Agronegócio

Exportações do agronegócio brasileiro batem recorde em setembro de 2025, com destaque para carnes suína e bovina

O agronegócio brasileiro registrou, em setembro de 2025, o maior valor de exportações para o mês desde o início da série histórica. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o país exportou US$ 14,95 bilhões, alta de 6,1% em relação a setembro de 2024. O setor foi responsável por 49% de todas as exportações brasileiras no período.

O avanço foi impulsionado pelo aumento de 7,4% no volume exportado, mesmo com uma queda média de 1,1% nos preços internacionais. No acumulado de janeiro a setembro, o agronegócio já movimentou US$ 126,6 bilhões, um crescimento de 0,7% sobre o mesmo intervalo do ano anterior.

Carnes suína e bovina lideram crescimento das exportações

Entre os produtos com melhor desempenho, a carne bovina in natura se destacou com US$ 1,77 bilhão exportado, avanço de 55,6% sobre 2024. Já a carne suína in natura atingiu o recorde histórico de US$ 346,1 milhões, aumento de 28,6% em valor e 78,2% em volume.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de carna bovina a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne Bovina | Jan 2022 a Ago 2025 | TEU

Outro destaque foi o milho, que somou US$ 1,52 bilhão em vendas externas, alta de 23,5%. Produtos como café e pescados também tiveram bom desempenho, com aumentos de 9,3% e 6,1%, respectivamente.

Diversificação da pauta exportadora impulsiona novos recordes

O governo federal tem apostado na diversificação das exportações do agronegócio, com abertura e ampliação de mercados de maior valor agregado. A estratégia inclui promoção comercial, apoio às cadeias produtivas e missões internacionais voltadas para Ásia, Europa e América do Norte.

Em setembro, produtos menos tradicionais também registraram recordes históricos de volume exportado, como sementes de oleaginosas (exceto soja), que cresceram 92,3%, melancias frescas (+65%), feijões (+50,8%) e lácteos (+13,7%). No geral, esses itens somaram alta de 9,2% em setembro e 19,1% no acumulado do ano.

Presença internacional fortalece o agro brasileiro

Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, os resultados comprovam a resiliência e competitividade do setor. “Mesmo diante de um cenário global desafiador, o desempenho de setembro mostra o acerto da estratégia de abertura e diversificação de mercados. Desde 2023, foram 444 novas oportunidades criadas para produtores e exportadores brasileiros”, afirmou.

Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou o impacto das missões internacionais no desempenho do setor. “A combinação de sanidade, qualidade e competitividade consolida o Brasil como parceiro estratégico na segurança alimentar global. Em 2025, o MAPA realizou mais de 60 missões internacionais, além de feiras e ações de promoção comercial, como a Caravana do Agro Exportador, em parceria com a ApexBrasil e o Itamaraty”, disse.

Exportações geram emprego, renda e fortalecem a economia brasileira

O bom desempenho das exportações do agronegócio tem impacto direto na geração de empregos, no aumento da renda e no fortalecimento das contas externas. Somente em 2025, o setor garantiu superávit comercial de mais de US$ 111 bilhões, reforçando a importância do agro para a economia nacional.

Além de consolidar o país como potência exportadora de alimentos, o avanço das vendas externas estimula investimentos em inovação, sustentabilidade e novas tecnologias, ampliando a presença do Brasil nas principais cadeias globais de alimentos.

FONTE: MAPA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior, Economia, Mercado Internacional

Tarifas dos EUA impõem novos desafios à logística do Brasil à América do Norte

Empresas do setor apontam para uma necessidade crescente de adaptação, revisão de contratos e fortalecimento do planejamento aduaneiro. 

A adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos importados reacende discussões sobre os impactos na cadeia logística internacional, especialmente nas rotas entre o Brasil e a América do Norte. Empresas do setor podem sentir necessidade crescente de adaptação, revisão de contratos e fortalecimento do planejamento aduaneiro. 

“Mais do que uma questão tributária, estamos diante de uma reconfiguração da estratégia logística entre os países”, afirma Luciano Zucki, cofundador e diretor da PLEX Logistics, companhia especializada em transporte internacional com sede em Miami. Segundo ele, empresas brasileiras precisam revisar seus custos logísticos, reavaliar modais e, principalmente, investir em previsibilidade nas operações. 

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), alumínio, autopeças e têxteis são os setores mais afetados, impactando diretamente os importadores da América Latina.O Brasil figura entre os principais parceiros comerciais dos EUA no Hemisfério Sul, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o que acende o alerta para possíveis gargalos nos fluxos logísticos. 

A PLEX Logistics tem atuado no assessoramento de embarcadores e operadores logísticos para mitigar riscos, otimizar processos e identificar oportunidades em mercados alternativos. “Nosso papel é orientar os clientes com base em dados, inteligência de mercado e alternativas de transporte mais competitivas”, reforça Zucki. 

A empresa mantém operações marítimas, aéreas e rodoviárias, com foco em soluções personalizadas para importação e exportação entre os dois continentes. 

Website: https://www.linkedin.com/company/plex-international-logistics/ 

TEXTO E IMAGEM: DIVULGAÇÃO 

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Comércio Exterior, Inovação, Tecnologia

CEO da Blue Route integra bancas em dois dos principais eventos de inovação e tecnologia do setor portuário e de comércio exterior

A CEO da Blue Route, Beatriz Grance Rinn, foi convidada para atuar como jurada em dois dos mais importantes eventos de inovação e tecnologia do país: o Comex Tech Awards 2025 e o Porto Hack Santos 2025. Reconhecida por sua atuação estratégica no setor de comércio exterior e transformação digital, Beatriz participa da seleção de projetos que estão moldando o futuro da logística e da operação portuária no Brasil.

Beatriz Grance Rinn no Comex Tech Awards 2025

O Comex Tech Awards 2025 teve como objetivo destacar cases que utilizam tecnologia de forma estratégica para transformar o setor de comércio exterior. A premiação reconhece projetos que apresentem desafios reais, envolvimento de múltiplas áreas e resultados mensuráveis, comprovando o impacto tecnológico gerado.

A banca avaliadora é composta por um time multidisciplinar de especialistas e parceiros do Comex Tech Forum. Nesta edição, Beatriz Grance Rinn analisou 43 projetos, dos quais três foram eleitos vencedores.

Entre os diferenciais da avaliação, está o uso de Inteligência Artificial (IA) nos cases — um elemento valorizado, embora não obrigatório. O foco central é o impacto prático e transformador da tecnologia aplicada, seja ela com ou sem IA.

Julgamento no Porto Hack Santos 2025

Já no Porto Hack Santos 2025, considerado o maior hackathon do setor portuário brasileiro, Beatriz integra novamente o corpo de jurados. O evento, organizado pela ABTRA e pelo Instituto AmiGU, desafia estudantes de todo o país a desenvolver soluções tecnológicas com Inteligência Artificial Generativa aplicadas ao Port Community System (PCS) do Porto de Santos.

A competição reúne 61 equipes de 38 instituições de ensino superior e ocorre em duas etapas — uma online e outra presencial. Beatriz foi jurada em ambas as fases. As dez melhores equipes foram classificadas para a grande final, marcada para o dia 13 de outubro, em Santos, onde apresentarão seus protótipos ao vivo para o júri especializado.

Objetivos e critérios de avaliação

O Porto Hack Santos 2025 busca aproximar o ecossistema acadêmico do setor portuário, promover a empregabilidade e incentivar a inovação aberta. Além disso, valoriza o desenvolvimento de competências práticas e o fortalecimento do portfólio digital dos participantes.

Os critérios de julgamento incluem:

  • Inovação — ideias originais e disruptivas para os desafios do Porto de Santos;
  • Aplicabilidade da solução — potencial de implementação no setor portuário e logístico;
  • Uso de IA Generativa — diferencial no desenvolvimento das propostas;
  • Desenvolvimento de protótipos — capacidade de transformar ideias em soluções tecnológicas viáveis;
  • Apresentação e habilidades interpessoais — trabalho em equipe, liderança e resolução de problemas;
  • Valor agregado — impacto das soluções na eficiência e acessibilidade da logística portuária.

Com sua experiência e visão estratégica, Beatriz Grance Rinn reforça o compromisso da Blue Route com a inovação e o desenvolvimento tecnológico no comércio exterior e na logística portuária, consolidando seu papel de liderança em iniciativas que conectam tecnologia, negócios e educação.

Fontes: Com informações do Comex Tech Forum e do Porto Hack Santos 2025.

TEXTO: REDAÇÃO

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Comércio Exterior

O futuro do trigo argentino se joga no Brasil, não na Europa

Sol Arcidiácono afirmou que o acordo com a União Europeia teria um efeito limitado e que a prioridade é fortalecer o vínculo comercial regional.

Dos extensos campos da província de Buenos Aires até os silos de Rosario, o trigo define parte do pulso agrícola e econômico da América do Sul. Esse grão, básico na alimentação humana, não apenas sustenta a dieta diária, como também atua como eixo da industrialização e do comércio regional. Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai participam de um mercado que conecta a produção local aos fluxos globais de trigo e farinha, dependentes tanto do clima quanto da logística, das políticas e dos preços internacionais.

A head de Grãos da Hedgepoint há quase dez anos e diretora para a América Latina, Sol Arcidiácono, conversou com serindustria.com.ar sobre esse mercado em que atua há quase 20 anos. De Rosario, analisou como a produção e a exportação de trigo na América do Sul não só impactam a economia regional, mas também condicionam a dinâmica da moagem, da industrialização e do consumo de alimentos básicos.
Num cenário marcado pela mudança climática, pela volatilidade internacional e pelas regulações locais, sua perspectiva permite entender por que o trigo continua sendo um pilar estratégico da agricultura sul-americana e como se projeta seu futuro nos próximos anos.

