Comércio Exterior

O comércio exterior mostra sinais de melhora, mas persistem desafios operacionais

O comércio exterior argentino atravessa um processo de transformação acelerada sob a gestão de Javier Milei. Com um enfoque centrado na desregulamentação, o governo impulsionou medidas destinadas a simplificar trâmites, ordenar o sistema de pagamentos e melhorar a transparência da operação. No entanto, persistem inconsistências normativas, gargalos técnicos e restrições operacionais que continuam afetando tanto importadores quanto exportadores.

Para analisar esse cenário, serindustria.com.ar conversou com Julieta Serena, sócia-gerente do Grupo Serena, secretária da Câmara de Comércio Exterior de Córdoba (CaCEC) e integrante da Comissão Operativa da Federação de Câmaras de Comércio Exterior da República Argentina (FECACERA), que oferece uma visão integral sobre os avanços e as pendências.

A advogada e despachante aduaneira considerou que a decisão mais relevante do governo em matéria de comércio exterior foi a eliminação das licenças automáticas e não automáticas. Nesse sentido, qualificou a medida como “muito favorável sobretudo para a previsibilidade das operações”, já que esses mecanismos haviam se tornado ao longo dos anos “um obstáculo” que afetava seriamente a concretização das importações.

“Havia certos produtos sensíveis, como têxteis ou brinquedos, em que realmente não havia certeza de conseguir concretizar a operação. Era preciso judicializar, e a judicialização também havia se tornado bastante difícil”, explicou. Ela acrescentou que, mesmo quando eram obtidas medidas cautelares contra o Estado, surgiam novos obstáculos, como a impossibilidade de registrar declarações. A eliminação desse esquema devolveu previsibilidade e reduziu custos.

Um sistema de pagamentos mais previsível
Outro ponto positivo destacado é a maior clareza no acesso ao mercado de câmbio. Serena reconheceu que ainda não existe a disponibilidade ideal para o importador. De toda forma, valoriza que “foi possível regularizar a maioria das dívidas comerciais e, além disso, ter certeza de quando seria possível pagar e que os prazos seriam cumpridos”.

A especialista lembrou que, antes do esquema atual, o último controle da SIMI era decisivo para determinar o prazo de pagamento e que, mesmo quando se estabeleciam 180 dias, “chegava o dia e não era possível processar o pagamento”. O resultado era um sobrecusto que atingia com força as PMEs, obrigadas a se financiar com brokers diante da falta de linhas bancárias. “Isso melhorou sem dúvida”, afirma.

Ela também considerou positiva a incorporação do mecanismo incluído no DNU 70/2023, que permite liberar mercadorias denunciadas garantindo posteriormente os valores que a Aduana considerar pertinentes. “Antes, a mercadoria ficava retida e podia demorar meses, gerando custos altíssimos de depósito e falta de insumos”, destacou.

Também ressaltou a habilitação para que exportadores compartilhem plantas mediante contrato e o desenvolvimento do monitoramento remoto de exportações, ainda em fase piloto. Para regiões afastadas dos grandes polos aduaneiros, afirmou que representa uma ferramenta valiosa. “Facilita o tempo da operação e evita deslocamentos longos”, apontou.

Regulamentos técnicos: uma reforma necessária, mas mal desenhada
Um dos pontos mais críticos levantados por Serena é a nova regulamentação dos regulamentos técnicos de segurança elétrica, brinquedos, aço e outros produtos. Ela reconheceu que o critério geral é positivo, mas questionou sua implementação. “Foi regulamentado com uma técnica legislativa ruim. Há pouca clareza sobre os produtos abrangidos e ampliaram o escopo para mercadorias que não deveriam estar sujeitas”, afirmou.

Nesse sentido, alertou que o espírito desses regulamentos é proteger o consumidor, mas a norma acabou incluindo insumos industriais ou produtos destinados a processos produtivos. A eliminação da exceção de uso idôneo, somada à confusa aceitação de certificações internacionais, aprofundou a complexidade.

A isso se somam inconsistências evidentes. “Ampliou-se a possibilidade de trazer uma máquina de lavar por courier desde o Chile sem qualquer controle, mas uma lavadora industrial para uma fábrica fica sujeita a múltiplas exigências. São incoerências”, afirmou.

Apesar da simplificação administrativa, Serena destacou que várias restrições ainda geram incerteza operacional. Os bancos privados continuam atuando com critérios próprios e muitas vezes não enviam consultas ou pedidos de prorrogação ao Banco Central, o que afeta regularizações, cumprimentos de divisas ou pagamentos antecipados.

“Como sujeito administrativo, você não tem acesso direto ao Banco Central. Sempre depende do banco, e às vezes o banco não tem interesse em encaminhar o caso”, explicou. Essa intermediação, garantiu, pode resultar em descumprimentos formais que bloqueiam devoluções de IVA e penalizam o exportador.

Duplo controle, custos ocultos e assimetrias
Serena mencionou as distorções que afetam as províncias fora da região do AMBA. Observou que coexistem dois regimes de trânsito: um para fronteiras terrestres sob o Acordo de Transporte Internacional e outro para cargas que entram por portos. O segundo implica o uso obrigatório de um lacre eletrônico cujo custo pode chegar a US$ 800 em algumas regiões, especialmente no sul.

Apesar do monitoramento digital, muitas cargas são igualmente submetidas a verificações em Buenos Aires por diferenças mínimas de peso ou imagem. “Qualquer mercadoria que permanece em um terminal gera um sobrecusto altíssimo”, reclamou, acrescentando que isso impacta diretamente a competitividade.

Ela também apontou diferenças inexplicáveis nos prazos de permanência em depósitos fiscais, que são de 90 dias para cargas terrestres e de 30 para aéreas ou marítimas. “Não há justificativa alguma para essa distorção”.

Embora reconheça avanços na Ventanilla Única de Comércio Exterior (VUCE), Serena afirmou que a Aduana continua trabalhando majoritariamente em papel. “Os despachos de importação ainda são transportados fisicamente em pastas; os expedientes continuam sendo discutidos em papel”. A implementação de inteligência artificial, embora mencionada na agenda oficial, “ainda está muito longe”.

A especialista explicou que a exportação nunca teve a mesma complexidade operacional que a importação. No entanto, identificou uma área crítica: o regime de envios com deficiência. A falta de agilidade faz com que os exportadores evitem utilizá-lo e recorram a operações a título não oneroso, o que depois os expõe a sanções bancárias e bloqueios de IVA.

Ainda assim, reconheceu melhorias recentes, como a aceleração do Certificado de Tipificação de Insumo Produto (CTIT) para importações temporárias, que passou de demorar um ano para ser resolvido em um mês. “É muito favorável e estão trabalhando para reduzir ainda mais os prazos”.

Para Serena, o setor privado deve assumir um papel mais ativo na identificação de problemas e na proposição de soluções, especialmente em um país onde “a realidade de cada ponto operacional é diferente”.

O comércio exterior ainda enfrenta entraves, custos ocultos, assimetrias regionais e uma estrutura administrativa que não acompanha a velocidade dos negócios globais. No entanto, ela afirma que os avanços recentes não são menores e que o desafio agora é aprofundar a simplificação sem gerar contradições.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Portos

Portos do Sudeste registram recorde histórico e movimentam 186,7 milhões de toneladas no 3º trimestre

A movimentação de cargas nos portos do Sudeste alcançou um novo recorde entre julho e setembro de 2025, chegando a 186,7 milhões de toneladas. O volume representa alta de 9,10% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Antaq. O avanço foi puxado sobretudo pelos Terminais de Uso Privado (TUPs) e pela forte demanda por petróleo e minério de ferro.

Os TUPs lideraram o desempenho, com crescimento de 13,60% e total de 124,5 milhões de toneladas movimentadas. Já os portos públicos tiveram expansão mais moderada, de 1,09%, alcançando 62,2 milhões de toneladas.

Terminais de petróleo puxam o avanço na região

O recorde regional foi impulsionado por terminais especializados em granel líquido. O Terminal de Petróleo de Açu (TPET/TOIL), no Rio de Janeiro, registrou alta de 38,06% e somou 17,8 milhões de toneladas. O Terminal Aquaviário de Angra dos Reis também se destacou, com crescimento de 25,34% e volume de 18,8 milhões de toneladas. Ambos, focados em petróleo bruto, foram decisivos para o salto na movimentação de granel.

Esse avanço quebra um período de relativa estabilidade observado nos últimos anos. Em 2023, o terceiro trimestre havia movimentado 170,9 milhões de toneladas, e em 2024, 171,1 milhões — muito abaixo do resultado atual.

Governo atribui alta à eficiência e modernização

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o desempenho histórico reflete a consolidação de uma gestão focada em eficiência logística e na integração com o setor privado. Segundo ele, o crescimento no Sudeste demonstra que a modernização dos terminais e a confiança do investidor vêm ampliando a competitividade internacional do país.

Portos públicos mantêm solidez e reforçam cabotagem

Os portos organizados movimentaram 62,2 milhões de toneladas e seguem essenciais para a economia nacional. O Porto de Santos permanece como o maior complexo da região, com 38,4 milhões de toneladas e alta de 2,68%. A cabotagem em Santos ganhou força, crescendo 22,54%, impulsionada por contêineres e cargas diversas.

O Porto de Itaguaí, especializado em minério de ferro, manteve seu alto nível operacional ao registrar 17,3 milhões de toneladas, apresentando apenas leve variação negativa de 1,4% frente ao desempenho robusto do ano anterior.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Vosmar Rosa (MPor)

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Transporte

Transporte de Cargas Cresce 40% Pós-Pandemia e Aumenta Pressão na Logística Brasileira

O transporte rodoviário de cargas mantém um ritmo acelerado no Brasil e opera quase 40% acima dos níveis registrados antes da pandemia, aponta a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE divulgada em outubro. Esse avanço amplia o fluxo de mercadorias e impulsiona a demanda por manutenção de frotas, peças de reposição e pneus, mas não se reflete na mesma proporção no valor do frete, que segue praticamente estável. O desequilíbrio pressiona os custos operacionais e obriga empresas de logística a reorganizar processos.

Crescimento constante e margens apertadas

O IBGE registra expansão contínua desde 2022, com patamar recorde em 2023. A FETCESP avalia que o setor cresce mesmo em meio a margens estreitas, forte competição e necessidade permanente de revisão de custos. Transportadoras têm reforçado o controle de despesas, ajustado operações e aprimorado a gestão para manter a saúde financeira.

E-commerce, indústria e agronegócio impulsionam o setor

Empresas atribuem o aumento do volume transportado ao avanço do comércio eletrônico, à retomada industrial, ao dinamismo do agronegócio e ao crescimento das exportações. A expansão de investimentos em tecnologia, rastreamento, automação, frota própria e sistemas de gestão logística também sustenta o patamar atual. O modal rodoviário segue como peça-chave na conexão entre indústrias, centros de distribuição e consumidores.

Modernização acelera após impacto da pandemia

A recuperação do setor ganhou força após o período crítico da pandemia. Com cadeias produtivas mais dependentes de eficiência logística, empresas intensificaram o uso de digitalização, sistemas de gestão e métodos para aumentar disponibilidade de veículos e previsibilidade das entregas. No agronegócio, cargas como grãos, carnes, alimentos e bebidas seguem liderando o volume, especialmente no último trimestre — período de alta demanda. Houve ainda maior movimentação de níquel e de terras raras.

Frete estável e custos pressionados

Mesmo com mais cargas na estrada, o frete não avança no mesmo ritmo. Entre os fatores que travam a valorização estão o preço do combustível, pedágios, manutenção e aquisição de pneus. Para muitas empresas, o aumento da receita depende do volume transportado, da fidelização de clientes e da adoção de veículos com maior capacidade.

Frota mais exigida demanda manutenção reforçada

O crescimento da movimentação intensifica o desgaste dos veículos e eleva a necessidade de manutenção preventiva. Estimativas apontam que cada 10% de aumento no volume transportado gera acréscimo de 6% a 8% no consumo de peças e pneus, sobretudo entre companhias com frota própria. O uso de dados, sistemas de monitoramento e ferramentas de análise se torna essencial para reduzir paradas inesperadas e controlar custos.

Falta de motoristas segue como desafio central

A escassez de motoristas permanece um dos principais entraves do setor. Entidades como SEST SENAT e sindicatos regionais têm promovido programas de qualificação e requalificação. Transportadoras também avançam em iniciativas internas de capacitação, melhoria das condições de trabalho e planos de carreira para atrair e reter profissionais.

Expectativas do setor até 2026

Para 2026, empresas projetam um período de ajustes operacionais e adaptação aos efeitos da Reforma Tributária. O setor prevê maior rigor técnico na gestão, monitoramento contínuo de custos e participação ativa em debates conduzidos por federações e sindicatos. A aposta segue em tecnologia, qualificação de motoristas e ampliação de estruturas de armazenagem para manter competitividade em um cenário de transformação logística.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Freepik

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Comércio Exterior, Eventos

Encontro das Divas do Comex&Log encerra o ano com celebração e mensagens de força feminina no setor

Com uma vista privilegiada para os portos de Itajaí e Navegantes, o terraço do Giardino Del Porto foi palco do Encontro das Divas do Comex&Log, reunindo profissionais do comércio exterior e da logística para um momento de celebração, conexão e fortalecimento coletivo. O encontro de encerramento de ano foi na quarta-feira, 12 de novembro, em Itajaí. 

Essa foi a quarta e última edição do ano, marcando o encerramento de 2025 com chave de ouro para o grupo que cresceu em engajamento, parcerias e propósitos ao longo dos últimos meses. Para Elisiane Cristiane Calado, que atua no comércio exterior há 28 anos, é um privilégio fazer parte das Divas do Comex&Log. “Ter essa oportunidade de relacionamento, de conhecer outras mulheres, me relacionar com as pessoas é um privilégio. O mercado de trabalho está aí, e não podemos ficar estacionadas. O mais importante de momentos como esse é justamente o relacionamento que o ReConecta nos proporciona”, fala. 

Crescimento mútuo

Enquanto as três edições anteriores foram pautadas pelo desenvolvimento pessoal e profissional, com palestras, mentorias e reflexões, o encontro de novembro teve um clima especial: além de confraternizar, reforçou a importância de mulheres caminharem juntas em um mercado ainda desigual — mas em evolução. 

Segundo dados recentes do IBGE, 58% dos profissionais do comércio exterior brasileiro são mulheres, contudo os desafios permanecem significativos. Elas recebem, em média, 28,4% menos que os homens e ocupam apenas 13% dos cargos de liderança no setor. Diante desse cenário, o Encontro das Divas se consolida como um movimento que não apenas promove networking, mas forma uma rede de suporte, aprendizado e inspiração, estimulando a criação de lideranças femininas com propósito. 

Idealizado e organizado por Renata Palmeira, fundadora do ReConecta News, o evento nasceu com o objetivo de criar um ambiente seguro e acolhedor para o compartilhamento de vivências e fortalecimento da autoestima profissional.
Para Renata, o propósito tem sido alcançado a cada edição. “A ideia é reunir essas mulheres incríveis que muitas vezes estão lidando com tantos desafios sozinhas no mercado, para mostrar que juntas somos mais fortes, mais estratégicas e mais ouvidas”, destacou.

Que venha 2026

A noite foi marcada por conversas leves, trocas de experiências, novas conexões e muita energia positiva, fechando 2025 com a certeza de que 2026 será de ainda mais crescimento, liderança e espaço para mulheres no Comex e na Logística. O ReConecta News segue acompanhando iniciativas que fortalecem a transformação e a representatividade no setor, trazendo muitas novidades para o próximo ano, entre elas novas parcerias. “Essa questão da troca de informação e de conhecimento é muito importante e positivo”, destaca Patrícia Garbari, mentora de finanças que já esteve com o ReConecta em 2025, e deve seguir no próximo ano. 

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Logística

Ferrovia de Mato Grosso avança e instala 1 km de trilhos por dia

A Ferrovia de Mato Grosso (FMT), considerada hoje a maior obra ferroviária em andamento no Brasil, segue em ritmo acelerado e já atingiu 73% de execução física. Com investimento estimado em R$ 5 bilhões e a mobilização de cerca de cinco mil trabalhadores, o projeto deve ser concluído até meados de 2026.

Executada pela Rumo, empresa de logística do grupo Cosan, a obra corre contra o tempo antes da temporada de chuvas, avançando pelo interior mato-grossense com a instalação de dormentes e trilhos que já atinge a marca de até 1 km por dia.

O que muda com a nova ferrovia

A FMT funciona como um prolongamento de 743 km da Malha Norte, que atualmente recebe a produção agrícola de Mato Grosso no terminal de Rondonópolis. Hoje, caminhões percorrem até 500 km para alcançar a ferrovia, que leva as cargas até o Porto de Santos em 76 horas.

O novo traçado promete encurtar deslocamentos rodoviários, reduzir custos de frete e criar um corredor mais eficiente para o escoamento de soja, milho e farelo, fortalecendo o agronegócio brasileiro.

Segundo o secretário nacional de Ferrovias, Leonardo Ribeiro, a economia pode chegar a 50% em trechos de mil quilômetros em comparação com o frete rodoviário.

Fase 1 deve operar em 2026

A construção, iniciada em 2022 sob modelo de autorização estadual, foi dividida em três fases.

A primeira, entre Rondonópolis e um terminal em desenvolvimento entre Dom Aquino e Campo Verde, soma 162 km e deve começar a operar no início do segundo semestre de 2026, a tempo de atender a safrinha de milho.

O novo Terminal BR-070 terá capacidade para movimentar 10 milhões de toneladas por ano e atenderá uma das regiões mais promissoras para a expansão de grãos no país, o Vale do Araguaia.

As fases 2 e 3 levarão os trilhos até Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, enquanto um ramal para Cuiabá segue em estudo de engenharia.

Decisões financeiras e ritmo da obra

A Rumo ainda avalia o investimento total das próximas etapas, antes estimado entre R$ 14 bilhões e R$ 15 bilhões. O conselho da empresa deve deliberar sobre a continuidade entre dezembro e janeiro, considerando custo de capital, potencial de receitas e taxas de juros.

Mesmo com definições pendentes, a fase 1 segue avançando. Dois carregamentos com 89 mil toneladas de trilhos vindos da China chegaram recentemente ao estado, e uma fábrica de dormentes foi inaugurada em Rondonópolis para atender à ferrovia e à rede de 14 mil km da empresa.

A ponte de 460 metros sobre o Rio Vermelho, maior estrutura da etapa inicial, já recebeu seu primeiro trem.

Impacto no custo do frete

Estudos do Plano Nacional de Logística (PNL) projetam que a participação das ferrovias na matriz de transportes deve subir de 17% para 35% até 2035. Países onde o modal ferroviário é mais desenvolvido registram economia entre 30% e 40% no frete.

Mesmo assim, especialistas afirmam que a redução de custos no Brasil ainda é limitada pela falta de concorrência entre ferrovias.
“Hoje, a comparação do preço ainda é com o caminhão”, explica Edeon Vaz, diretor do Movimento Pró-Logística.

Outras ferrovias no radar

O setor aguarda avanços em dois outros grandes projetos:

  • Fico (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste), entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT), já em obras.
  • Ferrogrão, que conectará Sinop (MT) a Miritituba (PA), apoiando o escoamento pelo Arco Norte.

Para a Rumo, entretanto, a rota via Porto de Santos continuará sendo a mais competitiva para atender o mercado asiático, já que navios graneleiros não podem atravessar o Canal do Panamá.

Crescimento da demanda até 2050

Mesmo com a futura competição entre ferrovias, o governo não vê risco de demanda insuficiente. Projeções apontam que Mato Grosso deve alcançar 180 milhões de toneladas de produção por ano em 2050, garantindo carga para todos os modais em desenvolvimento.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Eventos, Premiação

BWIN TECH Seguros vence o prêmio de Melhor Corretora de Seguros no Bytes & Cargas Awards 2025.

A noite do dia 12 de novembro, em São Paulo, foi marcada por reconhecimento, celebração e grandes encontros do setor de segurança, tecnologia e logística. O Bytes & Cargas Awards 2025, realizado no Hakka Eventos, premiou as empresas mais votadas em 15 categorias, destacando aquelas que vêm transformando o mercado com inovação e excelência. Entre os grandes vencedores da noite, a BWIN TECH Seguros conquistou o prêmio de Melhor Corretora de Seguros, consolidando sua posição como referência em soluções inteligentes e tecnológicas para o setor logístico. 

 “Uma conquista de toda a equipe” 

Emocionado, o diretor da BWIN TECH Seguros, Ronaldo Vinagre, celebrou o prêmio e dedicou a conquista à equipe e aos parceiros que caminham junto com a empresa. 
“Essa é uma conquista de toda a equipe da BWin. Desde o primeiro colaborador que está com a gente — são 10 anos de história. É um prêmio muito valorizado no mercado, concorrendo com as principais corretoras globais que atuam no Brasil, e a gente conseguiu. Dedicamos à nossa equipe, aos nossos clientes e às nossas famílias. Muito obrigado a todo mundo que participou e que votou.” 

Com mais de 14 anos de atuação e 25 anos de experiência no setor, a BWIN TECH se destaca por unir tecnologia, inteligência de dados e atendimento personalizado para oferecer soluções sob medida a transportadores, embarcadores e empresas de comércio exterior. Sua plataforma 100% digital otimiza processos, reduz custos e garante eficiência operacional — pilares que sustentam o reconhecimento alcançado nesta premiação. 

A vitória no Bytes & Cargas Awards 2025 reforça o propósito da BWIN TECH: inovar o mercado de seguros corporativos, transformando desafios em proteção, confiança e crescimento sustentável

Sobre o evento 

Organizado pelo podcast Bytes & Cargas, o evento nasceu da iniciativa de Fábio Barbosa, profissional com mais de 15 anos de experiência na área de tecnologia e segurança. Com palestras de nomes como Caio Coppolla (CNN), Diógenes Lucca (TV Record), Senador Luiz Carlos Heinze, Osvaldo Nico Gonçalves e Edson Geraldo Souza, o evento reuniu representantes de destaque do mercado e contou com o apoio de entidades como GRISTEC, ABINEE, ABSEG, SEMEESP, Fórum de GR, FenSeg, CIST e DIVISÃO, reforçando o compromisso com o fortalecimento e a profissionalização do setor. 

TEXTO: REDAÇÃO 

IMAGENS: DIVULGAÇÃO BWIN TECH – Na foto estão os diretores Anderson Lemos, Carla Kuhn e Ronaldo Vinagre. 

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Informação

Plano Diretor do Corredor Bioceânico recebe 264 propostas e avança no desenvolvimento regional

O Plano Diretor do Corredor Bioceânico (CBC), projeto que organiza infraestrutura, logística e procedimentos alfandegários entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, segue avançando. O diagnóstico inicial para orientar as ações de governança recebeu 264 propostas de entidades públicas e privadas, colaborando para definir medidas a serem adotadas pelos oito governos subnacionais que integram a rota.

Os dados foram apresentados pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, durante a 1ª Jornada de Estudos Estratégicos, realizada no auditório do Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande. O evento, com o tema “O Corredor Bioceânico de Capricórnio e os impactos para o Centro-Oeste”, reuniu autoridades civis e militares, pesquisadores e representantes do setor produtivo.

“O Corredor Bioceânico representa uma transformação estrutural para Mato Grosso do Sul. Estamos no centro dessa rota e podemos consolidar o Estado como um hub logístico e comercial do Cone Sul”, destacou Verruck.

Conectividade e competitividade econômica

Segundo o secretário, a rota impulsionará a competitividade regional e a atração de investimentos, fortalecendo políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à diversificação econômica. Verruck ressaltou que o governo estadual está alinhando infraestrutura, inovação e governança territorial à nova dinâmica que o Corredor Bioceânico vai gerar.

Os desafios incluem garantir conectividade eficiente entre o Centro-Oeste brasileiro, o Chaco paraguaio, o noroeste argentino e o norte chileno, além de estimular o comércio intra e extrarregional.

Infraestrutura e logística em desenvolvimento

A Ponte Internacional da Rota Bioceânica tem mais de 80% das obras concluídas e deve ser finalizada até o final de 2026. Além da construção física, avançam projetos de infraestrutura rodoviária, melhorias nas passagens de fronteira e instalação de Centros de Coordenação de Fronteiras, fundamentais para o funcionamento integrado do Corredor.

Projetos em telecomunicações, digitalização e redes de energia também estão em andamento, aumentando a eficiência e reduzindo custos operacionais. Verruck afirma que, a médio e longo prazo, será necessário criar núcleos estratégicos internos para atender ao crescimento da demanda, especialmente em agronegócio e logística.

Turismo e integração continental

O turismo também deve se beneficiar do Corredor Bioceânico. Inspirado na Rota 66 dos Estados Unidos, Verruck propôs a criação da Rota 67, ligando o Pantanal ao Deserto do Atacama. A iniciativa permitirá que visitantes percorram o continente de carro, sem procedimentos alfandegários complexos, promovendo integração cultural, biodiversidade e experiências únicas.

Segurança e cooperação regional

Outro ponto destacado foi a importância da construção coletiva da segurança. Verruck enfatizou que a participação de todos os agentes, incluindo forças de segurança, é essencial para garantir que o projeto seja sustentável e integrado, evitando que o Corredor se torne isolado.

Participação acadêmica e militar

Além de Verruck, participaram do evento o professor Sandro Teixeira Moita, do Instituto Meira Mattos (ECEME), com a palestra “Cultura Estratégica – Chave para entender a incerteza global”, e o pesquisador Lúcio Flávio Suakozawa, da Rede Universitária da Rota de Integração Latino-Americana (Unirila), abordando a geopolítica do Corredor.

A 1ª Jornada de Estudos Estratégicos, promovida pelo Comando Militar do Oeste (CMO), buscou fortalecer o pensamento estratégico e promover o diálogo entre academia, forças militares e governo sobre defesa, integração e desenvolvimento regional. Ao final, o secretário Jaime Verruck recebeu diploma e medalhas do Exército.

FONTE: Pontaporã em Dia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mairinco de Pauda/Semadesc

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Comércio Exterior

Reforma Tributária e Comércio Exterior: Simpósio da ABDT reúne especialistas e aponta reflexões para o futuro

Itajaí recebeu nos dias 06 e 07 de novembro o XXXII Simpósio de Estudos Tributários da ABDT (Academia Brasileira de Direito Tributário), realizado em parceria com o escritório Macedo & Winter Advogados Associados. O encontro reuniu especialistas em Reforma Tributária, comércio exterior e logística, consolidando o município catarinense como polo de discussões estratégicas para o setor portuário brasileiro.

Ao longo dos dois dias de evento, ficou evidente que academia, governo e iniciativa privada compartilham da mesma inquietação: como transformar a reforma em desenvolvimento?

Para Luís Eduardo Schoueri, advogado tributarista e professor da USP (Universidade de São Paulo), a reforma tributária representa um avanço significativo, especialmente para quem atua no comércio exterior. Segundo ele, o maior benefício é a transparência: a cobrança passará a ser destacada, permitindo ao exportador identificar e eliminar tributações ocultas que antes se diluíam nos custos. “Nós melhoramos muito. A crítica é positiva quando é construtiva, mas agora passamos a conhecer toda a tributação. Para o comércio exterior, isso é muito positivo”, afirmou.

A ideia de transparência e previsibilidade dialogou diretamente com a fala de Patrício Júnior, presidente da TIL (Terminal Investment Limited), que destacou que infraestrutura e segurança jurídica são tão importantes quanto a simplificação tributária para atrair investimentos e manter o Brasil competitivo. Ele questionou se, na prática, a reforma conseguirá entregar o que promete: “Ainda temos uma complexidade tributária enorme. Será mesmo uma simplificação? Teremos transparência?”.

Do lado do governo federal, o discurso foi de abertura ao diálogo e cooperação. André Bueno Brandão Sette e Câmara, delegado-chefe da Alfândega da Receita Federal no Porto de Itajaí, ressaltou que a Receita está disposta a facilitar o ambiente de negócios, mas depende de ajustes legais para colocar o Brasil em conformidade com padrões internacionais, como a Convenção de Quioto. “Esse tipo de evento, em que discutimos propostas, é fundamental. O nome disso é cooperação”, enfatizou.

Os impactos para Santa Catarina

A relação entre reforma e competitividade ficou ainda mais evidente quando o debate chegou à realidade de Santa Catarina. Beto Martins, secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias do Estado, revelou números que mostram a força de SC no cenário nacional: 28% da receita tributária do Estado vêm do comércio exterior e da logística, e 65% das cargas que passam pelos portos catarinenses não têm origem ou destino no Estado. Porém, Martins fez um alerta: com a padronização das regras tributárias entre os estados, os benefícios fiscais — hoje um diferencial competitivo — devem deixar de existir. “Vamos ter que encontrar outras soluções. Compensar isso de alguma maneira”, afirmou.

Mário Povia, secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários do Ministério dos Transportes, trouxe um ponto de atenção: apesar do discurso de simplificação, o setor de serviços — que inclui portos e logística — tende a pagar mais imposto com a reforma. De acordo com dados citados por ele, o frete pode encarecer em até 10%. A expectativa é que a simplificação compense esse aumento ao reduzir custos indiretos e burocracias.

Debate positivo e necessário

O Simpósio deixou uma reflexão conjunta: a reforma tributária é um passo, não uma chegada. A transparência fiscal pode impulsionar o comércio exterior, mas o avanço depende de infraestrutura, segurança jurídica e cooperação entre governo e iniciativa privada. O setor está pronto para crescer — e, ao que tudo indica, Itajaí segue como protagonista desse movimento.

Segundo Victor Macedo, sócio-fundador da Macedo & Winter Advogados e organizador executivo do Simpósio, destacou que a riqueza do encontro esteve justamente na pluralidade de visões, algo indispensável para aproximar teoria e prática. “É muito gratificante ver nomes de peso debatendo temas tão relevantes e trazendo opiniões diversas. É assim que construímos soluções para o mercado e para as empresas de comércio exterior de Itajaí”, afirmou.

TEXTO E IMAGENS: REDAÇÃO

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Portos

Governo fecha acordo de R$ 1,5 bilhão com grupo chinês para ampliar Porto de Paranaguá

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou um acordo de investimento de R$ 1,5 bilhão com o grupo chinês CMPort para a expansão do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), no Paraná. O compromisso foi firmado nesta quarta-feira (5), em Xangai, durante uma reunião entre o secretário Nacional de Portos, Alex Avila, e o CEO da CMPort, Xu Song.

A CMPort é uma das maiores companhias do setor portuário mundial, com presença em 52 portos de 26 países. O investimento será aplicado nos próximos anos, com foco em aumentar a capacidade de armazenagem e movimentação de cargas do terminal paranaense.

“Com os novos aportes, o Terminal de Contêineres de Paranaguá se consolidará como um dos mais relevantes do Brasil”, afirmou Alex Avila.

O executivo chinês Xu Song destacou o interesse do grupo em ampliar os investimentos no Brasil, reforçando a confiança na parceria entre os dois países.

Missão oficial na China

A assinatura do acordo encerrou uma agenda de três dias do secretário Alex Avila na China. Além da negociação, a missão teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a tecnologia e a logística portuária chinesa, considerada uma das mais avançadas do mundo.

Visita ao Porto Seco de Shenzhen

Durante a visita, a comitiva conheceu o Porto Seco de Shenzhen, uma área logística da CMPort com mais de 420 mil metros quadrados. O espaço funciona como base de apoio para o armazenamento, transporte e exportação de produtos, integrando diversos serviços como gestão de cadeia de suprimentos, transporte rodoviário, serviços aduaneiros e soluções inteligentes.

“Pudemos compreender como a logística chinesa se organiza para receber e distribuir mercadorias globalmente”, explicou o secretário.

Porto de Xangai: referência mundial

A delegação também visitou o Porto de Xangai, reconhecido como o maior porto do mundo em movimentação de contêineres. Há 14 anos consecutivos, ele lidera o ranking global e exerce papel estratégico no comércio internacional, influenciando custos de frete e cadeias de suprimentos.

Em 2023, o porto movimentou mais de 51 milhões de TEUs (unidades equivalentes a contêineres de 20 pés) e deve superar 50 milhões novamente em 2024 — volume superior à soma de todos os portos dos Estados Unidos.

“Observamos operações quase totalmente automatizadas, sem operadores ou caminhões no pátio”, relatou Avila.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Inovação

Amazon amplia rede logística no Brasil e alcança 250 centros de distribuição em 2025

Expansão histórica reforça presença da Amazon no e-commerce brasileiro

A Amazon atingiu a marca de 250 centros logísticos espalhados por todos os estados do Brasil, consolidando um dos maiores crescimentos da sua operação no país. A expansão, que adicionou mais de 100 novas unidades apenas em 2025 — o equivalente a dois novos centros por semana —, faz parte da estratégia de acelerar prazos de entrega, ampliar a capacidade de armazenamento e fortalecer a presença da empresa no comércio eletrônico nacional.


Investimentos bilionários e foco em inovação

Somente em 2024, a companhia investiu R$ 13,6 bilhões em inovação, automação e no apoio a vendedores locais. Hoje, a operação brasileira da Amazon emprega mais de 36 mil profissionais, entre funcionários diretos e indiretos.

“Nosso DNA nos permitiu ser uma empresa de alto crescimento, atenta às nuances locais e preparada para continuar em ritmo acelerado”, afirmou Juliana Sztrajman, presidente da Amazon Brasil.


Apoio a empreendedores e redução de custos

A expansão logística veio acompanhada de medidas voltadas aos mais de 100 mil vendedores parceiros da plataforma. A Amazon anunciou a gratuidade do programa Fulfillment by Amazon (FBA) até dezembro e reduziu taxas de outros serviços, como o Delivery By Amazon (DBA) e o FBA Onsite.

Segundo a empresa, o objetivo é facilitar o acesso dos empreendedores à infraestrutura logística da Amazon, ampliando o alcance de seus produtos para consumidores em todo o país e no exterior.


Inteligência artificial impulsiona operações

A implementação de inteligência artificial e automação foi essencial para acelerar a transformação logística no Brasil. Em apenas seis anos, a Amazon passou de um único centro de distribuição para 250, reduzindo em 77% o tempo médio de implantação de novas unidades.

Além da expansão física, o catálogo de produtos também cresceu de 1 milhão para 180 milhões de itens, sendo 30 milhões adicionados somente em 2025.


Cobertura nacional e experiência aprimorada

Com uma rede logística totalmente distribuída, a Amazon afirma alcançar 100% dos municípios brasileiros. Outro destaque é que 78% das vendas do marketplace ocorrem fora do estado de origem dos vendedores, demonstrando a abrangência e eficiência do modelo.

“Com nossa rede logística e tecnologia em todo o país, estamos acelerando entregas e aprimorando a experiência dos clientes”, reforça Sztrajman.

Fonte: Com informações da Amazon Brasil.
Texto: Redação

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