Internacional

Nota do MDIC sobre a Ordem Executiva dos EUA de 5 de setembro

Sobre a Ordem Executiva nº 14.346, divulgada pelo governo dos Estados Unidos em 5 de setembro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) entende que:

Produtos que tiveram redução tarifária:

A nova Ordem Executiva (OE) ajusta a OE nº 14.257, de 02 de abril deste ano, retirando da alíquota de 10% a maior parte das exportações brasileiras de celulose e de ferro-níquel para os EUA. Na prática, esses produtos passam a ficar livres de tarifas adicionais (não incide nem a alíquota de 10% nem a sobretaxa de 40%, aplicada em 30 de julho).

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,84 bilhão desse grupo de produtos aos EUA, o que representa 4,6% do total exportado para aquele país, com destaque para celulose (em particular “Pastas químicas de madeira não conífera” e “Pastas químicas de madeira conífera”), que responderam por US$ 1,55 bilhão.

Com essa mudança, esses itens se somam a outros produtos já fora do alcance das tarifas adicionais (10%, 40% ou Seção 232), de modo que, em 2024, o conjunto representaria 25,1% das exportações brasileiras para os EUA.

Além disso, outros 10 produtos também se beneficiaram da retirada da tarifa de 10%. Mas, no caso do Brasil, continuam sujeitos à tarifa de 40%. Entre estes estão certos minerais brutos, níquel e herbicidas, cujas exportações brasileiras para os EUA em 2024 foram de aproximadamente US$ 113 milhões no total.

O governo segue empenhado em diminuir a incidência de tarifas dos EUA sobre os produtos brasileiros. A mais recente ordem executiva dos EUA representa um avanço sobretudo para o setor de celulose do Brasil. Mas ainda há muito a ser feito e seguimos trabalhando para isso”, afirmou o Vice-Presidente e Ministro do MDIC, Geraldo Alckmin.

Produtos que tiveram aumento tarifário ou mudança de status (da lista de tarifa recíprocas para a Seção 232)

A OE excluiu produtos da lista de exceção da decisão de abril de 2025.

Nesse caso, 76 produtos passaram a estar, exclusivamente, sujeitos a tarifas da Seção 232 (situação em que já se encontravam) e 7 outros produtos, relativos a insumos químicos e plásticos industriais, passaram a estar cobertos pela tarifa de 10% (além dos 40% aplicados especificamente ao Brasil). Esses 7 itens representaram aproximadamente US$ 145 milhões em exportações brasileiras para os EUA em 2024.

Produtos que não tiveram alteração

Café e cacau originários do Brasil seguem sujeitos a tarifa de 50%. Ou seja, não houve alteração em razão da nova OE.

Status atual: abrangência das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras (dados computados pela SECEX/MDIC)

Obs.: Os dados são aproximados, pois os códigos tarifários das medidas foram agregados ao nível de seis dígitos do Sistema Harmonizado.

Fonte: MDIC

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Internacional

Missão chinesa visitará Rio Grande do Sul após surto de gripe aviária, diz presidente da JBS

Uma delegação chinesa deverá visitar o Estado do Rio Grande do Sul para verificar as condições sanitárias do local, depois que um surto de gripe aviária relatado pelas autoridades desencadeou proibições comerciais, de acordo com Gilberto Tomazoni, presidente-executivo da JBS.

Ao falar em um evento do setor nesta quarta-feira, Tomazoni disse que a China pode retomar a compra de produtos avícolas brasileiros, mas acrescentou que as negociações ainda estão pendentes após um surto de gripe aviária em uma granja comercial de frangos no Rio Grande do Sul em maio.

Fonte: Reuters

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Internacional

Agricultores franceses disparam contra acordo Mercosul-UE: ‘traição programada’

Maior sindicato agrícola da França acusa Bruxelas e Paris de sacrificar os agricultores franceses para favorecer grandes exportadores industriais

A assinatura do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul voltou a ser alvo de críticas dos agricultores franceses que classificam o tratado como “uma traição programada ao modelo agrícola francês e ao consumidor”. O movimento ganhou força na última semana, depois que a Comissão Europeia apresentou ao Conselho Europeu a proposta final para a assinatura e conclusão do acordo.

A Coordination Rurale, maior sindicato agrícola da França, acusa Bruxelas e Paris de sacrificar os agricultores franceses para favorecer grandes exportadores industriais, — como os setores de máquinas, aviões e automóveis — enquanto o setor rural arcaria com os maiores custos. “O rolo compressor avança, e a agricultura vai se ver esmagada em nome dos interesses de financistas e de grandes grupos”, disse Véronique Le Floc’h, presidente da Coordination Rurale.

O comunicado não poupa críticas ao governo de Emmanuel Macron. Segundo o sindicato, Paris “deixou de defender seus agricultores” e aceitou um processo acelerado de negociação que permite a aplicação provisória do acordo mesmo antes da ratificação pelos 27 parlamentos nacionais. 

A entidade vê ainda uma fragilidade nas cláusulas de salvaguarda, que, na prática, dependerá da iniciativa dos próprios Estados para denunciar violações e poderiam ser acionadas apenas após prejuízos já consolidados. Ao apresentar as medidas de salvaguardas, a Comissão Europeia, destacou-as como proteção à produção agrícola do continente, uma vez que as mesmas, estabelecem ações contra a importação excessiva de carne bovina, frango e açúcar de países membros do Mercosul.

Além disso, para a Coordination Rurale, o acordo ameaça a sobrevivência da agricultura francesa, colocando-a em concorrência direta com produtos do Mercosul que, segundo a entidade, seriam menos rigorosos em termos de normas ambientais e sociais. “Trata-se do fim da nossa soberania alimentar e da ruína de anos de esforços por uma alimentação de qualidade”, afirma o comunicado.

O sindicato também critica a abertura dos mercados públicos da UE a fornecedores estrangeiros, alertando que escolas e serviços públicos podem acabar servindo alimentos “de qualidade medíocre, em detrimento da saúde dos consumidores”.

Por fim, a organização pede que os deputados franceses assumam responsabilidade e bloqueiem a adoção do texto no Parlamento Europeu. O sindicato ainda convoca partidos políticos a buscarem soluções constitucionais para impedir a entrada em vigor do acordo. “A França e a Europa vivem de ilusões ao acreditar que sua agricultura poderá resistir ao tsunami da concorrência global”, enfatiza a Coordination Rurale. 

Fonte: Agro Estadão

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Internacional

Xi apresenta 3 propostas na Cúpula do Brics

Multilateralismo, globalização econômica e cooperação: as propostas de Xi na cúpula virtual do Brics convocada por Lula.

O presidente chinês, Xi Jinping, conclamou os países do Brics a avançarem em solidariedade e cooperação. A declaração foi feita na cúpula virtual do bloco, convocada pelo Brasil.

Em sua declaração intitulada “Avançando em Solidariedade e Cooperação”, Xi observou que uma transformação sem precedentes em um século está se acelerando em todo o mundo, e o hegemonismo, o unilateralismo e o protecionismo estão se tornando cada vez mais desenfreados.

“Os países do Brics, na vanguarda do Sul Global, devem agir com base no Espírito do Brics de abertura, inclusão e cooperação mutuamente benéfica, defender conjuntamente o multilateralismo e o sistema de comércio multilateral, promover uma maior cooperação entre os países do Brics e construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”, disse Xi.

Presidente chinês apresentou três propostas

Em primeiro lugar, ele apelou aos países do Brics para que defendam o multilateralismo e a equidade e a justiça internacionais, que fornece uma base importante para a paz e o desenvolvimento mundiais.

Xi afirmou que a Iniciativa de Governança Global que ele propôs recentemente visa galvanizar a ação global conjunta para um sistema de governança global mais justo e equitativo.

O presidente da China afirmou que esforços ativos devem ser feitos para promover maior democracia nas relações internacionais e aumentar a representação e a voz dos países do Sul Global, acrescentando que o sistema de governança global deve ser aprimorado por meio de reformas.

Sua segunda proposta foi a manutenção da abertura e da cooperação mutuamente benéfica para salvaguardar a ordem econômica e comercial internacional. Observando que a globalização econômica é uma tendência irresistível da história, Xi afirmou que os países não podem prosperar sem um ambiente internacional de cooperação aberta e que nenhum país pode se dar ao luxo de recuar para um isolamento autoimposto.

Ele afirmou que os países do Brics devem permanecer comprometidos com a construção de uma economia global aberta, de modo a compartilhar oportunidades e alcançar resultados mutuamente benéficos em termos de abertura, acrescentando que o sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio em seu núcleo, deve ser mantido e todas as formas de protecionismo devem ser combatidas.

Em terceiro lugar, os países do Brics devem manter a solidariedade e a cooperação para promover a sinergia em prol do desenvolvimento comum, afirmou Xi.

“A China está pronta para trabalhar com os demais países do Brics para implementar a Iniciativa de Desenvolvimento Global, promover a cooperação de alta qualidade no Cinturão e Rota, alavancar seus respectivos pontos fortes, aprofundar a cooperação prática e tornar a cooperação empresarial, financeira, científica e tecnológica mais produtiva, de modo a fortalecer a base, o impulso e o impacto de uma maior cooperação entre os Brics e proporcionar mais benefícios práticos aos povos”, afirmou.

Analista defende comércio do Brics em moedas locais

Luis Marchan, analista equatoriano de política internacional, declarou à Sputnik que as decisões da cúpula do Brics, realizada nesta segunda-feira, devem se concentrar na nova proposta de governança global apresentada pela China.

“Com a multipolaridade como princípio fundamental, todas as instituições criadas para garantir o cumprimento do direito internacional — como a ONU, a OEA, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e outros órgãos da própria ONU — devem ser substituídas ou atualizadas”, segundo o especialista.

Segundo Marchan, os países do Brics devem buscar renovar todos os acordos — incluindo os de comércio, questões sociais e segurança — para refletir a nova compreensão de um mundo multipolar.

“Creio que é necessário um novo modelo de comércio para atingir a ampla população dos países do Brics, com o uso de moedas nacionais e mecanismos alternativos de apoio — atuando como um contrapeso ao dólar”, observa o analista.

Fonte: Monitor Mercantil

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Internacional, Mercado Internacional

Indonésia habilita 17 frigoríficos e carne bovina do Brasil avança na Ásia

Sudeste Asiático é considerado peça-chave na estratégia do governo federal para diversificar os destinos de exportação

A Indonésia habilitou 17 novos frigoríficos brasileiros para exportar carne bovina ao país, informou o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) nesta segunda-feira (8).

As habilitações foram oficializadas após autoridades da Indonésia realizarem, em agosto, inspeções sanitárias nos frigoríficos brasileiros.

Agora, 38 estabelecimentos brasileiros estão autorizados a atender o mercado da Indonésia.

O país é considerado “estratégico” pelas autoridades do governo federal. A Indonésia, com mais de 270 milhões de habitantes, é o quarto país mais populoso do mundo e vem ampliando suas importações para suprir a crescente demanda por proteínas animais.

O Brasil conta, inclusive, com um adido agrícola em Jacarta, responsável pelas negociações locais.

Sudeste Asiático é considerado peça-chave na estratégia do governo para diversificar os destinos de exportação.

No caso da carne bovina, autoridades brasileiras veem a região como principal alternativa para redirecionar produtos que antes eram enviados aos Estados Unidos.

Vietnã e Singapura são vistos como mercados promissores para a carne bovina brasileira. O mercado vietnamita, por exemplo, foi aberto em março para a carne do Brasil e já habilitou dois frigoríficos brasileiros.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Mercado Internacional

EUA: Colheita da soja começa com 0 kg vendido à China e Brasil ocupa espaço

Maior comprador do grão do planeta parece boicotar americanos; exportadores dos EUA apelam a Donald Trump

colheita da safra de soja começa nos Estados Unidos com muita apreensão. Pela primeira vez na história, produtores iniciam o processo sem um único quilo vendido para a China. Diante da guerra comercial de Donald Trump, o maior comprador do grão do planeta segue em silêncio com os americanos.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revelam um cenário dramático aos exportadores americanos: a China não fechou nenhum contrato de compra de soja da safra 2025/26, que começa a ser colhida em setembro.

Nessa mesma época de 2024, sem a guerra comercial, chineses já tinham contratos futuros para 3,9 milhões de toneladas da soja. No ano anterior, eram 6,3 milhões de toneladas. Em 2022, o compromisso dos chineses era ainda maior: 11,4 milhões de toneladas.

Compra de soja dos EUA pela China

Em 28 de agosto de cada ano

Em toneladas métricas

A queda de 100% nos contratos com os chineses gera uma onda crescente de preocupação – quase pânico – entre os sojicultores americanos.

“A China não tem nenhum pedido de exportação de soja dos EUA para a safra 2025/26. Nesta época, em anos em que as disputas comerciais não eram um problema, a China encomendava uma média de 14% de suas compras de soja dos EUA”, cita a ASA, na sigla em inglês (Associação Americana da Soja).

A entidade que representa os sojicultores entende que o Brasil deve ocupar boa parte desse espaço: “clientes chineses compraram volumes recordes do Brasil entre abril e julho de 2025”, cita a ASA em relatório do fim de agosto.

Esse volume recorde pode ter sido uma “preparação” para o boicote chinês à soja americana.

Além disso, operadores do mercado de commodities citam que, nas últimas semanas, grandes compradores chineses fecharam contratos com exportadores do Brasil para compra de 8 milhões de toneladas em setembro e outras 4 milhões de toneladas em outubro.

Os exportadores americanos citam que produtores argentinos também avançam. No mês passado, foi anunciada a primeira venda de farelo de soja da Argentina para a China. O produto é destinado à fabricação de ração animal para aves e suínos – exatamente o principal destino dos grãos do Brasil e EUA na China.

Em 11 de agosto, o presidente Trump foi às redes sociais e acenou ao setor. Instou a China a quadruplicar a compra de soja diante da suposta preocupação de Pequim com a falta do alimento.

“Espero que a China quadruplique rapidamente seus pedidos de soja. Esta também é uma forma de reduzir substancialmente o déficit comercial da China com os EUA”, disse Trump.

Apesar do apelo, o volume de pedidos não foi quadruplicado. Ao contrário, caiu a zero.

Oito dias depois, os sojicultores enviaram uma carta a Trump. O documento, assinado por Caleb Ragland, presidente da ASA, cita que produtores “estão à beira de um precipício comercial e financeiro”. Por isso, apelou ao presidente para priorizar a soja nas conversas com Pequim.

“Pedimos que priorizem a soja e cheguem a um acordo que inclua a remoção das tarifas retaliatórias da China e, se possível, compromissos significativos de compra”, cita a carta.

Ragland agradece a Trump o post nas redes sociais, mas diz que a realidade é muito diferente – e cita o Brasil.

“Infelizmente para os nossos produtores de soja, a China firmou um contrato com o Brasil para atender às necessidades dos próximos meses, evitando a compra de soja dos Estados Unidos”, lamenta o representante dos exportadores americanos.

Fonte: CNN Brasil

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Agronegócio, Internacional

Agro contesta nova cláusula da UE na reta final de acordo com Mercosul

Setor vê cláusula como exagerada e prejudicial às commodities brasileiras

Lideranças do agronegócio brasileiro relataram à CNN preocupação com um novo dispositivo incluído pelos europeus na redação final do acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

Trata-se de uma cláusula enviada pela Comissão Europeia ao Conselho Europeu que prevê que qualquer aumento de importações de produtos do Mercosul para a UE acima de 10% ao ano, com preços médios pelo menos 10% inferiores aos europeus, poderá ser tratado como evidência de ameaça de dano grave à indústria local e passível de que seja iniciado um processo de salvaguarda.

As salvaguardas são um instrumento que podem implicar, se acionadas, na suspensão da redução tarifária acordada ou até mesmo retorno à tarifa base com duração de até 4 anos. Na prática, suspende termos do acordo.

Para setores do agro, a cláusula é exagerada e prejudicial às commodities brasileiras, em especial ao setor de proteína animal, um dos mais competitivos do Brasil.

A preocupação é ampliada porque mesmo se o impacto for restrito a alguns Estados-Membros, a salvaguarda também poderá ser acionada.

Os Estados-Membros ou associações de produtores poderão solicitar abertura imediata de investigação e a Comissão Europeia se compromete a decidir medidas provisórias em até 21 dias, e a concluir investigações em até 4 meses.

CNN procurou o Ministério de Dsenvolvimento, Indústria e Comércio e aguarda um posicionamento.

Reta final

O acordo caminha para a reta final da aprovação. A Comissão Europeia e os proponentes do acordo, como a Alemanha e a Espanha, afirmam que o acordo oferece um caminho para deixar de depender da China, especialmente no que se refere a minerais essenciais, e um alívio do impacto das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A Comissão diz que o acordo de livre comércio é o maior já acordado em termos de reduções tarifárias, removendo mais de 4 bilhões de euros de tarifas sobre as exportações da UE anualmente, e uma parte necessária do esforço do bloco para diversificar seus laços comerciais.

A União Europeia afirma que, dada a modesta quantidade de acordos comerciais do Mercosul, o bloco teria uma vantagem inicial e observa que as empresas locias poderão concorrer a contratos públicos no Mercosul nas mesmas condições que os fornecedores locais – algo que o Mercosul não ofereceu anteriormente em acordos comerciais.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional

Brasil vê Itália como “fiel da balança” para aprovar acordo UE-Mercosul

Voto desfavorável de Roma poderia barrar tratado no Conselho Europeu; Itamaraty acredita, porém, em apoio por parte do governo de Giorgia Meloni

governo brasileiro vê a Itália como “fiel da balança” para a aprovação do acordo de livre comércio União Europeia-Mercosul no Conselho Europeu, instância que reúne os chefes de governo dos 27 países do bloco.

Para passar no conselho, o tratado precisa do aval de pelo menos 15 dos 27 sócios. Esses países precisam representar, no mínimo, 65% da população total da UE.

Na avaliação de Brasília, há sinais recentes de boa vontade vindos da França e da Polônia, mas ainda se considera uma chance grande de votos desfavoráveis ou abstenções por parte dos dois países — com fortes lobbies agrícolas. Juntos, eles somam quase 24% da população europeia.

Para o Itamaraty, a chave está na posição de Roma. A Itália tem mais de 13% dos habitantes do bloco. Se ela se opuser, “o acordo morre”, conforme ouviu a CNN de uma alta fonte diplomática.

Segundo essa fonte, no entanto, as sinalizações do governo de Giorgia Meloni são positivas quanto à aprovação do acordo com o Mercosul, apesar da resistência de agricultores italianos.

Outro ponto de atenção em Brasília diz respeito à postura dos países menores da UE que, se eventualmente unidos contra o acordo, podem acumular votos e população suficientes para barrá-lo. IrlandaÁustriaHolanda e Bélgica estão sendo acompanhadas com lupa.

A convicção no Itamaraty, entretanto, é de que o Conselho Europeu vai segurar a análise do acordo enquanto não estiver seguro de contar com votos suficientes. A própria Comissão Europeia, avalia-se, só enviou o tratado para o conselho porque sente que há chances de aprová-lo.

Já no Parlamento Europeu, onde a ratificação precisa de maioria simples (após o aval do conselho), o monitoramento do governo brasileiro indica boas possibilidades de aprovação — sem folga, mas com inclinação favorável.

Fonte: CNN Money

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Internacional

Déficit comercial dos EUA atinge o maior valor em quatro meses devido à corrida por importações

Aumento de 5,9% nas importações em julho reflete uma antecipação de novos impostos sobre o comércio global, impactando a balança comercial americana

O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou significativamente em julho, atingindo o maior valor em quatro meses, à medida que as empresas se apressaram para importar mercadorias e materiais antes do anúncio de novos impostos do presidente Donald Trump sobre parceiros comerciais globais. De acordo com dados do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a diferença entre exportações e importações no setor de bens e serviços cresceu quase 33% em comparação ao mês anterior, totalizando US$ 78,3 bilhões. A estimativa média de economistas consultados pela Bloomberg previa um déficit de quase US$ 78 bilhões.

As importações registraram um aumento de 5,9% em julho, o maior desde o início do ano, enquanto as exportações tiveram um crescimento mais modesto. Os números apresentados não foram ajustados pela inflação. A alta nas importações foi impulsionada pelo aumento das remessas de suprimentos industriais, que alcançaram o maior nível em quatro meses. As importações de bens de consumo também cresceram, e as remessas de equipamentos de capital, exceto automóveis, avançaram mais do que em qualquer outro momento desde o início de 2025.

Esse aumento nas importações reflete uma corrida das empresas americanas para garantir mais produtos antes da aplicação de tarifas recíprocas, que eram esperadas para afetar uma série de países com os quais os Estados Unidos ainda não haviam formalizado acordos comerciais. Vale lembrar que, após uma grande alta nas importações no primeiro trimestre, motivada pela tentativa das empresas de antecipar a implementação de tarifas anunciadas por Trump em abril, as importações haviam caído por três meses consecutivos.

A volatilidade nas importações e exportações tem causado flutuações consideráveis nas medições do governo sobre a atividade econômica, como o Produto Interno Bruto (PIB). Essas oscilações no comércio internacional têm gerado incertezas sobre o impacto das novas tarifas e a direção futura das relações comerciais dos Estados Unidos no cenário global.

Fonte: Brasil 247

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Internacional

Acordo entre Mercosul e União Europeia avança e segue para análise do parlamento

A Comissão Europeia validou, na quarta-feira (3), o texto final do tratado entre os dois blocos econômicos

A Comissão Europeia validou, na quarta-feira (3), o texto final do tratado Mercosul-União Europeia. A redação agora seguirá para análise dos estados-membros e do Parlamento Europeu, com expectativa de assinatura em dezembro, em Brasília, durante a cúpula do Mercosul. Com um PIB combinado de US$ 22 trilhões e uma população de 720 milhões de pessoas, Mercosul e União Europeia caminham para consolidar um dos maiores acordos comerciais do mundo.

A entrada em vigor do acordo pode trazer mais de US$ 7 bilhões em exportações adicionais para o Brasil. Esse potencial decorre da desgravação tarifária em centenas de produtos estratégicos, que vão desde commodities como café, milho e suco de laranja até itens industrializados de maior valor agregado, como aviões, calçados e móveis de madeira.

“Quem sabe até o final do ano nós poderemos ter, aqui no Brasil, quando o presidente Lula presidir a reunião do Mercosul, a assinatura desse acordo, que já tem 20 anos de negociação. Esta é uma ótima notícia, nós nunca chegamos a um nível tão elevado como hoje com o envio para o Conselho da União Europeia, e não estamos falando de qualquer acordo”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

A União Europeia é hoje o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o valor total das exportações brasileiras para o bloco cresceu, em média, 10%, alcançando US$ 48,3 bilhões. Esse desempenho posicionou o país como o 14° maior fornecedor da UE e líder no fornecimento de café não torrado (36,3%) e farelos de soja (34,3%). Além disso, nos últimos seis anos, quase todos os grupos de produtos exportados, como café, petróleo, soja e cobre, registraram crescimento médio anual positivo.

Fonte: Canal Rural Mato Grosso

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