Internacional

Estados Unidos e Argentina anunciaram o acordo comercial e de investimento: os detalhes

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, anunciaram a criação de um Marco para um Acordo sobre Comércio e Investimento Recíprocos, com o objetivo de fortalecer a relação econômica bilateral, estimular a abertura de mercados e promover a cooperação em áreas estratégicas.

O acordo busca estabelecer condições claras, estáveis e baseadas em regras para o comércio e os investimentos entre os dois países, apoiando-se nas reformas que a Argentina já colocou em prática para modernizar sua economia. A iniciativa inclui benefícios tarifários, abertura de mercados agrícolas e industriais, padrões regulatórios comuns, proteção da propriedade intelectual e cooperação em áreas como trabalho, meio ambiente e comércio digital.

Entre os principais pontos, destaca-se que a Argentina oferecerá acesso preferencial a produtos dos EUA, como medicamentos, máquinas, tecnologias da informação e produtos agrícolas. Por sua vez, os Estados Unidos eliminarão tarifas para certos recursos naturais argentinos e para medicamentos não patenteados, e levarão em conta o impacto do acordo ao aplicar medidas comerciais relacionadas à segurança nacional.

No setor agrícola, ambos os países se comprometeram a melhorar as condições de acesso aos mercados de carne bovina e de aves, além de facilitar o comércio de produtos como miudezas, carne suína e laticínios. Também foi acordado não restringir o uso de determinados termos relacionados a carne e produtos lácteos.

Eliminação de barreiras

O documento destaca que a Argentina eliminará barreiras não tarifárias, como licenças de importação e formalidades consulares, e se comprometeu a desmantelar gradualmente o imposto estatístico sobre produtos dos EUA. Além disso, passará a se alinhar a padrões internacionais em vários setores e reconhecerá certificações de órgãos norte-americanos como a FDA.

Em relação à propriedade intelectual, a Argentina avançará no combate à falsificação e à pirataria e trabalhará para alinhar sua legislação a padrões internacionais, atendendo observações feitas no Relatório Especial 301 do governo dos EUA.

O acordo também inclui compromissos para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado, combater o desmatamento ilegal, promover o uso eficiente de recursos e aplicar normas internacionais sobre subsídios à pesca.

Os dois países concordaram em cooperar em segurança econômica para enfrentar práticas comerciais distorcivas de terceiros países, alinhar políticas de controle de exportações, investimentos e evasão tarifária, e fortalecer o comércio de minerais críticos. Além disso, a Argentina revisará o papel de suas empresas estatais e os subsídios industriais.

No que diz respeito ao comércio digital, será criado um marco legal que facilite a transferência transfronteiriça de dados pessoais com os EUA, evitando discriminações contra serviços digitais norte-americanos e reconhecendo a validade de assinaturas eletrônicas emitidas sob a legislação dos EUA.

Estados Unidos e Argentina trabalharão para concluir o texto final do acordo e cumprir os procedimentos internos necessários para sua entrada em vigor. Também se comprometeram a supervisionar sua implementação por meio do marco do Acordo TIFA e do Fórum de Inovação e Criatividade para o Desenvolvimento Econômico.

FONTE: Comercio y Justicia
IMAGEM: Reprodução/Comercio y Justicia

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Agricultura

França mantém posição contrária ao acordo UE-Mercosul, diz ministra da Agricultura

A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, reiterou neste domingo (9) que o país não assinará o acordo entre a União Europeia e o Mercosul caso ele prejudique os produtores rurais franceses. A declaração reforça a postura cautelosa de Paris dias após o presidente Emmanuel Macron ter demonstrado otimismo quanto à aprovação do tratado.

“Queremos proteger nossos agricultores, e por isso a França não firmará um acordo que, no fim das contas, os condene”, afirmou Genevard ao Journal du Dimanche (JDD). Segundo ela, a França mantém “linhas vermelhas” inegociáveis nas discussões com o bloco sul-americano.

Exigências da França no acordo

A ministra destacou três condições essenciais para que o país aceite o pacto comercial:

  1. Uma cláusula de salvaguarda agrícola, que permita acionar um “freio de emergência” caso os preços caiam por causa de importações em larga escala;
  2. Medidas que impeçam a entrada de produtos agrícolas que não respeitem os padrões europeus de saúde e meio ambiente;
  3. Controles sanitários mais rigorosos para proteger o mercado interno.

Genevard afirmou que ainda há pontos em aberto e prometeu manter “vigilância total” sobre o processo. “Quem decide? Quem verifica? Quais critérios acionam o mecanismo? Estamos avaliando tudo isso, sempre com a mesma pergunta: este sistema realmente protege nossos agricultores?”, questionou.

Apoio de outros países europeus

Questionada sobre a possibilidade de a França bloquear o acordo UE-Mercosul, especialmente após o Brasil mencionar a intenção de assiná-lo até 20 de dezembro, Genevard respondeu que Paris “tem os meios para fazer sua voz ser ouvida”. Ela acrescentou que outros Estados-membros — Polônia, Áustria, Holanda, Irlanda e Hungria — compartilham das mesmas preocupações.

“Enquanto essas garantias não forem formalmente escritas, validadas e aceitas pelos parceiros do Mercosul, a França manterá sua posição”, reforçou.

Divergência com Macron

Na última quinta-feira (4), durante visita ao Brasil, Emmanuel Macron afirmou estar “bastante otimista” quanto ao avanço do acordo, embora tenha ressaltado que o país continuaria “vigilante”. Poucas horas depois, em passagem pelo México, o presidente voltou a dizer que a França “ainda aguarda respostas claras”.

As declarações de Macron foram recebidas com críticas por setores agrícolas e parte da classe política francesa, que consideram o pacto inaceitável nos moldes atuais.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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Comércio Exterior

Agricultores franceses criticam Macron por apoio ao acordo entre União Europeia e Mercosul

Declaração do presidente na COP30, em Belém, é vista como ameaça à soberania agrícola da França e gera forte reação do setor rural.

Macron sinaliza apoio ao Mercosul e irrita agricultores franceses

A fala de Emmanuel Macron durante a COP30, realizada em Belém (PA), provocou forte repercussão na França. Ao afirmar estar “bastante positivo” em relação ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, o presidente francês foi acusado por representantes do agronegócio de trair os interesses do campo e comprometer o modelo produtivo nacional.

Durante o encontro de chefes de Estado que antecedeu a conferência climática, Macron destacou que permanece “vigilante” e atento aos interesses franceses, mas a aproximação com o Mercosul foi vista como um gesto político de abertura que desagradou profundamente o setor agrícola.

Setor rural fala em “ruptura total” com o governo

Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, principal sindicato agrícola da França, reagiu de forma contundente. Segundo ele, a postura do presidente representa “uma ruptura total com a agricultura francesa”.

“Não deixaremos que nosso modelo, nossos empregos e nossa soberania sejam liquidados”, afirmou Rousseau, convocando os eurodeputados franceses a se oporem à ratificação do tratado. O líder sindical prometeu ainda uma mobilização nacional contra o acordo, que, em sua visão, sacrificaria a produção agrícola francesa em nome de uma globalização sem regras.

Governo tenta conter danos políticos

A ministra da Agricultura, Annie Genevard, tentou minimizar o impacto das declarações de Macron. Segundo ela, “os limites deste acordo na França são conhecidos desde o início” e, apesar de alguns avanços nas negociações, “a conta ainda não fecha”.

A posição francesa sobre o acordo UE-Mercosul tem oscilado ao longo dos últimos anos. Em fevereiro de 2025, durante o Salão da Agricultura de Paris, Macron havia classificado o tratado como “um texto ruim”. Desde então, a Comissão Europeia anunciou cláusulas de salvaguarda para proteger setores sensíveis, especialmente o agroalimentar, o que teria influenciado a mudança de tom do presidente.

O que está em jogo no acordo UE-Mercosul

Negociado há mais de duas décadas, o acordo entre União Europeia e Mercosul busca reduzir tarifas comerciais e ampliar o acesso mútuo aos mercados. Para a UE, o tratado abriria espaço para exportações de automóveis, máquinas e bebidas alcoólicas. Já os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — poderiam expandir suas vendas de carne bovina, açúcar, arroz e mel no continente europeu.

A França tem sido uma das maiores opositoras do texto desde 2019, alegando riscos ambientais e concorrência desleal. A pressão de sindicatos agrícolas, ambientalistas e parlamentares tem travado a aprovação do acordo, que depende da ratificação pelos parlamentos nacionais dos países europeus.

A volta do tema ao centro do debate geopolítico

Com a fala de Macron em Belém, o acordo UE-Mercosul volta ao centro das discussões econômicas e diplomáticas. O episódio reacendeu tensões internas na França e reforçou o sentimento de resistência entre os agricultores, que veem na abertura comercial uma ameaça direta à sobrevivência do modelo produtivo francês.

FONTE: Terra
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS – Stephane Mahe / RFI

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Agricultura, Exportação

União Europeia fará auditoria no sistema sanitário do Brasil em 2026 e pode reabrir mercado de pescados

UE confirma auditoria no sistema sanitário brasileiro

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou nesta terça-feira (4/11) que a União Europeia realizará uma auditoria no sistema sanitário brasileiro no primeiro semestre de 2026. O objetivo é avaliar a possível reabertura do mercado europeu para pescados do Brasil, cujas exportações estão suspensas desde 2017.

Segundo Fávaro, a auditoria representa “uma oportunidade concreta para que o mercado europeu volte a receber os pescados brasileiros”. O anúncio foi feito após o encerramento do segundo dia da Conferência dos Ministros da Agricultura das Américas, realizada em Brasília.


Auditoria deve ocorrer entre maio e junho de 2026

De acordo com a equipe técnica do Ministério da Agricultura, a visita dos auditores europeus está prevista para entre maio e junho de 2026. Embora o ministro tenha mencionado a análise das plantas frigoríficas de pescados, o foco da missão será o sistema sanitário nacional, etapa essencial para garantir o retorno das exportações ao bloco europeu.


Exportação de ovos e carnes de aves ganha novo impulso

Durante o evento, Fávaro também informou que a União Europeia aceitou o sistema de pré-listing para a exportação de ovos brasileiros. Com a medida, todas as agroindústrias que seguirem os protocolos sanitários poderão vender seus produtos diretamente ao mercado europeu, sem necessidade de inspeção prévia de cada planta.

A decisão reforça o avanço recente nas relações comerciais com o bloco, que há menos de duas semanas também aprovou o pré-listing para exportação de carnes de aves.


Brasil amplia mercados para proteína animal

Outro ponto destacado pelo ministro foi a abertura do mercado do Suriname para a carne suína brasileira. “Na próxima semana vamos formalizar o protocolo e oficializar a abertura de mercado”, afirmou Fávaro, destacando que a medida amplia o alcance internacional da proteína animal brasileira.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária / Com informações da imprensa oficial.
Texto: Redação

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Comércio

Mercosul fará notificações conjuntas à OMC para agilizar harmonização regulatória

Os países do Mercosul chegaram a um acordo técnico inédito para enviar notificações conjuntas à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre projetos e resoluções do Subgrupo de Trabalho 8 (SGT-8), responsável por temas de agricultura. A iniciativa marca um avanço no processo regulatório do bloco, ao permitir que as propostas sejam submetidas à consulta pública internacional antes de sua aprovação definitiva.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), coordenou as negociações e atuará como ponto focal das notificações à OMC.

Cooperação entre países do Mercosul

Com o novo modelo, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai passarão a comunicar, de forma coordenada e transparente, os demais membros da OMC sobre regulamentos em elaboração dentro do bloco. O procedimento aumenta a previsibilidade, permite colaborações técnicas externas e contribui para reduzir retrabalho e acelerar prazos de implementação das normas regionais.

A medida abrange áreas estratégicas como saúde animal, sanidade vegetal e vitivinicultura, setores em que a harmonização regulatória é essencial para o acesso ao mercado regional e para a competitividade internacional.

Ao consolidar uma única notificação por regulamento, o Mercosul cria um canal unificado para receber comentários e sugestões internacionais, favorecendo a avaliação de impactos e o alinhamento com boas práticas multilaterais.

Próximos passos do acordo

O texto segue agora para análise política no Grupo Mercado Comum (GMC). Se aprovado, a resolução entrará em vigor imediatamente, e a SCRI/Mapa dará início ao fluxo operacional das notificações — definindo cronogramas, recepção de comentários e encaminhamentos técnicos junto aos órgãos competentes dos quatro países.

O que muda na prática

  • Canal único de transparência: um expediente conjunto do Mercosul por regulamento, substituindo notificações individuais por país;
  • Consulta internacional prévia: regulamentos em elaboração serão submetidos a comentários de outros membros da OMC antes da adoção final;
  • Previsibilidade regulatória: etapas e prazos mais claros para harmonização no âmbito do SGT-8;
  • Coordenação estruturada: enquanto o Brasil estiver na Presidência Pro Tempore, a SCRI/Mapa centralizará o envio e acompanhamento das notificações em articulação com as contrapartes nacionais e regionais.

Modernização regulatória no bloco

A proposta representa uma modernização dos marcos regulatórios do Mercosul, reforçando a integração entre os setores público e privado no processo de formulação de normas agropecuárias. O objetivo é garantir maior transparência, base técnica e alinhamento às práticas multilaterais, fortalecendo a credibilidade internacional do bloco.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcos Oliveira/Agência Senado

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Internacional

Senado discute avanços do Acordo Mercosul-União Europeia e prevê assinatura até dezembro

Após 25 anos de negociações, o Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia voltou ao centro das discussões no Senado Federal. A Comissão de Relações Exteriores (CRE) realizou, na última terça-feira (21), uma audiência para avaliar as perspectivas de assinatura, ratificação e entrada em vigor do tratado, que deve ser oficializado ainda neste ano, segundo diplomatas envolvidos nas tratativas.

O tratado unirá dois blocos que somam mais de 700 milhões de pessoas e um PIB conjunto de US$ 22 trilhões. A previsão é que sejam firmados dois textos: um acordo econômico-comercial provisório e outro acordo de parceria completo, sujeito à aprovação de todos os Estados-membros da União Europeia (UE). Ao abrir a sessão, o senador Esperidião Amin (PP-SC) destacou a importância do debate para medir o “pulso” das negociações. “O propósito do Brasil não mudou, e esperamos que o da União Europeia venha ao encontro das nossas aspirações”, afirmou.

A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, explicou que o acordo está em fase final de tramitação. A Comissão Europeia já encaminhou o texto ao Conselho Europeu, que deverá votar os dois instrumentos paralelos: o acordo de parceria completo, que exige a ratificação de todos os parlamentos nacionais, e o acordo comercial provisório, que depende apenas da aprovação do Conselho, por maioria qualificada. Pelo menos 15 dos 27 países europeus — representando 65% da população da UE — precisarão aprovar o texto. O Parlamento Europeu também deve validar o acordo por maioria absoluta. Quando o documento integral entrar em vigor, substituirá o acordo provisório.

Schuegraf ressaltou que o processo é complexo, devido à diversidade linguística e política dos 27 países europeus. Mesmo assim, ela destacou a importância estratégica da parceria: “Este acordo vantajoso abrirá oportunidades de crescimento sustentável e reforçará nossos valores comuns. Perder essa oportunidade seria um erro colossal, com reflexos para gerações futuras”, afirmou.

O embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, informou por videoconferência que o Mercosul já está preparado para a assinatura. Segundo ele, o trabalho de tradução e revisão jurídica dos textos — em 24 idiomas — está sendo finalizado. “Se tudo correr bem, poderemos assinar ambos os textos no Brasil em meados de dezembro, antes do fim do ano”, explicou. O diplomata destacou que o acordo comercial poderá entrar em vigor rapidamente, enquanto a parte mais ampla, que exige a ratificação dos 27 países da UE, pode levar vários anos. No caso do Mercosul, a entrada em vigor será individual, conforme a aprovação dos parlamentos nacionais.

Costa e Silva observou que há mal-entendidos sobre o impacto agrícola do tratado. Segundo ele, a questão se tornou mais política do que técnica. “O Mercosul já cumpre todos os requisitos de qualidade exigidos e é o principal fornecedor de alimentos da Europa”, afirmou. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reconheceu que a agricultura ainda é um ponto de atrito, mas reforçou os benefícios mútuos: “Esse será o maior acordo comercial já assinado entre blocos. Todos terão ganhos — alguns imediatos, outros a longo prazo.” O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) complementou que a parceria deve ser vista sob uma ótica de benefício mútuo, com complementaridade entre os blocos: industrialização europeia e produção agroalimentar latino-americana.

A embaixadora da Dinamarca no Brasil, Eva Bisgaard Pedersen, afirmou que o país, na presidência rotativa do Conselho da União Europeia, atua para facilitar o consenso interno e espera a assinatura do acordo em dezembro. Ela destacou o papel da abertura comercial e da inovação no sucesso econômico dinamarquês, além da relevância da parceria com o Mercosul para diversificar cadeias produtivas. “Não acreditamos em protecionismo. O acordo entre os blocos pode ser um catalisador de crescimento e prosperidade em ambos os lados do Atlântico”, disse. Atualmente, a União Europeia é o maior investidor estrangeiro no Brasil, responsável por 39% dos investimentos diretos, que ultrapassaram R$ 3 trilhões em 2023.

Ao final da sessão, a CRE aprovou requerimento do senador Esperidião Amin para realizar uma audiência pública sobre os impactos da nova Lei dos Estrangeiros de Portugal na comunidade brasileira residente no país.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior

Brasil e União Europeia fortalecem cooperação sanitária e avançam em facilitação de comércio

O Brasil e a União Europeia (UE) deram mais um passo importante na consolidação de sua parceria comercial e agropecuária. Nesta quinta-feira (23), o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, reuniu-se em São Paulo com o comissário europeu de Agricultura, Christophe Hansen, em um encontro de alto nível voltado ao avanço de temas sanitários e de facilitação de comércio. Também participaram da reunião o diretor do Departamento de Negociações Não-Tarifárias e de Sustentabilidade do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Augusto Billi, a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, além de representantes da Comissão Europeia.

O encontro deu continuidade às negociações iniciadas durante a missão brasileira à União Europeia em outubro e resultou em avanços concretos na pauta sanitária bilateral. Um dos principais resultados foi o retorno do sistema de pré-listagem (pre-listing) para estabelecimentos brasileiros habilitados a exportar carne de aves ao bloco europeu — uma medida que simplifica o processo de autorização e reforça a confiança mútua entre as partes. O Brasil também atendeu a pleitos europeus relacionados ao acesso a mercados, demonstrando disposição para equilibrar interesses e ampliar as oportunidades de comércio agrícola.

Durante o encontro, foram discutidos novos temas que seguirão em desenvolvimento, como a auditoria da União Europeia para avaliação do sistema brasileiro de pescados, a pré-listagem de estabelecimentos de ovos e carne bovina, o reconhecimento mútuo de produtos orgânicos, a regionalização de enfermidades e a certificação eletrônica e harmonização de certificações sanitárias. Essas iniciativas visam aumentar a transparência, simplificar os trâmites comerciais e fortalecer a segurança alimentar entre os dois mercados.

Brasil e União Europeia reafirmaram o compromisso com o diálogo contínuo e com a busca de soluções conjuntas para temas de interesse comum. Ficou acordada a retomada de um mecanismo permanente de alto nível para tratar dessas pautas, com a próxima reunião marcada para o primeiro trimestre de 2026. As discussões também abordaram as oportunidades e benefícios que poderão surgir com a eventual conclusão do acordo Mercosul–União Europeia, destacando o impacto positivo para agricultores brasileiros e europeus.

Ainda pela manhã, o secretário Luís Rua participou da abertura da Missão Empresarial Agroalimentar da União Europeia, evento que apresentou oportunidades de negócios e parcerias estratégicas entre empresários do setor agroalimentar dos dois lados do Atlântico. Ao encerrar as atividades, o Brasil reiterou seu compromisso com a previsibilidade, transparência e estabilidade nas relações com a União Europeia, reforçando a confiança mútua e o potencial de crescimento sustentável entre os parceiros.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Internacional

Trump sinaliza reduzir tarifas à China, mas exige retomada da compra de soja dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (19) que está disposto a reduzir as tarifas sobre produtos chineses, desde que a China adote medidas favoráveis em contrapartida. Segundo ele, o país asiático “terá que fazer coisas por nós também” para que as taxas sejam revistas.

Nas últimas semanas, Trump voltou a elevar as tarifas sobre importações chinesas, chegando a um aumento total de 100%, somado aos 30% já em vigor. A decisão reacendeu as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Soja volta ao centro das negociações comerciais

Entre as exigências de Trump está a retomada das compras de soja norte-americana pela China. O republicano pediu que os embarques retornem “ao menos aos níveis anteriores” e demonstrou otimismo quanto a um novo acordo comercial para reaquecer as exportações agrícolas dos EUA.

A China é o maior importador de grãos do mundo e, até recentemente, dependia fortemente dos produtores norte-americanos. No entanto, a guerra comercial deflagrada por Trump no início do ano reduziu drasticamente o volume negociado, abrindo espaço para outros fornecedores — principalmente o Brasil, que ampliou sua participação no mercado chinês.

Exportações dos EUA caíram quase 80%

De acordo com um relatório da American Farm Bureau Federation (AFBF), entidade que representa cerca de 6 milhões de agricultores norte-americanos, o volume exportado de soja dos EUA para a China caiu 78% entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024.

O estudo, assinado pela economista Faith Parum, destaca que “entre junho e agosto, os Estados Unidos praticamente não enviaram soja para a China, e o país não comprou nenhuma soja da nova safra”.

Apesar da queda nas importações dos EUA, o relatório ressalta que a China manteve seu consumo de soja, substituindo os grãos americanos por produtos do Brasil, Argentina e outros países.

“Mesmo com preços competitivos, a China vem reduzindo sua dependência dos Estados Unidos, priorizando fornecedores alternativos”, aponta o documento.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Internacional

Nigéria e Brasil firmam acordo de US$ 1 bilhão para modernizar a agricultura e fortalecer a segurança alimentar

A Nigéria e o Brasil assinaram um acordo de cooperação de US$ 1 bilhão voltado à modernização da agricultura e ao reforço da segurança alimentar, marcando uma nova fase nas relações bilaterais entre a maior economia da África e a principal potência agroindustrial da América Latina.

O anúncio foi feito em Abuja, após reunião entre o vice-presidente nigeriano Kashim Shettima e o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin. O acordo prioriza a mecanização em larga escala, a transferência de tecnologia e a criação de centros de capacitação rural, com foco em fortalecer toda a cadeia de valor agrícola — desde a produção até o processamento. Atualmente, o setor emprega mais de 35% da força de trabalho nigeriana, mas responde por menos de 25% do PIB, devido à baixa produtividade.

Da subsistência à produção em escala

O projeto tem como base o modelo brasileiro “Mais Alimentos Internacional”, que impulsionou economias rurais na América Latina por meio de linhas de crédito, difusão tecnológica e cooperativas agrícolas.
Com o novo acordo, a Nigéria deverá receber centenas de tratores modernos, sistemas de irrigação e equipamentos de pós-colheita.

A formação técnica e o desenvolvimento de capacidades também são pilares centrais da parceria. Institutos agrícolas brasileiros colaborarão com universidades e escolas técnicas nigerianas na criação de currículos voltados à gestão do agronegócio, agricultura mecanizada e práticas sustentáveis adaptadas ao clima.

Segundo Shettima, a iniciativa representa “um marco na transição da Nigéria da agricultura de subsistência para uma agricultura comercial sustentável”, em sintonia com o objetivo do governo de atingir uma economia de US$ 1 trilhão até 2030.

Diversificação e atração de investimentos

Além do setor agrícola, o acordo abrange áreas como energia, defesa e infraestrutura. Especialistas interpretam a iniciativa como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação econômica, que coloca a agricultura como motor de emprego e alternativa à dependência das oscilações do petróleo.

Para o Brasil, a parceria representa um novo impulso nos mercados agrícolas emergentes da África. Empresas brasileiras dos ramos de fertilizantes, irrigação e engenharia agrícola devem ter papel essencial na execução do programa, abrindo caminho para novos fluxos de investimento Sul-Sul.

Desafios e perspectivas

Apesar do otimismo, o sucesso do projeto dependerá de coordenação eficaz entre os governos federal e estaduais, de mecanismos claros de financiamento e de fiscalização rigorosa para evitar o mau uso dos equipamentos — problema que prejudicou iniciativas anteriores.

Ainda assim, a dimensão e o desenho da parceria Nigéria–Brasil trazem expectativas positivas. Com tecnologia, capacitação e crédito direcionado no centro da estratégia, o acordo pode transformar o cenário agrícola nigeriano e consolidar o país como fornecedor regional de alimentos.

Se plenamente implementado, o programa deverá aprofundar a diversificação econômica da Nigéria e reforçar seu protagonismo na transformação agrícola africana.

FONTE: Further Africa
IMAGEM: Reprodução/Further Africa

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Agronegócio

Farsul: País vive maior crise de crédito rural desde Plano Real, aponta Farsul

Os valores disponíveis para o Crédito Rural no Brasil estão cada vez mais escassos, indica um levantamento realizado pela Assessoria Econômica da Farsul. Há um movimento de retração nos recursos fazendo este ser o pior momento da história desde o Plano Real, em 1995. E o alerta dado pela Federação é de que ainda não chegamos ao ápice da crise.

Conforme os dados divulgados pela Farsul, somente no primeiro trimestre do período da atual safra 2025 – 2026 (jul-ago-set) já há uma queda de 23% nos recursos disponíveis de custeio na comparação com o ciclo anterior. Nos investimentos a queda é de 44%. Esse montante é referente a todo país, no Rio Grande do Sul os percentuais de retração são, respectivamente, 25% e 39%. “Portanto, não há uma diferença que aponte para cá o problema, é um quadro geral. Não estamos vivendo uma crise de crédito no Rio Grande do Sul, por conta de tudo que vivemos. Estamos vivendo uma crise de crédito no Brasil, a maior da história, seguramente”, comenta o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz.

Luz explica que é normal a cada ano o anúncio do Plano Safra superar o anterior. “A agricultura cresce, então sempre o ministro do turno anuncia que o dele é o maior Plano Safra da história. Sim, mas isso é assim desde sempre, porque o agro cresce, a necessidade de dinheiro aumenta”, esclarece. Entretanto, o economista atenta que a maior parte desse recurso não é público, portanto, não é controlado. “75% do dinheiro não recebe um centavo de subsídio, então é natural que ele cresça. Só que nós estamos vivendo um momento diferente. Apesar do anúncio ter sido o do maior Plano Safra da história, estamos vendo a maior distância entre o que se anunciou e o que efetivamente se observou. Isso já no plano safra anterior. E o 2025/2026 ainda não terminou, mas, ele está bem pior do que do ano passado”, alertou.

A diferença entre o anunciado e realizado já aconteceu com frequência nos anos anteriores. “Mas, agora o que nós estamos vendo é algo completamente diferente de tudo. A queda é vertiginosa. Eu Não estou vendo somente uma diferença entre o anúncio e o realizado. Eu estou vendo queda no realizado”, diz Luz. Na prática, os recursos disponibilizados são inferiores ao período anterior. “Antes havia diferença entre o anúncio e o disponível. O anúncio era muito maior que a realidade, mas crescia efetivamente, não o montante anunciado, mas era maior. Agora não, agora há uma queda e grande do valor que é liberado. E isto é a primeira vez que estamos experimentando”, completa.

Para o economista, o resultado pode refletir diretamente nos números da safra que inicia. Há a possibilidade de menor tecnologia nas lavouras e pode, inclusive, impactar no tamanho das áreas cultivadas. “É uma situação mais extrema, mas como nós nunca experimentamos isso antes, entendemos que todas as possibilidades estão sobre a mesa” avalia.

Inadimplência

Atrelado a esse cenário, outro ponto de preocupação está na elevada inadimplência do setor. Em julho de 2025, a taxa de inadimplência estava em 5,14%, a maior registrada até então. “O recorde anterior, que tinha sido em 2017, tinha sido pouco mais de 3% e nos preocupa porque isso ainda está subindo”, alerta Antonio. A taxa com crédito controlado está em 1,86%, enquanto a de taxas de mercado atingiu 9,35%.

Em relação a inadimplência com juros livres, a péssima notícia é que o cenário está longe de ser estabilizado ou retrair, mas, pelo contrário. “O juro livre tem uma correlação com a Taxa Selic de 8 períodos atrás, ou seja, ainda não chegamos no fundo do poço da inadimplência. Vamos aumentar mais porque ainda temos efeitos de aumentos de juros anteriores. Existe uma defasagem entre a decisão do COPOM e o que acontece na economia. Inflação, inadimplência, tudo isso tem efeito defasado. Por isso que o Banco Central chama isso de Horizonte”, explica Luz.

“Uma decisão do COPOM hoje não é para resolver os problemas de hoje, é para resolver os problemas daqui 9 a 12 meses. Então, nós ainda estamos tendo o efeito não da Selic estável em 15%, mas, ela subindo ainda. Ou seja, ainda vai piorar a inadimplência antes de começar a melhorar”, afirma o economista-chefe.

O caminho, para Luz, começa com o Governo Federal anunciando planos exequíveis e enfrentando as questões da inadimplência e disponibilização de recursos de crédito. “Assim como o uso de mitigadores como seguro rural e Proagro que sofreram retrocessos enormes no Brasil nos últimos anos. A crise de confiança sobre o produtor ficou muito grande. Irá leva anos para levantar o seguro de novo”, exemplifica.

Alienação Fiduciária

A origem da inadimplência está relacionada aos juros, mas o aumento dela torna o crédito rural mais escasso e, consequentemente, a crise mais grave. “São duas coisas que caminham juntas, elas se retroalimentam”, destaca Antonio da Luz. “A inadimplência faz com que os bancos aumentem o seu nível de segurança. Só que para aumentar o seu nível de segurança, eles estimulam o aumento da inadimplência, porque o produtor não pega crédito. Ele não tem o que fazer, ele vai lá e vende o produto para comprar insumo e vem a inadimplir”, descreve.

Um dos reflexos está no aumento de exigências para liberação dos recursos. O sistema financeiro passou a utilizar a alienação fiduciária para aprovação e crédito. “O agravamento, em todo o Brasil, das questões ligas a adimplência de obrigações contraídas por produtores e alavancagem demasiada trouxe uma incerteza neste panorama e os bancos aproveitaram a ocasião para se utilizar de um instituto que é o da alienação fiduciária”, ressalta o diretor Jurídico da Farsul, Nestor Hein.

O advogado reforça a orientação da Federação aos produtores sobre a questão. “Temos alertado ao produtor que já está numa situação que não é boa, que está sujeito a licitudes de secas novamente. Qualquer problema que haja, ele poderá não ter o recurso e perder a sua propriedade. Então, que ele procure sempre tomar recursos por outra modalidade. Por hipoteca, por exemplo, ou outros meios que não a alienação fiduciária, que é um meio muito expedido, muito rápido e muito comprometedor do património”, destacou.

Hein faz questão de esclarecer que não se trata de uma crítica ao sistema financeiro ou ao instrumento. “A alienação fiduciária não é um mal. Ela se justifica, por exemplo, na compra de um automóvel, um bem que não tinhas e que se não o pagar, irá perder rapidamente. Agora, para quem não está nessa situação, é algo que não recomendamos. Não é nada contra o sistema bancário. Mas, se trata de uma atividade que é feita a céu aberto, sujeita a intempéries. Uma garantia tão larga não nos parece uma boa ideia e não aconselhamos”, justifica.

FONTE: Farsul
IMAGEM: Reprodução/Compre Rural

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