Agronegócio

Guerra no Irã pressiona preços de fertilizantes e aumenta desafios para o agronegócio brasileiro

A ausência de uma perspectiva concreta para o fim da guerra entre Estados Unidos e Irã continua gerando impactos sobre a economia global — e o agronegócio brasileiro está entre os setores mais afetados. A instabilidade provocada pelo conflito ampliou as dificuldades de abastecimento e impulsionou os preços dos fertilizantes, insumos essenciais para a produção agrícola.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), os valores dos fertilizantes acumulam alta próxima de 80% desde o início da guerra, refletindo as restrições de oferta e os obstáculos logísticos no comércio internacional.

O cenário preocupa o Brasil devido à forte dependência das importações. O país utiliza grandes volumes desses produtos para garantir a produtividade de culturas como soja, milho, trigo, café e outras cadeias agrícolas.

Dependência externa aumenta vulnerabilidade brasileira

A exposição do Brasil ao mercado internacional de fertilizantes está relacionada à baixa produção nacional desses insumos. De acordo com o diplomata Eduardo Gradilone, ex-embaixador brasileiro no Irã, cerca de 85% dos fertilizantes consumidos internamente são importados.

O especialista destaca que o Irã tem papel relevante nesse fornecimento. Em 2025, o Brasil adquiriu aproximadamente US$ 72 milhões em fertilizantes iranianos, que representaram mais de 90% da pauta de importações brasileiras daquele país.

“A dependência estrutural de fertilizantes deixa o Brasil mais vulnerável a crises externas. Com a guerra, os preços subiram, a logística ficou mais complexa e o país passou a buscar fornecedores e rotas alternativas, principalmente para a ureia”, explicou Gradilone.

Custos de transporte marítimo também pressionam preços

Além da alta internacional dos produtos, o conflito elevou os gastos relacionados ao transporte marítimo de fertilizantes.

A instabilidade em áreas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, aumentou os custos de seguro das embarcações, ampliou riscos de atrasos e levou empresas a buscar caminhos alternativos para evitar regiões de maior tensão.

Esses fatores acabam incorporados ao preço final dos insumos que chegam ao produtor brasileiro.

Mercado de ureia sente impacto da crise

A pesquisadora Jéssica Grassi, doutora em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), afirma que a dependência brasileira torna o setor agrícola especialmente sensível a conflitos internacionais.

Segundo ela, a ureia, um dos fertilizantes mais utilizados no campo, registrou momentos de forte valorização desde o início da guerra. O Oriente Médio responde por uma parcela significativa das exportações globais do produto, o que aumenta a exposição do mercado às tensões na região.

A especialista também aponta que a situação é agravada pela participação da Rússia no comércio mundial de fertilizantes. O país, um dos principais fornecedores globais, continua envolvido no conflito com a Ucrânia iniciado em 2022, mantendo restrições e incertezas sobre a oferta internacional.

“O aumento dos preços dos fertilizantes eleva os custos agrícolas no Brasil e pode reduzir a competitividade das exportações. Além disso, crises geopolíticas prolongadas trazem o risco de desabastecimento global”, avaliou Grassi.

Brasil busca diversificar fornecedores de fertilizantes

Diante do cenário de instabilidade, especialistas defendem a aceleração das ações previstas no Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) 2022-2050.

Entre as estratégias estão o fortalecimento da produção nacional e a ampliação da lista de fornecedores internacionais, com maior participação de países considerados mais estáveis, como Canadá, Marrocos e Argélia.

Apesar da alternativa, a mudança enfrenta desafios relacionados à logística, custos de transporte e capacidade de fornecimento desses mercados.

Mosaic reduz produção por falta de enxofre

Os efeitos da crise já atingem empresas instaladas no Brasil. A Mosaic, uma das maiores produtoras globais de fertilizantes, anunciou redução da produção em algumas unidades brasileiras devido à menor disponibilidade de enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados.

O insumo é fundamental para culturas como soja, milho, trigo, café, arroz, frutas e hortaliças.

Segundo a companhia, são necessárias aproximadamente quatro toneladas de enxofre para a fabricação de dez toneladas de fertilizantes. Com a menor oferta internacional e a valorização da matéria-prima, a empresa revisou seu planejamento operacional para o segundo semestre de 2026.

Conflito permanece sem previsão de encerramento

Mais de seis meses após o início da ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã, o conflito segue sem uma solução diplomática definida.

A crise ganhou novos capítulos com o aumento das ações de grupos aliados de Teerã no Mar Vermelho, ampliando os riscos sobre uma das principais rotas do comércio internacional.

