Transporte

Confiabilidade do transporte marítimo cai na Costa Leste da América do Sul

A confiabilidade dos serviços marítimos de contêineres na Costa Leste da América do Sul (ECSA) caiu 12 pontos percentuais em agosto, chegando a 34%. No mesmo período, o atraso médio das embarcações dobrou, alcançando 5,4 dias, segundo levantamento da consultoria Xeneta.

O desempenho foi afetado, em parte, por uma paralisação de três dias dos práticos nos portos argentinos no início de agosto. A interrupção acrescentou 1,6 dia ao tempo médio de atraso nas operações de atracação em portos como Buenos Aires.

Diante do impacto da paralisação, algumas companhias marítimas redirecionaram cargas para terminais próximos, incluindo Montevidéu, no Uruguai, e Itajaí, no Brasil.

Paralisação ocorreu em período estratégico

De acordo com a Xeneta, o momento da paralisação contribuiu para ampliar seus efeitos sobre a logística marítima regional.

O movimento ocorreu no último mês da principal temporada de exportação da Argentina e pouco antes do início da temporada de maior movimentação de cargas do Brasil.

Mesmo com a queda em agosto, a ECSA permaneceu próxima do desempenho registrado na Costa Oeste da América do Sul. A região Oeste apresentou índice de confiabilidade de 37%.

Com o resultado, a ECSA continuou entre as três rotas marítimas com melhor desempenho global, embora tenha registrado uma deterioração significativa nos indicadores de pontualidade.

Atrasos aumentam antes da temporada de exportações do Brasil

A Xeneta destacou que o aumento do atraso médio para 5,4 dias e a redução da pontualidade para 34% diminuem a margem de segurança do setor diante de novas interrupções.

A consultoria também avalia que as restrições de calado no Canal do Panamá representam uma ameaça relativamente menor para as operações da ECSA. Isso ocorre porque, com exceção de um serviço, as rotas provenientes da Ásia utilizam atualmente o caminho pelo Cabo da Boa Esperança.

Outro fator considerado pela análise é a temporada de tempestades no Atlântico. Apesar de setembro marcar o período de maior atividade, as condições permaneceram relativamente tranquilas até o momento analisado.

Confiabilidade global recua pelo terceiro mês seguido

No cenário internacional, o índice de confiabilidade do transporte marítimo caiu pelo terceiro mês consecutivo em agosto.

O indicador global recuou quatro pontos percentuais em relação a julho, para 29%. Esse foi o segundo pior resultado dos 12 meses anteriores e praticamente anulou a recuperação observada após o mínimo de 27% registrado em fevereiro.

O atraso médio das embarcações também aumentou. O indicador passou de 4,2 dias em julho para 5,1 dias em agosto.

Segundo a Xeneta, a combinação entre atrasos mais longos e maior frequência de chegadas fora do horário previsto torna mais difícil recuperar a regularidade das operações.

Rotas registram queda de pontualidade

Entre as regiões com maior deterioração do desempenho está a África, onde a confiabilidade caiu 15 pontos percentuais, para 21%.

A Costa Leste da América do Sul teve queda de 12 pontos, enquanto a rota entre o Extremo Oriente e a Europa recuou dez pontos percentuais.

Nesta última, apenas 6% das embarcações chegaram dentro do prazo previsto, com atraso médio de 8,2 dias.

Maersk mantém maior índice entre grandes armadores

Entre as principais companhias marítimas, dez das 12 maiores registraram queda de desempenho em agosto.

A Maersk apresentou índice de confiabilidade de 51%, seguida pela Hapag-Lloyd, com 46%. Apesar de liderarem o indicador entre as empresas citadas, ambas tiveram redução em relação ao mês anterior: seis e sete pontos percentuais, respectivamente.

A CMA CGM caiu sete pontos, para 33%, enquanto a Cosco registrou redução de seis pontos e chegou a 22%.

A Xeneta avalia que a diferença de desempenho entre as companhias, que chegou a 45 pontos percentuais, mantém a escolha do armador como um dos principais fatores sob controle dos embarcadores para buscar maior previsibilidade logística durante a temporada de contratação de serviços.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mundo Marítimo

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Eventos

Meeting Comex 2026 reúne setor em Joinville com debates sobre comércio exterior e logística

O primeiro dia do Meeting Comex 2026, nesta terça-feira (22), na Expoville, em Joinville (SC), reuniu profissionais, empresas e representantes do poder público para discutir os desafios e as oportunidades do comércio exterior brasileiro.

Promovido pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ) há 13 anos, o encontro tem como foco aproximar os diferentes elos da cadeia logística e do comércio internacional, promovendo conhecimento, troca de experiências e conexões entre os participantes. Para a presidente do Meeting Comex, Carolina Botelho, o primeiro dia do evento superou todas as expectativas. “O primeiro dia contou com um conteúdo técnico de alta relevância, além da participação de representantes de câmaras de comércio e consulados, fortalecendo as conexões internacionais,” destaca.

A equipe do ReConecta News está presente no evento, acompanhando de perto a programação, realizando entrevistas e trazendo os principais destaques para seus leitores e seguidores. Para a CEO Renata Palmeira, acompanhar iniciativas como o Meeting Comex é fundamental para fortalecer conexões, ampliar o acesso à informação e valorizar os profissionais que movimentam o comércio exterior e a logística.

O papel do comércio exterior na internacionalização de Santa Catarina

Um dos momentos de destaque do primeiro dia foi a apresentação de Paulinho Bornhausen, secretário executivo de Articulação Internacional de Santa Catarina, sobre o acordo entre União Europeia e Mercosul.

Durante sua fala, Bornhausen ressaltou a importância de iniciativas como o Meeting Comex para estimular a internacionalização e ampliar a conexão das empresas catarinenses com os mercados globais. Ele também destacou o protagonismo do comércio exterior nesse processo, defendendo que a internacionalização depende da atuação direta do setor e de seus profissionais. “Não basta SC querer ser a porta de entrada para o Brasil, precisamos consolidar isso”, afirmou.

A declaração reforça o desafio de transformar a posição estratégica de Santa Catarina em resultados concretos, ampliando a competitividade das empresas e fortalecendo a infraestrutura e as conexões internacionais do estado.

Reforma Tributária no Comércio Exterior entra em debate

A Reforma Tributária também esteve entre os principais assuntos do encontro. O painel “Reforma Tributária no Comércio Exterior: Impactos na Importação” reuniu representantes da Receita Federal, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/SECEX) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A discussão colocou em pauta os efeitos das mudanças tributárias sobre as operações de importação, tema de interesse direto para empresas, profissionais e operadores envolvidos nas cadeias internacionais de negócios.

A presença de representantes de órgãos públicos e de uma instituição multilateral contribuiu para aproximar o debate técnico dos desafios enfrentados pelo mercado, em um momento de adaptação às mudanças no sistema tributário brasileiro.

Cases de sucesso

A programação também abordou o papel da infraestrutura aeroportuária na competitividade do comércio exterior. No painel “Transporte Aéreo de Cargas 2027: Conectividade, Infraestrutura e Competitividade”, representantes da Lufthansa, Floripa Airport e Ponta Negra discutiram a contribuição das companhias aéreas e dos aeroportos para a transformação da logística internacional.

O case do Floripa Airport, administrado pela Zurich Airport Brasil, evidenciou a expansão das operações de carga aérea e o fortalecimento das conexões internacionais de Santa Catarina. Em julho a operação registrou o marco de 1.000 voos cargueiros, e deve fechar o ano de 2026 com mais de mil clientes.  “Saltamos de 300 clientes em 2021 para 1.300 clientes até o fim desse ano,” destaca Davi Piza, gestor de Logística.

A agenda do primeiro dia também contou com a palestra de Marcos Troyjo, sobre o comércio exterior brasileiro no contexto ESG 2.0, além de atividades de relacionamento e networking entre os participantes.

Segundo dia terá debates sobre anuentes, liderança, fretes e geopolítica

Nesta quarta-feira (23), o Meeting Comex 2026 continua na Expoville, em Joinville, com uma programação voltada a temas técnicos e estratégicos que impactam diretamente as operações de comércio exterior e logística.

Segundo a presidente do Meeting Comex, Carolina Botelho, a expectativa é de um público ainda maior, com recorde de ingressos vendidos e inscritos no evento. “Um dos destaques da programação será a palestra do general André Novaes, que abordará a geopolítica e seus impactos no comércio exterior, trazendo também perspectivas e informações sobre o cenário atual do país”, finaliza.

A programação pode ser acessada no site oficial do evento.

Texto: ReConecta News

Imagens: ReConecta News / Giovana Santos

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Transporte

Transporte marítimo de granéis sólidos registra maior recuperação desde a pandemia

O transporte marítimo de granéis sólidos apresenta em 2026 o avanço mais consistente desde o período da pandemia. O movimento de recuperação alcança diferentes segmentos do mercado, incluindo Capesize, Panamax e Supramax, segundo análise da BRS Dry Bulk.

O Baltic Dry Index (BDI) chegou a superar a marca de 3.500 pontos e permaneceu próximo — e, em alguns momentos, acima — dos 3.000 pontos nos últimos meses.

Para a consultoria, o desempenho acumulado ao longo do ano tem sido positivo, faltando menos de quatro meses para o encerramento de 2026. O BDI é formado pelo BCI Capesize, com peso de 40%, pelo BPI Panamax, responsável por 30%, e pelo BSI Supramax, também com participação de 30%.

Demanda sustenta avanço do mercado de granéis

Parte da valorização do mercado foi relacionada a eventos que provocaram disrupções no transporte marítimo, como as ocorridas no Estreito de Ormuz e a congestionamento do Canal do Panamá.

A BRS Dry Bulk, no entanto, aponta que fatores estruturais também contribuíram para o desempenho dos navios graneleiros.

No segmento Capesize, dados da AXSMarine indicam que as toneladas-milha acumuladas por embarcações com capacidade superior a 160 mil dwt ficaram bem acima dos níveis observados em anos anteriores.

Outro destaque foi a ausência das correções sazonais normalmente registradas em abril e julho. Segundo a análise, o comportamento indica uma demanda subjacente mais resistente.

Esse cenário levou a rota de referência C5TC, calculada com base em um navio de 180 mil dwt, a registrar média próxima de US$ 40 mil por dia em agosto.

Minério de ferro da África Ocidental ganha espaço

O desempenho dos Capesize também está relacionado ao aumento das exportações de minério de ferro provenientes da África Ocidental.

A Guiné embarcou 10 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, enquanto no mesmo período de 2025 os volumes eram praticamente inexistentes. Serra Leoa e Libéria movimentaram, respectivamente, 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas.

Com esses resultados, os embarques da região superaram os volumes originados na África do Sul.

As maiores distâncias entre os produtores da África Ocidental e os compradores asiáticos aumentam a importância da região para as viagens de longa distância realizadas pelos navios Capesize.

A BRS Dry Bulk também destaca a entrada em operação do Wontanara, primeiro de cinco navios de transbordo construídos para a SimFer. A expectativa é que as embarcações contribuam para reduzir gargalos logísticos à medida que a produção da mina de Simandou avance.

Carvão impulsiona segmentos Panamax e Kamsarmax

Nos mercados de Panamax e Kamsarmax, o carvão ganhou participação ao longo do ano. Entre janeiro e agosto, os dois segmentos transportaram juntos 382,9 milhões de toneladas, alta de 5,4% em relação ao mesmo período anterior.

O crescimento ficou acima da expansão de 1,9% registrada pelo comércio marítimo global de carvão.

De acordo com a BRS Dry Bulk, a aceleração observada em maio e junho coincidiu com preços mais elevados do gás, aumento da demanda por refrigeração, redução da geração hidrelétrica em algumas regiões asiáticas e interrupções temporárias na produção de minas chinesas.

O transporte de grãos dos Estados Unidos para a China também contribuiu para alterar a dinâmica do mercado. Parte desses carregamentos evitou as rotas pelo Canal do Panamá e Canal de Suez, ampliando a utilização de navios de médio porte em viagens mais longas.

China amplia participação no Pacífico

O mercado de graneleiros com equipamentos de carga, conhecidos como geared bulk carriers, também apresentou mudanças no Pacífico. As embarcações desse segmento têm capacidade entre 25 mil e 68 mil dwt.

Entre janeiro e agosto, a China movimentou 120,9 milhões de toneladas, superando os 104 milhões de toneladas da Indonésia, que tradicionalmente ocupa posição de destaque na geração de cargas para esses navios na região.

O cenário ainda inclui o crescimento dos embarques de carvão russo para portos do Extremo Oriente e o avanço das cargas agrícolas provenientes do Canadá e dos Estados Unidos.

Somente os embarques agrícolas desses dois países chegaram a 20,89 milhões de toneladas, crescimento de 23% na comparação anual.

Mercado ganha distribuição geográfica mais equilibrada

Na avaliação da BRS Dry Bulk, a combinação desses fluxos está modificando a distribuição das cargas no Pacífico.

O aumento da atividade na China, no Extremo Oriente russo e no Pacífico Norte amplia as oportunidades de transporte para os graneleiros e reduz a dependência do mercado em relação à Indonésia, tradicionalmente concentrada como principal origem de cargas na região.

Esse movimento contribui para uma base de cargas mais distribuída geograficamente e reforça a recuperação do mercado de transporte marítimo de granéis sólidos em 2026.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mundo Marítimo

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Transporte

Drewry prevê 77 viagens canceladas no transporte marítimo nas próximas cinco semanas

Um total de 77 viagens marítimas deverá ser cancelado nas próximas cinco semanas, segundo uma análise da consultoria Drewry. As chamadas blank sailings representam cerca de 11% das 720 partidas anunciadas para o período.

Com isso, a estimativa é de que aproximadamente 89% dos navios mantenham os cronogramas de viagem originalmente previstos.

Cancelamentos atingem principais rotas comerciais

O levantamento considera o período entre a semana 39, de 21 a 27 de setembro, e a semana 43, de 19 a 25 de outubro.

Nesse intervalo, as três principais rotas analisadas — Transpacífico, Transatlântico e Ásia–Norte da Europa e Mediterrâneo — deverão registrar, juntas, cancelamentos equivalentes a 11% das partidas programadas.

A maior concentração das interrupções está na rota Transpacífica no sentido leste, responsável por 55% dos cancelamentos previstos.

Na sequência aparece o corredor Ásia–Europa/Mediterrâneo, com 31% das suspensões. Já a rota Transatlântica representa 14% e continua sendo a menos afetada entre os principais serviços avaliados.

Golden Week pode alterar oferta de espaço nos navios

A Drewry avalia que a proximidade da Golden Week, período de feriados na China, pode provocar mudanças nos fluxos de carga e na programação das companhias marítimas.

O adiantamento de embarques antes dos feriados, combinado a possíveis ajustes de capacidade das empresas de navegação, pode influenciar a disponibilidade de espaço e os cronogramas de outubro.

Esse cenário pode exigir atenção adicional dos embarcadores na organização das cargas e no planejamento logístico para as próximas semanas.

Riscos no Oriente Médio continuam afetando o transporte

Além dos ajustes de capacidade, o cenário de segurança no Oriente Médio continua interferindo nos fluxos de transporte marítimo regional.

Segundo a Drewry, alguns serviços voltaram a utilizar o Canal de Suez, mas os riscos na região ainda representam um fator de incerteza para as operações.

A consultoria também aponta que a congestão portuária e a irregularidade na confiabilidade dos cronogramas permanecem entre os principais desafios para os embarcadores.

Com as companhias marítimas reorganizando suas redes, a expectativa é de que disponibilidade de espaço, congestionamentos e cumprimento dos horários continuem sendo pontos importantes para o planejamento do transporte marítimo internacional.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Transporte

BYD negocia novos navios para ampliar capacidade de transporte de veículos

A BYD avalia ampliar sua frota marítima para acompanhar o crescimento das exportações de veículos. Informações recentes indicam que a montadora chinesa negocia a possível contratação de até dez novos navios transportadores de veículos, conhecidos como PCTCs (Pure Car and Truck Carriers).

Os projetos considerados poderiam ter capacidade de cerca de 9.200 CEUs cada. No entanto, a negociação ainda não foi concluída e não há definição sobre a quantidade de embarcações, suas dimensões ou a configuração final do negócio.

BYD avalia navios de até 9.200 CEUs

A possibilidade de uma encomenda de dez embarcações foi divulgada inicialmente pela agência chilena Mundo Marítimo, com base em informações do New Ships e da plataforma especializada Robin Assafina.

De acordo com esse cenário, os navios seriam construídos pela China Merchants Industry, nos estaleiros de Jinling e Haimen, com entregas programadas entre 2027 e 2029. Caso o projeto seja confirmado nesses termos, a capacidade adicional chegaria a 92 mil CEUs.

Uma apuração publicada em 15 de setembro pela Xinde Marine News, porém, aponta que as negociações ainda estão em fase preliminar. Fontes consultadas pela publicação afirmam que a BYD conversa com estaleiros para aumentar sua capacidade de transporte, mas ainda não definiu o número de navios, o porte das embarcações, os locais de construção ou o formato comercial da operação.

Entre as alternativas analisadas estão PCTCs de aproximadamente 8.600 e 9.200 CEUs.

O que significa CEU?

A sigla CEU (Car Equivalent Unit) é utilizada pelo setor naval para indicar a capacidade de transporte de veículos de uma embarcação.

Isso não significa, necessariamente, que um navio de 9.200 CEUs consiga transportar exatamente 9.200 carros. A quantidade efetiva depende do tamanho e das características dos veículos embarcados.

Frota marítima começou a crescer em 2024

A estratégia marítima da BYD avançou rapidamente nos últimos anos. A formação da frota dedicada começou em janeiro de 2024, com a entrega do Explorer No. 1, e ganhou novos integrantes até setembro de 2025, quando o BYD Jinan entrou em operação.

A estrutura utilizada pela montadora também inclui os navios Hefei, Changzhou, Shenzhen, Xi’an, Changsha e Zhengzhou.

Parte dessa capacidade, entretanto, não pertence diretamente à BYD. O Explorer No. 1, por exemplo, foi entregue à Zodiac Maritime e posteriormente afretado pela montadora, conforme informações do construtor da embarcação.

A estratégia combina, portanto, navios próprios ou vinculados à companhia com embarcações contratadas no mercado de transporte marítimo.

A primeira expansão da frota acompanhou o aumento das vendas internacionais. Estimativas citadas pela Mundo Marítimo indicam que essa estrutura poderia permitir à empresa exportar até 1 milhão de veículos por ano.

Brasil ganha espaço na estratégia logística

O Brasil foi um dos primeiros destinos relevantes da expansão marítima da BYD. Em maio de 2024, o Explorer No. 1 realizou em Suape (PE) sua primeira escala no continente americano, levando aproximadamente 5,4 mil veículos elétricos e híbridos.

A operação de descarga durou 48 horas e, na época, representou um recorde de importação de veículos em uma única operação no complexo portuário pernambucano. Com capacidade para até 7 mil veículos, o navio levou 27 dias para fazer a viagem entre a China e o Brasil.

Em 2024, o Porto de Suape movimentou 80.051 veículos e vem se consolidando como um hub regional para esse tipo de carga. O terminal possui estrutura voltada às operações Ro-Ro, nas quais os veículos entram e saem das embarcações por meio de rampas.

Produção em Camaçari pode mudar fluxo de veículos

A logística marítima da BYD no Brasil também passou a ter uma nova dimensão com o início da produção em Camaçari (BA).

Inaugurada em outubro de 2025, a fábrica alcançou a marca de 100 mil veículos produzidos em julho deste ano. Com a expansão da fabricação nacional, a dinâmica de transporte da montadora no país pode mudar gradualmente.

Até agora, os grandes car carriers utilizados pela BYD estão principalmente associados ao transporte de veículos produzidos na Ásia para mercados internacionais.

A ampliação da produção brasileira e a possibilidade de utilizar a Bahia como ponto de abastecimento de outros mercados podem aumentar a relevância da logística marítima para futuras exportações. A empresa, contudo, ainda não informou que os navios atualmente em negociação serão destinados a operações relacionadas à fábrica baiana.

Mercado global de car carriers também acelera encomendas

A movimentação da BYD ocorre em um momento de retomada das encomendas de navios transportadores de veículos no mercado internacional.

Dados da Clarksons compilados pela Xinde Marine News indicam que 37 PCCs e PCTCs haviam sido encomendados globalmente até meados de julho deste ano. No mesmo período de 2025, foram registrados apenas nove pedidos durante todo o ano.

O mercado havia apresentado um ritmo ainda mais intenso em 2023 e 2024, com 83 e 73 novas encomendas, respectivamente.

Os estaleiros chineses responderam por 35 dos 37 pedidos registrados até julho. Os novos projetos também refletem uma tendência de embarcações maiores, com capacidade superior a 8 mil CEUs.

É justamente nessa faixa que estão os modelos avaliados pela BYD. Se a companhia escolher a configuração de 9.200 CEUs, poderá adicionar à sua operação embarcações de grande porte para o transporte internacional de veículos.

Exportações da BYD sustentam demanda por transporte marítimo

A possível expansão da frota está diretamente relacionada ao crescimento das exportações da BYD.

Dados da Associação de Automóveis de Passageiros da China, citados pela Agência Mundo Marítimo, mostram que a montadora exportou 184 mil veículos de passageiros a partir da China em agosto, alta de 131% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 6% sobre julho.

Entre janeiro e agosto, foram exportados 1,127 milhão de veículos, avanço de 88% na comparação anual.

Somente em agosto, a BYD representou 35,4% das exportações chinesas de veículos de nova energia, categoria que reúne carros elétricos a bateria e híbridos plug-in.

A estratégia marítima da empresa também acompanha a internacionalização de sua produção. Em setembro de 2025, o navio BYD Zhengzhou levou veículos fabricados na Tailândia para o Reino Unido, marcando a primeira operação de exportação da BYD a partir daquela unidade.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Logística

Rota Marítima da Seda reúne 19 países em fórum sobre comércio e logística

O VIII Fórum Internacional de Cooperação Marítima da Rota da Seda foi aberto em Xiamen, na província de Fujian, no leste da China, reunindo mais de 1.800 participantes de 19 países e regiões. O encontro colocou no centro dos debates a necessidade de ampliar a cooperação marítima internacional, a conectividade e a resiliência das cadeias de suprimentos diante de desafios como tensões geopolíticas, mudanças climáticas e transformação tecnológica.

Realizado sob o tema “Um novo capítulo da Rota Marítima da Seda para o crescimento compartilhado: cooperação aberta de alto nível em portos, transporte marítimo e comércio”, o evento reúne representantes dos setores de portos, transporte marítimo, logística, comércio, finanças e tecnologia.

Os participantes destacaram que a integração entre esses segmentos pode ajudar a enfrentar um cenário de maior fragmentação das cadeias globais e de aumento das incertezas no comércio internacional.

Conectividade é prioridade diante de riscos globais

Durante a abertura, os debates abordaram desde a reorganização das cadeias de abastecimento globais até o desenvolvimento portuário e a conectividade marítima.

Gu Jinshan, presidente da Associação Chinesa de Portos e Cais, afirmou que o setor portuário chinês vem reforçando sua contribuição para a economia real e para a integração entre portos, navegação e comércio. Segundo ele, os avanços obtidos nos últimos anos criaram uma base para fortalecer o transporte marítimo e apoiar a abertura econômica da China.

Ren Weimin, diretor da Divisão de Transportes da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, defendeu o fortalecimento da resiliência da conectividade marítima na região. A medida, segundo ele, é necessária para reduzir os impactos de crises geopolíticas e das mudanças climáticas sobre o sistema global de transporte.

Já Zhang Ruosi, assessora da Divisão de Comércio de Serviços e Investimentos da Organização Mundial do Comércio (OMC), chamou atenção para os efeitos da fragmentação comercial. Na avaliação dela, políticas que favoreçam o comércio e uma maior integração do transporte marítimo podem contribuir para enfrentar esse cenário.

Rota Marítima da Seda aposta em resiliência

A crescente instabilidade geopolítica tem elevado as preocupações relacionadas à segurança das principais rotas marítimas internacionais. Entre os efeitos estão viagens mais longas, aumento dos custos logísticos e maior dificuldade no planejamento dos trajetos.

Nesse contexto, os participantes do fórum defenderam que a estratégia da Silk Road Maritime deve considerar não apenas eficiência, mas também capacidade de adaptação e continuidade diante de interrupções.

Um dos destaques do evento foi o lançamento de um serviço de cálculo de rotas meteorológicas voltado à Rota Marítima da Seda no Ártico. A ferramenta foi desenvolvida em conjunto pela Administração Meteorológica da China e pela Associação Marítima da Rota da Seda.

Inteligência artificial apoia navegação no Ártico

O novo serviço utiliza dados dos satélites meteorológicos Fengyun para formar uma rede de observação do gelo marinho no Ártico. As informações são combinadas com modelos de previsão numérica e algoritmos de inteligência artificial.

A ferramenta oferece previsões de condições do gelo para até 15 dias e monitoramento de ciclones polares, com o objetivo de auxiliar decisões relacionadas à segurança da navegação em águas polares.

Chen Zhiping, presidente do Fujian Provincial Port Group, afirmou que a empresa também trabalha com o escritório meteorológico de Xiamen no desenvolvimento de um sistema de IA para gestão de riscos meteorológicos portuários.

A solução reúne em uma única interface informações sobre riscos climáticos de 58 portos chineses e estrangeiros, incluindo níveis de alerta, distância em relação ao centro de tufões e situação de funcionamento dos portos.

Segundo Chen, a ferramenta pode facilitar a tomada de decisões por portos, empresas de navegação, comércio, seguradoras e outros integrantes da cadeia de suprimentos.

O grupo pretende continuar aperfeiçoando o sistema e ampliar sua integração com outros portos participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI).

Jamaica e Nigéria defendem maior integração

Durante o encontro, a ministra das Relações Exteriores e Comércio Exterior da Jamaica, Johnson Smith, destacou a importância de manter o comércio marítimo seguro e ininterrupto e ressaltou o papel da China nesse processo.

Na avaliação da representante jamaicana, a cooperação comercial multilateral e as iniciativas vinculadas à Rota Marítima da Seda podem contribuir para cadeias de suprimentos mais seguras, sustentáveis e resilientes.

Na mesma linha, Chris Osa Isokpunwu, secretário permanente do Ministério Federal da Indústria, Comércio e Investimento da Nigéria, afirmou que a iniciativa representa mais do que o transporte de navios e mercadorias.

Para o representante nigeriano, a parceria também pode ampliar a integração do país à economia mundial, atrair investimentos e criar oportunidades de desenvolvimento sustentável. Ele acrescentou que a Nigéria pretende utilizar a cooperação para qualificar sua mão de obra e aproveitar experiências acumuladas pela China.

Europa e China discutem transformação digital

Jan Van der Borght, representante da Autoridade Portuária de Antuérpia-Bruges, considerou o fórum e a Associação Marítima da Rota da Seda mecanismos relevantes para estreitar a cooperação entre Europa e China.

Segundo ele, a evolução econômica chinesa não está relacionada apenas ao aumento do volume de cargas, mas também à transformação da indústria e à incorporação de novas tecnologias.

O representante citou inteligência artificial, tecnologias inteligentes e produtos chineses como fatores que podem ampliar as relações comerciais com o mercado europeu. Ao mesmo tempo, defendeu que os portos europeus avancem em sua transformação digital para acompanhar esse processo.

Novo corredor reduz custos logísticos

O fórum também apresentou o corredor intermodal marítimo-ferroviário Hunan-Fujian Silk Road Maritime. A iniciativa busca melhorar a ligação entre o interior da China e os portos da costa.

A expectativa é que o corredor crie uma alternativa de exportação mais eficiente para a região central do país, com potencial para reduzir os custos logísticos entre 20% e 30% e diminuir o tempo de transporte em cinco a sete dias.

Além disso, o encontro divulgou documentos relacionados ao desenvolvimento integrado de portos, transporte marítimo e comércio, incluindo o livro azul da Iniciativa Marítima da Rota da Seda 2025-2026, políticas de apoio ao desenvolvimento portuário e marítimo para 2026-2028 e um sistema colaborativo de serviços de navegação para as rotas do Ártico.

Novas rotas e acordos de cooperação

Segundo o Global Times, o fórum anunciou 12 novas rotas marítimas da Rota da Seda, a entrada de 15 novos integrantes na associação e a assinatura de 11 projetos de cooperação.

Uma nova iniciativa também foi aprovada durante a mesa-redonda do evento, com participação de aproximadamente 30 representantes de portos, empresas de navegação, operadores logísticos, companhias de tecnologia e instituições de pesquisa.

O acordo estabelece cinco áreas prioritárias:

  • expansão das redes de conectividade;
  • integração de recursos de portos, navegação e comércio;
  • avanço da digitalização e inteligência;
  • promoção do desenvolvimento sustentável;
  • criação de um ecossistema compartilhado voltado à prosperidade.

Silk Road Maritime amplia presença global

Criada em 2018, na província de Fujian, a Silk Road Maritime é apresentada como a primeira plataforma integrada de serviços logísticos internacionais da China dedicada ao transporte marítimo no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota.

A rede cresceu rapidamente e atualmente reúne 160 rotas marítimas, 153 portos em 50 países e regiões e 393 integrantes de diferentes setores, incluindo transporte marítimo, energia, indústria e internet.

Para Zhang Jingquan, professor da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Jinan, o desenvolvimento acumulado pela iniciativa pode ampliar o suporte à cooperação de alta qualidade dentro da BRI e fortalecer a economia marítima.

A plataforma também vem ampliando sua atuação em organização de rotas, coordenação portuária, serviços logísticos e transformação digital.

A proposta dos organizadores é avançar na integração de recursos internacionais e desenvolver novos modelos capazes de conectar portos, cidades, indústrias e comércio. O objetivo é formar uma rede de cooperação marítima mais inteligente, integrada e resiliente.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Aliança inicia operação de cabotagem na APM Terminals Suape

A Aliança Navegação e Logística iniciou, no dia 1º, uma nova operação na APM Terminals Suape, em Pernambuco. Com três escalas semanais, o serviço amplia a presença da companhia na cabotagem brasileira e reforça a ligação do Nordeste com portos das regiões Norte, Sudeste e Sul.

A nova operação passa a integrar a rede logística da empresa por meio dos serviços ALCT 1, nos trajetos Sul-Norte e Norte-Sul, e ALCT 2. A estrutura atende diferentes segmentos da indústria e do agronegócio, com transporte de alimentos, papel e celulose, plásticos, produtos químicos, máquinas e insumos industriais.

Cabotagem conecta Sul e Nordeste

A entrada da Aliança ocorre em uma rota estratégica para o abastecimento do Nordeste. Dados do mercado apontam que 49% das cargas transportadas por cabotagem com destino à região nordestina têm origem no Sul do Brasil.

Entre os principais produtos movimentados nesse fluxo estão cereais, sementes e grãos, que representam 13% das cargas. Na sequência aparecem plásticos, com 11%, e papel e celulose, também com 11%.

Os terminais de Itapoá, Itajaí, Imbituba e Navegantes, em Santa Catarina, concentram 20% das cargas que têm como destino Suape. Outros 11% dos volumes que saem desses portos catarinenses seguem para o Porto do Pecém, no Ceará.

Fluxo de cargas também ocorre no sentido inverso

A movimentação não se restringe ao transporte de mercadorias para o Nordeste. No sentido contrário, cargas embarcadas na região têm como destino diferentes estados brasileiros.

Nesse fluxo, sal, cimento e plástico estão entre os produtos de maior participação. Juntos, eles correspondem a 45% das mercadorias transportadas por navegação de cabotagem com origem no Nordeste.

A diversificação dos produtos movimentados reforça o papel da cabotagem como alternativa para o transporte de cargas entre diferentes regiões do país, especialmente em rotas de longa distância.

Aliança aposta no crescimento do mercado nordestino

Para Luiza Bublitz, presidente da Aliança Navegação e Logística, a operação na APM Terminals Suape está alinhada ao plano de expansão da empresa no Nordeste.

Segundo a executiva, a região apresenta potencial significativo para o avanço da logística marítima no Brasil. A nova escala, afirmou, aumenta as possibilidades de conexão entre empresas nordestinas e os principais mercados consumidores nacionais.

A companhia também avalia que a ampliação da malha pode contribuir para o desenvolvimento econômico regional ao oferecer novas alternativas para a movimentação de cargas e atender à expansão dos negócios de seus clientes.

FONTE: Portal BE News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/APM Terminals

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Portos

Congestionamento nos portos bate recorde e retém 4,3 milhões de TEUs

O congestionamento nos portos ao redor do mundo atingiu um patamar histórico e já afeta diretamente os custos de frete, os prazos de entrega e a logística global de contêineres. Dados da consultoria Linerlytica apontam que mais de 4,3 milhões de TEUs estão retidos em navios que aguardam para atracar.

O volume supera o recorde registrado durante a crise logística provocada pela pandemia de Covid-19. Em 2022, o número de contêineres parados chegou a aproximadamente 4 milhões de TEUs.

Tempestades ampliam filas nos portos asiáticos

Parte do atual gargalo é consequência de uma sequência de tempestades na Ásia Oriental, que provocou alterações nas escalas e nos cronogramas de navios. A instabilidade climática comprometeu a operação portuária e aumentou o tempo de espera para atracação.

Considerando a frota mercante mundial, estimada atualmente em 34,4 milhões de TEUs, os contêineres retidos representam cerca de 12,6% da capacidade global.

Apesar do recorde em números absolutos, a proporção ainda está abaixo da registrada em 2022. Naquele período, os contêineres parados correspondiam a 15,7% da frota mundial, que era menor e somava 25,3 milhões de TEUs.

Canal de Panamá também enfrenta restrições

O cenário de congestionamento marítimo também se estende ao Canal de Panamá. A redução no número de travessias diárias, provocada pela seca na região, contribui para o aumento das filas e adiciona pressão à cadeia internacional de transporte.

Navios porta-contêineres que possuem slots previamente agendados, porém, tendem a sofrer impactos menores diante das restrições operacionais.

Santos Brasil lidera ranking de Transporte e Logística

No mercado brasileiro, a Santos Brasil conquistou a primeira colocação no setor de Transporte e Logística no ranking Valor 1.000 deste ano. O anúncio foi realizado na noite de terça-feira, em São Paulo (SP).

O levantamento é elaborado pelo jornal Valor Econômico e pela revista Época Negócios, em parceria com a Serasa Experian e a Fundação Getulio Vargas (FGV). A publicação avalia o desempenho das principais empresas do país e destaca companhias de maior relevância em seus respectivos segmentos.

Movecta anuncia nova CFO

A Movecta, empresa de logística integrada, anunciou Caroline Pepe Leonard como sua nova Chief Financial Officer (CFO). A chegada da executiva ocorre em uma etapa estratégica para a companhia, que trabalha na execução do Plano Movecta 2030.

O projeto estabelece entre seus principais objetivos a meta de dobrar o faturamento da empresa em cinco anos, reforçando a estratégia de expansão do grupo.

Com mais de 20 anos de experiência profissional, Caroline possui atuação nas áreas de finanças corporativas, relações com investidores, fusões e aquisições (M&A) e private equity.

A executiva já ocupou cargos de liderança em empresas e grupos dos segmentos de infraestrutura, logística, telecomunicações e varejo de alto padrão. Entre as organizações pelas quais passou estão Mills Solaris, Telefônica, Grupo Ultra, Pátria Investimentos e LVMH.

FONTE: Portal BE News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/APS

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Transporte

Neoliner Origin, maior navio cargueiro a velas do mundo, transporta 1.000 toneladas de café ao Canadá

O Neoliner Origin, considerado o maior navio cargueiro movido a velas do mundo, chegou ao Porto de Montreal, no Canadá, transportando cerca de 1.000 toneladas de café colombiano e hondurenho.

A embarcação, que integra a frota da CMA CGM e iniciou suas operações no segundo trimestre deste ano, foi utilizada pela empresa canadense Café William como parte de uma estratégia para reduzir as emissões de carbono no transporte marítimo.

A carga poderá resultar na produção de mais de 8,5 milhões de xícaras de café. Depois de desembarcados em Montreal, os grãos seguirão para a unidade da Café William em Sherbrooke, onde serão torrados.

Café chega ao Canadá após viagem de 20 dias

O transporte levou aproximadamente 20 dias até Montreal. A operação é uma iniciativa da Café William para diminuir o impacto ambiental associado à logística de seus produtos.

A empresa, sediada em Sherbrooke, mantém parcerias com cooperativas produtoras de café orgânico e de comércio justo. Desde 2018, sob o comando de Rémi Tremblay, a companhia ampliou suas ações voltadas à sustentabilidade.

A intenção é repetir o transporte por propulsão eólica pelo menos uma vez por ano. Com isso, a empresa estima que aproximadamente 40% de seu volume anual de café possa ser movimentado utilizando a força dos ventos.

Café William aposta em produção de baixo impacto ambiental

O uso do transporte marítimo à vela faz parte de um conjunto mais amplo de medidas ambientais adotadas pela Café William.

A empresa também opera uma fábrica inaugurada em 2023 e certificada com o selo LEED Silver. Segundo a companhia, a unidade é a primeira do mundo a utilizar sistemas de torrefação elétrica em larga escala.

A combinação entre produção e logística busca reduzir a pegada de carbono do café desde o processamento até a distribuição.

Como funciona o Neoliner Origin

Construído pela francesa Neoline, o Neoliner Origin entrou em operação em 2025. O navio tem 136 metros de comprimento e foi projetado para utilizar predominantemente a energia eólica na movimentação de cargas.

A embarcação possui dois mastros de carbono autossustentáveis, cada um com 76 metros de altura.

De acordo com a Neoline, o navio consegue navegar utilizando exclusivamente a força do vento durante até 70% do tempo. Quando é necessária propulsão auxiliar, entram em funcionamento motores diesel-elétricos.

A configuração foi desenvolvida para reduzir em até 80% as emissões de gases de efeito estufa em relação a um navio convencional de dimensões semelhantes.

Projeto resgata conceito de grandes veleiros comerciais

A utilização de grandes embarcações à vela para o transporte comercial de cargas ganhou força novamente há cerca de 15 anos.

Foi nesse período que oficiais da Marinha Mercante francesa criaram a Neoline com a proposta de desenvolver uma frota de cargueiros que utilizasse principalmente a energia dos ventos.

O Neoliner Origin representa a aplicação comercial desse conceito em uma embarcação de grande porte.

Café ganha edição especial transportada pelo vento

A chegada da carga ao Canadá também será marcada pelo lançamento de uma edição limitada do café Alizé, da Café William.

A mistura será produzida com grãos que fizeram o percurso entre a América Latina e o Canadá a bordo do Neoliner Origin.

A iniciativa associa o produto à experiência de um transporte marítimo baseado em energia eólica, reforçando a estratégia de sustentabilidade da empresa.

Navio segue viagem para a França

Depois da escala em Montreal, o Neoliner Origin deixou o Canadá e seguiu para o território francês de Saint-Pierre e Miquelon.

Na sequência, a embarcação deverá continuar sua rota até o Porto de Montoir, próximo a Saint-Nazaire, na França continental.

Com bandeira francesa, o navio integra uma nova geração de embarcações que buscam combinar transporte marítimo comercial e propulsão eólica para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e as emissões do setor.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Corredores verdes: Brasil amplia participação na descarbonização do transporte marítimo

O Brasil reforçou sua presença na agenda internacional de descarbonização do transporte marítimo ao assinar, em agosto, um Memorando de Entendimento com Singapura para desenvolver um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que também mantém acordos e estudos com outros parceiros internacionais.

A movimentação acompanha a expansão dos chamados corredores marítimos verdes, projetos que buscam preparar determinadas rotas para a operação de navios abastecidos por combustíveis de baixa ou zero emissão.

O que são os corredores verdes

Os corredores verdes têm como proposta criar condições técnicas, econômicas e regulatórias para que embarcações com menor impacto climático possam operar em rotas específicas.

Para viabilizar esses projetos, diferentes setores precisam atuar de maneira integrada. Governos, portos, armadores, produtores de combustíveis, empresas de tecnologia e instituições de pesquisa participam de discussões sobre infraestrutura portuária, disponibilidade de combustíveis, novas tecnologias, regulamentação, financiamento e qualificação profissional.

O conceito ganhou projeção internacional com a Declaração de Clydebank, apresentada durante a COP26, em 2021. Desde então, os corredores verdes passaram a ser considerados uma ferramenta para testar tecnologias, modelos de negócio e soluções capazes de acelerar a transição energética do transporte marítimo.

De acordo com o Annual Progress Report on Green Shipping Corridors 2025, relatório anual sobre o avanço dessas iniciativas, havia 84 projetos ativos no mundo até outubro de 2025 — 25 a mais que no levantamento anterior.

Iniciativas avançam em diferentes regiões

A expansão dos projetos mostra que a agenda deixou de estar concentrada em poucos mercados. O levantamento identificou novas iniciativas na Ásia, América Latina e África, incluindo quatro projetos na Índia, quatro na China, três no Brasil e dois no Chile. Gana e Quênia também aparecem entre os países com iniciativas.

Mais de 300 organizações estavam envolvidas nos projetos analisados.

Apesar do crescimento, a maior parte dos corredores ainda está em fases preliminares. Das 84 iniciativas, 24 estavam na etapa de iniciação, 44 em exploração e 12 em preparação. Apenas quatro haviam alcançado a fase de realização, na qual começam a ser construídos navios, instalações e infraestrutura ou tem início a operação de transporte marítimo com emissão zero.

Europa e Ásia-Pacífico concentram projetos mais maduros

Algumas das iniciativas mais avançadas estão na Europa e na região Ásia-Pacífico.

Nas rotas entre Estocolmo e Turku e entre Vaasa e Umeå, entre Suécia e Finlândia, o biometano já era utilizado em operações de transporte de passageiros. Na ligação entre Austrália e Ásia, empresas avançaram na contratação de embarcações preparadas para utilizar amônia.

Já o corredor entre Oslo, na Noruega, e Roterdã, nos Países Baixos, reúne projetos de navios movidos a hidrogênio, além de estudos para a criação da infraestrutura necessária ao abastecimento.

Os diferentes modelos mostram que a implantação de um corredor verde não segue uma fórmula única. Cada rota demanda soluções específicas, que podem envolver incentivos regulatórios, recursos públicos, compromissos empresariais e mecanismos financeiros destinados a reduzir os custos da transição.

Custo e infraestrutura são obstáculos

Transformar um acordo ou estudo em uma operação efetiva continua sendo um dos principais desafios dos corredores verdes. Entre as dificuldades apontadas pelo relatório está a diferença de preço entre os combustíveis tradicionais e as alternativas de baixa ou zero emissão.

Outro entrave é a disposição dos proprietários das cargas em absorver custos adicionais relacionados à transição energética.

A implementação também depende de investimentos em novos navios e infraestrutura, além da existência de instalações adequadas para armazenar e abastecer embarcações com combustíveis alternativos. As incertezas relacionadas à regulamentação também podem dificultar decisões de longo prazo.

Mesmo em fases iniciais, porém, os projetos já geram efeitos importantes. As iniciativas têm ampliado a cooperação entre empresas e governos, estimulado a produção e o compartilhamento de conhecimento e aumentado a percepção sobre a importância dos portos na formação de cadeias de abastecimento de combustíveis sustentáveis.

Brasil amplia acordos internacionais

Nesse contexto, o Brasil vem ampliando sua atuação. O acordo firmado com Singapura prevê cooperação para analisar as condições necessárias à formação de uma cadeia de suprimento de combustíveis com emissões de gases de efeito estufa nulas ou próximas de zero na rota entre os dois países.

O memorando também inclui pesquisa e desenvolvimento, estudos para diminuir riscos de investimentos, mecanismos financeiros e digitais, intercâmbio de informações, capacitação profissional e realização de workshops.

A parceria também abre espaço para maior cooperação com um dos principais centros do comércio marítimo global. Durante missão internacional em agosto, o ministro Tomé Franca visitou o Porto de Tuas, onde conheceu soluções de automação portuária, digitalização e sustentabilidade.

A programação incluiu ainda uma reunião com a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura e a formalização do memorando de entendimento.

“O Brasil tem muito a contribuir para essa transição. Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo e temos condições favoráveis para desenvolver combustíveis de baixa emissão. A criação de corredores verdes aproxima países, empresas e instituições para transformar esse potencial em soluções para o transporte marítimo”, afirmou Tomé Franca.

Parceria com Noruega e Países Baixos

O acordo com Singapura integra uma rede maior de cooperação internacional conduzida pelo MPor.

Com Noruega e Países Baixos, o Ministério participa das discussões para estruturar um corredor marítimo sustentável ligando o Brasil à Europa. Em junho, representantes dos três países estiveram em Brasília para um workshop sobre a implementação da iniciativa.

Durante o encontro, foi apresentado um estudo de viabilidade técnica que apontou rotas prioritárias e analisou diferentes possibilidades de combustíveis, entre elas biodiesel, amônia e metanol.

As conversas também avançaram para medidas capazes de levar os projetos à fase de implementação. Entre as propostas estão uma maior articulação entre governos, empresas e centros de pesquisa e a criação ou direcionamento de instrumentos de financiamento para navios, portos e terminais envolvidos nos corredores verdes.

Brasil também coopera com a França

A França é outro parceiro do Brasil na agenda de transporte marítimo sustentável.

Uma Declaração de Intenções estabelece cooperação para desenvolver projetos voltados à redução de emissões, incentivar tecnologias de baixa ou quase zero emissão, ampliar o uso de ferramentas digitais, promover pesquisas conjuntas e capacitar profissionais.

O acordo prevê ainda que o lado brasileiro seja coordenado pelo MPor, por meio das Secretarias Nacionais de Portos e de Hidrovias e Navegação.

Potencial brasileiro na transição energética

O avanço das parcerias internacionais ocorre em meio ao crescimento dos corredores verdes em diversas partes do mundo. O Global Maritime Forum aponta que países como Brasil, China e Índia já estabeleceram estratégias e metas relacionadas à transição energética, mas ainda enfrentam o desafio de transformar essas diretrizes em projetos concretos.

Segundo o levantamento, a cooperação entre países, a integração de políticas públicas e o envolvimento antecipado do setor privado podem ajudar a acelerar essa transformação.

Para o Brasil, a agenda combina desafios de infraestrutura e financiamento com oportunidades econômicas. Além de contribuir para a redução das emissões do transporte marítimo, o país reúne condições para ampliar sua participação na produção e no fornecimento de combustíveis de menor impacto climático.

Entre as alternativas com potencial estão biometano, hidrogênio verde, amônia verde e metanol verde, que podem ganhar espaço à medida que os corredores marítimos sustentáveis avançarem.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafael Medeiros

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