Economia, Investimento

Um terço do investimento externo no Brasil é americano

Estoque de aportes superou US$ 300 bilhões no ano passado


Embora a China seja o maior parceiro comercial do Brasil, são os Estados Unidos que lideram os investimentos externos diretos (IED) no país. Cerca de terço do estoque desses aportes feitos aqui são americanos, lembra Fabrizio Panzini, diretor de políticas públicas e relações governamentais da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), superando US$ 300 bilhões no ano passado.

Em 2022 o Brasil estava na 16a posição no ranking de investimentos americanos no mundo, segundo o Bureau of Economic Analysis, agência do Departamento de Comércio dos EUA. Esse dinheiro tem um contorno de prazo mais longo de maturação, olhando a demanda de anos adiante, principalmente em setores como energia e infraestrutura, de acordo com especialistas. Segundo a Amcham, quase 20% desse investimento, que é diversificado, tem como destino o setor financeiro e de seguros, seguido de manufaturas, principalmente químico, alimentos e bebidas, máquinas e automotivo.

Uma característica é a qualidade do IED vindo dos EUA, focado na indústria e em serviços de alta complexidade, desde a citada automobilística e de eletroeletrônicos, passando por vários segmentos de bens de consumo durável e de capitais. Não à toa na última década, segundo o Banco Central brasileiro, os EUA foram o segundo maior país destino de lucros e dividendos saídos do Brasil, com US$ 54,2 bilhões, atrás somente dos Países Baixos, com US$ 56,4 bilhões.

O perfil do investidor americano nos últimos anos, via análise da Amcham, teve uma leve alteração, sendo o setor de tecnologia, especificamente “data centers”, responsável por cerca de 25% do valor na década, seguido por fabricação de veículos, armazenagem e transporte, máquinas e equipamentos e setor elétrico. Há perspectivas positivas em áreas como minerais críticos e energias renováveis.

No último dia 13, porém, um discurso do enviado especial para América Latina do governo Trump, Mauricio Claver-Carone, gerou mal-estar. “O país tem um enorme potencial, mas precisa enfrentar seus três Cs: câmbio, corrupção e crime. Não é uma crítica vazia, é um chamado para o país destravar seu potencial”, disse o advogado – que também foi diretor dos EUA no Fundo Monetário Internacional (FMI) e presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) – em jantar em Nova York do Grupo Esfera, think tank e polo empreendedor brasileiro.

“A fala reflete desconhecimento da realidade brasileira e uma visão preconceituosa”, diz Antonio Corrêa de Lacerda, economista e professor da PUC-SP. Para ele, a política cambial brasileira está  em linha  com as melhores práticas internacionais e é competitiva para quem deseja instalar ou produzir no país. “O Brasil está entre os dez maiores mercados mundiais, por PIB, população, e tem tradição na absorção de IED. Temos nos posicionado há pelo menos duas décadas dentre os dez maiores absorvedores dessa modalidade, que é considerada a mais ‘nobre.”

O país é o segundo com maior IED em 2024, só atrás dos EUA, e atraiu investimento estrangeiro direto global de US$ 70 bilhões, segundo dados do Banco Central.

Sobre crime e corrupção, Lacerda considera que relatórios como o da Transparência Internacional, que ranqueiam os países considerados mais corruptos, se baseiam em dados de um Brasil que é democrático, transparente, com imprensa livre e que acaba noticiando mais o assunto, criando a impressão de que aqui o problema é maior do que em outros países com controle de mídia. “Mas isso não têm impedido que as maiores empresas do mundo continuem investindo aqui”, diz o economista, que acrescenta que nas últimas décadas poucas empresas americanas saíram do país. O Brasil ocupa o 36º lugar no ranking da Transparência. Em confiabilidade, está à frente de países como China, Índia e México, em 21o lugar, segundo pesquisa 2025 da Kearney.

Economistas sugerem separar a política de Donald Trump das sólidas relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que em 2024 comemoraram 200 anos. “Estive em abril em Washington nas reuniões do FMI e em eventos paralelos e havia uma grande divisão entre os investidores americanos: os que achavam que a guerra tarifária teria grandes consequências e os com uma visão um pouco mais benigna”, afirma Marcelo Toledo, economista-chefe da Bradesco Asset. “O que me surpreendeu nos investidores foi uma postura de esperar para ver, pausar, mais do que já terem decisões formadas”.

Ele aponta que pelo lado dos investidores financeiros americanos, os problemas seriam dois: o Brasil não ter grau de investimento e o baixo crescimento da economia brasileira. “Temos projeções para 2025 de 2%, enquanto a Índia, mesmo com uma lista gigantesca de problemas de toda sorte, vai crescer entre 6,5 a 7%”.

João Carmo, economista da MCM 4intelligence, avalia que haverá uma desaceleração do crescimento dos EUA em 2025 para 0,8%, após avançar 2,8% em 2024. “Já para IED, estamos projetando a manutenção dos US$ 70 milhões de 2024. Dada a elevada produtividade, uma oportunidade interessante para os investidores dos EUA no Brasil seria o agronegócio, em que já temos players norte-americanos importantes como Cargill, ADM e Bunge. Outro setor? Eu diria as fintechs financeiras”.

Ele também avalia que o momento atual dos EUA não resultará em uma saída de investimentos feitos no passado, já que a janela operada pelos investidores aqui é de um horizonte de anos. “Na questão do câmbio, estamos 40% acima da média histórica, ou seja, nossos ativos estão baratos”, diz Carmo.

Fonte: Valor Econômico

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Internacional, Mercado Internacional

Trump anuncia tarifa de 50% sobre produtos da União Europeia a partir de junho

O presidente norte-americano disse que as negociações com a União Europeia não estão avançando, e que o bloco ‘foi formado com o principal propósito de tirar vantagem dos EUA no comércio, e que tem sido muito difícil de lidar’.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (23) uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados da União Europeia (UE), com início previsto para 1º de junho.

A medida, segundo ele, é uma resposta às barreiras comerciais e práticas consideradas desleais adotadas pelo bloco europeu.

Por meio do Truth Social, o presidente norte-americano disse que as negociações com a União Europeia não estão avançando.

Trump criticou a UE, afirmando que o bloco “foi formado com o principal propósito de tirar vantagem dos EUA no comércio, e que tem sido muito difícil de lidar”.

O presidente citou como exemplos as “poderosas barreiras comerciais”, os impostos sobre valor agregado, as “penalidades corporativas ridículas”, além de manipulações monetárias e processos judiciais “injustos e injustificados” contra empresas norte-americanas.

De acordo com Trump, essas práticas “resultaram em um déficit comercial com os EUA de mais de US$ 250 bilhões por ano, um número totalmente inaceitável”.

“Nossas negociações com eles não estão indo a lugar algum! Portanto, estou recomendando uma tarifa direta de 50% sobre a União Europeia, a partir de 1º de junho de 2025. Não haverá tarifa se o produto for construído ou fabricado nos Estados Unidos”, completou Trump.

A decisão promete acirrar ainda mais as tensões comerciais entre Washington e Bruxelas, elevando a preocupação de setores da indústria e do comércio global quanto aos potenciais impactos econômicos e diplomáticos.

Até o momento, a União Europeia não se pronunciou sobre o anúncio. Segundo a Reuters, a Comissão Europeia se recusou a comentar a recomendação do presidente dos Estados Unidos.

O bloco informou que aguardará a realização de um telefonema entre o chefe de comércio da UE, Maros Sefcovic, e seu homólogo norte-americano, Jamieson Greer, agendado para as 15h (horário de Brasília), antes de se pronunciar oficialmente.

As ações das montadoras e empresas de luxo da Alemanha, que são as mais expostas a tarifas, caíram com a notícia.

Porsche, Mercedes (MBGn.DE) e BMW (BMWG.DE) registraram queda superior a 4%. A fabricante de óculos de sol EssilorLuxottica (ESLX.PA) também sofreu impacto, com desvalorização de 5,5%.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse que a ameaça do presidente dos Estados Unidos, de aumentar as tarifas sobre o comércio da União Europeia não ajudou ninguém, e que Berlim continuará a apoiar a UE para negociar com Washington.

Falando ao lado de seu homólogo indiano, em Berlim, Wadephul também disse que a Alemanha espera que a União Europeia consiga firmar um acordo de livre comércio com a Índia até o final do ano.

Nesta sexta (23), Trump também ameaçou impor uma tarifa de importação de 25% sobre os produtos da Apple, a menos que os iPhones sejam fabricados nos Estados Unidos.

No mês passado, os países da UE aprovaram o primeiro pacote de retaliação contra as tarifas do presidente dos EUA.

O bloco de 27 países enfrentam também as tarifas de importação de 25% sobre aço, alumínio e carros, além de taxas de 20% para quase todos os outros produtos, que entraram em vigor no início de abril.

As importações dos EUA incluem milho, trigo, cevada, arroz, motocicletas, aves, frutas, madeira, roupas e fio dental, de acordo com um documento visto pela Reuters. Elas totalizaram cerca de 21 bilhões de euros (US$ 23 bilhões) no ano passado.

Fonte: G1




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Comércio, Comércio Exterior, Economia

Argentina ‘afunda’ com a soja e EUA disparam no plantio; como as cotações ficaram no Brasil?

Chicago sobe levemente com apoio do milho e trigo, enquanto clima na Argentina ainda preocupa safra de soja

O mercado brasileiro de soja registrou preços predominantemente firmes nesta terça-feira (20), com cotações estáveis a mais altas em diversas praças. De acordo com o consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os negócios foram moderados, impulsionados por algumas oportunidades de preços, variações no câmbio e ganhos em Chicago. Os prêmios também contribuíram para sustentar o movimento de alta.

Cotações de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
  • Porto de Rio Grande (RS): subiu de R$ 133,00 para R$ 134,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 125,00 para R$ 126,00
  • Porto de Paranaguá (PR): subiu de R$ 132,00 para R$ 132,50
  • Rondonópolis (MT): caiu de R$ 114,50 para R$ 114,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 117,00 para R$ 117,50
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 116,00 para R$ 117,00

Soja em Chicago

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja fecharam com leves altas. O mercado foi sustentado por preocupações com o excesso de chuvas na Argentina e pelo bom desempenho de milho e trigo. No entanto, a reação foi limitada pelo avanço do plantio nos Estados Unidos e pela demanda ainda enfraquecida pela soja norte-americana, mesmo após o novo acordo comercial com a China.

A safra argentina pode registrar perdas na província de Buenos Aires, após intensas chuvas recentes, segundo análises do setor.

USDA

O USDA informou que até 18 de maio, o plantio da soja nos EUA havia atingido 66% da área prevista. No mesmo período do ano anterior, o percentual era de 50%, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 53%. Na semana anterior, o índice era de 48%.

Contratos futuros da soja

O contrato de soja em grão com entrega em julho fechou com alta de 2,25 centavos de dólar (0,21%), a US$ 10,53 por bushel. A posição novembro subiu 4,00 centavos (0,38%), cotada a US$ 10,41 por bushel.

Nos subprodutos, o farelo para julho avançou US$ 1,50 (0,51%), encerrando a US$ 292,60 por tonelada. O óleo de soja para julho fechou a 49,50 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,06 centavo (0,12%).

Câmbio

O dólar comercial terminou o dia em alta de 0,23%, negociado a R$ 5,6677 para venda e R$ 5,6657 para compra. A moeda oscilou entre R$ 5,6426 na mínima e R$ 5,6831 na máxima do dia.

Fonte: Canal Rural

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Comércio Exterior, Mercado Internacional, Negócios

Trump pede a presidente da Apple que desista de fabricar produtos na Índia

As declarações de Trump ocorrem após o Cook confirmar, na semana anterior, que as fábricas instaladas na Índia devem fornecer a maior parte dos iPhones comercializados nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que solicitou ao presidente da Apple, Tim Cook, a suspensão da construção de fábricas na Índia voltadas à produção de dispositivos destinados ao mercado americano, pressionando a fabricante do iPhone a expandir sua presença industrial dentro do país enquanto a companhia busca transferir sua produção da China.

“Tive uma pequena divergência com Tim Cook ontem”, afirmou Trump sobre a conversa que teve com o executivo da Apple no Catar, onde cumpre agenda oficial. “Ele está construindo (fábricas) em toda a Índia. Eu disse: ‘Não quero que você construa na Índia.’” Segundo o presidente, após a conversa, a Apple se comprometeu a “ampliar sua produção nos Estados Unidos”.

As declarações de Trump ocorrem após o Cook confirmar, na semana anterior, que as fábricas instaladas na Índia devem fornecer a maior parte dos iPhones comercializados nos EUA até o fim do próximo ano, o que complica os planos da empresa de acelerar o deslocamento da produção da China como forma de reduzir riscos ligados a tarifas e tensões geopolíticas.

Atualmente, a Apple fabrica a maior parte de seus iPhones em território chinês e não possui produção de smartphones nos Estados Unidos. Apesar de ter prometido, em fevereiro deste ano, ampliar sua força de trabalho no país e investir US$ 500 bilhões na economia doméstica ao longo dos próximos quatro anos, a empresa enfrenta obstáculos significativos para reproduzir em solo americano a complexa rede de fornecimento e as instalações industriais que mantém na China, que contam com mão de obra altamente especializada em manufatura tecnológica.

As falas de Trump sinalizam mais um capítulo do distanciamento em sua relação com a Apple, uma das companhias mais valiosas do país, e dá sequência às críticas do governo americano ao suposto plano da Amazon de detalhar para seus clientes o impacto das tarifas comerciais impostas por Donald Trump, classificando a iniciativa como um ato político “hostil”.

“Vale lembrar que o presidente Donald Trump chegou à Casa Branca com o apoio de big techs, inclusive contanto com a presença dos presidentes dessas empresas na posse presidencial. A relação de Trump com essas empresas é tão próxima que o empresário Elon Musk, dono do X (ex-Twitter) e da Tesla, chegou a fazer parte da atual gestão.”

Fonte: Valor Investe


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Comércio, Logística, Negócios

Governo de SC prioriza ferrovias e ViaMar durante encontro em Washington

Jorginho começou enfatizando o peso do sistema portuário catarinense

Depois de abrir a semana em Nova Iorque com o SC Day, a comitiva catarinense liderada pelo governador Jorginho Mello chegou a Washington para uma rodada de conversas técnicas com a International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial especializado em estruturar concessões e parcerias público-privadas. O governador apresentou três obras consideradas estratégicas para destravar a logística do estado: a rodovia ViaMar, o primeiro plano de ferrovias de Santa Catarina e o Transporte Marítimo.

Jorginho começou enfatizando o peso do sistema portuário catarinense. No primeiro trimestre de 2025, os terminais do estado movimentaram 718,4 mil TEUs — quase 20% de todos os contêineres que circularam pelo país no período, percentual bem superior à média brasileira, o que reforça a urgência de corredores terrestres mais eficientes ligando o interior aos portos.

Nesse contexto, Jorginho Mello detalhou a ViaMar, corredor de 145 quilômetros que correrá paralelo à BR-101, com seis faixas de rolamento (três em cada sentido), ligando Joinville ao Contorno Viário da Grande Florianópolis. Os projetos executivos dos quatro primeiros lotes — que somam 95 quilômetros entre Joinville e Itajaí — estão em elaboração desde outubro de 2024.

O orçamento preliminar da obra é estimado em R$ 9 bilhões e o Governo pretende viabilizá-la por meio de uma PPP de longo prazo, modelo cuja engenharia financeira será acompanhada pela IFC. Segundo o governador, o novo eixo rodoviário “trará alívio imediato para quem vive no Litoral Norte e aumentará a competitividade dos portos catarinenses”.

Plano das ferrovias

A segunda prioridade apresentada foi o Plano Ferroviário. Dois corredores concentram os esforços atuais: o ramal de 319 km entre Chapecó e Correia Pinto, cujo contrato de projeto se estende até final de 2025, e a chamada Ferrovia dos Portos, de 62 km entre Araquari e Navegantes, com projeto programado para 2025. A soma dos investimentos previstos em ferrovias ultrapassa R$ 12 bilhões (cerca de US$ 2,3 bilhões), dos quais US$ 2 bilhões referem-se apenas ao trecho Chapecó–Correia Pinto

Para dar segurança jurídica às concessões futuras, o Governo abriu em fevereiro uma consulta pública sobre a Lei Estadual de Ferrovias, última etapa antes do envio do texto à Assembleia Legislativa. A proposta concede ao Estado autonomia para licitar trechos ferroviários e permitir a delegação de ramais federais que estão no fim de concessão. A sociedade teve 30 dias para sugerir ajustes.

O Transporte Marítimo em regiões conurbadas como a Grande Florianópolis, Região de Itajaí e Norte também estão na pauta de prioridades. O Governo quer iniciar projetos e concessões para estimular novas opções de transporte público.

Com o apoio técnico da IFC, Santa Catarina espera concluir ainda em 2025 as modelagens econômicas da ViaMar e dos dois eixos ferroviários. A meta é iniciar a fase de contratação — via PPP ou concessão plena — já em 2026, consolidando o Estado como o principal hub logístico do Sul do Brasil.

Fonte: Guararema News

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Internacional, Negócios

Cúpula Brasil-EUA destaca o futuro das relações bilaterais

Evento em Nova York reúne autoridades e líderes empresariais para discutir comércio, investimentos e geopolítica durante o segundo mandato de Trump.

‘O Valor Econômico realiza a segunda edição do Summit Brasil-EUA nesta quarta-feira (14) em Nova York’. O evento de alto nível reúne autoridades, especialistas, líderes empresariais e CEOs dos dois países para uma agenda ampla que aborda temas-chave que moldam as relações bilaterais — comércio, investimentos, ação climática, geopolítica, tecnologia e commodities — no contexto do segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca. O evento será transmitido ao vivo a partir das 8h (horário de Nova York).

Realizado no Plaza Hotel, o summit acontece durante a semana do prêmio “Person of the Year”, amplamente reconhecida como a “Semana do Brasil” na capital financeira dos Estados Unidos. O encontro é exclusivo para convidados e será transmitido ao vivo pelas plataformas digitais do Valor. O objetivo é destacar oportunidades de investimento no Brasil, ampliar o entendimento estratégico e promover a colaboração entre as duas economias.

O atual clima geopolítico dá ao evento uma relevância ainda maior, especialmente para avaliar como as mudanças na dinâmica do comércio global podem impactar as trocas comerciais entre Brasil e EUA. Independentemente dos rumos das negociações entre Washington e Pequim para evitar uma escalada nas tensões comerciais, o resultado terá efeitos indiretos na economia brasileira.

Os Estados Unidos continuam sendo o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. O comércio bilateral alcançou US$ 20 bilhões no primeiro trimestre de 2025, segundo a última edição do Brazil-U.S. Trade Monitor, publicado trimestralmente pela Amcham Brasil. O valor representa um aumento de 6,6% em relação ao mesmo período de 2024, estabelecendo um recorde histórico para o trimestre.

Mauricio Claver-Carone, atual enviado especial do Departamento de Estado dos EUA para a América Latina, oferecerá uma perspectiva estratégica sobre a política econômica dos EUA, relações internacionais e fluxos de investimento na região.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, falará sobre as garantias jurídicas fundamentais para a construção da confiança do investidor no Brasil, em uma sessão intitulada “Fireside Chat – Segurança jurídica para investimentos no Brasil”.

A direção da política brasileira no comércio internacional será discutida em um painel com a participação de Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda; Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados; e Renan Filho, ministro dos Transportes.

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, abordará o papel do capital privado no financiamento de infraestrutura e na transição energética, prioridade da agenda global.

Um painel intitulado “Investir no Brasil” apresentará oportunidades em estados estratégicos, com participação dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas; do Rio de Janeiro, Cláudio Castro; de Santa Catarina, Jorginho Melo; de Goiás, Ronaldo Caiado; e do Espírito Santo, Renato Casagrande. Também participarão Mateus Simões, vice-governador de Minas Gerais; Ernani Polo, secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul; Rodrigo Goulart, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo; e Osmar Carneiro Guimarães de Lima, seu equivalente no Rio de Janeiro.

Fabrício Bloisi, CEO da Prosus e o “Person of the Year” de 2025, fará um pronunciamento especial sobre sua liderança no iFood, sua experiência à frente de uma empresa global de tecnologia que atende 2 bilhões de pessoas e as oportunidades de negócios que se desenham.

Em uma sessão intitulada “Panorama do novo governo após os primeiros 100 dias de Trump 2”, Christopher Garman, diretor-gerente para as Américas da consultoria geopolítica Eurasia Group, e Ricardo Zúñiga, ex-subsecretário adjunto principal do Departamento de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental, avaliarão os impactos de políticas protecionistas renovadas e da incerteza no comércio global.

Outro painel, “O Mercado Financeiro e as Perspectivas para o Brasil”, contará com Martín Escobari, copresidente e chefe de crescimento global da General Atlantic; Jorge Amato, chefe de estratégia de investimentos para a América Latina do Citi; e Alexandre Bettamio, codiretor global de banco de investimento do Bank of America.

A agenda de sustentabilidade global será discutida por Joe Ryan, diretor executivo da Crux Alliance; Luciana Costa, diretora de infraestrutura, transição energética e mudança climática no BNDES; e Christine Egan, CEO da CLASP.

Uma sessão final intitulada “Relações comerciais entre Brasil e EUA sob a perspectiva das empresas” contará com a participação do CEO da Gerdau, Gustavo Werneck; do CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni; do CEO da Amcham Brasil, Abrão Neto; do vice-presidente da AWS, Shannon Kellog; e do CEO da Cosan, Marcelo Martins.

O summit será moderado por jornalistas seniores da Editora Globo, incluindo Maria Fernanda Delmas, editora-chefe do Valor; Flávia Barbosa, editora executiva de O Globo e Extra; os colunistas Lauro Jardim e Vera Magalhães; e Maria Luíza Filgueiras, editora do Pipeline, o vertical de negócios do Valor.

A cobertura completa estará disponível no site do Valor e será atualizada em tempo real. Os principais momentos também serão destacados na rádio CBN e no canal Globonews.

A segunda edição do Summit Valor Econômico Brasil-EUA conta com o patrocínio master da JBS; patrocínio de Cedae, Gerdau, JHSF, Falconi, Cosan, Embratur, Alelo, XP, prefeitura do Rio de Janeiro e governo do Estado do Rio Grande do Sul; e parcerias com Aegea, Eletromidia, governo de Goiás e prefeitura de São Paulo. A companhia aérea oficial é a Latam. O evento é organizado pelo Valor em parceria estratégica com a Amcham.

Fonte: Valor International




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Comércio Exterior, Internacional

Brasil tem espaço limitado para ganhos na guerra comercial entre EUA e China

Dos 1.832 produtos que tanto o Brasil quanto os Estados Unidos exportam para a China, apenas 17 — ou 0,9% — apresentam sobreposição significativa e concorrência direta entre os dois países. Em um portfólio comercial dominado por commodities, oito desses 17 itens estão relacionados a alimentos.

Entre os 20 países que mais exportaram para a China em 2024, o Japão lidera em número de produtos que competem diretamente com os EUA, com 391 itens. A Alemanha vem em seguida, com 373, e a Coreia do Sul com 222. O Brasil ocupa a 15ª posição, atrás de países como França, Malásia, Tailândia, Suíça, Rússia e Canadá. Entre os países sul-americanos, apenas o Brasil e o Chile (17ª posição) aparecem na lista.

Segundo economistas, os dados indicam que, devido à atual composição da pauta exportadora brasileira, o potencial de ganho de mercado na China em meio ao acirramento das tensões entre as duas maiores economias do mundo é limitado, especialmente em comparação a outros países.

A análise do Valor começou identificando todos os produtos que os 20 maiores exportadores para a China têm em comum com os Estados Unidos. Desse universo, o estudo filtrou os produtos cujas importações chinesas superaram US$ 100 milhões em 2024, abrangendo 96,5% do total importado pela China no ano passado. Dentro desse grupo filtrado, considerou-se que havia “concorrência com os EUA” quando ambos os países detinham pelo menos 5% do mercado de importações da China para aquele item.

Para o Brasil, houve sobreposição de 1.832 produtos exportados para a China em 2024. Destes, 730 tiveram importações chinesas superiores a US$ 100 milhões, mas apenas 17 produtos contavam com participação de mercado superior a 5% tanto para o Brasil quanto para os EUA.

A classificação utilizada foi no nível de oito dígitos, o que proporciona alta especificidade. Para referência, a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC) permite buscas por códigos de dois, quatro, seis ou oito dígitos — quanto mais dígitos, mais detalhada a classificação.

O Japão teve 4.943 produtos em comum com os EUA, dos quais 1.131 superaram o limiar de US$ 100 milhões em importações. Desses, 391 produtos apresentaram participação de mercado de pelo menos 5% tanto para o Japão quanto para os EUA, indicando que 34,6% dos produtos japoneses qualificados competiam com os americanos. As taxas foram de 33% para a Alemanha, 20,6% para a Coreia do Sul e apenas 2,3% para o Brasil.

“Esses números mostram que, embora o Brasil tenha algumas oportunidades, elas são muito mais limitadas em comparação a outros fornecedores que competem diretamente com os EUA”, afirmou Livio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador do FGV Ibre. “O que os dados revelam é que se trata majoritariamente de comércio intraindústria — peças, bens intermediários e de capital circulando entre países com cadeias de produção complexas”, acrescentou.

O comércio do Brasil com os EUA também apresenta elementos de comércio intraindústria, especialmente em setores como o de aço. “Mas, com a China, estamos posicionados de maneira diferente na cadeia de valor, atuando majoritariamente como fornecedores de produtos básicos. Portanto, qualquer argumento de que o Brasil poderia ganhar mercado em um cenário de desacoplamento entre EUA e China é mais aplicável às commodities do que a produtos manufaturados ou processados. Nesses setores, a concorrência é mais acirrada e muitos players já estão muito à frente do Brasil”, explicou Ribeiro.

Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, destacou que a relação comercial entre Alemanha e China está fortemente atrelada ao setor automotivo, com empresas como BMW, Mercedes-Benz e Audi operando fábricas em território chinês. “Isso confere às exportações alemãs um valor agregado maior, diferente do Brasil, cuja competição com os EUA é mais voltada ao agronegócio”, disse.

Segundo Ribeiro, Japão e Alemanha possuem bases exportadoras muito mais diversificadas. “Isso lhes dá mais opções de atuação, facilitando a busca por nichos de mercado, embora isso não garanta sucesso.” Ele alertou, no entanto, que nos segmentos de manufatura de alto valor agregado, predominam cadeias de fornecimento longas e complexas.

“Se você olha apenas para as exportações finais, perde de vista todos os componentes envolvidos na fabricação do produto. Pegue o iPhone como exemplo: o microprocessador vem de um país, a tela de outro, o invólucro, o giroscópio e o acelerômetro de outros diferentes. Esse tipo de montagem global conecta países como Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul, China e EUA de uma forma que os números brutos do comércio não captam”, explicou Ribeiro.

Leal acrescentou que o Sudeste Asiático está fortemente integrado à economia chinesa. Malásia, Tailândia e Singapura ocupam, respectivamente, a sexta, sétima e oitava posições no índice de competição. Vietnã e Indonésia aparecem mais abaixo, na 12ª e 14ª posições. “Isso é natural, dado a proximidade geográfica e cultural, e também reflete a migração da produção da China para países com custos mais baixos”, explicou.

O Vietnã, destacou ele, chama atenção. “Foi um dos países mais afetados pelas tarifas de Trump, devido ao seu terceiro maior superávit comercial com os EUA, atrás apenas de China e México.” O Vietnã tornou-se um polo de exportação para os EUA de produtos cuja cadeia de suprimentos começa na China. Donald Trump impôs uma tarifa de 46% sobre as importações vietnamitas.

De acordo com Ribeiro, uma intensificação da guerra comercial entre EUA e China provavelmente levaria Pequim a aprofundar seus laços não apenas no Pacífico, mas também via a chamada Iniciativa Cinturão e Rota, estendendo-se à Ásia Central e gerando efeitos indiretos na Europa e na África. “Os EUA estão tentando isolar a China”, disse. “Mas em alguns mercados, especialmente no Sudeste Asiático, isso dificilmente terá sucesso. O mesmo se aplica à África e, em certa medida, à Ásia Central. É improvável que os EUA consigam substituir a presença chinesa, que já é dominante nessas regiões.”

Ribeiro lembrou ainda que, no final do ano passado, a China anunciou tarifas zero para produtos de países que reconhece como “Menos Desenvolvidos” (LDCs, na sigla em inglês) e com os quais mantém relações diplomáticas. Seguindo a definição da ONU, são países com renda nacional bruta per capita de US$ 1.088 ou menos. Dos 44 LDCs, 32 estão na África.

“A realocação dos mercados exportadores americanos para a China ocorreria majoritariamente no Pacífico, entre economias avançadas como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura”, explicou Ribeiro. “Em menor escala, pode envolver também Canadá, México, partes da Europa e da América Latina.”

Entre os 17 produtos em que Brasil e EUA concorrem diretamente na China, a soja lidera a lista. Atualmente, a soja é o principal produto exportado pelo Brasil para a China. Outros itens relevantes incluem carne bovina congelada sem osso e algodão. Segundo dados da alfândega chinesa, o Brasil respondeu por 70% das importações de soja da China em 2024, contra 23% dos EUA. Para Leal, o Brasil ainda pode ganhar um pouco mais de participação, “mas a maior parte do que poderíamos conquistar já ocorreu no primeiro mandato de Trump”.

Confira a seguir um histórico das exportações de carne bovina à China nos últimos quatro anos. Os dados são do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne Bovina à China| Jan 2022 – Mar 2025 | TEUs

Em 2016, antes da primeira administração de Trump, o Brasil já era o principal fornecedor de soja para a China, com 45,8% de participação, enquanto os EUA detinham 40,5%. As mudanças no mercado desde 2019 impulsionaram fortemente a produção brasileira. Segundo dados da SECEX/MDIC, o Brasil exportou US$ 14,4 bilhões em soja para a China em 2016. No ano passado, esse número saltou para US$ 31,5 bilhões.

Esse boom da soja também aumentou a dependência do Brasil em relação à China. Em 2016, a China representava 19,6% das exportações brasileiras. Em 2019, esse percentual chegou a 28,7%, atingiu o pico de 30,7% em 2023 e recuou levemente para 28% em 2024.

O Brasil também tem forte participação na carne bovina congelada sem osso, detendo 53% do mercado chinês. Já os EUA possuem apenas 8%. No algodão, o Brasil detém 42% enquanto os EUA têm 35%, indicando espaço para ganhos adicionais. O milho é o quarto item da lista, e o Brasil também tem ampliado sua presença nessa categoria, com 51% das importações chinesas contra 15% dos EUA.

Ribeiro observou que os ganhos brasileiros nas exportações de milho também estão ligados às políticas comerciais de Trump. “A maior parte dos ganhos agrícolas já ocorreu. A próxima oportunidade pode vir de novas culturas”, afirmou, citando o sorgo como uma possível nova aposta que ainda não integra a lista de 17 itens compartilhados.

Barral acredita que o Brasil poderia encontrar mais oportunidades em produtos onde os EUA ainda são dominantes. Um exemplo é o caulim, no qual o Brasil detém 9% do mercado chinês e os EUA 62%. Contudo, as importações de caulim pela China somaram apenas US$ 150,5 milhões em 2024, muito menos que os US$ 52,2 bilhões da soja.

Leal ressaltou que eventuais ganhos com a substituição das exportações americanas também dependem da demanda interna chinesa. “No final das contas, o que mais importa é se o consumo na China cresce. Caso contrário, corremos o risco de aumentar nossa fatia em um mercado em retração, sem avançar de fato.”

No ano passado, Leal destacou que 30% do crescimento econômico da China veio das exportações. A guerra comercial entre EUA e China deve acelerar os planos de Pequim de estimular o consumo interno. “A China não pode continuar dependendo tanto das exportações ou do mercado americano. Todo mundo está atento a isso”, acrescentou.

Fonte: Valor International

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Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Tributação

EUA e China chegam a acordo para reduzir tarifas por 90 dias

Os Estados Unidos e a China anunciaram na segunda-feira que chegaram a um acordo para reduzir as tarifas recíprocas. Em declarações após conversas com autoridades chinesas em Genebra, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que os dois lados concordaram com uma pausa de 90 dias nas medidas.

Os Estados Unidos estão reduzindo as tarifas extras impostas à China este ano, levando a alíquota de 145% para 30%. Enquanto isso, a China está reduzindo as tarifas sobre produtos americanos de 125% para 10%.

“Ambos os países representaram muito bem seus interesses nacionais”, disse Bessent. “Ambos temos interesse em um comércio equilibrado, e os Estados Unidos continuarão caminhando nessa direção.”

Bessent discursou ao lado do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, após as negociações do fim de semana, nas quais ambos os lados elogiaram o progresso na redução das diferenças.

“O consenso de ambas as delegações neste fim de semana é que nenhum dos lados quer uma desaclopamento”, acrescentou Bessent. “O que ocorreu com essas tarifas altíssimas foi o equivalente a um embargo, e nenhum dos lados quer isso. Nós queremos comércio.”

A China afirmou que também “suspenderia ou cancelaria” medidas não tarifárias adotadas contra os EUA.

As reuniões em Genebra foram as primeiras interações presenciais entre autoridades econômicas do alto escalão dos Estados Unidos e da China desde que o presidente americano, Donald Trump, retornou ao poder e lançou uma ofensiva tarifária global, impondo tarifas particularmente pesadas à China.

Desde que assumiu o cargo em janeiro, Trump aumentou as tarifas pagas por importadores americanos sobre produtos da China para 145%, além daquelas que impôs a muitos produtos chineses durante seu primeiro mandato e às tarifas cobradas pelo governo de Joe Biden.

A China reagiu impondo restrições à exportação de alguns elementos de terras raras, vitais para os fabricantes americanos de armas e bens de consumo eletrônicos, e elevando as tarifas sobre produtos americanos para 125%.

A disputa tarifária paralisou quase US$ 600 bilhões em comércio bilateral, interrompendo as cadeias de suprimentos, gerando temores de estagflação e desencadeando algumas demissões.

Os mercados financeiros estavam atentos a sinais de redução nas tensões da guerra comercial, e os futuros de ações de Wall Street subiram e o dólar se firmou em relação a pares considerados ativos seguros na segunda-feira, com as negociações aumentando as esperanças de que uma recessão global possa ser evitada.

A consultoria Capital Economics calculou que, devido às tarifas que antecederam o retorno de Trump ao poder neste ano, as tarifas totais dos EUA sobre a China cairão para cerca de 40% após o acordo, enquanto as tarifas chinesas sobre os EUA seriam de cerca de 25%, de acordo com o “Financial Times”.

Fonte: Valor Econômico

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Internacional, Mercado Internacional, Tecnologia

Existem duas Chinas, e os Estados Unidos precisam entender ambas

O sucesso tecnológico que chamou a atenção de muitos nos Estados Unidos é um dos aspectos da economia chinesa. Há outro, mais sombrio.

Duas Chinas habitam o imaginário americano: uma é uma superpotência tecnológica e industrial pronta para liderar o mundo. A outra é uma economia à beira do colapso.
Ambas refletem aspectos reais da China.

Uma China — vamos chamá-la de China esperançosa — é representada por empresas como a startup de inteligência artificial DeepSeek, a gigante dos veículos elétricos BYD e a potência tecnológica Huawei. Todas são líderes em inovação.
Jensen Huang, CEO da gigante de chips do Vale do Silício Nvidia, disse que a China “não está atrás” dos Estados Unidos no desenvolvimento da inteligência artificial. Vários especialistas já declararam que a China dominará o século XXI.

A outra China — China sombria — conta uma história diferente: consumo estagnado, desemprego crescente, uma crise habitacional crônica e um setor empresarial que se prepara para o impacto da guerra comercial.

O presidente Trump, ao tentar negociar uma solução para essa guerra comercial, precisa lidar com ambas as versões de seu principal rival geopolítico.

Nunca foi tão importante compreender a China. Não basta temer seus sucessos ou se confortar com suas dificuldades econômicas. Conhecer o maior rival dos Estados Unidos exige entender como essas duas Chinas conseguem coexistir.

“Os americanos têm ideias muito fantasiosas sobre a China”, disse Dong Jielin, ex-executivo do Vale do Silício que recentemente voltou para São Francisco depois de passar 14 anos na China ensinando e pesquisando as políticas científicas e tecnológicas do país. “Alguns esperam resolver os problemas dos EUA com métodos chineses, mas isso claramente não vai funcionar. Eles não percebem que as soluções da China vêm acompanhadas de muita dor.”

Assim como os Estados Unidos, a China é um país gigante cheio de disparidades: litoral vs. interior, norte vs. sul, urbano vs. rural, ricos vs. pobres, setor estatal vs. setor privado, geração X vs. geração Z.
O próprio Partido Comunista que governa o país está cheio de contradições. Proclama o socialismo, mas recua quando se trata de oferecer aos cidadãos uma rede de proteção social sólida.

Os próprios chineses também enfrentam essas contradições.

Apesar da guerra comercial, os empreendedores e investidores do setor de tecnologia com quem conversei nas últimas semanas estavam mais otimistas do que em qualquer outro momento dos últimos três anos.
Essa esperança começou com o avanço da DeepSeek em janeiro. Dois capitalistas de risco me disseram que planejavam sair do período de “hibernação” iniciado após a repressão de Pequim ao setor de tecnologia em 2021. Ambos afirmaram que estavam buscando investir em aplicações chinesas de inteligência artificial e robótica.

Mas eles estão bem menos otimistas em relação à economia — a China sombria.

Dos 10 executivos, investidores e economistas que entrevistei, todos disseram acreditar que os avanços da China em tecnologia não seriam suficientes para tirar o país da sua estagnação econômica. A manufatura avançada representa apenas cerca de 6% da produção chinesa, bem menos que o setor imobiliário, que mesmo após uma forte desaceleração ainda responde por cerca de 17% do produto interno bruto (PIB).

Quando perguntei se a China poderia vencer os Estados Unidos na guerra comercial, ninguém respondeu que sim. Mas todos concordaram que o limiar de dor da China é muito mais alto.

Não é difícil entender a ansiedade dos americanos frustrados com as dificuldades de seu país em construir e fabricar. A China já construiu mais linhas de trem de alta velocidade do que o resto do mundo junto, implantou mais robôs industriais por 10.000 trabalhadores da indústria do que qualquer país — com exceção da Coreia do Sul e de Singapura — e hoje lidera globalmente em veículos elétricos, painéis solares, drones e várias outras indústrias avançadas.

Muitas das empresas chinesas mais bem-sucedidas ganharam resiliência com a desaceleração econômica e estão mais preparadas para os dias difíceis que virão.
“Elas estão fazendo DOGE-ing há muito tempo”, disse Eric Wong, fundador do fundo hedge Stillpoint, de Nova York, que visita a China a cada trimestre, referindo-se ao esforço de corte de custos do governo Trump conhecido como Departamento de Eficiência Governamental (Department of Government Efficiency).
“Em comparação, os EUA estão vivendo em excesso há muito tempo.”

Mas, enquanto admiramos os chamados milagres da China, é necessário perguntar: a que custo? Não apenas financeiro, mas humano.

O modelo de inovação de cima para baixo da China, fortemente dependente de subsídios e investimentos do governo, mostrou-se ineficiente e desperdiçador. Assim como o excesso de construção no setor imobiliário, que desencadeou uma crise e apagou boa parte da riqueza das famílias chinesas, a capacidade industrial excessiva aprofundou os desequilíbrios na economia e levantou dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo — especialmente se as condições mais amplas se deteriorarem.

A indústria de veículos elétricos exemplifica bem a força das duas Chinas. Em 2018, o país contava com quase 500 fabricantes de veículos elétricos. Em 2024, restavam cerca de 70. Entre as vítimas está a Singulato Motors, uma startup que arrecadou US$ 2,3 bilhões de investidores — incluindo governos locais de três províncias. Ao longo de oito anos, a empresa não conseguiu entregar um único carro e pediu falência em 2023.

O governo chinês tolera investimentos ineficientes em iniciativas escolhidas por ele, o que ajuda a alimentar o excesso de capacidade. No entanto, mostra-se relutante em fazer os tipos de investimentos substanciais em aposentadorias rurais e seguro de saúde que poderiam impulsionar o consumo.

“A inovação tecnológica sozinha não pode resolver os desequilíbrios estruturais da economia chinesa nem as pressões deflacionárias cíclicas”, escreveu Robin Xing, economista-chefe para a China no Morgan Stanley, em uma nota de pesquisa. “Na verdade”, continuou ele, “os avanços tecnológicos recentes podem reforçar a confiança dos formuladores de políticas no caminho atual, aumentando o risco de má alocação de recursos e capital.”

A obsessão da liderança chinesa com a autossuficiência tecnológica e a capacidade industrial não está ajudando a enfrentar seus maiores desafios: desemprego, consumo fraco e dependência das exportações — sem falar na crise imobiliária.

Oficialmente, a taxa de desemprego urbano na China está em 5%, excluindo os trabalhadores migrantes desempregados. Entre os jovens, o desemprego chega a 17%. Acredita-se que os números reais sejam muito mais altos. Só neste verão, mais de 12 milhões de formandos sairão das universidades chinesas em busca de trabalho.

Trump não estava errado ao dizer que fábricas estão fechando e pessoas estão perdendo seus empregos na China.

Em 2020, Li Keqiang, então primeiro-ministro, afirmou que o setor de comércio exterior, direta ou indiretamente, era responsável pelo emprego de 180 milhões de chineses. “Uma desaceleração no comércio exterior quase certamente afetará duramente o mercado de trabalho”, disse ele no início da pandemia. Tarifas podem ser ainda mais devastadoras.

Pequim minimiza os efeitos da guerra comercial, mas enquanto negociadores se reuniam com seus homólogos americanos no último fim de semana, o impacto era evidente. Em abril, as fábricas chinesas registraram a maior desaceleração mensal em mais de um ano, enquanto as exportações para os Estados Unidos caíram 21% em relação ao ano anterior.

Todo esse impacto econômico recairá sobre pessoas como um homem com quem conversei, de sobrenome Chen, ex-bibliotecário universitário em uma megacidade no sul da China. Ele pediu que eu não usasse seu nome completo nem dissesse onde mora, para proteger sua identidade das autoridades.

O Sr. Chen vive na China sombria. Parou de usar os famosos trens de alta velocidade porque custam cinco vezes mais do que o ônibus. Voar, muitas vezes, também sai mais barato.

Ele perdeu o emprego no ano passado porque a universidade — uma das melhores do país — estava enfrentando um déficit orçamentário. Muitas instituições estatais tiveram que demitir funcionários porque muitos governos locais, mesmo nas cidades mais ricas, estão profundamente endividados.

Como está na casa dos 30 anos, o Sr. Chen é considerado velho demais para a maioria das vagas. Ele e a esposa desistiram de comprar uma casa. Agora, com a guerra comercial, ele espera que a economia piore ainda mais e que suas perspectivas de trabalho sejam ainda mais sombrias.

“Passei a ser ainda mais cauteloso com os gastos”, disse ele. “Penso em cada centavo.”

Fonte: The New York Times




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Economia, Finanças

URGENTE: Inflação nos EUA cai para 2,3% em abril e mostra mais uma vitória de Trump

A inflação nos Estados Unidos registrou uma queda significativa em abril, atingindo 2,3%, abaixo das expectativas do mercado, que projetavam 2,4%. Essa é a terceira redução mensal consecutiva no índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), conforme dados divulgados nesta terça-feira (13). A notícia traz alívio para consumidores e investidores, especialmente em um momento de incertezas econômicas agravadas pelas tensões comerciais impulsionadas pelas políticas do presidente Donald Trump.

De acordo com o relatório, a inflação núcleo (core CPI), que exclui itens voláteis como alimentos e energia, permaneceu estável em 2,8%, alinhada com as previsões dos analistas. A desaceleração da inflação geral ocorre apesar do impacto de tarifas comerciais impostas pela administração Trump, que têm gerado volatilidade nos mercados financeiros globais. As tarifas, parte da estratégia de “guerra comercial” do presidente, têm elevado os custos de importação, mas, até o momento, não impediram a trajetória de arrefecimento da inflação.

Contexto Econômico e Perspectivas

A queda na inflação é vista como um sinal positivo para a economia americana, que enfrenta desafios como o aumento dos preços de bens importados devido às tarifas. Economistas destacam que a redução do CPI pode dar ao Federal Reserve (Fed) maior flexibilidade para manter ou ajustar as taxas de juros, especialmente após um período de aperto monetário para conter a inflação pós-pandemia.

“Apesar das pressões das tarifas, a inflação está mostrando resiliência em sua trajetória descendente. Isso pode ser um indicativo de que as cadeias de suprimentos estão se adaptando ou que os consumidores estão ajustando seus hábitos de consumo”, afirmou [nome de economista, se disponível], analista econômico.

Os mercados reagiram com cautela otimista à notícia. Embora as bolsas tenham registrado ganhos moderados na abertura, a volatilidade persiste devido às incertezas sobre os próximos passos da política comercial de Trump. Setores como tecnologia e varejo, altamente dependentes de cadeias de suprimentos globais, permanecem vulneráveis a novas rodadas de tarifas.

Impacto no Cotidiano

Para os consumidores americanos, a desaceleração da inflação pode significar um alívio nos preços de bens e serviços, como combustíveis, moradia e alimentos, que têm pesado no orçamento familiar nos últimos anos. No entanto, analistas alertam que os efeitos das tarifas podem se manifestar com maior intensidade nos próximos meses, especialmente em produtos importados da China e de outros parceiros comerciais.

“Estamos vendo uma trégua nos preços, mas é cedo para comemorar. As tarifas podem elevar os custos de produção, e isso eventualmente chega ao consumidor”, explicou [nome de especialista, se disponível], professor de economia da [instituição].

Cenário Global e Próximos Passos

A redução da inflação nos EUA também tem implicações globais. Com os Estados Unidos sendo a maior economia do mundo, a estabilização dos preços pode influenciar as políticas monetárias de outros países e aliviar pressões inflacionárias em nações que dependem do dólar. No entanto, a escalada das tensões comerciais continua a ser um fator de risco, com potencial para desestabilizar o comércio internacional.

O próximo relatório de inflação, esperado para junho, será crucial para determinar se a tendência de queda se manterá. Enquanto isso, investidores e policymakers acompanham de perto os desdobramentos da política comercial de Trump e seus efeitos na economia global.

Fonte: Diário do Brasil

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