Agronegócio, Exportação

CNA estima perda de US$ 5,8 bilhões em exportações do agronegócio aos EUA com tarifa de 50%

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o agronegócio deixará de exportar US$ 5,8 bilhões aos Estados Unidos neste ano com a imposição da tarifa de 50% anunciada pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A sobretaxa está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

A projeção da confederação considera uma queda de 48% nos embarques de produtos do agronegócio ao mercado norte-americano ante os US$ 12,1 bilhões comercializados em 2024.

O cálculo, informou a CNA em nota, considera a “elasticidade” das importações de bens nos Estados Unidos, com o impacto da alíquota de 50%.

“A elasticidade das importações de um país mede o quanto o volume importado reage a mudanças no preço dos produtos. Assumiu-se que o choque causado nas tarifas seria integralmente transmitido para os preços de importação. Ou seja, uma elevação de 50% nas tarifas elevaria em 50% os preços finais”, explicou a CNA na nota.

O indicador de elasticidade foi estimado com base nos dados de comércio dos EUA nos últimos cinco anos, explicou a CNA. Quanto menor o indicador, maior o impacto sobre as importações americanas.

De acordo com a confederação, a maior parte dos produtos agropecuários exportados para os Estados Unidos possui elasticidade menor que -1, indicando uma maior sensibilidade às variações de preço.

De acordo com o estudo da entidade, na aplicação da tarifa de 50%, as exportações brasileiras de suco de laranja, açúcares de beterraba, outros açúcares de cana e sacarose cairiam a zero.

“Alguns produtos sofrerão mais impacto que outros, caso do suco de laranja, em que a tarifa se tornaria impeditiva para o produto brasileiro”, explicou a entidade.

Produtos como etanol e sebo de bovinos também devem ter quedas expressivas nas exportações aos Estados Unidos, com redução prevista em volume de, respectivamente, 71% e 50%.

Já os embarques de café não torrado e não descafeinado seriam os menos afetados, com redução prevista de 25% em volume.

“Enquanto isso, produtos como o café verde teriam um menor impacto relativo, devido à queda na oferta do grão no mercado internacional nos últimos anos, o que faz com que a capacidade de substituição seja mais rígida”, observa a confederação.

A venda de carne bovina e açúcar de cana têm impactos limitados previstos, com 33% em volume que deixariam de ser exportados.

Fonte: Estadão

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Internacional

Sem citar Brasil, Trump afirma que só irá abaixar tarifas se países abrirem mercado para os EUA

Presidente dos EUA afirmou em seu perfil no TruthSocial que países que não abrirem mercados terão “tarifas muito mais altas”

O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 23, que só irá abaixar as tarifas impostas aos países caso eles concordem em abrir o mercado para os EUA. A postagem de Trump em seu perfil no TruthSocial acontece um dia depois de o presidente anunciar um acordo com o Japão, e não cita nominalmente nenhum outro país.

“Eu só vou reduzir as tarifas se um país concordar em abrir seu mercado. Se não, tarifas muito mais altas! Os mercados do Japão estão agora abertos (pela primeira vez na história!). As empresas dos EUA vão crescer”, escreveu o presidente.

Brasil tenta evitar tarifas de Trump

Brasil segue tentando impedir a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. As taxas, que incidem sobre itens como aço, café e aeronaves, estão previstas para entrar em vigor em 1º de agosto de 2025. Até o momento, não houve avanço significativo nas negociações, e o governo brasileiro já reconheceu a possibilidade de não conseguir um acordo a tempo.

Apesar dos esforços diplomáticos, o Brasil tem buscado apoio internacional, criticando as tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde recebeu o respaldo de cerca de 40 países, incluindo grandes parceiros como a União Europeia, China e Rússia. O governo brasileiro argumenta que as medidas de Trump são uma tentativa de interferência nos assuntos internos do país, além de violar as normas do comércio internacional.