Enquanto isso, autoridades iranianas buscam apoio regional para retomar negociações, enquanto o governo norte-americano sinaliza abertura para uma saída diplomática. O Irã, porém, nega que existam conversas em andamento com Washington.

Sem um acordo à vista, a guerra continua afetando cadeias globais de abastecimento e mantém a pressão sobre os preços dos fertilizantes, criando novos desafios para produtores brasileiros e para a competitividade do agronegócio nacional.

FONTE: Brazil Economy
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Economy

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Agronegócio

Mercado de frango no Brasil enfrenta excesso de oferta e pressiona margens das produtoras

O mercado de frango no Brasil deve enfrentar um cenário de maior pressão sobre a rentabilidade das empresas do setor durante o segundo semestre de 2026. A avaliação é do JPMorgan, que aponta que o excesso de oferta da proteína, aliado ao consumo interno enfraquecido, tende a reduzir as margens de gigantes como JBS e BRF.

A análise foi divulgada nesta quarta-feira (5) após o banco realizar conversas com mais de dez pequenos e médios produtores e exportadores de aves. De acordo com os entrevistados, a expectativa é de queda na lucratividade nos próximos meses, refletindo o desequilíbrio entre oferta e demanda, além da desvalorização das carnes bovina e suína.

Produção segue acima da demanda

Segundo o relatório, o Brasil continua produzindo carne de frango em volume superior ao necessário para atender ao mercado. Neste ano, o alojamento de pintinhos cresceu 2,3% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o abate de frangos avançou 2,5%.

Apesar desse cenário, alguns produtores já começaram a enviar aves com menor peso para o mercado, movimento que pode indicar os primeiros sinais de ajuste na oferta.

Ainda assim, o JPMorgan destaca que os produtores não demonstram intenção de reduzir o alojamento de pintinhos. O motivo é a boa condição financeira de grande parte das empresas, sustentada pelos resultados positivos obtidos ao longo do ano passado.

Demanda doméstica continua enfraquecida

Outro fator que pesa sobre o setor é a fragilidade do consumo interno. O banco observa que os consumidores seguem enfrentando limitações financeiras, reduzindo o ritmo das compras.

Além disso, a queda nos preços das carnes bovina e suína aumenta a concorrência entre as proteínas e reduz parte da demanda por frango no mercado brasileiro.

Exportações ainda sustentam parte da rentabilidade

No mercado externo, as exportações de frango continuam apresentando desempenho favorável. A demanda permanece aquecida em regiões como Oriente Médio, México e outros países da América Latina, além da manutenção das compras chinesas de pés de frango.

Entretanto, o JPMorgan alerta que as margens internacionais tendem a perder força nos próximos meses. Entre os fatores apontados estão a valorização da moeda, o aumento dos custos de frete, as tensões geopolíticas, a redução dos embarques de carne de coxa desossada para o Japão e as incertezas sobre uma possível restrição europeia às importações após setembro.

Recuperação pode começar no fim do ano

Na avaliação de parte dos produtores consultados, a lucratividade do setor pode atingir seu ponto mais baixo durante o terceiro trimestre de 2026. Caso a oferta comece a se equilibrar com a demanda, a expectativa é de recuperação gradual das margens até o encerramento do ano.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Rodolfo Buhrer

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Agronegócio

Soja registra queda no Porto de Paranaguá com aumento da oferta no mercado

As cotações da soja começaram agosto em baixa, mantendo a tendência observada no fim de julho. Na segunda-feira (3), o indicador Cepea/Esalq para o Porto de Paranaguá (PR) recuou 0,60%, encerrando o dia cotado a R$ 144,04 por saca. Foi o quarto pregão consecutivo de desvalorização.

Maior oferta pressiona preços da soja

De acordo com o Cepea, a redução das cotas disponíveis para embarques nos principais portos brasileiros durante o mês de agosto aumentou a oferta de grãos no mercado spot, fator que contribuiu para pressionar os preços da soja.

Outro elemento que limitou as negociações foi a postura dos compradores. Segundo o centro de pesquisas, muitos consumidores anteciparam aquisições nas semanas anteriores e reduziram a demanda por grandes volumes neste início de mês.

Cenário internacional também influencia o mercado

Além dos fatores internos, o mercado acompanha a melhora das perspectivas para a safra dos Estados Unidos. As condições climáticas mais favoráveis nas regiões produtoras elevaram as expectativas de produção, influenciando negativamente as cotações internacionais da oleaginosa.

A queda nos preços do petróleo também contribuiu para o movimento de baixa, refletindo sobre o mercado de commodities agrícolas.

Preços variam entre as principais regiões produtoras

Nas praças monitoradas pela AgRural, o comportamento das cotações foi heterogêneo.

Em Ponta Grossa (PR), o preço permaneceu estável em R$ 138 por saca. Já em Primavera do Leste (MT), houve valorização de R$ 1, com a saca negociada a R$ 125. Por outro lado, em Luís Eduardo Magalhães (BA), a cotação caiu R$ 0,50, encerrando o dia em R$ 127 por saca.

Bolsa de Chicago fecha em alta

Na Bolsa de Chicago (CBOT), referência mundial para o mercado da soja, o movimento foi diferente. Os contratos com vencimento em novembro avançaram 0,40%, fechando cotados a US$ 11,9225 por bushel.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Globo Rural

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Agronegócio

China muda estratégia para o agro e pode impactar o futuro do agronegócio brasileiro

A China iniciou uma nova fase de desenvolvimento para o setor agropecuário, adotando uma estratégia semelhante à que impulsionou sua expansão industrial nas últimas décadas. O foco agora está em pesquisa, tecnologia, biotecnologia e investimentos direcionados para fortalecer a produção agrícola e reduzir a dependência externa.

A avaliação é da especialista em China Larissa Wachholz, referência brasileira em relações sino-brasileiras, investimentos, infraestrutura, agronegócio e políticas públicas. Ela participou de um encontro com produtores rurais, empresários e representantes do setor de sementes que integram uma missão técnica ao país asiático. A agenda coincide com a implementação do 15º Plano Quinquenal, que transforma a agricultura e a inovação genética em prioridades estratégicas do governo chinês.

Segurança alimentar ganha papel estratégico em Pequim

Segundo Larissa, a segurança alimentar deixou de ser apenas uma política agrícola e passou a integrar diretamente a estratégia nacional de estabilidade econômica e social da China.

A preocupação se intensificou diante da necessidade de garantir o abastecimento de uma população de aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes. Para o governo chinês, eventuais falhas no fornecimento de alimentos podem provocar impactos sociais e econômicos relevantes.

Esse cenário foi reforçado por uma sequência de crises. Entre 2017 e 2018, a peste suína africana reduziu drasticamente o rebanho de suínos do país. Em seguida vieram a pandemia de Covid-19 e o aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos, evidenciando fragilidades na cadeia de suprimentos e acelerando os investimentos para ampliar a produção interna.

Envelhecimento da população pressiona produtividade

Outro fator que influencia a nova política agrícola é a mudança demográfica. O rápido envelhecimento da população chinesa, consequência da antiga política do filho único, aumenta a necessidade de ganhos de produtividade no campo.

Com menos pessoas em idade ativa nas próximas décadas, o governo aposta em automação, inovação e tecnologias capazes de elevar a eficiência da produção agrícola.

Além disso, Pequim busca diminuir sua dependência tecnológica em setores considerados estratégicos, incluindo o agronegócio.

Sementes e biotecnologia tornam-se prioridade nacional

Entre as principais mudanças está o fortalecimento da indústria de sementes. O governo atualizou a legislação, ampliou os investimentos em pesquisa, flexibilizou normas para organismos geneticamente modificados (OGMs) e direcionou recursos para empresas e centros de desenvolvimento.

Na visão da especialista, as sementes passaram a ocupar um papel semelhante ao dos chips na indústria tecnológica, tornando-se um dos ativos mais estratégicos para garantir produtividade e autonomia agrícola.

Planejamento de longo prazo acelera mudanças

O modelo chinês segue baseado em planejamento estatal de longo prazo. A cada cinco anos, o governo define metas econômicas, científicas e tecnológicas que orientam investimentos públicos, financiamento e políticas industriais.

Esse mecanismo ajuda a explicar a rapidez com que o país reorganiza setores considerados estratégicos.

A recuperação da suinocultura após a peste suína africana é apontada como exemplo. Mesmo diante do ceticismo internacional, a China reorganizou sua cadeia produtiva, investiu em digitalização, tecnologia e conseguiu acelerar a recomposição do rebanho dentro das metas estabelecidas.

China continuará importando alimentos, mas quer reduzir dependências

Apesar do fortalecimento da produção doméstica, a estratégia chinesa não significa o fim das importações de alimentos.

Segundo Larissa, o objetivo do governo é reduzir o crescimento da dependência externa, especialmente em produtos considerados estratégicos, e não interromper as compras internacionais.

A urbanização acelerada transformou os hábitos alimentares da população. Atualmente, cerca de 65% dos chineses vivem nas cidades, o que elevou significativamente o consumo de carnes, frutas e alimentos de maior valor agregado.

