Comércio Internacional

Comissão aprova acordo Mercosul-UE; texto segue para votação na Câmara

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul aprovou nesta terça-feira (24) o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Com a medida, o tratado caminha para criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, conectando dois blocos com mais de 700 milhões de pessoas.

Com a aprovação na comissão, o texto seguirá para o Plenário da Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a votação deve ocorrer ainda nesta semana, priorizando a previsibilidade nas relações comerciais internacionais.

Benefícios e impacto econômico do acordo

Assinado em 17 de janeiro no Paraguai, o tratado prevê redução gradual ou eliminação de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio entre os blocos.

O relator da proposta, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), destacou que o acordo trará condições mais favoráveis para os setores produtivos brasileiros, estimulando inovação e possibilitando a importação de bens de capital e novas tecnologias, criando um ciclo de desenvolvimento econômico sustentável.

Negociado por mais de 25 anos, o acordo estabelece:

  • Regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas;
  • Estímulo a investimentos e harmonização de padrões regulatórios;
  • Ampliação do fluxo de bens e serviços entre América do Sul e União Europeia.

Apesar de questionamentos na União Europeia, que enviou o acordo ao Tribunal de Justiça da UE, a expectativa é que sua aplicação provisória comece em março, segundo diplomatas.

Tramitação no Congresso Nacional

O processo no Brasil começou com o envio da mensagem presidencial ao Congresso, em 2 de fevereiro. Após análise da comissão da Câmara, o texto seguirá para votação no Plenário e depois será enviado ao Senado Federal.

Paralelamente, cada país do Mercosul precisa aprovar o tratado internamente, seguindo seus ritos legislativos. A ratificação completa por todos os países é necessária para que o acordo entre plenamente em vigor, podendo haver implementação em momentos distintos em cada Estado.

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado criou um grupo de trabalho para acompanhar a implantação do acordo. Segundo o presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o grupo terá foco nos desdobramentos da integração entre Mercosul e União Europeia.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Youtube

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Evento

FIESC promove Encontro de Negócios Espanha x Santa Catarina em abril

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) organiza, entre os dias 17 e 26 de abril, o Encontro de Negócios Espanha x SC – Aliança Estratégica Global, com o objetivo de aproximar empresas catarinenses do mercado europeu. O evento acontecerá em Madri e em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, reunindo instituições e empresas multissetoriais, com foco especial no setor de máquinas e equipamentos.

Geração de negócios e cooperação tecnológica

A iniciativa visa fomentar negócios, fortalecer redes de relacionamento e identificar sinergias estratégicas, além de potenciais parceiros para cooperação tecnológica. Em 2025, Santa Catarina exportou US$ 98,75 milhões para a Espanha, destacando-se carnes de aves, motores elétricos, madeira serrada e compensada e móveis. No mesmo período, as importações espanholas chegaram a US$ 322 milhões, puxadas por pigmentos, azeite de oliva, produtos de beleza e medicamentos.

Com a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, a FIESC identificou produtos catarinenses com maior potencial de crescimento na Espanha, reforçando a importância da missão.

Etapas do evento: Madri e Las Palmas

Na primeira etapa, em Madri, as indústrias catarinenses participarão de reuniões com potenciais compradores, agendas institucionais em entidades do setor produtivo e na Embaixada do Brasil, além de visitas técnicas.

Na segunda etapa, em Las Palmas, os participantes terão encontros com associações empresariais e visitas ao porto local, ampliando oportunidades de parcerias e logística para exportação.

Indústrias catarinenses do segmento de máquinas e equipamentos interessadas em participar podem se inscrever por meio dos canais da FIESC.

Faça sua inscrição

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Internacional

União Europeia prepara entrada em vigor de acordo com Mercosul apesar de resistências

A União Europeia deve avançar, nos próximos meses, com a implementação do acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo diante da oposição de alguns países-membros e de questionamentos judiciais. A sinalização foi feita nesta sexta-feira pelo comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic.

Acordo pode eliminar bilhões em tarifas

O tratado firmado entre o bloco europeu e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros (aproximadamente US$ 4,7 bilhões) em tarifas sobre exportações europeias.

Se efetivado, o acordo se tornará o maior já negociado pela UE em termos de potencial redução tarifária, ampliando o acesso de empresas europeias ao mercado sul-americano e fortalecendo as relações comerciais entre as regiões.

O texto foi concluído em janeiro, após 25 anos de negociações entre as partes.

França lidera oposição dentro da União Europeia

Apesar do avanço institucional, o tratado enfrenta resistência política relevante. França tem se posicionado de forma contrária ao acordo, alegando que a ampliação das importações de produtos agrícolas do Mercosul — especialmente carne bovina e açúcar — pode prejudicar produtores locais.

Por outro lado, Alemanha e Espanha figuram entre os principais defensores da iniciativa, argumentando que o acordo amplia oportunidades comerciais estratégicas para o bloco europeu.

Contestação judicial pode atrasar processo

Além do embate político, há também um impasse jurídico. No mês passado, o Parlamento Europeu aprovou uma medida para levar o acordo ao tribunal superior da União Europeia, movimento que pode retardar sua implementação em até dois anos e até comprometer sua viabilidade.

Mesmo assim, a Comissão Europeia ainda pode optar pela aplicação provisória do acordo antes da conclusão da análise judicial, acelerando sua entrada em vigor.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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Exportação

Peru supera Argentina nas exportações ao Brasil e altera equilíbrio do Mercosul em 2025

O comércio exterior sul-americano passou por uma virada em 2025. O Peru deixou a Argentina para trás e assumiu a liderança nas exportações ao Brasil, redesenhando o equilíbrio comercial dentro do Mercosul e impactando as relações econômicas na região.

A mudança ocorre em meio à crise econômica argentina e ao avanço consistente da economia peruana, que há anos aposta em investimentos estruturais, acordos internacionais e diversificação da pauta exportadora.

Estratégia de longo prazo fortalece exportações peruanas

O crescimento do Peru não é pontual. O país vem consolidando sua posição como potência exportadora de cobre e ouro, dois produtos estratégicos no mercado global. A demanda por cobre, especialmente, tem sido impulsionada pela expansão das energias renováveis e da indústria de carros elétricos.

Além do setor mineral, o país ampliou sua presença no comércio internacional com produtos agrícolas de alto valor agregado, como mirtilo e abacate. A diversificação reduziu a dependência de um único segmento e fortaleceu sua inserção nas cadeias globais.

A política de abertura comercial também foi decisiva. O Peru mantém acordos relevantes com os Estados Unidos e integra a Aliança do Pacífico, criada em 2012, o que ampliou mercados e estimulou investimentos em infraestrutura e logística.

Crise na Argentina influencia reconfiguração do Mercosul

Enquanto o Peru colhe resultados de um planejamento econômico gradual, a Argentina enfrenta um período de transição. O país passa por reformas estruturais, incluindo medidas de liberalização e desregulamentação econômica, mas os efeitos dessas mudanças ainda são incertos no médio prazo.

A instabilidade e os ajustes recentes impactaram o desempenho comercial argentino, abrindo espaço para a ascensão peruana nas exportações ao Brasil. A diferença entre os dois países, segundo análises econômicas, está na continuidade das políticas públicas e na previsibilidade institucional.

Economias que enfrentam instabilidade prolongada tendem a apresentar maior dificuldade na diversificação da pauta exportadora, tornando-se mais vulneráveis às oscilações externas.

Impactos para o Brasil e competitividade industrial

A superação da Argentina pelo Peru altera a dinâmica do Mercosul. Historicamente, o mercado argentino é um dos principais destinos de produtos industrializados brasileiros.

Com a ampliação da abertura comercial argentina, inclusive para parceiros como a China, cresce a concorrência direta com produtos brasileiros. Esse movimento pode pressionar setores da indústria nacional e exigir ajustes estratégicos para manter competitividade no comércio intrabloco.

Especialistas apontam que o Brasil precisará reforçar políticas voltadas à competitividade industrial, inovação e diversificação de mercados para evitar perdas no novo cenário regional.

Oportunidades no mercado peruano

Apesar do avanço nas exportações de commodities, o Peru ainda possui uma estrutura industrial menos robusta que a brasileira. Isso pode abrir espaço para a expansão de produtos manufaturados do Brasil.

Setores como automóveis, eletrodomésticos e bens de tecnologia aparecem como áreas com potencial de crescimento nas exportações brasileiras ao mercado peruano.

Como o Peru não integra o Mercosul, a formalização de acordos bilaterais específicos pode garantir maior previsibilidade e segurança jurídica nas trocas comerciais entre os dois países.

Reconfiguração comercial na América do Sul

A liderança do Peru nas exportações ao Brasil em 2025 simboliza uma reconfiguração mais ampla nas relações comerciais sul-americanas. O movimento não resulta apenas de fatores conjunturais, mas de uma estratégia econômica consistente ao longo dos anos.

Para o Brasil, o novo cenário exige revisão estratégica tanto no relacionamento com a Argentina quanto na ampliação de oportunidades junto ao mercado peruano, em um ambiente de crescente competição regional.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio

Acordo UE-Mercosul avança: Câmara da Argentina aprova tratado comercial

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o acordo UE-Mercosul, dando um passo decisivo para a ratificação do tratado no país. A votação foi concluída pouco antes da meia-noite, com 203 votos favoráveis, 42 contrários e quatro abstenções.

O resultado evidenciou divisões inclusive dentro da oposição peronista, tradicionalmente associada a posições mais protecionistas. Parte da bancada votou a favor da proposta, alinhando-se à agenda de livre comércio defendida pelo governo.

Texto segue para o Senado argentino

Com o aval dos deputados, o projeto agora será analisado pelo Senado da Argentina, que deve iniciar o debate no dia 26. A expectativa é de aprovação, o que tornaria a Argentina o primeiro integrante do Mercosul a concluir a tramitação legislativa.

A ratificação é etapa necessária para que o tratado entre em vigor. O governo de Javier Milei busca acelerar o processo para assegurar vantagens comerciais, especialmente no acesso a cotas de exportação agropecuária, como as de carne bovina, antes dos demais parceiros do bloco, entre eles o Brasil.

Estratégia para sair na frente no Mercosul

Ao encaminhar o texto ao Congresso, o Executivo solicitou que a proposta fosse apreciada em sessões extraordinárias, com o objetivo de agilizar a votação e posicionar o país na dianteira dentro do bloco sul-americano.

Em Brasília, a Câmara dos Deputados do Brasil deve começar a discutir a ratificação apenas no próximo dia 24.

Aplicação provisória na União Europeia

Do lado europeu, o Parlamento Europeu decidiu submeter o tratado à análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, processo que pode se estender por até dois anos.

No entanto, o capítulo comercial poderá ser aplicado provisoriamente pela Comissão Europeia, que tem competência para implementar a parte comercial enquanto aguarda o parecer jurídico definitivo.

Um acordo histórico com peso geopolítico

Assinado no último dia 24 após 25 anos de negociações, o acordo Mercosul-União Europeia prevê a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

Além do impacto econômico, o pacto também carrega relevância estratégica. A aproximação entre sul-americanos e europeus surge como alternativa diante da crescente polarização entre Estados Unidos e China no cenário global.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: UOL

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Comércio Internacional

Acordo comercial EUA-Argentina pressiona o Mercosul e coloca o Brasil diante de decisão estratégica

O novo acordo comercial EUA-Argentina reacendeu o debate sobre os limites institucionais do Mercosul e pode redefinir a dinâmica de negociações externas do bloco. Batizado de Acordo Recíproco de Comércio e Investimentos (ARTI), o entendimento foi anunciado na última semana e já provoca questionamentos sobre sua compatibilidade com as regras vigentes do grupo sul-americano.

O movimento cria um precedente dentro do bloco e impõe ao Brasil uma escolha estratégica: defender formalmente a norma atual ou adotar postura semelhante em futuros acordos bilaterais.

O que diz a regra do Mercosul

A norma central envolvida é a Decisão CMC 32/00, que estabelece que os países do Mercosul devem negociar conjuntamente acordos comerciais com terceiros quando houver concessão de preferências tarifárias.

O texto determina que os Estados-Partes não podem firmar novos acordos preferenciais isoladamente. Embora não possua mecanismo automático de sanção, a decisão segue formalmente em vigor.

Especialistas avaliam que, no caso do setor de carnes, o acordo firmado entre Estados Unidos e Argentina representa violação material da norma, e não apenas divergência interpretativa.

O conteúdo do acordo bilateral

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o acordo amplia significativamente o acesso de exportadores norte-americanos ao mercado argentino, ao mesmo tempo em que reforça compromissos regulatórios e sanitários.

Entre os principais pontos:

  • Eliminação de tarifas para 1.675 produtos argentinos exportados aos EUA, incluindo vinhos e limões;
  • Ampliação da cota de carne bovina argentina para 80 mil toneladas adicionais, além das 20 mil já existentes com tarifa reduzida;
  • Abertura do mercado argentino a produtos farmacêuticos, químicos, máquinas, itens de tecnologia, veículos e produtos agrícolas dos EUA;
  • Reconhecimento da autoridade sanitária norte-americana (FSIS) e compromisso de procedimentos transparentes pelo SENASA.

O acordo também inclui medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), cotas e compromissos regulatórios. Embora não altere formalmente a Tarifa Externa Comum do Mercosul, especialistas apontam que a equivalência sanitária combinada com cotas preferenciais configura, na prática, instrumento de acesso preferencial a mercado.

Precedente e risco de efeito dominó

A principal preocupação é o precedente. Caso o arranjo seja aceito sem contestação, outros setores podem seguir o mesmo modelo, esvaziando gradualmente a coordenação externa do bloco.

Analistas avaliam que o governo de Javier Milei aposta na limitada capacidade institucional do Mercosul de reagir e na resistência de países como Brasil, Paraguai e Uruguai em escalar o conflito político.

Ao mesmo tempo, os EUA, sob a liderança de Donald Trump, vêm priorizando acordos bilaterais funcionais, em detrimento de negociações bloco a bloco.

Brasil em encruzilhada: duas estratégias possíveis

Diante do cenário, o Brasil pode optar por dois caminhos distintos:

Estratégia defensiva

Consistiria em contestar formalmente a Argentina no âmbito do Mercosul, reforçando o princípio das negociações conjuntas e preservando a força normativa da Decisão 32/00.

O custo potencial é o desgaste diplomático bilateral, além da baixa probabilidade de reversão prática do acordo.

Estratégia ofensiva

Outra alternativa seria utilizar o precedente para ampliar a margem de manobra da política comercial brasileira, negociando acordos bilaterais semelhantes.

A vantagem seria maior flexibilidade estratégica. O risco, contudo, envolve o enfraquecimento explícito da coordenação externa do Mercosul e a abertura de espaço equivalente para Paraguai e Uruguai.

Impactos para a política comercial regional

A avaliação predominante é que o episódio ultrapassa um caso isolado. O acordo EUA-Argentina força o Brasil a definir sua posição diante de um precedente concreto.

Contestar o entendimento preserva a regra institucional, mas expõe limitações do bloco. Replicá-lo amplia opções comerciais, porém redefine, na prática, o alcance da política comercial comum.

A próxima reunião do Mercosul deve oferecer sinais sobre como os demais membros reagirão ao novo arranjo.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio

Salvaguardas agrícolas do Mercosul são aprovadas pelo Europarlamento para destravar acordo comercial

O Parlamento Europeu aprovou, nesta terça-feira, as salvaguardas agrícolas do acordo Mercosul–União Europeia, consideradas decisivas para destravar a assinatura do tratado de livre comércio com os países sul-americanos. As cláusulas foram negociadas entre os 27 Estados-membros e a Comissão Europeia, em Bruxelas, como condição para viabilizar o avanço do pacto, assinado em janeiro e que pode entrar em vigor de forma provisória nos próximos meses.

A decisão permite que o Executivo comunitário avalie a aplicação temporária do acordo enquanto os trâmites finais seguem em andamento.

Proteção ao campo europeu está no centro das medidas

As salvaguardas aprovadas têm como objetivo reforçar a proteção da agricultura europeia diante de possíveis impactos causados pela maior abertura do mercado aos produtos do Mercosul. Entre os setores considerados mais sensíveis estão aves, carne bovina, ovos, citros e açúcar.

A proposta busca evitar distorções graves no mercado interno, oferecendo instrumentos rápidos de resposta caso haja desequilíbrios provocados pelo aumento das importações.

Partido Popular destaca defesa dos agricultores

Após a votação, o Partido Popular Europeu celebrou o resultado. O eurodeputado espanhol Gabriel Mato, relator do parecer aprovado, afirmou que as salvaguardas garantem uma proteção “real e eficaz” aos agricultores assim que o novo regime comercial entrar em vigor.

Em nota, o partido destacou que o mecanismo é fundamental por permitir a adoção de medidas preventivas, antes que eventuais danos ao mercado agrícola europeu se tornem irreversíveis.

Limites acionam investigações em até 21 dias

O texto aprovado estabelece parâmetros claros para que a Comissão Europeia possa iniciar investigações e ativar medidas corretivas em até 21 dias, caso seja identificado um impacto relevante sobre produtos agrícolas sensíveis.

Inicialmente, os limites discutidos entre Conselho e Parlamento previam uma variação de 8%, mas o percentual foi reduzido para 5%, atendendo à posição defendida pelo Parlamento Europeu e às exigências da Itália.

Mudança destrava impasse político

A redução do limite foi determinante para que o governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, retirasse o veto ao acordo. Até então, a Itália se alinhava ao bloqueio imposto por França e Polônia, o que impedia a assinatura do tratado.

Com a retirada da objeção italiana, o processo foi retomado e permitiu a formalização do acordo em janeiro.

Quando as salvaguardas serão acionadas

Pelas novas regras, Bruxelas poderá agir sempre que as importações de produtos agrícolas sensíveis aumentarem, em média, 5%, acompanhadas de uma queda equivalente nos preços ao longo de três anos. O critério é mais rígido do que a proposta inicial da Comissão Europeia, que previa variações de até 10%.

FONTE: Monitor Mercantil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gustavo Magalhães, MRE

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia chega ao Congresso após envio do governo federal

O presidente da República encaminhou oficialmente ao Congresso Nacional o texto do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O envio foi formalizado nesta segunda-feira (2) e publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), dando início ao processo de análise legislativa no Brasil.

Para que o tratado entre em vigor, será necessária a aprovação tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal, etapa que deve ocorrer nas próximas semanas, segundo a expectativa do governo.

Maior área de livre comércio do mundo

O acordo Mercosul-UE cria a maior zona de livre comércio do planeta, reunindo um mercado de mais de 720 milhões de consumidores. O texto foi assinado em 17 de janeiro, durante cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, após anos de negociações entre os dois blocos.

Entre os principais pontos do tratado está a redução gradual de tarifas alfandegárias, abrangendo a maior parte dos bens e serviços comercializados entre os países envolvidos.

Redução de tarifas entre os blocos

Pelo cronograma estabelecido, o Mercosul se compromete a eliminar tarifas sobre 91% dos produtos europeus em um prazo de até 15 anos. Já a União Europeia prevê a retirada de tarifas sobre 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos.

O objetivo é ampliar o fluxo comercial, reduzir custos de exportação e importação e fortalecer a integração econômica entre a América do Sul e o bloco europeu.

Aprovação ainda depende de instâncias internacionais

Apesar da assinatura formal, o acordo ainda precisa ser internalizado pelos parlamentos nacionais de todos os países do Mercosul, além de passar pelo crivo do Parlamento Europeu.

No lado europeu, entretanto, o processo enfrenta entraves. Há cerca de duas semanas, o texto foi encaminhado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o que pode adiar a ratificação por até dois anos, segundo avaliações preliminares.

Governo brasileiro aposta em efeito político

A estratégia do governo federal é avançar rapidamente com a aprovação no Congresso Nacional, utilizando o aval brasileiro como fator de pressão política para acelerar a tramitação do acordo no âmbito europeu.

A avaliação é de que a ratificação pelo Brasil fortaleça o discurso favorável ao tratado e contribua para destravar resistências ainda existentes dentro da União Europeia.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Comércio Internacional

União Europeia sinaliza aplicação provisória de acordo Mercosul-UE

Bloco europeu avalia antecipar benefícios do acordo comercial
A União Europeia afirmou estar preparada para colocar em prática, de forma provisória, o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul. A sinalização foi feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao final da cúpula de líderes da UE, realizada em Bruxelas.

A possibilidade surge mesmo após o Parlamento Europeu decidir adiar a ratificação formal do tratado, enquanto uma revisão jurídica do texto é conduzida pela Corte Europeia de Justiça.

Aplicação provisória depende do Mercosul
Segundo von der Leyen, a Comissão Europeia poderá avançar com a aplicação provisória do acordo assim que ao menos um país do Mercosul ratificar o tratado. Para ela, há interesse político claro em antecipar os efeitos econômicos do pacto.

A presidente destacou que, apesar de ainda não haver uma decisão formal, a UE está pronta para agir no momento em que os parceiros sul-americanos concluírem seus processos internos.

Comissão Europeia tem respaldo institucional
Durante a mesma coletiva, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a Comissão Europeia possui autoridade legal para implementar o acordo de forma provisória, sem a necessidade de aguardar a ratificação completa por todos os parlamentos nacionais do bloco.

Essa estratégia, no entanto, tende a gerar reação de países contrários ao acordo, especialmente a França, que lidera a oposição dentro da UE.

Resistência francesa e revisão judicial
Na última quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou, por margem estreita, o envio do acordo comercial à Corte Europeia de Justiça para análise jurídica. Com isso, a votação de ratificação fica suspensa até a decisão do tribunal, processo que pode levar meses.

A França, maior produtor agrícola da Europa, defende salvaguardas adicionais para o setor agropecuário, alegando riscos à competitividade dos agricultores europeus. Em contrapartida, o chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou o adiamento como negativo e defendeu a adoção imediata da aplicação provisória.

Estratégia geopolítica e diversificação comercial
O acordo Mercosul-UE é considerado estratégico para Bruxelas no contexto de diversificação das relações comerciais, reduzindo a dependência histórica dos Estados Unidos. A iniciativa ganhou força diante do ambiente de tensão e imprevisibilidade nas relações comerciais internacionais durante o segundo mandato do presidente norte-americano, Donald Trump.

Nos últimos anos, a União Europeia firmou acordos com países como Japão e México e planeja concluir um tratado semelhante com a Índia ainda este mês.

Impacto econômico e alcance global
O tratado prevê a eliminação gradual de mais de 90% das tarifas comerciais, abrangendo produtos como carne bovina sul-americana e automóveis europeus. A expectativa é criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, beneficiando mais de 700 milhões de consumidores.

O acordo conta com forte apoio de países produtores agropecuários da América do Sul e de setores industriais da Europa. Na região sul-americana, a ratificação é vista como praticamente garantida.

Composição do Mercosul no acordo
O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, as principais economias do bloco. A Bolívia, mais recente integrante, ainda não faz parte do acordo comercial, mas poderá aderir futuramente. A Venezuela, suspensa do Mercosul, também não está incluída no tratado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Yves Herman

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Comércio Internacional

ApexBrasil vê aumento de riscos para o acordo Mercosul-União Europeia diante de resistência política no bloco

A ApexBrasil avalia que o acordo Mercosul-União Europeia enfrenta um cenário de maior incerteza, impulsionado pelo avanço de resistências políticas dentro do bloco europeu e por um ambiente crescente de escrutínio jurídico. A análise foi apresentada pelo presidente da agência, Jorge Viana, ao comentar o tema em Brasília.

Segundo ele, embora o tratado siga sendo considerado estratégico para as duas regiões, a combinação de oposição política e dúvidas institucionais na Europa pode atrasar ou dificultar sua tramitação.

Um acordo trilionário sob pressão política

De acordo com Viana, o acordo conecta dois blocos que, juntos, somam cerca de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB). Essa magnitude ajuda a explicar a intensidade das disputas internas na União Europeia, especialmente em setores protegidos e em grupos políticos que enxergam riscos competitivos para suas economias nacionais.

O presidente da ApexBrasil destacou que o texto do tratado inclui mecanismos de salvaguarda, criados justamente para reduzir impactos abruptos e evitar distorções de mercado. A intenção, segundo ele, foi construir um acordo equilibrado, capaz de acomodar interesses distintos.

Ainda assim, a resistência política na Europa permanece elevada e cria um ambiente de instabilidade que pode comprometer o avanço da ratificação.

Senado brasileiro promete prioridade em 2026

No plano doméstico, Viana afirmou ter discutido o tema com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em reunião realizada no dia 21 de janeiro. Segundo ele, o compromisso é tratar a aprovação do acordo como prioridade legislativa em 2026.

A sinalização indica uma tentativa de acelerar a tramitação interna e demonstrar engajamento político do Brasil. De acordo com o relato, Alcolumbre teria indicado que o acordo será colocado no topo da pauta quando o Congresso retomar os trabalhos após o recesso.

Coordenação regional como forma de pressão diplomática

Viana também mencionou a possibilidade de articulação com os parlamentos dos demais países do Mercosul para avançar de forma coordenada na aprovação do tratado. Na avaliação da ApexBrasil, esse movimento poderia elevar o custo político de uma demora excessiva do lado europeu.

A estratégia, segundo o dirigente, funcionaria como uma pressão indireta e diplomática, ao demonstrar que a América do Sul estaria pronta para cumprir suas etapas institucionais.

Alinhamento com Alckmin e foco na ratificação interna

O presidente da ApexBrasil afirmou que sua leitura está alinhada à do vice-presidente Geraldo Alckmin, no sentido de acelerar a ratificação interna do acordo. O objetivo seria reduzir incertezas domésticas e reforçar a previsibilidade institucional do Brasil.

Para o governo e para setores exportadores, a priorização legislativa também serve como sinal político de compromisso com a ampliação do comércio e da integração internacional.

Resistência europeia une extremos políticos

Um dos pontos mais sensíveis destacados por Viana é o caráter transversal da oposição ao acordo dentro da União Europeia. Segundo ele, a resistência atravessa diferentes espectros ideológicos.

Setores mais extremos à esquerda e mais extremos à direita acabaram se unindo contra o acordo”, afirmou. Essa convergência amplia o número de atores capazes de bloquear ou retardar decisões, tornando o processo mais imprevisível.

As críticas envolvem temas como agricultura, meio ambiente, indústria, soberania regulatória e protecionismo, o que dificulta a formação de consensos.

Conselho Europeu e revisão jurídica entram no radar

Viana lembrou que o Conselho Europeu era aguardado para se posicionar sobre os próximos passos do acordo, indicando que o tema entrou em uma fase sensível da tramitação europeia. Ele ressaltou que revisões jurídicas são comuns em acordos comerciais do bloco, citando como exemplo o tratado entre União Europeia e Canadá.

Esses processos, no entanto, podem tanto fazer parte do rito institucional quanto funcionar como instrumentos de adiamento diante de pressões políticas internas.

Limites da atuação brasileira

O presidente da ApexBrasil enfatizou que o Brasil não tem como interferir em decisões de cortes europeias nem em eventuais iniciativas de implementação provisória do acordo. Segundo ele, essas definições cabem exclusivamente às instituições da União Europeia.

Nesse sentido, o principal foco de incerteza permanece concentrado na dinâmica política e jurídica do bloco europeu.

O que está em jogo para Mercosul e União Europeia

As declarações de Jorge Viana desenham um cenário em que o Brasil busca avançar internamente para demonstrar compromisso com o acordo Mercosul-União Europeia, enquanto reconhece que o maior obstáculo está do outro lado do Atlântico.

A aposta brasileira em priorizar a tramitação em 2026 tenta reduzir ruídos internos e reforçar a credibilidade do país. Ainda assim, a oposição europeia e o escrutínio jurídico indicam que o caminho até a entrada em vigor do tratado tende a ser mais longo e incerto, condicionado a disputas políticas que fogem ao controle do Mercosul.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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