Sustentabilidade

Etanol de milho brasileiro pode ser 80% mais limpo que combustível marítimo, aponta OMI

O etanol de milho brasileiro ganhou destaque no cenário internacional após a Organização Marítima Internacional (OMI) definir oficialmente sua pegada de carbono. A classificação coloca o biocombustível como uma das alternativas mais promissoras para a descarbonização do transporte marítimo global.

Segundo a entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), o combustível produzido a partir do milho de segunda safra no Brasil apresenta intensidade de carbono de 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por megajoule, índice significativamente inferior ao dos combustíveis atualmente utilizados pelos navios.

Combustível marítimo tem emissão muito superior

Os dados da OMI mostram que a intensidade média de gases de efeito estufa dos combustíveis usados hoje no transporte marítimo é de 93,3 gramas de CO2e por megajoule. Isso significa que o etanol de milho produzido no Brasil pode ser cerca de 80% menos poluente em comparação aos combustíveis convencionais do setor.

Para especialistas da indústria, a definição desse parâmetro representa um avanço importante para a regulamentação internacional dos chamados combustíveis de baixa emissão de carbono.

De acordo com Gustavo Mariano, vice-presidente de comercialização da Inpasa, a decisão fortalece a posição do etanol brasileiro como alternativa viável para reduzir as emissões no transporte marítimo.

“O reconhecimento da OMI representa um marco importante para o setor e reforça o potencial do etanol de milho produzido no Brasil e na América do Sul na transição para uma matriz energética mais sustentável”, afirmou.

Produção de etanol de milho cresce rapidamente no Brasil

Embora o mercado brasileiro de etanol tenha sido historicamente dominado pela cana-de-açúcar, o segmento de etanol de milho registrou forte expansão nos últimos anos.

Dados da associação UNEM indicam que a produção do biocombustível deve alcançar quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26. No início da década, esse volume era de aproximadamente 2,65 bilhões de litros, demonstrando o crescimento acelerado do setor.

A evolução da produção acompanha o aumento dos investimentos em tecnologia, eficiência industrial e projetos voltados à redução das emissões de carbono.

Setor aposta em combustível ainda mais sustentável

Empresas do segmento já trabalham em iniciativas para diminuir ainda mais a pegada ambiental do produto. Rafael Abud, diretor-executivo da Fueling Sustainability (FS), destaca que a companhia tem investido em diversas soluções para ampliar a sustentabilidade do combustível.

Entre as medidas adotadas estão a redução das emissões provenientes do uso de biomassa, melhorias nos processos industriais e projetos de bioenergia com captura e armazenamento de carbono.

Segundo o executivo, essas iniciativas poderão tornar o etanol produzido pela empresa um combustível com pegada de carbono negativa no futuro.

Mercado marítimo abre novas oportunidades para os biocombustíveis

Representantes do setor acreditam que a eventual aprovação dos biocombustíveis para uso em larga escala no transporte marítimo poderá gerar novas oportunidades de negócios e agregar valor aos combustíveis de menor impacto ambiental.

Além disso, o tamanho do mercado global de combustíveis marítimos indica que haverá espaço para diferentes alternativas renováveis, incluindo o etanol de milho, o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel.

Segundo Gustavo Mariano, se todo o mercado mundial de combustível bunker fosse convertido para seu equivalente em etanol, a demanda poderia chegar a quase 400 bilhões de litros.

Para o executivo, o volume necessário para abastecer a navegação internacional é tão expressivo que exigirá a participação conjunta de diversas fontes sustentáveis de energia renovável.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

Ler Mais
Portos

Porto de Imbituba está entre os oito portos públicos do país certificados com padrão internacional de segurança

Referência em segurança portuária, o Porto de Imbituba integra o seleto grupo dos oito portos públicos brasileiros certificados com o ISPS Code (International Ship and Port Facility Security Code – Código Internacional para a Proteção de Navios e Instalações Portuárias). Recentemente, o Complexo Portuário de Imbituba teve sua Declaração de Cumprimento do protocolo internacional renovada pela Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos), com validade até 2031.

A certificação atesta que o Porto de Imbituba atende aos mais elevados padrões internacionais de segurança no setor marítimo e portuário. O ISPS Code tem como objetivo fortalecer a proteção de navios e instalações portuárias, estabelecendo medidas de prevenção e resposta contra ameaças à segurança no transporte marítimo internacional.

Atualmente, o Porto de Imbituba conta com um sistema de monitoramento e prevenção. A estrutura inclui portarias de controle de acesso, mais de 150 câmeras de vigilância, cercamento em toda a área operacional, rondas permanentes, monitoramento aéreo com drones e utilização de ROV (Remotely Operated Underwater Vehicle), garantindo mais eficiência e segurança às operações.

O ROV é utilizado para realizar buscas subaquáticas de objetos de interesse da Polícia Federal, auxiliando na elucidação de crimes, recuperação de equipamentos e na varredura de cascos de navios para identificação de ilícitos ocultos em áreas submersas das embarcações. Os equipamentos foram destinados ao Estado de Santa Catarina pela Polícia Federal, após doação da Embaixada dos Estados Unidos, por intermédio da UNODC, passando a integrar a estrutura operacional do Porto de Imbituba.

Para o diretor-presidente dos Portos de Imbituba e Laguna, Christiano Lopes, a renovação da certificação representa o reconhecimento do trabalho contínuo realizado pela Autoridade Portuária. “A conquista da nova Declaração de Cumprimento do ISPS Code demonstra o comprometimento do Porto de Imbituba com a excelência operacional e, principalmente, com a segurança das pessoas, das cargas e das operações. Estar entre os oito portos públicos do país com essa certificação reforça nossa credibilidade e competitividade no cenário nacional e internacional”, destaca.

O gerente de Segurança Portuária, Sandro Cassol, ressalta que os investimentos constantes em tecnologia e capacitação das equipes têm sido essenciais para manter os padrões exigidos internacionalmente. “Hoje contamos com uma estrutura de monitoramento e prevenção, composta por sistemas integrados de vigilância, controle de acesso, rondas, drones e operações com ROV. Além dos equipamentos, existe um trabalho permanente de treinamento e aperfeiçoamento dos colaboradores para garantir respostas rápidas e eficientes em qualquer situação”, afirma.

FONTE: Agência de Notícias SECOM
IMAGEM: Divulgação / SCPAR Porto de Imbituba

Ler Mais
Logística

Fretes China–Brasil seguem pressionados, mas ritmo de alta começa a perder força

As empresas brasileiras que dependem de importações da Ásia, especialmente da China, continuam enfrentando um cenário desafiador no transporte marítimo internacional. Nas últimas seis semanas, o valor do frete para um contêiner de 40 pés na rota China–Brasil saltou de aproximadamente US$ 2.500 para patamares próximos de US$ 8.000, impulsionado principalmente pela forte demanda e gestão ativa dos espaços pelos armadores.

Diante desse cenário, a principal dúvida dos importadores é: os fretes continuarão subindo ou existe expectativa de alívio para o final de junho e julho?

Embora o mercado continue extremamente volátil, alguns indicadores sugerem que a velocidade das altas já não é a mesma observada ao longo do mês de maio. As principais companhias marítimas seguem operando com elevada ocupação e, em muitos casos, com embarcações lotadas semanas antes da partida. No entanto, o volume de novas consultas e reservas começa a apresentar um comportamento mais moderado em comparação aos períodos anteriores.

Segundo Simone Rodrigues, especialista em Pricing da Schryver Logistics, ainda é cedo para afirmar que o mercado iniciou um movimento consistente de queda. “O cenário permanece bastante volátil. Embora a intensidade das altas tenha diminuído em relação às últimas semanas, a evolução dos fretes continuará dependendo principalmente da oferta efetiva de espaço disponível, da ocorrência de omissões de escalas e das estratégias de capacidade adotadas pelos armadores. Neste momento, ainda não existem sinais consistentes que indiquem uma redução imediata dos fretes”, explica.

Outro fator observado pelo mercado é a crescente resistência dos importadores aos níveis atuais de frete. Após sucessivos reajustes, muitas empresas passaram a reavaliar compras, reduzir volumes ou postergar embarques, o que pode contribuir para uma desaceleração da pressão sobre os preços ao longo das próximas semanas.

Apesar disso, a disponibilidade de espaço continua sendo um fator crítico. Em diversas operações, reservas seguem sendo realizadas com três a quatro semanas de antecedência, exigindo maior planejamento por parte dos embarcadores.

O que esperar para as próximas semanas?

A expectativa é que o mercado permaneça pressionado durante a segunda quinzena de junho, ainda sujeito a reajustes pontuais por parte dos armadores. Ao mesmo tempo, começam a surgir alguns sinais de acomodação, incluindo ofertas abaixo dos patamares máximos observados recentemente em determinadas operações. Caso a demanda continue apresentando sinais de moderação e a oferta de espaço melhore gradualmente, aumentam as chances de flexibilização dos preços ao longo do mês de julho.

No entanto, especialistas alertam que qualquer movimento de redução dependerá diretamente do equilíbrio entre oferta e demanda. A entrada de navios adicionais, a redução de omissões de escalas e uma maior disponibilidade de equipamentos podem favorecer um ambiente mais estável. Por outro lado, novas restrições de capacidade poderão manter os fretes em níveis elevados por mais tempo.

Planejamento continua sendo a principal estratégia

Diante da volatilidade atual, a recomendação para os importadores continua sendo o planejamento antecipado dos embarques. Adiar decisões na expectativa de uma queda imediata dos fretes pode resultar em dificuldades para obtenção de espaço, atrasos operacionais e custos adicionais. Em um mercado ainda sujeito a mudanças rápidas, garantir espaço e equipamentos continua sendo tão importante quanto negociar tarifas competitivas.

Por outro lado, para cargas sem urgência e com flexibilidade de prazo, vale acompanhar atentamente o comportamento do mercado nas próximas semanas, pois começam a surgir indícios de que o ciclo de alta está se aproximando do seu limite.

O consenso entre os agentes de mercado é que o movimento de alta ainda não terminou, mas já apresenta sinais de perda de intensidade. A tendência de curto prazo continua sendo de um mercado firme, porém a probabilidade de novas altas expressivas parece menor do que a observada nas últimas seis semanas.

Nesse contexto, planejamento, agilidade na tomada de decisão e acompanhamento constante das condições de mercado permanecem como os principais fatores para reduzir riscos e garantir maior previsibilidade nas operações de importação

TEXTO:  RECONECTA NEWS

IMAGEM: ILUSTRATIVA / MAGNIFIC

Ler Mais
Transporte

Estreito de Hormuz: cessar-fogo entra em colapso e novos ataques atingem navios petroleiros

O frágil cessar-fogo no Estreito de Hormuz chegou ao fim após uma nova onda de confrontos entre Estados Unidos e Irã nas últimas 24 horas. O agravamento da crise coincidiu com ataques a navios petroleiros próximos à costa de Omã, deixando marítimos desaparecidos e ampliando as preocupações com a segurança da navegação internacional.

Entre os incidentes registrados está o do navio-tanque Settebello, que sofreu um incêndio a cerca de 20 milhas náuticas do porto de Sohar, em Omã. Segundo informações da empresa especializada em segurança marítima Vanguard Tech, a embarcação enviou um pedido de socorro informando ter sido atingida por um míssil. O episódio resultou no desaparecimento de três tripulantes e deixou outro gravemente ferido.

Estados Unidos confirmam ataque ao petroleiro

Em comunicado, as forças militares norte-americanas confirmaram ter realizado uma ação contra o Settebello. De acordo com a versão oficial, aeronaves dos EUA utilizaram munições de precisão para atingir a casa de máquinas do navio após a embarcação supostamente desrespeitar orientações emitidas por militares responsáveis pela aplicação de um bloqueio relacionado ao Irã.

Dados do Comando Central dos Estados Unidos indicam que este foi o oitavo navio desativado por operações norte-americanas desde meados de abril.

Outros incidentes elevam preocupação com a segurança marítima

O novo episódio ocorre poucos dias após um caso semelhante envolvendo o petroleiro Marivex, atingido em 8 de junho. Na ocasião, um incêndio foi registrado após disparos contra a área de máquinas da embarcação. Os 24 tripulantes indianos foram posteriormente resgatados pela Marinha de Omã.

Nesta quinta-feira, surgiram ainda relatos de emergência envolvendo outro navio-tanque, o Jalveer, que emitiu sinal de socorro após um incêndio ser detectado enquanto permanecia ancorado em uma área de espera offshore próxima a Shinas, também em Omã.

Segundo a Vanguard, as chamas teriam atingido a sala de máquinas e a estrutura da chaminé da embarcação. O navio transportava 20 tripulantes, e operações de evacuação foram iniciadas com apoio das autoridades omanenses. Até o momento, a causa do incêndio não foi oficialmente confirmada.

IMO condena ataques contra embarcações comerciais

A Organização Marítima Internacional (IMO) manifestou preocupação com a escalada da violência e condenou o ataque registrado contra o Settebello.

O secretário-geral da entidade, Arsenio Dominguez, afirmou que qualquer ação que coloque em risco a vida dos marítimos e a segurança do transporte marítimo internacional é inaceitável.

De acordo com a IMO, desde 28 de fevereiro foram confirmados 43 ataques contra embarcações comerciais na região do Estreito de Hormuz, resultando em pelo menos 11 mortes de tripulantes.

Analistas apontam colapso total da trégua

O analista marítimo dinamarquês Lars Jensen, que acompanha diariamente a crise na região, avaliou que o cessar-fogo entrou em colapso completo. Segundo ele, forças norte-americanas realizaram ataques contra cerca de uma dúzia de alvos em território iraniano, incluindo áreas próximas a Teerã.

Em resposta, o Irã teria lançado ofensivas contra instalações localizadas no Kuwait, Jordânia e Bahrein. O governo iraniano também alegou ter atingido dois petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Hormuz, embora essas informações ainda não tenham sido verificadas de forma independente.

Crise ameaça transporte marítimo global

A deterioração da situação no Estreito de Hormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo e derivados, aumenta os riscos para o transporte marítimo internacional, gera preocupação entre armadores e pode impactar fluxos logísticos e energéticos em diversas regiões do mundo.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Splash 247

Ler Mais
Portos

Porto de Yangpu amplia conexão marítima e inaugura nova rota de contêineres para a Índia

O Porto de Yangpu, principal terminal de cargas da Zona de Livre Comércio de Hainan, na China, iniciou oficialmente a operação de uma nova rota marítima de contêineres com destino à Índia. A iniciativa amplia a presença do porto no sul da Ásia e representa o segundo serviço regular da instalação para a região.

O novo corredor logístico liga Yangpu aos portos de Haiphong, no Vietnã, Singapura e Mundra, na Índia. Com isso, passa a integrar importantes centros portuários do sul da China, da região do Golfo de Beibu e do mercado sul-asiático.

Exportações de Hainan devem ganhar mais agilidade

A expectativa é que a nova ligação marítima ofereça um canal mais rápido para o escoamento de produtos de Hainan, incluindo óleo de canola, insumos da indústria química e outras mercadorias destinadas ao mercado indiano.

Além das cargas produzidas na província chinesa, o porto também deverá funcionar como ponto estratégico de transbordo para mercadorias oriundas de outras regiões da China com destino ao sul da Ásia.

Corredor internacional ganha reforço logístico

A nova operação consolida o papel do Porto de Yangpu como um dos principais hubs do Novo Corredor Internacional de Comércio Terra-Mar, importante rede logística que conecta o oeste da China aos mercados globais.

Segundo as autoridades marítimas locais, foram realizadas ações de coordenação com empresas de navegação para adequar a gestão do tráfego marítimo, além do reforço das patrulhas em canais de navegação e áreas portuárias.

Segurança e eficiência operacional marcaram viagem inaugural

Durante a primeira viagem da nova rota, os órgãos responsáveis empregaram sistemas de monitoramento de embarcações, patrulhamento eletrônico e serviços de escolta para garantir a segurança da operação.

As autoridades também promoveram ajustes nos procedimentos de inspeção portuária, com o objetivo de acelerar o desembaraço aduaneiro, aumentar a eficiência operacional e reduzir os custos logísticos para as empresas envolvidas.

Expansão da presença de Yangpu no sul da Ásia

A expansão das conexões marítimas de Yangpu com o sul da Ásia teve início em outubro de 2019, quando o porto lançou sua primeira rota regional, conectando a cidade chinesa aos portos de Port Klang, na Malásia, e Chittagong, em Bangladesh.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

Ler Mais
Transporte

Frete marítimo dispara e pressiona custos do transporte de contêineres no comércio global

As taxas spot de frete marítimo registraram forte alta na primeira semana de junho, refletindo um cenário marcado pelo aumento da demanda, limitações de capacidade operacional e impactos indiretos das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O movimento tem elevado os custos do transporte marítimo de contêineres nas principais rotas comerciais do mundo.

Dados da consultoria Drewry mostram que o Índice Mundial de Contêineres (WCI) avançou 23% em apenas uma semana, alcançando US$ 3.433 por FEU (contêiner de 40 pés). Segundo a empresa, a antecipação da alta temporada contribuiu para intensificar a pressão sobre os preços dos fretes internacionais.

Rotas entre Ásia e Estados Unidos lideram aumentos

No corredor transpacífico, os reajustes foram ainda mais expressivos. O frete entre Xangai e Los Angeles saltou 31%, chegando a US$ 4.565 por FEU. Já os embarques destinados a Nova York registraram aumento de 20%, alcançando US$ 5.505 por FEU.

A Drewry observa que o número reduzido de cancelamentos de viagens programadas para as próximas semanas demonstra a expectativa de maior movimentação de cargas. Apenas três viagens foram suspensas na rota, volume inferior ao observado recentemente.

A procura por espaço nos navios tem sido impulsionada por importadores que antecipam embarques diante de possíveis alterações tarifárias nos Estados Unidos previstas para julho. Além disso, a preparação logística relacionada à Copa do Mundo de 2026 também vem contribuindo para o aumento da demanda.

Europa também enfrenta alta nos fretes

As ligações marítimas entre a Ásia e a Europa seguiram a mesma tendência de valorização.

O transporte entre Xangai e Roterdã registrou aumento de 25%, atingindo US$ 3.579 por FEU. Já os serviços para Gênova avançaram 20%, chegando a US$ 5.089 por FEU.

Segundo a Drewry, o crescimento da demanda foi acelerado pela corrida dos embarcadores para antecipar cargas antes da implementação de ajustes nos custos de combustível programados para julho.

Oriente Médio e congestionamentos ampliam volatilidade

A consultoria Xeneta também identificou um cenário de forte pressão sobre os preços do transporte marítimo global.

De acordo com Peter Sand, analista-chefe da empresa, os aumentos estão sendo impulsionados por uma combinação de fatores, incluindo o conflito no Oriente Médio, gargalos operacionais em portos estratégicos do Sudeste Asiático e preocupações relacionadas a uma possível crise energética no segundo semestre de 2026.

Nas últimas semanas, as taxas médias de frete entre o Extremo Oriente e a Costa Oeste dos Estados Unidos avançaram 20%, ficando mais de 100% acima dos níveis registrados antes da escalada das tensões na região do Golfo.

Nas rotas para o Norte da Europa e Mediterrâneo, os reajustes chegaram a 27% e 17%, respectivamente.

Portos asiáticos enfrentam atrasos

A situação operacional em importantes centros de transbordo também contribui para a instabilidade do mercado.

Portos como Singapura e Port Klang vêm registrando atrasos que afetam diretamente o fluxo de mercadorias e a eficiência das cadeias globais de suprimentos.

Segundo Sand, interrupções nesses hubs logísticos têm potencial para gerar impactos em diversos mercados, uma vez que concentram parte significativa da movimentação internacional de contêineres.

Oferta e demanda favorecem armadores

Para Lars Jensen, analista da indústria marítima, o atual equilíbrio entre oferta e demanda continua beneficiando as companhias de navegação.

O especialista avalia que a temporada de maior movimentação comercial está ganhando força, criando um ambiente favorável para a manutenção de fretes elevados e fortalecendo o poder de negociação dos armadores.

Dados do Container Trade Statistics (CTS) reforçam essa percepção. Em abril, a demanda global por transporte marítimo de contêineres cresceu 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ao excluir a América do Norte e as áreas diretamente impactadas pela crise no Estreito de Ormuz, o avanço chegou a 9,7%. No mercado norte-americano, as importações aumentaram 6,2%, enquanto o comércio transpacífico apresentou expansão de 11,3%.

Canal do Panamá entra no radar do setor

Além dos desafios já existentes, uma nova preocupação começa a surgir para o comércio marítimo internacional.

A Autoridade do Canal do Panamá anunciou que reduzirá, a partir de 3 de julho, o calado máximo permitido para embarcações Neopanamax, passando para 49,5 pés. A medida busca preservar os recursos hídricos diante da possibilidade de condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño e da perspectiva de baixos níveis de água nos próximos anos.

Embora os impactos imediatos sejam considerados limitados, especialistas veem a decisão como um sinal de alerta para futuras restrições operacionais que podem afetar cadeias logísticas globais e aumentar ainda mais os custos do transporte marítimo.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

Ler Mais
Internacional

Estreito de Ormuz tem menos de mil navios em 100 dias de guerra entre Irã, EUA e Israel

O Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes do planeta para o transporte de energia, registrou a circulação de apenas 988 embarcações comerciais nos primeiros 100 dias do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Em condições normais, esse mesmo volume seria alcançado em aproximadamente uma semana.

A marca coincide com os 100 dias da guerra, completados em 7 de junho, e evidencia o impacto do conflito sobre uma rota responsável por parcela significativa do comércio global de petróleo, gás natural liquefeito (GNL) e fertilizantes.

Importância global do Estreito de Ormuz

Antes da escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, o estreito respondia por cerca de 20% do consumo diário mundial de petróleo e por uma fatia relevante do comércio internacional de GNL. Além disso, aproximadamente um terço do transporte marítimo de fertilizantes passava pela região.

Após os ataques preventivos liderados por Estados Unidos e Israel contra o Irã e as posteriores retaliações de Teerã contra infraestruturas estratégicas no Golfo, o fluxo marítimo sofreu uma forte retração.

Navegação limitada e novas rotas marítimas

Mesmo após três meses de conflito, o trânsito de navios permanece restrito. Para atravessar a região, armadores passaram a buscar acordos diplomáticos ou negociar diretamente com autoridades iranianas.

Durante o período, algumas embarcações navegaram com os sistemas de identificação automática (AIS) desligados. Também surgiu uma rota alternativa dentro das águas territoriais iranianas, enquanto parte da frota continuou utilizando o corredor oficialmente recomendado pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Queda superior a 90% no movimento de embarcações

Dados da consultoria Kpler apontam que a movimentação de navios caiu mais de 90% em comparação com os níveis observados antes da guerra.

Entre 1º e 27 de fevereiro, a média diária era de 129 embarcações, número próximo ao histórico de 138 navios por dia. Já no centésimo dia do conflito, apenas 10 embarcações comerciais cruzaram o estreito.

Grande parte dos navios que continuaram operando na região pertence a chamadas “frotas sombra” ou embarcações sujeitas a sanções internacionais.

Oscilações no tráfego ao longo da guerra

No dia 28 de fevereiro, 78 embarcações passaram pelo estreito. Após o início das hostilidades, esse número caiu para 30 em 1º de março e para apenas 13 no dia seguinte.

Em determinados momentos, o movimento chegou ao mínimo de apenas dois navios por dia. O maior volume registrado durante a guerra ocorreu em 18 de abril, quando 27 embarcações realizaram a travessia.

Disputa política influencia acesso à rota

Em abril, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o estreito permaneceria aberto para embarcações comerciais até o fim do cessar-fogo no Líbano.

Do lado americano, o presidente Donald Trump declarou que a passagem marítima seguia operacional, mas ressaltou a manutenção do bloqueio dos Estados Unidos até que fosse alcançado um acordo com Teerã.

Pouco depois, o governo iraniano anunciou um fechamento de fato da rota, condicionando a normalização do tráfego ao fim das restrições impostas aos navios ligados aos portos iranianos. Em 7 de maio, apenas uma embarcação cruzou o estreito, o menor registro de todo o período analisado.

Transporte de petróleo continua predominante

Nos primeiros 100 dias da guerra, 456 navios transportando petróleo bruto e derivados utilizaram o corredor marítimo.

O volume caiu rapidamente após o início do conflito: de 50 embarcações em 28 de fevereiro para apenas duas em 3 de março. Em alguns dias, nenhum petroleiro realizou a travessia.

A maior parte dessas cargas partiu de portos iranianos, embora também tenham sido registrados embarques oriundos dos Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Catar.

Os principais destinos foram países asiáticos, como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Vietnã, Malásia, Tailândia, Paquistão e Mianmar.

Comércio de gás natural liquefeito sofre forte impacto

Os ataques contra a infraestrutura energética do Golfo afetaram significativamente a produção regional, especialmente no Catar, um dos principais exportadores mundiais de GNL.

Durante vários dias, nenhum navio transportando gás natural liquefeito atravessou o Estreito de Ormuz. A primeira passagem após o início da guerra ocorreu apenas em 2 de abril.

Ao longo dos 100 dias, somente 18 metaneiros cruzaram a rota, representando cerca de 2% de todo o tráfego registrado no período. Os carregamentos tiveram como destino China, Índia, Japão e Paquistão.

Transporte de GLP e cargas secas mantém atividade reduzida

O fluxo de navios transportando gás liquefeito de petróleo (GLP) somou 149 embarcações, equivalentes a 15% do total registrado durante o conflito.

Esses navios partiram principalmente de portos do Irã, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait, com cargas destinadas a mercados da Ásia, África e América do Sul, incluindo Chile, Indonésia, Malásia e China.

Já os navios de carga seca totalizaram 281 travessias, representando 28% do movimento geral. As embarcações operaram em rotas diversificadas, conectando países como Brasil, Argentina, Canadá, Ucrânia, Turquia, Omã, Tanzânia, China e Tailândia.

Navios de passageiros também deixaram a região

Além das embarcações de carga, cerca de dez navios de passageiros que ficaram retidos no Golfo após o início do conflito conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz durante os primeiros 100 dias da guerra.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

Ler Mais
Transporte

CMA CGM anuncia aumento de fretes marítimos entre o Subcontinente Indiano e América Latina, Europa e Norte da África

A companhia marítima CMA CGM anunciou uma nova tabela de fretes marítimos FAK (Freight All Kinds) para cargas embarcadas no Subcontinente Indiano com destino à América Latina, Europa e Norte da África. A medida reflete a pressão contínua sobre os custos do transporte internacional e impactará diferentes rotas estratégicas do comércio global.

As novas tarifas para destinos na América Central, Caribe e costa oeste da América do Sul passam a valer em 10 de junho de 2026, considerando a data de entrada da carga nos portos de origem.

América Latina registra algumas das tarifas mais elevadas

Os reajustes serão aplicados a cargas secas e cargas classificadas como perigosas transportadas a partir do Subcontinente Indiano.

Entre os destinos latino-americanos, os portos de La Guaira e Puerto Cabello apresentarão os maiores valores. As tarifas foram fixadas em US$ 5.150 para contêineres de 20 pés e US$ 5.500 para unidades de 40 pés.

Já o porto de Kingston terá fretes de US$ 4.150 para contêineres de 20 pés e US$ 4.200 para equipamentos de 40 pés.

Em Caucedo, os valores serão de US$ 4.050 para contêineres de 20 pés e US$ 3.800 para os de 40 pés.

Para Manzanillo, as novas tarifas foram estabelecidas em US$ 3.750 e US$ 3.650, respectivamente.

No porto de Cartagena, os fretes passarão para US$ 3.500 por contêiner de 20 pés e US$ 3.350 por unidade de 40 pés.

Já os portos de Buenaventura, San Antonio, Callao e Guayaquil terão tarifas padronizadas de US$ 3.300 para contêineres de 20 pés e US$ 3.250 para equipamentos de 40 pés.

O que está incluído nas novas tarifas

Segundo a transportadora, os valores divulgados contemplam o frete marítimo básico e os custos relacionados ao combustível marítimo.

No entanto, permanecem fora da composição das tarifas despesas como movimentação terminal, sobretaxas de alta temporada, encargos de segurança e demais taxas locais aplicadas nos portos.

Europa e Norte da África também terão reajustes

Além das rotas voltadas à América Latina, a CMA CGM confirmou novos valores para embarques com destino ao Norte da Europa, Mediterrâneo e Norte da África.

As tarifas entrarão em vigor em 15 de junho de 2026 e permanecerão válidas até nova atualização da companhia.

Para o Norte da Europa, o frete foi fixado em US$ 4.500 tanto para contêineres de 20 pés quanto para os de 40 pés.

Os embarques destinados ao Mediterrâneo também terão valor de US$ 4.500 para ambos os tamanhos de contêineres.

O maior valor entre essas regiões foi registrado para o Norte da África, onde as tarifas alcançarão US$ 5.500 por unidade, independentemente do tamanho do contêiner.

Novas regras abrangem cargas originadas em quatro mercados

As tarifas para Europa e Norte da África serão aplicadas a cargas secas embarcadas a partir do noroeste e sudeste da Índia, além de origens localizadas no Sri Lanka e no Paquistão.

A armadora informou que os preços incluem os custos de transporte marítimo e encargos relacionados ao bunker, mas não contemplam despesas de terminal nem cobranças ligadas à segurança portuária.

FONTE: Container News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Container News

Ler Mais
Transporte

Transporte marítimo de grãos e fertilizantes fortalece protagonismo do Brasil no comércio global

O Brasil vem consolidando sua posição como um dos principais atores do transporte marítimo de grãos e fertilizantes, impulsionado pelas transformações nas cadeias globais de comércio após o conflito entre Rússia e Ucrânia. A avaliação é da consultoria BRS Dry Bulk, que aponta o país como um dos maiores beneficiados pela reconfiguração das rotas internacionais de carga.

Segundo a análise, as alterações na competitividade dos exportadores tradicionais e o redirecionamento dos fluxos marítimos abriram espaço para o avanço brasileiro tanto nas exportações agrícolas quanto na recepção de insumos essenciais para o agronegócio.

Guerra no Leste Europeu altera dinâmica do mercado marítimo

Mais de quatro anos após o início da guerra, a Rússia continua exercendo influência significativa nos mercados globais de grãos e fertilizantes. Atualmente, o país responde por cerca de 7% das exportações mundiais de grãos e por aproximadamente 15% das vendas globais de fertilizantes.

Mesmo diante de sanções internacionais, custos operacionais mais elevados e riscos no Mar Negro, os embarques russos mantiveram desempenho robusto. Nos primeiros meses de 2026, as exportações de grãos da Rússia cresceram cerca de 48% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A consultoria destaca que restrições regulatórias adotadas pela União Europeia reduziram a competitividade dos produtos russos em viagens de longa distância. Como consequência, parte das cargas passou a se concentrar em rotas mais curtas no Mediterrâneo, ampliando oportunidades para outros exportadores em trajetos oceânicos de maior alcance.

Exportações de grãos impulsionam presença brasileira

Nesse cenário, o Brasil reforçou seu papel como fornecedor estratégico de alimentos para o mercado internacional. Em 2025, o país embarcou cerca de 155 milhões de toneladas de grãos, fortalecendo sua posição nas cadeias globais de abastecimento e ampliando a demanda por operações de transporte marítimo de longo curso.

Grande parte desse volume é escoada por corredores logísticos fundamentais, como os portos de Santos e Paranaguá, além dos terminais do Arco Norte, que vêm ganhando relevância no envio de soja e milho para mercados da Ásia e da Europa.

O crescimento das exportações também aumenta a necessidade de investimentos em infraestrutura portuária, armazenagem e acessos terrestres para atender à expansão do agronegócio.

Brasil lidera compras de fertilizantes russos

Além de se destacar nas exportações agrícolas, o Brasil permanece como o principal destino dos fertilizantes embarcados pela Rússia.

De acordo com a BRS Dry Bulk, as exportações marítimas russas de fertilizantes alcançaram cerca de 9 milhões de toneladas entre janeiro e abril de 2026. Desse total, aproximadamente 33% tiveram como destino o mercado brasileiro.

O volume supera o registrado por outros grandes importadores, como a Índia, com 14%, e os Estados Unidos, com 12%.

Os insumos chegam principalmente por portos especializados na movimentação de granéis destinados ao agronegócio, garantindo o abastecimento das principais regiões produtoras do país.

Crescimento dos fluxos exige modernização da infraestrutura

A consultoria observa que os fluxos comerciais direcionados à costa leste da América do Sul ganharam força ao longo de 2026, impulsionados pelo aumento das exportações de grãos e pela demanda constante por fertilizantes.

Essa movimentação contribui para sustentar os níveis de frete nos segmentos Handysize, Supramax e Ultramax, ao mesmo tempo em que exige maior eficiência operacional dos portos brasileiros.

O avanço das cargas representa uma oportunidade para ampliar a movimentação de granéis e fortalecer a competitividade logística do país. Por outro lado, também reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura, planejamento operacional e modernização dos corredores de exportação.

Brasil ganha relevância estratégica no comércio marítimo internacional

A análise da BRS Dry Bulk indica que a Rússia continuará sendo um importante fornecedor global de grãos e fertilizantes, apesar das incertezas geopolíticas.

Nesse contexto, a América Latina tende a ampliar sua participação no mercado internacional, com o Brasil ocupando posição de destaque tanto como grande exportador agrícola quanto como principal comprador de fertilizantes russos.

Para o sistema portuário nacional, o cenário combina oportunidades de crescimento com desafios relacionados à expansão da capacidade logística, eficiência operacional e competitividade nas rotas marítimas globais.

FONTE: Portos e Navios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portos e Navios

Ler Mais
Informação

Degradação dos oceanos avança mais rápido que ações globais, alerta Barômetro Starfish 2026

A saúde dos oceanos continua se deteriorando em ritmo superior à capacidade de reação de governos, empresas e instituições ao redor do mundo. O alerta faz parte do Barômetro Starfish 2026, divulgado nesta segunda-feira (8), no Dia Mundial dos Oceanos, e que destaca a ampliação dos impactos das mudanças climáticas, da poluição e da perda de biodiversidade nos ambientes marinhos.

O estudo revela que o agravamento desses problemas já representa uma ameaça crescente para atividades econômicas estratégicas, incluindo o setor portuário, o transporte marítimo e as cadeias globais de comércio.

Indicadores ambientais seguem em trajetória preocupante

Produzido por 29 especialistas de 14 países e publicado na revista científica State of the Planet, o relatório reúne dados atualizados sobre o estado dos oceanos e mostra que a maioria dos indicadores ambientais continua em deterioração.

Entre os principais dados apresentados, o nível médio do mar registrou elevação de 4,2 milímetros por ano entre 2012 e 2025. Além disso, em junho de 2025, as ondas de calor marinhas atingiram cerca de 20% da superfície oceânica mundial.

O fenômeno expôs 84,4% dos recifes de coral a níveis críticos de estresse térmico, aumentando significativamente o risco de episódios de branqueamento em larga escala.

Oceanos enfrentam múltiplas pressões simultâneas

O levantamento indica que aproximadamente 25% dos primeiros mil metros da coluna d’água dos oceanos já sofre os efeitos combinados de diversos fatores ambientais.

Entre eles estão o aquecimento dos oceanos, a acidificação das águas, a redução dos níveis de oxigênio e outras alterações associadas ao avanço das mudanças climáticas.

O relatório também destaca que as emissões globais de dióxido de carbono alcançaram 38,1 bilhões de toneladas em 2025. Paralelamente, a poluição plástica nos oceanos já acumula cerca de 130 milhões de toneladas, com novos resíduos sendo despejados anualmente em larga escala.

Segundo os pesquisadores, esse cenário afeta diretamente rotas marítimas, operações logísticas e a segurança de comunidades costeiras, especialmente em regiões exportadoras como a América Latina.

Impactos econômicos crescem e afetam o comércio global

Os reflexos da degradação marinha também aparecem na economia mundial. De acordo com o Barômetro Starfish, tempestades e enchentes provocaram perdas estimadas em US$ 212 bilhões em 2024, valor quase duas vezes superior ao registrado no ano anterior.

Os prejuízos atingem desde a infraestrutura portuária até operações de terminais, seguros marítimos e atividades ligadas ao comércio exterior.

O documento ressalta que mais de 80% do comércio mundial em volume depende do transporte marítimo. Além disso, setores vinculados à chamada economia oceânica movimentam aproximadamente US$ 2,5 trilhões por ano, reforçando a importância da preservação dos ecossistemas marinhos para a estabilidade econômica global.

Avanços institucionais ainda são insuficientes

Apesar do quadro preocupante, o relatório registra alguns avanços na governança dos oceanos. Entre eles está a entrada em vigor do Tratado do Alto-Mar (BBNJ), além da expansão das áreas marinhas protegidas, que já ultrapassam 10% da superfície oceânica global.

O estudo também identificou mais de 40 fundos dedicados ao financiamento da economia ligada ao mar e mais de 2 mil startups focadas em inovação marinha.

No entanto, os especialistas alertam que apenas 3,2% dos oceanos possuem atualmente classificação de alta ou total proteção, percentual considerado insuficiente diante da velocidade da degradação ambiental.

Monitoramento oceânico é apontado como prioridade

Outro ponto de atenção destacado pelo Barômetro é a redução da capacidade global de observação dos oceanos. Desde a pandemia, houve retração em redes de monitoramento compostas por bóias oceânicas e sistemas de coleta de dados embarcados.

Os autores defendem que essa infraestrutura seja tratada como estratégica para fortalecer a resiliência climática, melhorar a prevenção de desastres naturais e apoiar decisões de longo prazo de governos e setores econômicos ligados ao mar.

Para os pesquisadores, ampliar o monitoramento oceânico será fundamental para reduzir riscos futuros e garantir maior segurança para atividades portuárias, marítimas e comerciais em todo o mundo.

FONTE: Portos e Navios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portos e Navios

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook