Logística

Taxação da China preocupa mais a logística brasileira do que tarifas dos EUA, avalia CNT

A taxação imposta pela China sobre a carne brasileira gera maior preocupação para a logística nacional do que as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. A avaliação é do presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, que considera o mercado chinês mais relevante para o fluxo de exportações do país.

Em entrevista ao programa Conexão Infra, o dirigente explicou que a medida adotada pela China afeta diretamente um dos principais segmentos da pauta exportadora brasileira, enquanto o volume destinado ao mercado norte-americano tem participação mais limitada.

Queda nas exportações de carne já aparece nos indicadores

Os reflexos da redução das compras chinesas de carne bovina brasileira já começam a ser observados nos dados do comércio exterior. Informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam desaceleração nos embarques do produto.

Segundo Vander Costa, embora os Estados Unidos sejam destino de produtos industrializados de maior valor agregado, a quantidade exportada é relativamente pequena, o que reduz os impactos diretos das tarifas sobre a economia brasileira.

Negociação com os Estados Unidos é considerada estratégia adequada

Na avaliação do presidente da CNT, a decisão do governo brasileiro de manter o diálogo com os Estados Unidos é a alternativa mais adequada neste momento.

Ele também destacou a mobilização do setor empresarial em busca de soluções para reduzir os efeitos das novas tarifas e preservar a competitividade das exportações brasileiras.

Diversificação de mercados ganha força

Para minimizar os riscos provocados pelas barreiras comerciais, Vander Costa defende a ampliação dos mercados compradores dos produtos brasileiros. Segundo ele, a busca por novos parceiros comerciais na Ásia e na Europa, além do avanço do acordo Mercosul-União Europeia, pode abrir novas oportunidades para as exportações nacionais.

O dirigente também avalia que a política tarifária adotada pelos Estados Unidos pode ampliar a influência da China no comércio internacional ao estimular outros países a fortalecerem suas relações comerciais com o mercado asiático.

Setor produtivo já se preparava para novas tarifas

De acordo com o presidente da CNT, empresas brasileiras já vinham se preparando para um cenário de aumento das tarifas norte-americanas, o que ajudou a reduzir parte dos impactos provocados pelas medidas recentes.

Ainda assim, ele reforça que a taxação chinesa representa um desafio mais significativo para a logística, devido ao peso da China como principal destino de importantes produtos do agronegócio brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

Balança comercial de julho de 2026: MDIC divulga dados consolidados

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) publicou, na quinta-feira (6), os dados consolidados da balança comercial brasileira referentes ao mês de julho de 2026.

Os dados completos estão disponíveis na plataforma COMEXSTAT, sistema oficial do governo federal que reúne estatísticas do comércio exterior brasileiro e permite acompanhar indicadores, séries históricas e informações detalhadas sobre as operações de exportação e importação.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Exportação

Sucata de alumínio começa a faltar no Brasil após aumento das exportações para a China

O crescimento das exportações de sucata de alumínio para a China já provoca reflexos no mercado brasileiro. A redução da oferta do material, considerado essencial para a reciclagem de alumínio e para a descarbonização da indústria, tem preocupado fabricantes, que alertam para riscos à competitividade e aos investimentos no setor.

Segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), cerca de 80% da sucata exportada pelo Brasil segue para países asiáticos. A China concentra quase um quarto desse volume, impulsionando um aumento de 590% nos embarques desde 2022.

Reciclagem depende da disponibilidade de sucata

A reciclagem é apontada como uma das principais estratégias para reduzir as emissões de carbono na produção de alumínio. O reaproveitamento do material permite uma economia de até 95% no consumo de energia em comparação à fabricação a partir da bauxita.

Entretanto, a escassez de sucata de alumínio tem dificultado o avanço dessa transição. Empresas do setor afirmam que a concorrência com o mercado externo vem reduzindo a oferta do insumo no país.

A Novelis, líder em reciclagem de alumínio no Brasil, chegou a encerrar um centro de coleta em Juiz de Fora (MG) devido à dificuldade de obter matéria-prima. Já a Alumini1 informou que enfrentou interrupções no abastecimento em março deste ano, período em que fornecedores priorizaram exportações após mudanças temporárias na tributação das vendas internas.

Falta de matéria-prima ameaça competitividade

Para a indústria, o aumento das exportações de sucata pode comprometer não apenas a produção nacional, mas também a geração de valor agregado no país.

A Novelis afirma que suas chapas de alumínio já possuem cerca de 80% de conteúdo reciclado e que esse índice poderia ser ainda maior caso houvesse maior disponibilidade de sucata no mercado interno. A empresa possui capacidade para reciclar até 500 mil toneladas de alumínio por ano e mantém uma rede de centros de coleta em diferentes regiões do Brasil.

Representantes do setor defendem que o país priorize a transformação da matéria-prima em produtos industrializados antes de exportá-la, fortalecendo a economia e preservando empregos.

Brasil mantém vantagem ambiental

Especialistas destacam que o Brasil possui uma posição privilegiada na produção de alumínio de baixo carbono. A fabricação do alumínio primário utiliza predominantemente energia hidrelétrica, enquanto a reciclagem reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa.

Outro diferencial é o índice de reciclagem de latas de alumínio. Em 2024, o país reaproveitou 97,3% das embalagens consumidas, equivalente a quase 34 bilhões de unidades, desempenho considerado o melhor do mundo.

Atualmente, a reciclagem representa cerca de 57% da oferta nacional de alumínio, contribuindo para diminuir o consumo de energia e os impactos ambientais.

Disputa global por sucata deve aumentar

O avanço das tecnologias ligadas à transição energética, como veículos elétricos, painéis solares e sistemas de transmissão de energia, deve ampliar ainda mais a demanda mundial por alumínio.

Estimativas do International Aluminium Institute (IAI) indicam que o consumo global do metal poderá crescer cerca de 40% até 2030. Já a procura por alumínio destinado às energias renováveis e aos carros elétricos deve quintuplicar até 2035.

Esse cenário intensifica a disputa internacional pela sucata, considerada um insumo estratégico para ampliar a produção sustentável.

Setor defende medidas para preservar o mercado interno

Diante da crescente concorrência internacional, entidades do setor avaliam que o Brasil precisa discutir mecanismos para garantir o abastecimento da indústria nacional.

Entre as alternativas defendidas estão a criação de um imposto sobre a exportação de sucata ou a adoção de regras que priorizem o atendimento da demanda doméstica antes das vendas ao exterior, prática já utilizada por alguns países.

Para especialistas, fortalecer a economia circular e ampliar o processamento do material dentro do país pode gerar mais competitividade, agregar valor à cadeia produtiva e evitar que investimentos brasileiros beneficiem apenas mercados estrangeiros.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Novelis

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Comércio Internacional

Tarifaço dos EUA reduz fretes e amplia prejuízos para caminhoneiros autônomos

O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros já provoca reflexos diretos no transporte rodoviário de cargas. A diminuição das exportações de itens industrializados, como madeira, máquinas e autopeças, reduziu significativamente o volume de mercadorias transportadas, intensificando a concorrência por fretes e comprometendo a renda dos caminhoneiros autônomos.

Sem alternativas para manter a atividade, muitos profissionais acabam aceitando contratos com remuneração inferior ao ideal e assumindo despesas que, pela legislação, deveriam ser arcadas pelos contratantes.

Paraná concentra grande número de transportadores autônomos

O impacto é ainda mais expressivo no Paraná. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) indicam que o estado possui mais de 80 mil transportadores cadastrados, sendo cerca de 50 mil transportadores autônomos de cargas (TAC). A maioria atua em operações intermunicipais, interestaduais e internacionais, segmentos diretamente influenciados pelo desempenho do comércio exterior.

Para a advogada Miriam Ranalli, especialista em Direito do Transporte Rodoviário de Cargas, a crise apenas evidenciou problemas antigos do setor. Segundo ela, o descumprimento das normas que protegem os caminhoneiros ocorre há anos, independentemente das oscilações econômicas.

A especialista destaca ainda que, embora o piso mínimo de frete tenha sido criado após a greve dos caminhoneiros de 2018, sua aplicação ainda enfrenta dificuldades, principalmente nos casos de transportadores subcontratados, que assumem despesas como combustível, manutenção, pedágios e tributos.

Oferta maior de caminhões reduz valor dos fretes

Com menos cargas destinadas ao mercado norte-americano, a quantidade de caminhões disponíveis passou a superar a demanda, pressionando ainda mais os valores pagos pelos fretes.

Segundo Ranalli, essa situação reduz o poder de negociação do transportador autônomo, que frequentemente aceita viagens abaixo do valor mínimo para evitar que o veículo permaneça parado.

A realidade também é percebida por quem trabalha diariamente nas estradas. O caminhoneiro Daniel Rodrigo de Souza relata que a redução das operações portuárias diminuiu a oferta de serviços, principalmente para quem atua na movimentação de cargas destinadas ao Porto de Paranaguá.

Ele afirma que o setor agrícola também sofre impactos, já que parte dos insumos utilizados na produção é importada e ficou mais cara com a valorização do dólar.

Contratos informais aumentam riscos financeiros

Especialistas alertam que acordos fechados apenas verbalmente ou por aplicativos de mensagens representam um dos principais riscos para os caminhoneiros autônomos.

Antes de iniciar qualquer viagem, a recomendação é exigir documentos que formalizem a operação, incluindo valor do frete, identificação do contratante, locais de coleta e entrega, Código Identificador da Operação de Transportes (CIOT) e o Vale-Pedágio Obrigatório.

Segundo Miriam Ranalli, a organização da documentação pode evitar longas disputas judiciais e facilitar eventual cobrança de direitos.

Motoristas deixam de receber valores previstos em lei

Outro problema recorrente envolve a indenização por estadia, devida quando o caminhão permanece aguardando carga ou descarga além do tempo previsto.

Embora a legislação estabeleça um valor mínimo de R$ 2,50 por hora por tonelada, muitos profissionais recebem quantias inferiores ou sequer fazem a cobrança por receio de perder futuras oportunidades de trabalho.

A advogada lembra que a legislação permite reivindicar esses valores judicialmente em até cinco anos, desde que o motorista possua documentos que comprovem a operação e o período de espera.

Sindicato confirma redução de cargas para Paranaguá

O Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam-PR) afirma que a diminuição das cargas destinadas ao Porto de Paranaguá já é percebida diariamente pelos profissionais da categoria.

Segundo o representante da entidade, Diordan Domingues da Silva, a redução dos embarques provocou queda no valor dos fretes, aumento da ociosidade e maior disputa entre motoristas.

Entre as principais reclamações recebidas pelo sindicato estão problemas relacionados ao pagamento do Vale-Pedágio Obrigatório, atrasos na indenização por estadia e descontos considerados indevidos.

A orientação da entidade é que todos os transportadores guardem comprovantes de frete, registros de pedágio, documentos de estadia e demais provas para formalizar denúncias e garantir eventual reparação.

ANTT intensifica fiscalização do piso mínimo de frete

A ANTT informou que já realizou mais de 385 mil fiscalizações relacionadas ao cumprimento do piso mínimo de frete em todo o país, resultando em mais de 321 mil autos de infração.

Segundo a agência, o monitoramento ocorre principalmente por meio eletrônico, com cruzamento de informações dos sistemas oficiais. Por essa razão, não há consolidação dos dados por estado. Ainda assim, o órgão informou que mantém ações presenciais regulares no Porto de Paranaguá.

Motoristas que identificarem irregularidades podem registrar denúncias por meio da Ouvidoria da ANTT, desde que apresentem a documentação exigida pelo órgão.

Formalização e revisão de contratos ajudam a reduzir perdas

Além da queda na demanda, especialistas defendem que transportadores e empresas revisem contratos antigos para identificar possíveis valores não pagos, como despesas com pedágio, estadias e descontos considerados irregulares.

Segundo Miriam Ranalli, a formalização das negociações e o acompanhamento constante dos contratos são medidas essenciais para reduzir prejuízos e garantir maior segurança jurídica.

Ela ressalta que a legislação brasileira assegura instrumentos para contestar cláusulas abusivas e buscar reparação quando houver descumprimento de direitos, tornando a gestão documental uma ferramenta estratégica em momentos de retração econômica.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Elias/Arquivo/Gazeta do Povo

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Agronegócio

China muda estratégia para o agro e pode impactar o futuro do agronegócio brasileiro

A China iniciou uma nova fase de desenvolvimento para o setor agropecuário, adotando uma estratégia semelhante à que impulsionou sua expansão industrial nas últimas décadas. O foco agora está em pesquisa, tecnologia, biotecnologia e investimentos direcionados para fortalecer a produção agrícola e reduzir a dependência externa.

A avaliação é da especialista em China Larissa Wachholz, referência brasileira em relações sino-brasileiras, investimentos, infraestrutura, agronegócio e políticas públicas. Ela participou de um encontro com produtores rurais, empresários e representantes do setor de sementes que integram uma missão técnica ao país asiático. A agenda coincide com a implementação do 15º Plano Quinquenal, que transforma a agricultura e a inovação genética em prioridades estratégicas do governo chinês.

Segurança alimentar ganha papel estratégico em Pequim

Segundo Larissa, a segurança alimentar deixou de ser apenas uma política agrícola e passou a integrar diretamente a estratégia nacional de estabilidade econômica e social da China.

A preocupação se intensificou diante da necessidade de garantir o abastecimento de uma população de aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes. Para o governo chinês, eventuais falhas no fornecimento de alimentos podem provocar impactos sociais e econômicos relevantes.

Esse cenário foi reforçado por uma sequência de crises. Entre 2017 e 2018, a peste suína africana reduziu drasticamente o rebanho de suínos do país. Em seguida vieram a pandemia de Covid-19 e o aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos, evidenciando fragilidades na cadeia de suprimentos e acelerando os investimentos para ampliar a produção interna.

Envelhecimento da população pressiona produtividade

Outro fator que influencia a nova política agrícola é a mudança demográfica. O rápido envelhecimento da população chinesa, consequência da antiga política do filho único, aumenta a necessidade de ganhos de produtividade no campo.

Com menos pessoas em idade ativa nas próximas décadas, o governo aposta em automação, inovação e tecnologias capazes de elevar a eficiência da produção agrícola.

Além disso, Pequim busca diminuir sua dependência tecnológica em setores considerados estratégicos, incluindo o agronegócio.

Sementes e biotecnologia tornam-se prioridade nacional

Entre as principais mudanças está o fortalecimento da indústria de sementes. O governo atualizou a legislação, ampliou os investimentos em pesquisa, flexibilizou normas para organismos geneticamente modificados (OGMs) e direcionou recursos para empresas e centros de desenvolvimento.

Na visão da especialista, as sementes passaram a ocupar um papel semelhante ao dos chips na indústria tecnológica, tornando-se um dos ativos mais estratégicos para garantir produtividade e autonomia agrícola.

Planejamento de longo prazo acelera mudanças

O modelo chinês segue baseado em planejamento estatal de longo prazo. A cada cinco anos, o governo define metas econômicas, científicas e tecnológicas que orientam investimentos públicos, financiamento e políticas industriais.

Esse mecanismo ajuda a explicar a rapidez com que o país reorganiza setores considerados estratégicos.

A recuperação da suinocultura após a peste suína africana é apontada como exemplo. Mesmo diante do ceticismo internacional, a China reorganizou sua cadeia produtiva, investiu em digitalização, tecnologia e conseguiu acelerar a recomposição do rebanho dentro das metas estabelecidas.

China continuará importando alimentos, mas quer reduzir dependências

Apesar do fortalecimento da produção doméstica, a estratégia chinesa não significa o fim das importações de alimentos.

Segundo Larissa, o objetivo do governo é reduzir o crescimento da dependência externa, especialmente em produtos considerados estratégicos, e não interromper as compras internacionais.

A urbanização acelerada transformou os hábitos alimentares da população. Atualmente, cerca de 65% dos chineses vivem nas cidades, o que elevou significativamente o consumo de carnes, frutas e alimentos de maior valor agregado.

Esse movimento impulsionou o crescimento do agronegócio brasileiro, principalmente por meio das exportações de soja, utilizada na produção de ração animal.

Soja continua estratégica, mas demanda pode crescer em ritmo menor

Mesmo permanecendo como o maior comprador mundial de soja, a China intensifica investimentos em genética, melhoramento de sementes e aumento da produtividade para reduzir a necessidade de ampliar continuamente as importações.

Essa estratégia ajuda a explicar a projeção do Ministério da Agricultura da China, que estima importações de 95,5 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, volume inferior ao registrado no ciclo anterior em razão da redução do plantel de matrizes suínas.

Para especialistas, o desafio para o Brasil não está na manutenção das exportações atuais, mas em compreender que a expansão da demanda chinesa tende a ocorrer em ritmo mais moderado.

Mudanças também criam oportunidades para o Brasil

As transformações na política agrícola chinesa podem abrir novas oportunidades para empresas brasileiras.

A transição energética conduzida pelo país asiático deve ampliar a demanda por matérias-primas destinadas à produção de combustíveis sustentáveis para aviação e navegação, além de favorecer mercados ligados ao etanol de milho, produtos de base biológica e novas soluções tecnológicas para o campo.

Nesse cenário, especialistas avaliam que o Brasil poderá fortalecer sua parceria com a China não apenas como fornecedor de commodities, mas também por meio da cooperação em inovação, tecnologia e competitividade no setor agropecuário.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Comércio Internacional

Índia ganha prioridade nas negociações comerciais do Brasil diante das tarifas dos EUA

Em meio ao aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal intensificou a busca por novos mercados e enviou uma missão oficial à Índia para ampliar relações comerciais e atrair investimentos.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, cumpre agenda no país asiático até 7 de agosto, com encontros voltados à expansão das exportações brasileiras e ao fortalecimento da presença do Brasil em um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Missão busca ampliar comércio e investimentos

Segundo o MDIC, a viagem tem como objetivo abrir novas oportunidades para empresas brasileiras e fortalecer os laços econômicos com a Índia.

A agenda inclui compromissos nas cidades de Mumbai, Nova Délhi e Jaipur, reunindo representantes do governo, empresários e instituições estratégicas.

De acordo com Márcio Elias Rosa, a iniciativa ocorre em um cenário de crescente adoção de medidas restritivas ao comércio internacional.

O secretário destacou que o Brasil mantém a defesa do multilateralismo e busca diversificar seus parceiros comerciais. Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Índia superou US$ 15 bilhões, consolidando o país asiático como um dos principais parceiros econômicos brasileiros.

Encontros com grandes empresas indianas

Em Mumbai, a missão prevê reuniões com grupos empresariais como Reliance Industries e Aditya Birla Group, com foco na atração de investimentos para o Brasil.

Já em Nova Délhi, os encontros serão direcionados aos setores de defesa, tecnologia, automação, equipamentos industriais e bens de consumo.

Também está programado um encontro com representantes de empresas brasileiras que já atuam na Índia, entre elas Embraer, WEG, Perto, CBC e Tramontina, para discutir desafios e identificar oportunidades de expansão naquele mercado.

Além disso, a agenda inclui reuniões com entidades como a Confederation of Indian Industry (CII), a cooperativa de fertilizantes IFFCO, o State Bank of India (SBI) e o Adamo Group.

Segundo o ministério, esses encontros podem fortalecer parcerias comerciais e ampliar investimentos em áreas consideradas estratégicas para ambos os países.

Brics também integra a agenda oficial

A viagem inclui ainda compromissos relacionados ao Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos países-membros.

Márcio Elias Rosa representará o Brasil em reuniões com autoridades da Índia, China, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Egito e África do Sul.

Entre os temas previstos estão o fortalecimento das cadeias globais de valor, o desenvolvimento sustentável, a ampliação da participação de micro, pequenas e médias empresas no comércio internacional, além da cooperação em comércio digital e da defesa do sistema multilateral de comércio.

Tarifaço dos EUA acelera busca por novos mercados

A missão ocorre após o governo dos Estados Unidos ampliar as tarifas sobre determinados produtos brasileiros.

Como resposta ao novo cenário, o governo brasileiro anunciou um plano de aproximadamente R$ 130 milhões voltado à diversificação de mercados e ao fortalecimento das exportações.

Especialistas avaliam que o Brics pode representar uma alternativa para ampliar o comércio exterior brasileiro, embora os resultados dessa estratégia devam ocorrer principalmente no médio e longo prazo.

Entenda o novo tarifaço dos Estados Unidos

A nova sobretaxa foi implementada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

A medida acrescentou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, somando-se às alíquotas já existentes.

A investigação analisou temas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro, regimes tarifários preferenciais e políticas ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento.

Pix, etanol e meio ambiente estão entre os pontos questionados

O governo norte-americano sustenta que algumas políticas brasileiras criam condições desiguais de concorrência para empresas dos Estados Unidos.

Entre os aspectos mencionados estão o tratamento regulatório dado ao Pix, barreiras ao etanol americano e acordos tarifários preferenciais firmados pelo Brasil com outros países, como México e Índia.

Outro argumento apresentado pelo USTR envolve a política ambiental brasileira. Segundo o órgão, apesar da existência de legislação para combater o desmatamento, sua aplicação seria insuficiente, fator que, na avaliação americana, gera insegurança jurídica e distorções comerciais.

Café e carne ficaram fora das novas tarifas

Apesar da ampliação das sobretaxas, alguns produtos brasileiros permaneceram fora da medida, entre eles café e carne bovina.

O documento divulgado pelo USTR também prevê exceções para diversos itens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos, incluindo determinados produtos farmacêuticos, componentes aeronáuticos, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, pescados, couros e mel orgânico.

Além disso, o governo americano defende relações comerciais baseadas na reciprocidade e sinalizou a possibilidade de responder a eventuais medidas adotadas pelo Brasil em reação ao tarifaço.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Exportação

Acordo Mercosul-União Europeia abre novas oportunidades para exportações de Santa Catarina

O acordo entre Mercosul e União Europeia amplia as perspectivas para as exportações de Santa Catarina, que passa a contar com centenas de novas oportunidades de negócios no mercado europeu. Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) aponta a existência de 805 oportunidades de exportação para empresas catarinenses.

Embora o estado já tenha 761 empresas comercializando produtos com países da União Europeia, especialistas avaliam que os maiores benefícios iniciais devem ser aproveitados por companhias com maior experiência em comércio exterior, já preparadas para atender às exigências técnicas do bloco europeu.

Indústria e agronegócio lideram potencial de crescimento

Entre os setores com maior possibilidade de expansão estão os segmentos da indústria de transformação, especialmente fabricantes de motores elétricos, transformadores, compressores, móveis e produtos de madeira.

No agronegócio, as carnes de frango e suína seguem como os principais destaques da pauta exportadora catarinense.

A redução gradual das tarifas prevista no acordo tende a aumentar a competitividade desses produtos no mercado europeu, colocando as empresas brasileiras em condições semelhantes às de países que já mantinham acordos comerciais com a União Europeia.

Pequenas empresas enfrentam desafios para exportar

Apesar das novas oportunidades, especialistas alertam que o acesso ao mercado europeu pode ser mais complexo para pequenas e médias empresas.

Entre os principais obstáculos estão as rigorosas exigências relacionadas à certificação ambiental, rastreabilidade dos produtos e normas de rotulagem. Além disso, diversos segmentos exigem elevada capacidade produtiva e investimentos significativos para atender aos padrões internacionais.

Nesse cenário, uma alternativa para os pequenos negócios é atuar como fornecedores de insumos, componentes ou serviços para grandes indústrias exportadoras, integrando-se às cadeias produtivas já consolidadas.

Mercado interno também deve sentir os efeitos do acordo

Os impactos do tratado não se restringem às exportações. A abertura comercial também deve ampliar a presença de máquinas, equipamentos e tecnologias europeias no mercado brasileiro.

Com a redução das tarifas de importação, empresas catarinenses poderão encontrar fornecedores europeus mais competitivos, o que tende a reduzir custos de investimento e modernizar parte do parque industrial.

Ao mesmo tempo, fabricantes brasileiros de bens de capital deverão enfrentar uma concorrência mais intensa, exigindo ganhos de produtividade, inovação e eficiência para manter espaço no mercado.

Especialistas apontam desafios para o futuro

Economistas avaliam que o acordo também traz riscos de longo prazo para a economia brasileira caso não seja acompanhado por políticas voltadas ao fortalecimento da indústria.

Entre as principais preocupações está a possibilidade de o país ampliar sua dependência da exportação de produtos primários e de baixo valor agregado, como carnes e madeira, enquanto aumenta a importação de bens tecnológicos produzidos na Europa.

Outro ponto de atenção são as chamadas barreiras não tarifárias, que incluem critérios de sustentabilidade, requisitos ambientais e normas técnicas cada vez mais rigorosas.

Na avaliação de especialistas, ampliar investimentos em inovação, tecnologia e diversificação industrial será fundamental para que Santa Catarina aproveite plenamente as oportunidades criadas pelo acordo comercial e fortaleça sua competitividade internacional.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Agronegócio

Produção de proteínas animais deve crescer em 2026, projeta ABPA

A produção de proteínas animais no Brasil deve registrar novo avanço em 2026, impulsionada pelo crescimento dos setores de carne de frango, carne suína e ovos. As estimativas divulgadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que, além da expansão da produção, o país também deverá ampliar a oferta ao mercado interno, elevar o consumo per capita e manter o ritmo positivo das exportações.

As projeções foram apresentadas durante coletiva de imprensa realizada pela entidade em São Paulo.

Produção e consumo seguem em alta

Segundo a ABPA, a produção de carne de frango poderá crescer até 5,6% em relação ao ano anterior. Já a carne suína tem previsão de alta de até 5%, enquanto a produção de ovos deve avançar 4,1%.

No mercado externo, a expectativa também é positiva. As exportações de carne de frango podem aumentar até 10,3%, enquanto os embarques de carne suína devem crescer até 5,9%.

De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o cenário indica expansão simultânea da produção, das exportações e do abastecimento interno.

“As projeções indicam crescimento da produção e do consumo per capita das três proteínas. Também teremos maior disponibilidade interna de carne de frango e carne suína, simultaneamente ao avanço das exportações dos dois setores”, afirmou.

Carne de frango pode superar 16 milhões de toneladas

A produção de carne de frango deve variar entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026. Caso o limite superior seja alcançado, o crescimento será de até 5,6% sobre as 15,289 milhões de toneladas produzidas em 2025.

As exportações podem atingir 5,875 milhões de toneladas, um avanço de até 10,3% em comparação com o ano anterior.

No mercado doméstico, a disponibilidade da proteína deverá chegar a aproximadamente 10,275 milhões de toneladas, alta de até 3,1%. O consumo per capita também tende a crescer, passando de 46,7 quilos para até 48,1 quilos por habitante.

Para 2027, a entidade projeta continuidade da expansão. A produção poderá alcançar 16,6 milhões de toneladas, enquanto as exportações podem chegar a 6,05 milhões de toneladas. O consumo interno deve atingir cerca de 49,4 quilos por pessoa.

Carne suína mantém trajetória de expansão

A produção de carne suína deverá alcançar até 5,87 milhões de toneladas em 2026, representando aumento de até 5% frente ao volume registrado no ano passado.

As exportações podem chegar a 1,6 milhão de toneladas, crescimento estimado em até 5,9%.

No mercado interno, a oferta da proteína deverá atingir aproximadamente 4,27 milhões de toneladas, enquanto o consumo por habitante pode subir de 19,1 para 20 quilos ao ano.

Para 2027, a expectativa é de produção de até 6,05 milhões de toneladas e embarques internacionais próximos de 1,7 milhão de toneladas. O consumo per capita poderá alcançar 20,4 quilos.

Produção de ovos cresce, mas exportações recuam

A produção de ovos no Brasil deverá atingir 64,8 bilhões de unidades em 2026, avanço de até 4,1% sobre o volume produzido em 2025.

O consumo também seguirá em expansão, passando de 288 para 301 unidades por habitante ao longo do ano, alta estimada em 4,5%.

Na contramão da produção, as exportações devem apresentar retração. A previsão é de embarques de 30 mil toneladas, volume até 26,6% inferior ao registrado no ano passado.

Perspectivas para 2027 seguem positivas

As projeções iniciais da ABPA indicam que o setor continuará em crescimento em 2027. A produção de ovos poderá alcançar 66,5 bilhões de unidades, enquanto as exportações devem se recuperar e atingir 34,5 mil toneladas.

O consumo per capita também deve continuar avançando, chegando a 312 ovos por habitante, reforçando a tendência de fortalecimento do mercado brasileiro de proteínas animais.

FONTE: ABPA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Portos brasileiros ampliam movimentação de cargas estratégicas no primeiro semestre de 2026

Os portos brasileiros reforçaram sua importância para a logística nacional e o comércio exterior ao registrar crescimento na movimentação de cargas entre janeiro e junho de 2026. Terminais localizados em diferentes regiões do país apresentaram resultados positivos, impulsionados pelo transporte de grãos, contêineres, combustíveis, minérios, veículos e outros produtos destinados tanto ao mercado interno quanto às exportações.

Entre os principais destaques do semestre estão os portos de Santos (SP), Paranaguá e Antonina (PR), Itaqui (MA), Suape (PE), os portos administrados pela Codeba, na Bahia, e o Porto de Itajaí (SC).

Porto de Santos mantém liderança na América Latina

Maior complexo portuário da América Latina, o Porto de Santos movimentou 92,8 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 5,05% em comparação ao mesmo período do ano passado.

As exportações responderam por 68,71 milhões de toneladas, enquanto as importações totalizaram 24,08 milhões de toneladas.

Nas vendas ao exterior, a soja em grãos foi o principal produto embarcado, com 25,61 milhões de toneladas, seguida pela carga conteinerizada e pelos granéis líquidos, com destaque para óleo combustível, sucos cítricos e óleo diesel.

Já nas importações, a movimentação foi liderada pelas cargas em contêineres, fertilizantes e combustíveis.

Paraná registra alta impulsionada pela soja e pelos contêineres

Os portos de Paranaguá e Antonina movimentaram 34,44 milhões de toneladas no semestre, avanço de 0,6% sobre o mesmo período de 2025.

A soja permaneceu como principal destaque, alcançando 9,47 milhões de toneladas embarcadas, volume 21% superior ao registrado no ano anterior.

Outro segmento que apresentou crescimento foi o de cargas conteinerizadas, que atingiu 8,7 milhões de toneladas, alta de 8,9%.

Porto do Itaqui fortalece o Arco Norte

Fundamental para o escoamento da produção agrícola pelo Arco Norte, o Porto do Itaqui, no Maranhão, movimentou 16,58 milhões de toneladas entre janeiro e junho.

Os granéis sólidos concentraram a maior parte da operação, somando 11,97 milhões de toneladas, impulsionados principalmente pela soja.

Também tiveram participação relevante os granéis líquidos, especialmente derivados de petróleo, além da carga geral, liderada pela movimentação de celulose.

Suape cresce com petróleo, contêineres e veículos

O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, registrou movimentação de 13,7 milhões de toneladas, crescimento de 25,6% na comparação anual.

Os granéis líquidos, compostos principalmente por petróleo e derivados, responderam pela maior parte das operações, com 9,14 milhões de toneladas.

O terminal também movimentou 333.786 TEUs, unidade utilizada para medir o volume de contêineres, além de registrar aumento na movimentação de granéis sólidos e de 33.779 veículos ao longo do semestre.

Portos da Bahia apresentam crescimento acima de 22%

Os portos públicos administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) encerraram o semestre com crescimento de 22,49% na movimentação de cargas.

O Porto de Salvador liderou o desempenho, com 3,79 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo avanço das importações.

Já o Porto de Aratu-Candeias movimentou 3,70 milhões de toneladas, registrando forte expansão das exportações.

No sul do estado, o Porto de Ilhéus movimentou 89,9 mil toneladas e passou a operar uma nova carga: o óxido de magnésio, embarcado pela primeira vez com destino ao Porto de Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Porto de Itajaí registra um dos maiores crescimentos do país

O Porto de Itajaí, em Santa Catarina, movimentou 2,6 milhões de toneladas no primeiro semestre, resultado 40% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Na operação de contêineres, o terminal alcançou 238.873 TEUs, crescimento de 75% em relação ao ano anterior, reforçando sua recuperação e expansão operacional.

Portos impulsionam a logística e o comércio brasileiro

Os resultados registrados no primeiro semestre demonstram a relevância dos portos brasileiros para o escoamento da produção nacional, abastecimento da indústria e fortalecimento das exportações. A evolução da movimentação de cargas evidencia a importância da infraestrutura portuária para ampliar a competitividade do país e integrar diferentes modais de transporte.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/MPor

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Portos

Porto de Paranaguá amplia investimentos, mas acessos rodoviários seguem como desafio logístico

O ciclo de investimentos de R$ 6,8 bilhões destinado à ampliação da capacidade operacional e à modernização do Porto de Paranaguá voltou a colocar em evidência um antigo desafio da logística paranaense: a necessidade de melhorar os acessos rodoviários ao complexo portuário.

Na avaliação do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), os avanços estruturais dentro do porto precisam ser acompanhados por melhorias nas rodovias que atendem a região, garantindo maior eficiência no transporte de cargas.

Crescimento da movimentação aumenta pressão sobre a infraestrutura

Os números reforçam a preocupação do setor. No último ano, os portos paranaenses movimentaram aproximadamente 73,5 milhões de toneladas, volume recorde e 10,1% superior ao registrado em 2024.

O aumento da demanda também impactou o pátio de triagem do terminal, que recebeu 507.915 caminhões ao longo do período, alta de 29,5% em comparação ao ano anterior.

Segundo o vice-presidente do SETCEPAR, Luiz Gustavo Nery, ampliar a capacidade de embarque e recebimento de cargas não é suficiente se o fluxo de entrada e saída dos veículos continuar enfrentando longos períodos de espera.

Integração entre rodovias e ferrovia é considerada essencial

Outro ponto destacado pelo setor é a importância da integração entre os diferentes modais de transporte. A implantação do Moegão, complexo ferroviário que recebeu investimento superior a R$ 650 milhões, deverá ampliar significativamente a capacidade de movimentação de grãos e farelos, podendo alcançar até 24 milhões de toneladas por ano.

Apesar disso, Nery ressalta que a expansão ferroviária não elimina a necessidade de fortalecer a infraestrutura rodoviária. Para ele, a ferrovia atende principalmente cargas de grande volume, enquanto o transporte rodoviário permanece indispensável para operações de coleta, movimentação de contêineres, cargas fracionadas e serviços que exigem maior flexibilidade.

O executivo defende que a evolução da malha ferroviária contribua para distribuir melhor o fluxo logístico, sem servir como justificativa para adiar intervenções em rodovias estratégicas, como a BR-277.

Competitividade depende de uma logística integrada

Na avaliação do representante do SETCEPAR, a eficiência da operação deve ser analisada de forma completa, considerando todas as etapas do transporte — desde a saída da carga na origem, passando pelos custos com pedágio e combustível, até o acesso ao pátio de triagem, o sistema de agendamento e a entrada nos terminais.

Ele afirma que a competitividade do Porto de Paranaguá depende da combinação entre investimentos na infraestrutura portuária e melhorias nos acessos terrestres, além da ampliação da capacidade dos pátios, integração dos sistemas logísticos e atuação coordenada entre os órgãos responsáveis.

Porto destaca sistema de agendamento para reduzir filas

Em resposta às críticas, a administração do Porto de Paranaguá reconheceu a importância de ampliar e modernizar os acessos ao complexo, mas ressaltou que já utiliza mecanismos para minimizar congestionamentos.

Entre eles está o sistema Carga Online, plataforma responsável pelo planejamento e controle da entrada de caminhões que transportam granéis sólidos vegetais.

De acordo com a administração, o sistema define previamente a data e a janela de horário para que cada veículo acesse o pátio de triagem. A medida busca evitar deslocamentos antecipados, reduzir filas nas rodovias e melhorar a organização do fluxo logístico até os terminais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/MPor

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