“A produção de trigo nas Américas está distribuída nos polos. A principal oferta está no Polo Norte com Canadá e Estados Unidos, que juntos exportam entre 50 e 60 milhões de toneladas”, explicou Arcidiácono.

A Argentina tem um papel central no hemisfério sul, com um saldo exportável entre 8 e 14 milhões de toneladas, dependendo do ano. Paraguai e Uruguai produzem cerca de 1 a 1,5 milhão de toneladas cada um e exportam aproximadamente 1 milhão de toneladas combinadas em bons ciclos. “No Uruguai, cresceram muitos outros cultivos de inverno para favorecer a rotação com a soja e a área de trigo diminuiu um pouco. Cresceu bastante a canola, oleaginosa que acompanhou toda a revolução dos biocombustíveis que o Uruguai tem, já que exporta biocombustíveis e óleos de canola para a Europa”, comentou a especialista.

Por sua vez, o Brasil, principal importador regional, registrou avanços significativos na produção. “Passou de produzir 5 ou 6 milhões de toneladas para ter um ano acima de 9 milhões de toneladas. Foi um ano excepcional. Custa muito ficar acima de 6-7 milhões porque o risco climático é maior, há mais desafios, geadas precoces, o ciclo é mais curto e a área mais concentrada. Não é como na Argentina, onde a produção é mais distribuída e, se uma região tem problema, outra compensa.”

Para a safra 25/26, os preços internacionais baixos não geram incentivos para ampliar a área plantada: “Quem planta trigo neste ciclo é o triticultor tradicional”, destacou Arcidiácono, acrescentando: “Vemos uma redução de área nesta safra, considerando essas circunstâncias, preços internacionais bem mais baixos e o risco produtivo”.

Mudança climática e volatilidade nos mercados
A mudança climática impacta de forma significativa a agricultura, especialmente em cultivos mais vulneráveis, confirmou Arcidiácono. “Vemos isso em cultivos tropicais, principalmente ligados ao excesso de chuvas, às inundações. Observamos muito mais volatilidade em produtos como óleo de palma e café. De fato, na Hedgepoint desenvolvemos um derivativo para cobertura de risco climático.”

A especialista explicou que a distribuição global do trigo é mais pulverizada do que a de outros grãos. “A oferta de trigo está mais distribuída. No hemisfério norte há maior concentração, 80% do trigo é produzido e exportado de lá. Depois vem o hemisfério sul, com Argentina e Austrália principalmente.”

Sobre o ciclo 25/26, destacou que mostra rendimentos superiores à média em vários países. “Tivemos uma colheita acima do projetado na Rússia. Uma recuperação muito grande na Europa, somando 30 milhões de toneladas no bloco. O Canadá teve uma colheita quase recorde. Os EUA recuperaram bastante na primavera, com oferta e estoques confortáveis. No hemisfério sul, a Austrália espera safra recorde acima de 34 milhões de toneladas. A Argentina, apesar dos desafios, de chuvas excessivas e inundações pontuais, caminha para uma grande colheita.”

Políticas governamentais e competitividade da indústria de moagem
As políticas e regulações impactam diretamente a competitividade da indústria de moagem na América do Sul. “Em geral, quando começamos a industrializar surgem mais barreiras, tarifas, algo que está na moda com a bandeira de Trump. Sem dúvida, as políticas que acabam sendo barreiras definem a competitividade”, declarou Arcidiácono.

Na Argentina, apesar de uma indústria avançada, os impostos internos limitam a competitividade frente a outros países. “De toda forma, a indústria argentina não é competitiva em geral comparada a outras, mas mais pelo peso da carga tributária doméstica do que por tarifas externas.”

Sobre a capacidade ociosa de moagem na Argentina, estimada em 50%, para Arcidiácono o índice não é tão alto quanto parece. “A moagem é uma indústria tradicional que teve papel social no interior, com capacidade instalada importante. Nos últimos anos, trabalhou-se em otimizar custos e incorporar tecnologia.”

Ela destacou que a tecnologia não se limita às máquinas, mas também a processos e questões sanitárias. “O desenvolvimento tecnológico é 360° dentro do moinho, sempre pensando na oportunidade e no desafio de sair do commodity.”

A diversificação também faz parte da estratégia. “Um desafio da moagem foi acompanhar as novas tendências de consumo, incluir outros produtos além do trigo, como farinhas de grão-de-bico, milho, produtos sem glúten e ampliar sua oferta.”

Quanto à logística do trigo, Arcidiácono afirmou que a Argentina consegue abastecer o mercado interno e exportar. “O abastecimento dos padeiros está muito vinculado à concentração populacional. O maior consumo está na província de Buenos Aires, que também é o maior produtor. A logística é muito eficiente.”

Comparado a outros cultivos, o trigo não enfrenta gargalos logísticos sérios. “O desafio logístico não é tão notório porque o trigo não compete por espaço e rotas com milho e soja, que saem juntos em março e abril. Para o trigo, logística não é problema. O mais complicado é a estrutura financeira, por causa das altas taxas e da instabilidade.”

No caso do Brasil, a dinâmica é diferente: o país mói um terço de trigo próprio e importa dois terços. “Precisa da importação argentina. Embora haja um pico de pressão na entrada da safra, o Brasil compra durante todo o ano, com maior concentração entre dezembro e março.”

Oportunidades e exportações
Na exportação de farinha de trigo há oportunidades em nichos específicos. Arcidiácono citou a Turquia como principal exportador mundial, que encontrou um mercado de especialidade em farinhas para massas, sobretudo com o trigo durum.

Por isso, ela considera que existem oportunidades para a Argentina, mas não como commodity, e sim como produto diferenciado. Contudo, o país precisaria investir mais em fertilização para garantir qualidade estável. “Com esse desenvolvimento, poderíamos pensar em uma oportunidade de exportação de nicho, agregando valor e conseguindo preço diferenciado.”

Ao analisar o cenário global, o conflito entre Rússia e Ucrânia gerou volatilidade nos preços. O auge foi em 2022, com o início da guerra e incertezas sobre o abastecimento. Antes, a Ucrânia produzia até 30 milhões de toneladas. “O conflito virou crônico e está mais concentrado em commodities energéticas, mas o trigo continua no radar.”

Arcidiácono também destacou o impacto da política monetária global. Com expectativa de queda das taxas pelo FED, pressionado por Donald Trump, e um dólar enfraquecido, o trigo americano ganha competitividade. “Taxas mais baixas acelerariam a economia, e o consumo de trigo está diretamente ligado ao consumo humano. Não gera volatilidade como fatores geopolíticos, mas a política econômica é relevante para os preços do trigo entrando em 2026.”

Estratégias regionais e papel da Argentina
Hoje, a distribuição mundial do trigo não parece ser um problema. Ainda assim, países sul-americanos poderiam fortalecer sua posição com políticas mais estáveis. “Para a Argentina, é muito saudável alcançar uma colheita de 20 milhões de toneladas ou mais. Isso é positivo para os cultivos, para a sazonalidade da economia e também para a logística, porque março, abril e maio concentram a saída dos cultivos de verão”, afirmou.

Ela lembrou que em outros períodos o país produziu entre 10 e 12 milhões de toneladas, praticamente a metade dos últimos ciclos. Atingir 20 milhões ou mais “é importante, e o país tem potencial para ainda mais”. Essa possibilidade, no entanto, não se replica na mesma escala em Uruguai, Brasil e Paraguai.

Mas alertou que a competitividade argentina continua limitada pelas retenções. “Embora tenham caído muito, já chegaram a ser o dobro. Ainda assim, se perde competitividade porque entramos no mercado mundial com regras que uruguaios e paraguaios não têm. Vamos mais pesados ao mundo.”

O futuro do trigo argentino se joga no Brasil?
Sobre o acordo União Europeia–MERCOSUL, Arcidiácono é cautelosa. “Tenho dúvidas de que seja aprovado, há bastante pressão. Precisa da aprovação de todos os países-membros. Seria benéfico para a agricultura argentina. Tomara que avance, porque seria muito bom.”

No caso do trigo, porém, o impacto seria limitado, já que a Europa também é produtora e exportadora. No curto prazo, poderia haver mais oportunidades em farinha, soja e milho. “Europa compra soja dos EUA; poderia abrir-se espaço para a Argentina, inclusive em biocombustíveis.”

Para ela, o maior potencial de crescimento não está no trigo, mas na soja e no biodiesel. O fator mais determinante para o trigo é o arancel externo comum do MERCOSUL, hoje em 10,5%, que o Brasil administra. “Se será zero, um milhão de toneladas ou outro valor, é o que define quanto trigo pode importar sem pagar tarifa.”

Assim, manter cooperação com o Brasil é essencial. “Mais da metade do trigo que exportamos vai para lá. Existe um codo a codo importante. O Brasil precisa de uma Argentina competitiva.”

Mas, quando a Argentina perde competitividade, o mercado brasileiro reage. “Quando não temos trigo suficiente ou não somos competitivos por câmbio ou restrições, o Brasil se incomoda e busca outros fornecedores. Já chegou a importar trigo da Rússia, o que é um absurdo, estando nós ao lado.”

A chave, portanto, está em garantir estabilidade produtiva. “É fundamental que nunca mais se restrinjam exportações nem haja travas. Isso consolida o vínculo de abastecimento seguro que o Brasil sente da Argentina. Isso é mais importante para o trigo do que qualquer outra coisa.”

Por fim, Arcidiácono refletiu sobre o valor cultural do trigo e da indústria. “A moagem argentina ainda tem trabalho a fazer. Existe muita propaganda contra alimentos à base de trigo e pão. Esse é um desafio maior para a panificação do que para a moagem, mas ambos precisam caminhar juntos.”

