Portos

Monitoramento da Saturação Portuária vai orientar investimentos e novos projetos no Brasil

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) vai criar uma ferramenta para acompanhar a capacidade e os níveis de ocupação dos portos brasileiros. A iniciativa busca ampliar a previsibilidade no planejamento do setor e oferecer dados para a avaliação de novos projetos portuários e investimentos em infraestrutura.

O trabalho será conduzido por um Grupo de Trabalho coordenado pela Secretaria Nacional de Portos (SNP), que ficará responsável pelo desenvolvimento do Monitoramento da Saturação Portuária (MSP).

A ferramenta deverá antecipar possíveis gargalos nos terminais e nos acessos terrestres e aquaviários, permitindo identificar com maior antecedência situações de saturação na infraestrutura portuária.

Ferramenta vai cruzar capacidade e demanda

O MSP deverá comparar a capacidade instalada nos portos com as projeções de demanda. O sistema também acompanhará indicadores relacionados ao nível de serviço e considerará portos organizados e Terminais de Uso Privado (TUPs) como partes de um mesmo sistema.

Os resultados do monitoramento serão divulgados uma vez por ano. A primeira edição está prevista para 2027.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o trabalho deverá contribuir para ampliar a confiança dos investidores e aprimorar a avaliação técnica da infraestrutura disponível no país.

“Estamos vivendo um grande ciclo de investimentos em infraestrutura no Brasil porque voltamos a ser olhados com respeito pelo mercado internacional.”

O ministro também destacou a importância do Grupo de Trabalho para analisar as necessidades do setor e indicar soluções de acordo com a capacidade instalada.

Dados poderão orientar novos investimentos

Além de subsidiar decisões do Ministério de Portos e Aeroportos e de outros órgãos públicos, o monitoramento poderá ajudar na definição das prioridades de investimentos portuários.

As informações também poderão ser utilizadas por autoridades portuárias, pelo poder concedente e pela iniciativa privada na seleção e estruturação de projetos.

Outra finalidade será identificar tendências no mercado de terminais e contribuir para a racionalização dos instrumentos de planejamento portuário.

O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, afirmou que o MSP terá papel de apoio à tomada de decisões.

Segundo ele, os dados poderão melhorar a avaliação sobre a necessidade de novos leilões e arrendamentos portuários, além de contribuir para análises relacionadas aos terminais que já estão em operação.

Setor privado e órgãos públicos participarão

A construção do Monitoramento da Saturação Portuária contará com a participação de diferentes segmentos ligados à infraestrutura e à logística.

Serão ouvidas associações e entidades do setor portuário, usuários dos portos, empresas, titulares de outorgas, ministérios, autoridades portuárias, órgãos de controle, agências reguladoras, governos estaduais e outras instituições públicas.

Os participantes poderão fornecer dados, informações e subsídios para a elaboração do projeto. Também deverão contribuir durante a implementação da ferramenta, oferecer apoio institucional e acompanhar as entregas.

Entre os resultados previstos está um balanço com projeções de demanda e cálculo da capacidade dos complexos portuários, incluindo os Terminais de Uso Privado.

MSP não substituirá instrumentos de planejamento

O Ministério ressalta que o novo monitoramento não terá a função de criar ou substituir os instrumentos já existentes de planejamento do setor.

A proposta é utilizar o MSP como uma base de dados e ferramenta de apoio técnico, aumentando a agilidade, a transparência e a confiabilidade das decisões relacionadas à expansão e ao desenvolvimento da infraestrutura portuária.

Grupo de Trabalho começa em setembro

A primeira reunião do Grupo de Trabalho está prevista para 18 de setembro de 2026.

Depois dessa etapa, o cronograma inclui a seleção do parceiro técnico responsável pela implementação, a realização de consultas com representantes dos setores público e privado e a definição dos termos de contratação.

A expectativa é concluir essas etapas até dezembro de 2026.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sérgio Francês/MPor

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Comércio Exterior

Exportações aceleram e superávit comercial dispara 233,7% na primeira semana de setembro

Vendas externas somaram US$ 7,30 bilhões até a primeira semana de setembro, enquanto importações chegaram a US$ 5,39 bilhões; no acumulado do ano, saldo positivo já supera US$ 57 bilhões

O comércio exterior brasileiro começou setembro em ritmo forte. Até a primeira semana de setembro de 2026, as exportações alcançaram US$ 7,30 bilhões, alta de 31,7% em relação ao mesmo período de 2025. As importações também avançaram, mas em ritmo mais moderado, somando US$ 5,39 bilhões, crescimento de 8,4%.

O resultado foi um superávit de US$ 1,91 bilhão na balança comercial, uma expansão expressiva de 233,7% na comparação anual. Já a corrente de comércio — soma das exportações e importações — cresceu 20,7%, chegando a US$ 12,69 bilhões.

Os números divulgados nesta terça-feira (08)mostram uma diferença importante entre o ritmo de crescimento das vendas e das compras externas: enquanto as exportações avançaram quase quatro vezes mais que as importações no período, o saldo comercial ganhou força.

Indústria extrativa lidera avanço das exportações

Entre os setores exportadores, a Indústria Extrativa apresentou o crescimento mais expressivo na primeira semana de setembro. As vendas externas do segmento chegaram a US$ 2,26 bilhões, alta de 84,4% frente ao mesmo período de 2025.

A Indústria de Transformação também teve desempenho positivo, com exportações de US$ 3,60 bilhões, crescimento de 17,9%. Já a Agropecuária movimentou US$ 1,41 bilhão, avanço de 15,7%.

O resultado mostra que o desempenho brasileiro no comércio exterior não está concentrado em apenas uma frente. Commodities agrícolas, produtos minerais e itens industrializados contribuíram para ampliar as vendas ao mercado internacional.

Dentro da indústria extrativa, alguns produtos apresentaram altas bastante expressivas. As exportações de minérios de cobre e seus concentrados cresceram 126,5%, enquanto os minérios de metais preciosos e seus concentrados avançaram 1.397,6%.

Outro destaque foi o petróleo bruto, cujas vendas externas aumentaram 151% na comparação com a primeira semana de setembro de 2025.

Na indústria de transformação, o crescimento também foi relevante em produtos como farelo de soja e outros alimentos para animais, com alta de 109,7%, celulose, que avançou 45,9%, e ouro não monetário, com crescimento de 169,7%.

Na agropecuária, o café não torrado registrou alta de 61,7%, enquanto as exportações de soja cresceram 5,8%.

Nem todos os produtos acompanharam a alta

Apesar do resultado positivo das exportações, alguns segmentos registraram retração.

Entre os produtos agropecuários, as vendas de algodão em bruto caíram 6%, enquanto as de sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras recuaram 68,6%.

Na indústria extrativa, o minério de ferro e seus concentrados apresentou queda de 18,6%, enquanto as vendas de minérios de níquel recuaram 100% e as de minérios de alumínio diminuíram 27%.

Já na indústria de transformação, chamam atenção as quedas nas exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, de 22,5%, e de veículos automóveis de passageiros, de 56,1%.

Importações avançam, puxadas pela indústria

Do lado das compras externas, a Indústria de Transformação continua concentrando a maior parcela das importações brasileiras. O setor movimentou US$ 5,02 bilhões até a primeira semana de setembro, alta de 7,8%. A indústria extrativa somou US$ 270 milhões, crescimento de 32,4%, enquanto a agropecuária registrou US$ 90 milhões, avanço de 3,5%.

Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das importações estão os óleos combustíveis de petróleo, com alta de 108,8%, válvulas, tubos termiônicos, diodos e transistores, que avançaram 84,2%, e veículos automóveis de passageiros, com crescimento de 83,3%.

Também aumentaram as compras externas de soja, que registraram alta de 81,4%, e de milho não moído, com avanço de 23,2%.

Superávit acumulado passa de US$ 57 bilhões

O desempenho de setembro reforça uma trajetória positiva observada ao longo de 2026. No acumulado de janeiro até a primeira semana de setembro, as exportações brasileiras somaram US$ 258,15 bilhões, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações alcançaram US$ 200,93 bilhões, alta de 5%. Com isso, o Brasil acumula um superávit comercial de US$ 57,22 bilhões, crescimento de 36,7% na comparação anual. A corrente de comércio também avançou, chegando a US$ 459,08 bilhões, alta de 8,1%.

Mercado acompanha ritmo das exportações

Os dados da primeira semana de setembro reforçam um cenário de crescimento das operações de comércio exterior brasileiro, especialmente pelo ritmo das exportações.

O avanço de 31,7% nas vendas externas, combinado ao crescimento mais moderado das importações, ampliou significativamente o saldo comercial no período. No acumulado do ano, a diferença entre exportações e importações já ultrapassa US$ 57 bilhões.

Para empresas que atuam em comércio exterior, logística, transporte internacional e operações portuárias, o desempenho também sinaliza um mercado externo movimentado, com forte participação de commodities e expansão em determinados produtos de maior valor agregado.

Mais do que o tamanho do saldo, o ponto de atenção está na velocidade de crescimento das exportações, que começa setembro muito acima do ritmo observado nas importações.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – Balança Comercial.

Texto: Redação

Imagem: JBS Terminais / Foto Tanajura

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Portos

Novo terminal de Fortaleza terá foco na exportação de frutas refrigeradas

O Porto de Fortaleza, no Ceará, está prestes a ganhar um novo terminal de contêineres com foco na movimentação de cargas do agronegócio, especialmente frutas destinadas ao mercado internacional. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a modelagem do edital para o leilão do MUC04, projeto que representa a retomada, depois de cerca de 20 anos, da licitação de um novo terminal desse segmento no país.

A futura estrutura deverá ampliar a capacidade logística do porto e oferecer condições mais adequadas para o transporte de cargas refrigeradas, setor fundamental para a exportação de frutas.

Terminal receberá R$ 429 milhões em investimentos

O vencedor do leilão assumirá um contrato de arrendamento com duração de 25 anos e deverá investir aproximadamente R$ 429 milhões na implantação e modernização da infraestrutura.

Atualmente, a movimentação de contêineres no Porto de Fortaleza ocorre de maneira descentralizada e é amparada por um contrato de transição. As operações estão concentradas em uma área de aproximadamente 88 mil metros quadrados.

Com o novo arrendamento, o MUC04 passará a ocupar uma área contínua de cerca de 148 mil metros quadrados, o que permitirá reorganizar o espaço, melhorar o fluxo operacional e implementar estruturas mais eficientes.

Estrutura amplia capacidade logística do Ceará

A expansão deverá fortalecer a oferta de serviços portuários para a hinterlândia do Ceará — região que concentra a área de influência econômica e logística do porto e que alcança diferentes estados do Nordeste e do Centro-Oeste.

A expectativa é que a nova infraestrutura contribua para reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das empresas e tornar mais eficiente o transporte da produção destinada aos mercados nacional e internacional.

Com capacidade projetada para movimentar até 360 mil TEUs por ano, o terminal também deverá gerar impactos no mercado de trabalho. A estimativa é de 379 empregos diretos, distribuídos entre atividades administrativas e operacionais.

Terminal será estratégico para exportação de frutas

O MUC04 será utilizado para movimentação e armazenamento de cargas conteinerizadas e terá importância estratégica para a logística regional.

Um dos principais focos está no escoamento da produção agrícola, especialmente de frutas. Esse tipo de carga exige cuidados específicos durante o transporte, já que a manutenção da temperatura adequada é essencial para preservar qualidade e validade até a chegada ao consumidor.

Por isso, a infraestrutura deverá contar com tomadas para contêineres refrigerados (reefer) e condições adequadas para garantir a eficiência da cadeia de frio.

A estrutura poderá facilitar o acesso de produtores e exportadores do Nordeste aos mercados internacionais, reduzindo etapas logísticas e aumentando a agilidade no embarque de produtos perecíveis.

Próximos passos do leilão

Após a avaliação das contribuições e recomendações apresentadas pelo TCU, o projeto seguirá para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A agência será responsável por dar continuidade aos procedimentos necessários para a realização do leilão do MUC04.

A expectativa é que a implantação do terminal represente um avanço na modernização do Porto de Fortaleza e amplie sua capacidade de atender às demandas do comércio exterior, principalmente em segmentos que dependem de infraestrutura especializada para cargas refrigeradas.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Especialista

O que a Transamazônica me ensinou e que hoje levo para a gestão da frota

Por Fábio Lins

Minha história na logística começou muito antes de ocupar uma posição de gestão. Comecei como ajudante de motorista, conciliando uma rotina pesada de trabalho e estudos. Foi na estrada que tive minhas primeiras experiências com o transporte e comecei a entender, na prática, os desafios que envolvem uma operação logística.

Hoje, atuo como gestor comercial, de projetos e de frota na Sigatrans Logística. Depois de cerca de 30 anos no setor, percebo que grande parte da visão profissional que tenho atualment foi construída justamente durante os anos em que estive na operação.

Ao longo dessa trajetória, percorri o Brasil de norte a sul, literalmente do Chuí ao Oiapoque. Em 2010, vivi uma das experiências mais marcantes: a Transamazônica.

Enfrentei longos trechos de estrada de chão, percursos em que cerca de 60 quilômetros podiam representar 12 horas de viagem, além de situações de insegurança e dificuldades em regiões como Barra do Corda, onde passei por áreas de reserva indígena.

Essas experiências me ensinaram algo que continua presente na minha rotina: distância não é apenas quilometragem. É tempo, combustível, desgaste, manutenção, risco e custo.

Hoje, esse conhecimento prático contribui diretamente para minhas decisões na gestão de frota. Consigo olhar para números de distância, consumo e despesas dos veículos considerando também a realidade encontrada nas rotas.

Da operação para a gestão

A mudança da operação para a gestão também transformou minha forma de enxergar as pessoas.

Durante minha trajetória, vivi situações difíceis e até humilhações dentro de empresas e transportadoras. Quando passei a liderar, escolhi fazer diferente.

A empatia se tornou uma ferramenta indispensável de gestão. Antes de cobrar um resultado, procuro entender a dificuldade de quem está na ponta. O motorista enfrenta condições de estrada, pressão, imprevistos e longas jornadas. Conhecer essa realidade muda a maneira de tomar decisões.

Essa experiência também reforçou uma convicção: logística é feita por pessoas antes de ser feita por caminhões.

Três aprendizados de 30 anos de logística

Minha experiência profissional pode ser resumida em três aprendizados:

1. Pessoas vêm antes da operação.
Uma frota eficiente depende de uma equipe preparada e de uma gestão próxima.

2. Comercial e operação precisam caminhar juntos.
Prometer ao cliente é fácil quando não se conhece a realidade operacional. O resultado acontece quando as duas áreas trabalham alinhadas.

3. Quem conhece a estrada conhece melhor o cliente.
A experiência prática ajuda a compreender prazos, rotas, custos e dificuldades que nem sempre aparecem em uma planilha.

Não acredito em operação perfeita. Acredito em equipes preparadas, gestão presente e pessoas dispostas a resolver problemas.

Depois de três décadas na logística, minha experiência na estrada continua sendo uma ferramenta importante para a gestão. A diferença é que, hoje, ela se soma aos indicadores, aos projetos e aos números necessários para uma tomada de decisão mais precisa.

A Transamazônica, as longas viagens e as rotas difíceis foram uma espécie de faculdade prática. E é esse conhecimento que continuo levando comigo todos os dias: entender a estrada para compreender a operação, os custos, o cliente e, principalmente, as pessoas que fazem a logística acontecer.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Portos

Novo porto de Santa Catarina recebe aval para navegação internacional

Um novo porto de Santa Catarina está mais perto de iniciar suas operações. O Bunge Terminal Graneleiro de São Francisco do Sul, terminal de uso privado (TUP), foi habilitado para receber tráfego internacional pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), por meio da Superintendência de Outorgas.

A autorização ocorre após a publicação, no mês passado, do termo que liberou o empreendimento para começar a operar. Com as obras concluídas, a expectativa é de que o terminal entre em funcionamento nas próximas semanas.

Terminal será o sétimo porto em operação no Estado

A entrada em atividade do novo terminal ampliará a estrutura portuária de Santa Catarina. O TUP da Bunge será o sétimo porto do Estado, que atualmente conta com instalações portuárias em São Francisco do Sul, Itapoá, Itajaí, Navegantes, Imbituba e Laguna.

Santa Catarina ainda terá um novo terminal em Itapoá. O empreendimento da Coamo Cooperativa Agroindustrial será o segundo porto do município e tem obras previstas para começar em 2027.

Porto já possui licença ambiental

Além da autorização para iniciar as operações, o novo terminal portuário de São Francisco do Sul possui protocolo do Plano de Segurança Portuária.

O empreendimento era anteriormente conhecido como Terminal Graneleiro de São Francisco do Sul (TGSC). O terminal da Bunge também já obteve a Licença Ambiental de Operação, concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A estrutura foi instalada no Morro Bela Vista, nas proximidades do Porto de São Francisco do Sul, uma das principais áreas portuárias de Santa Catarina.

Novo terminal terá capacidade para 6 milhões de toneladas

O terminal graneleiro da Bunge começará a operar com capacidade para movimentar até 6 milhões de toneladas de grãos por ano. A estrutura foi projetada para permitir futuras ampliações.

A principal atividade será a exportação de grãos, reforçando a infraestrutura de escoamento da produção agrícola pelo litoral catarinense.

O terminal contará com um berço de atracação de 174 metros de comprimento, equipado com quatro estruturas conhecidas como dolfins, utilizadas para a atracação das embarcações.

Na área de retroporto, a capacidade de armazenamento será de 135 mil toneladas de granéis. O complexo terá um armazém horizontal e seis silos verticais.

Com a habilitação para o tráfego internacional e as obras concluídas, o novo terminal amplia a capacidade logística de Santa Catarina e se prepara para entrar na rede de exportação de grãos do Estado.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

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Aeroportos

Acidente em Miami reacende debate sobre segurança nas pistas de aeroportos

Um avião cargueiro operado para a Amazon Air saiu da pista durante o pouso no Aeroporto Internacional de Miami, nos Estados Unidos, na tarde do último domingo (6). A aeronave atingiu veículos que estavam nas proximidades, pegou fogo e deixou cinco pessoas mortas e outras cinco feridas. O acidente mobilizou equipes de emergência e provocou a interrupção temporária das operações no aeroporto, um dos mais movimentados da região.

A aeronave, um Boeing 767-300, havia partido de San Juan, em Porto Rico, com destino a Miami. Segundo a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), o pouso ocorreu por volta das 14h, mas o avião não conseguiu parar dentro da área pavimentada da pista. Dados do Flightradar24 indicam que a aeronave estava a aproximadamente 210 km/h quando deixou a área utilizável da pista.

Até o momento, as autoridades não determinaram o que provocou a saída de pista. Informações preliminares analisadas pela CNN indicam que não houve declaração de emergência por parte da tripulação antes do pouso.

Vítimas estavam em terra e dentro de veículos

De acordo com o Corpo de Bombeiros de Miami-Dade, cinco pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas. Três dos feridos foram encaminhados em estado grave para um centro especializado em trauma, enquanto os demais receberam atendimento em um hospital da região. Equipes de resgate também precisaram retirar pessoas que ficaram presas nos veículos atingidos pela aeronave.

A aeronave atingiu dois veículos, incluindo uma van Ford 2012 que transportava sete trabalhadores da Professional Ocean Service Corporation, uma empresa contratada de limpeza para companhias aéreas, além de um SUV Toyota.

A van estava dentro do aeroporto, e o pequeno SUV que o jato também atingiu estava do lado de fora. Os dois pilotos foram retirados da aeronave e receberam atendimento médico. O estado de saúde deles não havia sido divulgado.

Investigação vai analisar aeronave, pista e condições meteorológicas

A investigação ficará sob responsabilidade da FAA e do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB). Investigadores das duas instituições foram mobilizados para apurar as circunstâncias do acidente. Entre os fatores que devem ser examinados estão as condições da aeronave, atuação da tripulação, infraestrutura aeroportuária e condições meteorológicas no momento do pouso.

Uma análise preliminar também apontou uma mudança na direção do vento pouco antes da aterrissagem. Segundo especialista ouvido pela CNN, rajadas de até 26 nós podem ter provocado um componente de vento de cauda, situação que pode aumentar a velocidade da aeronave em relação ao solo e dificultar a frenagem. Ainda não é possível afirmar, contudo, que as condições do vento tenham sido determinantes para o acidente.

Aeroporto de Miami teve mais de 450 voos afetados

O acidente ocorreu durante o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, período de intenso movimento nos aeroportos. A ocorrência provocou uma paralisação das operações em solo por aproximadamente três horas. Até a noite de domingo, mais de 450 voos haviam sido cancelados ou atrasados, segundo dados do FlightAware.

Outro ponto que poderá entrar na análise das autoridades é a ausência, no aeroporto de Miami, do Engineered Materials Arresting System (EMAS), sistema instalado ao final de determinadas pistas para ajudar a conter aeronaves que ultrapassam a área de pouso. O mecanismo utiliza materiais compressíveis capazes de reduzir a velocidade de um avião em uma saída de pista.

Especialistas consultados pela CNN questionaram a ausência do sistema em um aeroporto de grande movimentação e cercado por vias, edifícios e outras estruturas.

Avião era operado pela 21 Air

A Amazon confirmou que a aeronave envolvida no acidente era operada pela 21 Air, empresa especializada em transporte aéreo de cargas com sede na Carolina do Norte.

A companhia mantém uma estrutura operacional em Miami e presta serviços para empresas como Amazon e DHL. De acordo com informações da Cirium citadas na reportagem, a empresa opera oito Boeing 767 destinados à Amazon Air. Tanto a Amazon quanto a 21 Air afirmaram que irão colaborar com as investigações.

A aeronave envolvida fazia parte da operação logística da Amazon Air, braço aéreo utilizado pela gigante do comércio eletrônico para transportar encomendas. A empresa opera diariamente mais de 250 voos e conta com uma frota superior a 100 aeronaves, incluindo modelos Boeing 737 e 767 e Airbus A330.

A estrutura aérea é utilizada para transportar diferentes tipos de mercadorias, desde encomendas convencionais até produtos perecíveis e cargas que exigem condições específicas de transporte.

Saída de pista é um dos principais riscos da aviação

As saídas de pista, conhecidas internacionalmente como runway excursions, estão entre os eventos de segurança mais recorrentes na aviação mundial. Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) apontam esse tipo de ocorrência como o principal incidente envolvendo aeronaves em todo o mundo.

As causas podem envolver diferentes fatores, como condições meteorológicas, problemas técnicos, condições da pista, velocidade, frenagem e procedimentos operacionais. A investigação do acidente em Miami deverá determinar quais desses elementos contribuíram para a ocorrência.

Fonte: CNN, com informações de autoridades norte-americanas e agências de segurança aérea.

Imagem: AFP/Divulgação

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Logística

Maersk defende logística mais barata e eficiente no Brasil: “O Brasil precisa dar escala”

O Brasil é um dos principais mercados globais da Maersk e ocupa uma posição entre as cinco maiores operações da companhia no mundo. Mesmo diante de obstáculos recentes ao comércio exterior, como as cotas chinesas para a carne brasileira e as restrições impostas pela União Europeia, a empresa mantém uma perspectiva de crescimento para 2026.

Para Ricardo Rocha, presidente da Maersk na Costa Leste da América do Sul, região que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, um dos diferenciais da companhia está no controle de diferentes etapas da cadeia logística.

Segundo o executivo, o modelo verticalizado, que reúne transporte marítimo, terminais, armazéns e distribuição, permite à empresa responder com mais rapidez às mudanças do mercado.

Brasil é um dos maiores mercados da Maersk

A operação brasileira tem peso significativo dentro da estratégia global da empresa. O país está entre os cinco maiores mercados da Maersk no mundo.

A divisão da Costa Leste da América do Sul responde por aproximadamente 50% a 55% dos resultados da companhia na América Latina. O Brasil é o principal mercado desse grupo.

Dos cerca de 3.300 funcionários que trabalham na região, aproximadamente 3 mil estão no Brasil, reforçando a importância do país para a operação da multinacional.

Maersk investe mais de R$ 1 bilhão por ano no Brasil

A companhia afirma investir mais de R$ 1 bilhão anualmente no Brasil em manutenção e expansão de sua estrutura logística, incluindo terminais, armazéns e depósitos.

Atualmente, a Maersk opera ou possui participação em quatro terminais brasileiros. Um dos principais projetos está em Suape, onde a empresa terá um terminal integralmente próprio.

O empreendimento recebeu investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões e deve iniciar as operações em breve.

A estrutura também inclui dez centros logísticos voltados ao recebimento de contêineres vazios e ao atendimento dos clientes.

Carne, café, madeira e outros produtos movimentam a operação

A Maersk atua no transporte de uma ampla variedade de mercadorias produzidas no Brasil. Entre os principais produtos estão carne, madeira, café, algodão, calçados, roupas, alimentos, produtos químicos não perigosos e peças.

A empresa também trabalha com logística refrigerada, transportando produtos como medicamentos e carne congelada.

Cada mercadoria exige procedimentos específicos, devido às características da carga e às regulamentações existentes. A companhia afirma oferecer uma operação integrada que pode começar ainda no país de origem e terminar no destino final.

Quando ocorre algum problema durante o trajeto, a empresa pode recorrer ao transporte aéreo para evitar interrupções na cadeia de suprimentos.

Tarifas dos EUA mudaram rotas de exportação

O aumento das tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros também teve impacto na operação da Maersk.

De acordo com Ricardo Rocha, a empresa deixou de transportar aproximadamente 20% do volume que anteriormente seguia para os Estados Unidos.

A mudança, porém, provocou uma reorganização das cadeias de suprimentos. Empresas brasileiras passaram a buscar outros destinos para suas exportações, com destaque para a Ásia e, principalmente, a China.

Guerra no Oriente Médio exigiu mudanças na logística

O conflito no Oriente Médio trouxe novos desafios para o transporte de cargas brasileiras, especialmente para os produtos refrigerados e congelados.

A Maersk é a principal transportadora de cargas congeladas e refrigeradas do Brasil, enquanto o Oriente Médio representa o segundo maior mercado brasileiro para esse tipo de produto.

A diferença entre carnes congeladas e resfriadas também exige estratégias distintas. Enquanto a carne congelada pode ser armazenada, a resfriada precisa chegar ao destino e ser encaminhada rapidamente ao consumo.

Diante das dificuldades na região, a empresa precisou reorganizar o fluxo de contêineres. Rotas que passavam pelo Canal de Suez foram modificadas, combinando transporte marítimo com caminhões.

Segundo o executivo, uma operação que anteriormente atendia cinco portos passou a utilizar apenas dois. O que inicialmente era considerado uma solução temporária acabou se tornando parte permanente da logística.

Custos aumentaram com uso de caminhões

As mudanças nas rotas também elevaram os custos da operação, principalmente devido à necessidade de ampliar o transporte rodoviário.

Além disso, a falta de combustível em determinados momentos exigiu a criação de uma estrutura específica para garantir o abastecimento necessário à operação logística.

Cotas da China e restrições europeias pressionam exportações

O setor de exportação de carne brasileira também enfrenta mudanças importantes.

O Brasil é o maior produtor mundial, enquanto a China é seu principal comprador. Com a adoção de cotas chinesas, algumas empresas reduziram ou interromperam a produção destinada ao mercado asiático.

Na sequência, novas restrições da União Europeia aumentaram a pressão sobre os exportadores brasileiros.

Apesar do cenário adverso, a Maersk identifica oportunidades em outros mercados. As vendas de carne bovina para o Chile cresceram, assim como os embarques destinados aos Estados Unidos.

El Niño preocupa operação logística no Norte

As condições climáticas também fazem parte dos fatores monitorados pela companhia.

No Brasil, o El Niño pode provocar períodos de seca mais severos na Região Norte, afetando o nível dos rios e, consequentemente, o transporte de cargas.

A Maersk conta com o apoio de uma startup que acompanha diariamente os níveis dos rios utilizados na operação. A empresa já observa uma redução nos níveis durante a segunda metade do ano e considera a possibilidade de uma estiagem particularmente severa.

Mesmo assim, a avaliação é de que a estrutura atual permite adaptar a operação às mudanças provocadas pelas condições climáticas.

Modelo verticalizado dá mais controle à Maersk

Uma das principais estratégias da empresa é justamente manter sob seu controle diferentes etapas da cadeia logística.

A Maersk atua com navios, terminais, armazéns, caminhões e distribuição, reduzindo a dependência de terceiros e permitindo ajustes mais rápidos diante de imprevistos.

A companhia prevê movimentar 1,15 milhão de contêineres no Brasil neste ano.

O modelo também representa uma mudança na atuação tradicional da empresa, que deixou de trabalhar apenas no transporte entre portos e passou a oferecer uma solução de ponta a ponta, incluindo despacho, transporte rodoviário, armazenagem seca e refrigerada e distribuição.

Para a Maersk, essa integração ajuda a fortalecer o relacionamento e a retenção dos clientes.

Maersk cobra redução dos custos logísticos no Brasil

Na avaliação de Ricardo Rocha, o Brasil precisa avançar na infraestrutura para reduzir os custos e aumentar a escala da logística brasileira.

“O Brasil precisa baratear e dar escala à sua logística”, afirma o executivo.

Um dos exemplos citados é o Porto de Santos, considerado o maior da América Latina. Segundo Rocha, apenas um dos terminais do complexo possui conexão direta com a malha ferroviária.

Outro problema está no elevado nível de utilização dos portos. Durante períodos de inverno, quando há maior ocorrência de mar agitado e neblina, a ocupação de muitos terminais chega a 90% ou 95% da capacidade.

Para o executivo, esse nível é elevado demais. Pelos padrões internacionais, um terminal deveria trabalhar próximo de 80% da capacidade, mantendo os 20% restantes para manobras e situações imprevistas.

Com pouca margem operacional, qualquer interrupção pode provocar impactos em toda a cadeia logística e no comércio exterior brasileiro.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/O Globo

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Portos

Quando o navio espera, o Brasil paga: os gargalos que travam a logística

ReConecta News acompanhou o 5º Fórum Conexão Porto e Indústria que debateu os impactos dos gargalos portuários no Custo Brasil e os investimentos necessários para ampliar a eficiência logística.

Os gargalos de infraestrutura e os impactos econômicos provocados pela espera de navios nos portos brasileiros estiveram no centro dos debates do 5º Fórum Conexão Porto e Indústria, realizado na sexta-feira (4), em Santos (SP). Promovido pela RECORD Litoral e Vale, em parceria com a RECORD News, o encontro reuniu autoridades, instituições, empresas e representantes de diferentes segmentos ligados à logística e ao comércio exterior.

O ReConecta News esteve presente acompanhando as discussões, com cobertura dos principais debates e dos temas que impactam diretamente a competitividade do comércio exterior brasileiro.

O ponto central do fórum foi o chamado Custo Brasil e a necessidade de reduzir ineficiências que encarecem a operação logística. Entre os assuntos discutidos esteve o custo gerado pelas filas de navios e pela limitação da infraestrutura portuária diante do crescimento da demanda.

O Porto de Santos (SP), principal complexo portuário do país, vem registrando volumes históricos de movimentação. Só nesse ano já movimentou mais de 186 milhões de toneladas – quantidade histórica. O cenário reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura, acessos e eficiência operacional para garantir que o crescimento da movimentação seja acompanhado pela capacidade de atendimento, não apenas em Santos, mas em todos os portos do país.

Monitoramento da saturação portuária

A abertura do evento contou com palestra do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, que apresentou investimentos realizados pelo governo e anunciou a criação de um novo grupo de trabalho voltado ao monitoramento da saturação portuária.

Segundo o ministro, a iniciativa deverá avaliar a demanda, a capacidade instalada e o nível de serviço dos portos brasileiros, permitindo identificar gargalos e apontar soluções. “O resultado desse grupo de trabalho vai justamente apontar as demandas, a capacidade instalada e as soluções necessárias para os portos, não apenas o Porto de Santos, mas para todos os portos do Brasil.”

A proposta é ampliar a capacidade de planejamento do setor e antecipar problemas que possam comprometer o fluxo de cargas nos próximos anos.

Eficiência agora e grandes obras para o futuro

O fórum foi dividido em dois painéis. O primeiro tratou da eficiência operacional e das medidas que podem ser adotadas no curto prazo para melhorar o desempenho dos portos.

Já o segundo debateu grandes obras e projetos de infraestrutura, considerando investimentos de maior porte e prazos mais longos de implantação. Durante as discussões, o presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, destacou a necessidade de pensar a estrutura portuária para as próximas décadas, com investimentos tanto no canal de navegação quanto nos acessos terrestres. A visão de longo prazo considera a necessidade de garantir maior agilidade para a entrada e saída de navios, além da melhoria das áreas secas e das vias de acesso ao complexo portuário.

Diálogo entre setor público e iniciativa privada

Outro ponto que ganhou destaque ao longo do encontro foi a necessidade de ampliar o diálogo entre empresas, terminais, entidades e poder público. A avaliação compartilhada durante o fórum é de que a construção de soluções para os gargalos logísticos depende de uma atuação coordenada entre os diferentes atores envolvidos na cadeia.

Para o ReConecta News, acompanhar esse tipo de debate é também uma forma de aproximar o mercado das discussões que definem os rumos da infraestrutura brasileira. Renata Palmeira, CEO do ReConecta News, destaca a importância de estar próximo dos principais debates do setor. “O ReConecta tem como propósito conectar pessoas, empresas e informações que movimentam o comércio exterior e a logística. Estar presente em um fórum como este é fundamental para acompanhar de perto as discussões que impactam toda a cadeia e levar ao nosso público os principais desafios, oportunidades e caminhos apontados pelos especialistas e autoridades.”

O debate realizado em Santos reforçou que a eficiência portuária não é uma questão restrita aos terminais. Os impactos alcançam toda a cadeia logística e podem refletir diretamente nos custos das empresas, na competitividade das exportações e importações e, consequentemente, na economia brasileira.

Com o aumento da movimentação de cargas e a perspectiva de crescimento da demanda, o desafio é encontrar um equilíbrio entre ações imediatas de eficiência e investimentos estruturantes de longo prazo.

TEXTO E IMAGENS: ReConecta News

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Logística

MPor anuncia ferramenta para monitorar saturação portuária a partir de 2027

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) pretende começar, em 2027, o monitoramento sistemático da capacidade dos portos brasileiros para atender à demanda. A iniciativa prevê a criação do Monitoramento de Saturação Portuária (MSP), ferramenta que deverá medir o nível de serviço oferecido aos usuários e identificar antecipadamente possíveis gargalos no sistema portuário.

A proposta foi apresentada pela Secretaria Nacional de Portos a representantes do setor durante uma reunião realizada na quinta-feira (3), na sede do ministério.

Segundo a pasta, o novo mecanismo será aplicado tanto a portos públicos quanto a terminais privados. A intenção é produzir informações capazes de orientar decisões e investimentos na infraestrutura aquaviária.

MSP terá publicações anuais entre 2027 e 2030

O planejamento inicial prevê a divulgação anual dos resultados do monitoramento entre 2027 e 2030. A metodologia, entretanto, deverá ser aperfeiçoada continuamente à medida que a ferramenta for utilizada e novos dados forem incorporados.

A estruturação do projeto começa em setembro, com reuniões técnicas, escolha de um parceiro especializado e consultas aos agentes que atuam no setor.

O primeiro encontro está marcado para 18 de setembro, quando deverá se reunir o Grupo de Trabalho criado em agosto pelo ministério para acompanhar a situação da saturação portuária no país.

Governo pretende ouvir empresas e órgãos do setor

A seleção do parceiro responsável pelo desenvolvimento da ferramenta está prevista para ser concluída ainda em setembro. Na sequência, a Secretaria Nacional de Portos pretende iniciar uma etapa de consultas com representantes dos setores público e privado.

Entre os participantes previstos estão autoridades portuárias, agências reguladoras, titulares de outorgas e usuários da infraestrutura portuária.

A participação desses agentes deverá contribuir para a construção da metodologia e para a identificação dos principais problemas enfrentados atualmente pelos diferentes segmentos.

Gargalos aumentam custos e provocam atrasos logísticos

Empresas de diferentes áreas vêm relatando dificuldades relacionadas à saturação dos portos brasileiros. Os problemas aparecem em diferentes pontos da cadeia, incluindo acessos terrestres e aquaviários, além da insuficiência de estruturas para armazenagem e movimentação de cargas.

Esses gargalos podem provocar atrasos no embarque e no recebimento de mercadorias, filas de navios e caminhões e aumento dos custos logísticos.

O segmento de transporte de contêineres está entre os setores que mais têm chamado atenção para os problemas de capacidade e para os impactos da saturação portuária.

Ferramenta terá três etapas de desenvolvimento

De acordo com a apresentação feita pelo secretário Alex Ávila, o MSP será estruturado em três frentes.

  • Relação entre demanda e capacidade: levantamento periódico do equilíbrio operacional de cada complexo portuário, considerando também os diferentes tipos de carga.
  • Painel de indicadores: criação de métricas para acompanhar o nível de serviço oferecido aos usuários.
  • Revisão normativa: definição das regras e da metodologia oficial que deverão orientar a aplicação do Monitoramento de Saturação Portuária.

A proposta é transformar os dados em uma ferramenta de acompanhamento capaz de antecipar situações de sobrecarga e apoiar decisões sobre novos investimentos.

Logística Brasil defende continuidade da iniciativa

André de Seixas, presidente da Logística Brasil, considerou positiva a criação do MSP, mas destacou que o monitoramento precisa ser acompanhado por medidas destinadas a resolver os problemas identificados.

Segundo ele, o diagnóstico apresentado pela entidade é diferente, mas complementar ao do governo, já que a preocupação está também na implementação de soluções para os gargalos.

Seixas defendeu ainda que o projeto seja transformado em uma política de Estado, de modo que tenha continuidade independentemente do calendário eleitoral ou de uma eventual mudança de governo.

MSP deverá complementar instrumentos de planejamento

Na avaliação apresentada pelo ministério, os atuais mecanismos de planejamento não conseguem acompanhar na mesma velocidade as transformações do mercado. Por isso, a proposta é separar o acompanhamento e a produção de dados das demais etapas de planejamento.

O MSP deverá funcionar como complemento a instrumentos que já fazem parte da política de transportes, como o Planejamento Integrado de Transportes (PIT), o Plano Nacional de Logística (PNL), os planos mestres e os Planos de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZs).

A expectativa é que o novo sistema forneça informações mais rápidas e precisas sobre a utilização da infraestrutura, permitindo identificar com maior antecedência os pontos de pressão e orientar investimentos no setor portuário brasileiro.

FONTE: Agência Infra
TEXTO: Redação
IMAGEM: BTP

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Portos

Porto de Santos: audiência pública debate concessão do canal de acesso

A concessão do canal de acesso ao Porto de Santos foi tema de uma audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) na terça-feira (1º). A sessão da Audiência Pública nº 02/2026 teve como objetivo reunir contribuições, dados e sugestões para aperfeiçoar os documentos técnicos e jurídicos que integram o projeto.

Considerado o maior complexo portuário da América Latina, o Porto de Santos tem papel estratégico para o comércio exterior brasileiro. O complexo é responsável pelo escoamento de parte significativa da produção nacional e pelo abastecimento do mercado interno, movimentando cargas como produtos agrícolas e minerais, contêineres, combustíveis e carga geral.

A proposta de concessão busca preparar a infraestrutura aquaviária para o aumento da demanda e para a operação de navios cada vez maiores, com expectativa de ganhos em segurança da navegação, eficiência logística e capacidade operacional.

Concessão do canal de Santos terá prazo de até 70 anos

O projeto prevê a concessão parcial do acesso aquaviário ao Porto de Santos por 25 anos, com possibilidade de prorrogações que podem levar o contrato a até 70 anos.

Entre as intervenções previstas estão o aprofundamento do canal de navegação, inicialmente de 15 para 16 metros e, posteriormente, de 16 para 17 metros.

A proposta também contempla a implantação do VTMIS (Sistema de Gerenciamento e Informações do Tráfego de Embarcações), além da modernização da sinalização náutica e da realização de novos levantamentos hidrográficos.

As medidas têm como objetivo ampliar a capacidade e a segurança da infraestrutura marítima diante da evolução das características das embarcações que utilizam o complexo portuário.

Setor produtivo e sociedade apresentam sugestões

A audiência contou com a participação de representantes da sociedade, centros de pesquisa, setor produtivo, usuários do porto e outros agentes ligados ao mercado.

Durante a sessão, os participantes apresentaram questionamentos e contribuições para os estudos que fundamentam o projeto de concessão.

O secretário especial de Licitação de Concessões da ANTAQ, Ygor Costa, ressaltou que a participação social é importante para aprimorar a modelagem da futura concessão.

Segundo ele, dados, estudos e levantamentos técnicos apresentados durante o processo podem contribuir para tornar mais preciso o Estudo de Viabilidade Técnico-Econômica e Ambiental (EVTEA), especialmente na definição dos investimentos e dos custos operacionais previstos para o contrato.

Audiência pública foi realizada de forma híbrida

A sessão ocorreu em formato híbrido, com participação presencial no auditório da sede da ANTAQ, em Brasília (DF), e participação remota por meio da plataforma Microsoft Teams.

A gravação da audiência também está disponível no canal oficial da Agência no YouTube, permitindo o acompanhamento do conteúdo apresentado durante a sessão.

Contribuições podem ser enviadas até 29 de setembro

A participação social no processo continua aberta. Interessados poderão encaminhar contribuições escritas até 29 de setembro de 2026.

As manifestações devem ser apresentadas exclusivamente por meio do formulário eletrônico disponibilizado na página de Audiências Públicas do portal da ANTAQ.

As contribuições serão analisadas conforme o rito processual e os prazos regulamentares aplicáveis ao processo.

Projeto busca ampliar eficiência do Porto de Santos

A futura concessão do canal de acesso ao Porto de Santos está relacionada à necessidade de modernizar a infraestrutura aquaviária diante do crescimento das operações portuárias e da tendência de utilização de embarcações de maior porte.

Com investimentos em profundidade, sinalização, gerenciamento do tráfego e monitoramento hidrográfico, o projeto pretende contribuir para uma operação mais segura e eficiente do principal complexo portuário brasileiro.

FONTE: Antaq

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/Antaq

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