Esse movimento impulsionou o crescimento do agronegócio brasileiro, principalmente por meio das exportações de soja, utilizada na produção de ração animal.

Soja continua estratégica, mas demanda pode crescer em ritmo menor

Mesmo permanecendo como o maior comprador mundial de soja, a China intensifica investimentos em genética, melhoramento de sementes e aumento da produtividade para reduzir a necessidade de ampliar continuamente as importações.

Essa estratégia ajuda a explicar a projeção do Ministério da Agricultura da China, que estima importações de 95,5 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, volume inferior ao registrado no ciclo anterior em razão da redução do plantel de matrizes suínas.

Para especialistas, o desafio para o Brasil não está na manutenção das exportações atuais, mas em compreender que a expansão da demanda chinesa tende a ocorrer em ritmo mais moderado.

Mudanças também criam oportunidades para o Brasil

As transformações na política agrícola chinesa podem abrir novas oportunidades para empresas brasileiras.

A transição energética conduzida pelo país asiático deve ampliar a demanda por matérias-primas destinadas à produção de combustíveis sustentáveis para aviação e navegação, além de favorecer mercados ligados ao etanol de milho, produtos de base biológica e novas soluções tecnológicas para o campo.

Nesse cenário, especialistas avaliam que o Brasil poderá fortalecer sua parceria com a China não apenas como fornecedor de commodities, mas também por meio da cooperação em inovação, tecnologia e competitividade no setor agropecuário.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Agronegócio

Máquinas agrícolas chinesas avançam no Brasil e aumentam pressão sobre a indústria nacional

A presença de fabricantes de máquinas agrícolas chinesas no mercado brasileiro vem crescendo rapidamente e intensifica a concorrência com empresas tradicionais do setor. Além de ampliar as importações, companhias da China passaram a investir em produção local, estrutura financeira e expansão da rede de distribuição no país.

Um levantamento da Cogo Inteligência em Agronegócio aponta que essa estratégia tem fortalecido a participação das marcas chinesas, que oferecem tratores e colheitadeiras com preços entre 30% e 40% inferiores aos praticados pelos fabricantes já consolidados no Brasil.

China lidera importações de tratores

Dados da consultoria mostram que, entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou US$ 200,4 milhões em tratores, totalizando 14.985 unidades. Desse volume, 67% tiveram origem na China.

Segundo o estudo, a competitividade das fabricantes chinesas é resultado de fatores como elevada escala de produção, menor custo de matérias-primas, especialmente do aço, e despesas reduzidas com mão de obra. Com isso, o custo de fabricação pode ser até 27% menor em comparação com empresas instaladas no Brasil.

Fabricantes ampliam investimentos no mercado brasileiro

Para o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo, o avanço das empresas chinesas já não se limita à importação de equipamentos.

De acordo com o especialista, o movimento inclui a instalação de fábricas, criação de operações financeiras próprias e fortalecimento dos canais de venda, caracterizando uma estratégia industrial de longo prazo.

Entre os investimentos anunciados está o projeto da fabricante YTO, que pretende instalar uma unidade em Caruaru (PE). O aporte previsto varia entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões, com capacidade estimada de produção entre 100 e 120 tratores por mês a partir do final de 2026.

Outro empreendimento identificado pela consultoria prevê investimento de R$ 200 milhões para fabricar até 5 mil tratores por ano.

Crédito próprio fortalece estratégia comercial

Além da produção, empresas chinesas também ampliam sua atuação na oferta de financiamento para aquisição de equipamentos.

A XCMG já opera no Brasil com banco próprio, cuja carteira de crédito soma R$ 697 milhões e pode ser utilizada para financiar máquinas agrícolas.

Já a Zoomlion estabeleceu como objetivo conquistar 10% do mercado brasileiro, combinando a venda de equipamentos com soluções de crédito para produtores rurais.

Concorrência se estende a outros segmentos

O estudo indica que a expansão das fabricantes chinesas também alcança mercados como o de colheitadeiras de grãos e colhedoras de algodão, especialmente em Mato Grosso, utilizando a mesma estrutura comercial desenvolvida para os tratores.

Segundo a consultoria, o modelo adotado pelas empresas segue uma estratégia já observada em outros setores econômicos: inicialmente ampliam as importações, depois investem em produção local e, por fim, buscam integrar-se às linhas de financiamento disponíveis no país.

Indústria brasileira terá de investir em competitividade

Na avaliação da Cogo Inteligência em Agronegócio, a resposta da indústria nacional não deve se restringir a medidas de proteção comercial.

Para enfrentar a concorrência internacional, fabricantes brasileiros precisarão ampliar investimentos em tecnologia, inovação, qualidade dos equipamentos, assistência técnica, pós-venda e alternativas de financiamento ao produtor rural.

Esses fatores tendem a ser decisivos para preservar a competitividade da indústria brasileira diante do avanço das empresas chinesas no mercado de máquinas agrícolas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: IA

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Agronegócio

Produção de proteínas animais deve crescer em 2026, projeta ABPA

A produção de proteínas animais no Brasil deve registrar novo avanço em 2026, impulsionada pelo crescimento dos setores de carne de frango, carne suína e ovos. As estimativas divulgadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que, além da expansão da produção, o país também deverá ampliar a oferta ao mercado interno, elevar o consumo per capita e manter o ritmo positivo das exportações.

As projeções foram apresentadas durante coletiva de imprensa realizada pela entidade em São Paulo.

Produção e consumo seguem em alta

Segundo a ABPA, a produção de carne de frango poderá crescer até 5,6% em relação ao ano anterior. Já a carne suína tem previsão de alta de até 5%, enquanto a produção de ovos deve avançar 4,1%.

No mercado externo, a expectativa também é positiva. As exportações de carne de frango podem aumentar até 10,3%, enquanto os embarques de carne suína devem crescer até 5,9%.

De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o cenário indica expansão simultânea da produção, das exportações e do abastecimento interno.

“As projeções indicam crescimento da produção e do consumo per capita das três proteínas. Também teremos maior disponibilidade interna de carne de frango e carne suína, simultaneamente ao avanço das exportações dos dois setores”, afirmou.

Carne de frango pode superar 16 milhões de toneladas

A produção de carne de frango deve variar entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026. Caso o limite superior seja alcançado, o crescimento será de até 5,6% sobre as 15,289 milhões de toneladas produzidas em 2025.

As exportações podem atingir 5,875 milhões de toneladas, um avanço de até 10,3% em comparação com o ano anterior.

No mercado doméstico, a disponibilidade da proteína deverá chegar a aproximadamente 10,275 milhões de toneladas, alta de até 3,1%. O consumo per capita também tende a crescer, passando de 46,7 quilos para até 48,1 quilos por habitante.

Para 2027, a entidade projeta continuidade da expansão. A produção poderá alcançar 16,6 milhões de toneladas, enquanto as exportações podem chegar a 6,05 milhões de toneladas. O consumo interno deve atingir cerca de 49,4 quilos por pessoa.

Carne suína mantém trajetória de expansão

A produção de carne suína deverá alcançar até 5,87 milhões de toneladas em 2026, representando aumento de até 5% frente ao volume registrado no ano passado.

As exportações podem chegar a 1,6 milhão de toneladas, crescimento estimado em até 5,9%.

No mercado interno, a oferta da proteína deverá atingir aproximadamente 4,27 milhões de toneladas, enquanto o consumo por habitante pode subir de 19,1 para 20 quilos ao ano.

Para 2027, a expectativa é de produção de até 6,05 milhões de toneladas e embarques internacionais próximos de 1,7 milhão de toneladas. O consumo per capita poderá alcançar 20,4 quilos.

Produção de ovos cresce, mas exportações recuam

A produção de ovos no Brasil deverá atingir 64,8 bilhões de unidades em 2026, avanço de até 4,1% sobre o volume produzido em 2025.

O consumo também seguirá em expansão, passando de 288 para 301 unidades por habitante ao longo do ano, alta estimada em 4,5%.

Na contramão da produção, as exportações devem apresentar retração. A previsão é de embarques de 30 mil toneladas, volume até 26,6% inferior ao registrado no ano passado.

Perspectivas para 2027 seguem positivas

As projeções iniciais da ABPA indicam que o setor continuará em crescimento em 2027. A produção de ovos poderá alcançar 66,5 bilhões de unidades, enquanto as exportações devem se recuperar e atingir 34,5 mil toneladas.

O consumo per capita também deve continuar avançando, chegando a 312 ovos por habitante, reforçando a tendência de fortalecimento do mercado brasileiro de proteínas animais.

FONTE: ABPA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agronegócio

Soja dos EUA: estatais chinesas ampliam compras antes de encontro entre Xi Jinping e Trump

Empresas estatais da China adquiriram entre 14 e 16 cargas de soja dos Estados Unidos na sexta-feira (31), em uma das maiores operações recentes de compra do produto. Segundo operadores asiáticos ouvidos pela Reuters, a negociação ocorreu após a queda dos preços da commodity e antes da visita prevista do presidente chinês Xi Jinping aos EUA no próximo mês.

O volume comprado chega a aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja, considerando cargas com cerca de 65 mil toneladas cada. Os embarques estão programados para outubro.

Compras fazem parte de acordo comercial entre China e EUA

De acordo com um operador de uma trading internacional na Ásia, a maior parte das aquisições foi realizada pela estatal Sinograin, motivada principalmente pela redução dos preços internacionais da soja na semana passada.

Além do fator econômico, as compras também estariam relacionadas ao compromisso comercial firmado entre Pequim e Washington. A Casa Branca informou em outubro que a China havia se comprometido a adquirir 25 milhões de toneladas de soja dos EUA por ano até o fim de 2028.

Antes da nova rodada de negociações, a China havia comprado pouco mais de 4 milhões de toneladas de soja norte-americana ao longo deste ano.

Queda nos preços favorece negócios com produtores dos EUA

As empresas chinesas pagaram um prêmio de aproximadamente US$ 3,03 por bushel acima do contrato de novembro da Bolsa de Chicago para carregamentos enviados pelo Golfo dos Estados Unidos. Para embarques pelo Noroeste do Pacífico, o prêmio ficou próximo de US$ 3 por bushel.

A referência mais negociada da soja na Bolsa de Chicago registrou queda de 5,2% na semana passada, movimento que ajudou a estimular as compras chinesas.

As estatais Sinograin e Cofco não confirmaram oficialmente as negociações nem responderam aos pedidos de comentário.

China prepara estoques para receber novas cargas

A Sinograin também vendeu cerca de metade das 504 mil toneladas de soja importada disponibilizadas em um leilão realizado na sexta-feira. A operação faz parte de uma estratégia para liberar espaço nos estoques antes da chegada dos novos carregamentos provenientes dos Estados Unidos.

No fim de julho, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que Xi Jinping faria uma visita aos EUA em 24 de setembro. O mercado acompanha se Pequim poderá retirar tarifas aplicadas sobre a soja dos Estados Unidos, medida que permitiria a participação de compradores privados chineses nas próximas negociações.

Apesar das expectativas, ainda não há garantia de que o produto norte-americano se tornará competitivo o suficiente para atrair processadoras privadas, que costumam priorizar preços mais baixos.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer/ Foto de arquivo

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Agronegócio

Soja reage em Chicago, enquanto preços nos portos brasileiros seguem próximos de R$ 150 por saca

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) registram leve recuperação nesta quinta-feira (30), após a forte pressão de venda observada na sessão anterior. O movimento é considerado uma correção técnica depois que as cotações atingiram os menores níveis das últimas semanas, influenciadas pela melhora das condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

Apesar da alta moderada, o mercado continua atento às previsões do tempo e ao comportamento da demanda internacional, fatores que seguem determinando a direção dos preços.

Liquidação de fundos pressionou as cotações

Além do clima mais favorável para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, a intensa liquidação de posições por parte dos fundos de investimento ampliou a queda dos preços na quarta-feira (29).

Por volta das 7h10 (horário de Brasília), os principais contratos avançavam entre 1,50 e 3,25 pontos. O vencimento de agosto era negociado a US$ 11,79 por bushel, enquanto novembro alcançava US$ 11,96. O contrato de janeiro permanecia acima da marca de US$ 12,00, cotado a US$ 12,07 por bushel.

Clima nos Estados Unidos continua no radar

Mesmo com a recuperação das cotações, operadores mantêm cautela diante das previsões meteorológicas para o cinturão produtor dos Estados Unidos.

Os modelos climáticos indicam chuvas abrangentes e temperaturas mais amenas nos próximos dias, cenário considerado favorável às lavouras. Em um horizonte mais distante, no entanto, a expectativa de calor acima da média em importantes regiões produtoras segue sendo acompanhada pelo mercado por seu potencial impacto sobre a produtividade.

Relatório do USDA pode definir os próximos movimentos

Outro fator aguardado pelos investidores é a divulgação do relatório semanal de vendas para exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Os dados devem indicar o ritmo da demanda pela soja norte-americana e podem influenciar o comportamento das cotações em um momento em que o mercado avalia a competitividade do produto dos Estados Unidos no comércio internacional.

Além disso, os agentes acompanham a movimentação do complexo soja, especialmente os contratos de farelo, óleo de soja e também o mercado de petróleo. Nesta quinta-feira, tanto o farelo quanto o óleo operavam em alta, oferecendo suporte adicional às cotações do grão.

Portos brasileiros mantêm preços firmes

No mercado brasileiro, o foco permanece sobre os preços praticados nos portos e na influência do câmbio.

