Exportação

Cargill suspende exportação de soja do Brasil para a China após mudanças em inspeção

A Cargill interrompeu temporariamente suas operações de exportação de soja do Brasil para a China, após alterações no sistema de inspeção fitossanitária adotado pelo governo brasileiro. A informação foi confirmada pelo presidente da companhia no Brasil e responsável pelo Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, em entrevista à Reuters.

Segundo o executivo, o novo modelo de fiscalização foi implementado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária após um pedido do governo da China, principal destino da soja brasileira.

Nova fiscalização dificulta embarques de soja

De acordo com a empresa, o reforço nas exigências fitossanitárias para exportação de soja tornou o processo de liberação das cargas mais complexo.

Na prática, o novo procedimento exige uma verificação mais detalhada da qualidade do grão antes do embarque, o que tem dificultado o cumprimento das normas pelos exportadores e atrasado a obtenção das autorizações necessárias para envio do produto ao mercado chinês.

Paulo Sousa afirmou que o modelo adotado atualmente é considerado pouco comum no comércio internacional de grãos, o que tem gerado incertezas operacionais para tradings e exportadores.

Empresa também suspende compra de soja no Brasil

Diante das dificuldades para realizar os embarques, a Cargill decidiu suspender temporariamente a compra de soja no mercado brasileiro.

A medida foi tomada porque a empresa enfrenta obstáculos para direcionar o produto ao seu principal destino global. A China é o maior importador de soja do mundo e também o principal cliente da produção brasileira.

A Cargill está entre as maiores empresas do setor responsáveis pela exportação de commodities agrícolas a partir do Brasil, especialmente soja e derivados.

Entidades do setor ainda não se pronunciaram

Procuradas para comentar o assunto, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, a própria Cargill e o Ministério da Agricultura ainda não haviam respondido aos questionamentos até a publicação da informação.

A situação gera preocupação no mercado, já que restrições logísticas ou sanitárias nas exportações de soja podem impactar diretamente o agronegócio brasileiro e a dinâmica do comércio internacional de grãos.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Exportação

Exportações de carne bovina iniciam março em alta e fortalecem mercado brasileiro

As exportações de carne bovina do Brasil começaram março de 2026 em alta, com sinais de ritmo consistente para o setor. Nos primeiros cinco dias úteis do mês, o preço médio da carne exportada alcançou US$ 5.687,8 por tonelada, segundo dados da Secex.

Em comparação, no mesmo período de março de 2025, o valor médio foi de US$ 4.900,4 por tonelada. A diferença representa uma valorização de 16,1%, destacando o aumento do preço pago pelo produto brasileiro no mercado externo.

Cenário favorável para produtores e setor pecuário

O início do mês aponta para um cenário positivo para a pecuária brasileira. A combinação de crescimento no volume exportado e valorização do preço médio por tonelada reforça a força das vendas internacionais.

Para os produtores rurais, esses indicadores são estratégicos, pois demonstram a continuidade da demanda global pela carne bovina do Brasil. Esse movimento contribui para sustentar o mercado interno e mantém o país entre os principais fornecedores mundiais de proteína.

Mesmo com apenas cinco dias úteis contabilizados, os dados sugerem um começo de mês consistente. Caso o ritmo se mantenha nas próximas semanas, março poderá registrar mais um resultado expressivo nas exportações de carne bovina brasileiras.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Exportação

Exportações do Brasil para os EUA caem 25,5% em janeiro e déficit bilateral aumenta

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 25,5% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, totalizando US$ 2,4 bilhões, segundo dados da Amcham Brasil. Este é o sexto mês consecutivo de retração.

No mesmo período, as importações do Brasil vindas dos EUA caíram 10,9%. Como a redução nas exportações foi mais acentuada, o déficit comercial bilateral atingiu cerca de US$ 0,7 bilhão, mais que o triplo do registrado em janeiro de 2025.

“Os dados confirmam que o início de 2026 segue marcado por pressões significativas sobre o comércio bilateral”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. Ele destacou que a combinação entre queda das exportações brasileiras e tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem ampliado o desequilíbrio na balança comercial.

Produtos e setores mais impactados

O recuo das exportações brasileiras foi fortemente influenciado pelos óleos brutos de petróleo, que caíram 39,1% na comparação anual. Além disso, produtos sujeitos a sobretaxas adicionais tiveram retração média de 26,7%, incluindo itens afetados pela Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA.

Entre os produtos com maior impacto negativo estão semiacabados de ferro e aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.

Segundo a Amcham Brasil, itens sujeitos a sobretaxas de 40% e 50%, como cobre e produtos siderúrgicos, tiveram queda acima da média geral, reforçando a pressão das barreiras tarifárias sobre o fluxo comercial.

Setores que resistem

Apesar do cenário desafiador, alguns produtos brasileiros mantiveram desempenho mais robusto. Entre os dez principais itens exportados para os EUA em janeiro, seis registraram resultados superiores ao desempenho em outros mercados, incluindo café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.

Por outro lado, produtos com maior retração no mercado americano apresentaram desempenho melhor em outros destinos, indicando uma mudança na dinâmica geográfica das exportações brasileiras.

Perspectivas para o comércio Brasil-EUA

A Amcham Brasil ressaltou que, mesmo com o aumento do déficit dos EUA no comércio global, o Brasil continua entre os poucos países com os quais os americanos mantêm superávit relevante.

“O comércio bilateral é sustentado por cadeias produtivas integradas, investimentos cruzados e geração de empregos em ambos os países. Avançar no diálogo econômico de alto nível é essencial para restaurar previsibilidade, reduzir barreiras e permitir a retomada do fluxo comercial ao longo de 2026”, afirmou Abrão Neto.

FONTE: Estadão Conteúdo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Exportação

Brasil registra recorde de empresas exportadoras e chega a 29,8 mil em 2025

O Brasil encerrou 2025 com 29.818 empresas exportadoras, o maior número já registrado no país. Os dados constam no Relatório Anual de Comércio Exterior por Porte de Empresas divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Em comparação com 2024, foram 971 novas empresas exportadoras, o que representa crescimento de 3,4% na base exportadora brasileira. O resultado ocorre em meio a um cenário internacional desafiador, mas reforça a expansão da presença das empresas nacionais no comércio exterior.

Segundo o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, o desempenho reflete as políticas voltadas para o fortalecimento da agenda de comércio exterior do Brasil. De acordo com ele, o país também alcançou recordes no volume de exportações brasileiras e na corrente de comércio.

Empresas médias e grandes lideram expansão das exportações

Entre as novas empresas que passaram a exportar em 2025, 592 são médias ou grandes, representando 59,6% do total de novos exportadores. Com isso, esse grupo passou a reunir 17.764 empresas atuando no comércio internacional.

Já o conjunto formado por microempresas, pequenas empresas e MEIs também apresentou crescimento. Entre 2024 e 2025, 390 negócios desse segmento iniciaram atividades de exportação, elevando o total para 11.822 empresas.

O destaque ficou com as microempresas, que registraram aumento de 242 novos exportadores, alcançando aproximadamente 6 mil empresas vendendo para o exterior.

Indústria de transformação concentra maioria das exportadoras

A indústria de transformação segue como o principal motor da base exportadora brasileira. Em 2025, o setor contabilizou 27.013 empresas exportadoras, número 838 superior ao registrado no ano anterior.

Dentro desse segmento, 517 novas empresas médias e grandes passaram a exportar, enquanto 321 empresas de menor porte também ingressaram no mercado internacional.

Todas as regiões ampliam número de empresas exportadoras

O crescimento do comércio exterior brasileiro foi registrado em todas as regiões do país em 2025.

O Sudeste liderou a expansão, com 549 novas empresas exportadoras, seguido pelo Sul, com 394 empresas adicionais.

