Agronegócio

Produção de carne suína cresce 6,4% no Brasil no primeiro semestre de 2026

A produção de carne suína no Brasil avançou nos primeiros seis meses de 2026, acompanhada pelo aumento no número de animais abatidos e pelo maior peso médio das carcaças. Dados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilados pelo Sistema CNA, apontam que o país produziu 2,93 milhões de toneladas de carne suína no primeiro semestre.

O volume representa crescimento de 6,4% em relação ao mesmo período de 2025 e indica continuidade do avanço dos principais indicadores da suinocultura brasileira.

Abate de suínos chega a 31 milhões de animais

Entre janeiro e junho, aproximadamente 31 milhões de suínos foram abatidos em estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária.

O resultado acompanha o crescimento do plantel e a manutenção do fluxo de animais destinados às unidades frigoríficas, contribuindo para ampliar a oferta de carne no mercado.

Peso das carcaças também aumenta

Além do maior número de animais processados, houve avanço no rendimento médio das carcaças.

O peso médio chegou a 94,5 quilos no primeiro semestre, alta de 1,5% na comparação com os primeiros seis meses de 2025.

A combinação entre maior volume de abates e aumento do peso médio das carcaças foi determinante para o crescimento de 6,4% na produção de carne suína.

O desempenho ajudou a garantir maior disponibilidade de proteína tanto para o mercado interno quanto para as exportações.

Suinocultura brasileira mantém ganhos de eficiência

Para o Sistema CNA, os números refletem a evolução da eficiência técnica observada nas granjas brasileiras.

O crescimento simultâneo do número de animais abatidos e do peso das carcaças demonstra a capacidade produtiva do setor e sua adaptação às necessidades do mercado.

O avanço da produção também reforça a importância do uso de tecnologias e de práticas de manejo voltadas ao aumento da produtividade na cadeia de proteína animal.

Custos e demanda serão importantes no segundo semestre

Apesar do resultado positivo na primeira metade do ano, o desempenho do setor nos próximos meses dependerá de fatores como os custos de alimentação dos animais e o comportamento do consumo.

Entre os principais pontos de atenção estão os custos de nutrição, que têm impacto direto sobre as despesas das propriedades, e a demanda no varejo, que influencia as margens dos produtores.

A evolução desses fatores será importante para determinar a manutenção do ritmo de produção e das condições econômicas da suinocultura nacional ao longo do segundo semestre de 2026.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

Ler Mais
Comércio Exterior

China avalia rever cota de importação de carne bovina do Brasil

A China pode reavaliar a distribuição de sua cota para importação de carne bovina brasileira, segundo análises do mercado internacional de proteínas. A possibilidade ganhou espaço diante do cenário econômico atual e do desempenho esperado dos países fornecedores da América do Sul.

Atualmente, a parcela em discussão beneficia principalmente o Uruguai. Caso o país não consiga utilizar integralmente o volume autorizado, o excedente poderá abrir espaço para outros fornecedores, com o Brasil entre os potenciais beneficiados.

Até o momento, porém, o governo chinês não anunciou oficialmente qualquer mudança na política de distribuição das cotas.

Brasil pode ganhar espaço no mercado chinês

A carne bovina brasileira apresenta competitividade em preço e qualidade frente a outros fornecedores sul-americanos. Por isso, um eventual saldo não utilizado pelo Uruguai poderia aumentar as oportunidades de exportação do Brasil para o mercado chinês.

A possibilidade depende, contudo, do cumprimento das metas estabelecidas para os demais países e de uma eventual decisão das autoridades chinesas sobre a redistribuição dos volumes.

China mantém mecanismo de proteção ao mercado interno

A política comercial chinesa prevê mecanismos para controlar o impacto das importações sobre o mercado doméstico. Quando determinados limites de volume e preço são ultrapassados, as remessas de carne bovina podem ficar sujeitas a uma tarifa de até 55%.

Esse sistema funciona como uma barreira adicional às importações e pode alterar a competitividade dos fornecedores conforme os volumes comercializados e os preços praticados.

Mercado global de carne vive período de mudanças

A discussão sobre as cotas ocorre em meio a transformações no mercado global de carne bovina. Os Estados Unidos, por exemplo, anunciaram a intenção de comprar 300 mil toneladas de carne para tentar conter a alta dos preços no mercado interno.

No Brasil, o cenário também envolve debates relacionados à reciprocidade tarifária e às condições de acesso aos principais mercados consumidores.

Nesse ambiente, alterações nas políticas de importação da China podem ter impacto relevante sobre os fluxos internacionais de carne e sobre a disputa entre os principais países exportadores.

Decisão sobre a cota depende da China

Uma eventual transferência de parte da cota atualmente destinada ao Uruguai para o Brasil dependerá exclusivamente das autoridades chinesas. O cenário também é acompanhado em meio ao processo de desaceleração da economia da China.

Para especialistas, mudanças em tarifas de importação e outras barreiras comerciais precisam ser avaliadas com cautela. A elevação dos custos de entrada pode ser repassada ao longo da cadeia e chegar ao consumidor por meio de preços mais altos.

Assim, além de afetar os exportadores, novas medidas comerciais podem influenciar os preços da carne bovina e contribuir para pressões inflacionárias nos mercados consumidores.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

Ler Mais
Internacional

Crise da carne bovina nos EUA avança sobre o setor de frango e pressiona margens

A crise que atinge o mercado de proteínas animais nos Estados Unidos deve continuar pelos próximos anos. Segundo análise do Santander, o setor de carne bovina ainda enfrentará um período prolongado de oferta restrita, enquanto produtores de frango e suínos passam a lidar com custos mais elevados, principalmente devido à valorização dos grãos usados na alimentação dos animais.

O banco estima que uma recuperação mais consistente do mercado de carne bovina americana só deverá ocorrer a partir de 2028. Diante desse cenário, a instituição adota uma postura mais cautelosa em relação a empresas com forte exposição aos Estados Unidos, como Tyson Foods, JBS e Pilgrim’s Pride. A MBRF é apontada como uma exceção entre as companhias avaliadas.

Rebanho bovino dos EUA encolhe ao menor nível em décadas

A principal dificuldade está na disponibilidade de gado para abate. O Santander projeta que as margens dos frigoríficos permaneçam pressionadas até 2028.

Desde 2019, o número de bovinos destinados à produção de carne nos Estados Unidos caiu 13%, chegando a 27,9 milhões de cabeças. O rebanho bovino total do país atingiu o menor patamar desde 1952, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A combinação de seca prolongada no Oeste americano, aumento dos custos de alimentação e redução das áreas de pastagem levou produtores a vender parte dos animais para preservar o caixa.

Como reflexo da menor oferta, a produção de carne bovina nos EUA caiu 4% em 2025, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos deixaram de ocupar a liderança mundial, que passou ao Brasil.

Importações aumentam para compensar menor oferta

As restrições sanitárias à entrada de bovinos provenientes do México também contribuíram para apertar a oferta americana. A medida foi adotada diante da disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que representa ameaça à pecuária.

Com menos animais disponíveis internamente, os Estados Unidos passaram a depender mais das compras externas. O USDA estima que as importações de carne bovina alcancem 2,78 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 14% em relação ao ano anterior.

Somente no primeiro semestre, as compras externas chegaram a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, alta de 12%.

Preço da carne chega ao consumidor americano

A menor oferta também elevou os preços pagos pelos consumidores. A carne moída, um dos produtos mais consumidos nos Estados Unidos, ficou 0,6% mais cara em agosto na comparação com julho e atingiu novo recorde, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho americano.

Na comparação anual, o preço estava 7,9% maior. Desde 2020, a alta acumulada da carne bovina chega a 75%, conforme dados do Federal Reserve de St. Louis.

O avanço dos preços ganhou repercussão política. Há duas semanas, o presidente Donald Trump anunciou a intenção de ampliar as importações de carne como uma das medidas para tentar reduzir os preços no mercado doméstico.

Frango passa a enfrentar pressão sobre as margens

O problema do setor bovino é principalmente a falta de animais. No mercado de aves, a dificuldade está concentrada nas margens, diante do aumento dos custos de produção e da dificuldade de repassar integralmente os preços.

O Santander destaca especialmente o comportamento do milho, um dos principais componentes da alimentação de frangos e suínos. A commodity acumula valorização próxima de 15% no ano, enquanto as condições das lavouras nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países produtores geram riscos adicionais para os custos.

Nesse ambiente, a rentabilidade dos produtores de frango e carne suína pode ficar pressionada caso os preços das proteínas não acompanhem o aumento das despesas com alimentação.

Medidas adotadas ainda não resolvem o problema estrutural

Entre as iniciativas que podem produzir algum alívio no curto prazo, o Santander cita o fechamento de unidades de abate, a retomada gradual das importações de gado mexicano e programas de apoio aos pecuaristas.

Para os analistas, porém, essas ações não são suficientes para modificar o quadro estrutural. A recomposição do rebanho americano deverá exigir um período mais longo.

Em 2026, o banco estima que os fechamentos líquidos de capacidade de abate somem cerca de 6.700 cabeças por dia, o equivalente a aproximadamente 13% da capacidade existente no início do ano que estará fora de operação.

A redução das plantas pode ajudar a indústria a preservar margens ao adequar a capacidade de processamento à menor disponibilidade de gado. No entanto, o fechamento de frigoríficos não aumenta o número de animais disponíveis.

As importações de bovinos do México também têm alcance limitado. Segundo a estimativa do Santander, elas devem representar entre 0,5% e 1% dos animais encaminhados para confinamento nos EUA em 2026.

Tyson Foods sente os efeitos da crise

Entre as empresas analisadas, a Tyson Foods está entre as mais expostas ao cenário negativo da carne bovina americana.

O Santander reduziu o preço-alvo da companhia de US$ 76 para US$ 68 e manteve recomendação neutra. A revisão veio depois que a Tyson diminuiu sua projeção para 2026, levando o banco a cortar em 8% sua estimativa de EBITDA, para cerca de US$ 3,3 bilhões.

A divisão de Beef é o principal ponto de atenção. O Santander considera que as expectativas do mercado para uma recuperação podem estar adiantadas em relação ao ritmo de recomposição do rebanho.

Os primeiros sinais de retenção de fêmeas devem contribuir para uma recuperação mais significativa da oferta apenas no ano fiscal de 2029, segundo a análise.

A Tyson, contudo, possui uma proteção parcial devido ao aumento da participação de produtos de maior valor agregado no segmento de frango. Por outro lado, o Santander alerta que uma demanda mais fraca nos restaurantes de serviço rápido pode afetar essa divisão.

Pilgrim’s Pride enfrenta excesso de oferta de frango

A Pilgrim’s Pride, uma das maiores produtoras de frango dos Estados Unidos, também é acompanhada com cautela pelo Santander.

O banco manteve recomendação neutra para a companhia, embora considere que suas ações estejam entre as mais baratas do grupo americano de empresas de proteínas analisado.

O principal fator de preocupação é a desaceleração do crescimento dos resultados. Apesar de avaliar que o pico de expansão da oferta de frango já passou, o Santander observa que os preços ainda demoram a reagir devido ao excesso de oferta existente no mercado americano.

A valorização dos grãos acrescenta outro elemento de pressão sobre as margens da empresa.

JBS mantém exposição ao mercado americano

A JBS também permanece com recomendação neutra do Santander. O banco reduziu o preço-alvo da companhia para US$ 15.

Embora os spreads da carne bovina nos Estados Unidos tenham apresentado alguma recuperação, ainda há pouca visibilidade, segundo a análise, sobre uma retomada estrutural do ciclo.

No terceiro trimestre, as margens do negócio de carne bovina americana melhoraram na comparação com o período anterior. Entre os fatores estão a sazonalidade, a demanda maior durante a temporada de churrascos e a queda dos preços do gado.

O Santander, entretanto, considera que essa melhora recente não altera o quadro de recuperação prolongada do setor.

MBRF tem diversificação como fator de proteção

Entre as companhias analisadas, a MBRF aparece como exceção. O Santander manteve recomendação Outperform, embora tenha reduzido o preço-alvo de R$ 28 para R$ 25.

A empresa também possui exposição à National Beef, operação americana de carne bovina, e está sujeita aos efeitos da crise no segmento.

A avaliação mais favorável está principalmente relacionada à BRF, que apresenta desempenho forte nas exportações de frango para o Oriente Médio, além de preços firmes e melhora na demanda por alimentos processados.

Diversificação ganha importância no setor de proteínas

A análise do Santander indica que o mercado americano de proteínas deve atravessar um período de ajustes distintos entre os segmentos. Enquanto a carne bovina enfrenta restrição de oferta de animais, o setor de aves precisa administrar custos elevados e dificuldades para recuperar preços.

Nesse contexto, a capacidade das empresas de atuar em diferentes proteínas e mercados internacionais ganha relevância para reduzir a exposição aos ciclos específicos de cada atividade.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

Ler Mais
Agronegócio

Produção de carne bovina do Brasil deve cair 3,6% em 2027, prevê Conab

A produção de carne bovina no Brasil deve recuar novamente em 2027, segundo projeção divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa aponta queda de 3,6% em relação a 2026, para aproximadamente 11,4 milhões de toneladas.

A redução deve ocorrer em meio à retomada gradual do ciclo pecuário, com expectativa de aumento na retenção de fêmeas para recomposição do rebanho bovino. Com menos vacas destinadas ao abate, a disponibilidade de animais para a produção de carne tende a diminuir.

Produção deve registrar segundo ano consecutivo de queda

Caso a previsão se confirme, 2027 será o segundo ano seguido de redução na produção brasileira de carne bovina.

De acordo com os dados da Conab, o país produziu 11,9 milhões de toneladas em 2025 e deve encerrar 2026 com aproximadamente 11,84 milhões de toneladas.

Apesar da perspectiva de retração, a companhia avalia que a reversão do ciclo pecuário está acontecendo de maneira mais lenta do que o inicialmente esperado.

No primeiro semestre de 2026, os abates de bovinos permaneceram acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os fatores que sustentaram o resultado estão a disponibilidade de fêmeas, o aumento do peso médio das carcaças e a maior utilização de sistemas de confinamento.

Retenção de fêmeas pode reduzir oferta de animais

A valorização dos bezerros e dos animais destinados à reposição do rebanho é apontada pela Conab como um sinal de menor disponibilidade nessas categorias.

Esse movimento tende a estimular os pecuaristas a preservar matrizes, reduzindo a oferta de animais para abate e contribuindo para a queda projetada na produção de carne em 2027.

O Brasil segue como um dos principais protagonistas do mercado internacional de carne bovina. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país liderou a produção mundial em 2025/26, com cerca de 20% do total, enquanto os Estados Unidos enfrentam uma redução no tamanho do rebanho.

Exportações de carne bovina devem crescer

Mesmo com a previsão de queda na produção, as exportações brasileiras de carne bovina devem avançar em 2027.

A Conab estima embarques de 4,8 milhões de toneladas, alta de 2,2% em relação ao volume projetado para 2026.

A expectativa é que o Brasil encerre 2026 com exportações de aproximadamente 4,7 milhões de toneladas, acima dos 4,5 milhões de toneladas registrados em 2025.

O desempenho positivo observado no primeiro semestre foi sustentado principalmente pela demanda da China, pelos preços internacionais elevados e pela abertura de novos mercados.

Para a segunda metade do ano, entretanto, a Conab prevê uma desaceleração dos embarques, em razão do preenchimento de uma cota chinesa que possui tarifas de importação mais baixas.

Consumo interno enfrenta concorrência de frango e suíno

No mercado doméstico, o consumo de carne bovina permanece moderado e concentrado principalmente nos cortes de menor preço.

A Conab aponta perda de competitividade da carne bovina diante das carnes de frango e suína, especialmente entre consumidores de menor renda.

Esse cenário também dificulta o repasse integral da valorização da arroba do boi para os preços pagos pelos consumidores no varejo.

Produção de carne de frango deve atingir novo recorde

Enquanto a produção bovina deve recuar, a produção brasileira de carne de frango deve continuar crescendo.

A Conab projeta um novo recorde em 2027, com produção estimada em 16,7 milhões de toneladas. Para comparação, a previsão é de 16,3 milhões de toneladas em 2026, contra 15,8 milhões em 2025.

O Brasil também ocupa a liderança mundial nas exportações de carne de frango. Para 2027, a expectativa da Conab é de crescimento de 0,8% nas exportações do produto.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

Ler Mais
Importação

Brasil pode ficar com até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos EUA

O Brasil pode conquistar uma fatia de até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos Estados Unidos. A medida anunciada pelo presidente americano Donald Trump prevê a entrada adicional de até 300 mil toneladas do produto no mercado dos EUA durante um período de 90 dias.

Pelas estimativas do setor, os frigoríficos brasileiros podem responder por algo entre 90 mil e 120 mil toneladas desse volume. Se a projeção se confirmar, o país terá participação relevante na ampliação das importações americanas.

A iniciativa do governo Trump busca aumentar a oferta de carne bovina nos Estados Unidos e, consequentemente, contribuir para a redução dos preços ao consumidor. Um dos focos é a carne moída utilizada na preparação de hambúrgueres.

Redução do rebanho americano favorece importações

Os Estados Unidos atravessam um período de redução do rebanho bovino, cenário que restringiu a disponibilidade de carne e contribuiu para a alta dos preços.

Para estimular a recomposição da pecuária doméstica, o governo americano também adotou medidas de incentivo aos produtores. No entanto, a recuperação do rebanho exige tempo. Enquanto isso, as importações de carne bovina aparecem como alternativa para ampliar a oferta no curto prazo.

A avaliação é de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. Para ele, o Brasil parte de uma posição competitiva devido à dimensão de sua indústria frigorífica e ao número de estabelecimentos autorizados a vender carne para o mercado americano.

Nova cota é diferente do limite já utilizado pelo Brasil

A nova medida não deve ser confundida com a cota que atualmente regula parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Hoje, o Brasil dispõe de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas que permite a entrada de carne no mercado americano sem a tarifa adicional. De acordo com Iglesias, esse limite foi completamente utilizado em apenas 15 dias.

Depois que a cota é esgotada, os frigoríficos brasileiros ainda podem exportar para os EUA, mas o produto passa a sofrer uma tarifa adicional de 26,4%.

Entre janeiro e agosto, os Estados Unidos importaram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando US$ 1,74 bilhão. O resultado representa crescimento de 28,7% em relação ao mesmo período de 2025.

A nova cota de até 300 mil toneladas, válida por 90 dias, cria uma oportunidade adicional para os exportadores que conseguirem ocupar esse espaço sem a cobrança da tarifa extra.

Brasil aparece entre os principais candidatos

Nem todos os grandes fornecedores de carne dos Estados Unidos disputarão diretamente a nova cota. A Argentina, por exemplo, possui mecanismos próprios de acesso ao mercado americano.

Entre os principais países fornecedores de carne bovina aos EUA estão:

  • Brasil;
  • Austrália;
  • Canadá;
  • México;
  • Nova Zelândia.

Na avaliação de Iglesias, Paraguai e países da América Central estão entre os concorrentes que podem disputar mais diretamente o novo volume com o Brasil.

O país, entretanto, possui vantagens competitivas importantes, principalmente pela capacidade de sua indústria frigorífica e pela quantidade de unidades habilitadas a exportar para os Estados Unidos.

Isso não significa que as 300 mil toneladas serão distribuídas proporcionalmente entre os países. Na prática, os exportadores terão de disputar espaço com base na capacidade de atender à demanda e, principalmente, nos preços oferecidos aos compradores americanos.

Preço dos trimmings pode ser decisivo

Apesar da oportunidade, existe uma questão importante para os frigoríficos brasileiros: o tipo de carne que os Estados Unidos estão buscando.

A demanda está concentrada nos chamados trimmings, cortes e aparas retirados durante o processamento das carcaças e utilizados, entre outras aplicações, na produção de carne moída.

Como esse produto possui menor valor agregado e representa apenas uma parcela da carcaça, os frigoríficos precisam avaliar se a exportação para os EUA é financeiramente vantajosa.

O cálculo envolve o preço oferecido pelos compradores americanos, os custos de exportação e o retorno que o frigorífico poderia obter ao direcionar o mesmo animal para outros mercados.

Segundo Iglesias, as empresas ainda analisam esses fatores antes de definir o quanto poderão destinar aos Estados Unidos.

Alta dos preços pode limitar a operação

Outro ponto de atenção é o equilíbrio entre oferta e preço. Se os valores da carne subirem demais, a operação pode perder atratividade para os compradores americanos.

Nesse cenário, a própria finalidade da nova cota pode ser prejudicada. O objetivo do governo dos Estados Unidos é justamente ampliar a disponibilidade de carne e ajudar a reduzir os preços no mercado interno.

Para o Brasil, portanto, a nova cota representa uma oportunidade de ampliar as exportações, mas a efetiva participação no volume adicional dependerá da competitividade dos frigoríficos e das condições comerciais oferecidas aos importadores americanos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

Ler Mais
Exportação

Exportação de carne bovina recua após China preencher cota de importação

A exportação de carne bovina brasileira perdeu ritmo depois que a China completou a cota de 1,1 milhão de toneladas para importações sem a cobrança da tarifa adicional de 55%. Com a mudança, o Brasil começa a registrar redução no volume embarcado para o mercado internacional.

Na segunda semana de agosto, o país exportou, em média, 8,4 mil toneladas de carne bovina por dia útil, abaixo das 10,5 mil toneladas registradas na primeira semana do mês.

Considerando os dez primeiros dias úteis de agosto, a média ficou em 9.442 toneladas diárias. O resultado representa uma queda de 26% em relação a agosto de 2025 e corresponde ao menor nível desde janeiro do ano passado.

China antecipou compras antes da nova tarifa

A expectativa de aumento da tributação levou o mercado chinês a antecipar parte das compras de carne bovina do Brasil. Enquanto a alíquota permanecia em 12%, os importadores elevaram os volumes adquiridos.

O movimento ajudou a impulsionar as exportações brasileiras. Em novembro de 2025, os embarques chegaram a uma média de 16,8 mil toneladas por dia útil, período em que a demanda chinesa teve papel importante no desempenho.

Desde janeiro, passou a valer uma cota de 1,1 milhão de toneladas. Após esse limite ser atingido, as importações brasileiras ficam sujeitas a uma tarifa adicional de 55%. Na prática, a carne bovina brasileira passa a enfrentar uma tributação total de 67%.

Preço da carne bovina continua sustentado

Apesar da retração no volume embarcado, os preços da carne bovina brasileira no mercado internacional permanecem em patamar elevado.

Dados acompanhados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que a tonelada de carne bovina in natura é negociada, em média, por US$ 6.140.

O valor está abaixo do registrado em julho, mas ainda representa uma alta de aproximadamente 10% sobre agosto do ano passado.

Carne de frango e carne suína têm desempenhos diferentes

O comportamento das exportações de outras proteínas animais é diferente do observado na carne bovina.

Os embarques de carne de frango alcançaram 22,6 mil toneladas por dia útil em agosto, alta de 27% na comparação com o mesmo período de 2025. O preço médio também avançou, com aumento de 17%.

No mercado de carne suína, as exportações diárias estão 10,5% acima das registradas em agosto do ano passado. O desempenho dos preços, porém, é negativo, com queda de 8%, segundo dados da Secex.

China responde por quase metade da receita da carne bovina

A China continua sendo o principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil.

De acordo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o setor acumulou US$ 11,4 bilhões em receitas entre janeiro e julho. Desse total, 47% tiveram origem nas vendas para o mercado chinês.

Em volume, a participação da China também foi significativa: 45% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no período teve o país asiático como destino.

Preços no campo têm movimentos distintos

No mercado pecuário paulista, a arroba do boi gordo está cotada a R$ 345. O preço acumula queda de 0,43% no mês, segundo o Cepea.

No mesmo período, a cotação do suíno recuou 2,6%, enquanto o preço do frango registrou alta de 0,42%.

Exportações de arroz avançam em agosto

As vendas externas de arroz brasileiro apresentaram forte crescimento nas duas primeiras semanas de agosto.

Segundo a Secex, os embarques de arroz em casca chegaram a 10,8 mil toneladas por dia útil. O volume representa uma alta de 250% em relação ao mesmo período de 2025.

Pecuaristas de Mato Grosso ampliam intenção de confinamento

A pesquisa de intenção de confinamento realizada pelo Imea em julho aponta que os pecuaristas de Mato Grosso pretendem colocar 1,33 milhão de cabeças de gado em confinamento.

O número é 43% maior que o registrado na mesma pesquisa de 2025. Em relação à sondagem realizada em abril deste ano, porém, houve uma redução de 8%.

O levantamento estima ainda um custo diário médio de R$ 13,62 por animal no sistema de confinamento.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Joel Silva/Reuters

Ler Mais
Exportação

Carne bovina de Mato Grosso amplia destinos e eleva valor das exportações

A carne bovina de Mato Grosso ganhou espaço no mercado internacional no primeiro semestre de 2026, tanto em número de compradores quanto no valor obtido pelas exportações. Ao todo, o estado embarcou o produto para 88 países, movimentando US$ 2,4 bilhões.

O preço médio também avançou. A tonelada de carne bovina foi comercializada por cerca de US$ 6,1 mil, acima dos US$ 5,1 mil registrados no mesmo período de 2025.

Exportações alcançam mais países

Os números mostram uma expansão do mercado externo da pecuária mato-grossense. Nos primeiros seis meses de 2025, a carne produzida no estado tinha como destino 77 países e gerava US$ 1,47 bilhão em receita.

Além do aumento no número de mercados, houve valorização do produto. Em média, cada tonelada exportada passou a render aproximadamente US$ 1 mil a mais do que no ano anterior.

China segue como principal destino

Apesar da diversificação, a China permanece como o maior mercado para a carne bovina de Mato Grosso. No primeiro semestre, foram enviadas 282,4 mil toneladas ao país asiático.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 41 mil toneladas importadas. Na sequência está o Chile, que recebeu 31 mil toneladas.

Entre os dez principais compradores também estão Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos.

Diversificação reduz riscos para a pecuária

Além dos grandes mercados, a carne de Mato Grosso também chegou a países com volumes menores de compras, como Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia.

Para o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), ampliar a quantidade de compradores é uma estratégia importante para reduzir a dependência de mercados específicos.

Segundo o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, uma maior diversificação pode diminuir os impactos de oscilações econômicas e contribuir para dar mais previsibilidade à indústria frigorífica e aos produtores.

A expansão também abre espaço para a busca por mercados de maior valor, especialmente aqueles que remuneram melhor características relacionadas à qualidade da proteína.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

Ler Mais
Exportação

Carne bovina de Mato Grosso tem maior valorização na Europa e supera preços da China

Embora a China continue como o principal destino em volume da carne bovina de Mato Grosso, os compradores europeus apresentam maior retorno financeiro para o setor. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), analisados pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), indicam que países da Europa chegaram a pagar até 40% a mais por tonelada do produto em comparação ao mercado chinês no primeiro semestre de 2026.

Entre janeiro e junho, a União Europeia desembolsou, em média, US$ 6.390 por tonelada da carne produzida no estado. Já os demais países europeus pagaram cerca de US$ 6.667 por tonelada, enquanto a China registrou média de US$ 4.745 por tonelada.

China mantém liderança em volume de exportações

Apesar da diferença de preços, o mercado chinês segue como o maior comprador da produção mato-grossense. No período analisado, a China respondeu por 55,2% de todo o volume exportado pelo estado.

A forte presença chinesa está ligada à capacidade de absorção de grandes quantidades. No entanto, os mercados europeus ganham destaque pela valorização de atributos como qualidade da carne, rastreabilidade, certificações e padrões de produção mais rigorosos, fatores que aumentam o valor agregado do produto.

Índice de Atratividade mostra maior retorno da Europa

A vantagem econômica dos embarques para a Europa também aparece no Índice de Atratividade das Exportações, desenvolvido pelo Imea para medir o retorno gerado por cada mercado comprador em relação ao preço da arroba do boi gordo em Mato Grosso.

No levantamento, a União Europeia liderou o ranking com índice de 108,49, seguida pelos demais países europeus, com 98,59. A China alcançou 74,37, ficando atrás do Oriente Médio, com 76,58, e da América do Norte, com 75,47.

Quanto maior o índice, maior a capacidade do mercado de gerar agregação de valor para a cadeia produtiva da pecuária estadual.

Diversificação de mercados fortalece a pecuária de Mato Grosso

Para o setor produtivo, os resultados mostram que a pecuária mato-grossense está preparada para atender tanto grandes compradores internacionais quanto consumidores que exigem padrões elevados de produção.

Segundo Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), a China continuará sendo um parceiro estratégico pela escala das compras, mas o avanço em mercados como o europeu demonstra a capacidade dos produtores de atender demandas relacionadas à qualidade, regularidade no fornecimento e controle de origem.

Ainda de acordo com Andrade, ampliar a presença em destinos de maior remuneração contribui para reduzir riscos comerciais e estimular investimentos em tecnologia no campo, melhoramento genético, eficiência produtiva e práticas de conformidade socioambiental.

FONTE: Itatiaia
TEXTO: Redação
IMAGEM: IMAC/Reprodução

Ler Mais
Informação

Governo critica exigência da União Europeia sobre antimicrobianos e defende sistema sanitário brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificou como “inaceitável” a exigência da União Europeia (UE) para que o Brasil comprove previamente o controle do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes ao bloco europeu.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (23), a pasta reforçou que o país deve permanecer na lista de nações autorizadas a exportar para a UE, independentemente do tempo necessário para que todas as cadeias produtivas atendam integralmente às novas exigências sanitárias.

Brasil defende confiança no sistema de fiscalização

O governo brasileiro argumenta que o comércio internacional de produtos agropecuários é sustentado pela confiança entre as autoridades sanitárias e pelo reconhecimento dos sistemas oficiais de inspeção.

Na avaliação do ministério, exigir a comprovação antecipada de medidas que são implementadas gradualmente ao longo do processo produtivo contraria esse princípio.

Segundo o Mapa, cabe justamente ao sistema oficial de fiscalização verificar o cumprimento das normas e garantir que apenas produtos em conformidade com os requisitos sanitários recebam certificação para exportação.

Certificação depende do ciclo produtivo

O Brasil passou a adotar recentemente um modelo de controle que acompanha todo o ciclo de produção dos animais quanto ao uso de antimicrobianos.

O tempo necessário para atender às exigências varia conforme a cadeia produtiva. Na pecuária bovina, por exemplo, a certificação pode levar cerca de dois anos, enquanto na produção de aves o processo é concluído em aproximadamente 40 dias.

Para o ministério, essa diferença demonstra que a disponibilidade de produtos aptos para exportação depende do ciclo de produção de cada setor, sem comprometer a credibilidade do sistema brasileiro de fiscalização.

Governo afirma que não pediu flexibilização das regras

O Ministério da Agricultura destacou que o Brasil não solicitou mudanças nas normas sanitárias da União Europeia.

Segundo a pasta, o compromisso continua sendo cumprir integralmente as exigências estabelecidas pelos mercados importadores, preservando os padrões internacionais de segurança alimentar.

O governo informou ainda que encaminhou à Comissão Europeia uma ampla documentação técnica com informações sobre os mecanismos de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação aplicados às cadeias de carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca.

Até o momento, de acordo com o ministério, as autoridades europeias ainda não apresentaram uma manifestação definitiva sobre os documentos enviados.

Setor quer manutenção do Brasil na lista de exportadores

Representantes da indústria frigorífica e da pecuária apoiaram a posição adotada pelo governo brasileiro.

Segundo fontes do setor, a principal reivindicação é que o Brasil permaneça habilitado para exportar ao bloco europeu, ainda que parte dos produtos leve mais tempo para atender plenamente às novas exigências.

Na avaliação de integrantes da cadeia produtiva, a discussão sobre a disponibilidade de animais certificados não deve ser confundida com a confiabilidade do sistema sanitário nacional.

Entenda o impasse com a União Europeia

Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro, alegando falhas na comprovação do controle do uso de antimicrobianos.

Como alternativa, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento desses insumos na produção nacional para atender às exigências europeias. No entanto, estimativas do setor apontam que essa medida poderia elevar os custos da cadeia pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, devido ao aumento das despesas com alimentação animal e medicamentos.

Exportações para a União Europeia movimentam bilhões

A União Europeia permanece entre os principais mercados para a proteína animal brasileira.

Em 2025, o bloco importou aproximadamente 128 mil toneladas de carne bovina do Brasil, movimentando cerca de US$ 1 bilhão. Considerando todas as proteínas exportadas, o comércio entre as partes alcançou US$ 1,8 bilhão.

O Ministério da Agricultura reafirmou que continuará o diálogo técnico com as autoridades europeias e defendeu que futuras decisões sejam baseadas em critérios científicos, transparência e cooperação internacional, princípios considerados fundamentais para o comércio global de produtos agropecuários.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araujo/CNA

Ler Mais
Exportação

Exportações de carne bovina para a China podem cair R$ 4,5 bilhões com limite de importação

A indústria brasileira de carne bovina projeta uma forte retração nas exportações para a China em 2026 após a adoção de um novo limite de importações pelo governo chinês. A estimativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) é que os embarques somem cerca de 900 mil toneladas, volume significativamente inferior ao recorde de 1,648 milhão de toneladas registrado em 2025.

Segundo a entidade, a redução poderá provocar uma perda de aproximadamente R$ 4,5 bilhões em receitas para os frigoríficos brasileiros, levando empresas a reduzir produção e cortar custos.

Cota chinesa limita embarques de carne brasileira

A queda nas exportações está relacionada à nova medida de salvaguarda adotada pela China, que estabeleceu um teto de 1,1 milhão de toneladas para as importações de carne bovina brasileira em 2026.

Entretanto, cargas embarcadas em 2025 e desembaraçadas nos portos chineses neste ano também passaram a ser contabilizadas dentro dessa cota. Até junho, cerca de 794,6 mil toneladas já haviam chegado ao país asiático, reduzindo significativamente o espaço disponível para novos embarques.

Com isso, a Abiec calcula que o Brasil deixará de exportar cerca de 748 mil toneladas ao mercado chinês neste ano.

Frigoríficos suspendem embarques e ajustam produção

Diante do esgotamento da cota, diversos frigoríficos brasileiros interromperam, desde julho, a produção de determinados cortes destinados à China e suspenderam novos embarques para o país.

Embora o governo chinês ainda não tenha divulgado oficialmente os números da cota utilizada, o setor trabalha com a expectativa de retomar a produção voltada ao mercado chinês no último trimestre de 2026.

Como o transporte marítimo leva aproximadamente 40 dias, os embarques realizados a partir de novembro deverão chegar à China apenas em 2027, sendo contabilizados na cota do próximo ano e evitando tarifas adicionais.

Receita pode encolher mesmo com novos mercados

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, reconhece que o setor busca ampliar as vendas para outros destinos, mas admite que esses mercados dificilmente compensarão a perda do principal comprador da carne bovina brasileira.

A associação projeta que as exportações totais de carne bovina encerrem 2026 com queda de aproximadamente 10% em relação ao ano anterior, quando o Brasil embarcou cerca de 3,5 milhões de toneladas.

Setor enfrenta demissões e redução das operações

Os impactos já começam a ser sentidos pelos frigoríficos. Segundo a Abiec, empresas responsáveis por cerca de 98% das exportações brasileiras de carne bovina adotaram medidas para reduzir custos.

Entre as ações estão:

  • redução do ritmo de abate;
  • suspensão temporária de trabalhadores;
  • demissões;
  • diminuição da jornada de trabalho;
  • paralisação de linhas de produção voltadas ao mercado chinês.

A entidade afirma que parte das empresas opera atualmente com margens negativas e que esse cenário pode acelerar o processo de consolidação da indústria, favorecendo aquisições de frigoríficos menores por grupos de maior porte.

Mercado europeu também preocupa exportadores

Além das restrições impostas pela China, o setor acompanha com preocupação a possibilidade de interrupção das exportações de carne bovina para a União Europeia a partir de setembro.

Segundo a Abiec, o Brasil ainda precisa apresentar documentação técnica que comprove que os animais destinados ao bloco europeu são criados sem o uso de antimicrobianos, exigência das autoridades sanitárias europeias.

A eventual suspensão representaria uma nova perda para os exportadores, já que o mercado europeu compra cortes de maior valor agregado e contribui para fortalecer a reputação internacional da carne brasileira.

Oferta menor pode elevar preços no Brasil

Entre janeiro e junho de 2026, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 15,5% sobre o mesmo período do ano anterior. A receita alcançou US$ 9,8 bilhões, avanço de 36,2%, enquanto o preço médio da tonelada subiu quase 18%, chegando a US$ 5.700.

Apesar da expectativa de uma redução inicial nos preços internos devido ao menor ritmo das exportações, a Abiec avalia que a diminuição da produção poderá limitar a oferta de carne no mercado doméstico nos próximos meses.

Com menos animais destinados ao abate e custos de produção ainda elevados, a tendência é que os preços ao consumidor voltem a subir no médio prazo.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Globo Rural

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook