Exportação

Mel gaúcho mira mercado europeu e aposta em acordo Mercosul–União Europeia

A apicultura gaúcha, uma das mais relevantes do Brasil ao lado da produção paranaense, acompanha com expectativa a possibilidade de ampliar sua presença no mercado da União Europeia. O interesse cresce após a assinatura do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, que pode abrir novas oportunidades para o mel brasileiro em um cenário de mudanças no comércio internacional.

Exportações concentradas e impacto do mercado norte-americano

Atualmente, cerca de 60% da produção nacional de mel, estimada em aproximadamente 60 mil toneladas ao ano, é destinada à exportação. Os Estados Unidos seguem como principal destino, respondendo por 75% a 80% dos embarques. No entanto, a sobretaxa de 50% imposta ao mel brasileiro desde agosto do ano passado deve pressionar os resultados ao longo deste ano.

O mercado europeu absorve em torno de 15% das exportações, com destaque para a Alemanha e, fora da União Europeia, a Inglaterra. A expectativa do setor é que esse percentual cresça caso as exigências técnicas e sanitárias sejam atendidas.

Exigências sanitárias e resíduos no centro das negociações

Segundo Aroni Sattler, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e integrante da Comissão Técnica Científica da Federação Apícola do RS (Fargs), o principal desafio para acessar o mercado europeu está no controle de resíduos químicos.

De forma geral, defensivos utilizados nas lavouras não afetam diretamente as abelhas, mas podem deixar traços no mel. Esses níveis, embora aceitos pela legislação brasileira, nem sempre atendem aos padrões mais rigorosos da União Europeia, o que exige ajustes e maior controle de qualidade por parte dos produtores.

Barreiras comerciais e pressão de produtores europeus

Além dos critérios técnicos, o setor enfrenta entraves de natureza mercadológica. Conforme Sattler, quando o mel brasileiro ganha espaço na Europa e passa a competir com a produção local, surgem pressões por regras mais restritivas, muitas vezes justificadas por questões sanitárias.

Esse movimento, segundo ele, funciona como uma forma de barganha comercial, comum em mercados agrícolas altamente competitivos. Protestos recentes de agricultores franceses contra o acordo Mercosul–União Europeia ilustram esse tipo de reação à entrada de produtos mais competitivos.

Oportunidade aberta pela guerra no Leste Europeu

Um fator que pode favorecer o mel brasileiro é a redução da oferta da Ucrânia, tradicional fornecedora do mercado europeu, em razão do conflito com a Rússia. Esse espaço pode ser ocupado por países do Mercosul, desde que cumpram as exigências técnicas e consigam lidar com a resistência de produtores locais.

Produção, mercado interno e novos canais de consumo

Além da adaptação às normas europeias e da expectativa de revisão das tarifas norte-americanas, o setor aposta no aumento da produtividade apícola, com mais quilos de mel por colmeia ao ano. Isso permitiria atender tanto o mercado externo quanto o consumo interno, que absorve cerca de 40% da produção nacional.

Uma das apostas é a inclusão do mel na merenda escolar, o que ampliaria significativamente a demanda e daria maior estabilidade ao setor.

Apicultura presente em quase todo o Rio Grande do Sul

A atividade está distribuída por praticamente todos os municípios gaúchos, envolvendo desde agricultores familiares, para quem o mel representa renda complementar, até apicultores profissionais, com duas mil a três mil colmeias voltadas à exportação. Cada grupo responde por cerca de 50% da produção estadual, que em anos regulares varia entre 8 mil e 9 mil toneladas.

Após perdas provocadas pelo clima no ano passado, a expectativa para 2026 é de recuperação, impulsionada por boas condições na primavera e pela safra do mel de soja, especialmente nas regiões da Campanha, Missões e Planalto, além de perspectivas positivas nos Campos de Cima da Serra e na Metade Sul.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alberto Marsaro Júnioir / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

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Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul enfrenta incertezas após envio à Justiça europeia

A possibilidade de entrada em vigor provisória do acordo UE-Mercosul perdeu força após o Parlamento Europeu decidir encaminhar o texto para análise da Justiça da União Europeia. Para especialistas em relações internacionais, o movimento representa um revés significativo para um tratado que havia sido chancelado no último sábado, no Paraguai, por representantes do Mercosul e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Ouvidos pelo GLOBO, analistas avaliam que, embora não exista uma regra formal que impeça a aplicação provisória, o cenário político torna essa alternativa pouco provável no curto prazo.

Parlamento tende a travar execução provisória

Segundo Carlos Frederico de Souza Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, precedentes indicam que a execução provisória costuma depender de aval do próprio Parlamento Europeu. Para ele, a decisão de submeter o acordo à Corte do bloco reduz drasticamente essa possibilidade.

Na avaliação do especialista, seria incoerente imaginar que o mesmo Parlamento que optou por judicializar o texto adotaria uma posição distinta em relação à sua aplicação antecipada. O ambiente político atual, marcado por disputas internas e pressões setoriais, reforça esse entendimento.

Insegurança jurídica afasta investimentos

Mesmo em um cenário de execução provisória, Coelho destaca que o acordo não ofereceria segurança jurídica suficiente para estimular investimentos de longo prazo ou a formação de cadeias produtivas entre Europa e Mercosul. A tramitação na Justiça europeia tende a ser longa e incerta.

A experiência de outros tratados ilustra esse ritmo. O acordo entre União Europeia e Canadá, por exemplo, entrou em vigor em 2017, mas levou cerca de 17 meses para ser analisado pela Corte. No caso do acordo UE-Mercosul, o professor estima que, mesmo em um cenário otimista, a decisão judicial levaria ao menos seis meses.

Para Coelho, o envio do texto à Justiça funciona como um freio relevante em um momento geopolítico delicado. Ele avalia que a Europa enfrenta dificuldades para se posicionar entre Estados Unidos, Rússia e China, e que o adiamento do acordo enfraquece ainda mais o bloco.

Tensões globais e impacto político

Na visão do especialista, movimentos recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como a imposição de novas tarifas a países europeus e declarações sobre a Groenlândia, deveriam servir de estímulo à ratificação do acordo comercial. O adiamento, nesse contexto, reduz a capacidade de resposta estratégica da União Europeia.

Lobbies contrários devem intensificar pressão

Roberto Jaguaribe, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), também considera improvável que o acordo seja aplicado antes da decisão da Justiça europeia. Ainda assim, ele avalia que a aproximação econômica entre Europa e Mercosul continuará avançando em outras frentes.

Para Jaguaribe, a tendência é que o tratado seja aprovado ao final do processo, apesar das resistências. Ele pondera, porém, que setores contrários, como parte do agronegócio francês, podem aproveitar o intervalo para reforçar sua atuação política.

O diplomata avalia que haverá maior mobilização dos grupos que se consideram prejudicados, mas ressalta que os defensores do acordo também mantêm uma posição consistente. Em sua análise, a influência direta dos lobbies sobre o Tribunal de Justiça da União Europeia tende a ser limitada, ao menos do ponto de vista institucional.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Luis Robayo/AFP

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Comércio

Mapa conclui missão na Europa com foco em comércio agropecuário e cooperação internacional

Entre os dias 13 e 18 de janeiro, uma delegação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou missão oficial em Bruxelas, na Bélgica, e Berlim, na Alemanha, com agenda voltada ao acesso a mercados, às negociações sanitárias e fitossanitárias (SPS), à facilitação do comércio e ao fortalecimento da cooperação internacional.

A missão foi liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, e integrou a estratégia brasileira de ampliação e consolidação das relações comerciais no setor agropecuário.

Agenda técnica com a União Europeia em Bruxelas

Na capital belga, sede da União Europeia, a delegação contou com a participação dos adidos agrícolas do Brasil, Nilton Morais e Glauco Bertoldo. Foram realizadas reuniões com representantes das diretorias-gerais de Agricultura (DG AGRI) e de Saúde e Segurança Alimentar (DG SANTE).

Entre os temas discutidos estiveram a habilitação de estabelecimentos, a regionalização de enfermidades, a certificação eletrônica, a produção orgânica, além de procedimentos de controle sanitário. Também foram tratados os encaminhamentos do Mecanismo de Diálogo SPS Brasil–União Europeia, previsto para ocorrer no Brasil entre os dias 4 e 6 de março de 2026.

Acordo União Europeia–Mercosul no contexto da missão

A agenda institucional ocorreu em um momento estratégico para as relações comerciais. A missão foi realizada logo após a aprovação do acordo pelo Conselho Europeu e na mesma semana da assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, formalizada em 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai.

Após mais de 26 anos de negociações, o acordo prevê a criação de uma área de livre comércio que envolve mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado estimado em US$ 22 trilhões, figurando entre os maiores acordos bilaterais do mundo. O texto ainda passará por processos de ratificação no Parlamento Europeu e nos legislativos dos países do Mercosul.

Berlim concentra agenda no GFFA e reuniões bilaterais

Na Alemanha, acompanhado do adido agrícola Eduardo Sampaio, o secretário participou do Global Forum for Food and Agriculture (GFFA), realizado em Berlim. Durante o evento, a delegação manteve reuniões bilaterais com ministros e vice-ministros de países como Alemanha, Índia, Estônia, Portugal, Indonésia, Reino Unido e Equador, entre outros.

Ao todo, foram promovidos mais de 15 encontros com autoridades e representantes de organismos internacionais, incluindo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a UNIDO, a OCDE e o Programa Mundial de Alimentos (WFP), com foco em cooperação técnica e institucional.

Destaque para sustentabilidade e bioeconomia azul

Representando o ministro Carlos Fávaro, Luís Rua participou da Conferência de Ministros da Agricultura, onde ressaltou o papel da agropecuária brasileira como fornecedora segura, estável e sustentável de alimentos, fibras e energia para o mercado global.

O secretário também foi orador principal no painel “Blue Foods and the Blue Bioeconomy”, destacando o potencial da aquicultura e da bioeconomia azul como vetores de segurança alimentar, geração de renda e desenvolvimento sustentável.

Diálogo com o setor produtivo alemão

A programação incluiu ainda encontros com representantes do ecossistema produtivo alemão, com destaque para reuniões junto à German Agribusiness Alliance, além de agendas com empresas do setor, como BASF, Syngenta e Bayer, reforçando o diálogo entre o Brasil e a indústria internacional.

Fórum global debate segurança alimentar

Realizado anualmente durante a International Green Week, o GFFA reúne governos, especialistas, setor privado, academia e sociedade civil para discutir segurança alimentar global. Em sua 18ª edição, em 2026, o fórum contou com a participação de mais de 60 ministros da Agricultura, encerrando-se, tradicionalmente, com a Conferência Ministerial.

FONTE: Ministério de Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Priscila Burmann

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Comércio Internacional

Parlamento Europeu avalia congelar acordo comercial com EUA após ameaças de Trump

O Parlamento Europeu deve avançar para o congelamento do acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos, firmado no ano passado. A sinalização foi feita por líderes parlamentares europeus nesta terça-feira (20), como resposta direta às recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, envolvendo a possível anexação da Groenlândia.

Consenso político para suspender acordo UE–EUA

De acordo com a presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu, Iratxe García Pérez, há um entendimento majoritário entre os grupos políticos da Casa para levar adiante a suspensão do tratado. A expectativa é que a votação formal ocorra na quarta-feira (21).

A medida é tratada como uma retaliação às ameaças feitas por Trump, que associou o tema da Groenlândia à imposição de tarifas comerciais contra países europeus.

Ameaças tarifárias e reação europeia

Nesta semana, Trump afirmou que pretende aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países da Europa caso haja oposição ao plano dos Estados Unidos de adquirir o território autônomo ligado à Dinamarca.

A reação foi imediata. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como “chantagem”, afirmando que Washington estaria usando ameaças econômicas para impor “concessões injustificáveis”. Segundo ele, a Comissão Europeia dispõe de instrumentos robustos para responder a esse tipo de pressão.

Termos do acordo e riscos da suspensão

O acordo comercial UE–EUA, assinado em julho do ano passado, previa a aplicação de tarifas de 15% pelos Estados Unidos sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a União Europeia concordou em reduzir parte das taxas sobre importações americanas.

O tratado, no entanto, ainda não havia entrado em vigor. A implementação estava prevista para os meses de março e abril deste ano, condicionada à aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais do bloco.

Com o congelamento, a UE volta a considerar a adoção de tarifas retaliatórias, que podem chegar a 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 580 bilhões), além da possibilidade de restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu.

Groenlândia no centro da crise diplomática

Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que pressões comerciais entre aliados estratégicos representam um erro grave.

Trump tem intensificado declarações sobre a Groenlândia nas últimas semanas, alegando que a ilha é essencial para a segurança nacional dos EUA. Além de ser uma rota estratégica no Ártico e uma área rica em matérias-primas críticas, o território é considerado central para o chamado Domo de Ouro, um sistema de defesa antimísseis que o presidente norte-americano pretende construir.

Europa reforça segurança no Ártico

Em resposta, países europeus anunciaram o reforço da segurança no Ártico, incluindo o envio de contingentes militares à Groenlândia a pedido da Dinamarca. Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda reafirmaram o compromisso com a defesa do território no âmbito da Otan.

O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio. A crise também gerou protestos populares, com manifestações registradas no último fim de semana tanto na ilha quanto em Copenhague contra a intenção de anexação anunciada por Trump.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Evelyn Hockstein

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia amplia acesso comercial, mas opera como sistema de cotas, avalia Cabrera

O acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado em Assunção, no Paraguai, representa um avanço no acesso do Brasil ao comércio internacional. No entanto, segundo o ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera, o tratado não pode ser classificado como um verdadeiro acordo de livre comércio, devido às limitações incluídas na etapa final das negociações.

Acesso ampliado ao comércio global

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o tratado eleva de 8% para 36% o acesso brasileiro ao comércio mundial. Apesar disso, Cabrera ressalta que a União Europeia introduziu mecanismos de proteção que alteraram o espírito original do acordo.

De acordo com o ex-ministro, essas mudanças transformaram o tratado em um modelo mais restritivo. “Foi um avanço para quem não tinha nada. O Brasil praticamente não possuía acordos comerciais desse porte. Ainda assim, o texto precisa ser aprovado”, observa.

Sistema de cotas limita ganhos comerciais

Na avaliação de Cabrera, as salvaguardas impostas pelos europeus funcionam, na prática, como cotas de exportação. “Na reta final, a Europa incluiu uma série de condições que não estavam previstas inicialmente. Essas salvaguardas são, essencialmente, cotas”, explica.

O impacto, segundo ele, é a limitação do potencial exportador brasileiro. “Não se trata de um acordo de livre comércio. É um acordo de cotas, e as cotas são muito pequenas”, afirma.

Impacto restrito sobre produção e preços

Outro ponto destacado é que, para diversos produtos, o volume autorizado para exportação representa uma parcela mínima da produção nacional. “Em alguns casos, equivale a apenas 1%, 2% ou 3% do que o Brasil produz”, pontua.

Diante desse cenário, Cabrera alerta para expectativas excessivas. “Não se deve criar a ideia de que o acordo vai mudar drasticamente o mercado ou provocar alterações significativas de preços”, avalia.

Acordo histórico, efeitos graduais

Resultado de mais de 26 anos de negociações, o acordo Mercosul–UE estabelece uma das maiores zonas de comércio do mundo. Segundo o Governo Federal, o tratado garante ao Mercosul acesso preferencial à União Europeia, a terceira maior economia global, com cerca de 450 milhões de consumidores e aproximadamente 15% do PIB mundial.

O texto prevê a eliminação de tarifas para 92% das exportações do Mercosul, estimadas em US$ 61 bilhões, além de acesso preferencial para outros 7,5%, equivalente a US$ 4,7 bilhões. Ainda assim, Cabrera resume o cenário com prudência: “É um acordo importante, mas distante do que muitos imaginavam”.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Internacional

Pré-mercado hoje: tensão nos mercados com nova escalada da guerra de tarifas

A semana começa com ritmo mais lento nos mercados globais por conta do feriado nos Estados Unidos, que celebra o Dia de Martin Luther King. As bolsas americanas não operam, mas os contratos futuros dos principais índices seguem ativos e apontam queda, refletindo a crescente apreensão dos investidores diante de uma possível intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia.

Feriado nos EUA reduz liquidez, mas não afasta volatilidade

Com os pregões fechados em Nova York, o volume de negócios tende a ser menor, o que costuma aumentar a volatilidade. Mesmo assim, o sentimento predominante no pré-mercado é de cautela, alimentado por novas ameaças tarifárias feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de semana.

Trump ameaça ampliar tarifas contra países europeus

No sábado (17), Trump declarou que pretende ampliar as tarifas comerciais aplicadas a países da União Europeia caso não haja um acordo que permita aos Estados Unidos a compra da Groenlândia. Segundo ele, taxas adicionais de 10% passariam a valer a partir de 1º de fevereiro sobre produtos importados de Alemanha, França, Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Suécia, Holanda e Finlândia.

Ainda de acordo com o presidente americano, se não houver avanço nas negociações, as tarifas podem subir para 25% a partir de 1º de junho. A declaração surpreende, já que a UE e o Reino Unido haviam firmado acordos comerciais com os EUA no ano anterior.

União Europeia reage e estuda medidas inéditas

No domingo (18), o discurso ganhou tom mais duro. Lideranças dos principais países da UE classificaram as ameaças como chantagem econômica. A França defendeu uma resposta firme e chegou a sugerir o uso de instrumentos econômicos ainda não testados pelo bloco.

Entre as opções em estudo está a retomada de um pacote de tarifas sobre US$ 108 bilhões em exportações americanas para a Europa, que havia sido suspenso por seis meses em agosto de 2025. Também está no radar o chamado Instrumento Anticoerção, que pode atingir setores de serviços e investimentos dos Estados Unidos.

Davos deve ser palco de tensão diplomática

O aumento das ameaças comerciais ocorre às vésperas do Fórum Econômico Mundial, que começa nesta segunda-feira em Davos, na Suíça. O evento reúne líderes globais e contará com uma delegação expressiva dos EUA, liderada pelo próprio Trump, o que eleva a expectativa por novos embates diplomáticos.

Mercados reagem com cautela: câmbio, metais e petróleo

A reação inicial dos mercados financeiros foi moderada, mas indica maior desconfiança. O euro se recuperou de uma mínima de sete semanas e avançou 0,3%, sendo negociado a US$ 1,1628. Os metais preciosos também ganharam força: o ouro subiu 1,6%, alcançando US$ 4.689 por onça-troy, enquanto a prata chegou a tocar US$ 94,08.

Já o petróleo operou em leve queda, pressionado pelo temor de enfraquecimento da demanda caso a guerra comercial se intensifique. O Brent recuou 1%, para US$ 63,47 o barril, e o WTI caiu na mesma proporção, para US$ 58,86.

Perspectivas para o mercado

A tendência para o dia é de desempenho negativo nos mercados acionários, diante do aumento da tensão comercial entre Estados Unidos e União Europeia. O feriado americano, no entanto, deve limitar o volume de negociações, elevando a volatilidade, mas reduzindo o impacto imediato dos movimentos.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul amplia acesso do Brasil a 36% do comércio global

Um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o acordo Mercosul-União Europeia elevará significativamente a presença do Brasil no comércio mundial. Com a entrada em vigor do tratado, o país passará a ter acesso preferencial a 36% do mercado global de importações de bens, ante os atuais 8%. O salto ocorre porque a União Europeia respondeu sozinha por 28% do comércio global em 2024.

A análise foi apresentada no sábado (17), após a assinatura do acordo entre representantes do bloco europeu e dos países do Mercosul, em cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai. Para a CNI, a formalização do tratado representa uma mudança estratégica relevante para a indústria brasileira.

Redução tarifária favorece exportações brasileiras

Segundo o levantamento, 54,3% dos produtos negociados — mais de cinco mil itens — terão tarifa de importação zerada na União Europeia assim que o acordo começar a valer. Já no Mercosul, o processo será mais gradual: o Brasil terá prazos entre 10 e 15 anos para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos, o que corresponde a cerca de 4,4 mil itens.

Com base em dados de 2024, a CNI destaca que 82,7% das exportações brasileiras para a UE entrarão no bloco europeu sem imposto de importação desde o início da vigência. Em contrapartida, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações provenientes da União Europeia, o que cria uma assimetria considerada favorável ao país.

Prazos ampliam previsibilidade para o Brasil

O estudo indica ainda que o Brasil contará, em média, com oito anos adicionais de adaptação em relação aos prazos concedidos à União Europeia, considerando o comércio bilateral e o cronograma estabelecido no acordo.

Para a CNI, o tratado, negociado ao longo de mais de 25 anos, é o mais amplo já firmado pelo Mercosul. Além da redução tarifária, o texto incorpora regras que ampliam a previsibilidade regulatória, reduzem custos e estimulam investimentos, inovação e geração de empregos.

Impactos sobre emprego e renda

De acordo com a entidade, o comércio com a União Europeia já apresenta efeitos relevantes sobre o mercado de trabalho. Em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para o bloco europeu gerou 21,8 mil empregos, movimentou R$ 441,7 milhões em massa salarial e impulsionou R$ 3,2 bilhões em produção.

No setor agroindustrial, o acordo também amplia oportunidades. As cotas negociadas favorecem segmentos estratégicos e, no caso da carne bovina, superam em mais do que o dobro as concedidas pela UE a parceiros como o Canadá e são mais de quatro vezes maiores que as destinadas ao México. As cotas de arroz, por sua vez, ultrapassam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco.

Cooperação tecnológica e transição verde

O tratado também cria condições para ampliar a cooperação tecnológica entre Brasil e União Europeia, especialmente em projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à sustentabilidade. A CNI aponta oportunidades em áreas como descarbonização industrial, captura e armazenamento de carbono, hidrogênio de baixa emissão, motores híbrido-flex, reciclagem de baterias e desenvolvimento de bioinsumos agrícolas.

Essas iniciativas, segundo a entidade, fortalecem a competitividade brasileira e aceleram a transição para uma economia de baixo carbono, alinhada às exigências regulatórias e de mercado do bloco europeu.

Relação comercial Brasil–União Europeia

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total, mantendo-se como o segundo principal parceiro comercial do país, atrás apenas da China. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, ou 17,9% do total.

Quase 98,4% das importações brasileiras provenientes da Europa foram de produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras à UE corresponderam a bens industriais. Além disso, o bloco europeu segue como o maior investidor estrangeiro no Brasil, concentrando 31,6% do estoque de investimento produtivo externo em 2023.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Internacional

Tarifas dos EUA sobre a Groenlândia impulsionam acordo Mercosul-União Europeia

As novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países europeus contrários à anexação da Groenlândia por Washington voltaram a acirrar as tensões comerciais globais. A medida, divulgada no sábado (17), ocorre às vésperas de Trump completar um ano de seu segundo mandato e carrega forte componente geopolítico.

Embora tenha caráter político, a decisão pode gerar um efeito indireto relevante: ampliar o apoio ao acordo Mercosul-União Europeia, justamente no momento em que o texto entra na etapa mais delicada de tramitação no Parlamento Europeu.

Europa reage a tarifas e busca novos parceiros comerciais

Ao recorrer às tarifas como instrumento de pressão internacional, os Estados Unidos empurram a Europa para uma postura defensiva no comércio exterior. Parlamentares europeus já discutem abertamente a revisão — ou até a suspensão — do acordo comercial com Washington.

Paralelamente, a Comissão Europeia prepara medidas de retaliação tarifária a partir de fevereiro, caso não haja recuo por parte do governo americano.

Nesse ambiente, o acordo Mercosul-UE deixa de ser apenas uma negociação de longo prazo e passa a ser visto como uma alternativa estratégica concreta. As novas tarifas anunciadas por Trump se somam às já existentes, podendo elevar o custo de acesso dos produtos europeus ao mercado dos EUA para patamares próximos de 40% a partir de junho.

O impacto tende a ser significativo, com redução das exportações, pressão sobre cadeias produtivas e efeitos diretos sobre setores industriais e agrícolas da União Europeia.

Especialistas veem relação direta com fortalecimento do Mercosul-UE

Para o professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, a conexão entre a escalada tarifária americana e o fortalecimento do acordo com o Mercosul é evidente. “É impossível não associar uma coisa à outra. Tarifas de até 25% travam a saída de produtos europeus para os Estados Unidos, e a Europa precisa de novos mercados. Nesse cenário, o acordo Mercosul-UE ganha uma força inédita”, afirma.

Segundo Trevisan, ao dificultar o acesso ao mercado americano, os EUA aceleram a busca europeia por parceiros alternativos, e a América Latina surge como destino natural. “O episódio da Groenlândia, da forma como foi colocado, favorece uma aproximação da Europa com outros mercados, e a América Latina é candidata preferencial”, avalia.

Resistências políticas e risco jurídico ainda preocupam

Apesar do ambiente econômico mais favorável ao acordo, as tensões políticas internas na Europa permanecem. Parte do Parlamento Europeu, especialmente parlamentares ligados ao setor agrícola francês, tenta judicializar o tratado, encaminhando o texto à Corte de Justiça da União Europeia.

Trevisan alerta que nem toda oposição tem motivação econômica. “Há grupos radicalizados, de extrema direita, que defendem o rompimento com os Estados Unidos. Isso tem menos a ver com a Groenlândia e mais com disputas eleitorais”, analisa.

Ele lembra que a União Europeia exportou US$ 642 bilhões para os EUA no ano passado, sustentando empregos em economias centrais como Alemanha e França. Um rompimento abrupto poderia gerar desemprego — cenário que tende a fortalecer movimentos extremistas no continente.

Ambiente geopolítico favorece acordo, mas ritmo é incerto

Na avaliação de Carlos Primo Braga, ex-diretor de Política Econômica e Dívida do Banco Mundial e professor associado da Fundação Dom Cabral, o contexto internacional joga a favor do acordo com o Mercosul, embora obstáculos ainda persistam. “As medidas da administração Trump criam apoio adicional à aprovação do acordo Mercosul-UE, mas ainda existem pedregulhos no caminho”, destaca.

Segundo Braga, a resistência histórica veio de países preocupados com o impacto sobre o setor agrícola, como França e Polônia. No entanto, ajustes recentes — como o apoio da Itália após negociações envolvendo subsídios — reduziram o risco de bloqueio por critério populacional dentro da UE. “Hoje, não há mais os 35% da população europeia necessários para barrar o acordo”, explica.

O principal risco agora é jurídico. A votação no Parlamento Europeu sobre o envio do acordo à Corte de Justiça da UE está marcada para quarta-feira (21). Caso aprovada, a análise pode atrasar o processo entre 12 e 18 meses. “O acordo deve avançar, mas o ritmo ainda é incerto”, resume Braga.

Mercosul-UE ganha peso geopolítico em cenário global instável

O novo capítulo da tensão comercial liderada pelos Estados Unidos reforça a necessidade de reorganização do comércio global. Países e blocos buscam diversificar parceiros, reduzir dependência de Washington e garantir maior previsibilidade regulatória.

Nesse cenário, o acordo Mercosul-União Europeia assume um papel estratégico, deixando de ser apenas um pacto comercial para se tornar um instrumento de equilíbrio geopolítico.

Para a Europa, representa acesso a mercados e recursos naturais em meio ao atrito com os EUA. Para o Brasil e os demais países do Mercosul, é a oportunidade de se consolidar como parceiro confiável em um mundo cada vez mais fragmentado.

De forma quase paradoxal, ao usar tarifas como arma política, Donald Trump pode acabar fortalecendo justamente o acordo que enfrentava maior resistência dentro da própria Europa.

FONTE: CNN / Com informações de análises de especialistas em comércio internacional e relações exteriores.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO IPEA

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Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul será assinado neste sábado e avança para fase de ratificação

Após mais de duas décadas de negociações, União Europeia e Mercosul dão neste sábado (17) um passo decisivo rumo à consolidação de um dos maiores acordos comerciais globais. A assinatura do acordo UE-Mercosul ocorre em Assunção, no Paraguai, e marca a criação de uma ampla zona de livre comércio, com potencial para integrar mercados, reduzir tarifas e estimular investimentos entre os dois blocos.

O tratado conecta a América do Sul à zona do euro, reunindo cerca de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões.

Assinatura ocorre sem presença de um dos líderes sul-americanos

A cerimônia contará com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, além dos chefes de Estado da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai. Luiz Inácio Lula da Silva não participará do evento, embora tenha se reunido com Ursula von der Leyen na véspera, no Rio de Janeiro, quando destacou a longa duração das negociações.

Aprovação política abre caminho para a assinatura

Antes da assinatura, o acordo passou por uma etapa crucial dentro da União Europeia. Após aval provisório do Comitê de Representantes Permanentes (Coreper), os países-membros formalizaram seus votos por escrito dentro do prazo estabelecido por Bruxelas.

Nesta sexta-feira, o Chipre, que ocupa a presidência rotativa do bloco, confirmou que o texto foi aprovado por ampla maioria, liberando a Comissão Europeia para avançar com a assinatura oficial.

Tratado ainda não entra em vigor automaticamente

Apesar da assinatura, o acordo UE-Mercosul ainda não passa a valer de forma imediata. O texto seguirá agora para os processos de ratificação interna nos países envolvidos.

No caso europeu, o tratado será analisado pelo Parlamento Europeu e, dependendo do enquadramento jurídico, poderá exigir aprovação adicional dos parlamentos nacionais. Já no Mercosul, o acordo precisará do aval dos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

🔎 O tratado estabelece obrigações legais, como redução de tarifas, ajustes nas regras comerciais e compromissos regulatórios nos países do Mercosul.

Há ainda a possibilidade de aplicação provisória de partes do acordo, especialmente aquelas ligadas à diminuição de taxas, permitindo que alguns efeitos econômicos sejam antecipados antes da ratificação completa.

Pontos centrais e divergências dentro da União Europeia

Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê a redução gradual de tarifas, normas comuns para o comércio de produtos industriais e agrícolas, além de regras para investimentos e padrões ambientais.

Dentro da União Europeia, o tratado divide opiniões. Países como Alemanha e Espanha defendem o acordo por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos.

Por outro lado, a França, com apoio de nações como Polônia, Irlanda e Áustria, expressa resistência, especialmente por preocupações com o impacto sobre o setor agrícola europeu. Agricultores e ambientalistas também apontam riscos relacionados à concorrência e à preservação ambiental.

Para tentar equilibrar os interesses, o texto final inclui salvaguardas agrícolas e exigências ambientais mais rigorosas. No Mercosul, o Brasil desempenha papel central e precisará demonstrar avanços em sustentabilidade e controle ambiental para facilitar a ratificação e ampliar o acesso ao mercado europeu.

FONTE: G1
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Comércio Exterior

Superávit comercial da China atinge US$ 1,2 trilhão em 2025 e bate recorde histórico

A China encerrou 2025 com um superávit comercial de US$ 1,2 trilhão, equivalente a cerca de R$ 6,5 trilhões. O número representa o melhor desempenho da balança comercial chinesa já registrado e foi divulgado nesta quarta-feira (14) pela Administração Geral de Alfândegas da China.

Comércio exterior movimentou US$ 6,4 trilhões

Ao longo do ano passado, o comércio exterior da China somou US$ 6,4 trilhões. As exportações chinesas alcançaram US$ 3,8 trilhões, crescimento de 5,5% em relação a 2024. Já as importações totalizaram US$ 2,6 trilhões, mantendo o mesmo patamar do ano anterior.

Guerra tarifária marcou o cenário econômico

O resultado expressivo ganhou relevância adicional diante dos desafios enfrentados pela economia chinesa em 2025. Durante o ano, China e Estados Unidos protagonizaram uma guerra tarifária, que impactou o desempenho econômico e o fluxo comercial entre os dois países por vários meses.

Comércio com os EUA recua quase 19%

Os reflexos da disputa apareceram diretamente nos números bilaterais. O comércio entre China e EUA caiu 18,7% em 2025, somando US$ 559,7 bilhões. As exportações chinesas para os Estados Unidos recuaram 20%, enquanto as importações de produtos norte-americanos tiveram queda de 14,6%.

Apesar da retração, os Estados Unidos permaneceram como o terceiro maior parceiro comercial da China no período.

Asean lidera, seguida pela União Europeia

A Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) consolidou-se como a principal parceira comercial da China, com fluxo de US$ 1,1 trilhão. Em seguida aparece a União Europeia, responsável por US$ 828 bilhões em transações comerciais com o país asiático.

Relação comercial com o Brasil tem leve retração

O comércio entre China e Brasil movimentou US$ 188 bilhões em 2025, o que representa uma leve queda de 0,1% em comparação com o ano anterior. As exportações chinesas ao Brasil recuaram 0,7%, enquanto as importações de produtos brasileiros avançaram 0,2%.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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