Trump anuncia acordo com Japão

O acordo comercial entre os Estados Unidos e o Japão, anunciado na terça-feira, 22, trouxe uma redução significativa nas tarifas sobre produtos japoneses, especialmente no setor automotivo. A tarifa foi ajustada para 15% sobre a maioria dos produtos, incluindo automóveis, que anteriormente enfrentavam uma ameaça de 25%. Em contrapartida, o Japão se comprometeu a investir US$ 550 bilhões nos Estados Unidos, com foco em setores estratégicos como farmacêuticos e semicondutores.

O Japão também concordou em aumentar suas importações de produtos agrícolas americanos, como arroz e caminhões, oferecendo mais acesso ao seu mercado doméstico para os exportadores dos EUA. No entanto, as tarifas sobre aço e alumínio permanecem inalteradas, com uma taxa de 25% ainda aplicada.

O acordo foi amplamente visto como uma vitória para o Japão, que conseguiu evitar tarifas ainda mais altas, especialmente no setor automotivo, e ajudou a estabilizar as cadeias produtivas de ambos os países. O mercado financeiro reagiu positivamente, com as ações das montadoras japonesas subindo após o anúncio.

Fonte: Exame

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Industria

Setor florestal de Mato Grosso em alerta com possível taxação dos EUA

Indústrias já enfrentam prejuízos e pedem reação estratégica do governo brasileiro

A ameaça de um aumento de 50% na taxação sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos acendeu um sinal de alerta no setor de base florestal de Mato Grosso. A medida, que pode entrar em vigor no dia 1º de agosto, já provoca prejuízos concretos às indústrias da região.

Os Estados Unidos figuram entre os principais compradores da madeira mato-grossense. Apenas nos primeiros meses de 2025, o estado exportou US$ 8,3 milhões em produtos florestais para o mercado norte-americano — o que representa 11,8% de tudo o que foi vendido pelo setor no período.

A preocupação é ainda maior nos municípios do norte do estado, como Alta Floresta, Sinop, Colniza, Aripuanã, Nova Bandeirantes e Juína. Nesses locais, a cadeia da madeira é um dos principais motores da economia local.

Diante do cenário, o presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), Ednei Blasius, defende uma atuação firme por parte do governo federal.

A entidade também destaca seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade e o desenvolvimento das regiões florestais, e reforça a espera de uma solução imediata para evitar danos irreversíveis à cadeia produtiva.

Fonte: Canal Rural Mato Grosso

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Exportação

Empresas ficam sem tempo de “evitar tarifas” e corrida da exportação acaba

Tempo médio de viagem do Porto de Santos aos principais portos americanos é de 14 a 18 dias, enquanto taxas de 50% aos produtos brasileiros estão previstas a partir de 1º de agosto

As empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos já não conseguem embarcar as mercadorias antes das tarifas de 50% de Donald Trump entrarem em vigor em 1º de agosto.

Assim que a Casa Branca anunciou em 9 de julho a taxa de 50% a produtos do Brasil, exportadores de café, carne, celulose e outros produtos adiantaram os envios para fugir da medida. O embarque de proteínas animais, por exemplo, aumentou 96% nas duas primeiras semanas do mês.

A estratégia, porém, teve prazo de validade curto: não há mais tempo hábil para levar os itens ao país antes de 1º de agosto, data anunciada por Trump para começar o tarifaço.

À CNN, técnicos do Porto de Santos disseram que a viagem de um navio carregado para os principais portos americanos leva, em média, de 14 a 18 dias. Dessa maneira, mesmo que as cargas fossem enviadas nesta terça-feira (22), já não haveria escapatória à taxação, visto que falta nove dias para a medida da Casa Branca.

O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) explica que as tarifas de importação são cobradas a partir do momento em que a mercadoria chega ao país de destino. Ou seja, se forem enviadas antes da vigência do tarifaço e chegarem depois, a taxa será cobrada.

Além do tempo médio de envio dos produtos para os EUA a partir do Porto de Santos, há algumas condições podem deixar a viagem ainda mais longa, conforme destacam as fontes, como outros tipos de rotas, viagens em escalas ou fatores climáticos.

No caso do café brasileiro, mais de 70% do produto que vai aos Estados Unidos sai do Porto de Santos. Deste total, cerca de 30% chega ao país pelo Porto de Nova Orleans e, cerca de 15%, pelo Porto de Nova York. Com tempo de viagem do navio cargueiro neste percurso pode chegar a 30 dias.

Com a iminência do tarifaço de Trump, o setor produtivo passa a apostar no diálogo com as empresas americanas, entre outras estratégias. A importadora de suco de laranja Johanna Food, localizada no estado de Nova Jersey, por exemplo, foi à Justiça dos Estados Unidos contra a medida de Trump.

Em outra frente, entidades e empresas americanas avaliam a possibilidade de propor ao governo dos Estados Unidos uma lista de exceções às tarifas de 50%. A ideia seria pedir que produtos naturais não existentes nos EUA pudessem ser importados com taxa inferior.

Uma das entidades à frente da avaliação é a National Coffee Association, principal associação cafeeira dos EUA. O café seria o principal beneficiado por esta medida, visto que quase a totalidade do produto consumido nos EUA é importado. O Brasil é o principal fornecedor do item ao país, sendo responsável por cerca de 35% (mais de um terço) dos grãos que os Estados Unidos compram do exterior.

Também em outros segmentos, o setor de frutas seria beneficiado pela lista de exceções. O principal exemplo é a manga: a produção interna nos EUA quase inexiste, e o Brasil é o terceiro maior fornecedor do item para o país (responsável por cerca de 8% das importações).

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

ApexBrasil, Abemel e Casa Apis discutem medidas de curto, médio e longo prazos para encarar as tarifas de Trump

Estados Unidos consomem cerca de 80% do mel produzido no Brasil e taxação  anunciada pode afetar diretamente mais de 500 mil apicultores brasileiros 

Nesta quinta-feira (17), o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações  e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, recebeu o presidente da Associação Brasileira  dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, e o diretor executivo da Central de  Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), Wellington Dantas, para  analisar os impactos para o setor de mel com o tarifaço anunciado pelo presidente do  Estados Unidos, Donald Trump. 

“A produção brasileira de mel e própolis é estratégica. O momento pede união e  cooperação e é isso que estamos promovendo. Sabemos que cada setor tem suas  particularidades. Vamos construir juntos alternativas diante deste novo cenário global.” Jorge Viana, presidente da ApexBrasil

Segundo o presidente da Abemel, Renato Azevedo, atualmente, 80% das exportações  de mel do Brasil são destinadas aos Estados Unidos. “A gente depende totalmente  desse mercado. Estamos aqui para discutir alternativas. No curto prazo, a gente precisa negociar e ter uma extensão de prazo. A médio e longo prazos é preciso diversificar mercados promovendo o mel brasileiro em outros países”, afirmou Azevedo. Ele  reforçou a necessidade de elaborar um plano para reduzir a dependência dos Estados Unidos e buscar a inserção do produto na União Europeia, por exemplo, e em outros  mercados. Azevedo destacou que, para isso, é preciso desenvolver um trabalho de valorização do mel brasileiro. “O mel brasileiro é um mel de qualidade excepcional”,  afirmou.

Para o diretor executivo da Casa Apis, Wellington Dantas, a ApexBrasil é fundamental  para ajudar o setor a encontrar alternativas. “Diante das circunstâncias, a Apex pode  dialogar com outros setores, ver possíveis mercados e nos ajudar com outros órgãos,  como Ministério da Agricultura e Pecuária e Companhia Nacional de Abastecimento,  para ver a possibilidade de absorver alguma parte da produção aqui no Brasil”, apontou. Entre as possibilidades discutidas para o curto prazo está a ideia de negociar para retirar  alimentos desta taxação por serem perecíveis e com maior dificuldade de  redirecionamento para outros mercados no curto prazo.

Impactos reais

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil  produziu 64,2 mil toneladas de mel em 2023. Os pequenos produtores ocupam uma  posição de destaque na cadeia de mel e própolis brasileira e a taxação pode afetar  diretamente milhares de famílias. Durante a reunião também foram analisados alguns  impactos de logística e regras regulatórias para o redirecionamento da produção. 

O gerente de Agronegócio da ApexBrasil, Laudemir Müller, que também participou da  reunião, reforçou que a Agência seguirá apoiando o setor.

“Primeiramente, vamos levar para as discussões de governo o diferencial que este setor tem, a importância que têm o mercado dos Estados Unidos, e o impacto do produto na agricultura familiar, em especial na região Nordeste. Em segundo, vamos buscar maneiras de reduzir o impacto  com medidas internas.” Laudemir Müller, gerente de Agronegócio da ApexBrasil

Com relação a atuação direta da ApexBrasil, Laudemir destacou o trabalho para a promoção do produto e a diversificação de mercados. “No que realmente nos compete mais diretamente, vamos buscar alternativas de mercado. O presidente Jorge Viana já determinou que seja feito imediatamente um projeto junto  ao setor para trabalharmos a promoção do mel brasileiro, especialmente o mel orgânico, em outros mercados, inclusive com a flexibilização em relação aos nossos  normativos, se for necessário, considerando a situação dramática do setor e a importância que tem para a agricultura familiar”, disse.

Ao final, o presidente da Abemel destacou a importância e o fortalecimento da parceria da entidade com a ApexBrasil diante do cenário de crise. “Crise é oportunidade. Vamos ver se a gente consegue estreitar este relacionamento e fazer desse limão uma limonada”, finalizou.

Fonte: Assessoria de Imprensa Apex Brasil

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Comércio, Comércio Exterior

Distribuidora americana de suco de laranja contesta na Justiça tarifas de Trump ao Brasil

Uma distribuidora de suco de laranja nos Estados Unidos acionou a Justiça contra a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil anunciada pelo presidente Donald Trump.

A sobretaxa está prevista para ser implementada em 1º de agosto. As empresas Johanna Foods e Johanna Beverages argumenta que o republicano usou um argumento na divulgação das taxas que não justifica a aplicação da sobretaxa sem a autorização do Congresso americano.

A ação foi protocolada na última sexta (18) no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA e pede que a corte reconheça que a tarifa foi aplicada de forma irregular e declare sua nulidade. É a primeira contestação de uma empresa americana às tarifas brasileiras.

Na carta endereçada ao presidente Lula (PT), Trump diz que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofre uma “caça às bruxas” no julgamento de que é alvo no Brasil acusado de tramar um golpe de Estado, entre outros.

A razão apontada, que é política, e não comercial, é ilegal na visão de diversos economistas americanos, que já previam uma contestação em tribunais.

A empresa alega que a “carta ao Brasil” não configura uma ação executiva válida, não é uma Ordem Executiva e não faz referência ou alteração a ordens previamente existentes, o que compromete sua legitimidade como ato oficial do governo.

Além disso, a empresa afirma que o presidente não declarou emergência nacional nem apontou qualquer ameaça incomum ou extraordinária vinda do exterior que justificasse a imposição da tarifa com base na segurança nacional, política externa ou econômica.

A companhia argumenta que, caso as sobretaxas entrem em vigor, ela teria os gastos com suco de laranja não concentrado importado do Brasil ampliados em cerca de US$ 68 milhões (R$ 380 milhões) no próximo ano. Segundo a empresa, caso as tarifas vão adiante, ela precisará aumentar os preços para o consumidor final em até 25%.

“A tarifa do Brasil resultará em um aumento significativo -e possivelmente proibitivo- no preço de um alimento básico do café da manhã americano”, afirma a petição.

A Johanna Foods alerta ainda para possíveis demissões, redução na produção e riscos à continuidade de suas operações, que sustentam cerca de 700 empregos nos estados de Nova Jersey e Washington.

Na petição protocolada no tribunal, a empresa afirma ser responsável pela produção de sucos de fruta e bebidas e iogurtes e são fornecedores de suco a gigantes varejistas, como “Aldi, Walmart, Sam’s Club, Wegman’s, Safeway e Albertsons”.

A empresa também afirma ser responsável pelo fornecimento de 75% “de todo o suco de laranja não proveniente de concentrado de marca própria nos Estados Unidos” e também para dois dos maiores produtores de suco de laranja de marca no país.

A companhia alega que a importação dos produtos brasileiros é fundamental para suas operações.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o Brasil é hoje o maior produtor e exportador de suco de laranja do planeta, vendendo 95% de sua produção para o Exterior. Desse volume, 42% tem os Estados Unidos como destino.

O diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, disse que se a nova alíquota for levada adiante, representaria um aumento de 533% nos tributos.

O Tribunal de Comércio Internacional dos EUA foi o mesmo que derrubou em 28 de maio a aplicação das tarifas globais de Trump. As sobretaxas foram reestabelecidas um dia depois por uma corte de apelação do país.

No centro da disputa, está o embasamento de Trump para dar uma justificativa legal às suas tarifas: a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977. A norma, historicamente utilizada para sanções e embargos, tornou-se peça central na estratégia de Trump para aplicar sobretaxas a diversos países e já é alvo de contestação na Justiça.

A IEEPA autoriza o presidente a agir diante de uma “ameaça incomum e extraordinária” vinda do exterior. Trump, no entanto, vem estendendo essa definição para justificar tarifas generalizadas, inclusive alegando que déficits comerciais ameaçam a prontidão militar americana.

No caso específico do Brasil, a transgressão teria ficado mais evidente, na opinião de analistas, por ele deixar claro a motivação política na retaliação comercial.

O argumento é que Trump teria excedido as prerrogativas que a legislação lhe confere para aplicar tarifas sem precisar do aval do Congresso Nacional.

Fonte: Folha de São Paulo

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Comércio

Tarifaço pode desequilibrar mercado interno no Brasil, alerta ministro

Redução no preço de alimento tende a desestimular produção

O tarifaço de 50% anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros pode resultar em redução momentânea de preços para alguns alimentos no mercado interno brasileiro. No entanto, se, por um lado, isso pode ser positivo para o consumidor, com uma inflação menor para os alimentos, por outro pode desestimular produtores – o que, também, seria prejudicial para o país, disse nesta terça-feira (22) o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.

A afirmação foi feita durante o Bom Dia, Ministro, programa produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Segundo Dias, nesse contexto o desafio do governo é o de trabalhar para garantir preço adequado de alimentos ao consumidor e também ao produtor.

“É buscar um preço adequado. Essa é a nossa missão”, disse o ministro.

Tarifaço

Recentemente, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou o aumento tarifário a ser aplicado a partir de 1º de agosto sobre produtos brasileiros exportados para os EUA.

Nas manifestações, Trump tem associado a medida a supostas desvantagens comerciais na relação entre os dois países e, também, à forma como as investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro têm sido conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Influência momentânea

Perguntado sobre se a diminuição das exportações de produtos como laranja, café, carnes e frutas poderia resultar em um escoamento deles para o mercado interno, beneficiando o consumidor brasileiro, o ministro disse que sim, mas que o ideal é que essa redução de preços seja estimulada por outros fatores. Em especial, por uma maior competitividade da produção brasileira.

“As tarifas podem, sim, ter alguma influência momentânea [baixando a inflação dos alimentos], mas o que queremos é a redução dos preços por competitividade. Ou seja, pela capacidade de mais produção numa mesma área; por um financiamento com juros mais baixos. Esse é o ganho que queremos alcançar”, disse o ministro.

“Mas veja bem: assim como a gente quer proteger o consumidor nessa tarefa, temos de proteger o produtor. Caso contrário desestimularíamos a produção. Nesse caso, precisamos ter equilíbrio”, acrescentou.

De acordo com o ministro, a estratégia do governo é a de, por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e de algumas pastas ministeriais, buscar alternativas de mercado, de forma a ajudar produtores como, por exemplo, os de mel, frutas e carne.

Investigação

Wellington Dias lembrou da boa relação histórica entre Brasil e Estados Unidos e reiterou que, comercialmente, essa relação sempre foi favorável aos norte-americanos. “Compramos mais do que vendemos para os EUA”, disse ele ao desmentir as alegações apresentadas por Trump, de que seu país estaria sendo prejudicado comercialmente na relação entre os dois países.

“O que o presidente Trump está fazendo não tem nada a ver com medida econômica ou comercial. Na verdade, são ataques especulativos fora do contexto. Por isso acho que tem que ter na uma investigação internacional, e que os países atacados devem se proteger nessa direção, claro, mantendo a diplomacia e o diálogo”, argumentou o ministro.

Dias lembrou que tanto o Supremo Tribunal Federal como a Justiça norte-americana abriram investigações em meio à confirmação de que “espertos foram avisados antes”, e compraram dólar anteriormente ao anúncio, obtendo lucros bilionários. 

Fonte: Agência Brasil

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Comércio

Abipesca pede crédito emergencial para reduzir impacto do tarifaço

Estados Unidos são destino de 70% do pescado exportado pelo Brasil

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) protocolou nesta segunda-feira (21) um pedido formal ao governo federal para a criação de uma linha emergencial de crédito voltada às indústrias exportadoras do setor. O objetivo é reduzir os impactos imediatos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. 

De acordo com a associação, o mercado norte-americano é o destino de cerca de 70% do pescado exportado pelo Brasil. Com a nova taxação, o setor estima que cerca de R$ 300 milhões em produtos estejam parados entre pátios portuários, embarcações e unidades industriais. 

O pedido foi protocolado no Palácio do Planalto e se dirige ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta da Abipesca prevê crédito emergencial de R$ 900 milhões, com seis meses de carência e prazo de 24 meses para pagamento. 

De acordo com a Abipesca, a taxação levou o setor a enfrentar uma “grave crise de capital de giro”, uma vez que não há como redirecionar essa produção ao mercado interno “que já se encontra abastecido e não absorve os cortes específicos voltados à exportação”.  

“Caso não haja uma resposta rápida, 35 indústrias e aproximadamente 20 mil trabalhadores, incluindo pescadores artesanais, podem ser impactados com cortes e paralisações”, afirmou a associação. 

No documento protocolado, a associação também solicita que o governo brasileiro intensifique as negociações para reabertura do mercado europeu, fechado às exportações brasileiras de pescado desde 2017. 

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Negociação 

No último dia 9, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao presidente Lula, em que anuncia a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras ao país norte-americano. Segundo Trump, as tarifas passam a valer no dia 1º de agosto. Trump justifica a medida tarifária citando supostos “ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”. 

Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista à Rádio CBN, que o Brasil não vai sair da mesa de negociação com os Estados Unidos. Haddad disse, porém, que o governo vem trabalhando em planos de contingência para ajudar os setores mais prejudicados com o plano de Donald Trump.  

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

U.S. Chamber e Amcham Brasil defendem diálogo comercial entre Estados Unidos e Brasil

A U.S. Chamber of Commerce e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgaram o seguinte posicionamento a respeito do anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a proposta de aplicação de uma tarifa de 50% às exportações brasileiras, com início previsto para 1º de agosto: 

“A U.S. Chamber e a Amcham Brasil solicitam aos governos dos Estados Unidos e do Brasil que se engajem em negociações de alto nível a fim de evitar a implementação da tarifa de 50%. A imposição dessa medida como resposta a questões políticas mais amplas tem o potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos, além de estabelecer um precedente preocupante. 

A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos. 

Mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas norte-americanas têm investimentos naquele país. O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos. 

Uma relação comercial estável e produtiva entre as duas maiores economias das Américas beneficia consumidores, sustenta empregos e promove prosperidade em ambos os países. A U.S. Chamber e a Amcham Brasil seguem à disposição para apoiar iniciativas que favoreçam uma solução negociada, pragmática e construtiva — que evite a escalada da atual situação e garanta a continuidade de um comércio bilateral mutuamente vantajoso.” 

Sobre a U.S. Chamber of Commerce 


U.S. Chamber of Commerce é a maior organização empresarial do mundo, representando empresas de todos os portes e setores da economia. Seus membros incluem desde pequenos negócios e câmaras de comércio locais até grandes corporações e associações setoriais. 

Sobre a Amcham Brasil 


A Amcham Brasil é a maior entidade multissetorial do Brasil e a maior Câmara Americana de Comércio entre as 117 existentes fora dos Estados Unidos. Presente no Brasil desde 1919, é uma entidade centenária que representa cerca de 3.500 empresas, responsáveis por um terço do PIB brasileiro e por 3 milhões de empregos diretos no país. 

Esta nota foi divulgada originalmente em inglês: 

U.S. Chamber, AmCham Brazil Urge U.S.-Brazil Trade Talks 

WASHINGTON, D.C. AND BRASILIA, BRAZIL – The U.S. Chamber of Commerce and the American Chamber of Commerce in Brazil (AmCham Brazil) issued the following statement following President Donald Trump’s announcement of a proposed 50% tariff rate on Brazil starting August 1: 

“The U.S. Chamber and AmCham Brazil urge both the U.S. and Brazilian governments to engage in high-level negotiations to avoid the implementation of damaging tariffs. Imposing such measures in response to broader political tensions risks inflicting real harm on one of America’s most important economic relationships and sets a troubling precedent. 

The proposed 50% tariff would impact products essential to U.S. supply chains and consumers, raising costs for households and reducing the competitiveness of key U.S. industries. 

More than 6,500 small businesses in the U.S. rely on products imported from Brazil while 3,900 American companies invest in the country. Brazil is a top 10 market for U.S. exports, and the destination of nearly $60 billion in U.S. goods and services every year. 

A stable and productive trade relationship between the Hemisphere’s two largest economies benefits consumers and sustains jobs and mutual prosperity. The U.S. Chamber and AmCham Brazil stand ready to support efforts conducive to a negotiated, pragmatic, and constructive solution — one that avoids escalation and ensures continued, mutually beneficial trade.” 

Fonte: Amcham Brasil

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Mercado Internacional

Nota Oficial – Crise entre Brasil e Estados Unidos compromete o Transporte Rodoviário de Cargas e ameaça milhares de empregos

O SETCESP – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região – vem a público expressar profunda preocupação com os efeitos da atual crise institucional e política entre Brasil e Estados Unidos. A tensão diplomática já provoca retração nos fluxos logísticos internacionais e compromete rotas consolidadas de comércio exterior, afetando diretamente a operação de centenas de transportadoras brasileiras.

Dados do CAGED pesquisados pelo IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Cargas) mostram que, somente no Estado de São Paulo, o setor é responsável por mais de 450 mil empregos diretos. E conforme números da ANTT mais de 34 mil empresas atuam no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), no âmbito nacional o setor reúne quase 1 milhão de empregos formais e responde por cerca de 65% de toda a movimentação de cargas do país, incluindo grande parte das operações portuárias de exportação e importação.

O enfraquecimento das relações comerciais com os Estados Unidos – um dos principais destinos das exportações brasileiras – tem efeito imediato sobre essas empresas, que enfrentam redução no volume de cargas, aumento dos custos operacionais com redirecionamento de rotas, e insegurança para planejar investimentos. A continuidade desse cenário coloca em risco milhares de postos de trabalho e a sustentabilidade das operações logísticas.

O que está em jogo, neste momento, vai muito além das cifras: são famílias que dependem do setor para garantir sua subsistência. O TRC é uma das bases estruturais da economia nacional, e sua desorganização tem potencial devastador para o crescimento do país.

O SETCESP entende que o atual momento exige uma postura de estadista por parte do governo federal. É preciso agir com urgência, inteligência e humildade para reconstruir o diálogo e restabelecer relações diplomáticas sólidas. Vaidades políticas não podem se sobrepor ao bem-estar da população brasileira. O país precisa de estabilidade econômica, segurança jurídica e ambiente propício aos negócios – somente assim será possível manter empresas em funcionamento e empregos preservados.

Manifestamos ainda nossa solidariedade às transportadoras que sofrem os impactos dessa crise e reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos empresários do setor, com a manutenção dos postos de trabalho e com a retomada do crescimento sustentável da atividade transportadora no Brasil.

Fonte: SETCESP

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