da tarifa de importação para veículos híbridos e elétricos, que passará a 35% a partir de 1º de julho.

Com a proximidade do reajuste, importadores intensificaram os embarques para o país. Dados do setor apontam que os estoques de veículos importados alcançam atualmente cerca de 300 mil unidades, volume significativamente superior às pouco mais de 70 mil unidades produzidas localmente.

Volkswagen alerta para pressão sobre fabricantes nacionais

Segundo Ciro Possobom, presidente da Volkswagen no Brasil, o elevado volume de veículos importados em estoque tem provocado uma disputa mais intensa por consumidores, levando a reduções de preços que afetam diretamente os fabricantes instalados no país.

O executivo também destacou a situação dos veículos importados no sistema CKD (Completely Knocked Down), montados localmente a partir de kits de peças importadas. Atualmente, essa modalidade continua sujeita a uma tarifa de apenas 14% até janeiro do próximo ano, percentual considerado insuficiente para equilibrar a concorrência com a produção nacional.

Para Possobom, a combinação entre grandes estoques importados e a manutenção da tarifa reduzida para CKD deve tornar os próximos meses desafiadores para a indústria automotiva brasileira.

Concorrência chinesa domina debate do setor

O avanço das fabricantes chinesas esteve entre os principais temas discutidos durante a segunda edição do Anfavea Visions, evento promovido pela associação que representa as montadoras no país.

Além da concorrência internacional, o encontro abordou temas como eletrificação, combustíveis alternativos, conectividade veicular e os impactos da inteligência artificial na transformação da indústria automotiva.

Volkswagen aposta em produção local e eletrificação

Ao comentar os desafios do mercado, Possobom afirmou que busca integrar diferentes características culturais na gestão da operação brasileira. Segundo ele, a disciplina tradicional da indústria alemã, a velocidade das empresas chinesas e a criatividade brasileira precisam caminhar juntas para enfrentar as mudanças do setor.

O executivo também ressaltou que a Volkswagen segue investindo na transição para a mobilidade elétrica, aproveitando experiências acumuladas em mercados como Europa e China. A estratégia inclui a adaptação de projetos globais para atender às necessidades dos consumidores brasileiros.

Apesar de reconhecer que oscilações econômicas podem tornar a importação mais atrativa em determinados momentos, Possobom reforçou sua confiança na produção nacional. A montadora está executando um plano de investimentos de R$ 16 bilhões entre 2024 e 2028 e considera a fabricação local fundamental para sustentar grandes volumes de vendas e reduzir a exposição às variações cambiais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Tecnologia

Carros chineses avançam no Brasil e aumentam pressão sobre a indústria automotiva nacional

A presença dos carros chineses no Brasil vem crescendo rapidamente e já provoca mudanças profundas no setor automotivo nacional. Com forte aposta em tecnologia, eletrificação e preços competitivos, as montadoras asiáticas conquistaram espaço acelerado entre os consumidores brasileiros e já se aproximam de 20% de participação no mercado.

O avanço é visto como positivo para o consumidor, principalmente pela popularização dos carros elétricos e híbridos, além do aumento da oferta de veículos com tecnologia embarcada e design moderno. No entanto, especialistas apontam que o fenômeno também amplia os sinais de enfraquecimento da indústria automotiva brasileira.

Processo de desindustrialização começou há décadas

A atual pressão sobre o setor automotivo não surgiu de forma repentina. O movimento é resultado de um processo gradual de desindustrialização iniciado ainda nos anos 1980, quando a globalização produtiva começou a deslocar cadeias de manufatura para países asiáticos, especialmente a China.

Durante os anos 1990, a abertura comercial brasileira aumentou a exposição da indústria nacional à concorrência internacional. Inicialmente, os impactos foram sentidos em setores mais intensivos em mão de obra, como brinquedos, têxtil e eletroeletrônicos.

Com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, o país asiático ampliou sua participação nas cadeias globais e se consolidou como maior exportador mundial de produtos manufaturados.

Commodities ganharam espaço e indústria perdeu força

Entre 2003 e 2010, o Brasil intensificou sua dependência da exportação de commodities como minério, soja e petróleo, enquanto passou a importar mais produtos industrializados de maior valor agregado.

