Comércio Exterior

Embargo à carne bovina brasileira entra na pauta de diálogo entre Brasil e União Europeia durante o G7

A suspensão das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia (UE) ganhou espaço nas discussões paralelas à cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Representantes europeus e brasileiros buscam uma solução negociada para o impasse sanitário que poderá afetar o comércio entre as duas partes a partir de setembro.

O tema foi confirmado pelo presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que destacou a importância do diálogo entre os envolvidos para superar divergências relacionadas às exigências sanitárias do bloco europeu.

União Europeia questiona padrões sanitários da carne brasileira

A controvérsia teve início após a Comissão Europeia retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o mercado europeu. A decisão foi anunciada pouco depois do início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Segundo autoridades europeias, a medida está relacionada ao cumprimento das normas referentes ao uso de antimicrobianos na produção pecuária, requisito considerado essencial para o acesso ao mercado europeu.

Antonio Costa reforçou que o respeito aos padrões sanitários é indispensável e lembrou que as negociações estão sendo conduzidas pela Comissão Europeia, responsável pela execução das políticas do bloco.

Lula busca avanço nas negociações durante a cúpula

A expectativa do governo brasileiro é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trate do assunto diretamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante encontros realizados à margem do G7.

Embora o encontro bilateral ainda não tenha sido oficialmente confirmado, o embargo à carne brasileira é considerado uma das prioridades da agenda diplomática do Brasil durante o evento.

O país participa da reunião como convidado, apesar de não integrar o grupo formado por Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália.

Participação do Brasil é vista como estratégica

Para Antonio Costa, a presença brasileira no encontro reforça a relevância do país nos debates globais. Segundo ele, desafios como desequilíbrios macroeconômicos, desenvolvimento sustentável, inteligência artificial e cooperação internacional exigem participação ampla e articulação entre diferentes economias.

Esta é a décima vez que o Brasil participa de uma reunião de líderes do G7 como convidado.

Conflitos internacionais dominam a agenda do encontro

Além das negociações comerciais, a cúpula tem como foco principal as tensões geopolíticas internacionais. O conflito no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia concentram boa parte das discussões entre os chefes de Estado.

Durante sua passagem pela França, Lula também se reuniu com o presidente francês Emmanuel Macron. Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou das atividades do encontro em meio às recentes movimentações diplomáticas relacionadas ao Oriente Médio.

Reabertura do Estreito de Ormuz mobiliza líderes mundiais

Um dos temas mais sensíveis debatidos durante a cúpula é a retomada da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e mercadorias.

Autoridades internacionais acompanham os desdobramentos do acordo que encerrou o conflito envolvendo o Irã e discutem medidas para garantir a segurança marítima na região.

Macron afirmou que países europeus estudam apoiar operações para remover minas instaladas durante os confrontos e acelerar a normalização do tráfego marítimo. O líder francês também demonstrou preocupação com a possibilidade de cobrança de taxas adicionais para embarcações que utilizem a passagem, alertando para os impactos que a medida poderia gerar no comércio internacional.

Economia global e comércio exterior seguem no centro dos debates

Além dos conflitos geopolíticos, os líderes do G7 discutem temas ligados à economia global, segurança de cadeias produtivas, fornecimento de minerais críticos, comércio internacional e regulação digital.

Nesse cenário, a negociação entre Brasil e União Europeia sobre a carne bovina brasileira é vista como um dos temas relevantes para o futuro das relações comerciais entre o Mercosul e o bloco europeu.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Hidrovias do Mercosul ganham destaque em debate sobre integração logística e sustentabilidade

O potencial das hidrovias do Mercosul para impulsionar o comércio regional, ampliar a eficiência logística e promover a sustentabilidade esteve no centro das discussões do evento internacional realizado em Buenos Aires, na Argentina. O encontro reuniu representantes governamentais e empresários para debater investimentos, desafios estruturais e estratégias para fortalecer o transporte hidroviário na América do Sul.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, participou da abertura do “Diálogos Hidroviáveis Internacional”, realizado nos dias 17 e 18 de junho, reforçando a importância da integração regional por meio das vias navegáveis.

Hidrovias estratégicas para o escoamento da produção

Entre os principais temas do encontro estiveram as hidrovias Paraguai-Paraná e Tietê-Paraná, consideradas fundamentais para o transporte de produtos agrícolas, minerais e combustíveis.

