Comércio Exterior

Brasil busca solução para tarifas de carne bovina nos EUA

A indústria de carne bovina do Brasil aguarda uma definição sobre as tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos nos próximos 60 dias. A previsão foi feita por Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

“Eu acredito que, em um prazo entre 30 e 60 dias, isso deve estar equacionado”, declarou Perosa, destacando o otimismo da associação diante das negociações bilaterais após o encontro dos presidentes Lula e Donald Trump, na Malásia, no fim do mês passado.

Queda nas exportações e impacto do aumento de tarifas

As exportações de carne bovina do Brasil para os EUA, atualmente o segundo maior mercado do produto brasileiro após a China, sofreram queda desde agosto, quando foram impostas as taxas adicionais. Perosa afirmou que espera boas notícias em breve, com a possível retirada das tarifas, o que permitiria a retomada do fluxo comercial.

O aumento tarifário elevou o imposto sobre a carne brasileira para 76,4%, sendo 50 pontos percentuais referentes à taxa adicional. Antes, a alíquota já era de 26,4% para exportar aos Estados Unidos.

Negociações bilaterais e outros produtos brasileiros

Além da carne bovina, o Brasil busca a redução de tarifas para outros itens, como o café, reforçando a importância do país norte-americano como maior consumidor mundial e principal importador de grãos brasileiros.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Exportação

Exportações de carne bovina do Brasil em outubro superam total de 2024, aponta Secex

As exportações brasileiras de carne bovina seguem em alta em outubro de 2025. Até a quarta semana do mês, os embarques somaram 276,5 mil toneladas, ultrapassando o total registrado em outubro de 2024, que foi de 270,2 mil toneladas, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta terça-feira (28).

O desempenho evidencia a forte demanda internacional e a competitividade da carne bovina brasileira no mercado externo.

Crescimento da média diária de exportações

A média diária de exportação atingiu 15,4 mil toneladas, um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a média era de 12,2 mil toneladas por dia. Esse avanço reforça o bom momento do setor e a capacidade do Brasil de atender mercados globais em expansão.

Receita das exportações ultrapassa US$ 1,5 bilhão

O faturamento gerado pelos embarques de carne bovina até a quarta semana de outubro alcançou US$ 1,527 bilhão, valor superior ao registrado em outubro de 2024, que foi de US$ 1,259 bilhão.

Na média diária, a receita chegou a US$ 84,88 milhões, representando um crescimento de 48,2% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 57,26 milhões/dia).

Preços médios da carne bovina apresentam valorização

Além do aumento em volume e faturamento, os preços médios da carne bovina também registraram alta. Até a quarta semana de outubro, o valor médio por tonelada foi de US$ 5.525,8, um crescimento de 18,5% em comparação a outubro de 2024 (US$ 4.661,7/tonelada).

O aumento reflete a valorização da proteína brasileira no mercado internacional, impulsionada pela forte demanda de países como China e Oriente Médio, que estão entre os principais compradores.

Brasil se consolida como líder global em proteína animal

Os resultados parciais de outubro confirmam a tendência de forte desempenho das exportações de carne bovina em 2025, tanto em volume quanto em receita, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína animal.

FONTE: Portal do Agronegócio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal do Agronegócio

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Comércio Internacional

Brasil e China ampliam parceria técnica em defesa comercial e monitoramento de comércio bilateral

O Brasil e a China reforçaram nesta terça-feira (28/10) a cooperação técnica em defesa comercial e no monitoramento de fluxos bilaterais. A reunião ocorreu em Brasília, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e reuniu representantes do governo brasileiro e da delegação do Ministério do Comércio da China.

O encontro faz parte do Mecanismo de Cooperação em Matéria de Defesa Comercial, vinculado à Subcomissão Econômico-Comercial da COSBAN — a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação, principal fórum de diálogo entre os dois países.

Diálogo técnico e fortalecimento da confiança mútua

A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, destacou a importância estratégica do diálogo contínuo entre as duas nações.

“O intercâmbio técnico entre Brasil e China é essencial para fortalecer a confiança mútua e garantir previsibilidade nas relações comerciais”, afirmou. “Em um cenário global em transformação, o monitoramento conjunto e o diálogo transparente ajudam a antecipar tendências e promover soluções vantajosas para ambos os lados.”

Durante as discussões, foram abordados temas como o monitoramento de desvios de comércio, a publicação de estatísticas oficiais e métodos de identificação de exportações via trading companies. Também foram debatidos aspectos do sistema de IVA chinês, que influencia diretamente a competitividade e a segurança jurídica das operações comerciais.

Salvaguarda sobre carne bovina e impacto para o Brasil

Um dos principais pontos do encontro foi a investigação de salvaguarda chinesa sobre carne bovina, em andamento e com conclusão prevista para novembro de 2025. O Brasil enfatizou a relevância do tema, já que o produto é um dos pilares da pauta exportadora brasileira e símbolo da complementaridade econômica sino-brasileira.

Avanços em defesa comercial e recordes históricos

As delegações também compartilharam atualizações institucionais e práticas de investigações de defesa comercial, reforçando o compromisso de ambos os governos com um comércio justo e alinhado às normas internacionais.

O Brasil figura entre os maiores usuários de instrumentos de defesa comercial do mundo, com destaque para medidas antidumping. Em 2024, o país atingiu recordes: 71 investigações iniciadas, 106 petições recebidas, 14 direitos provisórios aplicados e 23 processos concluídos. Já em 2025, foi aberta a maior investigação da história, envolvendo 25 NCMs do setor siderúrgico.

Essas ações são consideradas essenciais para proteger a indústria nacional de práticas desleais e garantir condições equitativas de concorrência no mercado global.

Comércio bilateral em patamar histórico

A COSBAN, instância de mais alto nível de cooperação entre Brasil e China, é presidida pelos vice-presidentes dos dois países e reúne onze subcomissões temáticas, entre elas a Econômico-Comercial e de Cooperação.

Em 2024, o comércio bilateral atingiu um marco histórico de US$ 158 bilhões, consolidando a China como principal parceiro comercial do Brasil pelo 16º ano consecutivo.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

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Exportação

Brasil busca ampliar número de frigoríficos habilitados para exportar carne à Indonésia

O Brasil está em movimento para fortalecer sua presença no mercado asiático e ampliar a lista de frigoríficos autorizados a exportar carne bovina para a Indonésia. Uma missão com mais de 30 empresários brasileiros do setor está em Jacarta, capital do país, para negociar a habilitação de 40 novas plantas frigoríficas, o que pode dobrar o número atual de unidades aptas a vender para o mercado indonésio.

Expansão do mercado e aumento nas exportações

Atualmente, 38 frigoríficos brasileiros estão habilitados a exportar para a Indonésia, todos certificados dentro dos padrões halal, conforme a lei islâmica. O número representa um avanço expressivo desde 2019, quando apenas 11 plantas tinham autorização.

As exportações de carne bovina também refletem esse crescimento. Entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil enviou 16,7 mil toneladas ao país asiático, superando o total dos dois anos anteriores somados. O volume rendeu mais de US$ 76 milhões em negócios e consolidou o Brasil como o terceiro maior fornecedor da Indonésia, atrás apenas de Austrália e Índia.

Novas oportunidades comerciais e produtos com maior valor agregado

A recente abertura do mercado indonésio para carne com osso, miúdos e produtos industrializados amplia as perspectivas de exportação. Uma nova missão técnica deve ser enviada ainda em 2025 para auditoria e validação das plantas frigoríficas, acelerando o processo de habilitação.

A Indonésia, maior nação muçulmana do mundo com 270 milhões de habitantes, é vista pelo setor como um parceiro estratégico. O aumento da renda e do consumo de proteína animal no país impulsiona a demanda por carnes premium e processadas, segmento em que o Brasil busca se consolidar.

No entanto, o setor ainda enfrenta barreiras, como a tarifa de 30% sobre produtos industrializados, tripas e derivados bovinos — percentual que os empresários esperam ver reduzido em futuras negociações. Para carnes sem osso, com osso e miúdos, a taxa é de 5%.

Investimentos e parcerias estratégicas

Além das exportações, a Indonésia representa novas oportunidades de investimento. A JBS firmou um Memorando de Entendimento (MoU) com o fundo Danantara Indonesia, com o objetivo de criar uma plataforma local de produção sustentável de alimentos, voltada principalmente para proteínas. A iniciativa pretende transformar o país em um polo regional de referência global no setor alimentício.

Acordos bilaterais e cooperação internacional

Durante encontro oficial entre Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente indonésio Prabowo Subianto, foram assinados memorandos de entendimento voltados à cooperação em medidas sanitárias, fitossanitárias e certificação agrícola.

No Fórum Empresarial Brasil–Indonésia, Lula destacou o interesse em construir uma parceria equilibrada e duradoura.

“O Brasil não quer apenas vender para a Indonésia. Apostamos em uma parceria mutuamente benéfica. Como dois dos maiores produtores de bioenergia do mundo, podemos juntos criar um mercado global de biocombustíveis”, afirmou o presidente.

Com o cenário favorável e o interesse mútuo em ampliar as relações comerciais, o Brasil reforça sua posição como fornecedor estratégico de carne bovina e parceiro de longo prazo no mercado do sudeste asiático.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Exterior

China firma compromisso para comprar carne brasileira livre de desmatamento até 2026

A China, principal destino das exportações de carne bovina do Brasil, anunciou um novo acordo que promete fortalecer a sustentabilidade na pecuária nacional. A Tianjin Meat Association, que reúne cerca de 100 empresas chinesas do setor, se comprometeu a comprar ao menos 50 mil toneladas de carne brasileira até junho de 2026, desde que os frigoríficos comprovem que o produto é livre de desmatamento.

Certificação brasileira garante rastreabilidade ambiental

As compras serão realizadas com base no selo Beef on Track (BoT), sistema de certificação lançado nesta terça-feira (21) pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). A organização sem fins lucrativos é reconhecida por conduzir auditorias e emitir certificações socioambientais conforme padrões nacionais e internacionais.

Convencemos primeiro o comprador, agora vamos buscar os frigoríficos”, explicou Marina Piatto, diretora-executiva do Imaflora. Segundo ela, parte da produção nacional já é livre de desmatamento, mas faltava um mecanismo que desse visibilidade e transparência a esse diferencial. “O BoT vem justamente preencher essa lacuna”, afirmou.

O volume anunciado pela associação chinesa representa cerca de 4% das exportações brasileiras de carne bovina para o país asiático, mas o potencial é muito maior: as empresas associadas à Tianjin respondem por 15% das importações chinesas de carne brasileira, segundo o Imaflora. Em 2024, o Brasil exportou 2,8 milhões de toneladas do produto — quase metade destinada à China.

Carne sustentável será identificada por selo

Com a certificação, a carne livre de desmatamento receberá um selo identificador, permitindo reconhecimento imediato por importadores, varejistas e consumidores finais. O Imaflora busca estimular a mudança “pelo lado da demanda”, levando o consumidor a preferir produtos sustentáveis.

A instituição já negocia com outros mercados estratégicos, como a União Europeia e países do Oriente Médio, e prepara road shows internacionais para apresentar o selo a governos e empresas. Na China, o instituto está em processo de acreditação oficial, que garantirá o reconhecimento do BoT pelo governo local.

Cooperação global contra o desmatamento

A parceria entre Brasil e China ocorre em meio ao fortalecimento da cooperação bilateral em mudanças climáticas, que ganhou uma declaração conjunta em 2023. Entre as ações previstas está o combate conjunto ao desmatamento.

Na Europa, o Imaflora trabalha para alinhar o BoT à Lei Antidesmatamento (EUDR), que entra em vigor em 2026, permitindo que a certificação sirva como padrão brasileiro oficial para carne livre de desmatamento.

Adesão e impactos econômicos

No mercado interno, o Imaflora firmou um projeto piloto com uma grande rede varejista que exibirá o selo BoT nas prateleiras, tornando o produto acessível a todos os consumidores. “Queremos que a carne sustentável esteja também nos atacarejos e mercados populares, não apenas nas prateleiras premium”, destacou Piatto.

A certificação não deve gerar custos relevantes aos frigoríficos, já que inicialmente será aplicada às empresas que possuem sistemas de rastreabilidade. Assim, não há expectativa de aumento de preços para o consumidor final.

Atualmente, 30% da carne bovina brasileira é exportada. Os três maiores frigoríficos do país — JBS, MBRF (resultado da fusão BRF + Marfrig) e Minerva Foods — reconhecem o selo, embora ainda não tenham confirmado adesão.
A JBS afirmou cumprir protocolos socioambientais como o Boi na Linha e o Protocolo Voluntário do Cerrado, ambos utilizados como base do BoT.
A Minerva Foods, que tem 60% do faturamento vindo das exportações, declarou estar pronta para atender às exigências da certificação.

Como funciona o selo Beef on Track

O BoT terá quatro níveis de certificação — bronze, prata, ouro e platinum — e avaliará dados da cadeia da pecuária de corte, com foco nos frigoríficos. Serão analisadas evidências de desmatamento ilegal e de criação de gado em áreas protegidas, como terras indígenas, unidades de conservação e territórios quilombolas.

O sistema é baseado em protocolos já existentes, como o Boi na Linha, usado pelo Ministério Público Federal (MPF) para monitorar frigoríficos da Amazônia Legal, e o Protocolo do Cerrado, de adesão voluntária.
A partir de 2026, o Imaflora planeja desenvolver protocolos equivalentes para outros biomas, incluindo Mata Atlântica, Pampas e Caatinga.

Cada planta frigorífica será auditada anualmente, podendo ter níveis de certificação diferentes dentro do mesmo grupo econômico, conforme o grau de conformidade ambiental.

FONTE: Capital Reset
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Agronegócio

Exportações do agronegócio brasileiro batem recorde em setembro de 2025, com destaque para carnes suína e bovina

O agronegócio brasileiro registrou, em setembro de 2025, o maior valor de exportações para o mês desde o início da série histórica. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o país exportou US$ 14,95 bilhões, alta de 6,1% em relação a setembro de 2024. O setor foi responsável por 49% de todas as exportações brasileiras no período.

O avanço foi impulsionado pelo aumento de 7,4% no volume exportado, mesmo com uma queda média de 1,1% nos preços internacionais. No acumulado de janeiro a setembro, o agronegócio já movimentou US$ 126,6 bilhões, um crescimento de 0,7% sobre o mesmo intervalo do ano anterior.

Carnes suína e bovina lideram crescimento das exportações

Entre os produtos com melhor desempenho, a carne bovina in natura se destacou com US$ 1,77 bilhão exportado, avanço de 55,6% sobre 2024. Já a carne suína in natura atingiu o recorde histórico de US$ 346,1 milhões, aumento de 28,6% em valor e 78,2% em volume.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de carna bovina a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne Bovina | Jan 2022 a Ago 2025 | TEU

Outro destaque foi o milho, que somou US$ 1,52 bilhão em vendas externas, alta de 23,5%. Produtos como café e pescados também tiveram bom desempenho, com aumentos de 9,3% e 6,1%, respectivamente.

Diversificação da pauta exportadora impulsiona novos recordes

O governo federal tem apostado na diversificação das exportações do agronegócio, com abertura e ampliação de mercados de maior valor agregado. A estratégia inclui promoção comercial, apoio às cadeias produtivas e missões internacionais voltadas para Ásia, Europa e América do Norte.

Em setembro, produtos menos tradicionais também registraram recordes históricos de volume exportado, como sementes de oleaginosas (exceto soja), que cresceram 92,3%, melancias frescas (+65%), feijões (+50,8%) e lácteos (+13,7%). No geral, esses itens somaram alta de 9,2% em setembro e 19,1% no acumulado do ano.

Presença internacional fortalece o agro brasileiro

Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, os resultados comprovam a resiliência e competitividade do setor. “Mesmo diante de um cenário global desafiador, o desempenho de setembro mostra o acerto da estratégia de abertura e diversificação de mercados. Desde 2023, foram 444 novas oportunidades criadas para produtores e exportadores brasileiros”, afirmou.

Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou o impacto das missões internacionais no desempenho do setor. “A combinação de sanidade, qualidade e competitividade consolida o Brasil como parceiro estratégico na segurança alimentar global. Em 2025, o MAPA realizou mais de 60 missões internacionais, além de feiras e ações de promoção comercial, como a Caravana do Agro Exportador, em parceria com a ApexBrasil e o Itamaraty”, disse.

Exportações geram emprego, renda e fortalecem a economia brasileira

O bom desempenho das exportações do agronegócio tem impacto direto na geração de empregos, no aumento da renda e no fortalecimento das contas externas. Somente em 2025, o setor garantiu superávit comercial de mais de US$ 111 bilhões, reforçando a importância do agro para a economia nacional.

Além de consolidar o país como potência exportadora de alimentos, o avanço das vendas externas estimula investimentos em inovação, sustentabilidade e novas tecnologias, ampliando a presença do Brasil nas principais cadeias globais de alimentos.

FONTE: MAPA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

EUA aumentam importação de carne bovina mesmo com tarifas, diz Wesley Batista

Os Estados Unidos não produzem carne suficiente para atender à demanda doméstica e, por isso, precisam recorrer cada vez mais às importações de carne bovina. A avaliação é do empresário Wesley Batista, membro da família controladora da JBS, em entrevista ao Financial Times.

Produção insuficiente e preços recordes

Segundo Batista, a produção americana não consegue acompanhar o consumo em meio ao aumento das dietas ricas em proteína. “Os EUA enfrentam o preço da carne bovina mais alto da história e precisam importar mais e mais porque a produção não é suficiente para sustentar a demanda”, afirmou.

Dados do Departamento do Trabalho dos EUA mostram que, em agosto, o preço médio da libra de carne moída chegou a US$ 6,32, um salto de 13% em um ano.

Importações crescem apesar do tarifaço

Mesmo após a decisão do presidente Donald Trump, em abril, de aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, as compras externas de carne pelos EUA subiram 30% no primeiro semestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

No caso do Brasil, as exportações para os EUA avançaram 91% até julho, mas registraram queda em agosto, refletindo o impacto das sobretaxas.

Impacto limitado na JBS

Com nove unidades de produção nos EUA, a JBS mantém metade de sua receita global de US$ 77 bilhões no mercado americano. Por isso, as tarifas não têm afetado significativamente o grupo, já que grande parte da carne vendida no país é produzida localmente.

Proteína ganha espaço nas dietas

Batista também associou a alta demanda por proteína ao uso crescente de medicamentos para emagrecimento à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro.

“Ninguém sabe exatamente qual é o impacto desses novos remédios, mas algo está acontecendo, porque a proteína virou uma tendência”, disse o empresário.

Levantamento do International Food Information Council confirma a mudança no comportamento alimentar: 71% dos consumidores nos EUA disseram ter aumentado a ingestão de proteína em 2024, frente a 67% em 2023 e 59% em 2022.

Relação Brasil-EUA e negociações comerciais

De acordo com O Globo e Folha de S.Paulo, Wesley Batista foi recebido por Trump semanas antes de o presidente americano sinalizar publicamente abertura ao diálogo com Lula, na Assembleia Geral da ONU.

O empresário teria papel central na aproximação entre os dois governos, em meio às negociações brasileiras para reduzir tarifas e ampliar a lista de isenções — que poderia incluir justamente a carne bovina.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/J&F

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Exportação

China prioriza Argentina e Austrália e deixa Brasil e EUA de fora em compras de soja e carne bovina

Importadores chineses compraram milhões de toneladas de soja da Argentina em setembro, logo após Buenos Aires suspender temporariamente os impostos de exportação sobre grãos e derivados.

Ao mesmo tempo, a carne bovina australiana ganhou terreno no mercado chinês, enquanto as vendas dos Estados Unidos recuaram com força em meio a licenças vencidas para plantas frigoríficas e à escalada tarifária entre Washington e Pequim.

O movimento acendeu um alerta no governo norte-americano e reconfigurou o tabuleiro do agronegócio no curto prazo.

Soja argentina ganha força com isenção de impostos

A decisão do governo de Javier Milei de suspender, por prazo limitado, as retenciones sobre soja, milho, trigo e derivados tornou os embarques argentinos mais competitivos.

Negociadores chineses fecharam ao menos 20 carregamentos, algo próximo de 1,3 milhão de toneladas, com embarques previstos para novembro e início de 2026.

Segundo relatos de mercado, os volumes deste mês alcançaram o maior patamar em sete anos, ocupando um espaço que, em anos anteriores, tenderia a ser suprido por fornecedores dos Estados Unidos.

Embora a China tradicionalmente concentre boa parte das compras do quarto trimestre na safra norte-americana, a combinação entre tarifas bilaterais, preços internos elevados nos EUA e a janela fiscal aberta pela Argentina empurrou os chineses para a América do Sul.

De acordo com reportagens internacionais, essa rodada de compras cobriu mais da metade das necessidades de curto prazo de esmagadoras chinesas, reduzindo a urgência de buscar grão norte-americano na virada da safra.

Governo Trump reage à aproximação entre China e Argentina

A guinada chinesa causou incômodo dentro do governo Donald Trump.

Durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, um fotógrafo registrou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, lendo no celular uma mensagem atribuída a “BR”, interpretação corrente para a secretária da Agricultura, Brooke Rollins.

O teor apontava preocupação com o efeito colateral do alívio tributário argentino sobre os agricultores dos EUA e com a rota de vendas para a China.

Em público, integrantes do gabinete tentaram conter o desgaste.

Bessent afirmou que o apoio dos EUA a Buenos Aires se dá por meio de linha de swap de crédito, não por desembolsos diretos, e que o objetivo é dar estabilidade financeira à economia argentina.

Em paralelo, associações do setor agrícola norte-americano relataram perda de espaço na China e pediram previsibilidade nas negociações comerciais.

Carne bovina australiana substitui produto americano

No mercado de proteína bovina, a curva também virou.

Após Pequim retomar autorizações e retirar sanções impostas a vários frigoríficos australianos nos últimos anos, os embarques da Austrália para a China aceleraram.

Já os EUA sentiram um choque duplo: além da reacensão da disputa tarifáriacentenas de registros de plantas e entrepostos frigorificados norte-americanos expiraram, afetando a capacidade de exportação.

Os números recentes ilustram a mudança de fluxo.

As vendas dos EUA para a China despencaram para algo próximo de US$ 8 milhões em julho e US$ 10 milhões em agosto, bem abaixo dos valores superiores a US$ 100 milhões observados nos mesmos meses do ano anterior.

No sentido oposto, a Austrália ampliou rapidamente sua fatia de mercado, amparada por oferta mais abundante e por um produto que atende nichos chineses de grão-alimentado.

Grandes processadoras americanas também enfrentam rebanho apertado e preços domésticos recordes, o que reduz a competitividade no exterior.

Brasil mantém liderança nas exportações de soja

Apesar do título sugerir um afastamento, o Brasil continua sendo o principal fornecedor de soja à China em 2025, com recordes de embarque ao longo do primeiro semestre e volumes robustos em agosto.

O que ocorreu, neste recorte de setembro, foi uma substituição tática: diante da brecha tributária aberta por Buenos Aires, compradores chineses aproveitaram para antecipar parte das compras na Argentina.

No caso da carne bovina, o reposicionamento favoreceu a Austrália, não o Brasil.

Ainda assim, há pontos de atenção para produtores brasileiros.

Em janeiro, a China suspendeu temporariamente embarques de algumas tradings e cooperativas por exigências fitossanitárias, ainda que o impacto global tenha sido limitado e depois atenuado.

Além disso, a volatilidade tarifária global e a intensificação da disputa comercial entre Washington e Pequim podem redistribuir demanda entre fornecedores de forma súbita, inclusive deslocando negócios da América do Sul conforme preços e regras mudem.

Efeitos imediatos no comércio agrícola global

Para a soja, a demanda chinesa por grão argentino deve se concentrar na janela em que a suspensão de impostos estiver vigente ou até que o teto estipulado pelo governo seja alcançado.

Esse fator, mais o câmbio e o avanço da colheita norte-americana, tende a pesar sobre prêmios e curvas futuras nas próximas semanas.

Por outro lado, esmagadoras chinesas relatam margens positivas com a soja sul-americana, reforçando o apetite por cargas adicionais se a janela fiscal for prorrogada.

Na carne bovina, os EUA enfrentam um processo mais difícil de reverter.

Mesmo que parte dos registros seja renovada e que haja alívio tarifário temporário em setores específicos, a quebra de continuidade no fornecimento costuma penalizar quem perde gôndola.

A Austrália, com oferta crescente e status sanitário reconhecido pela China, tende a consolidar contratos no último trimestre, enquanto os frigoríficos brasileiros seguem disputando nichos na Ásia com restrições pontuais.

Política comercial molda o novo mapa do agronegócio

O pano de fundo é eminentemente político.

Tarifas recíprocas elevadas, investigações e exigências regulatórias têm reconfigurado rotas de commodities desde o início do ano.

Em resposta, a China diversificou origens, escalou compras no Brasil e ativou a Argentina quando houve corte tributário.

Do lado norte-americano, produtores pressionam por alívio e previsibilidade, mas esbarram em uma estratégia tarifária que o governo considera parte de uma agenda de segurança econômica mais ampla.

No curto prazo, o resultado é um triângulo competitivo — Brasil, Argentina e Austrália — atendendo ao maior comprador global de soja e um dos maiores de carne bovina, enquanto os Estados Unidos lidam com restrições próprias e com o custo de vender para um cliente que responde de forma contundente a cada tarifa ou regra nova.

Diante dessa nova configuração, qual país do Cone Sul ganhará mais espaço se a janela fiscal argentina for prorrogada e a Austrália mantiver o embalo no mercado chinês?

FONTE: Click Petróleo e Gás
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

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Exportação

Exportação de carnes do Brasil cresce mais de 50% apesar de tarifas dos EUA

Setor dribla barreiras impostas por Donald Trump

Mesmo com a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos às carnes brasileiras desde 6 de agosto, as exportações do setor não perderam fôlego. Enquanto as vendas totais do Brasil para o mercado americano recuaram 18% em agosto, o setor de carnes mostrou resiliência e expandiu sua presença em outros destinos internacionais.

Queda para os EUA, salto no mercado global

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), os embarques de carnes para os EUA caíram 46% em agosto, somando US$ 37 milhões. Ainda assim, a perda foi compensada pela forte demanda mundial: as exportações totais de carnes cresceram 56%, alcançando US$ 1,5 bilhão, um dos maiores volumes já registrados.

Dados preliminares de setembro reforçam a tendência. A média diária de exportação de carne bovina foi de R$ 1,6 milhão, alta de 53% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho levou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) a revisar sua projeção de crescimento anual para 2025 de 12% para 14%.

Demanda aquecida na Ásia e em mercados emergentes

Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o cenário é favorável porque há uma escassez global de carne. “Nossos principais competidores, como Estados Unidos e Austrália, enfrentam dificuldades de produção. Enquanto isso, a demanda cresce, especialmente na Ásia, onde países como Vietnã, Malásia, Indonésia e Filipinas estão aumentando o consumo de carne bovina”, explicou.

A China, que já representa 60% das exportações brasileiras, aumentou as compras em 90% em agosto. Outros mercados também registraram altas expressivas: Rússia (109%), México (300%) e Chile (30%).

EUA continuam estratégicos para o setor

Apesar da expansão em novos destinos, Perosa lembra que o mercado americano segue fundamental:

“Os Estados Unidos eram nosso segundo maior comprador e são altamente rentáveis. Redirecionar as vendas é possível, mas trabalhamos com margens apertadas de 3% a 4%. Perder um mercado que oferece maior rentabilidade impacta todo o sistema de vendas”, afirmou.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paula Bronstein/Getty Images/VEJA

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Comércio Exterior

Carne bovina: tarifas dos EUA geram efeito dominó e fortalecem exportações do Brasil

Tarifa de 50% contra carne brasileira altera o mercado global.

A imposição de tarifas de 50% sobre a carne bovina do Brasil pelos Estados Unidos mudou o equilíbrio do comércio internacional de proteínas. Embora tenha reduzido a competitividade do produto brasileiro no acesso direto ao mercado americano, o país segue como peça-chave na oferta mundial.

Com o menor rebanho em sete décadas, os EUA precisam de mais carne importada e têm buscado alternativas no Mercosul, especialmente em Paraguai, Argentina e Uruguai. Esses países, ao priorizarem os embarques para o mercado norte-americano, passaram a depender do Brasil para garantir o consumo interno.

Exportações e importações em números

Dados da HN Agro revelam que o Paraguai comprou do Brasil 1.482 toneladas de carne bovina até a terceira semana de setembro de 2025 — um salto de 327% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já as exportações brasileiras de carne para os Estados Unidos caíram 78% no mesmo intervalo: de 20,8 mil toneladas em setembro de 2024 para apenas 4,5 mil toneladas neste ano.

Confira abaixo um histórico das exportações brasileiras de carne para os EUA, a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Carne aos EUA | Jan 2022 a Julho de 2025 | TEUs

Enquanto isso, as vendas do Paraguai aos americanos cresceram 40%, confirmando o papel do país como redistribuidor regional. Analistas destacam que não há triangulação direta da carne brasileira para os EUA, mas sim um mecanismo de substituição: vizinhos vendem sua própria produção ao mercado americano e recorrem ao Brasil para repor estoques internos.

Brasil segue como fornecedor mais competitivo

Apesar do impacto inicial, o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, avalia que as perdas serão menores que o previsto. Ele reforça que não há irregularidades, mas sim oportunidades comerciais. O México, por exemplo, pode importar carne do Brasil para atender seu consumo interno e direcionar sua produção doméstica aos EUA.

O efeito já se reflete nas cotações. Segundo a Scot Consultoria, o boi gordo no Paraguai atingiu recorde de US$ 71,70/@ após 12 semanas seguidas de alta, valor US$ 14,64 acima da arroba brasileira (US$ 57,43/@ na referência paulista). Na Argentina, o preço também está acima, em US$ 62,5/@.

Mesmo penalizado pela tarifa, o Brasil mantém a arroba mais barata do mercado internacional, com média de US$ 57,1/@, segundo dados da Agrifatto. Isso consolida o país como fornecedor competitivo e “reserva de mercado” para os vizinhos que precisam controlar a inflação sem comprometer o abastecimento.

Perspectivas para 2025

Especialistas estimam que, mesmo diante do tarifaço, as exportações brasileiras de carne bovina devem crescer 10% em 2025. O aumento será puxado justamente pela demanda dos países do Mercosul, que encontram no Brasil a alternativa mais eficiente para recompor estoques.

“O Brasil continua sendo a origem mais competitiva do mundo”, afirma Rodrigo Costa, analista da PINE Agronegócios. Já Isabella Camargo, zootecnista da HN Agro, reforça: “O mundo depende da gente para comer. Mesmo diante de barreiras, o agro brasileiro encontra novos caminhos.”

Com isso, a medida adotada pelos EUA pode acabar fortalecendo ainda mais o protagonismo brasileiro no comércio global de carne. Para setembro, a expectativa é de recorde histórico em volume e faturamento das exportações.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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