Outras regiões também registraram aumento:

  • Centro-Oeste: +33 empresas
  • Nordeste: +31 empresas
  • Norte: +23 empresas

Entre as empresas de menor porte, o Centro-Oeste apresentou o maior crescimento proporcional, com alta de 8,6%, passando de 395 para 429 exportadoras. Já em números absolutos, o Sudeste teve o maior avanço, com 178 novas empresas desse segmento.

Importações também registram crescimento no país

O relatório também aponta expansão no número de empresas importadoras no Brasil. Em 2025, o país contabilizou 60.115 empresas que realizam importações, aumento de 7,6% em relação ao ano anterior.

Isso representa 4.238 novas empresas atuando na importação de produtos.

Entre as companhias de maior porte, o crescimento foi de 5,5%, com 1.517 novas importadoras. Já as micro e pequenas empresas apresentaram avanço ainda mais expressivo, de 9,5%, com 2.624 novos negócios entrando no mercado internacional de compras.

Políticas públicas impulsionam cultura exportadora

O aumento da base exportadora do Brasil é atribuído a ações conjuntas entre governo e setor privado para ampliar a competitividade das empresas e incentivar sua presença no mercado global.

Entre as medidas adotadas estão:

  • aprimoramento do sistema tributário
  • ampliação de linhas de financiamento e garantias para exportação
  • negociação de acordos comerciais internacionais
  • abertura de novos mercados externos
  • oferta de inteligência comercial para empresas

Nesse cenário, ganha destaque a Política Nacional de Cultura Exportadora (PNCE), instituída pelo Decreto nº 11.593/2023. A iniciativa promove a articulação entre União, estados, municípios e entidades privadas para ampliar a participação de micro, pequenas e médias empresas no comércio exterior.

Outro programa relevante é o Elas Exportam, desenvolvido em parceria entre o MDIC e a ApexBrasil, que busca incentivar a participação feminina e tornar o comércio exterior brasileiro mais inclusivo e competitivo.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Brasil deve concentrar 42,5% da cota de carne bovina no acordo Mercosul–União Europeia

O Brasil deverá ficar com a maior parte da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Um entendimento firmado entre entidades representativas do setor agropecuário dos países do bloco definiu a divisão proporcional do volume destinado ao mercado europeu.

Pelo acordo, o Brasil terá direito a 42,5% da cota de carne bovina, enquanto a Argentina ficará com 29,5%. Já o Uruguai receberá 21% do volume e o Paraguai, 7%.

Essa distribuição segue o peso relativo de cada país nas exportações internacionais de carne bovina, critério adotado pelas entidades empresariais para estabelecer a partilha do acesso ao mercado europeu.

Entendimento empresarial antecede acordo comercial

A divisão da cota foi definida ainda em 2004, antes mesmo da conclusão das negociações do acordo Mercosul–União Europeia. Na época, associações representativas da cadeia da carne bovina e do setor agropecuário dos países do bloco firmaram um acordo para organizar previamente a participação de cada exportador.

Entre as entidades signatárias estão organizações do setor pecuário e frigorífico, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Sociedade Rural Brasileira (SRB), além de instituições equivalentes da Argentina, Paraguai e Uruguai.

Cota prevê 99 mil toneladas com tarifa reduzida

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas de carne bovina destinada aos países do bloco sul-americano, com tarifa de importação reduzida.

Desse total, 55 mil toneladas serão destinadas à carne bovina fresca ou refrigerada, enquanto 44 mil toneladas correspondem à carne bovina congelada. A alíquota de importação será de 7,5%, valor inferior à tarifa normalmente aplicada pela União Europeia para produtos importados fora da cota.

Implementação da cota será gradual

A entrada em vigor da cota não ocorrerá de forma imediata. O acordo prevê uma implementação progressiva ao longo de seis anos, até que o volume máximo autorizado seja totalmente alcançado.

Esse período de transição foi definido para permitir adaptação gradual tanto do setor produtivo do Mercosul quanto do mercado europeu.

Exportações brasileiras para a União Europeia

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada e congelada para a União Europeia apresentam variações ao longo do tempo.

Nos últimos anos, os embarques mensais geralmente ficaram entre 3 mil e 7 mil toneladas, embora registros mais recentes apontem volumes superiores a esse intervalo.

Em termos de receita, os envios costumam gerar entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões por mês, com episódios recentes de valores mais elevados, impulsionados pela valorização internacional da proteína bovina.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Exportação

Guerra no Irã ameaça exportações brasileiras de carne e pode afetar bilhões em negócios

A escalada da guerra no Irã começa a gerar impactos no comércio global de alimentos e pode comprometer parte das exportações brasileiras de carne bovina destinadas ao Oriente Médio. Um relatório da consultoria DATAGRO aponta que aproximadamente 7% dos embarques da proteína podem ser afetados pela instabilidade na região.

O alerta surge após uma operação militar conjunta realizada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, no dia 28. O ataque resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que estava no poder há quase quatro décadas, ampliando as tensões e abrindo caminho para um conflito de grandes proporções na região.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a ofensiva militar pode se estender por até cinco semanas.

Exportações brasileiras de carne para o Oriente Médio

O Brasil exportou cerca de 3,1 milhões de toneladas de carne bovina in natura em 2025, segundo dados do setor. Desse volume, aproximadamente 210,6 mil toneladas foram destinadas ao Oriente Médio, o que corresponde a 6,8% das exportações totais.

Esse fluxo comercial coloca a região entre os mercados estratégicos para a carne bovina brasileira, especialmente para produtos que seguem o padrão halal, exigido por países de maioria muçulmana.

Rotas marítimas sob risco no comércio global

Os primeiros reflexos do conflito já aparecem no transporte internacional de mercadorias. Navios cargueiros começaram a evitar o Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas mais importantes para o comércio mundial de commodities.

A passagem marítima, responsável pelo fluxo de grandes volumes de petróleo, gás natural e fertilizantes, está sob ameaça de bloqueio por parte do Irã e, na prática, encontra-se com circulação fortemente restrita.

Além disso, diversas empresas de navegação suspenderam operações no corredor marítimo formado pelo Mar Vermelho, pelo estreito de Bab el-Mandeb e pelo Canal de Suez, outro eixo crucial para o comércio internacional.

Bilhões em exportações podem ser impactados

De acordo com estimativas da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, considerando também cargas que passam por centros logísticos intermediários antes de chegar ao destino final, entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões em exportações brasileiras podem sofrer impacto.

Somente as exportações diretas de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025, segundo a entidade.

Entre os países que mais importam a proteína brasileira na região estão a Arábia Saudita, responsável por quase 30% das compras regionais, os Emirados Árabes Unidos, com mais de 22%, além de Israel e Líbano.

Mercado global de alimentos halal segue em expansão

O Brasil ocupa posição de destaque como maior produtor e exportador mundial de carne bovina halal, segmento que segue regras religiosas específicas para o consumo islâmico.

Grandes empresas do setor, como JBS e Marfrig, ampliaram investimentos no Oriente Médio nos últimos anos, considerando a região estratégica para expansão internacional.

O mercado global de alimentos halal movimenta atualmente mais de US$ 2 trilhões por ano, com a proteína animal liderando o consumo. Estimativas da Nielsen indicam que o consumo de carnes halal pode ultrapassar US$ 1,5 trilhão até 2027.

Hoje, cerca de 1,9 bilhão de pessoas seguem a dieta tradicional islâmica em todo o mundo.

Custos logísticos aumentam com o conflito

Além das dificuldades nas rotas marítimas, o setor enfrenta aumento expressivo no custo do transporte internacional.

Empresas de navegação já começaram a cobrar uma taxa adicional de risco de guerra, que pode chegar a US$ 4 mil por contêiner, encarecendo as operações destinadas ao Oriente Médio ou que utilizam rotas próximas ao conflito.

Indústria de carne sente impacto na produção

Segundo a Abiec, a intensificação da crise militar já provoca interrupções no fluxo logístico global. Algumas companhias marítimas suspenderam novas reservas de contêineres para cargas com destino ou trânsito pelo Golfo Pérsico.

Também existem cargas de carne bovina brasileira em trânsito aguardando autorização para atracar em portos da região, diante da instabilidade nas rotas marítimas.

Frigoríficos brasileiros relatam impactos diretos no planejamento de produção. Dependendo do nível de exposição ao mercado do Oriente Médio, entre 30% e 40% das exportações de algumas empresas podem ser afetadas.

Diante das dificuldades logísticas, algumas companhias já avaliam reduzir ou suspender temporariamente a produção de cortes específicos destinados ao mercado halal, enquanto aguardam maior previsibilidade no transporte marítimo internacional.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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Exportação

Exportações brasileiras aos Estados Unidos caem 20,3% enquanto vendas para a China avançam 38,7%

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 20,3% em fevereiro de 2026, marcando o sétimo mês consecutivo de retração nas vendas ao mercado norte-americano. No período, os embarques somaram US$ 2,523 bilhões, abaixo dos US$ 3,167 bilhões registrados em fevereiro de 2025.

Já as importações brasileiras provenientes dos EUA também diminuíram no mesmo intervalo. O volume caiu 16,5%, passando de US$ 3,337 bilhões para US$ 2,788 bilhões. Como resultado, a balança comercial Brasil–EUA fechou o mês com déficit de US$ 265 milhões.

Tarifas impostas pelos EUA pressionam comércio

A sequência de quedas nas exportações está ligada à sobretaxa aplicada pelo governo do presidente Donald Trump em meados de 2025. Na época, os produtos brasileiros passaram a sofrer uma tarifa adicional de até 50% ao entrar no mercado norte-americano.

Embora parte dessas medidas tenha sido flexibilizada no final do ano passado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que cerca de 22% das exportações brasileiras ainda estejam sujeitas às tarifas impostas em julho de 2025.

Entre os itens afetados estão produtos que pagam apenas a alíquota adicional de 40% e outros que acumulam essa taxa com a tarifa-base de 10%.

Exportações para a China crescem quase 40%

Enquanto o comércio com os Estados Unidos segue em retração, o Brasil ampliou significativamente as vendas para a China. As exportações brasileiras para a China cresceram 38,7% em fevereiro de 2026.

O valor embarcado chegou a US$ 7,220 bilhões, ante US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.

Por outro lado, as importações vindas da China caíram 31,3% no período, totalizando US$ 5,494 bilhões frente aos US$ 7,978 bilhões de fevereiro de 2025.

Com esse desempenho, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 1,73 bilhão com o país asiático no segundo mês do ano.

Importação de plataforma de petróleo impacta dados

Segundo Herlon Brandão, o principal item importado pelo Brasil em fevereiro foi uma plataforma de petróleo, equipamento de alto valor estimado em cerca de US$ 2,5 bilhões.

O diretor explicou que, apesar da redução nas compras da China, o volume total de importações da Ásia não caiu no mesmo ritmo devido à aquisição de uma plataforma proveniente da Coreia do Sul.

União Europeia registra crescimento nas exportações brasileiras

O comércio com a União Europeia também apresentou expansão. As exportações brasileiras para o bloco europeu cresceram 34,7% em fevereiro de 2026.

O valor exportado chegou a US$ 4,232 bilhões, contra US$ 3,141 bilhões no mesmo período do ano anterior.

As importações vindas da União Europeia tiveram recuo de 10,8%, totalizando US$ 3,301 bilhões. Com isso, a balança comercial Brasil–UE registrou superávit de US$ 931 milhões.

Comércio com a Argentina também recua

No caso da Argentina, houve retração tanto nas exportações quanto nas importações.

As exportações brasileiras para a Argentina caíram 26,5%, somando US$ 1,057 bilhão. Já as importações provenientes do país vizinho recuaram 19,2%, totalizando US$ 850 milhões.

Mesmo com a queda no fluxo comercial, o Brasil manteve superávit de US$ 207 milhões na balança com o parceiro sul-americano.

China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina seguem entre os principais parceiros comerciais do Brasil, exercendo forte influência sobre o desempenho da balança comercial brasileira.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Exportação

Guerra no Oriente Médio muda rota de navios com commodities brasileiras e encarece exportações

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a afetar a logística de exportações brasileiras de commodities. Navios carregados com produtos do agronegócio do Brasil que seguiam para países da região estão interrompendo a viagem antes do destino final e descarregando mercadorias em portos considerados seguros.

Segundo relatos de traders e exportadores, a carga está sendo retirada das embarcações em portos fora da zona de conflito e depois segue por transporte terrestre até o destino final.

A mudança logística envolve remessas com destino a países como Israel, Iraque, Irã, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, áreas que têm enfrentado tensões militares e riscos para o transporte marítimo.

Navios interrompem viagens e redirecionam cargas

De acordo com um operador do mercado de açúcar, algumas companhias marítimas estão declarando o chamado “fim de viagem” em determinadas rotas. Na prática, isso significa que os navios não chegam ao destino originalmente contratado.

Em vez disso, a carga é descarregada em um porto intermediário e os clientes precisam organizar a retirada e o transporte até o destino final.

Alguns contêineres de açúcar brasileiro já passaram por esse processo. As mercadorias foram descarregadas em portos alternativos e seguiram por via terrestre. Nesse caso, os custos adicionais da nova logística foram repassados aos compradores.

Exportadores de carne recebem aviso de redirecionamento

Uma empresa brasileira de médio porte do setor de exportação de carne bovina informou ter recebido um comunicado da Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciando o encerramento de viagens para cargas destinadas ao Golfo Pérsico.

Dois contêineres da companhia, que estavam a caminho de Dubai, podem ser desviados para outro porto fora da área de risco. Nesse caso, os custos extras devem ser pagos pelo próprio exportador.

No aviso enviado aos clientes, a transportadora informou que toda carga atualmente em trânsito será desviada para o porto seguro mais próximo, onde será descarregada e disponibilizada para retirada.

Além disso, será aplicada uma taxa adicional obrigatória de US$ 800 por contêiner para cobrir despesas decorrentes da mudança de rota. Custos de movimentação, armazenagem e outras taxas portuárias também passam a ser responsabilidade do dono da carga.

Mudança de destino depende de nova reserva

Exportadores que desejarem enviar a mercadoria para outro destino precisarão fazer uma nova reserva de transporte marítimo.

Outra alternativa é solicitar a mudança do porto final — processo conhecido como Change of Destination (COD). No entanto, a aceitação desse pedido dependerá de fatores como:

• viabilidade operacional
• rotas disponíveis dos navios
• evolução da situação de segurança no Oriente Médio

Mesmo quando aceito, o pedido não garante que a carga chegará exatamente ao destino solicitado e não elimina custos extras gerados pelo conflito.

Seguro marítimo e Canal de Suez geram novas preocupações

Outro desafio envolve o seguro de guerra para transporte marítimo. Para navios que já estavam em viagem rumo ao Oriente Médio, as condições permanecem inalteradas.

Já para novos embarques, seguradoras passaram a cancelar coberturas ou revisar contratos individualmente, geralmente com prêmios mais elevados.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, afirmou que o conflito também tem provocado restrições no tráfego do Canal de Suez.

Uma alternativa para os navios é contornar o Cabo da Boa Esperança, rota mais longa que liga o Atlântico ao Índico.

Segundo Perosa, o impacto ainda é limitado, mas tende a crescer.

Empresas que já enviaram mercadorias à região devem negociar soluções logísticas e compensações com importadores. A prioridade, segundo ele, é garantir que clientes recebam produtos que já foram pagos.

Exportações de carne podem sofrer impacto bilionário

As exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025.

Entretanto, a guerra envolvendo o Irã e possíveis restrições no Estreito de Ormuz podem afetar até US$ 6 bilhões em negócios, estima a Abiec.

Esse valor inclui cargas que passam pelo hub logístico da região antes de seguir para outros mercados — cerca de 30% a 40% de tudo o que o Brasil enviou no ano passado.

Companhias marítimas também já suspenderam novas reservas de contêineres refrigerados para cargas com destino ao Oriente Médio ou que precisem transitar pela região.

No caso do mercado global de açúcar, operadores afirmam que ainda não houve interrupções relevantes no fluxo de comércio.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Exportações brasileiras atingem US$ 26,3 bilhões em fevereiro e registram recorde para o mês

As exportações brasileiras alcançaram US$ 26,3 bilhões em fevereiro de 2026, estabelecendo um recorde histórico para o mês. O valor representa um crescimento de 15,6% em relação a fevereiro de 2025, segundo dados divulgados pelo governo federal durante a apresentação da balança comercial brasileira.

O resultado foi destacado pelo vice-presidente da República e ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, durante coletiva de imprensa sobre o desempenho do comércio exterior do Brasil.

De acordo com o ministro, além do recorde nas exportações, o país também registrou a maior corrente de comércio para meses de fevereiro, reforçando a ampliação da inserção do Brasil no mercado internacional.

Balança comercial tem superávit de US$ 4,2 bilhões

No segundo mês de 2026, as exportações somaram US$ 26,3 bilhões, enquanto as importações brasileiras chegaram a US$ 22,1 bilhões.

Com isso, o país registrou superávit comercial de US$ 4,21 bilhões. A corrente de comércio, que representa a soma de exportações e importações, atingiu US$ 48,4 bilhões no período.

Na comparação com fevereiro de 2025, quando as vendas externas somaram US$ 22,75 bilhões, houve avanço significativo de 15,6% nas exportações. Já as importações recuaram 4,8%, passando de US$ 23,22 bilhões no ano passado para US$ 22,1 bilhões neste ano.

Resultado acumulado do ano mantém saldo positivo

Considerando o período de janeiro a fevereiro de 2026, o desempenho da balança comercial brasileira também apresenta resultado positivo.

No acumulado do ano:

  • Exportações: US$ 50,9 bilhões
  • Importações: US$ 42,9 bilhões
  • Superávit comercial: cerca de US$ 8 bilhões
  • Corrente de comércio: US$ 93,8 bilhões

Na comparação com os dois primeiros meses de 2025, as exportações cresceram 5,8%, enquanto as importações registraram queda de 7,3%. Já a corrente de comércio apresentou leve redução de 0,6%.

Indústria extrativa lidera crescimento das exportações

A análise setorial indica que o principal impulso das exportações brasileiras em fevereiro veio da indústria extrativa, que registrou crescimento expressivo.

Na comparação com fevereiro de 2025:

  • Agropecuária: alta de US$ 0,3 bilhão (6,1%)
  • Indústria extrativa: aumento de US$ 2,37 bilhões (55,5%)
  • Indústria de transformação: crescimento de US$ 0,85 bilhão (6,3%)

Importações recuam em todos os principais setores

Do lado das importações brasileiras, houve retração nos três principais setores da economia em fevereiro, na comparação anual.

Os resultados foram:

  • Agropecuária: queda de US$ 0,11 bilhão (20%)
  • Indústria extrativa: redução de US$ 0,11 bilhão (12,1%)
  • Indústria de transformação: recuo de US$ 0,87 bilhão (4%)

Desempenho por setor no acumulado de 2026

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, os setores exportadores também apresentaram expansão:

  • Agropecuária: aumento de US$ 0,36 bilhão (4,2%)
  • Indústria extrativa: crescimento de US$ 1,85 bilhão (16%)
  • Indústria de transformação: alta de US$ 0,53 bilhão (1,9%)

Já entre os setores importadores, houve retração generalizada no período:

  • Agropecuária: queda de US$ 0,28 bilhão (24,7%)
  • Indústria extrativa: redução de US$ 0,45 bilhão (21,9%)
  • Indústria de transformação: recuo de US$ 2,61 bilhões (6,1%)

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Julio César Silva/MDIC

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Exportação

Estreito de Ormuz: bloqueio pode impactar exportações brasileiras e logística global

A escalada da guerra no Irã reacendeu preocupações no comércio internacional. O possível bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, pode gerar impactos relevantes nas exportações brasileiras, especialmente para países do Golfo Pérsico.

Localizado entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico, o corredor marítimo é fundamental para o fluxo global de mercadorias. O Irã afirma ter restringido a passagem de embarcações na região após o início dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel, o que aumentou a tensão no mercado de energia e logística.

Corredor vital para petróleo e comércio internacional

Dados da consultoria MTM Logix indicam que cerca de 20% de todo o petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz. Além disso, a região concentra o transporte de aproximadamente 25% dos fertilizantes, 35% dos químicos e plásticos e cerca de 15% dos grãos comercializados globalmente, destinados principalmente aos países do Golfo.

Essa movimentação torna o estreito um ponto crítico para o comércio internacional. Qualquer restrição no tráfego pode provocar atrasos nas cadeias logísticas e aumento de custos no transporte marítimo.

Exportações brasileiras dependem da rota

Para o Brasil, os reflexos se concentram principalmente nos embarques destinados a Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque e Kuwait. Como esses países estão localizados no Golfo Pérsico, os navios que seguem para esses destinos precisam atravessar obrigatoriamente o Estreito de Ormuz.

Levantamento da consultoria Datamar mostra que, em 2024, cerca de 158,3 mil contêineres foram enviados do Brasil para esses mercados. A maior parte das cargas era composta por proteína animal, responsável por 67,9% do volume transportado — com destaque para a carne de frango.

Outros produtos relevantes incluíram madeira (13,4%) e papel (2,8%).

Impacto no setor de proteína animal

No total, os embarques destinados aos países do Golfo representaram 4,87% das exportações marítimas brasileiras. No entanto, para determinados segmentos, a dependência desse mercado é ainda maior.

No caso da proteína animal, os envios chegaram a 14,8% da pauta de exportação, enquanto a carne de frango alcançou participação de 23,4%.

Segundo Andrew Lorimer, diretor-executivo da Datamar, o volume de mercadorias transportadas por contêineres na rota é significativo.

Além do risco logístico, a instabilidade também afeta os custos do transporte. Empresas de navegação já começaram a aplicar taxas de risco de guerra, que podem variar entre US$ 2 mil e US$ 4 mil por contêiner, elevando o preço do frete e aumentando a incerteza no comércio exterior.

Redução no tráfego de navios

Com o avanço do conflito militar, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz registrou queda acentuada. Grandes companhias de transporte começaram a suspender operações na região.

A gigante chinesa Cosco anunciou a paralisação de serviços para países do Golfo, afetando rotas que atendem Bahrein, Iraque, Catar e Kuwait, além de algumas áreas dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita.

A empresa informou que apenas alguns portos fora da rota direta do estreito, como Jidá, no Mar Vermelho, e Khor Fakkan e Fujairah, no Golfo de Omã, continuarão operando normalmente.

Outras grandes companhias de navegação, como Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd, também decidiram suspender temporariamente o tráfego na área devido aos riscos do conflito.

Seguradoras discutem plano para garantir transporte

O aumento do risco na região mobilizou o setor de seguros. As corretoras internacionais Marsh e Aon iniciaram negociações com o governo dos Estados Unidos para criar um plano de proteção para navios que atravessam o estreito.

O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que a US International Development Finance Corporation (DFC) poderá oferecer seguros a preços reduzidos para garantir a continuidade do transporte marítimo no Golfo.

Aviação também sofre impacto do conflito

O setor aéreo também enfrenta reflexos da escalada militar. Desde o início dos confrontos, mais de 20 mil voos foram cancelados em hubs do Oriente Médio.

A companhia aérea Emirates prorrogou a suspensão das operações para Dubai por uma semana, enquanto a Qatar Airways anunciou paralisação de voos até sexta-feira.

Dos 36 mil voos programados na região desde o fim de fevereiro, mais da metade foi cancelada, afetando cerca de 4,4 milhões de assentos. Passageiros enfrentam dificuldades para encontrar rotas alternativas, muitas vezes mais longas e caras.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer/Foto de arquivo

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