Tecnologia

Carros chineses avançam no Brasil e aumentam pressão sobre a indústria automotiva nacional

A presença dos carros chineses no Brasil vem crescendo rapidamente e já provoca mudanças profundas no setor automotivo nacional. Com forte aposta em tecnologia, eletrificação e preços competitivos, as montadoras asiáticas conquistaram espaço acelerado entre os consumidores brasileiros e já se aproximam de 20% de participação no mercado.

O avanço é visto como positivo para o consumidor, principalmente pela popularização dos carros elétricos e híbridos, além do aumento da oferta de veículos com tecnologia embarcada e design moderno. No entanto, especialistas apontam que o fenômeno também amplia os sinais de enfraquecimento da indústria automotiva brasileira.

Processo de desindustrialização começou há décadas

A atual pressão sobre o setor automotivo não surgiu de forma repentina. O movimento é resultado de um processo gradual de desindustrialização iniciado ainda nos anos 1980, quando a globalização produtiva começou a deslocar cadeias de manufatura para países asiáticos, especialmente a China.

Durante os anos 1990, a abertura comercial brasileira aumentou a exposição da indústria nacional à concorrência internacional. Inicialmente, os impactos foram sentidos em setores mais intensivos em mão de obra, como brinquedos, têxtil e eletroeletrônicos.

Com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, o país asiático ampliou sua participação nas cadeias globais e se consolidou como maior exportador mundial de produtos manufaturados.

Commodities ganharam espaço e indústria perdeu força

Entre 2003 e 2010, o Brasil intensificou sua dependência da exportação de commodities como minério, soja e petróleo, enquanto passou a importar mais produtos industrializados de maior valor agregado.

Nesse período, a participação da indústria de transformação no PIB caiu significativamente, aprofundando o processo de desindustrialização brasileira e reduzindo a complexidade produtiva do país.

A partir de 2010, o avanço chinês se tornou ainda mais evidente em diversos segmentos da economia nacional, afetando setores como calçados, brinquedos, siderurgia, eletrônicos e vestuário.

E-commerce chinês ampliou concorrência no mercado nacional

Nos últimos anos, plataformas internacionais como AliExpress, Shein e Temu aceleraram a entrada de produtos chineses no Brasil, principalmente em segmentos de baixo valor agregado.

O crescimento das importações ampliou a pressão sobre pequenas e médias indústrias brasileiras, afetando empregos, produção local e competitividade em vários polos industriais do país.

Dados do setor indicam que o déficit da balança comercial de manufaturados alcançou US$ 134 bilhões em 2025, com previsão de superar US$ 150 bilhões neste ano.

Setores tradicionais já sentiram impacto da concorrência chinesa

Diversos segmentos industriais brasileiros já enfrentaram forte perda de mercado diante da concorrência asiática.

No setor de brinquedos, marcas tradicionais como Estrela praticamente perderam protagonismo após a entrada massiva de produtos importados.

Na indústria calçadista, fábricas fecharam no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, enquanto o setor têxtil viu crescer a presença de plataformas internacionais de moda rápida.

Já no segmento de eletrônicos, empresas nacionais como Gradiente perderam espaço para fabricantes asiáticos de smartphones, notebooks e equipamentos eletrônicos de entrada.

Setor automotivo pode enfrentar cenário semelhante

Especialistas avaliam que a indústria automotiva brasileira pode seguir trajetória parecida com a observada em outros segmentos industriais. Mesmo com exigências de conteúdo local e barreiras regulatórias, o avanço das montadoras chinesas deve aumentar a dependência tecnológica externa.

Embora algumas fabricantes instalem operações no Brasil, áreas estratégicas como pesquisa, desenvolvimento e tecnologia tendem a permanecer concentradas fora do país.

O crescimento dos veículos elétricos chineses e das novas tecnologias automotivas deve intensificar a disputa por mercado nos próximos anos, obrigando o setor nacional a acelerar investimentos em inovação, produtividade e competitividade.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BYD

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Comércio Internacional

China amplia exportações de veículos elétricos e supera carros a combustão pela primeira vez

A China alcançou um marco histórico no setor automotivo ao exportar, pela primeira vez, mais veículos elétricos e híbridos plug-in do que carros movidos a gasolina ou diesel. O avanço foi registrado em abril e reforça a estratégia das montadoras chinesas de ampliar presença internacional diante da desaceleração do mercado interno.

Dados divulgados pela Associação Chinesa de Carros de Passageiros (CPCA) mostram que o país exportou 769 mil automóveis no período. Desse total, os chamados veículos de nova energia — categoria que engloba elétricos e híbridos plug-in — responderam por 52,7% das exportações.

Exportações de carros elétricos mais que dobram

Segundo a entidade, as exportações de carros elétricos e híbridos plug-in ultrapassaram 406 mil unidades em abril, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.

O crescimento das vendas externas ocorre em meio à pressão enfrentada pela indústria automotiva chinesa no mercado doméstico, que segue impactado pelo consumo enfraquecido e pela cautela dos consumidores.

Mercado interno segue em desaceleração

As vendas no varejo de veículos de passeio na China recuaram 21,5% em abril na comparação anual, totalizando 1,38 milhão de unidades. Em relação a março, a queda foi de 16%, de acordo com a CPCA.

Outro fator que contribuiu para a retração dos carros tradicionais foi o aumento dos preços do petróleo. Com combustíveis mais caros, consumidores passaram a demonstrar maior interesse por modelos elétricos e híbridos, considerados alternativas mais econômicas.

Salão de Pequim trouxe impulso moderado ao setor

O Salão do Automóvel de Pequim, realizado em abril, ajudou a melhorar parcialmente o sentimento do mercado, embora os resultados ainda tenham ficado abaixo dos níveis registrados no ano anterior.

Mesmo com o avanço das exportações, as vendas no varejo de veículos elétricos e híbridos no mercado chinês apresentaram queda de 6,8%, somando 849 mil unidades no mês.

Europa e América Latina ganham importância para montadoras chinesas

A expectativa do setor é que as exportações continuem sendo o principal motor de crescimento da indústria automotiva da China nos próximos meses.

Diante da demanda mais fraca no mercado interno e da redução do ritmo de compras em regiões do Oriente Médio, as principais montadoras devem intensificar sua expansão em mercados estratégicos, especialmente na Europa e na América Latina.

Analistas do setor apontam que o avanço internacional das fabricantes chinesas faz parte de uma estratégia de consolidação global da indústria de mobilidade elétrica.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Joa Souza

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Importação

China bate recorde e responde por 25,6% das importações do Brasil em abril

A China ampliou ainda mais sua presença no comércio exterior brasileiro e passou a responder por 25,6% de todas as importações do Brasil em abril de 2026. O percentual é o maior já registrado para o mês desde o início da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), iniciada em 1997.

O resultado supera o recorde anterior, alcançado em abril de 2025, quando os produtos chineses representaram 22,6% das compras externas brasileiras.

Veículos lideram avanço das importações chinesas

O principal destaque entre os produtos importados da China foram os veículos automotores, que movimentaram US$ 783,4 milhões em abril. O volume representa crescimento de 264,6% em relação ao mesmo período de 2024.

Os automóveis corresponderam a 12,9% de tudo o que o Brasil adquiriu do mercado chinês no mês. Na sequência aparecem os equipamentos de telecomunicações, responsáveis por 4,7% das importações vindas do país asiático.

No acumulado entre janeiro e abril, os veículos também lideram a pauta de compras brasileiras da China, com participação de 9,4%.

Carros eletrificados impulsionam demanda brasileira

Especialistas avaliam que o avanço das importações de automóveis chineses está ligado tanto à atual janela tarifária quanto ao crescimento do interesse dos consumidores brasileiros por carros eletrificados.

Montadoras chinesas vêm ampliando sua presença no mercado nacional, especialmente nos segmentos de veículos híbridos e elétricos, considerados estratégicos para a transição energética da indústria automotiva.

Estados Unidos e Rússia aparecem na sequência

No ranking dos principais fornecedores de produtos ao Brasil em abril, a China manteve ampla vantagem sobre os demais parceiros comerciais.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com participação de 13,1% nas importações brasileiras. Já a Rússia ficou em terceiro lugar, respondendo por 5,7% das compras externas do país.

Entre os vizinhos sul-americanos, a Argentina ocupou a quarta colocação, com fatia de 5%.

China segue como principal destino das exportações brasileiras

Além de liderar as importações, a China continua sendo o maior mercado para os produtos brasileiros no exterior.

Em abril, o país asiático respondeu por 34% das exportações do Brasil, mantendo larga distância dos demais destinos comerciais. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 9,1%, seguidos da Argentina, com 3,8%.

Os números reforçam a importância da relação comercial entre Brasil e China, tanto na entrada quanto na saída de mercadorias.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Indústria

Montadoras pressionam contra cotas para carros chineses e alertam para impacto de R$ 103 bilhões

Disputa sobre cotas de importação ganha força
As montadoras instaladas no Brasil e fabricantes de autopeças intensificaram a mobilização contra as cotas de importação de carros chineses híbridos e elétricos isentos de imposto. O setor avalia que a manutenção do benefício pode gerar um impacto negativo de R$ 103 bilhões na cadeia automotiva nacional.

Cálculos técnicos foram elaborados pela Anfavea, entidade que representa os fabricantes de veículos, como parte da preparação para o debate sobre o desempenho do setor em 2026 e os efeitos da política atual de importações.

Prazo das cotas termina no fim do mês
As cotas vigentes expiram no próximo dia 31 e permitem a importação, sem imposto, de veículos eletrificados parcialmente ou totalmente desmontados, desde que a montagem final ocorra no Brasil. O modelo é conhecido como SKD (Semi Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down), formato adotado por montadoras chinesas como a BYD, na Bahia.

A indústria teme que o benefício seja prorrogado e atua de forma preventiva para influenciar o governo antes mesmo de um eventual pedido chegar à Camex.

Modelo produtivo preocupa indústria nacional
Segundo a Anfavea, as cotas reduzem a complexidade produtiva no País. Em um cenário extremo, no qual montadoras com operação completa passassem a apenas montar veículos importados, a cadeia de autopeças teria queda anual de R$ 103 bilhões em encomendas.

Esse movimento resultaria em perda estimada de R$ 26 bilhões em arrecadação de ICMS e PIS/Cofins, além de impactos severos no emprego e na balança comercial.

Empregos e arrecadação em risco
O estudo aponta a possível eliminação de 69 mil postos de trabalho nas montadoras e outras 227 mil vagas em fornecedores, o que reduziria em R$ 18 bilhões a arrecadação de tributos federais sobre a folha. O custo adicional com seguro-desemprego poderia chegar a R$ 4 bilhões.

Também são estimados R$ 12 bilhões em saques do FGTS e uma redução de R$ 35 bilhões no poder de compra dos trabalhadores. Na balança comercial, o impacto poderia alcançar R$ 42 bilhões, considerando exportações que deixariam de ocorrer.

Efeito em cadeia preocupa setor
Mesmo uma migração parcial para esse modelo já traria consequências relevantes. Segundo a Anfavea, se apenas 10% da indústria adotasse o formato de baixa complexidade, o impacto sobre fornecedores chegaria a R$ 10,3 bilhões.

A entidade alerta ainda que investimentos já anunciados por montadoras e fabricantes de componentes, que somam R$ 190 bilhões, podem perder sentido caso o modelo de importação com benefícios seja ampliado.

Críticas ao modelo CKD e SKD
Para o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, os regimes CKD e SKD podem ser aceitáveis como fase inicial de instalação de novas montadoras, mas se tornam problemáticos quando associados a grandes volumes.

Segundo ele, esse formato reduz custos trabalhistas, logísticos e industriais no Brasil, favorecendo importações com carga tributária menor e criando uma concorrência desigual com quem produz localmente com impostos cheios.

Cotas envolvem até 30 mil veículos
As cotas atuais autorizam a importação de até US$ 463 milhões em veículos híbridos e elétricos desmontados, volume estimado em cerca de 30 mil automóveis. O receio do setor é que prazos sejam estendidos ou que novas cotas sejam liberadas.

Até o momento, a Camex informou que não recebeu pedido formal de renovação, mas entidades do setor, como o Sindipeças, já se manifestaram oficialmente contra qualquer prorrogação.

Autopeças também alertam para perdas
O Sindipeças estima que as importações de veículos eletrificados retiram cerca de R$ 97 bilhões em faturamento do setor de autopeças e representam uma renúncia fiscal de R$ 24 bilhões. A entidade também aponta risco de redução expressiva da força de trabalho e desestímulo a novos investimentos.

Histórico de tensão com montadoras chinesas
Em 2024, pedidos da BYD para redução permanente das alíquotas já haviam provocado reação da indústria, incluindo manifestação direta ao presidente da República. Na ocasião, as montadoras tradicionais alertaram para riscos de desindustrialização, enquanto a marca chinesa acusou o setor de tentar barrar a inovação.

A Camex não reduziu as tarifas, mas autorizou as cotas temporárias, agora próximas do vencimento.

Posição das empresas
A GWM, que monta veículos em Iracemápolis, afirmou que não solicitou renovação de cotas ou isenções para produção em CKD. A BYD não se manifestou até a publicação.

Para a Anfavea, o ponto central é garantir competição equilibrada. Segundo Calvet, conceder incentivos tributários para grandes volumes importados compromete a sustentabilidade da indústria automotiva nacional.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Comércio

“Carros chineses têm mais qualidade que os ocidentais”, dispara CEO da Ford

Não é de hoje que o atual CEO da Ford, Jim Farley, tem flertado com modelos chineses. Há algum tempo, o executivo revelou que seu veículo de uso pessoal era um modelo desenvolvido por ninguém menos que a Xiaomi, e Farley estava encantado com ele. Agora, citou novamente carros vindo da região, afirmando que a qualidade dos chineses já é superior a de modelos do ocidente.

A declaração veio durante o Aspen Ideas Festival, evento anual que reúne líderes e executivos da indústria e de diversas áreas para discutir temas como política, economia, tecnologia, cultura e meio ambiente. O discurso não é somente de um entusiasta, mas alguém que reconhece os modelos asiáticos como uma ameaça real aos negócios da Ford, principalmente considerando o quanto eles evoluíram nos últimos anos.

Fonte: Motor 1

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