Logística

Cabotagem e navegação de longo curso: entenda as diferenças e a importância para a logística brasileira

Apesar de utilizarem a mesma infraestrutura portuária, a cabotagem e a navegação de longo curso desempenham funções distintas no transporte marítimo. Enquanto uma é voltada ao deslocamento de cargas entre portos brasileiros, a outra conecta o país ao mercado internacional por meio das exportações e importações.

Um exemplo dessa diferença é o transporte de contêineres com eletrodomésticos entre Manaus e o Porto de Santos, operação típica da cabotagem. Já um navio que parte de Santos carregado de soja com destino à Ásia realiza uma viagem de longo curso, voltada ao comércio exterior.

Navegação de longo curso impulsiona exportações brasileiras

A navegação de longo curso é a principal responsável pela movimentação de cargas destinadas ao mercado internacional. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, em 2025, mais de 80% do volume transportado nessa modalidade foi destinado às exportações, enquanto aproximadamente 20% correspondeu às importações.

No período, esse segmento movimentou mais de 1 bilhão de toneladas, com destaque para granéis sólidos, como minério de ferro, soja, milho e açúcar, produtos que representam parcela significativa da pauta exportadora brasileira.

Cabotagem fortalece o abastecimento interno

Já a cabotagem atende principalmente à logística nacional, conectando diferentes regiões do país por via marítima. Nessa modalidade predominam os granéis líquidos e gasosos, que representam cerca de 75% da carga transportada, incluindo petróleo e gás natural enviados de plataformas marítimas para refinarias brasileiras.

Além disso, a cabotagem também movimenta cargas em contêineres, transportando produtos como eletrodomésticos, biocombustíveis, alimentos, vestuário e diversos bens destinados ao abastecimento do mercado interno.

Em 2025, a modalidade registrou a movimentação de aproximadamente 223 milhões de toneladas, segundo o Estatístico Aquaviário da Antaq.

Integração logística amplia eficiência do transporte

A cabotagem faz parte da logística multimodal brasileira ao operar de forma integrada com rodovias, ferrovias e hidrovias, facilitando o transporte de mercadorias entre polos industriais, centros de distribuição e mercados consumidores.

Essa integração contribui para reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência no transporte de cargas e diminuir os impactos ambientais em comparação com outros modais.

Modalidades complementares para o desenvolvimento do país

Embora tenham finalidades distintas, cabotagem e navegação de longo curso são fundamentais para o desenvolvimento econômico do Brasil.

Enquanto a cabotagem garante o abastecimento interno, melhora a distribuição de mercadorias e fortalece a integração entre as regiões brasileiras, a navegação de longo curso amplia a presença do país no comércio internacional, impulsionando as exportações e assegurando a chegada de produtos importados aos portos nacionais.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafael Medeiros

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Transporte

Marinha Mercante pode enfrentar déficit de 500 oficiais até 2030, aponta estudo

A Marinha Mercante brasileira poderá chegar ao fim da década com um déficit de aproximadamente 500 oficiais, cenário que comprometeria a operação de cerca de 30 navios por falta de tripulação qualificada. A estimativa é de um estudo elaborado pelo Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (Cilip), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Fundação Vanzolini.

Atualizada semestralmente, a pesquisa teve sua versão mais recente divulgada em junho e foi encomendada pela Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) e pela Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam).

Falta de profissionais continua preocupando o setor

O levantamento mostra que, apesar da ampliação das vagas nas escolas de formação de oficiais, o número de novos profissionais ainda será insuficiente para acompanhar o crescimento da demanda da navegação mercante nos próximos anos.

Entre os principais indícios desse desequilíbrio está o aumento das vagas não preenchidas e da contratação de trabalhadores estrangeiros. De acordo com o estudo, a soma de postos em aberto e de oficiais estrangeiros empregados passou de 376 no segundo semestre de 2025 para 458 na atualização mais recente, evidenciando a dificuldade das empresas em encontrar mão de obra especializada no mercado nacional.

Expansão da cabotagem amplia necessidade de oficiais

Os pesquisadores destacam que a demanda por profissionais dependerá do desempenho de segmentos como a cabotagem, o apoio marítimo, a indústria de óleo e gás e os futuros projetos de energia eólica offshore. Mesmo sem considerar esse novo mercado, a previsão segue indicando escassez de cerca de 500 oficiais até 2030.

Para reduzir o déficit, o estudo recomenda ampliar as vagas dos cursos de Adaptação a Segundo Oficial de Máquinas e de Náutica, considerados os caminhos mais rápidos para aumentar a oferta de profissionais no médio prazo.

Outra sugestão é manter o preenchimento integral das vagas nas Escolas de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (Efomm), independentemente das oscilações da economia. Segundo os pesquisadores, reduzir o ingresso de alunos em períodos de menor atividade gera novos ciclos de escassez e prejudica o planejamento das empresas.

Cabotagem já sente impactos da escassez

O diretor-executivo da Abac, Luís Fernando Resano, afirma que a falta de oficiais da Marinha Mercante, principalmente de máquinas, já afeta as operações da cabotagem e pode limitar a expansão da frota brasileira.

Segundo ele, a deficiência é consequência de anos de restrições nos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo (FDEPM), responsável por financiar parte da formação desses profissionais.

Resano explica que a aprovação da Lei 14.301/2022, conhecida como BR do Mar, impulsionou a cabotagem e elevou a procura por mão de obra qualificada. No entanto, a formação de novos oficiais não acompanhou esse crescimento.

Empresas adotam medidas para manter operações

Diante da escassez de profissionais, empresas do setor recorreram a soluções emergenciais para evitar impactos nas operações. Entre as estratégias adotadas está o pagamento em dobro para oficiais que aceitaram trabalhar durante os períodos destinados ao descanso.

Segundo Resano, a medida permitiu manter o transporte marítimo funcionando sem interrupções, mas aumentou significativamente os custos operacionais das armadoras.

Além de defender a ampliação permanente das vagas nas escolas de formação, ele ressalta que existe grande interesse pela carreira marítima. Para o executivo, o principal desafio atualmente não é atrair candidatos, mas ampliar a capacidade de formação.

Enquanto isso, empresas associadas à Abac passaram a investir diretamente na qualificação de novos profissionais por meio de uma parceria com a Fundação de Estudos do Mar (Femar), assumindo integralmente os custos da capacitação de seus empregados.

Marinha afirma que ampliou vagas de formação

Em nota, a Marinha do Brasil informou que vem aumentando gradualmente a oferta de vagas nos cursos de formação e adaptação de oficiais, conforme a necessidade do setor e a capacidade das instituições de ensino.

Segundo a corporação, foram disponibilizadas 333 vagas em 2024. Em 2025, esse número subiu para 374 e, em 2026, chegou a 389 vagas, refletindo o esforço para ampliar a formação de profissionais destinados à Marinha Mercante.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Internacional

Mar Vermelho: por que a Arábia Saudita quer criar uma coalizão internacional para proteger a navegação?

A Arábia Saudita articula a formação de uma coalizão internacional para reforçar a segurança no Mar Vermelho diante da escalada de ataques promovidos pelos houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã. A iniciativa surge em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e às ameaças que colocam em risco uma das rotas marítimas mais importantes do comércio global.

Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, dezenas de países receberam convite para integrar a aliança, cuja sede deverá ser instalada em Riad. A expectativa é de que o grupo seja oficialmente anunciado após a confirmação dos participantes.

Coalizão busca proteger uma rota estratégica do comércio mundial

A movimentação saudita ocorre dias após os houthis anunciarem um bloqueio marítimo contra o reino, em 20 de julho. A medida passou a atingir embarques de petróleo redirecionados para o Mar Vermelho depois das restrições impostas no Estreito de Ormuz.

Além disso, o grupo iemenita também sinalizou a intenção de cobrar taxas para a passagem de embarcações pelo Estreito de Bab al-Mandeb, ampliando a preocupação com possíveis impactos sobre o comércio internacional e os preços da energia.

Com o aumento da instabilidade, governos e empresas acompanham os reflexos sobre as cadeias globais de abastecimento e o transporte marítimo.

Quais países podem integrar a aliança?

Embora a lista oficial ainda não tenha sido divulgada, veículos internacionais informam que países como Estados Unidos, Egito, Paquistão, Turquia, Djibuti, Somália, Sudão, além de nações europeias como Alemanha, França e Itália, receberam convites para participar da coalizão.

Segundo o portal Al-Monitor, Egito, Djibuti e Sudão já teriam aceitado integrar a iniciativa. O governo saudita também teria estabelecido um prazo para que aproximadamente 50 países confirmem sua adesão.

Os Estados Unidos ainda não anunciaram oficialmente sua participação, apesar de serem considerados um dos principais aliados estratégicos da Arábia Saudita.

Reunião entre Arábia Saudita e EUA reforça diálogo sobre segurança regional

O ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid bin Salman, esteve em Washington para reuniões com o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa norte-americana, o representante saudita afirmou que o país pretende evitar uma nova escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, mas destacou que o reino está preparado para responder a ameaças à sua segurança.

Ainda segundo os relatos, a avaliação saudita é de que o país possui capacidade para enfrentar os houthis no Iêmen sem necessidade de participação direta das forças americanas.

Enquanto isso, Estados Unidos e Arábia Saudita realizaram operações conjuntas contra grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque, ampliando as tensões na região.

Por que o Mar Vermelho é tão importante para o comércio global?

O Mar Vermelho conecta o Mediterrâneo ao Oceano Índico por meio do Canal de Suez e do Estreito de Bab al-Mandeb, formando um dos principais corredores marítimos do planeta.

Estima-se que até 30% do tráfego mundial de navios utilize essa rota, responsável pelo escoamento de mercadorias e, principalmente, de petróleo produzido pelos países do Golfo.

Somente em 2024, aproximadamente 4,1 bilhões de barris de petróleo e derivados passaram pelo estreito de Bab al-Mandeb, volume equivalente a cerca de 5% da produção mundial transportada por via marítima.

Com as restrições impostas ao Estreito de Ormuz, a Arábia Saudita passou a utilizar com maior intensidade seus terminais no Mar Vermelho para manter as exportações de petróleo, tornando a região ainda mais estratégica.

Entenda os ataques dos houthis no Mar Vermelho

Os houthis controlam a capital do Iêmen, Sanaa, desde 2014 e mantêm um conflito prolongado contra o governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita.

O grupo afirma que o bloqueio marítimo anunciado em julho é uma resposta às operações militares sauditas e às restrições impostas ao território iemenita ao longo dos últimos anos.

Desde então, navios ligados à Arábia Saudita e instalações petrolíferas passaram a ser alvo de ataques. Em um dos episódios mais recentes, os houthis afirmaram ter lançado mísseis contra o petroleiro saudita NCC Ghazal, obrigando a embarcação a alterar sua rota.

