Informação

Fim da escala 6×1 exige mudanças nas jornadas e pode elevar custos das empresas

A possível redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, exigirá uma reorganização das atividades mesmo em empresas que já adotam a escala 5×2, modelo em que o funcionário trabalha cinco dias e folga dois. A mudança envolve rever horários, acordos coletivos, sistemas de compensação e distribuição das equipes para manter a produção com menos horas disponíveis.

Na indústria, por exemplo, há empresas que alternam semanas de 40 e 48 horas para atingir a média atual de 44 horas semanais. Outras acrescentam 48 minutos à jornada de segunda a sexta-feira para compensar o sábado livre. Também existem operações em que dois turnos se sobrepõem por alguns minutos para garantir a passagem de informações entre as equipes.

Esses formatos terão de ser reavaliados caso a redução da jornada seja implementada, segundo empresas e entidades ouvidas pelo UOL.

Indústrias terão de rever a distribuição das horas trabalhadas

A Condor, fabricante de bens de consumo com mais de 1.700 funcionários em São Bento do Sul (SC), utiliza um sistema de alternância de jornadas na produção. Os trabalhadores cumprem 40 horas em uma semana e 48 horas na seguinte, alcançando a média de 44 horas semanais.

Com a redução da carga horária, será necessário desenvolver um novo modelo de distribuição das horas entre as semanas, sem comprometer o planejamento da produção.

Na área administrativa, a empresa utiliza a escala 5×2, com expediente de oito horas e 48 minutos por dia, de segunda a sexta-feira. Os 48 minutos adicionais são utilizados para completar a jornada semanal de 44 horas.

A ElringKlinger, fabricante de juntas e sistemas de vedação para motores, também adota esse formato. Como a produção é interrompida nos fins de semana, os funcionários trabalham oito horas e 48 minutos por dia durante cinco dias.

Com uma eventual jornada de 40 horas semanais, a companhia avalia duas possibilidades: retirar os 48 minutos adicionais de cada dia ou concentrar parte da redução em determinados dias da semana.

Segundo Juliano Marcelino, gerente de Recursos Humanos da empresa, a estimativa é de que a mudança provoque um aumento de 10% a 14% nos custos com pessoal.

Sobreposição de turnos também precisará ser revista

Na Sicflux, fabricante de sistemas de filtragem de ar instalada em Araquari (SC), a adaptação passa pela reorganização dos horários de trabalho.

A empresa tem aproximadamente 170 funcionários distribuídos em dois turnos industriais, ambos na escala 5×2. Atualmente, existe uma sobreposição de dez minutos entre as equipes, período utilizado para transmitir informações e garantir a continuidade das operações.

Com a redução da jornada, esse intervalo também precisará ser reavaliado.

Juliana Santos, coordenadora de Recursos Humanos da Sicflux, afirma que será necessário analisar a distribuição dos horários, a capacidade produtiva e o dimensionamento das equipes. A empresa ainda não definiu o formato que adotará nem se precisará contratar novos trabalhadores.

Alternativas incluem jornadas diferentes a cada semana

Na indústria de máquinas e equipamentos, boa parte das fábricas já utiliza a escala 5×2 para cumprir a jornada atual de 44 horas semanais.

José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), aponta diferentes possibilidades de adaptação para uma primeira etapa de redução da jornada, prevista no cenário apresentado pela reportagem para 42 horas semanais.

Entre as alternativas estão:

  • Distribuição uniforme: dividir as 42 horas entre os cinco dias úteis.
  • Expediente reduzido na sexta-feira: trabalhar mais horas de segunda a quinta e encerrar a jornada mais cedo na sexta.
  • Alternância de escalas: combinar uma semana no modelo 6×1 com outra no formato 4×3, distribuindo horas e folgas ao longo de um período maior.

A viabilidade de cada opção dependerá das características da atividade e poderá exigir alterações em acordos coletivos, contratos de trabalho, bancos de horas e sistemas de controle de ponto.

Para Luiz Césio Caetano, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a diversidade dos regimes de trabalho torna o processo mais complexo. Além das escalas 5×2 e 6×1, existem atividades que funcionam em modelos como 12×36, 24×72 e sistemas de revezamento contínuo.

Administradoras de condomínios usam inteligência artificial para simular mudanças

A Lello, empresa responsável pela administração de 4.200 condomínios e que conta com 9.300 funcionários próprios, recorreu à inteligência artificial para avaliar alternativas de reorganização das jornadas.

A companhia desenvolveu um agente de IA capaz de analisar folhas de pagamento e simular diferentes combinações de escalas. Até o momento descrito pela reportagem, 86 condomínios haviam passado pela avaliação.

A meta da empresa é adaptar até dezembro a jornada de todos os funcionários que trabalham atualmente no regime 6×1.

Um dos principais desafios está nas portarias que funcionam 24 horas por dia. Nesses casos, a reorganização precisa garantir cobertura permanente, considerando folgas, ausências e a distribuição dos horários entre os profissionais.

Segundo Angelica Arbex, diretora de estratégia da Lello, apenas trocar o modelo de escala, sem alterar a organização do trabalho, poderia elevar a folha de pagamento em 20%.

Por isso, a empresa também avalia reduzir despesas com horas extras, especialmente aquelas geradas quando um funcionário prolonga o expediente ou cobre a folga de um colega. Outra medida é reorganizar a jornada dos zeladores para o formato 5×2, com 40 horas semanais.

Arbex afirma que a redução de custos deve vir da eliminação de ineficiências operacionais, e não da diminuição da cobertura dos serviços ou do aumento da carga de trabalho dos funcionários.

A executiva também alerta que a manutenção frequente de horas extras pode elevar as despesas, já que a jornada regular seria menor sem redução salarial.

Romi avalia compensar impacto com produtividade e automação

A redução da jornada também entrou nas projeções financeiras da Romi, fabricante de máquinas para diferentes segmentos industriais.

Em uma teleconferência de resultados, o presidente-executivo da companhia, Luiz Cassiano Rosolen, estimou preliminarmente que a passagem de 44 para 40 horas semanais poderia representar um impacto de R$ 10 milhões no resultado da empresa.

Para compensar esse efeito, a companhia considera ampliar a produtividade e investir em automação industrial.

Procurada pelo UOL para fornecer mais esclarecimentos, a Romi não havia respondido até a publicação da reportagem original.

Escalas especiais dependem de definição das novas regras

Além das jornadas tradicionais, empresas que operam continuamente aguardam esclarecimentos sobre como a redução poderá afetar regimes como 12×36, 24×72 e o modelo offshore, comum no setor de petróleo, em que trabalhadores permanecem 14 dias embarcados e depois têm 14 dias de folga.

A preocupação é entender como esses formatos serão enquadrados e se haverá regras específicas para atividades que exigem cobertura ininterrupta.

A Firjan cita como exemplo um posto de trabalho organizado atualmente na escala 12×36 com quatro funcionários. Dependendo da regulamentação e da forma de cálculo da jornada, a operação poderia precisar de cinco profissionais para manter a cobertura.

A entidade também considera curto o prazo de dois meses para adaptação e aponta a definição das regras aplicáveis às escalas especiais como uma das principais dúvidas das empresas.

Redução da jornada exige planejamento além da mudança de escala

Os exemplos mostram que a eventual redução da jornada semanal não envolve apenas conceder mais tempo de descanso. Para preservar a operação, empresas de diferentes setores precisarão revisar horários, dimensionar equipes, controlar horas extras e avaliar investimentos em produtividade.

O impacto financeiro dependerá do modelo de trabalho, das necessidades de cobertura e das soluções adotadas por cada organização. Enquanto isso, a definição das regras para regimes especiais permanece fundamental para orientar o planejamento das empresas.

Tags SEO: fim da escala 6×1, jornada de trabalho, escala 5×2, redução da jornada, 40 horas semanais, custos trabalhistas, indústria brasileira, inteligência artificial, produtividade, automação industrial

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Mercado de trabalho

PEC do fim da escala 6×1 avança no Senado após despacho de Alcolumbre

A PEC do fim da escala 6×1 avançou no Senado após o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), assinar os despachos que autorizam o início da tramitação da proposta. A medida está entre as pautas consideradas prioritárias pelo governo federal e agora deverá seguir para análise nas comissões do Senado.

Além da proposta que trata da jornada de trabalho, Alcolumbre também determinou o encaminhamento da PEC da Segurança e do projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos.

Propostas estavam paradas no Senado

As três matérias permaneciam sem encaminhamento havia meses. A PEC da Segurança aguardava uma decisão desde março, enquanto a proposta sobre a escala 6×1 e o projeto relacionado aos minerais críticos estavam parados desde maio.

O destravamento ocorreu após uma reaproximação entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A relação entre os dois havia sido prejudicada depois que Lula indicou Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A indicação acabou sendo rejeitada pelo Senado.

Lula e Alcolumbre retomam diálogo

Nas últimas semanas, o presidente do Senado e Lula voltaram a se reunir em uma tentativa de recompor o diálogo político. Antes mesmo do despacho, Alcolumbre havia sinalizado publicamente que daria andamento às matérias consideradas prioritárias.

Com o novo encaminhamento, as propostas passam a ter um novo estágio de tramitação no Senado e deverão ser analisadas pelos colegiados responsáveis antes de eventuais votações no plenário.

Fim da escala 6×1 é prioridade do governo

A discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve mudanças na organização da jornada dos trabalhadores, tema que ganhou espaço no debate político nacional.

Para o governo, tanto a PEC que trata da escala de trabalho quanto a PEC da Segurança Pública têm relevância política e são apontadas como assuntos importantes para a estratégia de reeleição de Lula.

O avanço das propostas no Senado ocorre, portanto, em meio à retomada da articulação entre o Palácio do Planalto e a presidência da Casa.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Edilson Rodrigues

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Indústria

Fim da escala 6×1 pode impactar 97% das indústrias brasileiras, aponta pesquisa da CNI

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que uma eventual mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1 ou a redução da carga horária semanal, poderá afetar 97% das indústrias brasileiras. O levantamento também mostra que 73% das empresas do setor são contrárias à redução da jornada de 44 para 40 horas por meio de legislação.

Entre os principais efeitos apontados pelas indústrias estão o aumento dos custos operacionais, a redução da competitividade e possíveis perdas na capacidade de produção.

Pesquisa ouviu mais de 1,6 mil empresas

A sondagem “Jornadas e Escalas de Trabalho na Indústria” foi realizada entre os dias 2 e 11 de março e contou com a participação de 1.664 empresas, sendo 1.366 das indústrias extrativa e de transformação e 298 da construção civil, incluindo negócios de pequeno, médio e grande porte.

Os dados mostram que a jornada semanal de 44 horas continua sendo a mais adotada no país, presente em 85% das empresas consultadas. Outras 12% operam com carga horária entre 40 e 44 horas. Apenas 2% trabalham com jornadas entre 36 e 40 horas, enquanto 1% utiliza modelos diferentes para os profissionais diretamente ligados à produção.

Maioria da indústria rejeita mudanças na legislação

O levantamento aponta resistência significativa às propostas em discussão sobre a jornada de trabalho.

Segundo a pesquisa, 73% das indústrias são contrárias à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas por determinação legal. Já o fim da escala 6×1 é rejeitado por 57% das empresas consultadas.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, mudanças dessa natureza podem gerar impactos em toda a cadeia produtiva.

“Quando a indústria aponta esses impactos, não está falando apenas da realidade do empresário, está falando sobre a viabilidade do negócio. Esses custos tendem a se espalhar pela cadeia produtiva, afetando fornecedores, investimentos e a competitividade das empresas. E perda de competitividade significa menor capacidade de disputar mercados, produzir e crescer, o que vai se refletir na economia do país e na vida do consumidor”, afirmou.

Negociação coletiva tem papel importante na definição da jornada

A pesquisa também destaca que a negociação coletiva já é amplamente utilizada para definir jornadas de trabalho em diferentes segmentos da indústria.

Atualmente, 37% das empresas estabelecem a carga horária semanal por meio de acordos entre empregadores e trabalhadores. Entre as empresas de médio porte, esse percentual chega a 40%, enquanto nas grandes indústrias alcança 39%.

Além disso, 62% das empresas acreditam que mudanças como a redução da jornada ou a proibição da escala 6×1 podem comprometer benefícios conquistados em convenções e acordos coletivos. Apenas 20% discordam dessa avaliação, enquanto os demais adotaram posição neutra.

CNI defende debate baseado em dados

De acordo com Ricardo Alban, a entidade considera que qualquer alteração nas regras da jornada de trabalho deve ser discutida com base em estudos técnicos e respeitando as particularidades de cada setor produtivo.

Na avaliação do dirigente, a negociação coletiva já oferece mecanismos para que empresas e trabalhadores construam soluções adaptadas às diferentes realidades econômicas, preservando benefícios e garantindo maior flexibilidade nas relações de trabalho.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Pinheiro / CNI

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Informação

PEC do fim da escala 6×1 avança para semana decisiva no Senado

A PEC do fim da escala 6×1 entra em um momento crucial no Senado Federal nesta semana. A expectativa é que a reunião de líderes marcada para terça-feira (9) defina os próximos passos da proposta, incluindo a escolha do relator e o modelo de tramitação que será adotado pela Casa.

O texto, aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, aguarda desde 28 de maio um despacho oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para iniciar sua análise formal.

Tramitação ainda depende de definição da Presidência

Mesmo após 11 dias de sua chegada ao Senado, a proposta permanece sem encaminhamento oficial. Enquanto isso, uma proposta alternativa apresentada pela oposição no mesmo período teve tramitação mais rápida, sendo enviada imediatamente à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Davi Alcolumbre tem defendido uma análise mais aprofundada da matéria e já declarou que o Senado não atuará apenas como instância de confirmação da decisão tomada pela Câmara. Segundo ele, a proposta deverá passar pelas comissões antes de seguir para votação em Plenário.

Escolha do relator será fundamental

Caso a proposta seja encaminhada à CCJ, a indicação do relator ficará sob responsabilidade do presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA).

A definição do nome poderá influenciar diretamente o ritmo das discussões, a realização de audiências públicas e até possíveis alterações no texto original. Otto já sinalizou que pretende dar prioridade à proposta aprovada pela Câmara e analisar conjuntamente uma PEC apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que também trata da redução da jornada de trabalho.

Entre os parlamentares que acompanham o debate estão ainda Rogério Carvalho (PT-SE), Omar Aziz (PSD-AM), Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Eduardo Braga (MDB-AM).

O que prevê a PEC do fim da escala 6×1

A proposta estabelece a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas sem diminuição salarial. Além disso, garante dois dias de descanso por semana para os trabalhadores.

A implementação ocorreria de forma gradual:

  • Após 60 dias da promulgação, a jornada passaria para 42 horas semanais;
  • Após 12 meses, seria reduzida para 40 horas.

O texto também determina que o descanso semanal ocorra preferencialmente aos domingos e permite a adoção de escalas diferenciadas em serviços essenciais, desde que os dois dias de folga sejam concedidos dentro do mesmo mês.

Oposição apresenta proposta alternativa

Paralelamente, a oposição tenta ampliar o debate com a PEC 12/2026, liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).

A proposta prevê um sistema mais flexível de contratação baseado em horas efetivamente trabalhadas. Diferentemente da PEC aprovada pela Câmara, o texto não extingue a escala 6×1 nem estabelece redução da carga horária máxima semanal.

A medida garante remuneração e benefícios proporcionais às horas trabalhadas e já reuniu 40 assinaturas de apoio no Senado.

Embora o número ainda seja insuficiente para aprovação, possui relevância política, considerando que uma PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos para avançar na Casa.

Governo pressiona por andamento da proposta

A demora na definição da tramitação da PEC da jornada de trabalho tem gerado preocupação entre parlamentares da base governista.

Aliados do governo temem que a proposta seja distribuída para mais de uma comissão ou tenha sua análise prolongada, o que poderia atrasar sua votação.

Considerada uma das principais pautas trabalhistas da gestão do presidente Lula, a proposta conta com apoio de centrais sindicais e movimentos sociais. Por outro lado, representantes do setor empresarial argumentam que a redução da jornada poderá aumentar custos operacionais e exigir adaptações em segmentos como comércio, serviços, indústria, logística e saúde.

Senado deve indicar rumo da proposta nesta semana

A reunião de líderes prevista para esta terça-feira deverá sinalizar se o Senado pretende acelerar a análise da PEC do fim da escala 6×1 ou abrir espaço para uma negociação mais ampla, incluindo possíveis mudanças no texto e a discussão da proposta alternativa apresentada pela oposição.

FONTE: Congresso em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Waldemir Barreto/Agência Senado

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