Exportação

Exportação de carne bovina recua após China preencher cota de importação

A exportação de carne bovina brasileira perdeu ritmo depois que a China completou a cota de 1,1 milhão de toneladas para importações sem a cobrança da tarifa adicional de 55%. Com a mudança, o Brasil começa a registrar redução no volume embarcado para o mercado internacional.

Na segunda semana de agosto, o país exportou, em média, 8,4 mil toneladas de carne bovina por dia útil, abaixo das 10,5 mil toneladas registradas na primeira semana do mês.

Considerando os dez primeiros dias úteis de agosto, a média ficou em 9.442 toneladas diárias. O resultado representa uma queda de 26% em relação a agosto de 2025 e corresponde ao menor nível desde janeiro do ano passado.

China antecipou compras antes da nova tarifa

A expectativa de aumento da tributação levou o mercado chinês a antecipar parte das compras de carne bovina do Brasil. Enquanto a alíquota permanecia em 12%, os importadores elevaram os volumes adquiridos.

O movimento ajudou a impulsionar as exportações brasileiras. Em novembro de 2025, os embarques chegaram a uma média de 16,8 mil toneladas por dia útil, período em que a demanda chinesa teve papel importante no desempenho.

Desde janeiro, passou a valer uma cota de 1,1 milhão de toneladas. Após esse limite ser atingido, as importações brasileiras ficam sujeitas a uma tarifa adicional de 55%. Na prática, a carne bovina brasileira passa a enfrentar uma tributação total de 67%.

Preço da carne bovina continua sustentado

Apesar da retração no volume embarcado, os preços da carne bovina brasileira no mercado internacional permanecem em patamar elevado.

Dados acompanhados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que a tonelada de carne bovina in natura é negociada, em média, por US$ 6.140.

O valor está abaixo do registrado em julho, mas ainda representa uma alta de aproximadamente 10% sobre agosto do ano passado.

Carne de frango e carne suína têm desempenhos diferentes

O comportamento das exportações de outras proteínas animais é diferente do observado na carne bovina.

Os embarques de carne de frango alcançaram 22,6 mil toneladas por dia útil em agosto, alta de 27% na comparação com o mesmo período de 2025. O preço médio também avançou, com aumento de 17%.

No mercado de carne suína, as exportações diárias estão 10,5% acima das registradas em agosto do ano passado. O desempenho dos preços, porém, é negativo, com queda de 8%, segundo dados da Secex.

China responde por quase metade da receita da carne bovina

A China continua sendo o principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil.

De acordo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o setor acumulou US$ 11,4 bilhões em receitas entre janeiro e julho. Desse total, 47% tiveram origem nas vendas para o mercado chinês.

Em volume, a participação da China também foi significativa: 45% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no período teve o país asiático como destino.

Preços no campo têm movimentos distintos

No mercado pecuário paulista, a arroba do boi gordo está cotada a R$ 345. O preço acumula queda de 0,43% no mês, segundo o Cepea.

No mesmo período, a cotação do suíno recuou 2,6%, enquanto o preço do frango registrou alta de 0,42%.

Exportações de arroz avançam em agosto

As vendas externas de arroz brasileiro apresentaram forte crescimento nas duas primeiras semanas de agosto.

Segundo a Secex, os embarques de arroz em casca chegaram a 10,8 mil toneladas por dia útil. O volume representa uma alta de 250% em relação ao mesmo período de 2025.

Pecuaristas de Mato Grosso ampliam intenção de confinamento

A pesquisa de intenção de confinamento realizada pelo Imea em julho aponta que os pecuaristas de Mato Grosso pretendem colocar 1,33 milhão de cabeças de gado em confinamento.

O número é 43% maior que o registrado na mesma pesquisa de 2025. Em relação à sondagem realizada em abril deste ano, porém, houve uma redução de 8%.

O levantamento estima ainda um custo diário médio de R$ 13,62 por animal no sistema de confinamento.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Joel Silva/Reuters

Ler Mais
Exportação

Carros chineses pressionam frete marítimo e expõem falta de navios para exportação

A explosão das exportações de carros chineses está criando um novo gargalo no comércio global: a falta de navios especializados para transportar veículos. Com as montadoras ampliando rapidamente suas vendas no exterior, a capacidade disponível de transporte marítimo de veículos não tem acompanhado o ritmo da produção.

Os chamados navios Ro-Ro, projetados para receber automóveis diretamente em seus conveses, estão com a capacidade comprometida por longos períodos. O aumento da procura fez as taxas de afretamento subirem 65% neste ano, segundo dados citados por executivos do setor.

Exportações chinesas aumentam pressão sobre navios

A expansão internacional das montadoras chinesas ocorre em meio à forte disputa entre mais de 100 marcas, ao excesso de capacidade produtiva e ao enfraquecimento do mercado doméstico.

Com isso, fabricantes passaram a buscar espaço adicional para enviar veículos à América Latina, Europa e Austrália. Em alguns casos, a falta de navios especializados levou empresas a utilizar contêineres convencionais, normalmente destinados ao transporte de produtos como roupas, móveis e eletrônicos.

Lasse Kristoffersen, presidente da Wallenius Wilhelmsen, afirmou que o crescimento do segmento está diretamente relacionado ao avanço das exportações chinesas.

A indústria naval já havia reagido à maior demanda com uma onda de encomendas. Mesmo assim, a frota mundial de navios transportadores de veículos aumentou cerca de 40% e ainda não é suficiente para atender às necessidades da China.

China pode exportar até 10 milhões de veículos

A dimensão do avanço chinês ajuda a explicar o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Segundo o grupo de pesquisa Mobility Global, a China exportou pouco menos de 600 mil carros e vans em 2019. Para 2026, a estimativa é de que esse volume possa chegar a 10 milhões de veículos.

Na União Europeia, a expansão das marcas chinesas também ganhou velocidade. No primeiro semestre de 2026, os licenciamentos da SAIC Motor cresceram 19%, enquanto os da BYD mais que dobraram, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.

Entre as montadoras tradicionais, o desempenho foi mais moderado. A Stellantis avançou 6%, a Volkswagen cresceu 2,6% e a Renault registrou queda de 4,2%.

Andreas Enger, presidente da Höegh Autoliners, afirmou que a China deixou de ter uma participação pouco relevante no mercado externo e se tornou a maior exportadora mundial de veículos em apenas cinco anos.

O avanço das exportações também elevou os fretes marítimos de automóveis para aproximadamente o dobro dos níveis registrados antes da pandemia.

Afretamento de navios volta a disparar

O mercado esperava uma redução das tarifas em 2026, principalmente porque uma quantidade significativa de novos navios entraria em operação.

Entre 2022 e 2025, empresas do setor investiram bilhões de dólares na construção de transportadores de veículos, impulsionadas pelo aumento do consumo de automóveis e pela rápida expansão das exportações chinesas.

A forte demanda chegou a levar as taxas de afretamento a cerca de US$ 115 mil por dia no fim de 2023 e início de 2024.

A esperada acomodação, porém, não se concretizou. Com a capacidade novamente pressionada, o custo médio anual para afretar um grande navio transportador de veículos alcançou US$ 70 mil por dia em junho, segundo a corretora marítima Clarksons. No fim de 2025, a média estava em US$ 42,5 mil.

Mercado chinês mais fraco estimula vendas no exterior

A expansão das exportações também funciona como alternativa para as montadoras diante da desaceleração do mercado doméstico.

Com poucas exceções, os veículos chineses não são enviados aos Estados Unidos em grande escala devido às tarifas de importação e às restrições relacionadas a softwares, associadas por Washington a preocupações de segurança nacional.

Em outros mercados, entretanto, os modelos elétricos e híbridos chineses vêm ganhando espaço. Fabricantes como BYD e SAIC Motor avançaram em países como Reino Unido, Brasil e Alemanha, além de ampliarem sua presença fora da China.

Tu Le, diretor da consultoria Sino Auto Insights, considera que a estratégia agressiva de exportação funciona como uma espécie de válvula de escape para a indústria diante do enfraquecimento das vendas internas.

No primeiro semestre de 2026, as vendas de veículos na China recuaram mais de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

Falta de navios leva carros para contêineres

Os transportadores especializados continuam sendo a alternativa preferida pelas montadoras. Nesse modelo, os veículos são conduzidos diretamente para dentro do navio, o que tende a reduzir custos e diminuir o risco de danos durante o processo logístico.

Eric Dessupoiu, vice-presidente de logística de veículos acabados da Ceva Logistics, afirma que, quando não encontram espaço nos navios especializados, as empresas recorrem ao transporte de carros em contêineres.

De acordo com Kristoffersen, da Wallenius Wilhelmsen, até quatro milhões de veículos deixam a China todos os anos em contêineres ou por outros meios que não os navios tradicionais de transporte de automóveis.

O uso de contêineres para carros não é uma novidade. O que mudou foi a escala da operação. Durante a pandemia de Covid-19, a procura por transporte de veículos superou a oferta de navios, levando o setor a ampliar o uso desse modelo.

Christoph Seitz, vice-presidente global de veículos acabados da DP World, afirmou que algumas montadoras ocidentais inicialmente demonstraram resistência à alternativa. As fabricantes chinesas, porém, teriam adotado a solução rapidamente diante da necessidade de ampliar a capacidade de exportação.

Como funciona o transporte de carros em contêineres

O processo exige etapas adicionais em comparação com os navios especializados.

Primeiro, os automóveis são levados a um pátio próximo ao porto. Depois, são colocados dentro dos contêineres e transportados por guindastes até o navio. No destino, o procedimento precisa ser realizado novamente no sentido inverso.

A demanda cresceu a ponto de grandes empresas do transporte marítimo de contêineres, como Maersk e MSC, passarem a oferecer serviços diretamente às montadoras.

A alternativa, portanto, deixou de ser apenas uma solução emergencial e passou a integrar a estrutura logística utilizada para escoar parte da produção chinesa.

BYD investe na própria frota marítima

Diante da dificuldade de encontrar capacidade suficiente no mercado, a BYD decidiu atuar diretamente no transporte marítimo.

A montadora chinesa colocou em operação seu primeiro navio próprio para transporte de veículos em 2024. Atualmente, segundo as informações apresentadas no texto, a empresa conta com uma frota de oito embarcações.

O movimento mostra como a expansão das exportações chinesas está alterando não apenas o mercado automotivo, mas também a logística internacional necessária para levar esses veículos aos consumidores.

Com a produção chinesa crescendo mais rapidamente do que a capacidade global de transporte especializado, o setor enfrenta um novo desafio: encontrar navios suficientes para acompanhar a transformação da China em uma potência cada vez maior nas exportações automotivas.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

Ler Mais
Exportação

Carne bovina de Mato Grosso amplia destinos e eleva valor das exportações

A carne bovina de Mato Grosso ganhou espaço no mercado internacional no primeiro semestre de 2026, tanto em número de compradores quanto no valor obtido pelas exportações. Ao todo, o estado embarcou o produto para 88 países, movimentando US$ 2,4 bilhões.

O preço médio também avançou. A tonelada de carne bovina foi comercializada por cerca de US$ 6,1 mil, acima dos US$ 5,1 mil registrados no mesmo período de 2025.

Exportações alcançam mais países

Os números mostram uma expansão do mercado externo da pecuária mato-grossense. Nos primeiros seis meses de 2025, a carne produzida no estado tinha como destino 77 países e gerava US$ 1,47 bilhão em receita.

Além do aumento no número de mercados, houve valorização do produto. Em média, cada tonelada exportada passou a render aproximadamente US$ 1 mil a mais do que no ano anterior.

China segue como principal destino

Apesar da diversificação, a China permanece como o maior mercado para a carne bovina de Mato Grosso. No primeiro semestre, foram enviadas 282,4 mil toneladas ao país asiático.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 41 mil toneladas importadas. Na sequência está o Chile, que recebeu 31 mil toneladas.

Entre os dez principais compradores também estão Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos.

Diversificação reduz riscos para a pecuária

Além dos grandes mercados, a carne de Mato Grosso também chegou a países com volumes menores de compras, como Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia.

Para o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), ampliar a quantidade de compradores é uma estratégia importante para reduzir a dependência de mercados específicos.

Segundo o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, uma maior diversificação pode diminuir os impactos de oscilações econômicas e contribuir para dar mais previsibilidade à indústria frigorífica e aos produtores.

A expansão também abre espaço para a busca por mercados de maior valor, especialmente aqueles que remuneram melhor características relacionadas à qualidade da proteína.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

Ler Mais
Exportação

JBS destaca mercado interno e diversificação das vendas de carne bovina

A JBS atribuiu parte do desempenho da operação brasileira no segundo trimestre de 2026 à força do mercado interno e à estratégia de diversificação dos destinos da carne bovina. A companhia afirmou que vem ajustando a distribuição dos volumes entre o consumo doméstico e as exportações para aproveitar as melhores oportunidades comerciais e preservar as margens.

Entre abril e junho, a operação brasileira registrou receita de US$ 4,585 bilhões, avanço de 28% sobre os US$ 3,581 bilhões contabilizados no mesmo período do ano anterior.

O EBITDA ajustado alcançou US$ 269 milhões pelo IFRS, com margem de 5,9%. Segundo a empresa, esse foi o melhor resultado para um segundo trimestre da operação no Brasil.

JBS amplia estratégia comercial no Brasil

A companhia informou que a estratégia comercial tem como foco aumentar o valor obtido com cada animal abatido, combinando diferentes canais de distribuição e mercados consumidores.

Entre as iniciativas destacadas estão o fortalecimento do portfólio voltado ao churrasco e a ampliação das ações comerciais junto a grandes redes varejistas.

Para a JBS, a presença consolidada no mercado brasileiro de carne bovina, associada a marcas conhecidas e relações de longo prazo com clientes, representa uma vantagem competitiva.

Durante a teleconferência de resultados, o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni, afirmou que a empresa passou por uma reorganização operacional e espera colher os efeitos das mudanças implementadas.

“Apesar de operarmos em um ambiente desafiador, reorganizamos nossa estrutura operacional e estamos muito confiantes nos resultados dessas mudanças”, afirmou o executivo.

Exportações também impulsionam resultado

Embora o mercado doméstico tenha sido um dos destaques, a operação brasileira também se beneficiou da demanda internacional por carne bovina.

A JBS avaliou que a oferta mais restrita em diferentes regiões do mundo contribuiu para manter o mercado externo aquecido durante o trimestre.

A estratégia da empresa é aproveitar essa dinâmica sem concentrar excessivamente as vendas em um único destino. Dessa forma, os volumes podem ser direcionados para os mercados que apresentem melhores condições de retorno.

China segue entre os principais mercados

A China continua sendo um destino relevante para a carne bovina brasileira, mas a JBS afirmou que pretende manter uma distribuição equilibrada entre o país asiático, outros compradores internacionais e o consumidor brasileiro.

Segundo a companhia, as mudanças recentes nos fluxos globais de comércio reforçam a necessidade de flexibilidade para escolher os mercados mais atrativos em cada momento.

“A China continua sendo um destino importante. As recentes mudanças nos fluxos comerciais reforçam a importância de manter uma exposição equilibrada entre os mercados de exportação e o mercado doméstico”, afirmou a empresa.

A diversificação, segundo a JBS, permite adaptar a estratégia comercial às mudanças nos preços, na demanda e nas condições de negociação de cada mercado.

Oferta global de carne bovina permanece limitada

Para Gilberto Tomazoni, os fundamentos do mercado global de carne bovina continuam positivos, apesar das diferenças entre as regiões.

O executivo destacou que a oferta permanece restrita em diversos países, enquanto a demanda segue resiliente. A presença internacional da JBS permite direcionar produtos para os mercados que oferecem melhores oportunidades de rentabilidade.

A empresa considera que essa combinação entre oferta limitada e demanda firme cria um ambiente favorável para companhias capazes de redistribuir seus volumes de acordo com as condições de cada mercado.

Maior disponibilidade de gado favorece operação brasileira

Outro fator apontado pela JBS foi a melhora na disponibilidade de gado no Brasil durante o segundo trimestre.

A companhia afirmou que trabalha para elevar o valor capturado por animal por meio da integração entre a produção industrial, a área comercial e os diferentes canais de distribuição.

O desempenho ocorreu mesmo com os preços do gado em níveis elevados. Ainda assim, a operação brasileira alcançou o maior EBITDA já registrado para um segundo trimestre, de US$ 269 milhões pelo IFRS.

Na avaliação da empresa, a combinação entre maior oferta de animais, demanda externa consistente e uma política comercial mais disciplinada ajudou a sustentar os resultados no período.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Exportação

Corredor Bioceânico: Brasil e Chile avançam em nova rota para exportações

Brasil e Chile intensificam as articulações para viabilizar uma das principais iniciativas de integração logística da América do Sul: o Corredor Bioceânico de Capricórnio. O projeto prevê uma ligação rodoviária entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma alternativa para o transporte de cargas brasileiras até os portos do Pacífico.

A nova conexão pode ganhar importância especialmente para a produção do Centro-Oeste brasileiro, que teria uma rota terrestre para alcançar os terminais chilenos de Antofagasta, Mejillones e Iquique e, a partir deles, acessar mercados da Ásia e da Oceania.

Mais do que uma ligação rodoviária internacional, o corredor tem potencial para alterar parte da logística de exportação brasileira e criar novas opções para o escoamento de commodities.

Do Centro-Oeste ao Pacífico

No Brasil, Porto Murtinho (MS) é um dos pontos estratégicos do projeto. O município concentra a conexão com o Paraguai por meio da ponte internacional sobre o Rio Paraguai, que ligará a cidade brasileira a Carmelo Peralta.

Depois da travessia, o trajeto avança pelo território paraguaio, segue pelo norte da Argentina e cruza a Cordilheira dos Andes até chegar ao Chile.

A estrutura poderá oferecer ao agronegócio brasileiro uma alternativa às rotas tradicionais utilizadas para transportar mercadorias até os mercados asiáticos.

Nova alternativa para chegar à Ásia

A redução das distâncias é um dos principais argumentos econômicos a favor do Corredor Bioceânico.

Ao combinar transporte rodoviário continental com embarques nos portos chilenos, determinadas cargas poderão evitar parte do percurso atualmente realizado por rotas marítimas que utilizam o Atlântico.

O ganho efetivo dependerá da origem da carga, do destino, dos custos de transporte e das condições de operação de cada trecho. Ainda assim, projeções relacionadas ao projeto apontam para possíveis reduções relevantes no tempo total de deslocamento.

Entre os produtos com potencial para utilizar a nova rota estão soja, milho, carnes, celulose e minérios.

O fluxo também poderá ocorrer no sentido contrário, permitindo que mercadorias asiáticas cheguem ao Brasil pelo Pacífico e ampliando as alternativas de abastecimento do mercado nacional.

Portos do Chile ganham importância

A consolidação do corredor pode elevar a relevância dos portos do norte do Chile no comércio exterior sul-americano.

Antofagasta, Mejillones e Iquique poderão receber uma parcela maior das cargas produzidas no interior do continente e funcionar como alternativas aos terminais tradicionalmente utilizados pelos exportadores brasileiros.

A proposta, porém, não significa necessariamente uma substituição dos grandes portos do Brasil. O principal efeito seria ampliar as possibilidades de escolha.

Na hora de definir o trajeto, o exportador poderá comparar fatores como frete terrestre, distância, custos portuários, disponibilidade de navios e tempo de transporte.

Essa nova possibilidade também cria uma pressão competitiva sobre os corredores logísticos brasileiros.

Santos terá de disputar novas rotas

O Porto de Santos, principal complexo portuário do Brasil, também poderá sentir os efeitos dessa transformação.

Grande parte da produção do Centro-Oeste atualmente utiliza a infraestrutura nacional para chegar a Santos e Paranaguá antes de seguir para mercados internacionais.

Com uma saída pelo Pacífico, determinadas cargas destinadas à Ásia poderão encontrar nos terminais chilenos uma alternativa potencialmente competitiva.

Santos, por outro lado, continua sendo uma peça fundamental da integração logística brasileira e permanece como uma das principais portas de saída para o comércio exterior do país.

A possível diversificação das rotas reforça a necessidade de investimentos em ferrovias, rodovias, terminais de transbordo e acessos portuários, permitindo que cada corredor seja utilizado de acordo com sua eficiência e custo.

Ponte internacional é peça central do projeto

A ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta representa uma das obras mais importantes para a implantação do corredor.

Em 2026, a construção entrou na etapa final. No entanto, a conclusão da travessia não significa que toda a rota estará pronta para operar em sua capacidade plena.

No lado brasileiro, ainda é necessário concluir cerca de 13 quilômetros de acesso entre a BR-267 e a ponte internacional.

Também permanecem obras e adequações rodoviárias nos demais países envolvidos na conexão.

Por isso, a infraestrutura necessária para transformar o projeto em uma rota comercial competitiva ainda depende de uma série de intervenções.

Fronteiras podem definir o sucesso do corredor

Além das estradas e pontes, a eficiência da nova rota dependerá da integração entre os sistemas de controle dos quatro países.

Procedimentos relacionados a aduana, fiscalização sanitária, documentação, transporte internacional e controle migratório precisam funcionar de maneira coordenada.

Caso contrário, parte da vantagem obtida com a redução das distâncias poderá ser perdida em congestionamentos, esperas e burocracia nas fronteiras.

