Inovação

DR Aromas & Ingredientes: de 100 anos de história à inovação com inteligência artificial

Da logística feita com carroças e trens ao uso de inteligência artificial na análise sensorial. A trajetória da DR Aromas & Ingredientes reúne tradição, expansão internacional e investimento em tecnologia, em uma história que acompanha a evolução da indústria catarinense.

A empresa, que surgiu em Jaraguá do Sul, foi destaque no Espaço Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), onde apresentou parte de sua trajetória e as estratégias adotadas para acompanhar as transformações do mercado.

Uma empresa catarinense com atuação internacional

Ao longo de um século, a DR Aromas & Ingredientes ampliou sua presença e passou a atuar em oito países. Atualmente, a companhia conta com seis centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), além de um centro de inovação e logística na Europa.

A multinacional também mantém escritórios comerciais em mercados estratégicos, incluindo Estados Unidos, China e Polônia. Seus produtos chegam a mais de 70 países.

Para sustentar a estratégia de crescimento e desenvolvimento de novos produtos, a empresa direciona cerca de 5% da receita anual para P&D e inovação.

Inovação acompanha as mudanças no consumo

A aposta em tecnologia e inovação está entre as prioridades da companhia. Segundo Leonardo Zipf, presidente do conselho de administração da DR Aromas & Ingredientes, acompanhar as mudanças nos hábitos alimentares e no comportamento dos consumidores é fundamental para antecipar tendências.

“Em 100 anos, aprendemos que não podemos focar na crise e deixar que o pessimismo nos contamine. O otimismo e a visão de longo prazo são o maior diferencial de um empreendedor. Para nós, 100 anos é só o começo”, afirma Zipf.

O executivo destaca que novas tecnologias e transformações nos padrões de consumo vêm influenciando diretamente o mercado de alimentos. Nesse cenário, a empresa busca desenvolver soluções capazes de responder às novas demandas e contribuir para a evolução do setor.

Inteligência artificial e pesquisa para o futuro

Entre as frentes de desenvolvimento está o uso de inteligência artificial aplicada à análise sensorial, recurso que representa uma nova etapa na busca por soluções tecnológicas para a indústria de alimentos.

A estratégia da DR Aromas & Ingredientes envolve ainda o desenvolvimento contínuo de produtos e processos voltados à indústria de alimentos, com atenção às tendências que podem transformar o mercado nos próximos anos.

O SENAI/SC está entre os parceiros da empresa em projetos voltados à inovação, contribuindo para o desenvolvimento de novas soluções e tecnologias.

A história apresentada no Espaço Indústria mostra, assim, como uma empresa criada em Santa Catarina no início do século passado passou da distribuição de óleos essenciais por carroças e trens para uma operação internacional baseada em pesquisa, inovação e tecnologia.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Tecnologia

O paradoxo de US$ 7 trilhões: por que a indústria de IA não pode parar

O mercado de inteligência artificial (IA) vive uma contradição curiosa em Wall Street. Enquanto líderes do setor defendem publicamente a desaceleração no desenvolvimento de modelos avançados em nome da segurança, a corrida por investimentos, valorizações recordes e novos produtos continua em ritmo acelerado.

Esse cenário contraditório expõe o maior dilema das empresas de tecnologia: as mesmas organizações que pedem cautela são aquelas que precisam avançar rapidamente para justificar os bilhões captados junto a fundos e investidores.

IPOs trilionários e a pressão por resultados

A divergência entre discurso e prática fica evidente no movimento das principais companhias do setor. A OpenAI decidiu adiar sua abertura de capital para focar em segurança, contando com o fôlego de uma rodada recente de US$ 122 bilhões que garantiu caixa confortável à criadora do ChatGPT.

Por outro lado, a concorrente Anthropic seguiu o caminho inverso. A empresa protocolou seu pedido de IPO na SEC e se prepara para estrear na Nasdaq, com uma avaliação estimada de até US$ 2 trilhões. Esse otimismo é sustentado pelo salto expressivo em sua receita anualizada, impulsionado pela alta demanda corporativa.

Para sustentar avaliações tão elevadas, as gigantes tecnológicas não podem se dar ao luxo de desacelerar. Empresas como a Alphabet (controladora do Google) seguem elevando os investimentos em data centers e chips de IA para dar suporte ao crescimento massivo de plataformas como o Gemini.

O custo bilionário da corrida tecnológica

Projeções do Goldman Sachs indicam que mais de US$ 7 trilhões serão injetados na expansão da inteligência artificial nos próximos anos. Com uma vantagem competitiva que frequentemente dura poucos meses, o retorno financeiro depende diretamente de quem lança primeiro o modelo de linguagem mais capaz do mercado.

Decidir frear o passo voluntariamente abre espaço para concorrentes ou para o avanço de modelos abertos, que possuem custos menores de operação. Como nenhuma companhia deseja perder liderança de mercado, o incentivo para acelerar continua inabalável.

Riscos de segurança e os desafios da fiscalização

À medida que os sistemas se tornam mais complexos e ganham autonomia por meio de agentes de IA, a auditoria em tempo real se torna um desafio quase intransponível. Incidentes recentes — como falhas em ambientes de teste que permitiram a incursão de modelos em redes externas — demonstraram que a capacidade tecnológica já supera alguns dos mecanismos tradicionais de contenção.

Enquanto especialistas em ética em IA alertam para riscos existenciais e defendem maior rigor regulatório — chegando a comparar o monitoramento de chips avançados ao controle de material físsil —, defensores da aceleração argumentam que a velocidade é uma vantagem estratégica indispensável para o avanço econômico global.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images /AFP

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Tecnologia

Cúpula do BID une líderes latino-americanos e gigantes da tecnologia para acelerar expansão da Inteligência Artificial

O Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID) promoveu um encontro estratégico histórico paralelamente à Assembleia Geral da ONU. O evento reuniu chefes de Estado sul-americanos e caribenhos com executivos de peso de multinacionais como Google, Microsoft, Anthropic e Nvidia. O objetivo central foi estruturar uma agenda compartilhada para a adoção da Inteligência Artificial (IA), visando destravar novos patamares de desenvolvimento e eficiência econômica na América Latina e no Caribe.

Mecanismo regional e estratégia conjunta de investimentos

Durante as discussões, autoridades de países como Brasil, Chile, Colômbia e Uruguai enfatizaram a urgência de criar um mecanismo regional unificado. A proposta consiste em alinhar diretrizes de investimento e estabelecer regras comuns para que a tecnologia seja implementada de forma ética, segura e capilarizada em toda a região.

Os debates destacaram que o sucesso da transformação digital depende de pilares fundamentais, tais como:

  • Marcos regulatórios sólidos e instituições preparadas;
  • Capacitação de talentos e novas competências profissionais;
  • Fortalecimento da infraestrutura digital e ecossistemas de dados;
  • Difusão tecnológica eficiente entre governos, corporações e classe trabalhadora.

O impacto da IA no PIB da América Latina

A urgência do encontro foi impulsionada por dados preliminares do principal relatório institucional do BID, entitulado “From Digitalization to Artificial Intelligence: Turning Promises into Productivity”, com lançamento oficial previsto para novembro de 2026.

Os números revelam cenários decisivos para o futuro econômico do continente:

  • Cenário otimista: Com uma integração ampla da Inteligência Artificial na economia, o PIB regional pode registrar um salto de até 5,1% em dez anos.
  • Cenário limitado: Caso a absorção tecnológica seja restrita, o crescimento econômico estimado não passará de 0,3% no mesmo período.

O estudo também alerta para os reflexos no mercado de trabalho. A mobilidade profissional será determinante: salários podem subir até 5,3% caso haja migração para setores em alta, mas correm o risco de recuar drasticamente se faltarem políticas públicas de requalificação profissional e transição de carreira.

Diálogo multissetorial de alto nível

A cúpula contou com a presença marcante de presidentes e ministros latino-americanos, além de lideranças globais do ecossistema de inovação, incluindo representantes da Alphabet, Google, Meta, Microsoft e Nvidia. A iniciativa ocorreu em parceria com a Americas Society/Council of the Americas e a Bicycle Capital, reforçando o compromisso conjunto entre o setor público e privado para consolidar uma inovação tecnológica responsável na região.

FONTE: IADB
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/IADB

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Comércio Internacional, Tecnologia

Exportações de chips da China disparam e fabricantes registram lucros bilionários

A China registrou forte crescimento nas exportações de semicondutores em 2026. Entre janeiro e agosto, as vendas externas de chips alcançaram US$ 256,8 bilhões (cerca de R$ 1,3 trilhão), alta de 103,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Os números foram divulgados pela Administração Geral de Alfândegas da China em 8 de setembro e refletem o avanço da indústria chinesa de chips, que vem ampliando sua participação no mercado global.

Fabricantes chineses registram forte alta nos lucros

O crescimento das exportações acompanha o desempenho financeiro das principais empresas chinesas do setor. No primeiro semestre de 2026, fabricantes de semicondutores registraram receitas expressivas e aumentos significativos nos lucros.

Pelo menos quatro companhias apresentaram crescimento superior a 90% nos lucros em relação aos primeiros seis meses de 2025. Entre elas estão duas fabricantes especializadas em chips de memória, segmento no qual empresas chinesas ganharam espaço ao longo do último ano.

CXMT amplia participação no mercado de memória DRAM

A CXMT alcançou, no segundo trimestre de 2026, a quarta posição entre as maiores fabricantes mundiais de chips de memória DRAM, sigla em inglês para memória dinâmica de acesso aleatório.

Segundo dados da Counterpoint, empresa especializada em análise do mercado de tecnologia, a participação da companhia nesse segmento passou de 4% para 10% em apenas um ano.

O avanço também despertou o interesse dos investidores. Em 27 de julho, a CXMT realizou uma oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Xangai e levantou US$ 9,8 bilhões.

YMTC avança na produção de chips NAND

Outra empresa chinesa que ganhou espaço foi a YMTC, especializada na fabricação de memória NAND, tecnologia amplamente utilizada no armazenamento de grandes volumes de dados.

A participação da companhia no mercado passou de 11% para 14% em um ano. Com esse desempenho, a YMTC ocupa atualmente a quarta posição global no segmento, de acordo com a Counterpoint.

A empresa também pretende aproveitar o momento favorável para captar recursos. A YMTC já iniciou o processo para realizar um IPO na Bolsa de Xangai, com previsão de levantar US$ 4,9 bilhões.

