Comércio Internacional

Importação de soja pela China cai e aumenta pressão sobre custos da suinocultura

A redução das importações de soja pela China deve levar as compras do país ao menor nível em mais de dois anos. O movimento restringe a disponibilidade de farelo de soja no mercado asiático e eleva os custos das fábricas de ração destinadas à produção de suínos.

Como maior comprador mundial de oleaginosas, qualquer mudança no ritmo de aquisição chinês pode provocar impactos em toda a cadeia de proteína animal e influenciar a demanda futura pelo complexo soja brasileiro.

Menor oferta de farelo eleva custo da ração

A diminuição das compras de soja pela China reduz a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de farelo, um dos principais componentes utilizados na alimentação de animais.

Com a oferta mais restrita, as indústrias de nutrição animal chinesas passam a enfrentar maior pressão sobre suas margens. Parte desse aumento de custos tende a chegar aos produtores de suínos, elevando o preço da ração e, consequentemente, o custo de produção da carne suína.

O cenário pode afetar a competitividade da suinocultura chinesa, especialmente se os custos permanecerem elevados por um período prolongado.

Carne suína importada pode ganhar espaço

O encarecimento da produção doméstica também pode alterar a dinâmica do mercado chinês de carnes. Com custos maiores para os produtores locais, a importação de proteína animal processada pode se tornar uma alternativa mais competitiva em determinados segmentos.

Essa possibilidade abre espaço para fornecedores internacionais, incluindo produtores da América do Sul, que podem encontrar novas oportunidades no mercado chinês no médio e longo prazo.

A evolução das compras chinesas de soja, portanto, não afeta apenas o mercado de grãos. O movimento também pode influenciar os fluxos internacionais de carnes e modificar a demanda por produtos de maior valor agregado.

Brasil se prepara para ampliar produção de carnes

O cenário externo ganha importância diante da expectativa de aumento da produção brasileira de proteínas animais.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta crescimento da produção nacional de carne de frango nos anos de 2026 e 2027. As estimativas também são acompanhadas pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

A expansão da avicultura brasileira aumenta a necessidade de mercados externos capazes de absorver parte da produção adicional. Para os produtores, a manutenção de uma demanda internacional aquecida é importante para evitar excesso de oferta e pressão negativa sobre os preços no mercado interno.

Produção brasileira de carnes deve superar 34 milhões de toneladas

As projeções da Conab indicam que a produção total de carnes no Brasil deverá ultrapassar 34 milhões de toneladas no biênio 2026/2027.

O avanço reforça a trajetória de crescimento da pecuária brasileira e amplia a importância das exportações para o equilíbrio entre oferta e demanda.

Nesse contexto, o comportamento do mercado chinês será um dos fatores acompanhados pelo setor. A China é um importante participante do comércio internacional de commodities agrícolas e proteínas animais, e alterações em suas compras podem provocar reflexos nos preços e nos fluxos comerciais.

China pode mudar perfil das importações de proteína

Caso a China mantenha um ritmo reduzido de aquisição de soja em grão, a menor disponibilidade do insumo poderá continuar pressionando os custos da alimentação animal no país.

Em um cenário de produção doméstica de carnes mais cara, a necessidade de complementar a oferta interna por meio de importações pode ganhar relevância.

Para o Brasil, essa dinâmica representa uma possível mudança no perfil das exportações. Em vez de concentrar parte da demanda externa na comercialização de soja, o país pode ampliar a participação de produtos de proteína animal e itens com maior valor agregado na pauta destinada ao mercado chinês.

A evolução desse cenário dependerá, entre outros fatores, do comportamento das compras chinesas de soja, dos custos de produção asiáticos e da capacidade brasileira de manter competitividade no mercado internacional de carnes.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Comércio Exterior

Balança comercial registra superávit de US$ 984,2 milhões na 3ª semana de setembro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 984,2 milhões na terceira semana de setembro de 2026. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (21) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O resultado considera exportações de US$ 7,701 bilhões e importações de US$ 6,717 bilhões no período.

Superávit comercial chega a US$ 4,284 bilhões em setembro

Com o desempenho da terceira semana, o mês de setembro acumula saldo positivo de US$ 4,284 bilhões na balança comercial. No período, as exportações somaram US$ 21,892 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 17,608 bilhões.

Na comparação com o mesmo período de setembro de 2025, as exportações brasileiras cresceram 21,5% até a terceira semana deste mês.

Exportações avançam nos principais setores

O crescimento das vendas externas foi registrado nos três grandes setores da economia. A Agropecuária teve alta de 12,5%, alcançando US$ 4,444 bilhões em exportações.

Na Indústria Extrativa, o avanço foi de 44,7%, com vendas de US$ 5,774 bilhões. Já a Indústria de Transformação registrou crescimento de 15,3%, atingindo US$ 11,436 bilhões.

Importações também apresentam crescimento

As importações brasileiras aumentaram 9,0% na comparação com o mesmo período de 2025.

