Comércio Exterior

Produtos brasileiros afetados pelo tarifaço dos EUA: veja a lista do que será taxado

O novo tarifaço dos Estados Unidos atingirá principalmente produtos industriais, máquinas e parte do setor agroindustrial brasileiro. A lista divulgada pelo governo norte-americano inclui desde etanol e calçados até máquinas agrícolas, papel e diversos bens manufaturados.

Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil, como carne bovina, café, suco de laranja e aeronaves, ficaram fora da nova lista de sobretaxação.

Produtos brasileiros que serão afetados

Os itens que passarão a ser taxados pelos Estados Unidos incluem:

  • Etanol;
  • Calçados;
  • Vestuário;
  • Açúcar orgânico;
  • Papel;
  • Máquinas agrícolas;
  • Equipamentos de mineração;
  • Ferramentas de jardinagem;
  • Máquinas e equipamentos elétricos;
  • Bens de capital;
  • Produtos químicos;
  • Produtos industriais processados;
  • Manufaturados em geral.

A lista concentra principalmente produtos do setor industrial e bens utilizados na produção, além de alguns itens do agronegócio.

Produtos brasileiros que ficaram de fora

Apesar da ampliação das restrições comerciais, os Estados Unidos mantiveram uma série de exceções. Entre os principais produtos brasileiros isentos estão:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Laranja e suco de laranja;
  • Petróleo bruto;
  • Gás natural;
  • Peixes e crustáceos;
  • Castanhas;
  • Mel orgânico;
  • Celulose de madeira;
  • Pastas químicas de madeira;
  • Alguns produtos de madeira tropical;
  • Minérios selecionados;
  • Ferro-gusa;
  • Produtos metálicos considerados estratégicos para a indústria americana;
  • Aeronaves civis, motores e componentes aeronáuticos;
  • Helicópteros;
  • Produtos farmacêuticos;
  • Insumos químicos para medicamentos;
  • Semicondutores e equipamentos para sua fabricação.

Lista poderá sofrer alterações

O governo dos Estados Unidos informou que a relação de produtos poderá ser revisada ao longo das negociações com o Brasil. Além disso, mercadorias que já estiverem em trânsito para o mercado norte-americano antes da entrada em vigor da medida não serão atingidas.

O governo brasileiro contestou a decisão e afirmou que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade e na Organização Mundial do Comércio (OMC).

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Exportação

Exportações para a China batem recorde no primeiro semestre de 2026 e fortalecem comércio com o Brasil

As exportações brasileiras para a China atingiram um novo recorde no primeiro semestre de 2026, consolidando o país asiático como o principal parceiro comercial do Brasil. Levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) aponta que as vendas ao mercado chinês somaram US$ 58,3 bilhões, crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 2025.

No mesmo intervalo, as importações brasileiras de produtos chineses também registraram máxima histórica, chegando a US$ 38,5 bilhões. Com isso, a corrente de comércio entre os dois países alcançou US$ 96,9 bilhões, o maior resultado já registrado para um primeiro semestre.

China responde por quase metade do superávit comercial brasileiro

O estudo mostra que o saldo positivo do Brasil nas negociações com a China foi de US$ 19,8 bilhões, valor equivalente a 47% de todo o superávit da balança comercial brasileira, que somou US$ 42,4 bilhões no período.

Desde 2009, o Brasil mantém resultados positivos nas transações comerciais com os chineses, reforçando a importância da parceria para o desempenho das exportações nacionais.

A influência da China também se reflete na participação sobre o comércio exterior. O país foi destino de 31,6% de todas as exportações brasileiras, percentual quase três vezes superior ao registrado pelos Estados Unidos. Nas importações, os chineses responderam por 27% das compras brasileiras realizadas no exterior.

China amplia vantagem como maior parceiro comercial do Brasil

Os números confirmam o crescimento da relação econômica entre os dois países. Enquanto o intercâmbio comercial entre Brasil e China atingiu US$ 96,9 bilhões, o comércio com os Estados Unidos, segundo maior parceiro brasileiro, totalizou US$ 36,4 bilhões.

O levantamento do CEBC também destaca que o avanço das vendas para a China foi um dos principais responsáveis pelo crescimento de 11,5% das exportações brasileiras no semestre. Entre os dez maiores destinos dos produtos nacionais, apenas Índia e Singapura apresentaram expansão superior.

Soja lidera embarques, enquanto petróleo registra maior crescimento

A soja permaneceu como o principal produto exportado pelo Brasil para a China, movimentando US$ 20,2 bilhões entre janeiro e junho. O grão representou 34,7% das exportações brasileiras destinadas ao mercado chinês, que absorveu cerca de 70% de toda a soja embarcada pelo país.

Já o maior avanço foi registrado pelo petróleo bruto. As exportações cresceram 62% e alcançaram US$ 15,1 bilhões, impulsionadas pelo aumento do volume exportado e pela valorização internacional da commodity.

Segundo o estudo, as tensões geopolíticas no Oriente Médio contribuíram para que a China ampliasse a diversificação de fornecedores, fortalecendo o Brasil como um parceiro estratégico no fornecimento de petróleo.

Os meses de março, abril e junho de 2026 registraram os maiores faturamentos mensais da história das exportações brasileiras de petróleo para a China desde o início da série histórica, em 1997. Atualmente, o país asiático compra 54% de todo o petróleo exportado pelo Brasil.

Minério de ferro mantém relevância nas exportações

Outro destaque da pauta comercial foi o minério de ferro. O Brasil exportou 135 milhões de toneladas para a China no primeiro semestre, maior volume já registrado para o período.

Em receita, o produto gerou US$ 9,2 bilhões, crescimento de 9,4% na comparação anual. A China permaneceu responsável por quase 69% das compras externas do minério brasileiro, consolidando sua posição como principal mercado consumidor.

Carne bovina bate recorde nas vendas ao mercado chinês

A carne bovina brasileira também registrou desempenho histórico. As exportações para a China totalizaram US$ 4,8 bilhões, alta de 50% e novo recorde para um primeiro semestre.

O crescimento foi impulsionado pela antecipação dos embarques antes do esgotamento da cota de importação com tarifa reduzida. A expectativa do CEBC é de desaceleração nas vendas durante a segunda metade do ano, devido à incidência de tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem o limite estabelecido.

Mesmo assim, a China continuou absorvendo 53% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil.

Também houve crescimento expressivo nas exportações de carne de frango, algodão, minério de cobre, ferroligas e outros produtos minerais.

Rio de Janeiro lidera exportações para a China

Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro foi o maior exportador para o mercado chinês no período.

As vendas fluminenses chegaram a US$ 13,6 bilhões, representando 23,3% das exportações nacionais destinadas à China. O petróleo respondeu por 94% da pauta exportadora estadual.

Na sequência aparecem Mato Grosso, impulsionado pela soja, e Minas Gerais, com destaque para o minério de ferro.

Veículos eletrificados impulsionam importações da China

Do lado das importações, os veículos eletrificados lideraram o crescimento das compras brasileiras.

As aquisições de carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in somaram US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pela antecipação das importações antes da entrada em vigor da tarifa de 35% aplicada em julho.

Os híbridos plug-in responderam por US$ 2,79 bilhões, enquanto os veículos totalmente elétricos movimentaram US$ 2 bilhões. A China foi responsável por 88% dos veículos eletrificados importados pelo Brasil, mantendo ampla liderança nesse segmento.

Espírito Santo concentra entrada de carros chineses

Embora São Paulo permaneça como principal estado importador de produtos chineses, o Espírito Santo ganhou protagonismo na entrada de veículos eletrificados.

O estado concentrou 57% dos desembarques desses automóveis no país, e aproximadamente 65% das importações capixabas provenientes da China correspondem a veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in.

Parceria econômica ganha ainda mais importância

Os resultados do primeiro semestre mostram o aprofundamento da relação comercial entre Brasil e China. Enquanto o mercado chinês amplia sua demanda por commodities brasileiras, como soja, petróleo, minério de ferro e proteínas animais, o Brasil amplia as importações de produtos industrializados, especialmente veículos eletrificados, equipamentos tecnológicos e componentes industriais.

O desempenho reforça a posição da China como principal parceiro comercial brasileiro e evidencia sua relevância para a balança comercial, o crescimento das exportações e a integração do Brasil às cadeias globais de produção.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ricardo Stuckert

Ler Mais
Exportação

Cota da China para carne bovina muda estratégia das exportações e pressiona mercado brasileiro

A nova cota de importação da China para carne bovina já começa a produzir reflexos na cadeia pecuária brasileira. Com o limite de exportações praticamente preenchido, frigoríficos reduziram o ritmo de compras de animais, diminuíram a produção destinada ao mercado chinês e aumentaram a preocupação entre exportadores e pecuaristas.

A medida faz parte de uma política de proteção adotada pelo governo chinês para fortalecer a produção doméstica e altera a dinâmica do principal destino da carne bovina brasileira.

China impõe limite para importações de carne bovina

A salvaguarda comercial entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano, após ser anunciada pelo governo chinês em dezembro de 2025. O objetivo é conter o avanço das importações e proteger produtores e indústrias locais.

Pelo novo sistema, cada país possui um volume máximo de exportações que pode entrar na China pagando apenas a tarifa padrão. Após esse limite, passa a valer uma sobretaxa que reduz significativamente a competitividade do produto importado.

No caso do Brasil, a cota foi fixada em 1,106 milhão de toneladas. Até esse volume, permanece a tarifa de importação de 12%. Acima desse teto, incide uma taxa adicional de 55%, elevando a tributação total para 67%.

Volume autorizado é inferior ao histórico das exportações brasileiras

Os números mostram que o limite estabelecido ficou abaixo da demanda habitual da China pelo produto brasileiro.

Dados da ComexStat indicam que, em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 1,68 milhão de toneladas de carne bovina para o mercado chinês, cerca de 35% acima da nova cota estabelecida.

Segundo o diretor da Athenagro, Maurício de Palma Nogueira, a decisão faz parte de uma estratégia chinesa para reduzir a dependência externa e fortalecer sua cadeia pecuária.

De acordo com o especialista, o Brasil recebeu a maior cota justamente por ser o principal fornecedor de carne bovina para o país asiático. No entanto, o excedente passa a sofrer uma carga tributária que praticamente elimina a competitividade do produto brasileiro.

Exportações devem perder ritmo no segundo semestre

Para o pesquisador do FGV Agro, Felippe Serigatti, a tendência é de desaceleração dos embarques brasileiros nos próximos meses.

