Agronegócio

COFCO investe mais de R$ 2 bilhões para ampliar complexo de soja em Rondonópolis

A multinacional chinesa COFCO anunciou um investimento superior a R$ 2 bilhões para expandir sua unidade industrial em Rondonópolis, um dos principais polos do agronegócio brasileiro. O objetivo é transformar a planta no maior complexo de esmagamento de soja do Brasil.

A confirmação do projeto foi feita pela prefeitura do município, e a previsão é que as obras sejam concluídas no início de 2028.

Capacidade de processamento será ampliada

Atualmente, a unidade possui capacidade para processar cerca de 4,5 mil toneladas de soja por dia. Com a expansão, esse volume deve mais que dobrar, alcançando aproximadamente 10 mil toneladas diárias.

A planta é responsável pela produção de farelo de soja, óleo de soja e biodiesel, itens estratégicos tanto para o mercado interno quanto para exportação.

Logística integrada fortalece operação

A ampliação será realizada em uma área já pertencente à empresa, próxima a um terminal ferroviário. A localização é considerada estratégica para otimizar o escoamento da produção agrícola, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade no mercado global.

Rondonópolis reforça posição no agronegócio

Conhecida como “Capital do Agro”, Rondonópolis se destaca como um dos principais centros de produção e industrialização de soja no país. O município possui a segunda maior economia do estado de Mato Grosso e desempenha papel relevante na cadeia logística do setor.

Apesar do protagonismo, o título oficial de “Capital Nacional do Agronegócio” é atribuído a Sorriso, reconhecida como a maior produtora de soja do Brasil.

Investimento reforça protagonismo do Brasil

O aporte da COFCO evidencia a importância do Brasil no cenário global de produção de soja e reforça o interesse de grandes players internacionais no desenvolvimento da cadeia agroindustrial do país.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cofco

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Agronegócio

Produtor rural reduz investimentos em Mato Grosso diante de custos elevados e dívidas

O avanço dos custos de produção e a instabilidade no mercado têm levado o produtor rural em Mato Grosso a rever estratégias para a próxima safra. Com margens cada vez mais apertadas, a palavra de ordem no campo passou a ser cautela, priorizando apenas despesas essenciais e reduzindo riscos financeiros.

Cenário de pressão no campo

A retração nos investimentos é resultado de um conjunto de fatores que impactam diretamente a rentabilidade: queda nos preços das commodities agrícolas, alta nos fertilizantes e o acúmulo de dívidas de ciclos anteriores. Esse contexto tem provocado uma desaceleração nas negociações, refletindo não apenas nas propriedades, mas também nas revendas de insumos.

Produtores relatam que o ambiente atual exige mais controle e planejamento. A percepção geral é de que o nível de dificuldade aumentou significativamente para manter a atividade sustentável.

Estratégia: cortar custos e preservar o caixa

Para a próxima temporada, muitos agricultores estão limitando as compras ao básico. O foco deixou de ser exclusivamente a alta produtividade e passou a incluir a preservação do caixa e a redução do endividamento.

Em propriedades de grande escala, decisões como adiar a aquisição de adubos e priorizar insumos essenciais se tornaram comuns. A lógica é simples: se a conta não fechar, será necessário adaptar o manejo à realidade financeira disponível.

Rentabilidade ganha protagonismo

Após uma safra com retorno financeiro praticamente nulo, o debate sobre lucratividade no agronegócio ganhou força. Produtores destacam que altos volumes de produção não garantem resultados positivos se os custos superam as receitas.

A preocupação com variáveis econômicas e políticas também aumentou, já que qualquer oscilação pode impactar diretamente a viabilidade da atividade. O ano de 2026, nesse contexto, surge como um período de reavaliação dentro das propriedades rurais.

Endividamento preocupa setor

O peso das dívidas acumuladas, especialmente após ciclos afetados por adversidades climáticas como o El Niño, tem sido um dos principais entraves. Com combustíveis caros e preços das commodities em baixa, a prioridade passou a ser reduzir despesas e buscar equilíbrio financeiro.

A estratégia predominante entre os produtores é investir o mínimo possível, garantindo a continuidade da produção enquanto tentam amortizar débitos anteriores.

Revendas de insumos em alerta

A cautela no campo já impacta diretamente o setor de distribuição. Em importantes polos agrícolas de Mato Grosso, o ritmo de vendas desacelerou de forma significativa, especialmente no segmento de fertilizantes.

Dados do setor indicam que a comercialização está bem abaixo da média histórica para o período. Além disso, o aumento do custo de produção — que pode chegar a mais de um terço em relação ao ano anterior — agrava ainda mais a situação, principalmente para produtores que dependem de crédito ou operam em áreas arrendadas.

O cenário atual é considerado mais desafiador do que o observado anteriormente, acendendo um sinal de alerta para toda a cadeia do agronegócio brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Exportações do agronegócio batem recorde e somam US$ 38,1 bilhões no 1º trimestre

O agronegócio brasileiro alcançou um novo marco no comércio exterior ao registrar US$ 38,1 bilhões em exportações no primeiro trimestre deste ano. O resultado, divulgado pelo Ministério da Agricultura, representa o maior valor já registrado para o período e indica avanço de 0,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Na comparação anual, o crescimento equivale a um acréscimo de US$ 342 milhões frente aos US$ 37,74 bilhões exportados nos três primeiros meses do ano passado. Apesar do avanço, a participação do setor nas exportações totais do país recuou de 49,1% para 46,3%.

Volume maior compensa queda de preços

O desempenho positivo das exportações do agronegócio foi sustentado principalmente pelo aumento de 3,8% no volume embarcado ao exterior. Esse crescimento conseguiu neutralizar a queda de 2,8% nos preços médios dos produtos.

De acordo com a análise técnica, a retração nos preços está ligada à desvalorização de importantes commodities agrícolas, como açúcar bruto, algodão, milho e farelo de soja.

Abertura de mercados impulsiona desempenho

Outro fator relevante para o resultado foi a ampliação do acesso a novos destinos internacionais. Entre janeiro e março, o Brasil abriu 30 novos mercados para produtos do setor, fortalecendo a presença global do agro brasileiro.

Segundo o Ministério da Agricultura, essa estratégia contribui tanto para consolidar mercados já tradicionais quanto para diversificar as exportações, garantindo maior previsibilidade ao comércio exterior.

Complexo soja lidera exportações

Entre os segmentos que mais exportaram no período, destaque para:

  • Complexo soja: US$ 12,13 bilhões (31,8% do total)
  • Carnes: US$ 8,12 bilhões
  • Produtos florestais: US$ 3,94 bilhões
  • Café: US$ 3,32 bilhões
  • Complexo sucroalcooleiro: US$ 2,33 bilhões
  • Cereais, farinhas e preparações: US$ 2,08 bilhões

Juntos, esses setores responderam por 83,8% das exportações do agronegócio no trimestre. Houve ainda recorde nas vendas externas de carne bovina e suína, tanto em valor quanto em volume.

China segue como principal destino

A China manteve a liderança como maior compradora de produtos do agronegócio brasileiro, com US$ 11,33 bilhões importados, o equivalente a 29,8% do total — alta de 4,7% na comparação anual.

Na sequência aparecem:

  • União Europeia: US$ 5,67 bilhões (14,9%)
  • Estados Unidos: US$ 2,24 bilhões (5,9%)

Também foi registrado aumento nas exportações para países como Índia, Filipinas, México, Tailândia, Japão, Chile e Turquia.

Importações caem, mas fertilizantes sobem

As importações do agronegócio somaram US$ 5,014 bilhões no trimestre, queda de 3,3% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, as compras de fertilizantes cresceram 23,9%, alcançando US$ 3,06 bilhões.

Já os gastos com defensivos agrícolas apresentaram recuo de 11,5%, totalizando US$ 891,4 milhões.

Superávit comercial do agro cresce

Com exportações em alta e importações em queda, o saldo da balança comercial do agronegócio atingiu superávit de US$ 33,073 bilhões no primeiro trimestre, acima dos US$ 32,562 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O resultado reforça a relevância do setor no cenário internacional, sustentado por produtividade, tecnologia e capacidade de atender às demandas globais.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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Agronegócio

Exportações do agro paulista para a Índia somam US$ 906 milhões em 2025

O agro paulista alcançou US$ 906,5 milhões em exportações para a Índia em 2025, com um volume embarcado próximo de 2 milhões de toneladas. O país asiático se consolidou como o segundo principal parceiro de São Paulo na Ásia, ficando atrás apenas da China, e ocupa a quarta posição no ranking global de destinos.

Os dados são do Instituto de Economia Agrícola (IEA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado, e refletem o avanço das relações comerciais no setor.

Complexo sucroalcooleiro lidera vendas externas

O complexo sucroalcooleiro foi o principal responsável pela receita, representando 76,8% do total exportado, com US$ 696 milhões. Em seguida, aparecem o óleo de soja, com US$ 89 milhões, e produtos da indústria química de base vegetal, que somaram US$ 33 milhões.

O desempenho acompanha o crescimento do comércio bilateral entre Brasil e Índia, que atingiu US$ 15,21 bilhões no período.

Algodão registra forte crescimento nas exportações

Entre os produtos embarcados, o algodão paulista apresentou o maior avanço. O volume exportado cresceu 160% em um ano, saltando de 5 mil para 15 mil toneladas, indicando maior inserção no mercado indiano.

Esse crescimento reflete tanto a capacidade produtiva quanto a adaptação às exigências do comércio internacional.

Competitividade e diversificação impulsionam resultados

Segundo representantes do setor, o aumento das exportações do agronegócio está ligado à diversificação da pauta e à competitividade dos produtos brasileiros. A estratégia inclui foco em qualidade e fortalecimento de parcerias comerciais, com a Índia ganhando relevância na expansão para o mercado asiático.

Especialistas também apontam que fatores como preços e o cenário geopolítico influenciam diretamente o ritmo das vendas externas, além da confiabilidade no fornecimento.

Sustentabilidade fortalece imagem do algodão paulista

O diferencial do algodão brasileiro está associado ao nível técnico dos produtores e ao investimento em práticas sustentáveis. A qualificação profissional e o compromisso ambiental contribuem para aumentar a aceitação do produto na indústria têxtil internacional.

Cooperação com a Índia avança em inovação no agro

Além do comércio, a parceria entre São Paulo e Índia também avança na área de tecnologia. Em 2025, representantes da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) participaram do Brazil-India Agri Innovation Day, em Nova Delhi.

A iniciativa busca ampliar a cooperação em pesquisa, estimular o intercâmbio tecnológico e desenvolver soluções conjuntas para o setor.

A Índia, responsável por cerca de 11% da produção global de alimentos, possui um ambiente dinâmico de inovação, o que abre espaço para projetos colaborativos entre instituições e startups dos dois países.

Integração tecnológica deve ampliar competitividade

A aproximação entre centros de pesquisa e empresas tende a fortalecer programas como o APTAHub, com foco no desenvolvimento de tecnologias para o campo. A estratégia inclui geração de empregos qualificados e aumento da competitividade do agro paulista no cenário internacional.

FONTE: Cana Online
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cana Online

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Agronegócio

Agroexportadoras crescem 60% no Brasil e impulsionam diversificação das exportações

O Brasil registrou um avanço significativo no número de empresas agroexportadoras ao longo da última década. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que a quantidade de CNPJs do setor com atuação no mercado externo saltou de 1.440, em 2015, para 2.316 em 2025 — um crescimento de 60,8%.

O levantamento inclui negócios de todos os portes, desde MEIs, microempresas e pequenas empresas até médias e grandes corporações, refletindo a ampliação da presença do agro brasileiro no comércio internacional.

Expansão produtiva e tecnologia impulsionam o setor

O aumento da produção agrícola e a adoção de novas tecnologias têm sido fatores determinantes para a entrada de novos players no mercado externo. Além disso, o desenvolvimento de novas culturas contribui para ampliar as oportunidades, especialmente para empresas de menor porte.

