Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Cúpula aproxima América Latina da China em meio à disputa com EUA

“Influência chinesa incomoda os Estados Unidos”, diz especialista

A Cúpula dos países latino-americanos e caribenhos com a China, nesta terça-feira (12), aproxima o gigante asiático dos países da região em meio à disputa comercial de Pequim com os Estados Unidos (EUA). Nesta segunda-feira (12), a guerra comercial teve uma trégua após acordo entre as principais potências do planeta. 

A Cúpula China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) terá a participação do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente da China, Xi Jinping, além dos chefes do Chile, da Colômbia, e de outros países da região.

É esperada a apresentação de um plano de ação para o triênio 2025-2027, além da publicação de declaração conjunta China-Celac. A Celac é o único fórum que reúne os 33 países da América Latina e do Caribe.

O professor de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Robson Valdez, avalia que a América Latina ganhou maior importância geopolítica por causa da disputa comercial e tecnológica travada entre China e EUA.

“A China, através da sua força econômica, acaba trazendo para perto de si atores importantes da região. E essa influência chinesa incomoda bastante os EUA. Nesses últimos 10 a 15 anos, a China tornou-se um contraponto pragmático para os países da região. Enquanto os EUA eram o principal parceiro comercial, não havia possibilidade de os latino-americanos barganharem nada a favor dos próprios interesses”, disse.

Como exemplo dessa disputa, o especialista citou as ameaças de sanções a quem usar o Porto de Chancay, no Peru, construído com capital chinês e inaugurado em novembro de 2024, com a presença de Xi Jinping.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio, Comércio Exterior, Mercado Internacional

Missão brasileira tenta conquistar mercado na China para frutas

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, ficando atrás apenas de China e Índia. Só em 2024, foram exportados US$ 1,3 bilhão. Há dez anos, essa cifra foi de US$ 650 milhões. Ou seja, a capacidade de exportação de frutas nacional dobrou em uma década. Ainda assim, o país está distante dos maiores vendedores, ocupando a 23ª posição entre os exportadores. E é visando subir nesse pódio que entre os dias 12 e 19 de maio,40 empresários brasileiros vão a Xangai para aprender como exportar mais para a China.

Hoje, apenas melão e uva chegam ao maior consumidor de comida do planeta. São as únicas frutas autorizadas pelo governo asiático. “A China não é um grande importador de frutas, mas como frutas necessitam de área menor do que carne bovina e comodities, estaremos competindo com a produção interna. É um desafio”, salienta José Carlos Hausknecht, diretor da MB Agro.

A missão vai ser patrocinada pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), que tem escritório em Xangai.

De acordo com Guilherme Coelho, presidente da entidade, o objetivo é avançar nas negociações para a abertura do mercado chinês às frutas frescas brasileiras. “Vamos ver como colocam na prateleira, como os chineses gostam de comer as frutas. Vamos ter encontros empresários e atacadistas e estreitar o relacionamento institucional e comercial com o país asiático”, afirma.

A exportação de frutas tem suas especificidades e uma delas começa por ser um produto perecível. Coelho, além de presidente da associação do setor, é dono da Santa Felicidade (Sanfeli), que exporta da Bahia, na região do vale do Rio São Francisco, manga e uva para Estados Unidos, Reino unido, Noruega, França, Holanda e Argentina.

Ele conta que, no caso das exportações de uva, a temperatura nos contêineres refrigados deve ser de 0 0 C. Já o transporte de mangas exige uma temperatura na casa dos 8 0 C. Em todos os casos, um aparelho faz esse monitoramento. Além disso, é preciso agilidade e rapidez no caminho da colheita até a chegada no porto. E esse é um dos nossos principais gargalos, segundo a associação. “Nosso país é continental e nossas estradas não são das melhores”, lembra Coelho.

Além de visar a ampliação no mercado chinês, os exportadores brasileiros também estão em tratativas para melhores condições no maior mercado que há atualmente, já que 70% das exportações de frutas brasileiras vão para a Europa. Os empresários da Abrafrutas estiveram em março em Bruxelas para adereçar o acordo Mercosul – União Europeia, concluído em 2024 (o pacto ainda precisa passar processos burocráticos até ser ratificado).

“A ratificação desse acordo é fundamental para a fruticultura brasileira, especialmente com a redução das tarifas sobre as exportações das nossas frutas”, diz Coelho. Ele cita o caso da uva, cujo imposto na bloco europeu varia entre 8% e 14%. “Enquanto isso, países como Chile, Peru e África do Sul não pagam nada, o que torna a concorrência desleal”, avalia. “O acordo de livre comércio prevê a eliminação imediata dessa tarifa assim que entrar em vigor”.

Além da uva, outras frutas serão gradualmente beneficiadas com a redução tarifária prevista no acordo. O abacate, que atualmente tem uma tarifa de 4%, terá esse imposto eliminado em um período de quatro anos, com reduções progressivas a cada ciclo. O limão e as limas, sujeitos a uma tarifa de 14%, alcançarão isenção total em até sete anos. O mesmo ocorrerá com o melão e a melancia, cuja tarifa de 9% será zerada ao longo de sete anos, beneficiando diretamente polos produtores brasileiros.

Já a maçã, que hoje paga 10% de imposto para entrar no mercado europeu, terá essa tarifa totalmente eliminada em um processo escalonado de dez anos.

O Equador é o maior exportador de bananas, com cerca de 380 milhões de caixas por ano. Edson Brok, da Brok Fresh Brasil e Tropical Nordeste, conta que por o Brasil consegue produzir 1 milhão de caixas no mesmo período. “Sobretudo porque a banana começa a morrer a partir do momento em que é colhida”, diz o paulistano que mora há 27 anos na Bahia e que é o maior produtor da fruta do país.

A banana-nanica é a única variedade que consegue “sobreviver” aos desafios logísticos, e por isso a única a ser exportada – para a Europa. Além disso, é uma fruta que necessita de água o ano inteiro. “Mas nós podemos sim ser mais competitivos”, opina. “Que país tem 3 mil horas de sol por ano, o que é fundamental para qualquer cultura? Temos tudo aqui, só precisamos chegar até quem quer comprar”, afirma Brok.

Fonte: Valor 

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Comércio, Exportação, Exportadores agrícolas

Exportações brasileiras de ovos crescem impulsionadas pela demanda dos EUA

Os embarques brasileiros de ovos, incluindo produtos in natura e processados, apresentaram crescimento em abril, mantendo a tendência de alta observada desde o início do ano. Segundo pesquisadores do Cepea, esse aumento nas exportações foi impulsionado, pelo segundo mês consecutivo, pela forte demanda dos Estados Unidos. Em abril, os EUA se consolidaram como o principal destino dos ovos brasileiros, absorvendo 65% do volume total exportado.

Dados da Secex, compilados e analisados pelo Cepea, revelam que o Brasil exportou 4,34 mil toneladas de ovos in natura e processados em abril, um volume 15% superior ao registrado em março de 2025 e expressivos 271% acima dos números de abril de 2024. Os Estados Unidos foram o destino de 2,86 mil toneladas desses ovos, representando um forte aumento de 45% em relação ao volume de março.

Fonte: Agrimídia

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Importação, Internacional, Mercado Internacional

Tarifas dos Estados Unidos sobre as importações da China cairão de 145% para 30% após acordo

Representantes das duas potências anunciaram o acordo na madrugada desta segunda-feira (12)

Os Estados Unidos e a China chegaram em um acordo para reduzir temporariamente as “tarifas recíprocas” entre os dois países durante 90 dias. Os representantes das duas potências anunciaram o acordo na madrugada desta segunda-feira (12). Eles encontraram no fim de semana em Genebra, na Suíça, para discutir as taxas sobre importações. As informações são do g1.

Segundo o anúncio dos representantes, as tarifas dos EUA sobre as importações chinesas cairão de 145% para 30%, e as taxas da China sobre os produtos americanos serão reduzidas de 125% para 10%. A redução entrará em vigor até quarta-feira (14).

— Ambos os países representaram muito bem seus interesses nacionais. Temos um interesse comum em um comércio equilibrado, e os EUA continuarão caminhando nessa direção. O consenso das delegações neste fim de semana é de que nenhum dos lados deseja um desacoplamento. E o que havia ocorrido com essas tarifas altíssimas era o equivalente a um embargo e nenhum dos lados quer isso. Queremos o comércio — afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Bessent explicou que o acordo não inclui tarifas específicas para cada setor e que os Estados Unidos continuarão o “reequilíbrio estratégico” em áreas como medicamentos, semicondutores e aço, onde identificaram vulnerabilidades na cadeia de suprimentos.

O secretário do Tesouro acrescentou que acredita que os negociadores dos EUA e da China se reunirão novamente nas próximas semanas para discutir um acordo comercial mais detalhado.

Como o mercado reagiu ao anúncio

No mês passado, a escalada das medidas tarifárias de Donald Trump, com o objetivo de reduzir o déficit comercial dos EUA, abalou os mercados financeiros no mundo todo.

Entretanto, após o anúncio de um acordo entre EUA e China, o dólar passou a subir em relação a outras moedas importantes e os mercados de ações se recuperaram. O cenário é positivo com a diminuição da possibilidade de recessão global por conta do tarifaço.

O acordo foi mais longe do que muitos analistas esperavam.

— Eu achava que as tarifas seriam reduzidas para algo em torno de 50%. Obviamente, essa é uma notícia muito positiva para as economias de ambos os países e para a economia global, e deixa os investidores muito menos preocupados com os danos às cadeias de suprimentos globais no curto prazo — disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management em Hong Kong, à Reuters.

Fonte: NSC Total

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Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

Brasil busca fortalecer relações comerciais com a China

Especialistas: Ventos contrários na economia, como tarifas dos EUA, impulsionarão parcerias mais fortes.

Inflação em alta e tarifas dos EUA estão forçando o Brasil a renovar o foco no fortalecimento das relações comerciais com a China como um catalisador para a recuperação econômica.

A inflação no Brasil atingiu 5,48% em março, o maior nível em dois anos e bem acima do teto da meta do Banco Central, que é de 3%, segundo autoridades.

As tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçam prejudicar o setor de exportações agrícolas — um dos pilares da economia brasileira — agravando ainda mais os problemas econômicos do país e afetando negativamente a aprovação do governo.

Diante desses desafios, o Brasil intensificou os esforços para fortalecer os laços com a China.

“A escala da atividade comercial entre essas duas economias em crescimento pode impactar fortemente a trajetória de crescimento do Brasil”, afirmou Ricardo Teixeira, coordenador do programa de Mestrado em Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas, um centro de estudos no Rio de Janeiro.

Atualmente, o Brasil atrai 4,8% dos investimentos externos da China, tornando-se o quarto maior destino do capital chinês.

De acordo com Teixeira, muitos setores estão prontos para uma colaboração ampliada entre os dois países, incluindo agricultura, energia, mineração, farmacêutica e tecnologia.

“Brasil e China possuem economias diversificadas, que vão desde a produção agrícola e pecuária até tecnologias de ponta.”

Robson Cardoch Valdez, professor de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília, afirmou que as exportações brasileiras continuam fortemente concentradas em commodities como soja e minerais.

O valor das exportações de soja do Brasil para a China quase dobrou entre 2019 e 2023, chegando a US$ 39,8 bilhões. Em 2023, o país exportou 1,3 milhão de toneladas de carne bovina para o mercado chinês.

Entre 2007 e 2023, os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 73,3 bilhões em 264 projetos, com foco nos setores de energia, agricultura e automotivo.

Empresas brasileiras de tecnologia estão buscando parcerias com companhias chinesas nas áreas de inteligência artificial, biotecnologia e fintechs, segundo Teixeira. Ele acrescenta que os investimentos chineses em energia renovável no Brasil também estão criando novas oportunidades de colaboração.

“A relação comercial Brasil-China tende a se fortalecer, especialmente com a abertura de novas oportunidades em áreas emergentes como energia limpa e saúde.”

Investidor de destaque

A China se tornou um dos principais investidores em projetos de sustentabilidade na América Latina — uma prioridade que está alinhada às ambições do Brasil de reduzir suas emissões líquidas de gases de efeito estufa em 67% até 2035.

