Portos

Concessão de canais de acesso impulsiona novo modelo de gestão portuária no Brasil

Os canais de acesso portuário desempenham um papel estratégico para o funcionamento dos portos, embora sejam pouco conhecidos pelo público em geral. São essas vias navegáveis que conectam o mar aos terminais e determinam as condições de entrada e saída das embarcações.

A profundidade dos canais é um dos principais fatores para a operação portuária, pois define quais navios podem atracar com segurança e qual volume de carga conseguem transportar. Quanto maior a capacidade das embarcações, menor tende a ser o custo logístico por tonelada ou contêiner movimentado, tornando os portos brasileiros mais competitivos no comércio internacional.

Além de beneficiar as exportações, a melhoria da infraestrutura também contribui para reduzir os custos das importações e aumentar a eficiência do transporte marítimo.

Novo modelo de concessão reúne serviços em um único contrato

A gestão dos canais de acesso passa por uma transformação com a adoção de um novo modelo de concessão à iniciativa privada. Diferentemente do formato tradicional, baseado em contratos separados para serviços de dragagem, a proposta reúne em um único contrato toda a administração da infraestrutura aquaviária.

O escopo inclui a dragagem, responsável pela manutenção da profundidade dos canais, a sinalização náutica, o gerenciamento do tráfego de embarcações, além da conservação das áreas de manobra e dos locais de fundeio utilizados pelos navios enquanto aguardam autorização para atracar.

Esse modelo busca garantir manutenção contínua da infraestrutura, aumentar a previsibilidade das operações e reduzir restrições que impactam armadores, operadores portuários e exportadores.

Crescimento dos navios exige canais mais profundos

A necessidade de investimentos acompanha a evolução da frota marítima mundial. Nas últimas décadas, os porta-contêineres aumentaram significativamente de tamanho, passando de embarcações com cerca de 300 metros para modelos que chegam a 400 metros de comprimento.

Esses navios possuem capacidade para transportar quase três vezes mais contêineres do que as embarcações utilizadas no início dos anos 2000. Para atender essa nova realidade, os canais precisam oferecer profundidade compatível com o maior calado operacional, permitindo que os navios operem com sua capacidade máxima.

Dragagem fortalece logística e reduz emissões

Estudo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec) aponta que o aprofundamento dos canais traz ganhos importantes para a logística portuária.

Segundo a entidade, canais mais profundos permitem que os navios transportem maior volume de carga por viagem, reduzam o consumo de combustível por contêiner movimentado e contribuam para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

Por outro lado, quando a profundidade limita o carregamento ou obriga as embarcações a aguardar condições favoráveis de maré para navegar, parte dessa eficiência é perdida. O resultado é o aumento dos custos operacionais, maior tempo de espera e redução da competitividade dos portos e das cadeias logísticas brasileiras.

A adoção do novo modelo de concessão de canais de acesso busca justamente oferecer maior previsibilidade, elevar a eficiência operacional e preparar a infraestrutura portuária nacional para atender à crescente demanda do comércio marítimo internacional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Portos

Porto de Suape movimenta 13,7 milhões de toneladas e registra crescimento de 25,6% no semestre

O Porto de Suape encerrou o primeiro semestre de 2026 com um desempenho expressivo na movimentação de cargas. Entre janeiro e junho, o complexo industrial portuário movimentou 13.726.969 toneladas, volume 25,6% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Os dados fazem parte do balanço operacional encaminhado mensalmente à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável pela consolidação das estatísticas do setor portuário brasileiro.

Granéis líquidos lideram operações no terminal

Os granéis líquidos responderam pela maior parte da movimentação no semestre, com participação de 66,6% do total. Em seguida aparecem as cargas conteinerizadas, que representaram 25,7% das operações.

Já os granéis sólidos corresponderam a 5,8% da carga movimentada, enquanto a carga geral solta respondeu por 1,9%.

Atualmente, o Porto de Suape ocupa a quarta colocação entre os portos públicos do Brasil em volume de cargas e permanece entre os principais hubs logísticos do Nordeste.

Número de atracações também cresce em 2026

Além do aumento na movimentação de mercadorias, o complexo registrou expansão no fluxo de embarcações. No primeiro semestre foram contabilizadas 832 atracações, resultado 14,3% superior ao observado no mesmo intervalo do ano passado.

Segundo o diretor-presidente do Complexo de Suape, Armando Monteiro Bisneto, o desempenho demonstra a diversidade operacional do porto e reforça sua relevância para atender às cadeias produtivas nacionais. Ele destaca ainda que os indicadores servem como base para o planejamento de investimentos em infraestrutura e para o aprimoramento da eficiência das operações.

Petróleo impulsiona crescimento dos granéis líquidos

A movimentação de granéis líquidos, formada principalmente por petróleo e derivados processados pela Refinaria Abreu e Lima, instalada no complexo, alcançou 9.142.864 toneladas no semestre. O volume representa crescimento de 40,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Na operação de contêineres, foram registrados 333.786 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), mantendo estabilidade frente ao resultado obtido no ano anterior.

Granéis sólidos e veículos apresentam desempenho positivo

As operações com granéis sólidos, que incluem cargas como trigo, clínquer e coque, totalizaram 799.510 toneladas, alta de 39% na comparação anual.

Já a movimentação de veículos chegou a 33.779 unidades, com predominância de automóveis produzidos no Polo Automotivo da Stellantis, em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

Para o diretor de Desenvolvimento e Gestão Portuária de Suape, José Constantino, o acompanhamento contínuo dos indicadores operacionais é fundamental para orientar decisões sobre infraestrutura e direcionar investimentos capazes de atender ao crescimento da demanda logística.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Portos

Portos brasileiros: entenda como funciona a entrada e saída de mercadorias no país

Os portos brasileiros desempenham papel estratégico na economia nacional. Cerca de 95% do comércio exterior do Brasil é realizado por via marítima, tornando a infraestrutura portuária essencial para a movimentação de produtos entre o mercado interno e os parceiros internacionais.

Por trás desse fluxo existe uma ampla cadeia logística, que envolve o transporte da carga até o porto, a movimentação nos terminais, procedimentos de fiscalização, armazenagem temporária e, por fim, o embarque ou a retirada das mercadorias.

Como funciona a operação dentro dos portos

Na prática, um porto reúne diversas estruturas destinadas à movimentação de cargas e passageiros. Entre elas estão cais, berços de atracação, armazéns, pátios, acessos terrestres e terminais especializados.

É por meio dessas instalações que chegam ao Brasil produtos como equipamentos, combustíveis, matérias-primas, insumos industriais e bens de consumo. No sentido oposto, embarcam para o exterior mercadorias como grãos, minérios, carnes, celulose e cargas conteinerizadas.

Embora cada tipo de carga tenha exigências específicas, o processo operacional segue uma sequência semelhante: recebimento da mercadoria, movimentação segura, fiscalização, armazenamento e liberação para transporte.

Como funciona a importação pelos portos

No caso da importação, o processo começa com a chegada do navio ao porto. Após a atracação, as mercadorias são descarregadas e encaminhadas para um terminal portuário ou área alfandegada, onde permanecem armazenadas até a conclusão dos procedimentos obrigatórios.

Nessa etapa, são realizadas análises documentais, conferências das informações e, quando necessário, inspeções físicas da carga pelos órgãos responsáveis. O objetivo é verificar se a mercadoria atende às exigências legais para ingressar no país.

Depois da liberação, os produtos seguem para o destino final por diferentes modais de transporte, como rodovias, hidrovias ou outras conexões logísticas.

Etapas da exportação de mercadorias

Na exportação, o fluxo ocorre no sentido inverso. As mercadorias produzidas no Brasil são transportadas até o porto por meio de caminhões, trens, embarcações ou pela integração entre diferentes modais.

Ao chegar ao terminal, a carga passa por conferência, armazenamento temporário e pelos procedimentos de controle exigidos para cada operação. Após a autorização dos órgãos competentes, os produtos são embarcados nos navios e seguem para seus destinos no mercado internacional.

Esse processo garante a integração da produção brasileira às cadeias globais de abastecimento e reforça a importância da logística portuária para a competitividade do país no comércio internacional.

Infraestrutura portuária é essencial para a economia

A eficiência dos portos influencia diretamente os custos logísticos, os prazos de entrega e a competitividade das empresas brasileiras. Com operações integradas entre diferentes modais de transporte e sistemas de controle, os complexos portuários são fundamentais para manter o fluxo de importações e exportações que abastece a economia nacional e conecta o Brasil ao mercado global.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Itaguaí (RJ)

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Comércio Internacional

Canal do Panamá reduz capacidade por seca e aumenta pressão sobre fretes internacionais

A seca no Canal do Panamá voltou a impactar a logística marítima global. A partir de 25 de julho, a Autoridade do Canal do Panamá suspenderá os leilões diários do terceiro período de reservas para as eclusas Panamax. A decisão, informada pela agência de transporte marítimo Norton Lilly, foi motivada pela queda no nível de água do Lago Gatún e pelo risco de intensificação do fenômeno El Niño.

Com a medida, a capacidade diária de reservas será reduzida de 36 para 34 embarcações. Até o momento, não há previsão para o encerramento da restrição.

Histórico de restrições reforça vulnerabilidade da hidrovia

A nova limitação ocorre após uma sequência de episódios semelhantes registrados em 2023 e 2024. Naqueles anos, a escassez de água obrigou a adoção de restrições de calado e à diminuição do número diário de navios autorizados a cruzar o canal, afetando diretamente o comércio internacional.

No início de 2026, a Autoridade do Canal havia indicado uma recuperação das operações, com maior previsibilidade no planejamento logístico e sem reajustes tarifários. Entretanto, a retomada das restrições demonstra que a infraestrutura continua vulnerável às condições climáticas, especialmente diante das previsões relacionadas ao El Niño.

Problemas em rotas estratégicas elevam impacto no transporte marítimo

O cenário ganha ainda mais relevância porque coincide com dificuldades em outros importantes corredores marítimos. As tensões envolvendo Irã e Estados Unidos reduziram drasticamente a movimentação no Estreito de Ormuz, enquanto os ataques do grupo Houthi no Mar Vermelho seguem obrigando companhias marítimas a redirecionar embarcações pelo Cabo da Boa Esperança.

A combinação desses fatores amplia a pressão sobre as principais rotas do transporte marítimo, elevando custos logísticos, aumentando os prazos de entrega e pressionando os fretes internacionais.

Brasil pode enfrentar aumento de custos e atrasos nas operações

Para o Brasil, o Canal do Panamá é uma das principais ligações comerciais com a Ásia e a costa oeste dos Estados Unidos, além de desempenhar papel importante no escoamento de commodities agrícolas.

Com a suspensão do terceiro período de reservas, a disputa por vagas disponíveis nos dois primeiros períodos tende a aumentar, encarecendo as reservas antecipadas. Navios que não conseguirem confirmar um slot poderão enfrentar filas de espera ou optar por rotas alternativas, como o desvio pelo Cabo da Boa Esperança, solução que aumenta significativamente o tempo de viagem e os custos operacionais.

Agronegócio e indústria estão entre os setores mais afetados

Os efeitos da medida devem ser sentidos principalmente pelo agronegócio exportador e pelas empresas que importam insumos industriais, segmentos que dependem de cronogramas logísticos rigorosos.

Além do risco de atrasos nas entregas, a instabilidade nos prazos pode ampliar a exposição cambial em contratos vinculados à data de recebimento das cargas. O cenário também pode levar empresas a revisar cláusulas contratuais relacionadas à força maior e aos limites de tolerância para atrasos logísticos.

FONTE: FUP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FUP

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Portos

Norcoast amplia rota de cabotagem com inclusão do Porto do Rio de Janeiro

A Norcoast expandiu sua operação de cabotagem ao incorporar a Rio Brasil Terminal (RBT), no Porto do Rio de Janeiro, à sua rota regular. A estreia da nova escala ocorreu com a previsão de atracação do navio NC Breda, marcando o início de uma ligação direta entre o estado do Rio de Janeiro e a Zona Franca de Manaus.

A iniciativa reforça a estratégia da companhia de ampliar sua presença no Sudeste e fortalecer a malha logística nacional por meio do transporte marítimo de cargas.

Nova operação amplia cobertura logística

Com a entrada do Porto do Rio de Janeiro na rota, a Norcoast passa a oferecer uma alternativa para o transporte de cargas domésticas e também para operações feeder, responsáveis por conectar portos brasileiros às principais linhas internacionais.

Segundo a empresa, a nova escala proporciona mais previsibilidade nas operações, maior flexibilidade para os embarcadores e integração entre os modais marítimo, ferroviário e rodoviário, contribuindo para uma cadeia logística mais eficiente.

A ligação direta com Manaus também amplia as possibilidades de atendimento ao polo industrial da capital amazonense e fortalece o escoamento de cargas provenientes do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e interior de São Paulo, aproveitando a conexão com a malha ferroviária.

Setores industriais devem ser os principais beneficiados

A expectativa da Norcoast é que a nova operação atenda principalmente empresas dos segmentos de bens de consumo, siderurgia, bebidas e cargas de maior valor agregado.

Para esses setores, fatores como segurança, confiabilidade e regularidade das operações têm se tornado decisivos na escolha do modal logístico.

De acordo com o diretor comercial da Norcoast, Marcio Salmi, a expansão faz parte de um plano de crescimento sustentável da companhia.

“Queremos ampliar a capilaridade da cabotagem, expandindo o portfólio de serviços e a rede de atendimento de forma consistente e sustentável. Estamos acompanhando a demanda desses setores e apostamos na geração de valor por meio do aumento da oferta, do estímulo à cabotagem e do desenvolvimento regional”, afirmou em nota.

Rede passa a conectar oito portos brasileiros

Com a nova escala, a rota regular da Norcoast passa a atender os portos de Manaus (AM), Pecém (CE), Suape (PE), Salvador (BA), Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e Rio de Janeiro (RJ).

A empresa opera atualmente quatro embarcações, cada uma com capacidade para transportar aproximadamente 3,5 mil TEUs, utilizando um modelo de atendimento porta a porta, que integra o transporte marítimo aos demais modais logísticos.

Cabotagem cresce, mas ainda enfrenta desafios no Brasil

A ampliação da malha da Norcoast ocorre em um momento de recuperação do setor de cabotagem. Dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC) apontam crescimento no segundo trimestre, impulsionado pela retomada das operações domésticas e do segmento feeder.

Apesar desse avanço, o desempenho acumulado no primeiro semestre registrou alta de apenas 0,9%, evidenciando que o modal ainda possui amplo espaço para crescer na matriz logística brasileira.

Embora o país conte com mais de 8 mil quilômetros de litoral, a participação da cabotagem no transporte nacional de cargas segue relativamente baixa.

Integração multimodal é apontada como principal desafio

Especialistas avaliam que o maior obstáculo para a expansão da cabotagem não está na navegação, mas na integração entre os diferentes sistemas de transporte.

Para Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral (FDC), os portos precisam ser tratados como parte de um corredor logístico completo, conectado de forma eficiente às ferrovias, rodovias e centros de distribuição.

Nesse cenário, investimentos em logística integrada, operações porta a porta e ampliação da oferta de serviços, como a nova rota da Norcoast, buscam reduzir gargalos históricos e tornar o modal mais competitivo para os embarcadores.

Modal marítimo também contribui para reduzir emissões

Além dos ganhos operacionais, a cabotagem vem se consolidando como uma alternativa mais sustentável para o transporte de cargas.

Levantamento da própria Norcoast indica que, em determinados corredores logísticos, o transporte marítimo pode emitir até 89% menos CO₂ do que o modal rodoviário. A companhia também destaca a redução nos riscos de roubo de cargas como um dos fatores que têm ampliado o interesse de empresas dos setores industrial e de bens de consumo.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Logística

Cabotagem movimenta 38,4 milhões de toneladas e fortalece a logística entre portos brasileiros

A cabotagem segue consolidada como um dos principais pilares da logística de transporte no Brasil. Realizada ao longo dos mais de 8,5 mil quilômetros da costa brasileira, a modalidade conecta portos brasileiros e integra o transporte marítimo com rodovias, ferrovias e hidrovias, facilitando o escoamento de mercadorias entre regiões produtoras, centros de distribuição e mercados consumidores.

Movimentação de cargas cresce nos portos brasileiros

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, nos dois primeiros meses deste ano, a cabotagem transportou 38,4 milhões de toneladas de cargas entre portos nacionais.

A maior parte desse volume foi composta por granéis líquidos e gasosos, que somaram 29,7 milhões de toneladas. Também foram registrados:

  • 4,9 milhões de toneladas de granéis sólidos;
  • 3,7 milhões de toneladas de cargas conteinerizadas;
  • 978 mil toneladas de carga geral.

Os números evidenciam a relevância da cabotagem para o abastecimento e a distribuição de produtos em diferentes setores da economia.

Petróleo, contêineres e bauxita lideram o transporte

Entre as principais mercadorias movimentadas pela cabotagem, o destaque ficou para o petróleo e seus derivados, que responderam por 25,7 milhões de toneladas transportadas.

Na sequência aparecem:

  • Contêineres: 3,7 milhões de toneladas;
  • Derivados de petróleo: 3,3 milhões de toneladas;
  • Bauxita: 2,6 milhões de toneladas.

A diversidade de cargas demonstra a importância da navegação costeira para atender às demandas da indústria, do comércio e do setor energético.

Integração entre transporte marítimo, rodoviário e ferroviário

Um dos diferenciais da cabotagem é sua integração com outros modais de transporte. Em uma mesma operação logística, uma carga pode sair da fábrica por caminhão ou trem, seguir até um porto, ser embarcada em um navio e, ao chegar ao destino, voltar ao transporte terrestre até o consumidor final.

Esse modelo amplia a eficiência da cadeia logística e contribui para a conexão entre diferentes regiões do país.

Principais rotas ligam Norte, Nordeste e Sul do Brasil

A navegação de cabotagem opera em importantes corredores logísticos do país, conectando portos estratégicos como Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC), Navegantes (SC), Salvador (BA), Suape (PE), Pecém (CE) e Manaus (AM).

Essas rotas são utilizadas para o transporte de combustíveis, fertilizantes, alimentos, produtos industrializados e cargas conteinerizadas.

O trecho entre Santos e Manaus, por exemplo, desempenha papel fundamental no abastecimento da Zona Franca de Manaus, enquanto as ligações entre Santos, Salvador, Suape e Pecém reforçam o fluxo de mercadorias ao longo do litoral brasileiro.

Cabotagem se diferencia da navegação internacional

Ao contrário da navegação de longo curso, destinada ao transporte entre portos de diferentes países, a cabotagem acontece exclusivamente entre portos localizados em território brasileiro.

Essa característica faz da modalidade um componente estratégico da infraestrutura nacional de transportes, contribuindo para a integração da matriz logística e para a circulação de cargas em todo o país.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Logística

Frete marítimo sobe até 400% e pressiona importadores; contratos definem quem arca com os custos

O aumento do frete marítimo internacional vem elevando os custos de empresas brasileiras que dependem de insumos, componentes e equipamentos importados da Ásia. Além do impacto financeiro, a disparada dos preços intensificou discussões sobre a responsabilidade pelo pagamento das despesas extras ao longo da cadeia logística.

Dados da Port Trade, especializada em logística internacional e comércio exterior, mostram que o valor do transporte por contêiner, que variava entre US$ 1,2 mil e US$ 2 mil entre janeiro e abril, passou para uma faixa entre US$ 4,8 mil e US$ 5,7 mil nas últimas semanas, representando uma alta próxima de 400% no ano.

O cenário é impulsionado pelo agravamento das tensões geopolíticas, incluindo o conflito entre Estados Unidos e Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz, ataques a embarcações no Golfo Pérsico e os riscos persistentes à navegação no Mar Vermelho.

Apesar da forte valorização, os valores ainda permanecem abaixo dos registrados durante a pandemia, quando algumas rotas chegaram a superar US$ 20 mil por contêiner de 40 pés.

Custos vão além do transporte

O aumento do frete internacional não afeta apenas o preço dos produtos importados. A crise também provoca atrasos, mudanças de rota, congestionamentos em portos, cancelamentos de escalas e elevação de despesas com armazenagem, seguros, demurrage, detention e outras penalidades logísticas.

Em entrevista à Agência Transporte Moderno, o advogado Pedro Calmon Neto, especialista em Direito Marítimo, afirma que o momento exige uma análise criteriosa dos contratos antes de qualquer tentativa de repassar custos ou revisar valores.

Segundo ele, é necessário verificar documentos como contratos de compra e venda, conhecimentos de embarque, reservas de carga, apólices de seguro, condições dos transportadores e os Incoterms, além das cláusulas relacionadas a reajustes tarifários, combustível, sobretaxas de guerra e alterações de rota.

Alta do frete não garante revisão contratual

Apesar do aumento expressivo dos preços, o especialista destaca que isso não significa, automaticamente, direito à revisão dos contratos.

Ele explica que tanto a teoria da imprevisão prevista no Código Civil quanto as regras de hardship em contratos internacionais exigem requisitos específicos, como imprevisibilidade do evento, desequilíbrio econômico significativo e vantagem excessiva para uma das partes.

Na avaliação do advogado, os riscos envolvendo o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz já eram conhecidos pelo mercado, o que dificulta caracterizar a situação atual como um fato totalmente inesperado.

A análise deve considerar fatores como a data da assinatura do contrato, histórico das tarifas, cláusulas de reajuste e a distribuição de riscos previamente acordada.

Direito inglês limita alterações nos contratos

Nos contratos regidos pelo direito inglês, bastante utilizados no transporte marítimo internacional, a possibilidade de revisão costuma ser ainda mais restrita.

Isso ocorre porque prevalece o princípio de que os contratos devem ser cumpridos conforme foram firmados, fazendo com que as cláusulas pactuadas tenham prioridade sobre alegações posteriores de desequilíbrio econômico.

Rotas mais longas reduzem oferta de navios

A deterioração das condições de segurança no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico levou diversos armadores a evitarem o Canal de Suez, optando pelo trajeto via Cabo da Boa Esperança, no sul da África.

Essa mudança acrescenta entre sete e 14 dias ao tempo de viagem em determinadas rotas, reduz a disponibilidade de embarcações e aumenta a pressão sobre os preços do frete marítimo.

Como consequência, também cresce o risco de atrasos, reprogramação de escalas, escassez de contêineres e novos custos operacionais.

Incoterms definem quem paga as despesas extras

A responsabilidade pelos custos adicionais depende, principalmente, do Incoterm estabelecido na negociação comercial.

Nas operações realizadas sob a modalidade CIF, o vendedor responde pela contratação do frete e do seguro até o porto de destino, assumindo inicialmente os impactos das sobretaxas.

Já nas operações FOB, cabe ao comprador contratar o transporte, tornando-se responsável pelas oscilações nos custos do frete.

Segundo Pedro Calmon Neto, embora os Incoterms definam as obrigações entre comprador e vendedor, a relação com armadores e transportadores segue as regras previstas no contrato de transporte e no Bill of Lading.

Demurrage e detention seguem regras específicas

Outro ponto de atenção envolve as cobranças de demurrage e detention, relacionadas ao uso dos contêineres além dos prazos estabelecidos.

O especialista ressalta que esses valores não possuem natureza de penalidade arbitrária, mas funcionam como instrumentos para garantir a circulação dos equipamentos, especialmente em períodos de menor disponibilidade de contêineres.

Normalmente, a responsabilidade recai sobre quem detém o controle operacional da carga em cada etapa da operação, sendo o exportador na origem e o importador no destino.

Após a chegada do contêiner ao terminal, eventuais custos de permanência passam a depender da atuação da parte responsável pela retirada ou devolução do equipamento, reduzindo a possibilidade de atribuí-los diretamente à crise geopolítica.

Negociação deve prevalecer sobre disputas judiciais

Mesmo com o aumento das consultas jurídicas, a expectativa é de que o setor registre menos ações judiciais do que durante a pandemia.

A tendência, segundo o especialista, é de fortalecimento das negociações preventivas, revisão de contratos de longo prazo, atualização das cláusulas de força maior e busca por soluções por mediação ou arbitragem.

A orientação é manter toda a documentação organizada, comunicar rapidamente qualquer alteração operacional e priorizar o diálogo entre as partes para preservar as relações comerciais e reduzir riscos de litígios.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

Autoridade Portuária de Santos abre licitação para transporte marítimo de passageiros

A Autoridade Portuária de Santos (APS) publicou o edital da licitação eletrônica nº 40/2026 para contratar uma empresa especializada na prestação de transporte marítimo de passageiros. O aviso foi divulgado no Diário Oficial e faz parte das ações voltadas à manutenção dos serviços operacionais da autoridade portuária.

O contrato terá duração de 30 meses e contempla o transporte de funcionários em rotas estratégicas que atendem áreas do complexo portuário.

Linhas fixas atenderão três trajetos operacionais

Conforme o edital, a empresa vencedora será responsável pela operação de linhas exclusivas de transporte entre os seguintes trechos:

  • Santos – Guarujá (TEV/Santos Brasil);
  • Santos – Ilha Barnabé;
  • Bertioga – Vila de Itatinga.

O serviço busca garantir o deslocamento dos colaboradores que atuam em diferentes áreas ligadas às operações do Porto de Santos.

Licitação inclui embarcações para fiscalizações e vistorias

Além das rotas regulares, o contrato também prevê a disponibilização de embarcações sob demanda para atender atividades técnicas realizadas pela APS.

Entre os serviços previstos estão fiscalizações ambientais, auditorias, vistorias e visitas técnicas ao longo do estuário e do canal de navegação. Para essas operações poderão ser utilizados diferentes tipos de embarcação, como lanchas rápidas, embarcações de pequeno porte e catamarãs, conforme a necessidade de cada missão.

Como participar da licitação

Segundo a Autoridade Portuária de Santos, o edital de licitação já está disponível na área de licitações da instituição. As empresas interessadas deverão estar previamente cadastradas no sistema Licitações-e, administrado pelo Banco do Brasil, para participar do processo eletrônico.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Logística

Cabotagem ganha força como alternativa para reduzir emissões na logística brasileira

A busca por operações mais sustentáveis está mudando a forma como as empresas movimentam mercadorias no Brasil. Em um cenário em que aproximadamente 63% do transporte de cargas ainda ocorre pelas rodovias, o modal escolhido para a logística deixou de ser apenas uma decisão de custo e prazo. Hoje, ele também influencia metas de descarbonização, inventários de carbono e estratégias de ESG.

Nesse contexto, a cabotagem surge como uma alternativa capaz de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa, principalmente em viagens de longa distância.

Estudo aponta redução superior a 70% nas emissões

Levantamento realizado pela empresa de navegação costeira Norcoast indica que suas operações evitaram a emissão de cerca de 317,8 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) ao longo de 2025, quando comparadas a um cenário em que toda a carga tivesse sido transportada exclusivamente por caminhões.

O estudo avaliou 49.611 operações de frete, responsáveis pela movimentação de aproximadamente 957 mil toneladas de cargas durante o período.

Segundo os dados, a operação intermodal, que combina transporte marítimo e trechos rodoviários para coleta e entrega, gerou 123,2 mil toneladas de CO₂e. Já uma operação totalmente rodoviária alcançaria 441 mil toneladas de CO₂e, representando uma redução de 72,1% nas emissões.

A intensidade de carbono também foi menor na cabotagem: 128,7 quilos de CO₂e por tonelada transportada, contra 460,7 quilos no transporte exclusivamente rodoviário.

De acordo com Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, a cabotagem não substitui o caminhão, mas reduz a necessidade de percorrer grandes distâncias pelas estradas, diminuindo a intensidade de carbono da cadeia logística.

Matriz logística brasileira segue concentrada nas rodovias

Apesar do avanço da cabotagem, a logística nacional ainda depende majoritariamente do transporte rodoviário.

Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostram que 63,4% das cargas brasileiras são transportadas por caminhões. As ferrovias respondem por 18%, o transporte aquaviário representa 14,6%, os dutos concentram 4,1% e o modal aéreo participa com apenas 0,1%.

Na avaliação da Norcoast, essa predominância ocorre não apenas pela preferência histórica pelo caminhão, mas também pela oferta limitada de alternativas eficientes para grandes distâncias.

Rodovias concentram a maior parte das emissões do setor

A concentração da matriz logística também se reflete na emissão de gases de efeito estufa.

Segundo o Inventário CNT 2025, o setor de transportes brasileiro lançou cerca de 190 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2023. Desse total, 92,9% vieram do transporte rodoviário.

Os caminhões representam aproximadamente 34% dessas emissões, enquanto os automóveis flex respondem por cerca de 30%.

Para Lorenzi, a crescente preocupação das empresas com a pegada de carbono faz com que a análise das emissões passe a influenciar diretamente a escolha do modal logístico, juntamente com fatores como custo e prazo.

Brasil reúne condições favoráveis para ampliar a cabotagem

A extensa faixa litorânea, a concentração populacional próxima à costa e os corredores logísticos que ligam polos produtores aos principais centros consumidores colocam o Brasil em posição estratégica para ampliar o uso da cabotagem.

A própria Norcoast nasceu com esse objetivo. Criada pela brasileira Norsul em parceria com a alemã Hapag-Lloyd, a empresa iniciou suas operações em fevereiro de 2024 apostando no crescimento do transporte de contêineres pela costa brasileira e na migração de cargas hoje transportadas por rodovias.

Dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC) mostram que o segmento movimentou 1,9 milhão de TEUs em 2025, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. Desse volume, 876 mil TEUs corresponderam ao transporte doméstico, que avançou 15% no período.

Maior capacidade dos navios reduz intensidade das emissões

Segundo Bruno Alonso, especialista em emissões da Norcoast e responsável pelo estudo, a principal vantagem ambiental da cabotagem está na elevada capacidade de transporte dos navios.

Enquanto uma embarcação da empresa pode transportar até 3,5 mil TEUs em uma única viagem, um caminhão normalmente leva apenas um contêiner padrão, podendo chegar a dois em configurações específicas e respeitando os limites de peso das rodovias.

Mesmo utilizando combustíveis fósseis, o transporte marítimo consegue distribuir as emissões por uma quantidade muito maior de carga, reduzindo a intensidade de carbono por tonelada transportada.

Além disso, a empresa afirma adotar medidas como controle de velocidade das embarcações, otimização dos motores e utilização de combustível marítimo com baixo teor de enxofre (LSFO). Também acompanha o desenvolvimento de soluções como biocombustíveis e hidrogênio verde, embora reconheça que essas tecnologias ainda enfrentam desafios técnicos e elevados custos para adoção em larga escala.

Agenda climática aumenta importância da logística sustentável

Especialistas avaliam que a escolha do modal logístico ganhou relevância também por causa das exigências relacionadas ao Escopo 3 do GHG Protocol, que contabiliza as emissões indiretas da cadeia de suprimentos.

Ao mesmo tempo, o transporte marítimo mundial enfrenta novas metas ambientais. A Organização Marítima Internacional (IMO) definiu objetivos progressivos para reduzir as emissões do setor, com cortes previstos até 2030 e 2040, além da meta de alcançar emissões líquidas zero por volta de 2050.

Entre os mecanismos já implementados está o Carbon Intensity Indicator (CII), indicador que mede anualmente a eficiência de carbono das embarcações. Segundo a Norcoast, sua frota já é monitorada com base nesse sistema.

Cabotagem ainda representa pequena parcela do transporte de cargas

Apesar do crescimento recente, a cabotagem ainda responde por cerca de 11% da matriz logística brasileira. O segmento de transporte de contêineres representa aproximadamente 1% de toda a movimentação de cargas no país.

Para a Norcoast, o avanço do modal não depende da substituição dos caminhões, mas da ampliação da integração entre diferentes meios de transporte. A proposta é utilizar o modal marítimo nos longos percursos e manter o transporte rodoviário nas etapas de coleta e distribuição, tornando a logística nacional mais eficiente e com menor emissão de carbono.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Logística

Cabotagem ganha força como alternativa para reduzir emissões na logística brasileira

A busca por operações mais sustentáveis está transformando a forma como as empresas transportam mercadorias pelo Brasil. Em um cenário em que o transporte rodoviário ainda responde pela maior parte da movimentação de cargas no país, cresce o interesse por alternativas capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, como a cabotagem.

Hoje, cerca de 63% das cargas brasileiras são transportadas por rodovias, modalidade que também concentra a maior parcela das emissões do setor. Com isso, a escolha do modal logístico passou a fazer parte das estratégias corporativas voltadas à descarbonização, influenciando inventários de carbono e metas ambientais.

Cabotagem evitou mais de 317 mil toneladas de CO₂ em 2025

Levantamento realizado pela empresa de navegação costeira Norcoast mostra o potencial ambiental da cabotagem. Segundo o estudo, as operações da companhia impediram a emissão de aproximadamente 317,8 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) em 2025, na comparação com um cenário em que todas as cargas fossem transportadas exclusivamente por caminhões.

Durante o período, foram realizados 49.611 fretes, responsáveis pela movimentação de cerca de 957 mil toneladas de cargas.

A análise aponta que a operação intermodal da empresa — que combina transporte marítimo com trechos rodoviários de coleta e entrega — emitiu 123,2 mil toneladas de CO₂e. Caso todo o percurso tivesse sido feito apenas por rodovias, o volume chegaria a 441 mil toneladas, uma diferença de 72,1%.

Outro indicador reforça a vantagem ambiental: a intensidade de carbono foi de 128,7 quilos de CO₂e por tonelada transportada, enquanto no transporte exclusivamente rodoviário esse índice alcançaria 460,7 quilos.

Integração entre modais reduz impacto ambiental

De acordo com Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, a proposta não é substituir os caminhões, mas reduzir sua utilização em trajetos de longa distância.

Segundo o executivo, o transporte rodoviário continua indispensável nas etapas de coleta e distribuição, porém a integração com a cabotagem contribui para diminuir significativamente a intensidade de carbono das operações logísticas.

Rodovias ainda dominam a matriz logística brasileira

Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostram que o Brasil mantém forte dependência das rodovias. Os caminhões respondem por 63,4% da movimentação de cargas, enquanto as ferrovias representam 18%. O transporte aquaviário participa com 14,6%, seguido pelos dutos, com 4,1%, e pelo modal aéreo, com apenas 0,1%.

Na avaliação da empresa, essa concentração está relacionada não apenas à preferência histórica pelo transporte rodoviário, mas também à oferta limitada de alternativas para percursos de longa distância.

Transporte rodoviário concentra emissões do setor

A predominância dos caminhões também se reflete na emissão de gases de efeito estufa.

Segundo o Inventário CNT 2025, o setor de transportes lançou 190 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2023. Desse total, 92,9% tiveram origem no transporte rodoviário. Os caminhões foram responsáveis por cerca de 34% das emissões, enquanto os automóveis flex responderam por aproximadamente 30%.

Para Lorenzi, medir a pegada de carbono das cadeias logísticas tornou-se uma necessidade crescente. Com informações detalhadas por rota e operação, as empresas conseguem considerar critérios ambientais ao lado de fatores como custo e prazo na definição do modal.

Crescimento da cabotagem acompanha demanda por logística sustentável

A Norcoast foi criada em 2024 por meio de uma parceria entre a brasileira Norsul e a alemã Hapag-Lloyd, com foco na expansão do transporte de contêineres pela costa brasileira.

Segundo a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC), o segmento movimentou 1,9 milhão de TEUs em 2025, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. As cargas domésticas representaram 876 mil TEUs, o equivalente a 45% do total, registrando alta de 15%.

Com quatro embarcações em operação e aproximadamente 600 clientes, a empresa acredita haver espaço para ampliar sua participação em um mercado estimado em cerca de quatro mil embarcadores.

Escala do transporte marítimo favorece menor emissão de carbono

Bruno Alonso, especialista em emissões da Norcoast, explica que a principal vantagem ambiental do transporte marítimo está na capacidade de transportar grandes volumes em uma única viagem.

Enquanto um navio da companhia pode levar até 3,5 mil TEUs, um caminhão convencional normalmente transporta apenas um contêiner padrão, chegando a dois TEUs em modelos de maior porte, dependendo do peso permitido.

Essa característica permite diluir as emissões por carga transportada, tornando a cabotagem menos intensiva em carbono, embora ainda utilize combustíveis fósseis.

Além da escala, a empresa adota medidas para aumentar a eficiência energética, como controle da velocidade das embarcações, otimização dos motores e utilização de combustível marítimo de baixo teor de enxofre (LSFO). Também acompanha o desenvolvimento de alternativas como biocombustíveis e hidrogênio verde, considerados promissores para o futuro do setor.

Agenda climática amplia importância da logística

Especialistas apontam que a escolha do modal logístico passou a influenciar diretamente as estratégias de sustentabilidade das empresas, especialmente diante da crescente exigência de investidores e órgãos reguladores para contabilização das emissões indiretas, conhecidas como Escopo 3, conforme o GHG Protocol.

No cenário internacional, a Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu metas para reduzir progressivamente as emissões do transporte marítimo até 2050, além de incentivar o uso de combustíveis de baixa emissão e criar mecanismos para avaliação da eficiência ambiental das embarcações.

Entre eles está o Carbon Intensity Indicator (CII), indicador adotado desde 2023 para medir o desempenho de carbono dos navios.

Desafio é ampliar participação da cabotagem

Apesar do avanço, a cabotagem ainda representa uma fatia reduzida da matriz logística nacional, com cerca de 11% do transporte de cargas. No segmento de contêineres, a participação é de aproximadamente 1%.

Para o setor, o caminho está na ampliação da integração entre os diferentes modais. A combinação entre transporte marítimo e rodoviário pode contribuir para uma logística mais eficiente, competitiva e alinhada às metas de redução das emissões de carbono.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Norcoast

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