Esse cenário também favorece a diversificação da pauta exportadora, reduzindo a dependência de produtos tradicionais e ampliando o portfólio do agronegócio brasileiro.

Pequenas empresas lideram crescimento das exportações

Um dos destaques do período é o avanço expressivo das empresas de menor porte. O número de microempresas e MEIs exportadores cresceu de 153 para 443, alta de 189,5%. Já as pequenas empresas passaram de 191 para 434, aumento de 127,2%.

Entre médias e grandes companhias, o crescimento foi mais moderado, passando de 1.096 para 1.439 empresas — avanço de 31,3%.

Com isso, os pequenos negócios passaram a representar 37,9% das agroexportadoras, ante 23,9% há dez anos, evidenciando maior inclusão e profissionalização no setor.

Apoio institucional fortalece inserção internacional

O crescimento das exportações do agronegócio também é impulsionado por iniciativas de apoio, como as desenvolvidas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil).

Programas como o Exporta Mais Brasil promovem rodadas de negócios com compradores internacionais, enquanto o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) prepara empresas para atuar no mercado externo.

Além disso, o uso do e-commerce internacional vem ganhando espaço como alternativa para pequenos produtores ampliarem sua visibilidade global, apesar de ainda enfrentar desafios regulatórios.

Diversificação de produtos amplia competitividade

Outro indicador relevante é o aumento da variedade de produtos exportados. O número de itens classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) cresceu de 225 para 387 entre 2015 e 2025 — avanço de 70%.

A diversificação inclui maior presença de frutas, como tangerina, nectarina, pitaia e lichia, além da expansão em verduras, leguminosas e até sementes para semeadura, como mostarda, rícino e algodão.

Esse movimento fortalece a competitividade do Brasil no mercado global e amplia nichos de atuação para empresas de diferentes portes.

Participação do agro cresce nas exportações brasileiras

Em 2025, a agropecuária brasileira respondeu por 6,9% das empresas exportadoras do país. Embora a indústria de transformação ainda lidere em volume, o agro ampliou sua participação no valor exportado.

As exportações do setor passaram de US$ 35 bilhões, em 2015, para US$ 77,4 bilhões em 2025 — crescimento de cerca de 121%. A participação no total exportado subiu de 19,7% para 23,9% no período.

Considerando toda a cadeia do agronegócio, o valor exportado alcançou US$ 169,2 bilhões em 2025, o equivalente a 48,5% das exportações brasileiras, consolidando o setor como pilar da economia nacional.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agronegócio

Agronegócio brasileiro amplia exportadores e cresce 60% em 10 anos

O agronegócio brasileiro segue fortalecendo sua presença no mercado internacional, não apenas pelo aumento da produção, mas também pela ampliação da base de empresas exportadoras. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que o número de CNPJs do setor com atuação externa saltou de 1.440 em 2015 para 2.316 em 2025 — um crescimento de 60,8% em dez anos.

O avanço acompanha o desempenho das exportações do agronegócio, que vêm registrando resultados recordes e consolidando o Brasil como um dos principais players globais.

Pequenas e médias empresas ganham espaço no comércio exterior

O levantamento revela uma mudança relevante no perfil dos exportadores. Ao contrário da percepção de que apenas grandes companhias dominam o setor, pequenos e médios produtores têm ampliado sua participação no comércio internacional.

Atualmente, esses grupos representam cerca de 61% das empresas exportadoras do agro, demonstrando maior inclusão e diversificação na base exportadora.

Estruturas de apoio impulsionam acesso ao mercado global

Parte desse crescimento está associada ao fortalecimento de mecanismos que facilitam a inserção no mercado externo. Cooperativas, tradings e associações têm desempenhado papel estratégico ao oferecer suporte em etapas essenciais da logística de exportação.

Essas estruturas permitem:

  • Ganho de escala produtiva
  • Padronização de produtos
  • Adequação às exigências sanitárias
  • Melhoria na eficiência logística

Com isso, produtores de menor porte conseguem superar barreiras e acessar novos mercados.

Tecnologia e organização ampliam competitividade

Especialistas apontam que o avanço da tecnologia no campo, aliado à maior profissionalização dos produtores, tem sido decisivo para esse crescimento. O uso de inovação, gestão eficiente e suporte institucional contribui para elevar a competitividade das empresas brasileiras no exterior.

Base exportadora mais diversificada e capilarizada

O resultado é um cenário mais dinâmico, em que o crescimento das exportações não se concentra apenas em grandes grupos. O comércio exterior do agro passa a contar com uma participação mais ampla, envolvendo diferentes perfis de produtores em diversas regiões do país.

Além disso, o Brasil encerrou 2025 com 29.818 empresas exportadoras no total — o maior número já registrado, reforçando a expansão da presença nacional no mercado global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Agronegócio

Gargalos marítimos globais: riscos crescentes para o agronegócio brasileiro

A dinâmica do comércio internacional continua sendo fortemente influenciada por rotas estratégicas marítimas. Desde as grandes navegações, o controle de passagens estreitas determina fluxos econômicos e relações de poder. Em 2026, a escalada de tensões no Golfo Pérsico voltou a evidenciar como esses pontos críticos — conhecidos como chokepoints — permanecem essenciais para o funcionamento da economia global.

Atualmente, cerca de 80% do comércio mundial em volume é transportado por via marítima. Esse fluxo depende diretamente de corredores específicos, cuja interrupção pode gerar efeitos em cadeia sobre energia, alimentos e insumos agrícolas.

O papel estratégico dos gargalos marítimos

Os principais gargalos marítimos do mundo incluem rotas como Ormuz, Bab el-Mandeb, Suez e Malaca, além de passagens como Gibraltar, Bósforo e o Canal do Panamá. Esses pontos concentram grande parte da circulação de commodities agrícolas, energia e insumos industriais.

Mais do que rotas de petróleo, esses corredores são fundamentais para o transporte de grãos, proteínas animais, fertilizantes, celulose e açúcar. Para o Brasil — uma potência exportadora do agronegócio — compreender essas rotas é uma questão estratégica.

Dependência externa expõe fragilidade estrutural

Apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo, o Brasil ainda depende significativamente da importação de derivados como diesel. Esse combustível é essencial para toda a cadeia do agronegócio, desde o plantio até o transporte.

  • O país importa cerca de 25% do diesel consumido
  • O GLP também tem dependência semelhante
  • Já o querosene de aviação possui dependência menor, mas relevante

Essa vulnerabilidade impacta diretamente os custos logísticos e a competitividade do setor agrícola, especialmente em cenários de crise internacional.

Fertilizantes: o maior risco para a produção agrícola

Se a dependência de combustíveis preocupa, a dos fertilizantes é ainda mais crítica. O Brasil importa aproximadamente 85% dos insumos agrícolas utilizados no campo.

Com a tensão no Golfo Pérsico e o fechamento do Estreito de Ormuz em 2026:

  • Os preços da ureia dispararam
  • Houve suspensão de ofertas no mercado internacional
  • Cresceu o risco de desabastecimento

Além disso, restrições de exportação por grandes fornecedores globais e danos à infraestrutura no Oriente Médio agravam o cenário.

Entre os insumos mais críticos estão:

  • Ureia
  • Enxofre
  • Fosfatos

A escassez desses produtos pode comprometer diretamente a safra 2026/2027.

Impactos diretos no agronegócio brasileiro

A crise logística internacional afeta o Brasil em duas frentes principais:

Custos mais altos

O aumento nos preços de frete e seguros marítimos eleva o custo final das exportações e insumos.

Risco à produção

A dificuldade de acesso a fertilizantes pode reduzir a produtividade agrícola e pressionar margens.

Além disso, o Oriente Médio é um mercado relevante para o Brasil, especialmente na compra de milho e outros produtos agrícolas.

Biocombustíveis ganham protagonismo

Em meio à crise, os biocombustíveis surgem como alternativa estratégica. O Brasil possui vantagens competitivas nesse setor:

  • Mistura de etanol na gasolina
  • Uso crescente de biodiesel
  • Frota de veículos flex

Esses fatores ajudam a reduzir a dependência externa e amortecer os impactos das oscilações no mercado global de النفط e derivados.

Os principais gargalos marítimos do mundo

1. Estreito de Ormuz — risco crítico

Principal rota de petróleo e fertilizantes, concentra grande volume de energia global.

2. Bab el-Mandeb — risco crítico

Conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é essencial para o acesso ao Canal de Suez.

3. Estreito de Malaca — risco médio

Um dos corredores mais movimentados do mundo, vital para o comércio asiático.

4. Bósforo e Dardanelos — risco alto

Fundamentais para o escoamento de trigo, milho e fertilizantes do Mar Negro.

5. Canal de Suez — risco alto

Principal ligação entre Ásia e Europa, responsável por grande parte do transporte global.

6. Canal do Panamá — risco moderado

Importante para cargas entre Atlântico e Pacífico, com destaque para grãos.

7. Estreito de Gibraltar — risco baixo

Rota estratégica para fertilizantes e comércio entre Europa e África.

Um novo cenário global exige estratégia

A crise de 2026 reforça uma tendência: eventos geopolíticos deixaram de ser exceção e passaram a ser recorrentes. Para o Brasil, isso exige mudanças estruturais.

Entre os principais desafios:

  • Reduzir a dependência de fertilizantes importados
  • Diversificar fornecedores internacionais
  • Investir na produção nacional de insumos
  • Criar estoques estratégicos

Em um cenário global instável, fortalecer a segurança de abastecimento é fundamental para manter a competitividade do agronegócio brasileiro.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Agronegócio

Mercado global de fertilizantes deve enfrentar nova onda de instabilidade, alerta BHP

O mercado global de fertilizantes atravessa sua terceira fase de turbulência em apenas seis anos e deve continuar volátil nos próximos meses. O alerta foi feito por Karina Gistelinck, presidente de potássio da BHP, maior mineradora do mundo.

Segundo a executiva, após os impactos causados pela pandemia de Covid-19 e pela guerra na Ucrânia, novos fatores geopolíticos — como o conflito no Oriente Médio e restrições de exportação impostas por Rússia e China — adicionaram mais incerteza ao setor.

Custos elevados e queda temporária na demanda

Embora o potássio seja menos afetado diretamente por conflitos internacionais do que outros nutrientes, como nitrogênio e fosfato, a empresa já sente os reflexos da crise. O principal impacto vem do aumento nos custos de frete marítimo.

Com isso, a expectativa é de uma redução temporária na demanda por fertilizantes do tipo NPK, que combinam diferentes nutrientes essenciais à agricultura.

De acordo com Gistelinck, os produtores rurais tendem a reduzir o uso desses insumos no curto prazo. “O agricultor não compra potássio isoladamente, mas sim o NPK, cujo principal componente é o nitrogênio. Se houver corte no consumo, isso afetará também o preço do potássio”, explicou.

Impacto limitado no Brasil, mas com efeito no curto prazo

No caso do Brasil, a redução no uso de fertilizantes deve ser pontual. Isso porque os solos brasileiros são naturalmente pobres em nutrientes, o que impede cortes prolongados.

Segundo a executiva, um eventual recuo no uso de potássio pode afetar uma safra, mas exigirá compensação nas seguintes. Como o país possui dois ciclos agrícolas por ano, o impacto tende a durar cerca de seis meses.

Estratégia da BHP foca em redução de custos

Diante do cenário instável, a BHP aposta na redução dos custos de produção como estratégia para manter margens positivas no mercado de fertilizantes.

Historicamente, o custo de produção do potássio varia entre US$ 105 e US$ 120 por tonelada, enquanto o preço mínimo do produto gira em torno de US$ 260 por tonelada. A meta da empresa é se tornar a produtora com menor custo operacional no Canadá.

Novo projeto no Canadá deve ampliar oferta global

A mineradora prevê iniciar a extração de potássio em sua mina na província de Saskatchewan, no Canadá, no início de 2027. A região concentra cerca de 40% das reservas globais do nutriente.

O projeto, que recebeu investimento de US$ 13 bilhões — o maior da história da empresa — deve atingir produção de 4,1 milhões de toneladas em dois anos. No pico, previsto para 2033, a capacidade pode chegar a 8,5 milhões de toneladas anuais, o equivalente a 10% da produção global.

Desse total, aproximadamente 20% deve ser destinado ao mercado brasileiro, reforçando o papel do país como grande importador de potássio.

Cooperação internacional é chave para estabilidade

Para enfrentar a volatilidade do setor e garantir o abastecimento de insumos agrícolas, a executiva defende maior cooperação entre governos e empresas.

Ela destacou o potencial de parceria entre países como Austrália, Canadá e Brasil, que possuem economias complementares e forte presença nos setores mineral e agrícola.

Infraestrutura brasileira é fator estratégico

Durante visita recente a Brasília, Gistelinck participou de reuniões para avançar contratos de distribuição no Brasil e demonstrou otimismo com o alinhamento entre governo e setor privado.

Ela ressaltou a importância de investimentos em infraestrutura logística — especialmente em ferrovias e rodovias — para facilitar o transporte de fertilizantes dos portos até regiões agrícolas como o Centro-Oeste e o Matopiba.

Além disso, destacou a necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento e reduzir custos de importação.

Dependência externa ainda é inevitável

Apesar da ausência de barreiras regulatórias relevantes no Brasil, a executiva alertou que a dependência excessiva de importações não é ideal.

Ainda assim, ela reconhece que o país continuará sendo um grande importador de fertilizantes, devido a limitações geológicas e à expansão do agronegócio.

“Não há cenário em que o Brasil deixe de importar potássio”, afirmou.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Crise do diesel eleva inflação dos alimentos e pressiona custos no Brasil

A recente crise do diesel no Brasil tem provocado efeitos diretos na inflação dos alimentos, ao encarecer tanto a produção agrícola quanto o transporte de mercadorias. O aumento nos preços do combustível afeta toda a cadeia, desde o campo até a chegada dos produtos ao consumidor final.

O cenário foi agravado pela instabilidade no mercado internacional de petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio. Atualmente, cerca de 20% do diesel consumido no país é importado, o que amplia a vulnerabilidade do abastecimento interno.

Diferença de preços desestimula importações

Outro fator que contribui para o problema é a defasagem entre os preços praticados pelas refinarias nacionais e os valores do mercado internacional. Essa diferença reduz o interesse de distribuidoras em importar o combustível, afetando a distribuição de diesel no país.

Especialistas apontam que a insegurança em relação à política de preços dificulta a atuação de importadores, o que pode comprometer o abastecimento, especialmente em períodos de maior demanda.

Safra no Sul intensifica demanda por combustível

No Sul do Brasil, a situação se torna ainda mais sensível devido ao período de colheita de culturas como arroz, soja e milho. A região depende parcialmente de diesel importado, o que aumenta a pressão durante a safra.

Com o aumento dos custos, produtores enfrentam um dilema: repassar os reajustes ao consumidor ou reduzir suas margens de lucro, impactando a rentabilidade do setor.

Efeito cascata atinge preços e consumidores

O impacto da alta do diesel vai além do campo. Como o transporte rodoviário é predominante no Brasil, o encarecimento do combustível eleva o custo do frete e influencia diretamente o preço final dos alimentos.

Além disso, estados com forte produção agrícola, como o Rio Grande do Sul, têm papel estratégico no abastecimento nacional. Problemas logísticos nessas regiões tendem a se refletir em todo o país, ampliando os efeitos da alta nos preços dos alimentos.

Duração da crise será decisiva para economia

A intensidade dos impactos dependerá da duração da instabilidade no abastecimento. Caso a normalização ocorra no curto prazo, os efeitos podem ser limitados. Por outro lado, uma crise prolongada pode gerar pressões inflacionárias mais amplas e atingir diversos setores da economia.

Educação financeira e análise econômica em destaque

O tema foi debatido no programa Resenha do Dinheiro, que aborda semanalmente os principais movimentos econômicos de forma acessível. A atração conta com apoio da B3 e da BlackRock e reúne especialistas para discutir educação financeira e tendências do mercado.

Com linguagem simples, o programa busca aproximar o público de assuntos como inflação, investimentos e cenário econômico, mantendo o equilíbrio entre análise técnica e conversa informal.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Agronegócio

Falhas na regularização expõem desafios técnicos do agronegócio brasileiro

Uma operação recente do Ministério da Agricultura e Pecuária resultou na apreensão de 368 toneladas de sementes irregulares no Rio Grande do Sul. O caso reacende o debate sobre a importância da regularização documental e da rastreabilidade no agronegócio — pontos críticos que, quando negligenciados, podem gerar prejuízos significativos para empresas e produtores. Embora o volume apreendido chame atenção, especialistas alertam que esse tipo de ocorrência não é isolado. Falhas operacionais e documentais seguem entre os principais gargalos do setor.

Dados apresentados no Seed Congress of the Americas 2026 reforçam a dimensão do problema: sementes não registradas ou não certificadas já ocupam 11% da área cultivada com soja no país, gerando prejuízos anuais de até R$ 10 bilhões à cadeia produtiva.

Irregularidades nem sempre indicam fraude

De acordo com a farmacêutica e especialista em regulamentação Daiane Costa, fundadora da RegulaMais, a maioria dos casos de apreensão não envolve intenção de fraude. “Grande parte dessas situações está relacionada a falhas documentais que acabam levando ao descumprimento das exigências legais”, explica.

Entre os erros mais frequentes estão:

  • Ausência ou inconsistência na nota fiscal
  • Falta de documentação fitossanitária obrigatória
  • Problemas na identificação e rastreabilidade dos lote
  • Divergências entre a carga e os documentos apresentados

As fiscalizações são conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em conjunto com a Receita Federal do Brasil, podendo resultar em retenção de cargas, multas e até perda definitiva da mercadoria.

Exigências legais: um desafio técnico para o setor

Para operar dentro da legalidade, empresas do agro precisam atender a uma série de exigências que envolvem documentação fiscal, sanitária e registros específicos.

Entre os principais documentos estão:

  • Nota fiscal
  • Certificado fitossanitário
  • Registro no RENASEM
  • Certificação de sementes
  • Identificação e controle de lotes

Esses elementos garantem não apenas a regularidade da operação, mas também a rastreabilidade — essencial para a segurança sanitária e para o controle da cadeia produtiva.

Relação com órgãos reguladores exige gestão contínua

Na prática, a conformidade regulatória exige uma rotina constante de atualização e controle. Empresas precisam manter registros organizados, comunicar movimentações e acompanhar mudanças na legislação. Segundo Daiane Costa, esse é um dos pontos onde muitas empresas falham. “A falta de processos internos bem definidos e de acompanhamento das normas aumenta significativamente o risco de autuações e prejuízos”, afirma.

Beneficiamento e rastreabilidade: pontos críticos

O processo de beneficiamento de sementes também exige atenção rigorosa. A ausência de controle pode comprometer toda a cadeia produtiva.

Entre as boas práticas recomendadas estão:

  • Identificação correta dos lotes desde a origem
  • Registro detalhado de todas as etapas do processo
  • Separação física dos materiais
  • Organização da documentação técnica e fiscal

Essas medidas garantem a rastreabilidade completa e reduzem riscos operacionais.

Regulação como estratégia, não apenas obrigação

Diante desse cenário, cresce a demanda por empresas especializadas em conformidade regulatória, como a RegulaMais, que atua auxiliando negócios do agro a estruturar processos, atender exigências legais e evitar prejuízos.

Mais do que evitar penalidades, a conformidade regulatória passa a ser vista como uma estratégia de gestão e competitividade. “Quando bem aplicada, a regulamentação protege a operação, fortalece a credibilidade da empresa e garante segurança jurídica em toda a cadeia”, destaca Daiane.

Um alerta para o setor

A apreensão de sementes irregulares reforça que, em um cenário de fiscalização cada vez mais rigorosa, não há espaço para improviso. O controle documental, a rastreabilidade e o cumprimento das normas deixaram de ser apenas exigências legais — e passaram a ser fatores decisivos para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Texto: ReConecta News

Imagem: Divulgação MAPA

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