Comércio Exterior

Lula diz que não vai ligar para falar de tarifaço ‘porque Trump não quer’

O presidente Lula (PT) afirmou hoje que não vai ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para falar sobre o tarifaço, que entra em vigor amanhã, porque o norte-americano não estaria interessado.

O que aconteceu

“Ele não quer falar”, disse Lula, durante discurso no Itamaraty. O governo brasileiro tem tentado uma aproximação com o norte-americano e se deixou aberto a uma conversa entre os dois, mas não houve avanço pelo lado de Washington.

O Itamaraty justifica que a ligação é um processo diplomático. Membros das Relações Exteriores dizem que a ligação só ocorre com horário marcado e concordância dos dois lados —logo, caso o norte-americano não indique interesse na ligação, o processo nem é iniciado do lado brasileiro.

Lula disse, no entanto, que deve falar com Trump sobre a COP30, marcada para novembro, em Belém. “Vou ligar para convidá-lo para vir para COP porque quero saber o que ele pensa da questão climática. Vou ter a gentileza de ligar. Vou ligar para ele, para [o presidente chinês] Xi Jinping, para o primeiro-ministro [indiano Narendra] Modi.”

Pouco antes, Lula reclamou da preocupação do país com o Pix. “Qual é a preocupação deles? É que, se o Pix tomar conta do mundo, os cartões de crédito irão desaparecer —e é isso que está por detrás dessa loucura contra o Brasil”, afirmou o presidente, sem citar empresas específicas.

Negociações sobre tarifaço

O governo federal estima que 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão impactadas pelo tarifaço. Isso representa que um total de US$ 14,5 bilhões em vendas externas de produtos brasileiros para o mercado americano passará a ser taxado em 50%.

Ficarão fora da nova taxação 44,6% dos produtos vendidos para os EUA. A fatia corresponde, segundo a governo, a US$ 18 bilhões, levando em conta as vendas do ano passado. A lista de exceções tem 694 itens, incluindo suco de laranja, madeira e derivados de petróleo. Número está próximo ao que havia sido estimado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), de 43,4%.

Mais cedo, o chanceler Mauro Vieira destacou o avanço das negociações. “As tratativas empreendidas pelo governo foram fundamentais para a exclusão de cerca de 700 itens comerciais da ordem executiva sob tarifas, o que preservou setores estratégicos como a indústria de aviões, a produção de sucos de laranja e o setor de celulose”, disse.

Setores foram do “alívio” ao “medo de colapso” desde o anúncio. Indústria de calçados, que será tarifada, prevê perdas significativas, enquanto o setor de sucos cítricos afirmou ter visto a sua própria exceção com otimismo.

Trump ameaçou com “devolução na mesma moeda” se Brasil retaliar. A ordem executiva assinada por Trump afirma que, se o Brasil resolver aumentar as taxas dos produtos importados dos EUA em resposta ao tarifaço americano, o texto será modificado para “garantir a eficácia das medidas determinadas”.

Fonte: UOL

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Comércio Exterior

Minerais críticos e terras raras podem entrar em negociações com EUA

Ministro Fernando Haddad admitiu possibilidade nesta segunda-feira

Os minerais críticos e as terras raras podem entrar nas negociações tarifárias com os Estados Unidos, disse nesta segunda-feira (4) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, um acordo sobre os dois temas pode ser assinado com o governo estadunidense.

“Temos minerais críticos e terras raras. Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”, disse Haddad em entrevista à BandNews nesta tarde.

Atualmente, os minerais críticos, como lítio e nióbio, são usados para a produção de baterias elétricas e em processadores de inteligência artificial (IA). Desde maio, o governo discute um novo marco regulatório para a IA e datacenters (centros de processamento de dados).

Plano de contingência

Em relação ao plano de contingência para ajudar setores afetados pelo tarifaço do governo Trump, Haddad afirmou que as medidas estão prontas e devem ser anunciadas até quarta-feira (6), data marcada para as tarifas entrarem em vigor. Nesta segunda, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o plano está concluído e, entre outras medidas, inclui linhas especiais de crédito e ajuda para compras governamentais.

Novas exceções

Haddad não descartou a possibilidade de outros produtos serem incluídos na lista de exceções dos Estados Unidos até quarta-feira (6). O ministro reiterou que o Brasil continuará negociando e que os termos atuais impostos pelo governo estadunidense são inaceitáveis, mas podem melhorar.

“Creio que alguma coisa [ampliação da lista de exceções] ainda pode acontecer até o dia 6. Pode acontecer, mas estou dizendo que não trabalhamos com data fatídica. Não vamos sair da mesa de negociação até que possamos vislumbrar um acordo, que precisa de interesses em comum. Nesses termos, o Brasil, evidentemente, não vai fazer um acordo, porque não tem o menor sentido na taxação que está sendo imposta ao país”, declarou Haddad.

Um dos possíveis setores beneficiados pode ser o café. Após reunião com Alckmin nesta segunda-feira, o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcio Ferreira, disse haver 50% de chances de o setor ser excluído da tarifa de 50%.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Como começar a operar no comércio exterior: guia prático para empresas que querem exportar ou importar

Entrar no mercado internacional é um passo estratégico para negócios que buscam crescimento, diversificação e novos clientes. Confira os principais passos para iniciar operações com segurança e eficiência.

O comércio exterior brasileiro vem ganhando cada vez mais espaço entre empresas que desejam expandir suas fronteiras, aumentar a competitividade e explorar novas oportunidades. Porém, antes de começar a exportar ou importar, é fundamental entender os processos, exigências e estratégias que envolvem esse universo.

Neste guia do ReConecta News, você confere os 7 passos essenciais para iniciar no comércio exterior, desde o planejamento até a prospecção de clientes internacionais.

1. Estudo de mercado e planejamento: o primeiro passo para exportar ou importar

Antes de iniciar qualquer operação internacional, é necessário identificar quais produtos ou serviços têm potencial de exportação ou importação. Isso envolve uma análise detalhada dos mercados-alvo, barreiras comerciais, concorrência e demanda.

Além disso, é preciso avaliar a viabilidade logística, tributária e regulatória em cada país. Esse planejamento inicial é decisivo para reduzir riscos e garantir assertividade nas decisões.

2. Habilitação no Siscomex: cadastre sua empresa para atuar legalmente

Toda empresa que deseja realizar operações internacionais precisa estar habilitada no Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), da Receita Federal. Esse registro é feito por meio do Radar, e pode ser solicitado nas modalidades Expressa, Limitada ou Ilimitada, dependendo do porte e da capacidade financeira da empresa.

O processo pode ser iniciado pelo site da Receita Federal, com o suporte de contadores ou consultorias especializadas.

3. Estrutura e capacitação: monte uma equipe preparada para o comércio internacional

Ter uma equipe qualificada faz toda a diferença no sucesso das operações. É importante contar com profissionais que conheçam as exigências de documentação aduaneira, logística internacional, idiomas e legislação.

Além disso, vale investir em sistemas de gestão COMEX que auxiliam no controle de prazos, tributos e processos. Outra opção é contar com despachantes aduaneiros e consultores especializados, principalmente no início das atividades.

4. Documentação e compliance: evite erros e garanta conformidade

Cada operação exige um conjunto específico de documentos, como:

  • Fatura comercial (Invoice)
  • Certificado de origem
  • Packing list
  • Conhecimento de embarque (BL, AWB, CMR)

Além disso, é necessário atender exigências de órgãos como ANVISA, MAPA, Receita Federal e autoridades internacionais. Rotulagens específicas, certificações e licenças sanitárias podem ser obrigatórias, dependendo do produto e do destino.

5. Logística e transporte: escolha o modal ideal para sua operação

Um dos pilares do comércio exterior é a logística. É preciso escolher entre os modais marítimo, aéreo ou rodoviário, conforme o tipo de produto, urgência e destino.

Negociar com transportadoras, agentes de carga e empresas de seguro internacional é fundamental para garantir segurança e eficiência no transporte das mercadorias.

6. Finanças e câmbio: proteja sua operação das oscilações econômicas

Definir a forma de pagamento é outro ponto crítico. As mais comuns no comércio exterior são:

  • Carta de crédito
  • Pagamento antecipado
  • Cobrança documentária

Também é importante acompanhar as flutuações cambiais e considerar contratos de hedge para garantir estabilidade financeira. Custos com tributação, armazenagem e taxas portuárias devem estar no radar do planejamento financeiro.

7. Prospecção internacional: como encontrar clientes no exterior

Para expandir sua presença global, invista em ações de promoção comercial:

  • Feiras internacionais
  • Missões empresariais
  • Rodadas de negócios

Além disso, ter materiais em idiomas estrangeiros, um site estruturado e presença em marketplaces B2B como Alibaba, Amazon Global e outras plataformas especializadas pode ampliar significativamente suas chances de sucesso no mercado internacional.

Entrar no comércio exterior exige planejamento, preparo técnico e visão estratégica. Mas os benefícios — como diversificação de mercados, aumento de receita e fortalecimento da marca — fazem esse movimento valer a pena.

Se sua empresa está pronta para crescer além das fronteiras, comece agora mesmo a estruturar seu plano de internacionalização. E continue acompanhando o RêConecta News para mais dicas, cases e oportunidades no mundo do comércio exterior.

TEXTO: REDAÇÃO / DAISE SANTOS

IMAGEM: FREEPIK

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Comércio Exterior

Tarifaço: setores reclamam de demora em socorro após reunião com governo

Executivos relatam “frustração” enquanto não há data para anúncio e indicam medidas ventiladas não atendem a preocupações do curto prazo

Executivos que se reuniram com membros do governo Lula na segunda-feira (4) reclamam de demora da gestão federal para apresentar um plano de contingência voltado a socorrer as empresas que serão prejudicadas pelas tarifas de 50% dos Estados Unidos, que entram em vigor no próximo dia 6.

Um presidente de associação que conversou com a CNN disse que, após a reunião, o clima entre os empresários era de “frustração”.

Segundo representantes presentes — além de faltar sinalização sobre uma data para o socorro —, as medidas ventiladas pelo governo durante a conversa — como utilização de compras governamentais e busca por novos mercados — atenderiam os segmentos especialmente no médio e longo prazo.

Sobre compras governamentais, por exemplo, um executivo afirma que, na percepção dos setores, a medida pode demorar entre 30 e 60 dias para se concretizar, enquanto as mercadorias perecíveis que embarcariam para os Estados Unidos precisam de uma solução imediata.

O governo federal ventila a possibilidade de comprar — ou autorizar gestões estaduais a fazê-lo — itens que deixem de ser exportados devido às taxas.

Outro problema, segundo os empresários, seria que os produtos por vezes levam sabor e embalagens características da encomenda e haveria impasses para distribuí-lo no mercado interno.

Os executivos deixaram a reunião com a percepção de que as negociações diplomáticas foram de fato destravadas, mas avaliam que a expansão da lista de exceções ou redução da alíquota de 50% não será imediata. Também por isso, reclamam da alegada demora.

Questionado sobre a frustração dos setores, após o encontro, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), disse que o plano será apresentado “em questão de dias”.

“Estamos terminando um trabalho conjunto, de vários ministérios, o plano de contingência. E em questão de dias isso estará resolvido”, afirmou.

Fonte: CNN Brasil

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Notícias

Navio Ever Lunar perde 50 Contêineres durante manobra no Porto do Peru

Falha em fixação causa perda de 50 contêineres no Peru

No dia 1º de agosto de 2025, o Porto de Callao, principal terminal portuário do Peru, enfrentou um incidente significativo que resultou no fechamento temporário de suas operações.

O navio Ever Lunar, de bandeira taiwanesa e operado pela Evergreen Marine Corp., maior transportadora de contêineres de Taiwan, perdeu cerca de 50 contêineres enquanto estava ancorado a aproximadamente 3,9 milhas náuticas a nordeste da Ilha de San Lorenzo, na baía de Callao. O incidente, ocorrido por volta das 9h40 (horário local), levou à suspensão das atividades portuárias por algumas horas, com o porto sendo totalmente fechado para garantir a segurança e facilitar as operações de recuperação.

O Ever Lunar, que transportava cerca de 7.000 contêineres, sofreu um forte balanço, possivelmente causado por uma combinação de fatores, incluindo más condições marítimas no inverno sul-americano, aumento repentino de ondas e os efeitos remotos de um tsunami desencadeado por um terremoto na Rússia. Esses fatores podem ter contribuído para a falha nos sistemas de fixação dos contêineres, localizados na popa do navio, que caíram ao mar. A Evergreen Marine Corp. confirmou que toda a tripulação a bordo está segura e que a empresa está cooperando plenamente com as autoridades portuárias na investigação do incidente.

O Capitão do Porto, Amílcar Velásquez, informou que o navio não estava em processo de carga ou descarga no momento do ocorrido. As autoridades descartaram a presença de substâncias perigosas nos contêineres perdidos, que transportavam principalmente produtos plásticos, eliminando riscos de poluição ambiental.

No entanto, os contêineres, muitos com carga derramada, permanecem à deriva, representando um risco à navegação na área. A Marinha peruana mobilizou os barcos de patrulha Río Chama e Río Chira para coordenar a busca e recuperação, enquanto um alerta marítimo de nível cinco foi emitido, proibindo a navegação e paralisando as operações portuárias.

O fechamento temporário afetou não apenas o Porto de Callao, mas também outros terminais na região, incluindo a Zona Central (Baía de Callao), Zona Norte “A” (Pampilla 1, 2 e 3), Zona Norte “B” (Solgas e Biocombustíveis Puros), Zona Norte “C” (Tralsa 1, 2, Surfisa, Quimpac e Zeta Gas) e Zona Sul (Multiboyas Conchán e cais da Unacem Lima). As operações foram retomadas gradualmente a partir das 14h06 de sábado, 2 de agosto, mas os impactos do incidente ainda são sentidos, especialmente em cadeias de suprimento, dado o papel crucial de Callao no comércio internacional.

Condições climáticas adversas, como neblina densa, céu nublado e alta umidade associadas ao Anticiclone do Pacífico Sul, relatadas pelo Senamhi, agravaram a situação. O incidente ocorre em um contexto de tensão no litoral peruano, com alertas de tsunami e ventos intensos afetando Lima, Arequipa, Moquegua e Tacna nos dias anteriores, impactando diretamente os trabalhadores portuários, que enfrentam três dias consecutivos de interrupções.

A recuperação dos contêineres será coordenada pelas seguradoras nos próximos dias, com equipes especializadas enfrentando desafios devido às condições do mar e à profundidade da área. A Evergreen se comprometeu a adotar medidas preventivas para evitar novos incidentes, enquanto as autoridades portuárias continuam investigando as causas, com foco em possíveis falhas de manutenção ou sobrecarga nos sistemas de fixação. A comunidade portuária aguarda os resultados para implementar melhorias em infraestrutura e protocolos de segurança, visando mitigar riscos futuros.

Fonte: Jornal Portuário

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Portos

Porto do Itaqui atinge melhor mês da sua história

Foram 3,76 milhões de toneladas movimentadas e 112 navios atracados

O Porto do Itaqui, no Maranhão, alcançou mais uma conquista em julho de 2025, registrando a maior movimentação mensal de sua história: 3,76 milhões de toneladas. Além disso, o mês também atingiu outro marco inédito: o maior número de atracações já atendidas em um único mês, com 112 navios. No acumulado do ano, o Itaqui já soma mais de 21 milhões de toneladas movimentadas.  

Uma das motivações que justifica o alto desempenho é a intensificação das operações Ship-to-Ship (StS), principalmente após o início desse tipo de operação no berço 108. “A STS movimentou cerca de 415 mil toneladas, o dobro do planejado para o mês e o dobro do volume registrado em julho de 2024. Só em julho deste ano, foram 11 navios atendidos a contrabordo, representando um terço do total de 2025 até agora e 65% de todo o ano anterior”, destacou o gerente de logística do Itaqui, Gervásio Reis.  

No acumulado de janeiro a julho, o porto ultrapassou a marca de 21 milhões de toneladas, totalizando 21,042 milhões. O crescimento foi registrado em todos os segmentos: granéis sólidos (+8%), granéis líquidos (+11%) e carga geral (+3%). Entre os produtos com maior destaque no ano estão: soja (+7%), fertilizantes (+25%), cobre (+12%), derivados de petróleo para o mercado interno (+6%), transbordo de derivados de petróleo (+19%), sebo bovino (+34%), celulose (+2%) e trilhos (+69%).

“São resultados que reforçam o impacto positivo dos investimentos realizados pelo Porto do Itaqui em relação à ampliação da capacidade operacional, à melhoria contínua dos processos e ao fortalecimento da infraestrutura portuária para atender à crescente demanda do setor logístico no Maranhão e no Brasil”, explicou a presidente em exercício do Porto do Itaqui, Isa Mary Mendonça. 

A movimentação de celulose também se destacou, com crescimento de 13% em relação ao planejado e 46% em comparação a julho de 2024. Com operações cada vez mais eficientes e diversificadas, o porto reafirma seu papel como o maior porto público do Arco Norte e um dos principais corredores de exportação e importação do Brasil, contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico da região.

Fonte: Modais em Foco

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Industria

Representante da indústria têxtil: tarifa pode ameaçar até 15 mil empregos

Setor têxtil brasileiro busca alternativas comerciais diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos

indústria têxtil brasileira enfrenta um momento crítico após o anúncio de novas tarifas pelos Estados Unidos, com potencial impacto em até 15 mil postos de trabalho no setor.

Em entrevista à CNNFernando Pimentel, diretor superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), destaca que alguns contratos já estabelecidos podem ser inviabilizados com as novas tarifas.

Há, por exemplo, um pedido de US$10 milhões, que estava previsto para outubro, que precisará ser renegociado entre as partes para manter sua viabilidade, relata Pimentel.

Corrida contra o tempo

O especialista também explica que empresas do setor estão em uma corrida para realizar embarques antes do prazo limite de 5 de agosto, último dia antes da implementação das tarifas de 50% ao Brasil. A mobilização envolve não apenas a preparação das mercadorias, mas também a organização da logística necessária para o despacho nos portos.

Diversificação de mercados

O setor têxtil brasileiro já mantém importantes acordos comerciais na América do Sul, com tarifação zero, e trabalha para expandir sua presença em outros mercados. Entre as perspectivas, destacam-se os acordos Mercosul-União Europeia e Mercosul-EFTA, previstos para entrar em vigor no próximo ano.

Além disso, o setor realizou uma missão exploratória à África e busca aprofundar relações comerciais com México e Canadá. No entanto, Pimentel ressalta que o custo Brasil, acima da média da OCDE, representa um desafio significativo para a competitividade do setor no mercado internacional.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Logística

ANTAQ reconhece abusos e estabelece nova abordagem para denúncias em cobrança de sobre-estadia de contêiner

Com o avanço de denúncias sobre abuso em cobrança aos usuários por atrasos na entrega ou retirada de contêineres, a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) estabeleceu um rito sumário para uniformizar e dar uma solução mais célere às reclamações que chegam ao órgão. Em votação na última quinta-feira (31) que partiu de um diagnóstico sobre a relação entre armadores, importadores e exportadores, a ANTAQ firmou entendimentos regulatórios que vão nortear o tratamento dessas denúncias dentro do órgão, incluindo o funcionamento deste novo rito sumário.  

Uma das principais premissas reafirmadas pela diretoria é a de que a cobrança de sobre-estadia de contêiner só deve ocorrer quando a utilização do equipamento ou da área além do período de livre estadia decorrer do interesse ou da escolha do usuário. O processo foi relatado pela diretora Flávia Takafashi que, usando termos duros, apontou que cobranças abusivas têm trazido diversos prejuízos aos usuários. 

Segundo ela, desde 2023, houve um aumento significativo nas denúncias relacionadas às cobranças de demurrage. Em 2024, a média foi de 45 registros por mês, um crescimento de 81% em relação a 2023, quando foram registradas 135 denúncias ao longo de todo o ano. Para tentar conter esse avanço, o colegiado optou, neste momento, por esclarecer entendimentos regulatórios vigentes e criar um rito sumário para solução mais rápida das denúncias. A discussão sobre possíveis alterações normativas será deixada para uma etapa posterior, com a realização de AIR (Análise de Impacto Regulatório).

O rito sumário será aplicado tanto em denúncias quanto em medidas cautelares. A medida visa a acelerar a apuração dos casos e evitar o acúmulo de novas queixas. À Agência iNFRA, a diretora explicou que o rito vai promover uma composição inicial entre as partes. A agência convocará o denunciante e os denunciados para, preliminarmente, avaliar a legitimidade das cobranças. Caso se entenda pela ilegitimidade, será proposto ao denunciado o cancelamento dos valores cobrados.

“Havendo concordância, o processo será extinto, as cobranças canceladas, sem aplicação de penalidade, e a questão central – a proteção dos interesses da agência e a verificação da abusividade da cobrança – será resolvida, garantindo a tutela ao denunciante”, afirmou Takafashi.

No caso das medidas cautelares, o rito também prevê a convocação das partes para, com base nos novos critérios regulatórios, avaliar a legitimidade das cobranças. “Constatada a ilegitimidade, será promovida a composição, com o cancelamento dos valores considerados ilegais ou irregulares. Caso a denúncia seja julgada improcedente, o denunciante será informado sobre a necessidade de pagamento das faturas, e o processo seguirá sem necessidade de deliberação do colegiado quanto à cautelar”, explicou.

Atualmente, as denúncias recebidas pela ANTAQ seguem o rito de um processo administrativo sancionador. As queixas são encaminhadas à área de fiscalização, que verifica a existência de indícios de irregularidades e, em caso positivo, lavra auto de infração. Em seguida, inicia-se a instrução processual, semelhante a um processo judicial, garantindo o contraditório e a ampla defesa. 

Ao final, a ANTAQ decide sobre a procedência da denúncia e, se for o caso, aplica as penalidades previstas. A votação de ontem não alterou nenhuma resolução da agência. Os pontos que necessitam de mudanças normativas serão tratados na Agenda Regulatória 2025-2028.

Confira as premissas estabelecidas pelo colegiado da ANTAQ para definir se uma cobrança é ou não adequada:

  • Somente deve incidir cobrança quando a utilização dos contêineres por prazo superior a livre estadia ocorrer: no interesse, por opção ou por culpa dos usuários, ou quando o evento causador estiver sobre o risco do negócio dos usuários; 
  • A cobrança só se justifica nos casos em que a permanência, além do período de estadia free time decorra do interesse, da escolha voluntária ou da responsabilidade dos usuários, ou ainda quando a causa da demora for relacionada a riscos assumidos no negócio;
  • Não poderá haver incidência quando a paralisação dos contêineres for relacionada a: ato ou omissão do transportador ou daqueles a seu serviço, a logística mobilizada pelo transportador marítimo, ou quando o evento causador estiver sobre o risco do negócio do transportador, do depósito de vazios ou do terminal portuário; 
  • Não é admissível a cobrança nos casos em que o não retorno dos contêineres decorra de ações ou omissões atribuíveis ao transportador ou a seus prepostos, a estrutura logística adotada pelo próprio transportador, ou quando o evento que motivou a paralisação se insira nos riscos operacionais do transportador, do terminal portuário ou do depósito de contêineres vazios.

Passivo
As reclamações sobre cobranças feitas por armadores se intensificaram após a pandemia de Covid-19. Na época, os usuários denunciaram omissão de escalas por parte dos navios e a cobrança pelo tempo adicional de espera. Em sua defesa, os armadores informaram à agência que as reclamações ficariam restritas a um grupo pequeno de clientes, indicando que 91% não teriam problemas. Mas, na avaliação da relatora, os números não justificam os problemas no atendimento.

Takafashi também explicou que o rito sumário será aplicado aos processos que já estão em tramitação na ANTAQ, com o objetivo de uniformizar as novas premissas em todas as denúncias. Segundo ela, pelo menos 35 pedidos de cautelares para eliminar cobranças de sobre-estadia estão atualmente na SFC (Superintendente de Fiscalização e Coordenação das Unidades Regionais). 

Esses casos devem ser analisados com base no novo rito, e, caso sejam encaminhados ao plenário do colegiado, a relatoria permanecerá com a diretora responsável pelo processo da crise dos contêineres – medida adotada para evitar “desentendimentos”, conforme acatado pelo plenário. Quanto às novas denúncias que chegarem à agência e precisarem ser avaliadas pelos diretores, a relatoria será definida por sorteio.

A diretora estabeleceu que o primeiro objetivo da SFC, com a nova orientação, é suspender a aplicação de penalidades aos armadores. “Neste primeiro momento, o foco será buscar uma solução para as demandas. Havendo acordo em casos considerados abusivos, os processos poderão ser arquivados sem a aplicação de penalidades aos armadores”, afirmou Takafashi.

Procurada, a Centronave, que reúne empresas de navegação, afirmou que não irá se pronunciar sobre o assunto. Já a Logística Brasil, representante dos usuários, considerou a medida uma “evolução da agência”, mas destacou que a regulamentação precisa avançar também sobre as cobranças realizadas por agentes intermediários dos armadores.

Fonte: Agência Infra

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Comércio Exterior

Excesso de carga não declarada em contêineres pressiona armadores

A conteinerização revolucionou o transporte de mercadorias. No entanto, na última década, embarcadores e agentes de carga inescrupulosos, em busca de economizar alguns dólares no frete, colocaram em risco um modo eficiente e seguro de transporte em contêineres ao falsificarem o peso das cargas, seu conteúdo, além de não embalarem e fixarem as mercadorias dentro dos contêineres conforme os requisitos das normas internacionais e do Código Marítimo Internacional de Mercadorias Perigosas (IMDG).

Alguns acidentes recentes com navios porta-contêineres ilustram o problema: MSC Flaminia (2012), APL Austria (2017), Maersk Honam (2018), ONE Apus (2020), Maersk Essen, Maersk Eindhoven, XPress Pearl e MSC Messina (todos em 2021), além de MSC Elsa-3, Grande Brasile, Altay e Wan Hai 503, ocorridos este ano.

Segundo o Lloyd’s Register, a declaração incorreta de carga (peso e conteúdo) é o terceiro maior fator contribuinte para acidentes com porta-contêineres.

A subdeclaração cumulativa do peso de contêineres pode causar sérios problemas de estabilidade. Colocar um contêiner de 18 toneladas declarado como se pesasse apenas oito toneladas em uma posição mais elevada pode resultar em uma condição conhecida no jargão marítimo como “navio tender” — mais propenso a balanços acentuados, o que aumenta a tensão sobre as pilhas de contêineres e seus sistemas de fixação, superando os limites estruturais previstos e fazendo com que contêineres se soltem e caiam no mar.

Armazenar uma carga exotérmica (que libera calor) ao lado de um líquido inflamável pode não representar risco enquanto o contêiner estiver parado em um pátio, mas, com o movimento do navio em alto-mar e o ambiente marítimo, pode haver uma reação térmica descontrolada, combustão, incêndio, explosão e liberação de gases inflamáveis e tóxicos. Navios não estão equipados nem os tripulantes preparados para lidar com desastres químicos dessa natureza.

Apesar da exigência da IMO, em vigor desde julho de 2016, que tornou obrigatória a verificação da massa bruta (VGM), embarcadores e agentes de carga continuam desrespeitando a regra e, infelizmente, raramente são responsabilizados. O armador acaba arcando com prejuízos pesados por razões que fogem ao escopo de suas operações. Por outro lado, as aduanas internacionais não estão equipadas — nem são obrigadas, conforme o capítulo três da Convenção Revisada de Kyoto da Organização Mundial das Alfândegas e o SAFE Framework of Standards (2005) — a verificar o conteúdo e o peso de cada contêiner. Elas confiam naquilo que é declarado pelo embarcador ou agente de carga na fatura de embarque.

Confiar exclusivamente na declaração do embarcador ou do agente de carga é a grande falha — o calcanhar de Aquiles — do serviço porta a porta.

Como soluções essenciais, recomendamos que um órgão independente, aprovado pela administração (como uma sociedade classificadora), seja nomeado para verificar o conteúdo, peso, embalagem e fixação da carga no momento da estufagem — etapa mais crítica na jornada do contêiner. Essa verificação deveria ser um pré-requisito para que a alfândega emitisse o manifesto de carga.

Também deveria ser obrigatório que todo embarcador e agente de carga obtivesse um número IMO como identidade única, vinculado à fatura de embarque e ao manifesto aduaneiro de cada contêiner estufado.

A Organização da Aviação Civil Internacional exige que embarcadores e agentes de carga sejam treinados para manusear carga IMDG. Uma exigência semelhante deveria ser aplicada obrigatoriamente ao setor marítimo.

Dado que a declaração incorreta pode ser catastrófica, declarações erradas ou falsas deveriam ser tratadas como crime passível de detenção por todos os Estados-membros da IMO, com punições severas e multas pesadas previstas em suas legislações.

O Conselho Mundial das Alfândegas e a IMO deveriam realizar uma sessão conjunta para discutir essa ameaça crescente — mais um fardo que ameaça quebrar as costas dos donos de navios porta-contêineres.

Fonte: Splash 247

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Comércio Exterior

Armadoras revisam previsões para 2025 diante de mercado morno de contêineres

A perspectiva para o segundo semestre de 2025 no mercado global de transporte de contêineres está se desenhando como decepcionante, com demanda fraca, excesso de capacidade e turbulência nas políticas comerciais levando as armadoras a revisarem suas projeções financeiras para o ano. Nesta terça-feira, a japonesa Ocean Network Express (ONE) revisou para baixo suas estimativas para o ano fiscal completo — e outras companhias devem seguir o mesmo caminho.

Analistas do banco Jefferies resumiram o clima atual em seu mais recente relatório sobre contêineres, intitulado “O lugar nada empolgante entre o ruim e o não tão ruim”, capturando a estagnação do mercado. Apesar de alguns picos nas tarifas no início do verão, o sentimento se deteriorou significativamente, e o setor se prepara para uma temporada de pico com desempenho fraco.

A Linerlytica alerta que os efeitos em cascata das políticas tarifárias dos EUA já começam a se fazer sentir, com os volumes de contêineres sob pressão. O recente acordo comercial entre EUA e União Europeia, que inclui uma tarifa de 15% sobre produtos europeus, deve atingir com força o fluxo transatlântico. As importações da Europa para os EUA cresceram 8% no primeiro semestre de 2025, mas essa tendência deve se inverter na segunda metade do ano: o Jefferies projeta uma queda de 10%. Enquanto isso, a capacidade na rota transatlântica continua 16% maior do que há um ano, aumentando os temores de excesso significativo de oferta caso a demanda caia como previsto.

Os índices de frete refletem esse pessimismo. O Índice de Frete Conteinerizado de Xangai (SCFI) caiu por oito semanas consecutivas, com nova baixa de 42 pontos nesta terça-feira. As tentativas das armadoras de elevar tarifas em agosto não vêm surtindo efeito, diante do desequilíbrio entre oferta e demanda.

A ONE, sexta maior armadora do mundo, divulgou hoje seus resultados do primeiro trimestre e cortou US$ 400 milhões de sua previsão anual. O CEO Jeremy Nixon citou os desafios geopolíticos e econômicos em curso.

“Nossa previsão para o ano completo deve enfrentar ventos contrários devido às contínuas incertezas geopolíticas, às condições de mercado em evolução nas principais economias e aos congestionamentos portuários que afetam as cadeias globais de suprimento”, afirmou Nixon.

Segundo a Sea-Intelligence, o breve rali nas tarifas no início de junho já perdeu força, e a tão esperada alta sazonal pode nem se materializar. No pior cenário, os volumes de agosto podem despencar até 26% em relação ao mesmo mês do ano anterior, forçando mais cancelamentos de escalas (blank sailings) e pressão para redução nas tarifas.

Mesmo que ocorra um breve e urgente aumento no final de setembro — impulsionado por importadores dos EUA apressando-se para embarcar mercadorias antes do feriado da Semana Dourada na China — analistas alertam que seria apenas um pico passageiro. “Podemos ver outro salto nas tarifas como em junho, seguido de nova queda acentuada”, observou a Sea-Intelligence.

A volatilidade também aparece nas tarifas spot. Lars Jensen, da Vespucci Maritime, destacou nesta semana que as tarifas transpacíficas para a costa oeste dos EUA — que haviam disparado mais de US$ 3.000 por FEU em junho — já voltaram completamente aos níveis anteriores ao pico.

Fonte: Splash 247

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