Comércio Exterior

Missão da União Europeia avalia controles sanitários da avicultura e do mel no Brasil

Uma missão da União Europeia (UE) permanecerá no Brasil pelas próximas duas semanas para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização de carne de frango e mel. O objetivo é verificar se os controles brasileiros atendem às exigências europeias, especialmente em relação ao uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas.

A avaliação ocorre às vésperas de uma possível suspensão das exportações brasileiras de carne de aves, bovinos, mel e pescado para o mercado europeu, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro.

UE avalia uso de antimicrobianos

Em maio, a União Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco. Segundo as autoridades europeias, o país não teria demonstrado controles considerados suficientes sobre o emprego de antimicrobianos na produção animal.

No setor de avicultura, porém, a expectativa é de que a inspeção apresente resultados positivos. Fontes familiarizadas com o processo afirmam que os técnicos devem encontrar procedimentos já adotados há anos pelas empresas brasileiras, como a separação de aves destinadas ao mercado europeu e a proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento.

Ainda assim, a eventual retomada do Brasil à lista de exportadores autorizados dependerá exclusivamente das autoridades europeias após a conclusão da missão.

Exportações de frango podem ser afetadas

Mesmo com uma avaliação favorável, existe a possibilidade de uma interrupção temporária nas vendas ao bloco europeu. Equipes oficiais de inspeção em frigoríficos brasileiros já receberam orientação para não certificar, a partir de 3 de setembro, produtos que estejam em desacordo com as normas europeias sobre antimicrobianos.

A decisão sobre a permanência ou o retorno do Brasil à lista de países autorizados será analisada pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia (Scopaff). Reuniões extraordinárias podem ser convocadas, embora a próxima reunião ordinária esteja prevista para novembro.

Brasil exportou US$ 680 milhões em frango para a UE

Em 2026, o Brasil embarcou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com receita próxima de US$ 680 milhões. Somente em julho, foram exportadas 36,8 mil toneladas, movimentando US$ 104,2 milhões, segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério da Agricultura.

O mercado europeu é, portanto, relevante para a indústria avícola brasileira, e qualquer restrição às exportações pode gerar impactos sobre frigoríficos habilitados e sobre a cadeia produtiva.

Inspeções serão realizadas em quatro empresas

A delegação europeia iniciou reuniões com o Ministério da Agricultura, em Brasília, nesta segunda-feira (24). Na sequência, os técnicos visitarão quatro empresas avícolas localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul que possuem autorização para exportar ao mercado europeu.

A programação também inclui inspeções em apiários no Paraná, em uma unidade de processamento de mel no interior de São Paulo e em órgãos estaduais responsáveis pela fiscalização agropecuária.

A missão permanecerá no Brasil até 4 de setembro, quando está prevista uma reunião final em Brasília. A partir dos resultados da avaliação, caberá às autoridades da União Europeia decidir sobre a continuidade ou eventual retomada das exportações brasileiras de produtos de origem animal para o bloco.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor International

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Exportadores agrícolas

Exportações agrícolas do Brasil podem enfrentar novas restrições da União Europeia

As exportações agrícolas brasileiras para a União Europeia (UE) podem enfrentar novas barreiras caso o bloco avance com uma proposta de endurecimento das regras para resíduos de determinados pesticidas considerados de maior risco.

A iniciativa prevê reduzir a níveis técnicos próximos de zero os Níveis Máximos de Resíduos (MRLs) permitidos para algumas substâncias não autorizadas na UE. Na prática, a medida poderia dificultar a entrada de produtos agrícolas de países como o Brasil no mercado europeu.

Um estudo do Joint Research Centre (JRC), serviço científico da Comissão Europeia, aponta o Brasil entre os países potencialmente mais expostos. Em 2025, o país exportou mais de 18 bilhões de euros em produtos agrícolas para o bloco.

Nova regra europeia mira resíduos de pesticidas

Atualmente, a legislação europeia permite a presença de determinados resíduos de pesticidas não autorizados no bloco quando os níveis encontrados não representam risco ao consumidor.

A proposta apresentada pela Comissão Europeia em dezembro de 2025 pretende alterar esse mecanismo para algumas substâncias classificadas como de maior perigo. A ideia é reduzir seus limites de resíduos ao chamado limite de quantificação (LOQ), o que, na prática, pode impedir a comercialização de produtos que utilizem determinados agroquímicos.

A discussão ocorre paralelamente no Parlamento Europeu e entre os Estados-membros. Os 27 países ainda não chegaram a um consenso, e a expectativa é de que uma proposta de compromisso seja apresentada em setembro pela Irlanda, que exerce a presidência rotativa do bloco.

A mudança também ocorre em um contexto de pressão de produtores europeus contrários ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

Estudo aponta possível impacto sobre preços e comércio

O levantamento europeu avaliou os efeitos econômicos de três possíveis cenários.

No cenário mais severo, em que os países exportadores não alteram suas práticas agrícolas e perdem acesso ao mercado europeu, as importações agrícolas da UE poderiam cair 41% em volume.

Os impactos seriam particularmente fortes sobre:

  • Frutas cítricas: queda de 92% nas importações;
  • Soja: redução de 90%;
  • Café: alta potencial de 332% nos preços ao consumidor;
  • Bagaço de soja: aumento de até 105%;
  • Frutas cítricas: alta de até 85%.

A produção agrícola europeia cresceria apenas 1,1%, enquanto setores da produção pecuária poderiam ser prejudicados pelo encarecimento da ração. A produção de carne suína, por exemplo, poderia recuar 5,8%, enquanto a de aves cairia 5,4%.

Adaptação dos produtores reduz os efeitos

Em um cenário intermediário, no qual os produtores fazem apenas parte das adaptações necessárias, as importações agrícolas europeias diminuiriam 8%.

Os preços ao consumidor também subiriam, mas em proporções menores. As maiores altas estimadas seriam de 6,5% para uvas de mesa, 6% para café e 5,6% para frutas cítricas.

Já em um cenário de adaptação mais ampla, com parte dos produtores modificando seus métodos e custos de exportação para a UE aumentando 5%, a redução das importações agrícolas seria de apenas 0,4%.

Nesse caso, os impactos sobre a produção europeia e os preços ao consumidor permaneceriam abaixo de 1%.

Brasil aparece entre os países mais expostos

O estudo destaca que o impacto econômico não seria uniforme entre os países. Embora a produção agrícola doméstica de algumas nações não esteja diretamente muito exposta, setores dependentes da exportação de commodities que utilizam os pesticidas sob análise podem sofrer consequências relevantes.

Brasil, Turquia, Marrocos, Colômbia e Ucrânia estão entre os países apontados como mais vulneráveis.

No caso brasileiro, 52,8% das exportações para a União Europeia dos produtos agrícolas analisados têm o bloco como destino, segundo o levantamento.

Ao todo, o estudo identifica 30 países potencialmente expostos, divididos em três grupos:

Países dependentes das exportações: Bósnia e Herzegovina, Marrocos, Uruguai, Benin, Camarões, Moldávia, Reino Unido, Ucrânia, Macedônia do Norte, Sérvia, Panamá, Suriname, Colômbia, Turquia, Senegal e Brasil.

Países dependentes da produção: Peru, Equador e Costa Rica.

Países com valor de exportação em risco: Estados Unidos, Vietnã, Chile, China, Canadá, África do Sul, Israel, Costa do Marfim, República Dominicana, Tunísia e Belize.

Soja brasileira pode ser um dos setores mais afetados

A soja brasileira recebeu atenção especial na análise do JRC. A União Europeia depende fortemente das importações da commodity, utilizada principalmente na alimentação animal, e o Brasil responde por quase metade do fornecimento de soja destinado ao bloco.

Das 18 substâncias ativas avaliadas no estudo, resíduos de quatro foram identificados em soja e farelo de soja importados do Brasil. Três delas são autorizadas para utilização na produção brasileira de soja.

Caso o Brasil não faça nenhuma adaptação às exigências europeias, o estudo estima uma redução de 95% nas importações de soja brasileira pela UE, equivalente a aproximadamente 591 mil toneladas.

Com uma adaptação parcial dos produtores, a queda seria reduzida para cerca de 30%, mas haveria um custo adicional estimado em 20% para modificar as práticas produtivas.

Farelo de soja teria impacto ainda maior

O cenário é ainda mais expressivo no caso das importações europeias de farelo de soja brasileiro.

Dependendo da intensidade das mudanças regulatórias e da capacidade de substituição das substâncias utilizadas na produção, as compras europeias poderiam cair 100%, 25% ou apenas 0,1%.

No cenário mais severo, isso representaria uma redução de aproximadamente 9,525 milhões de toneladas.

Apesar da perda potencial no mercado europeu, o volume total das exportações brasileiras de soja permaneceria relativamente estável nos diferentes cenários analisados. A explicação é que parte da produção que deixaria de ser vendida para a UE poderia ser direcionada a outros mercados.

O deslocamento, porém, teria impacto sobre os preços. No Brasil, o valor recebido pelos produtores poderia cair 5,6% no cenário mais grave e 1% em uma hipótese intermediária.

Mudança de fornecedores afetaria o mercado global

Uma eventual redução das compras europeias de soja brasileira também poderia alterar as cadeias internacionais de abastecimento.

A UE tenderia a ampliar as compras de fornecedores menos afetados pelas novas regras, enquanto a menor demanda por soja e farelo poderia provocar mudanças nos mercados de oleaginosas, na atividade de esmagamento e na cadeia de produção de ração animal.

O estudo estima ainda que a adoção de substâncias alternativas aprovadas pela União Europeia poderia elevar os custos de produção entre 20% e 40% em alguns países exportadores.

Brasil possui alternativas a alguns agroquímicos

O levantamento aponta que produtores brasileiros já utilizam alternativas autorizadas pela UE para determinadas culturas.

Na produção de cereais, por exemplo, existem opções ao ciproconazol, como fosetil-alumínio, bixafen, metalaxil-M, fluazinam e fluxapiroxad.

Ao mesmo tempo, também são utilizados no Brasil produtos não autorizados na UE, entre eles propiconazol, flutriafol e mancozeb.

O estudo observa, contudo, que o flutriafol é a única dessas substâncias que ainda apresenta MRLs acima do limite de quantificação para algumas categorias de cereais, sem estar incluído na categoria de maior risco analisada.

Na produção de soja, os agricultores brasileiros também utilizam alternativas aprovadas pela UE, como protioconazol e piraclostrobina.

Produtores e exportadores contestam proposta na OMC

A possível mudança europeia já provoca questionamentos de grandes países produtores agrícolas. Um grupo de 19 nações, incluindo Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá e Austrália, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A principal preocupação é que a União Europeia estaria adotando critérios próprios de perigo para restringir determinadas substâncias, em vez de utilizar exclusivamente avaliações de risco baseadas em critérios científicos reconhecidos internacionalmente.

Os países também questionam a possibilidade de Bruxelas aplicar, de forma indireta, padrões de produção europeus a agricultores de outras regiões, mesmo diante de diferenças climáticas e agrícolas.

Na avaliação dos países que contestam a medida, esse tipo de exigência pode gerar instabilidade no comércio agrícola internacional e aumentar as dificuldades de funcionamento do sistema multilateral baseado em regras comuns.

Acesso ao mercado europeu pode ficar mais complexo

A proposta ainda está em discussão e seus efeitos dependerão do formato final das regras e do nível de adaptação dos produtores e exportadores.

Para o Brasil, entretanto, o estudo europeu indica que setores como soja, café e outras commodities agrícolas podem enfrentar custos adicionais e necessidade de mudanças nas práticas de produção caso as novas exigências sejam aprovadas.

Mesmo com o avanço do acordo de livre comércio entre UE e Mercosul, o cumprimento das normas sanitárias, ambientais e relacionadas ao uso de agroquímicos continuará sendo um fator relevante para o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Manaus debate novas oportunidades para exportações brasileiras na União Europeia

Manaus recebe, nesta sexta-feira (14), o Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, encontro que reunirá representantes do governo, empresários e especialistas em comércio exterior para discutir alternativas de expansão das exportações brasileiras.

O evento ocorre em um cenário de busca por diversificação de mercados por parte das empresas nacionais, especialmente diante dos novos desafios enfrentados nas relações comerciais com os Estados Unidos. A programação terá como foco as oportunidades criadas pelo Acordo Mercosul-União Europeia e os caminhos para transformar essas possibilidades em negócios.

Evento reúne autoridades e representantes do setor produtivo

A iniciativa é promovida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pela ApexBrasil e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Entre os participantes estão o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; e o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. Também participam especialistas em comércio exterior, representantes institucionais, compradores internacionais e empresas brasileiras.

Amazonas tem 242 oportunidades de exportação

O mercado europeu aparece como uma alternativa estratégica para ampliar a presença internacional das empresas do Amazonas. Segundo levantamento da ApexBrasil, elaborado com base em dados do MDIC, foram identificadas 242 oportunidades de exportação do estado para países da União Europeia.

Em 2025, empresas amazonenses movimentaram US$ 199 milhões em exportações para o bloco europeu. No mesmo período, 112 empresas do estado mantiveram relações comerciais com o mercado da União Europeia.

Os dados reforçam o potencial de internacionalização das empresas amazonenses e a possibilidade de ampliar a participação regional no comércio internacional.

Negócios internacionais estão entre os destaques

A programação do Conexões Produtivas também prevê anúncios de negócios já encaminhados. Após a abertura do evento, serão anunciados e assinados contratos de compra resultantes das negociações realizadas durante o Exporta Mais Brasil, com participação de Lou Zijun, general manager da chinesa EcoFoods.

Outro momento será o painel “A demanda do mercado europeu: inovações e tendências no setor industrial e agrícola”. A discussão contará com Vincent Furlan, especialista do escritório da ApexBrasil em Bruxelas, e Lourdes Vignolo, representante da empresa holandesa NH Superfoods.

A proposta é apresentar a visão de compradores e especialistas sobre as demandas do mercado europeu, além de tendências e oportunidades para produtos brasileiros.

MDIC apresenta estratégias para transformar oportunidades em negócios

A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, participará do encontro com a palestra “Do Acordo ao Mercado: Como Transformar Oportunidades em Negócios”.

Na sequência, Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, apresentará oportunidades e serviços voltados à indústria dentro das ações da Nova Indústria Brasil.

A programação também abordará o potencial da Amazônia Legal na geração de negócios a partir do Acordo Mercosul-União Europeia. O debate deverá reunir informações de inteligência de mercado e experiências de empresas brasileiras que já avançaram em seus processos de internacionalização.

Diversificação de mercados ganha espaço na agenda empresarial

O Conexões Produtivas acontece em um momento de maior atenção à abertura de novos mercados e à redução da dependência de destinos específicos.

A proposta do encontro é aproximar empresas brasileiras de oportunidades comerciais em diferentes países e apresentar ferramentas disponíveis para negócios que desejam ampliar sua atuação internacional.

Jornalistas interessados em acompanhar o evento podem realizar o credenciamento prévio.

FONTE: ApexBrasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: ApexBrasil

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Exportação

Exportações brasileiras para a União Europeia crescem 4% após acordo Mercosul-UE

As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram quase 4% nos dois primeiros meses de vigência provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O dado foi destacado nesta segunda-feira, 10, pelo vice-presidente da República.

Apesar do avanço nas vendas externas, Alckmin também chamou atenção para obstáculos enfrentados pelo Brasil no comércio internacional. Segundo ele, alguns países adotam uma espécie de protecionismo comercial baseado em exigências sanitárias.

A declaração ocorre em meio a dificuldades nas exportações brasileiras de carne bovina e de frango para o mercado europeu.

Exportação de carnes enfrenta restrições na Europa

A União Europeia suspendeu, a partir de 3 de setembro, a autorização para a importação de determinados produtos de origem animal do Brasil. Entre eles estão carnes bovinas e de frango.

Segundo a justificativa apresentada pelo bloco europeu, o Brasil não teria comprovado adequadamente a adoção de novas exigências relacionadas ao controle de antimicrobianos na pecuária.

Durante a abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Alckmin defendeu o fortalecimento da fiscalização sanitária brasileira.

O vice-presidente destacou investimentos e mudanças na estrutura de vigilância sanitária, afirmando que quase mil profissionais foram revitalizados após 18 anos para reforçar os mecanismos de controle.

Brasil destaca avanços no controle sanitário

Alckmin também citou avanços na situação sanitária do país. Entre os exemplos apresentados está o reconhecimento do Brasil como exportador de carne bovina sem a necessidade de vacinação contra a febre aftosa.

Na área de saúde animal, ele mencionou ainda a influenza aviária, afirmando que o país conseguiu controlar um caso em 28 dias.

Apesar dos avanços, o vice-presidente defendeu a necessidade de ampliar os esforços para garantir o acesso dos produtos brasileiros aos mercados internacionais.

Para Alckmin, exigências sanitárias podem acabar funcionando como uma forma indireta de protecionismo comercial, dificultando a entrada de produtos estrangeiros.

Acordo Mercosul-UE impulsiona vendas brasileiras

Mesmo diante das restrições envolvendo alguns produtos, Alckmin ressaltou o desempenho das exportações brasileiras para o mercado europeu desde o início da vigência provisória do acordo comercial Mercosul-UE.

Segundo o vice-presidente, as vendas do Brasil para a União Europeia avançaram quase 4% nos dois meses seguintes à entrada em vigor do acordo.

Ele avaliou que a abertura de novos mercados e a ampliação das relações comerciais ajudam o Brasil a manter o desempenho positivo das exportações, inclusive diante das dificuldades enfrentadas nas relações comerciais com os Estados Unidos.

Governo promete manter negociação com os Estados Unidos

Alckmin também afirmou que o Brasil pretende continuar negociando com os Estados Unidos para tentar reverter medidas que vêm prejudicando as exportações brasileiras.

Segundo ele, o governo manterá os esforços diplomáticos e comerciais e não pretende abandonar a mesa de negociação.

O vice-presidente classificou como injusta a situação atual e afirmou que o objetivo é corrigir o que considera uma distorção e recuperar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano.

De acordo com Alckmin, as medidas adotadas pelos Estados Unidos atingem aproximadamente 15% das exportações brasileiras, com impacto especialmente forte sobre a indústria.

Comércio exterior busca novos mercados

O cenário reforça a importância da diversificação dos destinos das exportações do Brasil. Enquanto o governo tenta solucionar os obstáculos comerciais com os Estados Unidos, o desempenho das vendas para a União Europeia aparece como um dos indicadores positivos para o comércio exterior.

A expectativa é que a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia amplie as oportunidades para produtos brasileiros e fortaleça a presença do país no mercado europeu.

Ao mesmo tempo, questões sanitárias e barreiras comerciais continuam entre os principais desafios para o agronegócio e para a indústria brasileira no cenário internacional.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Inesc

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Comércio Internacional

25 estados dos EUA acionam Justiça contra tarifas de Trump sobre trabalho forçado

Um grupo de 25 estados dos Estados Unidos ingressou com uma ação no Tribunal de Comércio Internacional, em Nova York, para contestar a nova política de tarifas de Trump sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo Brasil e União Europeia. O processo foi protocolado na segunda-feira (3).

A iniciativa reúne, em sua maioria, estados comandados por governadores democratas. Entre os signatários estão Nova York, Califórnia e Illinois. Dos 25 estados participantes, 23 são administrados por democratas, enquanto Nevada e Vermont, os outros dois integrantes da ação, possuem governadores republicanos.

Medidas foram justificadas pelo combate ao trabalho forçado

As tarifas começaram a valer em 24 de julho de 2026 e estabelecem alíquotas de 10% e 12,5% sobre produtos importados dos países e blocos atingidos.

O governo dos Estados Unidos afirma que as medidas são uma resposta à suposta falha desses parceiros comerciais em impedir a circulação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A justificativa se baseia na Seção 301 da legislação comercial americana, após uma investigação concluir que aproximadamente 60 economias não estariam adotando medidas suficientes para barrar esse tipo de prática em suas cadeias produtivas, prejudicando trabalhadores norte-americanos.

Estados afirmam que cobrança é ilegal

Na ação judicial, os estados alegam que não existe relação lógica entre o combate ao trabalho forçado e a aplicação de tarifas amplas contra dezenas de parceiros comerciais.

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, afirmou que a administração Trump estaria tentando elevar ilegalmente os custos para famílias e empresas por meio de uma nova rodada de tarifas. Já o procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, declarou que os principais prejudicados são os próprios cidadãos americanos, e não os governos estrangeiros.

Os autores do processo também destacam que condenam o trabalho forçado em qualquer circunstância, mas sustentam que o governo federal não pode utilizar esse argumento como justificativa para manter um sistema tarifário que consideram ilegal.

Em defesa da política comercial, o porta-voz Kush Desai afirmou que os Estados Unidos estão exercendo uma autoridade legal válida para enfrentar práticas internacionais consideradas prejudiciais ao comércio do país.

Governo Trump enfrenta novos desafios na Justiça

O novo processo amplia a lista de disputas judiciais envolvendo a política comercial da administração Trump. Recentemente, um tribunal de apelações dos Estados Unidos decidiu que a maior parte das tarifas impostas pelo governo é ilegal, em ações apresentadas por pequenas empresas e por uma coalizão de estados.

Na decisão, os magistrados entenderam que a legislação aprovada pelo Congresso em 1977 não teria concedido ao presidente poderes ilimitados para impor tarifas comerciais.

Além da ação movida pelos estados, outros processos apresentados por grupos empresariais também questionam a legalidade das cobranças.

As tarifas discutidas neste caso, de 10% e 12,5%, diferem da tarifa de 25% anunciada anteriormente para parte das exportações brasileiras, resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

FONTE: FUP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FUP

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Exportação

Acordo Mercosul-União Europeia abre novas oportunidades para exportações de Santa Catarina

O acordo entre Mercosul e União Europeia amplia as perspectivas para as exportações de Santa Catarina, que passa a contar com centenas de novas oportunidades de negócios no mercado europeu. Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) aponta a existência de 805 oportunidades de exportação para empresas catarinenses.

Embora o estado já tenha 761 empresas comercializando produtos com países da União Europeia, especialistas avaliam que os maiores benefícios iniciais devem ser aproveitados por companhias com maior experiência em comércio exterior, já preparadas para atender às exigências técnicas do bloco europeu.

Indústria e agronegócio lideram potencial de crescimento

Entre os setores com maior possibilidade de expansão estão os segmentos da indústria de transformação, especialmente fabricantes de motores elétricos, transformadores, compressores, móveis e produtos de madeira.

No agronegócio, as carnes de frango e suína seguem como os principais destaques da pauta exportadora catarinense.

A redução gradual das tarifas prevista no acordo tende a aumentar a competitividade desses produtos no mercado europeu, colocando as empresas brasileiras em condições semelhantes às de países que já mantinham acordos comerciais com a União Europeia.

Pequenas empresas enfrentam desafios para exportar

Apesar das novas oportunidades, especialistas alertam que o acesso ao mercado europeu pode ser mais complexo para pequenas e médias empresas.

Entre os principais obstáculos estão as rigorosas exigências relacionadas à certificação ambiental, rastreabilidade dos produtos e normas de rotulagem. Além disso, diversos segmentos exigem elevada capacidade produtiva e investimentos significativos para atender aos padrões internacionais.

Nesse cenário, uma alternativa para os pequenos negócios é atuar como fornecedores de insumos, componentes ou serviços para grandes indústrias exportadoras, integrando-se às cadeias produtivas já consolidadas.

Mercado interno também deve sentir os efeitos do acordo

Os impactos do tratado não se restringem às exportações. A abertura comercial também deve ampliar a presença de máquinas, equipamentos e tecnologias europeias no mercado brasileiro.

Com a redução das tarifas de importação, empresas catarinenses poderão encontrar fornecedores europeus mais competitivos, o que tende a reduzir custos de investimento e modernizar parte do parque industrial.

Ao mesmo tempo, fabricantes brasileiros de bens de capital deverão enfrentar uma concorrência mais intensa, exigindo ganhos de produtividade, inovação e eficiência para manter espaço no mercado.

Especialistas apontam desafios para o futuro

Economistas avaliam que o acordo também traz riscos de longo prazo para a economia brasileira caso não seja acompanhado por políticas voltadas ao fortalecimento da indústria.

Entre as principais preocupações está a possibilidade de o país ampliar sua dependência da exportação de produtos primários e de baixo valor agregado, como carnes e madeira, enquanto aumenta a importação de bens tecnológicos produzidos na Europa.

Outro ponto de atenção são as chamadas barreiras não tarifárias, que incluem critérios de sustentabilidade, requisitos ambientais e normas técnicas cada vez mais rigorosas.

Na avaliação de especialistas, ampliar investimentos em inovação, tecnologia e diversificação industrial será fundamental para que Santa Catarina aproveite plenamente as oportunidades criadas pelo acordo comercial e fortaleça sua competitividade internacional.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Informação

MDIC abre consulta pública para definir lista de produtos sustentáveis do Mercosul no acordo com a União Europeia

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) iniciou na segunda-feira (3) uma consulta pública para receber sugestões que irão contribuir com a elaboração da lista de produtos sustentáveis do Mercosul prevista no acordo comercial firmado com a União Europeia. O prazo para envio das contribuições segue até o dia 2 de setembro.

Consulta busca fortalecer comércio de produtos sustentáveis

A iniciativa foi oficializada por meio da Circular Secex nº 73/2026 e convida representantes do setor produtivo, da comunidade acadêmica, da sociedade civil e demais interessados a participarem do processo. As manifestações devem ser enviadas pela plataforma Brasil Participativo.

O objetivo é identificar produtos que promovam a conservação, a recuperação, o uso sustentável e a gestão responsável das florestas e de outros ecossistemas considerados vulneráveis.

Lista está prevista no Acordo Mercosul-UE

A criação da relação de produtos faz parte do parágrafo 39 do Anexo 18-A do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor em 1º de maio de 2026. O documento estabelece que a lista deverá ser implementada no prazo de até um ano após o início da vigência do acordo.

Benefícios para produtos da sociobiodiversidade

De acordo com as regras previstas no acordo, os itens incluídos na lista poderão receber tratamento preferencial ou vantagens adicionais para acesso ao mercado europeu, além de outros incentivos voltados à ampliação do comércio internacional.

As contribuições também servirão para identificar produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas alinhadas aos compromissos de desenvolvimento sustentável previstos no acordo entre os blocos.

FONTE: MDIC

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/Sebrae

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Informação

Governo critica exigência da União Europeia sobre antimicrobianos e defende sistema sanitário brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificou como “inaceitável” a exigência da União Europeia (UE) para que o Brasil comprove previamente o controle do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes ao bloco europeu.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (23), a pasta reforçou que o país deve permanecer na lista de nações autorizadas a exportar para a UE, independentemente do tempo necessário para que todas as cadeias produtivas atendam integralmente às novas exigências sanitárias.

Brasil defende confiança no sistema de fiscalização

O governo brasileiro argumenta que o comércio internacional de produtos agropecuários é sustentado pela confiança entre as autoridades sanitárias e pelo reconhecimento dos sistemas oficiais de inspeção.

Na avaliação do ministério, exigir a comprovação antecipada de medidas que são implementadas gradualmente ao longo do processo produtivo contraria esse princípio.

Segundo o Mapa, cabe justamente ao sistema oficial de fiscalização verificar o cumprimento das normas e garantir que apenas produtos em conformidade com os requisitos sanitários recebam certificação para exportação.

Certificação depende do ciclo produtivo

O Brasil passou a adotar recentemente um modelo de controle que acompanha todo o ciclo de produção dos animais quanto ao uso de antimicrobianos.

O tempo necessário para atender às exigências varia conforme a cadeia produtiva. Na pecuária bovina, por exemplo, a certificação pode levar cerca de dois anos, enquanto na produção de aves o processo é concluído em aproximadamente 40 dias.

Para o ministério, essa diferença demonstra que a disponibilidade de produtos aptos para exportação depende do ciclo de produção de cada setor, sem comprometer a credibilidade do sistema brasileiro de fiscalização.

Governo afirma que não pediu flexibilização das regras

O Ministério da Agricultura destacou que o Brasil não solicitou mudanças nas normas sanitárias da União Europeia.

Segundo a pasta, o compromisso continua sendo cumprir integralmente as exigências estabelecidas pelos mercados importadores, preservando os padrões internacionais de segurança alimentar.

O governo informou ainda que encaminhou à Comissão Europeia uma ampla documentação técnica com informações sobre os mecanismos de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação aplicados às cadeias de carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca.

Até o momento, de acordo com o ministério, as autoridades europeias ainda não apresentaram uma manifestação definitiva sobre os documentos enviados.

Setor quer manutenção do Brasil na lista de exportadores

Representantes da indústria frigorífica e da pecuária apoiaram a posição adotada pelo governo brasileiro.

Segundo fontes do setor, a principal reivindicação é que o Brasil permaneça habilitado para exportar ao bloco europeu, ainda que parte dos produtos leve mais tempo para atender plenamente às novas exigências.

Na avaliação de integrantes da cadeia produtiva, a discussão sobre a disponibilidade de animais certificados não deve ser confundida com a confiabilidade do sistema sanitário nacional.

Entenda o impasse com a União Europeia

Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro, alegando falhas na comprovação do controle do uso de antimicrobianos.

Como alternativa, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento desses insumos na produção nacional para atender às exigências europeias. No entanto, estimativas do setor apontam que essa medida poderia elevar os custos da cadeia pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, devido ao aumento das despesas com alimentação animal e medicamentos.

Exportações para a União Europeia movimentam bilhões

A União Europeia permanece entre os principais mercados para a proteína animal brasileira.

Em 2025, o bloco importou aproximadamente 128 mil toneladas de carne bovina do Brasil, movimentando cerca de US$ 1 bilhão. Considerando todas as proteínas exportadas, o comércio entre as partes alcançou US$ 1,8 bilhão.

O Ministério da Agricultura reafirmou que continuará o diálogo técnico com as autoridades europeias e defendeu que futuras decisões sejam baseadas em critérios científicos, transparência e cooperação internacional, princípios considerados fundamentais para o comércio global de produtos agropecuários.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araujo/CNA

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Comércio Exterior

União Europeia reage com cautela à nova tarifa dos EUA e cobra cumprimento de acordo comercial

A União Europeia recebeu com cautela a decisão dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre importações de dezenas de parceiros comerciais. Para a Comissão Europeia, as medidas anunciadas nesta sexta-feira (24) permanecem em linha com o acordo comercial firmado entre os dois lados no ano passado, preservando compromissos considerados estratégicos para a relação bilateral.

As novas tarifas de 10% e 12,5% atingem produtos de 60 parceiros comerciais, entre eles a União Europeia e a China. Segundo o governo norte-americano, a medida busca pressionar países que, na avaliação de Washington, não adotam mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Bloco europeu mantém benefícios tarifários

Apesar da nova política comercial dos Estados Unidos, a União Europeia integra um grupo restrito de parceiros cujas tarifas adicionais não serão acumuladas com as alíquotas alfandegárias já existentes para países classificados como “nação mais favorecida”.

Além disso, o governo norte-americano manteve ou restabeleceu isenções para diversos produtos europeus. Entre os itens beneficiados estão cortiça, diamantes, além de aeronaves, peças aeronáuticas, medicamentos genéricos e ingredientes farmacêuticos ativos.

Em nota, a Comissão Europeia afirmou que o resultado está alinhado aos compromissos assumidos pelos Estados Unidos na Declaração Conjunta firmada entre as duas partes, avaliando que a decisão cria um ambiente favorável para ampliar as negociações em busca de novas isenções tarifárias e maior cooperação comercial.

Bruxelas espera continuidade do acordo

O bloco europeu também reforçou a expectativa de que Washington cumpra integralmente os termos do entendimento firmado em julho do ano passado durante encontro realizado em Turnberry, na Escócia.

Pelo acordo, a União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas de importação sobre produtos industriais norte-americanos, enquanto os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa de 15% sobre a maior parte das mercadorias europeias.

Para a Comissão Europeia, a manutenção desse compromisso é considerada fundamental para garantir maior previsibilidade e estabilidade nas relações comerciais entre os dois mercados.

UE rejeita acusações sobre trabalho forçado

As autoridades europeias também voltaram a contestar a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para endurecer as regras comerciais.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que as alegações de falhas no combate ao trabalho forçado não refletem a realidade do bloco.

Durante participação nas reuniões da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Manila, Kallas destacou que a legislação trabalhista europeia garante elevados padrões de proteção aos trabalhadores, incluindo férias remuneradas e condições de trabalho consideradas avançadas.

Segundo a diplomata, a justificativa utilizada por Washington não encontra respaldo nas normas adotadas pelos países que integram a União Europeia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Yves Herman

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Exportação

CBAM muda regras para exportações brasileiras de aço e alumínio à Europa

O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), criado pela União Europeia, já começou a alterar a dinâmica das exportações brasileiras de aço e alumínio. O que antes era visto apenas como uma exigência futura de conformidade ambiental agora influencia negociações comerciais, contratos de fornecimento e a competitividade das empresas brasileiras no mercado europeu.

Diante desse novo cenário, exportadores aceleram investimentos em medição, verificação e certificação das emissões de carbono para atender às exigências impostas pelo bloco europeu.

Empresas correm para adaptar processos de emissões

Segundo Rafael Della Barba, coordenador de riscos climáticos e descarbonização da WayCarbon, parte da indústria siderúrgica iniciou sua preparação ainda em 2023, antecipando as novas exigências regulatórias. Outras empresas, porém, adiaram investimentos e agora buscam adequar seus processos em um curto espaço de tempo.

Com o CBAM, as emissões deixam de ser calculadas apenas em nível corporativo e passam a exigir informações detalhadas por produto, incluindo o processo produtivo, rastreabilidade e dados auditáveis. A mudança obriga até empresas que já publicam inventários de carbono a revisar suas metodologias.

A ausência de informações confiáveis pode elevar custos, já que produtos sem comprovação de emissões reduzidas poderão ser enquadrados em valores-padrão mais altos, diminuindo uma das principais vantagens competitivas do Brasil: sua matriz energética de menor intensidade de carbono.

Exportações de alumínio enfrentam oscilações

Os embarques brasileiros de alumínio para a Europa registraram queda no acumulado do primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, as exportações de tarugos recuaram 43,9%, enquanto os embarques de lingotes diminuíram 47,3% na comparação com igual período de 2025.

Apesar da retração inicial, o mercado apresentou recuperação a partir de março. O aumento dos prêmios do alumínio na Europa, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio, tornou as exportações brasileiras mais competitivas, compensando parte dos custos adicionais relacionados ao CBAM.

Entre março e junho, os embarques de lingotes cresceram 61,9% sobre o mesmo período do ano anterior, demonstrando que a valorização do produto no mercado europeu abriu novas oportunidades para os exportadores.

Ainda assim, operadores apontam que o novo mecanismo europeu tornou as negociações mais complexas, principalmente devido às exigências de comprovação das emissões e à maior cautela de compradores europeus.

Exportações de aço avançam com força

Enquanto o alumínio enfrentou oscilações, as exportações brasileiras de aço tiveram desempenho expressivo.

Os embarques de placas de aço destinadas à União Europeia ultrapassaram 1 milhão de toneladas no primeiro semestre de 2026, crescimento de aproximadamente 284% em relação ao mesmo período do ano passado.

O aumento da demanda reflete o interesse de siderúrgicas europeias por matéria-prima produzida em países considerados menos intensivos em carbono. Mesmo com novas obrigações de reporte ambiental, o aço semiacabado brasileiro permanece competitivo no mercado europeu.

Segundo informações da Fastmarkets, produtores europeus ampliaram as compras de placas brasileiras diante dos elevados custos das licenças de emissão de carbono na própria Europa, tornando a importação uma alternativa economicamente mais viável.

Certificação será decisiva para manter competitividade

Especialistas destacam que a vantagem ambiental do Brasil não garante, por si só, benefícios dentro das regras do CBAM.

Para transformar a matriz energética baseada em fontes renováveis em vantagem comercial, será necessário comprovar as emissões por meio de sistemas reconhecidos internacionalmente e integrar toda a cadeia de suprimentos aos padrões exigidos pela União Europeia.

Sem certificações robustas e dados auditáveis, empresas brasileiras poderão perder espaço para concorrentes que comprovem com maior facilidade a baixa intensidade de carbono de seus produtos.

Além disso, o mecanismo europeu não permite o uso do sistema conhecido como mass balance, impedindo que fabricantes concentrem os benefícios ambientais apenas em parte da produção. As emissões precisam ser calculadas com base em médias da operação.

Mercado brasileiro de carbono ganha importância

Outro fator considerado estratégico é a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, criado pela Lei nº 15.042/2024.

Embora o marco legal já tenha sido aprovado, o mercado nacional de carbono ainda está em fase de regulamentação. O cronograma prevê avanços regulatórios ao longo de 2026, início do sistema de reporte em 2027, monitoramento obrigatório das emissões entre 2028 e 2029 e o começo da negociação das permissões de emissão em 2030.

Enquanto isso, o CBAM continuará evoluindo. A União Europeia estuda ampliar o alcance do mecanismo para incluir novas categorias de produtos e outros tipos de emissões nas revisões previstas para os próximos anos.

Adaptação passa a ser prioridade para exportadores

O novo cenário deixa claro que o CBAM deixou de representar apenas um desafio regulatório futuro e passou a influenciar diretamente preços, contratos, estratégias de abastecimento e decisões de investimento.

Empresas brasileiras que acelerarem os processos de contabilização, verificação e certificação das emissões de carbono tendem a conquistar maior vantagem competitiva e preservar espaço no mercado europeu, cada vez mais orientado por critérios ambientais.

FONTE: Fastmarkets
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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