Nesse período, a participação da indústria de transformação no PIB caiu significativamente, aprofundando o processo de desindustrialização brasileira e reduzindo a complexidade produtiva do país.

A partir de 2010, o avanço chinês se tornou ainda mais evidente em diversos segmentos da economia nacional, afetando setores como calçados, brinquedos, siderurgia, eletrônicos e vestuário.

E-commerce chinês ampliou concorrência no mercado nacional

Nos últimos anos, plataformas internacionais como AliExpress, Shein e Temu aceleraram a entrada de produtos chineses no Brasil, principalmente em segmentos de baixo valor agregado.

O crescimento das importações ampliou a pressão sobre pequenas e médias indústrias brasileiras, afetando empregos, produção local e competitividade em vários polos industriais do país.

Dados do setor indicam que o déficit da balança comercial de manufaturados alcançou US$ 134 bilhões em 2025, com previsão de superar US$ 150 bilhões neste ano.

Setores tradicionais já sentiram impacto da concorrência chinesa

Diversos segmentos industriais brasileiros já enfrentaram forte perda de mercado diante da concorrência asiática.

No setor de brinquedos, marcas tradicionais como Estrela praticamente perderam protagonismo após a entrada massiva de produtos importados.

Na indústria calçadista, fábricas fecharam no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, enquanto o setor têxtil viu crescer a presença de plataformas internacionais de moda rápida.

Já no segmento de eletrônicos, empresas nacionais como Gradiente perderam espaço para fabricantes asiáticos de smartphones, notebooks e equipamentos eletrônicos de entrada.

Setor automotivo pode enfrentar cenário semelhante

Especialistas avaliam que a indústria automotiva brasileira pode seguir trajetória parecida com a observada em outros segmentos industriais. Mesmo com exigências de conteúdo local e barreiras regulatórias, o avanço das montadoras chinesas deve aumentar a dependência tecnológica externa.

Embora algumas fabricantes instalem operações no Brasil, áreas estratégicas como pesquisa, desenvolvimento e tecnologia tendem a permanecer concentradas fora do país.

O crescimento dos veículos elétricos chineses e das novas tecnologias automotivas deve intensificar a disputa por mercado nos próximos anos, obrigando o setor nacional a acelerar investimentos em inovação, produtividade e competitividade.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BYD

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Comércio Internacional

China amplia exportações de veículos elétricos e supera carros a combustão pela primeira vez

A China alcançou um marco histórico no setor automotivo ao exportar, pela primeira vez, mais veículos elétricos e híbridos plug-in do que carros movidos a gasolina ou diesel. O avanço foi registrado em abril e reforça a estratégia das montadoras chinesas de ampliar presença internacional diante da desaceleração do mercado interno.

Dados divulgados pela Associação Chinesa de Carros de Passageiros (CPCA) mostram que o país exportou 769 mil automóveis no período. Desse total, os chamados veículos de nova energia — categoria que engloba elétricos e híbridos plug-in — responderam por 52,7% das exportações.

Exportações de carros elétricos mais que dobram

Segundo a entidade, as exportações de carros elétricos e híbridos plug-in ultrapassaram 406 mil unidades em abril, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.

O crescimento das vendas externas ocorre em meio à pressão enfrentada pela indústria automotiva chinesa no mercado doméstico, que segue impactado pelo consumo enfraquecido e pela cautela dos consumidores.

Mercado interno segue em desaceleração

As vendas no varejo de veículos de passeio na China recuaram 21,5% em abril na comparação anual, totalizando 1,38 milhão de unidades. Em relação a março, a queda foi de 16%, de acordo com a CPCA.

Outro fator que contribuiu para a retração dos carros tradicionais foi o aumento dos preços do petróleo. Com combustíveis mais caros, consumidores passaram a demonstrar maior interesse por modelos elétricos e híbridos, considerados alternativas mais econômicas.

Salão de Pequim trouxe impulso moderado ao setor

O Salão do Automóvel de Pequim, realizado em abril, ajudou a melhorar parcialmente o sentimento do mercado, embora os resultados ainda tenham ficado abaixo dos níveis registrados no ano anterior.

Mesmo com o avanço das exportações, as vendas no varejo de veículos elétricos e híbridos no mercado chinês apresentaram queda de 6,8%, somando 849 mil unidades no mês.

Europa e América Latina ganham importância para montadoras chinesas

A expectativa do setor é que as exportações continuem sendo o principal motor de crescimento da indústria automotiva da China nos próximos meses.

Diante da demanda mais fraca no mercado interno e da redução do ritmo de compras em regiões do Oriente Médio, as principais montadoras devem intensificar sua expansão em mercados estratégicos, especialmente na Europa e na América Latina.

Analistas do setor apontam que o avanço internacional das fabricantes chinesas faz parte de uma estratégia de consolidação global da indústria de mobilidade elétrica.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Joa Souza

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Importação

China bate recorde e responde por 25,6% das importações do Brasil em abril

A China ampliou ainda mais sua presença no comércio exterior brasileiro e passou a responder por 25,6% de todas as importações do Brasil em abril de 2026. O percentual é o maior já registrado para o mês desde o início da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), iniciada em 1997.

O resultado supera o recorde anterior, alcançado em abril de 2025, quando os produtos chineses representaram 22,6% das compras externas brasileiras.

Veículos lideram avanço das importações chinesas

O principal destaque entre os produtos importados da China foram os veículos automotores, que movimentaram US$ 783,4 milhões em abril. O volume representa crescimento de 264,6% em relação ao mesmo período de 2024.

Os automóveis corresponderam a 12,9% de tudo o que o Brasil adquiriu do mercado chinês no mês. Na sequência aparecem os equipamentos de telecomunicações, responsáveis por 4,7% das importações vindas do país asiático.

No acumulado entre janeiro e abril, os veículos também lideram a pauta de compras brasileiras da China, com participação de 9,4%.

Carros eletrificados impulsionam demanda brasileira

Especialistas avaliam que o avanço das importações de automóveis chineses está ligado tanto à atual janela tarifária quanto ao crescimento do interesse dos consumidores brasileiros por carros eletrificados.

Montadoras chinesas vêm ampliando sua presença no mercado nacional, especialmente nos segmentos de veículos híbridos e elétricos, considerados estratégicos para a transição energética da indústria automotiva.

Estados Unidos e Rússia aparecem na sequência

No ranking dos principais fornecedores de produtos ao Brasil em abril, a China manteve ampla vantagem sobre os demais parceiros comerciais.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com participação de 13,1% nas importações brasileiras. Já a Rússia ficou em terceiro lugar, respondendo por 5,7% das compras externas do país.

Entre os vizinhos sul-americanos, a Argentina ocupou a quarta colocação, com fatia de 5%.

China segue como principal destino das exportações brasileiras

Além de liderar as importações, a China continua sendo o maior mercado para os produtos brasileiros no exterior.

Em abril, o país asiático respondeu por 34% das exportações do Brasil, mantendo larga distância dos demais destinos comerciais. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 9,1%, seguidos da Argentina, com 3,8%.

Os números reforçam a importância da relação comercial entre Brasil e China, tanto na entrada quanto na saída de mercadorias.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Indústria

Montadoras pressionam contra cotas para carros chineses e alertam para impacto de R$ 103 bilhões

Disputa sobre cotas de importação ganha força
As montadoras instaladas no Brasil e fabricantes de autopeças intensificaram a mobilização contra as cotas de importação de carros chineses híbridos e elétricos isentos de imposto. O setor avalia que a manutenção do benefício pode gerar um impacto negativo de R$ 103 bilhões na cadeia automotiva nacional.

Cálculos técnicos foram elaborados pela Anfavea, entidade que representa os fabricantes de veículos, como parte da preparação para o debate sobre o desempenho do setor em 2026 e os efeitos da política atual de importações.

Prazo das cotas termina no fim do mês
As cotas vigentes expiram no próximo dia 31 e permitem a importação, sem imposto, de veículos eletrificados parcialmente ou totalmente desmontados, desde que a montagem final ocorra no Brasil. O modelo é conhecido como SKD (Semi Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down), formato adotado por montadoras chinesas como a BYD, na Bahia.

A indústria teme que o benefício seja prorrogado e atua de forma preventiva para influenciar o governo antes mesmo de um eventual pedido chegar à Camex.

Modelo produtivo preocupa indústria nacional
Segundo a Anfavea, as cotas reduzem a complexidade produtiva no País. Em um cenário extremo, no qual montadoras com operação completa passassem a apenas montar veículos importados, a cadeia de autopeças teria queda anual de R$ 103 bilhões em encomendas.

Esse movimento resultaria em perda estimada de R$ 26 bilhões em arrecadação de ICMS e PIS/Cofins, além de impactos severos no emprego e na balança comercial.

Empregos e arrecadação em risco
O estudo aponta a possível eliminação de 69 mil postos de trabalho nas montadoras e outras 227 mil vagas em fornecedores, o que reduziria em R$ 18 bilhões a arrecadação de tributos federais sobre a folha. O custo adicional com seguro-desemprego poderia chegar a R$ 4 bilhões.

Também são estimados R$ 12 bilhões em saques do FGTS e uma redução de R$ 35 bilhões no poder de compra dos trabalhadores. Na balança comercial, o impacto poderia alcançar R$ 42 bilhões, considerando exportações que deixariam de ocorrer.

Efeito em cadeia preocupa setor
Mesmo uma migração parcial para esse modelo já traria consequências relevantes. Segundo a Anfavea, se apenas 10% da indústria adotasse o formato de baixa complexidade, o impacto sobre fornecedores chegaria a R$ 10,3 bilhões.

A entidade alerta ainda que investimentos já anunciados por montadoras e fabricantes de componentes, que somam R$ 190 bilhões, podem perder sentido caso o modelo de importação com benefícios seja ampliado.

Críticas ao modelo CKD e SKD
Para o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, os regimes CKD e SKD podem ser aceitáveis como fase inicial de instalação de novas montadoras, mas se tornam problemáticos quando associados a grandes volumes.

Segundo ele, esse formato reduz custos trabalhistas, logísticos e industriais no Brasil, favorecendo importações com carga tributária menor e criando uma concorrência desigual com quem produz localmente com impostos cheios.

Cotas envolvem até 30 mil veículos
As cotas atuais autorizam a importação de até US$ 463 milhões em veículos híbridos e elétricos desmontados, volume estimado em cerca de 30 mil automóveis. O receio do setor é que prazos sejam estendidos ou que novas cotas sejam liberadas.

Até o momento, a Camex informou que não recebeu pedido formal de renovação, mas entidades do setor, como o Sindipeças, já se manifestaram oficialmente contra qualquer prorrogação.

Autopeças também alertam para perdas
O Sindipeças estima que as importações de veículos eletrificados retiram cerca de R$ 97 bilhões em faturamento do setor de autopeças e representam uma renúncia fiscal de R$ 24 bilhões. A entidade também aponta risco de redução expressiva da força de trabalho e desestímulo a novos investimentos.

Histórico de tensão com montadoras chinesas
Em 2024, pedidos da BYD para redução permanente das alíquotas já haviam provocado reação da indústria, incluindo manifestação direta ao presidente da República. Na ocasião, as montadoras tradicionais alertaram para riscos de desindustrialização, enquanto a marca chinesa acusou o setor de tentar barrar a inovação.

A Camex não reduziu as tarifas, mas autorizou as cotas temporárias, agora próximas do vencimento.

Posição das empresas
A GWM, que monta veículos em Iracemápolis, afirmou que não solicitou renovação de cotas ou isenções para produção em CKD. A BYD não se manifestou até a publicação.

Para a Anfavea, o ponto central é garantir competição equilibrada. Segundo Calvet, conceder incentivos tributários para grandes volumes importados compromete a sustentabilidade da indústria automotiva nacional.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Comércio

“Carros chineses têm mais qualidade que os ocidentais”, dispara CEO da Ford

Não é de hoje que o atual CEO da Ford, Jim Farley, tem flertado com modelos chineses. Há algum tempo, o executivo revelou que seu veículo de uso pessoal era um modelo desenvolvido por ninguém menos que a Xiaomi, e Farley estava encantado com ele. Agora, citou novamente carros vindo da região, afirmando que a qualidade dos chineses já é superior a de modelos do ocidente.

A declaração veio durante o Aspen Ideas Festival, evento anual que reúne líderes e executivos da indústria e de diversas áreas para discutir temas como política, economia, tecnologia, cultura e meio ambiente. O discurso não é somente de um entusiasta, mas alguém que reconhece os modelos asiáticos como uma ameaça real aos negócios da Ford, principalmente considerando o quanto eles evoluíram nos últimos anos.

Fonte: Motor 1

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