Aeroportos

Aeroporto de Viracopos conquista certificação OEA e se destaca no Estado de São Paulo

O Aeroporto Internacional de Viracopos, localizado em Campinas (SP), passou a ser o único do Estado de São Paulo a contar com a certificação de Operador Econômico Autorizado (OEA), reconhecimento concedido pela Receita Federal do Brasil a operadores considerados de baixo risco no comércio exterior.

Reconhecimento oficial da Receita Federal

A certificação foi formalizada por meio do Ato Declaratório Executivo Decex/SPO nº 111/2025, publicado no Diário Oficial da União em 19 de dezembro de 2025. Com isso, Viracopos integra o seleto grupo de organizações que atendem aos mais altos padrões de segurança e confiabilidade na cadeia logística internacional.

O que é a certificação OEA

O selo OEA é baseado em diretrizes da Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e tem como finalidade fortalecer a segurança aduaneira e facilitar o comércio global. A certificação reconhece empresas e operadores que mantêm processos sólidos de gestão de riscos, controle operacional e segurança da carga.

No caso de Viracopos, o certificado atesta a adoção de práticas robustas de controle, o que reduz o nível de intervenção da fiscalização aduaneira e aumenta a previsibilidade das operações.

Benefícios para as operações de comércio exterior

Entre as principais vantagens associadas ao OEA estão maior agilidade nos processos aduaneiros, prioridade em procedimentos de conferência quando selecionado, redução de riscos operacionais e acesso a canais exclusivos de comunicação com a Receita Federal. Esses benefícios impactam diretamente a eficiência das operações de importação e exportação realizadas no terminal.

Processo rigoroso e monitoramento contínuo

A adesão ao programa OEA é voluntária, mas exige o cumprimento de critérios rigorosos avaliados pela Receita Federal. A análise envolve aspectos como segurança física, controle de acesso, conformidade tributária e aduaneira, além de práticas contínuas de monitoramento para garantir a manutenção dos padrões exigidos.

Viracopos reforça papel estratégico na logística nacional

Com a certificação, o Aeroporto de Viracopos fortalece sua posição como um dos principais hubs logísticos do Brasil, ampliando a confiança de parceiros, operadores e clientes que atuam no comércio exterior. A conquista também consolida a parceria estratégica entre o terminal e a Receita Federal, alinhando as operações às melhores práticas internacionais do setor aeroportuário e logístico.

FONTE: Aeroin
TEXTO: Redação
IMAGEM: Aeroportos Brasil Viracopos

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Logística

Ataque americano à Venezuela pode elevar custos do comércio exterior brasileiro

Apesar da participação limitada da Venezuela na balança comercial do Brasil, um eventual ataque americano à Venezuela tende a gerar reflexos indiretos relevantes para o comércio exterior brasileiro, especialmente no aumento de custos logísticos, seguros e exigências operacionais.

Impacto indireto vai além do volume comercial

Atualmente, a Venezuela responde por cerca de 0,25% das exportações brasileiras. Ainda assim, o agravamento do cenário geopolítico pode provocar um efeito de contágio regional, com repercussões sobre fretes internacionais, seguros de carga e procedimentos financeiros.

Segundo a advogada especializada em comércio internacional Carol Monteiro, do escritório Monteiro & Weiss Trade, a instabilidade leva bancos, seguradoras e armadores a adotarem posturas mais conservadoras em relação à América Latina como um todo.

Custos, prazos e compliance sob pressão

Com o aumento da percepção de risco, instituições financeiras e operadores logísticos tendem a endurecer critérios de compliance, ampliar exigências de due diligence e revisar condições de financiamento. O resultado prático é o encarecimento das operações e a ampliação dos prazos de liberação de cargas.

A especialista destaca que a pressão não se limita a um episódio isolado, mas se soma a um contexto já marcado por cautela na região, influenciando decisões de logística, investimentos e financiamento do comércio.

Efeitos de curto e médio prazo

Os impactos costumam ocorrer em duas etapas. No curto prazo, ajustes imediatos atingem itens mais sensíveis ao risco, como seguros, fretes e prazos operacionais. Já no médio prazo, empresas passam a adotar mudanças estruturais para reduzir vulnerabilidades.

Entre as medidas mais comuns estão a diversificação de rotas, a revisão de contratos logísticos e o reforço de estoques estratégicos, como forma de mitigar riscos operacionais.

Recomendações aos exportadores brasileiros

Diante do cenário, Carol Monteiro recomenda que exportadores adotem estratégias preventivas e mantenham monitoramento constante dos riscos. O mapeamento de exposições indiretas, a identificação de rotas e operadores mais sensíveis à região e o fortalecimento das práticas de compliance e rastreabilidade são apontados como essenciais.

A revisão de contratos comerciais e logísticos, com cláusulas de força maior e maior flexibilidade operacional, também é considerada fundamental para reagir rapidamente a mudanças no ambiente político e regulatório, sobretudo para empresas com vínculos com os Estados Unidos.

FONTE: CQCS
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CQCS

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Importação

Início de 2026 exige planejamento das importações diante do Ano Novo Chinês

O início de 2026 tende a ser um período decisivo para a organização das importações brasileiras. Após a desaceleração típica do fim de ano, empresas retomam negociações, ajustam volumes e definem cronogramas de embarque para o primeiro trimestre. Esse planejamento, no entanto, precisa considerar um fator central do comércio global: o calendário do Ano Novo Chinês.

Em 2026, o Ano Novo Chinês será celebrado entre terça-feira, 17 de fevereiro, e terça-feira, 3 de março. Durante esse período, fábricas, escritórios, armazéns e parte da operação portuária na China reduzem ou interrompem suas atividades. Como o país é o principal fornecedor de produtos industrializados para o Brasil, o impacto se reflete diretamente nos prazos de produção e embarque.

Nas semanas que antecedem o feriado, é comum a concentração de pedidos e embarques, já que importadores buscam antecipar cargas. Após o término das festividades, a retomada das operações ocorre de forma gradual, o que pode gerar acúmulo de pedidos, aumento no tempo de fabricação e ajustes nas janelas de embarque. Esse comportamento afeta cadeias que dependem de reposição contínua, como eletrônicos, têxteis, utilidades domésticas e artigos sazonais.

Diante desse cenário, o início do ano deixa de ser apenas um momento de retomada comercial e passa a exigir organização logística mais precisa. Empresas que não consideram o impacto do calendário chinês podem enfrentar atrasos no abastecimento e dificuldade para cumprir prazos de venda ao longo do primeiro semestre.

Organização logística e previsibilidade das operações

A definição das importações para o primeiro trimestre de 2026 depende de decisões antecipadas. Ajustar cronogramas, definir volumes com antecedência e escolher janelas de embarque compatíveis com o período pré e pós-Ano Novo Chinês reduz riscos operacionais. Nesse contexto, o papel do parceiro logístico ganha relevância.

Um operador logístico com atuação internacional e conhecimento das rotas asiáticas consegue orientar o importador sobre prazos realistas, alternativas de transporte e impactos do feriado na origem. Essa atuação envolve não apenas o transporte, mas também a coordenação com fornecedores, agentes de carga e o acompanhamento do fluxo logístico.

Além disso, o início do ano costuma concentrar revisões de contratos de frete e reorganização de rotas globais, o que pode influenciar custos e disponibilidade de espaço. O acompanhamento contínuo dessas variáveis permite decisões mais alinhadas à dinâmica do comércio internacional.

Com o Ano Novo Chinês ocorrendo entre fevereiro e março de 2026, o planejamento das importações no início do ano se consolida como etapa estratégica. A combinação entre organização prévia e suporte logístico adequado contribui para operações mais previsíveis e para a continuidade do abastecimento ao longo do ano.

TEXTO E IMAGEM: PROCESS GROUP

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Portos

China registra recordes na movimentação portuária em 2025 e cresce 6,6% no transporte de contêineres

A movimentação portuária da China fechou 2025 em patamar recorde, reforçando o país como um dos principais hubs logísticos globais. Mesmo diante de incertezas no comércio internacional, dados oficiais apontam crescimento consistente tanto no volume total de cargas quanto no transporte de contêineres.

Portos estratégicos antecipam marcas históricas

Ao longo de dezembro de 2025, grandes terminais chineses alcançaram resultados inéditos. O porto de Ningbo-Zhoushan superou, no dia 2, a marca de 40 milhões de TEUs movimentados no ano, tornando-se o terceiro do mundo a atingir esse nível. Em seguida, o porto de Qingdao ultrapassou 700 milhões de toneladas de cargas em 8 de dezembro, antecipando em 15 dias o desempenho de 2024.

Já o porto de Tianjin encerrou o ano com mais de 23,29 milhões de TEUs, alcançando o volume anual 17 dias antes do registrado no ano anterior.

Crescimento nacional no volume de cargas e contêineres

Segundo o Ministério dos Transportes da China, entre janeiro e novembro de 2025, os portos do país movimentaram 16,75 bilhões de toneladas, alta de 4,4% na comparação anual. No mesmo período, o fluxo de contêineres atingiu 320 milhões de TEUs, crescimento de 6,6%.

O desempenho reflete a base estrutural do sistema portuário chinês, que vem passando por forte expansão física e tecnológica nos últimos anos.

Investimentos ampliam capacidade e eficiência

Entre os destaques está Ningbo-Zhoushan, onde os terminais de Chuanshan e Meishan passaram a operar com capacidade superior a 10 milhões de TEUs cada. Em Qingdao, 15 projetos iniciados em 2025 acrescentaram 16 milhões de toneladas de capacidade e 1,46 milhão de metros quadrados de pátios logísticos.

A automação portuária também avançou. O porto de Tianjin implantou um sistema inteligente de gestão de contêineres, elevando a eficiência operacional. Em Xangai, veículos guiados automaticamente já atuam de forma autônoma no transporte e posicionamento de cargas.

Clusters portuários fortalecem a logística chinesa

Atualmente, a China concentra clusters portuários de classe mundial no Golfo de Bohai, no Delta do Rio Yangtzé e na Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau. O país mantém a maior escala de infraestrutura portuária do planeta e lidera em número e nível tecnológico de terminais automatizados.

Para Yuan Ziwen, diretor da Divisão de Economia do Transporte Aquaviário do Instituto de Planejamento e Pesquisa do Ministério dos Transportes, a modernização alterou profundamente o papel dos portos. Segundo ele, a intensa atividade portuária é um indicativo da resiliência do comércio exterior chinês.

Novas rotas ampliam alcance internacional

Como nós centrais do comércio internacional, os portos chineses expandiram conexões com mercados emergentes. Ningbo-Zhoushan inaugurou sua primeira rota pela Passagem do Ártico. Jiaxing abriu ligação direta com a África, enquanto Wenzhou e Beibu Gulf lançaram rotas para o Oriente Médio. Também houve ampliação dos fluxos com América Latina, África e Oriente Médio.

Exportações de maior valor agregado impulsionam demanda

O aumento da movimentação portuária está associado à maior demanda por produtos de alto valor agregado e por bens ligados à transição energética. De acordo com Wang Zhanyou, presidente da Ningbo Union-Ocean Shipping, a concorrência no setor fotovoltaico levou empresas a investir em projetos de armazenamento de energia, sustentando o crescimento das exportações.

Nos primeiros 11 meses de 2025, as exportações chinesas de produtos eletromecânicos somaram RMB 14,89 trilhões, alta de 8,8%, representando 60,9% do total exportado pelo país.

Integração regional fortalece cadeias globais

A integração entre os portos avançou especialmente no Delta do Rio Yangtzé, com uma estrutura formada por Xangai e Ningbo-Zhoushan como núcleos centrais, apoiados por portos fluviais e costeiros de Jiangsu, Zhejiang e Anhui. Veículos elétricos de Anhui e módulos fotovoltaicos de Jiangsu passaram a acessar diretamente mercados da Europa e dos Estados Unidos.

A rota expressa Xangai–Chongqing reduziu o tempo de navegação e reforçou a inserção da região de Chengdu–Chongqing nas cadeias globais.

Portos fluviais ganham protagonismo

Os portos fluviais tiveram crescimento de 5,7% nos primeiros 11 meses de 2025, superando o avanço dos portos costeiros. O porto de Suzhou movimentou 560,88 milhões de toneladas e 9,33 milhões de TEUs. Xuzhou, Hangzhou e Wuhu registraram crescimento de dois dígitos em contêineres, enquanto Wuxi ampliou o volume em mais de 100%, chegando a 109,3%.

Segundo Yuan Ziwen, a modernização das hidrovias elevou a eficiência logística, além de manter o transporte fluvial como alternativa mais econômica e menos emissora de carbono em médias e longas distâncias.

Planejamento estratégico para os próximos anos

Diante desse cenário, diversas províncias incluíram a navegação interior em seus planos para o 15º Plano Quinquenal. Chongqing pretende fortalecer a navegação no alto Yangtzé, Henan busca integrar hidrovias em uma rede estruturada de canais, e Hubei planeja expandir corredores fluviais estratégicos, incluindo o eixo das Três Gargantas.

De acordo com o Ministério dos Transportes, essas iniciativas seguem diretrizes nacionais para a construção de uma malha hidroviária de alto padrão, com impacto direto na redução de custos logísticos e no fortalecimento do mercado interno.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Zhang Ailin/ Xinhua

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Comércio Exterior

CMA CGM e Maersk reestruturam serviço entre Ásia e Costa Leste da América do Sul

As gigantes do transporte marítimo CMA CGM e Maersk anunciaram uma reestruturação no serviço conjunto que conecta a Ásia à Costa Leste da América do Sul, com início previsto para o final de dezembro de 2025. A mudança inclui novas escalas estratégicas e ajustes operacionais voltados à eficiência logística e à adequação à demanda do mercado.

Nova rota inclui Hong Kong e Itajaí

Com a atualização, o serviço passará a escalar Xangai, Hong Kong, Shekou, Singapura, Santos, Itajaí, Singapura e novamente Xangai. A operação será realizada com uma frota de 11 navios, com capacidade entre 6.000 e 10.000 TEUs, segundo informações da consultoria Alphaliner.

A primeira viagem da nova rotação está programada para começar em 30 de dezembro, com a escala do navio Prestige, de 6.350 TEUs, operado pela Maersk, no porto de Xangai.

Ajustes buscam reforçar conexão entre Ásia e Brasil

A CMA CGM informou que a mudança faz parte de uma atualização em seu serviço SEAS 3, com foco em melhorar a conectividade entre a Ásia e o Brasil. A companhia destaca que a revisão da rota responde às dinâmicas atuais do mercado e reforça o compromisso com eficiência logística e suporte ao crescimento dos clientes.

Maersk anuncia cancelamentos programados

Já a Maersk comunicou a implementação de blank sailings em seu serviço ASAS2. A decisão está relacionada à necessidade de ajustar a oferta à demanda vigente, preservando a confiabilidade dos cronogramas e o equilíbrio da rede global de transporte.

Acordo amplia presença no Pacífico

Além das mudanças na rota Ásia–América do Sul, a Maersk também firmou recentemente um acordo de slot charter que permite à CMA CGM operar espaços em seu serviço Oceania, que conecta a Costa Leste dos Estados Unidos à Austrália, Nova Zelândia e ao Pacífico Sul.

A iniciativa reforça a cooperação entre as duas companhias e amplia as opções logísticas para os mercados atendidos.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Exterior

Ano Novo Chinês 2026: por que o comércio exterior precisa se planejar agora

Enquanto muitas empresas ainda estão concentradas nos desafios imediatos da logística global, as operações mais estratégicas de comércio exterior já projetam seus cenários para 2026. O motivo é um dos eventos mais relevantes — e previsíveis — da cadeia de suprimentos mundial: o Ano Novo Chinês (Chinese New Year – CNY).

Longe de ser apenas um feriado prolongado, o CNY representa uma paralisação industrial em larga escala, com reflexos diretos na produção, nos transportes, nos portos e nos custos logísticos globais. Para importadores e exportadores que dependem da manufatura asiática, antecipar-se é uma condição básica para manter competitividade.

Em 2026, o calendário exige atenção redobrada.

Datas-chave do Ano Novo Chinês 2026

  • Início oficial do Ano Novo Chinês (Ano do Cavalo): 17 de fevereiro de 2026
  • Período crítico de paralisação industrial: entre 15 e 23 de fevereiro de 2026
  • Retomada gradual das operações: a partir do fim de fevereiro
  • Normalização mais ampla da produção: estimada apenas para meados de março de 2026

Embora o feriado oficial dure cerca de uma semana, os impactos logísticos se estendem por mais de um mês, afetando diretamente o primeiro trimestre do ano.

O que é o Ano Novo Chinês e por que ele é tão relevante?

O Ano Novo Chinês, também chamado de Festival da Primavera, é a celebração mais importante do calendário cultural da China. Diferentemente do calendário gregoriano, ele segue o calendário lunissolar, o que faz com que a data varie a cada ano.

Mais do que uma festividade simbólica, o período é marcado por um fenômeno logístico e social de grandes proporções: o Chunyun, considerado a maior migração humana do planeta. Milhões de trabalhadores deixam os grandes centros industriais para retornar às suas cidades natais e celebrar com suas famílias.

Na prática, isso significa:

  • Fechamento quase total das fábricas
  • Redução drástica da mão de obra logística
  • Suspensão de atividades em terminais, armazéns e serviços aduaneiros

Para o comércio exterior, o CNY é um evento estrutural, não pontual.

Qual animal rege 2026?

O ano de 2026 será regido pelo Cavalo, símbolo tradicional de movimento, energia e transformação na astrologia chinesa. No contexto econômico, o período costuma ser associado a ritmo acelerado antes do feriado e retomada gradual depois, exigindo planejamento cuidadoso das operações.

Quando o impacto logístico realmente termina?

Um dos erros mais comuns no planejamento logístico é considerar apenas a semana oficial do feriado. O impacto real do Ano Novo Chinês vai muito além.

Após o encerramento das celebrações, muitas fábricas enfrentam dificuldades para recompor suas equipes, o que torna a retomada produtiva lenta e escalonada. Além disso, o Festival das Lanternas, que em 2026 ocorre em 3 de março, marca simbolicamente o encerramento das festividades.

Na prática, março ainda é um mês de ajustes, com capacidade produtiva e logística abaixo do normal em diversos setores.

Impactos diretos do Ano Novo Chinês na logística global

Os efeitos do CNY sobre o supply chain podem ser divididos em três fases principais:

1. Período pré-CNY: a corrida pelos embarques

Entre janeiro e início de fevereiro, empresas do mundo inteiro tentam antecipar suas cargas antes da paralisação.

Principais impactos:

  • Elevação expressiva dos custos de frete marítimo e aéreo
  • Aplicação de taxas de alta temporada (Peak Season Surcharges)
  • Falta de espaço em navios e aeronaves
  • Escassez de contêineres vazios
  • Aumento do risco de roll-over (cargas que não embarcam conforme programado)
  • Congestionamentos em portos e aeroportos

2. Período de shutdown: a China desacelera

Durante o feriado, a operação logística interna praticamente para.

  • Produção industrial suspensa
  • Transporte rodoviário reduzido
  • Armazéns, terminais e despachos aduaneiros operando com capacidade mínima ou fechados

Mesmo cargas já prontas podem ficar paradas por falta de movimentação local.

3. Pós-CNY: retomada lenta e acúmulo de pedidos

O retorno das atividades ocorre de forma gradual.

  • Produção retomada em fases
  • Acúmulo de pedidos represados antes e durante o feriado
  • Nova pressão sobre fretes e prazos
  • Possíveis atrasos em cadeia no abastecimento global

Como o comércio exterior pode se preparar para 2026?

O planejamento para o Ano Novo Chinês deve começar com meses de antecedência. Esperar o início do ano é, na maioria dos casos, sinônimo de custos mais altos e menor previsibilidade.

Algumas estratégias essenciais incluem:

  • Revisar o forecast de demanda, especialmente para o primeiro trimestre
  • Antecipar pedidos e produção junto aos fornecedores asiáticos
  • Confirmar datas de fechamento de fábricas e prazos de cut-off
  • Garantir bookings com antecedência, reduzindo riscos de falta de espaço
  • Reforçar estoques estratégicos, especialmente de itens críticos
  • Avaliar modais alternativos, quando viáveis

Planejamento estratégico faz a diferença

O Ano Novo Chinês não é um evento inesperado — é uma variável recorrente do comércio global. Empresas que tratam o CNY como parte da gestão de risco logístico conseguem reduzir impactos, preservar margens e manter a fluidez das operações.

Antecipação, informação e parceiros logísticos preparados são os principais aliados para atravessar o CNY 2026 com eficiência e previsibilidade.

No comércio exterior, quem se planeja antes, embarca melhor depois.

Fontes de referência

  • China Briefing (Dezan Shira & Associates) – Análises sobre impactos do Ano Novo Chinês na produção e na logística
  • World Shipping Council – Estudos sobre sazonalidade e capacidade no transporte marítimo global
  • Drewry Shipping Consultants – Relatórios de mercado sobre fretes, congestionamentos e comportamento dos armadores
  • McKinsey & Company – Conteúdos sobre disrupções em cadeias globais de suprimentos
  • Conselho de Estado da República Popular da China – Informações oficiais sobre o calendário do Ano Novo Chinês
  • Freightos Baltic Index (FBX) – Indicadores de variação de frete internacional

TEXTO: Este conteúdo foi desenvolvido com o apoio de inteligência artificial e passou por curadoria, validação técnica e edição final da equipe editorial do ReConecta News. 
IMAGENS: ILJUSTRATIVAS / FREEPIK

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Comércio

Ponte da Integração fortalece fronteira Brasil–Paraguai e amplia controle aduaneiro

A Ponte da Integração Brasil–Paraguai, inaugurada na última sexta-feira (19/12), inaugura uma nova fase na dinâmica da fronteira em Foz do Iguaçu. A obra amplia a capacidade logística da região, melhora a fluidez do tráfego internacional e cria condições mais eficientes para o desenvolvimento econômico e o fortalecimento do comércio exterior.

Desde a liberação para o tráfego, a Receita Federal atua de forma estratégica no controle aduaneiro, com planejamento antecipado, reforço gradual de equipes, incorporação de novas tecnologias e ampliação da capacidade operacional, assegurando segurança, organização e eficiência.

Aduana moderna e alinhada a padrões internacionais

A estrutura da aduana brasileira instalada na Ponte da Integração conta com infraestrutura moderna e completa. Entre os recursos disponíveis estão escâneres para veículos, pista adicional para inspeções, salas de conferência, depósitos e áreas administrativas.

Esse conjunto permite uma atuação mais eficiente da fiscalização, alinhada às melhores práticas internacionais de controle aduaneiro, além de preparar a fronteira para o aumento progressivo do fluxo de cargas e passageiros.

O efetivo da Receita Federal será ampliado de forma gradual, com previsão de cerca de 50 servidores, acompanhando o crescimento da movimentação ao longo do tempo.

Operação inicial terá crescimento gradual

Na fase inicial de funcionamento, definida após negociações diplomáticas, a ponte operará no período noturno, das 22h às 5h, com circulação restrita a caminhões vazios, por um prazo de 30 dias.

Na etapa seguinte, o horário será estendido, passando a funcionar das 19h às 7h, com autorização para o tráfego de ônibus de turismo fretados. A expectativa inicial é de cerca de 300 caminhões vazios por noite, com aumento gradual e monitorado conforme a demanda.

Tecnologia reduz filas e aumenta a segurança

A modernização dos controles aduaneiros traz benefícios diretos para moradores e usuários da fronteira. A adoção de leitores automáticos de placas (OCR), identificação biométrica e reconhecimento facial contribui para a redução de filas, maior agilidade na travessia e reforço da segurança pública.

O sistema de fiscalização também passou a contar com gestão de riscos automatizada e uso de inteligência artificial, permitindo a análise de grandes volumes de dados, identificação de padrões suspeitos e priorização de inspeções.

Combate a ilícitos e estímulo à competitividade

Com essas ferramentas, a Receita Federal garante mais eficiência para quem atua dentro da legalidade e maior rigor no combate ao contrabando e a outros crimes transfronteiriços. A atuação integrada fortalece a segurança das fronteiras, amplia a competitividade logística e contribui diretamente para o crescimento econômico da região e do país.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Rádio Cultura Foz

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Comércio Exterior

Recomendações práticas para empresas exportadoras na era das plataformas tecnológicas

A modernização do comércio exterior deixou de ser uma opção e passou a ser um fator decisivo para a competitividade das empresas brasileiras no mercado global. Automação, Inteligência Artificial, plataformas tecnológicas e integração de dados já fazem parte da rotina das exportações mais eficientes e seguras.

Para falar sobre esse novo cenário e trazer orientações práticas para empresas exportadoras, conversamos com Mariana Pires Tomelin, especialista em Comércio Exterior com mais de 15 anos de experiência, referência em internacionalização de indústrias e no uso estratégico de tecnologias aplicadas ao COMEX.

À frente da Exon Trade Business Intelligence, Mariana atua no desenvolvimento de soluções que unem conhecimento técnico, conformidade regulatória e inovação digital, auxiliando empresas a reduzirem riscos, aumentarem eficiência e conquistarem novos mercados globais.

Confira a entrevista completa:

1. Quais os primeiros passos para empresas que querem modernizar suas operações?
MARIANA: O ponto de partida é realizar um diagnóstico digital completo, avaliando fluxos operacionais, sistemas ERP, integração com o Portal Único e vulnerabilidades de compliance. Essa análise permite definir prioridades, reduzir redundâncias e adotar tecnologias compatíveis com o nível de maturidade da empresa. O processo deve ser conduzido com apoio técnico especializado para garantir alinhamento com a legislação vigente.

2. Que ferramentas são indispensáveis em 2025?
MARIANA: Ferramentas de gestão aduaneira integradas, sistemas de IA preditiva, plataformas de análise cambial e soluções de rastreabilidade de embarques são essenciais. Essas tecnologias permitem controle total do ciclo de exportação, desde a geração de documentos até o desembaraço, garantindo precisão fiscal e eficiência logística.

3. Como as plataformas tecnológicas estão mudando o perfil das exportações?
MARIANA: As plataformas SaaS democratizam o acesso ao comércio exterior, permitindo que pequenas e médias empresas realizem operações complexas com a mesma eficiência das grandes corporações. Elas automatizam o controle de regimes aduaneiros, otimizam o cálculo de tributos e facilitam a integração com transportadores, reduzindo custos e tempo de resposta.

4. O que diferencia quem tem sucesso nesse ambiente?
MARIANA: O diferencial está na capacidade de transformar dados em estratégia. Empresas que combinam tecnologia com orientação especializada conseguem reduzir erros operacionais, acessar novos mercados e aumentar margens de lucro. O domínio técnico e a experiência prática são indispensáveis para interpretar corretamente os resultados gerados por sistemas inteligentes.

5. Como a IA pode evitar erros e penalidades?
MARIANA: A IA atua de forma preventiva, identificando inconsistências fiscais, divergências de classificação NCM e erros de origem que poderiam gerar multas ou bloqueios alfandegários. Ela cruza dados históricos, fiscais e operacionais, emitindo alertas automáticos que permitem correção antes do embarque. Isso eleva o nível de conformidade e segurança jurídica da empresa.

