Logística

Confiabilidade dos itinerários marítimos globais cai ao menor nível desde 2022

A confiabilidade dos serviços marítimos globais voltou a recuar em agosto e atingiu o menor patamar desde setembro de 2022. O resultado foi influenciado principalmente pela forte congestão portuária na Ásia, segundo a 181ª edição do relatório Global Liner Performance (GLP), da consultoria Sea-Intelligence.

O índice global caiu pelo segundo mês consecutivo, com redução de 5,9 pontos percentuais em relação a julho. Com isso, a confiabilidade dos itinerários ficou em 49,9% em agosto.

O levantamento acompanha o desempenho de mais de 60 companhias marítimas em 34 rotas comerciais.

Atrasos dos navios também aumentam

Além da queda na regularidade dos serviços, o levantamento registrou aumento no tempo de atraso das embarcações.

O atraso médio dos navios que chegaram fora do horário programado avançou 0,60 dia em relação a julho, alcançando 6,81 dias. Esse foi o maior intervalo registrado desde março de 2022.

Na comparação com agosto de 2025, o atraso médio ficou 1,92 dia maior, indicando uma piora significativa na pontualidade do transporte marítimo internacional.

Maersk registra maior confiabilidade entre as grandes companhias

Entre as 13 principais companhias de navegação avaliadas pela Sea-Intelligence, a Maersk apresentou o maior índice de confiabilidade em agosto, com 67,3%.

Na sequência apareceram:

  • Hapag-Lloyd: 61,5%;
  • MSC: 55,2%;
  • CMA CGM: 50,6%.

Essas foram as quatro únicas empresas do grupo a superar a marca de 50%.

Na outra ponta, a Wan Hai apresentou o menor índice entre as 13 companhias analisadas, com 23,2%.

Todas as 13 companhias tiveram queda em agosto

Nenhuma das empresas avaliadas apresentou melhora mensal no indicador de confiabilidade em agosto.

A ONE registrou a menor queda, de 3,5 pontos percentuais. Já a PIL teve o recuo mais expressivo, de 10,1 pontos percentuais.

A comparação com agosto de 2025 também mostrou deterioração generalizada. Nenhuma das 13 companhias apresentou avanço na confiabilidade dos itinerários em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Maersk teve a menor redução anual, de 8,9 pontos percentuais, enquanto a PIL registrou o maior recuo, de 31,1 pontos percentuais.

Ao todo, 12 das 13 empresas analisadas tiveram quedas de dois dígitos na comparação anual.

Gemini lidera entre as alianças marítimas

Entre as principais alianças de transporte marítimo, a Gemini apresentou índice de confiabilidade de 77,8% no período entre julho e agosto de 2026.

O resultado ficou acima dos registrados pela MSC, com 70,1%, e pela Ocean Alliance, com 48,3%.

A Premier Alliance apresentou o menor índice entre as alianças avaliadas, com 43,2%.

Congestionamento portuário afeta regularidade global

Os dados da Sea-Intelligence mostram que a confiabilidade dos itinerários marítimos continua sob pressão, especialmente diante dos problemas de congestionamento registrados em portos asiáticos.

A combinação entre menor cumprimento dos horários e aumento dos atrasos médios pode afetar o planejamento das cadeias de logística internacional, transporte de contêineres e comércio exterior.

O relatório Global Liner Performance analisa a pontualidade dos serviços em 34 rotas comerciais e mais de 60 companhias marítimas.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Logística

Euro-Rijn Logistics assume controle total da Oorburg Intermodaal e AquaRoad Logistics

A Euro-Rijn Logistics passou a deter 100% das empresas de transporte fluvial Oorburg Intermodaal e AquaRoad Logistics. A operação tem efeitos retroativos a partir de 1º de janeiro de 2026.

A aquisição foi concluída após a compra das ações que ainda pertenciam a John Oorburg, antigo proprietário das duas companhias. Com a transação, Oorburg Intermodaal e AquaRoad Logistics passam a integrar integralmente as atividades de transporte fluvial já desenvolvidas pela Euro-Rijn.

As operações continuarão utilizando as marcas Euro-Rijn Logistics e Oorburg Intermodaal.

Aquisição amplia integração no transporte fluvial

A Euro-Rijn Logistics já mantinha uma participação majoritária nas empresas desde 2022. A aquisição da totalidade das ações consolida um processo de aproximação entre as companhias que vinha sendo ampliado nos últimos anos.

Para Vleming Geerligs, diretor-geral da Euro-Rijn Logistics, a conclusão da operação representa uma evolução natural da parceria.

Segundo ele, a integração das atividades permitirá reunir conhecimento técnico, capacidade de frota e redes comerciais, fortalecendo a atuação da empresa e ampliando sua rede de transporte na Europa.

A estratégia também busca criar uma estrutura para incorporar novos serviços de carga e ampliar a profissionalização dos serviços oferecidos aos clientes.

John Oorburg continuará à frente do transporte fluvial

John Oorburg, que atualmente ocupa o cargo de diretor de transporte marítimo da Euro-Rijn Logistics, continuará responsável pelas três empresas que integram as operações de transporte fluvial do grupo.

Para o executivo, a incorporação marca uma nova fase para Oorburg Intermodaal e AquaRoad Logistics dentro da Euro-Rijn.

Oorburg destacou que a experiência dos últimos anos demonstrou os benefícios da integração entre as empresas. A combinação das operações e do conhecimento acumulado, segundo ele, abre espaço para novos serviços e para um atendimento mais amplo a clientes e parceiros.

Apesar da integração, a empresa pretende preservar o atendimento personalizado e a comunicação direta que caracterizam as organizações.

Euro-Rijn amplia presença no transporte fluvial europeu

A aquisição das duas empresas ocorre após outros movimentos de expansão da Euro-Rijn Logistics no segmento de transporte fluvial na Europa.

Entre as operações anteriores está a aquisição do Danser Group, além da participação societária na YST Logistics.

Com esses investimentos e a incorporação integral da Oorburg Intermodaal e da AquaRoad Logistics, a Euro-Rijn reforça sua estrutura no setor e amplia a capacidade de atuação por meio de sua frota, rede comercial e serviços de logística fluvial.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Portos

Movimentação portuária de agosto destaca crescimento e diversidade de cargas no Brasil

A movimentação portuária brasileira apresentou números de destaque em agosto de 2026, com recordes e crescimento em diferentes terminais das regiões Sudeste, Nordeste e Sul. Os dados reunidos pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) mostram avanços tanto no transporte de contêineres quanto na movimentação de granéis sólidos, líquidos e carga geral.

Entre os principais resultados estão o recorde mensal de contêineres registrado pelo Porto de Santos (SP), o maior volume mensal da história do Porto de Suape (PE) e o crescimento expressivo dos portos administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba).

Soja, açúcar, milho, fertilizantes, petróleo e derivados, madeira, cevada e outras matérias-primas estiveram entre as cargas de maior participação no período.

Sudeste concentra grandes volumes de cargas e contêineres

Porto de Santos registra recorde na movimentação de contêineres

O Porto de Santos movimentou 16,38 milhões de toneladas em agosto. Entre as principais cargas esteve o complexo soja, que inclui soja em grãos e farelo, tanto a granel quanto em contêineres, responsável por 3,08 milhões de toneladas.

O açúcar movimentou 2,39 milhões de toneladas, enquanto o milho chegou a 1,86 milhão de toneladas.

O principal destaque, porém, foi a operação de contêineres. Santos movimentou 538,2 mil TEUs, maior volume mensal já registrado pelo porto e 3,9% acima de agosto de 2025.

No acumulado entre janeiro e agosto, a movimentação geral de cargas chegou a 125,9 milhões de toneladas, crescimento de 3,1% na comparação anual.

São Sebastião tem barrilha, açúcar e malte entre as principais cargas

No Porto de São Sebastião, a movimentação de agosto totalizou 25,2 mil toneladas. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o volume chegou a 563 mil toneladas.

As principais cargas foram barrilha a granel, com 183,4 mil toneladas; açúcar a granel, com 165,2 mil toneladas; e malte e cevada a granel, com 106,8 mil toneladas. Juntas, elas representaram 455,4 mil toneladas no acumulado.

Nordeste tem recorde em Suape e crescimento nos portos baianos

Suape alcança maior movimentação mensal da história

O Porto de Suape movimentou 2,7 milhões de toneladas em agosto, estabelecendo o maior volume mensal já registrado pelo terminal.

Os granéis líquidos, principalmente petróleo e derivados, responderam por 1,98 milhão de toneladas, ou 72,5% do total movimentado.

O resultado representa uma alta de 61% em relação a agosto de 2025.

Além dos granéis líquidos, Suape movimentou 51.658 TEUs em contêineres, 146,2 mil toneladas de granéis sólidos e 21,9 mil toneladas de carga geral solta.

Porto do Recife movimenta trigo, malte, açúcar e fertilizantes

O Porto do Recife registrou 51,4 mil toneladas movimentadas em agosto, com predominância de granéis sólidos.

Entre os principais produtos estiveram trigo, com 14,1 mil toneladas; malte, com 10,5 mil; açúcar, com 8 mil; e fertilizantes, com 5 mil toneladas.

Portos da Bahia registram alta de 12,54%

Os portos administrados pela Codeba movimentaram 1,9 milhão de toneladas em agosto, alta de 12,54% frente ao mesmo mês de 2025.

As cargas destinadas à exportação tiveram crescimento ainda maior, de 40,27%. De janeiro a agosto, a movimentação acumulada chegou a 14 milhões de toneladas.

O Porto de Aratu-Candeias foi um dos principais responsáveis pelo resultado. O terminal movimentou 798,5 mil toneladas em agosto, crescimento de 45,66% na comparação anual. As cargas destinadas à exportação avançaram 235%.

Com operações voltadas principalmente aos setores petroquímico, siderúrgico e de fertilizantes, Aratu-Candeias movimenta granéis sólidos, líquidos e gasosos, incluindo minérios, fertilizantes e produtos químicos.

Já o Porto de Salvador registrou 666,9 mil toneladas em agosto, com destaque para fertilizantes e contêineres. No acumulado do ano, foram 5,06 milhões de toneladas, alta de 14,15% sobre o mesmo período de 2025.

O Porto de Ilhéus também apresentou crescimento. A movimentação em agosto aumentou 71,44% em relação ao mesmo mês do ano anterior, com 35,7 mil toneladas destinadas à exportação.

Região Sul mantém movimentação de grãos, madeira e fertilizantes

Porto de Porto Alegre tem fertilizantes e cevada entre os destaques

O Porto de Porto Alegre movimentou 41,9 mil toneladas em agosto. Desse total, 21,6 mil toneladas foram de fertilizantes e 20,2 mil toneladas de cevada.

Entre janeiro e agosto, o terminal registrou crescimento de 7,11% na movimentação em relação ao mesmo período de 2025.

Porto de Pelotas concentra operações em madeira

O Porto de Pelotas movimentou 87,3 mil toneladas em agosto. As toras de madeira representaram a maior parcela, com 79,4 mil toneladas.

Na sequência apareceram a soja em grão, com 5,9 mil toneladas, e o clínquer, com 1,9 mil toneladas.

Rio Grande movimenta 3,9 milhões de toneladas em agosto

Considerando os terminais arrendados e os Terminais de Uso Privado (TUPs), o Porto do Rio Grande movimentou 3,90 milhões de toneladas em agosto, além de 71.527 TEUs.

No acumulado de 2026, os principais grupos de cargas foram grãos agrícolas, farinhas, farelos e cereais, com 13,07 milhões de toneladas; matérias-primas para fertilizantes, com 4,30 milhões; e pastas de madeira e matéria celulósica, com 2,60 milhões de toneladas.

Itajaí registra crescimento de 25% no acumulado do ano

O Porto de Itajaí movimentou 407,4 mil toneladas em agosto.

Entre janeiro e agosto de 2026, o terminal acumulou 3,5 milhões de toneladas, resultado que representa crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No Paraná, os portos de Paranaguá e Antonina chegaram a 46,86 milhões de toneladas movimentadas no acumulado de janeiro a agosto.

Movimentação portuária mostra diversidade de cargas

Os números de agosto reforçam a diversidade da movimentação portuária brasileira, que envolve desde commodities agrícolas, como soja, milho e açúcar, até petróleo e derivados, fertilizantes, produtos químicos, madeira e cargas conteinerizadas.

Os resultados também evidenciam o papel dos portos nas operações de comércio exterior e no abastecimento de diferentes cadeias produtivas do país.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos (MPor)

Texto: Redação

Imagem: MPOR / Divulgação Porto de Suape

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Transporte

CMA CGM anuncia aumento de tarifas para cargas da Ásia à América Latina

A CMA CGM anunciou um reajuste nas tarifas de transporte marítimo para cargas embarcadas em portos asiáticos com destino à América Latina. A nova cobrança será aplicada a partir de 15 de outubro de 2026, considerando a data de carregamento.

Reajuste alcança diferentes regiões da Ásia e da América Latina

O aumento abrangerá embarques realizados a partir de todos os portos da Ásia, incluindo instalações marítimas localizadas no Japão, no Sudeste Asiático e em Bangladesh.

No destino, a medida alcançará diferentes mercados da região, contemplando portos da costa oeste e da costa leste da América do Sul, além de América Central, Caribe e México.

Adicional será de US$ 1 mil por contêiner

Segundo a companhia francesa, o novo valor representará um acréscimo de US$ 1.000 por unidade conteinerizada.

O reajuste será aplicado a diferentes tipos de carga, incluindo cargas secas, refrigeradas, sobredimensionadas e contêineres vazios com frete pago.

A mudança afetará, portanto, uma ampla variedade de operações de transporte marítimo entre Ásia e América Latina, com impacto sobre os custos dos embarques realizados a partir da data estabelecida pela empresa.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Dia Marítimo Mundial destacou profissionais que mantêm o comércio e o transporte em movimento

O café produzido no Brasil e consumido no exterior, o combustível utilizado no abastecimento de veículos e até peças de aparelhos eletrônicos podem percorrer milhares de quilômetros pelo mar antes de chegar ao consumidor. Por trás desse percurso está uma complexa estrutura de transporte marítimo, formada por navios, portos e, principalmente, profissionais que atuam em terra e no mar.

Celebrado em 24 de setembro, o Dia Marítimo Mundial chama atenção para a importância dessa atividade no cotidiano e para o trabalho de quem garante o funcionamento das rotas marítimas. A data é promovida pela Organização Marítima Internacional (IMO), agência especializada das Nações Unidas, e reforça a relevância da navegação para o comércio internacional, o abastecimento e a proteção dos oceanos.

Transporte marítimo sustenta o comércio mundial

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), mais de 80% do volume do comércio mundial de mercadorias é movimentado por navios.

A dimensão desse número ajuda a explicar a importância da atividade, mas uma operação marítima depende de uma extensa cadeia de profissionais. Nos portos, equipes recebem, movimentam e organizam cargas, acompanham embarques e coordenam diferentes etapas da operação.

Já a bordo, as tripulações são responsáveis pela condução das embarcações, pelo acompanhamento dos equipamentos e pela segurança durante as viagens. Também participam desse processo profissionais envolvidos no planejamento de rotas e no controle da navegação.