Esses corredores logísticos desempenham papel essencial no escoamento de commodities como soja, milho, minério de ferro, cana-de-açúcar e derivados energéticos, fortalecendo a competitividade dos países do bloco econômico.

Durante sua participação, o ministro destacou a visão do governo brasileiro para o setor.

“Nossa visão para as hidrovias é de um futuro onde a integração regional seja a norma, onde a eficiência logística otimize o desenvolvimento econômico e onde a sustentabilidade seja uma diretriz permanente”, afirmou.

Investimentos e inovação no transporte hidroviário

A programação do evento contempla discussões sobre a ampliação dos investimentos privados em concessões de canais navegáveis, além da criação de mecanismos de financiamento voltados à modernização da infraestrutura hidroviária.

Também estão na pauta iniciativas para a formação de um fundo regional destinado ao desenvolvimento de embarcações sustentáveis, bem como ações de planejamento de longo prazo para aumentar a eficiência operacional das hidrovias.

Outro destaque são as rodadas de negócios e os debates sobre inovação tecnológica, que buscam aproximar investidores, operadores e fornecedores de soluções para o setor.

Modal hidroviário se destaca pela eficiência ambiental

A sustentabilidade aparece como um dos principais argumentos para a expansão do transporte hidroviário no Mercosul. De acordo com especialistas presentes no evento, o modal pode consumir até 80% menos combustível por tonelada transportada em comparação ao transporte rodoviário.

Essa característica contribui diretamente para a redução das emissões de carbono e para o fortalecimento de uma logística mais sustentável.

Para Tomé Franca, as hidrovias vão além da função de transporte.

“Além de uma rota de transporte, a hidrovia é um vetor estratégico para o desenvolvimento econômico, a sustentabilidade ambiental e a coesão social”, destacou.

Brasil e Argentina fortalecem cooperação logística

Ainda durante a agenda oficial em Buenos Aires, o ministro participou de reunião com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Glinternick Bitelli.

O encontro abordou iniciativas de cooperação bilateral nas áreas de portos, aeroportos e hidrovias, com foco na integração logística entre os dois países, troca de experiências e fortalecimento do diálogo institucional.

Porto de Buenos Aires recebe visita técnica

A comitiva brasileira também realizou uma visita técnica ao Porto de Buenos Aires, considerado o principal terminal portuário da Argentina e responsável por cerca de 60% da movimentação nacional de contêineres.

A estrutura movimenta aproximadamente 11 milhões de toneladas de cargas por ano e cerca de um milhão de contêineres, consolidando-se como uma das principais portas de saída das exportações argentinas. Entre os produtos escoados estão soja, milho, carne bovina, insumos industriais e bens de consumo.

Perspectivas para o futuro da logística sul-americana

A participação brasileira no encontro reforça a estratégia de modernização e expansão da infraestrutura portuária e hidroviária, considerada fundamental para ampliar o comércio exterior e fortalecer a integração entre os países do Mercosul.

A expectativa é que os debates e acordos construídos durante o evento contribuam para avanços concretos no setor, gerando novas oportunidades de negócios, empregos e desenvolvimento sustentável em toda a região.

Segundo o ministro, a meta é consolidar parcerias capazes de impulsionar uma logística mais eficiente e conectada entre os países sul-americanos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Matheus Fagundes/MPor

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Comércio Exterior

Webinar de comércio exterior discutirá drawback, reforma tributária e incentivos às exportações

Empresas que atuam no comércio exterior, incluindo exportadores, importadores e despachantes, terão a oportunidade de acompanhar debates sobre temas estratégicos para o setor durante o Webinar de Operações de Comércio Exterior, marcado para a próxima quinta-feira (18), das 9h às 12h.

O evento será transmitido ao vivo pelo canal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no YouTube e tem como objetivo promover a troca de informações entre governo e iniciativa privada.

Evento busca aproximar governo e operadores do mercado

A proposta do webinar é apresentar atualizações regulatórias, esclarecer dúvidas dos participantes e receber sugestões de profissionais que atuam diretamente nas operações de importação e exportação.

De acordo com a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, a interação entre o setor público e o setor produtivo é fundamental para fortalecer a presença do Brasil no mercado internacional.

Segundo ela, ouvir as demandas de empresas exportadoras e importadoras contribui para o aprimoramento das políticas públicas e para a construção de um ambiente de negócios mais competitivo diante das constantes mudanças do cenário global.

