Logística

82% das empresas de logística têm queda na demanda após tarifaço

No curto prazo, setor marítimo deve sentir maior necessidade de adaptação

O tarifaço de Donald Trump, que impõe sobretaxa de 50% sobre centenas de produtos brasileiros, já começa a mexer com a logística no País. Uma enquete realizada pela NTC&Logística revela que 82% das empresas do setor notaram queda na demanda por fretes de exportação. Enquanto isso, 65% relatam cancelamento ou antecipação de embarques. 

O cenário é de insegurança e adaptação forçada com transportadores, operadores portuários e embarcadores em busca de alternativas para minimizar perdas. Em paralelo, ainda não há entendimento se o Plano Brasil Soberano, lançado pelo governo federal para proteger exportadores e empregos, vai também beneficiar o setor logístico diretamente.

Primeiros efeitos sentidos na logística após tarifaço

Nos portos, cargas destinadas aos Estados Unidos já foram suspensas ou redirecionadas. Em Vitória, há relatos de contêineres parados e a carga estocada a custos adicionais. Conforme o presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Cargas (Anut), Luis Baldez, embora o impacto quantitativo seja pequeno, equivalente a 1% da movimentação nacional, o problema é qualitativo. Ou seja, setores como proteína animal, pescado e madeira sofrem mais, já que dependem de prazos curtos e têm menor margem para readequação.

Por outro lado, o setor rodoviário de forma geral consegue adaptar rotas e redirecionar as cargas para outros destinos. Em reuniões com o governo, a Anut defende a realocação dessas encomendas para o mercado interno. Isso pode solucionar o problema com cargas perecíveis, como pescados e suco de laranja. Entretanto, o setor siderúrgico deve sofrer mais neste primeiro momento, já que são produtos mais difíceis para absorção imediata por outros mercados.

“No primeiro momento, nós entendemos que não vai haver grandes impactos na logística interna. O que vai acontecer é em virtude do tipo de produto, aí sim tem impacto na cadeia produtiva”, ressalta Baldez. 

O levantamento da NTC confirma esse movimento no valor dos fretes. 41% das empresas não notaram alteração nos valores de frete, mas 29% já identificaram aumento e outros 29% registraram queda, resultado da instabilidade do mercado.

“As oscilações [no preço de frete] costumam estar mais ligadas a outros fatores como custo do combustível, disponibilidade de veículos e sazonalidade da demanda”, explica Lauro Valdivia, assessor técnico da NTC.

Rodovias, ferrovias e marítimo: qual sente mais?

O transporte rodoviário, responsável por levar a maior parte das exportações até os portos, deve ser um dos mais atingidos. A NTC alerta para retração de viagens e risco de demissões entre motoristas e operadores logísticos. Já o presidente da Abralog, Pedro Moreira, prevê redução de 10% a 15% no volume de movimentação nos próximos quatro a seis meses.

No modal ferroviário, a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) avalia que os efeitos só serão percebidos no médio prazo, já que 85% das cargas são commodities agrícolas e minerais sujeitas a sazonalidades. 

Já o transporte marítimo sente impacto imediato, já que redirecionar rotas internacionais de longa distância não é tão simples. Em relação ao frete, há quem espere uma queda no preço em razão da ociosidade de navios. Por outro lado, há quem preveja um acréscimo desses valores, devido ao choque na cadeia logística inicial. 

Tarifaço traz insegurança na cadeia da logística marítima

“Muitos contêineres ficaram nos portos brasileiros, o que tende a gerar um déficit e acúmulo de contêineres vazios no País, aumentando os custos de reposicionamento para as companhias marítimas”, explica o advogado e sócio na RC Law Larry Carvalho, especialista em comércio marítimo.

De modo geral, a logística pelos mares espera que novos mercados sejam abertos com celeridade. Em uma publicação no Linkedin, Ricardo Rocha, presidente da Maersk na costa oeste da América do Sul, líder mundial em logística marítima, afirma que os frequentes anúncios de tarifas impactam todo o mundo. O que “tem dificultado a clareza necessária para que nossos clientes possam planejar suas cadeias de fornecimento a médio e longo prazo”. 

Caso essas tarifas sigam em vigor, a quantidade de cargas destinadas aos portos, especialmente no escoamento para o Porto de Santos, deve reduzir, alerta o técnico da NTC. Somado a isso, o trânsito nos portos devem ficar mais lentos devido as fiscalizações alfandegárias rigorosas.

Isso se reflete no recorde de exportações em Santos no mês de julho, já que os embarques foram acelerados para fugir das tarifas. Pela primeira vez na história, o porto superou o número de 17 milhões de toneladas de cargas movimentadas nos terminais do complexo portuário. 

A edição da newsletter enviada aos clientes da RC Law, com orientações para mitigar as perdas, recomenda a revisão de contratos marítimos para incorporar clausulas que consideram atrasos ou aumento de custos causados pela crise .

Vulnerável desde a pandemia

A maioria das fontes entrevistadas pela reportagem enxergam os impactos do tarifaço de forma pragmática, fruto da experiência na pandemia. Durante a crise sanitária, a logística parou, o que abriu espaço para aprimorar a gestão de crise e inteligência na movimentação de cargas. Entretanto, o setor está mais vulnerável.

“A margem está muito espremida e qualquer custo adicional é fatal”, alerta o presidente da Abralog. Dessa forma, o temor também é de demissões no curto prazo, até que empresas consigam redirecionar parte da produção para o mercado interno ou para novos compradores externos. A associação prevê um período de quatro a seis meses de reacomodação até que novas rotas e contratos estejam consolidados.

“A manutenção da tarifa reduz a competitividade e pressiona margens, o que pode levar a cortes de empregos em toda a cadeia logística”, afirma Valdivia, da NTC. 

Para o advogado Larry Carvalho, a situação atual se soma a um cenário global já pressionado por disputas geopolíticas e choques externos. “Nos últimos cinco anos, o comércio marítimo tem enfrentado sanções, crises ambientais e reconfiguração de rotas. O setor se adapta rápido, mas cada nova tarifa ou barreira exige ajustes imediatos, pressionando custos e contratos internacionais.”

Governo reage com Plano Brasil Soberano

Para reduzir os impactos do tarifaço, o governo federal anunciou o Plano Brasil Soberano, com linha de crédito de R$ 30 bilhões para capital de giro e medidas emergenciais, como postergação de impostos. A estratégia remete às soluções adotadas durante a pandemia para assegurar a sobrevivência financeira de empresas.

Conforme a Anut, os recursos são importantes para segurar empregos e evitar um colapso financeiro nas cadeias mais expostas. Entretanto, lideranças do setor defendem que o País aproveite o momento para investir em infraestrutura ferroviária, hidrovias e cabotagem, reduzindo o custo logístico interno, hoje estimado em US$ 80 por tonelada exportada.

Empresas de transporte de cargas já buscam redirecionar exportações para Europa, Ásia e América Latina. Mas a adaptação varia conforme o tipo de carga. Enquanto o aço e a celulose podem ser estocados, pescado e proteínas perecíveis têm maior risco de perda. “O setor logístico é altamente adaptável, mas uma eventual retaliação brasileira poderia agravar ainda mais o cenário”, avalia Carley Welter, representante da Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas (Anatc).

A Lei de Reciprocidade Econômica foi sancionada antes do anúncio do governo americano que ampliou as taxas aplicadas ao Brasil. Assim, o País fica autorizado tomar medidas como suspender concessões e cobrar taxas adicionais em transações comerciais. O governo federal ainda não anunciou o uso do dispositivo legal.

Perspectivas e incertezas após tarifaço

As perspectivas das empresas são majoritariamente negativas: insegurança, recessão e desemprego aparecem como respostas mais frequentes na enquete da NTC. Se o tarifaço for mantido, especialistas temem um efeito prolongado sobre a competitividade da indústria brasileira, somado aos impactos esperados da reforma tributária no setor de transportes.

Apesar disso, há consenso de que o problema é mais financeiro do que logístico. A dificuldade de manter capital de giro e competitividade pode paralisar empresas, mesmo que a infraestrutura siga operando. “Se o tarifaço viesse da China, seria o caos. Mas mesmo com os Estados Unidos, já sentimos que a logística está sob forte pressão”, resume Baldez, da Anut. 

Fonte: Estadão Conteúdo

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Negócios

Jacky Song assume como novo CEO da TCP

Com mais de 20 anos de experiência no setor portuário, Song liderou projetos na China e em terminais no continente africano

Nomeado em agosto de 2025 como o novo CEO da TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, Jacky Song traz consigo mais de 20 anos de experiência no setor portuário. Nascido em 1980, Song é formado em Contabilidade Internacional pela Universidade de Línguas Estrangeiras de Tianjin e iniciou sua carreira em 2003 no principal terminal da China Merchants Port Holdings (CMPort), o Shekou Container Terminal (SCT), em Shenzhen, na China.

Para ampliar sua experiência internacional, em 2014, assumiu o cargo de diretor de operações (COO) na Port of Djibouti S.A. (PSDA), onde liderou projetos importantes, como a execução do projeto do terminal, a aquisição de equipamentos e a condução de obras no terminal multipropósito. Em 2018, foi para o Tincan Island Container Terminal (TICT), na Nigéria, como vice-diretor executivo, estando à frente do projeto de negociação de expansão e concessão do terminal.

Em 2022, retornou à CMPort como vice-gerente geral do departamento comercial, atuando também como diretor do conselho do TICT e da Kumport. Em Shenzhen, liderou projetos como a implementação do sistema operacional de terminal CTOS (Container Terminal Operation System) e do projeto ERTG no SCT.

Em junho de 2024, Song foi nomeado para o cargo de diretor comercial da TCP (CCO), no mesmo ano em que a empresa alcançou um crescimento de 24% e um volume total recorde de 1,558 milhão de TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés) movimentados. De acordo com Song, esse resultado destaca a sólida posição competitiva da TCP e sua forte capacidade de resposta ao mercado portuário brasileiro. 

“Aproveitando nossa extensa rede de transporte marítimo e recursos de transporte intermodal, estabeleceremos um corredor logístico altamente eficiente que chegará ao interior do Brasil e a toda a América do Sul, oferecendo serviços de cadeia de suprimentos globais de alta qualidade para clientes finais locais e companhias marítimas. Nosso objetivo é tornar a TCP o parceiro mais confiável do Brasil”, ressalta o CEO.

Atualmente, a TCP conta com o maior parque de máquinas entre os terminais portuários da costa brasileira, com 69 Terminal Tractors (TT) e 40 guindastes pórticos sobre pneus (RTG). O Terminal também possui o maior pátio para armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, com 5.268 tomadas, e é o maior concentrador de linhas marítimas do país, com 23 serviços marítimos.

Para o seu futuro à frente da TCP, Song destaca o pioneirismo global da CMPort no desenvolvimento de portos verdes, com projetos neutros em carbono, e na implementação de tecnologias essenciais, como o armazenamento de energia solar, equipamentos automatizados e alternativas de energia de baixo carbono.

Sendo a TCP um ativo estratégico importante para a CMPort na América do Sul, Song explica que o Terminal busca um crescimento robusto no desempenho operacional, mas também valoriza a coexistência harmoniosa com o meio ambiente, o desenvolvimento participativo com os colaboradores e as relações de confiança baseadas na cooperação benéfica com seus clientes globais.

“Vamos enfrentar conjuntamente os desafios climáticos globais com o governo brasileiro e as empresas locais para alcançar o desenvolvimento sustentável. Por meio de bases operacionais sólidas e modelos de cooperação inovadores, a empresa aspira a se tornar um parceiro estável e de longo prazo no mercado brasileiro, apoiando o crescimento econômico sustentável da região”, afirma Song.

Fonte: Terminal de Contêineres de Paranaguá – 203 Comunicação

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Comércio Exterior

Na surdina, Trump amplia tarifa sobre metais – e surpreende empresários

Nova tarifa apareceu oficialmente no sistema alfandegário só nesta terça, após ter entrado em vigor um dia antes, até mesmo para mercadorias em trânsito

O presidente Donald Trump surpreendeu o setor de logística ao expandir suas tarifas sobre aço e alumínio para abranger mais de 400 itens de consumo que contêm esses metais, como motocicletas e utensílios de mesa. Corretoras alfandegárias e importadores nos Estados Unidos tiveram pouco tempo para se preparar para a mudança, que entrou em vigor na segunda-feira sem exceções para mercadorias em trânsito.

A nova lista de produtos sujeitos a tarifas foi divulgada pela agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) justamente quando muitos profissionais deixavam o trabalho para o fim de semana e só apareceu oficialmente no Federal Register na terça-feira, criando novas dores de cabeça para especialistas em comércio exterior. A orientação oficial tem sido confusa, sobretudo no caso de mercadorias já a caminho dos EUA, e ainda não está claro se as tarifas sobre metais se somam às tarifas impostas país a país.

Após seis meses de guerra comercial sob Trump e de uma pandemia que provocou fortes rupturas na cadeia de suprimentos, é difícil abalar transportadoras, donos de carga e intermediários que mantêm o comércio internacional funcionando. Mas a abrangência e a velocidade de implementação deste último anúncio pegaram muitos de surpresa.

“Temos vivido várias implementações de última hora ao longo de 2025, mas essa, em especial, afeta enormemente todos os meus clientes”, disse Shannon Bryant, corretora alfandegária em Michigan, em entrevista.

“Nos anúncios anteriores, pelo menos havia isenções para mercadorias já em trânsito, o que permitia aos importadores tomar decisões de compra razoáveis”, acrescentou Bryant, presidente da consultoria Trade IQ. “Esta foi única nesse sentido — é realmente um ‘pegadinha’.”

A lista inclui autopeças, produtos químicos, plásticos e componentes de móveis — demonstrando o alcance da autoridade de Trump para aplicar tarifas setoriais. Isso é separado do poder executivo que ele invocou para as chamadas tarifas “recíprocas”.

“Basicamente, se é brilhante, metálico ou remotamente relacionado a aço ou alumínio, provavelmente está na lista”, escreveu Brian Baldwin, vice-presidente de alfândega nos EUA da gigante de logística Kuehne + Nagel, em uma postagem no LinkedIn. “Isso não é apenas mais uma tarifa — é uma mudança estratégica na forma como derivados de aço e alumínio são regulados.”

Custos de compliance

A dificuldade de aplicar tarifas a produtos derivados está em determinar qual porcentagem do item é composta pelos materiais-alvo.

A Flexport, empresa de transporte digital, afirmou em um blog que, “para muitas marcas, isso significa correr atrás de fornecedores para obter dados detalhados: peso do alumínio, percentual do valor aduaneiro e país de fundição/refino”.

“O peso regulatório é significativo”, disse a empresa.

Esta rodada de tarifas também é particularmente ampla, abrangendo itens como motocicletas, equipamentos de movimentação de carga, cadeirinhas infantis, utensílios de mesa e produtos de cuidados pessoais em recipientes ou embalagens metálicas.

Jason Miller, professor de gestão da cadeia de suprimentos na Universidade Estadual de Michigan, estima de forma conservadora que as tarifas sobre metais agora cubram cerca de US$ 328 bilhões em mercadorias, com base em dados de importação de 2024. Isso é seis vezes mais do que em 2018 e um salto em relação aos US$ 191 bilhões em produtos cobertos antes da mudança, disse ele em e-mail à Bloomberg News.

O apelo dos corretores

Bryant, cuja clientela inclui importadores de cosméticos e utensílios de cozinha profissionais, enviou uma carta a parlamentares em Washington na segunda-feira alertando que a complexidade das tarifas sobrepostas está se tornando impossível de administrar, mesmo para especialistas. “Para pequenos importadores”, escreveu, “é inviável.”

“Estou tentando pensar em um cliente que não tenha sido afetado”, disse ela. “São empresas americanas, que empregam americanos, sendo surpreendidas pelo próprio governo.”

Trump impôs tarifas sobre aço e alumínio pela primeira vez em 2018, com o objetivo de estimular a produção doméstica ao tornar mais caro para os americanos comprar material estrangeiro.

Mas vários fornecedores importantes, incluindo Canadá, México e União Europeia, acabaram isentos, e indústrias dos EUA afirmam que ainda enfrentam dificuldades para competir com importados.

Aplausos da siderurgia

Em junho, Trump cumpriu uma promessa de campanha ao dobrar a alíquota sobre aço e alumínio para 50% e também solicitou feedback da indústria sobre como expandi-la ainda mais.

Lourenco Goncalves, CEO da siderúrgica americana Cleveland-Cliffs Inc., elogiou a ampliação da lista de tarifas em um comunicado na segunda-feira, agradecendo à administração Trump por “tomar uma ação decisiva e concreta que vai coibir a evasão de tarifas que ocorre diante de nossos olhos com produtos derivados de aço inoxidável e elétrico.”

E provavelmente vem mais por aí. No fim de julho, o governo Trump impôs uma tarifa de 50% sobre importações de cobre semimanufaturado avaliadas em mais de US$ 15 bilhões e ordenou que autoridades elaborassem um plano para aplicar tarifas a uma série de outros produtos intensivos em cobre.

“Isso não acabou”, disse Pete Mento, diretor global de alfândega da DSV, em uma postagem nas redes sociais na segunda-feira. “A próxima lista certamente será sobre cobre e espero que seja igualmente dolorosa.”

Fonte: InfoMoney

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Negócios

Adami anuncia Marcos Rocha como novo CEO

Executivo já atuou em empresas como Nortel Suprimentos Industriais | Sonepar Brasil, WestRock Brasil, Haco e Grendene S/A

A Adami Indústria e Comércio anunciou oficialmente a chegada de Marcos Rocha como seu novo CEO. Com mais de duas décadas de experiência em gestão e liderança no setor industrial, o executivo já atuou em empresas como Nortel Suprimentos Industriais | Sonepar Brasil, WestRock Brasil, Haco e Grendene S/A.

Segundo a empresa, Rocha traz para a companhia um histórico de resultados e visão estratégica para potencializar o crescimento. Sua formação inclui programas de liderança no INSEAD e Kellogg School of Management, MBAs pela Fundação Dom Cabral e USP, além de graduação em Engenharia de Automação e Controle.

O novo CEO foi recebido no dia 11 de agosto pelo presidente do Conselho de Administração, Amaury Olsen, e demais integrantes do grupo.

“A chegada de Marcos Rocha representa um passo estratégico para consolidar nosso posicionamento no mercado e reforçar o compromisso com inovação, eficiência e sustentabilidade”, destacou Olsen.

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Negócios

Carteira semanal da Terra Investimentos inclui Suzano e encerra posição em Marcopolo

A Terra Investimentos divulgou a atualização da Carteira Gráfica Semanal Top5, válida de 15 a 22 de agosto. A principal mudança foi a saída de Marcopolo (BOV:POMO4), após atingir objetivos projetados e acumular valorização de 12% desde 11 julho, e a entrada de Suzano (BOV:SUZB3).

Composição da carteira

Empresas recomendadasPeso
Suzano (BOV:SUZB3)20%
MRV (BOV:MRVE3)20%
PetroRio (BOV:PRIO3)20%
Caixa Seguridade (BOV:CXSE3)20%
Vale (BOV:VALE3)20%

Pontos técnicos das ações

  • Suzano (SUZB3) – Resistências em R$ 56,00 / R$ 59,10 / R$ 60,40; suportes em R$ 52,60 / R$ 50,30 / R$ 49,15. Objetivos projetados entre R$ 59,10 e R$ 60,40, com stop sugerido em R$ 48,99.
  • MRV (MRVE3) – Resistências em R$ 7,40 / R$ 7,90 / R$ 8,20; suportes em R$ 6,60 / R$ 6,20 / R$ 5,70. Stop em R$ 6,09. Objetivos: R$ 6,75 e R$ 7,00.
  • Caixa Seguridade (CXSE3) – Resistências em R$ 14,20 / R$ 14,65 / R$ 15,20; suportes em R$ 13,50 / R$ 13,20 / R$ 12,50. Stop em R$ 12,09. Objetivos:: R$14,70/ R$15,20.
  • PetroRio (PRIO3) – Resistências em R$ 40,85 / R$ 42,70 / R$ 43,70 / R$ 45,60; suportes em R$ 38,30 / R$ 37,00 / R$ 36,30. Stop em R$ 36,19. Objetivos: R$ 44,00/ 46,80
  • Vale (VALE3) – Resistências em R$ 54,50 / R$ 56,30 / R$ 59,00; suportes em R$ 52,00 / R$ 50,90 / R$ 50,00. Stop em R$ 47,79.  Objetivos: R$ 58,50/ 60,00.

Desempenho semanal

Na semana de 8 a 15 de agosto, a carteira acumulou alta de 2,42%, superando o Ibovespa, que recuou 0,13% no período.

Entre os destaques individuais, MRV (MRVE3) avançou 10,48% e Caixa Seguridade (CXSE3) subiu 3,53%, enquanto PetroRio (PRIO3) caiu 2,14% e Marcopolo (POMO4) recuou 1,43% antes da exclusão. Vale subiu 1,66% no período.

Rentabilidade em 12 meses

No acumulado dos últimos 12 meses, a Carteira Top5 Terra registra rentabilidade de 28,59%, contra apenas 2,28% do Ibovespa no mesmo intervalo, sob orientação da equipe do analista de investimentos responsável Régis Chinchila.

Fonte: ADVFN Brasil

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Especialista, O ESPECIALISTA

O ESPECIALISTA: PIETER POOL

O Tarifaço de Trump ameaça colapso nas exportações florestais do Brasil

O Tarifaço indicado pelo presidente Trump no dia 9 de julho de 2025, indicando uma tarifação de 50% sobre os produtos importados do Brasil, deixou os exportadores brasileiros de produtos florestais extremamente preocupados. Empresas com grande dependência do mercado dos EUA foram as mais afetadas, como a produtora de molduras Braspine, optou por dar férias coletivas em sistema de rodízio para 1500 funcionários, conforme matéria do G1 no dia 22de julho de 2025, evitando assim, por hora, medidas mais drásticas. A empresa exporta quase toda sua produção aos EUA onde molduras brasileiras são comumente comercializadas. Igualmente as fabricantes de molduras Ipumirim Mouldings, com 500 funcionários e a Millpar, igualmente entrou em férias coletivas, por 15 dias.

No segmento de madeira serrada de pinus, empresas exportadoras de cerquinhas (dogear pickets) e APG (Appearance Grade Boards), produtos específicos para os EUA, tiveram contratos cancelados e algumas inclusive cogitam a possibilidade de encerrarem suas operações no país, sendo a alternativa, adquirir madeira de outros países como Argentina, Paraguai e Uruguay, pois estes tem a tarifação base de 10%.

No setor de papel e celulose, os preços estão de forma geral em viés de queda. Segundo Antonio Mendes Junior, head de vendas internacionais e sócio da Hypertrade, uma das maiores tradings exportadoras de papel e celulose do Brasil, os maiores players exportadores de celulose fibra longa mercado, Klabin, Eldorado Brasil, Bracell, CMPC e Irani seguraram todos seus embarques. Ele comenta: “Entendo que os clientes não somente nos EUA, que em 2023  estão segurando as ordens, pois entendem que os brasileiros estão fragilizados. Enquanto isso consomem seus  estoques gradativamente aguardando alguma evolução de mercado. Se o Tarifaço for realmente aplicado, os exportadores brasileiros vão ter que procurar mercados alternativos com preços inferiores”. Os EUA forma o terceiro maior importador de celulose do Brasil com ~14%, ficando somente atrás da Europa com ~24% e da China com ~43%.

As indústrias de compensados multilaminados, que em 2024 exportaram, entre compensados multilaminados de eucalipto, pinus e tropical um volume aproximado de 2.241 MM de metros cúbicos, o que representa aproximadamente 51,5 K containers, também podem ser mais uma vez afetadas. Algumas indústrias como a Marini Compensados de Palmas-PR, que anunciou neste dia 23 de julho férias coletivas para 600 funcionários segundo matéria publicada no rbj.com.br, também está se precavendo e tomando as medidas necessárias para mitigar os riscos decorrentes do Tarifaço.

O seguimento que tem uma representatividade significativa no PIB da região sul do Brasil e gera milhares de empregos.

Com isso a cadeia florestal inteira fica prejudicada, chegando a afetar inclusive grandes empresas florestais do setor como por exemplo a REMASA, empresa do ramo florestal, produtora de pinus. Segundo seu diretor executivo Gilson Geronasso, a situação é preocupante e todos estão ansiosos pelos próximos passos. 

A ABIMCI (Associação Brasileira da Industria da Madeira Processada Mecanicamente), entidade de extrema relevância para o setor no Brasil, expressou através de uma “Nota de posicionamento” no dia 18 de julho, sua grande preocupação com as medidas tomadas pelo presidente Trump e disse entre outros, que além do setor gerar mais de 180 mil postos de trabalhos diretos:

“ Nossa participação na balança comercial brasileira é expressiva. Só para os Estados Unidos exportamos cerca de US$ 1,6 bilhão em 2024, o que representa uma dependência do mercado norte-americano de uma média de 50% da produção nacional. Porém, alguns segmentos madeireiros dependem exclusivamente dos EUA, com 100% de suas vendas atreladas a esse mercado. Por isso, desde o anúncio da possível taxação pelos Estados Unidos, instalou-se a insegurança no mercado, levando o nosso setor ao início de um colapso. ” Estão também diretamente engajados em contato com Brasília, em conjunto com outros setores, para articular ações positivas para o setor madeireiro.

Não podemos esquecer toda a cadeia logística, tanto no transporte doméstico, como no transporte internacional. Em relação aos fretes marítimos principalmente, enxerga-se uma tendência de redução, no entanto isso deve se equilibrar a médio prazo, uma vez que os volumes devem aumentar devido à redução dos fretes. Segundo Carlos Hauck, proprietário da CSS, empresa do ramo de transporte internacional, houveram congelamentos de pedidos que a curto prazo, podem acarretar em redirecionamentos de rotas por parte dos armadores, assim como redução na oferta de espaços para os EUA devido à redução na demanda.

O momento não é um momento fácil para o setor e para o país. Exportadores, associações e trabalhadores esperam ações que minimizem os impactos e ofereçam caminhos para diversificação de mercados.

Enquanto isso o setor florestal brasileiro segue em alerta, tentando evitar que o Tarifaço se torne a faísca de um colapso estrutural. Até lá, estamos à deriva.

PIETER POOL é especialista em comércio exterior, com mais de 23 anos de experiência em exportação, importação e desenvolvimento de mercados internacionais. Atuou em setores como madeireiro, automotivo, agroindustrial, alimentício e tecnologia, com passagem por empresas familiares, nacionais e multinacionais.  Tem sólida experiência em prospecção internacional, gestão de fornecedores, logística integrada, processos aduaneiros e desenvolvimento de produtos OEM/ODM. Também se destaca na análise financeira, gestão de indicadores e internacionalização de empresas. Foi Diretor Regional Sul da Aliança Brasil-China (2009) e tem formação em Comércio Exterior, MBA em Logística (UFPR) e Mestrado em Management (FAE/Baldwin Wallace University).

Bibliografia

https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2025/07/22/tarifaco-de-trump-industria-do-parana-amplia-ferias-coletivas-para-mais-da-metade-dos-funcionarios-e-medida-afeta-15-mil-trabalhadores.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/tarifaco-madeireira-de-sc-da-ferias-coletivas-a-quase-500-trabalhadores

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/setor-madeireiro-forca-ferias-e-projeta-demissoes-frente-a-tarifas-de-trump

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Negócios

JBS lucra US$ 528,1 mi no 2T, alta de 60%, apesar do ambiente desafiador nos EUA

A companhia divulgou seus resultados pela primeira vez após listar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York

A JBS (BDR: JBSS32), maior empresa de carnes do mundo, anunciou nesta quarta-feira um salto no lucro do segundo trimestre e uma receita trimestral recorde de cerca de US$ 21 bilhões, apesar de um ciclo da pecuária bovina nos EUA ainda desafiador e das tensões geopolíticas globais, de acordo com um comunicado ao mercado.

A companhia, que divulgou seus resultados pela primeira vez após listar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York, registrou lucro líquido de US$ 528,1 milhões no segundo trimestre, uma alta de 60,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os resultados foram impulsionados principalmente pelo desempenho da subsidiária do segmento de frangos Pilgrims Pride nos EUA e pela resiliência de seus negócios de alimentos processados Seara no Brasil, afirmou a JBS.

Em entrevista à Reuters, o CEO Global Gilberto Tomazoni destacou a fraqueza de seus negócios com carne bovina nos EUA, que representam cerca de um terço das vendas da empresa, onde o boi ficou mais caro para os frigoríficos.

Mas, embora essa unidade tenha apresentado margens negativas, outros segmentos da empresa mostraram força, incluindo as operações de carne bovina brasileira e australiana.

“Vivemos um momento desafiador em alguns dos nossos negócios… entregar margem (de 8,4%) dentro do contexto que temos aí… Estamos satisfeitos…”, afirmou ele, citando a margem Ebitda ajustada do segundo trimestre, que teve uma queda anual de 1,5 ponto percentual.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado foi de US$1,75 bilhão, queda de 7,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida atingiu US$20,998 bilhões, avanço de 8,9% versus um ano antes.

O negócio de carne bovina na América do Norte teve Ebitda ajustado negativo de US$233 milhões. Por outro lado, a Pilgrim´s registrou US$817,7 milhões no mesmo indicador, no segundo trimestre.

A tarifa americana de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina, também está pesando sobre frigoríficos em geral.

Tomazoni afirmou que a JBS responde por cerca de 15% das exportações brasileiras de carne bovina para os EUA, onde também opera diversas fábricas. O Brasil exportou 180 mil toneladas de carne bovina in natura para os EUA no primeiro semestre.

Por causa da tarifa, Tomazoni afirmou que algumas fábricas da JBS no Brasil interromperam brevemente a produção. Posteriormente, retomaram as atividades para redirecionar alguns produtos para outros mercados.

“O mais importante é que nossa plataforma foi construída levando em conta que esses fatores acontecem”, disse ele, referindo-se a obstáculos como barreiras comerciais e sanitárias.

“Está ruim nos EUA, está bom no Brasil, está bem na Austrália, e o frango está em momento excelente,” disse ele referindo-se ao resultado da Pilgrim’s e da Seara, que apesar da gripe aviária entregou uma margem ajustada acima de 18%.

Um surto de gripe aviária no Brasil em maio também criou problemas, pois interrompeu parte das exportações de empresas do país sul-americano, o maior exportador mundial de frango, devido a embargos sanitários.

Saiba mais:

“A China não abriu ainda”, disse Tomazoni, citando o principal importador do Brasil, embora outros países já tenham regularizado suas compras. Segundo ele, não há mais razões sanitárias para os mercados estarem fechados.

Tomazoni lembrou que a União Europeia também é um dos poucos destinos que ainda não retomaram as importações de carne de frango, mas ele tem expectativa de uma reabertura em breve.

“A expectativa é que isso se resolva… eu espero que nas próximas semanas.”

Fonte: InfoMoney

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Industria, Negócios

Plano Brasil Soberano tem R$ 30 bi de créditos e outras medidas para proteger empresas e trabalhadores

Apoio aos exportadores, como resposta a tarifaço dos EUA, prevê ainda ampliação do Reintegra, mais prazo para suspensão de impostos e reforma de fundos garantidores, entre outros pontos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nesta quarta-feira (13/8), o Plano Brasil Soberano, conjunto inicial de medidas para mitigar os impactos econômicos da elevação unilateral, em até 50%, das tarifas de importação sobre produtos brasileiros anunciadas pelo governo norte-americano no último dia 30 de julho. As ações buscam proteger exportadores brasileiros, preservar empregos, incentivar investimentos em setores estratégicos e assegurar a continuidade do desenvolvimento econômico do país.

O Plano é composto por ações separadas em três eixos: fortalecimento do setor produtivo; proteção aos trabalhadores; e diplomacia comercial e multilateralismo.

Durante a cerimônia, o presidente Lula destacou o compromisso do governo em apoiar os setores afetados pelo tarifaço, mas também continuidade das negociações para reverter a taxação.

“Vamos continuar fazendo o que estiver ao nosso alcance para minimizar o problema que foi causado conosco”, disse. “Por meio do Alckmin, do Haddad e de todos os ministros que têm relação com os Estados Unidos, vamos continuar teimando nas negociações porque não queremos conflito com ninguém”, completou.

O anúncio do Brasil Soberano foi acompanhado pelo vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin; mais o ministro da fazenda Fernando Haddad; o ministro das Reações Exteriores. Mauro Vieira; a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hofman; e os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Mota de David Alcolumbre, entre outras autoridades.

Em sua fala, Alckmin destacou o crescimento de 12,7% das importações brasileiras de produtos norte-americano nos primeiros sete meses de 2025, em relação a igual período de 2024, enquanto as exportações do Brasil para aquele país cresceram 4,2% também de janeiro a julho. Diante desse quadro, que aponta uma relação comercial favorável aos EUA, ele classificou a taxação de injusta e “totalmente inadequado”

Fruto do diálogo

As medidas do Plano Brasil Soberano garantem R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para crédito com taxas acessíveis, com ampliação das linhas de financiamento às exportações; prorrogação da suspensão de tributos para empresas exportadoras; aumento do percentual de restituição de tributos federais via Reintegra; e facilitação da compra de gêneros alimentícios por órgãos públicos.

Na coletiva de imprensa após o lançamento, o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, lembrou que Alckmin liderou, ao lado de outros ministros, dezenas de reuniões com o setor produtivo. “Grande parte dessas medidas é fruto desse diagnóstico que foi estabelecido a partir do diálogo”, ressaltou.

As conversas aconteceram no âmbito do Comitê Interministerial de Negociações e Contramedidas Econômicas e Comerciais, coordenado por Alckmin. No total, foram 39 reuniões com cerca de 400 representantes de empresas e/ou entidades privadas, federações de indústrias, governadores e segmentos como manufatura, agro, tecnologia, mineração, big techs, indústria da saúde, alimentação, calçadista, moveleira, entre outros, bem como empresas norte-americanas.

Márcio Elias comentou ainda que boa parte das medidas adotadas já faziam parte das discussões do MDIC antes do tarifaço, como o restabelecimento do Reintegra e a modernização dos fundos garantidores à exportação.

“Mas em que medida, com qual calibragem faríamos, isso só foi possível saber a partir do diálogo com o setor privado. E foi feito com muita cautela, porque nós sabemos que há que se conservar a responsabilidade física, para gerir com cuidado os recursos”.  

O secretário-executivo frisou que a soberania brasileira “não está na mesa de negociação” e a entrada em vigor das medidas anunciadas dependem ainda de uma série de atos normativos, que devem sair nesta e na próxima semana. “Todo mundo vai continuar trabalhando firme e forte nos próximos dias para fazer a publicação desses atos regulamentares”, finalizou. 

O Plano

O Plano Brasil Soberano também pretende fortalecer o sistema nacional de financiamento e seguro à exportação, de modo a tornar o país mais competitivo e menos vulnerável a ações externas no futuro.

Confirma as principais medidas estabelecidas pelo novo Plano:

EIXO 1: Fortalecimento do setor produtivo

Linhas de crédito

  • R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) serão usados como funding para concessão de crédito permitindo taxas acessíveis.
  • Prioridades por: dependência do faturamento em relação às exportações para os EUA; tipo de produto e porte de empresa. Serão priorizados os mais afetados.
  • As pequenas e médias empresas também poderão recorrer a fundos garantidores para acessar o crédito.
  • O acesso às linhas estará condicionado à manutenção do número de empregos.

Prorrogação de prazos do regime de drawback

  • Extensão excepcional do prazo para comprovação da exportação de produtos fabricados a partir de insumos importados ou adquiridos no Brasil com suspensão tributária.
  • O governo vai prorrogar, por um ano, o prazo para que as empresas consigam exportar suas mercadorias que tiveram insumos beneficiados pelo regime. Esses produtos poderão ser exportados para os EUA ou para outros destinos. Com isso, elas não terão que pagar multa e juros se não conseguirem exportar aos EUA no prazo originalmente previsto.
  • A medida vale para as empresas que contrataram exportações para os Estados Unidos que seriam realizadas até o final deste ano. Dos US$ 40 bilhões exportados em 2024 para os Estados Unidos, US$ 10,5 bilhões foram realizados via regime de drawback.
  • A prorrogação não tem impacto fiscal, pois apenas posterga o prazo para cumprimento dos compromissos de exportação assumidos pelas empresas brasileiras.

Diferimento de tributos federais

  • A Receita Federal fica autorizada a fazer diferimento de cobrança de impostos para as empresas mais afetadas pelo tarifaço.
  • Como funcionará: adiamento do pagamento dos próximos dois meses para empresas mais afetadas.

Compras públicas: apoio a produtores rurais e agroindústrias

  • De forma extraordinária, por ato infralegal, União, Estados e Municípios poderão fazer compras para seus programas de alimentação (para merenda escolar, hospitais etc) por meio de procedimento simplificado e média de preço de mercado, garantidos a transparência e o controle dos processos.
  • A medida vale apenas para produtos afetados pelas sobretaxas unilaterais.

Modernização do sistema de exportação

  • Ampliação das regras da garantia à exportação, instrumento que protege o exportador contra riscos como inadimplência ou cancelamento de contratos.
  • As mudanças visam fortalecer empresas exportadoras de média e alta intensidade tecnológica e investimentos produtivos em economia verde.
  • O Plano Brasil Soberano permitirá que bancos e seguradoras utilizem essa garantia em mais tipos de operações.
  • Prevê mecanismos de compartilhamento de risco entre governo e setor privado, utilizando o Fundo Garantidor do Comércio Exterior (FGCE) como mecanismo de primeiras perdas, aumentando o acesso a crédito e reduzindo custos.

Fundos garantidores

  • Aportes adicionais de R$ 1,5 bilhão no Fundo Garantidor do Comércio Exterior (FGCE), de R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), do BNDES, e R$ 1 bilhão no Fundo de Garantia de Operações (FGO), do Banco do Brasil, voltados prioritariamente ao acesso de pequenos e médios exportadores.

Novo Reintegra para empresas afetadas

  • O Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Reintegra) para as Empresas Exportadoras devolve aos exportadores brasileiros parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva, na forma de crédito tributário, ajudando a reduzir custos e aumentar a competitividade no mercado externo.
  • A medida antecipa os efeitos da Reforma Tributária, desonerando a atividade exportadora.
  • Atualmente, empresas de grande e médio porte de produtos industrializados têm alíquota fixada em 0,1%; enquanto micro e pequenas, por meio do programa Acredita Exportação, recebem de volta 3% de alíquota.
  • A medida aumenta em até 3 pontos percentuais o benefício para empresas cujas exportações de produtos industrializados foram prejudicadas por medidas tarifárias unilaterais. Ou seja, para continuarem competitivas no mercado norte-americano, grandes e médias empresas passam a contar com até 3,1% de alíquota, e as micro e pequenas, com até 6%.
  • As novas condições do Reintegra valerão até dezembro de 2026 e terão impacto de até R$ 5 bilhões.

EIXO 2: Proteção para o trabalhador

O Plano Brasil Soberano cria a Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego para monitorar o nível de emprego nas empresas e suas cadeias produtivas, fiscalizar obrigações, benefícios e acordos trabalhistas, e propor ações voltadas à preservação e manutenção dos postos de trabalho.

A atuação será coordenada em nível nacional e regional via Câmaras Regionais nas Superintendências Regionais do Trabalho.

Entre as atribuições previstas estão:

  • Acompanhar diagnósticos, estudos e informações relativas ao nível de emprego nas empresas e subsetores diretamente afetados pelas tarifas dos EUA.
  • Ampliar a análise para identificar impactos indiretos na geração e manutenção de empregos em empresas da cadeia produtiva.
  • Monitorar obrigações, benefícios e repercussões nas folhas de pagamento decorrentes de acordos para preservar empregos e mitigar os efeitos das tarifas dos EUA.
  • Promover negociação coletiva e mediação de conflitos para manter o emprego.
  • Aplicar mecanismos relacionados a situações emergenciais, como lay-off e suspensão temporária de contratos, dentro da lei.
  • Fiscalizar o cumprimento das obrigações acordadas e a manutenção dos empregos por meio da Inspeção do Trabalho.
  • Utilizar a estrutura regional das Superintendências do Trabalho para engajar trabalhadores e empregadores em negociações para atender às necessidades das empresas afetadas.
  • Monitorar a concessão e o pagamento de benefícios trabalhistas aos empregados das empresas diretamente afetadas.

EIXO 3: Diplomacia comercial e multilateralismo

O Plano Brasil Soberano também atua na frente externa para ampliar e diversificar mercados, reduzindo a dependência das exportações brasileiras em relação aos Estados Unidos. No eixo de diplomacia comercial e multilateralismo, o Brasil tem avançado nas negociações de acordos que abrem novas oportunidades para empresas nacionais:

  • Negociações concluídas: União Europeia; EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio).
  • Em negociação: Emirados Árabes Unidos e Canadá
  • Em processo de diálogo: Índia; Vietnã.

Essas iniciativas fortalecem a inserção internacional do Brasil, ampliam o leque de destinos para produtos nacionais e aumentam a resiliência da economia frente a barreiras comerciais unilaterais. Cabe lembrar que, em menos de três anos, o país abriu 397 novos mercados.

O Brasil mantém-se aberto ao diálogo construtivo com os Estados Unidos, buscando soluções negociadas que restabeleçam condições justas e equilibradas para o comércio bilateral, em benefício de produtores, trabalhadores e consumidores dos dois países.

O Brasil também reforça seu compromisso com o multilateralismo, por meio de sua atuação na OMC (Organização Mundial do Comércio).

Fonte: MDIC

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Negócios

Negócios de impacto avançam, mas o capital não chega às mulheres

Segundo o 4º Mapa de Negócios de Impacto (Pipe.Social e Quintessa, 2023), apenas 14% dos negócios liderados por mulheres captaram mais de R$ 500 mil.

O ecossistema de impacto social no Brasil cresceu, se sofisticou, atraiu capital e desenvolveu novas métricas. Mas há um dado que persiste ano após ano e que precisa ser enfrentado com mais coragem: as mulheres seguem fora do centro das decisões e dos recursos.

Segundo o 4º Mapa de Negócios de Impacto (Pipe.Social e Quintessa, 2023), apenas 14% dos negócios liderados por mulheres captaram mais de R$ 500 mil. Entre os liderados por homens, esse número sobe para 67%.

A limitação de escala não é uma questão de desempenho individual, e sim de estrutura. De acordo com o relatório Panorama do Empreendedorismo Feminino no Brasil (GOV.BR, 2023), 95% dos negócios liderados por mulheres nunca ultrapassaram a barreira dos seis dígitos de faturamento anual. Mesmo quando formalizados, muitos desses empreendimentos operam em circuitos restritos, ou seja, excluídos dos fluxos de investimento, das compras públicas, dos grandes contratos e das parcerias institucionais.

As mulheres têm sido protagonistas de uma inovação social ainda pouco valorizada que buscam de maneira intersetorial, territorial e orientada a resolução de problemas complexos. Estão à frente de negócios que redesenham cadeias produtivas locais, enfrentam a insegurança alimentar, promovem a justiça climática e fortalecem redes de cuidado.

Apesar disso, enfrentam barreiras recorrentes no acesso a crédito, investimento e contratos institucionais. Segundo o Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME, 2021), 42% das empreendedoras que solicitaram crédito tiveram o pedido negado. E mesmo quando aprovado, o crédito costuma vir com mais restrições. Além disso, negócios fundados por mulheres seguem sendo rotulados como “projetos” ou “iniciativas sociais”, rótulos que as afastam de editais, rodadas de investimento e programas de grande escala.

No setor público, o cenário infelizmente não é muito diferente. Em 2023, micro e pequenas empresas (MPEs) movimentaram mais de R$ 17,3 bilhões em compras governamentais, segundo a Agência Sebrae de Notícias. Mas os dados ainda não são desagregados por gênero, o que impede uma análise precisa da presença feminina nesse mercado. A ausência dessa informação, por si só, já é um sinal: sem dados, não há política.

Essa exclusão não é acidental. É reflexo de um sistema financeiro construído historicamente para homens. Durante décadas, mulheres foram legalmente impedidas de acessar crédito, registrar propriedades ou abrir contas bancárias.

Embora esses entraves legais tenham sido superados, seus efeitos institucionais persistem. Hoje, os critérios tradicionais de análise de risco, performance e inovação continuam desconsiderando os contextos em que as mulheres — em suas múltiplas diversidades — empreendem.

O mesmo se repete na produção de dados e estudos com perspectiva de gênero: muitos são desenvolvidos sem acesso a recursos externos. Conheço essa realidade de perto com o estudo Piores Cidades para Ser Mulher (2024), um ranking que mapeia o desempenho de médias e grandes cidades brasileiras frente às metas do ODS 5 (Igualdade de Gênero).

A pesquisa foi realizada sem financiamento, mas entregou uma análise robusta com dados de 319 municípios, oferecendo subsídios para governos, empresas e organizações formularem políticas públicas e estratégias institucionais. Com acesso estruturado a financiamento, os resultados poderiam ser ainda mais estratégicos, escaláveis e duradouros.

Estudos do Boston Consulting Group (2018) revelam que startups fundadas por mulheres geram 2,5 vezes mais receita por dólar investido do que aquelas fundadas por homens. Além disso, em posições de liderança mulheres tendem a reinvestir mais em suas comunidades, promovendo impactos sociais positivos como geração de empregos locais, fortalecimento de redes de apoio e soluções adaptadas às realidades do território. No campo da sustentabilidade, a ONU já reconheceu que nenhum dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável será alcançado sem o protagonismo feminino na tomada de decisão.

Ou seja: há racionalidade econômica, evidência internacional e soluções locais já em curso. O que falta é disposição para ajustar as engrenagens que ainda concentram capital, confiança e escala nas mãos de poucos.

Há uma geração de empreendedoras no Brasil construindo soluções sólidas, com consistência técnica, capacidade de execução e profundo alinhamento aos desafios do século 21, que vão desde a transição climática à economia do cuidado. Integrar essas lideranças ao centro das estratégias ESG, dos fundos de impacto e das compras corporativas não é apenas uma correção histórica. É uma oportunidade concreta de inovação, diversificação e retorno sustentável.

O ecossistema de impacto amadureceu. Mas enquanto os recursos continuarem sendo direcionados para os mesmos perfis e estruturas, a inovação social seguirá restrita, não por falta de soluções, mas por ausência de acesso.

Luciana Sonck  – Mestra em planejamento territorial, especialista em governança e CEO da Tewá 225

Fonte: Portal Notícia Sustentável

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Negócios

JBS deve reforçar estratégia de diversificação diante de questões tarifárias, diz CEO

Questões tarifárias e geopolíticas do mundo atual mostram que a JBS, maior produtora global de carnes, está no caminho certo em sua estratégia de diversificar por regiões e proteínas, algo que deve ser reforçado em um contexto em que a carne bovina do Brasil recebe uma taxa de 50% do governo dos Estados Unidos, disse o CEO da companhia, nesta segunda-feira.

“Essa estratégia de diversificação foi construída pensando nos ciclos de commodities, pensando nos problemas sanitários, geopolíticos e nos problemas tarifários. Quando vejo isso acontecendo, vejo que temos de reforçar ainda mais esta plataforma, temos de enfatizar, crescer mais, diversificar mais…”, disse Gilberto Tomazoni, durante congresso da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Segundo ele, esta é a única forma de uma empresa que tem 280 mil trabalhadores se manter crescendo mesmo com dificuldades.

Diante de um problema em um segmento em determinado país, se o caixa é afetado, outra região da companhia pode compensar e gerar investimentos, exemplificou ele.

“Vejo que tomamos uma decisão acertada lá atrás”, afirmou Tomazoni, referindo-se à estratégia da JBS.

Durante o evento, ele não detalhou os impactos das tarifas dos EUA que afetam também a carne bovina do Brasil, maior exportador global de carne bovina.

A JBS tem a maior parte de suas receitas provenientes da operação nos EUA, mas a empresa também tem importantes plataformas no Brasil e Austrália, entre outros países, como o México.

BARREIRAS AMBIENTAIS?

O executivo afirmou que a pecuária do Brasil enfrenta desafios que vão além das tarifas dos EUA, como as normas ambientais da União Europeia sobre emissões de metano na pecuária, as quais estão erradas, na avaliação do CEO.

“Obviamente essas regulações… estamos falando aqui de tarifas, mas tem outras barreiras que às vezes são mais importantes em impedir que você venda do que propriamente as tarifas em alguns casos”, disse.

Ele citou que tais normas podem ser consideradas um protecionismo.

Tomazoni apontou para um “caso simples” que afeta profundamente o negócio da JBS, que é a “questão” de como a União Europeia faz o calculo das emissões de carbono da pecuária.

“Está errado, eles simplesmente só contemplam emissões, não contemplam as capturas, o ruminante é um animal extraordinário, pega carbono e fibras e transforma em proteínas, se a fibra que ele comeu, a gramínea fez fotossíntese, pegou carbono do ar, sequestrou carbono na folha, estocou no solo nas raízes…”, afirmou.

Ele admitiu que o metano emitido na pecuária “polui”, mas disse que os dejetos dos animais podem ser utilizados com fertilizantes, dentro de um processo de uma economia circular sustentável.

Tomazoni destacou os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta no Brasil, que também capturam carbono.

O presidente da JBS disse que o Brasil deverá levar tais exemplos para serem discutido na COP30, para que importadores como os europeus possam reconhecer as potencialidades do Brasil como produtor de bioenergia e alimentos.

Fonte: Reuters

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