Comércio Exterior

Pecuaristas dos EUA aplaudem tarifaço e querem banir carne do Brasil

Associação Nacional de Pecuaristas dos Estados Unidos diz à CNN que tarifa de 50% é “um bom começo” para futura suspensão do produto brasileiro

Em meio às preocupações com as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, um setor aplaude com entusiasmo as iniciativas de Donald Trump. E vai além: defende a suspensão total da entrada dos produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A Associação Nacional de Pecuaristas dos Estados Unidos (NCBA) apoia firmemente o plano do presidente Trump de impor ao Brasil com uma tarifa de 50%”, cita a entidade à CNN.

A entidade que representa os pecuaristas americanos há mais de um século, desde 1898, informa que “há muitos anos defende a suspensão total da carne bovina brasileira importada”.

“Uma tarifa de 50% é um bom começo, mas precisamos suspender as importações de carne bovina do Brasil para que possamos conduzir uma auditoria completa”, citou a entidade.

A NCBA acusa produtores brasileiros de terem uma “abismal falta de responsabilidade em relação à saúde do gado e à segurança alimentar”.

Os pecuaristas americanos citam especificamente os casos da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como doença da vaca louca.

“A falha do Brasil em reportar casos atípicos de EEB e seu histórico de febre aftosa são uma grande preocupação para os produtores de gado dos EUA”, citam os produtores americanos.

O governo brasileiro rebate a afirmação dos pecuaristas americanos.

O Ministério da Agricultura cita que o Brasil nunca teve um “caso clássico” do mal da vaca louca – aqueles em que a doença ocorre pela ingestão de alimentos contaminados, especialmente farinha de carne e ossos. Essa foi a origem do surto na Europa há algumas décadas.

No Brasil, há registro de seis casos atípicos da doença. A situação não interfere no status do país na Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Isso acontece porque os casos têm ocorrência espontânea, quando a infecção se dá pela mutação espontânea da proteína – normalmente pela idade avançada do animal, sem ter relação com a ingestão de alimentos contaminados.

“Assim, o Brasil mantém o reconhecimento pela OMSA como país de risco insignificante para a doença desde 2012”, cita o Ministério da Agricultura.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia

Escalada da tensão entre Brasil e EUA eleva preocupação da indústria, diz FIESC

Setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira

A escalada da tensão política entre Brasil e Estados Unidos aumentou a preocupação da indústria catarinense. O setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira. O assunto foi discutido na reunião de diretoria da Federação das Indústrias (FIESC), nesta sexta-feira, dia 18.

Conforme relatos de industriais à Federação, embora ainda não estejam sendo cancelados pedidos, muitos clientes estão solicitando para que mercadorias encomendadas ainda não sejam embarcadas, até haver maior clareza sobre a situação.

“O ônus será para a sociedade. Dependemos muito dos Estados Unidos. É o destino para o qual exportamos produtos de valor agregado e que não conseguiremos redirecionar para outros mercados no curto prazo”, alertou o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, ressaltando que os EUA são o principal destino dos embarques catarinenses.

No ano passado, SC exportou US$ 1,74 bilhão para os Estados Unidos. Entre os principais produtos embarcados estiveram: obras de carpintaria para construções, motores elétricos, partes de motor, madeira, transformadores elétricos e partes e acessórios para veículos.

“Reconquistar um cliente norte-americano perdido por conta de aplicação de tarifas é difícil e caro. Então, o prejuízo será enorme. Temos uma relação de 200 anos de comércio e cooperação. Não podemos perder isso”, declarou Aguiar.

Na quarta, dia 16, Aguiar reuniu-se com o vice-presidente da República e ministro de Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e defendeu o diálogo para tentar reverter os impactos do tarifaço. 

No encontro, ele salientou que retaliar seria o pior encaminhamento, pois ampliaria ainda mais os prejuízos para a indústria brasileira. “Além de tentar reduzir as tarifas, precisamos buscar alternativas como a prorrogação do prazo de início da aplicação, para haver mais tempo para as negociações e para que as empresas tenham fôlego para se reorganizar e buscar novos mercados”, disse, lembrando que a palavra de ordem é negociar. 

Fonte: FIESC

Ler Mais
Comércio Exterior

Em meio a tarifas e medidas de Trump contra o STF, Lula participa de encontro de países em defesa da democracia no Chile

Reunião terá líderes do Chile, Espanha, Colômbia e Uruguai. No início do mês, o presidente dos Estados Unidos anunciou tarifas de 50% sobre importação de produtos brasileiros.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta segunda-feira (21) de uma reunião com líderes do Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai para discutir a defesa da democracia e o combate à desinformação em Santiago, capital chilena.

O objetivo da cúpula é avançar em um posicionamento compartilhado em favor do multilateralismo, da democracia e da cooperação global baseada na justiça social.

Segundo o governo do Chile, anfitrião do encontro, a reunião terá três eixos principais:

  • fortalecimento da democracia e o multilateralismo;
  • redução das desigualdades; e
  • luta contra a desinformação e regulação de tecnologias emergentes.

O tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também deve ser um dos assuntos abordados na reunião.

No dia 9 de julho, o presidente dos Estados Unidos enviou uma carta ao presidente Lula e anunciou tarifas de 50% em cima dos produtos brasileiros que são importados pelos Estados Unidos.

Entre mais de 20 países que devem enfrentar cobranças elevadas sobre importação nos EUA, a medida anunciada ao Brasil é a mais alta até agora e deve começar a valer a partir de 1º de agosto.

Em um pronunciamento à nação na quinta-feira (17), Lula afirmou que as tarifas impostas por Trump são uma ‘chantagem inaceitável’ e chamou de ‘traidores da pátria’ políticos brasileiros que tem apoiado as medidas impostas pelo presidente dos Estados Unidos.

A reunião acontece nesta segunda-feira (21) e vai contar com a presença de:

  • Gabriel Boric, presidente do Chile;
  • Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha;
  • Gustavo Petro, presidente da Colômbia; e
  • Yamandú Orsi, presidente do Uruguai.

O encontro dá continuidade aos compromissos firmados durante o lançamento da iniciativa “En Defensa de la Democracia”, voltada para fortalecer as instituições democráticas e enfrentar desafios como a desigualdade e a disseminação de informações falsas.

A agenda prevê ainda um almoço na chancelaria chilena e um evento com a sociedade civil.

As propostas originadas na reunião serão levadas para o próximo encontro, previsto para acontecer às margens da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em setembro deste ano.

Fonte: G1


Ler Mais
Comércio Exterior

Alckmin pediu reforço de 100 analistas no Mdic horas antes do tarifaço

Vice-presidente e ministro do Comércio pede a Esther Dweck (Gestão e Inovação) para integrar excedentes do “Enem dos Concursos” ao seu time com impacto de R$ 82 milhões até 2027

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, pediu autorização para adicionar mais 100 analistas de comércio exterior ao seu time às vésperas do tarifaço iniciado pelos Estados Unidos de Donald Trump (Partido Republicano) contra o Brasil.

Poder360 teve acesso a um ofício enviado por Alckmin à ministra Esther Dweck (Gestão e Inovação) solicitando o reforço. O documento foi assinado às 14h56 de 9 de julho.

Trump anunciou a taxa de 50% contra as importações brasileiras por volta das 17h daquele dia, mas já ameaçava cobrança extra ao Brasil nos dias anteriores. A nova alíquota vale a partir de 1º de agosto.

O pedido inicial do vice-presidente foi enviado em 1º de julho. Na época, queria mais 12 analistas de comércio exterior. O texto de 8 dias depois trazia mais dados para embasar a solicitação e aumentou a quantidade de profissionais para 100.

A ideia do chefe do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) é contratar excedentes que passaram para o cargo no CNU (Concurso Nacional Unificado) em 2024.

São as pessoas que ficaram imediatamente atrás dos aprovados para analista de comércio exterior na prova.

O ofício de Alckmin diz que o impacto orçamentário e financeiro seria de R$ 81,9 milhões até 2027, dividido da seguinte forma:

  • 2025 – R$ 2,93 milhões;
  • 2026 – R$ 38,99 milhões; e
  • 2027 – R$ 40,01 milhões.

“Tal proposta de ampliação visa a dar encaminhamento mais efetivo e realista à atual situação do quadro funcional do Mdic, para fortalecer sua estrutura de maneira sustentável e garantir a implementação eficaz das políticas públicas”, diz o documento.

Além das vagas de analista de comércio exterior, Alckmin também solicitou mais 12 analistas técnicos administrativos e 2 economistas.

A Associação dos Analistas de Comércio Exterior apoia a medida. Uma carta do setor menciona os movimentos de Trump como uma necessidade maior dos funcionários.

“A recente ação dos Estados Unidos contra o Brasil, em flagrante violação dessas normas, é só um exemplo da complexidade e da volatilidade que caracterizam o ambiente global”, disse a entidade em carta aberta.

Segundo o texto, os profissionais atuam em áreas como:

  • inteligência comercial;
  • Investigações de práticas desleais de comércio;
  • gestão de instrumentos tarifários; e
  • negociações e disputas comerciais internacionais.

A associação também defende que haja uma definição legal das atribuições da carreira. Ou seja, que as funções da profissão fiquem definidas por lei.

De forma simbólica, também pedem a volta da expressão “Comércio Exterior” na denominação do Mdic.

Fonte: Poder 360

Ler Mais
Comércio Exterior, Internacional

Tarifaço de Trump: ES não fecha novos negócios e deixa de exportar 2,5 mil toneladas de café para os EUA em 7 dias

Estimativa é do Centro do Comércio de Café de Vitória, que representa os exportadores capixabas. No Brasil, novos negócios com os Estados Unidos também não foram fechados, deixando mais de 12,6 mil toneladas de café sem comercialização.

exportação de café do Espírito Santo para os Estados Unidos está paralisada desde o anúncio feito por Donald Trump da nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em 7 dias, o estado deixou de embarcar cerca de 42 mil sacas, o equivalente a 2,5 mil toneladas de café cru e solúvel. O dado é do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), que representa os exportadores do estado.

Novos negócios também não foram selados com os Estados Unidos em todo o país. De acordo com o CCCV, mais de 210 mil sacas de café brasileiro deixaram de ser comercializadas para os Estados Unidos, o que corresponde a 12,6 mil toneladas sem destino.

O vice-presidente da entidade, Jorge Nicchio, explicou que o impacto foi imediato e atingiu tanto grandes quanto pequenas empresas do setor.

“Esse comércio está parado. O que já tá vendido, a gente não sabe ainda o que vai acontecer, porque tem café já vendido anteriormente ao anúncio dessa taxação e que vai ser embarcado agora. Mas, desde então, não têm sido feitas novas vendas para os Estados Unidos”, explicou Jorge.

Brasil é um dos maiores exportadores do mundo

O Brasil é o maior exportador de café do mundo, e os Estados Unidos são historicamente um dos seus principais mercados. No Espírito Santo, o impacto é ainda mais forte, já que o estado lidera a produção nacional de café conilon e é também um dos maiores produtores de café solúvel, que costumam ter demanda no mercado americano.

Nicchio pontuou ainda que o impacto também será sentido pelos Estados Unidos, uma vez que eles produzem só 1% do café consumido por sua população.

O Brasil é o principal fornecedor de café para os EUA e detém cerca de um terço do mercado norte-americano. Países como China, Índia, Indonésia e Austrália podem absorver parte da demanda, mas não seria simples.

“As indústrias relacionadas ao café geram aproximadamente 2 milhões de empregos nos Estados Unidos. São muitas cafeterias, indústrias. Essa medida não atinge só o Brasil, os Estados Unidos também vão sofrer muito, porque outros concorrentes, no curto prazo, dificilmente vão conseguir suprir”, concluiu o vice-presidente do CCCV.

Outros setores também enfrentam problemas

A suspensão de novos pedidos não afeta somente os produtores de café. Relatos de suspensão aconteceram nos setores de rochas naturais, gengibre e pimenta-do-reino.

No setor de rochas, mais da metade dos embarques foram suspensos. Segundo a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), com a suspensão dos pedidos, 1.200 contêineres devem deixar de embarcar até o fim de julho, um prejuízo estimado de US$ 40 milhões.

O secretário de Agricultura Enio Bergoli contou que existem relatos de que as exportações de pimenta-do-reino e gengibre tiveram paralisações. “Tem casos concretos de paralisação de envio. Falei com exportadores e já suspenderam antes de embarcar, desistiram do negócio”, relatou.

Apesar dos impactos nesses dois produtos, Bergoli disse que ainda é precoce calcular os prejuízos financeiros do anúncio da medida, que entra em vigor somente em 1º de agosto.

“Não é uma tarefa simples quantificar, mas já começamos a vivenciar prejuízos. Pequenos produtores, por exemplo, conseguimos enviar para outros países, mas os exportadores maiores não é uma tarefa rápida”, concluiu.

Celulose e pescado mantêm embarques, mas setores estão apreensivos

Diferentemente de outros produtos do agronegócio capixaba, os embarques de celulose e pescado para os Estados Unidos ainda não foram interrompidos. Mas os representantes desses setores demonstram preocupação com os possíveis desdobramentos do tarifaço.

Segundo Agostinho Miranda Rocha, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Papel, Papelão e Celulose do Estado do Espírito Santo (Sinpacel-ES), as exportações seguem normalmente, mas com atenção redobrada.

“Nós não tivemos, por enquanto, nenhuma informação sobre cancelamento de pedido. Mas estamos fazendo análises internas. Temos um setor dentro do ecossistema, como papel, papelão, cartonagem e celulose. Os impactos vão ser mais fortes na questão da celulose”, explicou.

Já no setor de pescado, os embarques continuam ocorrendo por enquanto, mas a apreensão é sobre os próximos meses. De acordo com Mauro Lúcio Peçanha de Almeida, presidente do Sindicato das Indústrias da Pesca do Estado do Espírito Santo (Sindipesca), ainda há envios ativos para os Estados Unidos, porque o produto é in natura e transportado por avião.

“Estamos embarcando normalmente, por ser um produto in natura, enviado por avião. O impacto direto ainda não aconteceu, mas a preocupação é com o que pode vir depois que a tarifa entrar em vigor”, disse.

Exportações do agronegócio em números

De acordo com análise da Gerência de Dados e Análises da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), em 2024 o Espírito Santo exportou mais de US$ 800 milhões para os EUA.

Já no acumulado de 2025 (de janeiro a maio), o valor exportado alcança US$ 253,4 milhões, demonstrando continuidade e diversidade dessa relação comercial, apesar das oscilações nos volumes e preços.

EUA é o maior comprador de rochas do ES

Os Estados Unidos são o principal comprador externo de rochas naturais do Espírito Santo. Somente em junho de 2025, foi responsável por 62,4% de todas as exportações do setor. Outros compradores internacionais, como a China, são responsáveis por adquirir 17,5% das rochas produzidas no estado.

Veja destinos de exportações de rochas do ES

Fonte: G1

Ler Mais
Industria

Seis setores da indústria dizem não ter como redirecionar bens comprados pelos EUA

Entidades citam, em conversas com o governo, dificuldades para diversificar destinação de produtos

A reunião entre o setor industrial e o governo federal realizada na terça-feira (15) para debater a sobretaxa de 50% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros expôs a situação crítica de diversos segmentos da indústria nacional que não teriam como redirecionar vendas para outros mercados em curto ou médio prazo.

Seis setores foram taxativos sobre o posicionamento durante o encontro com ministros e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que também comanda o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) declarou que exporta cerca de US$ 4 bilhões por ano para os EUA, mercado que representa 50% das exportações brasileiras de alta tecnologia. A associação informou que não há como redirecionar as vendas, não apenas pelo volume, mas também pela especificidade tecnológica.

Outro alerta partiu da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados). Com 22% das exportações voltadas aos EUA, a entidade afirmou que os produtos são feitos sob encomenda dos clientes americanos, o que impediria a realocação. As empresas do setor já começaram a receber cancelamentos de pedidos. Além do impacto comercial, o segmento estima que, caso as tarifas entrem em vigor, haveria perda de 7.000 empregos diretos e 5.000 indiretos, especialmente na região Nordeste do país.

O setor de ferro gusa, representado pelo Sindifer (Sindicato da Indústria de Ferro no Estado de Minas Gerais), informou que exporta 68% de sua produção, sendo 85% dessas vendas destinadas aos Estados Unidos. A entidade reforçou que não há possibilidade de redirecionamento, dada a escala das exportações.

O mesmo posicionamento foi apresentado pelo Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), que enfatizou a importância do mercado americano e declarou que não há como redirecionar as vendas atuais para outros mercados devido ao grau de especialização e integração do setor com os EUA.

A Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) relatou ao governo que 27% das exportações do setor vão para os EUA, com grande parte da produção sendo feita sob encomenda pelos clientes americanos. A associação afirmou que não há alternativa viável de redirecionamento e que a sobretaxa levaria à perda de mercado para produtores chineses, que ficariam mais competitivos.

A preocupação com os desdobramentos também foi destacada pela Abrafi (Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e de Silício Metálico). A instituição que representa o setor de ferroligas (ligas de ferro com outro elemento químico usados na fabricação de aços) disse que 50% da produção é exportada, sendo que 20% disso tem como destino os EUA. A associação reiterou que, diante do volume envolvido, não seria possível encontrar novos mercados substitutos com a mesma capacidade de absorção.

Além desses seis setores, outros segmentos industriais emitiram alerta ao governo. A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) disse que há forte dependência das indústrias de madeira em relação ao mercado americano, devido à demanda do setor de construção civil dos Estados Unidos.

O Instituto Aço Brasil lembrou que o Brasil é o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá, mas que os produtos vendidos são complementares.

Já a Abal (Associação Brasileira do Alumínio) mencionou que 14,2% das exportações do setor são para os EUA e que já vem sofrendo com tarifas de 25%, sem exceções, há alguns meses. O segmento diz ter registrado queda de 25% das exportações aos EUA no primeiro semestre. A indústria do alumínio mostrou preocupação com eventual desvio de comércio, mas informou que seria possível encontrar mercados alternativos no médio prazo.

Entre as grandes empresas, especificamente, chama a atenção a exposição da Embraer. A companhia informou que 30% de sua receita são exportações aos EUA, mercado onde operava há décadas com tarifa zero.

A elevação tarifária para 10%, já aplicada por Donald Trump, teve impacto direto na empresa. Se subir para 50%, os negócios se tornariam inviáveis.

A companhia declarou que não é possível redirecionar as vendas, tanto por aspectos técnicos como comerciais. Além disso, disse que 45% dos componentes de um avião da Embraer vêm dos EUA, o que revela forte interdependência industrial.

Todos os setores endossaram a proposta da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que liderou os posicionamentos do setor produtivo e propôs que o Brasil solicite aos EUA um adiamento de 90 dias da entrada em vigor das tarifas, previstas para 1º de agosto. O objetivo seria ganhar tempo para negociar uma solução definitiva.

Fonte: Folha de São Paulo

Ler Mais
Negócios

Empresários veem dificuldade maior em negociar tarifaço após operação da PF

Avaliação é de que a ação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro podia ser evitada diante das tensões já existentes entre o governo brasileiro e Donald Trump

Empresários diretamente envolvidos nos debates com o governo para formular uma estratégia de negociação do tarifaço imposto por Donald Trump relataram à CNN que a operação da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (18), amplia as dificuldades do Brasil em negociar com os Estados Unidos para que a medida seja revista pela Casa Branca.

A avaliação é de que a soberania brasileira e a autonomia dos Poderes nacionais são inegociáveis e não devem ser colocadas à mesa com os americanos em nenhum momento.

No entanto, consideram que a ação foi desnecessária e poderia ter sido evitada ou adiada, diante das dificuldades enfrentadas pelo Brasil nas tratativas com Trump.

Um desses empresários apontou ser “complicadíssimo” prosseguir com as negociações, que envolvem três frentes de tensão simultâneas. Segundo ele, são elas:

  • A pressa — considerada excessiva — para condenar Bolsonaro;
  • O presidente Lula provocar Trump constantemente, gerando entre os empresários a sensação de que busca recuperar popularidade com o episódio e incentiva seus aliados a adotarem a mesma postura;
  • O interesse dos Estados Unidos em evitar a criação de um precedente, pois, se o Brasil tiver êxito nesse embate, poderia servir de exemplo para outros países.

Outro empresário avaliou que a operação de hoje poderá ter efeito reverso sobre o STF (Supremo Tribunal Federal), ao dar repercussão mundial às alegações da defesa de Bolsonaro sobre o processo jurídico e fomentar dúvidas quanto à imparcialidade da Corte nesse julgamento.

A percepção entre as fontes ouvidas pela CNN é de que, pela forma como os fatos estão se desenrolando, Trump será “implacável” com o Brasil e não cederá em nada.

Um sinal nesse sentido, segundo um dos negociadores, poderá ser o endurecimento da posição dos Estados Unidos quanto à exigência empresarial de suspender ou rever a nova tarifa.

Diante do cenário de maior dificuldade, as críticas à condução das negociações por parte do governo aumentaram após a operação.

Representantes do setor privado também relataram receio de serem usados como instrumento político pelo governo em uma negociação que deveria ser prioritariamente estatal.

Caso a negociação fracasse, temem que o governo transfira a responsabilidade ao setor privado.

O temor é que, ao final, o governo colha ganhos políticos internos enquanto atribui ao setor privado a culpa pelo insucesso da negociação — setor esse que, até o momento, enxerga uma sequência de erros e falta de estratégia por parte da equipe governamental.

Também há a percepção de que o governo caminha para responsabilizar Bolsonaro pelo eventual fracasso nas negociações.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação

EUA teriam poucas opções para substituir exportações do Brasil, aponta estudo do Daycoval

Perda de receita estimada de US$ 5,9 bi representaria um choque de -0,3 ponto percentual do PIB brasileiro, considerando apenas os choques de primeira ordem sobre o setor externo

A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos diminuiria em 15% o volume exportado do Brasil para o país. A perda de receita estimada de US$ 5,9 bilhões representaria um choque de -0,3 ponto percentual do PIB brasileiro, considerando apenas os choques de primeira ordem sobre o setor externo. Os cálculos são do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval.

Segundo a equipe, a demanda de curto prazo pelas principais categorias de exportação do Brasil para os EUA mostra-se inelástica ao preço, ou seja, o volume exportado oscila menos (15%) que a mudança do preço do bem (tarifas adicionais de 50%). “Esse efeito amortecido é uma consequência direta da natureza pouco sensível da demanda dos EUA pelos produtos brasileiros”, diz o Daycoval no relatório.

Bens intermediários – a principal categoria exportada para os EUA, com peso de 54%, representada por derivados de ferro e aço, principalmente – apresenta a menor elasticidade-preço, fazendo com que o aumento de 50% no preço implique queda de apenas 8,2% no volume exportado, estima o Daycoval. Isso indica, segundo o banco, que os EUA teriam dificuldade em encontrar outros parceiros para suprimir a ausência da importação do Brasil.

Combustíveis/lubrificantes, segunda maior pauta de exportação, e bens de capital também apresentam baixa sensibilidade, com as tarifas levando a queda potencial no volume exportado de 23,4% e 21,8%, respectivamente. Os bens de capital incluem as aeronaves da Embraer, e os resultados também mostram que os EUA tenderiam a ter dificuldades em substituir as importações desses produtos, diz o Daycoval.

Apesar do impacto macroeconômico limitado, o choque de receita para esses setores, como de -US$ 1,79 bilhão para bens intermediários e -US$ 1,76 bilhão para combustíveis, é significativo, afirma o Daycoval.

Com queda potencial de 19,1% no volume exportado, os bens não duráveis, grupo que contém as exportações de suco de laranja – 7º item mais exportado para os EUA em 2024 –, também sugerem que os EUA possuem poucas opções de substituir os produtos brasileiros, segundo o banco.

Apenas os bens de consumo duráveis poderiam observar uma queda mais pronunciada, de quase 46% no volume exportado, estima. “Os bens de consumo duráveis são os mais afetados, com sensibilidade próxima a -1, indicando alta substituição dos EUA por esse tipo de bem por outras economias globais. Porém, como a categoria representa apenas 1% das exportações dos Brasil para os EUA, o impacto deste grupo é praticamente nulo”, diz o relatório.

Analisar as elasticidades específicas de cada categoria é fundamental porque a sensibilidade de preço dos itens brasileiros exportados aos EUA é heterogênea, observa o Daycoval.

“Produtos como o suco de laranja, no qual o Brasil é um fornecedor importante para os EUA, e as aeronaves da Embraer, que possuem características técnicas particulares e são vendidas sob contratos de longo prazo, não são facilmente substituíveis no curto prazo. A dificuldade de substituição, seja por volume ou por especificidade, resulta em uma demanda menos sensível a preço”, afirma a equipe no relatório.

Ao confrontar os preços específicos dos EUA com o volume global de exportações do Brasil, o Daycoval encontrou uma capacidade de redirecionamento de parte do comércio para outros mercados, reduzindo o impacto líquido sobre a atividade total.

Fonte: Valor Econômico

Ler Mais
Internacional, Negócios

Empresários americanos pedem negociações contra tarifa de 50% dos EUA sobre Brasil

“Medida (…) tem potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos EUA”, afirmam a U.S. Chamber of Commerce e a Amcham Brasil

A U.S. Chamber of Commerce e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgaram uma nota para a imprensa dos Estados Unidos nesta terça-feira (15) pedindo para que os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva se engajem em negociações de alto nível para evitar a implementação da tarifa de 50% a produtos brasileiros pelos EUA a partir de 1º de agosto.

“A imposição dessa medida como resposta a questões políticas mais amplas tem o potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos, além de estabelecer um precedente preocupante”, afirmam, em nota.

Ambas as instituições mencionam que a tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos.

“Mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas norte-americanas têm investimentos naquele país. O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos”, acrescentam.

A Amcham Brasil e a U.S. Chamber afirmam ainda que uma relação comercial estável e produtiva entre as duas maiores economias das Américas beneficia consumidores, sustenta empregos e promove prosperidade em ambos os países.

“A U.S. Chamber e a Amcham Brasil seguem à disposição para apoiar iniciativas que favoreçam uma solução negociada, pragmática e construtiva – que evite a escalada da atual situação e garanta a continuidade de um comércio bilateral mutuamente vantajoso.”

Fonte: InfoMoney

Ler Mais
Comércio, Portos

Remessas de Alimentos Paralisadas no Principal Porto do Brasil em Meio à Incerteza sobre Tarifas dos EUA

A tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já está tendo repercussões no Porto de Santos, localizado no litoral de São Paulo. De acordo com o Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região (SDAS), os embarques estão atualmente paralisados no maior complexo portuário do Brasil devido ao cancelamento de exportações por parte das empresas, principalmente do setor de alimentos.

Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), os EUA importaram mais de 8,1 milhões de toneladas através do Porto de Santos em 2024, totalizando R$ 12,8 bilhões. Isso representou 12,6% das exportações totais do complexo portuário, colocando os Estados Unidos atrás apenas da China, que importou 42,4 milhões de toneladas (R$ 26 bilhões ou 25,5%).

Abaixo está um gráfico histórico das exportações brasileiras em contêineres para os Estados Unidos via Porto de Santos, com base em dados do DataLiner:

Exportações em Contêineres para os Estados Unidos via Porto de Santos – Jan 2022 a Mai 2025 – TEUs

A tarifa de 50%, anunciada por Donald Trump, deve entrar em vigor no dia 1º de agosto. No entanto, os efeitos já estão sendo sentidos devido à incerteza por parte dos exportadores.

Em entrevista ao G1, o secretário do SDAS, Hugo Cesar Evangelista, afirmou que o sindicato recebeu relatos de seus associados (despachantes aduaneiros) sobre embarques paralisados nos terminais do Porto de Santos. “Algumas empresas já estão devolvendo mercadorias, especialmente pequenos negócios”, disse ele.

Ele explicou que a suspensão dos embarques se deve à incerteza sobre a alíquota que será aplicada quando a carga chegar aos Estados Unidos, já que o transporte leva vários dias.

“Temos relatos de cargas retidas enquanto as empresas aguardam para entender como a situação vai se desenrolar, enquanto outras estão cancelando e devolvendo os produtos para seus armazéns”, disse Evangelista.

Segundo o sindicato, produtos como frutas, sucos e carne bovina estão entre os que estão paralisados no complexo portuário. No entanto, o sindicato ainda não tem uma estimativa completa das exportações interrompidas.

O Brasil é o principal fornecedor de café para os Estados Unidos. A tarifa atual sobre o café é de 10%, e a nova taxa de 50% representaria um aumento de 400%. Cerca de 35% das exportações brasileiras com destino aos EUA são embarcadas pelo Porto de Santos.

Fonte: G1

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook