Portos

Portos do Paraná concentram quase 50% das exportações de frango do Brasil em janeiro de 2026

Os portos do Paraná responderam por 47,6% de toda a exportação de frango brasileira em janeiro de 2026, consolidando o estado como o maior corredor mundial para o embarque da proteína. O desempenho reforça a relevância estratégica da estrutura portuária paranaense no comércio exterior.

Ao longo de 2025, o Porto de Paranaguá embarcou mais de 2,8 milhões de toneladas de frango congelado, ampliando sua liderança no setor.

Volume exportado e principais destinos

Dados do Comex Stat indicam que, apenas no primeiro mês de 2026, foram exportadas 199 mil toneladas de carne de frango congelada pelos terminais paranaenses. O montante movimentou US$ 365 milhões em valor FOB (Free on Board).

Entre os principais mercados compradores estão Emirados Árabes Unidos, África do Sul e China, destinos que mantêm forte demanda pela proteína brasileira.

O Paraná lidera a produção nacional de frango e conta com um parque industrial formado por 36 frigoríficos de abate e processamento. Segundo a Portos do Paraná, a posição geográfica estratégica e a eficiência logística permitem atender cargas oriundas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de países vizinhos.

Infraestrutura impulsiona embarques de proteína animal

Um dos diferenciais competitivos está na estrutura voltada para contêineres refrigerados (reefers), fundamentais para o transporte de carnes congeladas. O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) possui o maior pátio de armazenagem de reefers da América do Sul, com 5.268 tomadas para conexão elétrica.

A confiabilidade operacional, a capacidade de armazenagem e o calado adequado para grandes navios figuram entre os fatores que atraem exportadores ao porto paranaense.

Carne bovina também avança

Além do frango, a carne bovina teve participação expressiva nas exportações nacionais em janeiro. Os portos paranaenses ocuparam a segunda posição no ranking brasileiro, com 27,7% de participação.

Foram 122 mil toneladas embarcadas, gerando US$ 690 milhões em valor FOB. China, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos lideraram as compras.

Somando frango e bovinos, o Porto de Paranaguá movimentou 272 mil toneladas de proteínas no mês, equivalente a 37,9% do volume nacional, com receita de US$ 728 milhões.

Soja lidera entre os granéis vegetais

A movimentação total de cargas nos portos do estado atingiu 5.288.747 toneladas em janeiro, o melhor resultado da história da Portos do Paraná para o mês. O número representa alta de 12,3% em relação ao recorde anterior, registrado em 2025.

A soja em grão foi o principal destaque entre os granéis vegetais, com 811,9 mil toneladas embarcadas, avanço de 98% na comparação anual. O milho também apresentou crescimento, com 387 mil toneladas exportadas, alta de 12%.

O açúcar ensacado registrou aumento de 199%, somando 397 mil toneladas. Já as exportações de óleos vegetais mantiveram Paranaguá na liderança nacional, com crescimento de 52% e volume superior a 123,9 mil toneladas.

Importações e fertilizantes em alta

No segmento de importação, o Porto de Paranaguá recebeu 882 mil toneladas de fertilizantes em janeiro, crescimento de 9% em relação ao mesmo período de 2025.

Outros insumos também apresentaram avanço significativo, como malte e cevada, com aumentos de 383% e 364%, respectivamente.

Crescimento consolidado no ano anterior

Em 2025, os portos paranaenses registraram o maior crescimento percentual em movimentação de cargas entre os terminais brasileiros, com expansão de 10,1%. O volume total saltou de 66,7 milhões de toneladas, em 2024, para 73,5 milhões de toneladas.

O desempenho operacional impactou diretamente o Pátio Público de Triagem do porto, que recebeu 507.915 caminhões no ano passado — alta de 29,5%. A estrutura, com 330 mil metros quadrados e mil vagas, organiza e direciona o fluxo de granéis sólidos vegetais.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves – Portos do Paraná

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Comércio Internacional

Acordo comercial EUA-Argentina pressiona o Mercosul e coloca o Brasil diante de decisão estratégica

O novo acordo comercial EUA-Argentina reacendeu o debate sobre os limites institucionais do Mercosul e pode redefinir a dinâmica de negociações externas do bloco. Batizado de Acordo Recíproco de Comércio e Investimentos (ARTI), o entendimento foi anunciado na última semana e já provoca questionamentos sobre sua compatibilidade com as regras vigentes do grupo sul-americano.

O movimento cria um precedente dentro do bloco e impõe ao Brasil uma escolha estratégica: defender formalmente a norma atual ou adotar postura semelhante em futuros acordos bilaterais.

O que diz a regra do Mercosul

A norma central envolvida é a Decisão CMC 32/00, que estabelece que os países do Mercosul devem negociar conjuntamente acordos comerciais com terceiros quando houver concessão de preferências tarifárias.

O texto determina que os Estados-Partes não podem firmar novos acordos preferenciais isoladamente. Embora não possua mecanismo automático de sanção, a decisão segue formalmente em vigor.

Especialistas avaliam que, no caso do setor de carnes, o acordo firmado entre Estados Unidos e Argentina representa violação material da norma, e não apenas divergência interpretativa.

O conteúdo do acordo bilateral

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o acordo amplia significativamente o acesso de exportadores norte-americanos ao mercado argentino, ao mesmo tempo em que reforça compromissos regulatórios e sanitários.

Entre os principais pontos:

  • Eliminação de tarifas para 1.675 produtos argentinos exportados aos EUA, incluindo vinhos e limões;
  • Ampliação da cota de carne bovina argentina para 80 mil toneladas adicionais, além das 20 mil já existentes com tarifa reduzida;
  • Abertura do mercado argentino a produtos farmacêuticos, químicos, máquinas, itens de tecnologia, veículos e produtos agrícolas dos EUA;
  • Reconhecimento da autoridade sanitária norte-americana (FSIS) e compromisso de procedimentos transparentes pelo SENASA.

O acordo também inclui medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), cotas e compromissos regulatórios. Embora não altere formalmente a Tarifa Externa Comum do Mercosul, especialistas apontam que a equivalência sanitária combinada com cotas preferenciais configura, na prática, instrumento de acesso preferencial a mercado.

Precedente e risco de efeito dominó

A principal preocupação é o precedente. Caso o arranjo seja aceito sem contestação, outros setores podem seguir o mesmo modelo, esvaziando gradualmente a coordenação externa do bloco.

Analistas avaliam que o governo de Javier Milei aposta na limitada capacidade institucional do Mercosul de reagir e na resistência de países como Brasil, Paraguai e Uruguai em escalar o conflito político.

Ao mesmo tempo, os EUA, sob a liderança de Donald Trump, vêm priorizando acordos bilaterais funcionais, em detrimento de negociações bloco a bloco.

Brasil em encruzilhada: duas estratégias possíveis

Diante do cenário, o Brasil pode optar por dois caminhos distintos:

Estratégia defensiva

Consistiria em contestar formalmente a Argentina no âmbito do Mercosul, reforçando o princípio das negociações conjuntas e preservando a força normativa da Decisão 32/00.

O custo potencial é o desgaste diplomático bilateral, além da baixa probabilidade de reversão prática do acordo.

Estratégia ofensiva

Outra alternativa seria utilizar o precedente para ampliar a margem de manobra da política comercial brasileira, negociando acordos bilaterais semelhantes.

A vantagem seria maior flexibilidade estratégica. O risco, contudo, envolve o enfraquecimento explícito da coordenação externa do Mercosul e a abertura de espaço equivalente para Paraguai e Uruguai.

Impactos para a política comercial regional

A avaliação predominante é que o episódio ultrapassa um caso isolado. O acordo EUA-Argentina força o Brasil a definir sua posição diante de um precedente concreto.

Contestar o entendimento preserva a regra institucional, mas expõe limitações do bloco. Replicá-lo amplia opções comerciais, porém redefine, na prática, o alcance da política comercial comum.

A próxima reunião do Mercosul deve oferecer sinais sobre como os demais membros reagirão ao novo arranjo.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Infraestrutura portuária impulsiona exportações e consolida Brasil como líder global da carne bovina em 2025

O Brasil encerrou 2025 consolidado como o maior produtor e exportador mundial de carne bovina, ultrapassando os Estados Unidos e alcançando um marco histórico para o agronegócio nacional. O resultado foi sustentado pela eficiência da infraestrutura portuária, que respondeu ao aumento da produção com agilidade logística e capacidade operacional.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o país exportou 3,45 milhões de toneladas de carne bovina ao longo do ano, crescimento de 20,9% em relação a 2024.

Receita recorde e integração logística

O desempenho nas exportações gerou uma receita histórica de US$ 18 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 95 bilhões, representando um avanço de 39,31% frente aos US$ 12,8 bilhões registrados no ano anterior. O resultado reflete a integração entre o aumento da produtividade no campo e os investimentos na modernização dos portos brasileiros.

Estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais lideraram a produção, enquanto os terminais portuários garantiram o escoamento da carne bovina para mais de 170 países. Entre os principais destinos estão mercados de alta exigência sanitária, como China e União Europeia.

Portos ganham protagonismo no escoamento da proteína

A estrutura portuária foi decisiva para absorver o crescimento da demanda internacional. O Porto de Santos (SP) manteve a liderança nacional e movimentou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina em 2025, alta de 13,3% em comparação com o ano anterior.

O Porto de Paranaguá (PR) se destacou como o principal corredor de exportação de proteína animal congelada do país. O terminal registrou crescimento expressivo de 46,5% na movimentação de carne bovina, totalizando 1,2 milhão de toneladas no período.

Já o Porto de São Francisco do Sul (SC) consolidou-se como a terceira principal rota logística do setor, com aumento de 20% nos embarques e volume total de 180 mil toneladas.

Infraestrutura como diferencial competitivo

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os números confirmam que a infraestrutura logística se tornou um diferencial estratégico para o país. Segundo ele, o papel dos portos foi garantir que o crescimento da produção não encontrasse gargalos no escoamento.

“O agronegócio brasileiro bateu recordes de produção, e nosso desafio foi assegurar que essa mercadoria chegasse ao mercado internacional com eficiência. O desempenho de portos como Santos e Paranaguá mostra que o Brasil está preparado para sustentar o crescimento econômico”, afirmou o ministro.

Logística eficiente fortalece competitividade internacional

Além de sustentar o aumento do volume exportado, a eficiência logística também ajudou o setor a enfrentar desafios externos, como o avanço de tarifas impostas pelos Estados Unidos. A redução de custos operacionais e a agilidade nos embarques contribuíram para preservar a competitividade da carne bovina brasileira, além de viabilizar a ampliação das exportações para novos mercados na Ásia e no mundo árabe.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos / MDIC / Abiec

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: DIVULGAÇÃO MPOR

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Comércio Internacional

Acordo comercial entre Argentina e EUA amplia acesso a mercados e fortalece aliança política

A Argentina e os Estados Unidos firmaram nesta quinta-feira um amplo acordo comercial, considerado histórico por especialistas e visto como uma vitória política do presidente argentino Javier Milei. O entendimento aprofunda a relação bilateral com o presidente Donald Trump e marca a primeira vez que os dois países assinam um pacto dessa dimensão.

O acordo está alinhado à estratégia do governo Milei de promover a abertura da economia argentina, a terceira maior da América do Sul, por meio da redução de tarifas recíprocas e da ampliação das exportações argentinas, com destaque para a carne bovina.

Redução de tarifas e estímulo a investimentos

Segundo o chanceler argentino Pablo Quirno, os Estados Unidos eliminarão tarifas para mais de 1.600 produtos argentinos, medida que também busca atrair maior investimento americano no país, prioridade do atual governo para impulsionar o crescimento econômico e reforçar a entrada de dólares.

“Hoje, a Argentina enviou uma mensagem clara ao mundo: somos um parceiro confiável”, afirmou Quirno em publicação nas redes sociais.

Do lado argentino, o acordo prevê a eliminação de tarifas para mais de 200 produtos norte-americanos, incluindo máquinas, equipamentos de transporte e insumos farmacêuticos e químicos, informou o Ministério das Relações Exteriores. O movimento, no entanto, gera apreensão entre industriais argentinos, tradicionalmente protegidos por barreiras comerciais, enquanto defensores do livre mercado avaliam que a abertura é necessária.

Carne bovina no centro das atenções

Um dos pontos mais sensíveis do acordo é a ampliação do acesso da carne argentina ao mercado dos EUA. A cota de exportação foi elevada para 100 mil toneladas, volume cinco vezes maior que o anterior. O presidente Trump afirmou que a medida tem como objetivo reduzir os preços da carne para os consumidores americanos.

A decisão, porém, provocou reação negativa entre pecuaristas dos Estados Unidos. Para Bill Bullard, diretor executivo da R-Calf USA, associação que representa criadores americanos, a medida pode atrasar a recuperação do rebanho doméstico.

Impacto político e geopolítico

Analistas avaliam que o acordo vai além do comércio. Para o consultor argentino Marcelo Elizondo, o entendimento tem peso também no campo geopolítico, reforçando a aproximação entre os governos Milei e Trump. Ele lembrou ainda o apoio financeiro de cerca de US$ 20 bilhões concedido pelos EUA à Argentina antes das eleições legislativas do ano passado.

O governo argentino deverá encaminhar ao Congresso um projeto de lei para ratificação do acordo, exigência constitucional. Com a maioria conquistada nas eleições de meio de mandato, Milei tem posição fortalecida no Parlamento e pretende avançar com pautas estratégicas, como uma ampla reforma trabalhista.

Mercosul, União Europeia e tensões regionais

Paralelamente, o Congresso argentino deve discutir o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que poderá criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. A implementação, no entanto, segue travada por entraves jurídicos no continente europeu.

A assinatura do acordo com os EUA sem a participação dos demais países do Mercosul pode gerar atritos adicionais com o Brasil. Segundo Elizondo, a decisão tende a aprofundar o desgaste na relação entre Milei e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Cooperação ampliada entre os governos

A aproximação entre Buenos Aires e Washington também se estende a outras áreas. Nesta semana, os dois países assinaram um acordo sobre minerais críticos e negociam um entendimento que permitiria aos EUA deportar estrangeiros para a Argentina.

Dentro desse contexto, Milei é visto como um aliado estratégico de Trump na tentativa de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e conter o avanço da China na região. O presidente argentino deve viajar nos próximos dias para a Flórida, onde participará de um evento privado na residência de Trump, em Mar-a-Lago.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Doug Mills/The New York Times

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Exportação

Produção e exportações impulsionam o Brasil como líder global da pecuária

Em 2025, a pecuária brasileira atingiu um marco histórico: além de manter a liderança como maior exportador de carne bovina, o país superou os Estados Unidos e se tornou o maior produtor mundial pela primeira vez em décadas. Segundo dados do USDA compilados por consultorias privadas, o Brasil produziu 12,35 milhões de toneladas, contra 11,8 milhões de toneladas nos EUA.

O resultado reflete mudanças estruturais no setor, como aumento da produtividade, uso intensivo de tecnologia e reorganização do ciclo pecuário. Com participação de cerca de 20% da produção global de carne bovina, o país consolida seu papel estratégico na segurança alimentar internacional.

Fatores que impulsionaram a produção

A consultoria Athenagro aponta que parte do avanço se deve ao maior abate de fêmeas nos últimos anos, típico de ciclos de liquidação, que aumentou a oferta de carne no curto prazo. Além disso, ganhos de eficiência dentro da porteira elevaram o peso médio das carcaças e reduziram a idade ao abate, garantindo mais produção sem expansão do rebanho.

Liderança nas exportações

No mercado internacional, o Brasil também se destaca. Dados da Abiec mostram que as exportações de carne bovina somaram mais de 3,5 milhões de toneladas em 2025, atendendo mais de 150 países e registrando a maior receita da história. Segundo a associação, a cadeia da pecuária de corte movimenta bilhões de dólares, gera milhões de empregos e é pilar do superávit da balança comercial brasileira.

Desafios nos Estados Unidos

Enquanto o Brasil cresce, os EUA enfrentam dificuldades. O rebanho americano está no menor nível em cerca de 70 anos, afetado por secas severas que reduziram pastagens e elevaram custos de alimentação. O país se aproxima do segundo maior volume de importações de carne bovina da história, atrás apenas de 2004, ano marcado por casos de encefalopatia espongiforme bovina.

Segundo Hyberville Neto, diretor da HN Agro, a situação atual reflete uma inversão histórica: “Mais de duas décadas depois, os EUA aumentam importações, enquanto o Brasil alcança seu recorde de exportações”.

China: motor da expansão

A China foi responsável por quase metade do faturamento e do volume das exportações brasileiras em 2025, com mais de 1,5 milhão de toneladas importadas, segundo a Athenagro. A demanda chinesa estimulou investimentos em tecnologia, ampliação da produção e ajustes nos sistemas produtivos, especialmente para o boi jovem, abatido antes dos 30 meses, reduzindo o ciclo pecuário e aumentando o giro de capital.

A relação entre Brasil e China se tornou central no comércio internacional de carne bovina, permitindo que o país respondesse rapidamente a aumentos de demanda e se consolidasse como fornecedor estratégico de proteína animal.

Tecnologias e sistemas produtivos avançados

O crescimento da pecuária brasileira também está ligado à adoção de sistemas intensivos e semi-intensivos, onde o gado é terminado em áreas controladas com alimentação balanceada, acelerando ganho de peso e reduzindo tempo até o abate.

O aprimoramento da genética tropicalizada, especialmente da raça Nelore e cruzamentos industriais, aumentou a eficiência alimentar e o rendimento de carcaça. A integração lavoura-pecuária transformou áreas degradadas em sistemas produtivos de alta eficiência, elevando a taxa de lotação e reduzindo a necessidade de novas áreas.

Projeções da HN Agro indicam que, em 2026 e 2027, o Brasil pode iniciar uma fase de ajuste do rebanho, enquanto os EUA começam a estabilizar seu plantel, ainda que lentamente. A diferença estrutural entre os dois sistemas, porém, permanece significativa.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: karandaev/GettyImages

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Importação

China suspende importação de carne bovina da Irlanda após confirmação de doença

A China suspendeu a importação de carne bovina da Irlanda após a confirmação de casos da doença da língua azul no rebanho do país europeu. A decisão foi anunciada apenas duas semanas depois de Pequim ter reaberto seu mercado ao produto irlandês, encerrando um bloqueio que já durava mais de um ano.

Detecção da doença aciona alerta sanitário

A confirmação foi feita nesta quarta-feira (28) pelo Ministério da Agricultura da Irlanda. Segundo o órgão, o primeiro foco da doença foi identificado no último sábado em um rebanho localizado no sudeste do país. Após a notificação oficial, as autoridades chinesas informaram que a suspensão das compras entrou em vigor a partir de terça-feira.

Nos dias seguintes, novos casos do vírus da língua azul foram detectados em outros três rebanhos da mesma região, ampliando o alerta sanitário e reforçando a decisão chinesa de interromper temporariamente as importações.

Doença não afeta humanos, mas impacta o comércio

A língua azul atinge bovinos, ovinos e outros ruminantes e é transmitida por insetos. Apesar de não representar risco à saúde humana, a enfermidade provoca restrições sanitárias que afetam diretamente o comércio internacional de carnes, especialmente em mercados rigorosos como o chinês.

Reabertura recente do mercado chinês

A China havia retomado as importações de carne bovina irlandesa no dia 12 de janeiro, durante uma visita oficial do primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, a Pequim. A liberação ocorreu após a revogação de uma proibição imposta em 2024, quando foi registrado um caso de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como mal da vaca louca, no país.

Governo irlandês tenta reverter decisão

Em comunicado, o ministro da Agricultura da Irlanda, Martin Heydon, classificou a nova suspensão como um revés para o setor. Ele afirmou que o governo mantém diálogo permanente com as autoridades sanitárias chinesas, com o objetivo de conter a disseminação da doença e retomar as exportações o mais rápido possível.

A China é um dos maiores importadores de carne bovina do mundo e ocupa posição estratégica no comércio global do setor, o que torna qualquer restrição sanitária especialmente relevante para países exportadores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Helena Lopes/Unsplash

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Informação

Mato Grosso registra recorde de abate bovino em 2025 com 7,46 milhões de cabeças

O Mato Grosso encerrou 2025 consolidando a liderança nacional na produção de carne bovina, ao alcançar o maior volume de abate de bovinos de sua história. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) apontam que 7,46 milhões de animais foram abatidos ao longo do ano, resultado 1,44% superior ao registrado em 2024.

Dezembro registra forte movimentação nos frigoríficos

Somente no mês de dezembro, as unidades processadoras do estado receberam 607,93 mil cabeças, refletindo o ritmo aquecido da cadeia produtiva e a boa disponibilidade de animais prontos para o abate.

Oferta e mercado externo sustentam o desempenho

O resultado histórico foi impulsionado pela maior oferta de bovinos terminados e pelo crescimento da demanda internacional por carne bovina brasileira. O avanço dos sistemas de intensificação, como confinamento, semiconfinamento e Terminação Intensiva a Pasto (TIP), teve papel decisivo na sustentação do volume ao longo do ano.

Intensificação garante regularidade da produção

Conforme análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada em boletim semanal, esses sistemas produtivos asseguraram a regularidade necessária para atender à alta da demanda externa por proteína bovina, especialmente em mercados mais exigentes.

Abate de animais jovens atinge patamar histórico

Outro destaque do balanço anual é o avanço da precocidade do rebanho. Em 2025, o abate de bovinos jovens — machos e fêmeas com até 24 meses — totalizou 3,22 milhões de cabeças, um crescimento de 17,55% em relação ao ano anterior, configurando também um recorde estadual.

Participação de animais jovens cresce no total

Com esse avanço, os bovinos jovens passaram a representar 43,24% do total de abates em Mato Grosso, um aumento de 5,93 pontos percentuais na comparação anual. O movimento reflete os investimentos dos pecuaristas em genética, nutrição e eficiência produtiva, alinhados às exigências de mercados que priorizam carcaças de melhor acabamento e menor idade.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Exterior

Petróleo bruto lidera exportações brasileiras pelo segundo ano consecutivo

O petróleo bruto voltou a ocupar o topo do ranking das exportações brasileiras em 2025, mantendo a liderança pelo segundo ano seguido. As vendas do produto ao mercado externo somaram US$ 44,67 bilhões, mesmo diante de um cenário de queda nos preços internacionais da commodity.

Petróleo segue no topo da pauta exportadora

Apesar de ter sido poupado da tarifa adicional de 40% imposta pelos Estados Unidos, o petróleo brasileiro registrou leve retração nas exportações. O recuo foi de 0,7% em relação a 2024, quando o valor negociado chegou a US$ 44,96 bilhões.

A principal pressão veio da desvalorização do petróleo tipo Brent, referência global de preços, que acumulou queda superior a 18% ao longo do ano.

Produção nacional de petróleo cresce quase 14%

Mesmo com o recuo nos preços, a produção de petróleo no Brasil apresentou avanço significativo. Em novembro, o país produziu 3,773 milhões de barris por dia, volume 13,9% maior na comparação com o mesmo mês de 2024.

Soja mantém força e ocupa a segunda posição

A soja aparece como o segundo produto mais exportado pelo Brasil em 2025, com faturamento de US$ 43,54 bilhões. O resultado representa uma alta de 1,4% em relação ao ano anterior.

Historicamente, o grão tem papel central na balança comercial brasileira, tendo liderado as exportações entre 2016 e 2020, além dos períodos de 2022 a 2023.

Minério de ferro e carne bovina completam o ranking

O minério de ferro ficou na terceira colocação entre os principais itens exportados, com US$ 28,96 bilhões em vendas externas. O desempenho representa um recuo de 3% frente a 2024. Ainda assim, o produto segue como um dos pilares da pauta exportadora, tendo liderado o ranking em 2021.

Já a carne bovina brasileira teve forte crescimento no comércio internacional. As exportações alcançaram US$ 16,61 bilhões em 2025, uma alta expressiva de 42,5% na comparação anual.

Exportações brasileiras batem recorde histórico

No total, as exportações do Brasil atingiram US$ 348,7 bilhões em 2025, estabelecendo um novo recorde. O avanço foi de 3,5% em relação ao ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Exportação

Brasil reage às cotas chinesas sobre carne bovina e tenta conter perdas bilionárias

O Brasil reagiu às cotas impostas pela China à carne bovina e iniciou uma ofensiva diplomática e comercial para reduzir os impactos da medida sobre o setor exportador. As restrições chinesas colocam em risco um dos principais eixos do comércio bilateral e podem gerar perdas bilionárias já a partir de 2026.

Em nota divulgada na quarta-feira (31), os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), da Agricultura e Pecuária (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE) informaram que acompanham a decisão “com atenção” e que atuarão de forma integrada com o setor privado para defender os interesses da cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

Diálogo bilateral e possível atuação na OMC

Segundo o governo, o tema será tratado tanto no diálogo bilateral com Pequim quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora as salvaguardas não tenham sido justificadas por práticas desleais, como dumping ou subsídios ilegais, autoridades brasileiras avaliam que a iniciativa gera distorções relevantes em um mercado no qual o Brasil se consolidou como fornecedor estratégico.

O comunicado oficial ressalta que as medidas chinesas são aplicáveis a importações de todas as origens, mas o impacto sobre o Brasil tende a ser mais expressivo devido ao elevado volume exportado ao país asiático.

Cotas e sobretaxa afetam volumes e preços

As restrições chinesas à carne bovina entraram em vigor no dia 1º e terão validade inicial de três anos. As novas regras fixam uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para as importações do produto brasileiro. O volume que ultrapassar esse limite será taxado com uma sobretaxa de 55%, além da tarifa de importação de 12% já existente.

A combinação de cotas e tarifas deve afetar diretamente os volumes embarcados e a formação de preços, reduzindo a competitividade da carne brasileira no mercado chinês.

China é principal destino da carne brasileira

A China ocupa atualmente a posição de maior importador mundial e segundo maior consumidor de carne bovina, atrás apenas dos Estados Unidos. Nos últimos anos, tornou-se o principal destino das exportações brasileiras, com influência decisiva sobre os preços internacionais do produto.

Em 2024, mais de um terço da carne bovina exportada pelo Brasil teve como destino o mercado chinês, evidenciando o grau de dependência comercial do setor em relação ao país asiático.

Setor estima perdas de até US$ 3 bilhões

Para a indústria brasileira, o impacto financeiro pode ser expressivo. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estima que as salvaguardas impostas pela China possam resultar em uma perda de até US$ 3 bilhões em receita em 2026, caso não haja flexibilização das regras ou redirecionamento relevante das exportações.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Ladeira/Folhapress

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Exportação

Tarifa de importação de carne bovina pela China: impactos e desafios para o Brasil

A decisão da China de impor uma tarifa adicional de 55% sobre a importação de carne bovina acima de determinados volumes deve trazer efeitos relevantes para o mercado brasileiro a partir de 2026. O país asiático estabeleceu cotas anuais livres da sobretaxa, o que limita o crescimento das exportações brasileiras e pode pressionar preços e estratégias comerciais no médio prazo.

Cotas de exportação e limites impostos pela China

De acordo com as regras anunciadas, o Brasil poderá exportar para a China, sem a tarifa adicional, 1,106 milhão de toneladas de carne bovina em 2026. Esse volume sobe levemente para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028, números bem abaixo do desempenho recente do país.

Em 2025, até novembro, o Brasil já havia exportado 1,49 milhão de toneladas para o mercado chinês. Em dezembro de 2024, os embarques somaram 113,94 mil toneladas, e a expectativa é que o total de 2025 fique entre 1,65 e 1,75 milhão de toneladas, cerca de 50% acima da cota prevista para 2026.

Quando a tarifa deve começar a pesar

A média mensal de exportações brasileiras para a China em 2025 foi de 138,26 mil toneladas até novembro. Mantido esse ritmo, a cota anual deve ser atingida entre agosto e setembro de 2026, momento em que a tarifa adicional começaria a ser aplicada.

Esse cenário tende a ser ainda mais sensível porque a demanda chinesa por carne bovina costuma ser maior no segundo semestre do ano. Até lá, há espaço para negociações diplomáticas e comerciais entre os governos.

Espaço para negociação e comparação com outros países

Outros exportadores, como a Argentina, receberam cotas superiores ao volume que vinham exportando, enquanto o Brasil ficou abaixo de seu histórico recente. Isso indica margem para revisão das condições impostas e reforça o papel da negociação bilateral.

Impacto financeiro da tarifa

Caso a tarifa seja aplicada sobre cerca de 600 mil toneladas, o impacto financeiro pode chegar a aproximadamente US$ 2,9 bilhões, considerando o preço médio de US$ 4,78 por quilo registrado em 2025. No entanto, esse efeito só deve ser sentido de forma mais clara a partir da segunda metade de 2026.

China segue como principal destino da carne bovina brasileira

Mesmo com a nova política, a China segue como o maior comprador da carne bovina brasileira. Em 2025, até novembro, o país respondeu por 53,8% das exportações totais. Apesar do volume recorde, essa participação é menor do que a observada em 2022 e 2023, indicando crescimento mais acelerado das vendas para outros mercados.

Demanda chinesa continua elevada

A demanda chinesa por carne bovina segue estruturalmente forte. O país importa cerca de 4 milhões de toneladas em equivalente carcaça, enquanto sua produção cresce apenas cerca de 2,1% ao ano. Entre 2020 e 2026, a produção deve avançar 12,5%, enquanto o consumo deve crescer 19%, ampliando a dependência de importações.

Efeitos no mercado global e oportunidades para o Brasil

A imposição da tarifa pode elevar a inflação de alimentos na China, o que aumenta a probabilidade de ajustes futuros na política comercial. Experiências anteriores mostram que barreiras tarifárias tendem a redistribuir fluxos: quando os Estados Unidos taxaram produtos brasileiros, outros mercados, como o México, ampliaram suas compras.

Nesse contexto, a diversificação de destinos torna-se estratégica. Países como Estados Unidos, Rússia, Indonésia e membros da União Europeia já ampliam sua participação nas compras de carne bovina brasileira.

Perspectivas para o preço do boi gordo

No curto prazo, a medida tende a gerar incerteza e pressão sobre o preço do boi gordo. Contudo, no médio e longo prazo, a redução da oferta de animais para abate e a expectativa de demanda global mais firme devem sustentar a valorização da arroba.

A decisão chinesa pode, paradoxalmente, acelerar a diversificação de mercados e reduzir a dependência brasileira de um único comprador, fortalecendo o poder de negociação do país no comércio internacional de carne bovina.

FONTE: Farm News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Farm News

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