Apesar disso, mostrou-se otimista quanto ao futuro. “Há muito espaço para crescer no consumo per capita de trigo no mundo. Na Argentina, é alto pela nossa cultura de imigrantes e pelo abastecimento garantido, com moinhos em todo o país. Mas há um trabalho cultural de conquista que o trigo e o pão precisam fazer no mundo todo”, concluiu.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Comércio Exterior

Soja brasileira ganha espaço na China em meio à guerra comercial entre EUA e o país asiático

Brasil assume protagonismo nas exportações de soja para a China.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China tem redefinido o mercado global de commodities agrícolas, beneficiando diretamente o Brasil. Entre junho e agosto de 2025, o país asiático suspendeu a compra de soja norte-americana e passou a priorizar fornecedores alternativos, como o Brasil e a Argentina.

O levantamento é da American Farm Bureau Federation (AFBF), principal entidade representativa do setor agrícola dos Estados Unidos, que reúne cerca de 6 milhões de produtores rurais. O estudo mostra que as importações chinesas de soja dos EUA despencaram para o menor nível histórico neste ano, enquanto o Brasil consolidou sua posição como principal exportador do grão ao mercado chinês.

Queda recorde nas importações de soja americana

De janeiro a agosto de 2025, a China importou apenas 5,8 milhões de toneladas de soja norte-americana, ante 26,5 milhões de toneladas no mesmo período de 2024, o que representa uma redução de quase 80%.

O relatório aponta ainda que, entre junho e agosto, os Estados Unidos “virtualmente não embarcaram nada” de soja para a China — e o país asiático não adquiriu novos volumes da safra futura.

Enquanto isso, o Brasil exportou mais de 77 milhões de toneladas do produto para o mercado chinês no mesmo intervalo. A Argentina também ampliou suas vendas após suspender temporariamente o imposto de exportação, que voltou a ser aplicado quando o valor exportado ultrapassou US$ 7 bilhões.

Estratégia chinesa de diversificação de fornecedores

De acordo com a AFBF, o cenário atual é resultado de uma política de diversificação de fornecedores adotada pela China desde 2018, quando teve início a primeira guerra comercial sob o governo Donald Trump. Desde então, o país asiático vem reduzindo sua dependência dos produtores norte-americanos, mesmo diante de uma demanda interna crescente.

Impacto em outras exportações dos EUA

A perda de espaço no mercado chinês não se restringe à soja. Segundo o relatório, as exportações de milho, trigo e sorgo dos Estados Unidos à China caíram a zero em 2025, enquanto as vendas de carne suína e algodão seguem em ritmo reduzido.

O Departamento de Agricultura dos EUA projeta que o valor total das exportações agrícolas para a China cairá para US$ 17 bilhões neste ano — uma retração de 30% em relação a 2024 e mais de 50% abaixo do registrado em 2022. Para 2026, a previsão é ainda mais negativa: US$ 9 bilhões, o menor patamar desde 2018.

Governo Trump prepara novo pacote de apoio ao setor agrícola

Diante das perdas, o governo Donald Trump planeja um novo pacote de ajuda financeira aos produtores rurais, semelhante ao de 2019, quando mais de US$ 22 bilhões foram destinados ao setor durante a primeira fase da disputa comercial.

Usaremos os recursos das tarifas para apoiar nossos agricultores”, afirmou Trump em sua rede Truth Social. Paralelamente, o Tesouro norte-americano estuda medidas emergenciais para conter o déficit comercial agrícola.

Além dos efeitos da guerra comercial, os produtores enfrentam queda nos preços das commodities e aumento dos custos logísticos, agravados pelo baixo nível do Rio Mississippi, rota crucial para o escoamento da safra. O Departamento de Agricultura estima que a renda agrícola dos EUA caia 2,5% em 2025, atingindo o menor valor desde 2007.

Fonte: Agência Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL / Reuters/Brian Snyder

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Comércio Exterior

Portal Único de Comércio Exterior já conta com a adesão de todos os órgãos anuentes

Integração dos órgãos responsáveis pelo licenciamento nas importações representa marco para um processo mais econômico e ágil no comércio exterior

O Governo federal avança no processo de modernização do comércio exterior brasileiro. A partir de outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passam a disponibilizar a Declaração Única de Importação (DUIMP) e as Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCOs) para importação de produtos sob sua anuência.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, garantiu que, com o Portal Único, o Brasil dá um passo definitivo rumo à eficiência no Comércio Exterior.

“O Portal Único reduz custos, amplia a segurança, promove inclusão e simplifica a vida das pessoas e das empresas. É o Estado atuando para facilitar, e não dificultar, a vida de quem produz e quer crescer. Desburocratizar gera competitividade e emprego”, afirmou.

Segundo o VPR, cada dia que uma carga fica parada no porto representa uma estimativa de 0,8% do valor da mercadoria. A digitalização transforma o comércio exterior. Antes, para exportar frango à União Europeia ou ao Reino Unido, era preciso um certificado de origem em papel e o pagamento de taxas. Atualmente, é eletrônico, gratuito e mais seguro.

A adesão do MAPA e da Anvisa, na última segunda-feira (06/10), e a incorporação das importações sujeitas à análise documental pelo Exército, a partir do dia 13 de outubro, representam um momento decisivo rumo à completa transição entre o sistema atual (DI/LI) e o Novo Processo de Importação (DUIMP/LPCO). O novo modelo é caracterizado por fluxos mais céleres e menos burocráticos, com uso de informações antecipadas e compartilhadas entre os diversos órgãos.

Ao todo, 16 órgãos participam do comércio exterior brasileiro como anuentes no processo de importação — todos já aderiram ao Portal Único de Comércio Exterior, levando em conta seu escopo de operações.

Impactos

É estimado que a adoção plena do Novo Processo de Importação, no âmbito do Portal Único, reduza em até 40% o tempo médio das operações de importação e em 14% os custos logísticos, com reflexos positivos no PIB nacional.

A secretária de Comércio Exterior (Secex) do MDIC, Tatiana Prazeres, ressaltou que o Portal Único moderniza profundamente os processos de importação, exportação e trânsito aduaneiro, com resultados concretos em eficiência e integração.

“São três pilares: normas, processos e sistema. A migração para o novo processo de importação é fundamental para que o setor privado aproveite plenamente os benefícios do Portal Único. A reformulação promovida em parceria com os órgãos anuentes é decisiva para alcançarmos um cenário de excelência em facilitação do comércio”, ressaltou Tatiana Prazeres.

 Licenças Flex e ganhos econômicos

Uma das principais vantagens do Portal Único é a possibilidade de uso das “licenças Flex”, que reduzem a quantidade de operações de licenciamento. Antes, para cada operação sujeita à anuência, o importador precisava solicitar uma nova autorização ao órgão competente. Agora, conforme regulamentação de cada órgão, uma única licença pode amparar múltiplas operações ao longo de determinado período, quantidade ou valor, o que gera economia de tempo e custos.

Os operadores de comércio exterior já podem registrar a DUIMP, uma espécie de “passaporte digital” que reúne todas as informações da importação em um único documento eletrônico, para os seguintes produtos, conforme condições publicadas no portal de notícias Siscomex:

• Todos os produtos sob anuência da ANM – Agência Nacional de Mineração
• Todos os produtos sob anuência da ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
• Todos os produtos sob anuência da CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear
• Todos os produtos sob anuência do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
• Todos os produtos sob anuência do DECEX – Departamento de Operações de Comércio Exterior
• Todos os produtos sob anuência do DPF – Departamento de Polícia Federal
• Todos os produtos sob anuência da ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
• Todos os produtos sob anuência do IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
• Todos os produtos sob anuência do INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia
• Todos os produtos sob anuência do MCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
• Produtos sem anuência
• Fertilizantes (área temática) – órgão anuente: MAPA
• Alimentos e produtos utilizados para garantir sua qualidade e segurança, exceto azeite e produtos com anuência do MAPA – órgão anuente: Anvisa
• Produtos “faixa verde” e “faixa amarela” sob anuência do Exército.

A migração completa das importações para o Portal Único ocorrerá até setembro de 2026, de forma modulada e acompanhada de validações junto ao setor privado.

O programa foi reconhecido como uma das medidas institucionais de maior impacto na melhoria do ambiente de negócios e investimentos, integrando o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A diretora do Departamento de Promoção das Exportações e Facilitação do Comércio da Secex, Janaina Batista, reforçou os ganhos econômicos já observados.
“A utilização do Portal Único já apresenta resultados expressivos, com impacto positivo sobre a competitividade brasileira. Com a migração completa, esperamos reduzir significativamente o tempo de licenciamento e otimizar recursos na administração pública. As vantagens serão percebidas por todos, e a transição será conduzida de forma gradual e segura, em diálogo constante com o setor privado”, concluiu.

Principais avanços do Portal Único

• Integração entre sistemas públicos e privados
• Preenchimento de informações apenas uma vez
• Fiscalização concomitante entre órgãos anuentes e Receita Federal
• Notificações automáticas de tarefas pendentes
• Pagamento de tributos federais e estaduais em uma única plataforma
• Distribuição imediata das declarações para análise
• Melhoria do gerenciamento de riscos e da precisão dos dados de importação

Acesse mais informações. 

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Exportação

Exportações de Santa Catarina crescem 5% entre janeiro e setembro

Faturamento nos primeiros nove meses de 2025 é o segundo maior da série histórica e reforça pujança da economia catarinense

As exportações de Santa Catarina cresceram 5% entre janeiro e setembro, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 6. O percentual representa o salto de US$ 8,5 bilhões nos primeiros nove meses de 2024 para US$ 9 bilhões no mesmo período de 2025. Além disso, o faturamento deste ano é o segundo maior da série histórica e reforça a pujança da economia catarinense.

Os produtos do agronegócio seguem liderando a pauta exportadora catarinense. A carne suína (US$ 1,29 bilhão), carne de aves (US$ 1,29 bilhão) e a soja (US$ 447 milhões) são os principais itens de exportação de Santa Catarina em 2025. Na sequência aparecem motores elétricos (US$ 416 milhões), peças para motores (US$ 276 milhões), bem como madeira cortada (US$ 270 milhões).

“Santa Catarina é uma potência que exporta para mais de 200 destinos pelo mundo. Isso é fruto de um povo trabalhador, empreendedor, que produz com capricho e excelência. Por isso que a nossa produção é muito competitiva em mercados internacionais. O Governo do Estado faz o dever de casa apoiando o investimento produtivo, qualificando os portos e aeroportos e desburocratizando a economia”, destacou o governador Jorginho Mello.

Segundo melhor resultado para setembro

Os dados de exportações mostram que em setembro Santa Catarina registrou o segundo melhor resultado da série histórica para o mês, com faturamento de US$ 1,05 bilhão. O desempenho só ficou atrás de setembro de 2024, quando o estado faturou US$ 1,07 bilhão. Ou seja, houve recuo de 1,2% na comparação anual.

“A produção de Santa Catarina é muito diversificada e ingressa nos mercados mais exigentes do mundo. O estado tem vocação para exportar, principalmente produtos com maior valor agregado. Essa condição é fundamental para colocar Santa Catarina como o estado com a menor taxa de desemprego e o maior crescimento econômico do país”, afirma o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Silvio Dreveck. 

No mês, as exportações de Santa Catarina registram recuo nos envios para EUA (-54%) e China (-1%), que são os principais compradores do estado. No entanto, o faturamento cresceu forte para países importantes como Chile (+49,6%), Filipinas (+42,8%) e Paraguai (+25,6%). Outros destinos relevantes também aumentaram as compras dos produtos catarinenses. É o caso de Japão (+12%), Arábia Saudita (+7,7%), México (+6,7%) e Argentina (+6,2%). 

Ou seja, o crescimento das exportações para diversos países garantiu o resultado acima da média histórica para o mês de setembro. 

Histórico de exportações de Santa Catarina (janeiro-setembro)

  • 2019 – US$ 6,8 bilhões
  • 2020 – US$ 6,1 bilhões
  • 2021 – US$ 7,4 bilhões
  • 2022 – US$ 9,2 bilhões
  • 2023 – US$ 8,8 bilhões
  • 2024 – US$ 8,5 bilhões
  • 2025 – US$ 9 bilhões

FONTE: Agência de Notícias SECOM
IMAGEM: Ricardo Wolffenbuttel/Arquivo/Secom

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Comércio Exterior

Secex e Receita Federal divulgam cronograma de desligamento do Siscomex LI/DI e migração para o Portal Único 

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e a Receita Federal do Brasil (RFB) anunciaram o cronograma oficial de desligamento do sistema Siscomex LI/DI, marcando mais uma etapa na implementação do Novo Processo de Importação (NPI). A partir das novas datas, o uso do LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos) e da Duimp (Declaração Única de Importação) passará a ser obrigatório no Portal Único de Comércio Exterior

Implementação depende de validações do setor privado 

O cronograma foi aprovado pelo Comitê Executivo do Siscomex e sua execução depende de validações conduzidas pelo setor privado no âmbito do Subcomitê de Cooperação do CONFAC. Essas etapas estão previstas no Plano de Ação apresentado durante a 10ª reunião do grupo. 

Segundo o documento, o desligamento será efetivado conforme a confirmação de que não há impedimentos técnicos ou sistêmicos. Caso surjam inconsistências, as datas serão revisadas para garantir segurança e previsibilidade às operações de importação. 

Fique atento às datas abaixo:  

LPCO e Duimp substituem LI/DI em novas etapas 

Conforme o cronograma, as operações de importação deverão ser registradas obrigatoriamente via Duimp e LPCO a partir das datas definidas. A utilização do Siscomex LI/DI será encerrada gradualmente, exceto para operações que ainda não possuem disponibilidade técnica no novo sistema — essas continuarão sendo registradas pelo método anterior até nova atualização, conforme tabela abaixo. 

Importante destacar que entidades com natureza jurídica enquadrada no Grupo 1 – Administração Pública, segundo a Tabela da Comissão Nacional de Classificação (CONCLA), continuarão utilizando a Declaração de Importação (DI) nesta fase de transição. O desligamento para esse grupo ocorrerá em momento posterior. 

Transição planejada e segura 

A Secex e a Receita Federal reforçam o compromisso de realizar a migração para o Portal Único de Comércio Exterior de forma gradual, planejada e segura, assegurando a continuidade e a confiabilidade das operações durante todo o processo de transição. 

Fonte: Com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e da Receita Federal do Brasil (RFB). 

TEXTO: REDAÇÃO 
IMAGENS: FREEPIK 

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Exportação

Mesmo com tarifaço dos EUA, Brasil bate recorde de exportações em setembro

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 18,5% em setembro de 2025, após a implementação do tarifaço de 50% sobre produtos nacionais pelo governo de Donald Trump. Apesar da retração no comércio com os norte-americanos, o Brasil conseguiu alcançar US$ 30,53 bilhões em exportações no período, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Superávit em queda, mas projeções revisadas para cima

As importações brasileiras somaram US$ 27,54 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 2,99 bilhões no mês. O saldo positivo, no entanto, foi 41% menor em comparação a setembro de 2024.

De janeiro a setembro, o país acumula superávit de US$ 45,5 bilhões, queda de 22,5% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, diante do cenário, o MDIC revisou suas projeções para 2025:

  • Superávit comercial: de US$ 50,4 bilhões para US$ 60,9 bilhões;
  • Exportações: de US$ 341,9 bilhões para US$ 344,9 bilhões;
  • Importações: de US$ 291,5 bilhões para US$ 284 bilhões.

Diversificação de mercados compensa perdas

Embora o tarifaço tenha reduzido as vendas aos EUA, o Brasil ampliou suas exportações para outros mercados internacionais estratégicos. Na Ásia, os principais destaques foram:

  • China: aumento de 14,9% (US$ 1,1 bilhão);
  • Singapura: alta de 133,1% (US$ 0,5 bilhão);
  • Índia: crescimento de 124,1% (US$ 0,4 bilhão);
  • Bangladesh: avanço de 80,6% (US$ 0,1 bilhão);
  • Filipinas: elevação de 60,4% (US$ 0,1 bilhão).

Na América do Sul, as exportações brasileiras subiram 29,3%, com destaque para a Argentina, que comprou 24,9% a mais de produtos nacionais. Já para a União Europeia, o crescimento foi mais modesto, de 2%.

Brasil reforça posição no comércio global

Mesmo diante das barreiras impostas pelos EUA, o desempenho em outros mercados mostra a resiliência do comércio exterior brasileiro e reforça a estratégia de diversificação de destinos para manter o ritmo de crescimento das exportações.

FONTE: Bahia Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Diego Baravelli/Minfra

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Agronegócio

VLI realiza primeiro embarque de milho à China pelo Porto de Tubarão no Espírito Santo

A VLI, empresa de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais, concluiu na última semana o primeiro embarque de milho para a China via Espírito Santo. A operação ocorreu no Terminal de Produtos Diversos (TPD), localizado no Porto de Tubarão, e marcou a saída de 75,5 mil toneladas do grão, oriundas do Terminal Integrador de Araguari, em Minas Gerais.

Esse embarque representa a consolidação de um processo iniciado em fevereiro de 2025, quando o terminal recebeu a habilitação para exportar milho à China, após atender a exigências técnicas e sanitárias impostas pelo maior mercado importador da commodity no mundo.

Corredor Leste: conexão entre Minas Gerais e Espírito Santo

A habilitação amplia as oportunidades para produtores atendidos pelo Corredor Leste da VLI, rota que conecta o Triângulo Mineiro ao sistema portuário capixaba. O transporte é realizado pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), controlada pela VLI, e pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), onde a empresa está em processo de adaptação ao novo modelo regulatório de agente transportador ferroviário de cargas (ATF-C).

Segundo Daniel Schaffazick, diretor de operações do Corredor Leste da VLI, a iniciativa fortalece o papel da companhia no agronegócio:
“Ao conectar regiões produtoras relevantes, fortalecemos a cadeia de suprimentos e contribuímos para a expansão do comércio exterior brasileiro. Essa nova rota mostra como inovamos para atender nossos clientes em setores estratégicos, como o agro”, destacou.

Exigências para habilitação e qualidade do grão

Para obter a certificação, o TPD passou por um rigoroso processo de cadastro no Sistema de Gestão Agropecuária do Ministério da Agricultura (Sipeagro/Mapa). Entre as exigências, estavam:

  • registro do terminal como armazém portuário;
  • apresentação do Manual de Boas Práticas de Fabricação (BPF);
  • implementação de sistema de monitoramento de micotoxinas e resíduos de agrotóxicos;
  • capacitação da equipe para garantir conformidade com os padrões fitossanitários chineses.

Espírito Santo como hub logístico

Além do milho, a VLI mantém operações diversificadas no Espírito Santo, movimentando grãos, farelo, fertilizantes, celulose, insumos e produtos siderúrgicos. Somente pelo Corredor Leste, a empresa transporta anualmente cerca de 16,7 milhões de toneladas por ferrovia e 16,2 milhões de toneladas pelos portos capixabas.

Demanda chinesa em crescimento

A busca da China por milho brasileiro ganhou força a partir de 2022, quando a guerra na Ucrânia reduziu a oferta global de grãos. Em resposta, o país asiático firmou novos acordos comerciais e, desde 2023, passou a adotar protocolos fitossanitários mais rigorosos, especialmente no controle de sementes e pragas.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/VLI

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