Agronegócio

El Niño forte pode reduzir produtividade de soja, milho, café e laranja na safra 2026/27

O avanço de um El Niño de forte intensidade pode influenciar diretamente a produção agrícola brasileira durante a safra 2026/27. As projeções climáticas indicam que o fenômeno tem potencial para atingir a classificação de “muito forte” entre setembro e novembro, período que coincide com o início do plantio de importantes culturas no país.

Embora a intensidade definitiva ainda dependa de novas análises, especialistas acompanham a evolução do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que pode alcançar cerca de 2°C acima da média histórica, cenário característico de um El Niño muito forte.

O alerta foi apresentado pelo pesquisador do Observatório de Bioeconomia da FGV Agro e professor da Fundação Getulio Vargas, Eduardo Assad, durante um encontro com jornalistas promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Segundo o pesquisador, a definição oficial sobre a intensidade do fenômeno deve ocorrer no fim de julho, mas os principais modelos climáticos internacionais apontam uma elevada probabilidade de fortalecimento nos próximos meses.

Impactos podem reduzir a produtividade agrícola

De acordo com Assad, episódios intensos de El Niño costumam provocar perdas importantes na produtividade das lavouras brasileiras.

Como referência, ele citou o ciclo 2024/25, quando os efeitos climáticos contribuíram para uma redução de até 10% na produção nacional, conforme dados da Conab. O pesquisador ressaltou que isso não representa perda total da safra, mas uma diminuição significativa no rendimento das culturas.

O período entre setembro e novembro concentra a maior preocupação dos especialistas, devido à combinação de temperaturas elevadas e irregularidade na distribuição das chuvas em diferentes regiões produtoras.

Soja, milho, café e laranja estão entre as culturas mais vulneráveis

Os impactos variam conforme a região do país. No Centro-Oeste e em parte da Região Norte, o calor intenso aliado ao déficit hídrico pode comprometer principalmente as lavouras de soja e milho.

No Sudeste, culturas permanentes como café e laranja aparecem entre as mais sensíveis às mudanças climáticas. A falta de água durante a florada, associada às altas temperaturas, pode provocar o abortamento das flores e reduzir significativamente o potencial produtivo.

Já na Região Sul, o cenário tende a ser diferente. A previsão é de excesso de chuvas acompanhado por temperaturas acima da média, condição que também pode causar prejuízos às lavouras.

Risco de replantio pode elevar os custos da safra

Outro fator de preocupação é o comportamento das chuvas durante o início do plantio da soja. O pesquisador da FGV Agro, Guilherme Soria Bastos Filho, explica que precipitações insuficientes ou concentradas em curtos períodos podem obrigar produtores a realizar o replantio das áreas cultivadas.

Além do aumento nos custos de produção, essa situação pode atrasar o calendário agrícola e comprometer a janela ideal para o cultivo do milho segunda safra, elevando os riscos para toda a cadeia de grãos.

O especialista lembra que situação semelhante ocorreu em 2023, quando aproximadamente três milhões de hectares de soja precisaram ser replantados.

Apesar das preocupações, Bastos destaca que os efeitos não serão uniformes em todo o território nacional. Em razão da dimensão continental do Brasil, algumas regiões podem registrar perdas, enquanto outras podem até apresentar ganhos de produtividade, reduzindo parte dos impactos nacionais.

Seguro rural e agricultura de baixo carbono ganham importância

Os pesquisadores defendem que o fortalecimento do seguro rural é uma das principais estratégias para reduzir os prejuízos financeiros causados por eventos climáticos extremos. No entanto, avaliam que a ferramenta ainda recebe investimentos abaixo do necessário dentro da política agrícola brasileira.

Outra medida considerada essencial é a ampliação das práticas de agricultura de baixo carbono, previstas no Plano ABC e incentivadas pelo Plano Safra.

Segundo Eduardo Assad, produtores que adotam tecnologias conservacionistas, como recuperação de áreas degradadas, sistemas integrados de produção, plantio de árvores e manejo sustentável do solo, apresentaram perdas significativamente menores durante eventos climáticos recentes.

Setor agrícola precisa ampliar capacidade de adaptação

Mesmo sem consenso científico de que as mudanças climáticas estejam aumentando a frequência do El Niño, os especialistas alertam que a intensificação dos eventos extremos exige maior capacidade de adaptação por parte da agropecuária brasileira.

A adoção de tecnologias sustentáveis, investimentos em gestão de riscos e planejamento climático são apontados como medidas fundamentais para aumentar a resiliência do setor diante dos desafios impostos pelo clima.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação Fundecitrus

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Agricultura

Brasil intensifica negociações para garantir fertilizantes e proteger a safra 2026/2027

O governo federal iniciou uma força-tarefa para assegurar o fornecimento de fertilizantes destinados à safra 2026/2027. Coordenada pela Casa Civil, a iniciativa envolve um comitê de crise e negociações diplomáticas com Rússia, China e Marrocos, principais fornecedores do insumo ao mercado brasileiro.

O objetivo é garantir o abastecimento de matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes fosfatados, mesmo que as aquisições ocorram pelos preços praticados no mercado internacional.

Dependência de importações preocupa o governo

A mobilização ocorre em meio ao cenário de instabilidade no mercado global e à elevada dependência brasileira de fornecedores externos.

Em 2025, o país consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 45,5 milhões foram importadas. As compras no exterior movimentaram US$ 14,5 bilhões e responderam por cerca de 92% da demanda nacional. No ano anterior, essa participação chegou a 97%.

Outro fator de preocupação é o ritmo das aquisições para a próxima temporada agrícola. Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apenas entre 40% e 45% dos fertilizantes necessários para a safra 2026/2027 foram negociados até o momento.

Escassez de insumos pressiona a cadeia produtiva

Representantes da indústria alertaram o governo sobre a redução da oferta de fertilizantes fosfatados e de matérias-primas essenciais, como enxofre e ácido sulfúrico.

O Brasil depende quase totalmente da importação de enxofre, e as dificuldades de abastecimento já provocaram redução e até interrupção de atividades em unidades responsáveis pelo processamento desses insumos.

Nas tratativas internacionais, o governo avalia a capacidade de fornecimento dos países parceiros e estuda a assinatura de memorandos de entendimento para garantir suprimento em situações emergenciais.

Rússia, China e Marrocos estão no centro das negociações

Cada um dos principais parceiros comerciais apresenta características distintas para atender à demanda brasileira.

A Rússia segue com capacidade de produção, apesar dos impactos causados pela guerra sobre parte de suas instalações industriais.

O Marrocos também dispõe de potencial para ampliar o fornecimento, mas um projeto para formação de estoque estratégico em território brasileiro ainda depende da emissão de licença ambiental.

Já a China mantém negociações com o Brasil envolvendo questões tarifárias e é apontada por especialistas como a alternativa mais promissora para ampliar o abastecimento no curto prazo.

Segundo Bruno Fonseca, do Rabobank, a expectativa de um El Niño mais intenso tende a elevar a demanda por fertilizantes, enquanto as restrições financeiras enfrentadas pelos produtores podem limitar novas compras.

Produção nacional não acompanha crescimento da demanda

De acordo com a CNA, a vulnerabilidade brasileira decorre da diferença entre o avanço do consumo e a estagnação da produção doméstica.

Entre 2015 e 2025, as entregas de fertilizantes cresceram 63%, enquanto as importações avançaram 130%. No mesmo período, a produção nacional permaneceu praticamente estável, variando entre 7,2 milhões e 9,1 milhões de toneladas.

Em 2025, China, Rússia, Canadá, Marrocos e Egito responderam, juntos, por 69% das importações brasileiras de fertilizantes.

A dependência varia conforme o nutriente:

  • Potássio: 98%;
  • Nitrogênio: 93%;
  • Fósforo: 57%.

Entre eles, o potássio é considerado o principal ponto de vulnerabilidade por reunir elevada dependência externa e grande participação no consumo agrícola.

Crise do enxofre afeta produção brasileira

Mesmo dispondo de reservas de rocha fosfática em Minas Gerais e Goiás e da entrada em operação, em 2024, do Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, da EuroChem, com capacidade para produzir 1 milhão de toneladas anuais de fertilizantes fosfatados, o setor enfrentou novos obstáculos em 2026.

A Mosaic encerrou definitivamente as operações em Araxá e Patrocínio e suspendeu temporariamente as atividades nas unidades de Tapira e Catalão em razão da crise global no mercado de enxofre, cujo preço acumulou alta superior a 1.100%.

Segundo a CNA, esse aumento foi provocado pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, gargalos logísticos, redução da produção em países fornecedores e pela maior procura do insumo pelas indústrias de baterias para veículos elétricos e pelo setor industrial asiático.

Entidade defende medidas para reduzir dependência externa

Para diminuir a vulnerabilidade do país, a CNA propõe um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da produção nacional.

Entre as principais medidas estão a aprovação do projeto de lei Profert, o fortalecimento do Confert com a meta de atender 50% da demanda nacional até 2030, a criação de linhas de financiamento para armazenagem de fertilizantes, o incentivo ao uso de bioinsumos e a ampliação das pesquisas sobre fixação biológica de nitrogênio.

Na avaliação da entidade, ampliar a segurança no abastecimento de fertilizantes é uma estratégia essencial para preservar a competitividade do agronegócio brasileiro e garantir a segurança alimentar nos próximos anos.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agricultura

Fertilizantes no Brasil: dependência externa desafia agronegócio e coloca Petrobras diante de novo dilema

O Brasil, uma das maiores potências do agronegócio mundial, ainda enfrenta um desafio estratégico: a forte dependência de fertilizantes importados. No caso da ureia, principal fonte de nitrogênio utilizada nas lavouras, cerca de 80% do consumo nacional é abastecido por fornecedores internacionais, especialmente da Rússia, China e Oriente Médio.

As recentes crises geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, além da volatilidade dos preços e dos custos logísticos, evidenciaram a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos. Nesse contexto, a decisão da Petrobras de retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), reacendeu o debate sobre a produção nacional e o futuro dos fertilizantes no país.

Retomada da UFN-III busca reduzir dependência de importações

Paralisada desde 2014, a UFN-III deverá receber investimentos superiores a R$ 5 bilhões, com apoio do Novo PAC. A expectativa da Petrobras é concluir a planta entre o fim de 2028 e o início de 2029.

Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, volume suficiente para atender aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia.

Para o governo, o projeto representa um avanço na estratégia de fortalecimento da segurança alimentar e da soberania na produção de insumos agrícolas. Já para o setor produtivo, a retomada pode ampliar a oferta nacional, mas ainda há dúvidas sobre sua competitividade.

Preço do gás natural é principal obstáculo

Especialistas avaliam que o maior desafio da produção nacional não está na capacidade industrial, mas no custo da matéria-prima.

Segundo Marcelo Soto, head de Operações e Inteligência de Suprimentos da SCA, o gás natural responde por 60% a 80% do custo de fabricação da ureia. Enquanto grandes exportadores, como Rússia, Irã e Catar, trabalham com preços próximos de US$ 3 por milhão de BTUs, no Brasil esse valor pode chegar a US$ 15, comprometendo a competitividade da indústria nacional.

Mesmo com a localização estratégica da planta, próxima ao Gasbol, ainda não há garantia de que o custo do gás permitirá competir com os fertilizantes importados sem subsídios ou mudanças estruturais no mercado energético.

Agronegócio prioriza custo e flexibilidade

Além da concorrência com a ureia importada, a produção nacional também disputa espaço com outras fontes de nitrogênio, como o sulfato de amônio, amplamente importado da China, e o nitrato de amônio, fornecido principalmente pela Rússia.

Na prática, o produtor rural escolhe o fertilizante com base no menor custo disponível, independentemente da origem do produto.

Outro fator apontado por especialistas é a falta de regularidade histórica da produção nacional. Segundo Marcelo Soto, a Petrobras costuma operar de forma pontual, dificultando contratos de fornecimento de longo prazo e obrigando distribuidores e agricultores a manterem a dependência do mercado internacional.

Amônia verde entra no debate sobre o futuro dos fertilizantes

Embora a retomada da UFN-III seja considerada positiva sob o ponto de vista da segurança de abastecimento, o projeto também desperta questionamentos sobre sua atualização tecnológica.

A unidade foi concebida há cerca de 15 anos com base em processos convencionais de produção de amônia e ureia a partir do gás natural. Entretanto, diversos países já investem em tecnologias de baixo carbono, como a amônia verde, produzida por meio do hidrogênio verde.

Especialistas ouvidos pelo setor avaliam que adaptar a planta para esse novo modelo poderia aumentar sua competitividade no longo prazo, embora os custos atuais da tecnologia ainda sejam elevados.

Transição energética depende da redução dos custos

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Luiz Viga, afirma que a produção de fertilizantes verdes representa uma alternativa estratégica para o Brasil.

Segundo ele, ao utilizar água e eletricidade renovável em vez de gás natural, o país pode aproveitar sua abundância de recursos energéticos para construir uma indústria mais competitiva no futuro.

No entanto, Viga alerta que o principal desafio não está na tecnologia, mas no custo da energia elétrica. Encargos setoriais e outros componentes tarifários ainda dificultam a viabilidade econômica dos projetos de hidrogênio verde.

Apesar disso, ele destaca que os custos internacionais vêm caindo rapidamente. Em mercados como China e Índia, projetos de amônia verde já apresentam valores significativamente inferiores aos registrados há poucos anos.

Brasil busca fortalecer produção nacional de fertilizantes

Programas federais de incentivo, como o Profert, também fazem parte da estratégia para ampliar a produção nacional e reduzir a dependência das importações.

A expectativa do setor é que os primeiros investimentos em fertilizantes produzidos com hidrogênio verde avancem até 2028, com unidades entrando em operação a partir de 2030. Para especialistas, a consolidação dessa tecnologia poderá transformar gradualmente o mercado brasileiro ao longo da próxima década.

Enquanto isso, a retomada da UFN-III representa um passo importante para ampliar a oferta nacional, mas especialistas ressaltam que sua efetividade dependerá de fatores como competitividade, custo do gás natural e evolução das tecnologias sustentáveis.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Agronegócio

Abertura de mercados amplia exportações do agronegócio brasileiro para 13 parceiros comerciais

O governo brasileiro concluiu uma série de negociações sanitárias e fitossanitárias que abrem caminho para a exportação de novos produtos do agronegócio brasileiro a 13 mercados internacionais. As autorizações envolvem países da América Latina, África e Eurásia, ampliando as oportunidades comerciais para diferentes segmentos da produção nacional.

Os novos acordos contemplam Argentina, Bolívia, El Salvador, Equador, Etiópia, Guiana, Honduras, Nicarágua, Nigéria, Paraguai, República Dominicana, Venezuela e os países que integram a União Econômica Euroasiática.

Produtos autorizados abrangem genética animal, sementes e alimentos

Entre os produtos que receberam autorização para exportação estão o sêmen de pacu-caranha destinado à Argentina, couro bovino salgado para a Bolívia e material genético bovino para El Salvador.

Também foram liberadas vendas de milho pipoca para Equador e República Dominicana, sementes de coco para a Guiana, mudas de cana-de-açúcar e material genético bovino para Honduras, além de sementes de pimenta habanero para a Nicarágua.

O Paraguai passará a receber sementes de mamona, enquanto a Venezuela autorizou a importação de sementes de maracujá produzidas no Brasil.

Mercado africano amplia oportunidades para produtos brasileiros

Na África, a Etiópia aprovou a entrada de farinhas e gorduras de pescado, produtos derivados de ruminantes e outros ingredientes utilizados na alimentação animal, além de hemoderivados destinados ao setor.

Já a Nigéria abriu seu mercado para a importação de ovos férteis, ampliando as oportunidades para a cadeia produtiva avícola brasileira.

União Econômica Euroasiática libera importação de castanha de caju

Outro destaque das negociações foi a abertura do mercado da União Econômica Euroasiática para a castanha de caju brasileira.

O bloco econômico reúne Rússia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Armênia e representa um importante destino para os produtos agropecuários nacionais. Somente no último ano, os países membros importaram mais de US$ 1,4 bilhão em mercadorias do setor, com destaque para soja, carnes e café.

Agronegócio acumula 639 novas aberturas de mercado desde 2023

Com as novas autorizações, o Brasil alcança a marca de 639 aberturas de mercado em 97 destinos internacionais desde o início de 2023.

O resultado reforça a estratégia de diversificação das exportações e ampliação da presença do agronegócio brasileiro em diferentes regiões do mundo, reduzindo barreiras comerciais e fortalecendo a competitividade dos produtos nacionais.

As conquistas são resultado da atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), responsáveis pelas negociações técnicas e diplomáticas que viabilizaram os novos acessos comerciais.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MAPA

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Internacional

China alcança recorde histórico na produção de grãos e supera 714 milhões de toneladas

A China registrou em 2025 a maior produção de grãos de sua história, alcançando 714,9 milhões de toneladas, segundo dados oficiais divulgados pelo governo. O volume representa um crescimento de 8,4 milhões de toneladas em relação ao ano anterior e consolida o país acima do patamar de 700 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo.

Safra cresce apesar de desafios climáticos

De acordo com o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais, o desempenho foi alcançado mesmo diante de condições climáticas adversas, como secas, enchentes e períodos prolongados de chuvas em diferentes regiões do país. A resiliência da produção reforça a estratégia chinesa de fortalecer a segurança alimentar.

Colheitas de outono impulsionam crescimento

O vice-ministro da Agricultura, Zhang Xingwang, afirmou que as colheitas de outono foram responsáveis por mais de 90% da expansão anual. O crescimento da produção se concentrou principalmente nas províncias do nordeste da China, além da Mongólia Interior e de Xinjiang, que juntas responderam por cerca de 70% do avanço nacional.

Entre as culturas, o milho teve papel decisivo, contribuindo com aproximadamente 75% do aumento total da produção de grãos.

Soja e carnes mantêm trajetória de alta

No segmento de oleaginosas, a soja alcançou 20,91 milhões de toneladas, permanecendo acima da marca de 20 milhões pelo quarto ano consecutivo. Já a produção total de proteínas animais — incluindo carnes suína, bovina, ovina e de aves — avançou 4,2%, somando 100,72 milhões de toneladas.

Tecnologia impulsiona produtividade no campo

O governo chinês atribui parte relevante do desempenho ao avanço da tecnologia agrícola. A taxa de mecanização do plantio e da colheita chegou a 76,7%, enquanto a frota de drones agrícolas ultrapassou 300 mil unidades, cobrindo aproximadamente 30 milhões de hectares.

Esse progresso também se refletiu na renda rural, com aumento real de 6% no rendimento disponível per capita da população do campo.

Reformas agrárias estão no radar do governo

Para os próximos anos, o Ministério da Agricultura anunciou a aceleração de reformas estruturais, incluindo a ampliação de programas-piloto que estendem os contratos de terras rurais por mais 30 anos, medida considerada estratégica para dar previsibilidade aos produtores e sustentar o crescimento do setor.

FONTE: Agro Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobe Stock

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Agricultura

Brasil destaca avanços na regulação de agrotóxicos e bioinsumos em simpósio internacional na Coreia do Sul

Durante o Simpósio Internacional sobre Sistemas de Registro de Pesticidas, realizado na Coreia do Sul, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, apresentou as principais mudanças implementadas pelo Brasil nos últimos dois anos na área de agrotóxicos e bioinsumos. À frente da delegação brasileira, ele destacou o esforço de modernização do marco regulatório e a consolidação de um sistema mais claro, transparente e alinhado às demandas da agricultura contemporânea.

Novo marco dos agrotóxicos reforça transparência e rigor técnico
Goulart explicou que a legislação atualizada sobre agrotóxicos não alterou critérios técnicos, mas aprimorou a clareza das normas e tornou obrigatória a análise de risco em todas as etapas decisórias. Segundo ele, o objetivo foi organizar e dar visibilidade ao que o país já aplicava, preservando o rigor técnico característico do sistema brasileiro.

O novo arcabouço também fortalece o modelo tripartite, envolvendo o Mapa na avaliação da eficiência agronômica, a Anvisa na análise de toxicidade humana e o Ibama na avaliação ambiental. A legislação ainda reforça o papel do Mapa na coordenação das análises, alinhando-as às prioridades estratégicas do setor agropecuário.

Lei de Bioinsumos atende à expansão das tecnologias biológicas
Na segunda parte da apresentação, o secretário abordou a nova Lei de Bioinsumos, sancionada no fim do ano passado. O marco legal responde ao crescimento acelerado do uso de produtos biológicos no campo — hoje adotados por 49% dos agricultores brasileiros, com expectativa de superar 70% nos próximos dez anos.

A legislação cria um sistema abrangente capaz de contemplar tecnologias inovadoras, como produtos derivados de plantas, animais e microrganismos, incluindo organismos geneticamente modificados. Outro avanço é permitir que um mesmo insumo tenha múltiplas funções, como fertilizante e pesticida ao mesmo tempo, evitando registros duplicados e reconhecendo a multifuncionalidade dos biológicos de nova geração.

Brasil assume liderança global em regulamentação de biológicos
Para Goulart, o novo marco representa uma das iniciativas mais abrangentes do mundo na área de bioinsumos. Apesar dos avanços, ele destacou desafios em curso, entre eles a proteção da propriedade intelectual, especialmente para tecnologias que não são patenteáveis.

O decreto que regulamentará a Lei de Bioinsumos está em fase final de elaboração e deve ser concluído nos próximos meses. Goulart reforçou que o Brasil continuará demandando insumos químicos, mas se consolida como o maior mercado global de tecnologias biológicas, o que exige um ambiente regulatório moderno e eficiente.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Internacional

Macron sinaliza assinatura do acordo UE–Mercosul para o dia 20, dizem empresários brasileiros

A expectativa pela assinatura do acordo UE–Mercosul ganhou novo impulso após empresários brasileiros relatarem que o presidente francês, Emmanuel Macron, indicou o dia 20 como data possível para a conclusão do trato comercial. A sinalização ocorreu durante encontros realizados em Paris nesta quinta-feira (27), dentro da programação do Lide, fórum empresarial fundado por João Doria.

Reunidos no Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros, representantes de grandes companhias e líderes políticos discutiram parcerias estratégicas, taxação de produtos brasileiros e entraves que ainda travam o acordo birregional. No período da tarde, parte dos executivos foi recebida por Macron para aprofundar o diálogo.

Resistências francesas continuam no debate

Apesar do otimismo, a resistência da França permanece como principal obstáculo. Pressionado por agricultores, Macron tem adotado uma postura mais conservadora em relação ao tratado — posição já demonstrada durante a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Paris e em encontros internacionais como a COP30, em Belém.

O ex-presidente Michel Temer, presente ao evento, voltou a cobrar a conclusão das negociações. Ele lembrou que, durante sua gestão, houve forte empenho dos países do Mercosul para finalizar o acordo, mas entraves do setor agrícola francês dificultaram o processo.

Temer ressaltou que, após duas décadas de tratativas, o entendimento deveria ter sido alcançado há anos, e afirmou acreditar no esforço conjunto de Macron e Lula para finalizar o texto.

Expectativa por assinatura ainda em dezembro

A ex-ministra Kátia Abreu, defensora histórica da aproximação entre os blocos, também demonstrou otimismo. Ela afirmou aguardar a conclusão do acordo há 15 anos e reforçou que a data de 20 de dezembro, proposta por Lula, pode finalmente marcar a formalização do pacto.

Para Kátia, o tratado representaria um avanço estratégico para o Brasil, para o Mercosul e para os europeus, quebrando um período prolongado sem novos acordos comerciais. Segundo ela, o entendimento ajudaria a “tirar a Europa do isolamento” e ofereceria ganho econômico para ambos os lados.

Produtores franceses buscam garantias

O presidente da JBJ Agropecuária, José Batista Júnior, destacou que a missão brasileira busca tranquilizar o governo francês e seus produtores rurais quanto à concorrência com o agronegócio brasileiro. Ele afirmou que o objetivo é mostrar que o comércio entre os blocos pode contribuir para estabilidade de preços, controle da inflação e equilíbrio nas importações e exportações.

Kátia Abreu também reconheceu que setores brasileiros podem sentir impactos, citando especialmente os produtores de vinho, preocupados com o aumento da competitividade dos rótulos franceses — amplamente apreciados no mercado nacional.

Energia, tecnologia e sustentabilidade em pauta

Além da discussão comercial, o fórum empresarial abordou temas como transição energética, minerais estratégicos, segurança alimentar, sustentabilidade e potencial tecnológico. Entre as autoridades francesas presentes estavam representantes de empresas como a Engie, além da ministra da Francofonia, Eleonore Caroit, e da presidente do Conselho Regional de Île-de-France, Valérie Pécresse.

Pécresse reforçou que França e Brasil precisam de uma parceria mais robusta, construída sobre equilíbrio e benefícios mútuos.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/DC News

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Exportação

União Europeia restabelece pre-listing para exportações brasileiras de carne de aves e ovos

A União Europeia confirmou oficialmente ao governo brasileiro o restabelecimento do sistema de pre-listing para estabelecimentos que exportam carne de aves e ovos. A retomada foi comunicada por meio de carta enviada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), marcando o fim de um bloqueio que durava desde 2018.

Mercado europeu volta a abrir portas ao setor avícola
O ministro Carlos Fávaro celebrou a decisão, classificando-a como uma “grande notícia” para o setor. Segundo ele, o mercado europeu — considerado remunerador e estratégico — permaneceu fechado por sete anos às plantas brasileiras de frango e ovos.

Processo de habilitação ganha agilidade
Com o pre-listing restabelecido, os estabelecimentos que cumprirem os requisitos sanitários da União Europeia poderão ser indicados diretamente pelo Mapa. Após a comunicação ao bloco europeu, as plantas ficam aptas a exportar sem a necessidade de inspeção individual pelas autoridades da UE.
O modelo devolve agilidade, previsibilidade e facilita o fluxo de comércio, já que o Mapa passa a atestar quais unidades atendem plenamente às normas europeias.

Três anos de negociações até a reabertura
Fávaro lembrou que o processo exigiu três anos de trabalho técnico e diplomático. Com a confirmação europeia, todas as agroindústrias brasileiras que produzem frango e ovos e que atendam aos critérios sanitários passam a ter acesso imediato ao mercado europeu.

Agenda bilateral intensa garantiu o avanço
A retomada é fruto de uma negociação contínua entre o Mapa e a Comissão Europeia. Em 2 de outubro, uma missão brasileira em Bruxelas — liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua — apresentou pedidos prioritários, como o retorno do pre-listing para proteína animal, o avanço para a reabertura dos pescados e o reconhecimento da regionalização de enfermidades.
No dia 23 de outubro, uma reunião de alto nível em São Paulo entre Rua e o comissário europeu de Agricultura, Christophe Hansen, consolidou os entendimentos sanitários. O encontro registrou o avanço para o pre-listing de aves, encaminhou o mesmo procedimento para ovos e definiu a realização de uma auditoria europeia no sistema de pescados.

Cooperação sanitária será permanente
As duas partes também acertaram a criação de um mecanismo permanente de diálogo para tratar de temas sanitários e regulatórios, com nova reunião prevista para o primeiro trimestre de 2026. A medida busca fortalecer transparência, previsibilidade e reduzir entraves técnicos no comércio agropecuário.

Reconhecimento reforça inspeção brasileira
Com o pre-listing restabelecido, o Brasil reafirma a força e a credibilidade de seus serviços oficiais de inspeção sanitária, garantindo conformidade com as exigências do mercado europeu. A decisão também impulsiona uma agenda de facilitação de comércio, baseada em critérios técnicos e cooperação regulatória entre Brasil e União Europeia.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Comércio Exterior

EUA retiram tarifas agrícolas, mas Brasil segue em desvantagem

A decisão dos Estados Unidos de suspender as tarifas recíprocas de 10% para 238 itens agrícolas deve favorecer outros países exportadores, enquanto o Brasil permanece com desvantagem competitiva. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que lembra que os produtos brasileiros continuam enfrentando uma sobretaxa de 40% no mercado americano, mesmo após o anúncio da Casa Branca.

Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, a revisão parcial não muda a realidade atual. Segundo ele, países não afetados pela sobretaxa tendem a ampliar suas vendas aos EUA. Alban defende que o Brasil busque rapidamente um acordo para restabelecer condições mais equilibradas de competição em seu principal destino de exportações industriais.

Produtos beneficiados e limitações do recuo
Uma análise preliminar feita pela CNI indica que a retirada da tarifa de 10% se aplica a 80 produtos brasileiros, entre os 238 listados pelos EUA. Entre os beneficiados estão carne bovina, tomates, café, bananas e outros itens do agronegócio. No entanto, apenas quatro produtos – três tipos de suco de laranja e castanha-do-pará – ficarão totalmente livres de tarifas.

Os demais 76 itens, incluindo setores nos quais o Brasil possui forte presença internacional, como carne bovina e café não torrado, continuarão sujeitos à tarifa de 40% para entrar no mercado americano. Em 2024, as exportações desses 80 produtos somaram US$ 4,6 bilhões, cerca de 11% do total enviado pelo Brasil aos Estados Unidos.

FIEMG vê avanço tímido e impacto ainda incerto
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) reconhece que o gesto dos EUA representa um avanço, mas ressalta que seus efeitos são limitados para os exportadores brasileiros. A entidade destaca que persistem dúvidas relevantes sobre a manutenção da sobretaxa de 40%, que continua prejudicando segmentos como carnes e café, fundamentais para a competitividade industrial mineira.

Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, o movimento americano demonstra disposição ao diálogo, mas ainda está longe de garantir condições adequadas de concorrência. Ele defende que as negociações avancem para eliminar barreiras adicionais e recuperar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado dos EUA.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Alex Wong/Getty Images

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Internacional

Estados Unidos e Argentina anunciaram o acordo comercial e de investimento: os detalhes

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, anunciaram a criação de um Marco para um Acordo sobre Comércio e Investimento Recíprocos, com o objetivo de fortalecer a relação econômica bilateral, estimular a abertura de mercados e promover a cooperação em áreas estratégicas.

O acordo busca estabelecer condições claras, estáveis e baseadas em regras para o comércio e os investimentos entre os dois países, apoiando-se nas reformas que a Argentina já colocou em prática para modernizar sua economia. A iniciativa inclui benefícios tarifários, abertura de mercados agrícolas e industriais, padrões regulatórios comuns, proteção da propriedade intelectual e cooperação em áreas como trabalho, meio ambiente e comércio digital.

Entre os principais pontos, destaca-se que a Argentina oferecerá acesso preferencial a produtos dos EUA, como medicamentos, máquinas, tecnologias da informação e produtos agrícolas. Por sua vez, os Estados Unidos eliminarão tarifas para certos recursos naturais argentinos e para medicamentos não patenteados, e levarão em conta o impacto do acordo ao aplicar medidas comerciais relacionadas à segurança nacional.

No setor agrícola, ambos os países se comprometeram a melhorar as condições de acesso aos mercados de carne bovina e de aves, além de facilitar o comércio de produtos como miudezas, carne suína e laticínios. Também foi acordado não restringir o uso de determinados termos relacionados a carne e produtos lácteos.

Eliminação de barreiras

O documento destaca que a Argentina eliminará barreiras não tarifárias, como licenças de importação e formalidades consulares, e se comprometeu a desmantelar gradualmente o imposto estatístico sobre produtos dos EUA. Além disso, passará a se alinhar a padrões internacionais em vários setores e reconhecerá certificações de órgãos norte-americanos como a FDA.

Em relação à propriedade intelectual, a Argentina avançará no combate à falsificação e à pirataria e trabalhará para alinhar sua legislação a padrões internacionais, atendendo observações feitas no Relatório Especial 301 do governo dos EUA.

O acordo também inclui compromissos para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado, combater o desmatamento ilegal, promover o uso eficiente de recursos e aplicar normas internacionais sobre subsídios à pesca.

Os dois países concordaram em cooperar em segurança econômica para enfrentar práticas comerciais distorcivas de terceiros países, alinhar políticas de controle de exportações, investimentos e evasão tarifária, e fortalecer o comércio de minerais críticos. Além disso, a Argentina revisará o papel de suas empresas estatais e os subsídios industriais.

No que diz respeito ao comércio digital, será criado um marco legal que facilite a transferência transfronteiriça de dados pessoais com os EUA, evitando discriminações contra serviços digitais norte-americanos e reconhecendo a validade de assinaturas eletrônicas emitidas sob a legislação dos EUA.

Estados Unidos e Argentina trabalharão para concluir o texto final do acordo e cumprir os procedimentos internos necessários para sua entrada em vigor. Também se comprometeram a supervisionar sua implementação por meio do marco do Acordo TIFA e do Fórum de Inovação e Criatividade para o Desenvolvimento Econômico.

FONTE: Comercio y Justicia
IMAGEM: Reprodução/Comercio y Justicia

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