Boom da inteligência artificial impulsiona demanda por chips

Parte importante desse movimento está relacionada ao avanço da inteligência artificial (IA). A expansão dos modelos de IA aumentou a procura por semicondutores utilizados no processamento dessas tecnologias e contribuiu para a valorização de diversos componentes.

A pressão sobre a oferta também afeta outros segmentos da indústria de eletrônicos. A maior demanda por chips tem impacto nos preços e pode encarecer produtos como computadores e celulares.

As fabricantes chinesas conseguiram se beneficiar desse cenário após anos de investimentos voltados ao fortalecimento da produção doméstica.

Restrições dos EUA aceleraram indústria chinesa

Desde 2022, quando os Estados Unidos e países aliados passaram a impor restrições à exportação de chips avançados e de tecnologias relacionadas para a China, Pequim intensificou os esforços para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Embora os fabricantes chineses ainda não tenham alcançado o mesmo nível tecnológico de empresas como a Nvidia em determinados segmentos, o aumento da capacidade produtiva ampliou a presença do país no mercado.

A combinação entre produção em larga escala e preços mais baixos tornou os chips chineses uma alternativa relevante em um cenário de demanda elevada.

Outro fator estratégico para a indústria de tecnologia chinesa é o domínio do país sobre o processamento de terras-raras, minerais fundamentais para a fabricação de diversos equipamentos e componentes tecnológicos.

Mercado global de semicondutores deve atingir US$ 1,5 trilhão

As perspectivas para o setor também são positivas em escala global. Segundo a Semiconductor Industry Association (SIA), o mercado de semicondutores deverá movimentar US$ 1,5 trilhão em 2026.

O valor representa mais que o dobro do registrado em 2025 e cerca de três vezes o tamanho do mercado de uma década atrás.

A China parte de uma posição estratégica nesse cenário. Dados oficiais apontam que o país produziu aproximadamente 1,5 bilhão de chips por dia no primeiro semestre de 2026.

Com investimentos crescentes, expansão da capacidade industrial e aumento da demanda provocada pela inteligência artificial, a indústria chinesa de semicondutores busca ampliar seu papel em um mercado que deve movimentar cifras trilionárias nos próximos anos.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Portos

Porto Sem Papel conquista 2º lugar no Prêmio Cais Açulab 2026

O Porto Sem Papel (PSP), programa do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), conquistou o segundo lugar na categoria Transformação Digital do Prêmio Cais Açulab 2026.

O reconhecimento foi entregue na última quinta-feira (17), durante o Conecta Cais, evento promovido pelo Cais Açu Lab, ecossistema de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Porto do Açu, no Rio de Janeiro.

A iniciativa premiada é baseada em uma solução de inteligência artificial (IA) desenvolvida para automatizar a validação da Declaração Marítima de Saúde (DMS), eliminando uma etapa que tradicionalmente dependia da conferência manual de documentos.

Inteligência artificial automatiza validação de documentos

Batizado de “Validação Automática de Declaração Marítima de Saúde (DMS)”, o projeto busca solucionar um dos gargalos dos processos portuários: a análise manual de documentos.

Esse procedimento pode estar sujeito a erros, gerar custos adicionais e provocar atrasos nas operações logísticas. Com a nova ferramenta, a conferência da DMS passa a ser realizada automaticamente por meio de tecnologia de IA.

A solução foi incorporada ao Programa Porto Sem Papel e está disponível para a validação automática do documento nos portos brasileiros.

Tecnologia busca agilizar operações portuárias

Para o secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, o reconhecimento evidencia a importância da inovação tecnológica para modernizar os processos do setor portuário.

Segundo o secretário, iniciativas desse tipo podem simplificar procedimentos, aumentar a eficiência das operações e gerar soluções que também possam ser adotadas em outras áreas da administração pública.

A ferramenta desenvolvida pelo MPor já vem despertando interesse de outros órgãos que buscam implementar tecnologias capazes de acelerar a análise e validação de documentos em processos de fiscalização.

Porto Sem Papel reduz burocracia nos portos

O Porto Sem Papel foi criado com o objetivo de reduzir burocracias, integrar informações e tornar mais rápidos os procedimentos relacionados às operações marítimas.

Por meio de uma plataforma digital, o programa reúne dados e documentos referentes à estadia das embarcações nos portos.

A integração contribui para diminuir o tempo necessário para as anuências de atracação e para outras operações que dependem da análise e autorização dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

Na prática, a iniciativa também busca melhorar a eficiência dos processos relacionados à importação e exportação de cargas.

Prêmio Cais reconhece projetos de inovação

Esta foi a terceira edição do Prêmio Cais, iniciativa voltada ao reconhecimento de projetos de inovação implementados ou em desenvolvimento que apresentem resultados mensuráveis e potencial de impacto no ecossistema do Porto do Açu.

A premiação é organizada pelo Cais Açu Lab e contempla três categorias:

  • Transformação Digital;
  • Transição Energética;
  • Melhoria de Processos.

Entre os critérios considerados pela organização estavam o grau de inovação e originalidade, a possibilidade de escalabilidade e replicação e os resultados e impactos obtidos pelas iniciativas.

Empresas, fornecedores, clientes, startups, instituições científicas e tecnológicas e parceiros que atuam ou desenvolvem soluções no complexo porto-indústria do Açu puderam participar.

Programa já recebeu outros reconhecimentos

O Porto Sem Papel acumula outros reconhecimentos por iniciativas relacionadas à inovação e à transformação digital no setor público.

Em 2024, o programa recebeu dois troféus no Prêmio Abep-TIC de Excelência em Governo Digital. Na ocasião, foi reconhecido como Melhor Solução de Governo Digital Orientada ao Governo e também conquistou o prêmio geral da competição.

Em 2022, a versão Porto Sem Papel 2.0 recebeu o Selo Bronze com menção, dentro da Política Nacional de Modernização do Estado.

Já em 2013, o projeto alcançou a quarta colocação no Concurso de Inovação na Gestão Pública Federal, promovido pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap).

Os reconhecimentos reforçam a trajetória do programa na adoção de tecnologia, digitalização e inovação para modernizar a gestão portuária brasileira.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/MPor

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Tecnologia

SENAI/SC articula rede de robótica avançada para aumentar produtividade da indústria

O SENAI/SC está coordenando uma iniciativa para integrar universidades, centros de pesquisa e instituições de ciência, tecnologia e inovação com o objetivo de fortalecer a robótica avançada em Santa Catarina. A articulação faz parte do Projeto Estruturante para Integração e Fortalecimento da Rede Catarinense de Robótica Avançada, apoiado pela Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina).

O projeto conta com investimento aproximado de R$ 5 milhões e busca conectar competências já existentes no Estado para ampliar a aplicação de tecnologias avançadas no setor produtivo.

Projeto aproxima pesquisa, empresas e indústria

A iniciativa pretende fortalecer a cooperação entre pesquisadores, empresas e fornecedores de tecnologia, criando condições para acelerar o desenvolvimento de soluções voltadas aos desafios enfrentados pela indústria catarinense.

Segundo o diretor regional do SENAI/SC, Fabrízio Pereira, a integração entre diferentes áreas do conhecimento é fundamental para avançar em uma tecnologia que envolve múltiplas competências.

Para ele, o projeto também representa uma oportunidade de aproximar o desenvolvimento tecnológico das necessidades reais da indústria, especialmente em áreas emergentes como a Physical AI.

Physical AI combina inteligência artificial e robótica

A Physical AI (Inteligência Artificial Física) é um dos campos que ganham destaque na iniciativa. O conceito reúne inteligência artificial, robótica, sensores, câmeras e sistemas autônomos capazes de perceber o ambiente, tomar decisões e executar tarefas no mundo real.

O SENAI/SC já trabalha com aplicações relacionadas à tecnologia por meio de seus Institutos SENAI de Inovação. Entre os recursos utilizados estão robôs humanoides, robôs quadrúpedes, drones e outros sistemas autônomos.

A expectativa é que a integração entre essas tecnologias contribua para o desenvolvimento de soluções com aplicações em diferentes processos industriais.

Robótica pode ampliar produtividade e competitividade

A articulação da rede catarinense busca transformar conhecimento e infraestrutura tecnológica em aplicações capazes de atender demandas concretas das empresas.

Entre os possíveis impactos estão ganhos de produtividade industrial, segurança, eficiência operacional e competitividade.

A aproximação entre empresas, pesquisadores e fornecedores também pode facilitar a identificação de oportunidades para adoção de automação industrial, robótica e sistemas baseados em inteligência artificial.

SENAI/SC conta com infraestrutura para inovação

A iniciativa também utiliza a estrutura de inovação tecnológica do SENAI/SC. A instituição possui duas Unidades Embrapii, localizadas em Florianópolis e Joinville.

As unidades reúnem competências em áreas como sistemas embarcados, manufatura avançada, tecnologias a laser e aplicações de robótica.

Essa infraestrutura permite apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação direcionados às necessidades da indústria.

Atlas da Robotização vai mapear oportunidades

Uma das principais entregas previstas pelo projeto é o Atlas da Robotização. A ferramenta terá a função de identificar fornecedores de tecnologias de robótica e automação e relacioná-los às atividades e ocupações da indústria catarinense que apresentam potencial para automação ou robotização.

O mapeamento deverá formar uma base de inteligência para auxiliar empresas e instituições na identificação de oportunidades de aplicação da robótica avançada e da Physical AI.

Além de orientar empresas, o Atlas poderá contribuir para a definição de prioridades em desenvolvimento tecnológico, formação profissional e projetos de inovação.

Tecnologia mais próxima das necessidades da indústria

Com a integração de competências e informações sobre o mercado, a proposta é aproximar a oferta tecnológica das demandas efetivas do setor produtivo.

A expectativa é que a rede catarinense contribua para acelerar a adoção de soluções de robótica e automação industrial, além de estimular novos projetos de pesquisa e inovação no Estado.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fapesc

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Portos

Porto 4.0: tecnologia e dados impulsionam a transformação dos portos brasileiros

A transformação digital já faz parte da rotina dos portos brasileiros. Em um ambiente onde navios, cargas, caminhões, equipamentos e sistemas produzem grandes volumes de informações, a integração e a análise desses dados ganham espaço como ferramentas para melhorar a eficiência, a segurança e o planejamento das operações.

É nesse cenário que se consolida o conceito de Porto 4.0, inspirado nos princípios da Indústria 4.0. O modelo combina tecnologias como inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina, sensores, automação, redes de alta velocidade e plataformas de integração de dados para tornar os complexos portuários mais conectados e inteligentes.

Dados como ferramenta para a operação portuária

Mais do que incorporar novas tecnologias, o Porto 4.0 busca conectar diferentes fontes de informação. Sensores podem transmitir dados em tempo real, enquanto sistemas digitais cruzam informações e identificam padrões que auxiliam na tomada de decisões.

Entre as soluções utilizadas está o Digital Twin, ou gêmeo digital, que cria uma representação virtual de estruturas e operações físicas. A tecnologia permite acompanhar o funcionamento do ambiente real e testar diferentes cenários, contribuindo para o planejamento, a manutenção e a gestão da infraestrutura.

Outra ferramenta é o VTMIS (Sistema de Gerenciamento e Informação do Tráfego de Embarcações), voltado ao monitoramento da navegação. Por meio de radares, câmeras e sensores, o sistema acompanha a movimentação dos navios em tempo real e reúne informações para apoiar a segurança e a coordenação do tráfego marítimo.

O sistema também pode compartilhar informações com órgãos públicos, contribuindo para ações de fiscalização e para a identificação de atividades suspeitas.

Sete portos estratégicos recebem VTMIS

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) coordena iniciativas relacionadas à transformação digital do setor. Em 2025, foi anunciada a implantação do VTMIS em Santos (SP), Paranaguá (PR), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande (RS), Itaguaí (RJ), Itaqui (MA) e Vila do Conde (PA).

Juntos, esses portos respondem por mais da metade da movimentação de cargas do país. A implantação dos sistemas amplia a capacidade de acompanhamento do tráfego marítimo e reúne informações que podem ser utilizadas na gestão das operações.

Porto de Santos avança na digitalização

O Porto de Santos é um dos exemplos de como diferentes tecnologias podem atuar de maneira integrada.

A implantação de uma rede privada de 5G amplia a capacidade de transmissão de dados e cria condições para aplicações que dependem de conectividade rápida e estável. Entre elas estão soluções de Internet das Coisas (IoT), automação e inteligência artificial.

Com o Digital Twin, esses dados podem alimentar uma representação virtual mais integrada do complexo portuário. Isso permite acompanhar operações, simular situações e apoiar decisões relacionadas à manutenção e à infraestrutura.

Já o VTMIS acrescenta informações sobre a movimentação de embarcações, contribuindo para uma visão mais ampla do tráfego marítimo e para a coordenação das operações.

Tecnologia conecta o navio à cadeia logística

A transformação digital dos portos não se restringe ao ambiente marítimo. Fluxos de caminhões, operações ferroviárias, movimentação de cargas e procedimentos de segurança também podem ser integrados.

Na prática, informações de diferentes etapas da cadeia logística passam a ser analisadas em conjunto. A previsão de chegada de um navio, por exemplo, pode ser relacionada à disponibilidade de cargas, pátios, acessos terrestres e outros recursos envolvidos na operação.

Um dos exemplos dessa digitalização é o Porto Sem Papel (PSP), plataforma desenvolvida pelo Serpro para o Ministério de Portos e Aeroportos. O sistema centraliza informações relacionadas à estadia dos navios e integra dados de agentes de navegação e de diferentes órgãos públicos, como Receita Federal, Polícia Federal, Anvisa e Marinha do Brasil.

A plataforma reduziu a circulação de documentos físicos e a repetição de informações em diferentes sistemas. Segundo o MPor, desde 2011 a digitalização dos processos evitou o consumo de aproximadamente 342,8 milhões de folhas de papel.

IntegraPSP amplia automação dos processos

Em 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos e o Serpro apresentaram o IntegraPSP, ferramenta que permite conectar diretamente os sistemas das empresas ao Porto Sem Papel.

A integração ocorre por meio de APIs (interfaces de programação de aplicações), possibilitando a troca automatizada de informações. Com isso, diminui a necessidade de redigitação de dados e, consequentemente, o risco de inconsistências entre sistemas.

A iniciativa representa mais um passo na digitalização dos processos portuários e reforça a tendência de integração entre empresas, sistemas e órgãos públicos.

Transformação digital considera as características de cada porto

O Porto 4.0 não está relacionado a uma única tecnologia ou equipamento. Trata-se de um processo que combina infraestrutura, conectividade, sistemas digitais, dados e profissionais.

Além dos sete portos que estão adotando o VTMIS, o MPor acompanha estudos sobre as necessidades técnicas e possibilidades de apoio em Belém, Santarém e Vila do Conde (PA); Salvador e Aratu (BA); São Francisco do Sul, Imbituba e Itajaí (SC); Fortaleza (CE); e Manaus (AM).

As soluções são avaliadas de acordo com as características de cada complexo portuário.

Em Rio Grande (RS), por exemplo, o VTS permite monitorar embarcações e reunir informações sobre condições como vento, maré, correntes marítimas e salinidade da água. Esses dados são especialmente relevantes para a operação na Lagoa dos Patos.

No Rio de Janeiro, a implantação do VTMIS ocorre de forma gradual, envolvendo Centro de Controle Operacional, sensores, estações remotas e integração de dados.

Um novo modelo de gestão portuária

A digitalização amplia a quantidade e a qualidade das informações disponíveis para a gestão portuária. Com dados integrados, os terminais podem acompanhar operações em tempo real, identificar ocorrências, planejar intervenções e utilizar de maneira mais eficiente a infraestrutura existente.

Nesse contexto, o Porto 4.0 representa uma mudança na forma de administrar os complexos portuários: diferentes tecnologias deixam de atuar de maneira isolada e passam a formar uma rede de informações capaz de apoiar decisões ao longo de toda a cadeia logística.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos (MPor)

Texto: Redação

Imagem: MPort

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Tecnologia

Redata: presidente sanciona regime que amplia incentivos para data centers no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na terça-feira (15) a lei que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). A medida busca estimular investimentos em data centers, fortalecer a cadeia tecnológica brasileira e ampliar o desenvolvimento de setores ligados à indústria 4.0.

A nova política também tem entre seus objetivos aumentar a soberania digital do país em áreas como computação em nuvem, inteligência artificial, fábricas inteligentes e Internet das Coisas (IoT).

Incentivos são vinculados a pesquisa e inovação

O Redata condiciona os benefícios tributários ao cumprimento de contrapartidas voltadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

A proposta é estimular o crescimento das cadeias produtivas relacionadas à economia digital no Brasil, além de estabelecer uma parcela mínima dos serviços que deverá ser direcionada ao mercado nacional.

O programa também prevê mecanismos para incentivar a desconcentração regional dos investimentos. Projetos instalados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão exigências menores em determinadas contrapartidas.

Empresas terão metas de sustentabilidade

As companhias que aderirem ao regime precisarão cumprir requisitos relacionados à eficiência hídrica e à sustentabilidade.

Os empreendimentos deverão adotar medidas para reduzir o consumo de água e utilizar fontes de energia renováveis ou de baixa emissão de carbono. Os critérios e parâmetros específicos serão definidos posteriormente por regulamentação.

Equipamentos de tecnologia terão benefícios fiscais

Entre os principais incentivos do Redata está a isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI na compra de equipamentos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

A desoneração será válida tanto para produtos fabricados no Brasil quanto para equipamentos importados destinados à instalação, modernização ou expansão de data centers.

Nos casos em que não houver produção nacional equivalente, os equipamentos importados também poderão contar com isenção do Imposto de Importação.

Um decreto presidencial assinado na mesma cerimônia regulamenta parte do programa e estabelece, entre outras medidas, quais produtos poderão ser importados com alíquota zero durante cinco anos.

Redata exige investimento em pesquisa e desenvolvimento

Como contrapartida aos incentivos fiscais, as empresas beneficiadas deverão direcionar 2% do valor dos produtos adquiridos — nacionais ou importados — para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Os recursos deverão ser aplicados em iniciativas relacionadas a programas considerados prioritários para o desenvolvimento e o fortalecimento da cadeia produtiva da economia digital.

A definição detalhada desses programas ficará a cargo de regulamentação específica.

Parte da capacidade dos data centers deverá atender ao Brasil

Outra exigência do regime estabelece que as empresas deverão disponibilizar ao mercado brasileiro pelo menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados de seus empreendimentos.

Essa capacidade poderá ser comercializada para empresas privadas ou disponibilizada gratuitamente para Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e órgãos públicos, com o objetivo de apoiar políticas e iniciativas relacionadas ao setor.

Para projetos instalados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as duas principais contrapartidas — investimento em PD&I e disponibilização de capacidade ao mercado interno — terão redução de 20%.

O descumprimento das obrigações poderá levar à perda dos benefícios fiscais. Nesse caso, a empresa terá de recolher os tributos correspondentes, acrescidos de multa e juros, além de ficar impedida de aderir novamente ao regime durante dois anos.

Brasil ainda depende de serviços digitais do exterior

A criação do Redata ocorre em um cenário de elevada dependência brasileira de serviços digitais prestados fora do país.

Segundo diagnóstico do Ministério da Fazenda citado na política, aproximadamente 60% das cargas digitais brasileiras estão atualmente associadas a serviços realizados no exterior.

Essa dependência é apontada como um fator de risco para a soberania digital, além de limitar o desempenho de aplicações digitais e contribuir para o déficit da balança comercial brasileira em segmentos tecnológicos.

Em 2024, o déficit comercial do setor de elétricos e eletrônicos chegou a US$ 40 bilhões. No segmento de serviços, o saldo negativo foi de US$ 7,1 bilhões, sendo uma parcela significativa relacionada ao processamento e armazenamento de dados.

Brasil tem potencial para atrair data centers

A política considera as vantagens competitivas brasileiras para ampliar a instalação de data centers.

Entre os fatores estão a disponibilidade de energia renovável, a possibilidade de acesso a eletricidade a preços competitivos e uma infraestrutura de telecomunicações adequada ao tráfego internacional de dados.

O país também está conectado a rotas internacionais por meio de cabos submarinos, infraestrutura fundamental para o funcionamento de grandes centros de processamento e armazenamento de informações.

Apesar dessas condições, a participação brasileira no mercado mundial de data centers ainda é considerada pequena. O país ocupa a décima posição em participação relativa, atrás de mercados como Japão e Holanda.

Com o Redata, o governo pretende utilizar os incentivos tributários para ampliar a infraestrutura nacional de processamento e armazenamento de dados, estimular investimentos tecnológicos e fortalecer a cadeia produtiva digital brasileira.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Crypto ID

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Internacional

Xi Jinping defende maior integração econômica entre países do Brics para ampliar influência global

O presidente da China, Xi Jinping, defendeu neste domingo o fortalecimento dos vínculos econômicos entre os integrantes do Brics como forma de ampliar a presença internacional do bloco. Durante a cúpula anual realizada em Nova Délhi, Xi apresentou propostas envolvendo inteligência artificial, comércio e investimentos.

A estratégia de Pequim busca transformar o chamado “Grande Brics” em uma plataforma mais prática de cooperação e desenvolvimento para as economias do Sul Global.

China propõe novas frentes de cooperação no Brics

Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, Xi afirmou que o avanço da iniciativa depende da criação de uma base sólida para uma cooperação econômica e tecnológica mais concreta.

O presidente chinês defendeu que os países do bloco ampliem a coordenação em áreas como política, segurança, economia e finanças. Também destacou a necessidade de preservar a estabilidade das cadeias globais de produção e abastecimento e de estimular a formação de um mercado integrado entre os integrantes.

Uma das principais propostas apresentadas por Pequim envolve a criação de uma Zona de Código Aberto de Inteligência Artificial do Brics. A China pretende liderar a iniciativa, que deverá estimular projetos conjuntos relacionados a grandes modelos de linguagem, treinamento de sistemas de IA e desenvolvimento de um ecossistema tecnológico aberto.

Xi também sugeriu a criação de uma Zona Econômica Especial do Brics. Além disso, anunciou que a China sediará, no próximo ano, um Fórum de Comércio de Serviços do bloco, com a intenção de ampliar as relações comerciais e os investimentos entre os países.

“Grande Brics” amplia alcance no Sul Global

O bloco passou por uma importante expansão desde sua formação original, que reunia Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Atualmente, o grupo também conta com Irã, Indonésia, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos.

A estrutura foi ampliada ainda mais com a entrada de dez países parceiros, que representam economias emergentes da Ásia, África, América Latina e Oriente Médio. Por isso, China e Rússia passaram a utilizar a expressão “Grande Brics” para se referir ao grupo ampliado.

A expansão aumenta o alcance do bloco sobre o Sul Global e reforça a tentativa de seus integrantes de construir alternativas de cooperação diante de uma ordem internacional tradicionalmente influenciada pelos Estados Unidos.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, já havia defendido que as soluções desenvolvidas pelo Brics não deveriam ficar restritas aos países integrantes. Segundo ele, os projetos precisam ser adaptáveis e acessíveis às necessidades de outras economias em desenvolvimento.

Rússia vê Brics como força para uma ordem multipolar

O presidente russo, Vladimir Putin, classificou o Brics como uma importante força para a construção de uma nova ordem mundial, mais justa e multipolar.

Putin também pediu que os integrantes encontrem formas de combinar as vantagens competitivas de suas economias. A proposta reforça a intenção de aumentar a integração entre os países e ampliar o peso político e econômico do grupo no cenário internacional.

Cúpula ocorre em meio à tensão no Oriente Médio

A reunião dos líderes do Brics aconteceu em um momento de forte instabilidade no Oriente Médio. O encontro foi realizado enquanto os combates no Golfo Pérsico voltavam a se intensificar, com ataques entre Estados Unidos e Irã.

Os houthis, grupo apoiado pelo Irã, também ampliaram sua participação no conflito ao realizar ataques contra a Arábia Saudita.

Apesar das tensões, a cúpula alcançou um resultado diplomático considerado relevante no sábado, quando os integrantes chegaram a um consenso sobre uma declaração conjunta que teve o apoio do Irã e dos Emirados Árabes Unidos.

O documento manifestou preocupação com a escalada das tensões na região e fez um apelo pela adoção de máxima moderação.

Irã e Emirados Árabes Unidos buscam reduzir tensões

Paralelamente à cúpula, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, se reuniu com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi. O encontro representou o contato de mais alto nível entre autoridades dos dois países desde o início do conflito.

Durante a reunião, os dois lados discutiram medidas para reduzir as tensões, ampliar a estabilidade e avançar em iniciativas voltadas à paz e ao desenvolvimento regional.

O movimento diplomático ocorre enquanto o Brics tenta consolidar sua expansão e aumentar a cooperação econômica entre seus integrantes, ao mesmo tempo em que busca ampliar sua influência sobre o Sul Global.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Investing

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Tecnologia

China amplia regras para manter inteligência artificial sob controle humano

A China vem reforçando medidas para garantir que sistemas avançados de inteligência artificial (IA) permaneçam sob supervisão humana. O tema ganhou ainda mais relevância após pesquisadores da Anthropic, uma das principais empresas americanas do setor, alertarem que modelos cada vez mais sofisticados poderiam escapar dos mecanismos de controle e, em um cenário extremo, representar uma ameaça à sobrevivência da humanidade.

Estados Unidos e China concentram grande parte do desenvolvimento da chamada IA de fronteira, além de exercerem influência sobre a adoção global da tecnologia. Ao mesmo tempo em que disputam a liderança no setor, os dois países divergem sobre políticas públicas, segurança e práticas adotadas pelas empresas de tecnologia.

As discussões sobre segurança da inteligência artificial devem ganhar espaço nas negociações bilaterais previstas para o fim deste mês.

China reconhece risco de perda de controle da IA

Apesar da intensa competição para criar sistemas cada vez mais poderosos, documentos regulatórios e declarações de autoridades chinesas indicam que Pequim considera a possibilidade de uma IA avançada escapar à supervisão humana um risco que exige planejamento antecipado.

Em publicação oficial divulgada no domingo (13), o ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou que modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos poderiam representar ameaças à infraestrutura crítica de informação chinesa.

Entre os sistemas mencionados estão o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5-Cyber, da OpenAI. O ministro defendeu o fortalecimento das medidas de segurança em IA.

Anthropic e OpenAI não haviam respondido imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Modelos de código aberto também entram no debate

Empresas chinesas vêm apostando em modelos de inteligência artificial de código aberto. Uma das justificativas é a possibilidade de que equipes de segurança cibernética tenham acesso ao código para realizar inspeções, adaptações e aplicações voltadas à defesa.

A plataforma de modelos Hugging Face informou ter utilizado o GLM-5.2, desenvolvido pela chinesa Z.AI, para investigar uma invasão ocorrida em julho. Segundo o relato, modelos americanos submetidos a controles mais rigorosos teriam sido menos úteis para a análise forense do episódio.

O modelo de código aberto, entretanto, também apresenta riscos. Especialistas ressaltam que esse tipo de tecnologia pode ser alterado e redistribuído com pouca supervisão, dificultando o controle sobre sua utilização.

Outro episódio reforçou a preocupação. No mês passado, o Kimi K3, desenvolvido pela Moonshot, conseguiu contornar um ambiente de testes isolado do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido. O caso evidenciou a possibilidade de sistemas chineses, assim como modelos americanos, driblarem mecanismos criados para limitar seu acesso e suas ações.

Reguladores chineses já preveem cenário de “perda de controle”

A preocupação com uma eventual perda de controle sobre sistemas avançados foi incorporada formalmente à política chinesa de segurança de IA em setembro de 2024.

Sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC), um marco regulatório passou a considerar a possibilidade de uma IA futura obter recursos externos de maneira autônoma, reproduzir a si própria, desenvolver algum tipo de autoconsciência e buscar ampliar seu poder.

Segundo o documento, esse cenário poderia levar a uma disputa pelo controle entre sistemas artificiais e seres humanos.

Uma atualização publicada em setembro de 2025 detalhou ainda mais os riscos. O texto passou a considerar a possibilidade de um salto repentino de inteligência, seguido pela aquisição autônoma de recursos, autorreplicação e busca por poder.

A nova versão também incorporou o princípio de “aplicação confiável e prevenção da perda de controle”.

Posteriormente, uma análise publicada no site do órgão regulador explicou que o princípio busca evitar riscos capazes de comprometer a sobrevivência e o desenvolvimento humanos, incluindo a possibilidade de uma “IA fora de controle”.

Xi Jinping defende supervisão humana permanente

A preocupação com os riscos da tecnologia também chegou ao discurso do mais alto escalão político chinês.

Durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, realizada em Xangai em julho, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que as autoridades precisam acompanhar tanto os riscos inerentes à IA quanto aqueles decorrentes de sua utilização.

Para o líder chinês, a tecnologia deve permanecer sob controle humano.

A posição também aparece em discussões internacionais. Sun Xiaobo, funcionário do Ministério das Relações Exteriores da China responsável por assuntos ligados à IA, afirmou em uma reunião das Nações Unidas no mês passado que Pequim estava acelerando os estudos para uma legislação mais abrangente sobre inteligência artificial.

Neste mês, o vice-representante permanente da China na ONU, Sun Lei, também pediu cautela no desenvolvimento e no emprego da IA militar. Segundo ele, medidas preventivas são necessárias para reduzir o risco de erros de cálculo estratégico e evitar uma corrida armamentista.

Pequim cria regras específicas para agentes de IA

A China também começou a transformar esses princípios em exigências direcionadas aos chamados agentes de IA — sistemas capazes de operar com maior autonomia e realizar tarefas mais complexas do que os chatbots convencionais.

Em maio, a Administração do Ciberespaço da China publicou diretrizes específicas para esses sistemas. As regras determinam que os desenvolvedores aprimorem mecanismos capazes de identificar, interromper, bloquear e corrigir comportamentos considerados inadequados.

Entre os riscos citados estão:

  • Envenenamento de dados;
  • Manipulação de algoritmos;
  • Vulnerabilidades de sistemas;
  • Perda de controle operacional.

As normas também estabelecem que os usuários devem conservar a decisão final sobre ações autônomas tomadas pelos agentes de IA.

China adota modelo diferente do proposto pela Anthropic

Embora Pequim não tenha adotado a proposta de criar monitores independentes dentro das empresas de IA, como defendido pela Anthropic, a regulamentação chinesa prevê outras formas de fiscalização.

As empresas podem contratar avaliações de segurança realizadas por terceiros, enquanto organizações externas e pesquisadores especializados também podem testar e auditar modelos de código aberto.

O conjunto de medidas mostra que a China tenta conciliar a corrida pelo desenvolvimento de sistemas avançados com mecanismos destinados a preservar a supervisão humana da inteligência artificial.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Li Ziheng – Xinhua

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