Comércio Exterior, Exportação, Internacional

Brasil bate recorde de exportações para os EUA, mas alguns setores começam a sentir o impacto das tarifas, diz Amcham

De janeiro a maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 16,7 bilhões no acumulado, segundo dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil. É um crescimento de 5% em relação ao mesmo período de 2024 e é um recorde para o período, de acordo com a entidade. Alguns produtos, mesmo com alta no percentual de taxação pelo governo Trump, estão conseguindo manter o comércio com o mercado norte-americano.

As importações dos EUA para o Brasil também avançaram, somando US$ 17,7 bilhões, um crescimento de 9,9%, o que resultou em um déficit comercial de US$ 1 bilhão para o Brasil no acumulado até maio, segundo dados brasileiros. Entre os principais crescimentos estão motores e máquinas não elétricos, óleos combustíveis, óleos brutos de petróleo e aeronaves.

No recorte mensal, as exportações brasileiras alcançaram US$ 3,6 bilhões em maio, um aumento de 11,5% na comparação anual, enquanto as importações americanas recuaram 5,2%. O crescimento nas exportações foi observado também no aumento da quantidade embarcada, que subiu 16,8%.

– Mesmo em um cenário mais desafiador, o comércio bilateral tem se mostrado resiliente, com crescimento consistente nas trocas entre os dois países. Isso reforça o papel do Brasil como parceiro estratégico para atender às demandas da indústria e dos consumidores norte-americanos — e vice-versa – afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Entre janeiro e maio, 79% das exportações brasileiras para os Estados Unidos são compostas por bens industriais, como aeronaves, combustíveis, alimentos processados, químicos e máquinas. Produtos como carne bovina (+196%), sucos de frutas (+96,2%), café (+42,1%) e aeronaves (+27%) puxaram os avanços no acumulado do ano, mantendo o Brasil como fornecedor estratégico em setores com forte demanda.

Segundo a Amcham, estes produtos estão conseguindo manter a competitividade no mercado norte-americano mesmo com a aplicação de tarifas. Os motivos apontados incluem o fato de o Brasil ser competitivo e líder global em muitos deles, como carnes, sucos e aeronaves, e pelo crescimento da demanda dos EUA seja por consumo ou questões climáticas que tem afetado sua produção, especialmente no caso de carnes e sucos.

No entanto, alguns segmentos tiveram retração nas vendas, como celulose, ferro-gusa e equipamentos de engenharia. Segundo a associação, o resultado é uma combinação entre tarifas de até 10% e a concorrência de países com acesso preferencial aos EUA — como o Canadá, por meio do USMCA que é, por exemplo, grande fornecedor de celulose .

O relatório também destaca o caso dos semiacabados de aço, que até maio apresentaram crescimento de 7,3% em valor e 28,4% em volume exportado, mesmo com tarifa de 25%. Entretanto, segundo especialistas, parte dessa exportação aos EUA está sendo feita em portos próximo ao México para trânsito aduaneiro e consumo pela indústria mexicana, o que mostra que pode estar já havendo declínio real nas vendas aos EUA.

Além disso, a tarifa para exportações de bens de aço foi elevada para 50% no dia 4 de junho, o que tende a afetar a competitividade brasileira a partir dos próximos meses, diz a entidade.

Fonte: O Globo

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Internacional

China vê avanço e relação estável com EUA, mas diz que ‘não há vencedores em guerra comercial’

As conversas comerciais com os Estados Unidos em Londres avançaram, afirmou o ministério do Comércio da China nesta quarta-feira (11), mas o país fez cobranças diretas a Washington e reiterou sua disposição de manter firmeza em disputas tarifárias. Segundo comunicado de Pequim, “não há vencedores em uma guerra comercial” e, embora o país não esteja disposto a “travá-la”, também “não teme enfrentá-la”.

A China disse ainda que está disposta a negociar com sinceridade, mas sempre com “princípios”, e apelou aos EUA que “cumpram com seriedade os compromissos assumidos” e a “implementarem ativamente os consensos alcançados”. O comunicado expressa esperança em uma relação mais “estável”, afirmando que as duas partes devem promover laços econômicos e comerciais estáveis e de longo prazo e reafirma a intenção de Pequim de reforçar a cooperação com os EUA.

O governo chinês pediu que os dois lados “ampliem consensos e mantenham a comunicação para reduzir mal-entendidos”. O texto reforça que “a essência da relação econômico-comercial entre os dois países é de benefício mútuo e ganha-ganha”, e que “cooperação leva a vantagens para ambos, enquanto o confronto traz prejuízos a ambos”.

Washington, segundo o texto, avaliou as reuniões desta semana em Londres como positivas e se comprometeu a trabalhar junto com a China na implementação do que foi acordado.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em publicação em sua rede social que o acordo está concluído e sujeito à aprovação final do próprio republicano e do presidente da China, Xi Jinping.

Fonte: Times Brasil

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Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

As ameaças comerciais de Trump impulsionam o avanço do acordo entre o Mercosul e a EFTA

Ministra das Relações Exteriores da Noruega diz ao Valor que o aumento do protecionismo global acelera negociações com o bloco sul-americano, enquanto o Brasil mira anúncio em julho.

Enquanto o governo do presidente Lula busca acelerar a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, outro tratado de livre comércio pode avançar nas próximas semanas. Trata-se das negociações entre o bloco sul-americano e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, iniciadas em janeiro de 2017.

Com governo Lula acelerando acordo com a UE, tratado entre Mercosul e EFTA pode avançar até julho

Enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para acelerar a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, outro tratado de livre comércio pode avançar nas próximas semanas: o acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, cujas negociações começaram em janeiro de 2017.

Em entrevista ao Valor em Oslo, o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, afirmou que as negociações devem ser concluídas até o verão europeu. Segundo ele, a Noruega apoia fortemente o acordo com os países sul-americanos.

“Somos entusiastas desse acordo, realmente esperamos consegui-lo. Estamos trabalhando muito para finalizá-lo neste verão, junto com nossos parceiros da EFTA”, disse Eide.

O diplomata norueguês e cientista político falou com o Valor na última sexta-feira (6), antes de apresentar a nova estratégia climática da Noruega para o período de 2025 a 2030. De acordo com ele, as ameaças comerciais do ex-presidente dos EUA Donald Trump têm impulsionado acordos bilaterais como os entre Mercosul, EFTA e União Europeia. Segundo Eide, as medidas de Trump desafiam a igualdade de condições estabelecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Sempre quisemos esse acordo, mas agora queremos ainda mais por causa da ameaça de guerras comerciais e do que Trump está fazendo com o comércio global. Isso desafia as regras estabelecidas pela OMC. Por isso, precisamos de mais acordos bilaterais ou inter-regionais”, afirmou.

No Brasil, diplomatas envolvidos nas negociações esperam que o acordo Mercosul–EFTA esteja pronto para ser anunciado na próxima cúpula do Mercosul, marcada para os dias 2 e 3 de julho, em Buenos Aires.

Mesmo que as negociações terminem no próximo mês, o processo para que o acordo entre em vigor ainda será longo: o texto precisa passar por revisão legal, aprovação parlamentar em todos os países-membros e ratificação pelos respectivos chefes de Estado. Esse é o estágio atual do acordo Mercosul–UE, cujas negociações foram encerradas em dezembro de 2024.

Suíça e Noruega são as principais economias da EFTA. O bloco tem um PIB combinado de US$ 1,4 trilhão e população de 14,3 milhões. A EFTA já assinou 29 acordos comerciais com países ao redor do mundo e iniciou as tratativas com o Mercosul em 2017. Em 2019, os dois blocos chegaram a um acordo preliminar não vinculante, mas as conversas estagnaram. As negociações foram retomadas em abril de 2024, em um processo semelhante ao que ocorreu com a UE.

Segundo fontes do Itamaraty, o acordo ganhou importância estratégica após a pandemia, além de refletir as novas restrições comerciais globais e a guerra tarifária iniciada por Trump. “É um cenário em que o Mercosul se torna um mercado mais atrativo para parcerias”, disse um diplomata brasileiro sob condição de anonimato.

Desde então, os países discutem compromissos climáticos—sobretudo exigências ambientais europeias—bem como regras sobre compras governamentais e outros temas. Segundo o Valor apurou, esses pontos já estão em grande parte resolvidos.

Dois temas seguem em negociação. O mais complexo envolve as chamadas regras de origem—um conjunto de normas que determinam se um produto pode ser considerado originário de um país-membro. “Acredito que são questões solucionáveis. E o momento político é favorável porque os benefícios são muitos”, afirmou Eide.

Fontes diplomáticas em Brasília disseram que o Mercosul apresentou uma nova proposta sobre o tema, que está sendo analisada pela EFTA e deverá receber resposta em breve.

A questão é especialmente sensível para a EFTA, dada a proximidade geográfica e os fluxos produtivos entre países vizinhos. Produtos fabricados na Suíça ou na Noruega podem passar por etapas de produção em países vizinhos, o que pode comprometer sua elegibilidade sob as regras tradicionais de origem.

Outra negociação em andamento, envolvendo Brasil e Suíça, trata de direitos de propriedade intelectual. “É uma questão de propriedade intelectual—patentes, direitos sobre padrões. Ainda está pendente, mas está sendo tratada diretamente entre Brasil e Suíça”, explicou Eide.

Os dois países discutem desde patentes farmacêuticas—uma indústria-chave na Suíça—até a proteção do queijo gruyère, originário da cidade suíça homônima, mas produzido por diversas empresas brasileiras.

De acordo com Eide, a Noruega concorda com o texto atual e está confiante de que os demais países resolverão os pontos pendentes. “Estamos de acordo com o texto. Agora esperamos pela Suíça, mas também incentivamos tanto a Suíça quanto nossos parceiros do Mercosul a avançarem”, disse.

Outro possível obstáculo é que a Suíça pode realizar um referendo interno para ratificar o acordo, como já fez em outros casos. A questão do desmatamento na Amazônia pode pesar contra o Brasil, especialmente porque alguns países da UE tentaram barrar o acordo Mercosul–UE vinculando a agricultura brasileira à degradação ambiental.

Ainda assim, fontes diplomáticas no Brasil e na Europa veem sinais de avanço. Um exemplo foi a visita da secretária de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça, Helene Budliger Artieda, ao Brasil no mês passado, quando se reuniu com o assessor especial de Lula para relações exteriores, Celso Amorim, entre outros.

O objetivo do acordo é ampliar o comércio entre os blocos. Em 2024, o comércio entre o Brasil e os países da EFTA somou US$ 7,1 bilhões. As exportações brasileiras foram de US$ 3 bilhões—principalmente ouro, produtos químicos como óxido de alumínio, café, soja, carnes e alimentos processados.

As importações chegaram a US$ 4 bilhões, compostas sobretudo por produtos farmacêuticos e químicos orgânicos, máquinas e equipamentos, petróleo e gás, além de pescados. As exportações do Brasil são voltadas principalmente para Suíça e Noruega; as importações vêm, em sua maioria, da Suíça.

O chanceler norueguês ressaltou que o acordo também beneficiará o Brasil com a importação de fertilizantes do país nórdico, reduzindo a dependência da Europa Oriental. A Noruega é um dos principais produtores mundiais do insumo.

“Acho que, para o Brasil, o benefício específico é que a Noruega é uma grande produtora de fertilizantes, e fertilizante é importante para o Brasil. E a maior parte do que vocês usam é importada. Um acordo de livre comércio com a EFTA facilitaria o acesso ao nosso produto, reduzindo a dependência da Rússia e da Bielorrússia hoje”, afirmou Eide.

Ex-ministro do Meio Ambiente da Noruega (2021–2023), Eide também comentou suas expectativas para a COP30, que será realizada em Belém, especialmente diante da saída dos EUA do Acordo de Paris.

“É muito triste que os EUA estejam saindo do Acordo de Paris”, disse. “Mas também devemos reconhecer que, com Trump lá dentro, eles tentariam bloquear todas as decisões. Estando fora, ao menos não têm poder sobre os resultados.”

O ministro ressaltou que estados norte-americanos como Califórnia e Illinois continuam comprometidos com o acordo climático, mesmo sem apoio federal. “Não devemos superestimar a importância de Trump aqui. Ele causa estragos em instituições internacionais. Mas, ao deixá-las, também perde essa capacidade”, afirmou.

Ao mesmo tempo, enfatizou que países comprometidos com o clima, como Brasil e Noruega, “precisam fazer mais” enquanto os EUA “fazem menos temporariamente”. A Noruega é o principal parceiro do Brasil no Fundo Amazônia, reativado em 2023 após o congelamento no governo Bolsonaro.

Segundo Eide, a COP30 “fechará o ciclo” iniciado com a Eco-92 no Rio, reunindo os temas de biodiversidade e clima em uma única conferência. O ministro, que já esteve no Brasil quatro vezes, destacou que Belém enfrentará grandes desafios até o evento em novembro.

“Estive em Belém há alguns anos. É uma cidade linda, mas não havia muitos hotéis modernos, por exemplo. Há um grande desafio de infraestrutura. Estou curioso para ver como isso será resolvido”, comentou. E acrescentou uma preocupação: “Preços de hotéis não são um problema para nós, noruegueses, mas são relevantes para ONGs e países menos desenvolvidos”.

Fonte: Valor International










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Comércio Exterior, Exportação, Mercado Internacional

Exportações da China para os Estados Unidos caíram quase 10% em maio

Representantes dos governos americano e chinês vão se reunir novamente nesta segunda, em Londres, para discutir um acordo comercial que coloque fim à guerra tarifária

As exportações da China subiram 4,8% em maio, na comparação anual. O avanço, porém, foi menor do que o esperado por causa da queda de quase 10% dos embarques para os Estados Unidos, segundo dados divulgados pelo órgão alfandegário do país asiático, o Gacc, nesta segunda-feira (9).

Representantes dos governos americano e chinês vão se reunir novamente nesta segunda, em Londres, para discutir um acordo comercial que coloque fim à guerra tarifária deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A China exportou US$ 28,8 bilhões para os Estados Unidos em maio, enquanto importou US$ 10,8 bilhões – uma queda de 7,4%.

O comércio entre os dois países perdeu força em maio mesmo após o acordo entre Washington e Pequim que suspendeu por 90 dias a aplicação das tarifas recíprocas mais elevadas. Fonte: Associated Press.

Fonte: InfoMoney


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Internacional, Negócios

EUA X Alexandre de Moraes: sanções podem chegar até confisco de salário do ministro, diz Infomoney

As possíveis sanções dos Estados Unidos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes poderiam resultar até mesmo em um confisco do salário do magistrado em contas bancárias. Analistas avaliam como reais as chances de o governo de Donald Trump cumprir as ameaças que vem fazendo ao judiciário brasileiro e a Moraes.

O professor da Unesp e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), Marcos Cordeiro Pires, afirma que os EUA podem aplicar medidas para impedir movimentações financeiras de Moraes e de familiares. “Em tese, o banco poderia confiscar até o salário pago a Moraes em algum destes bancos”, explica

Sendo assim, bancos brasileiros com ações negociadas na bolsa americana também teriam que aderir às restrições, por se submeterem à legislação dos EUA.

Fonte: Infomoney

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Internacional, Mercado Internacional

Encontro entre EUA e China para discutir tarifas deve acontecer em até 7 dias, diz Casa Branca

Na quinta-feira, Trump afirmou que teve “conversa telefônica muito boa” com Xi Jinping

O conselheiro econômico da Casa Branca, Peter Navarro, afirmou nesta sexta-feira, 6, que a conversa da quinta-feira, 5, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, foi produtiva e pode abrir caminho para um novo encontro bilateral. “Houve um claro entendimento entre os dois presidentes ontem e esperamos que um encontro entre EUA e China aconteça em até sete dias”, disse Navarro a repórteres, sem pontuar se o republicano participaria da reunião.

Navarro aproveitou para defender a recente elevação de tarifas sobre o aço e o alumínio importados ao país e disse que foi “uma das coisas mais importantes da semana passada”, destacando que as medidas são essenciais para a segurança nacional americana. Segundo ele, Trump está iniciando “o processo de trazer essas indústrias de volta para os Estados Unidos”, já que “esses materiais estavam vindo de Taiwan, Coreia, Japão…” “Não podemos depender de outros países.”

Navarro também reagiu a comentários feitos por Elon Musk, após o desgaste da relação entre o CEO da Tesla e Trump. Musk afirmou que os EUA poderão entrar em recessão no segundo semestre. “Musk não gosta de tarifas, ele já deixou isso claro”, comentou.

Fonte: Correio do Povo

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Economia, Internacional

Dólar cai a R$ 5,58 com conversa entre Trump e Xi, bolsa recua com bancos

Os temores de que os EUA serão os principais prejudicados da guerra comercial de Trump têm gerado a fraqueza do dólar no exterior

O dólar à vista e o Ibovespa fecharam em queda nesta quinta-feira (5), conforme os investidores reagiam à notícia de um telefonema entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, com dados da maior economia do mundo no radar.

O dólar à vista caiu 1,03%, a R$ 5,5871 na venda.

Já o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, teve queda de 0,56%, a 136.236,37 pontos, pressionado principalmente por bancos e com Hapvida na ponta negativa.

Na quarta-feira (4), o dólar à vista fechou em alta de 0,14%, a R$ 5,6450.

Tarifas e dados dos EUA

A semana tem sido marcada pela percepção de que a política comercial dos EUA está começando a prejudicar a economia norte-americana, com uma série de dados econômicos para o mês de maio apresentando resultados mais fracos do que o esperado, acirrando as preocupações de investidores.

Na véspera, um relatório da ADP sobre o setor privado mostrou que foram criados muito menos vagas de emprego do que o esperado em maio, enquanto uma pesquisa do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) revelou que o setor de serviços teve contração no mês passado.

Com isso, as atenções se voltavam novamente nesta sessão para dados dos EUA, com o governo informando mais cedo que os pedidos semanais de auxílio-desemprego subiram para 247 mil na última semana, acima dos 235 mil pedidos projetados em pesquisa da Reuters.

Já o déficit comercial dos EUA ficou em US$ 61,6 bilhões em abril – melhor do que o esperado –, quando Trump anunciou suas tarifas do “Dia da Libertação” e anunciou uma pausa de 90 dias para permitir negociações, mantendo uma taxa mínima de 10% sobre todas as importações para os EUA.

Os temores de que os EUA serão os principais prejudicados da guerra comercial de Trump têm gerado a fraqueza do dólar no exterior, com a moeda norte-americana rondando os menores patamares em vários anos e impulsionando divisas de países emergentes.

O foco dos mercados estará agora em torno da divulgação do relatório de emprego do governo, na sexta-feira.

O índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – caía 0,15%, a 98,653.

Também estava no radar a mais recente decisão de política monetário do Banco Central Europeu, que voltou a reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,0%.

Cenário nacional

No Brasil, entretanto, os ganhos potenciais do real têm sido contidos com novas preocupações sobre o cenário fiscal brasileiro, conforme governo e Congresso discutem alternativas para o decreto do Executivo que elevou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que propostas serão apresentadas para lideranças partidárias em reunião no domingo.

Pesquisas recentes que reforçam a tendência de aumento da desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda têm levantado temores de que o governo possa apostar em medidas de impulso fiscal para melhorar a imagem do governante.

“A queda na aprovação cria um pequeno temor no mercado de que isso possa ser acompanhado com medidas que aumentam os gastos”, disse Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos. “Mas hoje o dia tende a ser mais tranquilo.”

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Investimento

JBS planeja investir US$ 135 milhões para construir fábrica de linguiça nos EUA

Unidade será em Perry, Iowa; anúncio ocorre às véspera do início das negociações de ações da empresa na bolsa de Nova York

A JBS, maior empresa de proteínas animais do mundo, anunciou nesta quinta-feira que planeja investir US$ 135 milhões para construir uma fábrica de produção de linguiças (e não salsichas, como foi informado inicialmente pela empresa) em Perry, município com pouco menos de 8 mil habitantes no Estado americano de Iowa. A companhia estima que criará 250 empregos na fase de construção e que a unidade vai gerar 500 novas vagas diretas de emprego. As obras desta que será a primeira fábrica de linguiça da companhia deverão começar no fim deste ano, e o início das operações está previsto para o segundo trimestre de 2026.

Segundo a JBS, a nova planta deverá produzir quase 60 mil toneladas de linguiça por ano, a partir do processamento de cerca de 500 mil suínos. “Esse investimento ressalta nosso compromisso com a América rural e nossa confiança na força do mercado dos Estados Unidos”, afirma Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA, em nota. A empresa brasileira fatura mais de R$ 400 bilhões por ano, e a maior parte dessa receita já é gerada nos EUA com carnes (bovina, suína e de frango) e alimentos processados.

Não por coincidência, o anúncio foi feito às vésperas do início das negociações das ações da JBS na bolsa de Nova York, movimento que já tem aval da SEC, a agência reguladora do mercado de capitais dos EUA, e que deverá ocorrer no dia 12 de junho. A dupla listagem de papéis da companhia em Nova York e na B3, no Brasil, foi aprovada em assembleia de acionistas da gigante na sexta-feira da semana passada. 

Além da criação de novas vagas de trabalho, com a nova fábrica a JBS USA informou que vai estender seus programas “Hometown Strong” e “Better Futures” para Perry. “Por meio do ‘Hometown Strong’, a empresa está investindo mais de US$100 milhões em comunidades rurais nos EUA e no Canadá, apoiando projetos como novos centros comunitários, moradias populares, melhorias em escolas, instalações esportivas, creches e parques”, informou a empresa. Já o “Better Futures”, por sua vez oferece mensalidade gratuita em faculdades comunitárias para colaboradores da JBS USA e seus filhos.

Investimentos no porto de Itajaí

Poucas horas depois de comunicar sua intenção de investir em Perry, a JBS informou que sua divisão JBS Terminais já investiu R$ 130 milhões desde o início de sua concessão no porto de Itajaí, em Santa Catarina, em outubro do ano passado. Segundo a empresa, novos aportes de R$ 90 milhões estão programados, em tecnologia e infraestrutura. Entre outras melhorias, dois novos guindastes móveis serão instalados.

“Essa operação é, para nós, motivo de muita satisfação e de muita responsabilidade. Sabemos o quão importante esse porto é para o país”, afirmou o empresário Wesley Batista, um dos controladores da JBS, durante evento no porto que contou com a presença do presidente Lula.

Fonte: NP Agro

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Internacional, Mercado Internacional, Tributação

EUA pressionam países a apresentarem ofertas sobre tarifas até quarta-feira (4)

Documento obtido pela Reuters sugere uma urgência por parte do governo americano em concluir os acordos em relação ao seu próprio prazo apertado

O governo dos Estados Unidos quer que os países forneçam sua melhor oferta em negociações comerciais até quarta-feira, já que as autoridades buscam acelerar as conversas com vários parceiros antes de um prazo autoimposto em apenas cinco semanas, de acordo com uma minuta de carta aos parceiros de negociação vista pela Reuters.

O esboço, do escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, oferece uma visão de como o presidente Donald Trump planeja encerrar as difíceis negociações que começaram em 9 de abril com dezenas de países, quando ele suspendeu suas tarifas do “Dia da Libertação” por 90 dias até 8 de julho, depois que os mercados de ações, títulos e moedas se revoltaram com a natureza abrangente dos impostos.

O documento sugere uma urgência por parte do governo em concluir os acordos em relação ao seu próprio prazo apertado. Embora autoridades como o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, tenham prometido repetidamente que vários acordos estavam prestes a ser concluídos, até o momento apenas um foi firmado com um importante parceiro comercial dos EUA: o Reino Unido. E mesmo esse pacto é mais parecido com uma estrutura para as negociações em andamento do que com um acordo final.

Na carta, os EUA pedem aos países que listem suas melhores propostas em várias áreas importantes, incluindo ofertas de tarifas e cotas para a compra de produtos industriais e agrícolas dos EUA e planos para remediar quaisquer barreiras não tarifárias.
Outros itens solicitados incluem quaisquer compromissos sobre comércio digital e segurança econômica, juntamente com compromissos específicos de cada país, de acordo com a carta.

Os EUA avaliarão as respostas dentro de alguns dias e oferecerão “uma possível zona de aterrissagem” que poderá incluir uma taxa tarifária recíproca, de acordo com a carta.
Não ficou claro quais países receberiam a carta, mas ela foi direcionada àqueles com negociações ativas que incluíam reuniões e trocas de documentos. Washington está envolvido em tais negociações com a União Europeia, Japão, Vietnã e Índia, entre outros.

Um funcionário do Representante de Comércio disse que as negociações comerciais estão em andamento. “As negociações produtivas com muitos parceiros comerciais importantes continuam em um ritmo acelerado. É do interesse de todas as partes fazer um balanço do progresso e avaliar os próximos passos.”

Fonte: InfoMoney

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Importação, Internacional, Mercado Internacional

As Importações das Quais os EUA Mais Dependem de 140 Países, de Albânia a Zimbábue

As tarifas aplicadas (e retiradas) pelo presidente Trump criaram uma profunda incerteza sobre o custo dos produtos importados — e nem sempre está claro quais bens serão mais afetados em relação a cada país.

As maiores importações dos EUA de muitos países incluem petróleo e gás, eletrônicos, automóveis e produtos farmacêuticos. Mas há outra maneira de observar o que os americanos importam: tentar medir a contribuição específica de um país para as necessidades totais dos EUA.

Por exemplo, as maiores exportações da China para os EUA — em valor monetário — são eletrônicos. Mas os EUA também importam grandes quantidades de eletrônicos de outros lugares. No entanto, quase 100% dos carrinhos de bebê importados vêm da China.

A Suíça, por sua vez, é responsável por quase todos os relógios de metais preciosos importados pelos EUA. Já a Etiópia envia cerca de 2% das roupas de bebê em malha que os EUA importam — mas esse é o maior percentual entre todos os produtos que o país exporta para os EUA.

A tabela abaixo mostra o item do qual os EUA mais dependem em relação a cada um dos 140 parceiros comerciais. (Removemos da análise itens que os EUA também exportam em grandes quantidades, como petróleo.)

Do que os EUA mais dependem em relação a cada país

PaísProduto% das Importações dos EUA
CanadáSuínos vivos>99%
PeruFosfatos de cálcio>99%
África do SulMinério de cromo98%
SuíçaRelógios de metal precioso98%
ChinaCarrinhos de bebê97%
MéxicoTransporte ferroviário autopropelido94%
PortugalArtigos de cortiça natural93%
ÍndiaPedras de joalheria sintéticas reconstruídas89%
ItáliaVermute86%
IndonésiaÓleo de palma85%
MadagáscarBaunilha80%
TurquiaFios de filamento artificial para varejo79%
BrasilFerro semiacabado76%
VietnãCocos, castanhas-do-brasil e caju75%
AustráliaCarne de ovelha e cabra74%
Nova ZelândiaGorduras animais diversas73%
GabãoMinério de manganês71%
ChileCobre refinado71%
Países BaixosBulbos e raízes70%
EspanhaAzeite de oliva62%
TaiwanTapioca62%
ArgentinaÓleo de amendoim60%
ColômbiaFlores cortadas60%
BolíviaMinério de tungstênio59%
República DominicanaTabaco processado59%
Costa do MarfimPasta de cacau59%
AlemanhaMáquinas para feltro58%
FinlândiaÓxidos e hidróxidos de cobalto56%
JapãoPianos52%
IsraelFertilizantes fosfatados50%
FilipinasÓleo de coco50%
FrançaResinas de insetos50%
TailândiaAlimentos açucarados preservados47%
MalásiaVestuário de borracha46%
IrlandaSulfônamidas45%
PaquistãoAlgodão leve misto tecido43%
SingapuraVidro com acabamento de bordas39%
GuatemalaBananas38%
EquadorGrãos de cacau38%
Coreia do SulCâmaras de ar de borracha33%
JamaicaMinério de alumínio33%
BangladeshRoupas de bebê não tricotadas31%
ÁustriaArmas de fogo curtas29%
Reino UnidoAntiguidades28%
CambojaTecido têxtil revestido com goma25%
NicaráguaTabaco processado24%
GuianaMinério de alumínio24%
UcrâniaÓleos de sementes24%
BélgicaTecido de linho tecido22%
BahreinFio de alumínio trançado22%
Sri LankaFibras vegetais de coco e outras21%
MarrocosSulfato de bário20%
RomêniaLingotes de aço19%
NoruegaCarbonetos19%
SuéciaLingotes de aço inoxidável17%
Costa RicaBananas16%
HondurasMelaço16%
ParaguaiCarvão vegetal16%
DinamarcaCaseína15%
TunísiaAzeite de oliva puro15%
RússiaFertilizantes fosfatados15%
FijiÁgua15%
Hong KongPérolas13%
NepalTapetes de nós13%
PolôniaCogumelos processados12%
LíbanoFertilizantes fosfatados12%
CroáciaArmas de fogo curtas12%
BulgáriaFio de lã penteada não destinado ao varejo12%
LaosSulfato de bário12%
MoçambiqueMinério de titânio11%
GanaGrãos de cacau11%
BahamasCascalho e pedra britada10%
GréciaPeixe seco, salgado, defumado ou em conserva10%
JordâniaCasacos masculinos de malha10%
República TchecaMáquinas de laminação10%
El SalvadorMelaço10%
EgitoSementes condimentares10%
Emirados Árabes UnidosAlumínio bruto9%
UgandaBaunilha9%
NigériaChumbo bruto9%
UruguaiGordura bovina, ovina e caprina9%
LetôniaMáquinas para encadernação de livros9%
CazaquistãoLigas para siderurgia8%
CamarõesPasta de cacau8%
LituâniaGlúten de trigo8%
OmãSuprimentos metálicos para escritório8%
HungriaÓleos de sementes7%
BelizeMelaço7%
Ilhas FaroePeixe fresco sem filé6%
CatarPérolas6%
MianmarAcessórios diversos de roupa em malha5%
ZâmbiaPedras preciosas5%
EslovêniaMedicamentos embalados5%
SenegalMinério de titânio5%
ArgéliaCimento4%
HaitiCamisetas de malha4%
QuêniaMinério de titânio4%
LiechtensteinPregos de ferro4%
GeórgiaLigas para siderurgia4%
LibériaBorracha4%
SérviaCâmaras de ar de borracha4%
IslândiaFilés de peixe4%
República Democrática do CongoCobre refinado3%
BotsuanaDiamantes3%
ChadeResinas de insetos3%
ZimbábueCouro tratado após curtimento3%
LuxemburgoTecido de poliamida3%
PanamáPeixe fresco sem filé3%
AlbâniaLigas para siderurgia3%
EstôniaEquipamentos de pesca e caça2%
EtiópiaRoupas de bebê em malha2%
NamíbiaCarvão vegetal2%
VenezuelaCrustáceos processados2%
EslováquiaPneus de borracha2%
LesotoCamisas masculinas de malha2%
TanzâniaPedras preciosas2%
Papua-Nova GuinéBaunilha1%
MaurícioPeixe processado1%
Arábia SauditaPregos de ferro1%
MoldáviaVinho<1%
SurinamePeixe fresco sem filé<1%
AngolaFerro gusa<1%
ArmêniaDiamantes<1%
Trinidad e TobagoPeixe fresco sem filé<1%
MacauChapéus de malha<1%
Macedônia do NorteGuias de calçada<1%
TogoCabelos artificiais<1%
Bósnia e HerzegovinaCasacos femininos não tricotados<1%
República do CongoAntiguidades<1%
AzerbaijãoLigas para siderurgia<1%
IraqueAntiguidades<1%
LíbiaProdutos vegetais diversos<1%
ChipreAzeite de oliva<1%
KuwaitLigas para siderurgia<1%
MaltaAparelhos de ar-condicionado<1%
Ilhas Virgens BritânicasDiamantes<1%
BruneiCamisetas de malha<1%
Ilhas CaymanTelefones<1%
Guiné EquatorialChapéus de malha<1%
Sint MaartenBebidas alcoólicas destiladas<1%

Fonte: The New York Times

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