Exportação

COP 11 e exportações impulsionam debates na Câmara Setorial do Tabaco

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco realizou, na terça-feira (2), sua 78ª Reunião Ordinária, desta vez em formato virtual. Entre os pontos centrais da pauta esteve a eleição para o comando da entidade no próximo biênio. Por unanimidade, os representantes reconduziram Romeu Schneider ao cargo de presidente. Schneider, que também é vice-presidente da Afubra, agradeceu a confiança e reafirmou o compromisso com o equilíbrio e a harmonia da cadeia produtiva.

COP 11 em análise e desafios para a próxima conferência
A primeira discussão do encontro abordou a COP 11 da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT). Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco, destacou o protagonismo brasileiro ao apresentar propostas que impactam diretamente o setor.
Segundo ele, a atuação de parlamentares em Genebra foi essencial para ampliar o espaço de diálogo, mas os desafios permanecem. Thesing avaliou que, até a COP 12, será necessário fortalecer conversas internas com o governo e manter a mobilização de toda a cadeia produtiva.
Como encaminhamento, os integrantes da Câmara decidiram manter o GT COP, agora oficializado como grupo de trabalho permanente dentro da estrutura.

Exportações de tabaco registram crescimento expressivo
As exportações brasileiras de tabaco também estiveram em destaque. Dados do MDIC/ComexStat mostram que, entre janeiro e outubro, o Brasil embarcou 438 mil toneladas e movimentou US$ 2,7 bilhões, aumentos de 26% e 21% em relação ao mesmo período de 2024.
Para Thesing, os números acompanham as previsões da consultoria Deloitte, que estimava alta entre 15,1% e 20% no volume e de 2,1% a 6% no valor exportado.
Entre os principais destinos estão Bélgica, China, Indonésia, Estados Unidos, Emirados Árabes e Turquia. Em relação aos EUA, o presidente do SindiTabaco explicou que os embarques foram suspensos após 6 de agosto devido às tarifas, mas vêm sendo retomados gradualmente por necessidade de matéria-prima.
Thesing também citou a superação de entraves logísticos no porto de Rio Grande e ressaltou que, caso novembro e dezembro repitam o desempenho do ano anterior, o Brasil pode fechar 2025 com exportação recorde, ultrapassando a marca de US$ 3 bilhões.

Safra 2025/2026 sob impacto do clima
O presidente da Afubra, Marcilio Drescher, apresentou o panorama da safra 2025/2026, cuja estimativa é de 685 mil toneladas. Ele alertou, porém, que o cultivo tem enfrentado extremos climáticos — desde chuva e granizo até falta de água em algumas regiões. Ainda assim, Drescher mantém a expectativa de que, com condições climáticas mais estáveis, a safra possa alcançar um bom resultado.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Felipe Krause / Pixel18dezoito / Divulgação / CP

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Indústria

Indústria de defesa brasileira cresce 114% e bate recorde de exportações em 2025

Setor supera marca histórica e amplia presença globalA indústria de defesa brasileira atingiu um novo recorde em 2025, com US$ 3,1 bilhões em autorizações de exportações, segundo o Ministério da Defesa. O montante representa alta de 74% em relação a 2024 e mais que dobra o volume registrado em 2023, acumulando 114% de crescimento em dois anos.

O avanço reflete o desempenho de uma Base Industrial de Defesa (BID) composta por cerca de 80 empresas exportadoras presentes em 140 países. O portfólio inclui aeronaves, embarcações, blindados, munições, soluções cibernéticas, radares e sistemas de comunicação. O setor responde por 3,49% do PIB e gera quase 3 milhões de empregos diretos e indiretos.

Entre os principais compradores estão Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal. Aeronaves como o KC-390 Millennium seguem como destaques na pauta de exportações.

Estratégias para ampliar as vendas externas
De acordo com o Ministério da Defesa, o crescimento é resultado de ações coordenadas para elevar a competitividade do setor e facilitar a entrada de empresas brasileiras em novos mercados. “O trabalho com a indústria de defesa permite produzir equipamentos competitivos para atender às Forças Armadas e ampliar as vendas ao exterior”, afirmou o secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues.

A estrutura da pasta conta com quatro áreas estratégicas para fortalecer a BID: promoção comercial, regulação, financiamentos e inovação tecnológica.

Promoção comercial e diplomacia industrial
O Depcom (Departamento de Promoção Comercial) atua na abertura de mercados e na participação em feiras internacionais. Em 2025, o órgão promoveu diálogos bilaterais com Turquia e Jordânia, participou da LAAD Defence & Security no Rio de Janeiro e organizou o Brazilian Defense Day, que reuniu representantes de cerca de 50 países.

Regulação e certificação de produtos
O Deprod, responsável pela creditação de empresas e classificação de produtos, registrou resultados expressivos: 417 novos produtos classificados e 62 empresas credenciadas em 2025. Ao todo, já são 307 empresas e 2.219 produtos homologados. O setor também acompanha programas de compensação tecnológica e comercial (offset).

Financiamento e apoio à expansão do setor
O Depfin atua na busca por linhas de crédito, garantias e investimentos. Entre os avanços de 2025 está o acordo com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que visa ampliar a participação de bens de defesa nas exportações e aumentar a nacionalização de produtos estratégicos.

Inovação e desenvolvimento tecnológico
O Decti lidera iniciativas para transformar pesquisa em capacidade industrial. Nos últimos cinco anos, cerca de 140 projetos de PD&I foram incorporados à carteira do Ministério, somando R$ 700 milhões em investimentos. Outras 34 iniciativas receberam R$ 1,1 bilhão de apoio de instituições como Finep e CNPq.

Em 2025, dois seminários nacionais reuniram governo, indústria e academia para discutir integração tecnológica, aceleração de projetos e o fortalecimento da competitividade brasileira no setor de defesa.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcos Corrêa/PR

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Exportação

Vale do Itajaí se destaca com dois polos industriais voltados à exportação

O Vale do Itajaí abriga dois importantes polos industriais com forte inserção internacional: o de embarcações e o de produtos de madeira, incluindo chapas de compensado, peças de carpintaria e portas. O levantamento faz parte de um estudo do Observatório Nacional da Indústria, conduzido pelo Observatório FIESC, que mapeou polos produtivos nas mesorregiões brasileiras.

Exportações impulsionam a economia regional
Em 2024, o segmento de madeira e móveis da região movimentou US$ 413,75 milhões em exportações. Já o polo de embarcações somou US$ 26,23 milhões no mesmo período. Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, esse desempenho reforça o papel da indústria como motor da economia local.

Segundo ele, “a cada emprego criado na indústria, outros 16 são gerados”, evidenciando o impacto direto dos polos exportadores no desenvolvimento regional.

Condições favoráveis ao crescimento dos polos
De acordo com Marcelo de Albuquerque, coordenador do estudo, fatores como clima, relevo e proximidade da matéria-prima favorecem o polo de madeira e móveis. Já o setor náutico se beneficia da localização estratégica próxima ao litoral na Foz do Rio Itajaí e do avanço do turismo náutico, que fortalece toda a cadeia produtiva.

Força industrial do Vale do Itajaí
A região reúne 79,3 mil estabelecimentos e emprega 697 mil pessoas. A indústria concentra 276,6 mil trabalhadores distribuídos em 21,5 mil negócios.

  • Blumenau lidera com 3,2 mil indústrias e 50,2 mil empregos.
  • Brusque aparece em segundo lugar, com 2 mil estabelecimentos e 28,6 mil trabalhadores.
  • Itajaí ocupa a terceira posição, com 1,9 mil indústrias e 27,4 mil empregados.

Empresas que se destacam nas exportações
No setor de produtos de madeira, empresas como Rohden (Salete), NM Compensados e Madeiras Schlindwein (MSL), de Presidente Getúlio, estão entre as principais exportadoras.
No segmento náutico, marcas como Okean Yachts, NHD Boats e Azimut Brasil mantêm estaleiros em Itajaí e figuram entre as líderes nas vendas ao exterior.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC/Okean

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Comércio Exterior

China torna o comércio global inviável, aponta análise do Financial Times

Em uma visita recente à China continental, economistas, empresários e especialistas consultados levantaram uma mesma preocupação: o que a China pretende comprar do resto do mundo no futuro? As respostas variaram entre soja, minério de ferro, artigos de luxo e educação superior, mas nenhuma delas ofereceu uma perspectiva concreta de demanda que sustente relações comerciais equilibradas.

Muitos interlocutores admitiram que, para Pequim, a solução ideal seria permitir que empresas chinesas instalem fábricas no exterior, especialmente na Europa — um indício de que a China não busca ampliar importações, e sim fortalecer sua capacidade produtiva no próprio território.

China aposta na independência total das importações

A percepção dominante entre analistas é clara: a China não pretende depender de produtos estrangeiros. Mesmo em setores nos quais ainda é cliente, como semicondutores, software, máquinas industriais e aeronaves comerciais, o país trabalha aceleradamente para dominar toda a cadeia produtiva. A lógica é simples: importar apenas enquanto é necessário, até ter condições de produzir melhor e mais barato.

Para economistas chineses, a busca por autossuficiência se justifica pela “profunda sensação de insegurança” causada pelas restrições tecnológicas impostas pelos EUA. Embora compreensível, essa estratégia expõe um dilema: como o mundo pode continuar comerciando com a China se ela não quer comprar?

Impactos globais do modelo mercantilista chinês

A dependência de exportações para sustentar o crescimento chinês está pressionando economias desenvolvidas. Uma projeção recente do Goldman Sachs mostra que o impulso extra da economia chinesa até 2035 virá principalmente das exportações, reduzindo o espaço de outros países em mercados globais.
A Alemanha seria uma das mais prejudicadas, com queda de até 0,3 ponto percentual em seu crescimento anual.

Para além da disputa comercial, existe um problema prático: sem exportar mais, países como Europa, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos não terão como pagar pelas importações chinesas. Pequim, por sua vez, teme a desvalorização de seu gigantesco estoque de ativos em dólar.

Por que mudanças dependem da China

Soluções efetivas exigiriam que a China estimulasse seu consumo interno, enfrentasse a deflação, reduzisse subsídios bilionários à indústria e permitisse a valorização do yuan. Essas medidas também beneficiariam diretamente a população chinesa, que hoje sacrifica parte de seu padrão de vida para sustentar a competitividade do país.

Mas o novo plano quinquenal de Pequim indica outra direção: as prioridades continuam sendo manufatura e tecnologia, com o consumo apenas em terceiro plano.

Qual o caminho para a Europa?

A Europa, segundo especialistas, enfrenta duas alternativas — uma difícil e outra arriscada. A primeira é tornar-se mais competitiva, investindo em tecnologia e reduzindo custos estruturais para gerar novos valores econômicos. A segunda, considerada a “solução ruim”, é recorrer ao protecionismo para preservar sua base industrial.

Em um cenário em que a China exporta produtos mais baratos e não demonstra interesse em ampliar importações, a tendência é que países ocidentais dependam cada vez mais de seu próprio mercado interno. No limite, a adoção de barreiras comerciais pode levar a novas tensões e ao enfraquecimento ainda maior do sistema global de comércio.

No entanto, quando todas as boas alternativas se esgotam, as más acabam prevalecendo. Se a China continuar comprando apenas commodities e itens de consumo, o mundo deverá se preparar para responder da mesma forma.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Agronegócio

China barra soja brasileira após contaminação: 69 mil toneladas rejeitadas

As autoridades chinesas bloquearam 69 mil toneladas de soja brasileira após identificarem trigo contaminado com pesticidas misturado aos grãos durante a inspeção do navio que levava o carregamento ao país asiático. Além da rejeição imediata, a China também suspendeu temporariamente cinco exportadores brasileiros, todos ligados a grandes companhias do agronegócio.
Os nomes das unidades afetadas não foram divulgados, mas a decisão evidencia a intensificação do controle de qualidade e da segurança alimentar exigidos por Pequim.

Impactos para o agronegócio

O episódio acende um alerta no momento em que o Brasil mantém forte dependência do mercado chinês, seu principal destino de soja. A medida pode gerar prejuízos financeiros, elevar o nível de desconfiança internacional e forçar uma revisão dos processos logísticos, especialmente no que diz respeito à limpeza de navios graneleiros e prevenção de contaminação cruzada.
A presença de trigo com resíduos de pesticida indica falhas em etapas como armazenamento, transporte ou embarque, arranhando a imagem dos produtores brasileiros e trazendo risco para futuras negociações.

Rastreabilidade e rigor sanitário em debate

O caso reacende discussões sobre rastreabilidade, monitoramento e modernização de sistemas de controle de carga. A pressão global por alimentos seguros e produção sustentável tem levado compradores como China e União Europeia a implementar regras mais rígidas.
Segundo analistas, a resposta do Brasil deve ser rápida e transparente, com adoção de medidas corretivas que reforcem as garantias de qualidade e evitem novos bloqueios.

Repercussões internacionais

Embora o volume rejeitado represente pequena parcela das exportações anuais, o simbolismo é expressivo. A soja brasileira, que abastece mais da metade das importações chinesas, é peça-chave nas relações bilaterais — e qualquer incidente pode influenciar preços internacionais, contratos futuros e decisões logísticas das tradings.
O destino da carga ainda é incerto: pode ser devolvida, destruída ou redirecionada para outro mercado. A expectativa é que o Ministério da Agricultura se pronuncie nos próximos dias, esclarecendo o caso e avaliando ajustes nos protocolos de embarque e certificação.

FONTE: Compre Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Compre Rural

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Agronegócio

Brasil conquista novas aberturas de mercado nas Filipinas, Guatemala e Nicarágua para ampliar exportações do agronegócio

Novos acordos fortalecem presença brasileira no exterior
O Brasil avançou em negociações sanitárias e fitossanitárias com as Filipinas, Guatemala e Nicarágua, abrindo caminho para a exportação de novos produtos agropecuários a esses mercados. Os acordos, concluídos pelo governo brasileiro, reforçam a estratégia de diversificação de destinos e ampliam o alcance do agronegócio nacional.

Filipinas autorizam importação de gordura bovina brasileira
As autoridades sanitárias das Filipinas aprovaram a compra de gordura bovina do Brasil, insumo utilizado pela indústria de alimentos e essencial na produção de biocombustíveis, como o diesel verde e o Sustainable Aviation Fuel (SAF).
Com uma população próxima de 115 milhões de habitantes, o país é um dos maiores mercados consumidores do Sudeste Asiático. Entre janeiro e outubro de 2025, as Filipinas importaram quase US$ 1,5 bilhão em produtos agropecuários brasileiros.

Guatemala libera importação de arroz beneficiado
Na Guatemala, o Brasil recebeu autorização para exportar arroz beneficiado (sem casca). O país centro-americano, com cerca de 18 milhões de habitantes, importou mais de US$ 192 milhões em itens agropecuários brasileiros nos dez primeiros meses de 2025. Os cereais lideraram a pauta exportadora brasileira na região.

Nicarágua abre mercado para sementes brasileiras
A Nicarágua aprovou a entrada de sementes de milheto, crotalária e nabo, insumos importantes para sistemas produtivos tropicais. Esses produtos contribuem para a melhoria da produtividade agrícola e para a redução do uso de fertilizantes minerais. De janeiro a outubro de 2025, o país importou cerca de US$ 55 milhões em produtos do agronegócio brasileiro.

Agronegócio acumula 496 aberturas desde 2023
Com as novas habilitações, o Brasil chega a 496 aberturas de mercado para produtos do agronegócio desde 2023. O avanço é resultado da ação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que vêm trabalhando para ampliar o acesso a mercados globais e aumentar a competitividade de itens com maior valor agregado.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Investimento

China intensifica investimentos no Brasil e expande portos, energia, transporte e agronegócio

A China amplia sua atuação no Brasil com uma onda de investimentos bilionários em portos, ferrovias, energia e exportações agrícolas. Estatais e grandes conglomerados chineses assumem operações relevantes, compram participações estratégicas e fortalecem sua presença em ativos essenciais para o escoamento de grãos, petróleo e para o transporte de passageiros.

Esse avanço permite que grupos chineses controlem partes importantes da cadeia de exportação agrícola, ao mesmo tempo em que participam de projetos de mobilidade urbana e de geração e transmissão de energia. O movimento ajuda a redesenhar a infraestrutura brasileira e consolida o país asiático como um dos principais parceiros econômicos do Brasil.

COFCO amplia domínio na exportação agrícola
Na exportação de commodities, o avanço mais evidente vem da COFCO, gigante estatal chinesa que atua como uma das maiores tradings de grãos do país. A empresa compra soja, milho e açúcar, opera terminais portuários e possui estruturas logísticas que conectam o campo ao embarque internacional.

Em Santos, a companhia já operava dois terminais e utilizava instalações de terceiros. Em março, iniciou a operação parcial do novo terminal TEC (STS11), que será concluído no próximo ano. Com ele, a capacidade da empresa no porto passa de 4 milhões para 14 milhões de toneladas anuais, tornando o local seu maior terminal fora da China.
A mudança reduz custos logísticos e reforça o peso dos investimentos chineses no agronegócio brasileiro.

CM Ports avança em portos estratégicos
No setor de contêineres, a presença chinesa também se destaca. Cerca de 11% dos contêineres movimentados no Brasil passam pelo TCP, em Paranaguá (PR), terminal controlado desde 2018 pela estatal CM Ports, uma das maiores operadoras globais do segmento.

Em novembro, a empresa fechou um acordo com o governo brasileiro para expandir ainda mais o terminal. O pacote de investimentos deve elevar a capacidade operacional e fortalecer a influência chinesa na logística de comércio exterior.

A ofensiva vai além dos contêineres. No Porto do Açu (RJ), responsável por aproximadamente 30% das exportações de petróleo do país, a CM Ports assinou em fevereiro de 2025 um acordo para adquirir 70% do terminal de petróleo – negócio ainda sujeito à aprovação regulatória. Se concluído, ampliará o domínio chinês na logística do setor petrolífero brasileiro.

CRRC se firma no transporte de passageiros
Os investimentos chineses também chegam ao transporte sobre trilhos. A concessão do trem intercidades entre São Paulo e Campinas, leiloada em 2024, foi vencida por um consórcio formado pela brasileira Grupo Comporte (60%) e pela estatal chinesa CRRC (40%). O projeto prevê cerca de R$ 14 bilhões em investimentos.

A CRRC será responsável pela implantação do sistema e pela fabricação dos trens. Além disso, venceu em 2025 a licitação para fornecer 44 novos trens ao Metrô de São Paulo, em um contrato de R$ 3,1 bilhões, com montagem prevista em Araraquara.

Essas iniciativas mostram como o Brasil incorpora a expertise da China em grandes projetos ferroviários e metroviários.

Energia e petróleo reforçam a rede integrada chinesa
No setor de energia, as estatais chinesas ocupam posições centrais. A State Grid controla a CPFL, que atua na distribuição elétrica, enquanto a CTG (China Three Gorges) participa da geração de energia no país. Ambas utilizam tecnologias e componentes produzidos pela própria indústria chinesa, criando um ciclo integrado de produção e operação.

No petróleo, petroleiras como CNPC e Sinopec operam em campos brasileiros, contribuindo para o fluxo que chega ao Porto do Açu – justamente o terminal que a CM Ports busca controlar.

Essa interligação de empresas evidencia um sistema integrado de investimentos, do qual a China se beneficia ao operar múltiplas etapas da cadeia energética e logística.

Um novo cenário para a infraestrutura brasileira
Especialistas apontam que a China consolidou sua economia com investimentos robustos em portos, ferrovias e metrôs, desenvolvendo empresas com grande capacidade técnica e acesso a financiamento. A expansão para países com déficit de infraestrutura, como o Brasil, segue essa estratégia.

O resultado é um conjunto diversificado de investimentos que vão de portos de grãos e contêineres a terminais de petróleo, linhas de trem e redes elétricas. Em muitos casos, diferentes empresas chinesas alimentam umas às outras, ampliando a atuação do próprio Estado chinês em território brasileiro.

O impacto desse movimento envolve ganhos de infraestrutura, mas também desafios regulatórios e questões sobre dependência externa – elementos que influenciarão o futuro do desenvolvimento nacional.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

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Portos

TCP atinge 1,5 milhão de TEUs antes do previsto e confirma ritmo de crescimento

A TCP – Terminal de Contêineres de Paranaguá ultrapassou, na madrugada desta sexta-feira (28), a marca de 1,5 milhão de TEUs movimentados em 2025. O volume foi alcançado 20 dias antes do registrado em 2024, quando o terminal se tornou o terceiro maior do país a atingir esse patamar anual.

O novo recorde ocorreu durante as operações do porta-contêineres CMA CGM Rodolphe, navio de 299 metros de comprimento, 48 metros de largura e capacidade para 9.400 TEUs.

Segundo o superintendente institucional e jurídico da TCP, Rafael Stein, o desempenho confirma a tendência de evolução: “Atingir 1,5 milhão de TEUs ainda em novembro está alinhado à nossa projeção de crescimento de 5% neste ano e demonstra o alto nível de eficiência do Terminal”.

Exportações e importações avançam

Entre janeiro e outubro, a TCP registrou 557.755 TEUs exportados, alta de 5%, puxada principalmente pelo agronegócio — carnes, congelados, madeira, feijão e gergelim. No sentido inverso, as importações somaram 546.880 TEUs, 2% acima do ano anterior, com destaque para os segmentos automotivo, químico, eletrônicos e maquinário.

Ampliação do calado aumenta capacidade dos navios

Em novembro, a Portos do Paraná homologou a portaria nº 224/2025, ampliando o calado operacional do canal de acesso ao Porto de Paranaguá de 12,80 para 13,30 metros. A mudança contou com estudos de simulação realizados pela TCP na USP e permite que cada navio transporte, em média, 400 TEUs adicionais.

Com as obras de derrocagem concluídas, a profundidade operacional já passou por três revisões desde 2024, saltando de 12,10 para 13,30 metros — incremento equivalente a 960 TEUs extras por embarcação.

Investimentos impulsionam desempenho

Nos últimos cinco anos, a TCP aportou mais de R$ 500 milhões em infraestrutura e equipamentos. Entre as entregas recentes estão:

  • Subestação elétrica isolada a gás concluída em 2023, apoiando o plano de descarbonização.
  • Inauguração, em 2024, do maior pátio reefer da América do Sul, com 5.268 tomadas.
  • Participação de 44% nas exportações de carne de frango e de 30% nas de carne bovina em 2025.
  • Certificação I-REC pelo uso de energia 100% renovável desde 2022.
  • Projeto piloto de eletrificação de RTGs, com redução de 97% das emissões por equipamento.
  • Aquisição de 17 Terminal Tractors (TT) e 11 guindastes RTG, formando o maior parque de máquinas entre os terminais brasileiros (69 TTs e 40 RTGs).

Para Stein, os resultados comprovam a eficácia da estratégia: “Seguiremos investindo para tornar o Terminal de Contêineres de Paranaguá uma referência global em eficiência logística”.

FONTE: TCP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TCP

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Exportação

Exportações de carne bovina de Mato Grosso para a Ásia avançam quase 40% em 2025

As exportações de carne bovina de Mato Grosso para países asiáticos registraram alta de 39,4% entre janeiro e outubro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Foram embarcadas mais de 458 mil toneladas para 12 destinos, reforçando o estado como o maior exportador do Brasil e ampliando sua relevância no comércio global.

Segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), a Ásia passou a representar 60,6% de todo o volume exportado pelo estado neste ano — proporção superior aos 52,2% registrados em 2024.

Ásia se consolida como principal motor da demanda

Para o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, o desempenho reflete a busca crescente por proteína de qualidade, com segurança sanitária e sustentabilidade. Ele destaca que países asiáticos vêm aumentando o consumo e valorizam produtos com comprovação de origem, características em que Mato Grosso se destaca.

China lidera compras; Indonésia tem salto expressivo

A China manteve a liderança nas importações da carne mato-grossense. Entre janeiro e outubro de 2025, foram adquiridas 413,6 mil toneladas, frente às 284,1 mil toneladas do ano anterior — avanço impulsionado pela demanda por proteína premium e pelo maior acesso sanitário concedido ao Brasil.

Outro destaque foi a Indonésia, que apresentou crescimento robusto: passou de 250 toneladas em 2024 para 3,1 mil toneladas em 2025, uma expansão de 1.160%.

Diversificação de destinos asiáticos

Além de China e Indonésia, Mato Grosso enviou carne bovina para Macau, Hong Kong, Filipinas, Timor-Leste, Singapura, Malásia, Camboja, Maldivas, Cazaquistão e Turcomenistão. O Imac aponta que esses mercados buscam diversificar fornecedores, privilegiando produtos certificados e sustentáveis.

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Comércio Exterior

Facisc reúne representantes de 16 países para fortalecer parcerias internacionais em SC

A Facisc (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina) promove, na tarde desta sexta-feira (28), em Florianópolis, um encontro estratégico com integrantes do corpo consular de 16 países presentes no estado. A iniciativa tem como foco ampliar conexões, estimular novas parcerias internacionais e fortalecer a presença catarinense no comércio exterior.

Debate ocorre em meio a mudanças no comércio global
O evento acontece em um momento marcado por transformações significativas no comércio internacional. Santa Catarina enfrenta impactos diretos do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, sobretudo os industriais — justamente aqueles mais exportados pelo estado. A articulação com os consulados pretende abrir portas e diversificar mercados, reduzindo riscos e ampliando oportunidades.

Entre os países representados, estão Alemanha, Argentina, Áustria, Cazaquistão, Costa Rica, Finlândia, Hungria, Luxemburgo, Marrocos, Ordem de Malta, Paraguai, Portugal, Reino Unido, Romênia, Suíça e Uruguai.

Exportações catarinenses mostram reação
Uma análise da balança comercial realizada pela Facisc aponta que os exportadores catarinenses têm buscado rapidamente alternativas diante da maior taxação norte-americana. As exportações de outubro cresceram 5% em relação ao mesmo mês de 2024, indicando adaptação rápida e busca por novos destinos.

O setor madeireiro foi um dos destaques: as vendas de madeira serrada avançaram 28%, com expansão para mercados como Índia, Emirados Árabes, Marrocos e Espanha.

Carnes abrem novos mercados após restrições
Outro exemplo de diversificação vem das exportações de carnes de aves. Durante o embargo chinês decorrente do caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul, empresas catarinenses fecharam negócios com importadores da Coreia do Sul, Gabão, Moçambique e Reino Unido.
A carne suína também registrou alta, impulsionada pelo aumento das vendas para Canadá, Vietnã, Geórgia e República do Congo.

Diversificação como estratégia de crescimento
Segundo o diretor de Relações Internacionais da Facisc, Evaldo Niehues Jr., os resultados positivos estão diretamente ligados à busca ativa por novos mercados. Para ele, o encontro com representantes consulares reforça essa estratégia:
Santa Catarina mostra resiliência ao ampliar parcerias justamente quando alguns mercados se fecham. A diversificação não é apenas uma alternativa; é uma estratégia inteligente que já traz resultados importantes para nossa economia”, afirma.

Apoio do governo catarinense
O movimento empresarial conta com o apoio do governo do estado, por meio da Secretaria de Articulação Internacional e Projetos Especiais. O secretário Paulo Bornhausen destaca que ampliar parcerias internacionais reduz vulnerabilidades e fortalece o setor produtivo catarinense no cenário global.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC Total

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