Comércio Exterior

Com peso forte, Argentina acelera compra de carne do Brasil ao maior nível desde 1997

Os argentinos consomem cerca de 50 quilos de carne vermelha por pessoa ao ano, um volume em queda nos últimos anos, mas ainda entre os maiores do mundo

A Argentina, tradicional potência pecuária, está importando carne bovina enquanto as políticas cambiais e comerciais do presidente Javier Milei tornam mais barato adquirir o produto no exterior, mesmo com os preços internos ainda elevados.

As importações mensais vindas do Brasil saltaram para uma média de 1.033 toneladas métricas no primeiro semestre de 2025, contra apenas 24 toneladas no mesmo período do ano passado — um recorde sazonal desde o início da série histórica, em 1997, segundo dados oficiais brasileiros. No total, as compras externas de carne bovina pela Argentina já estão no maior nível desde 2019.

Os argentinos consomem cerca de 50 quilos de carne vermelha por pessoa ao ano, um volume em queda nos últimos anos, mas ainda entre os maiores do mundo. Com o churrasco — ou asado — profundamente enraizado na cultura nacional, o preço da carne é acompanhado de perto pelo eleitorado que Milei busca conquistar nas eleições legislativas de outubro. Em junho, o custo da carne na região de Buenos Aires subiu 53% em relação ao ano anterior, bem acima da inflação geral, de 39%.

Embora o aumento das importações tenha pouco impacto em um país que produz cerca de 250 mil toneladas por mês, ele evidencia a decisão de Milei de manter o peso valorizado e abrir mais a economia ao comércio exterior para conter a inflação.

As medidas ajudaram a desacelerar a alta de preços antes da votação de outubro, mas também tornaram as importações mais baratas — um fator que pressiona a balança comercial no momento em que Milei precisa gerar mais dólares para estabilizar a economia e cumprir metas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O peso se desvalorizou nas últimas semanas, mas a cotação atual, em torno de 1.360 pesos por dólar, ainda é considerada relativamente forte quando se leva em conta o custo dos bens e serviços no país.

“Como a Argentina ficou mais cara em termos de dólar, abriu-se a porta para trazer carne do Brasil a preços competitivos”, disse Diego Ponti, analista do mercado de carne bovina na consultoria AZ Group. “Mas são volumes muito pequenos — negócios isolados feitos por compradores próximos à fronteira ou por frigoríficos com plantas nos dois países.”

Segundo dados da AZ Group, frigoríficos argentinos chegaram a pagar, em alguns momentos deste ano, o equivalente a quase US$ 5 por quilo de boi gordo.

A maior parte das exportações argentinas — que somaram cerca de US$ 3,4 bilhões no ano passado — vai para a China. No entanto, com o presidente dos EUA Donald Trump impondo uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira como parte de sua guerra comercial global, isso pode aumentar a concorrência pelas vendas.

“A maior parte dos excedentes que o Brasil não conseguir vender aos EUA provavelmente será destinada à China”, afirmou Ponti. “Isso levaria os importadores chineses a negociar contratos mais baratos.”

Fonte: InfoMoney

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Exportação

Exportações brasileiras crescem 4,8% em julho e atingem US$ 198 bilhões no acumulado do ano

Crescimento das vendas ocorre para vários destinos, com destaque para EUA, México, Argentina, União Europeia e Japão; importações também avançam

Exportações registram avanço em julho

Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6/8) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), as exportações brasileiras cresceram 4,8% em valores e 7,2% em volume no mês de julho de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. Em julho, o país exportou US$ 32,31 bilhões.

Acumulado do ano soma US$ 198 bilhões em exportações

No acumulado até julho, as exportações brasileiras totalizam US$ 198 bilhões, o que representa crescimento de 0,1% em valores e 2% em volume sobre o mesmo período do ano anterior. A corrente de comércio soma US$ 359 bilhões no ano, com saldo positivo de US$ 37 bilhões.

Crescimento das exportações para principais destinos

O avanço nas exportações ocorreu para diversos mercados importantes, com destaque para o volume embarcado:

  • Estados Unidos: aumento de 5%
  • México: crescimento de 17,2%
  • Argentina: expansão expressiva de 42,4%
  • União Europeia: alta de 7,4%
  • Japão: incremento de 7,3%
Principais produtos e setores em alta

Entre os produtos com maior crescimento mensal estão carne bovina, óleos brutos de petróleo, minérios de cobre e café não torrado. No que diz respeito aos setores, a Indústria de Transformação liderou o avanço em valores, com crescimento de 7,4%, seguida pela Indústria Extrativa (3,6%) e pela Agropecuária (0,3%).

Importações também apresentam crescimento significativo

No mês de julho, as importações brasileiras subiram 8,4% em valores, totalizando US$ 25,2 bilhões. O destaque ficou para:

  • Bens de capital, com aumento de 13,4%
  • Bens intermediários, crescimento de 10,8%
  • Bens de consumo, alta de 5,1%

No acumulado do ano até julho, as importações somam US$ 161 bilhões, com crescimento de 8,3% em valores e 9,7% em volume.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação

CBA redireciona exportações de alumínio para Europa e América Latina após tarifa de 50% dos EUA

Com a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o alumínio brasileiro nesta quarta-feira (6), a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) redirecionou suas exportações para Europa, América Latina e o próprio Brasil.

Embora apenas uma pequena parte das exportações tivesse como destino os Estados Unidos, o presidente da CBA, Luciano Alves, afirmou que a tarifa exigiu ajustes imediatos na estratégia comercial da empresa.

“Tivemos um trimestre com vendas muito parecido com o primeiro trimestre (…) e um volume de vendas saudável com 91% destinado ao mercado interno. Das exportações, de 9%, uma parte ia para os EUA e desviamos deste volume para outros mercados, principalmente Europa, América Latina e Brasil”, frisa.

O executivo reconhece que o movimento tarifário promovido pelo governo de Donald Trump traz impactos indiretos na cadeia e impactos no preço. “A consequência disso é que já vemos uma queda no prêmio da Europa, com muito metal chegando de todos que não estão conseguindo vender para os EUA, e isso influencia na queda de preços”, observou.

Essa saturação de mercados alternativos tem levado à compressão de margens e ao aumento da competição, inclusive no Brasil, onde empresas que antes priorizavam os Estados Unidos também buscam novos compradores.

“No Brasil, isso também ocorre com uma competição maior de outros mercados que antes vendiam para os EUA e passaram a buscar alternativas”, afirma.

Para Alves, o cenário exige atenção, mas ainda não é motivo para alarme. Outro ponto é sobre possíveis medidas de reciprocidade por parte do Brasil, o presidente da CBA, no entanto, frisa que os efeitos seriam limitados, já que a companhia adota uma política de diversificação na sua base de insumos.

Segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio, os efeitos da tarifa de sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos pode provocar um impacto de R$ 1,15 bilhão no setor até o fim de 2025. O valor representa os prejuízos diretos já contabilizados e as perdas projetadas após a ampliação da tarifa de importação para 50%, determinada por nova ordem executiva de Trump.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio Exterior

Tarifas mais altas de Trump atingem grandes parceiros comerciais dos EUA, gerando questionamentos e preocupação

As tarifas mais altas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às importações de dezenas de países entraram em vigor nesta semana, elevando a tarifa média de importação dos Estados Unidos para o maior patamar em um século e deixando importantes parceiros comerciais, como a Suíça, o Brasil e a Índia, na busca apressada por acordos melhores.

A agência de Alfândega e Proteção da Fronteira dos EUA passou a cobrar as tarifas mais altas nesta quinta-feira — no caso do Brasil a taxação maior começou já na quarta-feira — após semanas de suspense sobre as taxas finais de Trump e negociações frenéticas com os principais parceiros comerciais que buscavam reduzi-las.

Os líderes do Brasil e da Índia prometeram não se intimidar com a posição de barganha de Trump, enquanto seus negociadores buscam um alívio dos níveis tarifários mais altos.

As novas tarifas testarão a estratégia de Trump para reduzir os déficits comerciais dos EUA sem causar grandes interrupções nas cadeias de suprimentos globais ou provocar inflação mais alta e retaliação rígida dos parceiros comerciais.

“BILHÕES” EM RECEITA TARIFÁRIA

Depois de revelar suas tarifas do “Dia da Libertação” em abril, Trump modificou frequentemente seus planos, aplicando taxas muito mais altas sobre as importações de alguns países, incluindo 50% para produtos do Brasil, 39% da Suíça, 35% do Canadá e 25% da Índia. Na quarta-feira, ele anunciou uma tarifa separada de 25% sobre os produtos indianos, a ser imposta em 21 dias, devido às compras de petróleo russo pela Índia.

“BILHÕES DE DÓLARES, EM GRANDE PARTE DE PAÍSES QUE TIVERAM VANTAGEM DOS ESTADOS UNIDOS POR MUITOS ANOS, RINDO O TEMPO TODO, COMEÇARÃO A ENTRAR NOS EUA”, disse Trump no Truth Social, pouco antes do prazo final da tarifa.

As tarifas são, em última instância, pagas pelas empresas que importam as mercadorias e repassadas total ou parcialmente aos consumidores dos produtos finais.

O principal negociador comercial de Trump, Jamieson Greer, disse que os EUA trabalham para reverter décadas de políticas que enfraqueceram a capacidade de produção e a força de trabalho dos EUA, e que muitos outros países compartilhavam preocupações sobre desequilíbrios macroeconômicos.

“As regras do comércio internacional não podem ser um pacto suicida”, escreveu ele em uma coluna publicada pelo New York Times.

“Ao impor tarifas para reequilibrar o déficit comercial e negociar reformas significativas que formam a base de um novo sistema internacional, os Estados Unidos demonstraram uma liderança ousada”, disse Greer.

Oito grandes parceiros comerciais, que representam cerca de 40% dos fluxos comerciais dos EUA, chegaram a acordos para concessões comerciais e de investimento com Trump, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, reduzindo suas taxas tarifárias básicas para 15%.

O Reino Unido obteve uma taxa de 10%, enquanto o Vietnã, a Indonésia, o Paquistão e as Filipinas garantiram reduções de taxas para 19% ou 20%.

“Para esses países, as notícias são menos ruins”, disse William Reinsch, membro sênior e especialista em comércio do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Haverá algum rearranjo na cadeia de oferta. Haverá um novo equilíbrio. Os preços aqui subirão, mas levará algum tempo para que isso se manifeste de forma significativa”, disse Reinsch.

Os países com tarifas muito altas, como a Índia e o Canadá, “continuarão a se esforçar para tentar consertar isso”, acrescentou.

A presidente da Suíça, Karin Keller-Sutter, disse nesta quinta-feira que as conversações com os EUA continuariam depois que ela voltou para casa de mãos vazias de uma viagem de 11 horas a Washington com o objetivo de evitar a tarifa de importação dos EUA sobre os produtos suíços.

Uma tentativa de última hora da África do Sul de melhorar sua oferta em troca de uma tarifa mais baixa também fracassou. As equipes de negociação comercial dos dois países terão mais conversas, informou o gabinete do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

O Vietnã disse na quinta-feira que continuaria as negociações com os EUA, buscando reduzir ainda mais as tarifas, depois de negociar uma redução para 20% da tarifa de 46% que Trump impôs às importações do país do sudeste asiático em abril.

Enquanto isso, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse à Reuters na quarta-feira que não se humilharia ao tentar fazer uma ligação telefônica com Trump, mesmo tendo afirmado que seu governo continuará as negociações em nível de gabinete para reduzir a tarifa de 50%.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, foi igualmente desafiador, dizendo que não comprometerá os interesses dos agricultores do país.

Também há sinais de que alguns países estão se unindo para enfrentar Trump. Lula ligou nesta quinta-feira para Modi e disse que também falará com o presidente da China, Xi Jinping, para discutir uma resposta conjunta do Brics às tarifas.

A Índia disse na quarta-feira que Modi visitará a China pela primeira vez em sete anos.

RECEITAS E PREÇOS MAIORES 

Os impostos de importação dos EUA são uma parte de uma estratégia tarifária de várias camadas que inclui tarifas setoriais baseadas na segurança nacional sobre semicondutores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, alumínio, cobre, madeira e outros produtos. Trump disse na quarta-feira que as tarifas sobre microchips poderiam chegar a 100%.

A China está em uma trilha tarifária separada e enfrentará um possível aumento de imposto de importação dos EUA em 12 de agosto, a menos que Trump aprove uma prorrogação da trégua anterior após conversas na semana passada na Suécia. Ele disse que poderá impor tarifas adicionais sobre as compras de petróleo russo pela China, pois busca pressionar Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.

Trump tem elogiado um grande aumento na arrecadação proveniente da cobrança de impostos de importação, e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse à Fox Business Network nesta quinta-feira esperar que a receita das tarifas chegue a US$50 bilhões por mês.

A medida elevará a média das taxas tarifárias dos EUA para cerca de 20%, a mais alta em um século e bem acima dos 2,5% de quando Trump assumiu o cargo em janeiro, segundo estimativas do Instituto Atlantic.

Dados do Departamento de Comércio divulgados na semana passada mostraram mais evidências de que as tarifas estão elevando os preços dos EUA, enquanto os custos estão aumentando para as empresas.

Na quinta-feira, a Toyota disse esperar um impacto de quase US$10 bilhões das tarifas sobre os carros importados para os EUA e reduziu sua previsão de lucro para o ano inteiro em 16%.

Mas outras empresas japonesas, como a Sony e a Honda, disseram que agora esperam um impacto menor sobre os lucros, depois que o Japão fechou um acordo bilateral com Washington para reduzir as tarifas.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Dependência de fertilizantes russos deixa Brasil vulnerável a mais taxações dos EUA

O Brasil pode ser alvo de novas taxas dos Estados Unidos por comprar fertilizantes da Rússia, seu principal fornecedor.

Os fertilizantes químicos funcionam como um tipo de adubo, usado para preparar e estimular a terra para o plantio.

O presidente Donald Trump aplicou uma tarifa adicional à Índia nesta quarta-feira (6) por comprar petróleo dos russos. Segundo ele, isso contribui “para a manutenção da guerra contra a Ucrânia”.

Com a nova taxa, a tarifa total aplicada à Índia subiu para 50% — empatando com a do Brasil e deixando o país asiático entre os mais taxados por Trump.

Ainda na quarta-feira, Trump declarou que mais tarifas podem ser impostas.

Se o Brasil for alvo de algo semelhante, a produção de alimentos no Brasil pode ser afetada, com aumento nos custos para o agricultor e o consumidor, diz o consultor Carlos Cogo.

Segundo o especialista, a dependência da importação do Brasil torna o país “vulnerável” a esses tipos de aumento.

No mercado de fertilizantes, existem três insumos que são os mais relevantes, que formam o NPK, aponta Cicero Lima, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV AGRO). São eles:

o nitrogênio (N), que o Brasil importa 95%;

o fosfato (P), o qual 75% é comprado no exterior;

e o potássio (K), com 91% vindo de fora do país.

Cogo aponta os principais motivos que explicam essa dependência. Veja abaixo.

➡️Faltam matérias-primas: no país, não há muitas reservas de componentes que são fundamentais para a produção dos fertilizantes, principalmente nitrogênio e potássio.

O potássio, por exemplo, está concentrado em países como Canadá, Rússia e Bielorrússia, que dominam o mercado mundial.

Já a indústria nacional de nitrogenados é pequena, porque a produção exige gás natural barato. Assim, perde competitividade frente a países como EUA, Rússia e Catar.

No caso do fosfato, as reservas têm qualidade inferior e são mais caras de explorar.

➡️Demanda grande: a produção nacional não consegue atender tudo o que a agricultura brasileira consome de fertilizante.

Apesar de ser grande produtor de alimentos, o Brasil tem solo pobre em nutrientes. Por isso, precisa de adubação frequente para manter a produtividade. Saiba mais abaixo.

Essa procura por fertilizante vem, principalmente, de produtos como a soja, milho, café e cana-de-açúcar.

➡️ Altos custos: importar sai mais barato, porque a logística no Brasil é cara e a infraestrutura é limitada, aponta Cogo.

O Brasil tem um Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022. A meta é produzir entre 45% e 50% do insumo que o país consome até 2050.

Para isso, o governo pretende gastar mais de R$ 25 bilhões até 2030, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Para o consultor Cogo, são necessários grandes investimentos, incentivos e infraestrutura para aumentar a produção.

Dá para trocar de fornecedor?

A Rússia é o 2° maior produtor mundial de fertilizantes potássicos e nitrogenados e o 4° maior de fosfatados. Em 2024, o país foi o principal fornecedor desses insumos para o Brasil, sendo, de acordo com a consultoria Cogo:

53% de fosfato monoamônico (que fornece nitrogênio e fósforo às plantas);

40% de cloreto de potássio;

20% de ureia.

“É um volume muito grande para que qualquer outro fornecedor consiga atender à demanda do Brasil”, diz Lima.

Trocar a Rússia no fornecimento desses componentes para o Brasil não seria rápido, aponta Cogo. Isso porque seria necessário fazer uma reestruturação logística das compras e realizar negociações diplomáticas para fechar novos acordos e abrir mercados.

Entre as alternativas possíveis de novos vendedores, o Brasil poderia ampliar parcerias com Canadá, Marrocos, Nigéria e outros países do Oriente Médio, afirma Cogo.

Mas ele alerta que outros países também buscam evitar sanções e podem disputar os mesmos fornecedores.

Por que o Brasil consome tanto fertilizante?

O Brasil é o 4° maior consumidor de fertilizantes do mundo. Isso acontece porque o solo do país é quimicamente pobre em nutrientes, principalmente no Cerrado, afirma Cogo.

Segundo o consultor, a região tem baixa disponibilidade de elementos essenciais, como fósforo e potássio, além de ter elevada acidez.

Somado a isso, está o clima tropical do país. O Brasil sofre com chuvas intensas, que favorecem a lixiviação, processo em que os nutrientes são rapidamente perdidos do solo.

É diferente do que acontece em países de clima temperado, onde a terra é naturalmente mais fértil e as perdas são menores.

A agricultura intensiva também aumenta a necessidade de fertilizantes. Ela permite várias safras por ano, o que exige reposição constante de nutrientes.

Os cultivos que são voltados para a exportação, como a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão, exigem muitos nutrientes. Portanto, precisam de grandes volumes de adubos químicos para manter produtividade.

Fonte: G1

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Portos

Tarifaço dos EUA impulsiona recorde histórico de movimentação de cargas no maior porto do Brasil

Levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do Porto de Santos, com 17 milhões de toneladas no mês de julho.

O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, registrou um novo recorde de movimentação de cargas no mês de julho. Segundo apurado pelo g1, um levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do cais santista, com 17 milhões de toneladas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a marca inédita foi impulsionada, principalmente, pelo aumento das exportações após o anúncio de Donald Trump sobre a aplicação de tarifas de 50% para a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A medida levou empresas a anteciparem os embarques, o que gerou um intenso fluxo de navios rumo à Europa e aos EUA, com destaque para cargas agrícolas e industriais”, afirmou o ministério, por meio de nota.

O órgão federal acrescentou que o complexo portuário conseguiu manter as operações sem impactos logísticos, apesar das condições climáticas adversas no mês de julho.

De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), a consolidação dos dados ainda está em andamento, uma vez que o cais santista conta com mais de 50 terminais e eles têm um prazo — não especificado — para enviar as informações à empresa administradora. Ainda assim, o monitoramento operacional já confirma o recorde histórico de movimentação no mês de julho deste ano.

Levantamento preliminar

Conforme divulgado pela APS, houve um aumento de 10% no embarque de granéis sólidos (grãos diversos), com 900 mil toneladas. A movimentação de contêineres cresceu 4% e chegou a 200 mil toneladas, enquanto as cargas soltas tiveram alta de 9%, com 85 mil toneladas.

A autoridade portuária afirmou que os granéis líquidos (combustíveis, solventes, entre outros) ainda não foram contabilizados, mas a expectativa é de um aumento de 10%.

Em nota, o presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que os dados confirmam um aumento expressivo dos embarques no cais santista, o que já havia sido constatado na primeira quinzena do mês de julho.

“São dados preliminares, mas este ‘recorde dos recordes’ demonstra a importância de Santos em momentos decisivos da história, como este”, destacou Pomini. “É um recorde absoluto que atesta a resiliência e a eficiência do Porto de Santos. Mesmo com crises externas e fechamento do canal devido a condições climáticas, houve crescimento sem gerar qualquer ocorrência nas vias de acesso”.

Também por meio de nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, explicou que o crescimento no volume de cargas demonstra que a infraestrutura dos portos brasileiros é capaz de suportar os aumentos.

“O Ministério de Portos e Aeroportos está trabalhando para ampliar a capacidade e eficiência operacional dos portos com os leilões que estamos preparando para este ano, como o do canal de acesso ao Porto de Santos e o do terminal de contêineres, Tecon Santos 10”, afirmou o ministro.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Tarifaço de 50% dos EUA ameaça um mercado de US$ 3,7 bilhões no Brasil

Os produtos florestais lideram as exportações para os EUA. Desses, cerca de US$ 1,7 bilhão vem dos estados do Sul. Só no Paraná, cerca de 40 mil empregos estão ameaçados

A decisão do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros impacta diretamente o setor de base florestal, com efeitos severos sobre os estados da Região Sul, em especial o Paraná — maior produtor brasileiro de madeira de pinus.

A nova tarifa entrou em vigor nesta quarta-feira, 6, e incide sobre itens como madeira serrada, painéis, portas, móveis e molduras produzidos de florestas plantadas de pinus e eucalipto. Segundo dados do setor, os produtos florestais lideram as exportações do agronegócio para os Estados Unidos, somando US$ 3,7 bilhões por ano — dos quais cerca de US$ 1,7 bilhão é originado da Região Sul.

“É uma notícia muito ruim. Justamente no que o Paraná é bom, onde se destaca, vamos ser taxados de forma muito forte e veemente”, afirma Fabio Brun, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas). O executivo também alerta para o risco de fechamento de postos de trabalho e paralisação de operações em larga escala.

“Só no Paraná cerca de 40 mil empregos estão ameaçados”, afirma o presidente.

Dependência crítica do mercado americano

A dependência do setor florestal brasileiro em relação ao mercado americano é evidente. No caso das molduras produzidas no Paraná, 98% das exportações — o equivalente a US$ 102 milhões entre janeiro e junho de 2025 — têm como destino os EUA. O mesmo ocorre com as portas de madeira: 96% da receita (US$ 34 milhões de um total de US$ 35 milhões) vem do país.

Em produtos como compensados de pinus e madeira serrada, a dependência é um pouco menor, mas ainda significativa: 33% das exportações desses itens são destinadas aos Estados Unidos.

Impacto imediato: retração e férias coletivas

Antes mesmo da publicação oficial da medida, empresas do setor já haviam adotado estratégias para conter os impactos: suspenderam os envios aos Estados Unidos, reduziram estoques e implementaram férias coletivas para evitar demissões.

“A exportação para os Estados Unidos representa volumes que não podem ser redirecionados de forma rápida a outro mercado. Buscar novos compradores é um trabalho de médio prazo e, muitas vezes, exige redução de preços”, afirma Brun.

Uma das empresas que adotaram férias coletivas foi a Braspine, empresa do Paraná que fabrica molduras de madeira, que decidiu no começo do mês adotar férias coletivas de 30 dias para 1,5 mil funcionários nas unidades de Jaguariaíva e Telemaco Borba .

“Essa turma de funcionários é toda da operação e será dividida em dois grupos, um deles sai de férias, e depois o outro sai. A ideia é manter as unidades em operação porque temos compromissos com os nossos clientes”, diz a fonte da empresa.

Celulose escapa da tarifa

Alguns produtos importantes para o setor ficaram de fora da nova tarifa. Entre eles, a celulose química (solúvel, soda, sulfato, sulfito), celulose semiquímica e a celulose feita de papel reciclado ou bambu — insumos não produzidos nos EUA e utilizados na fabricação de itens como papel higiênico e guardanapos.

Também escapou o ferro-gusa produzido com carvão vegetal, que integra a cadeia das florestas plantadas e substitui insumos de origem fóssil.

Setor florestal: motor do agro e da economia do Sul

O setor de base florestal é um dos líderes das exportações do agronegócio, como tem forte capilaridade no interior do país, especialmente no Sul. O Paraná concentra metade da produção nacional de pinus e é responsável por 15% dos empregos diretos no setor florestal.

“Estamos falando de uma cadeia produtiva bem diversificada. Além da atividade econômica, essas indústrias mantêm projetos sociais e de saúde. Ou seja, a área social também poderá ser bastante afetada com essa retração”, afirma o presidente da APRE.

Contradição com os compromissos climáticos

A medida é vista com perplexidade pelo setor, especialmente por ocorrer em um momento em que as florestas plantadas ganham destaque global como solução sustentável para o enfrentamento das mudanças climáticas. A madeira proveniente dessas florestas é considerada renovável e menos intensiva em carbono.

“O setor de base florestal plantado é hoje um dos pilares da sustentabilidade global. É difícil entender por que estamos sendo penalizados dessa forma, em um movimento que não tem base técnica, comercial ou regulatória, mas sim política”, critica Brun.

Setor pede por apoio emergencial

Nos próximos dias, a associação deve apresentar ao governo do Paraná uma série de pleitos, incluindo:

  • Liberação de linhas de financiamento subsidiadas via BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) para pagamento da folha de funcionários;
  • Antecipação dos créditos de ICMS para exportadores de madeira;
  • Criação de programas estaduais de incentivo ao uso da madeira.

A expectativa, segundo o CEO da APRE Florestas, é que o governo estadual e o federal atuem com urgência para proteger essa cadeia do agronegócio. “Precisamos garantir empregos, renda e competitividade em meio à crise gerada pela tarifa dos EUA”.

Fonte: Exame

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA atinge 77,8% das exportações brasileiras, diz CNI

Nesse universo, segundo a Confederação Nacional da Indústria, 45,8% dos produtos estão submetidos a tarifas de 40% ou 50%

Dados da CNI mostram que o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil vai impactar 77,8% da pauta produtos exportados por empresas nacionais ao mercado norte-americano.

“No total, 77,8% da pauta exportadora está sujeita a alguma taxação adicional, considerando as ordens executivas que instituíram as tarifas de 10%, de 40% e a Seção 232 do Trade Expansion Act, de 25% e 50%, aplicadas exclusivamente a produtos de aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças. Mais da metade das exportações enfrentarão sobretaxas de 50%”, diz a CNI.

O levantamento baseia-se em dados da United States International Trade Commission, com análise no nível de dez dígitos do código tarifário norte-americano, o que permite identificar com precisão os produtos sujeitos às medidas comerciais.

É importante destacar que cada medida comercial tem a própria lista de cobertura e isenções, o que significa que produtos livres de uma tarifa adicional podem estar submetidos à outra.

O cruzamento mostra que dos 77,8% das exportações sujeitas a taxação adicional, 45,8% estão submetidas a tarifas de 40% ou 50% direcionadas especificamente ao Brasil.

“Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras. É um trabalho que precisa envolver governos e os setores produtivos. Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria, precisamos encontrar saídas”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.

Os dados mostram que 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, está sujeita à tarifa combinada de 50%. Em 2024, a exportação desses bens alcançou 17,5 bilhões de dólares.

Principal segmento exportador ao mercado americano, a indústria de transformação responde por 69,9% desse valor, com 7.184 produtos afetados pelas tarifas combinadas, que totalizaram 12,3 bilhões de dólares em 2024.

Os setores com maior número de produtos exportados afetados pela sobretaxa combinada de 50% seriam: Vestuário e acessórios (14,6%), Máquinas e equipamentos (11,2%), Produtos têxteis (10,4%), Alimentos (9,0%), Químicos (8,7%) e Couro e calçados (5,7%).

Os setores de aço, alumínio e cobre, sobretaxados pela Seção 232, representam 9,3% da pauta e enfrentarão tarifa adicional de 50%.

Combinados, esses blocos da pauta exportadora representam 50,7% das exportações brasileiras aos americanos.

Fonte: Veja

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Mercado Internacional

China: Superávit comercial atinge US$ 98,2 bilhões em julho/2025

O superávit comercial da China caiu para US$ 98,2 bilhões em julho, ante US$ 114,8 bilhões em junho, abaixo do esperado, informou a Administração Geral de Alfândegas do país em seu relatório publicado na quinta-feira.

As exportações aumentaram 7,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em dólares, acima do esperado. Já as importações aumentaram 4,1% na comparação anual.

Em moeda local, o superávit comercial foi de 705,1 bilhões de yuans. As exportações registraram um aumento anual de 8%, enquanto as importações subiram 4,8%.

Fonte: ADVFN Brasil

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Portos

Porto de Açu quer expandir atuação e planeja terminal exclusivo de grãos até 2028

O Porto de Açu, no Rio de Janeiro, conhecido como maior exportador de petróleo e gás do Brasil, quer começar uma nova fase de olho no agronegócio, aumentando a participação no embarque de fertilizantes e grãos.

Inaugurado em 2015 e atuando no agro desde 2020, em 2024 o porto transportou cerca de 550 mil toneladas de grãos, incluindo soja, milho, café e trigo. A expectativa para 2025 é atingir 1 milhão de toneladas.

Para isso, o porto está com uma estratégia que envolve um acordo de intenções com o governo de Goiás e a inauguração de um terminal exclusivo para grãos até 2028. Com investimento de R$ 500 milhões, a expectativa é que ele movimente 1,8 milhão de toneladas no primeiro ano e tenha potencial para atingir 3 milhões de toneladas usando apenas o modal rodoviário.

O diretor comercial e de terminais do Porto de Açu, João Braz, falou com a reportagem sobre as estratégias do porto para ganhar terreno no agronegócio.

Tudo começou com os fertilizantes
Inicialmente, a estratégia do Porto focou na importação de fertilizantes, buscando ser uma alternativa ao Porto de Vitória, que historicamente sofre com longas filas de navios e custos de demurrage, que se refere às taxas cobradas pelo atraso na devolução de contêineres após o período de tempo livre estabelecido no contrato de transporte marítimo. O Açu se posicionou como uma solução para esses períodos de gargalo.

“Para viabilizar o frete rodoviário dos fertilizantes, que se tornava muito oneroso se fosse apenas importação, buscamos a exportação de grãos como contrapartida. O grão é o produto que melhor ‘casa’ com o fertilizante para otimizar os custos logísticos”, afirmou Braz.

Atualmente todas as saídas de grãos e de fertilizantes do porto partem do chamado TMult.

Foco em milho GMO Free
Um dos principais produtos exportados no porto é o milho GMO-Free, que não é geneticamente modificado e feito para consumo humano, utilizado na produção de cereais matinais, por exemplo. Braz explica que Açu se destaca nessa movimentação porque ele não pode ter contato com outros milhos.

“Esse milho não é geneticamente modificado, então ele é movimentado no porto porque exige uma separação. Ele não vai tocar na ferrovia, por exemplo, porque não pode ter risco de contaminação com outro milho. Ele precisa ser movimentado via rodovias mesmo”, explicou, reforçando que esse milho vem 100% de Goiás.

Confira os produtos do agro mais transportados pelo porto de 2023 até agora (em toneladas)

Soja – 242.939
Milho – 134.037
Trigo – 32.546
Café- 15.549

O terminal tem capacidade para receber os navios Panamax, que são embarcações de 60.000 toneladas, e são considerados o lote padrão para a movimentação de soja. Em 2023, o TMult movimentou 2,1 milhões de toneladas, um aumento de 33% em relação ao mesmo período em 2022.

Expectativa pela ferrovia
O projeto da ferrovia EF 118, que vai ligar Vitória (ES) ao Rio de Janeiro (RJ) é a grande aposta de Açu para se consolidar no transporte de grãos. O projeto da ferrovia está na fase final de estudo. O estudo de engenharia foi entregue à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), no final de julho.

A expectativa é que a ferrovia esteja em pleno funcionamento até 2033. Com isso, Braz conta que Açu pode atingir o volume de 8 milhões de toneladas de grãos por ano.

“A meta é que o agronegócio atinja entre 8 a 9 milhões de toneladas de movimentação no porto em 10 anos”, encerrou.

Porto é projeto ‘faraônico’ de Eike Batista
O Porto do Açu, localizado em São João da Barra, no norte do estado do Rio de Janeiro, foi concebido pelo empresário Eike Batista em 2007. Inicialmente, o projeto era ambicioso, visando o maior porto do país, o maior estaleiro das Américas e um polo industrial. Atualmente, ele é o maior complexo portuário industrial da América Latina, abrigando 28 empresas e 11 terminais de classe mundial.

As obras foram iniciadas em novembro de 2007, e as operações portuárias começaram em outubro de 2014, com o primeiro carregamento de minério de ferro. O custo total da obra até a entrada em operação foi de R$ 9 bilhões, superando a previsão inicial em R$ 1,4 bilhão e com um atraso de quatro anos em relação ao cronograma original.

O controle do porto foi assumido pela gestora americana EIG em dezembro de 2013, que fez um aporte de R$ 1,1 bilhão e obteve 53% da então LLX, rebatizada para Prumo Logística. Atualmente, a Prumo Logística Global S.A. é controlada pela EIG Management Company LLC (80,2%) e pelo fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala Development Company (6,9%).

Fonte: Isto é Dinheiro

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