O grupo já havia provocado impactos significativos no comércio marítimo internacional em 2023, ao atacar navios relacionados a Israel durante o conflito na Faixa de Gaza.

Plano para cobrar taxas preocupa comunidade internacional

Outro fator que elevou a tensão foi a possibilidade de os houthis passarem a cobrar tarifas pela passagem de navios no Estreito de Bab al-Mandeb.

Autoridades do governo do Iêmen afirmam que a proposta teria inspiração em iniciativas semelhantes discutidas pelo Irã para o Estreito de Ormuz. Segundo relatos, a intenção seria criar uma estrutura específica para arrecadar valores de companhias marítimas.

Especialistas destacam que, pelas normas do direito marítimo internacional, países que controlam estreitos utilizados pela navegação internacional não podem cobrar pedágio apenas pela passagem das embarcações. A cobrança é permitida somente em casos específicos, como serviços portuários ou de apoio à navegação.

Crise reduz tráfego marítimo e pressiona o preço do petróleo

A insegurança na região já provoca reflexos no transporte marítimo. Dados citados pela Reuters mostram que o fluxo de embarcações no Mar Vermelho caiu para o menor nível dos últimos meses, com apenas 11 navios registrados durante um fim de semana.

Antes do agravamento das tensões, mais de 70 embarcações cruzavam diariamente o Estreito de Bab al-Mandeb.

A instabilidade também voltou a influenciar o mercado internacional de energia. O barril do petróleo Brent registrou nova alta, alcançando US$ 88,09, após oscilar entre US$ 72 e mais de US$ 100 nas últimas semanas, refletindo a preocupação dos investidores com o abastecimento global.

FONTE: Al Jazeera
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Cosco investe US$ 1,17 bilhão na renovação da frota com navios preparados para combustíveis de baixo carbono

A Cosco Shipping Development anunciou um novo aporte de US$ 1,17 bilhão (aproximadamente R$ 6,5 bilhões) para ampliar e modernizar sua frota. O investimento será destinado à construção de 15 navios graneleiros Newcastlemax, projetados para receber futuramente sistemas de propulsão movidos a metanol e amônia, combustíveis considerados estratégicos para a descarbonização do transporte marítimo.

O contrato, aprovado em 29 de julho, soma 7,92 bilhões de yuans e faz parte da estratégia da companhia chinesa de reduzir as emissões de carbono e atender às novas exigências ambientais da indústria naval.

Construção será dividida entre dois estaleiros chineses

As embarcações serão produzidas por duas empresas do setor naval na China. A Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding, controlada pela China State Shipbuilding Corporation (CSSC), ficará responsável pela fabricação de dez navios. As outras cinco unidades serão construídas pela Nantong Xiangyu Shipbuilding & Offshore Engineering.

Cada graneleiro terá capacidade para transportar 210 mil toneladas de porte bruto (DWT), padrão da categoria Newcastlemax, utilizada principalmente no transporte de minério de ferro e carvão em rotas internacionais de longa distância.

A previsão é que todas as entregas ocorram entre maio e dezembro de 2030.

Navios serão preparados para operar com metanol e amônia

Embora sejam entregues inicialmente com propulsão convencional, todas as embarcações serão construídas com o conceito “methanol- and ammonia-ready”, permitindo futuras adaptações para utilização de combustíveis de menor impacto ambiental.

Segundo a Cosco, essa solução oferece maior flexibilidade para acompanhar a evolução das tecnologias voltadas à redução das emissões sem a necessidade de substituir os navios ao longo de sua vida útil.

Além do foco na sustentabilidade, a empresa destaca que o projeto busca aumentar a eficiência operacional e reduzir custos de longo prazo.

Afretamento terá duração de 20 anos

Após serem entregues, os 15 graneleiros serão arrendados à Huifeng Shipping, empresa pertencente ao grupo Cosco Shipping Bulk, por meio de contratos com vigência de 20 anos.

O valor anual do afretamento de cada embarcação poderá alcançar 59,4 milhões de yuans, incluindo os investimentos previstos para futuras adaptações ao sistema de propulsão de combustível duplo.

Ao término do contrato, os navios permanecerão sob propriedade da empresa de leasing da Cosco, sem obrigação de compra pela operadora.

Plano amplia expansão da frota da Cosco

O novo investimento reforça um programa de crescimento anunciado pela companhia no fim de junho. Na ocasião, a Cosco informou a contratação de outras 24 embarcações, em um investimento de 8,66 bilhões de yuans (cerca de US$ 1,28 bilhão).

Esse pacote inclui graneleiros, cargueiros e navios multipropósito destinados ao transporte de grãos, parte deles também desenvolvida para futura conversão ao uso de metanol e amônia.

Estratégia mira sustentabilidade no transporte marítimo

Com os novos contratos, a Cosco informa que possui atualmente mais de 100 embarcações em diferentes fases de construção, com entregas previstas para os próximos cinco anos.

A iniciativa fortalece a estratégia da empresa de ampliar sua presença no mercado global de navegação e preparar sua frota para atender às metas internacionais de redução das emissões de gases de efeito estufa, cada vez mais exigidas pelo setor de transporte marítimo.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Transporte

Frete marítimo sobe e ameaça exportações brasileiras após tarifa dos EUA e tensão no Oriente Médio

O comércio internacional iniciou agosto sob um cenário de maior pressão logística. A combinação entre a nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, os reflexos da guerra no Oriente Médio e a reorganização da frota mundial está elevando os custos do frete marítimo e reduzindo a oferta de espaço nos navios, o que preocupa exportadores brasileiros.