Mesmo com a pressão exercida por Chicago ao longo da semana, a valorização do dólar frente ao real e a demanda pela soja brasileira continuam sustentando as indicações no mercado físico, embora os negócios ocorram de forma mais seletiva.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista de mercado e diretor da Royal Rural, a soja disponível nos principais portos brasileiros segue sendo negociada próxima de R$ 150 por saca, enquanto a safra nova trabalha com referência em torno de R$ 140 por saca.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

Fertilizantes: guerra no Oriente Médio e crise no agro reduzem demanda para a safra 2026/27

A combinação entre os impactos da guerra no Oriente Médio e as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio brasileiro começa a refletir diretamente no mercado de fertilizantes. A indústria estima uma queda de pelo menos 10% nas entregas de insumos destinadas à safra 2026/27, cenário influenciado pelo aumento dos custos, incertezas logísticas e menor capacidade de investimento dos produtores rurais.

Além da alta nos preços provocada pelo conflito, fatores como o endividamento dos agricultores, o crédito rural mais caro e a redução da rentabilidade das principais culturas têm levado muitos produtores a adiar a compra de adubos.

Compras seguem abaixo do ritmo registrado no ano passado

O atraso nas negociações já é percebido nas principais culturas do país. Para a próxima safra de soja, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões, cerca de 80% da demanda por fertilizantes foi negociada até o momento. No mesmo período do ciclo anterior, esse percentual era de 85%.

No caso do milho segunda safra, o ritmo também desacelerou. As compras alcançam aproximadamente 30%, abaixo dos 35% registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar do cenário desafiador, representantes do setor observam uma recuperação nas negociações nas últimas semanas, impulsionada pela valorização da soja, que melhorou a relação de troca entre o grão e os fertilizantes. Esse movimento trouxe maior dinamismo ao mercado, embora as incertezas permaneçam.

Mercado deve recuar após ano recorde

Depois de atingir um recorde de 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues em 2025, o setor projeta retração em 2026. As estimativas variam entre uma redução de 5 milhões e 10 milhões de toneladas, com maior impacto sobre os produtos à base de nitrogênio e fósforo.

Parte dessa retração está ligada ao aumento dos custos dos insumos. Segundo executivos da indústria, atualmente o produtor precisa desembolsar o equivalente a duas ou até quatro sacas de soja a mais para adquirir fertilizantes, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Guerra eleva preços das matérias-primas

Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços dos fertilizantes vêm sendo pressionados pelas incertezas envolvendo as principais rotas marítimas da região.

Os produtos fosfatados e nitrogenados sofreram sucessivos reajustes, impulsionados principalmente pela forte valorização do enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes e também utilizada pela indústria de baterias.

Levantamento da consultoria StoneX aponta que o preço da tonelada de enxofre mais do que dobrou ao longo do ano. O MAP (fosfato monoamônico) também registrou alta expressiva, enquanto a ureia acumula semanas consecutivas de valorização.

O aumento no custo do enxofre levou empresas do setor a rever temporariamente parte das operações industriais no Brasil, sem previsão para normalização, já que a retomada depende da estabilização do mercado internacional da matéria-prima.

Indústria enfrenta concorrência por insumos

Além da oferta limitada, fabricantes de fertilizantes enfrentam uma nova disputa pelo enxofre com a indústria global de baterias, segmento que tem ampliado a demanda pelo produto e consegue absorver preços mais elevados.

Essa concorrência aumenta a pressão sobre os custos de produção e amplia os desafios para manter a competitividade do mercado de fertilizantes.

Estoques permanecem menores, mas abastecimento segue controlado

Os estoques de fertilizantes no Brasil estão cerca de 14% abaixo do nível registrado no mesmo período de 2025. Apesar da redução, representantes do setor avaliam que o volume disponível ainda é suficiente para atender entre dois meses e meio e três meses de consumo, patamar considerado adequado diante da expectativa de retração da demanda.

Logística preocupa importadores

Além da escalada dos preços, o conflito internacional também afeta a logística de abastecimento. O ciclo entre a importação das matérias-primas e a entrega dos fertilizantes ao mercado brasileiro pode levar aproximadamente três meses, incluindo embarque, transporte marítimo, desembaraço aduaneiro e distribuição.

Empresas recomendam que os produtores antecipem o planejamento das compras para evitar possíveis atrasos decorrentes de gargalos logísticos e congestionamentos portuários.

Mesmo com parte da matéria-prima vindo de regiões próximas ao conflito, grandes fabricantes afirmam que têm buscado diversificar fornecedores em países como Canadá, Estados Unidos, China, Marrocos, Egito e Catar para reduzir riscos no abastecimento.

Importações atrasadas acendem alerta

A consultoria StoneX também observa atraso nas importações brasileiras de fertilizantes, o que pode exigir aceleração das compras nos próximos meses para recompor os estoques antes do início da safra.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de interrupções em importantes corredores marítimos, como a região do Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para exportações de países produtores de fertilizantes, incluindo a Arábia Saudita.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Agronegócio

Carne livre de desmatamento busca espaço na China sem sobretaxa de importação

Programa quer ampliar exportações de carne bovina certificada

Criado em outubro de 2025, o Beef on Track foi desenvolvido para atender à crescente demanda da China por carne bovina livre de desmatamento. Agora, a iniciativa tenta viabilizar a exportação desse produto fora da cota de salvaguarda adotada pelo governo chinês.

Em 2026, a China passou a aplicar uma sobretaxa de 55% sobre as importações brasileiras de carne bovina que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas anuais. Até a última terça-feira (21), cerca de 80% desse limite já havia sido utilizado.

Certificação pode diferenciar produto brasileiro

A proposta está sendo discutida com autoridades chinesas, mas ainda enfrenta resistência. Para o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), responsável pelo programa, a carne certificada não deve ser tratada como uma commodity tradicional, já que oferece garantias de rastreabilidade, origem e conformidade ambiental.

Segundo Louise Nakagawa, coordenadora de projetos do Imaflora, a certificação atende aos compromissos de sustentabilidade assumidos pela China e poderia abrir uma alternativa para exportações sem incidência da sobretaxa. Apesar disso, ela afirma que o governo chinês tem mantido uma postura cautelosa nas negociações.

Mercado pode pagar até 10% a mais pela carne certificada

O Beef on Track pretende conectar produtores, frigoríficos, varejistas, compradores e instituições financeiras, agregando valor à carne brasileira destinada a mercados que exigem comprovação de origem.

De acordo com o Imaflora, compradores chineses demonstram disposição para pagar um prêmio de até 10% sobre o valor da carne certificada, desde que o produto cumpra os critérios ambientais e de rastreabilidade estabelecidos pelo programa.

Lançamento comercial está previsto para 2027

Ao longo de 2026, o projeto está estruturando seus padrões técnicos, auditorias, cadeia de custódia e validações institucionais. Após a conclusão dos testes, o sistema será submetido à aprovação do Inmetro e, posteriormente, do órgão regulador equivalente na China.

Somente após essas etapas o selo Beef on Track poderá ser utilizado oficialmente nas exportações.

Acordo prevê embarque inicial de 50 mil toneladas

Em junho, o Imaflora firmou um acordo com a Tianjin Meat Association (TMA), entidade que reúne cerca de 100 empresas da região de Tianjin, importante polo importador de carne brasileira.

O compromisso inicial prevê o envio de 50 mil toneladas de carne, o equivalente a aproximadamente 2,5 mil contêineres de 20 toneladas, utilizando o porto de Tianjin, considerado o maior porto de águas profundas da China.

Sistema aproveita mecanismos de rastreabilidade já existentes

O programa não cria um novo sistema de controle, mas reconhece modelos já utilizados no Brasil, como o Passaporte Verde, de Mato Grosso, o sistema de rastreabilidade do Pará e mecanismos próprios dos frigoríficos.

A certificação possui quatro categorias: bronze, prata, ouro e platina. O nível máximo exige desmatamento zero, rastreabilidade de fornecedores indiretos e elevados padrões socioambientais, sendo o mais valorizado por grandes compradores internacionais, como McDonald’s, Carrefour e Walmart.

Segundo o Imaflora, frigoríficos que já alcançam desempenho superior a 95% nas auditorias dos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) do Ministério Público Federal poderão receber automaticamente a certificação Bronze, sem necessidade de novas auditorias, reduzindo custos de adesão.

Abiec pede integração com sistemas já existentes

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que acompanha iniciativas voltadas à certificação, mas defende que novos selos sejam compatíveis com os sistemas atualmente utilizados pelo setor.

A entidade afirma que novas exigências não devem criar sobreposições ou depender de estruturas públicas ainda inexistentes, evitando impactos à produção.

A Abiec também cita um estudo publicado na edição chinesa do Financial Times, segundo o qual a exigência chinesa por bovinos com até 30 meses tem incentivado maior eficiência produtiva no Brasil, contribuindo para a redução das emissões por quilo de carne produzida.

Por fim, a associação reforça que a pecuária brasileira já opera dentro da legislação vigente e que o avanço da sustentabilidade, da rastreabilidade e da carne bovina certificada deve ocorrer por meio do fortalecimento dos instrumentos já existentes.

FONTE: Globo Rural

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/Globo Rural

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