6. Qual o papel da capacitação contínua?
MARIANA: A capacitação garante que o profissional compreenda tanto as ferramentas tecnológicas quanto o contexto regulatório em que elas operam. O aprendizado deve ser constante, incluindo cursos técnicos, certificações e atualizações sobre tratados internacionais. Profissionais capacitados são essenciais para sustentar a evolução tecnológica com base legal sólida.

7. Sua mensagem final aos exportadores brasileiros:
MARIANA: O futuro do comércio exterior depende da união entre conhecimento técnico, automação e adaptação contínua. Empresas que investem em consultoria qualificada e equipes atualizadas conseguem operar de forma mais ágil, reduzir riscos e posicionar-se com competitividade nos mercados globais em transformação.

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Comércio Exterior

Stablecoins ganham espaço nas transferências internacionais e já são realidade no comércio exterior brasileiro

Rapidez, baixo custo e operação 24/7 estão entre os principais fatores que explicam o avanço das stablecoins como alternativa ao sistema bancário tradicional nas transferências internacionais. No Brasil, o recurso já começa a ser incorporado por empresas que atuam no comércio exterior e na logística — e já é oferecido pela Advanced Grupo, ampliando as opções de liquidação internacional para seus clientes.

Mas afinal, o que são stablecoins e por que elas estão no radar de quem opera globalmente?

O que são stablecoins?

Stablecoins são ativos digitais lastreados em moedas fiduciárias, como o dólar ou o euro. Diferentemente de criptomoedas voláteis, como o Bitcoin, elas mantêm paridade com o ativo de referência — geralmente 1 stablecoin equivale a 1 dólar.

Na prática, funcionam como um “dólar digital”, que pode ser transferido internacionalmente por meio de blockchain, sem a necessidade de bancos intermediários ou do sistema SWIFT.

Por que as stablecoins estão sendo usadas no comércio exterior?

Segundo Gledson Costa, especialista em Planejamento Estratégico da Advanced Grupo as stablecoins já se mostram mais eficientes em diversos cenários internacionais. “Existem operações em que as stablecoins são claramente mais eficientes do que o sistema bancário tradicional, como exportações para países com restrições bancárias ou dificuldade de acesso ao dólar”, explica.

Um dos principais diferenciais está na eliminação de intermediários. Enquanto uma transferência via SWIFT pode envolver três ou quatro instituições financeiras, as stablecoins permitem pagamentos diretos de ponta a ponta, reduzindo tempo, custo e complexidade operacional.

Custo, velocidade e disponibilidade: a grande diferença

A comparação entre os dois modelos evidencia por que o tema ganhou relevância no setor:

  • SWIFT:
    • Liquidação média entre 5 e 7 horas
    • Custos elevados e pouco previsíveis
    • Restrito a dias úteis e horários bancários
  • Stablecoins:
    • Liquidação entre segundos e, no máximo, 1 minuto
    • Custo médio em torno de US$ 0,30 por transação
    • Operação 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive feriados

“Mesmo em redes congestionadas, dificilmente vemos uma transação ultrapassar US$ 0,70 de custo. Isso é uma mudança estrutural quando falamos de pagamentos internacionais”, destaca Gledson.

Além disso, as stablecoins permitem transferências para praticamente qualquer lugar do mundo, inclusive países com sistemas financeiros menos integrados ao dólar, ampliando o alcance das operações internacionais.

E a questão regulatória?

Apesar de ainda gerar dúvidas, o ambiente regulatório está em rápida evolução. Para o especialista, o desafio não é exatamente a regulação em si, mas a insegurança jurídica global, que vem sendo endereçada. “Hoje já temos marcos regulatórios claros em várias regiões. A Europa opera sob o MiCA, os Estados Unidos avançam com iniciativas como o Genius Act, e no Brasil o tema já está regulamentado pelo Banco Central, com vigência prevista para fevereiro”, afirma.

Esse movimento aponta para um cenário de integração global via blockchain, semelhante ao que o SWIFT representou nas últimas décadas — porém com mais eficiência.

Compliance e gestão de riscos: o que muda?

Do ponto de vista das empresas, os processos de compliance não sofrem mudanças radicais. A base utilizada nas transferências internacionais tradicionais continua válida, com adaptações para o universo cripto. “O maior desafio está nas instituições financeiras, que precisam evoluir seus frameworks de AML para incluir conceitos como KYT (Know Your Transaction) e a Travel Rule”, explica Gledson.

A rastreabilidade da blockchain, nesse contexto, torna-se um diferencial importante, permitindo maior transparência e monitoramento das operações.

Stablecoins vão substituir o SWIFT?

A tendência, segundo o especialista, não é de substituição, mas de convivência entre os modelos. “Assim como hoje escolhemos entre PIX ou TED, no futuro as empresas vão escolher entre SWIFT ou stablecoins, dependendo do tipo de operação, urgência, custo e corredor internacional”, avalia.

Ou seja, as stablecoins surgem como mais uma ferramenta estratégica, especialmente vantajosa para operações que exigem rapidez, previsibilidade de custos e disponibilidade contínua.

Uma nova alternativa já disponível no mercado

Com a oferta do serviço pela Advanced Grupo, empresas brasileiras passam a ter acesso a uma solução moderna de liquidação internacional, alinhada às transformações digitais do comércio exterior e da logística global.

Mais do que uma tendência, as stablecoins começam a se consolidar como um novo pilar da eficiência financeira internacional, ampliando possibilidades e reduzindo barreiras para quem opera além das fronteiras.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: ILUSTRATIVA / FREEPIK

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Logística

Aviação geral entra no radar como novo risco à segurança logística global

A segurança das cadeias de suprimentos internacionais passou a enfrentar um novo ponto de atenção. O uso crescente da aviação geral para o transporte ilícito de mercadorias vem sendo apontado por autoridades como um fator emergente de risco para a segurança logística global.

Segundo a Organização Mundial das Aduanas (OMA), esse segmento aéreo se tornou uma área vulnerável dentro da estrutura do comércio internacional. O avanço dessas operações ilegais afeta diretamente a rastreabilidade das cargas, a gestão de riscos aduaneiros e a integridade dos fluxos logísticos globais.

Aeródromos secundários ampliam brechas de fiscalização

Diferentemente da aviação comercial regular, a aviação geral — que engloba aeronaves privadas, executivas e de pequeno porte — costuma operar a partir de aeródromos secundários ou localizados em regiões remotas. Em muitos desses locais, a presença permanente de autoridades aduaneiras e de sistemas de controle é limitada ou inexistente.

Esse cenário cria um ambiente propício para a atuação do crime organizado transnacional. Rotas mais rápidas, discretas e com menor probabilidade de fiscalização tornam esses aeródromos atrativos para atividades ilícitas.

Avaliações recentes de autoridades aduaneiras e agências de segurança internacional indicam que diversas aeronaves conseguem pousar, reabastecer e decolar sob vigilância mínima. O problema é agravado por falhas tecnológicas, como cobertura de radar incompleta e uso de sistemas de monitoramento defasados.

Em alguns casos, foram identificados voos sem transpondedor ativo ou realizados em baixa altitude, estratégia que dificulta a detecção pelos meios tradicionais de controle aéreo. Embora a OMA ressalte que a aviação geral não seja o principal canal do contrabando global, o órgão destaca que ela oferece vantagens logísticas relevantes para operações ilegais.

Drogas, armas e divisas circulam por rotas aéreas irregulares

Por essas rotas aéreas circulam narcóticos, drogas sintéticas, armas, divisas e outros bens ilícitos. Essas operações comprometem a segurança dos corredores logísticos internacionais e geram distorções nos sistemas de controle do comércio exterior.

A utilização desse modal aéreo representa um desafio adicional para os mecanismos tradicionais de fiscalização, exigindo novas estratégias de prevenção e resposta.

Cooperação internacional e tecnologia no combate ao risco

Diante desse cenário, a OMA intensificou ações de cooperação internacional para reforçar o controle da aviação geral. A meta é integrar esse segmento de forma mais eficaz aos sistemas de gestão de risco aduaneiro e logístico.

Um dos principais instrumentos é o Projeto COLIBRI, lançado em 2019 com financiamento da União Europeia. A iniciativa concentra esforços na América Latina, no Caribe e na África Ocidental e Central, regiões consideradas estratégicas no trânsito aéreo irregular.

Em 2023, a OMA ampliou essa atuação com o Projeto de Detecção de Drogas Sintéticas, apoiado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. O programa estendeu o alcance operacional para a América Central e o Caribe, em resposta ao aumento do tráfico de substâncias sintéticas.

Ambas as iniciativas têm como foco aprimorar a avaliação de riscos, fortalecer a capacidade operacional em aeroportos de aviação geral e estimular maior coordenação interinstitucional.

Geoportal fortalece inteligência e tomada de decisão

Um dos avanços mais relevantes foi o lançamento do Geoportal, plataforma de geointeligência desenvolvida em 2022. A ferramenta permite coletar e analisar dados de geolocalização em tempo real, facilitando a identificação de padrões de voo suspeitos.

De acordo com a OMA, o uso ativo da plataforma cresceu 85%, consolidando o Geoportal como um recurso central para a tomada de decisões operacionais.

Desde o início dos programas, foram realizadas 30 sessões de capacitação, 14 missões nacionais de mentoria e diversas operações conjuntas. Ao todo, mais de 930 profissionais de 25 países participaram das ações.

FONTE: Todo Logística News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logística News

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