Embora contratos já assinados continuem sendo cumpridos e cortes de maior valor agregado ainda possam encontrar espaço no mercado chinês, esses casos devem ser pontuais.

Na avaliação do pesquisador, a nova política tende a concentrar os embarques no primeiro semestre de cada ano, período em que ainda existe espaço dentro da cota, reduzindo significativamente o fluxo de exportações após o limite ser alcançado.

China continua dependente da carne bovina importada

Apesar das novas barreiras comerciais, especialistas avaliam que a China continuará comprando volumes relevantes de carne bovina brasileira.

Maurício de Palma Nogueira destaca que, embora o país tenha recuperado boa parte da produção de carne suína após os impactos da peste suína africana, a situação da bovinocultura permanece diferente.

Segundo ele, o consumo de carne bovina segue crescendo em ritmo superior à capacidade de produção doméstica, mantendo a necessidade de importações.

Além da proteção à indústria local, a estratégia também busca reforçar a segurança alimentar chinesa diante das incertezas no comércio internacional.

Cota já está perto do limite e frigoríficos reduzem produção

Levantamento da StoneX aponta que, até o fim de junho, aproximadamente 98,5% da cota brasileira já havia sido comprometida pelos embarques.

Como o transporte marítimo até a China leva cerca de um mês, a expectativa do mercado é de que o limite seja oficialmente atingido em agosto.

Esse cenário já provocou mudanças nas indústrias frigoríficas, que reduziram o ritmo de compra de boi gordo, anunciaram férias coletivas, diminuíram turnos de produção e desaceleraram os abates voltados ao mercado chinês.

Segundo Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, existe diferença entre os dados oficiais chineses e o acompanhamento feito pelo mercado, que considera não apenas a carne desembarcada, mas também os embarques já realizados.

Empresas podem redirecionar exportações para outros países

Grupos com operações internacionais, como Minerva e MBRF, poderão utilizar unidades instaladas em países como Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia para manter o abastecimento da China.

Conforme analistas do setor, esses países ainda possuem espaço disponível dentro das cotas concedidas pelo governo chinês, permitindo um eventual redirecionamento das exportações.

Enquanto isso, parte das plantas brasileiras tende a ampliar as vendas para mercados como os Estados Unidos e outros compradores internacionais.

Mercado interno deve sentir impactos moderados

Mesmo com a possibilidade de parte da produção permanecer no Brasil, especialistas não projetam uma queda significativa nos preços da carne bovina para o consumidor.

Felippe Serigatti explica que outros mercados podem absorver parte da produção, enquanto o atual ciclo pecuário, marcado pela retenção de fêmeas, reduz a oferta de animais para abate e ajuda a sustentar os preços.

Outro fator observado é o mercado futuro do boi gordo, que continua indicando valorização da arroba até o fim do ano.

No mercado físico, a Scot Consultoria aponta que a arroba perdeu força desde a segunda quinzena de junho, mas a expectativa é de manutenção dos preços em São Paulo entre R$ 320 e R$ 330 durante julho e agosto.

Consumidor deve encontrar apenas promoções pontuais

A avaliação predominante entre analistas é que a nova cota chinesa não será suficiente para provocar redução expressiva no preço da carne bovina no varejo.

A expectativa é de que ocorram apenas ajustes localizados e promoções em determinados cortes, sem mudanças estruturais no mercado.

Especialistas também alertam que uma queda prolongada na remuneração dos pecuaristas poderia desestimular investimentos na atividade, reduzir a oferta de animais nos próximos ciclos e, futuramente, voltar a pressionar os preços ao consumidor.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Agronegócio

Abate de bovinos no Brasil chega a 2,44 milhões em junho, com Mato Grosso na liderança

O abate de bovinos no Brasil manteve ritmo elevado em junho de 2026. Dados do Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal (SIGSIF), vinculado ao Ministério da Agricultura, mostram que os frigoríficos sob inspeção federal processaram 2,44 milhões de cabeças em todo o país durante o mês.

O desempenho reforça a força da pecuária brasileira, embora os números revelem cenários distintos entre os principais estados produtores.

Mato Grosso concentra maior volume de abates

Principal produtor nacional de carne bovina, Mato Grosso liderou o ranking com 551,7 mil bovinos abatidos em junho.

Na sequência aparecem Goiás, com 301,8 mil cabeças, e Mato Grosso do Sul, que registrou 286,2 mil animais enviados aos frigoríficos.

O grupo dos maiores produtores ainda inclui São Paulo, com 265,9 mil bovinos abatidos, seguido por Rondônia, com 257,6 mil, e Pará, que contabilizou 220,9 mil cabeças.

Somados, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul responderam por mais de 1,13 milhão de animais abatidos, praticamente metade de todo o volume registrado pelo sistema federal no período.

Mato Grosso registra semestre recorde

Além da liderança mensal, Mato Grosso também alcançou um desempenho histórico no acumulado do ano.

Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) aponta que, entre janeiro e junho, o estado abateu 3,65 milhões de bovinos, crescimento de 3,58% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e o maior volume já registrado para um primeiro semestre.

O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento no abate de machos, que cresceu 13,05% e atingiu 1,81 milhão de cabeças. Já o processamento de fêmeas recuou 4,26%, totalizando 1,85 milhão de animais.

Segundo o instituto, esse movimento reflete uma nova fase do ciclo pecuário, marcada pela menor participação de matrizes nos frigoríficos e maior disponibilidade de animais terminados para o mercado.

Outro fator que sustentou a atividade foi a demanda internacional, especialmente da China, que intensificou as compras antes do preenchimento da cota tarifária destinada às exportações brasileiras.

Para o segundo semestre, no entanto, o mercado deverá acompanhar os efeitos da redução desse ritmo de embarques, além da expectativa de menor oferta de animais prontos para o abate.

Mato Grosso do Sul apresenta retração

Ao contrário de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul registra sinais de desaceleração na atividade.

Dados acompanhados pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) mostram que os frigoríficos com inspeção federal abateram 275 mil bovinos em maio, praticamente o mesmo volume observado em abril, mas 4,8% inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.

Nos cinco primeiros meses de 2026, o estado acumulou 1,38 milhão de cabeças abatidas, representando uma queda de 4,4% na comparação anual.

A redução também atingiu o abate de fêmeas, que somou 636,9 mil animais entre janeiro e maio, retração de 4,3%. As vacas responderam por cerca de 46% de todo o volume processado no período.

Segundo a entidade, a menor oferta de animais está relacionada, entre outros fatores, à retenção de matrizes pelos pecuaristas, movimento característico de determinadas fases do ciclo da pecuária.

Rio Grande do Sul também reduz ritmo dos frigoríficos

No Rio Grande do Sul, os dados do Fundesa apontam perda de intensidade na atividade industrial ao longo do primeiro semestre.

O número de bovinos abatidos caiu de 171,5 mil cabeças em março para 144,3 mil em junho. A média diária de processamento também apresentou recuo, passando de 7.966 animais em abril para 6.870 em junho.

O comportamento do mercado gaúcho difere do observado no Centro-Oeste, refletindo uma oferta mais restrita de animais e ajustes realizados pelos frigoríficos diante das condições atuais do setor.

Mercado acompanha diferentes fases do ciclo pecuário

Embora o abate de bovinos siga elevado no cenário nacional, os indicadores mostram que cada região atravessa momentos distintos do ciclo pecuário.

Enquanto estados como Mato Grosso mantêm oferta elevada e forte demanda das indústrias, outras regiões registram menor disponibilidade de animais e redução na atividade dos frigoríficos, cenário que pode influenciar o comportamento da produção e dos preços da carne bovina ao longo dos próximos meses.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabio Matta

Ler Mais
Comércio Exterior

Audiência sobre tarifas dos EUA contra o Brasil começa com defesa de produtos brasileiros e debate sobre o Pix

A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a possível aplicação de novas tarifas dos EUA contra o Brasil teve início na segunda-feira (6). O encontro reuniu representantes de setores produtivos brasileiros e norte-americanos para discutir a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

O governo brasileiro optou por não participar ativamente das discussões, enviando apenas observadores. Segundo participantes, o ambiente da audiência foi considerado receptivo e voltado para análises técnicas. Cada expositor teve aproximadamente cinco minutos para apresentar seus argumentos.

Ao longo do primeiro dia, as entidades brasileiras destacaram a dificuldade que os Estados Unidos enfrentariam para substituir produtos estratégicos, como café brasileiro e arroz, além de defenderem a inclusão de itens na lista de exceções à medida tarifária.

Ao todo, a audiência contou com 42 participantes e representantes de oito órgãos do governo norte-americano, incluindo os departamentos de Comércio, Estado, Tesouro e Agricultura.

Especialista vê ambiente técnico e otimista nas discussões

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Pessoa, avaliou positivamente o perfil das discussões. Segundo ele, as autoridades norte-americanas demonstraram interesse em ouvir os argumentos apresentados, sem que o debate fosse dominado por questões políticas.

De acordo com o especialista, houve uma postura técnica por parte dos representantes dos Estados Unidos, indicando disposição para compreender os impactos econômicos das medidas propostas.

Setores econômicos pedem retirada das tarifas

Grande parte das entidades presentes defendeu a exclusão de diversos produtos brasileiros da nova taxação. Segmentos como café solúvel e mel orgânico argumentaram que a cobrança de tarifas elevaria diretamente os preços pagos pelos consumidores norte-americanos.

Em sentido contrário, duas associações de pecuaristas dos Estados Unidos defenderam a aplicação de sanções à carne bovina brasileira. As entidades alegaram preocupações relacionadas à corrupção, trabalho forçado e desmatamento associados à cadeia produtiva.

Segundo Gustavo Pessoa, os representantes afirmaram que as exportações brasileiras ocupam parcela significativa do mercado de carne bovina dos EUA, o que, na visão deles, comprometeria a competitividade da indústria local.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) rebateu as críticas, destacando que o país mantém sistemas de rastreabilidade e monitoramento da produção destinada à exportação.

Empresas norte-americanas pedem isenção para produtos brasileiros

Mesmo sem participação presencial, grandes companhias dos Estados Unidos enviaram manifestações formais ao USTR solicitando que produtos importados do Brasil sejam excluídos das tarifas adicionais.

Nas cartas encaminhadas ao órgão, as empresas alertaram que a medida poderá afetar as cadeias de suprimentos, elevar custos para consumidores americanos e reduzir a competitividade de negócios instalados nos Estados Unidos.

Pix desperta interesse durante audiência

Outro tema debatido foi o Pix. Gustavo Pessoa e o executivo Vinícius Nunes Pinto apresentaram argumentos em defesa do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Durante a audiência, uma representante do Departamento do Tesouro dos EUA questionou de que forma uma eventual integração com o Pix poderia beneficiar o mercado norte-americano.

Segundo Pessoa, a resposta destacou que o sucesso do sistema brasileiro pode servir como referência para estudos e futuras iniciativas de cooperação entre os dois países no setor financeiro.

Entenda a proposta de novas tarifas

O USTR avalia impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma taxa de 12,5%, com base em investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O relatório cita supostas práticas consideradas restritivas ao comércio, incluindo referências ao Pix, acordos comerciais preferenciais, políticas para o etanol, questões ambientais, corrupção e combate à pirataria.

A decisão final deverá ser anunciada até 15 de julho e será tomada pelo presidente dos Estados Unidos.

Governo brasileiro contesta relatório dos EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminhou um documento ao USTR contestando a proposta de ampliação das tarifas.

Na manifestação, o Itamaraty rejeita a avaliação de que o Brasil não combate adequadamente o trabalho forçado e sustenta que eventuais divergências comerciais devem ser tratadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro também afirma que o relatório norte-americano desconsidera informações apresentadas durante o processo, incluindo legislações e ações de fiscalização voltadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão.

Além disso, o Itamaraty entende que medidas unilaterais baseadas na Seção 301 não são compatíveis com as regras do sistema multilateral de comércio.

Segundo dia terá participação de Flávio Bolsonaro e representantes da indústria

A programação desta terça-feira (7) prevê novos depoimentos de representantes da indústria brasileira, além da participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo declarações públicas, o parlamentar defenderá o adiamento da decisão sobre as tarifas dos EUA contra o Brasil para depois das eleições. Em publicação nas redes sociais, afirmou acreditar que a medida poderá ser revista e disse que apresentará argumentos técnicos durante a audiência.

Também estão entre os participantes representantes da indústria de máquinas, madeira, ferro-gusa, calçados, cerâmica, mineração, engenharia, automação e do setor florestal, que defenderão a manutenção das relações comerciais e alertarão para os impactos econômicos da sobretaxação nos dois países.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Exportação

Brasil adota novas regras para exportação de carnes à União Europeia

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciou a implementação de novos procedimentos de inspeção para a produção de carnes e derivados destinados à União Europeia (UE). A medida busca adequar o sistema brasileiro às exigências do bloco europeu e preservar o acesso dos produtos nacionais ao mercado internacional.

As novas orientações foram divulgadas pelo Globo Rural, que informou ter obtido um documento enviado pelo governo federal aos auditores fiscais federais agropecuários.

Objetivo é evitar restrições às exportações brasileiras

A iniciativa faz parte da estratégia do governo para impedir que a União Europeia suspenda, a partir de setembro, a importação de determinados produtos de origem animal provenientes do Brasil.

Entre os itens que podem ser afetados pelas restrições estão carne bovina, carne de frango, ovos e animais vivos, segmentos de grande relevância para o agronegócio brasileiro e para a pauta de exportações do país.

Mudança atende exigências sanitárias da União Europeia

As exigências europeias estão relacionadas às normas que regulamentam o uso de determinadas substâncias antimicrobianas em animais destinados à produção de alimentos.

Anunciadas pela União Europeia em maio, as novas regras estabelecem critérios mais rigorosos para a entrada de produtos de origem animal no bloco, exigindo que os países exportadores comprovem conformidade com os padrões sanitários adotados pelos europeus.

Com a adoção dos novos procedimentos de inspeção, o Brasil busca manter a habilitação de seus estabelecimentos exportadores e assegurar a continuidade das vendas para um dos principais mercados consumidores de proteínas do mundo.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Exportação

Exportação de carne bovina para a China desacelera e frigoríficos brasileiros suspendem parte da produção

Frigoríficos brasileiros começaram a reduzir o ritmo de produção e a conceder férias coletivas a funcionários diante da expectativa de esgotamento da cota anual de importação de carne bovina da China. A medida afeta unidades em diferentes estados e deve impactar temporariamente o setor até a reabertura das compras pelo mercado chinês.

A previsão das empresas é que os importadores da China retomem os pedidos apenas em outubro, quando os embarques já poderão ser contabilizados na cota de 2027.

Cota chinesa reduz demanda por carne brasileira

Empresas como Frigol, Better Beef, Iguatemi Beef e Plena Alimentos anunciaram a suspensão parcial do abate de bovinos e da produção de carne. O objetivo é ajustar a oferta diante da queda na demanda do principal destino das exportações brasileiras do setor.

No fim de 2025, a China estabeleceu limites anuais de importação para fornecedores como Brasil, Austrália e Estados Unidos, em uma estratégia para fortalecer a produção interna. Para o Brasil, a cota foi fixada em 1,106 milhão de toneladas, abaixo das cerca de 1,7 milhão de toneladas exportadas pelo país no ano anterior.

As cargas dentro da cota pagam tarifa de 12%. Já os volumes que ultrapassam esse limite passam a sofrer uma tributação total de 67%, tornando as operações menos competitivas.

Embora ainda seja junho, exportadores acreditam que a cota esteja próxima do limite porque o governo chinês contabiliza os volumes conforme a data de chegada aos portos do país, e não pela data de embarque no Brasil.

Empresas adotam férias coletivas e reduzem abates

A Frigol informou que cerca de mil colaboradores da unidade de Água Azul do Norte (PA) entrarão em férias coletivas por 18 dias a partir de 1º de julho. A planta destinava aproximadamente 70% da produção ao mercado chinês.

Nas demais unidades, a empresa reduzirá o ritmo de abates em cerca de 20%. Mesmo após o retorno dos funcionários, a expectativa da companhia é operar entre 30% e 40% abaixo da capacidade anterior, devido à dificuldade de redirecionar toda a produção para outros mercados.

A Better Beef também anunciou mudanças nas operações. A unidade de Araçatuba (SP) terá as atividades suspensas entre 20 de julho e 10 de agosto. Enquanto isso, a planta de Rancharia passará a abastecer o mercado interno e outros destinos internacionais, como Estados Unidos, Chile e países do Oriente Médio.

A empresa, que faturou cerca de R$ 3 bilhões no ano passado, esperava crescer aproximadamente 10% em 2026. Com as restrições nas compras chinesas, a projeção foi revista para um desempenho semelhante ao registrado em 2025.

Mato Grosso do Sul e outras regiões também são afetados

A Iguatemi Beef, instalada em Mato Grosso do Sul, colocará aproximadamente 650 dos 850 funcionários em férias coletivas durante julho. A unidade exporta entre 90% e 95% da produção, sendo que cerca de 80% tem como destino a China.

Segundo a empresa, a redução temporária dos abates ajudará a controlar custos em um cenário de demanda enfraquecida e preços elevados do gado. Parte da produção já foi direcionada antecipadamente para mercados como Estados Unidos, Reino Unido, Oriente Médio e o próprio mercado brasileiro.

A Plena Alimentos também confirmou férias coletivas para cerca de 1.500 colaboradores em plantas localizadas em Goiás e Tocantins, durante 21 dias úteis. Já a Astra Foods pretende ampliar o abastecimento do mercado regional com a carne que deixará de ser exportada nos próximos meses.

Grandes frigoríficos buscam reduzir impactos

As maiores empresas do setor contam com uma estrutura mais diversificada para enfrentar o cenário. A estratégia inclui ampliar as vendas para outros mercados internacionais e utilizar plantas instaladas em diferentes países.

No caso da Minerva Foods, unidades brasileiras devem reforçar o fornecimento aos Estados Unidos, enquanto operações na Argentina, Uruguai e Colômbia continuam atendendo a demanda chinesa.

Na JBS, o diretor da Friboi, Renato Costa, já havia informado anteriormente que a empresa deixaria de produzir determinados cortes destinados à China a partir da segunda quinzena de junho. Procurada, a companhia não confirmou se também adotará férias coletivas para parte dos funcionários. Minerva e MBRF optaram por não comentar o assunto.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images/Canva

Ler Mais
Agronegócio

Pecuária em Mato Grosso é sustentada por pequenos produtores, que representam 80% das propriedades rurais

A pecuária em Mato Grosso, referência nacional na produção de carne bovina, tem como principal base os pequenos produtores rurais. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) mostram que, dos 106.009 imóveis cadastrados para a criação de gado de corte, 85.005 possuem até 320 hectares, o equivalente a 80,1% do total.

Os números evidenciam que a força da atividade pecuária está distribuída entre milhares de propriedades de menor porte, que desempenham papel fundamental na manutenção da cadeia produtiva e no abastecimento do mercado.

Setor tem forte peso na economia de Mato Grosso

Além da ampla presença no campo, a pecuária bovina ocupa posição de destaque na economia estadual. O segmento representa 9,36% dos CNPJs ativos em Mato Grosso, superando setores tradicionais como o cultivo de soja, o comércio varejista de vestuário e o transporte rodoviário de cargas.

Entre as demais categorias de propriedades, o levantamento aponta a existência de 12.583 fazendas de médio porte, correspondentes a 11,8% do total. Já as grandes propriedades somam 8.417 unidades, representando 7,9% dos estabelecimentos cadastrados.

Municípios concentram maior número de fazendas

A distribuição das propriedades demonstra forte presença da atividade pecuária em diferentes regiões do estado, especialmente no Norte e na faixa de fronteira.

O município de Colniza lidera o ranking estadual, com 3.762 propriedades destinadas à criação de gado de corte. Em seguida aparecem Cáceres (3.218), Juína (2.485), Nova Bandeirantes (2.140) e Confresa (2.051), formando os principais polos da atividade.

Capilaridade fortalece a economia regional

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, a predominância de pequenas propriedades demonstra que a liderança de Mato Grosso na produção de proteína animal não depende apenas de grandes grupos empresariais.

Segundo ele, a ampla distribuição da atividade contribui para descentralizar a geração de renda, fortalecer as economias locais e ampliar as oportunidades nos municípios do interior.

O especialista destaca ainda que essa base produtiva diversificada é um dos fatores que sustentam o protagonismo do estado na pecuária nacional.

Tecnologia impulsiona produtividade no campo

De acordo com o Imac, a adoção crescente de tecnologias de manejo, aliada à presença da atividade em praticamente todas as regiões de Mato Grosso, tem elevado os índices de produtividade da cadeia pecuária.

A combinação entre inovação, diversificação e ampla distribuição dos produtores consolida o estado como uma das principais referências mundiais na produção de carne bovina, fortalecendo sua competitividade no mercado nacional e internacional.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Agronegócio

Soja, aço e carne bovina enfrentam novas barreiras da União Europeia após acordo com Mercosul

A entrada em vigor provisória do acordo UE-Mercosul abriu perspectivas de ampliação do comércio entre os dois blocos, mas uma sequência de medidas adotadas pela União Europeia tem gerado preocupação entre exportadores brasileiros. Em poucos meses, setores estratégicos para a balança comercial do Brasil — como soja, carne bovina e aço — passaram a enfrentar novos obstáculos no mercado europeu.

Embora cada iniciativa tenha sido justificada por razões distintas, envolvendo questões ambientais, sanitárias e industriais, o conjunto das ações chamou a atenção de autoridades e representantes do setor produtivo por ocorrer justamente após a implementação do acordo comercial.

Acordo histórico convive com pressões internas na Europa

A aprovação do tratado entre Mercosul e União Europeia foi resultado de mais de duas décadas de negociações. O pacto criou expectativas de maior integração econômica entre regiões que somam mais de 700 milhões de consumidores.

Entretanto, a conclusão do acordo ocorreu em meio à forte pressão de agricultores europeus, que promoveram protestos em diversos países do bloco alegando concorrência desleal de produtos sul-americanos.

Para reduzir a resistência interna, a Comissão Europeia adotou medidas de apoio ao setor agrícola e reforçou mecanismos de proteção para evitar impactos sobre os produtores locais.

Enquanto os países europeus defendem a necessidade de garantir padrões ambientais e sanitários equivalentes, representantes do Mercosul argumentam que a competitividade da produção sul-americana decorre principalmente da eficiência produtiva e não de regras menos rigorosas.

Soja brasileira entra na mira de novas regras ambientais

O caso mais sensível para o Brasil envolve a cadeia da soja, um dos principais produtos exportados pelo país.

Em abril, a Comissão Europeia classificou o óleo de soja como matéria-prima de alto risco de mudança indireta no uso da terra, conceito conhecido pela sigla iLUC. O critério avalia se a expansão de determinada cultura agrícola pode contribuir indiretamente para o avanço do desmatamento.

Com a nova classificação, o óleo de soja poderá perder espaço nas metas europeias para combustíveis renováveis a partir de 2030, reduzindo a demanda pelo produto dentro do bloco.

Especialistas do setor alertam que os impactos podem ir além do óleo vegetal, afetando toda a cadeia produtiva da soja destinada ao mercado europeu.

Indústria contesta metodologia utilizada pela UE

Representantes da indústria brasileira questionam os critérios adotados pela União Europeia para enquadrar a soja na categoria de alto risco ambiental.

A principal crítica está relacionada à metodologia utilizada para calcular o impacto da expansão agrícola sobre áreas de floresta. Segundo o setor, a fórmula aplicada pode superestimar os efeitos da produção e gerar conclusões distorcidas sobre a sustentabilidade da cultura.

A controvérsia lembra discussões anteriores envolvendo o óleo de palma, cuja classificação ambiental provocou forte redução das importações europeias ao longo dos últimos anos.

Dependência europeia da soja mantém debate aberto

Apesar das novas restrições, o mercado europeu continua sendo um importante comprador de soja.

A União Europeia está entre os maiores importadores globais do produto, utilizando o farelo derivado da oleaginosa principalmente para alimentação animal. Alternativas como canola e girassol apresentam limitações de oferta e menor rendimento proteico, o que torna a substituição um desafio para o bloco.

Por isso, representantes do agronegócio brasileiro avaliam que a adoção de medidas mais restritivas pode gerar impactos não apenas para exportadores, mas também para cadeias produtivas europeias dependentes da matéria-prima.

Carne bovina e aço também enfrentam obstáculos

Além da soja, outros dois segmentos estratégicos passaram a enfrentar dificuldades recentes no mercado europeu.

No setor de carne bovina, restrições sanitárias impostas pela União Europeia levantaram preocupações sobre o acesso dos produtos brasileiros ao bloco. As medidas foram justificadas por exigências relacionadas à segurança alimentar e ao controle de substâncias utilizadas na produção pecuária.

Já no caso do aço, a Comissão Europeia discute mecanismos para reduzir a entrada de produtos siderúrgicos estrangeiros, alegando excesso de oferta global e necessidade de proteção da indústria local.

A proposta inclui alterações em cotas e tarifas que podem afetar diretamente exportadores brasileiros.

Exportadores temem aumento de barreiras comerciais

A sucessão de medidas reforçou o debate sobre o equilíbrio entre abertura comercial e proteção de mercados internos.

Para representantes do setor produtivo, existe preocupação de que exigências ambientais, sanitárias e regulatórias sejam utilizadas como instrumentos para restringir a entrada de produtos competitivos no mercado europeu.

O cenário aumenta a atenção do Brasil às futuras regulamentações da União Europeia, especialmente em áreas ligadas à sustentabilidade, agricultura e comércio exterior.

Mesmo com o acordo em vigor, exportadores defendem que a efetividade dos benefícios negociados dependerá da manutenção de condições reais de acesso ao mercado europeu para produtos estratégicos do Mercosul.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

Ler Mais
Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul enfrenta novas barreiras e gera preocupação com acesso ao mercado europeu

A entrada em vigor do acordo UE-Mercosul trouxe expectativas de ampliação do comércio e dos investimentos entre os dois blocos. No entanto, uma série de novas medidas discutidas ou adotadas pela União Europeia tem gerado preocupações entre os países sul-americanos, especialmente o Brasil, que vê crescer o risco de restrições ao acesso ao mercado europeu mesmo após concessões negociadas ao longo de décadas.

Em um cenário global marcado por tensões comerciais, barreiras regulatórias e enfraquecimento das regras multilaterais, especialistas avaliam que acordos comerciais já não garantem, por si só, acesso estável aos mercados internacionais.

Restrição ao aço abre primeiro foco de tensão

O primeiro grande teste para a relação entre os dois blocos envolve o setor siderúrgico. Bruxelas pretende implementar novas restrições às importações de aço com o argumento de combater a sobrecapacidade global de produção, atribuída principalmente à China.

A proposta prevê uma redução significativa das cotas de exportação atualmente disponíveis e a elevação da tarifa aplicada aos volumes que ultrapassarem esses limites, passando de 25% para 50%.

A medida causa desconforto porque o acordo Mercosul-União Europeia prevê justamente a eliminação dessas tarifas. Para países como Brasil e Argentina, a iniciativa reduz parte dos benefícios comerciais que haviam sido negociados no tratado.

Suspensão da carne bovina amplia insatisfação

Outro episódio que gerou reação em Brasília foi a suspensão das importações de determinados produtos de carne bovina brasileira pela União Europeia.

O bloco europeu justificou a decisão com preocupações relacionadas à presença de antimicrobianos utilizados na produção animal. Embora o tema já estivesse sendo discutido entre as partes, autoridades brasileiras consideraram a medida desproporcional, especialmente por ter sido adotada logo após o início da vigência do acordo.

Agora, a expectativa é que a documentação enviada pelo governo brasileiro permita uma reavaliação da decisão e uma eventual reabertura parcial do mercado europeu para esses produtos.

Açúcar, soja e biocombustíveis também entram no radar

As preocupações não se limitam ao setor pecuário. Em maio, a União Europeia suspendeu por um ano um regime aduaneiro que facilitava a entrada de açúcar bruto destinado ao refino e posterior reexportação.

A medida afeta diretamente o Brasil, principal fornecedor dentro desse sistema.

Além disso, mudanças recentes na política europeia para biocombustíveis classificaram o óleo de soja como matéria-prima de alto risco de mudança indireta no uso da terra, associando sua produção a potenciais impactos sobre o desmatamento. A decisão reduz as oportunidades de acesso do produto ao mercado europeu.

União Europeia busca ampliar autossuficiência agrícola

Novas propostas em discussão também podem afetar as exportações agrícolas do Mercosul.

Bruxelas avalia estratégias para aumentar a produção interna de oleaginosas e proteínas vegetais, elevando a participação da produção europeia no abastecimento do bloco. A iniciativa poderá reduzir a dependência de importações de soja provenientes do Brasil, Argentina e Estados Unidos.

Paralelamente, a União Europeia pretende ampliar as compras desses produtos da Ucrânia, país que busca ingressar oficialmente no bloco europeu.

Novas regras industriais podem criar obstáculos adicionais

O setor industrial também acompanha com atenção a elaboração de novos mecanismos de proteção ao mercado europeu.

Entre as propostas está o chamado Industrial Accelerator Act, iniciativa que pretende fortalecer a indústria local por meio de exigências de produção doméstica para acesso a licitações públicas e programas de subsídios.

Na avaliação de especialistas, caso seja implementada sem mecanismos de equilíbrio, a medida poderá restringir o acesso de empresas do Mercosul ao mercado europeu de compras governamentais.

Taxa de carbono e lei antidesmatamento elevam desafios

Outro ponto de atenção é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), conhecido como taxa de carbono da União Europeia. Previsto para entrar em vigor plenamente em 2027, o instrumento poderá gerar custos adicionais para exportadores brasileiros de determinados produtos.

No mesmo ano, passará a valer a rigorosa Lei Antidesmatamento da União Europeia, que estabelecerá critérios para a comercialização de commodities como soja, carne bovina, café, madeira, cacau, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados como couro, chocolate, pneus e móveis.

As regras restringirão a entrada de mercadorias associadas a áreas desmatadas após 2020.

Cresce percepção de desequilíbrio no acordo

A sucessão de medidas tem alimentado a percepção, em setores produtivos do Mercosul, de que as concessões obtidas no acordo comercial podem ser reduzidas por novas exigências regulatórias, sanitárias, ambientais ou industriais.

Enquanto os compromissos assumidos pelos países sul-americanos permanecem válidos, o surgimento de novas barreiras gera dúvidas sobre os ganhos efetivos esperados com o tratado.

Para exportadores e representantes da indústria, o desafio agora será garantir que os benefícios negociados no acordo UE-Mercosul sejam preservados e não sejam gradualmente limitados por mudanças regulatórias posteriores.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook