Internacional, Mercado Internacional

Líderes europeus se queixam de acordo fechado com os EUA

Segundo o Conselho Europeu, no ano passado, os países negociaram US$ 2 trilhões.

O acordo comercial com os EUA anunciado no domingo, 27, gerou críticas de líderes de países-membros da União Europeia (UE) nesta segunda, 28. Carros, vinhos e itens de luxo são alguns dos setores-chave da economia europeia afetados pelas tarifas de 15%.

Segundo o Conselho Europeu, no ano passado, os países negociaram US$ 2 trilhões. Pelo pacto anunciado anteontem, as tarifas para produtos exportados do bloco para os Estados Unidos vão ficar em 15%.

O governo da França foi o mais estridente e disse ser contra o acordo. Para os líderes franceses, o bloco europeu deveria retaliar as taxas do presidente americano, Donald Trump, alertando que a Europa saiu da mesa de negociações politicamente enfraquecida.

“É um dia sombrio quando uma aliança de povos livres, reunidos para afirmar seus valores e defender seus interesses, resolve se submeter (aos EUA)”, escreveu o primeiro-ministro François Bayrou em redes sociais.

As constantes ameaças de Trump encontravam a maior rejeição no presidente francês, Emmanuel Macron, que defendia que a única saída para o bloco era impor tarifas aos EUA como forma de demonstrar força.

Benjamin Haddad, ministro francês responsável por assuntos europeus, sugeriu que o acordo comercial de Trump constituía uma “tática predatória”. “O livre-comércio que trouxe prosperidade compartilhada a ambos os lados do Atlântico desde o fim da 2.ª Guerra está agora sendo rejeitado pelos Estados Unidos, que optaram pela coerção econômica e pelo completo desrespeito às regras da OMC”, escreveu em rede sociais.

Mercosul

Em entrevista coletiva ontem, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que valoriza os esforços feitos pela Comissão Europeia e apoia o acordo tarifário, mas “sem nenhum entusiasmo”. Ele defendeu que os europeus “precisam agir em conjunto” e devem diversificar suas relações comerciais e citou o Mercosul.

“Na semana passada, estive em dois países que fazem parte do Mercosul. Eu acredito que esse é o caminho, temos de diversificar nossas relações comerciais, fazer isso com regiões e blocos.”

Já a associação da indústria alemã VDMA, que representa mais de 3,6 mil empresas, instou a UE e os EUA a lidarem com o acordo firmado ontem “não como um ‘novo normal’”. “A UE deve agora fortalecer consistentemente sua competitividade, expandir o mercado interno, aumentar sua independência em defesa e matérias-primas, se afirmar como um espaço econômico aberto e concluir acordos comerciais com novos parceiros”, escreveu o presidente da associação, Bertram Kawlath, em comunicado divulgado ontem.

Para a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o acordo foi “positivo”, pois avalia que “uma escalada comercial teria consequências imprevisíveis e potencialmente devastadoras”. Falando a jornalistas em um evento na Etiópia, a líder italiana disse que “ainda há uma luta a ser travada”, pois é preciso garantir que setores mais sensíveis sejam preservados. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Fonte: Estadão de São Paulo

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Comércio Exterior, Internacional

Venezuela volta a isentar produtos do Brasil após tarifa surpresa, dizem exportadores

Empresas de Roraima relataram que parceiros venezuelanos estavam sendo cobrados de uma taxa que até então era total ou parcialmente isenta, a depender do produto

A Venezuela deixou de cobrar uma taxa sobre importação de produtos brasileiros após aplicar a cobrança sem explicações durante mais de uma semana, de acordo com a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, que reúne empresas do Estado que vendem produtos para o país vizinho.

No dia 18 de julho, exportadores brasileiros foram surpreendidos pela cobrança de uma taxa de importação da Venezuela que até então era isenta para produtos do Brasil que entram no país. O imposto é cobrado de empresas venezuelanas.

Empresas de Roraima, Estado que destina 70% de suas exportações para o território com o qual faz fronteira, relataram que parceiros venezuelanos estavam sendo cobrados de uma taxa que até então era total ou parcialmente isenta, a depender do produto. Os empresários brasileiros temiam impactos em seus negócios.

