Internacional

Marrocos deve fornecer 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes ao Brasil

O Brasil está prestes a firmar um acordo com o Marrocos para ampliar o fornecimento de fertilizantes, em uma tentativa de reduzir os riscos de desabastecimento provocados pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

O compromisso deverá ser formalizado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, durante viagem a Rabat, no início da próxima semana. A previsão é de que os primeiros embarques ocorram já nos próximos dias.

Pelo entendimento, o país africano deverá garantir o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao Brasil. O volume corresponde a aproximadamente 76% do déficit de 5 milhões de toneladas estimado pelo governo brasileiro para a safra 2026/27.

Primeiro embarque de fertilizantes deve ocorrer na próxima semana

A expectativa do governo é que o acordo tenha efeitos imediatos sobre o abastecimento de fertilizantes no Brasil. De acordo com André de Paula, a primeira carga marroquina deve ser enviada ao país já na próxima semana.

A missão brasileira contará com representantes de 12 entidades do agronegócio, entre elas Aprosoja e Abramilho.

O ministro afirmou que o risco de falta do insumo está afastado e destacou que a busca por fornecedores ganhou importância diante dos problemas logísticos provocados pelos conflitos internacionais.

Cerca de 92% dos fertilizantes utilizados pela agricultura brasileira são importados, o que deixa o país exposto a interrupções nas cadeias globais de fornecimento.

Guerras aumentam preocupação com oferta de fertilizantes

Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio afetaram rotas estratégicas de transporte e elevaram a preocupação dos países importadores com a disponibilidade de insumos agrícolas.

No caso brasileiro, a questão é especialmente relevante porque o calendário de plantio depende da chegada dos fertilizantes às regiões produtoras.

Diante desse cenário, o governo adotou uma estratégia baseada em duas frentes. A primeira é encontrar fornecedores capazes de atender à demanda no curto prazo. A segunda envolve ampliar a produção nacional de fertilizantes para diminuir a dependência do mercado externo no longo prazo.

Petrobras retoma produção nacional

Como parte da estratégia de redução da dependência externa, o governo trabalha na retomada de unidades de produção de fertilizantes no Brasil.

Três fábricas da Petrobras já foram reabertas, enquanto uma quarta unidade, localizada em Mato Grosso do Sul, ainda está em processo de retomada.

O aumento da produção doméstica deve contribuir para reduzir a vulnerabilidade brasileira, mas não eliminará a necessidade de importações. Isso ocorre principalmente em relação a produtos que têm produção limitada ou inexistente no país, como determinados fertilizantes fosfatados.

A Rússia continua entre os principais fornecedores internacionais do insumo para o Brasil.

China também amplia fornecimento ao agronegócio

Antes do acordo com o Marrocos, a China já havia aumentado os envios de fertilizantes para o mercado brasileiro.

Segundo André de Paula, uma missão realizada no início do ano ajudou a consolidar a ampliação do fornecimento de fertilizantes nitrogenados e NPK.

Agora, o governo busca estabelecer uma parceria semelhante com o Marrocos, país que possui grandes reservas de fosfato e vem sendo procurado por outras nações interessadas em garantir o abastecimento.

Brasil também negocia tarifa zero para carne bovina

A agenda da missão brasileira no Marrocos inclui ainda uma negociação para ampliar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado daquele país.

Representantes de importantes entidades do setor acompanharão a viagem, incluindo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Embora o mercado marroquino esteja formalmente aberto ao produto brasileiro, uma tarifa de importação de 220% torna as vendas praticamente inviáveis. A negociação prevê a retirada dessa cobrança, o que aumentaria a competitividade da carne brasileira.

Mercado marroquino pode abrir portas na África

O Ministério da Agricultura e Pecuária estima que o Marrocos tenha demanda anual de aproximadamente 100 mil a 150 mil toneladas de carne bovina.

Apesar de ser um mercado menor quando comparado a outros grandes compradores internacionais, o governo brasileiro considera o país estrategicamente importante por sua localização e pelo potencial de servir como porta de entrada para outros mercados africanos.

Dados do Agrostat mostram que o Brasil exportou 9,5 mil toneladas de carne para o Marrocos em 2025, gerando receita de US$ 27,7 milhões.

Brasil busca diversificar mercados para o agronegócio

Para o governo brasileiro, a importância da aproximação com o Marrocos vai além do volume de fertilizantes ou do tamanho do mercado de carne.

A estratégia faz parte de um esforço para ampliar a presença do agronegócio brasileiro em novos mercados e reduzir a dependência de parceiros específicos, especialmente em um momento de incertezas no comércio internacional.

Segundo André de Paula, a abertura de novos destinos comerciais é uma forma de diversificar as exportações brasileiras e diminuir a exposição a eventuais restrições ou dificuldades em mercados tradicionais, como a União Europeia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Importação

Brasil pode ficar com até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos EUA

O Brasil pode conquistar uma fatia de até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos Estados Unidos. A medida anunciada pelo presidente americano Donald Trump prevê a entrada adicional de até 300 mil toneladas do produto no mercado dos EUA durante um período de 90 dias.

Pelas estimativas do setor, os frigoríficos brasileiros podem responder por algo entre 90 mil e 120 mil toneladas desse volume. Se a projeção se confirmar, o país terá participação relevante na ampliação das importações americanas.

A iniciativa do governo Trump busca aumentar a oferta de carne bovina nos Estados Unidos e, consequentemente, contribuir para a redução dos preços ao consumidor. Um dos focos é a carne moída utilizada na preparação de hambúrgueres.

Redução do rebanho americano favorece importações

Os Estados Unidos atravessam um período de redução do rebanho bovino, cenário que restringiu a disponibilidade de carne e contribuiu para a alta dos preços.

Para estimular a recomposição da pecuária doméstica, o governo americano também adotou medidas de incentivo aos produtores. No entanto, a recuperação do rebanho exige tempo. Enquanto isso, as importações de carne bovina aparecem como alternativa para ampliar a oferta no curto prazo.

A avaliação é de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. Para ele, o Brasil parte de uma posição competitiva devido à dimensão de sua indústria frigorífica e ao número de estabelecimentos autorizados a vender carne para o mercado americano.

Nova cota é diferente do limite já utilizado pelo Brasil

A nova medida não deve ser confundida com a cota que atualmente regula parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Hoje, o Brasil dispõe de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas que permite a entrada de carne no mercado americano sem a tarifa adicional. De acordo com Iglesias, esse limite foi completamente utilizado em apenas 15 dias.

Depois que a cota é esgotada, os frigoríficos brasileiros ainda podem exportar para os EUA, mas o produto passa a sofrer uma tarifa adicional de 26,4%.

Entre janeiro e agosto, os Estados Unidos importaram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando US$ 1,74 bilhão. O resultado representa crescimento de 28,7% em relação ao mesmo período de 2025.

A nova cota de até 300 mil toneladas, válida por 90 dias, cria uma oportunidade adicional para os exportadores que conseguirem ocupar esse espaço sem a cobrança da tarifa extra.

Brasil aparece entre os principais candidatos

Nem todos os grandes fornecedores de carne dos Estados Unidos disputarão diretamente a nova cota. A Argentina, por exemplo, possui mecanismos próprios de acesso ao mercado americano.

Entre os principais países fornecedores de carne bovina aos EUA estão:

  • Brasil;
  • Austrália;
  • Canadá;
  • México;
  • Nova Zelândia.

Na avaliação de Iglesias, Paraguai e países da América Central estão entre os concorrentes que podem disputar mais diretamente o novo volume com o Brasil.

O país, entretanto, possui vantagens competitivas importantes, principalmente pela capacidade de sua indústria frigorífica e pela quantidade de unidades habilitadas a exportar para os Estados Unidos.

Isso não significa que as 300 mil toneladas serão distribuídas proporcionalmente entre os países. Na prática, os exportadores terão de disputar espaço com base na capacidade de atender à demanda e, principalmente, nos preços oferecidos aos compradores americanos.

Preço dos trimmings pode ser decisivo

Apesar da oportunidade, existe uma questão importante para os frigoríficos brasileiros: o tipo de carne que os Estados Unidos estão buscando.

A demanda está concentrada nos chamados trimmings, cortes e aparas retirados durante o processamento das carcaças e utilizados, entre outras aplicações, na produção de carne moída.

Como esse produto possui menor valor agregado e representa apenas uma parcela da carcaça, os frigoríficos precisam avaliar se a exportação para os EUA é financeiramente vantajosa.

O cálculo envolve o preço oferecido pelos compradores americanos, os custos de exportação e o retorno que o frigorífico poderia obter ao direcionar o mesmo animal para outros mercados.

Segundo Iglesias, as empresas ainda analisam esses fatores antes de definir o quanto poderão destinar aos Estados Unidos.

Alta dos preços pode limitar a operação

Outro ponto de atenção é o equilíbrio entre oferta e preço. Se os valores da carne subirem demais, a operação pode perder atratividade para os compradores americanos.

Nesse cenário, a própria finalidade da nova cota pode ser prejudicada. O objetivo do governo dos Estados Unidos é justamente ampliar a disponibilidade de carne e ajudar a reduzir os preços no mercado interno.

Para o Brasil, portanto, a nova cota representa uma oportunidade de ampliar as exportações, mas a efetiva participação no volume adicional dependerá da competitividade dos frigoríficos e das condições comerciais oferecidas aos importadores americanos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

Ler Mais
Comércio Exterior

China pode ampliar exportações de frango e disputar mercado com o Brasil, diz Rabobank

A China deve ampliar as exportações de carne de frango nos próximos anos e poderá se tornar uma concorrente mais forte do Brasil no mercado internacional da proteína. A avaliação é de Chenjun Pan, especialista em carnes do Rabobank, que vê possibilidade de maior disputa entre os dois países em mercados como Oriente Médio, Ásia e África ao longo da próxima década.

A mudança ocorre em um cenário no qual a China, atualmente o principal destino da carne de frango brasileira, passou a ser exportadora líquida da proteína em 2025. O movimento está relacionado principalmente ao aumento da oferta de cortes menos consumidos pelos chineses, como o peito de frango.

China começa a ganhar espaço nas exportações de frango

Segundo Pan, ainda não há uma concorrência direta em grande escala com o Brasil, mas o cenário pode mudar nos próximos anos.

A especialista considera que as exportações chinesas de carne de frango in natura apresentam potencial de crescimento, especialmente porque o país passou a vender maiores volumes de cortes como peito de frango no mercado externo.

A China já exportava produtos avícolas há anos, mas historicamente sua presença internacional estava mais concentrada em carne de frango processada. O avanço recente dos embarques de produtos in natura representa uma mudança importante na estratégia do setor.

Brasil ainda lidera mercado global

A China é atualmente o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo com o crescimento recente, sua participação nas exportações ainda está muito abaixo da brasileira.

Em 2025, a China exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango, segundo relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No mesmo ano, o Brasil manteve a liderança mundial e atingiu o recorde de 5,3 milhões de toneladas exportadas.

A diferença mostra a distância que ainda separa os dois países, embora o avanço da produção chinesa possa alterar a dinâmica do comércio internacional nos próximos anos.

Hábitos de consumo geram excedentes exportáveis

Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento das exportações chinesas é o perfil de consumo doméstico.

Segundo Pan, os consumidores chineses demonstram maior preferência por asas e pés de frango, enquanto o peito tem menor procura no mercado interno. Com o aumento da produção, esse desequilíbrio gera excedentes de determinados cortes que podem ser direcionados para outros países.

A produção chinesa vem crescendo em ritmo próximo de 10%, enquanto a demanda doméstica avança mais lentamente.

Entre os destinos das exportações chinesas estão Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.

União Europeia, Japão e Coreia do Sul seguem fora da disputa

Apesar da expansão, a China ainda encontra restrições importantes em alguns dos principais mercados consumidores de frango.

A União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul não aceitam carne proveniente de aves vacinadas contra a gripe aviária. A China utiliza a vacinação como parte de sua estratégia para reduzir os impactos da doença, o que limita o acesso de seus produtos a esses mercados.

Por isso, a competição com o Brasil tende a ser mais relevante em regiões que aceitam a carne chinesa, como partes da Ásia, África e Oriente Médio.

Produção chinesa cresce mais de 9% no primeiro semestre

A expansão da oferta continua acelerada. No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de carne de frango aumentou mais de 9% na comparação anual, depois de crescer cerca de 7% em 2025.

Para Pan, o ritmo de expansão da produção supera o crescimento da demanda doméstica.

Esse cenário aumenta a disponibilidade de proteína para o mercado externo e reforça a possibilidade de crescimento das exportações chinesas.

Estratégia busca reduzir dependência da carne suína

O aumento da produção de frango também está relacionado à política chinesa de diversificação das fontes de proteína animal.

O governo busca reduzir a dependência da carne suína, que ocupa posição central na alimentação do país e tem a China como maior mercado consumidor mundial.

Durante a crise provocada pela peste suína africana, entre 2019 e 2021, a redução da oferta de carne suína provocou forte alta nos preços. A valorização da proteína também beneficiou o mercado de frango e estimulou novos investimentos na avicultura chinesa.

Com a expansão da produção, a participação do frango no mercado chinês de carnes chegou a aproximadamente 28%.

Frango também é estratégico para reduzir uso de ração

Outro fator considerado pelo governo chinês é a eficiência da produção de frango em relação à suinocultura.

A criação de aves demanda menos milho e farelo de soja para produzir uma determinada quantidade de proteína. A característica ganha importância diante do esforço de Pequim para diminuir a dependência das importações de grãos destinados à alimentação animal.

Na avaliação do Rabobank, uma eventual migração do consumo para proteínas que utilizam menos ração, combinada à expectativa de redução da produção de carne suína, pode limitar o crescimento futuro da demanda chinesa por soja.

Carne bovina pode ganhar espaço no mercado chinês

Enquanto o mercado de frango enfrenta forte expansão da oferta, a carne bovina apresenta perspectivas diferentes.

Pan considera que o consumo chinês de carne bovina ainda tem espaço para crescer no futuro. Atualmente, porém, o mercado enfrenta restrições relacionadas à oferta e às condições de importação.

Entre os fatores que afetam o Brasil estão as tarifas de importação extracota aplicadas à carne bovina brasileira e de outros países.

Brasil pode encontrar novas oportunidades após 2028

Segundo a especialista, as tarifas mais elevadas devem permanecer até 2028. Depois desse período, o cenário poderá oferecer novas oportunidades aos exportadores brasileiros.

A perspectiva está relacionada também à mudança no perfil do consumidor chinês, que tende a buscar produtos com maior processamento e valor agregado.

Nesse contexto, embora a China possa aumentar sua presença como exportadora de frango, o mercado chinês continuará sendo estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente se o Brasil conseguir avançar na oferta de proteínas e produtos de maior valor agregado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Keiny Andrade/Folhapress

Ler Mais
Comércio Internacional

Brasil contesta restrições da União Europeia a proteínas animais e alerta para impacto no acordo Mercosul-UE

O governo brasileiro manifestou preocupação com o início da implementação de restrições da União Europeia (UE) à entrada de produtos brasileiros de proteína animal no mercado europeu. A medida tem como base o Regulamento (UE) 2019/6, relacionado ao uso de antimicrobianos.

Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmaram que o Brasil mantém diálogo político e técnico com as autoridades europeias para buscar a continuidade dos fluxos comerciais.

Segundo o governo, desde a decisão da União Europeia, tomada em 12 de maio de 2026, foram realizadas reuniões e tratativas com representantes do bloco. O Brasil também apresentou documentação e informações adicionais sobre os controles adotados nas cadeias de carne de aves, pescados, carne bovina, ovos e mel.

Auditoria avalia controles brasileiros

Como parte das negociações, o Brasil concordou com a realização de uma auditoria nas cadeias de carne de aves e mel. A missão europeia começou em 24 de agosto e tem conclusão prevista para esta sexta-feira (4).

Durante a auditoria, equipes técnicas brasileiras apresentam aos representantes europeus os procedimentos de controle e fiscalização adotados no país, incluindo a estrutura e o funcionamento do sistema oficial de defesa agropecuária.

O governo brasileiro reforçou que considera sólido o sistema nacional de defesa agropecuária e destacou que os produtos brasileiros são exportados para mais de 150 países.

O Brasil também argumenta que sua posição como um dos principais fornecedores de proteína animal para o mercado europeu demonstra a conformidade histórica das exportações brasileiras com os padrões exigidos pelo bloco.

Governo vê risco de impacto nas negociações Mercosul-UE

Além da questão sanitária e regulatória, Brasília relaciona as novas restrições às negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

De acordo com o governo brasileiro, os produtos atingidos pelas medidas europeias estavam contemplados em quotas e reduções tarifárias negociadas no acordo. Por isso, a exclusão desses produtos do mercado europeu poderia reduzir parte dos ganhos obtidos pelo Brasil durante as negociações.

Na avaliação do governo, a manutenção das restrições pode alterar o equilíbrio das concessões que permitiu a conclusão das negociações do acordo.

A posição brasileira é de que a solução seja construída a partir de critérios científicos, transparência e diálogo técnico, sem influência de medidas de caráter protecionista.

Brasil admite adoção de medidas de reciprocidade

O governo também elevou o tom em relação à possibilidade de prolongamento do impasse. Na nota, Brasil afirma que, caso as tratativas não resultem em uma solução considerada satisfatória, poderá recorrer aos instrumentos previstos na legislação nacional e nos acordos internacionais aplicáveis.

Entre as possibilidades citadas estão medidas de reciprocidade previstas no ordenamento jurídico brasileiro, mecanismos estabelecidos no futuro Acordo Mercosul-União Europeia e instrumentos disponíveis no sistema multilateral de comércio.

A disputa ocorre em um momento estratégico para as relações comerciais entre Brasil e União Europeia, especialmente diante da relevância do mercado europeu para as exportações brasileiras de produtos agropecuários.

O governo brasileiro afirma que continuará trabalhando para que as restrições sejam revistas e para preservar condições equilibradas de acesso ao mercado europeu para os produtos de proteína animal produzidos no país.

Fonte: Mapa
Texto: Redação
Imagem: Arquivo ReConecta News

Ler Mais
Agronegócio

Veto da União Europeia ao agro brasileiro pode gerar impacto de US$ 2 bilhões nas exportações

A União Europeia (UE) começa a suspender nesta quinta-feira (3) a entrada de produtos de origem animal provenientes do Brasil. A decisão foi tomada diante da falta de comprovação considerada suficiente sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

A restrição atinge carne bovina, carne de frango, ovos, mel e pescados e pode provocar perdas próximas de US$ 2 bilhões em exportações ao longo de um ano.

Por que a União Europeia suspendeu as compras do Brasil?

A União Europeia mantém regras rígidas para o uso de antimicrobianos na produção de alimentos de origem animal. O bloco veta substâncias utilizadas como promotores de crescimento e também medicamentos que tenham aplicação no tratamento de infecções humanas.

A política busca reduzir a resistência antimicrobiana, considerada um dos principais desafios sanitários globais, além de diminuir o risco de surgimento das chamadas superbactérias.

A proibição da entrada de alimentos produzidos com o uso dessas substâncias foi definida pela UE em 2019 e regulamentada em 2023. O Brasil recebeu o alerta sobre as novas exigências há sete anos, mas não conseguiu implementar a tempo mecanismos capazes de demonstrar o cumprimento das normas europeias.

Brasil tentou evitar a interrupção das exportações

Nos últimos meses, o governo brasileiro intensificou as negociações técnicas e diplomáticas para tentar impedir a suspensão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou diretamente das tratativas, mas as iniciativas não foram suficientes para alterar a decisão anunciada pelos europeus em maio.

Com a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer esses produtos ao bloco, a exportação de carne bovina para a Europa pode permanecer interrompida até 2028.

No caso do frango brasileiro, entretanto, existe a possibilidade de uma retomada ainda em 2026, dependendo do resultado das avaliações realizadas pelos técnicos europeus.

Protocolo para bovinos não evitou o bloqueio

Para tentar cumprir as exigências, o Brasil apresentou um protocolo privado destinado a certificar bovinos livres de antimicrobianos, posteriormente homologado pelo Ministério da Agricultura.

A proposta brasileira previa um período de transição, durante o qual as exportações continuariam enquanto os mecanismos de controle fossem ampliados. A União Europeia, porém, rejeitou o pedido.

Frigoríficos e produtores começaram a aderir ao protocolo, mas a medida não produz efeitos imediatos. Isso ocorre porque são necessários cerca de dois anos entre o nascimento e o abate dos animais.

Dessa forma, caso o mercado europeu permaneça fechado para a carne bovina brasileira até 2028, os frigoríficos podem acumular perdas de aproximadamente US$ 2 bilhões.

Fiscalização do frango passa por avaliação europeia

O governo brasileiro também colocou em funcionamento, em 1º de julho, um novo procedimento de fiscalização das cadeias produtivas. Na avicultura, foi acrescentada uma etapa adicional de controle.

Essas medidas estão sendo avaliadas por uma missão técnica da União Europeia, que está no Brasil desde a semana passada. A inspeção inclui o sistema de produção de frango e também visitas a empresas exportadoras de mel e produtos apícolas.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que a avaliação europeia ocorre de forma satisfatória. Segundo a entidade, o setor avícola brasileiro já atende integralmente aos requisitos estabelecidos pela UE.

Frango pode voltar ao mercado europeu ainda em 2026

A expectativa do setor é de que a missão técnica aprove os procedimentos adotados pelo Brasil e recomende a volta do país à lista de exportadores autorizados.

A decisão caberá ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, que poderá analisar o caso em uma reunião prevista para novembro.

O impacto sobre a cadeia de frango também tende a ser menor porque os exportadores brasileiros aumentaram os embarques para a Europa nos últimos meses, antecipando uma possível suspensão.

Importadores europeus chegaram a reforçar seus estoques. Segundo uma fonte do setor, as reservas seriam suficientes para cobrir pelo menos o mês de setembro.

Além disso, a União Europeia deverá aceitar os produtos que foram certificados no Brasil até 2 de setembro. Por isso, a interrupção das compras não necessariamente terá efeito imediato sobre os embarques.

Entre janeiro e julho, o Brasil exportou quase 226,5 mil toneladas de frango para a Europa, volume 73,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Brasil pode recorrer à OMC e adotar retaliações

Com a entrada em vigor da medida, o governo brasileiro poderá avaliar ações de reciprocidade contra produtos europeus. Entre as possibilidades estão restrições a azeites e produtos lácteos da Europa.

O país também pode recorrer aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

O ministro da Agricultura, André de Paula, classificou como “inadmissível” a exclusão do Brasil da lista de exportadores e mantém a expectativa de que o país consiga recuperar o acesso ao mercado europeu ainda neste ano.

Segundo declarações recentes do ministro, o impasse passou a depender principalmente de negociações diplomáticas e de uma ampla pactuação envolvendo diferentes setores do governo.

O presidente Lula também enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na tentativa de normalizar as exportações brasileiras de frango e mel.

Ovos e pescados terão impacto menor

Para os setores de ovos e pescados, os efeitos da suspensão tendem a ser mais limitados.

O mercado europeu foi reaberto aos ovos brasileiros apenas em abril. Desde então, foram exportadas somente 239 toneladas para o bloco, o que reduz o impacto econômico imediato da medida.

No caso dos pescados, as exportações já estavam suspensas desde 2018, devido à ausência de um sistema de controle sanitário adequado para as embarcações.

Além disso, o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Jairo Gund, afirmou que o setor “nunca utilizou” antimicrobianos.

Governo ainda não comenta oficialmente

Os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores foram procurados uma semana antes, mas não apresentaram resposta.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que o tema está sob responsabilidade do Ministério da Agricultura. O Palácio do Planalto também não se manifestou.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

Ler Mais
Exportação

Nova cota dos EUA para carne bovina pode abrir alternativa ao mercado chinês

A ampliação temporária da cota de importação de carne bovina pelos Estados Unidos é vista pelo setor frigorífico brasileiro como uma oportunidade para reduzir os impactos do esgotamento da cota destinada à China. A medida, que prevê mais 300 mil toneladas de carne bovina magra com tarifa reduzida, entra em vigor em 1º de setembro.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) avaliou positivamente a decisão do governo norte-americano. Segundo a entidade, o aumento do volume autorizado pode favorecer a competitividade da carne bovina brasileira no mercado dos Estados Unidos em um momento de maior pressão sobre o comércio internacional.

EUA ampliam cota para carne bovina magra

A decisão do presidente Donald Trump estabelece, pelos próximos 90 dias, uma ampliação de 300 mil toneladas na cota de importação de carne bovina magra pelos Estados Unidos.

O volume adicional inclui as chamadas trimmings, ou aparas de carne, que são utilizadas principalmente na fabricação de carne moída.

Para a Abrafrigo, a medida chega em um momento estratégico para o setor brasileiro e representa uma possibilidade adicional de acesso ao mercado americano de carne bovina.

Medida pode reduzir efeitos da cota chinesa

Em comunicado, a associação destacou que a nova oportunidade comercial poderá ajudar a amenizar os efeitos provocados pelo esgotamento da cota de exportação para a China, um dos principais destinos da carne bovina brasileira.

A entidade considera que o aumento temporário da cota nos EUA cria uma alternativa para os frigoríficos brasileiros em um cenário de maior restrição e disputa no comércio internacional de proteínas.

Abrafrigo cobra habilitação de novos frigoríficos

Apesar da avaliação positiva, a Abrafrigo criticou a ausência de frigoríficos de Pará, Acre e Maranhão entre as plantas habilitadas a exportar para os Estados Unidos.

Na avaliação da entidade, essa limitação impede que os ganhos proporcionados pela nova cota sejam distribuídos de forma equilibrada entre os diferentes Estados produtores de carne bovina.

O presidente executivo da Abrafrigo, Paulo Mustefaga, defendeu a ampliação das habilitações brasileiras para o mercado internacional.

Segundo ele, o país precisa continuar trabalhando para autorizar novos Estados e frigoríficos exportadores, ampliando o acesso a diferentes destinos e permitindo que um número maior de produtores e empresas aproveite as oportunidades geradas pelo comércio exterior.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Mapa

Ler Mais
Agronegócio

Exportações do agronegócio brasileiro se aproximam da liderança global dos Estados Unidos

As exportações do agronegócio brasileiro avançam rapidamente no comércio internacional e já estão próximas de superar as vendas externas dos Estados Unidos. Enquanto o mercado norte-americano apresenta crescimento mais moderado nos últimos anos, o Brasil mantém uma trajetória de expansão no setor.

Em cinco anos, a receita brasileira com exportações agropecuárias cresceu 68%, chegando a US$ 169 bilhões. No mesmo período, os Estados Unidos registraram US$ 171 bilhões, com alta de apenas 14%. A diferença, portanto, caiu para cerca de US$ 2 bilhões.

Brasil amplia participação no mercado internacional

O avanço brasileiro ocorre em meio a dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola dos Estados Unidos. Entre os principais fatores estão limitações de área produtiva, redução do rebanho e mudanças na dinâmica do comércio exterior.

Nos EUA, a área destinada ao plantio permanece praticamente estagnada, enquanto o rebanho bovino atingiu o menor nível em cerca de sete décadas. A menor disponibilidade de animais reduziu a capacidade de oferta interna e contribuiu para o aumento das importações de carne bovina brasileira.

Política comercial afeta vendas dos Estados Unidos

As medidas protecionistas adotadas durante o governo de Donald Trump também pressionaram as relações comerciais americanas com parceiros estratégicos.

Um dos reflexos aparece nas vendas para a China, que recuaram 49% em cinco anos. Também houve perda de espaço nas relações comerciais dentro do USMCA, acordo que reúne Estados Unidos, Canadá e México.

Enquanto isso, o Brasil aproveitou oportunidades abertas no comércio global para ampliar seus embarques e diversificar os destinos das exportações brasileiras.

Brasil ganha força em soja, milho e carnes

A disputa pela liderança no mercado de grãos também mudou de configuração. Nos Estados Unidos, a soja deixou de ser o principal produto em receita de exportação e foi ultrapassada pelo milho.

Esse movimento ajudou a consolidar a posição brasileira como líder mundial em oleaginosas e ampliou a relevância do país no comércio internacional de proteína animal.

Exportações brasileiras avançam na América do Norte

A expansão do agronegócio brasileiro não se limita aos mercados tradicionais. Os produtos nacionais ganharam espaço em diferentes continentes, com crescimento também na América do Norte.

Nos últimos cinco anos, as vendas brasileiras para a região aumentaram 11%. Parte desse avanço está relacionada à demanda dos Estados Unidos por proteína animal, especialmente diante das limitações da produção doméstica.

Com a combinação de aumento da produção, diversificação de mercados e maior presença internacional, o agronegócio brasileiro se aproxima de um novo marco: ultrapassar os Estados Unidos em valor de exportações agropecuárias.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

Ler Mais
Exportação

Brasil pode exportar até 120 mil toneladas de carne bovina aos EUA sem tarifa

O Brasil poderá ocupar uma parcela significativa da nova oportunidade aberta pelos Estados Unidos para a importação de carne bovina sem tarifa. A estimativa de analistas é que os frigoríficos brasileiros tenham condições de fornecer entre 30% e 40% das 300 mil toneladas que Washington pretende autorizar nos próximos 90 dias.

A medida foi anunciada na sexta-feira (21) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua rede social Truth Social. Segundo ele, o país permitirá a entrada de até 300 mil toneladas de carne destinada à produção de carne moída, sem a cobrança de tarifas adicionais sobre volumes que ultrapassem as cotas atualmente estabelecidas para os fornecedores.

Trump afirmou que a iniciativa tem como objetivo aumentar a oferta e reduzir o preço da carne moída para os consumidores americanos. Segundo o presidente, o compromisso é de que o produto seja comercializado por valores 25% inferiores aos preços atuais de mercado.

Brasil está entre os países com potencial para atender demanda

Trump não informou quais países poderão participar do novo volume de importação. A decisão ocorre em meio aos esforços do governo americano para ampliar a oferta de carne bovina no mercado dos EUA e conter a alta dos preços.

Entre as medidas adotadas anteriormente estão a ampliação das compras de carne da Argentina e a retomada das importações de gado vivo do México destinado ao abate.

O movimento ocorre em um cenário de redução do rebanho americano, que está entre os menores registrados no país em mais de sete décadas.

Abiec vê possibilidade de ampliar exportações

Após o anúncio, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que ainda não havia recebido detalhes oficiais sobre a implementação da medida, incluindo os volumes destinados a cada país e os critérios para participação.

A entidade, entretanto, avaliou que uma eventual ampliação da cota tarifária para carne bovina poderá beneficiar o Brasil.

Atualmente, os exportadores brasileiros participam de uma cota compartilhada com outros países fornecedores. Quando esse limite é atingido, a carne brasileira fica sujeita a uma tarifa de 26,4% sobre o volume excedente.

Por isso, uma ampliação da cota que inclua o Brasil poderia melhorar as condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado americano.

Brasil pode responder por até 120 mil toneladas

Para Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o Brasil está bem posicionado para aproveitar a oportunidade criada pelos Estados Unidos.

Na avaliação do especialista, o país possui um número relevante de frigoríficos habilitados para exportar aos EUA, além de capacidade para fornecer carne magra, característica importante para a produção de carne moída.

Com base nesses fatores, Iglesias estima que o Brasil poderia responder por 30% a 40% das 300 mil toneladas previstas pela medida americana. Isso representaria um potencial de até 120 mil toneladas de carne bovina.

Exportações brasileiras aos EUA já somam US$ 1,5 bilhão

O mercado americano já tem peso significativo nas exportações brasileiras de carne bovina.

Entre janeiro e julho, o Brasil embarcou 223,8 mil toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, gerando aproximadamente US$ 1,5 bilhão em receita.

Caso o novo mecanismo de importação contemple efetivamente o Brasil, o setor poderá ganhar espaço adicional no mercado americano, especialmente no fornecimento de carne magra destinada à fabricação de hambúrgueres e outros produtos de carne moída.

Trump voltou a defender a medida na sexta-feira, afirmando que a prioridade do governo é reduzir os preços da carne para os consumidores e atender à demanda dos eleitores americanos.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

Ler Mais
Exportação

Exportação de carne bovina recua após China preencher cota de importação

A exportação de carne bovina brasileira perdeu ritmo depois que a China completou a cota de 1,1 milhão de toneladas para importações sem a cobrança da tarifa adicional de 55%. Com a mudança, o Brasil começa a registrar redução no volume embarcado para o mercado internacional.

Na segunda semana de agosto, o país exportou, em média, 8,4 mil toneladas de carne bovina por dia útil, abaixo das 10,5 mil toneladas registradas na primeira semana do mês.

Considerando os dez primeiros dias úteis de agosto, a média ficou em 9.442 toneladas diárias. O resultado representa uma queda de 26% em relação a agosto de 2025 e corresponde ao menor nível desde janeiro do ano passado.

China antecipou compras antes da nova tarifa

A expectativa de aumento da tributação levou o mercado chinês a antecipar parte das compras de carne bovina do Brasil. Enquanto a alíquota permanecia em 12%, os importadores elevaram os volumes adquiridos.

O movimento ajudou a impulsionar as exportações brasileiras. Em novembro de 2025, os embarques chegaram a uma média de 16,8 mil toneladas por dia útil, período em que a demanda chinesa teve papel importante no desempenho.

Desde janeiro, passou a valer uma cota de 1,1 milhão de toneladas. Após esse limite ser atingido, as importações brasileiras ficam sujeitas a uma tarifa adicional de 55%. Na prática, a carne bovina brasileira passa a enfrentar uma tributação total de 67%.

Preço da carne bovina continua sustentado

Apesar da retração no volume embarcado, os preços da carne bovina brasileira no mercado internacional permanecem em patamar elevado.

Dados acompanhados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que a tonelada de carne bovina in natura é negociada, em média, por US$ 6.140.

O valor está abaixo do registrado em julho, mas ainda representa uma alta de aproximadamente 10% sobre agosto do ano passado.

Carne de frango e carne suína têm desempenhos diferentes

O comportamento das exportações de outras proteínas animais é diferente do observado na carne bovina.

Os embarques de carne de frango alcançaram 22,6 mil toneladas por dia útil em agosto, alta de 27% na comparação com o mesmo período de 2025. O preço médio também avançou, com aumento de 17%.

No mercado de carne suína, as exportações diárias estão 10,5% acima das registradas em agosto do ano passado. O desempenho dos preços, porém, é negativo, com queda de 8%, segundo dados da Secex.

China responde por quase metade da receita da carne bovina

A China continua sendo o principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil.

De acordo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o setor acumulou US$ 11,4 bilhões em receitas entre janeiro e julho. Desse total, 47% tiveram origem nas vendas para o mercado chinês.

Em volume, a participação da China também foi significativa: 45% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no período teve o país asiático como destino.

Preços no campo têm movimentos distintos

No mercado pecuário paulista, a arroba do boi gordo está cotada a R$ 345. O preço acumula queda de 0,43% no mês, segundo o Cepea.

No mesmo período, a cotação do suíno recuou 2,6%, enquanto o preço do frango registrou alta de 0,42%.

Exportações de arroz avançam em agosto

As vendas externas de arroz brasileiro apresentaram forte crescimento nas duas primeiras semanas de agosto.

Segundo a Secex, os embarques de arroz em casca chegaram a 10,8 mil toneladas por dia útil. O volume representa uma alta de 250% em relação ao mesmo período de 2025.

Pecuaristas de Mato Grosso ampliam intenção de confinamento

A pesquisa de intenção de confinamento realizada pelo Imea em julho aponta que os pecuaristas de Mato Grosso pretendem colocar 1,33 milhão de cabeças de gado em confinamento.

O número é 43% maior que o registrado na mesma pesquisa de 2025. Em relação à sondagem realizada em abril deste ano, porém, houve uma redução de 8%.

O levantamento estima ainda um custo diário médio de R$ 13,62 por animal no sistema de confinamento.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Joel Silva/Reuters

Ler Mais
Exportação

Carne bovina de Mato Grosso amplia destinos e eleva valor das exportações

A carne bovina de Mato Grosso ganhou espaço no mercado internacional no primeiro semestre de 2026, tanto em número de compradores quanto no valor obtido pelas exportações. Ao todo, o estado embarcou o produto para 88 países, movimentando US$ 2,4 bilhões.

O preço médio também avançou. A tonelada de carne bovina foi comercializada por cerca de US$ 6,1 mil, acima dos US$ 5,1 mil registrados no mesmo período de 2025.

Exportações alcançam mais países

Os números mostram uma expansão do mercado externo da pecuária mato-grossense. Nos primeiros seis meses de 2025, a carne produzida no estado tinha como destino 77 países e gerava US$ 1,47 bilhão em receita.

Além do aumento no número de mercados, houve valorização do produto. Em média, cada tonelada exportada passou a render aproximadamente US$ 1 mil a mais do que no ano anterior.

China segue como principal destino

Apesar da diversificação, a China permanece como o maior mercado para a carne bovina de Mato Grosso. No primeiro semestre, foram enviadas 282,4 mil toneladas ao país asiático.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 41 mil toneladas importadas. Na sequência está o Chile, que recebeu 31 mil toneladas.

Entre os dez principais compradores também estão Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos.

Diversificação reduz riscos para a pecuária

Além dos grandes mercados, a carne de Mato Grosso também chegou a países com volumes menores de compras, como Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia.

Para o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), ampliar a quantidade de compradores é uma estratégia importante para reduzir a dependência de mercados específicos.

Segundo o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, uma maior diversificação pode diminuir os impactos de oscilações econômicas e contribuir para dar mais previsibilidade à indústria frigorífica e aos produtores.

A expansão também abre espaço para a busca por mercados de maior valor, especialmente aqueles que remuneram melhor características relacionadas à qualidade da proteína.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook