Logística

Rota Marítima da Seda reúne 19 países em fórum sobre comércio e logística

O VIII Fórum Internacional de Cooperação Marítima da Rota da Seda foi aberto em Xiamen, na província de Fujian, no leste da China, reunindo mais de 1.800 participantes de 19 países e regiões. O encontro colocou no centro dos debates a necessidade de ampliar a cooperação marítima internacional, a conectividade e a resiliência das cadeias de suprimentos diante de desafios como tensões geopolíticas, mudanças climáticas e transformação tecnológica.

Realizado sob o tema “Um novo capítulo da Rota Marítima da Seda para o crescimento compartilhado: cooperação aberta de alto nível em portos, transporte marítimo e comércio”, o evento reúne representantes dos setores de portos, transporte marítimo, logística, comércio, finanças e tecnologia.

Os participantes destacaram que a integração entre esses segmentos pode ajudar a enfrentar um cenário de maior fragmentação das cadeias globais e de aumento das incertezas no comércio internacional.

Conectividade é prioridade diante de riscos globais

Durante a abertura, os debates abordaram desde a reorganização das cadeias de abastecimento globais até o desenvolvimento portuário e a conectividade marítima.

Gu Jinshan, presidente da Associação Chinesa de Portos e Cais, afirmou que o setor portuário chinês vem reforçando sua contribuição para a economia real e para a integração entre portos, navegação e comércio. Segundo ele, os avanços obtidos nos últimos anos criaram uma base para fortalecer o transporte marítimo e apoiar a abertura econômica da China.

Ren Weimin, diretor da Divisão de Transportes da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, defendeu o fortalecimento da resiliência da conectividade marítima na região. A medida, segundo ele, é necessária para reduzir os impactos de crises geopolíticas e das mudanças climáticas sobre o sistema global de transporte.

Já Zhang Ruosi, assessora da Divisão de Comércio de Serviços e Investimentos da Organização Mundial do Comércio (OMC), chamou atenção para os efeitos da fragmentação comercial. Na avaliação dela, políticas que favoreçam o comércio e uma maior integração do transporte marítimo podem contribuir para enfrentar esse cenário.

Rota Marítima da Seda aposta em resiliência

A crescente instabilidade geopolítica tem elevado as preocupações relacionadas à segurança das principais rotas marítimas internacionais. Entre os efeitos estão viagens mais longas, aumento dos custos logísticos e maior dificuldade no planejamento dos trajetos.

Nesse contexto, os participantes do fórum defenderam que a estratégia da Silk Road Maritime deve considerar não apenas eficiência, mas também capacidade de adaptação e continuidade diante de interrupções.

Um dos destaques do evento foi o lançamento de um serviço de cálculo de rotas meteorológicas voltado à Rota Marítima da Seda no Ártico. A ferramenta foi desenvolvida em conjunto pela Administração Meteorológica da China e pela Associação Marítima da Rota da Seda.

Inteligência artificial apoia navegação no Ártico

O novo serviço utiliza dados dos satélites meteorológicos Fengyun para formar uma rede de observação do gelo marinho no Ártico. As informações são combinadas com modelos de previsão numérica e algoritmos de inteligência artificial.

A ferramenta oferece previsões de condições do gelo para até 15 dias e monitoramento de ciclones polares, com o objetivo de auxiliar decisões relacionadas à segurança da navegação em águas polares.

Chen Zhiping, presidente do Fujian Provincial Port Group, afirmou que a empresa também trabalha com o escritório meteorológico de Xiamen no desenvolvimento de um sistema de IA para gestão de riscos meteorológicos portuários.

A solução reúne em uma única interface informações sobre riscos climáticos de 58 portos chineses e estrangeiros, incluindo níveis de alerta, distância em relação ao centro de tufões e situação de funcionamento dos portos.

Segundo Chen, a ferramenta pode facilitar a tomada de decisões por portos, empresas de navegação, comércio, seguradoras e outros integrantes da cadeia de suprimentos.

O grupo pretende continuar aperfeiçoando o sistema e ampliar sua integração com outros portos participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI).

Jamaica e Nigéria defendem maior integração

Durante o encontro, a ministra das Relações Exteriores e Comércio Exterior da Jamaica, Johnson Smith, destacou a importância de manter o comércio marítimo seguro e ininterrupto e ressaltou o papel da China nesse processo.

Na avaliação da representante jamaicana, a cooperação comercial multilateral e as iniciativas vinculadas à Rota Marítima da Seda podem contribuir para cadeias de suprimentos mais seguras, sustentáveis e resilientes.

Na mesma linha, Chris Osa Isokpunwu, secretário permanente do Ministério Federal da Indústria, Comércio e Investimento da Nigéria, afirmou que a iniciativa representa mais do que o transporte de navios e mercadorias.

Para o representante nigeriano, a parceria também pode ampliar a integração do país à economia mundial, atrair investimentos e criar oportunidades de desenvolvimento sustentável. Ele acrescentou que a Nigéria pretende utilizar a cooperação para qualificar sua mão de obra e aproveitar experiências acumuladas pela China.

Europa e China discutem transformação digital

Jan Van der Borght, representante da Autoridade Portuária de Antuérpia-Bruges, considerou o fórum e a Associação Marítima da Rota da Seda mecanismos relevantes para estreitar a cooperação entre Europa e China.

Segundo ele, a evolução econômica chinesa não está relacionada apenas ao aumento do volume de cargas, mas também à transformação da indústria e à incorporação de novas tecnologias.

O representante citou inteligência artificial, tecnologias inteligentes e produtos chineses como fatores que podem ampliar as relações comerciais com o mercado europeu. Ao mesmo tempo, defendeu que os portos europeus avancem em sua transformação digital para acompanhar esse processo.

Novo corredor reduz custos logísticos

O fórum também apresentou o corredor intermodal marítimo-ferroviário Hunan-Fujian Silk Road Maritime. A iniciativa busca melhorar a ligação entre o interior da China e os portos da costa.

A expectativa é que o corredor crie uma alternativa de exportação mais eficiente para a região central do país, com potencial para reduzir os custos logísticos entre 20% e 30% e diminuir o tempo de transporte em cinco a sete dias.

Além disso, o encontro divulgou documentos relacionados ao desenvolvimento integrado de portos, transporte marítimo e comércio, incluindo o livro azul da Iniciativa Marítima da Rota da Seda 2025-2026, políticas de apoio ao desenvolvimento portuário e marítimo para 2026-2028 e um sistema colaborativo de serviços de navegação para as rotas do Ártico.

Novas rotas e acordos de cooperação

Segundo o Global Times, o fórum anunciou 12 novas rotas marítimas da Rota da Seda, a entrada de 15 novos integrantes na associação e a assinatura de 11 projetos de cooperação.

Uma nova iniciativa também foi aprovada durante a mesa-redonda do evento, com participação de aproximadamente 30 representantes de portos, empresas de navegação, operadores logísticos, companhias de tecnologia e instituições de pesquisa.

O acordo estabelece cinco áreas prioritárias:

  • expansão das redes de conectividade;
  • integração de recursos de portos, navegação e comércio;
  • avanço da digitalização e inteligência;
  • promoção do desenvolvimento sustentável;
  • criação de um ecossistema compartilhado voltado à prosperidade.

Silk Road Maritime amplia presença global

Criada em 2018, na província de Fujian, a Silk Road Maritime é apresentada como a primeira plataforma integrada de serviços logísticos internacionais da China dedicada ao transporte marítimo no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota.

A rede cresceu rapidamente e atualmente reúne 160 rotas marítimas, 153 portos em 50 países e regiões e 393 integrantes de diferentes setores, incluindo transporte marítimo, energia, indústria e internet.

Para Zhang Jingquan, professor da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Jinan, o desenvolvimento acumulado pela iniciativa pode ampliar o suporte à cooperação de alta qualidade dentro da BRI e fortalecer a economia marítima.

A plataforma também vem ampliando sua atuação em organização de rotas, coordenação portuária, serviços logísticos e transformação digital.

A proposta dos organizadores é avançar na integração de recursos internacionais e desenvolver novos modelos capazes de conectar portos, cidades, indústrias e comércio. O objetivo é formar uma rede de cooperação marítima mais inteligente, integrada e resiliente.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Free Flow amplia desafios de cibersegurança no transporte de cargas

O pedágio Free Flow já faz parte da rotina de importantes corredores de transporte de cargas no Brasil. Ao substituir as tradicionais praças de pedágio por pórticos equipados com sensores e sistemas de identificação, o modelo permite que os veículos sigam viagem sem a necessidade de parar.

A mudança traz ganhos para a eficiência logística e para a fluidez do tráfego. Ao mesmo tempo, cria uma nova frente de atenção para empresas de transporte e embarcadores: a proteção das informações geradas a cada passagem.

Um levantamento citado da ANTT/ABCR aponta que 3% das rodovias concedidas no país já utilizam o modelo ou têm cronograma estabelecido para adotar o Free Flow até 2027.

Pórticos também são pontos de coleta de dados

Mais do que estruturas destinadas à cobrança automática, os pórticos funcionam como importantes pontos de coleta e processamento de dados.

Cada passagem pode gerar registros relacionados à localização, horário e características do veículo. Quando essas informações são analisadas em conjunto, também podem revelar aspectos da operação logística, como rotas, horários de entrega e padrões de deslocamento.

Em uma operação que envolve milhares de veículos e viagens, o conjunto desses registros pode formar um retrato detalhado e praticamente em tempo real da movimentação de cargas.

É justamente nesse ponto que a cibersegurança no transporte ganha importância. Tratar essas informações apenas como um problema de tecnologia da informação, solucionável com firewall, backup e outras ferramentas tradicionais, pode deixar de lado uma dimensão fundamental do risco.

Vazamento de dados pode chegar ao crime físico

Informações sobre o deslocamento de uma carga de alto valor têm potencial para ultrapassar o campo digital. Se indicarem onde determinado carregamento estará, em qual horário e por qual caminho, tornam-se também informações relevantes para a segurança física da operação.

A conexão entre uma vulnerabilidade cibernética e um incidente no mundo real pode ser direta. O acesso indevido a rotas e horários pode facilitar roubos de carga. Já a indisponibilidade de plataformas de monitoramento pode prejudicar o acompanhamento da frota.

Outro risco está na manipulação de informações. Um dado de telemetria adulterado, por exemplo, pode fazer com que uma equipe interprete de maneira equivocada uma situação envolvendo o veículo ou a carga.

O 2025 Global Cargo Theft Report, produzido pela BSI Consulting em parceria com o TT Club, aponta justamente para essa aproximação entre tecnologia e criminalidade. Segundo o levantamento citado, ocorrências de roubo de carga associadas ao vazamento de informações e ao envolvimento interno representam 22% dos casos globais.

Segurança precisa estar na arquitetura

A evolução do transporte conectado exige que a segurança cibernética seja considerada desde a concepção das soluções, e não apenas depois que os sistemas entram em funcionamento.

Medidas como criptografia, autenticação, controle de acesso e monitoramento precisam fazer parte da arquitetura tecnológica. Além dos servidores, a proteção deve considerar toda a superfície conectada à operação.

Isso inclui veículos, sensores, câmeras, APIs e fornecedores terceirizados, que podem representar portas de entrada para ataques ou pontos de exposição de informações.

Nesse cenário, proteger a infraestrutura digital significa também reduzir riscos que podem atingir diretamente cargas, motoristas e processos logísticos.

Compartilhar dados continua sendo necessário

A resposta ao risco não está em restringir indiscriminadamente o compartilhamento de informações. A logística moderna depende justamente da circulação de dados para aumentar a produtividade, antecipar problemas e melhorar a tomada de decisões.

O desafio está em estabelecer critérios para determinar qual informação deve ser compartilhada, com quem e para qual finalidade.

Uma das alternativas é o processamento na borda, ou edge computing. Nesse modelo, parte da análise acontece próxima ao local em que os dados são gerados, enquanto somente eventos ou informações considerados relevantes são enviados para a nuvem.

A estratégia pode diminuir a exposição de dados e, ao mesmo tempo, preservar recursos de inteligência operacional.

Inteligência artificial exige dados confiáveis

A expansão da inteligência artificial na gestão de frotas acrescenta outra dimensão ao problema: a integridade dos dados.

Não basta impedir que informações sejam roubadas. Sistemas capazes de apoiar decisões de maneira cada vez mais automatizada precisam receber dados íntegros e confiáveis. Caso informações de telemetria sejam alteradas, modelos e ferramentas de decisão podem produzir respostas equivocadas.

Ao mesmo tempo, dados sensíveis dos motoristas, incluindo CNH e informações pessoais, precisam permanecer protegidos contra acessos indevidos.

Quanto maior a conectividade da cadeia de transporte, menor é a distância entre uma falha digital e uma consequência física. Nesse contexto, proteger dados deixa de ser apenas uma questão de privacidade ou de infraestrutura de TI e passa a integrar a própria estratégia de segurança de cargas, motoristas e operações logísticas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação / Ecovias

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Comércio Internacional

China registra alta de 25% nas exportações em agosto, impulsionada pela inteligência artificial

As exportações da China avançaram 25% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, impulsionadas principalmente pela forte demanda internacional por produtos de tecnologia utilizados na expansão da inteligência artificial (IA). No mesmo período, as importações chinesas cresceram 28,2%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (8) pela Administração Geral de Alfândegas da China (AGC).

Os números mostram que o comércio exterior chinês continua em ritmo acelerado, sustentado pela procura global por componentes e equipamentos ligados ao desenvolvimento de novas tecnologias.

Exportações de tecnologia ganham força

Entre janeiro e agosto, o valor das exportações chinesas de computadores e componentes relacionados aumentou 49,4%, de acordo com a AGC.

A expansão ocorre em um momento de forte crescimento dos investimentos internacionais em infraestrutura para inteligência artificial, o que amplia a demanda por semicondutores, equipamentos de informática e outros produtos tecnológicos fabricados na China.

O desempenho também mantém a trajetória positiva registrada pelo país no comércio internacional. Em 2025, a China alcançou um superávit comercial recorde, favorecido pela demanda externa por produtos associados ao setor de tecnologia e à cadeia global de inteligência artificial.

Vendas para os Estados Unidos aceleram

As exportações chinesas destinadas aos Estados Unidos também apresentaram crescimento expressivo. Em agosto, as vendas para o mercado americano aumentaram 34,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado representa uma aceleração em relação a julho, quando as exportações chinesas para os EUA haviam registrado crescimento anual de 17%.

O desempenho chama atenção diante das disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo e ocorre enquanto os dois países buscam avançar nas negociações sobre suas relações econômicas.

Dados antecedem encontro entre Trump e Xi

A divulgação dos números ocorre poucas semanas antes de uma reunião prevista para outubro, em Washington, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.

O avanço das exportações chinesas e o aumento das vendas para o mercado americano devem integrar o contexto das discussões entre os dois governos, especialmente diante da importância do comércio bilateral para a economia mundial.

Os dados de agosto reforçam, ainda, o peso da China na cadeia global de fornecimento de tecnologia, semicondutores e equipamentos para inteligência artificial.

FONTE: Jovem Pan
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pekín (China)EFE/WU HAO

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Comércio

Comércio entre China e ASEAN supera US$ 1 trilhão pela primeira vez em 2025

O comércio entre a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em 2025. O intercâmbio comercial entre os dois lados somou US$ 1,05 trilhão no ano, crescimento de 7,4% em relação a 2024.

A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo vice-ministro do Comércio da China, Yan Dong, que destacou a importância da parceria econômica entre as duas regiões.

A China mantém a posição de principal parceiro comercial da ASEAN há 17 anos consecutivos. No sentido inverso, o bloco ocupa o primeiro lugar entre os parceiros comerciais chineses há seis anos seguidos.

Comércio bilateral acelera em 2026

O ritmo de crescimento continuou nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e julho, o comércio entre China e ASEAN alcançou US$ 744,41 bilhões, alta de 24,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O montante representou 21,8% do comércio exterior chinês nos sete primeiros meses do ano, reforçando o peso da ASEAN nas relações comerciais da segunda maior economia mundial.

Os investimentos entre as duas partes também avançaram. Até julho, o investimento bilateral acumulado entre China e ASEAN, somado ao faturamento acumulado de projetos contratados por empresas chinesas no bloco, já havia ultrapassado US$ 515 bilhões.

Exposição China-ASEAN reunirá mais de 3 mil empresas

Os números foram apresentados durante uma coletiva de imprensa sobre a 23ª Exposição China-ASEAN, marcada para ocorrer entre 17 e 21 de setembro, em Nanning, capital da Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China.

O evento deverá reunir mais de 2.200 empresas chinesas e aproximadamente mil companhias dos países integrantes da ASEAN.

Uma das novidades desta edição será a criação de uma área dedicada às demandas tecnológicas dos países da ASEAN. O espaço permitirá que empresas chinesas participem de rodadas de negócios direcionadas a partir das necessidades apresentadas pelos compradores e parceiros do Sudeste Asiático.

Inteligência artificial ganha espaço na feira

A exposição também ampliará a área dedicada à inteligência artificial (IA), criada na edição do ano passado.

O espaço apresentará tecnologias e aplicações de IA voltadas aos setores de consumo, empresas, governo e cooperação internacional.

Outra novidade será o lançamento de um “mercado de IA”, que reunirá mais de 400 modelos de produtos disponíveis para demonstração, testes presenciais e compra direta durante o evento.

China quer ampliar cooperação com ASEAN

Segundo Wang Liping, funcionário do Ministério do Comércio da China, o país pretende acelerar a entrada em vigor e a implementação do protocolo de atualização da Área de Livre Comércio China-ASEAN 3.0.

O acordo foi assinado em outubro de 2025 e deverá ampliar as possibilidades de cooperação econômica entre as duas partes.

Entre as áreas consideradas prioritárias estão a economia digital e o desenvolvimento verde, setores que devem ganhar maior participação na agenda comercial bilateral.

País asiático pretende aumentar importações da ASEAN

A estratégia chinesa também inclui a ampliação das compras de produtos de qualidade provenientes dos países da ASEAN.

De acordo com Wang, o objetivo é contribuir para o crescimento do comércio bilateral e, ao mesmo tempo, abrir novas frentes de cooperação em setores emergentes.

Entre as áreas que devem receber maior atenção estão o comércio de serviços, comércio digital e comércio verde.

A perspectiva é que esses segmentos complementem o comércio tradicional de bens e ampliem a integração econômica entre China e os países do Sudeste Asiático.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua/Zhang Jingang

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Comércio Exterior

Governo Trump avalia aumento de tarifas sobre chips para estimular produção nos EUA

O governo de Donald Trump estuda elevar as tarifas de importação sobre semicondutores como forma de pressionar empresas a ampliar a fabricação de chips em território norte-americano. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (2) pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.

Em entrevista à CNBC, Lutnick afirmou que a estratégia prevê tratamento diferente para empresas que produzirem nos Estados Unidos e para aquelas que mantiverem suas fábricas no exterior.

“Se você fabricar nos Estados Unidos, nós lhe daremos isenção de tarifas. Se você não fabricar nos Estados Unidos, você pagará tarifas”, declarou o secretário.

Tarifas sobre semicondutores seguem estratégia de Trump

A possível elevação das tarifas sobre chips segue uma política já utilizada pelo governo Trump em setores considerados estratégicos para a economia americana.

Nos segmentos de automóveis, aço e alumínio, o governo anunciou medidas tarifárias com o objetivo de estimular a transferência de linhas de produção para os Estados Unidos. A proposta para os semicondutores segue lógica semelhante: empresas que fabricarem no país poderiam ficar livres das novas tarifas.

Medida pode atingir laptops, consoles e servidores

A iniciativa pode ter alcance maior do que apenas os microchips importados. Segundo reportagem publicada pelo site Politico na semana passada, a administração Trump avalia aplicar as tarifas também a uma variedade de produtos tecnológicos que utilizam semicondutores.

Entre os itens que poderiam ser afetados estão laptops, consoles de videogame e servidores para data centers. A ampliação da medida aumentaria o impacto potencial da política sobre toda a cadeia de tecnologia.

Boom da inteligência artificial impulsiona produção de chips

A expansão da produção de semicondutores ganhou força com o avanço da inteligência artificial (IA) e o aumento da demanda por infraestrutura tecnológica.

Em Taiwan, um dos principais polos globais da indústria de chips, o crescimento do setor ajudou a impulsionar o PIB, que avançou 13,72% no primeiro semestre deste ano. Segundo os dados mencionados na reportagem, trata-se do melhor desempenho da economia taiwanesa desde 1976.

TSMC amplia investimentos nos Estados Unidos

A demanda crescente por tecnologias relacionadas à IA também levou a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) a revisar suas projeções de investimentos para 2026.

A empresa aumentou neste mês sua previsão de gastos, considerando tanto a forte procura por soluções de inteligência artificial quanto os custos maiores para ampliar sua capacidade de produção.

Parte relevante desse movimento ocorre nos Estados Unidos. A TSMC avança com um plano de expansão de aproximadamente US$ 265 bilhões no Arizona, reforçando a presença da fabricante no mercado americano.

FONTE: Jornal do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: SAUL LOEB/AFP/JC

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Economia

Mercado Livre movimenta R$ 73,1 bilhões e amplia impacto na economia brasileira

O Mercado Livre estima ter gerado um impacto econômico de R$ 73,1 bilhões no Brasil em 2025, entre efeitos diretos e indiretos. O valor corresponde a aproximadamente 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo o Relatório de Impacto Efeito Meli 2026, divulgado nesta segunda-feira (31/8).

Do total calculado, R$ 30 bilhões representam o impacto direto da empresa na economia, enquanto outros R$ 43,1 bilhões são atribuídos aos efeitos indiretos provocados pela atividade do ecossistema.

O levantamento considera a atuação da companhia nas áreas de comércio eletrônico, logística e serviços financeiros e aponta que, para cada R$ 1 de valor agregado diretamente pelo Mercado Livre, outros R$ 1,40 são gerados nas cadeias produtivas relacionadas à operação.

Mercado Livre amplia atuação e fortalece PMEs

O crescimento da plataforma tem sido acompanhado pela expansão de sua infraestrutura no país. A empresa passou a operar com uma rede logística própria, incluindo frota aérea, e ampliou sua capacidade de entrega expressa.

Segundo o relatório, o ecossistema do Mercado Livre tinha cerca de 627 mil pequenas e médias empresas (PMEs) e empreendedores vendendo ativamente na plataforma em 2025.

Para 60% desses negócios, o marketplace é o principal canal de vendas. Além disso, sete em cada dez afirmam que a plataforma representou sua primeira experiência de comercialização pela internet.

Os microempreendedores individuais (MEIs) correspondem a 40% dos vendedores considerados no levantamento, mostrando a participação significativa de negócios de menor porte no ecossistema.

Plataforma amplia acesso à inteligência artificial

O estudo foi elaborado a partir de mais de 90 mil entrevistas realizadas nas operações do Mercado Livre no Brasil, Argentina, Chile e México. No Brasil, foram ouvidos 22,8 mil parceiros.

Um dos dados destacados pelo levantamento é o uso de inteligência artificial por pequenos negócios. Metade das PMEs brasileiras que utilizam o Mercado Livre teria tido o primeiro contato com a tecnologia por meio da plataforma.

Fundado em 1999, o Mercado Livre se consolidou como uma das principais empresas de e-commerce e tecnologia financeira da América Latina, com presença em 18 países.

Ecossistema está associado a mais de 413 mil empregos

A operação brasileira do Mercado Livre também teve impacto sobre o mercado de trabalho. Em 2025, foram criados 61,1 mil empregos diretos relacionados à companhia, enquanto outros 352 mil postos indiretos foram associados às atividades do ecossistema.

Ao todo, o número supera 413 mil empregos, equivalente a cerca de 0,4% das vagas ocupadas no país.

A expansão da plataforma também aumentou o alcance geográfico das vendas. Três em cada cinco encomendas comercializadas em 2025 atravessaram fronteiras estaduais.

Além disso, 61% das PMEs brasileiras que vendem pelo Mercado Livre conseguiram chegar a cidades onde anteriormente não tinham clientes.

Rede logística chega a um em cada quatro municípios

A estrutura de logística do Mercado Livre também ganhou escala. Em 2025, a companhia contava com 137 centros logísticos ativos, incluindo centros de distribuição, bases e instalações de apoio.

A rede era complementada por aproximadamente 5.950 unidades Meli Places.

Com essa estrutura, a empresa afirma estar presente em um a cada quatro municípios brasileiros, ampliando a capacidade de distribuição dos produtos vendidos por pequenos negócios.

Mercado Livre movimenta bilhões no Distrito Federal

No Distrito Federal, mais de 7 mil PMEs utilizaram o marketplace para vender seus produtos em 2025.

As vendas realizadas por esses negócios representaram quase 1% do total de vendas brutas do comércio varejista da unidade federativa. Para metade dos comerciantes locais, a plataforma é o principal canal de vendas.

As PMEs que comercializaram produtos pelo Mercado Livre no DF empregaram aproximadamente 77 mil pessoas, sendo que 35% delas estavam envolvidas em atividades relacionadas ao marketplace.

O crescimento das vendas também levou comerciantes a ampliar suas equipes. No ano passado, cerca de 3,6 mil empresas locais fizeram novas contratações. Ao todo, 800 PMEs criaram 1,7 mil empregos diretos para atender à demanda gerada pela plataforma.

Logística do DF recebe novos centros

A estrutura logística da empresa no Distrito Federal também foi ampliada. Foram ativados três novos centros, que somaram 19,4 mil metros quadrados de área operacional.

Com a expansão, 74% dos produtos comercializados pelas PMEs do DF passaram a ser enviados para consumidores localizados em outros estados.

Na área financeira, quase 69,7 mil empresas e empreendedores do Distrito Federal utilizaram o Mercado Pago para receber pagamentos em 2025.

As transações movimentaram mais de R$ 6 bilhões. No crédito, foram realizadas mais de 218 mil operações destinadas a PMEs e empreendedores, totalizando mais de R$ 220 milhões.

Mercado Pago movimenta R$ 410 bilhões

O braço financeiro do grupo também apresentou forte movimentação no país. Em 2025, cerca de 4,7 milhões de empresas e empreendedores processaram pagamentos por Pix e máquinas de cartão utilizando o Mercado Pago.

O volume movimentado superou R$ 410 bilhões, equivalente a aproximadamente 3,4% de todos os pagamentos digitais realizados pelo comércio brasileiro.

Na área de crédito, o Mercado Pago concedeu R$ 15 bilhões em empréstimos para pequenas e médias empresas, distribuídos em 12,4 milhões de operações.

Empresa destaca efeito sobre a cadeia econômica

Para Leandro Cuccioli, vice-presidente sênior de Estratégia, Relações com Investidores e Sustentabilidade do Mercado Livre, os resultados mostram que a atividade do comércio digital produz efeitos que vão além da relação entre consumidor e plataforma.

Segundo ele, o crescimento das PMEs, a geração de empregos e a adoção de ferramentas de inteligência artificial fazem parte de uma cadeia econômica que se movimenta a partir das vendas realizadas pela internet.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Mercado Livre

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Inovação

SENAI/SC leva inovação, tecnologia e geração de negócios ao Startup Summit 2026

O SENAI/SC participa do Startup Summit 2026, em Florianópolis, com uma agenda voltada à integração entre indústria, startups, tecnologia, pesquisa aplicada e novos negócios. Entre os dias 26 e 28 de agosto, o Estande SENAI receberá 12 atividades, entre palestras, painéis e apresentações de cases.

A programação abordará temas que estão transformando o setor produtivo, como smart factory, tecnologias espaciais, Physical AI, manufatura 4.0, inteligência artificial e inovação aberta.

Startups e indústria no centro dos debates

Um dos principais destaques da agenda será o painel “Startups precisam da indústria. A indústria precisa das startups?”. O encontro vai discutir como empresas industriais e startups podem atuar em conjunto para desenvolver soluções, acelerar a inovação e gerar resultados.

Participam do debate representantes da ArcelorMittal, Cerâmica Portobello, FIEMG Anjos e SenseUp/ACATE. A mediação será de Marcelo Bohrer, da FIESC.

Ao longo dos três dias, o espaço do SENAI reunirá especialistas do UniSENAI, Institutos SENAI de Inovação, FIESC, startups, empresas e integrantes do ecossistema de inovação.

Startup Summit espera mais de 10 mil participantes

Considerado um dos principais eventos de empreendedorismo e inovação do país, o Startup Summit 2026 será realizado em Florianópolis e tem expectativa de receber mais de 10 mil pessoas durante os três dias. As inscrições já estão esgotadas.

O evento terá mais de 200 palestrantes, além da participação de investidores nacionais e internacionais, empresas e representantes do poder público.

A programação inclui ainda conteúdos práticos, rodadas de negócios e uma feira com centenas de startups. A proposta é aproximar empreendedores de potenciais parceiros, investidores e clientes, favorecendo a expansão dos negócios e a entrada em novos mercados.

Programação do Estande SENAI

26 de agosto — quarta-feira

14h30 | Tech Session — As tecnologias que vão redefinir o mercado nos próximos cinco anos

Participam Iskailer Inaian Rodrigues, do UniSENAI Chapecó, e representantes dos Institutos SENAI de Inovação.

15h20 | Tech Session — Smart Factory: como um fomento pode te ajudar a colocar sua startup em outro nível

Participam Reynaldo Faria, dos Institutos SENAI de Inovação SC, e Wilian Zanatta, da WIHEX.

16h10 | Innovation Talk / Fireside Chat — Além da órbita: como startups estão desenvolvendo tecnologias espaciais

O encontro terá Renato Simão, do ISI Embarcados, e Gabriella Avellar, geóloga e Business Development da NOR Space.

17h | Headline Session / Painel — IA além do hype: onde ela realmente gera resultado nas empresas e nas indústrias

O painel reunirá Igor Trapnauskas, do UniSENAI, e Anderson Torres, da Senior Sistemas, com mediação de Guilherme Bernieri, do UniSENAI.

27 de agosto — quinta-feira

14h30 | Innovation Talk / Fireside Chat — Como uma startup de IA encontrou espaço para inovar junto a uma indústria de 88 anos?

Participam Renan Ednan Flores e Esequiel Tomaz, da Tupy, além da Mip Wise.

15h20 | Case Session — 4 empresas da Vertical Manufatura 4.0 apresentando seus cases

A atividade terá Sérgio Teixeira, da SenseUp Technology; Marcos Buson, da MOA Ventures; Elaine Coelho, da PalmSoft Tecnologia; e Jaison Vieira, da Optimiz.ai.

16h10 | Tech Session — PoCs que geram resultado: da prova de conceito à transformação do negócio

Participam Guilherme Bernieri, do UniSENAI, Rodrigo Kobashikawa Rosa, Willian Daniel de Mattos e Bernardo Henrique Pereira Murta.

17h | Headline Session / Painel — Startups precisam da indústria. A indústria precisa das startups?

O debate terá Fabíola Murta, da ArcelorMittal; Rodolfo Zhouri, da FIEMG Anjos; Daniel Mathias, da Cerâmica Portobello; e Nilton Benjamim Hüttner, da SenseUp/ACATE. A mediação será de Marcelo Bohrer, da FIESC.

28 de agosto — sexta-feira

14h30 | Headline Session / Painel de abertura — Como a Physical AI está moldando o futuro

A apresentação será conduzida por Ismael Secco, do SENAI/SC.

15h20 | Tech Session — O Oceano Azul da Produtividade: por que a indústria é a próxima fronteira de escala para as startups

O tema será apresentado por Rodrigo Zoppei, do SENAI/SC.

16h10 | Innovation Talk / Painel — Inovação Aberta na Indústria. Isso existe?

Participam Milena Maredmi Corrêa Teixeira Veiga, André Luiz Paza, da Rup!, e a MOA Ventures. Guilherme Bernieri, do UniSENAI, será o mediador.

17h | Tech Session — Aceleração de Indtechs: como startups industriais podem ajudar na produtividade

A atividade terá a participação de Pompeo, da Cyklo, e de um representante do SENAI/UniSENAI.

Conexão entre tecnologia e indústria

A presença do SENAI/SC no Startup Summit reforça a aproximação entre startups, indústria e pesquisa aplicada, com foco em soluções capazes de aumentar a produtividade e estimular a transformação digital.

Ao concentrar debates sobre inteligência artificial, indústria 4.0, inovação aberta e tecnologias emergentes, o Estande SENAI busca criar oportunidades para conexões e negócios dentro do ecossistema de inovação de Santa Catarina.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: AdobeStock

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Tecnologia

Xiaomi Robot: robô humanoide fará estreia oficial em Pequim

A Xiaomi confirmou que o Xiaomi Robot, seu robô humanoide, terá a primeira apresentação pública oficial durante a Conferência Mundial de Robótica de 2026, em Pequim. A informação foi divulgada por Lu Weibing, presidente da companhia, durante uma teleconferência sobre os resultados da empresa realizada na terça-feira (18).

O evento ocorre entre 19 e 23 de agosto e será a oportunidade para a fabricante demonstrar o funcionamento do robô humanoide da Xiaomi em condições próximas às aplicações do mundo real.

Xiaomi Robot mira o ambiente industrial

A estratégia inicial da Xiaomi é utilizar o robô em fábricas inteligentes, especialmente em atividades manuais e repetitivas. A expectativa é empregar a tecnologia para elevar a produtividade e a precisão de tarefas realizadas nas linhas de produção.

Com aproximadamente 1,7 metro de altura, o Xiaomi Robot foi desenvolvido em tamanho semelhante ao de um ser humano. A proposta é criar uma plataforma com maior capacidade de adaptação, tanto no aspecto físico quanto nos sistemas de inteligência artificial responsáveis por controlar seus movimentos.

A empresa pretende, dessa forma, permitir que o humanoide seja utilizado em diferentes ambientes e execute uma variedade maior de tarefas.

Robô atingiu 98% de sucesso em testes

O desempenho do Xiaomi Robot já foi avaliado em uma fábrica de automóveis da própria companhia. Durante um período de quatro meses de testes, descrito como uma espécie de estágio, o humanoide apresentou evolução significativa na instalação de porcas.

A taxa de sucesso da tarefa passou de 90,2% para 98%, segundo os resultados divulgados pela Xiaomi.

O robô também conseguiu trabalhar com peças flexíveis e componentes utilizados no acabamento interno dos veículos. Em períodos prolongados de operação, o equipamento manteve cerca de 90% de eficiência.

Os resultados indicam que a companhia pretende desenvolver o humanoide para atividades industriais que exigem repetição, precisão e funcionamento contínuo.

Xiaomi quer integrar robô a carros e casas inteligentes

Apesar do foco inicial na indústria automotiva, o projeto não deve ficar restrito às fábricas.

Lu Weibing afirmou que o Xiaomi Robot fará parte do conceito de “pessoas, carros e casa”, estratégia que busca conectar diferentes produtos e serviços do ecossistema da empresa.

No futuro, a tecnologia dos robôs humanoides poderá ser integrada a veículos autônomos e sistemas de automação residencial. A ideia é criar uma rede de dispositivos capazes de interagir e prestar assistência de maneira conectada.

Preço do Xiaomi Robot ainda não foi revelado

A Xiaomi ainda não informou quanto deverá custar uma versão comercial do Xiaomi Robot. Diante da complexidade tecnológica envolvida no desenvolvimento do humanoide, a expectativa é de que o preço possa ficar na faixa de dezenas de milhares de yuans.

A chegada de uma versão destinada ao uso doméstico, porém, pode levar mais tempo.

Neste primeiro momento, a estratégia da Xiaomi indica uma prioridade para o uso industrial de robôs humanoides, permitindo que a companhia avance no desenvolvimento e na aplicação da tecnologia antes de ampliar sua utilização para o cotidiano dos consumidores.

FONTE: Tudo Celular
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tudo Celular

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Tecnologia

Robôs humanoides: por que os EUA enfrentam dificuldades para produzir máquinas próprias

Os robôs humanoides se tornaram uma nova frente da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Washington busca ampliar a produção doméstica dessas máquinas, mas enfrenta um obstáculo central: boa parte da cadeia global de fornecedores está concentrada em território chinês.

Teddy Haggerty conhece esse cenário de perto. Desde 2022, ele atuou como principal distribuidor na América do Norte da Unitree Robotics, uma das empresas chinesas de destaque no segmento de robótica humanoide. A experiência mostrou a ele a diferença de escala e custos entre os dois países.

“Na China, essas coisas já andam pelas ruas”, afirmou Haggerty, destacando a experiência acumulada pelos fabricantes chineses.

Agora, aos 30 anos, ele tenta mudar esse cenário a partir de um galpão em Long Island, nos arredores de Nova York. À frente da Robo Inc., Haggerty busca desenvolver uma operação capaz de fabricar e adaptar humanoides dentro dos Estados Unidos.

Cadeia chinesa é o principal obstáculo

A Robo Inc. pretende combinar componentes importados com peças produzidas internamente. O problema é que a cadeia global de suprimentos para robôs está fortemente concentrada na China.

Para Haggerty, eliminar completamente componentes chineses encareceria significativamente os produtos. Baterias e estruturas de alumínio, por exemplo, já são fabricadas em larga escala e com custos competitivos no país asiático.

Em sua oficina, uma pequena equipe de engenheiros trabalha na adaptação de robôs humanoides e quadrúpedes para aplicações em armazéns e unidades de saúde. O espaço reúne peças sobressalentes, incluindo cabeças e mãos robóticas, enquanto os profissionais desenvolvem componentes específicos para cada utilização.

A experiência reforçou a percepção de que construir uma cadeia de fornecimento totalmente independente da China é um dos maiores desafios para a indústria americana.

Robótica entra na disputa tecnológica entre EUA e China

A competição pelos robôs com inteligência artificial acompanha uma rivalidade tecnológica mais ampla entre Washington e Pequim, que já envolve semicondutores e sistemas de IA.

Os humanoides são vistos por parte da indústria como uma possível etapa seguinte da inteligência artificial: sistemas capazes não apenas de processar informações, mas também de executar tarefas físicas em ambientes humanos.

As expectativas para a tecnologia são amplas. No futuro, esses equipamentos poderiam ser utilizados em atividades como limpeza doméstica, acompanhamento de pacientes, mineração e operações em instalações químicas.

Ao mesmo tempo, a utilização de robôs nesses ambientes levanta questões de segurança e privacidade. Máquinas presentes em residências, hospitais e locais de trabalho poderiam ter acesso a grandes quantidades de informações sobre pessoas e operações.

EUA restringem entrada de novos robôs estrangeiros

A disputa ganhou um novo capítulo com uma decisão da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC). A agência anunciou a proibição da importação de novos modelos de robôs humanoides produzidos no exterior por razões relacionadas à segurança nacional.

Embora a medida não tenha citado especificamente a China, o impacto potencial sobre fabricantes chineses é significativo, já que grande parte dos humanoides atualmente disponíveis no mercado internacional é produzida por empresas do país.

A restrição, porém, não resolve o principal problema enfrentado pelos fabricantes americanos: a dificuldade de construir uma base industrial competitiva.

Para Sunny Cheung, pesquisador da Jamestown Foundation, seria necessário combinar apoio financeiro e respaldo político para que empresas americanas consigam disputar espaço com os fabricantes chineses.

Produção americana ainda está em pequena escala

A indústria de humanoides nos Estados Unidos permanece em uma fase inicial. Estimativas indicam que as principais empresas americanas produziram apenas algumas centenas de unidades no ano passado.

Grande parte desses equipamentos ainda está em projetos-piloto, principalmente em fábricas e centros de distribuição. O mercado de consumo também não foi consolidado.

A diferença de escala é significativa. Unitree e Agibot, duas fabricantes chinesas, produziram juntas aproximadamente 10 mil robôs.

Startups e investidores americanos avaliam que reproduzir nos Estados Unidos o custo da estrutura produtiva chinesa é extremamente difícil. Além da mão de obra mais cara, a indústria depende de fornecedores chineses para matérias-primas e componentes essenciais.

Veículos elétricos ajudaram a criar vantagem chinesa

A liderança chinesa em robótica industrial e humanoide está ligada, em parte, ao desenvolvimento da indústria de veículos elétricos.

Durante anos, o país criou uma cadeia de produção integrada capaz de fabricar uma ampla variedade de componentes, desde elementos básicos até baterias de íons de lítio. Muitas dessas empresas passaram a fornecer peças também para fabricantes de robôs.

O resultado é uma rede de fornecedores capaz de entregar componentes rapidamente.

Brad Porter, CEO da empresa de robótica Cobot e ex-executivo da Amazon, resume a diferença pela disponibilidade de peças: enquanto uma empresa instalada na China pode conseguir determinado componente rapidamente, um fabricante americano pode precisar esperar vários dias.

Porter também cita a automação utilizada pela Amazon como exemplo do avanço da robótica nos Estados Unidos. Entretanto, ressalta que os sistemas empregados pela companhia não são humanoides.

Segundo ele, em muitas operações industriais, pernas não oferecem uma vantagem prática em relação a máquinas projetadas especificamente para uma determinada tarefa.

Afinal, para que servem os robôs humanoides?

A utilidade dos robôs humanoides ainda é uma questão em aberto. Mesmo integrantes do setor reconhecem que trabalhadores humanos continuam mais eficientes em determinadas situações complexas e imprevisíveis.

Os robôs enfrentam dificuldades especialmente quando precisam interpretar ambientes dinâmicos e tomar decisões em tempo real.

Embora fabricantes chineses tenham conquistado grande visibilidade, ainda não surgiu uma aplicação capaz de transformar de maneira ampla o mercado.

Modelos da Unitree, por exemplo, ganharam projeção internacional em apresentações coreografadas na televisão chinesa e até em eventos ligados ao Super Bowl. Essas demonstrações, porém, normalmente envolvem movimentos previamente programados.

O desafio mais complexo é desenvolver máquinas capazes de perceber o ambiente, raciocinar e agir de forma autônoma diante de situações inesperadas.

China também domina a robótica industrial

A vantagem chinesa não se limita aos humanoides. O país também possui uma enorme base instalada de robôs industriais.

Dados da Federação Internacional de Robótica indicam que mais de 2 milhões de robôs estavam em operação nas fábricas chinesas em 2024. Somente naquele ano, cerca de 300 mil novas unidades foram instaladas no país — volume superior ao registrado no restante do mundo somado.

Essa infraestrutura ajuda a explicar por que a China parte de uma posição privilegiada na corrida pela próxima geração de automação.

Para os Estados Unidos, portanto, o desafio vai muito além de desenvolver um robô funcional. O país precisa construir uma cadeia de fornecedores, ampliar a produção em escala e reduzir custos em um mercado no qual a indústria chinesa de robótica acumulou anos de investimentos, experiência e capacidade industrial.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Logística

Scania investe R$ 78 milhões em centro logístico de peças no Brasil

A Scania investiu R$ 78 milhões na ampliação de seu centro logístico de peças em Vinhedo, no interior de São Paulo. O objetivo é aumentar a eficiência da operação, elevar a disponibilidade de componentes e reduzir o tempo necessário para que caminhões e ônibus voltem às ruas após manutenções.

Conhecida como LPC (Latin Parts Center), a unidade teve sua área de armazenagem ampliada em 62%, passando de 15 mil para 24,4 mil metros quadrados.

O investimento integra o ciclo de R$ 6 bilhões destinado pela montadora às operações brasileiras entre 2016 e 2028. Com a expansão, Vinhedo mantém a posição de segundo maior centro logístico de peças da Scania no mundo, atrás apenas da unidade localizada na Bélgica.

Para a fabricante, a disponibilidade de peças é um componente estratégico do negócio. Um veículo comercial parado representa perda de receita para o transportador, o que torna a velocidade do atendimento uma questão diretamente ligada à produtividade da frota.

“Há 70 anos, nós nunca vendemos preço, nós sempre vendemos valor. O Brasil é o nosso mercado número um, é o lugar do mundo em que a Scania mais vende”, afirma Christopher Podgorski, CEO da Scania América Latina.

Vinhedo tem localização estratégica

A escolha de Vinhedo para concentrar a operação logística está relacionada à posição do município no mapa de infraestrutura brasileiro. A cidade fica na região de Campinas, próxima às principais rodovias, ao Aeroporto Internacional de Viracopos e a um importante polo de empresas especializadas em logística.

A unidade brasileira exerce, na América Latina, função semelhante à desempenhada pelo centro da Scania na Bélgica para o mercado europeu.

Na Europa, a localização belga é favorecida pela proximidade de fornecedores, fábricas e portos, especialmente o de Antuérpia. A infraestrutura facilita o envio de componentes para diferentes mercados.

No Brasil, a proximidade com Viracopos e a conexão com os principais corredores rodoviários foram fatores determinantes para a escolha de Vinhedo.

“A própria infraestrutura, a localização geográfica, a proximidade do aeroporto de Viracopos e a conexão com as principais rodovias e regiões são fatores preponderantes”, explica Podgorski.

A posição do Brasil dentro da operação global da Scania também pesa. O país é o maior mercado da montadora em volume e abriga o principal hub industrial da empresa na região, em São Bernardo do Campo.

Centro mantém mais de 40 mil itens

O LPC possui atualmente mais de 40 mil itens em estoque e funciona como principal centro de distribuição de peças da Scania para a América Latina, com exceção do México, que recebe componentes diretamente da estrutura europeia.

A expansão, entretanto, não foi planejada apenas para aumentar o volume armazenado. A companhia também redesenhou os fluxos internos para tornar a separação e o despacho mais rápidos.

Segundo Alessandro Silvério, gerente do LPC, o projeto foi estruturado para melhorar o fluxo logístico e fazer com que os componentes cheguem mais rapidamente aos clientes.

A Scania acompanha diariamente o estoque das concessionárias por meio do sistema Dealer Stock Management (DSM). Os pedidos de reposição recebidos em um dia são normalmente separados para envio no dia seguinte.

Em situações urgentes, porém, o despacho pode ocorrer no mesmo dia. Para casos classificados como superurgentes, a empresa utiliza inclusive serviços de entrega porta a porta.

Com a nova estrutura, a companhia pretende elevar a disponibilidade de peças de 95,5% para 96,5%. Isso significa ter imediatamente disponíveis mais de 96 itens a cada 100 solicitados pela rede.

Inteligência artificial ajuda a prever a demanda

A inteligência artificial também passou a integrar a gestão dos estoques. A tecnologia é utilizada para analisar históricos de vendas, sazonalidade e comportamento da frota, ajudando a definir quais componentes precisam estar disponíveis no centro de distribuição.

“Hoje a gente está usando muito a IA para nos auxiliar nas análises do histórico e do que estamos vendendo, para entender quais peças precisamos ter e disponibilizá-las o mais rápido possível para os clientes”, explica Silvério.

O planejamento é complexo porque os veículos Scania são utilizados em cerca de 36 diferentes aplicações. A frota atende segmentos que vão do transporte de cana-de-açúcar e madeira à mineração, construção, transporte refrigerado e operações de longa distância.

Por isso, manter todas as peças disponíveis em tempo integral não seria economicamente viável. A inteligência artificial entra justamente para melhorar a previsão e equilibrar disponibilidade, demanda e custo de estoque.

A ampliação também cria espaço para acompanhar a transformação tecnológica da frota. Com o avanço de caminhões elétricos, veículos a gás e modelos movidos a biometano, novos componentes precisarão ser incorporados ao estoque.

Scania aposta no pós-venda diante da concorrência

A expansão do centro logístico acontece em meio ao aumento da concorrência no mercado brasileiro de caminhões e ônibus, inclusive com a entrada de fabricantes asiáticos.

A Scania aposta que a disputa não será determinada somente pelo preço de aquisição. Para a empresa, a estrutura de pós-venda, a disponibilidade de peças e a capacidade de manter os veículos em operação são diferenciais importantes para os transportadores.

A fabricante possui produção local, rede de concessionárias, fornecedores e uma estrutura de engenharia no país. São aproximadamente 400 engenheiros trabalhando no desenvolvimento e na validação de veículos para diferentes aplicações e condições brasileiras.

“Há 70 anos, nós nunca vendemos preço, nós sempre vendemos valor”, reforça Podgorski.

O executivo avalia que fabricantes estrangeiros podem chegar ao mercado brasileiro com preços competitivos, mas terão de construir uma estrutura capaz de oferecer suporte aos veículos depois da venda.

Investimentos incluem transição energética

A ampliação do centro de Vinhedo levou cerca de um ano e meio e faz parte do ciclo de investimentos anunciado pela Scania no Brasil.

Segundo Podgorski, os recursos previstos estão concentrados principalmente na modernização das fábricas e na transição energética.

A empresa já produz no país chassis de ônibus elétricos e também desenvolve soluções movidas a biometano, ampliando o portfólio de alternativas aos combustíveis convencionais.

Nesse cenário, a Scania considera que a combinação entre tecnologia, produto e serviço será determinante para manter sua posição no mercado brasileiro.

“Diferentemente de automóvel, veículo comercial é dinheiro no bolso e, se não operar, é prejuízo garantido. Se o cliente não for bem-sucedido, eu não tenho cliente amanhã. Não é retórica, é modelo de negócio”, afirma o CEO.

De acordo com Podgorski, o Brasil foi o maior mercado mundial da Scania em volume em 28 dos últimos 30 anos. A companhia pretende manter essa liderança com investimentos em logística, tecnologia, pós-venda e eficiência operacional.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Scania

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