Comércio Exterior

China reconhece Brasil livre de febre aftosa e suspende restrições comerciais à carne

A China oficializou o reconhecimento de que o Brasil está livre de febre aftosa, suspendendo as restrições sanitárias que ainda atingiam parte do território nacional. O anúncio foi feito pela agência alfandegária chinesa na terça-feira (2), em comunicado oficial.

Com a decisão, todo o território brasileiro passa a ser considerado livre da doença, o que abre caminho para a ampliação das exportações de carne bovina e outros produtos de origem animal.

China é principal destino da carne brasileira

O Brasil, líder global na exportação de carne bovina e de frango, direcionou mais da metade de suas vendas externas de carne bovina para o mercado chinês no ano passado.

A China, maior importadora mundial de carne bovina, já comprou quase US$ 3 bilhões em carne brasileira apenas no primeiro trimestre deste ano, segundo dados comerciais.

Governo vê avanço em exportações de carne bovina e suína

Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores destacaram que a decisão deve ampliar as oportunidades de venda para o mercado asiático.

Segundo o governo, a medida pode beneficiar não apenas a carne bovina, mas também a carne suína, incluindo miúdos e cortes com osso.

As autoridades brasileiras afirmaram ainda que o reconhecimento é resultado de mais de duas décadas de negociações entre os dois países.

Negociações diplomáticas e diálogo estratégico

O anúncio ocorre após a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim, em um encontro que a China classificou como “diálogo estratégico” bilateral.

No mês anterior, o Brasil havia solicitado maior abertura para ampliar o envio de carne bovina ao país asiático. Durante missão em Pequim no fim de maio, o ministro da Agricultura, André de Paula, também defendeu a redistribuição de cotas de exportação não utilizadas por outros países. A proposta, no entanto, foi rejeitada, segundo informações divulgadas pela Reuters.

China adotou medidas após surtos recentes de febre aftosa

No campo sanitário, a China enfrentou um surto de febre aftosa no final de março, com registros em 219 bovinos distribuídos em dois rebanhos nas regiões de Gansu e Xinjiang, totalizando 6.229 animais.

Após os casos, o governo chinês reforçou o controle nas fronteiras, acelerou a aprovação de vacinas e implementou ações de abate sanitário e desinfecção para conter a disseminação da doença.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Barreto

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Logística

Brasil e Suriname negociam rota marítima direta para impulsionar comércio e logística no Norte da América do Sul

Brasil e Suriname deram mais um passo nas tratativas para a criação de uma rota marítima direta entre os dois países. A iniciativa pretende abrir um novo corredor de integração logística na América do Sul, ampliando o comércio bilateral e fortalecendo a conectividade regional.

O tema integra o conjunto de 15 acordos de cooperação firmados na última semana durante reunião bilateral realizada em Brasília.

Acordo prevê linha regular de navegação e cooperação portuária

O entendimento entre os governos inclui ações para ampliar a cooperação nos setores portuário e marítimo, com destaque para estudos que avaliam a implantação de uma linha regular de navegação entre Brasil e Suriname.

Além do modal marítimo, o pacote de cooperação também abrange áreas como transporte aéreo, infraestrutura logística e projetos de desenvolvimento sustentável.

Durante o encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância de ampliar a conectividade regional. Segundo ele, há interesse mútuo em expandir frequências de voos e estabelecer rotas marítimas diretas para fortalecer o intercâmbio entre os países.

Nova rota pode criar corredor logístico entre Caribe e Nordeste brasileiro

A proposta em discussão pode estabelecer uma nova alternativa de escoamento de cargas entre o norte da América do Sul e o Nordeste do Brasil. O foco das negociações envolve a conexão entre o Porto Jules Sedney, em Paramaribo, principal terminal do Suriname, e portos brasileiros aptos a operar cargas conteinerizadas e carga geral.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou o potencial estratégico da iniciativa para ampliar o fluxo comercial regional.

Segundo ele, o porto surinamês já atua como um importante hub de contêineres e carga geral, o que abre espaço para a criação de uma rota marítima regular de maior escala com o Brasil.

A expectativa é que a nova ligação contribua para dinamizar economias locais e ampliar oportunidades para exportadores e importadores dos dois países.

Comércio bilateral ainda é limitado por entraves logísticos

Apesar das relações diplomáticas consolidadas, o comércio entre Brasil e Suriname ainda é considerado modesto quando comparado a outros parceiros sul-americanos.

O principal obstáculo não está nas tarifas comerciais, mas sim na infraestrutura logística. A ausência de uma ligação marítima regular e a baixa conectividade regional elevam custos operacionais, aumentam o tempo de transporte e reduzem a competitividade das trocas comerciais.

Com a possível implementação da nova rota, os governos esperam reduzir custos logísticos e estimular novos fluxos de comércio. Entre os produtos com maior potencial de circulação estão alimentos, proteínas animais, combustíveis, materiais de construção, fertilizantes e bens industrializados, além de cargas destinadas ao Caribe e ao norte da América do Sul.

A presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, destacou ainda o impacto da iniciativa para a segurança alimentar do país, especialmente na redução do custo de alimentos e no fortalecimento da cadeia de abastecimento.

Petróleo impulsiona mudanças econômicas no Suriname

As negociações ocorrem em meio a uma fase de transformação econômica do Suriname. O país vem ganhando destaque internacional após descobertas recentes de petróleo offshore, que devem impulsionar novos investimentos em infraestrutura portuária e logística ao longo da próxima década.

Especialistas apontam que o cenário se assemelha ao observado na Guiana, que passou a atrair grandes fluxos de investimento após a expansão da produção de petróleo.

Nesse contexto, uma conexão logística mais eficiente com o Brasil pode abrir oportunidades para empresas brasileiras dos setores de portos, transporte, energia e serviços industriais.

Integração reforça estratégia do Arco Norte brasileiro

A futura rota marítima também se conecta à estratégia brasileira de fortalecimento do Arco Norte, ampliando alternativas logísticas além dos tradicionais corredores do Sudeste.

A ligação com Paramaribo pode facilitar o escoamento de produtos brasileiros para mercados do Caribe, reduzindo etapas intermediárias e ampliando a competitividade das exportações.

Além da agenda marítima, Brasil e Suriname também avançam na cooperação aérea. Os países mantêm acordo de serviços aéreos desde 1980, atualizado em 2022 sob o modelo de Céus Abertos, que flexibiliza rotas, frequências e capacidade para voos de passageiros e cargas.

Os entendimentos firmados devem servir de base para um futuro memorando ampliado de cooperação técnica, com foco em projetos conjuntos nas áreas portuária, hidroviária e aeroportuária.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Gov BR

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ANVISA

DUIMP: Anvisa atualiza manual de importação e reforça exigências para anuência sanitária

A Anvisa publicou a versão 1.9 do Manual de Importação por DUIMP (Declaração Única de Importação), trazendo orientações atualizadas para importadores, despachantes aduaneiros e demais profissionais envolvidos nas operações de comércio exterior. A nova edição foi disponibilizada em 1º de junho de 2026 e apresenta esclarecimentos importantes sobre procedimentos e requisitos para análise sanitária das importações.

Atualização destaca diferenças entre taxa e anuência sanitária

Um dos principais pontos abordados na revisão do manual é a distinção entre o deferimento da Guia de Taxa e a aprovação da anuência sanitária.

Segundo a Anvisa, o pagamento ou deferimento da taxa administrativa não significa que a autorização sanitária da operação tenha sido concedida. O esclarecimento busca evitar interpretações equivocadas que possam comprometer o andamento dos processos de importação.

Preenchimento correto dos atributos ganha importância

A agência também reforçou a necessidade de atenção ao cadastro das informações exigidas no Portal Único de Comércio Exterior.

Entre os dados considerados essenciais para a análise regulatória estão:

  • Categoria regulatória do produto;
  • Forma física da mercadoria;
  • Condições de armazenamento;
  • Finalidade da importação;
  • Critérios de priorização da análise sanitária.

O correto preenchimento dessas informações é fundamental para garantir a avaliação adequada da operação e reduzir riscos de exigências complementares.

Precisão técnica se torna cada vez mais relevante na DUIMP

Com a ampliação do uso da DUIMP, a qualidade das informações prestadas pelos operadores passa a ter papel decisivo no fluxo das importações.

A Anvisa destaca que inconsistências cadastrais, falhas documentais ou divergências nos atributos informados podem resultar em atrasos, solicitações adicionais e perda de previsibilidade logística.

Nesse cenário, a preparação técnica e o conhecimento dos procedimentos regulatórios tornam-se fatores estratégicos para empresas que atuam no comércio internacional.

SINDASP acompanha evolução do Portal Único

O Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (SINDASP) informou que segue monitorando as mudanças normativas e operacionais relacionadas ao Portal Único de Comércio Exterior.

A entidade ressalta a importância da conformidade aduaneira e do papel dos despachantes aduaneiros na adaptação ao ambiente digital que vem transformando os processos de importação no Brasil.

A atualização do manual reforça a necessidade de alinhamento entre operadores, importadores e órgãos anuentes para garantir maior eficiência e segurança nas operações realizadas por meio da DUIMP.

FONTE: SindaSP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Anvisa

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Portos

Porto de Santos mantém descontos tarifários para navios sustentáveis e cabotagem

A Autoridade Portuária de Santos (APS) anunciou a prorrogação, por mais 120 dias, dos descontos concedidos a navios verdes e embarcações com alta frequência de operação no Porto de Santos. A medida, em vigor desde 2023, busca estimular práticas sustentáveis no transporte marítimo e fortalecer a movimentação de cargas pela cabotagem.

As novas condições passam a valer a partir de 10 de junho.

Benefícios incentivam embarcações com menor impacto ambiental

Os descontos destinados aos chamados navios verdes contemplam embarcações que possuem certificação e pontuação positiva no Environmental Ship Index (ESI), sistema internacional que avalia o desempenho ambiental dos navios.

Dependendo da classificação obtida, as embarcações podem receber abatimentos de até 15% nas tarifas relacionadas ao uso da infraestrutura de acesso aquaviário, calculadas com base na tonelagem de porte bruto.

A iniciativa faz parte da estratégia da APS para promover a sustentabilidade portuária e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor marítimo.

Porto de Santos aposta na transição energética

Segundo dados da Organização Marítima Internacional (IMO), o transporte marítimo responde por cerca de 80% do comércio mundial e por aproximadamente 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Nesse contexto, a Autoridade Portuária de Santos tem adotado medidas voltadas à modernização ambiental do complexo portuário, alinhadas às metas globais de descarbonização previstas no Acordo de Paris.

O objetivo é consolidar o Porto de Santos como referência nacional na transição energética do setor aquaviário, incentivando operações mais eficientes e ambientalmente responsáveis.

Cabotagem e navios frequentes também recebem incentivos

Além dos benefícios ambientais, a APS manterá os descontos destinados às embarcações que realizam operações frequentes no porto.

O cálculo leva em consideração o número de escalas registradas nos 12 meses anteriores à atracação, diferenciando os navios de longo curso das embarcações de cabotagem.

Os percentuais podem chegar a:

  • Até 55% de desconto para navios de longo curso;
  • Até 60% de desconto para embarcações de cabotagem.

Os maiores abatimentos são concedidos para navios que realizam 48 ou mais escalas no Porto de Santos durante o período analisado.

Medida busca fortalecer competitividade e eficiência logística

Com a manutenção dos incentivos tarifários, a APS pretende ampliar a atratividade do maior porto da América Latina, estimulando tanto a adoção de tecnologias sustentáveis quanto o aumento da frequência de operações marítimas.

A estratégia também contribui para o fortalecimento da logística portuária brasileira, promovendo maior eficiência operacional e incentivando modelos de transporte com menor impacto ambiental.

FONTE: Porto de Santos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Santa Portal

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Logística

AD Ports investe US$ 835 milhões e assume controle da CLI no Brasil

A AD Ports Group, companhia sediada em Abu Dhabi e especializada em infraestrutura portuária e logística, anunciou a aquisição do controle da Corredor Logística e Infraestrutura (CLI), em uma operação avaliada em US$ 835 milhões. O negócio representa a entrada oficial da empresa dos Emirados Árabes Unidos no mercado brasileiro de logística e terminais portuários.

A conclusão da transação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores e autoridades de defesa da concorrência.

CLI opera em portos estratégicos do Brasil

A CLI atua como uma das principais plataformas independentes de logística portuária do país, com operações concentradas em dois importantes corredores de exportação: o Porto de Itaqui, no Maranhão, e o Porto de Santos, em São Paulo.

Atualmente, a empresa é controlada de forma compartilhada por fundos administrados pela IG4 Capital e pela Macquarie Asset Management, da Austrália. Ambos os grupos concordaram em vender suas participações para a AD Ports.

Segundo as empresas envolvidas, a chegada do novo controlador deverá impulsionar investimentos e apoiar a próxima etapa de expansão da plataforma logística brasileira.

Reestruturação impulsionou valorização da empresa

A trajetória recente da CLI foi marcada por uma ampla recuperação financeira. Em 2020, a IG4 Capital assumiu o controle da companhia em uma operação de aproximadamente US$ 240 milhões, incluindo passivos, quando a empresa enfrentava dificuldades financeiras.

Após um processo de reestruturação e fortalecimento operacional, a companhia passou a ampliar sua presença no setor portuário.

Em 2022, a Macquarie ingressou na sociedade como controladora conjunta, contribuindo para financiar a aquisição de terminais especializados em grãos e açúcar no Porto de Santos, anteriormente pertencentes à Rumo.

Operação reforça interesse internacional no setor logístico brasileiro

A aquisição da CLI reforça o movimento de investidores globais em busca de oportunidades no segmento de infraestrutura logística, considerado estratégico para o crescimento do comércio exterior brasileiro.

Com presença em diversos países, a AD Ports amplia sua atuação internacional ao ingressar em um mercado que desempenha papel fundamental no escoamento de commodities e produtos industrializados da América do Sul.

Bancos assessoraram negociação bilionária

A operação contou com a participação de instituições financeiras de destaque. O Citi atuou como assessor financeiro dos vendedores, representando a Macquarie e a IG4 Capital.

Já a AD Ports recebeu assessoria do BTG Pactual durante o processo de negociação e estruturação da compra.

FONTE: Bloomberg Línea:
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jonne Roriz/Bloomberg

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Logística

Corredor Bioceânico: Receita Federal realiza expedição para aprimorar logística e controle aduaneiro

A Receita Federal iniciou uma expedição técnica ao longo do Corredor Bioceânico com o objetivo de fortalecer o planejamento operacional e a preparação aduaneira para o aumento do fluxo de mercadorias na rota internacional que conecta o Brasil ao Oceano Pacífico.

A missão ocorre entre os dias 30 de maio e 8 de junho e reúne oito servidores especializados em áreas estratégicas, como comércio exterior, repressão aduaneira, inteligência e relações internacionais.

Equipe percorre rota entre quatro países

Durante a expedição, os representantes da Receita Federal visitarão estruturas localizadas em Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, incluindo postos de fronteira, unidades aduaneiras, centros logísticos e portos situados na costa do Pacífico.

A proposta é avaliar, diretamente em campo, as condições operacionais da rota e identificar desafios que poderão surgir com a ampliação das atividades comerciais e do transporte internacional de cargas.

Infraestrutura e fluxo de mercadorias estão entre os focos

A análise contempla diversos aspectos considerados fundamentais para o funcionamento do corredor logístico. Entre eles estão a qualidade da infraestrutura disponível, os procedimentos de fiscalização, os tempos de travessia nas fronteiras e os mecanismos de gestão de risco.

A equipe também observará oportunidades para ampliar a facilitação do comércio internacional, fortalecer a integração entre os países envolvidos e aprimorar a cooperação entre órgãos responsáveis pelo controle aduaneiro.

Planejamento busca preparar fronteiras para expansão comercial

Segundo a Receita Federal, as informações obtidas durante a expedição servirão de base para o desenvolvimento de estratégias voltadas ao crescimento esperado das operações de importação e exportação ligadas ao Corredor Bioceânico.

A iniciativa faz parte dos esforços para modernizar a atuação nas fronteiras, garantindo maior eficiência logística sem abrir mão da segurança no controle de cargas e da fiscalização aduaneira.

Integração e segurança são prioridades

Com a realização da missão técnica, a Receita Federal reforça sua estratégia de atuação integrada nas regiões de fronteira, buscando equilibrar agilidade logística, segurança aduaneira e cooperação internacional.

A expectativa é que o trabalho contribua para a construção de um ambiente mais eficiente para o comércio exterior, acompanhando a importância crescente do Corredor Bioceânico como alternativa para o escoamento da produção brasileira rumo aos mercados internacionais.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Comércio Exterior

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros preocupa indústria e pode afetar exportações

A possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros gerou preocupação no setor industrial. A medida, proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), é acompanhada de perto pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que defende o diálogo entre os dois países para evitar impactos econômicos e comerciais.

Em nota oficial, a CNI destacou que a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é estratégica para ambas as nações e vem sendo construída ao longo de décadas. Para a entidade, a adoção de novas barreiras tarifárias pode prejudicar cadeias produtivas integradas e afetar empresas, consumidores, investimentos e empregos nos dois mercados.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o momento exige cautela e negociação. Segundo ele, a entidade está disposta a colaborar tecnicamente nas discussões para preservar o fluxo comercial entre os países.

Exportações brasileiras já registraram queda em 2025

Dados apresentados pela CNI mostram que as exportações de bens da indústria de transformação para os Estados Unidos somaram US$ 30,2 bilhões em 2025, resultado 4,2% inferior ao registrado em 2024.

Entre os 15 principais segmentos exportadores, nove apresentaram retração nas vendas para o mercado norte-americano. Os setores mais impactados foram:

  • Produtos de metal: queda de 31,6%;
  • Madeira: redução de 20%;
  • Celulose e papel: recuo de 19,9%;
  • Veículos automotores: diminuição de 17,6%.

Na avaliação da entidade, a eventual implementação da nova tarifa poderá ampliar as dificuldades enfrentadas por esses setores e reduzir ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos.

Audiência pública deve discutir proposta em julho

A discussão sobre a medida terá um novo capítulo no próximo mês. O USTR marcou para 6 de julho uma audiência pública destinada a debater a proposta e receber contribuições de governos, entidades representativas e empresas interessadas.

Para a CNI, o processo de consulta pública representa uma oportunidade importante para que o Brasil apresente argumentos técnicos e demonstre os benefícios da manutenção das relações comerciais entre os dois países.

CNI defende negociação para preservar empregos e investimentos

A confederação informou que continuará acompanhando o tema em conjunto com autoridades brasileiras, representantes do setor produtivo e interlocutores norte-americanos.

O objetivo é buscar soluções negociadas que evitem prejuízos ao comércio bilateral e preservem investimentos, geração de empregos e o fortalecimento da parceria econômica entre as duas maiores economias das Américas.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Texto: Redação

Imagem: CNI / Divulgação

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Comércio Exterior

Operação da Receita Federal e Polícia Federal investiga suposto esquema de corrupção no comércio exterior

Uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal foi deflagrada nesta terça-feira (2) para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo um servidor público e agentes ligados ao comércio exterior. Segundo as apurações iniciais, o esquema investigado pode ter provocado prejuízos superiores a R$ 10 milhões aos cofres públicos.

Mandados são cumpridos em Santa Catarina e São Paulo

Ao todo, estão sendo executados 19 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados de Santa Catarina e São Paulo. As diligências ocorrem em imóveis relacionados ao servidor investigado, seus familiares e empresas ou pessoas físicas que atuam em atividades ligadas à área aduaneira.

Investigação aponta possível enriquecimento incompatível

As investigações tiveram início após levantamentos realizados pela Corregedoria da Receita Federal. Os trabalhos identificaram indícios de incompatibilidade entre a renda oficial do servidor e seu padrão de vida, além de movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Também foram encontrados elementos que podem indicar favorecimento a intervenientes aduaneiros em troca de benefícios indevidos. Diante das suspeitas, o servidor foi afastado de suas funções enquanto os fatos seguem sendo apurados.

Vantagens indevidas podem ultrapassar R$ 5 milhões

De acordo com os investigadores, o valor das supostas vantagens recebidas direta ou indiretamente pelo servidor supera R$ 5 milhões. As apurações indicam que despachantes aduaneiros, consultorias, empresas importadoras e operadores logísticos podem ter participado do esquema.

Os recursos teriam sido repassados por diferentes meios, incluindo pagamentos em espécie, depósitos bancários e quitação de despesas pessoais, como aluguel, contas de cartão de crédito e aquisição de bens.

Impactos para a fiscalização aduaneira

A Receita Federal destaca que práticas desse tipo comprometem a integridade da fiscalização aduaneira, enfraquecem os mecanismos de controle de cargas e prejudicam empresas que atuam de forma regular no comércio exterior.

Além disso, a atuação irregular de operadores e intermediários pode gerar concorrência desleal, afetando a segurança e a transparência das operações de importação e exportação.

Receita Federal reforça compromisso com a integridade

Segundo o órgão, a ação faz parte das medidas permanentes de combate à corrupção e fortalecimento da ética no serviço público. Entre os objetivos estão:

  • Combater práticas ilícitas na administração pública;
  • Preservar a integridade institucional;
  • Garantir igualdade de condições para os participantes do comércio exterior.

A Receita Federal ressaltou que mantém mecanismos contínuos de prevenção, identificação e repressão a condutas incompatíveis com os princípios da administração pública.

Investigações continuam

Participam da operação cerca de 30 servidores da Receita Federal. Os mandados estão sendo cumpridos em cidades como Campinas, Guarulhos, São Paulo, Barueri, Hortolândia, Paulínia, Santana de Parnaíba e Valinhos, em São Paulo, além de Itajaí, em Santa Catarina.

As investigações seguem em andamento para aprofundar a análise das evidências já reunidas e verificar a possível existência de outros crimes relacionados ao caso.

A Receita Federal também informou que denúncias de desvios de conduta podem ser registradas por qualquer cidadão por meio da plataforma FalaBR, vinculada à Ouvidoria do Governo Federal.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Comércio Exterior

Comex em Movimento valoriza a cadeia do comércio exterior e da logística em Santa Catarina

Projeto realizado em parceria entre o Grupo ND e o ReConecta News vai trazer conteúdos exclusivos para valorizar as empresas e o setor

Quem passa pelo centro de Itajaí não deixa de perceber a movimentação de contêineres na área do Porto e admirar a passagem dos navios cargueiros pelo Rio Itajaí-Açu. Em 2025, Itajaí foi a cidade que mais importou no Brasil, movimentando US$ 16,3 bilhões. Mas o que muita gente não sabe é que, para que esses resultados apareçam, é preciso muito mais: por trás de cada contêiner existem centenas de empresas que fazem o comércio exterior girar.

Para mostrar e valorizar toda essa cadeia do comércio exterior e da logística, o grupo ND, em parceria com o ReConecta News, lançou o projeto Comex em Movimento. A iniciativa foi apresentada nesta terça-feira (02), em um evento exclusivo para empresários e profissionais do setor. O objetivo é mostrar, de forma simples, dinâmica e acessível, como o comércio exterior e a logística impactam a economia, os negócios e o dia a dia das pessoas.

Segundo Cristian Vieceli, diretor regional do Grupo ND, a ideia é produzir conteúdos rápidos, informativos e curiosos, valorizando as empresas do setor. “O projeto vai abranger a produção de conteúdo não apenas na região de Itajaí, mas também nas regiões de Blumenau, Chapecó e Joinville, onde estão concentradas muitas empresas que exportam e importam”, destaca.

Para Renata Palmeira, CEO do ReConecta News, o projeto Comex em Movimento traz uma oportunidade única para fortalecer a autoridade das empresas, além de gerar novos negócios. “É muito importante termos a oportunidade de apresentar todo o nosso complexo logístico. Santa Catarina é o único estado do Brasil que tem cinco portos, e no Oeste estão os maiores exportadores do país. Precisamos cada vez mais fortalecer as marcas e trazer mais negócios”, comenta.

Conteúdo relevante 

O projeto Comex em Movimento terá duração de três meses. Durante esse período, serão produzidos conteúdos em vídeo exibidos semanalmente na programação da NDTV Record nas regiões participantes. Mas a disseminação desse conteúdo não para por aí. No ambiente digital, o projeto contará com um canal exclusivo no Portal ND Mais e no ND Play, reunindo todos os conteúdos exibidos na TV, além de um publieditorial mensal com os destaques do período, ampliando a visibilidade e a força da iniciativa.

Hoje, o comércio exterior representa mais de 20% do PIB nacional. Somente nos primeiros seis meses deste ano, a corrente de comércio — soma das importações e exportações — chegou a US$ 208,3 bilhões, representando um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Boa parte dessa movimentação passa por Santa Catarina. “Difundir o comércio exterior do nosso estado, que é o segundo em movimentação no Brasil, é extremamente importante. Em 2025, Santa Catarina cresceu acima da média nacional nas importações, chegando a 19%. Isso mostra o nosso potencial e a nossa criatividade para driblar as dificuldades”, destaca Daise Santos, coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior da ACII.

Para as empresas que têm a oportunidade de participar do projeto, a iniciativa do Grupo ND e do ReConecta, representa uma estratégia para fortalecer a marca. “Estamos há três anos no mercado, e divulgar o nosso nome até mesmo em rede nacional é uma excelente oportunidade, inclusive para que as pessoas entendam a qualidade do serviço prestado aqui”, comenta Uriel de Paula, supervisor de gerenciamento de risco da Sigatrans.

Texto: Daiana Brocardo – ReConecta News
Imagens: Giovana Santos / ReConecta News

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Portos

Porto Itapoá expande rotas marítimas com novos serviços para a Europa e Manaus

O Porto Itapoá consolidou ainda mais sua relevância no cenário do comércio marítimo global e doméstico ao anunciar a integração de duas novas linhas de navegação. A expansão estratégica promete impulsionar a competitividade do terminal catarinense, otimizando o fluxo de mercadorias tanto nas exportações e importações quanto no transporte cabotagem.

Conexão direta com o Norte da Europa via serviço Neosamba

No âmbito internacional, o grande destaque é a entrada do terminal na rotação do serviço Neosamba, uma linha operada pela Maersk. Essa adição cria um canal de tráfego direto entre o estado de Santa Catarina e os maiores hubs logísticos do Norte da Europa, beneficiando diretamente os players de comércio exterior da região.

O itinerário do serviço abrange pontos altamente estratégicos, passando por portos como Southampton (Reino Unido), Rotterdam (Holanda), Hamburgo e Bremerhaven (Alemanha), Antuérpia (Bélgica) e Tânger (Marrocos). Na América do Sul, a rota conecta os complexos de Santos, Paranaguá, Buenos Aires, Montevidéu e, agora, Itapoá.

Essa nova opção de transporte marítimo internacional vem para respaldar uma relação comercial já consolidada. Dados recentes apontam o peso da União Europeia nas operações do porto:

  • Importações: O bloco europeu foi a origem de 19% das cargas desembarcadas no terminal, somando cerca de 285 mil TEUs. Os principais produtos importados são maquinários industriais, químicos, além de alimentos e bebidas.
  • Exportações: Cerca de 12% dos embarques (180 mil TEUs) tiveram o Velho Continente como destino, com destaque para produtos florestais, siderúrgicos, eletrodomésticos, eletrônicos e maquinários.

O CEO do Porto Itapoá, Ricardo Arten, salienta que a indústria de Santa Catarina possui forte vínculo com o mercado europeu. De acordo com o executivo, a localização do terminal e a robustez dos novos serviços oferecem a eficiência logística exata que esses polos produtivos exigem.

Reforço na cabotagem nacional com nova rota para Manaus

No mercado interno, a novidade fica por conta do início do serviço ALCT1, capitaneado pela Aliança Navegação e Logística. Programada para começar a operar em junho, esta rota de cabotagem brasileira ligará o Porto Itapoá diretamente a Manaus (AM), apresentando um tempo de viagem estimado em 13 dias.

Com duas escalas programadas por semana, a linha atenderá demandas de bens de consumo, produtos refrigerados, eletrônicos e cargas industriais entre o Norte e o Sul do Brasil. O serviço atuará em sinergia com a linha BRACO (da Mercosul Line e CMA CGM), que já opera no local.

O investimento no modal doméstico acompanha um momento de forte expansão. O terminal movimentou cerca de 298 mil TEUs em cabotagem no último período anual, o que representou um salto de 32% em comparação ao ciclo anterior. Esse índice garantiu ao Porto Itapoá o posto de líder em movimentação de cabotagem na Região Sul.

Segundo Arten, o avanço desse modal sinaliza uma busca do mercado por soluções de logística portuária que equilibrem alta capacidade de carga, previsibilidade nas operações e custos competitivos para o transporte em território nacional.

Com essa dupla ampliação, o Porto Itapoá se posiciona de forma definitiva como um hub logístico de vanguarda, gerando valor para as cadeias produtivas brasileiras e elevando o potencial do comércio exterior do país.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JP

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