“Ambos os países estão dando prioridade crescente à sustentabilidade em sua relação comercial”, disse Teixeira.

Outro fator que impulsiona o Brasil em direção à China é o recente surto de protecionismo dos EUA, incluindo tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio, além de uma tarifa-base de 10% sobre todos os produtos. Embora algumas dessas tarifas tenham sido suspensas por três meses, os impactos podem ser significativos.

“O protecionismo crescente dos EUA está desorganizando os padrões globais de comércio, o que pode aproximar ainda mais o Brasil da China, que é vista como uma parceira comercial mais estável”, afirmou Teixeira. “A relação comercial entre Brasil e China vai além das commodities e avança para setores de tecnologia avançada.”

O PIB real do Brasil cresceu 3,4% no ano passado, impulsionado pelo consumo sólido, apoiado por um mercado de trabalho aquecido, transferências fiscais e recuperação dos investimentos. No entanto, um relatório do Banco Mundial, publicado em 30 de abril, projeta um crescimento do PIB real brasileiro de apenas 2,2% em 2024, devido a juros mais altos, um ambiente externo adverso, queda no consumo das famílias e aumento do endividamento, além da redução nas transferências e no dinamismo do mercado de trabalho.

Além disso, Brasil e China estão aprofundando sua colaboração política e tecnológica por meio de plataformas multilaterais como o BRICS e o G20, segundo Valdez, do IDP.

“Iniciativas conjuntas como o programa espacial CBERS demonstram nossa crescente colaboração científica”, afirmou, referindo-se ao programa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, uma parceria de longa data entre os dois países no campo da tecnologia espacial.

Fonte: China Daily



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Comércio, Internacional, Mercado Internacional

Nos EUA, secretária do MDIC defende aprofundamento de laços comerciais

Em plenária do Conselho Empresarial Brasil-EUA, Tatiana Prazeres destaca importância estratégica da parceria entre os dois países

O diálogo permanente com os EUA e a importância estratégica daquele país como principal parceiro econômico do Brasil – considerando bens, serviços e investimentos – foram destaques da fala da secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, durante reunião plenária anual do Conselho Empresarial Brasil–Estados Unidos, realizada Washington D.C. (EUA) nesta sexta-feira (9/5).

“Os EUA são um dos principais destinos das exportações brasileiras de produtos industrializados. O Brasil valoriza essa relação mutuamente benéfica e trabalha para aprofundar ainda mais os laços comerciais e industriais entre os dois países”, afirmou.

 O evento foi promovido pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reunindo altos executivos de empresas, presidentes de associações setoriais e autoridades governamentais de ambos os países.

Do lado americano participaram representantes do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, Departamento de Energia, Departamento de Estado. A Embaixada do Brasil em Washington também este acompanhou o evento.

A programação do encontro contou com painéis sobre políticas públicas, soluções empresariais e perspectivas de investimentos no cenário bilateral.

Tatiana participou do painel “Uma Nova Era de Comércio e Integração Econômica”. Em sua fala, ela reforçou que o governo brasileiro tem mantido diálogo técnico e político contínuo com as autoridades norte-americanas, ressaltando elementos centrais da relação bilateral, como o baixo nível tarifário médio aplicado pelo Brasil (2,73%) e o superávit comercial mantido pelos EUA nesse intercâmbio.

A secretária também destacou o papel do setor privado. “A cooperação com as empresas é essencial para o fortalecimento do fluxo comercial e a identificação de novas oportunidades”, disse.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Comércio, Internacional

Programa Remessa Conforme é premiado e ganha reconhecimento internacional

Solução da da Receita Federal revolucionou o modelo de controle das compras internacionais nas plataformas de comércio eletrônico

Receita Federal recebeu reconhecimento internacional pela implementação de uma de suas mais importantes soluções, que revolucionou o modelo de controle das compras internacionais nas plataformas de comércio eletrônico: Programa Remessa Conforme (PRC).

O prêmio, na categoria “Administração Inovadora”, foi concedido pela Convenção Multilateral sobre Cooperação e Assistência Mútua Comalep – entre as Direções Nacionais de Aduanas da América Latina, Espanha e Portugal. Ocorreu durante a reunião anual das administrações aduaneiras de seus países membros, nos dias 8 e 9 de maio, em El Salvador. A Comalep reúne as aduanas de 19 países da América Latina, além de Portugal e Espanha.

O programa

Para entender o Remessa Conforme, é preciso voltar ao ano de 2023, quando foi oficialmente lançado. Antes do PRC, as compras Internacionais eram enviadas ao país e aguardavam durante semanas nos recintos alfandegados para a definição dos procedimentos de fiscalização aduaneira. Como o cenário era de cerca de 500 mil a 800 mil encomendas chegando ao Brasil por dia, era grande a dificuldade não somente da Receita Federal, mas também dos Correios e das empresas de Remessas Expressas para não só definir os procedimentos mas, ainda, os executar.

Essa situação gerava demora na entrega das encomendas e a exigência do pagamento de impostos somente depois da ação da fiscalização. Ou seja, além de todo o processo moroso nas alfândegas pelo excesso de volumes e pessoal insuficiente para os analisar, ainda se acrescentavam mais três etapas: o registro da exigência dos impostos, o pagamento pelo destinatário e a conferência do pagamento para a liberação da encomenda. É fácil de se entender que uma compra em um site internacional não poderia, nessas condições, ser entregue em dois meses, na melhor das hipóteses.

Além disso, havia outro problema: o regime de tributação simplificada previa a cobrança de 60% de (I.I.) Imposto de Importação para todos os produtos, exceto aqueles isentos tais como medicamentos com receita médica. Havia pessoas que acreditavam numa suposta isenção para produtos de até 50 dólares, mas isso não era verdade: essa isenção somente se aplicava para simples envios de pessoa física para pessoa física pelos correios, desde que não se caracterizassem como “vendas”.

Em outras palavras, no caso de compras internacionais nas plataformas de comércio eletrônico, a regra era a tributação de 60% de I.I. para praticamente todo produto comercial. Quanto ao ICMS cobrado pelos Estados da Federação, a situação era ainda mais confusa, pois enquanto alguns Estados exigiam o recolhimento, outros não se integravam ao processo.

A situação ainda tinha uma agravante: muitas encomendas acabavam sendo entregues sem a cobrança tanto do I.I. (60%) quanto do ICMS, por falta de estrutura, especialmente dos Correios, para tratar essa enorme quantidade de volumes recebida diariamente. Esse fato alimentava ainda mais a crença popular dessa falsa isenção de todos os impostos para encomendas de pequeno valor.

Em um momento de muitas “fake news” circulando pela Internet, essa confusão se propagou. Mas a verdade era outra: tanto os Correios, quanto a Receita Federal, quanto as empresas de Remessas Expressas estavam se estruturando para se adaptarem ao grande volume de encomendas. Assim, a expectativa era de regularização da situação em algum tempo.

Foi nessa ocasião que surgiu a ideia de a evolução não se limitar a aumentar a capacidade de processamento das declarações de remessas pela Receita, Correios e empresas de remessas expressas – por que não se avançar ainda mais? A Receita então, de forma inovadora, implantou um sistema de recolhimento antecipado dos impostos, o Programa Remessa Conforme.

Menor tempo da entrega

Funciona assim: a pessoa que adquire um produto numa plataforma de comércio eletrônico internacional, desde que certificada no Programa Remessa Conforme, já paga de imediato tanto o I.I. quanto o ICMS que são devidos. A plataforma de comércio eletrônico repassa esses recursos aos Correios ou empresas de remessas expressas e estes os repassam imediatamente à Receita Federal.

Isso gera um ganho imenso no tempo da entrega, uma vez que na grande maioria dos casos o produto terá sua liberação imediata ao chegar no recinto alfandegado do Brasil! É por isso que você, ao ler essa notícia, irá se lembrar de que esperava de 2 a 4 meses em média para receber uma encomenda internacional antes de setembro de 2023, enquanto hoje chega a recebê-la em até menos de uma semana.

Com o Remessa Conforme, o tratamento aduaneiro das encomendas internacionais chega a 100%, sendo correto e justo para todos:

1. Para a União Federal e para todos os Estados da Federação, que recebem corretamente os recursos dos impostos (I.I. e ICMS) para aplicação nos serviços essenciais à sociedade (saúde, segurança, educação etc).

2. Para as indústrias e o comércio nacionais, que passam a sofrer menor concorrência desleal dos produtos importados: observe que os produtos nacionais que consumimos no dia a dia recolhem impostos! Não é justo que se percam postos de trabalho no nosso país pela concorrência desleal com os importados sofrida dentro de nossas próprias fronteiras!

3. Para a pessoa que compra o produto, já que o receberá rapidamente e com um desconto considerável na cobrança de impostos. Além de todas as vantagens, o Remessa Conforme ainda concede aos compradores de produtos internacionais uma grande redução – em regra, o I.I. é reduzido de 60% para 20% em produtos de até 50 dólares e mesmo no caso de produtos acima desse limite, há um desconto equivalente a 20 dólares americanos no pagamento final.

Dessa forma, a Receita Federal criou uma sistemática que:

1. dá celeridade ao processo de importação das encomendas internacionais, com processamento imediato de centenas de milhares de encomendas diárias;

2. confere segurança à operação, garantindo o controle aduaneiro e a transparência da operação de compra para todos;

3. protege a indústria e o comércio da concorrência predatória; e

4. permite a compra de produtos internacionais com tributação reduzida.

Desde a sua implementação, o Remessa Conforme conseguiu aumentar o registro eletrônico de declarações de importação de 2% para 100%, melhorou a gestão de riscos e aumentou significativamente a arrecadação de impostos, mesmo com os descontos concedidos. Um exemplo exitoso de racionalização dos serviços aduaneiros.

Adesão voluntária

O PRC é um programa de conformidade, com adesão voluntária. O objetivo é atingir as grandes plataformas de vendas digitais, enviando informações relacionadas às compras internacionais do e-commerce de forma correta e antecipada antes da chegada física do pacote ao Brasil. Entre as empresas já certificadas estão as maiores operadoras de e-commerce do mundo, como Aliexpress, Shein, Temu, Shopee, Mercado Livre e Amazon Brasil.

Ao aderir ao Remessa Conforme, as plataformas de comércio eletrônico se comprometem a cumprir as regras estabelecidas pela Receita Federal em relação aos seus embarques, o que inclui fornecer informações precisas e verdadeiras sobre as operações realizadas, bem como cumprir as obrigações fiscais correspondentes. Em troca, eles se beneficiam de um processamento alfandegário bem mais rápido e os destinatários dos pacotes usufruem de tarifas reduzidas.

Fonte: Ministério da Fazenda

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Internacional, Mercado Internacional, Tributação

EUA e China concordam em reduzir tarifas recíprocas

Anúncio ocorre após um fim de semana de intensas negociações comerciais em Genebra

Os Estados Unidos e a China concordaram em reduzir drasticamente as tarifas sobre os produtos um do outro por um período inicial de 90 dias, de acordo com um comunicado conjunto divulgado pelos dois países nesta segunda-feira (12).

O anúncio, feito em um comunicado conjunto, ocorre após um fim de semana de negociações comerciais intensas em Genebra, Suíça, por autoridades das duas maiores economias do mundo, onde ambos os lados elogiaram “progresso substancial”.

Até 14 de maio, os EUA reduzirão temporariamente suas tarifas sobre produtos chineses de 145% para 30%, enquanto a China reduzirá seus impostos sobre importações americanas de 125% para 10%, de acordo com o comunicado.

Ambos os lados reconhecem “a importância de uma relação econômica e comercial sustentável, de longo prazo e mutuamente benéfica”, afirmaram.

Os dois lados também concordaram em estabelecer “um mecanismo para dar continuidade às discussões sobre as relações econômicas e comerciais”, liderado pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, segundo o comunicado.

“Essas discussões podem ser conduzidas alternadamente na China e nos Estados Unidos, ou em um terceiro país, mediante acordo entre as Partes. Conforme necessário, as duas partes podem realizar consultas em nível de trabalho sobre questões econômicas e comerciais relevantes”, acrescentou.

Investidores globais comemoram a pausa na guerra comercial desencadeada pelas tarifas massivas do presidente dos EUA, Donald Trump, que agitaram os mercados financeiros, interromperam as cadeias de suprimentos e alimentaram temores de recessão.

Os futuros do Dow Jones subiram mais de 2%, enquanto os futuros do S&P 500 subiram quase 3%, e os futuros do Nasdaq Composite, com forte peso nas ações de tecnologia, subiram mais de 3,5% durante as negociações da tarde na Ásia.

Os mercados asiáticos também apresentaram alta, com o índice Hang Seng de Hong Kong avançando mais de 3%.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

China se abre a mais produtos do Brasil

Frutas frescas, gergelim e pescado ganham acesso, mas entraves freiam crescimento

Em meio à crise aberta pelas sobretaxas comerciais impostas ao mundo inteiro pelos Estados Unidos, um acordo firmado entre Brasil e China em novembro de 2024 ganha nova relevância. Durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Brasília, os dois países assinaram protocolos que abriram o mercado do país asiático para produtos brasileiros como frutas frescas, gergelim, sorgo, farinha e óleo de peixe, além de outras proteínas derivadas de pescado para ração animal. A expectativa é que esses setores – até então com participação limitada na pauta exportadora – ganhem espaço no comércio bilateral.

Entre os segmentos diretamente beneficiados está o de frutas frescas, mais precisamente a uva e o melão. Somente a uva tem um mercado potencial de US$ 450 milhões, segundo estimativa divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. A perspectiva leva em conta o consumo crescente de frutas frescas na Ásia e o interesse da China em diversificar seus fornecedores.

Um potencial de crescimento que é reconhecido pelos produtores, mas os desafios logísticos continuam sendo um entrave significativo para dar início às exportações. “Hoje, um navio com frutas, para viajar aqui do Nordeste até a China, tem um trânsito muito longo. Antes ela [a produção] precisa ir para Santos (SP) e de lá pegar um navio. Todo esse frete, além de ser muito caro, demora demais e ultrapassa o limite de shelf-life da fruta, de vida pós-coleta”, diz Luiz Roberto Barcelos, diretor institucional da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

Barcelos tem esperança de que a nova rota marítima que deve ser inaugurada ainda este ano ligando Salvador à China em apenas 30 dias possa ser a solução para as exportações do setor. “Com esse serviço de transporte, a gente efetivamente começa a fazer alguma coisa esse ano, algo muito experimental ainda”, diz.

Além das dificuldades logísticas, o setor também enfrenta custos de certificação fitossanitária e adaptação a protocolos exigidos pela autoridade chinesa. A dimensão do mercado, no entanto, é atrativa. “A China produz 440 mil hectares de melão no verão. Se você comparar com o que a gente produz no mercado interno, é 80 vezes mais”, destaca Barcelos. “É um consumo muito grande”.

No último ano, o Brasil se tornou um dos maiores produtores mundiais de gergelim, ao ponto de Canarana (MT) ser considerada a capital mundial do grão. E a tendência é de crescimento. Com a produção nacional concentrada no Mato Grosso, especialmente no vale do Araguaia, a estimativa é de 659 mil hectares plantados em 2025, com produção total de 332 mil toneladas, de acordo com o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe).

A importância do gergelim para a China é tanta que foram os próprios chineses que pediram a abertura de negociações para a compra do grão. “O gergelim é um dos casos em que a China bateu na porta do Brasil e pediu para mandarmos a documentação necessária para iniciar a exportação para eles”, conta Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Ibrafe.

A China consome cerca de 2 milhões de toneladas de gergelim por ano, importando metade desse volume. Segundo Lüders, o Brasil pode chegar a fornecer, “com relativa facilidade”, até 30% desse volume. O cultivo, totalmente mecanizado – ao contrário de outros países competidores – e pouco exigente de irrigação ou investimentos pesados, é uma alternativa para os produtores de soja, que no Mato Grosso estão substituindo o plantio de milho entre as duas safras pelo de gergelim.

Demanda chinesa por tilápia do Brasil aumentou imediatamente após tarifaço dos EUA, afirma Eduardo Lobo

A entrada do pescado brasileiro na China também é um dos desdobramentos mais imediatos da nova ordem comercial do mundo imposta pelos Estados Unidos. O impacto das tarifas anunciadas pelo presidente americano, Donald Trump, sobre os produtos chineses criou um vazio no fornecimento de tilápia, tradicionalmente abastecido por produtores asiáticos.

“A medida que os Estados Unidos taxa a China violentamente, a tilápia chinesa ficou inviável. A demanda já começou imediatamente”, conta Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca). Segundo ele, a substituição tem sido rápida, com novos contratos e embarques para o mercado chinês. “A gente tem uma situação em que o Brasil virou uma boa alternativa. E o que começou com a tilápia agora já está se refletindo em outros produtos”, afirma o executivo.

Lobo projeta que as exportações da tilápia possam até triplicar em relação ao ano passado, caso as condições comerciais se mantenham. Além disso, ele avalia que a venda de atum e lagosta para a China passou a ter um grande potencial.

Apesar do otimismo, Lobo diz que será preciso mais do que uma janela comercial para alavancar as exportações para a China. “O setor precisa estar preparado para responder com volume e regularidade”, afirma.

As associações do setor reconhecem que a nova configuração comercial impulsionada pelo acordo bilateral não elimina os obstáculos internos. Para Barcelos, além da distância, ainda há a demora da burocracia típica do comércio exterior. “A gente vai ter que construir agora esse caminho, ele é possível. Mas não é da noite para o dia que isso vai ocorrer”.

No setor de sementes e grãos, Lüders garante que o Brasil está melhor posicionado, mas que também será preciso garantir regularidade de fornecimento e logística interna adequada. “A gente tem um produto que já está adaptado, com plantio mecanizado e volume crescente. Mas para crescer com consistência, precisa de política comercial, apoio de infraestrutura e negociação técnica constante com os chineses.”

O agronegócio brasileiro fechou 2024 em alta, com crescimento de 1,81% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com participação de 23,2% no PIB nacional, o agro manteve seu protagonismo na economia. A China respondeu por 37% do total das vendas brasileiras.

Fonte: Valor Econômico


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Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Tributação

EUA e China querem retomar negociações sobre tarifas neste domingo

Autoridades dos Estados Unidos e da China tiveram o primeiro dia de negociações, em Genebra, Suíça, neste sábado (10/5), para iniciar as conversas para dar fim à guerra comercial entre as duas nações. No entanto, não foi sinalizado nesse primeiro dia qualquer progresso em direção à redução das tarifas sobre importações. Nenhum líder comentou sobre o encontro.

Diante do impasse inical, os líderes planejam retomar as negociações neste domingo (11/5). Durante o encontro deste sábado, o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, se reuniu por cerca de oito horas com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em Genebra.

Este foi o primeiro encontro presencial entre autoridades de ambas as nações desde que as duas maiores economias do mundo iniciaram uma guerra comercial que culminou em tarifas recíprocas acima de 100% sobre os produtos uma da outra.

Expectativa de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou a rede Truth Social, nessa sexta-feira (9/5), para comentar sobre possíveis acordos entre o governo e a China com o intuito de remediar a guerra comercial entre os países.

“A China deveria abrir seu mercado para os EUA — seria muito bom para eles. Mercados fechados não funcionam mais. Tarifa de 80% sobre a China parece certa. Até Scott B [Bessent, secretário do Tesouro]. Muitos acordos comerciais no funil, todos bons (ótimos)”, escreveu Trump.

Atualmente, sobre os produtos chineses que entram nos EUA é aplicada uma tarifa de 145%. Enquanto isso, a China impôs uma tarifa mínima de 125% sobre a maioria dos produtos dos EUA

Esta foi a primeira vez, desde que o presidente Trump intensificou a guerra comercial com a China, que ele diz estar disposto a se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping.

“Talvez sim, claro, dependendo do que Scott disser”, respondeu Trump a um repórter que perguntou se ele falaria com Xi depois de Scott Bessent. Trump ainda destacou que espera que a reunião seja “muito substancial”.

Fonte: Metrópoles 

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