Especialistas apontam que o momento é marcado por incertezas nas cadeias globais de transporte, dificultando o planejamento das empresas em um período estratégico para os embarques de commodities.

Três fatores explicam a alta do frete marítimo

De acordo com análises do setor de logística internacional, o atual cenário resulta da combinação de três elementos principais: os impactos da guerra no Oriente Médio, a redistribuição das embarcações após as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos e a gestão de capacidade realizada pelas companhias de navegação.

Mesmo com uma leve desaceleração dos índices globais de frete, os preços permanecem elevados. Na principal rota de referência do mercado, entre China e demais destinos internacionais, o transporte de um contêiner de 40 pés continua acima de US$ 4 mil.

Exportações de commodities enfrentam novos desafios

O aumento dos custos não afeta apenas os produtos atingidos pelas tarifas norte-americanas. Commodities como soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes, que dependem do transporte marítimo para alcançar mercados internacionais, também sofrem os efeitos da menor disponibilidade de navios.

Além do impacto financeiro, empresas enfrentam dificuldades para garantir espaço nas embarcações, comprometendo prazos, planejamento logístico e competitividade das exportações brasileiras.

Falta de espaço preocupa mais que o preço

Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a tendência é de aumento da pressão sobre o transporte marítimo entre agosto e dezembro.

Ele destaca que, ao longo de 2026, os fretes na rota chinesa registraram forte valorização, passando de aproximadamente US$ 1 mil por contêiner no início do ano para cerca de US$ 6 mil em julho, chegando a se aproximar de US$ 8 mil em determinados períodos. O avanço representa uma alta superior a 500% em apenas sete meses.

No caso do Brasil, entretanto, o principal obstáculo deixou de ser apenas o preço.

“O frete em si está relativamente estável, mas conseguir espaço para embarcar está cada vez mais difícil”, afirma o especialista.

Campos explica que essa escassez não está ligada diretamente à tentativa de exportadores brasileiros anteciparem embarques antes da entrada em vigor das novas tarifas americanas. Para ele, o intervalo entre o anúncio das medidas e sua aplicação foi insuficiente para permitir essa estratégia.

Demanda dos EUA reorganiza rotas internacionais

Na avaliação do especialista, a forte demanda por transporte para o mercado norte-americano levou armadores a priorizarem rotas mais rentáveis.

Com isso, embarcações foram deslocadas para atender o comércio com os Estados Unidos, reduzindo a oferta de navios em outras regiões, incluindo linhas que atendem o Brasil. O resultado é um mercado mais disputado e com menor disponibilidade para exportadores brasileiros.

Em alguns casos, segundo Campos, a procura supera em muito a capacidade das embarcações. Navios com espaço para cerca de 5 mil contêineres chegam a receber demanda próxima de 10 mil unidades.

Guerra e gestão de capacidade mantêm preços elevados

Dados do Índice Mundial de Contêineres Drewry, referência internacional para fretes de curto prazo, mostram que houve recuo de 3% no indicador em 30 de julho, fechando em US$ 4.255 por contêiner de 40 pés. Apesar da queda, os valores continuam muito acima da média histórica.

A consultoria atribui esse comportamento ao gerenciamento de capacidade promovido pelas empresas de navegação, que seguem cancelando viagens programadas — prática conhecida como blank sailings — para evitar uma redução mais intensa das tarifas.

Além disso, o mercado permanece pressionado pelas consequências das novas barreiras comerciais dos Estados Unidos, pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos congestionamentos em importantes portos internacionais.

Outro fator que pesa na composição dos custos é a adoção de sobretaxas emergenciais de combustível anunciadas por diversas empresas de navegação para o mês de agosto.

Segundo semestre deve manter pressão sobre a logística

A expectativa do setor é de que o cenário permaneça desafiador até o fim do ano. Tradicionalmente, entre setembro e novembro, cresce a movimentação de cargas destinadas ao abastecimento da Black Friday e do Natal, ampliando a disputa por espaço nos navios.

Embora o elevado volume exportado favoreça a entrada de divisas e contribua para a balança comercial brasileira no curto prazo, especialistas alertam que os custos logísticos elevados e a limitação da capacidade de transporte podem reduzir a competitividade das exportações nos próximos meses.

China continua sendo referência para o mercado global

A rota marítima da China permanece como o principal indicador do comportamento do mercado internacional de fretes. Como o país concentra a maior movimentação mundial de contêineres, qualquer alteração na demanda influencia diretamente a distribuição das embarcações.

Quando os fretes nas rotas asiáticas aumentam, as companhias de navegação tendem a deslocar seus navios para esses trajetos mais lucrativos. Esse movimento reduz a oferta em outras regiões e acaba pressionando os custos do transporte marítimo em escala global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: China Daily via REUTERS

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Transporte

Ataque com drone no Egito aumenta preocupação sobre segurança do Canal de Suez e transporte de petróleo

Um ataque com drone contra dois navios de gás em águas egípcias reacendeu os alertas sobre a segurança do Canal de Suez e do oleoduto Sumed, corredores estratégicos para o transporte de petróleo do Oriente Médio.

O incidente ocorreu com os navios Energos Winter e Gaslog Salem, no porto de Damietta, localizado no delta do Rio Nilo, próximo ao Mar Mediterrâneo. Embora nenhum grupo tenha assumido a autoria do ataque e não tenha havido ameaça direta declarada ao canal, o episódio elevou a preocupação entre operadores marítimos e mercados de energia.

Canal de Suez ganha importância após riscos no Mar Vermelho

Desde o início do conflito envolvendo o Irã, ataques atribuídos aos houthis contra navios nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb aumentaram os riscos para o transporte marítimo na região.

Com isso, o Canal de Suez e o oleoduto Sumed passaram a desempenhar papel ainda mais relevante como alternativas para o escoamento de petróleo saudita.

Segundo Saul Kavonic, diretor de pesquisa energética da consultoria MST Marquee, qualquer ameaça à rota egípcia pode comprometer o fluxo de até cinco milhões de barris de petróleo por dia que atualmente conseguem evitar o Estreito de Ormuz.

Petróleo saudita muda rota diante de ameaças no Mar Vermelho

Após o início da guerra, a Arábia Saudita passou a direcionar grande parte de sua produção para o Mar Vermelho, utilizando principalmente o terminal de Yanbu.

No entanto, as ameaças e ataques recentes contra embarcações na região levaram muitos navios-tanque a evitar a rota pelo sul do Mar Vermelho e pelo estreito de Bab el-Mandeb.

Dados da empresa de inteligência de mercado Kpler mostram que um volume crescente de petróleo saudita passou a seguir em direção ao norte, rumo ao Canal de Suez e ao oleoduto Sumed.

Para compradores asiáticos, a mudança representa viagens mais longas, com navios precisando contornar a África em vez de seguir diretamente pelo Golfo de Áden.

Oleoduto Sumed registra aumento no transporte de petróleo

As cargas de petróleo movimentadas pelo Sumed, que conecta o Mar Vermelho ao porto mediterrâneo de Sidi Kerir, cresceram nos últimos meses.

Segundo dados do setor, o volume transportado pelo oleoduto aumentou para 28,79 milhões de barris em julho, ante 19,52 milhões em abril, antes do aumento das ameaças no Bab el-Mandeb.

A movimentação de navios também cresceu na região. Dados da plataforma MarineTraffic indicaram que cerca de 30 embarcações ficaram reunidas na área de fundeio de Port Said, na entrada mediterrânea do canal, acima das aproximadamente 20 registradas no início da semana.

George Morris, analista da Vortexa, afirmou que houve aumento significativo de navios transportando petróleo bruto e condensado em direção ao norte após carregamentos no Mar Vermelho.

Mercado ainda não precifica paralisação do Canal de Suez

Apesar da preocupação, especialistas avaliam que o ataque em Damietta não representa necessariamente uma ameaça imediata ao funcionamento do Canal de Suez.

Aly Blakeway, responsável pela área de gás natural liquefeito (GNL) do Atlântico na S&P Global Energy, afirmou que os mercados ainda não incorporaram uma possível interrupção da rota.

Mesmo após o incidente, os preços do petróleo registraram queda em meio às negociações entre Irã e Omã sobre o Estreito de Ormuz.

Seguros marítimos podem ficar mais caros

Especialistas alertam, porém, que uma escalada de ataques pode elevar os custos de seguro marítimo para navios que operam na região.

Martin Senior, responsável por preços de GNL na Argus, afirmou que um novo ataque próximo ao Canal de Suez poderia levar seguradoras a cobrar prêmios adicionais de risco de guerra, devido ao aumento da exposição de embarcações e infraestruturas energéticas.

Empresas de navegação já estariam revisando protocolos de segurança para operações próximas aos portos mediterrâneos egípcios localizados nas proximidades do canal.

Capacidade de Suez e Sumed limita transporte de grandes petroleiros

Embora o Canal de Suez continue sendo uma alternativa estratégica, existem limitações operacionais para o transporte de grandes volumes de petróleo.

Os superpetroleiros VLCCs não conseguem atravessar o canal totalmente carregados devido ao calado. Por isso, parte da carga precisa ser transferida pelo oleoduto Sumed antes que os navios retomem a viagem no Mediterrâneo.

Ainda assim, existe capacidade disponível para ampliar o fluxo de petróleo pela rota. Dados do setor indicam que o terminal de Sidi Kerir movimentou cerca de 1,4 milhão de barris por dia recentemente, abaixo do recorde semanal de 2,1 milhões de barris diários e da capacidade máxima do Sumed, estimada em 2,5 milhões de barris por dia.

A expectativa é que cerca de dez superpetroleiros carreguem no terminal nas próximas semanas, principalmente com destino a refinarias asiáticas.

Qualquer interrupção em Suez teria impacto global

Analistas destacam que o Canal de Suez pode se tornar ainda mais importante diante da incerteza envolvendo Ormuz e Bab el-Mandeb.

Corey Ranslem, diretor executivo da empresa de segurança marítima Dryad Global, afirmou que um ataque em qualquer ponto próximo ao canal poderia elevar significativamente os custos de seguro e alterar a avaliação de risco da região.

Matthew Wright, analista principal de fretes da Kpler, destacou que uma interrupção no Canal de Suez teria efeitos rápidos sobre os preços internacionais, com aumento de custos logísticos e possível pressão inflacionária para consumidores.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Argentina desregula serviços de praticagem e busca reduzir custos no transporte marítimo

O governo da Argentina oficializou uma nova regulamentação para os serviços de praticagem e pilotagem marítima e fluvial, com o objetivo de modernizar o setor, ampliar a concorrência e reduzir custos relacionados ao transporte marítimo e ao comércio exterior.

A medida, publicada no Boletim Oficial argentino, estabelece mudanças nas regras para atuação de práticos em rios, portos, canais e passagens navegáveis do país. Entre os principais objetivos estão a redução dos custos logísticos, a eliminação de barreiras de entrada e a melhoria da eficiência das operações portuárias.

Registro aberto amplia número de profissionais habilitados

Com a nova norma, a Prefectura Naval Argentina (PNA) ficará responsável por manter um registro aberto de práticos habilitados, sem limite máximo de profissionais cadastrados.

A regulamentação também permite que os usuários contratem os serviços diretamente de profissionais independentes, aumentando a liberdade de escolha para empresas de navegação e operadores logísticos.

Governo define limites para tarifas de praticagem

A nova legislação determina que a Agência Nacional de Portos e Navegação (Anpyn) estabeleça tarifas máximas para os serviços de praticagem.

A regra impede que os profissionais cobrem valores adicionais que não estejam previamente autorizados. Além disso, as empresas prestadoras deverão divulgar mensalmente seus preços e enviar relatórios trimestrais sobre suas operações à Anpyn e à Autoridade Nacional da Concorrência.

A expectativa do governo argentino é que a maior transparência nos preços contribua para um ambiente mais competitivo no setor de serviços portuários.

Regras para dispensa de práticos são flexibilizadas

O decreto também alterou os critérios de obrigatoriedade do uso de práticos em operações marítimas e fluviais.

A norma reconhece a capacidade técnica de comandantes argentinos e estrangeiros que comprovem domínio do idioma inglês e experiência operacional na região. Para isso, os profissionais deverão comprovar a realização de dez viagens de ida e volta na área de navegação nos últimos três anos.

Após a apresentação de declaração juramentada e o cumprimento dos requisitos, a PNA deverá emitir o certificado de conhecimento da área em até cinco dias úteis.

Com a certificação, os navios poderão operar sem a contratação obrigatória de práticos, reduzindo custos e evitando a duplicação de despesas.

Transporte dos práticos passa a ter contratação livre

A regulamentação também modificou as regras relacionadas ao deslocamento dos profissionais até as embarcações.

Os usuários poderão contratar livremente os meios de transporte para embarque e desembarque dos práticos, incluindo navios comerciais autorizados.

Os profissionais não poderão recusar esses meios disponibilizados pelos usuários, exceto quando houver justificativa relacionada à segurança da operação.

PNA poderá atuar em situações emergenciais

Para evitar impactos ao comércio exterior argentino em situações de crise, conflitos ou interrupções operacionais, a nova regra autoriza a Prefectura Naval Argentina a prestar diretamente serviços de transporte ou praticagem de forma excepcional.

Nessas situações, a PNA poderá solicitar apoio da Armada Argentina ou autorizar temporariamente comandantes marítimos e fluviais com conhecimento da região para garantir a continuidade das operações.

Transferência de processos de habilitação será concluída em 180 dias

O decreto estabeleceu prazo de 180 dias corridos para que a Armada Argentina transfira integralmente à PNA os processos relacionados à formação e certificação de práticos e navegadores especializados.

A mudança faz parte de um conjunto de medidas voltadas à reorganização do setor, com foco em maior eficiência, redução de custos logísticos e fortalecimento da competitividade dos portos argentinos.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

COSCO encomenda 15 graneleiros Newcastlemax com tecnologia para uso de metanol e amônia

A COSCO SHIPPING Development anunciou a encomenda de 15 novos graneleiros Newcastlemax com capacidade de 210 mil toneladas de porte bruto, projetados para uma futura operação com metanol e amônia como combustíveis alternativos.

O investimento total no projeto chega a 7,92 bilhões de yuans, sem impostos, valor equivalente a aproximadamente US$ 1,17 bilhão. A iniciativa faz parte da estratégia da companhia chinesa para modernizar sua frota e acompanhar a evolução da descarbonização do transporte marítimo.

Navios serão construídos por dois estaleiros chineses

As novas embarcações serão produzidas por dois estaleiros da China. Dez unidades ficarão sob responsabilidade da Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding, subsidiária da China State Shipbuilding Corporation (CSSC), enquanto outras cinco serão construídas pela Nantong Xiangyu Shipbuilding & Offshore Engineering, empresa controlada pela Xiamen Xiangyu.

Os contratos foram firmados pela Hainan COSCO SHIPPING Development Shipping, subsidiária integral indireta da COSCO. Cada navio terá custo estimado de 528 milhões de yuans, cerca de US$ 78 milhões.

O acordo com a Waigaoqiao Shipbuilding soma 5,28 bilhões de yuans, com entregas previstas entre junho e dezembro de 2030. Já o contrato com a Nantong Xiangyu envolve 2,64 bilhões de yuans, com as cinco embarcações programadas para serem entregues entre maio e dezembro do mesmo ano.

Graneleiros serão destinados a contratos de longo prazo

Após a conclusão, os 15 navios de transporte de granéis serão utilizados em contratos de afretamento de longo prazo com a Huifeng Shipping, subsidiária da COSCO Shipping Bulk.

Cada contrato terá duração de 240 meses, com possibilidade de variação de até 120 dias no prazo inicial, considerando a data de entrega de cada embarcação.

Por serem preparados para operar com propulsão bicombustível, o valor anual de afretamento de cada navio não deverá ultrapassar 59,4 milhões de yuans, sem impostos.

Ao término dos contratos, a decisão sobre o destino dos navios ficará com os proprietários, sem obrigação de compra por parte da empresa responsável pelo afretamento.

Tecnologia prepara frota para combustíveis de baixo carbono

Segundo a COSCO SHIPPING Development, os novos graneleiros Newcastlemax foram desenvolvidos para atender às necessidades do transporte marítimo de longa distância.

A preparação para uso de metanol e amônia permite que as embarcações sejam adaptadas conforme o avanço das tecnologias de combustíveis de menor emissão de carbono.

A companhia destaca que o projeto busca equilibrar metas ambientais, eficiência operacional e redução de custos ao longo do ciclo de vida dos navios.

A empresa também afirmou que a entrada das novas unidades ajudará a fortalecer sua frota de grandes graneleiros e ampliar o volume de ativos navais de alta qualidade sob sua administração.

COSCO amplia estratégia de leasing naval

Além da expansão da frota, a companhia pretende fortalecer sua atuação no segmento de arrendamento de embarcações, criando uma carteira mais diversificada em tipos de navios, modelos operacionais e ciclos de utilização dos ativos.

Segundo a COSCO SHIPPING Development, a estratégia deve contribuir para o crescimento de longo prazo do negócio de leasing marítimo.

Companhia mantém ritmo acelerado de expansão da frota

A nova encomenda ocorre poucas semanas após outro grande anúncio da empresa. Em 30 de junho, a COSCO SHIPPING Development informou a contratação de 24 novas embarcações por meio da Hainan COSCO SHIPPING Development Shipping, em um investimento total de 8,656 bilhões de yuans.

O pacote inclui 20 navios multipropósito para transporte de grãos, com capacidade de 87 mil toneladas de porte bruto, além de dois graneleiros de 210 mil toneladas e dois navios de carga seca com a mesma capacidade.

Todas as unidades também serão destinadas a contratos de afretamento de longo prazo após a entrega.

Entre os navios para transporte de grãos, 15 serão construídos pela COSCO SHIPPING Heavy Industry, em Dalian, e cinco pelo estaleiro CSSC Chengxi.

Os dois graneleiros preparados para operação futura com metanol e amônia serão produzidos pela Dalian Shipbuilding Industry Corporation, enquanto os dois navios de carga seca com a mesma tecnologia ficarão a cargo da Beihai Shipbuilding.

Atualmente, a COSCO SHIPPING Development informa que possui mais de 100 embarcações em construção. As entregas estão programadas para ocorrer gradualmente ao longo dos próximos cinco anos.

FONTE: I marine news
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

CMA CGM amplia lucro no segundo trimestre com alta dos fretes e força do transporte marítimo

A CMA CGM, uma das maiores empresas globais de transporte marítimo e logística, encerrou o segundo trimestre com forte avanço nos resultados financeiros. O aumento dos fretes marítimos e a manutenção da demanda internacional ajudaram a compensar os impactos operacionais causados pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

No período, a companhia registrou receita de US$ 15,7 bilhões, crescimento de 19,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O Ebitda avançou 31%, alcançando US$ 3 bilhões, enquanto o lucro líquido atribuído ao grupo passou de US$ 520 milhões para US$ 770 milhões.

Transporte marítimo lidera crescimento da companhia

O principal destaque do balanço foi a divisão de transporte de contêineres, que segue como o maior gerador de resultados da CMA CGM.

A empresa movimentou 6,33 milhões de TEUs no trimestre, volume 6% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita do segmento chegou a US$ 10 bilhões, alta de 22%, enquanto o Ebitda da área cresceu mais de 42%, somando US$ 2,26 bilhões.

Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pela elevação dos preços dos fretes internacionais e pela continuidade de volumes expressivos de carga nas principais rotas comerciais.

Demanda global sustenta mercado de contêineres

A CMA CGM informou que fatores como consumo aquecido, reposição de estoques e antecipação de embarques diante de possíveis alterações tarifárias contribuíram para manter a procura por transporte marítimo internacional.

Esse cenário ajudou a reduzir os efeitos negativos provocados pela instabilidade no Oriente Médio, que aumentou custos operacionais, elevou despesas com seguros e causou atrasos em algumas rotas.

O presidente do conselho e CEO da CMA CGM, Rodolphe Saadé, afirmou que a companhia apresentou resultados sólidos mesmo diante de um ambiente global mais incerto.

Segundo ele, a diversificação das operações — incluindo logística, terminais portuários e transporte aéreo de cargas — ampliou a capacidade da empresa de responder rapidamente às mudanças do mercado.

Empresa mantém alternativas logísticas diante das tensões internacionais

Apesar dos impactos causados pelos conflitos no Oriente Médio, a companhia afirmou que a valorização dos fretes e a flexibilidade de sua rede internacional compensaram parte dos custos adicionais.

A empresa também manteve o uso de soluções de transporte multimodal para garantir o fluxo de mercadorias destinadas aos mercados do Golfo, combinando diferentes modais para reduzir impactos nas operações.

CEVA Logistics cresce, mas enfrenta pressão nas margens

Fora do segmento marítimo, a CEVA Logistics, braço de logística do grupo, registrou receita trimestral de US$ 5 bilhões, avanço de 8,5% na comparação anual.

Apesar do crescimento da receita, o Ebitda da unidade recuou devido à redução das margens no setor de agenciamento de cargas e ao desempenho mais fraco da indústria automotiva.

Já as áreas de terminais portuários, carga aérea e demais negócios apresentaram crescimento expressivo. A receita desses segmentos aumentou quase 48%, chegando a US$ 1,48 bilhão, beneficiada por aquisições recentes e pelo desempenho positivo das operações portuárias.

CMA CGM e Stonepeak criam empresa para administrar terminais

A divulgação dos resultados ocorreu junto à conclusão de uma importante operação de infraestrutura logística. A CMA CGM e a gestora de investimentos Stonepeak finalizaram a criação da United Ports LLC, empresa responsável pela administração de nove grandes terminais de contêineres em cinco países.

Como parte do acordo, a Stonepeak realizou um investimento de US$ 2,4 bilhões para adquirir 25% de participação no negócio. A CMA CGM permaneceu com o controle operacional da companhia.

As empresas também planejam novos investimentos em expansão da capacidade dos terminais, projetos de eletrificação portuária e desenvolvimento de estruturas logísticas.

Incertezas globais continuam no radar do setor

Mesmo com o desempenho positivo, a CMA CGM destacou que o cenário internacional permanece marcado por incertezas, especialmente devido às tensões geopolíticas, mudanças nas políticas comerciais e novas tarifas que podem alterar as cadeias globais de suprimentos.

A companhia afirmou que sua diversificação de negócios, estrutura financeira e capacidade de adaptação da rede global são fatores importantes para enfrentar a volatilidade do mercado e manter o atendimento aos clientes nas principais rotas do comércio mundial.

FONTE: Global Trade Mag
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Tráfego marítimo no Mar Vermelho atinge mínima após ataques dos houthis

O tráfego marítimo no Mar Vermelho registrou forte redução no último domingo, alcançando o menor nível dos últimos meses. Dados da Kpler mostram que apenas 11 embarcações carregadas cruzaram o Estreito de Bab el-Mandeb, um dos corredores marítimos mais estratégicos do comércio global.

A queda ocorre em meio à escalada das tensões na região, após os recentes ataques realizados pelos rebeldes houthis, do Iêmen, contra instalações petrolíferas e navios associados à Arábia Saudita. O grupo, apoiado pelo Irã, anunciou na semana passada a intenção de bloquear as exportações sauditas, ampliando a instabilidade no Mar Vermelho.

Petroleiros seguem operando, mas fluxo permanece reduzido

Entre as 11 embarcações que cruzaram o estreito no domingo, sete eram petroleiros. Três seguiram em direção ao Mar Vermelho, incluindo dois navios do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier) destinados ao porto saudita de Yanbu para carregamento de petróleo bruto.

Outros quatro deixaram a região transportando petróleo da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e da Rússia, com destino à China e ao Paquistão. Entre eles estavam os superpetroleiros New Explorer, carregado com cerca de dois milhões de barris para o porto chinês de Ningbo, e New Pearl, também transportando aproximadamente dois milhões de barris de petróleo saudita rumo a Zhoushan.

Houthis assumem ataques a instalações da Saudi Aramco

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, declarou que o grupo realizou ataques contra instalações da Saudi Aramco nas cidades sauditas de Jizan e Yanbu no sábado.

Desde então, a navegação na costa do Iêmen permanece fortemente afetada, aumentando as preocupações sobre a segurança da principal rota utilizada para o transporte internacional de petróleo.

Estreito de Ormuz também registra movimento abaixo do normal

Além da redução no Mar Vermelho, o Estreito de Ormuz apresentou um fluxo marítimo excepcionalmente baixo durante o fim de semana.

Segundo a Kpler, menos de dez embarcações atravessaram diariamente a região. No domingo foram registrados apenas sete navios, enquanto no sábado apenas três cruzaram o estreito, todos navegando com os sistemas de identificação automática desligados.

Exportações sauditas mudam de rota para evitar áreas de conflito

A escalada dos riscos em Bab el-Mandeb também está alterando a logística das exportações de petróleo da Arábia Saudita para os mercados asiáticos.

De acordo com o The Wall Street Journal (WSJ), desde o início das tensões envolvendo o Irã, o país vinha ampliando os embarques a partir de portos localizados no Mar Vermelho para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz. No entanto, os ataques dos houthis passaram a comprometer essa estratégia.

Dados da empresa de monitoramento marítimo Vortexa apontam que pelo menos quatro petroleiros carregados com petróleo saudita mudaram de rota antes de alcançar Bab el-Mandeb, seguindo em direção ao Canal de Suez. Paralelamente, a Arábia Saudita aumentou a oferta de cargas para embarque em portos egípcios localizados no Mediterrâneo.

Canal de Suez ganha importância no transporte de petróleo

Ainda segundo a Vortexa, nas três primeiras semanas de julho o transporte de petróleo pelo Canal de Suez atingiu o maior volume registrado em cerca de dois anos e meio. No mesmo período, as importações por meio do oleoduto Sumed cresceram 50% em relação ao mês anterior.

Especialistas avaliam que a mudança nas rotas pode elevar significativamente os custos logísticos das exportações sauditas.

Gregory Brew, analista sênior de Irã e energia do Eurasia Group, destaca que o petróleo ainda pode ser exportado pelo Mar Vermelho, porém por um trajeto mais longo e oneroso para abastecer os mercados asiáticos. Segundo ele, esse cenário pode pressionar ainda mais o mercado internacional da commodity.

Na mesma linha, Helima Croft, chefe de estratégia global de commodities da RBC Capital Markets, avalia que novos ataques dos houthis têm potencial para reduzir de forma relevante o fluxo de petróleo pelo Mar Vermelho e aumentar a percepção de risco nas principais rotas marítimas globais.

Mercado acompanha impacto sobre a logística global

Com a instabilidade em Bab el-Mandeb e as limitações operacionais no Estreito de Ormuz, cresce a preocupação do mercado com a segurança do transporte marítimo e a continuidade do abastecimento de petróleo para a Ásia. A combinação desses fatores amplia as incertezas sobre a logística internacional e o comportamento do mercado global de energia.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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