Brasil, Paraguai, Argentina e Chile trabalham, portanto, na busca por mecanismos que permitam agilizar os procedimentos e reduzir o tempo necessário para a passagem das cargas.

A eficiência dos controles fronteiriços poderá ser tão importante quanto a qualidade das rodovias para determinar a competitividade da nova rota.

Corredor pode mudar a logística sul-americana

O Corredor Bioceânico de Capricórnio tem potencial para formar um eixo transversal de transporte na América do Sul, conectando regiões produtoras, centros de distribuição, rodovias e portos dos oceanos Atlântico e Pacífico.

Para o Brasil, principalmente para o Centro-Oeste, a iniciativa representa a possibilidade de ganhar uma nova saída para o comércio marítimo internacional.

Para o Chile, a oportunidade está em ampliar a importância dos portos do norte como plataformas de conexão entre a produção sul-americana e os mercados asiáticos.

Já para exportadores e operadores logísticos, a consolidação do corredor acrescentará uma nova variável às decisões sobre transporte internacional e comércio exterior.

Se a nova rota conseguir combinar distância competitiva, custos menores, infraestrutura adequada e fronteiras eficientes, cargas brasileiras poderão passar a escolher entre diferentes caminhos para chegar à Ásia.

O corredor, portanto, pode representar mais do que uma nova estrada: é uma alternativa capaz de redesenhar parte da logística de exportação do Brasil e da integração comercial da América do Sul.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

Ler Mais
Exportação

Exportação de carne de frango do Brasil cresce e vendas à Arábia Saudita avançam

As exportações brasileiras de carne de frango ganharam força em julho, com destaque para o aumento das compras da Arábia Saudita. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os sauditas importaram 39,7 mil toneladas do produto brasileiro no mês, volume 26,2% superior ao registrado em julho de 2025.

Com esse resultado, a Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os principais destinos do frango produzido no Brasil.

Emirados Árabes reduzem compras

Na segunda colocação do ranking de compradores, os Emirados Árabes Unidos adquiriram 41,1 mil toneladas de carne de frango brasileira em julho. Apesar do volume, houve queda de 19,9% em relação ao mesmo mês do ano passado.

A China permaneceu como principal mercado para o produto brasileiro. Japão, União Europeia e África do Sul completaram o grupo dos cinco maiores destinos no período.

O desempenho mostra a diversificação da exportação de proteína animal brasileira, com diferentes mercados contribuindo para o resultado do setor.

Exportações de frango avançam em julho

No total, o Brasil embarcou 519,2 mil toneladas de carne de frango em julho. O volume representa crescimento de 29,9% em comparação com as exportações registradas no mesmo mês de 2025.

A receita também apresentou forte expansão. As vendas externas movimentaram US$ 991,2 milhões, alta de 34,3% na comparação anual.

O avanço ocorreu tanto em volume quanto em faturamento, reforçando a participação do Brasil no mercado internacional de carne de frango.

Acumulado do ano supera 3,4 milhões de toneladas

Considerando os primeiros sete meses do ano, as exportações brasileiras de frango chegaram a 3,455 milhões de toneladas.

O resultado representa crescimento de 15,2% sobre o mesmo período do ano anterior. Em receita, os embarques somaram US$ 6,69 bilhões, aumento de 19,3%.

Os números indicam uma expansão consistente das vendas externas da indústria brasileira de proteína animal ao longo do ano.

Base de comparação influencia resultado

O presidente da ABPA, Ricardo Santin, atribuiu parte do desempenho à presença do produto brasileiro em diferentes mercados internacionais. Ele também destacou que a comparação ocorre com julho de 2025, período em que o setor ainda enfrentava os efeitos das restrições provocadas por um caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade.

O episódio, que já foi superado, havia levado alguns países a suspender temporariamente as compras de frango brasileiro.

Com a normalização do comércio e a manutenção da demanda em diferentes destinos, as exportações voltaram a apresentar crescimento expressivo, especialmente em mercados importantes do Oriente Médio e da Ásia.

FONTE: ANBA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Exportação

Argentina e México avançam sobre espaço perdido pela madeira brasileira nos Estados Unidos

A perda de participação da madeira brasileira no mercado dos Estados Unidos começa a alterar a dinâmica do comércio internacional do setor. Parte das cargas que deixaram de ter os EUA como destino está sendo direcionada, ainda que gradualmente, para países como México, Alemanha, Vietnã, Espanha e Colômbia. Ao mesmo tempo, produtores argentinos aproveitam a abertura para conquistar clientes antes atendidos por serrarias brasileiras.

A avaliação é de Marcelo Wiecheteck, diretor de Desenvolvimento Estratégico da consultoria florestal STCP. Conforme levantamento citado pela Forbes Brasil, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram US$ 351 milhões no primeiro semestre, considerando as sete principais categorias de produtos de madeira.

Exportações de madeira serrada perdem espaço

O movimento já aparece nos dados de comércio exterior. As vendas brasileiras de madeira serrada de pinus para os Estados Unidos diminuíram 28% em março, chegando a US$ 8,1 milhões.

No mesmo mês, o México assumiu a liderança entre os compradores, com US$ 11,2 milhões em aquisições, segundo os registros de destino do Comex Stat.

Para Wiecheteck, transferir a produção brasileira para novos mercados não é uma tarefa simples. Mesmo assim, os exportadores começaram a buscar alternativas de maneira gradual, avaliando cada produto e mercado individualmente.

Alemanha, México e Suécia ampliam compras

O movimento de diversificação também aparece no segmento de compensados de madeira. Durante o trimestre, Alemanha, México e Suécia aumentaram suas compras do produto brasileiro.

As importações alemãs passaram de US$ 5 milhões para US$ 7,1 milhões. No México, o valor subiu de US$ 3,5 milhões para US$ 5,3 milhões. Já as compras da Suécia avançaram de US$ 800 mil para US$ 2,5 milhões.

O Vietnã também ganhou relevância entre os destinos da madeira serrada de pinus brasileira, reforçando a tentativa do setor de encontrar novos compradores fora do mercado americano.

Dados da Datamar, baseados em reservas de contêineres, apontam tendência semelhante. Entre janeiro e abril, os embarques de madeira brasileira cresceram 113% para a Espanha, 100,4% para a Colômbia e 34,4% para o México. No sentido contrário, os envios para os Estados Unidos caíram 31,2%, segundo informações da plataforma DataLiner.

Argentina disputa clientes brasileiros nos EUA

A Argentina ocupa uma posição diferente nesse processo. O país não aparece apenas como possível destino para a produção brasileira, mas também como concorrente da indústria madeireira brasileira no mercado americano.

A federação argentina do setor registrou crescimento de 34,58% nas exportações de madeira serrada de pinus no primeiro semestre, enquanto o consumo doméstico permanece praticamente estagnado.

Gustavo Cetrángolo, consultor responsável pelo relatório mensal da indústria da FAIMA, afirmou à Argentina Forestal que as exportações funcionam atualmente como uma alternativa para reduzir os efeitos da fraqueza da demanda interna.

As vendas argentinas de molduras de madeira para os Estados Unidos cresceram 16,65%, impulsionadas principalmente pela categoria Appearance Pine Board. No caso do compensado, as exportações aumentaram 93,59% em comparação com o segundo semestre de 2025.

Nova serraria amplia capacidade argentina

O avanço argentino também conta com novos investimentos. A austríaca HS Timber Group e a belga Forestcape estão construindo uma unidade em Virasoro, na província de Corrientes.

A joint venture prevê capacidade de produção de 370 mil metros cúbicos anuais de madeira serrada seca, posicionando o empreendimento para atender à demanda dos mercados externos.

Apesar das oportunidades, empresários argentinos apontam limitações na capacidade de resposta da própria indústria. Enrique Bongers, presidente da associação madeireira AMAYADAP, de Misiones, disse ao jornal Primera Edición que existe demanda internacional, mas as empresas ainda enfrentam dificuldades para atender integralmente os pedidos.

Diferença de tarifas aumenta pressão sobre o Brasil

A política tarifária dos Estados Unidos é outro fator que pesa na competitividade brasileira. Conforme a tabela americana, as molduras provenientes da Argentina estão sujeitas a uma tarifa de 10%. Para produtos brasileiros, porém, as cobranças acumuladas chegam a 37,5%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Representantes da indústria afirmam que o problema não se resume ao percentual das tarifas. A instabilidade provocada pelas mudanças comerciais também dificulta a manutenção de contratos e o planejamento das empresas.

Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, afirmou à Forbes Brasil que o Brasil vem perdendo espaço para concorrentes como Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e México. Segundo ele, os efeitos já aparecem em fábricas com contratos suspensos, resultados negativos e adoção de férias coletivas.

Guilherme Ranssolin, CEO da Randa, fabricante de portas, compensados e molduras, também apontou a insegurança como um dos principais obstáculos à permanência dos produtos brasileiros no mercado americano.

Exportações aos EUA recuam em julho

A pressão aumentou após a divulgação dos números de comércio exterior referentes a julho. As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 5% em valor e 11,9% em volume na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

O efeito da nova tarifa, entretanto, ainda não pode ser isolado nos resultados de julho. Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, explicou que a cobrança só passou a produzir efeito pleno em 29 de julho, depois que cargas que já estavam em trânsito marítimo foram liberadas.

Antes mesmo da entrada em vigor da nova medida, porém, os compradores americanos já haviam reduzido em aproximadamente um terço os pedidos de madeira brasileira.

Desde o primeiro trimestre, exportadores passaram a redirecionar mercadorias ainda nos portos. O movimento ganhou força quando o México ultrapassou os Estados Unidos como principal destino da madeira brasileira movimentada pelo Terminal de Contêineres de Paranaguá.

México é comprador e concorrente

O México passou a exercer um papel duplo na cadeia internacional da madeira brasileira. De um lado, o país aumentou as compras do Brasil e chegou à liderança entre os destinos da madeira serrada de pinus em março.

De outro, também aparece entre os países que vêm conquistando espaço no mercado americano antes ocupado por fornecedores brasileiros.

Essa posição evidencia a disputa cada vez mais intensa por mercado internacional de madeira, em um cenário no qual os exportadores brasileiros precisam diversificar destinos enquanto enfrentam concorrentes mais competitivos em determinados produtos.

Molduras de pinus são o ponto mais vulnerável

Entre as categorias analisadas, as molduras de pinus apresentam uma das situações mais delicadas. Dados da STCP indicam que 98% da produção brasileira desse segmento foi estruturada para atender um único mercado: os Estados Unidos.

A elevada concentração torna o produto especialmente exposto às mudanças comerciais e tarifárias. Enquanto outros itens começam a encontrar compradores em diferentes países, as molduras possuem menos alternativas fora do mercado americano justamente por terem sido desenvolvidas para atender às exigências específicas daquele destino.

O cenário coloca a indústria brasileira de madeira diante do desafio de encontrar novos mercados sem perder competitividade, ao mesmo tempo em que Argentina e outros países ampliam sua presença entre os compradores dos Estados Unidos.

FONTE: Wood Central
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Exportação

Manaus debate novas oportunidades para exportações brasileiras na União Europeia

Manaus recebe, nesta sexta-feira (14), o Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, encontro que reunirá representantes do governo, empresários e especialistas em comércio exterior para discutir alternativas de expansão das exportações brasileiras.

O evento ocorre em um cenário de busca por diversificação de mercados por parte das empresas nacionais, especialmente diante dos novos desafios enfrentados nas relações comerciais com os Estados Unidos. A programação terá como foco as oportunidades criadas pelo Acordo Mercosul-União Europeia e os caminhos para transformar essas possibilidades em negócios.

Evento reúne autoridades e representantes do setor produtivo

A iniciativa é promovida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pela ApexBrasil e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Entre os participantes estão o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; e o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. Também participam especialistas em comércio exterior, representantes institucionais, compradores internacionais e empresas brasileiras.

Amazonas tem 242 oportunidades de exportação

O mercado europeu aparece como uma alternativa estratégica para ampliar a presença internacional das empresas do Amazonas. Segundo levantamento da ApexBrasil, elaborado com base em dados do MDIC, foram identificadas 242 oportunidades de exportação do estado para países da União Europeia.

Em 2025, empresas amazonenses movimentaram US$ 199 milhões em exportações para o bloco europeu. No mesmo período, 112 empresas do estado mantiveram relações comerciais com o mercado da União Europeia.

Os dados reforçam o potencial de internacionalização das empresas amazonenses e a possibilidade de ampliar a participação regional no comércio internacional.

Negócios internacionais estão entre os destaques

A programação do Conexões Produtivas também prevê anúncios de negócios já encaminhados. Após a abertura do evento, serão anunciados e assinados contratos de compra resultantes das negociações realizadas durante o Exporta Mais Brasil, com participação de Lou Zijun, general manager da chinesa EcoFoods.

Outro momento será o painel “A demanda do mercado europeu: inovações e tendências no setor industrial e agrícola”. A discussão contará com Vincent Furlan, especialista do escritório da ApexBrasil em Bruxelas, e Lourdes Vignolo, representante da empresa holandesa NH Superfoods.

A proposta é apresentar a visão de compradores e especialistas sobre as demandas do mercado europeu, além de tendências e oportunidades para produtos brasileiros.

MDIC apresenta estratégias para transformar oportunidades em negócios

A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, participará do encontro com a palestra “Do Acordo ao Mercado: Como Transformar Oportunidades em Negócios”.

Na sequência, Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, apresentará oportunidades e serviços voltados à indústria dentro das ações da Nova Indústria Brasil.

A programação também abordará o potencial da Amazônia Legal na geração de negócios a partir do Acordo Mercosul-União Europeia. O debate deverá reunir informações de inteligência de mercado e experiências de empresas brasileiras que já avançaram em seus processos de internacionalização.

Diversificação de mercados ganha espaço na agenda empresarial

O Conexões Produtivas acontece em um momento de maior atenção à abertura de novos mercados e à redução da dependência de destinos específicos.

A proposta do encontro é aproximar empresas brasileiras de oportunidades comerciais em diferentes países e apresentar ferramentas disponíveis para negócios que desejam ampliar sua atuação internacional.

Jornalistas interessados em acompanhar o evento podem realizar o credenciamento prévio.

FONTE: ApexBrasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: ApexBrasil

Ler Mais
Exportação

Exportações brasileiras para a União Europeia crescem 4% após acordo Mercosul-UE

As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram quase 4% nos dois primeiros meses de vigência provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O dado foi destacado nesta segunda-feira, 10, pelo vice-presidente da República.

Apesar do avanço nas vendas externas, Alckmin também chamou atenção para obstáculos enfrentados pelo Brasil no comércio internacional. Segundo ele, alguns países adotam uma espécie de protecionismo comercial baseado em exigências sanitárias.

A declaração ocorre em meio a dificuldades nas exportações brasileiras de carne bovina e de frango para o mercado europeu.

Exportação de carnes enfrenta restrições na Europa

A União Europeia suspendeu, a partir de 3 de setembro, a autorização para a importação de determinados produtos de origem animal do Brasil. Entre eles estão carnes bovinas e de frango.

Segundo a justificativa apresentada pelo bloco europeu, o Brasil não teria comprovado adequadamente a adoção de novas exigências relacionadas ao controle de antimicrobianos na pecuária.

Durante a abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Alckmin defendeu o fortalecimento da fiscalização sanitária brasileira.

O vice-presidente destacou investimentos e mudanças na estrutura de vigilância sanitária, afirmando que quase mil profissionais foram revitalizados após 18 anos para reforçar os mecanismos de controle.

Brasil destaca avanços no controle sanitário

Alckmin também citou avanços na situação sanitária do país. Entre os exemplos apresentados está o reconhecimento do Brasil como exportador de carne bovina sem a necessidade de vacinação contra a febre aftosa.

Na área de saúde animal, ele mencionou ainda a influenza aviária, afirmando que o país conseguiu controlar um caso em 28 dias.

Apesar dos avanços, o vice-presidente defendeu a necessidade de ampliar os esforços para garantir o acesso dos produtos brasileiros aos mercados internacionais.

Para Alckmin, exigências sanitárias podem acabar funcionando como uma forma indireta de protecionismo comercial, dificultando a entrada de produtos estrangeiros.

Acordo Mercosul-UE impulsiona vendas brasileiras

Mesmo diante das restrições envolvendo alguns produtos, Alckmin ressaltou o desempenho das exportações brasileiras para o mercado europeu desde o início da vigência provisória do acordo comercial Mercosul-UE.

Segundo o vice-presidente, as vendas do Brasil para a União Europeia avançaram quase 4% nos dois meses seguintes à entrada em vigor do acordo.

Ele avaliou que a abertura de novos mercados e a ampliação das relações comerciais ajudam o Brasil a manter o desempenho positivo das exportações, inclusive diante das dificuldades enfrentadas nas relações comerciais com os Estados Unidos.

Governo promete manter negociação com os Estados Unidos

Alckmin também afirmou que o Brasil pretende continuar negociando com os Estados Unidos para tentar reverter medidas que vêm prejudicando as exportações brasileiras.

Segundo ele, o governo manterá os esforços diplomáticos e comerciais e não pretende abandonar a mesa de negociação.

O vice-presidente classificou como injusta a situação atual e afirmou que o objetivo é corrigir o que considera uma distorção e recuperar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano.

De acordo com Alckmin, as medidas adotadas pelos Estados Unidos atingem aproximadamente 15% das exportações brasileiras, com impacto especialmente forte sobre a indústria.

Comércio exterior busca novos mercados

O cenário reforça a importância da diversificação dos destinos das exportações do Brasil. Enquanto o governo tenta solucionar os obstáculos comerciais com os Estados Unidos, o desempenho das vendas para a União Europeia aparece como um dos indicadores positivos para o comércio exterior.

A expectativa é que a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia amplie as oportunidades para produtos brasileiros e fortaleça a presença do país no mercado europeu.

Ao mesmo tempo, questões sanitárias e barreiras comerciais continuam entre os principais desafios para o agronegócio e para a indústria brasileira no cenário internacional.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Inesc

Ler Mais
Exportação

Exportações brasileiras de algodão avançam 21,8% em julho de 2026

As exportações brasileiras de algodão atingiram 155 mil toneladas em julho de 2026, volume 21,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A receita obtida com os embarques também cresceu. As vendas externas movimentaram US$ 262,4 milhões, alta de 27,2% na comparação anual. Já o preço médio do algodão exportado ficou em US$ 1,70 por quilo FOB, aumento de 4,5% em relação a julho do ano passado.

Novo ciclo começa com resultado positivo

Para Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), os números indicam um começo favorável para o novo ciclo, mesmo diante da menor disponibilidade de produto no início da temporada.

Segundo ele, o desempenho de julho ocorre após um ano-safra encerrado com recorde nas exportações de algodão. Como os estoques remanescentes são menores e a oferta ainda está limitada no início da nova temporada, o primeiro mês do ciclo tende a apresentar embarques mais moderados.

Ainda assim, julho de 2026 registrou o segundo maior volume da série histórica para o mês, de acordo com a avaliação da entidade.

Embarques devem ganhar força a partir de setembro

A expectativa do setor é de crescimento das exportações de algodão nos próximos meses, à medida que a colheita e o beneficiamento da safra 2025/26 avancem.

O início da colheita ocorreu com atraso, mas o ritmo das operações passou a se aproximar das médias habituais. Com isso, a oferta de algodão disponível para o mercado externo tende a aumentar.

A Anea projeta que os embarques devem apresentar volumes mais elevados a partir de setembro, acompanhando a maior disponibilidade da nova safra.

Bangladesh foi o principal destino

Entre os mercados compradores, Bangladesh liderou as importações de algodão brasileiro em julho, com 19,3% do total embarcado.

Na sequência ficaram:

  • Vietnã: 17,7%;
  • Turquia: 17,3%;
  • Paquistão: 14,5%;
  • Índia: 9,6%;
  • Indonésia: 8,8%;
  • Malásia: 3,4%;
  • China: 3,3%.

Egito, Coreia do Sul, Colômbia e Tailândia também figuraram entre os principais destinos da fibra brasileira.

Índia abre janela de isenção tarifária

A participação da Índia nas compras ocorre em meio à abertura temporária de uma janela de isenção tarifária para importações de algodão.

Apesar da medida, a Anea considera que os efeitos sobre o algodão brasileiro devem ser restritos no curto prazo. Entre os fatores apontados estão o tempo necessário para o transporte até o mercado indiano e a menor oferta da fibra no começo da temporada.

Algodão ocupa quarta posição no agronegócio

Em julho, o algodão representou 0,77% de todas as exportações brasileiras e ficou na 22ª posição entre os produtos vendidos pelo país ao mercado internacional.

Quando são consideradas apenas as exportações do setor agropecuário, a participação da fibra sobe para 3,35%, garantindo ao produto a quarta colocação entre os itens mais exportados pelo segmento.

Logística se prepara para aumento dos embarques

Com a previsão de uma oferta maior da nova safra, o setor também começa a se preparar para uma possível pressão adicional sobre a infraestrutura logística brasileira.

De acordo com a Anea, já foram realizadas articulações envolvendo agentes do Porto de Salvador, exportadores e representantes dos setores público e privado. O objetivo é acompanhar o crescimento esperado dos embarques e antecipar eventuais necessidades da cadeia logística.

A entidade avalia que o bom volume projetado para a safra e as perspectivas favoráveis para as exportações de algodão brasileiro exigem planejamento de todos os segmentos envolvidos no escoamento da produção.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook