Comércio, Internacional, Tecnologia

Ferrari sem rugido: marca aposta em carro elétrico diante de estagnação na China

Queda na demanda por veículos de luxo no país asiático tem impacto nas vendas da empresa, que espera que a taxação mais baixa do Elettrica ajude a impulsionar uma retomada

O primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari deve se beneficiar de tarifas e impostos mais baixos na China, e a empresa espera que isso ajude a reanimar suas vendas no país.

Espera-se que o Elettrica que a Ferrari apresentará a partir de outubro seja tributado a uma taxa composta de 30% do preço de varejo sugerido pelo fabricante.

Os modelos da montadora equipados com seus potentes motores de 12 cilindros enfrentam um imposto combinado de importação, consumo e valor agregado que é quase quatro vezes maior que essa taxa.

Um dos carros que a Ferrari está lançando este ano será “mais adequado” para a China, disse o CEO Benedetto Vigna durante uma teleconferência de resultados nesta semana, sem especificar o modelo. “Isso melhorará o quadro”.

As vendas da Ferrari na China estagnaram devido à baixa demanda por veículos de luxo.

Os fabricantes locais liderados pela BYD também estão entrando nos segmentos de ponta com modelos destinados a competir com as marcas de supercarros.

As remessas da Ferrari para a China caíram 25% no primeiro trimestre, atingindo o nível mais baixo em quase quatro anos.

O mercado de carros de luxo da China encolheu em 2024 devido à desaceleração econômica do país e ao enfraquecimento do sentimento do consumidor.

Para o segmento que começa a partir de 500.000 yuans (US$ 69.200), os volumes ficaram estáveis em cerca de 850.000 unidades entre 2020 e 2023. Mas, no ano passado, esse número caiu cerca de 20%, para cerca de 677.000, de acordo com dados da consultoria automotiva Thinkercar, sediada em Xangai.

A Ferrari está menos exposta à China do que muitos de seus pares ocidentais porque a empresa limita as remessas para a região a cerca de 10% de seu total. A empresa poderia repensar esse limite ao entrar no segmento de veículos elétricos, disse Vigna no início deste ano.

A China limita a entrada de carros com motores a combustão, que consomem muito combustível, mesmo antes de o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentar as tensões comerciais globais.

Os veículos importados com motores maiores que quatro litros estão sujeitos a uma tarifa de importação de 15%, um imposto de consumo de 40% e um IVA de pelo menos 13% na China. A China isenta os veículos elétricos do imposto sobre o consumo.

O maior mercado individual da Ferrari são os EUA, onde a empresa planeja aumentar os preços de alguns carros devido às tarifas de Trump.

Fonte: Bloomberg Línea

Ler Mais
Internacional, Investimento, Negócios

Empresas chinesas prometem investir R$ 27 bilhões no Brasil

Expectativa é de que haverá anúncios em áreas como combustível de aviação, automóveis e defesa

A Apex Brasil anunciou nesta segunda-feira (12) negócios empresariais de gigantes chinesas com o Brasil, nos setores de delivery e fast-food, entre outros, além do mercado de semicondutores.

O presidente da Apex Brasil, Jorge Viana, antecipou que os investimentos entre empresas em geral vão somar cerca de R$ 27 bilhões.

Os anúncios e planos de investimentos estão sendo divulgados durante o Seminário Empresarial Brasil-China, encerrado por Viana e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na capital chinesa.

Líder no mercado de entregas na China, a Meituan vai entrar no Brasil para concorrer, principalmente, com o Ifood. A empresa anunciou um investimento de R$ 5,6 bilhões, em cinco anos.

Segundo dados do governo, a estimativa de é geração de 100 mil empregos indiretos, além da instalação de uma central de atendimento no Nordeste, com 3 mil a 4 mil empregos diretos.

No Brasil, a empresa vai usar a marca Keeta, bandeira sob a qual já opera em Hong Kong e na Arábia Saudita.

A rede Mixue vai passar a comprar frutas do Brasil para fabricação dos sorvetes e bebidas geladas, como chás. A empresa é a maior rede de fast-food do mundo, com 45 mil lojas, à frente do Mc Donald’s.

A empresa vai iniciar operação no Brasil com capital de RS$ 3,2 bilhões e projeta 25 mil empregos até 2030.

No setor de tecnologia, a Longsys, por meio da subsidiária Zilia, anunciou no ano passado um plano de investimentos para 2024 e 2025 de R$ 650 milhões, nas plantas de fabricação de São Paulo e Manaus, que terão capacidade ampliada.

A Zilia tem participação nacional na fabricação de componentes para semicondutores e também dispositivos de memória, os circuitos integrados de memória DRAM e Flash.

A montadora GWM anunciou investimentos de R$ 6 bilhões para ampliar operações no País e pretende exportar para América do Sul e México.

A GAC Motor anunciou a sua instalação em Goiás para fabricação de três modelos de carros, dois elétricos e um híbrido, e um plano de investimento de US$ 1,3 bilhão, como antecipou o Estadão.

A Envision planeja investimentos de até RS$ 5 bilhões num parque industrial para SAF e hidrogênio verde.

A CGN vai investir R$ 3 bilhões em um hub de energia renovável no Piauí, com foco em energia eólica, solar, e armazenamento de energia, com geração prevista de mais de 5 mil empregos na construção das unidades.

A Didi – controladora do aplicativo de transporte 99 taxi – também vai investir em serviço de entrega no Brasil e planeja construir cerca de 10 mil pontos de recarga para promover a eletrificação de veículos na frota nacional.

A Nortec Química formalizou parceria com chinesas e vai investir RS$ 350 milhões numa plataforma industrial.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Economia, Finanças, Internacional, Mercado Internacional

Endividamento chinês se iguala ao dos EUA e cria problema para o Brasil

Duas maiores economias têm trajetória explosiva para dívidas e pressionarão juros globais

Estados Unidos e China, as duas maiores economias do mundo, mantêm trajetórias explosivas para o aumento de suas dívidas públicas.

Os norte-americanos superam os 100% em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e os chineses chegarão a esta marca no final deste ano. Em ambos, houve forte aceleração recente, com tendência de alta.

Para o resto do mundo e países muito endividados como o Brasil, haverá pressão para os bancos centrais manterem juros elevados a fim de atrair financiadores de suas dívidas –à medida em que os dois gigantes sugarão dinheiro do mundo para rolar débitos.

Em abril, a Fitch Ratings rebaixou de “A+” para “A” (numa escala até “AAA”) a classificação para dívidas chinesas em moeda estrangeira, o que deve encarecer o custo de rolagem dos débitos.

A China vem se endividando rapidamente. No primeiro quadrimestre, a dívida total dos emergentes (governos, empresas e famílias) aumentou US$ 3,5 trilhões. A China respondeu por US$ 2 trilhões, segundo o IIF (Instituto de Finanças Internacionais). Em 2019, a dívida pública chinesa equivalia a 60% do PIB –agora está em 93%.

Os débitos chineses ganharam ímpeto com a decisão há alguns anos de estimular a demanda doméstica. Isto foi reforçado com a guerra comercial deflagrada pelos EUA, que pode limitar o acesso da China aos EUA –destino de 15% das exportações. Outro fator foi o déficit crescente dos governos regionais.

Cerca de 80% das receitas das administrações locais vêm do aluguel de terrenos para empreendimentos imobiliários, que minguaram com uma superoferta de moradias. Para contornar, as autoridades permitiram que governos regionais emitissem títulos no mercado, ampliando o endividamento.

A China também tem déficit fiscal (receitas menos despesas) crescente. Deve chegar a 8,5% do PIB neste ano –acima dos 6,5% da média entre 2020 e 2024 e mais que o dobro dos 3% entre 2015 e 2019. Isto significa que o país, além de endividado, terá rombos maiores que ampliarão a dívida.

Nos EUA, a situação não é melhor. A promessa recém reafirmada de Donald Trump de estender cortes de impostos adotados em 2017 (em seu primeiro governo) pode elevar a dívida pública em 15 pontos percentuais nos próximos nove anos, segundo projeções do Congressional Budget Office –que calcula cenários até piores caso o presidente não consiga compensar a perda de arrecadação com mais tarifas e outras medidas.

Cálculos do IIF e da Tax Foundation sustentam que as estimativas do governo Trump para arrecadar mais com tarifas e gastar menos com o Doge (com Elon Musk à frente) são irrealistas para compensar a perda de arrecadação com os cortes de impostos.

Para financiar a perda de receitas, os EUA teriam que emitir cada vez mais títulos, elevando os juros ao redor do mundo –pois muitas economias têm de pagar um prêmio acima dos chamados T-Bonds americanos para atrair investidores a fim de rolar suas dívidas. Caso contrário, haveria preferência para os títulos americanos.

O crescimento dos EUA também está em xeque. Como o PIB é o denominador para o cálculo da relação dívida/PIB, o endividamento aumenta se o país não cresce, elevando o nível da dívida em relação ao tamanho da economia.

“Teremos sorte se os EUA chegarem ao final do ano melhores do que em uma recessão. Todos serão prejudicados pela guerra tarifária, mas os EUA são os maiores perdedores”, afirma Isabelle Mateos y Lago, economista-chefe do banco francês BNP Paribas.

Ela ressalta que o chamado “excepcionalismo americano” –o privilégio de se financiar a custo baixo no mundo e de ter a principal moeda reserva de valor, o dólar –também está ameaçado com as políticas de Trump para tarifas e a diplomacia internacional.

“Isso trará uma dinâmica mais desconfortável para os EUA, à medida que seus títulos serão cada vez mais questionados sobre se ainda são um porto seguro”, diz.

Ed Parker, diretor da Fitch Ratings, diz que o mundo está entrando em uma “nova era de endividamento global”, com pressões de gastos para defesa, aposentados e saúde. Já o crescimento americano será menor, em sua opinião, e a inflação, mais alta –com o impacto dos produtos importados tarifados.

“Isso deve levar a um aumento das taxas de juros que os EUA pagam para se financiar”, afirma. Como consequência, países como o Brasil (terceiro maior juro real do mundo) terão de manter taxas elevadas para atrair investidores que poderiam aplicar nos EUA, com risco menor.

Cathy Hepworth, diretora-geral da PGIM Fixed Income, que administra US$ 1,3 trilhão em investimentos ao redor do mundo, diz que a mudança em curso na economia global, com EUA e China à frente, trará mudanças significativas.

“Não se deve subestimar a importância crescente da China na economia mundial e as consequências do fim da excepcionalidade americana”, afirma.

Fonte: Folha de São Paulo

Ler Mais
Investimento, Logística

Planos em andamento para ligação de transporte China-Brasil

Projeto criará uma alternativa mais rápida às rotas de transporte atuais, reduzindo os custos.

Os planos estão mais uma vez avançando para desenvolver um importante corredor de transporte que permitirá o escoamento de mercadorias entre o Brasil e a China de forma mais rápida, atravessando o Oceano Pacífico.

Quando concluído, o projeto criará uma alternativa mais ágil às rotas de transporte marítimo atuais pelo Atlântico, reduzindo significativamente o tempo e os custos de transporte para as exportações agrícolas do Brasil, como soja, carne bovina e grãos.

Embora a ideia de criar uma rota mais rápida pelo Pacífico para o comércio Brasil-China esteja em discussão desde 2014, a proposta inicial previa a passagem pelo Chile. O desenvolvimento do Porto de Chancay e de outras infraestruturas nos últimos anos abriu caminho para uma nova rota via Peru.

Este é um dos diversos projetos em andamento entre Brasil e China, à medida que a cooperação entre os dois países se aprofunda.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, está em uma visita de cinco dias à China, que coincide com a quarta reunião ministerial do Fórum China-CELAC em Pequim, na terça-feira. O fórum visa fomentar a cooperação entre a China e a América Latina, conectando o país asiático à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

No mês passado, uma delegação chinesa composta por autoridades e especialistas do Ministério dos Transportes e do China State Railway Group realizou um estudo de viabilidade de uma semana para avaliar o potencial de um corredor que cruzaria quatro estados brasileiros e conectaria o Brasil ao Porto de Chancay por meio de rodovias, ferrovias e hidrovias. João Villaverde, secretário de Coordenação Institucional do Ministério do Planejamento do Brasil, anunciou a visita nas redes sociais em meados de abril.

“Este é o início de uma relação técnica para estudos aprofundados, especialmente em ferrovias, que giram em torno desses pilares estratégicos”, afirmou Villaverde.

A iniciativa do Corredor Bioceânico Brasil-Peru retoma um plano inicialmente apresentado em 2014 para ligar o Brasil a terminais portuários no Oceano Pacífico. A ideia ganhou novo fôlego em novembro de 2024.

“Será algo extraordinário, no sentido do desenvolvimento econômico para o interior do Brasil, para as regiões mais pobres”, afirmou a ministra do Planejamento, Simone Tebet, ao portal CartaCapital no sábado.

Tebet, que integra a comitiva de Lula nesta semana, disse ter se reunido com representantes do China State Railway Group e os considerou “muito interessados” em ajudar o Brasil a expandir sua malha ferroviária pelo país.

Até o momento, não há comentários disponíveis por parte do Ministério dos Transportes da China ou do China State Railway Group.

O novo corredor proposto, se construído, poderá reduzir em até 10 mil quilômetros a distância que as mercadorias percorrem do Brasil até a China, ao permitir o transporte direto pelo Oceano Pacífico, evitando a rota mais longa pelo Atlântico, contornando o Cabo da Boa Esperança, na ponta sul do continente africano, ou passando pelo Canal do Panamá.

“O Peru é a porta natural do Brasil para o Pacífico, e há duas rotas principais”, afirmou Alejandro Indacochea, presidente do escritório de advocacia Indacochea Asociados e professor fundador da Centrum Business School da Pontifícia Universidade Católica do Peru.

A primeira rota utiliza uma rodovia interoceânica já existente que conecta as principais zonas industriais do Brasil à região de Madre de Dios, no Peru. Dali, as mercadorias seguem até o Porto de Matarani e depois para o Porto de Chancay, de onde são enviadas diretamente para Xangai.

A segunda rota proposta envolve uma ligação ferroviária entre Cruzeiro do Sul (Brasil) e Pucallpa (Peru), cidades separadas por 100 km de densa floresta amazônica.

Ator estratégico

“Essa estratégia de infraestrutura reduzirá os custos logísticos e o tempo de transporte de cargas, tornando os produtos brasileiros mais competitivos nos mercados asiáticos”, disse Robson Cardoch Valdez, professor de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa. “Ela também reforça o papel do Brasil como ator-chave nas conexões comerciais entre o Atlântico e o Pacífico.”

“O Peru e o Brasil compartilham uma longa fronteira através da Amazônia, com uma região de tríplice fronteira única… onde a Bolívia encontra os dois países. Mas a Amazônia ainda não está totalmente integrada ao restante do Peru e do Brasil”, disse Indacochea. “Essa nova ligação ferroviária proporcionaria acesso direto ao megaporto de Chancay para o transporte de mercadorias à Ásia.”

O recentemente concluído Porto de Chancay, construído com US$ 3,5 bilhões investidos pelo grupo estatal chinês COSCO Shipping, reduz em até 20 dias o tempo de transporte até a China e corta os custos logísticos em pelo menos 20%. A instalação deve gerar US$ 4,5 bilhões em receita anual e criar mais de 8 mil empregos no Peru.

O Brasil é o maior parceiro comercial da China há 14 anos, sendo o primeiro país latino-americano a ultrapassar US$ 100 bilhões em comércio bilateral anual.

Segundo Valdez, o projeto do Corredor Bioceânico Brasil-Peru impulsionará as economias do Norte e Nordeste do Brasil por meio do projeto da ferrovia Leste-Oeste e criará benefícios indiretos com o papel ampliado do Porto Sul, na Bahia.

“O Brasil pode esperar retornos substanciais desse investimento, tanto direta quanto indiretamente”, afirmou Valdez. “Por exemplo, teremos acesso mais rápido aos mercados asiáticos e aumento no fluxo de exportações agrícolas e minerais brasileiras, especialmente da região Centro-Oeste, rica em matérias-primas.”

Fonte: China Daily




Ler Mais
Comércio Exterior, Internacional, Sustentabilidade

Combustível sustentável, carros elétricos e delivery: China vai investir R$ 27 bilhões no Brasil

Investimentos são para a área de infraestrutura, tecnologia e educação

A China anunciou, nesta segunda-feira (12), que deve investir cerca de R$ 27 bilhões em diversas áreas no Brasil, como de infraestrutura, tecnologia e educação. A confirmação foi dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil), Jorge Viana, fazer o anúncio durante o Fórum Empresarial Brasil-China.

Os investimentos principais já anunciados estão relacionados ao ramo de produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) a partir da cana-de-açúcar, com a construção do primeiro Parque Industrial Net-Zero. O foco também será a produção de hidrogênio verde e amônia verde. Nesta área, serão investidos R$ 5 bilhões pela empresa Envision.

Foram mais de 400 oportunidades encontradas pela ApexBrasil para ampliação da parceria entre o Brasil e China, com especial atenção para o agronegócio.

Investimentos em carros elétricos e delivery

Cerca de R$ 6 bilhões devem ser investidos pela montadora chinesa Great Wall Motors, com a expansão da marca no Brasil. Além disso, a Meituan, plataforma de delivery de alimentos, deve investir R$ 5 bilhões, com a geração de até 4 mil empregos diretos e 100 mil indiretos.

O setor de delivery também deve ganhar mais um concorrente com a empresa DiDi, que opera no Brasil pela 99. A empresa pretende ampliar o serviço no país e criar mais de 10 mil pontos de recarga para veículos elétricos.

A estatal chinesa China General Nuclear Power Group (GCN), a maior operadora de energia nuclear na China e a terceira maior do mundo, também investirá no país, mais especificamente para construir um hub de energia renovável no Piauí.

Outros tipos de materiais também devem ampliar a capacidade de produção no Brasil, como o ramo de semicondutores, que deve levar mais de R$ 650 milhões em investimentos da Longsys em São Paulo e Amazonas.

Sorvetes, bebidas, mineração e farmácia

A rede de bebidas e sorvetes Mixue também é mais uma novidade no Brasil, com investimentos de R$ 3,2 bilhões, que devem gerar mais de 25 mil empregos no país até 2030. O Brasil também terá parcerias para a promoção do café brasileiro com a Lickin Coffe, mais filmes no cinema com a Huaxia Film, e mais produtos nacionais no varejo com a Hotmaxx.

A mina de cobre Serrote, em Alagoas, também faz parte dos investimentos chineses, comprado por R$ 2,4 bilhões pelo grupo minerador Baiyin Nonferrous. Uma plataforma de Insumos Farmacêuticos Ativos também será criada no Brasil, com a Nortec Química em parceria com a Acebright, Aurisco e Goto Biopharm. Para isso, serão utilizados R$ 350 milhões.

5° maior investidor direto no Brasil

No discurso do presidente Lula durante o fórum, ele apontou o crescimento da China no ranking de investimento direto no Brasil. Segundo o presidente, “na última década, a China saltou da 14ª para a 5ª posição no ranking”.  

Conexões aéreas entre os países para “elevar o intercâmbio de turistas” também foram citadas.

— A China tem sido tratada, muitas vezes, como se fosse uma inimiga do comércio mundial quando, na verdade, a China está se comportando como um exemplo de país que está tentando fazer negócios com os países que foram esquecidos nos últimos 30 anos por muitos outros países. É importante a gente lembrar — destacou o presidente.

Fonte: NSC Total

Ler Mais
Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Cúpula aproxima América Latina da China em meio à disputa com EUA

“Influência chinesa incomoda os Estados Unidos”, diz especialista

A Cúpula dos países latino-americanos e caribenhos com a China, nesta terça-feira (12), aproxima o gigante asiático dos países da região em meio à disputa comercial de Pequim com os Estados Unidos (EUA). Nesta segunda-feira (12), a guerra comercial teve uma trégua após acordo entre as principais potências do planeta. 

A Cúpula China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) terá a participação do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente da China, Xi Jinping, além dos chefes do Chile, da Colômbia, e de outros países da região.

É esperada a apresentação de um plano de ação para o triênio 2025-2027, além da publicação de declaração conjunta China-Celac. A Celac é o único fórum que reúne os 33 países da América Latina e do Caribe.

O professor de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Robson Valdez, avalia que a América Latina ganhou maior importância geopolítica por causa da disputa comercial e tecnológica travada entre China e EUA.

“A China, através da sua força econômica, acaba trazendo para perto de si atores importantes da região. E essa influência chinesa incomoda bastante os EUA. Nesses últimos 10 a 15 anos, a China tornou-se um contraponto pragmático para os países da região. Enquanto os EUA eram o principal parceiro comercial, não havia possibilidade de os latino-americanos barganharem nada a favor dos próprios interesses”, disse.

Como exemplo dessa disputa, o especialista citou as ameaças de sanções a quem usar o Porto de Chancay, no Peru, construído com capital chinês e inaugurado em novembro de 2024, com a presença de Xi Jinping.

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Comércio, Comércio Exterior, Mercado Internacional

Missão brasileira tenta conquistar mercado na China para frutas

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, ficando atrás apenas de China e Índia. Só em 2024, foram exportados US$ 1,3 bilhão. Há dez anos, essa cifra foi de US$ 650 milhões. Ou seja, a capacidade de exportação de frutas nacional dobrou em uma década. Ainda assim, o país está distante dos maiores vendedores, ocupando a 23ª posição entre os exportadores. E é visando subir nesse pódio que entre os dias 12 e 19 de maio,40 empresários brasileiros vão a Xangai para aprender como exportar mais para a China.

Hoje, apenas melão e uva chegam ao maior consumidor de comida do planeta. São as únicas frutas autorizadas pelo governo asiático. “A China não é um grande importador de frutas, mas como frutas necessitam de área menor do que carne bovina e comodities, estaremos competindo com a produção interna. É um desafio”, salienta José Carlos Hausknecht, diretor da MB Agro.

A missão vai ser patrocinada pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), que tem escritório em Xangai.

De acordo com Guilherme Coelho, presidente da entidade, o objetivo é avançar nas negociações para a abertura do mercado chinês às frutas frescas brasileiras. “Vamos ver como colocam na prateleira, como os chineses gostam de comer as frutas. Vamos ter encontros empresários e atacadistas e estreitar o relacionamento institucional e comercial com o país asiático”, afirma.

A exportação de frutas tem suas especificidades e uma delas começa por ser um produto perecível. Coelho, além de presidente da associação do setor, é dono da Santa Felicidade (Sanfeli), que exporta da Bahia, na região do vale do Rio São Francisco, manga e uva para Estados Unidos, Reino unido, Noruega, França, Holanda e Argentina.

Ele conta que, no caso das exportações de uva, a temperatura nos contêineres refrigados deve ser de 0 0 C. Já o transporte de mangas exige uma temperatura na casa dos 8 0 C. Em todos os casos, um aparelho faz esse monitoramento. Além disso, é preciso agilidade e rapidez no caminho da colheita até a chegada no porto. E esse é um dos nossos principais gargalos, segundo a associação. “Nosso país é continental e nossas estradas não são das melhores”, lembra Coelho.

Além de visar a ampliação no mercado chinês, os exportadores brasileiros também estão em tratativas para melhores condições no maior mercado que há atualmente, já que 70% das exportações de frutas brasileiras vão para a Europa. Os empresários da Abrafrutas estiveram em março em Bruxelas para adereçar o acordo Mercosul – União Europeia, concluído em 2024 (o pacto ainda precisa passar processos burocráticos até ser ratificado).

“A ratificação desse acordo é fundamental para a fruticultura brasileira, especialmente com a redução das tarifas sobre as exportações das nossas frutas”, diz Coelho. Ele cita o caso da uva, cujo imposto na bloco europeu varia entre 8% e 14%. “Enquanto isso, países como Chile, Peru e África do Sul não pagam nada, o que torna a concorrência desleal”, avalia. “O acordo de livre comércio prevê a eliminação imediata dessa tarifa assim que entrar em vigor”.

Além da uva, outras frutas serão gradualmente beneficiadas com a redução tarifária prevista no acordo. O abacate, que atualmente tem uma tarifa de 4%, terá esse imposto eliminado em um período de quatro anos, com reduções progressivas a cada ciclo. O limão e as limas, sujeitos a uma tarifa de 14%, alcançarão isenção total em até sete anos. O mesmo ocorrerá com o melão e a melancia, cuja tarifa de 9% será zerada ao longo de sete anos, beneficiando diretamente polos produtores brasileiros.

Já a maçã, que hoje paga 10% de imposto para entrar no mercado europeu, terá essa tarifa totalmente eliminada em um processo escalonado de dez anos.

O Equador é o maior exportador de bananas, com cerca de 380 milhões de caixas por ano. Edson Brok, da Brok Fresh Brasil e Tropical Nordeste, conta que por o Brasil consegue produzir 1 milhão de caixas no mesmo período. “Sobretudo porque a banana começa a morrer a partir do momento em que é colhida”, diz o paulistano que mora há 27 anos na Bahia e que é o maior produtor da fruta do país.

A banana-nanica é a única variedade que consegue “sobreviver” aos desafios logísticos, e por isso a única a ser exportada – para a Europa. Além disso, é uma fruta que necessita de água o ano inteiro. “Mas nós podemos sim ser mais competitivos”, opina. “Que país tem 3 mil horas de sol por ano, o que é fundamental para qualquer cultura? Temos tudo aqui, só precisamos chegar até quem quer comprar”, afirma Brok.

Fonte: Valor 

Ler Mais
Exportação, Internacional, Mercado Internacional

Brasil e China Firmam Acordo para Expansão da Exportação de Etanol

A medida, que visa reforçar o comércio do biocombustível entre os dois países, ocorre em um momento de transição energética, com a China buscando alternativas aos combustíveis fósseis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que após visitar a Rússia, chegará à China para formalizar o acordo, busca estreitar ainda mais as relações comerciais entre as duas nações.

Expansão das Exportações de Etanol

O Brasil, com uma sólida produção de etanol, vê na China uma oportunidade estratégica para expandir suas exportações. Atualmente, o país asiático importa etanol brasileiro para mistura com a gasolina, alinhando-se à sua política de transição energética, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Crescimento das Exportações e Perspectivas Futuras

No primeiro semestre do ano passado, as exportações de etanol para a China totalizaram US$ 27 milhões. Embora o país asiático seja um produtor de biocombustíveis, sua crescente ênfase no desenvolvimento de energia elétrica abre um espaço considerável para a importação de etanol, especialmente do Brasil, um dos maiores produtores mundiais da commodity.

A Relação com os Estados Unidos e o Desafio das Tarifas

O etanol brasileiro também figura como um ponto central nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo de Donald Trump sinalizou a possibilidade de estabelecer cotas comerciais para alumínio e aço, desde que o Brasil reduza o imposto de importação sobre o etanol. No entanto, esse tema gera resistência no mercado interno brasileiro, que enfrenta dificuldades para se adaptar às mudanças propostas.

A assinatura do protocolo de intenções com a China reflete a crescente importância do etanol brasileiro no mercado global. O governo brasileiro, por meio dessa ação, busca não apenas aumentar suas exportações, mas também consolidar uma posição estratégica no comércio de biocombustíveis, diante das novas demandas energéticas globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Ler Mais
Comércio, Comércio Exterior, Exportação, Mercado Internacional

Vendas brasileiras para China concentram-se em commodities

As exportações brasileiras para a China crescem de forma sólida, mas sofrem de uma espécie de maldição. Concentram-se ainda em commodities (soja, petróleo e minério de ferro). Especialistas há muito se perguntam quando o Brasil conseguirá melhorar a qualidade dessa pauta comercial, especialmente com produtos industriais. Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), é direto ao responder a essa questão.

“Sim, essa diversificação já está em curso, mas ainda há grande espaço para avançar, especialmente em produtos de maior valor agregado. Um exemplo evidente são os produtos das cadeias agroindustriais, que já são altamente competitivos e têm maior nível de complexidade tecnológica, como alimentos e bebidas, com ganhos de mercado de marcas brasileiras, produtos do complexo industrial da saúde e também outros produtos industriais”, afirma Alckmin.

O ministro argumenta que a participação dos bens de consumo duráveis e não duráveis nas exportações para a China passou de menos de 3% em 1997 para cerca de 8% em 2024. E aponta o crescimento do número de empresas brasileiras que exportam para lá. Nos últimos 16 anos, houve um aumento médio de 5% ao ano, diz. No caso das micro e pequenas empresas, esse crescimento chegou a 15% ao ano desde 2014.

Paulo Feldmann, professor de da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), tem uma visão mais matizada. Ele diz que o Brasil não está conseguindo ter vantagens competitivas em outros segmentos além do setor agrícola ou de minerais. “A gente vai continuar exportando esses mesmos produtos em que o Brasil é consagrado, mas que não são o ideal.”

Ele atribui isso a um problema de políticas públicas. “Não somos um país que planeja o futuro. O que o Mdic está fazendo é muito legal, mas política industrial não pode ter horizonte curto. Precisamos fazer como os países asiáticos, que estão adotando planos 20 anos para a frente.”

É uma questão de aproveitar melhor sinergias e oportunidades, defende o economista. “A China quer liderar o movimento dos países do sul global, região que tem a oferecer uma riqueza incrível das florestas, fundamental para a indústria farmacêutica, para produtos agrícolas, alimentos. O princípio ativo dos remédios é cada vez mais encontrado na biodiversidade das florestas tropicais. O que o Brasil está fazendo na área? Poderia ser um grande produtor de remédios. Mas essas coisas não caem do céu”, critica.

Ele também aponta a falta de mão de obra. “Você não pode avançar na área de biotecnologia se não tiver a formação de recursos humanos altamente capacitados”.

Outros especialistas apontam que o Brasil tem dificuldades para competir na exportação de produtos manufaturados para a China porque precisa concorrer com países asiáticos que recebem investimentos intensivos chineses na cadeia de suprimentos, como o Vietnã. E setores industriais apontam que ainda há barreiras para a entrada de produtos brasileiros.

Relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado no ano passado apontou que a China é o principal mercado a impor barreiras às exportações brasileiras, depois da Europa. Isso mostra a importância da ação comercial e diplomática, como o governo brasileiro tem tentado exercer, a exemplo da próxima viagem do presidente Lula a Pequim.

Porém, a pauta exportadora ligada ao agronegócio evolui, segundo analistas. Há um aumento na venda de café processado, por exemplo. E o avanço da exportação de carne, que afinal é indústria de transformação (crescimento de 48% em quatro anos, de US$ 4 bilhões para US$ 5,9 bilhões entre 2020 e 2024). Uma alta respeitável, ainda que não se compare à grande expansão da exportação de petróleo, por exemplo, que chegou a quase 76% no mesmo período, atingindo um volume de quase US$ 20 bilhões no último ano.

Uma segunda área em que o Brasil poderia se destacar, na opinião de Feldmann, é a de energias renováveis. “O Brasil é um dos maiores produtores de eletricidade via fontes renováveis.” Para ele, o país deveria se voltar à produção de equipamentos e produtos ligados ao setor. Inclusive para o hidrogênio verde. “O transporte do hidrogênio verde é que é um grande problema tecnológico, mas vai ser resolvido nos próximos anos. Poderá ser transportado daqui a uns cinco ou dez anos. Enquanto isso, pode ser produzido e usado no Brasil.”

Alckmin concorda que o Brasil tem um potencial competitivo relevante na agenda de sustentabilidade, o que pode se tornar um diferencial decisivo frente a outros países. E defende a política de neoindustrialização lançada pelo seu ministério, a Nova Indústria do Brasil (NIB). “Com ela, o setor avançará no adensamento das suas cadeias produtivas, alcançando maior competitividade tecnológica e maior inserção externa”, diz. Ele cita áreas como aviação, defesa, energia renovável e biocombustíveis, que têm potencial não só de exportação, mas também de parcerias com foco em sustentabilidade.

“Qualificar a pauta de exportações depende muito mais do Brasil do que da própria China”, concorda Ricardo Cappelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), subordinada ao MDIC. Ele lembra que investimentos em tecnologia e inovação são essenciais. “Esse é o nosso desafio, porque os investimentos da China nessas áreas são astronômicos. É um desafio não apenas do Brasil, mas global.”

O presidente da ABDI acrescenta que o Brasil tem a matriz energética mais limpa do G20, o que também abre vantagens competitivas. “Mas o hidrogênio não pode virar uma nova commodity do Brasil”, afirma. “Nosso desafio é utilizar essa vantagem estratégica energética para atrair plantas ao Brasil.”

Fonte: Valor

Ler Mais
Agronegócio, Comércio Exterior, Internacional

China busca produtos agrícolas da Argentina para substituir importados dos EUA

A China assinou uma carta de intenção com exportadores na Argentina para comprar cerca de US$ 900 milhões (R$ 5,1 bilhões) em soja, milho e óleo vegetal. É a mais recente indicação de que o país asiático está evitando adquirir esses produtos dos Estados Unidos durante a guerra comercial promovida pelo presidente Donald Trump.

Autoridades chinesas estiveram em Buenos Aires na quarta-feira para assinar o acordo não vinculativo, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela agência Bloomberg, que não puderam ser identificadas por discutirem conversas privadas. O jornal argentino Clarín foi o primeiro a noticiar o acordo.

A China já é o maior comprador de soja não processada da Argentina, assim como do grão brasileiro. Além disso, Pequim, que já era cliente do óleo de soja argentino, abriu seu mercado parra o milho do país sul-americano no ano passado.

Embora não seja o primeiro acordo desse tipo, um compromisso tão grande e antecipado da China por produtos agrícolas argentinos é incomum. E sua concretização em meio à escalada da guerra comercial é um sinal de que a China está disposta a manter as tarifas sobre importações dos EUA — em retaliação aos tributos impostos por Trump aos produtos chineses exportados para o mercado americano — e, em vez disso, buscar produtos agrícolas na América do Sul.

A trading chinesa Cofco International afirmou hoje, em um comunicado de sua assessoria de imprensa em Buenos Aires, que chegou a um entendimento com a Sinograin, empresa estatal responsável pela gestão das reservas estratégicas de alimentos da China, para “ampliar o fornecimento de commodities agrícolas da Argentina para a China e explorar uma cooperação de longo prazo.”

Paralelamente, o Fufeng Group Ltd. da China está interessado em construir uma planta de processamento de milho, informou a Sociedade Rural Argentina em um post no X (antigo Twitter) no mês passado.

Fonte: O Globo

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook