Comércio Internacional

China e EUA concordam em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias

China e Estados Unidos chegaram a um acordo para reduzir tarifas de importação sobre cerca de US$ 60 bilhões em mercadorias comercializadas entre os dois países. A medida contempla produtos como milho, cosméticos, eletrodomésticos, brinquedos e itens para o lar.

Por meio do Conselho de Comércio EUA-China, cada país indicou US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis para receber um tratamento tarifário mais favorável. A informação foi divulgada no domingo pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Segundo Greer, a iniciativa deve ampliar o acesso de produtos norte-americanos ao mercado chinês e alcançar aproximadamente 30% das exportações dos EUA destinadas à China.

Redução de tarifas faz parte de nova trégua comercial

A redução recíproca de tarifas está entre os principais resultados da segunda reunião realizada neste ano entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.

O encontro também resultou na extensão da trégua comercial entre China e EUA, com o objetivo de manter as negociações econômicas e comerciais em andamento.

Uma das listas divulgadas pela Casa Branca prevê que Pequim reduza tarifas sobre produtos agrícolas norte-americanos, incluindo milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas. A soja, porém, ficou de fora dessa relação.

A China também pretende diminuir as tarifas aplicadas a peixes e frutos do mar, madeira e toras, cosméticos e dispositivos médicos provenientes dos Estados Unidos.

Na direção oposta, os Estados Unidos planejam reduzir tarifas sobre uma série de produtos chineses. Entre eles estão pequenos eletrodomésticos, como cafeteiras e torradeiras, além de louças, cobertores e roupas de cama.

A lista norte-americana inclui ainda brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, iluminação para árvores de Natal, outros artigos de decoração festiva e cadeirinhas infantis para automóveis.

Trégua comercial é prorrogada por dois meses

O Ministério do Comércio da China informou nesta segunda-feira que a trégua comercial será estendida por dois meses, até 10 de janeiro. O período permitirá que os dois governos avaliem os compromissos já firmados e discutam os próximos passos nas relações econômicas.

Segundo a pasta, a extensão do acordo cria um ambiente considerado mais estável e previsível para empresas dos dois países, além de favorecer a continuidade das negociações.

China e Estados Unidos também deverão manter conversas regulares sobre oportunidades e obstáculos relacionados a investimentos. A intenção é ampliar a transparência das políticas, aumentar a previsibilidade regulatória e responder às preocupações apresentadas pelo setor empresarial.

Agricultura ganha espaço nas negociações

A seleção dos produtos chineses que terão tarifas reduzidas está relacionada, segundo a Casa Branca, ao compromisso de Pequim de adquirir US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos EUA.

A China já retomou compras em grande escala de soja norte-americana, dentro de um acordo firmado no ano passado que prevê a aquisição anual de 25 milhões de toneladas métricas do produto.

Os dois governos também vão criar um grupo de trabalho dedicado à agricultura, subordinado ao Conselho de Comércio EUA-China. A primeira reunião está prevista para ocorrer antes do fim do ano e deverá tratar de acesso aos mercados e questões regulatórias.

China prevê novas compras de carvão dos EUA

Outro resultado da reunião de Xi Jinping e Donald Trump foi o compromisso chinês de importar 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos por ano em 2027 e 2028.

De acordo com a Casa Branca, o volume corresponde a aproximadamente 2% das importações anuais de carvão realizadas pela China.

O Ministério do Comércio chinês afirmou que a compra de carvão norte-americano poderá complementar o abastecimento do mercado doméstico e, ao mesmo tempo, gerar receita e empregos para o setor de mineração dos Estados Unidos.

Petróleo e gás natural liquefeito (GNL) não aparecem entre os produtos contemplados pelas listas de redução tarifária.

Inteligência artificial e serviços financeiros entram na pauta

As negociações também avançaram em áreas que vão além das tarifas comerciais. China e Estados Unidos concordaram em estabelecer um canal de comunicação para tratar de eventuais incidentes relacionados à inteligência artificial (IA).

Os dois países também deverão realizar um novo diálogo sobre o tema até o fim de novembro.

No setor financeiro, Pequim informou que avaliará e aprovará instituições estrangeiras de serviços financeiros, incluindo empresas com capital norte-americano, interessadas em atuar e abrir filiais na China.

Além disso, os governos manterão comunicação sobre a ampliação da oferta de voos diretos entre China e Estados Unidos, segundo o Ministério do Comércio chinês.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Comércio Exterior

Algodão fecha semana em alta de até 2,12% na Bolsa de Nova York

Os contratos futuros de algodão terminaram a sessão da última sexta-feira (25) em baixa na Bolsa de Nova York. Apesar da queda no dia, as cotações acumularam ganhos de até 2,12% no balanço da semana.

O contrato outubro/26 recuou 0,60 cent, ou 0,75%, e fechou a 78,91 cents por libra-peso. O dezembro/26 caiu 0,60 cent (-0,72%), para 82,71 cents/lb.

Já o contrato março/27 perdeu 0,57 cent (-0,66%), encerrando a 85,49 cents/lb. O maio/27 teve baixa de 0,56 cent (-0,64%), aos 87,17 cents/lb.

Contratos de algodão acumulam ganhos na semana

Apesar do desempenho negativo na última sessão, todos os principais contratos registraram valorização no acumulado semanal.

O outubro/26 avançou de 77,38 para 78,91 cents/lb, alta de 1,53 cent, equivalente a 1,98%.

Confira o desempenho semanal:

  • Dezembro/26: alta de 1,56 cent (+1,92%), de 81,15 para 82,71 cents/lb;
  • Março/27: ganho de 1,70 cent (+2,03%), de 83,79 para 85,49 cents/lb;
  • Maio/27: avanço de 1,81 cent (+2,12%), de 85,36 para 87,17 cents/lb.

O contrato de maio apresentou, portanto, a maior valorização entre os vencimentos acompanhados.

Negociações entre EUA e China seguem no radar

No cenário comercial, poucas informações foram divulgadas sobre as conversas entre os governos dos Estados Unidos e da China realizadas ao longo da semana.

Segundo informações do mercado, um relatório divulgado na manhã de sexta-feira indicou que o representante comercial dos EUA, Greer, esperava que alguns detalhes das negociações fossem apresentados na segunda-feira.

A evolução das relações comerciais entre as duas potências permanece relevante para o mercado de commodities agrícolas, incluindo o algodão.

Exportações americanas ficam acima do ano passado

Dados do relatório de vendas para exportação do USDA apontam compromissos de exportação de 4,735 milhões de fardos de algodão.

O volume representa uma alta de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. O total corresponde a 41% da estimativa de exportações projetada pelo USDA para a temporada, percentual abaixo da média histórica de 49%.

Clima e colheita também influenciam o mercado

Para Jack Scoville, da Price Futures Group, a previsão meteorológica indica uma melhora nas condições de tempo nos Estados Unidos durante a semana.

A expectativa é de temperaturas ligeiramente mais baixas e ocorrência de chuvas, principalmente no oeste do Texas, uma das principais regiões produtoras do país.

O USDA informou que 48% das lavouras de algodão estão classificadas em condições boas ou excelentes. Além disso, 12% da safra já havia sido colhida e 58% dos frutos estavam na fase de abertura.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

Produção de café no Brasil deve chegar a 67,6 milhões de sacas em 2026

A produção de café no Brasil deve alcançar 67,6 milhões de sacas de café beneficiado em 2026, segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na quinta-feira (24). Com 99% da área já colhida, a estimativa representa crescimento de 19,6% em relação à safra de 2025.

O resultado é favorecido pelo aumento da área produtiva, pela melhora da produtividade média e pelo ciclo de bienalidade positiva do café. Caso a projeção se confirme, será a maior produção registrada na série histórica da Conab.

Área cultivada e produtividade avançam

A área brasileira em produção deve chegar a 1,95 milhão de hectares em 2026, alta de 5,1% em relação ao ano anterior. A produtividade média também apresentou avanço significativo, passando de 30,4 para 34,6 sacas por hectare, crescimento de 13,8%.

Além do comportamento fisiológico natural das plantas em um ano de alta bienalidade, especialmente no café arábica, a Conab relaciona o desempenho ao maior uso de tecnologias no manejo das lavouras e às condições climáticas mais favoráveis em importantes regiões produtoras.

Café arábica responde pela maior parte da produção

O café arábica, responsável por aproximadamente 70% da produção nacional, deve registrar 48,2 milhões de sacas em 2026. O volume representa aumento de 34,8% frente à safra anterior.

Minas Gerais permanece como principal destaque. A produção estadual de arábica é estimada em 34,96 milhões de sacas, sendo 15,93 milhões provenientes das regiões Sul e Centro-Oeste de Minas.

A combinação entre o ciclo de bienalidade positiva e a melhor distribuição das chuvas antes da floração contribuiu para o desempenho das lavouras. O clima favorável até março também ajudou na formação dos grãos.

São Paulo tem alta na produção de arábica

Em São Paulo, a previsão é de uma colheita de 6,19 milhões de sacas de café arábica.

Segundo a Conab, as lavouras paulistas foram beneficiadas por chuvas regulares após períodos de estiagem, temperaturas mais amenas e ausência de calor excessivo. O comportamento climático, associado ao ciclo de alta bienalidade, favoreceu a produtividade nas principais regiões produtoras do estado.

Produção de conilon deve recuar em 2026

Para o café conilon, a estimativa nacional é de 19,4 milhões de sacas em 2026. O volume representa queda de 6,6% em comparação com a safra de 2025.

Mesmo com crescimento de 4% na área em produção, estimada em 386,6 mil hectares, a produtividade média deve ser menor. O principal fator de pressão está no desempenho das lavouras do Espírito Santo, maior produtor brasileiro da variedade.

Espírito Santo registra impactos no conilon

A produção total de café do Espírito Santo deve recuar 5,4% em 2026.

No conilon, a redução estimada é de 14,3%, para 12,1 milhões de sacas. A Conab relaciona o resultado à ocorrência de uma florada irregular, influenciada pelas baixas temperaturas nas regiões produtoras.

Em contrapartida, o café arábica apresenta cenário positivo no estado. A produção deve crescer 33%, chegando a 4,38 milhões de sacas. O desempenho é atribuído às condições climáticas favoráveis, ao aumento de 4,9% na área em produção e ao ciclo de bienalidade positiva.

Bahia e Rondônia também apresentam resultados positivos

A Bahia deve registrar crescimento de 1,2% na produção total de café. Entre os fatores apontados estão a regularidade das condições climáticas, o aumento dos investimentos em insumos e a entrada de novas áreas em produção.

Do total previsto para o estado, 1,19 milhão de sacas correspondem ao arábica e 3,3 milhões ao conilon.

Em Rondônia, onde o cultivo é concentrado no café conilon, a colheita estava praticamente concluída no fim de agosto, com 98% das áreas produtivas já colhidas.

A Conab estima uma produção de 2,88 milhões de sacas no estado, alta de 24% em relação a 2025. As condições climáticas, especialmente a regularidade das chuvas, favoreceram o desenvolvimento das plantas e contribuíram para a qualidade e o rendimento dos grãos.

O resultado também está relacionado ao uso de tecnologias por uma parcela significativa dos produtores.

Exportações de café batem recorde em agosto

O mercado externo também apresentou movimento expressivo. Em agosto de 2026, o Brasil exportou 3,8 milhões de sacas de café de 60 quilos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O volume foi o maior registrado para o mês na série histórica e representa crescimento de 25,8% em relação a julho e de 43,2% frente a agosto de 2025.

Apesar do resultado mensal, as exportações acumuladas entre janeiro e agosto somaram 24,6 milhões de sacas. O volume é 6,6% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

Produção mundial deve atingir recorde

No cenário internacional, a produção mundial de café para a temporada 2026/27 é estimada em 189,7 milhões de sacas de 60 quilos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A previsão representa crescimento de 6,1% em relação ao ciclo anterior.

O consumo global também deve avançar. A estimativa é de 179,7 milhões de sacas, alta de 3,6% na comparação com a temporada anterior.

A expansão da demanda ocorre tanto em mercados tradicionais, como Europa, Estados Unidos e Brasil, quanto em países onde o consumo vem crescendo, a exemplo da China.

Preços do café sofrem pressão com aumento da oferta

As cotações internacionais do café enfrentam pressão diante da entrada da safra brasileira no mercado, da proximidade da colheita no Vietnã e do aumento sazonal da produção colombiana previsto para o último trimestre do ano.

A recuperação da produção nesses países reduz parte das preocupações relacionadas à oferta global. Por outro lado, os níveis ainda baixos dos estoques e o crescimento do consumo mundial podem limitar uma queda mais acentuada dos preços.

As previsões relacionadas ao El Niño na temporada 2026/27 também entram no cenário de mercado. O fenômeno climático pode afetar negativamente a produção em diferentes países produtores e contribuir para sustentar as cotações.

Os dados completos sobre a safra brasileira de café 2026, além das análises do mercado nacional e internacional, estão disponíveis no Boletim do 3º Levantamento de Café da Conab.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Gov

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Internacional

Trump e Xi se preparam para encontro decisivo, com soja no centro das negociações entre EUA e China

Donald Trump e Xi Jinping ainda não se encontraram pessoalmente, mas Estados Unidos e China já movimentam suas estratégias antes de uma das reuniões de maior peso econômico e geopolítico de 2026. O encontro está previsto para a próxima quinta-feira, 24 de setembro, em Washington.

Será a segunda reunião presencial entre os dois líderes neste ano. A primeira ocorreu em maio, durante a visita de Trump a Pequim. Agora, Xi deverá voltar à Casa Branca pela primeira vez em cerca de uma década. O presidente chinês esteve nos Estados Unidos em 2023 para a cúpula da APEC, em São Francisco, mas aquela passagem pelo país não incluiu uma visita à sede do governo americano.

Tarifas e comércio entram na pauta de Trump e Xi

A dimensão da reunião vai muito além da relação comercial. Entre os assuntos que podem influenciar as negociações estão tarifas, tecnologia, inteligência artificial, minerais críticos, Taiwan, relações da China com o Irã, energia e agricultura.

Nos últimos dias, Washington e Pequim deram sinais de que estão preparando o terreno para a reunião.

Segundo informações da Bloomberg divulgadas nesta sexta-feira (18), os Estados Unidos devem deixar para depois do encontro entre Trump e Xi o anúncio de novas tarifas relacionadas ao que Washington considera excesso de capacidade produtiva de parceiros comerciais.

Um relatório que poderia ser divulgado antes da reunião teria a possibilidade de recomendar uma tarifa adicional de 7,5% sobre produtos chineses. Até o momento, porém, não há definição sobre a alíquota final, e o governo americano não informou oficialmente a razão para o adiamento.

Enquanto isso, o mercado financeiro também acompanha os movimentos chineses. O yuan offshore chegou a 6,6957 por dólar nesta sexta-feira, maior nível desde julho de 2022. A valorização ocorreu após o Banco Popular da China reforçar sua taxa de referência pela oitava sessão consecutiva.

Empresários chineses podem acompanhar Xi

As articulações não se limitam aos governos. Estados Unidos e China também trabalham na composição de uma possível delegação de empresários chineses para acompanhar Xi durante a visita.

Executivos de grandes empresas dos setores de veículos elétricos, baterias, tecnologia, bancos e agronegócio estão entre os nomes considerados. A lista, entretanto, ainda não foi concluída e pode depender das negociações previstas para este fim de semana entre o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-premiê chinês He Lifeng.

Apesar dos preparativos em Washington, Pequim ainda não havia confirmado publicamente e de forma explícita a reunião até quinta-feira. Em conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o chanceler chinês Wang Yi afirmou que os dois países deveriam preparar a próxima etapa das interações de alto nível, sem mencionar diretamente o encontro entre Trump e Xi.

Soja ganha importância nas negociações agrícolas

Em meio a temas como Taiwan, Irã, tecnologia e minerais estratégicos, a soja pode parecer uma questão secundária. Para o mercado agrícola, porém, qualquer mudança na relação comercial entre Estados Unidos e China pode produzir efeitos relevantes.

“No caso da soja, ela é um temperinho dessa coisa que é muito maior. Ela faz parte do que está se discutindo”, afirmou Eduardo Vanin, sênior agriculture strategist da Marex, ao Notícias Agrícolas.

Segundo o analista, um eventual acordo comercial precisaria envolver produtos de grande relevância para as importações chinesas. Entre eles, estariam petróleo, gás e soja.

A avaliação ajuda a dimensionar o papel da oleaginosa: ela é apenas uma das peças de uma negociação muito mais ampla, mas tem potencial para afetar preços, fluxos internacionais e a concorrência entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado chinês de soja.

Agricultura pode ser área de avanço entre os países

A agricultura aparece entre os setores com possibilidade de avanço nas negociações. Neste mês, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que podem surgir anúncios envolvendo produtos agrícolas e barreiras não tarifárias.

Além da soja, milho e sorgo também podem fazer parte das discussões.

De acordo com a Casa Branca, a China teria se comprometido, após o encontro de Trump e Xi no ano passado, a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Pequim, contudo, não reconheceu publicamente o compromisso nos mesmos termos apresentados pelo governo dos Estados Unidos.

As compras chinesas realizadas até agora, por outro lado, caminham na direção do volume indicado por Washington. A China já teria adquirido quase metade desse montante e continua ativa no mercado americano.

Somente na semana passada, compradores chineses adquiriram aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos. A possibilidade de novos compromissos agrícolas ocorre em um momento em que a demanda chinesa voltou a ganhar destaque no mercado de Chicago.

Mais compras chinesas poderiam mexer com Chicago

Para Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, uma eventual ampliação das compras chinesas poderia encontrar os Estados Unidos em um cenário de menor disponibilidade.

“Os Estados Unidos não têm soja para se comprometer a exportar tanto assim a mais para a China”, afirmou o analista ao Notícias Agrícolas. Na avaliação dele, uma compra adicional de 5 milhões de toneladas poderia provocar uma forte reação no mercado de curto prazo, especialmente em Chicago.

Palavro, entretanto, não considera que um aumento das compras chinesas nos Estados Unidos necessariamente prejudicaria o Brasil.

Segundo ele, uma eventual perda de participação brasileira na demanda chinesa poderia ser compensada por outros mercados, já que Brasil e Estados Unidos são os dois principais fornecedores globais da oleaginosa.

Outro ponto destacado pelo analista é a relação entre os preços internacionais e o mercado brasileiro. Uma valorização da soja americana tende a influenciar também as cotações brasileiras.

Por isso, para o produtor nacional, será importante observar não apenas o volume que a China eventualmente comprar dos Estados Unidos, mas também os efeitos sobre Chicago, prêmios de exportação e preços da soja no Brasil.

Irã, Taiwan e energia ampliam as negociações

O contexto atual também diferencia a reunião de setembro de outras negociações entre Trump e Xi.

Para Eduardo Vanin, as relações entre China e Irã ganharam importância, assim como Taiwan, tecnologia e comércio. O analista avalia que o peso das questões envolvidas atualmente é maior do que em negociações anteriores.

Nesse cenário, produtos como soja, petróleo e gás podem funcionar como elementos de uma eventual composição comercial entre Washington e Pequim.

A questão do Irã já está presente na agenda diplomática. Nesta semana, Wang Yi conversou com Marco Rubio sobre a situação do Oriente Médio, depois de receber em Pequim o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

A China defendeu a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Energia também pode entrar no acordo

O setor energético é outro ponto de interesse nas relações entre os dois países. As compras chinesas de petróleo e gás dos Estados Unidos foram interrompidas depois da adoção de tarifas.

Uma eventual redução recíproca das tarifas, que vem sendo discutida entre Washington e Pequim, poderia criar condições para a retomada desses fluxos comerciais.

Assim, a negociação entre Trump e Xi envolve uma combinação de interesses econômicos, tecnológicos, energéticos e geopolíticos, com a agricultura inserida nesse cenário mais amplo.

O que está em jogo para a soja brasileira

A reunião entre Trump e Xi ocorre em um momento de atenção redobrada dos mercados agrícolas. Uma eventual mudança na política comercial entre Estados Unidos e China pode alterar os fluxos globais de soja, afetando diretamente as referências internacionais e os prêmios praticados no Brasil.

Para o mercado agrícola, algumas questões serão especialmente importantes: a China anunciará novas compras de soja americana? Haverá redução de tarifas? Os dois países estabelecerão novos compromissos para produtos agrícolas?

Para o produtor brasileiro, o impacto dependerá também da reação de Chicago, dos prêmios de exportação e da capacidade de outros mercados absorverem eventuais volumes que deixem de ser destinados à China.

A soja, portanto, é apenas uma peça dentro de uma negociação que envolve comércio, tecnologia, energia, segurança e geopolítica. Mesmo assim, qualquer sinal de mudança na relação entre Washington e Pequim pode repercutir rapidamente nas cotações agrícolas e no mercado brasileiro.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agricultura

Algodão pode ganhar força em 2026/27 com oferta global mais ajustada

O mercado internacional de algodão começa a safra 2026/27 diante de uma relação mais estreita entre oferta e demanda. De acordo com análise do Itaú BBA, o cenário pode contribuir para dar sustentação às cotações da fibra ao longo do novo ciclo.

A instituição projeta uma produção mundial de algodão de 25,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo global é estimado em 26,8 milhões de toneladas. A diferença resultaria em um déficit próximo de 1,2 milhão de toneladas.

Com a demanda acima da produção, os estoques globais devem recuar de 16,4 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 15,2 milhões de toneladas em 2026/27.

Segundo o Itaú BBA, esse equilíbrio mais apertado torna os preços mais vulneráveis a eventuais problemas de produção nos principais países produtores e exportadores.

Estoques chineses reduzem oferta disponível no mercado

A relação entre oferta e demanda fica ainda mais restrita quando os estoques mantidos pela China são retirados da conta. Isso ocorre porque uma parcela relevante dessas reservas possui menor disponibilidade para o comércio internacional.

Nesse cenário, eventuais perdas de produção nos Estados Unidos, Índia ou China poderiam ampliar a pressão sobre as cotações internacionais do algodão.

Brasil amplia presença nas exportações de algodão

O Brasil encerrou a safra 2025/26 com produção recorde de aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de pluma, mesmo diante de uma redução de 6,3% na área cultivada, que ficou próxima de 2,07 milhões de hectares.

O desempenho foi favorecido por condições climáticas consideradas favoráveis, pelo aumento da participação de áreas irrigadas e pela adoção de novas tecnologias, fatores que ajudaram a compensar a menor área plantada.

As exportações brasileiras de algodão também alcançaram recorde no ano comercial 2025/26, com 3,4 milhões de toneladas embarcadas.

A China importou 1,5 milhão de toneladas da fibra no período. Desse total, 784 mil toneladas tiveram origem no Brasil, o equivalente a 51% das compras chinesas.

Mercado brasileiro diversifica destinos

A China continua sendo um importante mercado para o algodão brasileiro, mas os embarques vêm alcançando outros países.

Em agosto de 2026, a Índia respondeu por 26% das exportações brasileiras da fibra. Na sequência apareceram Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia.

Na avaliação do Itaú BBA, a ampliação desses mercados reduz a dependência brasileira em relação à China e aproxima o país de importantes centros mundiais de processamento e transformação do algodão.

Alta dos preços melhora margem do produtor

A recuperação das cotações do algodão também trouxe melhora para a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Entre o início de julho e a primeira metade de setembro, o preço da fibra no mercado interno, considerando a referência de Rondonópolis (MT), avançou 6,4%, chegando a R$ 4,04 por libra-peso.

No mercado futuro de Nova York, a valorização acumulada desde julho superou 8%. A média passou de US$ 0,775 para US$ 0,84 por libra-peso na primeira quinzena de setembro.

A alta também favoreceu a relação de troca do algodão com importantes fertilizantes, como MAP, ureia e KCl. Com isso, foi necessária uma quantidade menor da fibra para adquirir os mesmos volumes desses insumos.

Margem do algodão de segunda safra sobe em Mato Grosso

Diante da melhora dos preços, o Itaú BBA revisou sua estimativa para a margem agrícola do algodão de segunda safra em Mato Grosso.

A projeção para 2026/27 passou de 26% para aproximadamente 38%. A estimativa anterior, divulgada em abril, considerava os preços observados naquele momento.

A melhora da rentabilidade pode aumentar a atratividade do algodão em relação a outras opções de segunda safra e estimular o crescimento da área cultivada no próximo ciclo.

Área brasileira pode superar 2,2 milhões de hectares

As primeiras projeções do banco indicam que a área plantada com algodão no Brasil poderá ultrapassar os 2,2 milhões de hectares registrados na safra 2024/25.

Mesmo com uma possível expansão do cultivo, a produção nacional projetada para 2026/27 é de 4,2 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 4,4 milhões de toneladas alcançado no ciclo anterior.

A diferença está relacionada a uma perspectiva mais conservadora para a produtividade das lavouras.

El Niño aparece como fator de risco

Entre os principais pontos de atenção para a próxima safra está o comportamento do El Niño. Segundo o relatório, o fenômeno pode provocar maior irregularidade nas chuvas em áreas do Centro-Oeste e do Matopiba durante o desenvolvimento do algodão de segunda safra.

Em Mato Grosso, a definição da área cultivada também dependerá da competitividade do algodão diante do milho e do calendário de plantio da soja.

Caso as chuvas atrasem, a janela disponível para a implantação do algodão pode ser reduzida, afetando as decisões dos produtores.

Produção de algodão dos EUA é revisada para baixo

Nos Estados Unidos, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu sua estimativa para a produção de algodão na safra 2026/27.

A projeção passou de 2,96 milhões de toneladas em agosto para 2,87 milhões de toneladas em setembro, após a piora das condições das lavouras durante o verão.

A produtividade média estimada também recuou, de 0,96 tonelada por hectare na safra anterior para 0,87 tonelada por hectare no novo ciclo.

Na semana encerrada em 13 de setembro, apenas 36% das lavouras norte-americanas estavam classificadas entre boas e excelentes. No mesmo período de 2025, esse percentual era de 52%.

Outro fator de preocupação é a seca nos Estados Unidos. No início de setembro, cerca de 59% da área destinada ao algodão apresentava algum nível de estiagem, com situação especialmente crítica no Texas, principal estado produtor.

Com a revisão para baixo na produção, os estoques finais norte-americanos foram estimados em 780 mil toneladas. A previsão para as exportações, entretanto, permaneceu em 2,7 milhões de toneladas.

China e Índia também trazem incertezas

A produção chinesa de algodão também deve diminuir em 2026/27. O adido agrícola do USDA estima 7,1 milhões de toneladas, queda de 5,6% em relação à temporada anterior. A previsão oficial do departamento é um pouco maior, de 7,3 milhões de toneladas.

A retração está associada principalmente à redução da área cultivada em Xinjiang e a condições climáticas menos favoráveis.

Embora o consumo chinês de algodão permaneça próximo de 9 milhões de toneladas, o Itaú BBA observa que a diferença entre produção e consumo não significa necessariamente um aumento proporcional das importações.

A China conta com estoques elevados e utiliza mecanismos como cotas de importação e reservas governamentais. Além disso, o ritmo das compras externas depende da rentabilidade da indústria têxtil do país.

Na Índia, por sua vez, o comportamento do El Niño e das monções está entre os principais fatores de risco. Uma eventual queda de produtividade poderia diminuir o algodão disponível para exportação e elevar a necessidade de importações para atender a indústria doméstica.

Maior oferta pode limitar repasse de preços

A chegada da nova safra tende a aumentar a disponibilidade de fibra no mercado. Com isso, as tradings podem ganhar maior poder de negociação, dificultando que toda a valorização observada em Nova York seja repassada aos produtores brasileiros.

O Itaú BBA aponta que o aumento da área cultivada e das exportações brasileiras pode ampliar esse risco durante a colheita de 2027.

Nesse contexto, a gestão comercial e de riscos ganha importância para preservar as margens dos produtores diante de possíveis oscilações do mercado.

Cenário internacional ainda depende da demanda

No cenário considerado pelo Itaú BBA, a menor produção norte-americana e a redução dos estoques mundiais tendem a oferecer sustentação às cotações internacionais do algodão, mantendo espaço para as exportações brasileiras.

Há, contudo, fatores que podem pressionar os preços. Entre eles estão uma eventual desaceleração da economia mundial, menor consumo da indústria têxtil, redução das compras chinesas ou uma produção brasileira superior às expectativas.

A concorrência das fibras sintéticas, principalmente o poliéster, também permanece como um fator que limita uma recuperação mais forte da demanda global por algodão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Agritech

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Indústria

Seca na Europa: crise hídrica ameaça indústria e pode gerar prejuízo de € 180 bilhões

A seca na Europa já provoca impactos em setores essenciais da economia e pode gerar perdas de pelo menos € 50 bilhões no curto prazo, segundo estimativas citadas pelo Financial Times. Se a escassez de água persistir e os efeitos da onda de calor forem considerados em conjunto, o prejuízo econômico pode chegar a € 180 bilhões.

Os níveis excepcionalmente baixos de rios e reservatórios já afetam o transporte de cargas, a geração de energia, a agricultura e a produção industrial. Empresas de diferentes países passaram a adaptar suas operações diante da redução da disponibilidade de água.

Baixo nível do Reno encarece transporte de cargas

No porto de Roterdã, na Holanda, um dos principais centros logísticos da Europa, embarcações que utilizam o rio Reno precisam navegar com aproximadamente 30% da capacidade de carga.

A redução do peso é necessária para evitar encalhes em trechos onde a profundidade do rio diminuiu. A consequência é o aumento dos custos de transporte e a perda de eficiência nas cadeias de abastecimento.

Para compensar a menor capacidade de cada embarcação, operadores passaram a contratar cerca de 100 navios adicionais por semana. Mesmo com o reforço da frota, o volume transportado continua abaixo dos níveis habituais.

A autoridade portuária de Roterdã considera o episódio um dos mais relevantes enfrentados pelo setor nas últimas décadas. O cenário também evidencia a vulnerabilidade da logística europeia diante do avanço de eventos climáticos extremos.

Rios europeus atingem níveis historicamente baixos

A crise hídrica se espalha por diferentes regiões do continente. Rios importantes para o comércio, a indústria e a irrigação registram alguns dos menores níveis médios mensais já observados.

Entre os cursos d’água afetados estão o Reno, o Danúbio, o Pó, na Itália, o Ródano, que atravessa a Suíça e a França, e o Tâmisa, em Londres.

O Reno tem importância estratégica para o transporte de mercadorias e para a indústria alemã. Uma seca ocorrida em 2018, por exemplo, teria provocado uma redução de aproximadamente 0,4% no PIB da Alemanha — equivalente hoje a cerca de € 18 bilhões.

O episódio atual preocupa ainda mais porque os rios apresentam níveis inferiores aos registrados naquela ocasião e a estiagem começou mais cedo.

Estudos citados pelo Financial Times indicam que um mês de vazão reduzida pode diminuir em cerca de 25% o transporte fluvial e provocar uma queda próxima de 1% na produção industrial alemã.

Onda de calor agravou déficit hídrico

A Europa iniciou o ano em condições relativamente favoráveis, com níveis de umidade do solo e precipitação acima da média em fevereiro. A situação começou a mudar em abril e se agravou em maio, com a sucessão de ondas de calor.

Junho e julho registraram temperaturas recordes, aumentando a pressão sobre rios, reservatórios e solos. A perspectiva de poucas chuvas nas semanas seguintes mantém a preocupação com a continuidade da crise de água.

Energia também sofre com falta de água

O setor elétrico está entre os mais afetados pela estiagem. Usinas nucleares na França e na Hungria precisaram reduzir a produção devido à menor disponibilidade de água para os sistemas de resfriamento.

A geração hidrelétrica também enfrenta dificuldades em regiões atingidas pela seca.

Na Romênia, o governo chegou a recorrer a explosões subaquáticas controladas no leito do Danúbio para tentar direcionar água para a usina nuclear de Cernavodă. A medida não produziu o resultado esperado e a unidade também precisou reduzir suas atividades.

Agricultura enfrenta perdas e mudança de culturas

A agricultura europeia também sofre com a falta de água. No norte da Itália, uma das principais áreas produtoras de arroz do continente, agricultores relatam perdas totais em algumas lavouras porque a água destinada à irrigação não conseguiu chegar a determinadas áreas.

Na região do Vale do Pó, produtores afirmam que algumas propriedades perderam metade ou mais da produção.

A repetição de períodos prolongados de estiagem começa a provocar mudanças nas decisões dos agricultores. Parte deles avalia substituir o arroz por culturas menos dependentes de água, enquanto outros consideram deixar algumas áreas sem plantio.

Data centers entram no radar da crise hídrica

A escassez também representa um desafio para setores ligados à economia digital. Mais de um terço dos aproximadamente 3.000 data centers da Europa está localizado em regiões submetidas a níveis elevados ou extremos de estresse hídrico.

A disponibilidade de água é especialmente relevante para sistemas de resfriamento dessas instalações, aumentando a preocupação sobre a capacidade de expansão da infraestrutura tecnológica em determinadas áreas.

Seca pode pressionar inflação

Economistas também alertam para possíveis efeitos da crise sobre a inflação europeia.

A redução das colheitas tende a elevar os preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, o encarecimento do transporte e eventuais restrições na geração de energia podem aumentar os custos para empresas e consumidores.

O resultado pode dificultar a recuperação econômica em um momento de maior pressão sobre diferentes setores produtivos.

Empresas aceleram adaptação ao novo cenário climático

Diante da perspectiva de períodos mais frequentes de calor e estiagem, empresas já começam a investir em medidas de adaptação. Entre as iniciativas estão embarcações preparadas para rios rasos, sistemas de monitoramento e alerta, tecnologias de redução do consumo de água e métodos de resfriamento menos dependentes do recurso.

Para especialistas, a seca deixou de ser apenas um problema temporário para se transformar em um risco estrutural para a economia europeia.

A capacidade de adaptar infraestrutura, agricultura, transporte e geração de energia será determinante para limitar os prejuízos provocados por futuras crises hídricas.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Logística

Super El Niño pode afetar produção de alimentos e logística na América Latina

A América Latina se prepara para a possibilidade de enfrentar um dos El Niños mais intensos já registrados, fenômeno que pode provocar impactos significativos sobre a produção agrícola, geração de energia, transporte e comércio na principal região exportadora de alimentos do mundo.

O El Niño ocorre quando as temperaturas da superfície do mar ficam acima do normal no Pacífico tropical central e oriental. A alteração interfere nos padrões climáticos em diferentes partes do planeta. Na América Latina, o fenômeno costuma provocar mais chuvas no Sul e aumentar o risco de seca nas áreas mais ao norte.

Os efeitos já começam a aparecer. Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, alterações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e períodos de estiagem no Caribe e na Amazônia estão entre os sinais observados.

Pesquisadores estimam que o fenômeno ganhe força a partir de setembro e possa superar a intensidade registrada no ciclo de 2015-2016, considerado o mais forte da era moderna.

Mais chuva pode favorecer lavouras no Sul

Nas áreas agrícolas da Argentina, Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, o El Niño costuma provocar chuvas acima da média. Para a agricultura, o aumento da disponibilidade de água pode ser positivo, especialmente durante o período de plantio.

Segundo o meteorologista Germán Heinzenknecht, da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, o fenômeno pode favorecer as safras de soja, milho e trigo, principalmente ao melhorar a umidade do solo e ampliar a disponibilidade hídrica durante o verão, entre dezembro e fevereiro.

O excesso de chuva, porém, também traz riscos. A elevada umidade pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas e provocar a perda de nutrientes aplicados ao solo.

Chuvas intensas ameaçam estradas e infraestrutura

Um El Niño mais forte também pode aumentar a ocorrência de alagamentos e enchentes em áreas rurais e urbanas já vulneráveis.

Estradas de terra podem ficar intransitáveis, dificultando o acesso dos produtores às propriedades e comprometendo operações como aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas. Muitas dessas vias já apresentam condições precárias nas principais áreas agrícolas do Cone Sul.

A partir de setembro, períodos de chuva intensa também podem afetar cidades e corredores de transporte até os portos, criando novos obstáculos para o escoamento das exportações.

No Paraguai, as autoridades chegaram a colocar unidades militares em alerta e mobilizar equipes de engenharia diante da possibilidade de enchentes.

Costa do Pacífico pode enfrentar extremos opostos

Os impactos também devem variar dentro de um mesmo país.

No norte do Peru, por exemplo, o cenário esperado inclui maior risco de inundações, enquanto áreas montanhosas podem enfrentar escassez de água. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) prevê padrões semelhantes em partes do Chile e de outros países da costa do Pacífico.

O aquecimento das águas também pode alterar a distribuição de espécies marinhas. Algumas populações de peixes comerciais estão migrando para águas mais profundas, reduzindo a disponibilidade para a pesca.

No Peru, um dos principais produtores pesqueiros da região, a atividade caiu 31% nos cinco primeiros meses do ano.

El Niño pode aumentar demanda por gás e favorecer hidrelétricas

As diferenças na distribuição das chuvas também podem criar oportunidades no setor de energia.

Condições mais quentes e secas no norte e oeste do Brasil podem aumentar a necessidade de geração termelétrica e, consequentemente, elevar a demanda por gás natural argentino, segundo a Organização Latino-Americana de Energia (OLADE).

Ao mesmo tempo, o sul do Brasil e o nordeste da Argentina devem registrar aumento significativo das chuvas. A maior vazão do rio Paraná pode favorecer a geração de energia hidrelétrica ao longo de sua bacia.

Em julho, as chuvas nas bacias hidrográficas de usinas do Sul do Brasil chegaram a 256% da média histórica, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Para Leydson Dantas, especialista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os efeitos do El Niño não são idênticos em todos os ciclos. Em determinadas regiões do Centro-Oeste e Sudeste brasileiro, por exemplo, o volume de chuva esperado para um mês pode se concentrar em poucos dias.

Seca ameaça hidrovias da Amazônia

Enquanto o Sul pode receber mais água, o Norte do Brasil enfrenta o risco oposto.

A previsão de condições mais secas aumenta a possibilidade de redução dos níveis dos rios da Bacia Amazônica, uma rede hidroviária essencial para o transporte de mercadorias e especialmente importante para o escoamento da produção de soja brasileira.

O cenário climático também eleva os riscos de seca, calor extremo e incêndios em partes do Brasil, Colômbia e Venezuela, com possíveis consequências para lavouras e criação de animais.

Canal do Panamá enfrenta pressão sobre disponibilidade de água

Os efeitos do El Niño podem alcançar rotas estratégicas do comércio internacional. No Canal do Panamá, a autoridade responsável pela operação vem ampliando as restrições ao peso das embarcações para preservar a água doce utilizada no funcionamento da via e no abastecimento da população.

As previsões indicam que o país pode enfrentar uma seca tão severa quanto a registrada durante o episódio de El Niño de 2023-2024.

Como um novo reservatório planejado para reforçar o abastecimento ainda não estará pronto, a autoridade do canal vem reduzindo gradualmente os limites de calado dos navios. Na prática, embarcações com maior restrição de calado precisam transportar menos carga.

A medida pode elevar os custos do transporte marítimo e aumentar o risco de interrupções no comércio global.

Comércio internacional pode sentir os efeitos

O Panamá está entre os países com maior volume de chuvas do mundo. Por isso, uma redução significativa das precipitações é considerada um importante sinal de alerta para as condições hídricas da região.

Até o momento, a autoridade do Canal do Panamá afirma não esperar reduzir o número diário de embarcações autorizadas a atravessar a rota, a menos que isso se torne indispensável.

A pressão sobre a passagem, porém, já aumentou. Leilões de última hora para obtenção de vagas chegaram a movimentar milhões de dólares, enquanto empresas buscam alternativas diante de problemas em outras rotas marítimas, incluindo as afetadas pelas tensões de segurança no Oriente Médio.

Se o super El Niño confirmar a intensidade projetada, seus efeitos poderão ultrapassar a agricultura e atingir toda a cadeia de abastecimento, da produção de alimentos e geração de energia até as hidrovias, portos e principais corredores do comércio internacional.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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Informação

Preços dos alimentos podem voltar a subir no mundo, alerta FAO

O mundo pode enfrentar uma nova onda de inflação dos alimentos nos próximos meses, impulsionada por uma combinação de fatores como guerras, aumento dos custos de produção e eventos climáticos extremos. O alerta foi feito pelo economista-chefe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Máximo Torero.

Segundo ele, os efeitos da guerra no Irã e na Ucrânia, somados aos impactos do fenômeno El Niño, podem reduzir a oferta agrícola e elevar os custos de produção, pressionando os preços pagos pelos consumidores.

A alta dos alimentos foi um dos principais fatores da inflação global em 2022. Neste ano, porém, os preços vinham apresentando maior estabilidade em diversas regiões, cenário que pode mudar diante do aumento das despesas com energia, fertilizantes e transporte.

Custos devem pressionar preços a partir do fim do ano

Na avaliação de Torero, os preços das commodities agrícolas devem começar a avançar de forma mais consistente no fim deste ano, com impactos ainda maiores em 2027.

“A expectativa é que os preços das commodities comecem a subir mais agora e que os alimentos passem a ficar mais caros no fim do ano e, principalmente, no próximo ano”, afirmou.

O economista explica que existe uma defasagem entre o aumento dos custos das matérias-primas e a chegada desses impactos ao consumidor final. Esse processo costuma levar entre três e seis meses.

Energia e fertilizantes ameaçam produção agrícola

Embora produtos como trigo, milho e arroz tenham registrado altas recentes, as cotações ainda refletem principalmente boas colheitas realizadas anteriormente. O cenário para as próximas safras, no entanto, apresenta maiores riscos.

Segundo a FAO, o aumento do preço do petróleo afeta diretamente diversas etapas da cadeia agrícola, incluindo bombeamento de água, processamento, embalagens e transporte. Já o gás natural é essencial para a fabricação de fertilizantes, insumo fundamental para a produtividade no campo.

A instabilidade no mercado energético também é agravada pelos danos causados à infraestrutura de petróleo e gás da Rússia, reduzindo a oferta de combustíveis como diesel e gás natural utilizados na produção de alimentos.

Agricultores enfrentam margens menores

Como os preços das commodities agrícolas são definidos em escala global, o aumento dos custos impacta produtores em diferentes regiões do planeta. Mesmo países com maior capacidade financeira, como Estados Unidos, Europa e Brasil, sentem os efeitos da pressão sobre as margens agrícolas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, uma entidade representativa do setor estima que produtores de nove grandes culturas poderiam registrar perdas de até US$ 32 bilhões em 2027 sem apoio governamental.

A redução das margens já influencia decisões de plantio. Produtores norte-americanos passaram a considerar mudanças de culturas, incluindo maior produção de soja, que exige menor quantidade de fertilizantes em comparação com outras lavouras.

Produção agrícola global sofre impactos climáticos

A instabilidade também já afeta importantes exportadores agrícolas. A Austrália, um dos maiores fornecedores mundiais de grãos, prevê redução na produção de culturas de inverno, influenciada pelo aumento dos custos de combustível e fertilizantes, além da incerteza sobre a disponibilidade de insumos.

Outro fator de preocupação é o fortalecimento do El Niño, fenômeno climático que altera padrões de chuva e pode comprometer colheitas em diferentes regiões.

Na Índia, por exemplo, o atraso das monções e a previsão de chuvas abaixo da média podem prejudicar a produção de arroz, com possíveis reflexos nos preços internacionais da commodity.

Risco de aumento da insegurança alimentar

A FAO também alerta que eventos climáticos severos podem ampliar a insegurança alimentar global. Estimativas da organização indicam que milhões de pessoas podem enfrentar dificuldades de acesso a alimentos caso a combinação de conflitos, custos elevados e perdas agrícolas se intensifique.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Vyacheslav Madiyevskyy 

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Agronegócio

China busca reduzir dependência do agro brasileiro e acende alerta para exportações do Brasil

A relação comercial entre Brasil e China transformou o agronegócio brasileiro nas últimas décadas. O país asiático se tornou o principal destino das exportações nacionais e ajudou o Brasil a alcançar sucessivos recordes de vendas externas. Agora, porém, Pequim trabalha em uma estratégia para diminuir sua dependência de fornecedores estrangeiros, movimento que pode afetar especialmente setores como soja, carnes e proteínas agrícolas.

Em 2025, as vendas brasileiras para o mercado chinês alcançaram cerca de US$ 100 bilhões, superando qualquer outro destino comercial. O ritmo permaneceu elevado em 2026: entre janeiro e junho, as exportações para a China somaram US$ 58,322 bilhões, alta de 21,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Enquanto isso, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13% no mesmo período, impactadas pelas novas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

China investe em segurança alimentar e produção própria

Embora a demanda chinesa continue sendo fundamental para o agronegócio brasileiro, o país asiático passou a tratar a dependência externa de alimentos como uma questão estratégica.

A mudança está prevista no novo 15º Plano Quinquenal Nacional da China (2026-2030), que estabelece metas para ampliar a produção doméstica de grãos, fortalecer a indústria de sementes, aumentar o uso de inteligência artificial na agricultura e desenvolver novas fontes de proteína.

Segundo Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Pequim considera a elevada dependência de importações uma vulnerabilidade diante de cenários como guerras, crises logísticas e disputas comerciais.

A estratégia, porém, não significa uma interrupção imediata das compras brasileiras. O objetivo é reduzir gradualmente a exposição externa por meio de tecnologia, inovação e aumento da produtividade interna.

Soja brasileira pode enfrentar mudanças no longo prazo

A soja é um dos principais produtos envolvidos nessa transformação. Atualmente, a China depende fortemente das importações do grão, utilizado principalmente na produção de ração animal.

Dados do relatório China’s Food Future, da consultoria Systemiq, indicam que as compras chinesas de soja podem cair aproximadamente 25% até 2030, redução equivalente a cerca de 23,5 milhões de toneladas.

Entre os fatores que podem influenciar essa queda estão avanços na eficiência da alimentação animal, aumento da produtividade agrícola e o desenvolvimento de alternativas como fermentação de precisão, biotecnologia e novas formas de produção de proteínas.

Para Ricardo Abramovay, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), a expansão da produção brasileira de soja está diretamente ligada ao fornecimento de proteína para animais, e não ao consumo humano direto.

Dependência chinesa foi criada pelo avanço econômico

A transformação alimentar da China acompanha a expansão econômica do país desde o fim dos anos 1970. Com o aumento da renda da população, houve crescimento expressivo no consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados.

Para atender essa mudança de padrão alimentar, Pequim ampliou a importação de matérias-primas agrícolas, principalmente soja.

O desafio está relacionado às limitações territoriais chinesas: o país concentra aproximadamente um quinto da população mundial, mas possui menos de 10% das terras agricultáveis do planeta e cerca de 6% dos recursos hídricos globais.

Durante anos, a combinação entre produção doméstica e importações permitiu sustentar o crescimento do consumo. Agora, porém, a liderança chinesa busca reduzir riscos associados às cadeias internacionais de abastecimento.

Modelo chinês segue estratégia de tecnologia e indústria

Especialistas avaliam que a nova política alimentar chinesa segue lógica semelhante à adotada em setores como energia solar, baterias e veículos elétricos.

O historiador econômico Adam Tooze, da Universidade Columbia, aponta que Pequim utiliza planejamento estatal, financiamento direcionado e integração entre empresas, universidades e centros de pesquisa para desenvolver setores estratégicos.

Segundo ele, uma eventual redução da dependência alimentar chinesa poderia provocar mudanças significativas na economia agrícola global construída nas últimas décadas.

Brasil precisa transformar produção em valor agregado

A possibilidade de redução das compras chinesas já preocupa representantes do agronegócio brasileiro.

A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, afirma que o Brasil precisa acompanhar de perto os movimentos da China e preparar alternativas para um cenário de menor crescimento da demanda.

Segundo ela, um dos pontos de atenção é o avanço da biotecnologia agrícola chinesa e o desenvolvimento de sementes próprias, incluindo variedades geneticamente modificadas.

A China estabeleceu como meta elevar para 85% a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas, avanço que pode reduzir a necessidade de importação no futuro.

Para a ex-ministra, uma resposta brasileira passa pela agregação de valor, transformando commodities em produtos de maior valor comercial.

Entre as oportunidades estão o processamento de soja e milho em proteínas animais, além do desenvolvimento de mercados ligados à transição energética, como o combustível sustentável de aviação (SAF).

Relação comercial continua estratégica, mas exige adaptação

Apesar dos desafios, especialistas não projetam uma ruptura entre Brasil e China. A expectativa é que o país asiático continue sendo um grande comprador de produtos brasileiros por muitos anos.

O principal alerta é evitar que empresas e governos mantenham estratégias de longo prazo baseadas na ideia de crescimento contínuo da demanda chinesa.

Para Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, a instabilidade global pode até reforçar a posição brasileira como fornecedor confiável de alimentos.

No entanto, especialistas defendem que o Brasil amplie sua presença internacional, monitore mudanças no mercado chinês e invista em inovação para preservar sua competitividade.

Desde que a China assumiu a liderança como principal destino das exportações brasileiras, em 2009, o país asiático foi fundamental para consolidar o Brasil como uma das maiores potências agrícolas do mundo. O próximo desafio será equilibrar essa parceria com a preparação para um cenário em que a China continuará comprando, mas buscará depender menos de fornecedores externos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg via Getty Images/BBC

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Agricultura

Brasil e Nigéria ampliam diálogo para fortalecer parceria no mercado de fertilizantes

O Brasil e a Nigéria avançaram nas discussões para ampliar a cooperação no setor de fertilizantes, com foco no fortalecimento do abastecimento da agricultura brasileira. Durante missão oficial ao país africano, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reuniu-se na segunda-feira (13) com representantes da Indorama, um dos maiores grupos globais da indústria de fertilizantes.

Além do fornecimento de fertilizantes nitrogenados, o governo brasileiro demonstrou interesse em ampliar a parceria para a aquisição de fósforo, insumo considerado estratégico para o agronegócio.

Nigéria ganha importância como fornecedora de fertilizantes

A Indorama opera na Nigéria um dos maiores complexos industriais de produção de ureia da África, com capacidade instalada de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas por ano.

A empresa desempenha papel relevante no mercado internacional de fertilizantes e já integra a cadeia de fornecimento que atende o Brasil, um dos maiores consumidores mundiais desses insumos.

Durante o encontro, André de Paula ressaltou que a Nigéria ocupa posição estratégica na segurança do abastecimento brasileiro.

Segundo o ministro, o objetivo é consolidar uma relação comercial estável, previsível e capaz de atender às necessidades do agronegócio brasileiro, reduzindo riscos para a produção agrícola.

Memorando de entendimento está em negociação

O governo brasileiro também confirmou que mantém tratativas com as autoridades nigerianas para a assinatura de um memorando de entendimento nas áreas de agricultura e fertilizantes.

A proposta busca criar um ambiente institucional que incentive o comércio bilateral, reduza incertezas para investidores e estimule contratos de longo prazo entre empresas dos dois países.

A expectativa é que o acordo fortaleça a cooperação técnica e comercial no setor agrícola.

Indorama destaca investimentos no agronegócio da Nigéria

Durante a reunião, representantes da Indorama apresentaram os principais projetos desenvolvidos no país africano para impulsionar a produção agropecuária.

Entre as iniciativas estão programas de modernização da agricultura, projetos de melhoramento genético com tecnologia brasileira, ações voltadas à rastreabilidade animal e programas de capacitação destinados aos produtores rurais.

A empresa também manifestou interesse em ampliar a cooperação com instituições e companhias brasileiras para acelerar o desenvolvimento do agronegócio nigeriano e fortalecer a troca de conhecimento entre os dois países.

Cooperação pode ampliar segurança no abastecimento agrícola

O fortalecimento das relações entre Brasil e Nigéria ocorre em um momento de crescente preocupação global com a segurança no fornecimento de fertilizantes, considerados essenciais para a produtividade agrícola.

A ampliação da parceria pode contribuir para diversificar fornecedores, reduzir vulnerabilidades da cadeia de suprimentos e garantir maior estabilidade ao setor agropecuário brasileiro.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Indorama/Divulgação

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