O Brasil tem um acordo bilateral com a ditadura chavista que isenta a cobrança da taxa de importação ad valorem (cobrada sobre o valor do item) de produtos que entram no país com certificado de origem.

Cada produto tem um grau de isenção, que chega a ser total em alguns casos. Com o fim da isenção, houve cobrança de uma taxa de 40% para produtos como açúcar e margarina; a farinha de trigo foi taxada em 20%, segundo a instituição de exportadores.

Segundo o presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, Eduardo Oestreicher, a instituição foi informada que o problema ocorreu em um sistema da Venezuela e foi resolvido, sem maiores explicações. Nesta segunda-feira, 28, segundo Oestreicher, os empresários venezuelanos relataram que a isenção estava sendo aplicada normalmente.

Não houve explicações oficiais do governo da Venezuela. A informação da volta da normalidade foi dada pela Câmara de Comércio e Indústria de Santa Elena de Uairén, que faz fronteira com o Brasil, e pelos despachantes aduaneiros do local aos empresários brasileiros, segundo Oestreicher.

“Tivemos a confirmação esta manhã que foi um problema de sistema e que hoje voltou a operar da forma como era antes”, disse ele ao Estadão. Empresários estavam com cargas e produtos parados à espera de uma solução, de acordo com a instituição. “Os empresários em Roraima estão mais aliviados, inclusive as cargas já estão sendo processadas dentro da aduana.”

Na última sexta-feira, 25, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse estar acompanhando, em coordenação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), os relatos de dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros.

O comércio entre Brasil e Venezuela é regido pelo Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que veda a cobrança de imposto de importação entre os dois países. Nesta segunda-feira, 28, o Itamaraty ainda não se pronunciou.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Lula está disposto a ligar para Trump, desde que seja atendido, dizem interlocutores

Lula gostaria de conversar pessoalmente com Trump sobre o tarifaço, mas auxiliares do presidente brasileiro relatam dificuldades de contato com a Casa Branca.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está disposto a conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o tarifaço anunciado contra produtos brasileiros. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Lula não se opõe ao diálogo, mas avalia que a conversa só ocorrerá se Trump atender pessoalmente a ligação.

A disposição de Lula ocorre após uma proposta feita por senadores brasileiros para que os dois líderes conversem. No entanto, o clima no Planalto é de pessimismo. A avaliação é de que a Casa Branca só pretende abrir uma negociação após a entrada em vigor das tarifas, marcada para 1º de agosto, como forma de aumentar seu poder de barganha.

Fontes do governo afirmam que os canais com a Casa Branca estão fechados. Apesar das tentativas de contato com o Departamento de Comércio, o Tesouro e outras áreas da administração norte-americana, o Planalto relata dificuldade de estabelecer uma ponte direta com o núcleo político do governo Trump.

Um interlocutor direto de Lula afirmou que o Brasil seguirá aberto ao diálogo, mas frisou que há limites: “A soberania não é negociável”, disse. Segundo essa fonte, o governo brasileiro rejeita qualquer tentativa de interferência em decisões do Supremo Tribunal Federal ou em sistemas como o Pix.

Ainda de acordo com integrantes do Planalto, há no governo norte-americano um desconforto com o Pix por supostamente afetar a rentabilidade de empresas americanas, incluindo operadoras.

Tarifaço dos EUA

  • No dia 9 de julho, Trump publicou uma carta endereçada ao presidente Lula (PT) anunciando a aplicação de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. Ele justificou a medida com argumentos políticos e comerciais.
  • No dia 23, o presidente dos EUA disse que aplicou tarifas de 50% a países com os quais o relacionamento “não tem sido bom”.
  • Embora não tenha sido citado diretamente, o Brasil está entre eles. Segundo ele, o objetivo é pressionar outros países a abrirem seus mercados.
  • Neste domingo (27), o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que as tarifas impostas pelo país entrarão em vigor no dia 1º de agosto, “sem prorrogações”.

Chanceler brasileiro nos EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou neste domingo nos EUA e poderá seguir para Washington, caso o governo americano demonstre interesse em discutir alternativas ao tarifaço.

Oficialmente, Vieira cumpre agenda na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, com foco na questão palestina.

Segundo apuração da TV Globo/GloboNews, o chanceler indicou que sua presença nos EUA demonstra disposição para o diálogo, mas que só irá a Washington se houver sinal verde do governo americano para retomar as negociações.

Impacto

De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o aumento das tarifas de importação dos EUA sobre produtos brasileiros pode impactar cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para o mercado norte-americano.

Essas empresas empregam, juntas, aproximadamente 3,2 milhões de pessoas no Brasil.

Neste mês, Geraldo Alckmin destacou que empresas norte-americanas com operações no Brasil — como General Motors, Johnson & Johnson e Caterpillar — também seriam prejudicadas pela tarifa anunciada por Trump.

“Nós queremos todo mundo unido para resolver essa questão. E as empresas têm um papel importante, tanto as brasileiras, que, aliás tem empresa brasileira que tem indústria nos Estados Unidos, quanto as empresas americanas. A General Motors comemorou esse ano, participei do seu centenário no Brasil. A Johnson & Johnson tem 90 anos, a Caterpillar tem 70 anos, muitas delas exportam para os Estados Unidos”, disse Alckmin na ocasião.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que a equipe econômica já está elaborando um plano de contingência para apoiar os setores que forem impactados pelo tarifaço.

“Não vamos deixar ao desalento os trabalhadores brasileiros, vamos tomar medidas necessárias”, declarou o ministro Haddad.

Fonte: G1

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Exportação

Acredita Exportação: Governo vai ‘devolver’ 3% das exportações de MPEs

O presidente Lula (PT) sancionou hoje a lei que cria o Programa Acredita Exportação. A medida, descrita como uma antecipação da Reforma Tributária de 2027, busca fortalecer as MPEs (micro e pequenas empresas) no mercado internacional, com foco na devolução de tributos federais pagos ao longo da cadeia produtiva de bens industriais destinados à exportação.

O que aconteceu

MPEs poderão pedir uma devolução de até 3% das receitas com vendas externas. O valor será compensado com tributos federais ou pago diretamente. Benefícios começam a valer na sexta-feira, mesmo dia em que os EUA devem começar a taxar produtos brasileiros em 50%. A medida se aplica até 2027, quando entrará em vigor a nova CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços).

Programa corrige distorções no sistema tributário. Empresas cadastradas no Simples Nacional não podiam, até agora, recuperar tributos pagos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Estima-se que cerca de 50% das MPEs exportadoras sejam beneficiadas.

Apenas 0,8% do exportado pelo Brasil no ano passado foi comercializado por MPEs, totalizando US$ 2,6 bilhões. Dados apresentados pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, apontam que das 28.847 empresas que exportam, as MPEs respondem por 40% desse total (11.500).

“1% das grandes empresas é responsável por 99% das exportações, e os 99% restantes são responsáveis por 1% das vendas internacionais.” A afirmação foi feita pelo ministro da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, Márcio França. “Na China, por exemplo, 65% do valor que é exportado é comercializado pelos pequenos”, comparou, ao justificar incentivos para empresas “menores” como uma escolha necessária para impulsionar a economia.

MPEs exportadoras devem acessar o sistema da Receita Federal para solicitar o benefício. O processo é regulamentado por um decreto presidencial, com informações detalhadas disponíveis no portal da Receita Federal.

Medidas de antecipação da Reforma Tributária também são estudadas para outros setores. Sem citar quais seriam as áreas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que, com a reforma, seria possível o Brasil crescer até 12% em cima do PIB (Produto Interno Bruto) potencial.

Isenção para serviços relacionados à exportação

Acelera Exportação também prevê alterações nos regimes aduaneiros, como o Drawback Suspensão. Drawback é um regime aduaneiro especial que visa facilitar as exportações brasileiras, permitindo que empresas importem insumos (como matérias-primas, produtos semiacabados ou outros componentes) sem a incidência de tributos, desde que esses insumos sejam utilizados na produção de bens destinados à exportação.

Serviços respondem por aproximadamente 40% do valor adicionado nas exportações de manufaturados brasileiros. Os dados são da ODCE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgados pelo governo no lançamento do programa.

Em 2024, o regime de Drawback Suspensão foi utilizado por 1.900 empresas e atingiu US$ 69 bilhões em exportações. Valor representa cerca de 20% do total exportado pelo Brasil. A proposta anunciada hoje prevê isenção do PIS/Cofins e do Imposto de Importação.

Empresas já podem acionar o Drawback Suspensão. É necessário incluir informações sobre os serviços importados ou adquiridos no Brasil nos atos concessórios emitidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic.

Fonte: UOL

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Comércio Exterior

Pesquisa com exportadores subsidia ações da FIESC sobre tarifaço

Questionário para entender exposição de setores e empresas ao mercado norte-americano foi lançado nesta segunda-feira (28); respostas vão ajudar a formular propostas de políticas públicas

A Federação das Indústrias de SC (FIESC) realizou nesta segunda-feira (28), a primeira reunião aberta do Comitê de Crise do Tarifaço dos EUA. No encontro, realizado de maneira virtual, foi apresentada pesquisa para medir os impactos potenciais da elevação das tarifas de importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos para 50%. A partir de uma compreensão mais profunda dos efeitos para a indústria e a economia catarinense, a FIESC pretende ampliar sua contribuição para políticas públicas para fazer frente à situação.

“Estamos muito preocupados com o potencial impacto, porque SC tem uma característica muito singular, com segmentos diferentes sendo afetados em proporções distintas”, explicou o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt. Santa Catarina é o segundo estado com maior impacto negativo sobre o PIB, de 0,31%, atrás apenas do Amazonas, explicou, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Em SC,  22,2% da produção do setor de produtos de madeira é exportada para os EUA. No setor de móveis, 12,1% do que é fabricado têm os Estados Unidos como destino”, destacou, citando dois dos segmentos que mais têm manifestado preocupação.

Embora algumas grandes exportadoras para o mercado norte-americano possam readequar operações porque possuem estruturas fabris nos Estados Unidos ou em outros países menos impactados, essa não é a regra geral. A preocupação com o setor de madeira e móveis, por exemplo, se justifica porque parte das indústrias com maior exposição estão em regiões onde o IDH é mais baixo e eventuais reflexos no mercado de trabalho teriam consequências sociais graves.

Em 2024, 15% das exportações de SC foram para os EUA. Na região do Planalto Norte, no entanto, 42,5% de tudo o que é exportado tem como destino aquele mercado, enquanto na Serra são 22,3%, no Centro-norte 24,9% e no Alto Vale 23,7%.

A FIESC já iniciou a articulação com o governo do estado, que solicitou informações robustas para avaliar as ações propostas pela entidade. Os exportadores podem responder ao questionário por meio do link: https://forms.gle/PqhMfZVpm8wbXuSJ6

A mobilização das indústrias para responder às questões elaboradas pela FIESC junta-se a iniciativas já em andamento via Confederação Nacional da Indústria (CNI), de reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e à articulação com o governo de SC.

Desafios

O industrial Leonardo Zipf destacou a dificuldade de abertura de canais efetivos de negociação e manifestou preocupação com o momento em que as novas tarifas serão cobradas, já que não se tem documentos oficiais detalhando a medida norte-americana. Leandro Gomes, executivo da Guararapes, destacou a importância da participação da indústria respondendo ao questionário e sugeriu que a FIESC priorize soluções que aliviem o caixa das empresas, propondo a liberação de créditos tributários para as exportadoras pelo governo do Estado.

Fonte: FIESC

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Internacional

China se diz pronta para cooperar com Brasil na defesa do sistema multilateral de comércio

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, reiterou que guerras tarifárias não têm vencedores

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, declarou nesta segunda-feira (28) que o gigante asiático está pronto para trabalhar com o Brasil e outros países em defesa de um comércio justo multilateral, em meio as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.

“A China está pronta para trabalhar com o Brasil, outros países da América Latina e do Caribe e os países do Brics para, em conjunto, defender o sistema multilateral de comércio centrado na OMC [Organização Mundial do Comércio] e a equidade e justiça internacionais”, disse, em coletiva de imprensa.

Além disso, Jiakun reafirmou que as guerras tarifárias “não têm vencedores”. “A China já deixou clara sua posição sobre os aumentos de tarifas dos EUA sobre o Brasil. Permitam-me enfatizar que as guerras tarifárias não têm vencedores e que práticas unilaterais não atendem aos interesses de ninguém”, afirmou.

Por diversas vezes, o Brasil já deu acenos aos países que compõe o Brics para fortalecer as relações. Membros do governo defendem uma política externa multilateral, baseada em diálogo, respeito à soberania e equilíbrio entre as nações.

Porém, especialistas alertam para possíveis consequências que de se acionar órgãos como Brics e OMC contra tarifaço, que pode se tornar um “erro estratégico”.

“A capacidade dos fóruns multilaterais de atuarem como escudos diplomáticos é limitada e depende do tipo de fórum”, explica Guilherme Frizzera, especialista em relações internacionais.

“O Brics e o G20 não oferecem instrumentos jurídicos ou coercitivos, mas podem ser utilizados como plataformas de pressão política e coordenação com outros países que compartilhem preocupações semelhantes”, afirma.

A resposta combativa do presidente Lula, que chegou a dar pessoalmente a ordem de acionar a OMC em telefonema ao chanceler Mauro Vieira, visa preservar a imagem do Brasil como ator global independente.

“O entorno de Lula começa a ver esse episódio como um trunfo inesperado, com o poder de projetar a popularidade do presidente a partir de um discurso de enfrentamento e autonomia, mas essa retórica pode ser fulminada rapidamente, com os efeitos econômicos da taxação atingindo diretamente o bolso e o emprego do cidadão comum.”

Diálogo

A crise também reabre o debate sobre a tradicional estratégia brasileira de manter uma posição de equilíbrio entre grandes potências.

Segundo o coordenador do curso de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília, Gustavo Menon, o diálogo é a melhor iniciativa para um acordo.

O conselho dele é enfrentar o desafio, diante da melhor tradição diplomática brasileiro, e seguir com os diálogos universalistas.

“Dessa forma, não negociar de maneira construtiva tende a aprofundar impactos negativos sobre a economia e a reputação internacional do Brasil, como revelam os inúmeros precedentes de outros países que já enfrentaram a mesma encruzilhada diplomática”, aponta Menon.

Fonte: R7

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Agronegócio, Comércio Exterior, Industria

Do agro à indústria, empresas têm vendas aos EUA suspensas antes de tarifas

Setores de pescados, suco de laranja, madeira e ferro-gusa já relatam danos a contratos quatro dias antes de taxa de 50% vigorar

Às vésperas de entrar em vigor a tarifa de 50% prometida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, empresas brasileiras do agronegócio à indústria têm contratos de exportação suspensos e embarques de mercadorias ao país norte-americano cancelados.

Um dos setores que já admite perdas é o de pescados. O presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Eduardo Lobo, disse em entrevista à CNN que “todos os embarques de mercadorias foram suspensos e pedidos foram cancelados”.

“Em vigorando a taxa de 50% ninguém vai exportar e a cadeia produtora vai travar”, completou o executivo.

Relata situação semelhante o segmento madeireiro. Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), disse à CNN que “há alguns contratos cancelados e uma série de embarques postergados até que a situação da tarifa se defina”.

“Em função disso, várias empresas já estão diminuindo produção, cortando turnos e várias já têm anúncio de férias coletivas”, concluiu.

Já importadores norte-americanos de ferro-gusa — matéria-prima para o aço — anunciaram a suspensão de contratos com fornecedores do Brasil, segundo Fernando Varela, presidente do Sindifer (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo).

Apesar de o cancelamento de pedidos ainda não estar na mesa, Varela ressalta que empresários encaram a proximidade do prazo e a falta de resolução com temor. “Está chegando o dia e até agora não foi vista uma ação concreta de negociação por parte do governo”, opinou.

No segmento de suco de laranja, não há relatos de cancelamentos de embarque ou suspensão de contratos, segundo um representante setorial consultado pela CNN. O relato, contudo, é de que a negociação de novas vendas estão paralisadas enquanto há incertezas sobre as taxas.

Nem todos os segmentos de exportação relevante aos EUA relatam impacto, contudo. Representantes dos setores de café e de carne bovina disseram à CNN que ainda não há registro de suspensão de contratos ou cancelamentos de embarques.

O setor produtivo, por meio de associações e entidades representativas, vem pedindo ao governo federal pragmatismo nas negociações com os EUA e a extensão do prazo para o início da vigência da taxa. Auxiliares de Donald Trump reiteraram nos últimos dias que os 50% valerão em 1º de agosto.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

O que está por vir para o comércio EUA-Brasil? Especialista responde

O prazo iminente de 1º de agosto para potenciais tarifas dos EUA contra o Brasil provocou uma estratégia de negociação em duas frentes do Brasil, segundo Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice, conforme citado pelo Jefferies em uma nota recente.

De Aragão, pesquisador sênior do CSIS e membro do conselho da FightCancer Global Organization, compartilhou percepções sobre os fatores políticos e econômicos em jogo durante uma recente teleconferência organizada pela Jefferies.

A ameaça dos EUA de impor tarifas de 50% contra o Brasil é vista como uma combinação calculada de influência política e ambição econômica, uma tática vista anteriormente no governo Trump, disse de Aragão.

Enquanto uma carta ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou demandas políticas, como ação do Supremo Tribunal Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que estão fora da autoridade de Lula, os apelos econômicos para reduzir o protecionismo não foram abordados.

Lula, por sua vez, teria se beneficiado politicamente da crise, usando o confronto para mudar a narrativa e reunir apoio em torno da soberania, especialmente à medida que seus índices de aprovação caíram desde o início do ano.

No entanto, um impasse prolongado poderia arriscar danificar a economia brasileira e minar os ganhos políticos de Lula.

A resposta do Brasil à ameaça tarifária está se desenvolvendo em duas frentes distintas: negociações governamentais e lobby do setor privado.

De Aragão observou a dificuldade do governo brasileiro em navegar pelo que ele descreveu como o estilo de negociação vago de Trump, sem demandas claras.

Algumas empresas brasileiras estariam buscando contornar o governo para garantir exceções, visando proteger seus interesses, um modelo que teria funcionado para o México.

Essa abordagem fragmentada, sugeriu de Aragão, poderia arriscar enfraquecer a posição geral de negociação do Brasil.

Um resultado favorável para o Brasil envolveria limitar as tarifas a 10-15%, segundo de Aragão.

Alcançar isso, no entanto, poderia exigir concessões custosas de Lula para a economia doméstica, embora tais movimentos possam permitir que ele demonstre que defendeu a soberania.

Potenciais alavancas para o Brasil incluem reduzir subsídios em itens como etanol e milho, e abrir mercados para produtos dos EUA.

Essas ações acarretam custos fiscais e poderiam arriscar alienar setores pró-Bolsonaro. O desafio de Lula é equilibrar esses riscos com a necessidade de apresentar um acordo robusto tanto domesticamente quanto internacionalmente.

A falta de tempo e clareza estaria empurrando as partes interessadas a se prepararem para o pior cenário, em vez de negociar ativamente por um resultado mais favorável.

Com o prazo de 1º de agosto se aproximando, o Brasil pode retaliar contra as tarifas dos EUA, potencialmente visando os setores farmacêutico e de tecnologia, segundo Thiago de Aragão.

As ações poderiam incluir quebrar patentes farmacêuticas ou impor tarifas sobre o comércio eletrônico dos EUA, visando pressionar indústrias influentes dos EUA.

Esta situação pode escalar antes de melhorar, semelhante à guerra comercial EUA-China, já que Trump pode estar aguardando uma proposta comercial forte de Lula.

Fonte: Investing

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Comércio Exterior

Argentina aumenta em 55% importações do Brasil

Estatísticas da base de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que a Argentina aumentou em 55,4% as importações do Brasil no primeiro semestre, frente à ameaça iminente de aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, que entraria em vigor em 1º de agosto.

De acordo com a plataforma, o país do presidente Javier Milei, desafeto do mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, somou US$ 9,12 bilhões em importações do Brasil entre janeiro e junho. No mesmo período em 2024, haviam sido US$ 5,87 bilhões.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) da Argentina mostraram que o Brasil seguiu sendo em junho o maior parceiro comercial do país vizinho, respondendo por 14,8% das exportações argentinas e 25,2% das importações.

Os principais produtos do comércio exterior entre Brasil e Argentina foram trigo, carros e autopeças, segundo o Indec.

No chamado Dia da Libertação, em 2 de abril, o presidente americano, Donald Trump, impôs taxas sobre produtos importados de 184 países e territórios e da União Europeia (UE), e Brasil e Argentina ficaram entre os países com a menor tarifa, 10%.

Entretanto, em carta enviada a Lula no último dia 9, Trump anunciou que pretende impor uma sobretaxa de 50% na importação de produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, citando, entre outros motivos, o que chamou de perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro; decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes relativas a big techs americanas; e práticas comerciais “injustas” do Brasil contra os Estados Unidos.

Fonte: Gazeta do Povo

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Negócios

EUA e UE evitam guerra comercial com acordo de tarifa de 15%

Os Estados Unidos firmaram um acordo comercial preliminar com a União Europeia neste domingo, impondo uma tarifa de importação de 15% sobre a maioria dos produtos europeus — metade da taxa inicialmente ameaçada — e evitando uma guerra comercial maior entre os dois aliados, que juntos representam quase um terço do comércio global.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram o acordo no campo de golfe de luxo de Trump, no oeste da Escócia, após uma reunião de uma hora que selou o acordo após meses de negociações difíceis.

“Acho que este é o maior acordo já feito”, disse Trump aos repórteres, elogiando os planos da UE de investir cerca de US$ 600 bilhões nos Estados Unidos e aumentar drasticamente suas compras de energia e equipamentos militares norte-americanos.

Trump afirmou que o acordo — que supera um acordo de US$ 550 bilhões assinado com o Japão na semana passada — ampliará os laços entre as potências transatlânticas após anos do que ele chamou de tratamento injusto aos exportadores dos EUA.

Von der Leyen, descrevendo Trump como um negociador duro, disse que a tarifa de 15% seria aplicada “de forma geral”, afirmando mais tarde aos repórteres que foi “o melhor que conseguimos”.

“Temos um acordo comercial entre as duas maiores economias do mundo, e é um grande acordo. É um acordo enorme. Vai trazer estabilidade. Vai trazer previsibilidade”, disse ela.

O acordo reflete partes essenciais do pacto preliminar firmado entre os EUA e o Japão, mas, assim como aquele, deixa muitas questões em aberto — incluindo as tarifas sobre bebidas alcoólicas, um tema altamente sensível para muitos dos dois lados do Atlântico.

O acordo, que segundo Trump prevê US$ 750 bilhões em compras de energia dos EUA pela UE nos próximos anos e “centenas de bilhões de dólares” em compras de armamentos, provavelmente traz boas notícias para uma série de empresas europeias, incluindo a Airbus, a Mercedes-Benz e a Novo Nordisk — se todos os detalhes forem mantidos.

O chanceler alemão Friedrich Merz saudou o acordo, afirmando que ele evitou um conflito comercial que teria afetado duramente a economia alemã, voltada para exportações, e seu grande setor automobilístico. Montadoras alemãs como VW, Mercedes e BMW estavam entre as mais atingidas pela tarifa de 27,5% imposta pelos EUA sobre a importação de carros e peças.

A tarifa básica de 15% ainda será vista por muitos na Europa como excessivamente alta, especialmente em comparação com as expectativas iniciais do bloco de garantir um acordo de tarifa zero a zero.

Bernd Lange, o social-democrata alemão que preside a comissão de comércio do Parlamento Europeu, afirmou que as tarifas eram desequilibradas e que o pesado investimento da UE destinado aos EUA provavelmente ocorrerá às custas do próprio bloco.

Trump mantém a prerrogativa de aumentar as tarifas no futuro caso os países europeus não cumpram os compromissos de investimento, disse um alto funcionário do governo dos EUA a repórteres na noite de domingo.

O euro subiu cerca de 0,2% em relação ao dólar, à libra esterlina e ao iene dentro de uma hora após o anúncio do acordo.

ESPELHO DO ACORDO COM O JAPÃO

Carsten Nickel, vice-diretor de pesquisa da Teneo, afirmou que o acordo de domingo é “apenas um entendimento político de alto nível”, que não substitui um acordo comercial minuciosamente negociado: “Isso, por sua vez, cria o risco de diferentes interpretações ao longo do caminho, como visto imediatamente após a conclusão do acordo EUA-Japão.”

Embora a tarifa de 15% se aplique à maioria dos produtos — incluindo semicondutores e produtos farmacêuticos — há exceções.

Os EUA manterão uma tarifa de 50% sobre aço e alumínio. Ursula von der Leyen sugeriu que essa tarifa poderia ser substituída por um sistema de cotas; um alto funcionário da administração americana afirmou que líderes da UE pediram que as conversas sobre o tema continuassem.

Von der Leyen disse que não haverá tarifas de nenhum dos lados sobre aeronaves e peças de aeronaves, certos produtos químicos, alguns medicamentos genéricos, equipamentos para semicondutores, alguns produtos agrícolas, recursos naturais e matérias-primas críticas.

“Continuaremos trabalhando para adicionar mais produtos a essa lista”, afirmou ela, acrescentando que as bebidas alcoólicas ainda estavam em discussão.

Um funcionário dos EUA disse que a tarifa sobre aeronaves comerciais permanecerá em zero por enquanto, e que as partes decidirão juntas o que fazer após a conclusão de uma revisão americana, acrescentando que há “boas chances” de chegarem a um acordo com tarifa inferior a 15%. Nenhum prazo foi dado para a conclusão dessa revisão.

O acordo será promovido como uma vitória para Trump, que busca reorganizar a economia global e reduzir os déficits comerciais dos EUA acumulados ao longo de décadas. Ele já firmou acordos similares com Reino Unido, Japão, Indonésia e Vietnã, embora sua meta de “90 acordos em 90 dias” ainda não tenha sido alcançada.

Autoridades americanas disseram que a UE concordou em reduzir barreiras não tarifárias para automóveis e alguns produtos agrícolas, embora autoridades da UE tenham indicado que os detalhes desses padrões ainda estão em discussão.

“Lembrem-se, a economia deles é de US$ 20 trilhões… eles são cinco vezes maiores que o Japão”, disse um alto funcionário dos EUA a repórteres durante uma coletiva. “Então, a oportunidade de abrir o mercado deles é enorme para nossos agricultores, pescadores, pecuaristas, produtos industriais — para todos os nossos negócios.”

Trump criticou repetidamente a UE, dizendo que ela foi “formada para ferrar os Estados Unidos” no comércio. Ele tem reclamado há anos sobre o déficit comercial americano com a UE, que atingiu US$ 235 bilhões em 2024, segundo dados do Censo dos EUA.

A UE, por sua vez, aponta para o superávit americano em serviços, o que, segundo o bloco, ajuda a equilibrar a balança comercial.

Trump tem argumentado que suas tarifas estão gerando “centenas de bilhões de dólares” em receitas para os EUA, ignorando os alertas de economistas sobre os riscos inflacionários.

Em 12 de julho, Trump ameaçou aplicar uma tarifa de 30% sobre as importações da UE a partir de 1º de agosto, após semanas de negociações sem um acordo comercial abrangente.

A UE havia preparado tarifas de retaliação sobre 93 bilhões de euros (US$ 109 bilhões) em produtos americanos, caso um acordo para evitar as tarifas não fosse alcançado.

Fonte: Reuters

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