Internacional

Alemanha prende suspeitos por exportação ilegal de mercadorias à Rússia

As autoridades da Alemanha prenderam cinco pessoas acusadas de integrar um esquema de exportação ilegal de mercadorias para a Rússia, em descumprimento às sanções impostas pela União Europeia após a invasão da Ucrânia. A ação foi anunciada nesta segunda-feira (2) por procuradores federais alemães.

Prisões ocorreram no norte do país

De acordo com o Ministério Público Federal, as detenções foram realizadas por agentes alfandegários na cidade portuária de Lübeck, às margens do Mar Báltico, e no distrito vizinho de Lauenburg, ambos no norte da Alemanha.

Os suspeitos, identificados como cidadãos alemães, ucranianos e russos, foram presos com base em mandados expedidos pelo juiz de instrução do Tribunal Federal de Justiça.

Operação incluiu buscas em grandes cidades

Além das prisões, as autoridades realizaram buscas simultâneas em diversos pontos do país, incluindo Frankfurt am Main, principal centro financeiro alemão, e Nuremberg, no estado da Baviera.

Outras cinco pessoas também são investigadas por envolvimento no esquema, mas seguem foragidas, segundo os procuradores.

Empresa em Lübeck seria o centro do esquema

Um dos principais investigados, identificado como Nikita S., cidadão germano-russo, é apontado como o responsável por controlar uma empresa comercial sediada em Lübeck, considerada o núcleo da operação.

Segundo o Ministério Público, o grupo utilizava empresas de fachada, destinatários fictícios dentro e fora da União Europeia e uma entidade russa para mascarar o envio das mercadorias.

Remessas teriam abastecido setor de defesa russo

As investigações indicam que agências estatais russas teriam orientado as operações de compra. Ao menos 24 empresas russas do setor de defesa, listadas em bolsa, são suspeitas de atuar como destinatárias finais das mercadorias.

As autoridades estimam que cerca de 16 mil remessas tenham sido organizadas desde fevereiro de 2022, com valor total de, no mínimo, 30 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 187 milhões de reais.

Bens são bloqueados durante investigação

Como parte do processo, a Justiça alemã determinou o congelamento de bens em montante equivalente ao valor das transações investigadas.

Procurada, a embaixada da Rússia em Berlim não se manifestou até o momento.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Christian Wiediger/Unsplash

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia chega ao Congresso após envio do governo federal

O presidente da República encaminhou oficialmente ao Congresso Nacional o texto do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O envio foi formalizado nesta segunda-feira (2) e publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), dando início ao processo de análise legislativa no Brasil.

Para que o tratado entre em vigor, será necessária a aprovação tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal, etapa que deve ocorrer nas próximas semanas, segundo a expectativa do governo.

Maior área de livre comércio do mundo

O acordo Mercosul-UE cria a maior zona de livre comércio do planeta, reunindo um mercado de mais de 720 milhões de consumidores. O texto foi assinado em 17 de janeiro, durante cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, após anos de negociações entre os dois blocos.

Entre os principais pontos do tratado está a redução gradual de tarifas alfandegárias, abrangendo a maior parte dos bens e serviços comercializados entre os países envolvidos.

Redução de tarifas entre os blocos

Pelo cronograma estabelecido, o Mercosul se compromete a eliminar tarifas sobre 91% dos produtos europeus em um prazo de até 15 anos. Já a União Europeia prevê a retirada de tarifas sobre 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos.

O objetivo é ampliar o fluxo comercial, reduzir custos de exportação e importação e fortalecer a integração econômica entre a América do Sul e o bloco europeu.

Aprovação ainda depende de instâncias internacionais

Apesar da assinatura formal, o acordo ainda precisa ser internalizado pelos parlamentos nacionais de todos os países do Mercosul, além de passar pelo crivo do Parlamento Europeu.

No lado europeu, entretanto, o processo enfrenta entraves. Há cerca de duas semanas, o texto foi encaminhado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o que pode adiar a ratificação por até dois anos, segundo avaliações preliminares.

Governo brasileiro aposta em efeito político

A estratégia do governo federal é avançar rapidamente com a aprovação no Congresso Nacional, utilizando o aval brasileiro como fator de pressão política para acelerar a tramitação do acordo no âmbito europeu.

A avaliação é de que a ratificação pelo Brasil fortaleça o discurso favorável ao tratado e contribua para destravar resistências ainda existentes dentro da União Europeia.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Portos

Articulação internacional abre novos mercados para a banana catarinense via Porto de Itajaí

 O Porto de Itajaí avança em articulações internacionais com foco na abertura de novos mercados para a banana catarinense, fortalecendo a presença do produto no mercado europeu e diversificando destinos de exportação após o tarifaço registrado no ano passado, que impactou o comércio internacional e exigiu novas estratégias do setor produtivo brasileiro.

A agenda inclui tratativas para uma futura parceria com o Porto de Cagliari, localizado na capital da Sardenha, ampliando a conexão logística entre Santa Catarina, Itália e a União Europeia.

A iniciativa é estratégica para regiões catarinenses com forte produção de banana, como o Litoral Norte, o Vale do Itajaí, o Norte do estado e o Sul catarinense, onde a fruticultura tem papel relevante na geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos, a diversificação de mercados é fundamental diante das mudanças recentes no comércio global.

“Depois do tarifaço do ano passado, ficou ainda mais claro que precisamos ampliar mercados e reduzir a dependência de poucos destinos. O Porto de Itajaí atua para abrir novas rotas e garantir competitividade à banana catarinense, fortalecendo toda a cadeia produtiva e gerando emprego e renda em Santa Catarina”, destacou.

A articulação integra uma agenda mais ampla de cooperação entre Brasil e Itália, fortalecendo o intercâmbio comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Além da banana brasileira, a cooperação envolve produtos europeus como vinhos, queijos e azeites, ampliando o intercâmbio entre os mercados.

Durante a reunião, o deputado federal italiano Fabio Porta destacou o potencial do Porto de Itajaí como elo estratégico entre os continentes.

“Fomos muito bem acolhidos. Estamos desenvolvendo parcerias entre Brasil e Itália, União Europeia e Mercosul. O Porto de Itajaí tem um potencial enorme, e estamos construindo a ideia de instituir uma parceria com o Porto de Cagliari”, afirmou.

O parlamentar também ressaltou a importância da internacionalização do porto catarinense.

“Queremos fortalecer a internacionalização do Brasil e do Porto de Itajaí na Europa. Nos próximos meses, pretendemos anunciar medidas concretas”, completou.

Participantes
Pela comitiva italiana, participaram da reunião o deputado Fabio Porta, Verônica Salgado, Salvatore Milanese e Luiz Anelli Junior. Pelo Porto de Itajaí, estiveram presentes o superintendente João Paulo Tavares Bastos, o chefe de gabinete Artur Antunes, a secretária de imprensa Dayane Nunes e o assessor executivo Marcelo Peres.

A iniciativa reforça o papel do Porto de Itajaí como vetor de internacionalização da economia catarinense, ampliando mercados para a banana produzida em diferentes regiões do estado e fortalecendo Santa Catarina no comércio internacional.

FONTE: Porto de Itajaí
IMAGEM: Reprodução/Porto de Itajaí

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Comércio Internacional

Descarbonização vira exigência para exportações à União Europeia com novas regras ambientais

A descarbonização deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser um requisito obrigatório para empresas que exportam à União Europeia (UE). Desde 1º de janeiro, está em vigor o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), mecanismo que impõe novas exigências ambientais a produtos importados pelo bloco.

O que é o CBAM e quem é impactado

O CBAM afeta diretamente exportadores de aço, alumínio, cimento, ferro, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio, setores com alta intensidade de emissões. A medida foi criada para combater a chamada “fuga de carbono”, evitando que a produção seja transferida para países com regras ambientais menos rigorosas.

Na prática, o mecanismo estabelece uma taxação sobre importações provenientes de países que não adotam padrões equivalentes de precificação ou controle de emissões de gases de efeito estufa. As empresas precisam comprovar a pegada de carbono de seus produtos para manter o acesso ao mercado europeu.

Desafio regulatório e mudança no comércio global

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Maitê Bustamante, o CBAM representa mais do que uma nova exigência regulatória. Segundo ela, o mecanismo sinaliza uma transformação estrutural no comércio internacional.

“O tema deixa de ser uma discussão de longo prazo e passa a demandar ações imediatas da indústria, com investimentos em mensuração de emissões, eficiência energética e estratégias de descarbonização”, afirma.

Competitividade e valorização de produtos sustentáveis

O impacto do CBAM vai além de uma possível barreira comercial. O novo modelo tende a favorecer empresas que já adotam práticas sustentáveis, ampliando a competitividade de produtos com menor intensidade de carbono e facilitando o acesso a mercados mais exigentes do ponto de vista ambiental.

Reflexos para a indústria catarinense

No caso de Santa Catarina, a adaptação é ainda mais estratégica devido ao perfil exportador do estado e à diversidade de setores industriais com forte presença no mercado europeu. De acordo com Bustamante, a adequação às regras do CBAM exige não apenas ajustes técnicos, mas também planejamento estratégico e acesso a informações qualificadas. A documentação oficial está disponível no site da Comissão Europeia.

Apoio às empresas e orientação técnica

A FIESC tem atuado no apoio às indústrias, oferecendo orientação sobre os impactos do CBAM, esclarecendo exigências regulatórias e estimulando soluções que fortaleçam a competitividade industrial em um cenário de economia de baixo carbono. Empresas interessadas podem tirar dúvidas pelo e-mail geint@fiesc.com.br.

Controle de efluentes e práticas ESG

Durante o encontro, o consultor da FIESC Luís Henrique Cândido da Silveira apresentou parâmetros e padrões para o controle de efluentes líquidos industriais. Na sequência, Julia Iasmin detalhou o WEEN ESG, programa da Pronatur voltado à gestão e implementação de práticas ESG, auxiliando empresas de diferentes portes a estruturar, mensurar e evoluir em suas estratégias de sustentabilidade.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Internacional

Alemanha defende União Europeia de duas velocidades para acelerar decisões do bloco

A Alemanha pretende defender a criação de uma União Europeia de duas velocidades como forma de destravar a tomada de decisões e impulsionar o desempenho econômico do bloco. A proposta prevê que um grupo central de países avance mais rapidamente em políticas estratégicas, enquanto os demais acompanham o processo em ritmo próprio.

Proposta busca romper paralisia na UE

“Este é o momento de uma Europa de duas velocidades”, afirmou o ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, durante evento promovido pelo jornal Welt, nesta terça-feira (27), em Berlim. Segundo ele, o modelo permitiria tornar o continente mais forte, competitivo e menos dependente de fatores externos.

Grupo central reuniria seis grandes economias

De acordo com uma carta de Klingbeil obtida pela Reuters, Alemanha e França articulam a criação de um novo formato de cooperação entre as seis principais economias da União Europeia. O grupo incluiria ainda Polônia, Espanha, Itália e Holanda.

O ministro alemão convidou seus pares desses países para uma videoconferência marcada para esta quarta-feira, com o objetivo de definir uma agenda concreta voltada ao fortalecimento da soberania, da resiliência econômica e da competitividade europeia.

Redução de dependências externas está no centro do debate

A iniciativa surge em meio aos esforços da UE para diminuir a dependência de matérias-primas estratégicas importadas de países como a China, além de enfrentar riscos associados a tarifas comerciais, fragmentação dos mercados globais e impactos sobre crescimento econômico e investimentos.

“Diante de um cenário geopolítico cada vez mais imprevisível, a Europa precisa se tornar mais forte e mais resiliente. Manter o status quo não é uma opção”, escreveu Klingbeil na carta enviada aos ministros.

Agenda inclui euro, defesa e mercados de capitais

Segundo o documento, a reunião desta quarta-feira deve funcionar como um “pontapé inicial” para o novo formato de cooperação, com a previsão de um encontro presencial à margem da próxima reunião do Eurogrupo.

A proposta apresentada inclui quatro eixos principais:

  • avanço da união dos mercados de capitais;
  • fortalecimento do euro;
  • maior coordenação dos investimentos em defesa;
  • garantia de acesso a matérias-primas essenciais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Jana Rodenbusch

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Comércio

UE e Índia firmam acordo histórico e criam uma das maiores áreas de livre comércio do mundo

A União Europeia (UE) e a Índia formalizaram nesta terça-feira (27) um acordo comercial de grande alcance que cria uma zona de livre comércio envolvendo aproximadamente 2 bilhões de pessoas. O pacto encerra quase 20 anos de negociações e passa a figurar entre os maiores acordos comerciais globais em termos de população e peso econômico.

O entendimento surge em um contexto de instabilidade geopolítica, com o objetivo de reduzir impactos da concorrência chinesa e das tensões geradas pela guerra tarifária dos Estados Unidos.

Acordo representa fatia expressiva da economia global

Antes do encontro com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, destacou a dimensão econômica do pacto. Segundo ele, o acordo responde por cerca de 25% do PIB mundial e aproximadamente um terço do comércio internacional.

Ursula von der Leyen afirmou que o tratado marca um momento histórico na relação entre os dois blocos, ao estabelecer uma área de livre comércio com potencial de ganhos mútuos em escala global.

Redução de tarifas deve impulsionar comércio bilateral

Os últimos impasses foram resolvidos na segunda-feira, permitindo a conclusão do texto final. A expectativa é de que o acordo estimule o comércio bilateral por meio da redução de tarifas em diversos setores estratégicos.

De acordo com Bruxelas, a diminuição das tarifas indianas sobre produtos europeus pode gerar uma economia de até 4 bilhões de euros por ano para empresas da UE. A Alemanha classificou o pacto como um vetor relevante de crescimento econômico e geração de empregos.

Automóveis, vinhos e alimentos entre os setores beneficiados

Com a entrada em vigor do acordo, as tarifas indianas sobre automóveis europeus cairão de 110% para 10%. No setor de bebidas, a taxa sobre vinhos será reduzida de 150% para 20%.

Já os impostos aplicados a massas e chocolates, atualmente em torno de 50%, serão completamente eliminados, segundo autoridades europeias. A UE avalia que poderá dobrar suas exportações para o mercado indiano, tradicionalmente protegido.

Índia aposta em exportações e modernização

Do lado indiano, o governo espera ampliar as vendas externas de têxteis, joias, pedras preciosas e produtos de couro. Em 2024, o comércio de mercadorias entre as partes alcançou 120 bilhões de euros, enquanto o setor de serviços somou 60 bilhões de euros, conforme dados oficiais da UE.

Bruxelas vê na Índia uma oportunidade estratégica, diante do mercado de 1,5 bilhão de habitantes e do crescimento econômico acelerado, que atingiu 8,2% no último trimestre.

Índia deve ganhar espaço no ranking das maiores economias

Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia deve ultrapassar o Japão ainda neste ano e se tornar a quarta maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha. O governo indiano projeta que o país poderá alcançar a terceira posição antes de 2030.

Para Nova Délhi, a Europa é vista como uma fonte estratégica de tecnologia, investimentos e inovação, fundamentais para acelerar a modernização econômica e a criação de milhões de empregos.

Cooperação vai além do comércio

Além do livre comércio, UE e Índia pretendem avançar em acordos sobre circulação de trabalhadores temporários, intercâmbio de estudantes, pesquisadores e profissionais qualificados, além de cooperação nas áreas de segurança e defesa.

Na área militar, a Índia vem diversificando seus fornecedores e reduzindo a dependência da Rússia, enquanto países europeus buscam estratégia semelhante em relação aos Estados Unidos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Comércio Internacional

União Europeia sinaliza aplicação provisória de acordo Mercosul-UE

Bloco europeu avalia antecipar benefícios do acordo comercial
A União Europeia afirmou estar preparada para colocar em prática, de forma provisória, o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul. A sinalização foi feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao final da cúpula de líderes da UE, realizada em Bruxelas.

A possibilidade surge mesmo após o Parlamento Europeu decidir adiar a ratificação formal do tratado, enquanto uma revisão jurídica do texto é conduzida pela Corte Europeia de Justiça.

Aplicação provisória depende do Mercosul
Segundo von der Leyen, a Comissão Europeia poderá avançar com a aplicação provisória do acordo assim que ao menos um país do Mercosul ratificar o tratado. Para ela, há interesse político claro em antecipar os efeitos econômicos do pacto.

A presidente destacou que, apesar de ainda não haver uma decisão formal, a UE está pronta para agir no momento em que os parceiros sul-americanos concluírem seus processos internos.

Comissão Europeia tem respaldo institucional
Durante a mesma coletiva, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a Comissão Europeia possui autoridade legal para implementar o acordo de forma provisória, sem a necessidade de aguardar a ratificação completa por todos os parlamentos nacionais do bloco.

Essa estratégia, no entanto, tende a gerar reação de países contrários ao acordo, especialmente a França, que lidera a oposição dentro da UE.

Resistência francesa e revisão judicial
Na última quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou, por margem estreita, o envio do acordo comercial à Corte Europeia de Justiça para análise jurídica. Com isso, a votação de ratificação fica suspensa até a decisão do tribunal, processo que pode levar meses.

A França, maior produtor agrícola da Europa, defende salvaguardas adicionais para o setor agropecuário, alegando riscos à competitividade dos agricultores europeus. Em contrapartida, o chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou o adiamento como negativo e defendeu a adoção imediata da aplicação provisória.

Estratégia geopolítica e diversificação comercial
O acordo Mercosul-UE é considerado estratégico para Bruxelas no contexto de diversificação das relações comerciais, reduzindo a dependência histórica dos Estados Unidos. A iniciativa ganhou força diante do ambiente de tensão e imprevisibilidade nas relações comerciais internacionais durante o segundo mandato do presidente norte-americano, Donald Trump.

Nos últimos anos, a União Europeia firmou acordos com países como Japão e México e planeja concluir um tratado semelhante com a Índia ainda este mês.

Impacto econômico e alcance global
O tratado prevê a eliminação gradual de mais de 90% das tarifas comerciais, abrangendo produtos como carne bovina sul-americana e automóveis europeus. A expectativa é criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, beneficiando mais de 700 milhões de consumidores.

O acordo conta com forte apoio de países produtores agropecuários da América do Sul e de setores industriais da Europa. Na região sul-americana, a ratificação é vista como praticamente garantida.

Composição do Mercosul no acordo
O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, as principais economias do bloco. A Bolívia, mais recente integrante, ainda não faz parte do acordo comercial, mas poderá aderir futuramente. A Venezuela, suspensa do Mercosul, também não está incluída no tratado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Yves Herman

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Comércio Exterior

Mercosul-UE: cronograma de redução de tarifas será específico por produto, alerta FIESC

A FIESC (Federação das Indústrias de Santa Catarina) promoveu nesta quinta-feira um workshop online reunindo mais de 100 empresários para detalhar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, fechado após 26 anos de negociações. O encontro destacou o cronograma de implementação e os pontos estratégicos que as empresas devem acompanhar para aproveitar as oportunidades comerciais.

Redução gradual de tarifas por produto

Um dos principais temas abordados foi o cronograma de desgravação, ou seja, a redução progressiva das tarifas de importação e exportação. Cada produto terá um calendário específico, permitindo que empresas planejem estratégias de entrada em novos mercados.

Além disso, foram discutidos:

  • Validação de certificações ambientais e de qualidade;
  • Condições para aplicação de barreiras não-tarifárias;
  • Regras para acionamento de salvaguardas, incluindo produtos industrializados de ambos os blocos.

Material exclusivo para empresas

A FIESC está preparando uma compilação detalhada do cronograma de redução de tarifas dos principais produtos exportados por Santa Catarina. O material será disponibilizado gratuitamente a empresas cadastradas na Plataforma de Internacionalização da FIESC a partir da próxima semana: fiesc.com.br/internacionalizacao.

Preparação estratégica para o mercado europeu

Para Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, o adiamento da implementação do acordo, motivado pelo envio do tratado à análise do Tribunal Europeu, oferece às empresas brasileiras uma oportunidade de preparação.

“As companhias podem aproveitar esse tempo para estudar os textos do acordo, discutir ajustes internos e se preparar para maximizar os benefícios do mercado europeu”, destacou Bustamante.

Ela também ressaltou a importância de monitorar quais produtos e fabricantes europeus terão vantagens de acesso ao Brasil, permitindo que a indústria catarinense se antecipe à concorrência.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti.

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Comércio Internacional

ApexBrasil vê aumento de riscos para o acordo Mercosul-União Europeia diante de resistência política no bloco

A ApexBrasil avalia que o acordo Mercosul-União Europeia enfrenta um cenário de maior incerteza, impulsionado pelo avanço de resistências políticas dentro do bloco europeu e por um ambiente crescente de escrutínio jurídico. A análise foi apresentada pelo presidente da agência, Jorge Viana, ao comentar o tema em Brasília.

Segundo ele, embora o tratado siga sendo considerado estratégico para as duas regiões, a combinação de oposição política e dúvidas institucionais na Europa pode atrasar ou dificultar sua tramitação.

Um acordo trilionário sob pressão política

De acordo com Viana, o acordo conecta dois blocos que, juntos, somam cerca de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB). Essa magnitude ajuda a explicar a intensidade das disputas internas na União Europeia, especialmente em setores protegidos e em grupos políticos que enxergam riscos competitivos para suas economias nacionais.

O presidente da ApexBrasil destacou que o texto do tratado inclui mecanismos de salvaguarda, criados justamente para reduzir impactos abruptos e evitar distorções de mercado. A intenção, segundo ele, foi construir um acordo equilibrado, capaz de acomodar interesses distintos.

Ainda assim, a resistência política na Europa permanece elevada e cria um ambiente de instabilidade que pode comprometer o avanço da ratificação.

Senado brasileiro promete prioridade em 2026

No plano doméstico, Viana afirmou ter discutido o tema com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em reunião realizada no dia 21 de janeiro. Segundo ele, o compromisso é tratar a aprovação do acordo como prioridade legislativa em 2026.

A sinalização indica uma tentativa de acelerar a tramitação interna e demonstrar engajamento político do Brasil. De acordo com o relato, Alcolumbre teria indicado que o acordo será colocado no topo da pauta quando o Congresso retomar os trabalhos após o recesso.

Coordenação regional como forma de pressão diplomática

Viana também mencionou a possibilidade de articulação com os parlamentos dos demais países do Mercosul para avançar de forma coordenada na aprovação do tratado. Na avaliação da ApexBrasil, esse movimento poderia elevar o custo político de uma demora excessiva do lado europeu.

A estratégia, segundo o dirigente, funcionaria como uma pressão indireta e diplomática, ao demonstrar que a América do Sul estaria pronta para cumprir suas etapas institucionais.

Alinhamento com Alckmin e foco na ratificação interna

O presidente da ApexBrasil afirmou que sua leitura está alinhada à do vice-presidente Geraldo Alckmin, no sentido de acelerar a ratificação interna do acordo. O objetivo seria reduzir incertezas domésticas e reforçar a previsibilidade institucional do Brasil.

Para o governo e para setores exportadores, a priorização legislativa também serve como sinal político de compromisso com a ampliação do comércio e da integração internacional.

Resistência europeia une extremos políticos

Um dos pontos mais sensíveis destacados por Viana é o caráter transversal da oposição ao acordo dentro da União Europeia. Segundo ele, a resistência atravessa diferentes espectros ideológicos.

Setores mais extremos à esquerda e mais extremos à direita acabaram se unindo contra o acordo”, afirmou. Essa convergência amplia o número de atores capazes de bloquear ou retardar decisões, tornando o processo mais imprevisível.

As críticas envolvem temas como agricultura, meio ambiente, indústria, soberania regulatória e protecionismo, o que dificulta a formação de consensos.

Conselho Europeu e revisão jurídica entram no radar

Viana lembrou que o Conselho Europeu era aguardado para se posicionar sobre os próximos passos do acordo, indicando que o tema entrou em uma fase sensível da tramitação europeia. Ele ressaltou que revisões jurídicas são comuns em acordos comerciais do bloco, citando como exemplo o tratado entre União Europeia e Canadá.

Esses processos, no entanto, podem tanto fazer parte do rito institucional quanto funcionar como instrumentos de adiamento diante de pressões políticas internas.

Limites da atuação brasileira

O presidente da ApexBrasil enfatizou que o Brasil não tem como interferir em decisões de cortes europeias nem em eventuais iniciativas de implementação provisória do acordo. Segundo ele, essas definições cabem exclusivamente às instituições da União Europeia.

Nesse sentido, o principal foco de incerteza permanece concentrado na dinâmica política e jurídica do bloco europeu.

O que está em jogo para Mercosul e União Europeia

As declarações de Jorge Viana desenham um cenário em que o Brasil busca avançar internamente para demonstrar compromisso com o acordo Mercosul-União Europeia, enquanto reconhece que o maior obstáculo está do outro lado do Atlântico.

A aposta brasileira em priorizar a tramitação em 2026 tenta reduzir ruídos internos e reforçar a credibilidade do país. Ainda assim, a oposição europeia e o escrutínio jurídico indicam que o caminho até a entrada em vigor do tratado tende a ser mais longo e incerto, condicionado a disputas políticas que fogem ao controle do Mercosul.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Exportação

Mel gaúcho mira mercado europeu e aposta em acordo Mercosul–União Europeia

A apicultura gaúcha, uma das mais relevantes do Brasil ao lado da produção paranaense, acompanha com expectativa a possibilidade de ampliar sua presença no mercado da União Europeia. O interesse cresce após a assinatura do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, que pode abrir novas oportunidades para o mel brasileiro em um cenário de mudanças no comércio internacional.

Exportações concentradas e impacto do mercado norte-americano

Atualmente, cerca de 60% da produção nacional de mel, estimada em aproximadamente 60 mil toneladas ao ano, é destinada à exportação. Os Estados Unidos seguem como principal destino, respondendo por 75% a 80% dos embarques. No entanto, a sobretaxa de 50% imposta ao mel brasileiro desde agosto do ano passado deve pressionar os resultados ao longo deste ano.

O mercado europeu absorve em torno de 15% das exportações, com destaque para a Alemanha e, fora da União Europeia, a Inglaterra. A expectativa do setor é que esse percentual cresça caso as exigências técnicas e sanitárias sejam atendidas.

Exigências sanitárias e resíduos no centro das negociações

Segundo Aroni Sattler, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e integrante da Comissão Técnica Científica da Federação Apícola do RS (Fargs), o principal desafio para acessar o mercado europeu está no controle de resíduos químicos.

De forma geral, defensivos utilizados nas lavouras não afetam diretamente as abelhas, mas podem deixar traços no mel. Esses níveis, embora aceitos pela legislação brasileira, nem sempre atendem aos padrões mais rigorosos da União Europeia, o que exige ajustes e maior controle de qualidade por parte dos produtores.

Barreiras comerciais e pressão de produtores europeus

Além dos critérios técnicos, o setor enfrenta entraves de natureza mercadológica. Conforme Sattler, quando o mel brasileiro ganha espaço na Europa e passa a competir com a produção local, surgem pressões por regras mais restritivas, muitas vezes justificadas por questões sanitárias.

Esse movimento, segundo ele, funciona como uma forma de barganha comercial, comum em mercados agrícolas altamente competitivos. Protestos recentes de agricultores franceses contra o acordo Mercosul–União Europeia ilustram esse tipo de reação à entrada de produtos mais competitivos.

Oportunidade aberta pela guerra no Leste Europeu

Um fator que pode favorecer o mel brasileiro é a redução da oferta da Ucrânia, tradicional fornecedora do mercado europeu, em razão do conflito com a Rússia. Esse espaço pode ser ocupado por países do Mercosul, desde que cumpram as exigências técnicas e consigam lidar com a resistência de produtores locais.

Produção, mercado interno e novos canais de consumo

Além da adaptação às normas europeias e da expectativa de revisão das tarifas norte-americanas, o setor aposta no aumento da produtividade apícola, com mais quilos de mel por colmeia ao ano. Isso permitiria atender tanto o mercado externo quanto o consumo interno, que absorve cerca de 40% da produção nacional.

Uma das apostas é a inclusão do mel na merenda escolar, o que ampliaria significativamente a demanda e daria maior estabilidade ao setor.

Apicultura presente em quase todo o Rio Grande do Sul

A atividade está distribuída por praticamente todos os municípios gaúchos, envolvendo desde agricultores familiares, para quem o mel representa renda complementar, até apicultores profissionais, com duas mil a três mil colmeias voltadas à exportação. Cada grupo responde por cerca de 50% da produção estadual, que em anos regulares varia entre 8 mil e 9 mil toneladas.

Após perdas provocadas pelo clima no ano passado, a expectativa para 2026 é de recuperação, impulsionada por boas condições na primavera e pela safra do mel de soja, especialmente nas regiões da Campanha, Missões e Planalto, além de perspectivas positivas nos Campos de Cima da Serra e na Metade Sul.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alberto Marsaro Júnioir / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

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