Internacional

Missão à China e Singapura amplia interesse asiático em projetos de infraestrutura do Brasil

A missão internacional do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, terminou nesta sexta-feira (28), em Singapura, com avaliação positiva sobre o interesse de empresas e investidores asiáticos na infraestrutura brasileira.

Iniciada na China, a agenda passou por Pequim e Xangai antes de chegar a Singapura. Durante a viagem, o ministro apresentou a carteira de projetos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e discutiu possibilidades de investimentos nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário, incluindo empreendimentos previstos para 2026 e 2027.

Ambiente brasileiro atrai investidores asiáticos

Na avaliação de Tomé Franca, o interesse demonstrado pelas empresas está relacionado à segurança institucional e regulatória oferecida pelo Brasil, além da qualidade dos projetos apresentados pelo governo.

Segundo o ministro, a estruturação de empreendimentos capazes de atender às necessidades de infraestrutura do País é um dos fatores que contribuem para tornar o mercado brasileiro mais atrativo aos investidores internacionais.

Franca também destacou que a expansão dos investimentos precisa estar apoiada em um planejamento de longo prazo. Nesse contexto, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes nas próximas décadas.

A proposta é utilizar o planejamento para orientar projetos e promover maior integração entre os diferentes modais de transporte, aumentando a eficiência da logística nacional.

Empresas chinesas avaliam projetos brasileiros

Durante a passagem pela China, representantes do governo brasileiro participaram de reuniões com grandes empresas e instituições financeiras asiáticas.

Entre os grupos que estiveram na agenda estão a CSCEC, CCCC, China Merchants Port Holdings, COFCO, Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping. O ministro também se reuniu com representantes do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira ligada ao Brics.

A carteira apresentada pelo MPor reúne projetos de concessões portuárias e hidroviárias, além de iniciativas destinadas à expansão da infraestrutura aeroportuária.

No setor hidroviário, estão previstos seis projetos envolvendo as hidrovias dos rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Paraguai, além da Hidrovia Verde e do sistema Lagoa Mirim.

A lista também contempla concessões dos canais de acesso aos portos de Rio Grande, Santos e Itajaí.

PSA International mantém presença no Brasil

Em Singapura, Tomé Franca se reuniu com executivos da PSA International, uma das maiores operadoras portuárias e empresas de logística do mundo.

A companhia movimentou mais de 105 milhões de TEUs em 2025 e possui operações no Brasil por meio da Exologística Brasil, em Itajaí, Santa Catarina.

O encontro serviu para ampliar o diálogo com uma empresa que já atua no País e discutir novas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento da logística portuária.

Porto de Tuas mostra operação portuária automatizada

Ainda em Singapura, o ministro visitou o Porto de Tuas, administrado pela PSA International. Durante a visita técnica, conheceu uma operação portuária com alto nível de automação.

O projeto tem conclusão prevista para 2040 e deverá alcançar capacidade de movimentação de até 65 milhões de TEUs por ano.

A estrutura incorpora tecnologias de automação, digitalização e sustentabilidade. O terminal também está sendo preparado para receber os maiores navios porta-contêineres do mundo e enfrentar impactos relacionados à elevação do nível do mar.

Entre as soluções previstas está o reaproveitamento de materiais provenientes de atividades de dragagem e escavação.

Brasil e Singapura firmam acordo para corredor verde e digital

A agenda em Singapura também resultou na assinatura de um Memorando de Entendimento entre o MPor, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ministério dos Transportes de Singapura.

O acordo estabelece uma estrutura de cooperação para a criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países.

A iniciativa prevê ações voltadas à descarbonização e digitalização do transporte marítimo, incluindo estudos sobre combustíveis com baixa ou nenhuma emissão de gases de efeito estufa.

Também estão previstas atividades de pesquisa e desenvolvimento, avaliação de instrumentos financeiros e intercâmbio de informações entre as instituições envolvidas.

Governo avalia missão como positiva

No balanço da viagem, Tomé Franca afirmou que a missão permitiu estreitar o relacionamento com empresas asiáticas que já possuem negócios no Brasil e, ao mesmo tempo, apresentar a novos investidores as oportunidades disponíveis na carteira do MPor.

A avaliação do ministro é de que a agenda abriu espaço para novas parcerias e reforçou o potencial brasileiro para atrair capital estrangeiro destinado à modernização da infraestrutura de transportes.

Para o governo, a aproximação com investidores asiáticos pode contribuir para ampliar a capacidade logística do Brasil e acelerar projetos considerados estratégicos para os próximos anos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Portos

Temporada de cruzeiros 2026/2027 começa em novembro no Porto de Santos

A temporada de cruzeiros 2026/2027 terá início em 6 de novembro no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, em Outeirinhos, em Santos. As operações estão previstas até 4 de abril de 2027.

Responsável por cerca de 60% dos embarques de cruzeiros realizados no Brasil, o terminal espera movimentar 913 mil passageiros durante os 97 dias de operação previstos para a temporada. Segundo estimativa baseada em estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), o setor gera impacto econômico de aproximadamente R$ 1,5 milhão para Santos e a Baixada Santista.

Buenavista será o primeiro navio da temporada

O primeiro navio programado para atracar no Porto de Santos será o Buenavista, da companhia espanhola Corazul Cruzeiros. A embarcação fará sua estreia no mercado brasileiro em 6 de novembro.

Com capacidade para aproximadamente 2 mil passageiros, o navio tem 36 escalas previstas no porto santista. Os roteiros terão duração de três, quatro, cinco e sete noites, com embarques em Santos e no Rio de Janeiro.

Para o gerente de operações do Concais, Javier Humberto Carnevale, a chegada da nova companhia representa uma ampliação da oferta no mercado brasileiro.

A entrada da Corazul Cruzeiros, segundo ele, contribui para diversificar os roteiros disponíveis aos passageiros e reforça a confiança das armadoras no potencial do mercado de cruzeiros no Brasil.

MSC Cruzeiros terá dois navios em novembro

A programação do mês também inclui dois navios da MSC Cruzeiros. No dia 15 de novembro, estão previstas as chegadas do MSC Musica e do MSC Divina.

O MSC Musica tem capacidade para cerca de 3.200 passageiros e deverá realizar 17 escalas no Porto de Santos. Já o MSC Divina comporta aproximadamente 4,3 mil passageiros e tem 38 atracações programadas.

Outro destaque de novembro será o Costa Diadema, da Costa Cruzeiros, que deverá chegar ao terminal no dia 23.

Com capacidade para 5 mil passageiros, o navio terá 26 escalas em Santos e participará pela quinta vez de uma temporada na América do Sul.

MSC Seaview e MSC Virtuosa também estão na programação

O MSC Seaview, segundo maior navio previsto para a temporada, tem chegada programada para 29 de novembro. A embarcação comporta cerca de 5.300 passageiros e deverá realizar 16 atracações no terminal.

Já em 2 de dezembro será a vez do MSC Virtuosa, que fará sua estreia no Brasil. Com capacidade para aproximadamente 6.300 passageiros, o navio terá 19 escalas no Concais.

A embarcação está entre as maiores e mais modernas da frota da MSC Cruzeiros.

Terminal terá 10 navios durante a temporada

Ao longo da temporada de cruzeiros 2026/2027, o Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini deverá receber dez navios.

Desse total, seis terão operações regulares, com embarque e desembarque de passageiros em Santos. Outros quatro atuarão exclusivamente em trânsito.

Os navios de trânsito costumam chegar pela manhã e permanecer no terminal durante parte do dia. Nesse período, passageiros, principalmente estrangeiros, podem desembarcar para conhecer Santos e retornar à embarcação antes da retomada da viagem.

Porto de Santos deve receber 913 mil passageiros

A previsão do Concais é de 414 mil embarques e 404 mil desembarques durante a temporada. Somados aos passageiros em trânsito, os números chegam a uma movimentação estimada de 913 mil pessoas.

O volume representa um crescimento de 10% em relação à temporada 2025/2026.

Entre os passageiros em trânsito, a estimativa é de 95 mil pessoas. Desse grupo, aproximadamente 91 mil serão brasileiros e 4 mil, estrangeiros.

O movimento esperado reforça a importância dos cruzeiros marítimos para a economia de Santos, além dos reflexos sobre o comércio, turismo, transporte e serviços da Baixada Santista.

Concais orienta passageiros antes do embarque

O gerente de operações do Concais também recomenda que os passageiros se informem antecipadamente sobre os horários e procedimentos necessários para o embarque.

Além de chegar ao terminal no horário indicado, é importante conferir a documentação exigida. Para viagens com menores de idade nos países do Mercosul, também devem ser observadas as regras específicas para autorização e documentação.

A orientação do terminal é que os passageiros procurem os agentes de viagem para confirmar todos os procedimentos antes do embarque e evitar imprevistos.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vanessa Rodrigues/Arquivo AT

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Logística

Terceira Rodovia dos Imigrantes avança e projeto executivo entra na fase final

O projeto executivo da terceira Rodovia dos Imigrantes está próximo de ser concluído, informou a concessionária Ecovias-Imigrantes. Após a finalização, o documento será encaminhado à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), responsável pela análise e aprovação do projeto e pela definição do valor estimado para a execução da obra.

A nova ligação entre o Planalto e a Baixada Santista foi planejada para reduzir a sobrecarga no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI). A expectativa é melhorar o deslocamento de veículos de passeio e ampliar a eficiência do transporte de cargas com destino à região e ao Porto de Santos.

Licenciamento ambiental já começou

A obra já conta com a Licença Ambiental Prévia, emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em março deste ano.

De acordo com a Ecovias-Imigrantes, também foi iniciado o processo para obtenção da Licença de Instalação, documento necessário para autorizar o começo das intervenções. A concessionária afirma que já protocolou a primeira etapa do procedimento junto à Cetesb.

Governo de São Paulo avalia reequilíbrio do contrato

Durante visita à Baixada Santista, o secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, explicou que o valor definitivo da obra será conhecido após a análise e aprovação do projeto executivo pela Artesp.

A partir desse montante, o Governo de São Paulo poderá definir como será feito o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. Segundo Benini, serão avaliadas alternativas relacionadas ao prazo contratual e à eventual necessidade de participação financeira do Estado.

Depois que os cálculos forem concluídos, a documentação deverá passar pela análise do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

O secretário ressaltou que diferentes possibilidades já estão sendo estudadas pelo Estado, mas que a definição depende do custo final da nova rodovia.

Concorrência deve definir empresa responsável pela obra

A Ecovias-Imigrantes deverá promover um processo para selecionar a empreiteira responsável pela construção da terceira pista.

Por se tratar de um empreendimento de grande porte, a expectativa do Governo de São Paulo é que seja realizada uma disputa entre empresas. A medida busca ampliar a concorrência e possibilitar a contratação pelo menor preço.

Nova rodovia terá 21,6 quilômetros

O projeto prevê uma pista com 21,6 quilômetros de extensão, sendo cerca de 80% do trajeto formado por túneis.

Um dos túneis terá mais de seis quilômetros de comprimento e, caso seja construído conforme a previsão atual, poderá se tornar o maior túnel rodoviário do Brasil.

A nova estrutura deverá aumentar em aproximadamente 25% a capacidade do trecho de Serra do Sistema Anchieta-Imigrantes. O impacto esperado envolve tanto o tráfego de veículos quanto o transporte de cargas para a Baixada Santista.

Outro efeito previsto é a ampliação para mais do que o dobro da capacidade de circulação de caminhões com destino ao Porto de Santos.

Ligação terá conexão com Rodoanel e Cônego Domênico Rangoni

De acordo com o projeto, a terceira pista deverá começar no km 43 da Rodovia dos Imigrantes, com ligação ao Rodoanel, e terminar no km 265 da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, nas proximidades do polo industrial de Cubatão.

A configuração pretende facilitar o acesso tanto à margem direita quanto à margem esquerda do Porto de Santos, criando uma alternativa para o fluxo de cargas e reduzindo pontos de estrangulamento no sistema viário regional.

Terceira pista e túnel Santos-Guarujá entram em planejamento integrado

Além da terceira pista, o túnel imerso Santos-Guarujá é considerado um dos projetos com potencial para transformar a mobilidade na Baixada Santista. As duas obras deverão ser avaliadas em conjunto dentro de um planejamento mais amplo para a região.

A estratégia faz parte do Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo (PLI-SP), que terá horizonte até 2050 e deverá estabelecer diretrizes específicas para os nove municípios da Baixada Santista.

A previsão é que o plano seja concluído até o fim deste ano.

PLI-SP vai considerar transporte de cargas e infraestrutura regional

Segundo a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a elaboração do PLI-SP considera informações obtidas junto às regiões administrativas, ao setor produtivo e à sociedade.

O objetivo é identificar os principais gargalos logísticos e estabelecer soluções para diferentes horizontes de tempo, incluindo medidas de curto, médio e longo prazo.

Na avaliação da secretária, a terceira pista da Imigrantes, os acessos ao Porto de Santos e o transporte de cargas precisam ser analisados dentro de uma mesma rede de infraestrutura, levando em conta a conexão entre rodovias e os demais modais.

Estado quer integrar diferentes projetos de transporte

Natália Resende destacou que o planejamento não deve considerar cada empreendimento de maneira isolada. A proposta é avaliar como obras como o túnel Santos-Guarujá, a terceira pista da Imigrantes e os acessos às duas margens do Porto de Santos vão se relacionar e afetar a mobilidade regional.

O planejamento também deverá envolver o Governo Federal em assuntos que ultrapassam a esfera estadual, especialmente nas questões relacionadas ao Porto de Santos.

A expectativa é que o PLI-SP funcione como uma referência para orientar a definição de novos investimentos em infraestrutura e logística nos próximos anos.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vanessa Rodrigues/AT

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Portos

Empresas chinesas avaliam participação em futuros leilões do Porto de Santos

Empresas chinesas que participaram de encontros com representantes do Governo Federal nesta semana demonstraram interesse em avaliar oportunidades de investimento em futuros projetos do Porto de Santos. Entre as iniciativas que podem atrair os investidores estão a licitação para o arrendamento do Terminal de Contêineres Santos 10 (Tecon Santos 10) e a concessão do canal de acesso aquaviário do Porto de Santos.

A informação foi divulgada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que acompanhou a agenda oficial realizada na China.

Governo apresenta projetos de infraestrutura a investidores

A missão oficial é liderada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, que iniciou a viagem na última segunda-feira. A programação inclui compromissos na China e em Singapura e termina amanhã.

Segundo o MPor, a viagem tem como principal finalidade ampliar a presença de investidores estrangeiros em projetos de infraestrutura portuária, aeroportuária e hidroviária que estão em andamento ou previstos para serem lançados ainda neste ano.

Durante a passagem pela China, representantes do governo brasileiro apresentaram aos investidores diferentes projetos de infraestrutura e buscaram ampliar a cooperação internacional.

Empresas chinesas participam de reuniões em Pequim

A primeira etapa da agenda chinesa ocorreu em Pequim, onde o ministro se reuniu com empresas e investidores interessados nos projetos brasileiros.

Entre os grupos que participaram dos encontros estão a Corporação Estatal de Engenharia de Construção da China (CSCEC), a Corporação de Construção e Comunicação da China (CCCC), a China Merchants Port Holdings e o Grupo Cofco.

As conversas incluíram oportunidades relacionadas ao setor de logística, transporte e infraestrutura, áreas consideradas estratégicas para a expansão da participação estrangeira nos investimentos brasileiros.

Cosco Shipping avalia oportunidades no Porto de Santos

Em Xangai, Tomé Franca encerrou ontem a etapa da missão na China com uma reunião com representantes da Cosco Shipping, uma das principais companhias internacionais dos segmentos de transporte marítimo e logística portuária.

A empresa já havia apresentado ao Ministério de Portos e Aeroportos uma proposta voltada ao desenvolvimento de uma malha ferroviária no Porto de Santos, conectada à infraestrutura ferroviária existente.

Além desse projeto, as empresas chinesas que participaram das reuniões deverão analisar a possibilidade de disputar futuras licitações envolvendo o complexo portuário santista, incluindo o Tecon Santos 10 e a concessão do canal de acesso aquaviário.

Missão segue para Singapura

Após os compromissos na China, a agenda oficial segue nesta segunda-feira para Singapura. Na cidade-Estado, o ministro deverá assinar um memorando de entendimento para a criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre Singapura e Brasil.

A iniciativa prevê cooperação internacional em duas frentes: a descarbonização do transporte marítimo e a ampliação da digitalização da navegação.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Informação

Fábio Mello Fontes: prático há 57 anos, ele transforma trajetória no mar em livro

Aos 87 anos e com 57 anos de atuação na praticagem, Fábio Mello Fontes continua olhando para o mar com o mesmo entusiasmo de quando era criança. Presidente da Praticagem de São Paulo, ele começou a definir sua vocação ainda aos 9 anos, quando observava os navios que passavam pelo canal do Porto de Santos.

A paixão pelo ambiente marítimo o levou à Marinha Mercante e, posteriormente, à praticagem, profissão que iniciou em 1969. Agora, parte dessa trajetória de quase seis décadas chega às páginas do livro Fábio Mello Fontes, uma lenda dos Mares, que será lançado amanhã, às 17 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos.

A obra tem autoria de Ivani Cardoso e Maria Fernanda Rodrigues, com coordenação editorial de José Rodrigues, e reúne relatos sobre a vida pessoal, familiar e profissional do prático.

15 horas de estudos por dia para entrar na praticagem

A preparação para ingressar na profissão exigiu uma rotina intensa de estudos. Fontes conta que começou a se preparar para o processo seletivo em 10 de abril de 1968, quando já era casado e tinha três filhos pequenos.

A dedicação chegou a 15 horas diárias de estudos. O esforço resultou na entrada para a Praticagem de São Paulo em janeiro de 1969.

Para Fontes, a carreira e a família sempre caminharam juntas. Ao longo de mais de cinco décadas como prático, ele acumulou aproximadamente 30 mil manobras de navios.

Uma carreira marcada pela paixão pelo mar

Durante sua trajetória, Fontes acompanhou profundas transformações no Porto de Santos. Viu as embarcações aumentarem de tamanho e novas tecnologias modificarem a rotina da atividade.

Apesar das mudanças, a disposição para embarcar permaneceu a mesma. Para ele, a praticagem é mais do que uma profissão: é uma vocação.

A experiência anterior na Marinha Mercante também foi ampla. Fontes desempenhou diferentes funções a bordo e chegou a exercer interinamente o comando de uma embarcação da Petrobras.

A rotina de permanecer meses longe da família, porém, pesou na decisão de seguir outro caminho. Na praticagem, encontrou uma forma de continuar trabalhando no mar sem precisar passar longos períodos embarcado.

Livro resgata histórias da praticagem em Santos e São Sebastião

Além dos depoimentos do próprio Fontes, a biografia reúne entrevistas com familiares, amigos e colegas de profissão.

A publicação também recupera episódios relacionados à história da praticagem e mostra parte da evolução da atividade nos portos de Santos e São Sebastião.

Entre as lembranças consideradas mais marcantes pelo prático está o embarque no porta-aviões São Paulo, da Marinha do Brasil, que chegou a Santos em 28 de abril de 2001 levando o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Na ocasião, Fontes passou cerca de 20 minutos conversando com o presidente na ponte de comando. Meses depois, recebeu uma fotografia autografada daquele encontro.

Aos 87 anos, Fontes diz que ainda não pensa em parar

Viúvo desde 2023, o prático também vive uma nova fase na vida pessoal. Ele reencontrou, graças à internet, uma mulher que havia conhecido 42 anos atrás e com quem havia perdido contato. Ela também é viúva.

Atualmente, os dois mantêm um relacionamento à distância, alternando períodos de visitas e encontros. Fontes resume o momento com bom humor e diz estar vivendo uma espécie de “lua de mel”.

Ele também se define como um “idoso fora da curva” e afirma que a idade não determina sua disposição.

O próximo desafio é continuar a bordo

A relação de Fontes com o mar permanece tão forte que ele já tem um objetivo para os próximos anos: completar 88 anos a bordo de um navio, em 10 de maio de 2027.

A trajetória do prático é marcada por décadas de experiência em navegação, manobras portuárias e praticagem, mas também por uma disposição constante para seguir adiante.

A história de Fábio Mello Fontes mostra que conduzir navios e conduzir a própria vida podem exigir qualidades semelhantes: saber ajustar o rumo, lidar com mudanças, enfrentar condições adversas e continuar navegando mesmo quando os ventos mudam.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Transporte

Informação é infraestrutura essencial para a eficiência do transporte e da logística no Brasil

Quando se fala em infraestrutura de transportes no Brasil, é comum pensar imediatamente em obras, equipamentos e grandes estruturas físicas. Portos, guindastes, berços de atracação, canais de navegação, rodovias, ferrovias, pátios reguladores e redes de dutos formam a parte mais evidente de uma complexa cadeia responsável por levar a produção nacional aos mercados internacionais.

Mas existe um componente menos visível e igualmente estratégico para o funcionamento dessa estrutura: a informação.

Dados são fundamentais para a segurança jurídica

No debate sobre logística, regulação e comércio exterior, a segurança jurídica costuma ser relacionada à estabilidade das normas, ao cumprimento dos contratos e à previsibilidade das decisões judiciais.

Essa equação, porém, depende de outro elemento fundamental: o conhecimento preciso da realidade sobre a qual as decisões são tomadas.

Antes de estabelecer uma regra ou solucionar um conflito envolvendo interesses econômicos, é necessário compreender os fatos, as características das operações e as condições concretas do mercado. Sem esse diagnóstico, mesmo uma decisão bem-intencionada pode produzir efeitos diferentes daqueles esperados.

Regulação eficiente depende de informações confiáveis

A capacidade de um regulador de oferecer previsibilidade ao mercado está diretamente ligada à qualidade das informações que recebe.

Em um sistema complexo como o Porto de Santos, uma decisão tomada em determinado ponto da cadeia pode repercutir sobre armadores, operadores portuários, terminais, embarcadores, importadores e demais agentes envolvidos na movimentação de cargas.

Essa interdependência aumenta a importância de dados precisos e atualizados. Quanto maior a complexidade operacional, maior também o risco de decisões tomadas sem conhecimento suficiente dos fatos.

Falta de informação pode gerar excesso ou omissão

Existe um desafio importante para a regulação econômica: o mercado espera respostas rápidas e coerentes, enquanto o poder público precisa de informações suficientes para agir de maneira equilibrada.

Quando os dados são insuficientes ou chegam de forma incompleta, o regulador pode cometer dois tipos de erro.

De um lado, pode ocorrer omissão regulatória, deixando de enfrentar problemas que prejudicam a concorrência ou elevam os custos para o setor produtivo. De outro, pode haver uma intervenção excessiva, com a criação de regras burocráticas e abrangentes para situações que exigiriam medidas específicas.

Nos dois casos, os efeitos são negativos. Empresas enfrentam mais incertezas, o ambiente de negócios perde eficiência e os custos acabam chegando ao consumidor final.

Sigilo é essencial para a cooperação entre empresas e regulador

O compartilhamento de informações entre o setor privado e as autoridades reguladoras não deve ser interpretado como uma finalidade em si mesma nem como uma interferência indevida nas estratégias empresariais.

Essa troca precisa estar amparada por uma garantia indispensável: a preservação do sigilo legal e comercial das informações fornecidas.

Os dados compartilhados têm função técnica. Servem para permitir que o regulador compreenda melhor as características do mercado e possa tomar decisões proporcionais, fundamentadas e alinhadas ao interesse público.

Transparência e dados fortalecem o ambiente de negócios

A cooperação entre empresas e órgãos reguladores também contribui para aumentar a segurança jurídica.

Ao disponibilizar informações relevantes sobre suas operações, o setor privado ajuda as autoridades a compreender desafios que muitas vezes não são perceptíveis apenas por meio de normas ou modelos teóricos.

Quando as decisões são baseadas em evidências concretas, elas tendem a apresentar maior consistência técnica, além de serem mais capazes de resistir ao controle institucional e reduzir conflitos que poderiam acabar na Justiça.

O resultado é um ambiente com menos custos de transação, maior previsibilidade e melhores condições para investimentos de longo prazo.

Regulação baseada em evidências reduz incertezas

Uma regulação eficiente não deve surpreender constantemente os agentes econômicos nem ser construída a partir de percepções afastadas da realidade operacional.

O caminho passa por uma regulação baseada em evidências, com critérios previsíveis, métodos transparentes e decisões sustentadas por informações confiáveis.

Nesse contexto, tratar a informação como um ativo estratégico é tão importante quanto preservar e modernizar a infraestrutura física do sistema de transportes.

Setor aquaviário precisa de estabilidade para crescer

O desenvolvimento do setor aquaviário brasileiro continuará exigindo investimentos expressivos em dragagem, ampliação de berços, acessos rodoviários e ferroviários e incorporação de novas tecnologias.

Projetos dessa dimensão precisam de horizonte de longo prazo. Para que funcionem de maneira eficiente durante décadas, a estabilidade regulatória deve acompanhar a complexidade das estruturas construídas.

O conhecimento tempestivo sobre as condições do mercado permite decisões mais consistentes, ajuda a proteger o interesse público e oferece maior segurança para os contratos e investimentos.

A infraestrutura invisível dos transportes

A informação não pode ser vista nos cais, não ocupa espaço nos pátios e não circula pelas rodovias, ferrovias ou canais de navegação. Ainda assim, está presente por trás de praticamente todas as decisões que determinam o funcionamento da cadeia logística.

Por isso, informação e segurança jurídica devem ser entendidas como componentes essenciais da infraestrutura de transportes.

Assim como obras e equipamentos, dados confiáveis, atualizados e protegidos são indispensáveis para tornar o sistema mais eficiente, previsível e preparado para os desafios futuros.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Informação

Museu do Porto de Santos completa 37 anos com programação gratuita em setembro

O Museu do Porto de Santos completa 37 anos na terça-feira, 1º de setembro, em um momento de forte crescimento no número de visitantes. No primeiro semestre de 2026, o espaço recebeu 12.904 pessoas, volume 163% maior que os aproximadamente 5 mil visitantes registrados no mesmo período do ano passado.

Para celebrar o aniversário, o museu preparou uma programação especial e gratuita durante todo o mês de setembro.

Confira a programação de aniversário

Entre as principais atividades previstas estão:

  • 1º de setembro: celebração cultural com apresentação musical a partir das 16h;
  • 17 de setembro: recepção do projeto Leia Santos, iniciativa da Prefeitura de Santos;
  • De 21 a 25 de setembro: realização do Museu + Acessível, voltado a grupos de pessoas com deficiência.

A programação de acessibilidade também marcará o início das visitas autoguiadas, com recursos de áudio e texto, além do atendimento em Libras.

Museu amplia ações para atrair visitantes

O crescimento do público acompanha a expansão das atividades promovidas pelo Museu do Porto de Santos. Entre as iniciativas estão eventos durante períodos de férias e em datas comemorativas, incluindo passeios de catamarã pelo Porto de Santos.

O espaço reúne cerca de 2 mil itens em seu acervo, entre documentos históricos, fotografias, instrumentos náuticos, ferramentas e outras peças consideradas raras.

A coleção permite ao público conhecer diferentes períodos e aspectos relacionados à trajetória do Porto de Santos, aproximando os visitantes da história da principal estrutura portuária do país.

Presença nas redes sociais também cresce

A maior procura pelo museu também está relacionada ao trabalho de divulgação e à aproximação com moradores da Baixada Santista.

No Instagram, o número de seguidores cresceu 360% e ultrapassou a marca de 5 mil. Já no Tripadvisor, plataforma voltada ao turismo, o Museu do Porto passou da 29ª para a segunda posição entre as atrações mais bem avaliadas de Santos.

Visitas agendadas somam mais de 4,5 mil

Dos 12.904 visitantes registrados no primeiro semestre, 4.572 participaram de visitas agendadas. O levantamento considera exclusivamente grupos que fizeram reserva antecipada, incluindo escolas e outras instituições.

As visitas previamente programadas contam com acompanhamento guiado pelo Museu do Porto e, de acordo com a disponibilidade, podem incluir acesso a outros espaços culturais.

A atividade é gratuita e pode ser realizada por pessoas de todas as idades.

Como visitar o Museu do Porto de Santos

Pessoas que desejam fazer uma visita espontânea em grupos de até 10 integrantes não precisam realizar agendamento.

Para grupos maiores, é necessário preencher o formulário específico e encaminhá-lo ao e-mail museudoporto@portodesantos.gov.br.

Serviço

Museu do Porto de Santos
📍 Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, s/nº, esquina com a Rua Conselheiro João Alfredo, Macuco, Santos (SP)
🕘 Segunda a sábado, das 9h às 17h
🎟️ Entrada gratuita

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Portos

TCU adia decisão sobre licitação para aprofundar canal do Porto de Santos

O Tribunal de Contas da União (TCU) adiou para 9 de setembro a análise do processo que questiona a licitação para o aprofundamento do canal de navegação do Porto de Santos para 16 metros.

A votação estava prevista para esta quarta-feira (26), mas o ministro relator, Bruno Dantas, decidiu que a Autoridade Portuária de Santos (APS) e a empresa Jan De Nul, vencedora da concorrência, deverão apresentar novas manifestações antes da decisão definitiva.

A licitação foi contestada pela DTA Engenharia, que participou da disputa e questiona o resultado do certame. O contrato entre a APS e a Jan De Nul já foi assinado, no valor de R$ 617,9 milhões.

Relator aponta possibilidade de anulação da licitação

Durante a sessão, Bruno Dantas afirmou que, em uma avaliação preliminar, seu entendimento era pela anulação de todo o processo licitatório, desde a publicação do edital.

Segundo o ministro, os problemas identificados atingiriam pontos centrais do julgamento e a estrutura econômica da concorrência, o que poderia comprometer a escolha da proposta mais vantajosa e a segurança jurídica do procedimento.

Apesar dessa posição inicial, Dantas acolheu uma sugestão apresentada pelo ministro Benjamin Zymler para assegurar o direito ao contraditório à empresa vencedora e à Autoridade Portuária antes da conclusão do julgamento.

Com as novas manifestações, o relator deverá apresentar um voto atualizado após a avaliação da área técnica do Tribunal.

Contrato com a Jan De Nul é de R$ 617,9 milhões

A APS assinou o contrato de dragagem com a Jan De Nul em 12 de junho. O acordo tem duração de cinco anos e prevê, além do aprofundamento do canal, dois anos de serviços de dragagem de manutenção.

A previsão inicial era de que a ordem de serviço fosse emitida em 17 de junho. A medida, porém, não ocorreu após uma liminar concedida pela Justiça à DTA Engenharia na véspera.

A empresa também apresentou uma representação ao TCU questionando a regularidade da licitação.

Justiça já havia autorizado continuidade do processo

O presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou ao jornal A Tribuna que o contrato já havia recebido validação da Justiça Federal.

Segundo Pomini, a nova etapa de contraditório será importante para que a Autoridade Portuária apresente novamente os argumentos sobre a regularidade da contratação e o início das obras.

O dirigente também destacou que levar o canal do Porto de Santos a 16 metros de profundidade é uma demanda antiga do setor portuário e aguardada há cerca de duas décadas.

Até o momento, a APS obteve autorização judicial para dar continuidade ao processo, embora ainda existam recursos em tramitação.

Etesco também questiona licitação no TCU

Outro processo relacionado à concorrência está sob relatoria do ministro Benjamin Zymler. Trata-se de uma representação apresentada pela Etesco Construções e Comércio, empresa que lidera o Consórcio Santos Dragagem.

O grupo foi desclassificado da licitação realizada em 2025 e apontou possíveis irregularidades no procedimento.

A Etesco recorreu ao TCU ainda no ano passado e conseguiu interromper o andamento da concorrência em duas ocasiões, em janeiro de 2026. Em maio, o Tribunal revogou a suspensão e permitiu que o processo avançasse.

A empresa, entretanto, pediu reconsideração. No dia 5 de agosto, uma nova decisão determinou a suspensão da licitação, mantendo o processo sob análise do Tribunal.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Portos

Porto de Santos movimenta 109,5 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026

O Porto de Santos movimentou 109,5 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e julho de 2026, alta de 3,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Autoridade Portuária de Santos (APS).

Do total registrado nos sete primeiros meses do ano, 81,11 milhões de toneladas corresponderam a embarques, crescimento de 3,4% sobre 2025. Já os desembarques somaram 28,45 milhões de toneladas, avanço de 4,2% na mesma comparação.

Movimentação de contêineres cresce 3,9%

O segmento de cargas conteinerizadas também apresentou desempenho positivo no acumulado do ano. Até julho, foram movimentados 3,47 milhões de TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

O resultado representa crescimento de 3,9% em relação aos sete primeiros meses de 2025, reforçando a importância do complexo portuário para o comércio exterior brasileiro.

Julho registra recuo após recorde histórico

Apesar do crescimento acumulado no ano, a movimentação do Porto de Santos em julho apresentou queda de 3,5% frente ao mesmo mês de 2025.

A comparação ocorre com uma base elevada, já que julho do ano passado registrou o maior volume mensal da história do porto.

Em julho de 2026, foram movimentadas 16,8 milhões de toneladas. Os embarques responderam por 12,4 milhões de toneladas, retração de 4%, enquanto os desembarques alcançaram 4,7 milhões de toneladas, queda de 2,2%.

Contêineres também recuam no mês

A movimentação de contêineres também diminuiu em julho. Foram registrados 523,5 mil TEUs, número 2,1% inferior ao observado no mesmo mês de 2025.

Mesmo com a retração mensal, o desempenho acumulado até julho permanece positivo, com avanço tanto na movimentação geral de cargas quanto no transporte conteinerizado.

FONTE: Porto de Santos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Porto de Santos

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Portos

Tecon Santos 10 deve voltar ao TCU após ajustes no modelo de leilão

O projeto do Tecon Santos 10, futuro terminal de contêineres do Porto de Santos (SP), deverá ser submetido novamente à análise do Tribunal de Contas da União (TCU) antes da realização do leilão. A confirmação foi feita pelo secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Casa Civil, Marcus Cavalcanti.

Segundo o secretário, alterações ainda em discussão na modelagem do certame devem levar o projeto de volta à Corte de Contas. É a primeira vez que a Casa Civil confirma publicamente essa possibilidade, já que, no início das discussões, o governo não considerava necessária uma nova tramitação no TCU.

Mudanças no projeto exigem nova análise

Após participar do evento Conexão ANPTrilhos 2026, Cavalcanti afirmou que o debate em torno do modelo do leilão do Tecon Santos 10 está “contaminado” e que será necessário apresentar novamente o projeto ao tribunal.

A posição está relacionada a uma decisão tomada pelo TCU em maio. A Corte determinou que mudanças promovidas pelo governo na estrutura de uma licitação exigem o reinício da tramitação e uma nova avaliação do órgão de controle.

Apesar disso, o secretário avalia que não será preciso refazer todas as etapas já realizadas. Uma das possibilidades é não promover uma nova audiência pública.

A necessidade de uma nova consulta, contudo, ainda depende de uma avaliação jurídica do Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Governo prepara modelo de leilão aberto

A expectativa é que o formato definitivo do certame seja definido no começo de setembro.

Entre as recomendações que deverão ser apresentadas está a realização de um leilão aberto, permitindo a participação de armadores e sem restrições específicas para esse grupo.

O desenho em discussão também prevê apenas uma fase de disputa.

Outro ponto que deverá entrar na proposta encaminhada à Antaq é a definição de um prazo para eventual desinvestimento de empresas já presentes no Porto de Santos que tenham interesse em disputar o novo terminal.

Regra pode permitir participação de MSC e Maersk

Uma das alternativas analisadas pelo governo considera que uma empresa atualmente instalada no porto possa deixar de ser considerada incumbente caso venda seu ativo antes da realização do leilão.

A medida abriria a possibilidade de participação de empresas como MSC e Maersk, que são sócias da Brasil Terminal Portuário (BTP), também localizada no Porto de Santos.

A discussão busca conciliar a ampliação da concorrência no certame com as regras destinadas a evitar concentração no mercado de movimentação de contêineres.

Grupo de trabalho reúne Casa Civil e ministério

As regras do futuro leilão estão sendo discutidas por um grupo de trabalho formado por representantes da Casa Civil e do Ministério de Portos e Aeroportos.

Criado em julho, o colegiado tem a missão de consolidar a posição do governo sobre o modelo do certame. Até agora, foram realizadas três reuniões, e uma nova rodada de discussões está prevista para o início de setembro.

Depois de concluída essa etapa, a manifestação técnica deverá ser encaminhada à Antaq. Caberá à agência incorporar os ajustes necessários à modelagem e dar sequência aos procedimentos para a realização do leilão.

Tecon Santos 10 é estratégico para o Porto de Santos

O Tecon Santos 10 é considerado um projeto estratégico para aumentar a capacidade de movimentação de contêineres do maior complexo portuário do país.

A estrutura do terminal vem sendo debatida há meses e já passou por modificações diante das divergências relacionadas às condições de participação no futuro leilão.

Com a nova análise pelo TCU e a revisão da modelagem, o governo busca definir um formato que permita avançar com o projeto, ampliando a capacidade portuária e estabelecendo regras de competição para o novo terminal.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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