Entre os setores, a Agropecuária apresentou crescimento de 18,0%, com US$ 332,7 milhões em compras externas. A Indústria Extrativa registrou alta de 34,8%, chegando a US$ 897,7 milhões.

Na Indústria de Transformação, as importações cresceram 7,6% e alcançaram US$ 16,278 bilhões.

Os números fazem parte do acompanhamento semanal da balança comercial de setembro de 2026, divulgado pelo MDIC. Acesse AQUI o release semanal.

Outros dados de Comércio Exterior podem ser consultados no COMEXSTAT.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Exportação

Governo condiciona debate sobre imposto de exportação ao aumento da produção de minerais críticos

O governo federal pretende deixar para um momento posterior a discussão sobre a criação de um imposto de exportação para minerais críticos. A medida só deverá entrar em avaliação quando o Brasil ampliar a produção desses recursos.

A declaração foi feita na quarta-feira (16) pelo secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Anderson Arruda, após a cerimônia de sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A nova legislação permite ao governo criar mecanismos e estabelecer condições para a exportação de minerais críticos e estratégicos. Parte das medidas, no entanto, ainda precisa ser regulamentada.

Imposto depende do aumento da produção mineral

Segundo Arruda, a possibilidade de instituir uma cobrança sobre as exportações será analisada apenas quando houver uma produção nacional mais significativa dos minerais abrangidos pela política.

O secretário afirmou que, atualmente, a produção brasileira desses recursos ainda é pequena. Por isso, uma eventual tributação das exportações seria considerada em uma etapa futura, conforme o desenvolvimento do setor.

Análise será feita mineral por mineral

A avaliação do governo não deverá seguir uma regra única para todas as commodities minerais. A proposta é analisar cada cadeia produtiva individualmente, levando em conta fatores como o volume produzido no Brasil, a capacidade de processamento nacional e as condições específicas de cada mercado.

Dessa forma, o governo deverá verificar, para cada mineral, se algum mecanismo de controle ou tributação das exportações é necessário e qual seria o momento adequado para sua eventual adoção.

Governo busca ampliar processamento no Brasil

A discussão está relacionada à estratégia de aumentar o processamento de minerais no país e estimular a agregação de valor à produção nacional.

No entanto, técnicos do setor reconhecem que as diferentes cadeias produtivas apresentam níveis distintos de desenvolvimento. Enquanto algumas já possuem estruturas mais consolidadas, outras ainda estão em fase inicial de produção.

Para determinados minerais críticos, a avaliação é que impor restrições ou tributos às exportações neste momento poderia ocorrer antes de o Brasil contar com uma cadeia produtiva nacional capaz de absorver esses materiais.

Regulamentação definirá critérios

Os critérios que poderão orientar a adoção de mecanismos sobre as exportações deverão ser detalhados na regulamentação da nova política de minerais críticos.

A definição das regras deverá considerar as particularidades de cada cadeia, incluindo a produção nacional, a capacidade de processamento e as condições do mercado.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Camex aprova relatório socioambiental para exportações de produtos agropecuários

O Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a Resolução CEC nº 17, que cria o Relatório de Análise Socioambiental para Operações de Exportação (RASOE). A medida estabelece um novo instrumento oficial para comprovar o atendimento a requisitos socioambientais relacionados à produção e à exportação de produtos agropecuários brasileiros.

O documento foi desenvolvido em conjunto pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com a participação de outros 12 ministérios.

RASOE busca facilitar comprovação de conformidade socioambiental

O novo relatório permitirá que produtores e exportadores apresentem informações baseadas na legislação socioambiental brasileira para demonstrar que, nas bases de dados federais consultadas, não foram encontrados impedimentos legais relacionados à produção e comercialização dos produtos.

A documentação também servirá como instrumento para indicar que as mercadorias estão aptas a ser destinadas a mercados internacionais que estabeleçam exigências específicas de sustentabilidade.

Entre os mercados que poderão se beneficiar da iniciativa está a União Europeia, que prevê a aplicação do Regulamento sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) a partir de janeiro de 2027.

Plataforma AgroBrasil + Sustentável emitirá o relatório

O RASOE será disponibilizado por meio da Plataforma AgroBrasil + Sustentável (AB + S), sistema criado para reunir e organizar informações relacionadas às práticas ambientais, sociais e de governança das propriedades rurais e de seus produtos.

A plataforma integra dados provenientes de diferentes bases oficiais, permitindo uma análise mais ampla e transparente da situação das propriedades e das mercadorias destinadas à exportação.

Dados abrangem meio ambiente, trabalho e direitos humanos

Entre as informações consideradas pela plataforma estão dados sobre proteção ambiental, ocorrência de desmatamento e regularização fundiária. O sistema também contempla aspectos relacionados às condições de trabalho e ao respeito aos direitos humanos.

A análise inclui ainda informações referentes aos direitos dos povos indígenas, ampliando o conjunto de critérios utilizados para avaliar a conformidade socioambiental das operações.

Com a criação do RASOE, o governo busca oferecer aos produtores e exportadores uma ferramenta oficial para organizar e apresentar informações de conformidade, especialmente diante do aumento das exigências socioambientais no comércio internacional.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Exportação

Exportações da Argentina para o Brasil crescem 6,9% em agosto de 2026

As exportações da Argentina para o Brasil avançaram 6,9% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Câmara Argentina de Comércio e Serviços (CAC). O resultado representa o sexto mês consecutivo de crescimento das vendas argentinas ao mercado brasileiro.

O comércio bilateral entre Argentina e Brasil movimentou US$ 2,578 bilhões em agosto. O valor ficou 3,2% abaixo dos US$ 2,663 bilhões registrados em agosto de 2025. Em relação a julho deste ano, porém, houve alta de 0,3%.

Argentina aumenta vendas ao mercado brasileiro

As exportações argentinas somaram US$ 1,099 bilhão em agosto, enquanto as compras de produtos brasileiros chegaram a US$ 1,479 bilhão.

Com isso, a Argentina registrou déficit comercial de US$ 380 milhões no intercâmbio com o Brasil durante o mês.

O crescimento das vendas argentinas foi impulsionado principalmente por produtos como polímeros de etileno em formas primárias, veículos destinados ao transporte de mercadorias e a usos especiais, leite, creme de leite e outros produtos lácteos, além de óleo combustível derivado de petróleo.

Na direção contrária, a queda de 9,6% nas importações argentinas provenientes do Brasil esteve relacionada principalmente à redução das compras de veículos rodoviários, peças e acessórios para automóveis e veículos destinados ao transporte de passageiros.

Déficit comercial argentino diminui em 2026

Considerando os oito primeiros meses de 2026, o comércio bilateral gerou um saldo negativo de US$ 1,635 bilhão para a Argentina.

Apesar de permanecer deficitário, o resultado representa uma melhora expressiva em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e agosto do ano passado, o déficit argentino havia alcançado US$ 4,103 bilhões.

Ainda assim, agosto manteve a trajetória negativa iniciada em janeiro de 2026. Segundo o levantamento da CAC, o resultado também se deteriorou em relação aos quatro meses anteriores.

Argentina ganha espaço entre fornecedores do Brasil

A Argentina ficou na quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil em agosto, considerando o valor das importações brasileiras.

A liderança ficou com China, Hong Kong e Macau, com US$ 6,609 bilhões, seguidos pelos Estados Unidos, com US$ 4,014 bilhões, e pela Alemanha, com US$ 1,411 bilhão.

Do lado das exportações brasileiras, a Argentina ocupou a terceira colocação entre os principais mercados compradores no mês.

China, Hong Kong e Macau lideraram, com US$ 8,340 bilhões em compras, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com US$ 3,190 bilhões.

Exportações brasileiras também crescem

O desempenho do comércio exterior do Brasil apresentou expansão em agosto. As exportações brasileiras para o mercado internacional passaram de US$ 29,559 bilhões em agosto de 2025 para US$ 33,158 bilhões no mesmo mês de 2026, uma alta de 12,2%.

As importações também aumentaram. O valor subiu 9,3%, de US$ 23,578 bilhões para US$ 25,763 bilhões na comparação anual.

Com exportações superiores às importações, o Brasil encerrou agosto com superávit comercial de US$ 7,395 bilhões. Foi o 18º mês consecutivo em que a balança comercial brasileira apresentou resultado positivo.

FONTE: Cámara Argentina de Comercio y Servicios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CAC

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Comércio Internacional

Pacto Verde Europeu: indústria precisa ampliar rastreabilidade para manter acesso ao mercado europeu

As novas regras ambientais da União Europeia (UE) estão mudando a forma como empresas precisam comprovar a origem, a composição e os impactos de seus produtos. Para a indústria catarinense, especialmente para os setores ligados ao comércio exterior, o Pacto Verde Europeu representa um novo desafio para manter e ampliar a presença no mercado europeu.

A tendência é que sustentabilidade deixe de ser apenas um diferencial competitivo e passe a integrar os requisitos necessários para participar de determinadas cadeias globais de fornecimento.

“Para a indústria catarinense, o Pacto Verde Europeu não deve ser visto apenas como uma exigência regulatória, mas como uma nova condição de inserção nas cadeias globais de valor. As empresas precisam estar preparadas para fornecer dados confiáveis sobre seus produtos”, afirma Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

Passaporte Digital do Produto ganha importância

Entre os mecanismos que devem transformar a relação das empresas com o mercado europeu está o Passaporte Digital do Produto (DPP), previsto pelo Regulamento de Concepção Ecológica para Produtos Sustentáveis (ESPR).

A proposta é criar uma espécie de identidade digital para os produtos, concentrando informações que possam ser verificadas ao longo da cadeia. Entre os dados estão a composição, a origem das matérias-primas, impactos ambientais, durabilidade, possibilidade de reparo, reutilização e reciclagem. Na prática, a exigência não ficará restrita aos exportadores diretos.

Empresas brasileiras que fornecem componentes, insumos ou matérias-primas para outras companhias também poderão precisar disponibilizar informações detalhadas sobre seus produtos e processos. Isso significa que a adequação às regras europeias tende a alcançar diferentes elos das cadeias produtivas.

Indústria catarinense está entre os setores impactados

A implementação das novas exigências será gradual e deverá atingir segmentos com forte participação na economia de Santa Catarina. Entre os setores que precisam acompanhar de perto as mudanças estão têxtil e vestuário, siderurgia, alumínio, móveis e tecnologia, além de outras atividades integradas às cadeias de fornecimento europeias.

O desafio, porém, não se limita à adoção de práticas ambientais. As empresas precisarão desenvolver sistemas capazes de coletar, organizar, rastrear e comprovar informações sobre produtos e processos. Isso amplia a responsabilidade também para fornecedores e parceiros envolvidos na produção.

Preparação começa antes das novas regras

Para as empresas que atuam ou pretendem atuar no mercado europeu, antecipar a adequação pode ser um diferencial. A preparação envolve desde o conhecimento da cadeia de fornecedores até a estruturação de dados ambientais e produtivos.

Entre as principais medidas estão:

  • Mapear fornecedores e matérias-primas, ampliando a rastreabilidade da cadeia;
  • Digitalizar informações sobre produtos, processos e impactos ambientais;
  • Medir e reduzir a pegada de carbono, com iniciativas de eficiência e descarbonização;
  • Adequar produtos à economia circular, considerando durabilidade, reparabilidade e reciclabilidade;
  • Comprovar as informações ambientais, evitando alegações de sustentabilidade que não tenham respaldo técnico.

Sustentabilidade passa a ser requisito de competitividade

Mais do que cumprir uma nova legislação, a adaptação às regras europeias pode representar uma mudança estrutural na forma como a indústria brasileira se relaciona com seus clientes internacionais.

Para empresas catarinenses inseridas no comércio exterior, investir em rastreabilidade, gestão de dados, transparência e sustentabilidade tende a ser cada vez mais importante para preservar mercados, atender compradores europeus e permanecer competitiva nas cadeias globais de valor.

Fonte: FIESC, com informações divulgadas em 8 de setembro de 2026.

Texto: Redação

Imagem: FIESC / Adobe Stock

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Comércio Exterior

Exportações aceleram e superávit comercial dispara 233,7% na primeira semana de setembro

Vendas externas somaram US$ 7,30 bilhões até a primeira semana de setembro, enquanto importações chegaram a US$ 5,39 bilhões; no acumulado do ano, saldo positivo já supera US$ 57 bilhões

O comércio exterior brasileiro começou setembro em ritmo forte. Até a primeira semana de setembro de 2026, as exportações alcançaram US$ 7,30 bilhões, alta de 31,7% em relação ao mesmo período de 2025. As importações também avançaram, mas em ritmo mais moderado, somando US$ 5,39 bilhões, crescimento de 8,4%.

O resultado foi um superávit de US$ 1,91 bilhão na balança comercial, uma expansão expressiva de 233,7% na comparação anual. Já a corrente de comércio — soma das exportações e importações — cresceu 20,7%, chegando a US$ 12,69 bilhões.

Os números divulgados nesta terça-feira (08)mostram uma diferença importante entre o ritmo de crescimento das vendas e das compras externas: enquanto as exportações avançaram quase quatro vezes mais que as importações no período, o saldo comercial ganhou força.

Indústria extrativa lidera avanço das exportações

Entre os setores exportadores, a Indústria Extrativa apresentou o crescimento mais expressivo na primeira semana de setembro. As vendas externas do segmento chegaram a US$ 2,26 bilhões, alta de 84,4% frente ao mesmo período de 2025.

A Indústria de Transformação também teve desempenho positivo, com exportações de US$ 3,60 bilhões, crescimento de 17,9%. Já a Agropecuária movimentou US$ 1,41 bilhão, avanço de 15,7%.

O resultado mostra que o desempenho brasileiro no comércio exterior não está concentrado em apenas uma frente. Commodities agrícolas, produtos minerais e itens industrializados contribuíram para ampliar as vendas ao mercado internacional.

Dentro da indústria extrativa, alguns produtos apresentaram altas bastante expressivas. As exportações de minérios de cobre e seus concentrados cresceram 126,5%, enquanto os minérios de metais preciosos e seus concentrados avançaram 1.397,6%.

Outro destaque foi o petróleo bruto, cujas vendas externas aumentaram 151% na comparação com a primeira semana de setembro de 2025.

Na indústria de transformação, o crescimento também foi relevante em produtos como farelo de soja e outros alimentos para animais, com alta de 109,7%, celulose, que avançou 45,9%, e ouro não monetário, com crescimento de 169,7%.

Na agropecuária, o café não torrado registrou alta de 61,7%, enquanto as exportações de soja cresceram 5,8%.

Nem todos os produtos acompanharam a alta

Apesar do resultado positivo das exportações, alguns segmentos registraram retração.

Entre os produtos agropecuários, as vendas de algodão em bruto caíram 6%, enquanto as de sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras recuaram 68,6%.

Na indústria extrativa, o minério de ferro e seus concentrados apresentou queda de 18,6%, enquanto as vendas de minérios de níquel recuaram 100% e as de minérios de alumínio diminuíram 27%.

Já na indústria de transformação, chamam atenção as quedas nas exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, de 22,5%, e de veículos automóveis de passageiros, de 56,1%.

Importações avançam, puxadas pela indústria

Do lado das compras externas, a Indústria de Transformação continua concentrando a maior parcela das importações brasileiras. O setor movimentou US$ 5,02 bilhões até a primeira semana de setembro, alta de 7,8%. A indústria extrativa somou US$ 270 milhões, crescimento de 32,4%, enquanto a agropecuária registrou US$ 90 milhões, avanço de 3,5%.

Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das importações estão os óleos combustíveis de petróleo, com alta de 108,8%, válvulas, tubos termiônicos, diodos e transistores, que avançaram 84,2%, e veículos automóveis de passageiros, com crescimento de 83,3%.

Também aumentaram as compras externas de soja, que registraram alta de 81,4%, e de milho não moído, com avanço de 23,2%.

Superávit acumulado passa de US$ 57 bilhões

O desempenho de setembro reforça uma trajetória positiva observada ao longo de 2026. No acumulado de janeiro até a primeira semana de setembro, as exportações brasileiras somaram US$ 258,15 bilhões, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações alcançaram US$ 200,93 bilhões, alta de 5%. Com isso, o Brasil acumula um superávit comercial de US$ 57,22 bilhões, crescimento de 36,7% na comparação anual. A corrente de comércio também avançou, chegando a US$ 459,08 bilhões, alta de 8,1%.

Mercado acompanha ritmo das exportações

Os dados da primeira semana de setembro reforçam um cenário de crescimento das operações de comércio exterior brasileiro, especialmente pelo ritmo das exportações.

O avanço de 31,7% nas vendas externas, combinado ao crescimento mais moderado das importações, ampliou significativamente o saldo comercial no período. No acumulado do ano, a diferença entre exportações e importações já ultrapassa US$ 57 bilhões.

Para empresas que atuam em comércio exterior, logística, transporte internacional e operações portuárias, o desempenho também sinaliza um mercado externo movimentado, com forte participação de commodities e expansão em determinados produtos de maior valor agregado.

Mais do que o tamanho do saldo, o ponto de atenção está na velocidade de crescimento das exportações, que começa setembro muito acima do ritmo observado nas importações.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – Balança Comercial.

Texto: Redação

Imagem: JBS Terminais / Foto Tanajura

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto

A balança comercial brasileira fechou agosto com saldo positivo de US$ 7,4 bilhões, resultado 23,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho foi o terceiro melhor da série para meses de agosto, ficando atrás apenas dos superávits de US$ 9,6 bilhões, em 2023, e de US$ 7,7 bilhões, em 2021.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo crescimento das exportações brasileiras, que somaram US$ 33,2 bilhões, avanço de 12,2% em 12 meses. As importações também aumentaram, mas em ritmo inferior, chegando a US$ 25,8 bilhões, alta de 9,2%.

A corrente de comércio, formada pela soma das exportações e importações, alcançou US$ 58,9 bilhões, o maior valor já registrado para um mês de agosto desde o início da série histórica.

Exportações crescem e sustentam o saldo comercial

O aumento das vendas externas foi observado nos principais setores da pauta brasileira. A indústria extrativa exportou US$ 8,3 bilhões, crescimento de 16,4% sobre agosto de 2025.

Na indústria de transformação, as exportações chegaram a US$ 17,2 bilhões, alta de 10,2%. Já a agropecuária registrou US$ 7,4 bilhões em vendas ao exterior, avanço de 11,4%.

Entre os produtos da indústria extrativa, os minérios de cobre e seus concentrados tiveram o maior crescimento, com alta de 223,1%. Também avançaram as exportações de minérios de níquel e concentrados, 120,7%, e de petróleo bruto, 18%. O minério de ferro apresentou crescimento de 20% em valor em parte dos dados setoriais.

Na indústria de transformação, o destaque ficou com os combustíveis, cujas exportações aumentaram 61,6%. As vendas de carnes de aves cresceram 40,5%, enquanto as de farelo de soja e outros alimentos destinados à alimentação animal subiram 36,6%.

Na agropecuária, as exportações de soja aumentaram 14%, as de café não torrado avançaram 24,1% e as vendas de animais vivos, com exceção de pescados e crustáceos, dispararam 174,3%.

Minério de ferro e carne bovina têm queda

Apesar do desempenho positivo da pauta exportadora, alguns produtos apresentaram retração.

As vendas externas de minério de ferro recuaram 10,8% na comparação com agosto de 2025. O resultado refletiu uma queda de 4,4% no preço médio e uma redução de 6,7% no volume embarcado.

A carne bovina brasileira também teve queda nas exportações, de 19,7% em valor. O movimento ocorreu em meio à aproximação do limite de importação definido pela China, principal mercado consumidor da proteína brasileira.

O país asiático estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para importações sem a cobrança de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que ultrapassarem esse limite.

Europa amplia compras de produtos brasileiros

O crescimento das exportações do Brasil alcançou a maioria dos principais mercados internacionais.

As vendas para a Europa aumentaram 22,1% em agosto, chegando a US$ 7,3 bilhões. Para a África, o avanço foi de 20,5%, para US$ 1,7 bilhão. Já os embarques destinados ao Oriente Médio cresceram 12,6%, totalizando US$ 1,4 bilhão.

Na América do Norte, as exportações brasileiras subiram 11,5%, para US$ 4,6 bilhões. Dentro desse resultado, as vendas aos Estados Unidos cresceram 12,1% em relação a agosto de 2025, mesmo após a entrada em vigor das novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

A Ásia, principal destino das exportações nacionais, apresentou crescimento mais discreto, de 0,7%, alcançando US$ 13,6 bilhões.

Na América do Sul, por outro lado, houve queda de 1,5%, com as vendas totalizando US$ 3,6 bilhões.

Os números mostram que o avanço das exportações em agosto foi distribuído entre diferentes mercados, com Europa, América do Norte, África e Oriente Médio registrando crescimento de dois dígitos.

Importações avançam 9,2%

As importações brasileiras somaram US$ 25,8 bilhões em agosto, alta de 9,2% ante o mesmo mês do ano passado.

Os bens de capital apresentaram o maior crescimento entre as principais categorias, com alta de 29,3%, para US$ 3,9 bilhões. As compras de bens de consumo também aumentaram, 15%, chegando ao mesmo valor de US$ 3,9 bilhões.

As importações de combustíveis cresceram 7,4%, para US$ 3 bilhões. Já os bens intermediários, que representam a principal categoria entre as compras externas, tiveram avanço de 3,1%, alcançando US$ 15 bilhões.

O aumento das aquisições de bens de capital chama atenção por incluir máquinas, equipamentos e outros itens utilizados diretamente na produção e nos investimentos das empresas.

Superávit acumulado chega a US$ 55,3 bilhões

No acumulado de janeiro a agosto, o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2% sobre os primeiros oito meses de 2025.

As exportações totalizaram US$ 250,9 bilhões, crescimento de 10,3%. As importações, por sua vez, alcançaram US$ 195,5 bilhões, avanço de 6,1%.

O saldo acumulado é o segundo maior da série histórica para o período. O recorde continua sendo de 2023, quando o superávit entre janeiro e agosto chegou a US$ 62,4 bilhões.

A diferença entre o ritmo de crescimento das exportações e das importações contribuiu diretamente para a expansão do saldo. Enquanto as vendas externas avançaram 10,3%, as compras internacionais cresceram 6,1%.

Governo prevê superávit de US$ 90 bilhões em 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revisou para cima, em julho, a projeção para a balança comercial de 2026.

A estimativa de superávit passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. A previsão para as exportações também aumentou, de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões.

Para as importações, a projeção foi elevada de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.

Uma nova atualização das estimativas está prevista para outubro. A projeção do governo supera a expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus, cuja mediana aponta para um saldo comercial de US$ 78 bilhões em 2026.

Com oito meses do ano encerrados, os US$ 55,3 bilhões acumulados correspondem a pouco mais de 61% da previsão oficial de US$ 90 bilhões. Para alcançar essa estimativa, o desempenho do comércio exterior nos quatro meses restantes dependerá principalmente da evolução das exportações, das importações e dos preços das principais commodities brasileiras.

FONTE: O Presente Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves/Portos do Paraná

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Portos

Porto de Imbituba cresce 12% na movimentação de cargas e bate recorde em 2024

O Porto de Imbituba registrou um desempenho histórico nos primeiros sete meses de 2024. Sob gestão da SCPAR, Autoridade Portuária de Imbituba, o terminal movimentou aproximadamente 5 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e julho, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2023.

O resultado representa um recorde de produtividade para o período e reforça a trajetória de expansão das operações portuárias em Santa Catarina.

Porto de Imbituba recebe mais embarcações

Entre janeiro e julho, o terminal recebeu 190 embarcações, número 13% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

Apesar do crescimento no acumulado, julho apresentou retração no movimento de embarques. O volume caiu 18% em relação a junho e ficou 22,6% abaixo do registrado em julho de 2023.

Nos desembarques, a redução foi de 29% na comparação com junho. Em relação a julho do ano anterior, a queda foi mais moderada, de 7,3%.

Açúcar ganha destaque na movimentação de julho

Entre as principais cargas movimentadas pelo Porto de Imbituba em julho estiveram coque de petróleo, açúcar, contêineres, farelo de milho e sal.

O destaque ficou com o açúcar a granel. O produto alcançou mais de 128 mil toneladas movimentadas no mês, volume 156% maior do que o registrado em junho de 2024.

No acumulado do ano, as exportações responderam por 52% das operações de carga do terminal. A tonelagem destinada ao mercado externo cresceu 13% em relação aos primeiros sete meses de 2023.

Importações avançam 19%

As importações no Porto de Imbituba representaram 38% das operações de carga entre janeiro e julho. O segmento apresentou crescimento de 19% na comparação anual.

A cabotagem, que corresponde ao transporte marítimo realizado entre portos de um mesmo país, respondeu por 9,2% da movimentação total. Apesar da participação relevante, o volume apresentou queda de 15,8% frente ao mesmo período de 2023.

Granéis sólidos representam mais de 80% das cargas

Os granéis sólidos foram responsáveis pela maior parcela da movimentação do terminal no período. O grupo inclui cargas como coque de petróleo, açúcar, sal, farelo de milho e fertilizantes.

Ao todo, foram movimentadas mais de 4 milhões de toneladas de granéis sólidos, crescimento superior a 10% em relação ao ano anterior. A categoria correspondeu a 81,5% de toda a movimentação registrada pelo porto entre janeiro e julho.

Dentro desse segmento, o coque de petróleo foi o principal produto, com mais de 1,2 milhão de toneladas movimentadas em 2024.

Operações ultrapassam US$ 1,2 bilhão

O crescimento da movimentação também se refletiu no valor das operações de comércio exterior. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as importações e exportações realizadas pelo Porto de Imbituba superaram US$ 1,2 bilhão nos primeiros sete meses de 2024.

O montante representa aumento de 14,5% em relação ao mesmo período de 2023 e reforça a importância do terminal para o fluxo de comércio exterior de Santa Catarina.

O desempenho registrado até julho combina aumento na movimentação geral de cargas, avanço das exportações e importações e forte participação dos granéis sólidos, consolidando um cenário de expansão das atividades do Porto de Imbituba.

FONTE: SCTD
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SCTD

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Logística

Maersk defende logística mais barata e eficiente no Brasil: “O Brasil precisa dar escala”

O Brasil é um dos principais mercados globais da Maersk e ocupa uma posição entre as cinco maiores operações da companhia no mundo. Mesmo diante de obstáculos recentes ao comércio exterior, como as cotas chinesas para a carne brasileira e as restrições impostas pela União Europeia, a empresa mantém uma perspectiva de crescimento para 2026.

Para Ricardo Rocha, presidente da Maersk na Costa Leste da América do Sul, região que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, um dos diferenciais da companhia está no controle de diferentes etapas da cadeia logística.

Segundo o executivo, o modelo verticalizado, que reúne transporte marítimo, terminais, armazéns e distribuição, permite à empresa responder com mais rapidez às mudanças do mercado.

Brasil é um dos maiores mercados da Maersk

A operação brasileira tem peso significativo dentro da estratégia global da empresa. O país está entre os cinco maiores mercados da Maersk no mundo.

A divisão da Costa Leste da América do Sul responde por aproximadamente 50% a 55% dos resultados da companhia na América Latina. O Brasil é o principal mercado desse grupo.

Dos cerca de 3.300 funcionários que trabalham na região, aproximadamente 3 mil estão no Brasil, reforçando a importância do país para a operação da multinacional.

Maersk investe mais de R$ 1 bilhão por ano no Brasil

A companhia afirma investir mais de R$ 1 bilhão anualmente no Brasil em manutenção e expansão de sua estrutura logística, incluindo terminais, armazéns e depósitos.

Atualmente, a Maersk opera ou possui participação em quatro terminais brasileiros. Um dos principais projetos está em Suape, onde a empresa terá um terminal integralmente próprio.

O empreendimento recebeu investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões e deve iniciar as operações em breve.

A estrutura também inclui dez centros logísticos voltados ao recebimento de contêineres vazios e ao atendimento dos clientes.

Carne, café, madeira e outros produtos movimentam a operação

A Maersk atua no transporte de uma ampla variedade de mercadorias produzidas no Brasil. Entre os principais produtos estão carne, madeira, café, algodão, calçados, roupas, alimentos, produtos químicos não perigosos e peças.

A empresa também trabalha com logística refrigerada, transportando produtos como medicamentos e carne congelada.

Cada mercadoria exige procedimentos específicos, devido às características da carga e às regulamentações existentes. A companhia afirma oferecer uma operação integrada que pode começar ainda no país de origem e terminar no destino final.

Quando ocorre algum problema durante o trajeto, a empresa pode recorrer ao transporte aéreo para evitar interrupções na cadeia de suprimentos.

Tarifas dos EUA mudaram rotas de exportação

O aumento das tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros também teve impacto na operação da Maersk.

De acordo com Ricardo Rocha, a empresa deixou de transportar aproximadamente 20% do volume que anteriormente seguia para os Estados Unidos.

A mudança, porém, provocou uma reorganização das cadeias de suprimentos. Empresas brasileiras passaram a buscar outros destinos para suas exportações, com destaque para a Ásia e, principalmente, a China.

Guerra no Oriente Médio exigiu mudanças na logística

O conflito no Oriente Médio trouxe novos desafios para o transporte de cargas brasileiras, especialmente para os produtos refrigerados e congelados.

A Maersk é a principal transportadora de cargas congeladas e refrigeradas do Brasil, enquanto o Oriente Médio representa o segundo maior mercado brasileiro para esse tipo de produto.

A diferença entre carnes congeladas e resfriadas também exige estratégias distintas. Enquanto a carne congelada pode ser armazenada, a resfriada precisa chegar ao destino e ser encaminhada rapidamente ao consumo.

Diante das dificuldades na região, a empresa precisou reorganizar o fluxo de contêineres. Rotas que passavam pelo Canal de Suez foram modificadas, combinando transporte marítimo com caminhões.

Segundo o executivo, uma operação que anteriormente atendia cinco portos passou a utilizar apenas dois. O que inicialmente era considerado uma solução temporária acabou se tornando parte permanente da logística.

Custos aumentaram com uso de caminhões

As mudanças nas rotas também elevaram os custos da operação, principalmente devido à necessidade de ampliar o transporte rodoviário.

Além disso, a falta de combustível em determinados momentos exigiu a criação de uma estrutura específica para garantir o abastecimento necessário à operação logística.

Cotas da China e restrições europeias pressionam exportações

O setor de exportação de carne brasileira também enfrenta mudanças importantes.

O Brasil é o maior produtor mundial, enquanto a China é seu principal comprador. Com a adoção de cotas chinesas, algumas empresas reduziram ou interromperam a produção destinada ao mercado asiático.

Na sequência, novas restrições da União Europeia aumentaram a pressão sobre os exportadores brasileiros.

Apesar do cenário adverso, a Maersk identifica oportunidades em outros mercados. As vendas de carne bovina para o Chile cresceram, assim como os embarques destinados aos Estados Unidos.

El Niño preocupa operação logística no Norte

As condições climáticas também fazem parte dos fatores monitorados pela companhia.

No Brasil, o El Niño pode provocar períodos de seca mais severos na Região Norte, afetando o nível dos rios e, consequentemente, o transporte de cargas.

A Maersk conta com o apoio de uma startup que acompanha diariamente os níveis dos rios utilizados na operação. A empresa já observa uma redução nos níveis durante a segunda metade do ano e considera a possibilidade de uma estiagem particularmente severa.

Mesmo assim, a avaliação é de que a estrutura atual permite adaptar a operação às mudanças provocadas pelas condições climáticas.

Modelo verticalizado dá mais controle à Maersk

Uma das principais estratégias da empresa é justamente manter sob seu controle diferentes etapas da cadeia logística.

A Maersk atua com navios, terminais, armazéns, caminhões e distribuição, reduzindo a dependência de terceiros e permitindo ajustes mais rápidos diante de imprevistos.

A companhia prevê movimentar 1,15 milhão de contêineres no Brasil neste ano.

O modelo também representa uma mudança na atuação tradicional da empresa, que deixou de trabalhar apenas no transporte entre portos e passou a oferecer uma solução de ponta a ponta, incluindo despacho, transporte rodoviário, armazenagem seca e refrigerada e distribuição.

Para a Maersk, essa integração ajuda a fortalecer o relacionamento e a retenção dos clientes.

Maersk cobra redução dos custos logísticos no Brasil

Na avaliação de Ricardo Rocha, o Brasil precisa avançar na infraestrutura para reduzir os custos e aumentar a escala da logística brasileira.

“O Brasil precisa baratear e dar escala à sua logística”, afirma o executivo.

Um dos exemplos citados é o Porto de Santos, considerado o maior da América Latina. Segundo Rocha, apenas um dos terminais do complexo possui conexão direta com a malha ferroviária.

Outro problema está no elevado nível de utilização dos portos. Durante períodos de inverno, quando há maior ocorrência de mar agitado e neblina, a ocupação de muitos terminais chega a 90% ou 95% da capacidade.

Para o executivo, esse nível é elevado demais. Pelos padrões internacionais, um terminal deveria trabalhar próximo de 80% da capacidade, mantendo os 20% restantes para manobras e situações imprevistas.

Com pouca margem operacional, qualquer interrupção pode provocar impactos em toda a cadeia logística e no comércio exterior brasileiro.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/O Globo

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