Navios transportam alimentos, combustíveis e matérias-primas

Uma única embarcação pode carregar milhares de contêineres com produtos dos mais variados tipos, incluindo alimentos, roupas, medicamentos, máquinas e equipamentos eletrônicos.

Outros tipos de navios são projetados para transportar grandes quantidades de grãos, minérios, combustíveis e matérias-primas utilizadas pela indústria. Essa capacidade faz do transporte marítimo uma peça central da cadeia de abastecimento global.

Quando uma rota marítima é afetada por conflitos, acidentes ou eventos climáticos extremos, os impactos podem ultrapassar as regiões diretamente envolvidas. Problemas na navegação podem provocar atrasos nas entregas, dificuldades de abastecimento e aumento dos custos de transporte.

No Brasil, os portos também têm papel estratégico. Eles respondem por mais de 95% do comércio exterior brasileiro, tornando a infraestrutura portuária fundamental para a economia e para o abastecimento do país.

Segurança começa antes de o navio zarpar

A segurança da navegação não depende apenas das condições encontradas durante a viagem. Os procedimentos começam ainda no porto, com a verificação das condições da embarcação, a preparação da tripulação e o planejamento da rota.

Informações atualizadas sobre condições meteorológicas e de navegação, além do uso de sinalização e cartas náuticas, contribuem para reduzir riscos de colisões, encalhes e outros acidentes.

Esses cuidados protegem não apenas os profissionais que estão a bordo, mas também as equipes portuárias, as cargas e o meio ambiente.

Como os navios circulam por águas sob jurisdição de diferentes países, a cooperação internacional é outro componente essencial da segurança marítima. Regras e padrões compartilhados estabelecem requisitos para construção e operação das embarcações, proteção das tripulações e prevenção da poluição dos mares.

Navegação precisa reduzir impactos ambientais

Além de garantir o fluxo de mercadorias, o setor marítimo enfrenta o desafio de preservar os mares e oceanos por onde as embarcações circulam.

Os oceanos abrigam ecossistemas fundamentais, fornecem alimentos e desempenham funções importantes na regulação do clima. Por isso, reduzir os impactos provocados pela atividade marítima está entre as prioridades do setor.

Entre as medidas adotadas estão a prevenção de derramamentos, o gerenciamento adequado de resíduos e a redução das emissões das embarcações.

Também estão em desenvolvimento soluções como navios mais eficientes, combustíveis com menor emissão, sistemas de propulsão híbrida, planejamento otimizado de rotas e corredores marítimos voltados à descarbonização.

Ministério atua no desenvolvimento do setor portuário

No Brasil, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) participa da formulação e coordenação de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento do setor portuário e da navegação.

A atuação envolve iniciativas relacionadas à modernização da infraestrutura, à melhoria das condições de operação dos portos e ao fortalecimento da navegação. Também inclui a adoção de soluções voltadas para segurança, eficiência e sustentabilidade.

Essa estrutura permite manter uma rede logística que conecta o Brasil a diferentes mercados e regiões do mundo. Por meio dela, alimentos, combustíveis, medicamentos, máquinas e diversos outros produtos conseguem chegar aos seus destinos.

O Dia Marítimo Mundial, portanto, também é uma oportunidade para reconhecer o trabalho dos profissionais que atuam nessa cadeia — tanto em terra quanto no mar — e que ajudam a manter em funcionamento uma das principais vias do comércio e do abastecimento global.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Marinha do Brasil

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Transporte

Confiabilidade do transporte marítimo cai na Costa Leste da América do Sul

A confiabilidade dos serviços marítimos de contêineres na Costa Leste da América do Sul (ECSA) caiu 12 pontos percentuais em agosto, chegando a 34%. No mesmo período, o atraso médio das embarcações dobrou, alcançando 5,4 dias, segundo levantamento da consultoria Xeneta.

O desempenho foi afetado, em parte, por uma paralisação de três dias dos práticos nos portos argentinos no início de agosto. A interrupção acrescentou 1,6 dia ao tempo médio de atraso nas operações de atracação em portos como Buenos Aires.

Diante do impacto da paralisação, algumas companhias marítimas redirecionaram cargas para terminais próximos, incluindo Montevidéu, no Uruguai, e Itajaí, no Brasil.

Paralisação ocorreu em período estratégico

De acordo com a Xeneta, o momento da paralisação contribuiu para ampliar seus efeitos sobre a logística marítima regional.

O movimento ocorreu no último mês da principal temporada de exportação da Argentina e pouco antes do início da temporada de maior movimentação de cargas do Brasil.

Mesmo com a queda em agosto, a ECSA permaneceu próxima do desempenho registrado na Costa Oeste da América do Sul. A região Oeste apresentou índice de confiabilidade de 37%.

Com o resultado, a ECSA continuou entre as três rotas marítimas com melhor desempenho global, embora tenha registrado uma deterioração significativa nos indicadores de pontualidade.

Atrasos aumentam antes da temporada de exportações do Brasil

A Xeneta destacou que o aumento do atraso médio para 5,4 dias e a redução da pontualidade para 34% diminuem a margem de segurança do setor diante de novas interrupções.

A consultoria também avalia que as restrições de calado no Canal do Panamá representam uma ameaça relativamente menor para as operações da ECSA. Isso ocorre porque, com exceção de um serviço, as rotas provenientes da Ásia utilizam atualmente o caminho pelo Cabo da Boa Esperança.

Outro fator considerado pela análise é a temporada de tempestades no Atlântico. Apesar de setembro marcar o período de maior atividade, as condições permaneceram relativamente tranquilas até o momento analisado.

Confiabilidade global recua pelo terceiro mês seguido

No cenário internacional, o índice de confiabilidade do transporte marítimo caiu pelo terceiro mês consecutivo em agosto.

O indicador global recuou quatro pontos percentuais em relação a julho, para 29%. Esse foi o segundo pior resultado dos 12 meses anteriores e praticamente anulou a recuperação observada após o mínimo de 27% registrado em fevereiro.

O atraso médio das embarcações também aumentou. O indicador passou de 4,2 dias em julho para 5,1 dias em agosto.

Segundo a Xeneta, a combinação entre atrasos mais longos e maior frequência de chegadas fora do horário previsto torna mais difícil recuperar a regularidade das operações.

Rotas registram queda de pontualidade

Entre as regiões com maior deterioração do desempenho está a África, onde a confiabilidade caiu 15 pontos percentuais, para 21%.

A Costa Leste da América do Sul teve queda de 12 pontos, enquanto a rota entre o Extremo Oriente e a Europa recuou dez pontos percentuais.

Nesta última, apenas 6% das embarcações chegaram dentro do prazo previsto, com atraso médio de 8,2 dias.

Maersk mantém maior índice entre grandes armadores

Entre as principais companhias marítimas, dez das 12 maiores registraram queda de desempenho em agosto.

A Maersk apresentou índice de confiabilidade de 51%, seguida pela Hapag-Lloyd, com 46%. Apesar de liderarem o indicador entre as empresas citadas, ambas tiveram redução em relação ao mês anterior: seis e sete pontos percentuais, respectivamente.

A CMA CGM caiu sete pontos, para 33%, enquanto a Cosco registrou redução de seis pontos e chegou a 22%.

A Xeneta avalia que a diferença de desempenho entre as companhias, que chegou a 45 pontos percentuais, mantém a escolha do armador como um dos principais fatores sob controle dos embarcadores para buscar maior previsibilidade logística durante a temporada de contratação de serviços.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mundo Marítimo

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Eventos

Meeting Comex 2026 reúne setor em Joinville com debates sobre comércio exterior e logística

O primeiro dia do Meeting Comex 2026, nesta terça-feira (22), na Expoville, em Joinville (SC), reuniu profissionais, empresas e representantes do poder público para discutir os desafios e as oportunidades do comércio exterior brasileiro.

Promovido pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ) há 13 anos, o encontro tem como foco aproximar os diferentes elos da cadeia logística e do comércio internacional, promovendo conhecimento, troca de experiências e conexões entre os participantes. Para a presidente do Meeting Comex, Carolina Botelho, o primeiro dia do evento superou todas as expectativas. “O primeiro dia contou com um conteúdo técnico de alta relevância, além da participação de representantes de câmaras de comércio e consulados, fortalecendo as conexões internacionais,” destaca.

A equipe do ReConecta News está presente no evento, acompanhando de perto a programação, realizando entrevistas e trazendo os principais destaques para seus leitores e seguidores. Para a CEO Renata Palmeira, acompanhar iniciativas como o Meeting Comex é fundamental para fortalecer conexões, ampliar o acesso à informação e valorizar os profissionais que movimentam o comércio exterior e a logística.

O papel do comércio exterior na internacionalização de Santa Catarina

Um dos momentos de destaque do primeiro dia foi a apresentação de Paulinho Bornhausen, secretário executivo de Articulação Internacional de Santa Catarina, sobre o acordo entre União Europeia e Mercosul.

Durante sua fala, Bornhausen ressaltou a importância de iniciativas como o Meeting Comex para estimular a internacionalização e ampliar a conexão das empresas catarinenses com os mercados globais. Ele também destacou o protagonismo do comércio exterior nesse processo, defendendo que a internacionalização depende da atuação direta do setor e de seus profissionais. “Não basta SC querer ser a porta de entrada para o Brasil, precisamos consolidar isso”, afirmou.

A declaração reforça o desafio de transformar a posição estratégica de Santa Catarina em resultados concretos, ampliando a competitividade das empresas e fortalecendo a infraestrutura e as conexões internacionais do estado.

Reforma Tributária no Comércio Exterior entra em debate

A Reforma Tributária também esteve entre os principais assuntos do encontro. O painel “Reforma Tributária no Comércio Exterior: Impactos na Importação” reuniu representantes da Receita Federal, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/SECEX) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A discussão colocou em pauta os efeitos das mudanças tributárias sobre as operações de importação, tema de interesse direto para empresas, profissionais e operadores envolvidos nas cadeias internacionais de negócios.

A presença de representantes de órgãos públicos e de uma instituição multilateral contribuiu para aproximar o debate técnico dos desafios enfrentados pelo mercado, em um momento de adaptação às mudanças no sistema tributário brasileiro.

Cases de sucesso

A programação também abordou o papel da infraestrutura aeroportuária na competitividade do comércio exterior. No painel “Transporte Aéreo de Cargas 2027: Conectividade, Infraestrutura e Competitividade”, representantes da Lufthansa, Floripa Airport e Ponta Negra discutiram a contribuição das companhias aéreas e dos aeroportos para a transformação da logística internacional.

O case do Floripa Airport, administrado pela Zurich Airport Brasil, evidenciou a expansão das operações de carga aérea e o fortalecimento das conexões internacionais de Santa Catarina. Em julho a operação registrou o marco de 1.000 voos cargueiros, e deve fechar o ano de 2026 com mais de mil clientes.  “Saltamos de 300 clientes em 2021 para 1.300 clientes até o fim desse ano,” destaca Davi Piza, gestor de Logística.

A agenda do primeiro dia também contou com a palestra de Marcos Troyjo, sobre o comércio exterior brasileiro no contexto ESG 2.0, além de atividades de relacionamento e networking entre os participantes.

Segundo dia terá debates sobre anuentes, liderança, fretes e geopolítica

Nesta quarta-feira (23), o Meeting Comex 2026 continua na Expoville, em Joinville, com uma programação voltada a temas técnicos e estratégicos que impactam diretamente as operações de comércio exterior e logística.

Segundo a presidente do Meeting Comex, Carolina Botelho, a expectativa é de um público ainda maior, com recorde de ingressos vendidos e inscritos no evento. “Um dos destaques da programação será a palestra do general André Novaes, que abordará a geopolítica e seus impactos no comércio exterior, trazendo também perspectivas e informações sobre o cenário atual do país”, finaliza.

A programação pode ser acessada no site oficial do evento.

Texto: ReConecta News

Imagens: ReConecta News / Giovana Santos

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Transporte

Transporte marítimo de granéis sólidos registra maior recuperação desde a pandemia

O transporte marítimo de granéis sólidos apresenta em 2026 o avanço mais consistente desde o período da pandemia. O movimento de recuperação alcança diferentes segmentos do mercado, incluindo Capesize, Panamax e Supramax, segundo análise da BRS Dry Bulk.

O Baltic Dry Index (BDI) chegou a superar a marca de 3.500 pontos e permaneceu próximo — e, em alguns momentos, acima — dos 3.000 pontos nos últimos meses.

Para a consultoria, o desempenho acumulado ao longo do ano tem sido positivo, faltando menos de quatro meses para o encerramento de 2026. O BDI é formado pelo BCI Capesize, com peso de 40%, pelo BPI Panamax, responsável por 30%, e pelo BSI Supramax, também com participação de 30%.

Demanda sustenta avanço do mercado de granéis

Parte da valorização do mercado foi relacionada a eventos que provocaram disrupções no transporte marítimo, como as ocorridas no Estreito de Ormuz e a congestionamento do Canal do Panamá.

A BRS Dry Bulk, no entanto, aponta que fatores estruturais também contribuíram para o desempenho dos navios graneleiros.

No segmento Capesize, dados da AXSMarine indicam que as toneladas-milha acumuladas por embarcações com capacidade superior a 160 mil dwt ficaram bem acima dos níveis observados em anos anteriores.

Outro destaque foi a ausência das correções sazonais normalmente registradas em abril e julho. Segundo a análise, o comportamento indica uma demanda subjacente mais resistente.

Esse cenário levou a rota de referência C5TC, calculada com base em um navio de 180 mil dwt, a registrar média próxima de US$ 40 mil por dia em agosto.

Minério de ferro da África Ocidental ganha espaço

O desempenho dos Capesize também está relacionado ao aumento das exportações de minério de ferro provenientes da África Ocidental.

A Guiné embarcou 10 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, enquanto no mesmo período de 2025 os volumes eram praticamente inexistentes. Serra Leoa e Libéria movimentaram, respectivamente, 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas.

Com esses resultados, os embarques da região superaram os volumes originados na África do Sul.

As maiores distâncias entre os produtores da África Ocidental e os compradores asiáticos aumentam a importância da região para as viagens de longa distância realizadas pelos navios Capesize.

A BRS Dry Bulk também destaca a entrada em operação do Wontanara, primeiro de cinco navios de transbordo construídos para a SimFer. A expectativa é que as embarcações contribuam para reduzir gargalos logísticos à medida que a produção da mina de Simandou avance.

Carvão impulsiona segmentos Panamax e Kamsarmax

Nos mercados de Panamax e Kamsarmax, o carvão ganhou participação ao longo do ano. Entre janeiro e agosto, os dois segmentos transportaram juntos 382,9 milhões de toneladas, alta de 5,4% em relação ao mesmo período anterior.

O crescimento ficou acima da expansão de 1,9% registrada pelo comércio marítimo global de carvão.

De acordo com a BRS Dry Bulk, a aceleração observada em maio e junho coincidiu com preços mais elevados do gás, aumento da demanda por refrigeração, redução da geração hidrelétrica em algumas regiões asiáticas e interrupções temporárias na produção de minas chinesas.

O transporte de grãos dos Estados Unidos para a China também contribuiu para alterar a dinâmica do mercado. Parte desses carregamentos evitou as rotas pelo Canal do Panamá e Canal de Suez, ampliando a utilização de navios de médio porte em viagens mais longas.

China amplia participação no Pacífico

O mercado de graneleiros com equipamentos de carga, conhecidos como geared bulk carriers, também apresentou mudanças no Pacífico. As embarcações desse segmento têm capacidade entre 25 mil e 68 mil dwt.

Entre janeiro e agosto, a China movimentou 120,9 milhões de toneladas, superando os 104 milhões de toneladas da Indonésia, que tradicionalmente ocupa posição de destaque na geração de cargas para esses navios na região.

O cenário ainda inclui o crescimento dos embarques de carvão russo para portos do Extremo Oriente e o avanço das cargas agrícolas provenientes do Canadá e dos Estados Unidos.

Somente os embarques agrícolas desses dois países chegaram a 20,89 milhões de toneladas, crescimento de 23% na comparação anual.

Mercado ganha distribuição geográfica mais equilibrada

Na avaliação da BRS Dry Bulk, a combinação desses fluxos está modificando a distribuição das cargas no Pacífico.

O aumento da atividade na China, no Extremo Oriente russo e no Pacífico Norte amplia as oportunidades de transporte para os graneleiros e reduz a dependência do mercado em relação à Indonésia, tradicionalmente concentrada como principal origem de cargas na região.

Esse movimento contribui para uma base de cargas mais distribuída geograficamente e reforça a recuperação do mercado de transporte marítimo de granéis sólidos em 2026.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mundo Marítimo

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Transporte

Drewry prevê 77 viagens canceladas no transporte marítimo nas próximas cinco semanas

Um total de 77 viagens marítimas deverá ser cancelado nas próximas cinco semanas, segundo uma análise da consultoria Drewry. As chamadas blank sailings representam cerca de 11% das 720 partidas anunciadas para o período.

Com isso, a estimativa é de que aproximadamente 89% dos navios mantenham os cronogramas de viagem originalmente previstos.

Cancelamentos atingem principais rotas comerciais

O levantamento considera o período entre a semana 39, de 21 a 27 de setembro, e a semana 43, de 19 a 25 de outubro.

Nesse intervalo, as três principais rotas analisadas — Transpacífico, Transatlântico e Ásia–Norte da Europa e Mediterrâneo — deverão registrar, juntas, cancelamentos equivalentes a 11% das partidas programadas.

A maior concentração das interrupções está na rota Transpacífica no sentido leste, responsável por 55% dos cancelamentos previstos.

Na sequência aparece o corredor Ásia–Europa/Mediterrâneo, com 31% das suspensões. Já a rota Transatlântica representa 14% e continua sendo a menos afetada entre os principais serviços avaliados.

Golden Week pode alterar oferta de espaço nos navios

A Drewry avalia que a proximidade da Golden Week, período de feriados na China, pode provocar mudanças nos fluxos de carga e na programação das companhias marítimas.

O adiantamento de embarques antes dos feriados, combinado a possíveis ajustes de capacidade das empresas de navegação, pode influenciar a disponibilidade de espaço e os cronogramas de outubro.

Esse cenário pode exigir atenção adicional dos embarcadores na organização das cargas e no planejamento logístico para as próximas semanas.

Riscos no Oriente Médio continuam afetando o transporte

Além dos ajustes de capacidade, o cenário de segurança no Oriente Médio continua interferindo nos fluxos de transporte marítimo regional.

Segundo a Drewry, alguns serviços voltaram a utilizar o Canal de Suez, mas os riscos na região ainda representam um fator de incerteza para as operações.

A consultoria também aponta que a congestão portuária e a irregularidade na confiabilidade dos cronogramas permanecem entre os principais desafios para os embarcadores.

Com as companhias marítimas reorganizando suas redes, a expectativa é de que disponibilidade de espaço, congestionamentos e cumprimento dos horários continuem sendo pontos importantes para o planejamento do transporte marítimo internacional.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Transporte

BYD negocia novos navios para ampliar capacidade de transporte de veículos

A BYD avalia ampliar sua frota marítima para acompanhar o crescimento das exportações de veículos. Informações recentes indicam que a montadora chinesa negocia a possível contratação de até dez novos navios transportadores de veículos, conhecidos como PCTCs (Pure Car and Truck Carriers).

Os projetos considerados poderiam ter capacidade de cerca de 9.200 CEUs cada. No entanto, a negociação ainda não foi concluída e não há definição sobre a quantidade de embarcações, suas dimensões ou a configuração final do negócio.

BYD avalia navios de até 9.200 CEUs

A possibilidade de uma encomenda de dez embarcações foi divulgada inicialmente pela agência chilena Mundo Marítimo, com base em informações do New Ships e da plataforma especializada Robin Assafina.

De acordo com esse cenário, os navios seriam construídos pela China Merchants Industry, nos estaleiros de Jinling e Haimen, com entregas programadas entre 2027 e 2029. Caso o projeto seja confirmado nesses termos, a capacidade adicional chegaria a 92 mil CEUs.

Uma apuração publicada em 15 de setembro pela Xinde Marine News, porém, aponta que as negociações ainda estão em fase preliminar. Fontes consultadas pela publicação afirmam que a BYD conversa com estaleiros para aumentar sua capacidade de transporte, mas ainda não definiu o número de navios, o porte das embarcações, os locais de construção ou o formato comercial da operação.

Entre as alternativas analisadas estão PCTCs de aproximadamente 8.600 e 9.200 CEUs.

O que significa CEU?

A sigla CEU (Car Equivalent Unit) é utilizada pelo setor naval para indicar a capacidade de transporte de veículos de uma embarcação.

Isso não significa, necessariamente, que um navio de 9.200 CEUs consiga transportar exatamente 9.200 carros. A quantidade efetiva depende do tamanho e das características dos veículos embarcados.

Frota marítima começou a crescer em 2024

A estratégia marítima da BYD avançou rapidamente nos últimos anos. A formação da frota dedicada começou em janeiro de 2024, com a entrega do Explorer No. 1, e ganhou novos integrantes até setembro de 2025, quando o BYD Jinan entrou em operação.

A estrutura utilizada pela montadora também inclui os navios Hefei, Changzhou, Shenzhen, Xi’an, Changsha e Zhengzhou.

Parte dessa capacidade, entretanto, não pertence diretamente à BYD. O Explorer No. 1, por exemplo, foi entregue à Zodiac Maritime e posteriormente afretado pela montadora, conforme informações do construtor da embarcação.

A estratégia combina, portanto, navios próprios ou vinculados à companhia com embarcações contratadas no mercado de transporte marítimo.

A primeira expansão da frota acompanhou o aumento das vendas internacionais. Estimativas citadas pela Mundo Marítimo indicam que essa estrutura poderia permitir à empresa exportar até 1 milhão de veículos por ano.

Brasil ganha espaço na estratégia logística

O Brasil foi um dos primeiros destinos relevantes da expansão marítima da BYD. Em maio de 2024, o Explorer No. 1 realizou em Suape (PE) sua primeira escala no continente americano, levando aproximadamente 5,4 mil veículos elétricos e híbridos.

A operação de descarga durou 48 horas e, na época, representou um recorde de importação de veículos em uma única operação no complexo portuário pernambucano. Com capacidade para até 7 mil veículos, o navio levou 27 dias para fazer a viagem entre a China e o Brasil.

Em 2024, o Porto de Suape movimentou 80.051 veículos e vem se consolidando como um hub regional para esse tipo de carga. O terminal possui estrutura voltada às operações Ro-Ro, nas quais os veículos entram e saem das embarcações por meio de rampas.

Produção em Camaçari pode mudar fluxo de veículos

A logística marítima da BYD no Brasil também passou a ter uma nova dimensão com o início da produção em Camaçari (BA).

Inaugurada em outubro de 2025, a fábrica alcançou a marca de 100 mil veículos produzidos em julho deste ano. Com a expansão da fabricação nacional, a dinâmica de transporte da montadora no país pode mudar gradualmente.

Até agora, os grandes car carriers utilizados pela BYD estão principalmente associados ao transporte de veículos produzidos na Ásia para mercados internacionais.

A ampliação da produção brasileira e a possibilidade de utilizar a Bahia como ponto de abastecimento de outros mercados podem aumentar a relevância da logística marítima para futuras exportações. A empresa, contudo, ainda não informou que os navios atualmente em negociação serão destinados a operações relacionadas à fábrica baiana.

Mercado global de car carriers também acelera encomendas

A movimentação da BYD ocorre em um momento de retomada das encomendas de navios transportadores de veículos no mercado internacional.

Dados da Clarksons compilados pela Xinde Marine News indicam que 37 PCCs e PCTCs haviam sido encomendados globalmente até meados de julho deste ano. No mesmo período de 2025, foram registrados apenas nove pedidos durante todo o ano.

O mercado havia apresentado um ritmo ainda mais intenso em 2023 e 2024, com 83 e 73 novas encomendas, respectivamente.

Os estaleiros chineses responderam por 35 dos 37 pedidos registrados até julho. Os novos projetos também refletem uma tendência de embarcações maiores, com capacidade superior a 8 mil CEUs.

É justamente nessa faixa que estão os modelos avaliados pela BYD. Se a companhia escolher a configuração de 9.200 CEUs, poderá adicionar à sua operação embarcações de grande porte para o transporte internacional de veículos.

Exportações da BYD sustentam demanda por transporte marítimo

A possível expansão da frota está diretamente relacionada ao crescimento das exportações da BYD.

Dados da Associação de Automóveis de Passageiros da China, citados pela Agência Mundo Marítimo, mostram que a montadora exportou 184 mil veículos de passageiros a partir da China em agosto, alta de 131% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 6% sobre julho.

Entre janeiro e agosto, foram exportados 1,127 milhão de veículos, avanço de 88% na comparação anual.

Somente em agosto, a BYD representou 35,4% das exportações chinesas de veículos de nova energia, categoria que reúne carros elétricos a bateria e híbridos plug-in.

A estratégia marítima da empresa também acompanha a internacionalização de sua produção. Em setembro de 2025, o navio BYD Zhengzhou levou veículos fabricados na Tailândia para o Reino Unido, marcando a primeira operação de exportação da BYD a partir daquela unidade.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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