Transporte

Drewry prevê 39 viagens canceladas no transporte marítimo nas próximas cinco semanas

Um levantamento da consultoria Drewry aponta que 39 viagens deverão ser canceladas nas próximas cinco semanas, em um total de 710 saídas programadas. O cenário representa cerca de 5% de blank sailings, enquanto a expectativa é de que aproximadamente 95% dos navios mantenham os embarques previstos.

A análise considera o período entre a semana 41, de 5 a 11 de outubro, e a semana 45, de 2 a 8 de novembro. Nesse intervalo, as principais rotas do transporte marítimo internacional — Transpacífico, Transatlântico e Ásia–Norte da Europa e Mediterrâneo — deverão registrar cancelamentos equivalentes a 5% das partidas anunciadas.

Transpacífico concentra quase metade dos cancelamentos

A distribuição das interrupções não é uniforme entre as principais rotas marítimas.

Segundo a Drewry, a rota Transpacífica no sentido leste concentra 49% das viagens canceladas. Em seguida aparece o corredor Ásia–Norte da Europa e Mediterrâneo, com 33% dos cancelamentos.

A rota Transatlântica responde pelos 18% restantes e, proporcionalmente, segue menos afetada pelas alterações na programação.

Maioria dos serviços deve operar normalmente

Para os embarcadores, o índice relativamente baixo de cancelamentos indica que a maior parte dos serviços marítimos programados deve funcionar normalmente ao longo das próximas semanas.

A Drewry, entretanto, destaca que a concentração dos cancelamentos em determinadas rotas continua sendo um fator relevante para o planejamento das operações e para a disponibilidade de espaço nos navios.

As empresas que utilizam o transporte marítimo deverão acompanhar especialmente eventuais novos ajustes realizados pelas companhias de navegação, que podem alterar a oferta de capacidade e os itinerários disponíveis.

Demanda após a Semana Dourada pode mudar cenário

A consultoria também chama atenção para possíveis mudanças no comportamento da demanda por transporte marítimo após a Semana Dourada.

Nesse contexto, novos ajustes de capacidade promovidos pelas companhias de navegação poderão afetar a oferta de espaço em diferentes corredores comerciais.

A situação ganha importância principalmente na rota Ásia–Europa/Mediterrâneo, onde a retomada de serviços pelo Canal de Suez está adicionando capacidade ao fluxo comercial.

Canal de Suez aumenta capacidade na rota Ásia-Europa

O retorno de serviços à rota do Canal de Suez representa uma mudança importante para o mercado entre a Ásia e a Europa. A ampliação da capacidade disponível poderá influenciar a oferta de espaço e a programação dos serviços nas próximas semanas.

Por outro lado, o número relativamente reduzido de cancelamentos no corredor Transpacífico pode contribuir para manter uma disponibilidade de espaço mais firme nessa rota.

A evolução dos blank sailings e os ajustes de capacidade das companhias marítimas serão, portanto, fatores importantes para o comportamento do mercado no curto prazo.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Eventos

Meeting Comex 2026 teve público recorde e participação internacional

O Meeting Comex 2026 reuniu 3 mil empresários, executivos e profissionais ligados aos negócios internacionais e marcou a primeira edição com caráter internacional. Na 13ª edição, o evento teve números que reforçam a dimensão alcançada no cenário do comércio exterior brasileiro. O encontro foi realizado nos dias 22 e 23 de setembro, na Expoville, em Joinville (SC).

Promovido pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), o Meeting Comex contabilizou mais de 20 horas de conteúdo técnico, reunindo especialistas, lideranças empresariais, representantes de órgãos anuentes e nomes com atuação nos cenários nacional e internacional.

Entre os temas discutidos estiveram a influência da geopolítica nos negócios internacionais, o acordo entre União Europeia e Mercosul, os impactos da reforma tributária no comércio exterior, o transporte aéreo de cargas, os desafios do transporte marítimo global e questões relacionadas à atuação administrativa dos órgãos anuentes.

Conteúdo técnico e decisões que impactam o comércio exterior

A programação foi construída a partir de temas que estão diretamente relacionados aos desafios enfrentados pelas empresas que atuam no comércio internacional. Painéis com CEOs, representantes de órgãos públicos e especialistas dividiram espaço com palestras de nomes como o secretário Paulo Bornhausen, o general André Novaes, o presidente da ABIMAQ, José Velloso, e o empresário, diplomata e economista Marcos Troyjo.

Além das discussões nos palcos, o evento também ofereceu workshops e espaços voltados à troca de experiências e à geração de negócios, aproximando profissionais de diferentes segmentos da cadeia de comércio exterior e logística.

Um dos principais marcos desta edição foi a internacionalização do evento. Delegações de câmaras de comércio de 17 países participaram da programação, ampliando as possibilidades de conexão entre empresas brasileiras e mercados estrangeiros.

A presença internacional acompanhou uma proposta que foi além da exposição de tendências. O Meeting Comex buscou aproximar empresários, especialistas e instituições para discutir oportunidades concretas de negócios e os movimentos que podem influenciar as relações comerciais nos próximos anos.

A área de exposição também teve papel importante nesse processo, reunindo dezenas de empresas e criando um ambiente de relacionamento e networking ao longo dos dois dias.

Público recorde reforça dimensão do evento

Com 3 mil participantes, o Meeting Comex 2026 registrou o maior público de sua história. O número reúne empresários, executivos, profissionais e representantes de organizações ligadas ao comércio exterior e aos negócios internacionais.

A participação recorde ocorre em um momento de transformações importantes para o setor, marcado por mudanças regulatórias, avanços tecnológicos, reorganização de rotas logísticas e um cenário geopolítico que influencia diretamente as relações comerciais. Nesse contexto, o evento se consolidou como um espaço para acompanhar essas transformações e, principalmente, discutir seus impactos sobre as empresas brasileiras.

Para a CEO da ReConecta News, Renata Palmeira, eventos como o Meeting Comex têm papel importante para profissionais e empresas que precisam acompanhar as transformações do comércio exterior e, ao mesmo tempo, fortalecer suas conexões no mercado. “Eventos como o Meeting Comex são fundamentais porque reúnem, em um mesmo ambiente, informação, atualização e networking. O comércio exterior está em constante transformação, seja pelas mudanças regulatórias, pela tecnologia, pela logística ou pelo cenário internacional. Estar presente nesses encontros permite acompanhar de perto o que está acontecendo, trocar experiências com outros profissionais e criar conexões que podem se transformar em oportunidades e novos negócios”, destaca Renata.

Conexões como estratégia para o futuro

Para a presidente do Meeting Comex 2026, Carolina Botelho, a capacidade de adaptação continuará sendo uma característica necessária para quem atua no comércio exterior. “Os mercados continuarão mudando. Novas tecnologias surgirão, rotas serão redesenhadas e desafios inevitavelmente aparecerão. Essa é a realidade do comércio exterior. Em meio a tudo isso, permanece a nossa convicção de que são as conexões entre pessoas que tornam possível aproximar mercados”, afirma.

O presidente da ACIJ, André Daher, também destacou o papel do evento na estratégia da entidade para o desenvolvimento empresarial. “Com o Meeting Comex, a ACIJ reafirma seu compromisso de liderar e articular o aumento de competitividade das empresas, o desenvolvimento da economia e o bem-estar das pessoas. Continuaremos a construir juntos um futuro sempre promissor, um futuro em que as parcerias internacionais estarão cada vez mais presentes no dia a dia das empresas associadas à entidade”, destaca.

Mais do que dois dias de palestras e painéis, o encontro reforçou a importância da aproximação entre empresas, instituições e mercados em um cenário no qual decisões tomadas em diferentes partes do mundo podem repercutir diretamente sobre a cadeia de suprimentos brasileira.

Para o setor, a edição de 2026 também representa um movimento de ampliação das conexões internacionais do evento e abre espaço para que os próximos encontros avancem ainda mais na discussão sobre competitividade, inovação, logística e negócios globais.

Fonte: ACIJ / Meeting Comex 2026

Texto: Redação

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Eventos

Meeting Comex 2026 reúne setor em Joinville com debates sobre comércio exterior e logística

O primeiro dia do Meeting Comex 2026, nesta terça-feira (22), na Expoville, em Joinville (SC), reuniu profissionais, empresas e representantes do poder público para discutir os desafios e as oportunidades do comércio exterior brasileiro.

Promovido pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ) há 13 anos, o encontro tem como foco aproximar os diferentes elos da cadeia logística e do comércio internacional, promovendo conhecimento, troca de experiências e conexões entre os participantes. Para a presidente do Meeting Comex, Carolina Botelho, o primeiro dia do evento superou todas as expectativas. “O primeiro dia contou com um conteúdo técnico de alta relevância, além da participação de representantes de câmaras de comércio e consulados, fortalecendo as conexões internacionais,” destaca.

A equipe do ReConecta News está presente no evento, acompanhando de perto a programação, realizando entrevistas e trazendo os principais destaques para seus leitores e seguidores. Para a CEO Renata Palmeira, acompanhar iniciativas como o Meeting Comex é fundamental para fortalecer conexões, ampliar o acesso à informação e valorizar os profissionais que movimentam o comércio exterior e a logística.

O papel do comércio exterior na internacionalização de Santa Catarina

Um dos momentos de destaque do primeiro dia foi a apresentação de Paulinho Bornhausen, secretário executivo de Articulação Internacional de Santa Catarina, sobre o acordo entre União Europeia e Mercosul.

Durante sua fala, Bornhausen ressaltou a importância de iniciativas como o Meeting Comex para estimular a internacionalização e ampliar a conexão das empresas catarinenses com os mercados globais. Ele também destacou o protagonismo do comércio exterior nesse processo, defendendo que a internacionalização depende da atuação direta do setor e de seus profissionais. “Não basta SC querer ser a porta de entrada para o Brasil, precisamos consolidar isso”, afirmou.

A declaração reforça o desafio de transformar a posição estratégica de Santa Catarina em resultados concretos, ampliando a competitividade das empresas e fortalecendo a infraestrutura e as conexões internacionais do estado.

Reforma Tributária no Comércio Exterior entra em debate

A Reforma Tributária também esteve entre os principais assuntos do encontro. O painel “Reforma Tributária no Comércio Exterior: Impactos na Importação” reuniu representantes da Receita Federal, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/SECEX) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A discussão colocou em pauta os efeitos das mudanças tributárias sobre as operações de importação, tema de interesse direto para empresas, profissionais e operadores envolvidos nas cadeias internacionais de negócios.

A presença de representantes de órgãos públicos e de uma instituição multilateral contribuiu para aproximar o debate técnico dos desafios enfrentados pelo mercado, em um momento de adaptação às mudanças no sistema tributário brasileiro.

Cases de sucesso

A programação também abordou o papel da infraestrutura aeroportuária na competitividade do comércio exterior. No painel “Transporte Aéreo de Cargas 2027: Conectividade, Infraestrutura e Competitividade”, representantes da Lufthansa, Floripa Airport e Ponta Negra discutiram a contribuição das companhias aéreas e dos aeroportos para a transformação da logística internacional.

O case do Floripa Airport, administrado pela Zurich Airport Brasil, evidenciou a expansão das operações de carga aérea e o fortalecimento das conexões internacionais de Santa Catarina. Em julho a operação registrou o marco de 1.000 voos cargueiros, e deve fechar o ano de 2026 com mais de mil clientes.  “Saltamos de 300 clientes em 2021 para 1.300 clientes até o fim desse ano,” destaca Davi Piza, gestor de Logística.

A agenda do primeiro dia também contou com a palestra de Marcos Troyjo, sobre o comércio exterior brasileiro no contexto ESG 2.0, além de atividades de relacionamento e networking entre os participantes.

Segundo dia terá debates sobre anuentes, liderança, fretes e geopolítica

Nesta quarta-feira (23), o Meeting Comex 2026 continua na Expoville, em Joinville, com uma programação voltada a temas técnicos e estratégicos que impactam diretamente as operações de comércio exterior e logística.

Segundo a presidente do Meeting Comex, Carolina Botelho, a expectativa é de um público ainda maior, com recorde de ingressos vendidos e inscritos no evento. “Um dos destaques da programação será a palestra do general André Novaes, que abordará a geopolítica e seus impactos no comércio exterior, trazendo também perspectivas e informações sobre o cenário atual do país”, finaliza.

A programação pode ser acessada no site oficial do evento.

Texto: ReConecta News

Imagens: ReConecta News / Giovana Santos

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Transporte

Drewry prevê 77 viagens canceladas no transporte marítimo nas próximas cinco semanas

Um total de 77 viagens marítimas deverá ser cancelado nas próximas cinco semanas, segundo uma análise da consultoria Drewry. As chamadas blank sailings representam cerca de 11% das 720 partidas anunciadas para o período.

Com isso, a estimativa é de que aproximadamente 89% dos navios mantenham os cronogramas de viagem originalmente previstos.

Cancelamentos atingem principais rotas comerciais

O levantamento considera o período entre a semana 39, de 21 a 27 de setembro, e a semana 43, de 19 a 25 de outubro.

Nesse intervalo, as três principais rotas analisadas — Transpacífico, Transatlântico e Ásia–Norte da Europa e Mediterrâneo — deverão registrar, juntas, cancelamentos equivalentes a 11% das partidas programadas.

A maior concentração das interrupções está na rota Transpacífica no sentido leste, responsável por 55% dos cancelamentos previstos.

Na sequência aparece o corredor Ásia–Europa/Mediterrâneo, com 31% das suspensões. Já a rota Transatlântica representa 14% e continua sendo a menos afetada entre os principais serviços avaliados.

Golden Week pode alterar oferta de espaço nos navios

A Drewry avalia que a proximidade da Golden Week, período de feriados na China, pode provocar mudanças nos fluxos de carga e na programação das companhias marítimas.

O adiantamento de embarques antes dos feriados, combinado a possíveis ajustes de capacidade das empresas de navegação, pode influenciar a disponibilidade de espaço e os cronogramas de outubro.

Esse cenário pode exigir atenção adicional dos embarcadores na organização das cargas e no planejamento logístico para as próximas semanas.

Riscos no Oriente Médio continuam afetando o transporte

Além dos ajustes de capacidade, o cenário de segurança no Oriente Médio continua interferindo nos fluxos de transporte marítimo regional.

Segundo a Drewry, alguns serviços voltaram a utilizar o Canal de Suez, mas os riscos na região ainda representam um fator de incerteza para as operações.

A consultoria também aponta que a congestão portuária e a irregularidade na confiabilidade dos cronogramas permanecem entre os principais desafios para os embarcadores.

Com as companhias marítimas reorganizando suas redes, a expectativa é de que disponibilidade de espaço, congestionamentos e cumprimento dos horários continuem sendo pontos importantes para o planejamento do transporte marítimo internacional.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Internacional

Canal Pinglu: China inaugura nova rota fluvial para ampliar comércio com a Asean

A China inaugurou o Canal Pinglu, uma das principais obras recentes de infraestrutura logística do país, com o objetivo de criar uma ligação mais rápida entre o sudoeste chinês e o litoral. A nova hidrovia conecta uma região distante do mar ao Golfo de Beibu, abrindo um caminho direto para os mercados internacionais e, especialmente, para os países da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

Com investimento de 72,7 bilhões de yuans, cerca de US$ 10,75 bilhões ou R$ 55,4 bilhões, o canal tem 134,2 quilômetros de extensão. A estrutura liga Hengzhou, na Região Autônoma Zhuang de Guangxi, ao Golfo de Beibu, considerado o acesso marítimo mais próximo de boa parte do sudoeste da China.

Canal reduz mais de 560 quilômetros no trajeto

O Canal Pinglu foi incorporado ao Novo Corredor Internacional de Comércio Terra-Mar, projeto estratégico destinado a conectar o interior da China aos mercados da Asean e a outras cadeias globais de abastecimento.

A nova rota permite reduzir em mais de 560 quilômetros o percurso das embarcações entre o sudoeste chinês e o oceano, em comparação com os caminhos tradicionais que utilizam portos de Guangdong.

A hidrovia foi projetada para receber navios de até 5 mil toneladas. Segundo as autoridades, a mudança poderá diminuir entre 18% e 30% os custos logísticos, com uma economia anual superior a 5 bilhões de yuans em despesas de transporte.

Ligação entre mercado chinês e Sudeste Asiático

Para Lu Xinning, vice-presidente do governo regional de Guangxi, a infraestrutura cria uma conexão logística entre o mercado chinês, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, e os quase 700 milhões de consumidores dos países da Asean.

A expectativa é que a nova rota não apenas facilite o transporte de cargas, mas também estimule investimentos internacionais e fortaleça a integração das cadeias de fornecimento entre a China e o Sudeste Asiático.

O empreendimento é considerado o primeiro grande canal de integração entre sistemas fluviais e marítimos planejado e coordenado em escala nacional desde a fundação da República Popular da China, em 1949.

Obra levou mais de quatro anos

A construção do Canal Pinglu levou mais de quatro anos. Grande parte do projeto aproveitou rios e canais já existentes, que foram ampliados e aprofundados. Em determinados pontos, porém, foi necessário realizar escavações em terra, inclusive em áreas de relevo montanhoso.

Cheng Yaofei, presidente da Guangxi Pinglu Canal Construction Co., empresa responsável pela obra, afirmou que os trabalhos envolveram desafios de engenharia para os quais não havia modelos ou precedentes diretamente aplicáveis.

Um dos principais obstáculos foi superar um desnível de 65 metros entre os diferentes níveis de água. Para isso, foram construídos três complexos de navegação com eclusas duplas.

Os sistemas também receberam mecanismos de reciclagem de água, que, segundo os responsáveis pelo projeto, permitem economizar mais de 1 bilhão de metros cúbicos do recurso por ano.

Projeto inclui medidas de preservação ambiental

A construção também incorporou medidas voltadas à preservação ambiental. Mais de 98% dos aproximadamente 315 milhões de metros cúbicos de terra e rocha retirados durante as escavações foram reaproveitados na própria obra.

O canal conta ainda com uma passagem para peixes de mais de 480 metros e uma estrutura destinada à travessia de animais terrestres. Entre as espécies beneficiadas estão gatos-maracajá e esquilos.

Nova rota pode mudar logística do sudoeste chinês

A inauguração ocorre no primeiro ano do 15º Plano Quinquenal da China, que abrange o período de 2026 a 2030. O governo chinês busca, nesse ciclo, promover maior equilíbrio no desenvolvimento regional e ampliar a abertura econômica do país.

O sudoeste da China historicamente apresentou desenvolvimento inferior ao das áreas costeiras do leste e enfrentou custos mais elevados para levar sua produção aos mercados internacionais.

Com o novo canal, produtos como carvão, minérios, grãos, materiais ligados à transição energética e componentes automotivos passam a contar com uma conexão mais direta com o exterior.

Segundo Meng Shuang, professora associada da Universidade Central de Finanças e Economia, a expectativa no curto prazo é transferir parte das cargas atualmente transportadas por rodovias e ferrovias para o transporte hidroviário.

A rota também pode deslocar parte do fluxo que atualmente passa pelo Estuário do Rio das Pérolas para o Golfo de Beibu. Em uma perspectiva de longo prazo, a redução dos custos para chegar ao mar pode estimular novos investimentos no interior e influenciar a distribuição das atividades industriais ao longo da rota.

Comércio entre China e Asean supera US$ 1 trilhão

A importância do projeto também está relacionada ao crescimento das relações comerciais entre a China e os países da Asean. O intercâmbio entre os dois lados ultrapassou US$ 1 trilhão pela primeira vez no ano passado.

Nos primeiros sete meses de 2026, o comércio bilateral China-Asean alcançou US$ 744,41 bilhões, alta de 24,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor correspondeu a 21,8% de todo o comércio exterior chinês no período.

Representantes do setor empresarial e do meio acadêmico destacam o potencial da nova infraestrutura para facilitar o fluxo de mercadorias.

BeBe Zhao, presidente da Singapore-China Integrated Developments (Guangxi) Pte. Ltd., afirmou que produtos dos países da Asean poderão chegar com maior eficiência ao oeste chinês, enquanto produtos manufaturados da China poderão alcançar mercados internacionais por meio de centros logísticos regionais, como Singapura.

Na avaliação de Boonsub Panichakarn, da Faculdade de Logística e Cadeia de Suprimentos Digital da Universidade Naresuan, na Tailândia, o impacto do Canal Pinglu não se limita à redução da distância percorrida. A expectativa é de diminuição dos custos logísticos, do tempo de transporte e das incertezas ao longo das cadeias de abastecimento que conectam o Sudeste Asiático ao sudoeste da China.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brasil 247

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Logística

Rota Marítima da Seda reúne 19 países em fórum sobre comércio e logística

O VIII Fórum Internacional de Cooperação Marítima da Rota da Seda foi aberto em Xiamen, na província de Fujian, no leste da China, reunindo mais de 1.800 participantes de 19 países e regiões. O encontro colocou no centro dos debates a necessidade de ampliar a cooperação marítima internacional, a conectividade e a resiliência das cadeias de suprimentos diante de desafios como tensões geopolíticas, mudanças climáticas e transformação tecnológica.

Realizado sob o tema “Um novo capítulo da Rota Marítima da Seda para o crescimento compartilhado: cooperação aberta de alto nível em portos, transporte marítimo e comércio”, o evento reúne representantes dos setores de portos, transporte marítimo, logística, comércio, finanças e tecnologia.

Os participantes destacaram que a integração entre esses segmentos pode ajudar a enfrentar um cenário de maior fragmentação das cadeias globais e de aumento das incertezas no comércio internacional.

Conectividade é prioridade diante de riscos globais

Durante a abertura, os debates abordaram desde a reorganização das cadeias de abastecimento globais até o desenvolvimento portuário e a conectividade marítima.

Gu Jinshan, presidente da Associação Chinesa de Portos e Cais, afirmou que o setor portuário chinês vem reforçando sua contribuição para a economia real e para a integração entre portos, navegação e comércio. Segundo ele, os avanços obtidos nos últimos anos criaram uma base para fortalecer o transporte marítimo e apoiar a abertura econômica da China.

Ren Weimin, diretor da Divisão de Transportes da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, defendeu o fortalecimento da resiliência da conectividade marítima na região. A medida, segundo ele, é necessária para reduzir os impactos de crises geopolíticas e das mudanças climáticas sobre o sistema global de transporte.

Já Zhang Ruosi, assessora da Divisão de Comércio de Serviços e Investimentos da Organização Mundial do Comércio (OMC), chamou atenção para os efeitos da fragmentação comercial. Na avaliação dela, políticas que favoreçam o comércio e uma maior integração do transporte marítimo podem contribuir para enfrentar esse cenário.

Rota Marítima da Seda aposta em resiliência

A crescente instabilidade geopolítica tem elevado as preocupações relacionadas à segurança das principais rotas marítimas internacionais. Entre os efeitos estão viagens mais longas, aumento dos custos logísticos e maior dificuldade no planejamento dos trajetos.

Nesse contexto, os participantes do fórum defenderam que a estratégia da Silk Road Maritime deve considerar não apenas eficiência, mas também capacidade de adaptação e continuidade diante de interrupções.

Um dos destaques do evento foi o lançamento de um serviço de cálculo de rotas meteorológicas voltado à Rota Marítima da Seda no Ártico. A ferramenta foi desenvolvida em conjunto pela Administração Meteorológica da China e pela Associação Marítima da Rota da Seda.

Inteligência artificial apoia navegação no Ártico

O novo serviço utiliza dados dos satélites meteorológicos Fengyun para formar uma rede de observação do gelo marinho no Ártico. As informações são combinadas com modelos de previsão numérica e algoritmos de inteligência artificial.

A ferramenta oferece previsões de condições do gelo para até 15 dias e monitoramento de ciclones polares, com o objetivo de auxiliar decisões relacionadas à segurança da navegação em águas polares.

Chen Zhiping, presidente do Fujian Provincial Port Group, afirmou que a empresa também trabalha com o escritório meteorológico de Xiamen no desenvolvimento de um sistema de IA para gestão de riscos meteorológicos portuários.

A solução reúne em uma única interface informações sobre riscos climáticos de 58 portos chineses e estrangeiros, incluindo níveis de alerta, distância em relação ao centro de tufões e situação de funcionamento dos portos.

Segundo Chen, a ferramenta pode facilitar a tomada de decisões por portos, empresas de navegação, comércio, seguradoras e outros integrantes da cadeia de suprimentos.

O grupo pretende continuar aperfeiçoando o sistema e ampliar sua integração com outros portos participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI).

Jamaica e Nigéria defendem maior integração

Durante o encontro, a ministra das Relações Exteriores e Comércio Exterior da Jamaica, Johnson Smith, destacou a importância de manter o comércio marítimo seguro e ininterrupto e ressaltou o papel da China nesse processo.

Na avaliação da representante jamaicana, a cooperação comercial multilateral e as iniciativas vinculadas à Rota Marítima da Seda podem contribuir para cadeias de suprimentos mais seguras, sustentáveis e resilientes.

Na mesma linha, Chris Osa Isokpunwu, secretário permanente do Ministério Federal da Indústria, Comércio e Investimento da Nigéria, afirmou que a iniciativa representa mais do que o transporte de navios e mercadorias.

Para o representante nigeriano, a parceria também pode ampliar a integração do país à economia mundial, atrair investimentos e criar oportunidades de desenvolvimento sustentável. Ele acrescentou que a Nigéria pretende utilizar a cooperação para qualificar sua mão de obra e aproveitar experiências acumuladas pela China.

Europa e China discutem transformação digital

Jan Van der Borght, representante da Autoridade Portuária de Antuérpia-Bruges, considerou o fórum e a Associação Marítima da Rota da Seda mecanismos relevantes para estreitar a cooperação entre Europa e China.

Segundo ele, a evolução econômica chinesa não está relacionada apenas ao aumento do volume de cargas, mas também à transformação da indústria e à incorporação de novas tecnologias.

O representante citou inteligência artificial, tecnologias inteligentes e produtos chineses como fatores que podem ampliar as relações comerciais com o mercado europeu. Ao mesmo tempo, defendeu que os portos europeus avancem em sua transformação digital para acompanhar esse processo.

Novo corredor reduz custos logísticos

O fórum também apresentou o corredor intermodal marítimo-ferroviário Hunan-Fujian Silk Road Maritime. A iniciativa busca melhorar a ligação entre o interior da China e os portos da costa.

A expectativa é que o corredor crie uma alternativa de exportação mais eficiente para a região central do país, com potencial para reduzir os custos logísticos entre 20% e 30% e diminuir o tempo de transporte em cinco a sete dias.

Além disso, o encontro divulgou documentos relacionados ao desenvolvimento integrado de portos, transporte marítimo e comércio, incluindo o livro azul da Iniciativa Marítima da Rota da Seda 2025-2026, políticas de apoio ao desenvolvimento portuário e marítimo para 2026-2028 e um sistema colaborativo de serviços de navegação para as rotas do Ártico.

Novas rotas e acordos de cooperação

Segundo o Global Times, o fórum anunciou 12 novas rotas marítimas da Rota da Seda, a entrada de 15 novos integrantes na associação e a assinatura de 11 projetos de cooperação.

Uma nova iniciativa também foi aprovada durante a mesa-redonda do evento, com participação de aproximadamente 30 representantes de portos, empresas de navegação, operadores logísticos, companhias de tecnologia e instituições de pesquisa.

O acordo estabelece cinco áreas prioritárias:

  • expansão das redes de conectividade;
  • integração de recursos de portos, navegação e comércio;
  • avanço da digitalização e inteligência;
  • promoção do desenvolvimento sustentável;
  • criação de um ecossistema compartilhado voltado à prosperidade.

Silk Road Maritime amplia presença global

Criada em 2018, na província de Fujian, a Silk Road Maritime é apresentada como a primeira plataforma integrada de serviços logísticos internacionais da China dedicada ao transporte marítimo no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota.

A rede cresceu rapidamente e atualmente reúne 160 rotas marítimas, 153 portos em 50 países e regiões e 393 integrantes de diferentes setores, incluindo transporte marítimo, energia, indústria e internet.

Para Zhang Jingquan, professor da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Jinan, o desenvolvimento acumulado pela iniciativa pode ampliar o suporte à cooperação de alta qualidade dentro da BRI e fortalecer a economia marítima.

A plataforma também vem ampliando sua atuação em organização de rotas, coordenação portuária, serviços logísticos e transformação digital.

A proposta dos organizadores é avançar na integração de recursos internacionais e desenvolver novos modelos capazes de conectar portos, cidades, indústrias e comércio. O objetivo é formar uma rede de cooperação marítima mais inteligente, integrada e resiliente.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Internacional

Canal do Panamá: navio paga valor recorde de R$ 27,4 milhões para garantir passagem

Uma empresa sul-coreana pagou um valor recorde para garantir a passagem de um navio pelo Canal do Panamá. A SK Gas desembolsou US$ 5,3 milhões, aproximadamente R$ 27,4 milhões, para assegurar que o navio-tanque G. Spirit atravesse a hidrovia em 1º de setembro.

A passagem ocorrerá dois dias antes da entrada em vigor de novas restrições ao tráfego de embarcações no canal, uma das principais rotas do comércio marítimo internacional.

Seca reduz capacidade do Canal do Panamá

O valor milionário está relacionado à disputa por vagas de passagem diante da redução da capacidade operacional do Canal do Panamá.

A partir de 3 de setembro, o número máximo de embarcações autorizadas diariamente cairá de 36 para 34. Ainda durante setembro, o limite deverá chegar a 32 navios por dia.

A redução está diretamente ligada à disponibilidade de água. O funcionamento das eclusas do canal depende dos reservatórios de Gatún e Alhajuela, abastecidos principalmente pelas chuvas.

Os baixos níveis dos reservatórios vêm preocupando as autoridades panamenhas, que enfrentam um período de seca associado ao fenômeno El Niño. A menor disponibilidade hídrica limita a quantidade de embarcações que podem atravessar a hidrovia.

Leilão bate recorde de preço

Com a diminuição das vagas, os espaços que garantem prioridade de passagem se tornaram mais disputados.

Segundo dados da Autoridade do Canal do Panamá, os leilões realizados entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 registraram preço médio de aproximadamente US$ 55 mil.

Em abril, entretanto, uma embarcação transportadora de gás natural liquefeito pagou US$ 4 milhões para garantir a passagem sem precisar enfrentar um período maior de espera.

O novo lance da SK Gas, de US$ 5,3 milhões, superou o recorde anterior, de US$ 4,6 milhões. O valor havia sido pago no início de agosto por outra embarcação controlada por uma companhia sul-coreana.

Como funciona a prioridade de passagem

A maior parte dos navios que utilizam o Canal do Panamá opera por meio do sistema regular de reservas. Já embarcações sem agendamento ou que precisam atravessar a via em caráter de urgência podem disputar vagas em leilões.

Nesse modelo, as empresas oferecem valores para obter prioridade e reduzir o risco de espera causado pela limitação da capacidade do canal.

No caso do G. Spirit, que transporta gás liquefeito de petróleo (GLP), a prioridade permitiu que a embarcação fosse programada para atravessar o canal antes da redução prevista no número diário de passagens.

Impacto no comércio marítimo internacional

O Canal do Panamá é uma rota estratégica para o transporte marítimo mundial por conectar os oceanos Atlântico e Pacífico. A hidrovia responde por aproximadamente 5% do comércio marítimo internacional.

Uma eventual redução prolongada da capacidade pode aumentar custos logísticos e afetar empresas que dependem da ligação entre os dois oceanos. Para operadores de navios e empresas de comércio exterior, a disponibilidade de vagas e a possibilidade de atrasos passam a ter impacto direto no planejamento das operações.

Fonte: R7, com informações da AFP e Bloomberg.

Texto: Redação

Imagem: Internet / Divulgação

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Comércio

Canal do Panamá cobra US$ 4 milhões para navio porta-contêineres furar fila

Um navio porta-contêineres desembolsou cerca de US$ 4 milhões para antecipar sua passagem pelo Canal do Panamá, em meio ao aumento da fila de embarcações na principal ligação marítima entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

O valor, próximo de um recorde para esse tipo de operação, foi pago na segunda-feira pelo proprietário do Seaspan Benefactor, segundo pessoas familiarizadas com o leilão. As fontes falaram sob condição de anonimato, já que os dados dessas negociações não são públicos. A Seaspan não havia respondido a um pedido de comentário.

Leilão permite ultrapassar fila de espera

Além do sistema tradicional de reservas, que prevê o pagamento de uma tarifa fixa para garantir a passagem, a Autoridade do Canal do Panamá disponibiliza um mecanismo de leilão. Por meio dele, os armadores podem disputar posições antecipadas e evitar parte da espera regular.

A procura pelo serviço aumentou diante do congestionamento no Canal do Panamá, provocado principalmente pela busca por rotas alternativas em meio aos impactos da guerra no Irã.

O Seaspan Benefactor pagou mais que o dobro da média registrada nos sete dias anteriores. Até terça-feira, a embarcação permanecia no lado do Pacífico do canal, aparentemente aguardando para seguir em direção ao norte, segundo dados de navegação compilados pela Bloomberg.

Espera chega a 10 dias para navios Neopanamax

O problema é particularmente relevante para embarcações Neopanamax, categoria que inclui navios utilizados no transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP), gás natural liquefeito (GNL), petróleo bruto e derivados.

De acordo com dados da Argus Media, a espera para esse tipo de embarcação no trajeto do Pacífico para o Atlântico chegou a 10 dias, o maior período registrado desde maio.

A situação afeta especialmente empresas envolvidas no comércio de petróleo, gás natural, fertilizantes e produtos químicos, sobretudo aquelas com operações ligadas ao mercado asiático.

Guerra no Irã aumenta pressão sobre rotas marítimas

A redução do tráfego em pontos estratégicos do Golfo Pérsico, como o Estreito de Ormuz e o Bab el-Mandeb, tem levado empresas de transporte e comerciantes a buscar alternativas para movimentar suas cargas.

Com mais embarcações recorrendo ao Canal do Panamá, a pressão sobre a capacidade da hidrovia aumentou, elevando também o valor das vagas disputadas nos leilões.

A autoridade responsável pelo canal afirmou que os preços dos leilões subiram devido às mudanças nas condições de oferta e demanda do comércio internacional. O órgão reconheceu que algumas transações ultrapassaram US$ 1 milhão, mas não comentou especificamente o pagamento de US$ 4 milhões nem confirmou o proprietário da embarcação.

Manutenção das eclusas agrava congestionamento

Outro fator que contribui para o gargalo no Canal do Panamá são obras de manutenção nas eclusas. Os trabalhos, previstos para continuar até setembro, também atingem estruturas utilizadas por navios da classe Neopanamax.

Além disso, o canal reduziu recentemente o calado máximo permitido nas eclusas Neopanamax para as próximas semanas. A medida ocorre em um cenário de chuvas abaixo do esperado, associado aos efeitos do fenômeno El Niño.

Com a combinação de restrições operacionais, manutenção e aumento da demanda por rotas alternativas, os armadores enfrentam custos maiores para garantir espaço em uma das principais rotas do comércio marítimo internacional.

FONTE: Data Portuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Data Portuária

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Comércio Internacional

Rota China-Europa pelo Ártico inicia operação semanal regular

A rota marítima China-Europa pelo Ártico iniciou neste sábado sua operação semanal regular durante a temporada de verão. O novo serviço busca criar uma alternativa mais rápida e resiliente para o transporte de cargas entre os dois mercados.

O início da operação ocorreu por volta das 19h, quando o navio porta-contêineres Dubai Tower deixou o Porto de Ningbo-Zhoushan, na província de Zhejiang, no leste da China.

Nova rota utiliza passagem nordeste do Ártico

O serviço atravessa a Passagem Nordeste do Ártico antes de alcançar importantes portos europeus. Entre os destinos previstos estão Felixstowe, no Reino Unido; Roterdã, na Holanda; Hamburgo, na Alemanha; e Gdansk, na Polônia.

A operação é conduzida pela Zhejiang Seaport Logistics Group e tem como proposta ampliar as alternativas para o comércio marítimo entre China e Europa.

A primeira viagem experimental foi realizada em setembro de 2025. Na ocasião, o navio chegou ao Porto de Felixstowe em aproximadamente 20 dias.

Segundo a operadora, o tempo de trânsito representa uma redução de quase 50% em relação ao trajeto tradicional pelo Canal de Suez e também supera o prazo normalmente registrado pelo transporte ferroviário China-Europa.

Serviço busca reduzir tempo de transporte

Xin Jianning, gerente-geral da Zhejiang Seaport Logistics Group, destacou como principais vantagens da rota o menor tempo de deslocamento e a maior segurança no planejamento da cadeia logística.

“A rota se destaca por suas vantagens em tempo de trânsito e segurança da cadeia de suprimentos”, afirmou o executivo.

O Dubai Tower transportará principalmente cargas de alto valor agregado e produtos que exigem controle de temperatura.

Entre os itens estão módulos de armazenamento de energia, baterias, módulos fotovoltaicos e componentes utilizados na fabricação de veículos de nova energia.

As cargas são provenientes principalmente de cidades localizadas no Delta do Rio Yangtze, uma das principais regiões industriais e exportadoras da China.

Operação é limitada pelo período de gelo

A navegação pelo Ártico depende das condições climáticas e da formação sazonal de gelo. Por isso, o serviço regular está programado principalmente para ocorrer entre julho e outubro.

Para 2026, estão previstas pelo menos oito viagens pela rota durante a temporada de verão.

A utilização do corredor ártico representa uma alternativa às rotas tradicionais e pode ampliar a resiliência da cadeia de suprimentos internacional, especialmente em um cenário de mudanças nos fluxos globais de comércio e transporte.

Comércio entre China e Europa segue em expansão

O novo serviço ocorre em meio ao crescimento das relações comerciais entre China e Europa.

Dados do Ministério do Comércio da China mostram que o comércio de bens entre os dois mercados movimentou US$ 447,8 bilhões no primeiro semestre de 2026.

O valor representa crescimento de 14,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior, reforçando a demanda por alternativas logísticas capazes de conectar os centros produtores chineses aos principais mercados consumidores europeus.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder Naval

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Transporte

Frete marítimo sobe e ameaça exportações brasileiras após tarifa dos EUA e tensão no Oriente Médio

O comércio internacional iniciou agosto sob um cenário de maior pressão logística. A combinação entre a nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, os reflexos da guerra no Oriente Médio e a reorganização da frota mundial está elevando os custos do frete marítimo e reduzindo a oferta de espaço nos navios, o que preocupa exportadores brasileiros.

Especialistas apontam que o momento é marcado por incertezas nas cadeias globais de transporte, dificultando o planejamento das empresas em um período estratégico para os embarques de commodities.

Três fatores explicam a alta do frete marítimo

De acordo com análises do setor de logística internacional, o atual cenário resulta da combinação de três elementos principais: os impactos da guerra no Oriente Médio, a redistribuição das embarcações após as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos e a gestão de capacidade realizada pelas companhias de navegação.

Mesmo com uma leve desaceleração dos índices globais de frete, os preços permanecem elevados. Na principal rota de referência do mercado, entre China e demais destinos internacionais, o transporte de um contêiner de 40 pés continua acima de US$ 4 mil.

Exportações de commodities enfrentam novos desafios

O aumento dos custos não afeta apenas os produtos atingidos pelas tarifas norte-americanas. Commodities como soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes, que dependem do transporte marítimo para alcançar mercados internacionais, também sofrem os efeitos da menor disponibilidade de navios.

Além do impacto financeiro, empresas enfrentam dificuldades para garantir espaço nas embarcações, comprometendo prazos, planejamento logístico e competitividade das exportações brasileiras.

Falta de espaço preocupa mais que o preço

Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a tendência é de aumento da pressão sobre o transporte marítimo entre agosto e dezembro.

Ele destaca que, ao longo de 2026, os fretes na rota chinesa registraram forte valorização, passando de aproximadamente US$ 1 mil por contêiner no início do ano para cerca de US$ 6 mil em julho, chegando a se aproximar de US$ 8 mil em determinados períodos. O avanço representa uma alta superior a 500% em apenas sete meses.

No caso do Brasil, entretanto, o principal obstáculo deixou de ser apenas o preço.

“O frete em si está relativamente estável, mas conseguir espaço para embarcar está cada vez mais difícil”, afirma o especialista.

Campos explica que essa escassez não está ligada diretamente à tentativa de exportadores brasileiros anteciparem embarques antes da entrada em vigor das novas tarifas americanas. Para ele, o intervalo entre o anúncio das medidas e sua aplicação foi insuficiente para permitir essa estratégia.

Demanda dos EUA reorganiza rotas internacionais

Na avaliação do especialista, a forte demanda por transporte para o mercado norte-americano levou armadores a priorizarem rotas mais rentáveis.

Com isso, embarcações foram deslocadas para atender o comércio com os Estados Unidos, reduzindo a oferta de navios em outras regiões, incluindo linhas que atendem o Brasil. O resultado é um mercado mais disputado e com menor disponibilidade para exportadores brasileiros.

Em alguns casos, segundo Campos, a procura supera em muito a capacidade das embarcações. Navios com espaço para cerca de 5 mil contêineres chegam a receber demanda próxima de 10 mil unidades.

Guerra e gestão de capacidade mantêm preços elevados

Dados do Índice Mundial de Contêineres Drewry, referência internacional para fretes de curto prazo, mostram que houve recuo de 3% no indicador em 30 de julho, fechando em US$ 4.255 por contêiner de 40 pés. Apesar da queda, os valores continuam muito acima da média histórica.

A consultoria atribui esse comportamento ao gerenciamento de capacidade promovido pelas empresas de navegação, que seguem cancelando viagens programadas — prática conhecida como blank sailings — para evitar uma redução mais intensa das tarifas.

Além disso, o mercado permanece pressionado pelas consequências das novas barreiras comerciais dos Estados Unidos, pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos congestionamentos em importantes portos internacionais.

Outro fator que pesa na composição dos custos é a adoção de sobretaxas emergenciais de combustível anunciadas por diversas empresas de navegação para o mês de agosto.

Segundo semestre deve manter pressão sobre a logística

A expectativa do setor é de que o cenário permaneça desafiador até o fim do ano. Tradicionalmente, entre setembro e novembro, cresce a movimentação de cargas destinadas ao abastecimento da Black Friday e do Natal, ampliando a disputa por espaço nos navios.

Embora o elevado volume exportado favoreça a entrada de divisas e contribua para a balança comercial brasileira no curto prazo, especialistas alertam que os custos logísticos elevados e a limitação da capacidade de transporte podem reduzir a competitividade das exportações nos próximos meses.

China continua sendo referência para o mercado global

A rota marítima da China permanece como o principal indicador do comportamento do mercado internacional de fretes. Como o país concentra a maior movimentação mundial de contêineres, qualquer alteração na demanda influencia diretamente a distribuição das embarcações.

Quando os fretes nas rotas asiáticas aumentam, as companhias de navegação tendem a deslocar seus navios para esses trajetos mais lucrativos. Esse movimento reduz a oferta em outras regiões e acaba pressionando os custos do transporte marítimo em escala global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: China Daily via REUTERS

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