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O que ameaça os preços da Black Friday e do Natal no Brasil?

As promoções da Black Friday, uma das datas mais importantes do varejo brasileiro, começam a ser definidas muito antes de novembro. É em agosto que fabricantes e varejistas negociam as compras que abastecerão as lojas nos últimos meses do ano, grande parte delas composta por produtos importados ou fabricados com componentes vindos da Ásia.

Neste ano, porém, o consumidor pode encontrar um cenário diferente. A alta do frete marítimo internacional e as tensões geopolíticas globais aumentaram significativamente os custos de importação, reduzindo a margem para grandes descontos e influenciando até mesmo a variedade de produtos disponíveis nas prateleiras.

Frete marítimo pressiona custos da Black Friday

O principal fator de preocupação para a Black Friday 2026 é a disparada do frete marítimo. O custo do contêiner de 40 pés entre Ásia e Brasil saltou de cerca de US$ 3 mil em abril para US$ 9 mil em junho, estabilizando-se posteriormente na faixa de US$ 6 mil.

Esse aumento não afeta apenas o preço final dos produtos. Mercadorias de menor margem de lucro ou que ocupam maior espaço nos contêineres tendem a perder competitividade, reduzindo sua presença nas lojas.

Como o tempo médio entre o embarque na Ásia e a chegada ao Brasil é de aproximadamente 60 dias, os contêineres enviados durante o pico dos custos começam a desembarcar agora. Por isso, os impactos devem ser percebidos justamente no período de abastecimento da Black Friday e das vendas de Natal.

Geopolítica influencia toda a cadeia logística

Hoje, acompanhar o cenário geopolítico deixou de ser apenas uma questão estratégica e passou a ser uma necessidade para quem atua no comércio exterior.

Os conflitos no Oriente Médio levaram diversos armadores a evitarem o Canal de Suez, optando pela rota do Cabo da Boa Esperança. Essa mudança acrescenta cerca de 15 dias às viagens marítimas, aumentando despesas com combustível, seguros e utilização dos navios.

Ao mesmo tempo, a instabilidade no Estreito de Ormuz e o congestionamento dos principais portos mundiais fizeram a logística internacional atingir níveis semelhantes aos observados durante a pandemia, quando houve uma verdadeira disputa por contêineres.

O impacto para empresas e consumidores

Nem todos os produtos sentirão o aumento dos custos da mesma forma.

Itens volumosos e de menor valor agregado, como pneus e algumas mercadorias de baixo ticket, sofrem maior pressão, já que o custo fixo do frete é dividido entre poucas unidades. Já produtos de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, conseguem absorver parte desse aumento sem comprometer totalmente sua competitividade.

Para o consumidor, o resultado pode aparecer de diferentes maneiras:

  • descontos mais modestos na Black Friday;
  • menor variedade de alguns produtos importados;
  • maior oferta de itens compactos e essenciais;
  • condições de parcelamento mais atrativas para compensar preços mais elevados.

Planejamento será o diferencial competitivo

Mais do que nunca, planejamento será a principal vantagem das empresas.

Importadores que anteciparam suas compras conseguiram reduzir parte dos impactos do aumento do frete, embora tenham precisado investir em armazenagem para manter estoques preparados para o segundo semestre.

Já quem deixou as importações para os últimos meses do ano enfrenta um mercado com menor disponibilidade de espaço nos navios e custos muito mais elevados. Nesse cenário, ocorre uma verdadeira disputa por capacidade logística, pressionando margens e aumentando o CAC (Custo de Aquisição de Clientes), já que vender se torna mais caro.

Por outro lado, empresas que trabalham com antecedência conseguem estruturar melhor sua operação, fortalecer o relacionamento com seus clientes e construir campanhas menos dependentes de descontos agressivos.

Planejar cenários é uma estratégia, não uma opção

Sempre defendi que empresas que atuam no comércio exterior precisam trabalhar com projeções de cenários. A logística internacional é dinâmica e altamente sensível a fatores econômicos e geopolíticos. Antecipar decisões significa reduzir riscos, preservar competitividade e entregar mais valor ao cliente.

A Black Friday acontece em novembro e o Natal em dezembro, mas o sucesso dessas datas começa muitos meses antes, no planejamento das importações.

A pergunta que fica é simples:

Sua empresa antecipou as compras para a Black Friday e o Natal ou ainda está refém dos custos elevados do frete marítimo?



Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

*Imagem ilustrativa em destaque produzida por IA.

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