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Casos de gripe aviária disparam entre aves de quintal no Brasil

Mudança nas rotas migratórias impulsiona a disseminação; áreas urbanas registram infecções.

O Brasil registrou um aumento acentuado nos surtos de gripe aviária entre aves de subsistência e de quintal em julho, levantando alertas em todo o setor avícola do país. Especialistas alertam que reforçar as medidas de biosseguridade é essencial para evitar que o vírus atinja as granjas comerciais, como ocorreu em maio no Rio Grande do Sul — incidente que ainda impõe restrições às exportações de frango brasileiro.

Segundo o Ministério da Agricultura, oito surtos de influenza aviária altamente patogênica (H5N1) foram confirmados em julho, sendo sete deles envolvendo aves de quintal e um uma ave silvestre. Este é o maior número de casos em criações domésticas desde o início do monitoramento em junho de 2023. Ao todo, 185 surtos foram confirmados no país desde então.

Luizinho Caron, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, atribui o aumento a mudanças nas rotas migratórias e nas espécies de aves que vêm ao Brasil.

“Nas duas últimas temporadas, a maioria das aves migrando do Hemisfério Norte para o Sul seguiu a rota atlântica e pertencia principalmente à espécie de trinta-réis, que voa ao longo das zonas costeiras. Este ano, no entanto, estamos vendo mais aves costeiras que preferem lagos e rios utilizando a rota migratória do Mississippi, indo para o interior”, explicou Caron.

Aves costeiras têm maior probabilidade de carregar o vírus da gripe aviária, segundo Caron. Entre elas, o quero-quero é particularmente comum.

“É impossível separar o vírus trazido por aves migratórias das infecções em criações de quintal. Evitar o contato entre espécies é extremamente difícil em um país tão grande quanto o Brasil”, afirmou Raphael Lucio Andreatti Filho, professor de ornitopatologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Pela primeira vez, o H5N1 foi detectado nos principais centros urbanos do Brasil. Aves infectadas foram confirmadas no Parque Ibirapuera, em São Paulo, no BioParque do Rio de Janeiro e no Zoológico de Brasília.

“As aves migratórias tratam esses locais como resorts, com muita água e alimento disponível, o que aumenta o risco para as espécies locais”, disse Andreatti Filho.

Caron acredita que foram as aves costeiras que provavelmente levaram o vírus aos zoológicos de Brasília e do Rio.

Embora a atual onda de surtos esteja concentrada em criações de subsistência, especialistas alertam que as granjas comerciais estão mais expostas à medida que a circulação ambiental do vírus se amplia.

“Com mais vírus circulando, aumenta a chance de contato indireto”, disse Caron.

Andreatti Filho observou que a atividade humana pode, inadvertidamente, espalhar a doença: “Às vezes o vírus viaja no pneu de um carro ou na sola da bota de um produtor rural.”

Em março, o Ministério da Agricultura emitiu uma suspensão de 180 dias para exposições, feiras e competições de aves, com o objetivo de reduzir o risco de transmissão do vírus.

Mesmo assim, o monitoramento eficaz continua sendo um grande desafio. “O Brasil é um país enorme com inúmeras criações de quintal. É praticamente impossível inspecionar todas elas”, ressaltou Andreatti Filho.

Pesquisadores concordam que a vigilância é essencial: detecção rápida, isolamento imediato das aves infectadas e cumprimento dos protocolos do governo são fundamentais. Um surto comercial em Montenegro, no Rio Grande do Sul, em maio, serve como lembrete dos riscos.

Desde que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) declarou esse surto como contido, em junho, o Brasil tem trabalhado para recuperar o acesso a mercados de exportação importantes. No entanto, grandes compradores como China e União Europeia continuam impondo proibições totais ao frango brasileiro.

O Ministério da Agricultura não respondeu aos pedidos de comentário sobre o aumento dos surtos antes da publicação.

Fonte: Valor International

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Agricultura, Exportação, Notícias

Pluma: Mato Grosso registra em junho o 2º maior volume exportado para o mês

Volume de pluma enviado pelo estado representou 69,77% das exportações nacionais no período

As exportações de pluma em junho somaram 92,67 mil toneladas em Mato Grosso. O volume é considerado o segundo maior para o mês em toda a série histórica, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Compilado das exportações, trazido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em seu boletim semanal, destaca que a quantidade embarcada pelo estado representou 69,77% do total enviado pelo Brasil no mês.

Bangladesh e Turquia lideraram os embarques mato-grossenses de pluma, com 21,60 e 19,21 mil toneladas, respectivamente.

A China, que foi a maior importadora das últimas seis safras, adquiriu apenas 667 toneladas de pluma mato-grossense em junho, volume, conforme os dados, abaixo do habitual e o menor desde julho de 2022.

Ainda segundo o levantamento, o total observado até o momento, inclusive, é 2,31% acima das exportações totais da safra 2022/23.

A expectativa, frisa o Imea, é que o estado exporte 1,81 milhão de toneladas de pluma no fechamento do ciclo 2023/24. Dessa forma, para fechar a estimativa, o estado necessita exportar 75,05 mil toneladas em julho.

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Importação

Alta nas importações de trigo expõe escassez no Brasil

Brasil importou 487,04 mil toneladas de trigo em junho

A indústria moageira brasileira tem aumentado a importação de trigo, principalmente da Argentina. A medida busca contornar a escassez de oferta interna e antecipar possíveis impactos da redução de área cultivada na safra atual. A movimentação acende o alerta para a dependência externa do país em um momento de incertezas no mercado nacional.

Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o Brasil importou 487,04 mil toneladas de trigo em junho, sendo que 94,1% desse volume teve origem na Argentina — cerca de 458,18 mil toneladas. O Paraguai foi responsável por 5,9% do total, com 28,85 mil toneladas embarcadas. No acumulado do primeiro semestre de 2025, o volume importado somou 3,58 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 6,3% em relação ao mesmo período de 2024.

O movimento reflete, além da baixa disponibilidade interna, a estratégia dos moinhos em se antecipar a uma possível redução na produção nacional. A perspectiva de menor área cultivada, somada a fatores climáticos e incertezas econômicas, tem levado os agentes a buscar segurança no abastecimento via importação.

Mesmo com o aumento na entrada do cereal no país, os preços domésticos seguem em queda. Levantamentos do Cepea apontam que o recuo é influenciado pela pressão do câmbio e pela menor atuação dos compradores no mercado. A desvalorização tem gerado cautela por parte dos vendedores, que preferem adiar negociações à espera de melhores condições.

Esse cenário reforça a sensibilidade do mercado brasileiro de trigo às dinâmicas externas, especialmente à produção argentina. O país vizinho, historicamente o principal fornecedor de trigo para o Brasil, mantém sua posição estratégica no abastecimento nacional.

Nos próximos meses, o comportamento cambial e a evolução da safra nos países do Mercosul devem continuar influenciando os preços internos e o ritmo das importações. A atenção também se volta à nova temporada brasileira, que ainda apresenta incertezas quanto à área e produtividade.

Fonte: AgroLink

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Agricultura, Agronegócio, Industria, Informação, Sustentabilidade

EUA e Europa Enfrentam Queda de 40% na Produção de Alimentos, Alertam Cientistas

Andrew Hultgren, da Universidade de Illinois, e Richard Waite, do World Resources Institute, dizem que países grandes produtores estão menos adaptados que aqueles de áreas naturalmente mais quentes do planeta

Produção de alimentos têm se tornado um desafio em várias regiões do mundo

As regiões agrícolas mais férteis do planeta estão enfrentando um adversário formidável: as mudanças climáticas. Um novo estudo revela que países desenvolvidos, conhecidos por sua alta produção de alimentos, podem ver uma redução drástica na produção de milho e trigo, com perdas de até 40% nas próximas décadas.

O Estudo Revelador

Pesquisadores de instituições renomadas dos EUA e do exterior mapearam mais de 12 mil regiões em 55 países. A pesquisa, publicada na revista Nature, descobriu que, para cada aumento de 1°C na temperatura global, a produção de alimentos pode cair cerca de 120 calorias por pessoa por dia — quase 4,4% do consumo diário.

A Vulnerabilidade dos Celebridades da Agricultura

O estudo destaca que, mesmo com a implementação de estratégias de adaptação, áreas conhecidas como “celeiros agrícolas” estão sob grave ameaça. Andrew Hultgren, professor da Universidade de Illinois, sintetiza essa realidade dizendo: “Quem mais tem a perder, realmente, perde mais.” Ele ressalta que, em vez de as regiões mais pobres enfrentarem os maiores desafios, são os agricultores de locais como os EUA que agora correm riscos maiores.

O Papel do Aquecimento Global

Este estudo surge após outra pesquisa, que aponta um aumento sem precedentes na gravidade das secas globais devido ao aquecimento. Em 2022, 30% da superfície terrestre enfrentou secas de intensidade moderada a extrema, com grande parte disso sendo atribuída a temperaturas mais altas.

Um Paradoxo Assustador

Esse fenômeno cria um padrão surpreendente: as regiões que atualmente se destacam como grandes celeiros, beneficiadas por climas favoráveis, são as mais vulneráveis. Como destaca Hultgren, essas áreas não estão tão expostas ao calor extremo e, portanto, não desenvolveram adaptações a ele. Em contraste, as regiões mais quentes e de baixa renda já estão habituadas a lidar com extremidades climáticas, o que lhes confere uma leve vantagem.

O Impacto nas Culturas

As consequências para cultivos específicos são alarmantes. A produção de milho, por exemplo, poderá enfrentar uma queda de até 40% em áreas como o cinturão de grãos dos EUA, leste da China e partes da Ásia Central. Já o trigo, em países como Estados Unidos, Canadá e Rússia, deve ver perdas entre 30% e 40%.

Um Novo Olhar Sobre a Adaptação

A pesquisa também vai além de meras previsões, analisando como os produtores realmente se adaptam às mudanças climáticas. Hultgren comenta que, embora a adaptação não elimine por completo os riscos, ela pode mitigar cerca de um terço das perdas futuras.

Questões de Segurança Alimentar

A situação é crítica para a segurança alimentar global. Enquanto o arroz pode escapar de perdas significativas, outros cultivos enfrentam destinos sombrios. O impacto potencial é impressionante: as áreas mais produtivas do mundo podem ver suas rendas reduzidas, elevando a produção global e gerando aumento nos preços dos alimentos.

  • Desafios em Países de Baixa Renda
    • Mesmo que se adaptem melhor ao calor, essas regiões enfrentam suas próprias dificuldades.
    • Culturas essenciais, como a mandioca, podem sofrer perdas de até 40% na África Subsaariana, colocando em risco a segurança alimentar de populações inteiras que dependem da agricultura de subsistência.

O Custo das Mudanças

Os pesquisadores também calcularam como essas perdas agrícolas impactarão as políticas climáticas. Cada tonelada de CO₂ emitida pode custar à sociedade entre US$ 0,99 e US$ 49,48 devido a essas perdas, dependendo das suposições econômicas adotadas.

Uma Espiral de Desafios

Richard Waite, do World Resources Institute, ressalta que a diminuição dos rendimentos em um mundo que exige mais comida levará a uma pressão adicional sobre os ecossistemas naturais, criando um ciclo vicioso. Essa interação entre a produção agrícola e a saúde dos ecossistemas destaca a urgência de estratégias mais eficazes para se adaptar a um clima em mudança.

Propostas para o Futuro

Waite sugere que as abordagens tradicionais de adaptação precisam ser repensadas. “Devemos desenvolver culturas alimentares que não apenas aumentem os rendimentos, mas que também possam resistir a temperaturas altas e padrões de chuva imprevisíveis.”

A Necessidade de Ação Imediata

A pesquisa indica a urgência em reduzir as emissões e em apoiar a adaptação da agricultura e pecuária. O fracasso em agir pode resultar em uma crise alimentar global e em instabilidade social. Hultgren alerta: “Devemos acender um sinal de alerta sobre a segurança alimentar global e as tensões políticas em um futuro de aquecimento acentuado.”

Reflexões Finais

À medida que enfrentamos esses desafios climáticos, é crucial nos unirmos para buscar soluções. A situação pode parecer desalentadora, mas cada passo em direção à inovação e adaptação pode fazer a diferença. Convidamos você a refletir sobre o futuro da agricultura e como nossas escolhas de hoje moldarão os dias de amanhã.

Sua Opinião É Importante

Por fim, gostaríamos de ouvir o que você pensa sobre essas questões. Quais soluções você acredita que podem ser adotadas para mitigar os impactos das mudanças climáticas na agricultura? Sua voz é fundamental para construirmos juntos um futuro sustentável.

Fonte: Fronteira Econômica

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Agricultura, Comércio

Fundos elevam apostas na alta dos preços de soja na semana até 17 de junho

Fundos de investimento aumentaram suas apostas na alta dos preços de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) na semana encerrada em 17 de junho.

De acordo com dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), a posição líquida comprada desses participantes cresceu 77,6%, de 35.071 para 62.289 lotes.

No período, fundos elevaram suas apostas na queda dos preços de milho. A posição líquida vendida aumentou 12,6%, de 150.143 para 169.072 lotes.

Já o saldo vendido em trigo diminuiu 15,3% na semana até 17 de junho, de 87.669 para 74.256 lotes.

Fonte: Compre Rural

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Comércio Exterior, Importação, Mercado Internacional

A grande mudança na alimentação da China para reduzir importações de soja pressiona pequenos agricultores

A iniciativa da China de reduzir o uso de farelo de soja na alimentação animal para diminuir a dependência de importações é viável, mas será cara e tecnicamente desafiadora para os pequenos agricultores, que respondem por um terço da produção de carne suína do país, segundo especialistas do setor.

Em abril, a China anunciou um plano para reduzir o teor de farelo de soja nas rações animais para 10% até 2030, abaixo dos 13% registrados em 2023, à medida que a guerra comercial contínua com os EUA aumenta a urgência de Pequim em reforçar a segurança alimentar. Em 2017, o farelo de soja representava 17,9% da alimentação animal na China, segundo o Ministério da Agricultura do país.

Se for bem-sucedida, a China poderá reduzir as importações anuais de soja em cerca de 10 milhões de toneladas métricas — o equivalente à metade dos US$ 12 bilhões em compras de soja dos EUA realizadas pelo país em 2024 — segundo cálculos da Reuters e estimativas de dois analistas, o que deve diminuir a demanda dos agricultores nos EUA e do principal fornecedor, o Brasil.

Embora os principais criadores de suínos da China já tenham reduzido o uso de farelo de soja e possam fazer cortes adicionais utilizando fontes alternativas de proteína, os pequenos produtores provavelmente enfrentarão dificuldades devido a restrições de custo e maior sensibilidade a impactos no crescimento dos animais, afirmaram agricultores, nutricionistas e analistas.

A China abriga metade dos porcos do mundo.

“Existe uma preferência habitual significativa entre os pequenos produtores por formulações tradicionais à base de farelo de soja, em grande parte devido à familiaridade, confiança e percepção de confiabilidade”, disse Matthew Nicol, analista sênior da empresa de pesquisa China Policy.

“As grandes empresas vão se adaptar rapidamente, enquanto os pequenos produtores podem ficar para trás ou até enfrentar retrocessos”, afirmou ele.

Na China, os grãos de soja são processados para produzir óleo de cozinha e farelo — um ingrediente relativamente barato e rico em proteínas, usado para engordar porcos, aves e bovinos. O farelo de soja é valorizado na alimentação animal por seu perfil ideal de aminoácidos e pela compatibilidade com grãos ricos em energia, como milho e trigo.

A China, de longe o maior importador mundial de soja, reduziu sua dependência dos suprimentos dos EUA desde o início da guerra comercial durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump. Atualmente, a China compra cerca de 20% da sua soja dos EUA, uma queda em relação aos 41% registrados em 2016, mas ainda representa quase metade das exportações americanas da oleaginosa.

REDUÇÕES NO USO DE FARELO DE SOJA

Atualmente, o uso de farelo de soja na China já é menor do que em algumas outras regiões.

As rações para suínos nos Estados Unidos contêm, em média, entre 15% e 25% de farelo de soja, estimam especialistas, já que fontes alternativas de proteína — como o subproduto da produção de etanol de milho (distillers grain) e aminoácidos sintéticos — têm substituído o farelo de soja em certos períodos, segundo Hans Stein, nutricionista de suínos da Universidade de Illinois.

No Sudeste Asiático, a inclusão média é de cerca de 25% para aves e 20% para suínos, afirmou Basilisa Reas, diretora técnica regional com sede em Manila do U.S. Soybean Export Council.

Em comparação, a maior produtora de suínos da China, a Muyuan Foods (002714.SZ), reduziu o uso de farelo de soja para 5,7% da composição da ração em 2023, ante 7,3% em 2022. Já a Wens Foodstuff (300498.SZ) relatou uma média de 7,4% de inclusão de farelo de soja em sua ração composta em 2021, de acordo com comunicados da empresa e documentos do governo.

NO ENTANTO, PEQUENOS PRODUTORES ENFRENTAM DIFICULDADES

Pequenos produtores chineses, que criam 32% dos porcos, 63% do gado de corte e 12% dos frangos de corte do país, geralmente não têm capital, conhecimento técnico ou acesso a ferramentas de formulação de ração de precisão para reduzir o uso de farelo de soja, segundo analistas e nutricionistas.

Dados da plataforma de criação de suínos Zhue.com.cn mostram que fazendas familiares chinesas normalmente utilizam entre 15% e 20% de farelo de soja nas rações.

Um criador veterano, de sobrenome Wang, que cria de 200 a 300 porcos na província de Shanxi, no norte da China, utiliza 18% de farelo de soja na alimentação das porcas matrizes e acredita que uma dieta com menos farelo de soja desaceleraria o ganho de peso e prolongaria o ciclo de produção.

“Com dietas ricas em farelo de soja, posso alimentar menos,” disse ele. “Com rações com pouco farelo, preciso alimentar mais — ou os porcos ficam muito magros.”

ALTERNATIVAS CARAS E AINDA EM DESENVOLVIMENTO

As substituições do farelo de soja geralmente envolvem uma mistura de fontes alternativas de proteína, como farelo de colza, farelo de palmiste, farelo de arroz, farinha de peixe, além de suplementos de aminoácidos sintéticos, segundo Basilisa Reas.

No anúncio de abril, o Ministério da Agricultura da China incentivou o uso de alternativas como aminoácidos sintéticos, palha fermentada, milho de alto teor proteico e proteínas não derivadas de grãos, como proteína microbiana, proteína de insetos e resíduos alimentares. A meta é alcançar mais de 10 milhões de toneladas de produção de proteína não derivada de grãos até 2030.

Desde a guerra comercial iniciada no governo Trump, a China também vem promovendo a chamada “tecnologia de ração com baixo teor de proteína”, que reduz a dependência de farelo de soja ao complementar a dieta animal com aminoácidos sintéticos, especialmente entre grandes empresas do setor.

A Muyuan, por exemplo, está colaborando com a Universidade de Westlake, em Hangzhou, em pesquisas de biologia sintética voltadas para uma produção suína “zero-soja”.

No entanto, especialistas da indústria alertam que os aminoácidos sintéticos só conseguem substituir parcialmente as proteínas naturais e não atendem totalmente às exigências digestivas dos animais.

Pequim também apoia o cultivo de milho com alto teor de proteína — cerca de 667 mil hectares já foram plantados. Essa variedade contém mais de 10% de proteína, em comparação com os 8% do milho convencional.

A proteína de inseto também está ganhando espaço: fazendas de mosca soldado negra nas províncias de Shandong e Guangdong produzem 100 mil toneladas de ração por ano, atualmente em fase de testes para alimentação de aves, suínos e aquicultura, segundo a Guide to Chinese Poultry, uma revista apoiada pelo ministério da agricultura.

Contudo, a maioria dessas alternativas ainda é mais cara ou está em estágios iniciais de desenvolvimento.

No fim de maio, o farelo de soja no leste da China custava 66 yuans (US$ 9,19) por unidade de proteína — mais barato que a lisina (um aminoácido sintético), a 79 yuans por unidade, e que a proteína de milho, a 69 yuans, segundo um trader de Xangai.

“As operações agrícolas chinesas, no fim das contas, vão priorizar a lucratividade,” disse Even Rogers Pay, analista agrícola da Trivium China.
“Enquanto o farelo de soja continuar sendo a melhor opção em termos de custo e desempenho dos animais, continuará mantendo participação no mercado.”

Fonte: Reuters

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Agricultura, Tecnologia

Ministro Fávaro apresenta tecnologias do semiárido a ministros da União Africana em visita de campo a Petrolina

Com a primeira-dama Janja Lula da Silva, comitiva conheceu a experiência da Embrapa Semiárido e soluções em agricultura irrigada, fruticultura e convivência com a seca, fortalecendo a cooperação internacional em segurança alimentar

Em Petrolina (PE), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou nesta quarta-feira (21) de uma visita de campo no Vale do São Francisco, ao lado da primeira-dama Janja Lula da Silva. A agenda teve como foco a Embrapa Semiárido e produtores locais, com o objetivo de apresentar e divulgar tecnologias de convivência com a seca, desenvolvimento de rebanhos mais resistentes, agricultura irrigada e fruticultura tropicalizada. A atividade integrou a programação do “II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural”.

As comitivas, formadas por ministros brasileiros e representantes de países africanos, também visitaram a Unidade Produtiva da Fruticultura Nunes & Cia e participaram de encontros com pequenos produtores e intercambistas africanos da Universidade do Vale do São Francisco (UNIVASF). A iniciativa fortalece as relações de amizade, comerciais e de cooperação técnica com os países do continente africano, pautada no desenvolvimento sustentável e no respeito mútuo.

De acordo com o ministro Carlos Fávaro, a missão à região atendeu a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apresentar aos ministros da agricultura da União Africana exemplos concretos de superação dos desafios impostos pelo clima semiárido. “Petrolina, que antes era considerada uma região inóspita, hoje é referência para o Brasil e para o mundo na produção de alimentos de altíssima qualidade e tecnologia. Isso é fruto da resiliência e da determinação de um povo que encontrou na inovação a sua alternativa de desenvolvimento,” destacou Fávaro.

O ministro ressaltou ainda que a delegação africana pôde conhecer de perto o trabalho da Embrapa Semiárido, que há décadas desenvolve soluções para os desafios da agricultura em regiões áridas. “Estamos plenamente dispostos, por meio da Embrapa, a colaborar com os países africanos na transferência de tecnologias, para que possamos transformar outras regiões do mundo, hoje consideradas inóspitas, em territórios produtivos, gerando empregos e promovendo desenvolvimento econômico e social com excelência,” afirmou.

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, também celebrou a oportunidade de troca de experiências. “Ficamos muito felizes com a presença da delegação africana, que aceitou o convite do presidente Lula para conhecer de perto as experiências brasileiras em agricultura, desenvolvimento agrário, irrigação e produção de frutas no semiárido. Juntos, podemos combater a fome e a pobreza, tanto na África quanto no Brasil, e seguir avançando na nossa luta para sair do mapa da fome,” disse.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou o trabalho desenvolvido pela Embrapa Semiárido, que está comemorando 50 anos de atuação. “Desenvolvemos tecnologias voltadas à produção de alimentos, água e energia. Trabalhamos com sistemas integrados, soluções para pequenos produtores, projetos de cisternas, captação e reuso de água, além de práticas que garantem a sustentabilidade no semiárido,” explicou.

O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, Roberto Albino, agradeceu ao governo brasileiro pela oportunidade de conhecer de perto as soluções adotadas no semiárido. Segundo ele, a experiência é inspiradora e mostra que, com tecnologia e determinação, é possível transformar desafios em oportunidades. “Como disse o ministro Fávaro, não existem zonas inóspitas onde não se possa fazer algo pelo nosso povo. Saímos daqui com uma grande vontade de aprimorar o uso da água e impulsionar o desenvolvimento das nossas comunidades rurais. Levamos uma lição concreta de como é possível promover um desenvolvimento rural efetivo e sustentável.”

A visita também contou com a presença dos ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), André de Paula (Pesca e Aquicultura) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional).

SOBRE A EMBRAPA SEMIÁRIDO

A Embrapa Semiárido é uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Está localizada em Petrolina (PE) e tem como missão desenvolver soluções tecnológicas para promover a sustentabilidade dos sistemas agrícolas no semiárido brasileiro, atuando nas áreas de agropecuária de sequeiro, agricultura irrigada e manejo de recursos naturais.

Desde sua criação, em 10 de março de 1975, a unidade executa programas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de uma região que representa cerca de 12% do território brasileiro e abrange municípios de todos os estados do Nordeste, além de partes de Minas Gerais e Espírito Santo.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agricultura, Negócios, Tecnologia

Em Pequim, Mapa participa de reunião com a Academia Chinesa de Ciências para cooperação na área de pesquisa

Controle do greening nos citros, melhoramento genético da soja e avanços tecnológicos na cana-de-açúcar estão entre as prioridades da parceria Brasil-China

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, e parte da delegação brasileira que está em missão na China, visitou nesta quinta-feira (15) a Chinese Academy of Sciences (CAS) para discutir a ampliação da cooperação científica entre os países. A parceria tem como foco principal o desenvolvimento de tecnologias para o controle do greening (huanglongbing) nos citros, além do melhoramento genético de soja e cana-de-açúcar.

“É importante para nós explorarmos as possibilidades de cooperação nas mais diversas áreas de atuação econômica e técnica entre Brasil e China. Principalmente em relação ao greening, em busca de uma solução para o controle da doença”, destacou o secretário Carlos Goulart.

Considerada principal praga de cultivos de citros do mundo, o greening não possui tratamento e se propaga em alta velocidade. Segundo Goulart, o uso de biotecnologia ou de edição gênica pode representar um avanço significativo para encontrar um controle mais efetivo e permanente da doença.

Além da citricultura, a reunião também tratou do desenvolvimento de tecnologias voltadas ao melhoramento molecular da soja e a adoção de novas tecnologias no campo para cana-de-açúcar, beneficiando diretamente os sistemas produtivos de ambos os países.

Os representantes chineses demonstraram interesse e disposição para ampliar a colaboração científica com o Brasil.

A CAS é a mais importante instituição científica da China na área de ciências naturais, com 106 institutos de pesquisa, dos quais cerca de 40 são voltados ao agronegócio. Além disso, o Brasil é atualmente o país latino-americano com maior interação com a Academia, o que reforça o potencial da parceria estratégica entre os dois países.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agricultura, Comércio Exterior, Gestão, Greve, Informação, Logística

Sindifisco participará de audiência pública sobre os impactos da greve na Comissão de Agricultura da Câmara

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), da Câmara dos Deputados, aprovou a realização de audiência pública para debater os impactos da operação-padrão dos Auditores-Fiscais da Receita Federal no setor agropecuário. O assunto entrou na pauta, nesta quarta (23), após aprovação do Requerimento nº 51/2025, de autoria do deputado Pedro Lupion (PP-PR). O diretor de Assuntos Parlamentares do Sindifisco Nacional, Auditor-Fiscal Floriano de Sá Neto, acompanhou a reunião (veja vídeo). A audiência ainda não tem data definida para ocorrer. 

A pedido da Direção Nacional, o deputado Ricardo Salles (Novo-SP), que subscreveu o Requerimento 51, solicitou à presidência do colegiado a inclusão do sindicato no rol de participantes da audiência pública – o que foi imediatamente atendido. Também por iniciativa da Diretoria de Assuntos Parlamentares, o deputado Vicentinho Júnior (PP-TO) apresentou o Requerimento nº 54/2025 pedindo igualmente a participação do Sindifisco Nacional. Inicialmente, estavam convidados somente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas. Com a inclusão, o presidente do sindicato, Auditor-Fiscal Dão Real, fará parte da mesa de debates. “Estamos trabalhando também em várias outras Comissões”, disse Floriano. 

Os Auditores-Fiscais estão em greve pelo reajuste do vencimento básico há mais de quatro meses. A Direção Nacional tem atuado em diversas frentes de pressão ao governo federal – entre elas, com um forte trabalho parlamentar – para a construção de caminhos para o fim do movimento da categoria com atendimento do pleito dos Auditores. A mobilização da categoria, dentre outras consequências, provoca demora na entrada e saída de mercadorias no país, impacta na liberação de passageiros em viagens internacionais e vem causando problemas no programa de declaração do Imposto de Renda.

FONTE: Sindifisco Nacional
Sindifisco participará de audiência pública sobre os impactos da greve na Comissão de Agricultura da Câmara – Sindifisco Nacional

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Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Negócios, Sustentabilidade

UE reduz exigências de regra contra desmatamento para importadores

Bloco decidiu flexibilizar o número de documentos que empresas precisarão apresentar para importar produtos como café, soja e carne bovina

União Europeia decidiu flexibilizar parte das regras para conter o desmatamento em todo o mundo, tornando mais fácil para os importadores provarem que obtiveram os documentos necessários.

A Comissão Europeia, órgão executivo do bloco, informou na terça-feira (15) que as empresas poderão apresentar declarações de A Comissão também flexibilizou as obrigações para que as empresas verifiquem o cumprimento das regras por parte de fornecedores abaixo de sua cadeia de suprimentos.

O esforço da UE para reduzir o desmatamento, não apenas no bloco, mas em países como o Brasil, tornou-se um dos elementos mais controversos dos planos do Green Deal do bloco. anualmente, em vez de fazer isso a cada carga importada.

A legislação – que visa combater o desmatamento em produtores de commodities como cafécacausoja e carne bovina – tem sido criticada por seu alcance global e pela burocracia que impõe aos agricultores e importadores.

“Nosso objetivo é reduzir a burocracia para as empresas e, ao mesmo tempo, preservar os objetivos do regulamento”, disse Jessika Roswall, comissária de meio ambiente da UE. “Estamos comprometidos com a implementação das regras da UE sobre o desmatamento.”

As medidas devem resultar em uma redução de 30% nos custos administrativos, disse a comissão.

Após meses de pressão, em outubro, a UE adiou a implementação das regras em um ano, de modo que agora elas entrarão em vigor no final de 2025.

A comissão deve classificar os países de acordo com seu nível de risco de desmatamento até o final de junho.

Fonte: Bloomberg Línea

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