Portos

Saturação dos portos brasileiros ameaça a cadeia logística e exige novos investimentos

A saturação dos portos brasileiros acende um alerta para o setor logístico e pode comprometer a capacidade de movimentação de contêineres nos próximos anos. Um estudo da consultoria Macroinfra, especializada em transporte e logística, aponta que os terminais do país poderão atingir o limite operacional até 2030, caso projetos de expansão e novas instalações não avancem no ritmo necessário.

A análise utilizou dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), referentes ao período de 2015 a 2025, e identificou sinais de sobrecarga em quatro importantes complexos portuários: Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí/Navegantes (SC) e Itapoá (SC).

Com o aumento da ocupação, parte do fluxo de contêineres tende a ser redirecionada para outros terminais com maior disponibilidade operacional. O cenário reforça a necessidade de ampliar a infraestrutura portuária e preparar a rede logística para o crescimento da demanda.

Portos próximos do limite elevam os riscos operacionais

A operação de terminais com níveis elevados de ocupação pode ampliar a exposição a acidentes, interrupções de atividades e prejuízos financeiros. O alerta é de Simone Ramos, diretora de Portos e Logística da Lockton, corretora global de seguros que também atua na gestão de riscos marítimos e portuários.

Segundo a executiva, os desafios não se limitam à capacidade física dos terminais. A pressão sobre as operações também envolve equipamentos, equipes, sistemas tecnológicos, questões ambientais e a continuidade dos negócios.

Ramos ressalta que trabalhar próximo do limite operacional pode expor as empresas a riscos seguráveis e não seguráveis, incluindo danos acidentais, impactos ambientais e possíveis descumprimentos de exigências regulatórias.

Nesse contexto, uma eventual paralisação pode gerar consequências que vão além da interrupção imediata das atividades, afetando toda a cadeia logística portuária.

Expansão da infraestrutura exige planejamento e gestão de riscos

Diante do aumento da demanda, empresas do setor investem na construção de novas estruturas, na ampliação da armazenagem e na aquisição de equipamentos. Entretanto, executar essas melhorias enquanto os terminais permanecem em operação exige cuidados adicionais.

Para Simone Ramos, é necessário identificar antecipadamente os riscos envolvidos nas obras e nas mudanças operacionais, além de avaliar quais coberturas de seguro são adequadas para cada atividade.

A executiva destaca que a ampliação da capacidade não elimina automaticamente as vulnerabilidades. Pelo contrário, a convivência entre obras e operações em andamento exige planejamento específico para reduzir a possibilidade de acidentes e perdas.

A gestão de riscos portuários passa, portanto, a ser um componente importante dos projetos de expansão, especialmente em terminais que já operam com elevado nível de utilização.

Governo afirma que ainda existe capacidade nos portos

Apesar dos alertas sobre a saturação, o governo federal avalia que o sistema portuário brasileiro ainda dispõe de capacidade para absorver novos volumes de carga.

O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, defende que a situação seja analisada de maneira integrada, considerando portos públicos, terminais privados e as demais instalações que compõem a infraestrutura nacional.

Segundo ele, embora a capacidade operacional seja limitada, o sistema ainda consegue ampliar a movimentação anual de cargas.

Ávila afirma que o crescimento dos volumes movimentados demonstra a existência de espaço operacional, mas ressalta que essa disponibilidade diminui à medida que a demanda aumenta.

Por isso, o secretário considera fundamental antecipar os investimentos, evitando que a infraestrutura se torne insuficiente quando os novos projetos forem necessários.

Investimentos dependem de leilões, licenciamento e obras

A ampliação da capacidade portuária requer planejamento antecipado, uma vez que os projetos precisam passar por etapas como leilões, licenciamento ambiental e execução das obras antes de entrarem efetivamente em operação.

Além da construção e modernização dos terminais, o governo destaca a importância de melhorar os acessos portuários, tanto pelo mar quanto por terra.

As conexões rodoviárias, ferroviárias e aquaviárias são consideradas essenciais para garantir que as cargas cheguem aos portos e sejam transportadas de forma eficiente. Sem investimentos nesses acessos, a expansão dos terminais pode não ser suficiente para atender ao aumento da demanda.

Ávila também defende a continuidade das políticas de planejamento e dos projetos estruturantes, com foco no longo prazo. A estratégia, segundo ele, deve combinar ampliação da capacidade e melhorias na infraestrutura de transporte para acompanhar o crescimento do comércio exterior brasileiro.

Ministério prevê R$ 20,6 bilhões em investimentos portuários

No início de outubro de 2026, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, apresentou uma nova carteira de projetos e investimentos para os quatro anos seguintes. O pacote prevê aproximadamente R$ 160 bilhões em investimentos no setor de transportes sob responsabilidade da pasta.

Para a área portuária, estão previstos 34 leilões, com investimentos estimados em R$ 20,6 bilhões.

Entre os principais projetos anunciados estão:

  • Tecon Santos 10, no Porto de Santos (SP): R$ 6,45 bilhões.
  • SSB01, no Porto de São Sebastião (SP): R$ 3,84 bilhões.
  • ITJ01, no Porto de Itajaí (SC): R$ 2,66 bilhões.
  • VDC10, no Porto de Vila do Conde (PA): R$ 1,93 bilhão.
  • IQI15, no Porto do Itaqui (MA): R$ 1,22 bilhão.

Os empreendimentos integram a estratégia de ampliação e modernização da infraestrutura portuária brasileira. A execução dos projetos será importante para aumentar a capacidade de movimentação de cargas e reduzir os gargalos logísticos.

Com a demanda em expansão e alguns terminais próximos dos limites operacionais, o avanço dos investimentos, a melhoria dos acessos e o planejamento de longo prazo serão fatores decisivos para garantir a eficiência dos portos e a continuidade do fluxo de mercadorias no país.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Rodolfo Buhrer

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Investimento

Portos e aeroportos terão nova carteira de investimentos a partir de 2027

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) está estruturando uma nova carteira de projetos de infraestrutura portuária e aeroportuária, com previsão de impulsionar um novo ciclo de investimentos a partir de 2027. A iniciativa busca garantir a continuidade dos projetos do setor e oferecer maior previsibilidade ao mercado e à sociedade.

O planejamento foi apresentado pelo ministro Tomé Franca nesta quarta-feira (23), durante reunião do Conselho Nacional de Infraestrutura de Transportes do Brasil Export, realizada na Casa Brasil Export, em Brasília.

Segundo o ministro, a proposta é organizar um conjunto de iniciativas capaz de manter o ritmo de investimentos em infraestrutura, independentemente de mudanças no comando da pasta.

Programa AmpliAR prevê investimentos em aeroportos regionais

Na área da aviação, um dos destaques apresentados por Tomé Franca foi o processo envolvendo o Aeroporto Internacional de Brasília e dez aeroportos regionais incluídos no Programa AmpliAR.

O modelo busca viabilizar melhorias em aeroportos regionais que, isoladamente, apresentam menor atratividade comercial. Para isso, essas unidades podem ser associadas a grandes contratos de concessão, criando condições para atrair investimentos privados e ampliar a infraestrutura aeroportuária.

A estratégia pretende fortalecer a conectividade regional e criar alternativas para financiar melhorias em estruturas que enfrentam dificuldades para atrair operadores por conta própria.

Monitoramento dos portos vai orientar novos projetos

No segmento portuário, o Ministério trabalha no acompanhamento da demanda, da capacidade operacional e dos principais gargalos dos portos brasileiros.

O objetivo é utilizar essas informações para identificar necessidades de expansão, planejar melhorias e desenvolver estudos alinhados aos desafios da infraestrutura portuária nacional.

A partir desse diagnóstico, o governo pretende estruturar projetos capazes de responder às demandas do setor e contribuir para o aumento da capacidade e da eficiência das operações.

Sustentabilidade, inovação e seguros estão entre as prioridades

O planejamento apresentado pelo MPor também contempla novas diretrizes de sustentabilidade portuária e uma política de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltada ao setor.

Outro ponto abordado pelo ministro foi a adequação dos seguros utilizados nas concessões de infraestrutura. A proposta é alinhar a estrutura de cobertura à matriz de riscos prevista nos contratos, proporcionando mais segurança e previsibilidade para os projetos.

Essas medidas integram os esforços para aprimorar o ambiente de investimentos e fortalecer o planejamento de longo prazo nos setores portuário e aeroportuário.

Diálogo com o setor busca aprimorar políticas públicas

Durante a reunião, Tomé Franca ressaltou a importância da interlocução entre o governo e os representantes da infraestrutura de transportes para desenvolver políticas públicas mais alinhadas às necessidades do mercado.

A proposta é combinar as iniciativas em elaboração no Ministério com as demandas apresentadas pelas empresas e entidades do setor, contribuindo para o aperfeiçoamento da regulação e das decisões governamentais.

O encontro reuniu representantes do governo e do setor de infraestrutura para discutir projetos, desafios regulatórios e perspectivas para os próximos anos.

STS10, no Porto de Santos, também entra em pauta

Questionado pelo presidente do Brasil Export, Fabrício Julião, sobre o terminal STS10, no Porto de Santos, o ministro destacou a relevância do projeto para ampliar a capacidade operacional do complexo portuário paulista.

Tomé Franca afirmou que o Ministério está preparado para dar continuidade ao processo assim que as etapas necessárias forem concluídas.

O projeto integra as discussões sobre a expansão da infraestrutura portuária e a capacidade de atendimento à demanda por movimentação de cargas no Porto de Santos.

Reunião contou com representantes do setor de transportes

Também participaram do encontro o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, e o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, além de representantes de órgãos vinculados ao Ministério e de instituições ligadas à infraestrutura.

A elaboração da carteira de projetos para 2027 reforça a intenção do governo de organizar uma agenda de longo prazo para os investimentos em portos e aeroportos, com foco na expansão da capacidade, na modernização das estruturas e na atração de capital para o setor.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sergio Francês/MPor

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Portos

Porto de Santos inicia abastecimento regular de navios com etanol e amplia mercado para biocombustível brasileiro

O Porto de Santos iniciou as operações regulares de abastecimento de navios com etanol, abrindo uma nova frente para o uso de combustíveis renováveis no transporte marítimo internacional. A iniciativa reúne a companhia de navegação CMA CGM, a comercializadora de açúcar e etanol Copersucar, a fornecedora de combustíveis marítimos Bunker One e a Autoridade Portuária de Santos (APS).

A primeira operação dessa nova etapa ocorreu em 19 de outubro, com o abastecimento do navio porta-contêineres CMA CGM IRON, com capacidade para 13 mil TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

A embarcação utiliza o primeiro motor tricombustível do mundo certificado para operar com etanol, o modelo Everllence-B&W G95ME-C10.5-LGIM.

Com a iniciativa, o porto paulista avança da fase experimental para um sistema de fornecimento comercial recorrente, reforçando o posicionamento do Brasil no mercado de combustíveis marítimos de baixo carbono. Novas operações com navios da CMA CGM e etanol fornecido pela Copersucar estão previstas até o fim do ano.

Etanol ganha espaço na transição energética do transporte marítimo

A adoção do biocombustível integra os esforços do setor de navegação para reduzir as emissões de carbono e diversificar as fontes de energia utilizadas pelas embarcações.

Segundo Giovani Grassi, CEO da CMA CGM no Brasil, a iniciativa representa um avanço na utilização comercial do etanol em operações marítimas.

Após a primeira experiência, realizada em julho, a companhia pretende demonstrar que o combustível pode ser empregado de maneira segura, confiável e em escala comercial. A estratégia também busca estimular a formação de uma cadeia de fornecimento voltada à descarbonização do transporte marítimo.

A movimentação ocorre em um mercado de grande dimensão. A demanda mundial por combustíveis para navios supera 270 bilhões de litros por ano. Considerando as diferenças de conteúdo energético entre os combustíveis, a substituição de 10% desse consumo poderia abrir um mercado potencial adicional de aproximadamente 50 bilhões de litros anuais de etanol.

Para a Copersucar, a operação representa uma oportunidade de ampliar os destinos comerciais do combustível brasileiro e conectar a capacidade produtiva nacional à demanda internacional por soluções energéticas renováveis.

O presidente da companhia, Tomás Manzano, destaca que a iniciativa estabelece um corredor de abastecimento marítimo com etanol e cria perspectivas para o crescimento do setor. Segundo ele, o Brasil já dispõe de produção, logística e escala para contribuir com a transformação energética da navegação.

Produção sustentável fortalece o etanol brasileiro

O combustível utilizado nas operações é fornecido pela Copersucar e conta com uma cadeia produtiva consolidada e certificada.

De acordo com as informações divulgadas pelas empresas, a expansão da cultura da cana-de-açúcar ocorre predominantemente sobre áreas de pastagens degradadas. A produção também está sujeita aos critérios de sustentabilidade do RenovaBio, programa brasileiro que estabelece parâmetros para a redução das emissões de gases de efeito estufa na cadeia dos biocombustíveis.

Essas características contribuem para posicionar o etanol brasileiro como uma alternativa renovável para setores que buscam reduzir a intensidade de carbono de suas operações.

A ampliação do uso do combustível na navegação depende, porém, de uma estrutura logística capaz de garantir o fornecimento contínuo, o armazenamento adequado e o abastecimento seguro das embarcações.

Cadeia logística conecta usinas ao Porto de Santos

A operação envolve diferentes empresas responsáveis por etapas complementares, desde a produção até a transferência do combustível para os navios.

O etanol produzido pelas usinas associadas à Copersucar é fornecido e transportado até o Porto de Santos pela Evolua Etanol, empresa integrante do ecossistema da companhia. No complexo portuário, o produto fica armazenado nos terminais da AGEO antes de seguir para o abastecimento das embarcações.

A etapa final ocorre no terminal da Santos Brasil, onde a Bunker One desenvolveu um protocolo específico para esse tipo de operação.

O procedimento foi elaborado após meses de estudos e treinamento das equipes, levando em conta características técnicas do etanol, especialmente seu baixo ponto de fulgor, que exige cuidados específicos no manuseio e na prevenção de incêndios.

Para Antônio Carlos Sepúlveda, diretor-presidente da Santos Brasil, receber esse tipo de abastecimento no Tecon Santos reforça o compromisso da empresa com a sustentabilidade logística e a redução da pegada de carbono de suas operações e das atividades de seus clientes.

Porto de Santos busca atrair operações marítimas de menor emissão

A participação na iniciativa também fortalece a posição do complexo portuário paulista como possível referência internacional no fornecimento de combustíveis alternativos.

Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One LatAm, afirma que a experiência brasileira com etanol pode ser aproveitada para atender à demanda global por alternativas aos combustíveis marítimos convencionais. Na avaliação do executivo, o Porto de Santos tem condições de atrair armadores interessados em reduzir suas emissões enquanto outros mercados ainda avançam na regulamentação desse tipo de abastecimento.

O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, também destacou a importância da iniciativa para o comércio marítimo internacional e para o desenvolvimento sustentável do setor.

O transporte marítimo responde por mais de 90% das transações comerciais globais, segundo a declaração de Pomini. Nesse contexto, a ampliação de alternativas energéticas pode contribuir para a redução das emissões associadas à circulação internacional de mercadorias.

Frota preparada para combustíveis alternativos pode ampliar demanda

As perspectivas para o mercado de etanol como combustível marítimo também estão relacionadas à evolução da frota mundial.

Dados da sociedade classificadora Det Norske Veritas (DNV) indicam que 159 embarcações já operam com motores preparados para metanol, tecnologia que pode permitir o uso de etanol. Além disso, mais de 450 novos navios equipados com esse tipo de motor têm entrega prevista até 2030.

A expansão dessa frota pode aumentar a demanda potencial por combustíveis alternativos e estimular investimentos em infraestrutura de abastecimento, armazenamento e distribuição.

Com operações regulares no Porto de Santos, o Brasil passa a explorar uma nova possibilidade de aplicação comercial para o etanol, aproveitando sua capacidade de produção e sua estrutura logística para atender às necessidades de descarbonização do transporte marítimo.

FONTE: Comunique-se Portal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Comunique-se Portal

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Transporte

Copersucar fecha primeiro contrato mundial para abastecimento de navios com etanol

A Copersucar firmou o primeiro contrato mundial para o fornecimento comercial regular de etanol como combustível para navios, com operações no Porto de Santos, no litoral paulista. A empresa pretende ampliar o volume abastecido para 200 milhões de litros em 2027, apostando no biocombustível como alternativa para reduzir as emissões do transporte marítimo.

A previsão para os últimos meses de 2026 é realizar pelo menos sete abastecimentos, com consumo total de aproximadamente 10 milhões de litros. A estimativa foi apresentada pelo CEO da companhia, Tomás Manzano, que destacou o avanço da iniciativa após cerca de dois anos de desenvolvimento e testes.

Porto de Santos inicia abastecimento comercial regular com etanol

A operação é resultado de um trabalho técnico que incluiu uma etapa-piloto realizada em julho de 2026, quando foram avaliados aspectos de segurança, procedimentos operacionais e parâmetros técnicos do abastecimento.

O projeto reúne a Copersucar, a CMA CGM, grupo internacional de transporte marítimo e logística, a Bunker One, empresa especializada na comercialização de combustíveis marítimos e subsidiária da dinamarquesa Bunker Holding, e a Autoridade Portuária de Santos (APS).

Segundo Manzano, outras empresas já haviam realizado testes com etanol na navegação. O diferencial da iniciativa é a formalização de um contrato para abastecimentos comerciais recorrentes, transformando a experiência inicial em uma operação regular.

O avanço coloca o Porto de Santos e o Brasil em posição de destaque no desenvolvimento de soluções de menor impacto climático para o transporte marítimo.

Copersucar projeta 200 milhões de litros de etanol em 2027

A meta da companhia é alcançar 200 milhões de litros de etanol destinados ao abastecimento de navios em 2027. O volume representa 20 vezes a quantidade prevista para o período final de 2026.

De acordo com o executivo, a projeção ainda está em fase de planejamento e dependerá da evolução da operação e das condições de mercado.

A expectativa de crescimento está relacionada ao interesse global por alternativas aos combustíveis fósseis, especialmente diante da pressão para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de navegação.

Mercado marítimo pode demandar 50 bilhões de litros de etanol

O potencial de mercado ultrapassa as fronteiras brasileiras. Segundo Manzano, o transporte marítimo consome atualmente cerca de 270 milhões de toneladas de combustíveis fósseis por ano.

Caso 10% desse consumo seja substituído por etanol, a demanda equivalente poderá atingir 50 bilhões de litros do biocombustível, volume superior à produção brasileira de etanol, estimada pelo executivo em aproximadamente 37 bilhões de litros.

Para que essa substituição avance, três fatores serão determinantes: competitividade de preços, disponibilidade de motores compatíveis com combustíveis renováveis e pressão regulatória e comercial para reduzir as emissões.

A navegação responde por cerca de 3% das emissões globais, segundo Manzano, e enfrenta desafios para diminuir sua contribuição para as mudanças climáticas.

O executivo avalia que a compatibilidade tecnológica deixou de ser um obstáculo relevante. O navio utilizado nas operações pode funcionar com etanol, metanol ou combustível marítimo fóssil, conhecido como bunker.

Etanol pode reduzir emissões de carbono em 75%

Um dos principais argumentos a favor do uso do biocombustível é seu potencial de redução das emissões. Segundo a Copersucar, o etanol pode diminuir em aproximadamente 75% as emissões de carbono em comparação com o combustível marítimo fóssil.

A competitividade econômica, entretanto, ainda representa um desafio. Em uma comparação direta entre os combustíveis, o etanol apresenta preço superior ao da alternativa fóssil.

De acordo com Manzano, a conta pode mudar caso a redução das emissões seja monetizada por meio de créditos de carbono. Dependendo das condições comerciais, essa receita pode compensar a diferença de custo entre os combustíveis.

Etanol de cana tem cadeia produtiva consolidada no Brasil

O produto utilizado no abastecimento em Santos é o etanol anidro de cana-de-açúcar, o mesmo tipo empregado na mistura com a gasolina comercializada no país.

A Copersucar aponta diferentes caminhos para ampliar a oferta do biocombustível, incluindo ganhos de produtividade agrícola, expansão da produção de etanol de milho e aumento da capacidade instalada das usinas.

A empresa também destaca a existência de uma cadeia produtiva consolidada e certificada. Entre os fatores considerados estão o potencial de expansão do cultivo de cana em áreas de pastagens degradadas e os critérios de sustentabilidade do RenovaBio, programa brasileiro de incentivo aos biocombustíveis.

Esses aspectos podem contribuir para ampliar a disponibilidade do produto à medida que a demanda por combustíveis marítimos de menor intensidade de carbono crescer.

Copersucar planeja levar abastecimento com etanol a Singapura e aos EUA

Além do mercado brasileiro, a companhia pretende viabilizar operações de abastecimento de navios com etanol em Singapura e nos Estados Unidos a partir de 2027. Até o momento, não foram divulgadas estimativas de volume para esses mercados.

A expansão internacional depende de ajustes nas regras locais, atualização das especificações técnicas e obtenção das autorizações necessárias junto às autoridades portuárias.

Segundo Manzano, a experiência desenvolvida no Brasil contribuiu para estruturar a operação em Santos. Para avançar em outros países, porém, será necessário concluir as etapas regulatórias e operacionais exigidas em cada mercado.

A iniciativa representa uma nova oportunidade para o etanol brasileiro no setor de combustíveis marítimos sustentáveis, embora a expansão dependa da viabilidade econômica, da infraestrutura disponível e das condições regulatórias internacionais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: divulgação/Copersucar

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Notícias

KC-390 da FAB cruza 1.700 km do Atlântico em missão após incêndio em cargueiro

Um avião KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB) percorreu aproximadamente 1.700 quilômetros sobre o Atlântico Sul em uma missão de busca e salvamento relacionada a um incêndio a bordo do navio cargueiro Espírito Santo Express. A embarcação, que navegava de Singapura para o Porto de Santos, teve de ser evacuada, e seus 28 tripulantes foram resgatados por um navio mercante português. Durante a operação de socorro, porém, um oficial da embarcação de resgate caiu no mar e desapareceu.

A aeronave militar, de matrícula FAB2860, decolou do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, na madrugada de 16 de outubro. O deslocamento foi realizado para atender à emergência em uma área distante da costa brasileira.

KC-390 da FAB foi acionado para missão de busca e salvamento

Pertencente ao Esquadrão Gordo (1º/1º GT), o KC-390 da FAB voou por cerca de três horas até a região da última posição conhecida do cargueiro. A aeronave recebeu o indicativo SAR60, utilizado em operações de Search and Rescue, expressão em inglês para busca e salvamento.

O ponto informado para a localização do Espírito Santo Express ficava a aproximadamente 1.700 quilômetros do Rio de Janeiro. A distância e a localização em mar aberto tornavam a operação especialmente complexa, exigindo a mobilização de recursos aéreos e marítimos.

Fabricado pela Embraer, o KC-390 Millennium é utilizado pela Força Aérea Brasileira no transporte de tropas, cargas e equipamentos, além de missões humanitárias e de apoio a emergências. Nesse caso, o avião foi empregado em uma operação de salvamento no Atlântico Sul.

Navio português resgatou os 28 tripulantes do cargueiro

De acordo com informações do Gabinete de Investigação de Acidentes Marítimos de Portugal (GAMA), o navio mercante português Aeolian Arrow foi designado pelo Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo do Rio de Janeiro para atuar na ocorrência.

A embarcação conseguiu retirar todos os 28 tripulantes do Espírito Santo Express. Desse total, 19 pessoas foram resgatadas de uma embarcação salva-vidas, enquanto as outras nove estavam em uma balsa.

O resgate marítimo ocorreu em 15 de outubro, conforme o registro da autoridade portuguesa. No dia seguinte, foi divulgada a mobilização do KC-390 brasileiro para uma missão aérea de busca e salvamento relacionada à mesma emergência.

A atuação conjunta dos recursos envolvidos permitiu retirar a tripulação do cargueiro da situação de perigo em alto-mar.

Oficial desapareceu durante operação de recuperação de bote

Apesar do salvamento dos tripulantes, a operação terminou com o desaparecimento de um integrante da equipe de socorro. Segundo o GAMA, o imediato do Aeolian Arrow caiu no oceano enquanto a tripulação tentava içar uma embarcação de salvamento de volta ao navio.

As condições do mar e as correntes provocaram movimentos bruscos durante a manobra. Após a queda, os demais tripulantes lançaram boias e prepararam uma rede de carga para tentar retirar o oficial da água.

O homem chegou a ser avistado com vida, mas não conseguiu permanecer segurando os equipamentos de resgate. Depois de perder o contato com os dispositivos por repetidas vezes, ele desapareceu sob a superfície.

As circunstâncias do episódio estão sendo investigadas pelas autoridades marítimas portuguesas.

Espírito Santo Express tem capacidade para 11,8 mil contêineres

O Espírito Santo Express é um navio porta-contêineres que navega sob bandeira de Singapura. Informações da empresa W.E. Cox Claims Group indicam que a embarcação foi construída em 2018, possui arqueação bruta de 113.828 e capacidade nominal para transportar 11.800 TEUs, medida equivalente a contêineres de 20 pés.

Identificado pelo número IMO 9793923, o navio era anteriormente conhecido como Seaspan Harrier. A viagem que terminou na emergência teve início em Singapura, em 25 de setembro, e tinha o Porto de Santos, no litoral paulista, como destino.

A chegada estava prevista para 18 de outubro. No entanto, problemas a bordo, associados a relatos de uma possível explosão seguida de incêndio, comprometeram a viagem e levaram à evacuação da tripulação.

Hapag-Lloyd acompanha danos e impactos na carga

A companhia marítima Hapag-Lloyd, que utiliza a embarcação, confirmou a ocorrência do incêndio e informou que todos os tripulantes estavam em segurança após o resgate. A empresa também comunicou que os danos provocados pelo incidente ainda estavam sendo avaliados.

Entre os pontos em análise estão a extensão do incêndio, as condições dos contêineres transportados e os possíveis efeitos sobre a operação do navio e a carga destinada ao Brasil. A proprietária da embarcação, Seaspan, também acompanha o caso.

A ocorrência mobilizou recursos da Força Aérea Brasileira e de embarcações mercantes em uma área remota do Atlântico Sul. Embora os 28 tripulantes do cargueiro tenham sido retirados com segurança, o desaparecimento do imediato do navio português permanece como um dos desdobramentos mais graves da operação.

FONTE: Sociedade Militar e AeroIn
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Sociedade Militar

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Notícias

Incêndio atinge navio MV Espírito Santo Express durante viagem para Santos

Todos os tripulantes estão em segurança e foram contabilizados, enquanto equipes atuam no controle do incêndio e avaliam possíveis impactos sobre as cargas e as operações do navio | IMAGEM ILUSTRATIVA

Um incêndio a bordo do navio MV Espírito Santo Express foi registrado enquanto a embarcação seguia de Singapura para o Porto de Santos, no litoral paulista. A informação foi divulgada pela companhia de navegação Hapag-Lloyd, que acompanha o caso em contato direto com a Seaspan, proprietária principal do navio.

Tripulação está em segurança

De acordo com as informações repassadas pela Seaspan à Hapag-Lloyd, todos os tripulantes estão em segurança e foram devidamente contabilizados. As equipes responsáveis estão adotando as medidas necessárias para controlar a ocorrência.

Impactos sobre a carga ainda são avaliados

Até o momento, não há uma avaliação definitiva sobre a dimensão do incêndio. As possíveis consequências para as cargas transportadas e para as operações do navio continuam sendo analisadas.

A Hapag-Lloyd informou que monitora de perto a evolução da situação e que divulgará novas informações assim que houver atualizações confirmadas.

Orientação aos clientes

Clientes que desejarem esclarecimentos sobre suas remessas marítimas devem entrar em contato com a equipe de atendimento da Hapag-Lloyd em sua região. O canal está disponível para prestar informações e auxiliar em eventuais dúvidas relacionadas aos embarques.

FONTE: Hapag-Lloyd
TEXTO: Redação
IMAGEM: Osvaldo Traversaro/IMAGEM ILUSTRATIVA

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Portos

Porto de Santos concentra 70,7% das exportações de café do Brasil em 2026

O Porto de Santos, no litoral paulista, foi responsável pelo embarque de 70,7% do café brasileiro exportado entre janeiro e setembro de 2026. No período, o terminal movimentou 20,5 milhões de sacas de 60 quilos destinadas ao mercado internacional, consolidando sua liderança na logística de exportação do produto.

Os números foram divulgados na sexta-feira (9) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que apontou o complexo santista como o principal ponto de saída do café nacional.

Porto de Santos lidera exportações de café

No ranking dos principais portos utilizados para a exportação de café, Santos aparece à frente do complexo portuário do Rio de Janeiro, responsável por 25,2% dos embarques, e do Porto de Paranaguá, no Paraná, que respondeu por 1,1% do total.

Apesar da liderança, a participação de Santos apresentou uma leve queda de 0,2 ponto percentual em relação ao levantamento anterior. No mesmo intervalo, o complexo portuário fluminense avançou de 24,9% para 25,2%, ampliando sua presença nas exportações brasileiras de café.

Embarques de café recuam em setembro

Em setembro de 2026, o Porto de Santos embarcou 2,78 milhões de sacas de café. O volume ficou abaixo dos 2,95 milhões registrados em agosto, representando uma redução de aproximadamente 5,8% na movimentação mensal.

Mesmo com a queda, o terminal paulista continuou concentrando a maior parte dos embarques do produto brasileiro para o exterior.

Exportações brasileiras de café somam 29 milhões de sacas

O Brasil exportou 3,89 milhões de sacas de café em setembro, resultado 3,1% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Considerando o período de janeiro a setembro de 2026, o volume total das exportações de café alcançou 29,09 milhões de sacas de 60 quilos, reforçando a presença do país no comércio internacional da commodity.

Estados Unidos lideram destinos do café brasileiro

Os Estados Unidos foram o principal destino do café brasileiro nos nove primeiros meses de 2026. A Alemanha e a Itália também se destacaram entre os maiores compradores, conforme os dados divulgados.

Confira os cinco principais mercados do café brasileiro no período:

  • Estados Unidos: 3,80 milhões de sacas;
  • Alemanha: 3,30 milhões de sacas;
  • Itália: 2,59 milhões de sacas;
  • Bélgica: 2,46 milhões de sacas;
  • Japão: 1,45 milhão de sacas.

Os números evidenciam a importância do Porto de Santos para o escoamento da produção nacional e para o abastecimento dos principais mercados consumidores de café no exterior.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: ACS/Divulgação

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Sustentabilidade

Monitoramento ambiental nos portos brasileiros contribui para proteger a vida marinha

O monitoramento ambiental portuário é uma ferramenta importante para preservar a biodiversidade nas regiões costeiras e nos estuários brasileiros. Por meio de estudos e acompanhamento contínuo da fauna, as autoridades portuárias buscam identificar mudanças nos ecossistemas, avaliar os efeitos das operações e orientar medidas de conservação da vida marinha.

Tartarugas, golfinhos, aves e diferentes organismos aquáticos estão entre as espécies observadas nesses programas. As ações variam conforme as características de cada região e incluem levantamentos de fauna, identificação de espécies exóticas e acompanhamento das condições ambientais.

Os dados coletados ajudam a compreender a dinâmica dos ecossistemas e fornecem subsídios para reduzir possíveis impactos das atividades portuárias sobre a natureza.

Porto de Santos realiza monitoramento da fauna e da biota aquática

No Porto de Santos, no litoral de São Paulo, os programas ambientais abrangem o acompanhamento da biota aquática, das aves, das espécies marinhas exóticas e da atividade pesqueira.

Entre as iniciativas está o monitoramento de tartarugas marinhas na região do canal de navegação. Os levantamentos registram a presença desses animais em diferentes pontos do estuário e observam bancos de sedimentos que podem funcionar como áreas de alimentação.

O trabalho também permite reunir informações para avaliar possíveis interferências das operações portuárias sobre esses animais e seus habitats.

Outro eixo de atuação é o estudo da avifauna, que analisa a diversidade e a quantidade de aves presentes na região. Já o programa de espécies exóticas acompanha a biota aquática do estuário para identificar organismos não nativos e avaliar os riscos que sua presença pode representar para o equilíbrio ambiental.

O monitoramento da atividade pesqueira complementa as ações, ampliando o conhecimento sobre as relações entre as atividades humanas e os ecossistemas locais.

Portos do Paraná acompanham fauna marinha e áreas de manguezal

Nos portos de Paranaguá e Antonina, no Paraná, as ações de conservação ambiental incluem o acompanhamento da fauna marinha, dos quelônios — grupo que abrange tartarugas e outros répteis —, dos manguezais e da qualidade da água.

Os programas também contemplam a recuperação de áreas degradadas e o desenvolvimento de projetos socioambientais em parceria com comunidades do litoral paranaense.

Essas iniciativas contribuem para a preservação dos habitats costeiros e para a identificação de alterações ambientais que possam exigir medidas específicas de proteção.

Ao integrar o monitoramento da fauna, a avaliação da água e a recuperação de áreas naturais, os projetos buscam conciliar as atividades portuárias com a conservação dos recursos naturais.

Ministério de Portos e Aeroportos incentiva práticas sustentáveis

As iniciativas de monitoramento estão alinhadas às diretrizes de sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que incentiva a adoção de práticas ambientais nos setores portuário, hidroviário e aeroportuário.

A orientação é incorporar a proteção ambiental ao planejamento e à expansão da infraestrutura, estimulando medidas de conservação dos recursos naturais e de redução dos impactos das operações.

Entre as iniciativas promovidas pelo ministério está o Pacto pela Sustentabilidade, que incentiva empresas públicas e privadas a assumir compromissos relacionados às práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).

A proposta é ampliar a participação do setor produtivo na adoção de medidas sustentáveis, fortalecendo a integração entre desenvolvimento econômico, responsabilidade socioambiental e preservação dos ecossistemas.

Monitoramento ambiental fortalece a conservação costeira

O acompanhamento sistemático da fauna e das condições ambientais permite identificar alterações nos ecossistemas e produzir informações que auxiliam na tomada de decisões.

Nos portos brasileiros, essas ações contribuem para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e orientar medidas destinadas a minimizar os efeitos das atividades econômicas sobre os ambientes naturais.

A integração entre gestão portuária sustentável, pesquisa ambiental e participação das comunidades representa uma estratégia para conciliar a movimentação de cargas com a proteção da vida marinha e dos ecossistemas costeiros.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Santos

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Portos

Biometano substitui diesel em caminhões que transportam açúcar ao Porto de Santos

Mais de 70 caminhões utilizam biometano produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar para transportar açúcar de usinas do interior de São Paulo até o Porto de Santos. A iniciativa faz parte da operação BioRota, desenvolvida pela Copersucar, que busca reduzir o consumo de combustíveis fósseis no transporte de cargas.

O projeto foi apresentado pela empresa em maio de 2026, mas as viagens começaram em abril de 2024. Até março de 2026, os veículos haviam percorrido aproximadamente 11 milhões de quilômetros e transportado cerca de 600 mil toneladas de açúcar. Segundo a companhia, a operação permitiu substituir aproximadamente 5 milhões de litros de diesel.

Resíduos da cana são transformados em combustível

O biometano utilizado pela frota é produzido em unidades da Cocal localizadas em Narandiba e Paraguaçu Paulista, no interior paulista.

O processo aproveita resíduos orgânicos gerados durante a fabricação de açúcar e etanol para produzir o gás utilizado como combustível nos caminhões. Dessa forma, materiais que sobram do processamento da cana-de-açúcar ganham uma nova aplicação na cadeia logística do setor sucroenergético.

A iniciativa integra a produção agrícola, o aproveitamento de resíduos industriais e o transporte de mercadorias, oferecendo uma alternativa ao diesel convencional no deslocamento da produção até o terminal portuário.

Tecnologia permite substituir parte do diesel por etanol

Outra solução para reduzir o consumo de combustíveis fósseis em máquinas e veículos pesados foi desenvolvida pela Bosch no Brasil. O sistema Dual Fuel permite utilizar etanol em conjunto com diesel em equipamentos agrícolas e veículos empregados em operações fora de estrada.

A tecnologia funciona por meio de uma injeção separada de etanol, mantendo o diesel como parte do sistema de alimentação do motor. Conforme a fabricante, a substituição média do combustível fóssil pode chegar a 35%, dependendo das características do motor e das condições de operação.

Sistema pode ser instalado em máquinas já utilizadas

Um dos diferenciais do sistema Dual Fuel é a possibilidade de adaptação de equipamentos que já estão em atividade. Com isso, a tecnologia pode ser incorporada à frota existente, sem a necessidade de substituir as máquinas por modelos novos.

O operador também pode desativar o sistema e continuar utilizando exclusivamente o diesel, conforme a necessidade do trabalho.

Entre as aplicações divulgadas pela Bosch estão colhedoras agrícolas e caminhões de grande porte utilizados fora das rodovias, equipamentos comuns em atividades que exigem elevada capacidade de transporte e operação contínua.

Biocombustíveis ampliam alternativas para o transporte e o agronegócio

As iniciativas da Copersucar e da Bosch demonstram duas possibilidades de aproveitamento de fontes renováveis para reduzir o consumo de diesel em atividades ligadas ao agronegócio.

Enquanto a operação BioRota utiliza o biometano gerado a partir de resíduos orgânicos, o sistema Dual Fuel permite substituir parte do diesel por etanol em máquinas e veículos pesados.

As duas soluções aplicam combustíveis associados à cadeia da cana-de-açúcar em diferentes etapas da produção e da logística, ampliando as alternativas tecnológicas disponíveis para o setor.

FONTE: Brasil do Trecho
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brasil do Trecho

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Portos

Porto de Santos concentra 70,7% das exportações brasileiras de café em 2026

O Porto de Santos foi responsável por mais de 70% das exportações brasileiras de café entre janeiro e setembro de 2026, consolidando sua liderança na logística do setor cafeeiro. No período, o complexo portuário embarcou 20,573 milhões de sacas de 60 quilos, o equivalente a 70,7% de todo o café enviado pelo Brasil ao mercado internacional.

Os dados fazem parte do relatório estatístico mensal divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que também aponta mudanças no desempenho das exportações, na receita obtida pelo setor e nos principais destinos do produto nacional.

Portos do Rio de Janeiro e Paranaguá aparecem na sequência

Depois de Santos, o Porto do Rio de Janeiro ocupa a segunda posição entre os principais pontos de saída do café brasileiro. De janeiro a setembro, o terminal respondeu por 25,2% dos embarques, com 7,335 milhões de sacas.

O Porto de Paranaguá, no Paraná, aparece em terceiro lugar, com 312.128 sacas exportadas, correspondentes a 1,1% do volume nacional.

A concentração das operações em Santos reforça a importância da infraestrutura portuária paulista para o escoamento da produção cafeeira e para o atendimento da demanda internacional.

Exportações de café crescem em setembro, mas receita recua

Em setembro de 2026, o Brasil exportou 3,894 milhões de sacas de café, volume 3,1% superior às 3,778 milhões de sacas registradas no mesmo mês de 2025.

Apesar do aumento na quantidade embarcada, o faturamento com as vendas externas caiu 7,1%, totalizando US$ 1,282 bilhão.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a recuperação das exportações no mês está diretamente relacionada à retomada das compras dos Estados Unidos, após a redução das incertezas envolvendo as tarifas comerciais aplicadas ao café brasileiro.

O governo norte-americano havia retirado, em novembro de 2025, a taxação sobre a maior parte do café verde brasileiro. O café solúvel, entretanto, continuou sujeito à tarifa até julho de 2026.

Ferreira destacou a atuação conjunta do Cecafé, de outras entidades do setor, da National Coffee Association (NCA) e do governo brasileiro para preservar a isenção do café verde e incluir o produto solúvel nas listas de exceção tarifária.

Compras dos Estados Unidos avançam 86,4% em setembro

Com maior clareza nas regras comerciais, os Estados Unidos ampliaram significativamente as aquisições de café brasileiro.

Em setembro, o mercado norte-americano importou 625.192 sacas, alta de 86,4% na comparação com as 335.339 sacas compradas no mesmo período do ano anterior.

A recuperação contribuiu para recolocar os Estados Unidos na liderança entre os destinos do café nacional no acumulado de 2026, superando a Alemanha.

O desempenho também ajudou a compensar as dificuldades enfrentadas no início da entrada da nova safra brasileira no mercado internacional.

Embarques aumentam 15,5% no primeiro trimestre da safra 2026/27

O resultado de setembro impulsionou o desempenho das exportações no primeiro trimestre do ano-safra 2026/27, que compreende os meses de julho, agosto e setembro.

Nesse intervalo, o Brasil embarcou 11,21 milhões de sacas, crescimento de 15,5% em relação às 9,707 milhões de sacas exportadas no mesmo trimestre de 2025.

A receita cambial do período também apresentou avanço, embora mais moderado, de 0,8%, alcançando US$ 3,561 bilhões.

De acordo com o cenário apresentado pelo Cecafé, os embarques da nova safra enfrentaram atrasos iniciais provocados pelas chuvas durante a colheita, especialmente em julho. A partir de agosto, porém, o ritmo das exportações começou a se normalizar.

A expectativa da entidade é que o volume exportado ao longo de 2026 supere o resultado do ano anterior, impulsionado pela recuperação dos embarques e pela entrada de novos lotes no mercado externo.

Volume exportado permanece estável no acumulado do ano

Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações brasileiras de café somaram 29,095 milhões de sacas, resultado praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025, com variação negativa de apenas 0,2%.

O faturamento, por outro lado, apresentou retração mais expressiva. A receita cambial caiu de US$ 11,065 bilhões para US$ 10,113 bilhões, recuo de 8,6%.

A diferença entre o desempenho do volume e o da receita está associada principalmente à redução das cotações internacionais do café. Outros fatores incluem problemas de qualidade nos primeiros lotes de café arábica, afetados pelas chuvas, e uma participação maior dos cafés canéforas, como conilon e robusta, na composição das exportações.

Como essas variedades apresentam preço médio inferior ao do arábica, a mudança no perfil dos embarques também contribuiu para diminuir o valor obtido por saca exportada.

Estados Unidos retomam liderança entre os compradores de café brasileiro

No acumulado de janeiro a setembro, os Estados Unidos voltaram a ocupar o primeiro lugar entre os principais destinos do café brasileiro.

Confira os cinco maiores mercados compradores no período:

  • Estados Unidos: 3,805 milhões de sacas, equivalentes a 13,1% das exportações nacionais. Apesar da liderança, o volume caiu 12,8% em relação a 2025.
  • Alemanha: 3,307 milhões de sacas, representando 11,4% do total exportado.
  • Itália: 2,597 milhões de sacas, com crescimento de 11,6%.
  • Bélgica: 2,463 milhões de sacas, avanço de 44,5%.
  • Japão: 1,451 milhão de sacas, queda de 23,3%.

A recuperação das compras norte-americanas nos últimos meses foi decisiva para a mudança no ranking dos principais destinos. Ao mesmo tempo, o crescimento das exportações para países europeus, especialmente Bélgica e Itália, demonstra a importância da diversificação dos mercados consumidores.

Porto de Santos mantém papel estratégico para o café brasileiro

Com 20,573 milhões de sacas embarcadas nos nove primeiros meses do ano, o Porto de Santos permanece como principal corredor logístico das exportações brasileiras de café.

A liderança do terminal ocorre em um cenário de recuperação gradual dos embarques, mudanças na demanda internacional e redução da receita cambial em comparação com 2025.

Os próximos meses serão importantes para avaliar se a normalização do fluxo da nova safra e a retomada das compras dos Estados Unidos permitirão ao Brasil ampliar o volume exportado até o encerramento de 2026.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vanessa Rodrigues/Arquivo AT

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