Programação abordará temas estratégicos para o comércio exterior

Entre os assuntos que estarão em pauta estão os procedimentos de controle administrativo econômico-comercial realizados por meio do Portal Único Siscomex, além das atualizações relacionadas aos regimes de drawback suspensão e drawback isenção.

O encontro também discutirá o Programa Acredita Exportação, iniciativa voltada ao fortalecimento das vendas externas brasileiras, e os efeitos da Reforma Tributária do Consumo sobre as operações de comércio internacional.

Mercosul-União Europeia também estará entre os destaques

Outro tema relevante será a operacionalização das cotas de importação e exportação previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia, assunto que vem sendo acompanhado de perto pelo setor empresarial.

Segundo Renato Agostinho da Silva, diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior da Secex, o webinar amplia o diálogo já existente entre o governo federal e os operadores privados sobre questões consideradas prioritárias para o desenvolvimento do comércio exterior brasileiro.

Participação é aberta ao público

Embora seja direcionado principalmente a profissionais ligados às atividades de importação e exportação, o evento é aberto a todos os interessados.

Durante a transmissão, os participantes poderão encaminhar perguntas aos especialistas por meio de um QR Code que será disponibilizado na tela, permitindo interação em tempo real com os palestrantes.

A expectativa é que o encontro contribua para ampliar o conhecimento dos operadores sobre temas que impactam diretamente a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

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Internacional

União Europeia e Brasil negociam fim de embargo à carne bovina durante encontro do G7

A União Europeia e o Brasil iniciaram tratativas para encontrar uma solução para o impasse envolvendo a suspensão das exportações de carne bovina brasileira ao bloco europeu. A medida, prevista para entrar em vigor em setembro, está sendo discutida paralelamente à realização da cúpula do G7, na França.

A informação foi confirmada pelo presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que participa do encontro ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o diálogo entre as partes representa um caminho construtivo para resolver divergências comerciais.

Questões sanitárias motivaram a decisão europeia

A restrição foi anunciada pouco depois da implementação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, iniciada em maio. Na ocasião, autoridades europeias retiraram o Brasil da lista de países autorizados a vender carne bovina ao mercado europeu.

De acordo com representantes do bloco, a decisão ocorreu após alegações de que o país não teria cumprido integralmente as normas relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Antonio Costa destacou que o cumprimento dos padrões sanitários é indispensável para o acesso ao mercado europeu. Ele ressaltou, porém, que as negociações estão sob responsabilidade da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia.

Lula deve tratar do tema com Ursula von der Leyen

A expectativa é que o presidente Lula aproveite sua participação no encontro internacional para discutir a retirada do embargo às exportações brasileiras. Uma reunião bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está sendo considerada para esta terça-feira, embora ainda não tenha sido oficialmente confirmada.

O Brasil participa da reunião do G7 na condição de convidado. O grupo é formado por Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália.

Presença brasileira ganha destaque na cúpula

Esta é a décima participação do Brasil em encontros de líderes do G7. Para Antonio Costa, a presença brasileira é estratégica diante dos desafios globais debatidos pelo grupo.

Segundo ele, temas como inteligência artificial, desenvolvimento sustentável, parcerias internacionais e desequilíbrios macroeconômicos exigem cooperação ampla entre diferentes países, tornando a participação brasileira relevante para as discussões.

Lula foi o primeiro chefe de Estado a chegar ao Hotel Royal, em Évian-les-Bains, cidade alpina francesa que recebe o encontro até quarta-feira sob forte esquema de segurança.

Lula e Macron discutem agenda internacional

Durante a programação, Lula manteve uma reunião de quase uma hora com o presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula. Integrantes do governo brasileiro informaram que não houve solicitação por parte do Brasil para uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Oriente Médio domina debates entre líderes

A situação no Oriente Médio ganhou destaque logo antes da abertura oficial do encontro. Donald Trump anunciou um acordo para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro, informação posteriormente confirmada por autoridades iranianas. O entendimento também prevê a reabertura do Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo.

Em entrevista à televisão francesa, Macron afirmou que a retomada da navegação no estreito é uma prioridade imediata. O presidente francês, contudo, criticou a possibilidade de cobrança de taxas por embarcações que utilizem a passagem marítima, medida que, segundo relatos, estaria sendo considerada pelo Irã.

Macron também declarou que países europeus poderiam enviar embarcações em até três dias para remover minas instaladas durante o conflito e garantir a segurança da navegação.

Já Trump minimizou a necessidade de apoio internacional para a reabertura da rota, embora tenha admitido que a participação de navios franceses poderia ser útil caso fosse necessária assistência adicional.

Guerra na Ucrânia e economia global também estão na pauta

Além das tensões no Oriente Médio, os líderes do G7 devem concentrar suas discussões na guerra da Ucrânia. Outros temas previstos na agenda incluem minerais críticos, regulação da internet, comércio internacional e os desafios da economia global.

As reuniões seguem até quarta-feira e devem resultar em posicionamentos conjuntos sobre algumas das principais questões geopolíticas e econômicas da atualidade.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Belli/Valor

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Indústria

Integração produtiva fortalece competitividade da indústria brasileira no mercado internacional

Diante de um ambiente econômico cada vez mais conectado e competitivo, a integração produtiva internacional vem se consolidando como uma alternativa para ampliar a presença da indústria brasileira nos mercados globais. A busca por parceiros estrangeiros capazes de fornecer insumos, tecnologia e serviços complementares tem sido apontada como uma estratégia para elevar a competitividade das empresas.

O tema estará em pauta no seminário “Integração do Sistema Produtivo pela Complementaridade Industrial”, promovido pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), por meio de seu Conselho de Comércio Exterior. O evento será realizado de forma online no dia 16 de junho, às 9h.

Evento discutirá oportunidades para ampliar negócios internacionais

O webinar contará com a participação de Mario Roberto Branco, representante da ABINEE/ALAINEE, e de Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC.

A proposta do encontro é apresentar como os mecanismos de complementaridade industrial podem contribuir para fortalecer empresas, ampliar o acesso a novos mercados e impulsionar processos de internacionalização empresarial.

Compartilhamento de tecnologia e produção gera ganhos competitivos

A complementaridade industrial permite que empresas localizadas em diferentes países atuem de forma integrada em suas cadeias produtivas. Nesse modelo, etapas de fabricação, conhecimento técnico e tecnologias são compartilhadas, promovendo ganhos de escala, aumento da produtividade e maior eficiência operacional.

Esse tipo de cooperação já está presente em diversos acordos comerciais internacionais e vem ganhando relevância nas negociações envolvendo o Mercosul, a União Europeia e os países integrantes da ALADI (Associação Latino-Americana de Integração).

Seminário é voltado para empresários e profissionais de comércio exterior

Além de abordar tendências e oportunidades do comércio internacional, o evento buscará esclarecer como empresas podem aproveitar instrumentos de integração produtiva para expandir sua atuação além das fronteiras nacionais.

A participação é gratuita e destinada a empresários, executivos, gestores e profissionais interessados em comércio exterior, desenvolvimento industrial e estratégias de inserção internacional.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Exterior

Indústria de lácteos teme perda de competitividade com importações e acordo Mercosul-UE

A indústria brasileira de lácteos acompanha com atenção o aumento das importações e os possíveis efeitos da implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Representantes do setor avaliam que a combinação desses fatores pode ampliar a concorrência no mercado interno e pressionar ainda mais a rentabilidade das empresas nacionais.

Para Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, o cenário já apresenta desafios relevantes, especialmente devido ao crescimento da entrada de produtos vindos dos países do Mercosul, que vêm ganhando espaço no mercado brasileiro nos últimos anos.

Atualmente, as importações de leite em pó e queijos representam cerca de 8% do consumo nacional. Segundo o executivo, esse volume tem influência direta na formação de preços e afeta toda a cadeia produtiva.

Maior oferta pressiona preços pagos à indústria e ao produtor

De acordo com a avaliação do setor, o aumento da presença de produtos importados amplia a oferta disponível no mercado brasileiro, contribuindo para a redução dos preços recebidos tanto pelas indústrias quanto pelos produtores rurais.

A situação ganhou novos contornos após a identificação de práticas de dumping em importações de leite em pó provenientes da Argentina e do Uruguai. Apesar da comprovação das irregularidades, não houve adoção de medidas restritivas por parte do governo.

Na visão de Sartor, a decisão ajuda a evitar aumentos para o consumidor final, mas acaba comprometendo a rentabilidade da produção nacional, especialmente em um momento de custos elevados para o setor agroindustrial.

Acordo Mercosul-União Europeia amplia preocupação

A apreensão das empresas também está relacionada ao avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Desde maio, algumas tarifas de importação para produtos lácteos europeus começaram a ser reduzidas gradualmente.

No segmento de queijos especiais, por exemplo, a alíquota caiu de 28% para 25,2% e seguirá em trajetória de redução até ser eliminada completamente dentro de dez anos.

Embora o prazo seja considerado longo, empresários do setor afirmam que o planejamento industrial exige visão de longo prazo. Projetos de expansão, construção de fábricas e modernização de unidades podem levar vários anos entre aprovação e operação efetiva.

Queijos premium devem enfrentar concorrência mais intensa

A principal preocupação está concentrada nos produtos de maior valor agregado, segmento no qual empresas brasileiras têm investido para ampliar margens e diferenciar sua oferta.

Entre os itens considerados mais vulneráveis estão os queijos tipo grana, manteigas especiais, creme de leite premium e outros derivados de alto padrão.

Segundo Sartor, os produtores europeus contam com vantagens competitivas importantes, como maior escala de produção, tradição consolidada e programas de subsídios oferecidos pelos governos da União Europeia.

A estimativa da empresa é que, com a redução gradual das tarifas, determinados produtos importados possam chegar ao mercado brasileiro com custos cerca de 20% inferiores aos da produção nacional, reduzindo significativamente a competitividade das indústrias locais.

Vinhos e lácteos estão entre os setores mais expostos

Na avaliação do executivo, os maiores impactos da abertura comercial deverão ser sentidos justamente em áreas onde a Europa possui forte tradição produtiva.

Além dos laticínios, o mercado de vinhos também é apontado como um dos mais suscetíveis à concorrência internacional nos próximos anos.

Embora reconheça que o acordo comercial traz benefícios para diversos segmentos da economia brasileira, especialmente para as cadeias de proteínas animais, Sartor acredita que lácteos e vinhos estarão entre os setores mais desafiados pelo novo cenário.

Estratégia aposta em diferenciação e eficiência

Diante das mudanças previstas para o mercado, a estratégia adotada pela empresa tem sido focar em produtos de maior valor agregado e em consumidores que valorizam atributos como qualidade, origem e processos produtivos diferenciados.

Ao mesmo tempo, os investimentos em ampliação da capacidade industrial têm sido conduzidos com cautela. Segundo a companhia, a prioridade atual é aumentar a eficiência operacional e aproveitar melhor a estrutura já existente, diante de um cenário de competição crescente e margens mais pressionadas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: CNA

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Importação

Brasil mantém isenção tarifária para principais produtos importados dos Estados Unidos

Mesmo diante das críticas dos Estados Unidos sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais, o Brasil não aplica tarifas adicionais sobre os dez principais produtos importados do mercado norte-americano em 2026.

A discussão ganhou força após a conclusão de uma investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que recomendou a imposição de uma nova taxa de 25% sobre produtos brasileiros. O processo, iniciado em 2025, teve como argumento inicial a alegação de que o Brasil adotaria medidas protecionistas capazes de limitar o acesso de exportadores norte-americanos ao mercado nacional.

Na época, integrantes da gestão de Donald Trump também sustentavam que os Estados Unidos registravam déficit comercial na relação com o Brasil. No entanto, dados do comércio bilateral mostram que o saldo tem sido desfavorável ao lado brasileiro desde 2009. Além disso, os produtos mais importados dos EUA entram no país sem cobrança de tarifas adicionais.

Por outro lado, os Estados Unidos mantêm tarifas sobre quatro dos dez principais produtos brasileiros adquiridos pelo mercado norte-americano.

Estudo analisou principais produtos da balança comercial Brasil-EUA

O levantamento realizado pelo Poder360 avaliou os 20 produtos com maior relevância na balança comercial Brasil-EUA. A análise considerou os dez itens mais importados pelo Brasil e os dez mais comprados pelos Estados Unidos entre janeiro e maio de 2026.

As informações utilizadas têm como base dados da USITC (Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos) e da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, sistema que estabelece regras tarifárias padronizadas para os países integrantes do bloco econômico.

Governo dos EUA altera foco das justificativas

O relatório final divulgado pelo USTR apresentou uma mudança significativa em relação às alegações iniciais da investigação. Em julho de 2025, o governo norte-americano apontava o suposto protecionismo brasileiro e barreiras tarifárias como principais motivos para a apuração.

Já no documento mais recente, as justificativas passaram a concentrar-se em temas como alegações relacionadas ao uso de trabalho forçado, impactos do Pix, regulamentação das redes sociais e ações consideradas insuficientes no combate ao desmatamento.

As referências a protecionismo e déficit comercial deixaram de ocupar posição central no relatório. Entre os poucos aspectos tarifários mencionados estão os acordos comerciais com Índia e México, que oferecem condições preferenciais de importação e, segundo a avaliação norte-americana, poderiam prejudicar exportadores dos EUA. Também foi citada a tarifa de 18% aplicada pelo Brasil sobre o etanol importado.

Especialista vê estratégia de negociação na postura norte-americana

Para o ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, a mudança de discurso atende a interesses estratégicos dos Estados Unidos. Segundo ele, mesmo diante do déficit brasileiro na relação comercial, Washington pode utilizar determinadas narrativas para ampliar sua capacidade de negociação em setores considerados prioritários.

Barral afirma que existe uma diferença entre a necessidade de avanços estruturais na economia brasileira e as críticas feitas pelos EUA no âmbito bilateral. Na avaliação do especialista, a acusação de protecionismo costuma ser utilizada de forma seletiva para fortalecer posições de negociação.

O economista destaca ainda que a comparação entre países não deve ser feita apenas com base nas tarifas nominais. Segundo ele, os Estados Unidos também adotam mecanismos de proteção em áreas consideradas sensíveis, utilizando instrumentos regulatórios, exigências de segurança nacional e políticas setoriais específicas.

Para Barral, a análise da política comercial internacional deve considerar o conjunto de ferramentas utilizadas por cada país, e não apenas os percentuais de tarifas aplicados sobre produtos importados.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Exportação

Carne brasileira: governo busca reverter veto da União Europeia antes de entrada em vigor

O governo federal intensificou as negociações para tentar reverter a decisão da União Europeia que retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco. A medida está relacionada às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária e deve passar a valer em 3 de setembro.

Segundo informações divulgadas pela TV Globo, o Ministério das Relações Exteriores mantém diálogo com representantes europeus na tentativa de encontrar uma solução antes da implementação das restrições.

Governo e setor produtivo buscam alternativas

Além da atuação diplomática, o Ministério da Agricultura e representantes do setor privado trabalham para apresentar as garantias sanitárias exigidas pelas autoridades europeias. Entre as iniciativas em discussão estão visitas técnicas presenciais a propriedades rurais e sistemas de produção animal para comprovar a adequação às normas do bloco.

O objetivo é, ao menos, reduzir os impactos da decisão ou obter uma flexibilização parcial das exigências enquanto as adequações são avaliadas.

Exportações de carne e outros produtos serão afetadas

A nova regulamentação foi publicada pela União Europeia na última sexta-feira (5). Na relação divulgada em 2024, o Brasil aparecia entre os países autorizados a exportar carne bovina, carne de frango, carne equina, além de produtos como tripas, pescado e mel.

Com a atualização da lista, esses produtos deixam de ter acesso ao mercado europeu até que o país comprove o atendimento integral das exigências sanitárias estabelecidas pelo bloco.

Entenda o motivo da restrição

De acordo com a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou informações suficientes para demonstrar o cumprimento das regras relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

Essas substâncias são utilizadas para prevenir e tratar doenças em rebanhos, mas algumas também podem atuar como promotoras de crescimento. A União Europeia adota regras rigorosas sobre o tema como forma de reduzir os riscos associados à resistência bacteriana em seres humanos.

Brasil poderá voltar à lista de exportadores

Quando a decisão foi anunciada, em maio, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil poderá ser reintegrado à lista de países habilitados assim que comprovar o cumprimento dos requisitos exigidos.

Na ocasião, o governo brasileiro declarou ter recebido a medida com surpresa e informou que buscaria negociações para evitar prejuízos ao comércio com o mercado europeu.

Acordo Mercosul-União Europeia não deve ser afetado

Apesar das restrições impostas às exportações de produtos de origem animal, a decisão não interfere diretamente no acordo entre Mercosul e União Europeia. A medida é considerada uma regulamentação sanitária específica, aplicada pelo bloco para garantir padrões de segurança alimentar.

Enquanto o Brasil enfrenta o processo de adequação, países do Mercosul como Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a exportar seus produtos para o mercado europeu.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Banco de Imagens

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Logística

Corredor Bioceânico: Receita Federal intensifica preparação aduaneira com expedição técnica internacional

A Receita Federal promoveu uma expedição técnica ao longo do Corredor Bioceânico entre os dias 30 de maio e 8 de junho, com o objetivo de aprimorar o planejamento das operações aduaneiras e logísticas ligadas ao projeto de integração regional.

A ação reuniu oito servidores especializados em áreas estratégicas, incluindo comércio exterior, repressão aduaneira, inteligência e relações internacionais.

Missão percorre quatro países da rota bioceânica

Durante a expedição, a equipe percorreu trechos da rota que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, visitando postos de fronteira, unidades alfandegárias, centros logísticos e portos localizados na costa do Oceano Pacífico.

O trabalho de campo teve como foco identificar desafios operacionais e oportunidades relacionadas à futura movimentação de cargas e ao aumento do fluxo comercial esperado com a consolidação do corredor.

Avaliação busca melhorar eficiência e segurança

Entre os principais pontos analisados estão a infraestrutura logística, os procedimentos de controle aduaneiro, os tempos de travessia nas fronteiras, a gestão de riscos e os mecanismos de cooperação entre os países envolvidos.

As informações coletadas servirão de base para fortalecer o planejamento institucional da Receita Federal, contribuindo para a modernização dos processos e para a adaptação às novas demandas de transporte e comércio internacional.

Integração e modernização das fronteiras

A iniciativa reforça a estratégia da Receita Federal de ampliar a integração entre os órgãos de controle e os parceiros internacionais, buscando equilibrar agilidade logística, segurança aduaneira e facilitação do comércio exterior.

Com a expectativa de crescimento das operações no Corredor Bioceânico, a expedição representa mais um passo na preparação das estruturas de fiscalização e controle para acompanhar a expansão das rotas comerciais na América do Sul.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Receita Federal

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Agronegócio

Acordo Mercosul-Canadá avança e pode ampliar exportações do agronegócio brasileiro

As tratativas para um acordo comercial entre Mercosul e Canadá avançaram durante a mais recente rodada de negociações realizada em Toronto. O encontro resultou em progressos em cinco capítulos considerados essenciais para a ampliação das relações econômicas entre os dois mercados.

Os avanços envolvem temas como barreiras tarifárias, regras de origem, medidas sanitárias e fitossanitárias, facilitação de comércio e acesso a insumos produtivos. O cenário é visto como positivo para o fortalecimento das trocas comerciais e para a expansão das exportações do bloco sul-americano.

Agronegócio brasileiro pode ser um dos principais beneficiados

Entre os setores com maior potencial de ganho está o agronegócio brasileiro, especialmente devido às discussões relacionadas às exigências sanitárias e fitossanitárias.

Essas normas são determinantes para a entrada de produtos agropecuários em mercados internacionais e influenciam diretamente a comercialização de itens como carne bovina, frango, grãos e frutas.

Com a possível conclusão do acordo, exportadores brasileiros poderão ter acesso facilitado ao mercado canadense, considerado um dos mais relevantes devido ao seu elevado poder de consumo.

Redução de tarifas pode aumentar competitividade das commodities

O Canadá mantém demanda constante por produtos alimentícios, proteínas animais e commodities agrícolas. Nesse contexto, um entendimento comercial entre os blocos pode reduzir ou até eliminar tarifas aplicadas atualmente sobre diversos produtos exportados pelo Mercosul.

A medida beneficiaria especialmente as vendas externas de soja, carnes e produtos processados, ampliando a competitividade dos produtores brasileiros em um mercado estratégico da América do Norte.

Carne bovina e frango estão entre os produtos mais impactados

As negociações também concentram atenção nas tarifas que incidem sobre a carne bovina brasileira e a carne de frango. Atualmente, esses encargos são considerados obstáculos relevantes para o aumento da participação brasileira no mercado canadense.

Caso haja redução ou eliminação dessas barreiras, os exportadores nacionais poderão competir em condições mais favoráveis com fornecedores já consolidados, como Estados Unidos e Austrália, ampliando oportunidades para o setor pecuário brasileiro.

Expectativa é de fortalecimento do comércio internacional

O avanço das negociações reforça a perspectiva de um acordo capaz de impulsionar o comércio exterior, diversificar mercados e criar novas oportunidades para produtores e empresas dos países integrantes do Mercosul.

Além de ampliar o fluxo comercial, o entendimento pode contribuir para reduzir custos de importação de insumos agrícolas e fortalecer a integração econômica entre os dois blocos.

FONTE: Space Money
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Space Money

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