Agricultura

Área técnica do Mapa alerta para efeitos do fim da moratória da soja

Na avaliação da equipe do Ministério da Agricultura e Pecuária, a suspensão do acordo pode prejudicar a imagem de sustentabilidade do grão brasileiro no exterior

A área técnica do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) elaborou um parecer listando eventuais efeitos da suspensão da chamada moratória da soja sobre as exportações brasileiras. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pela CNN.

Na avaliação da equipe do Mapa, a moratória da soja se tornou um instrumento de comprovação da sustentabilidade do grão produzido no Brasil. Por essa razão, a suspensão do mecanismo pode ser vista como um retrocesso pelos compradores internacionais.

“O Ministério da Agricultura e Pecuária informa que a nota técnica citada expressa uma análise preliminar e não corresponde a um posicionamento consolidado do ministério, como devidamente explicitado nas conclusões do referido documento”, diz o Mapa em nota enviada à CNN.

Em 18 de agosto, a Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu suspender, de modo preventivo, os efeitos da moratória da soja. Na ocasião, o órgão antitruste também resolveu instaurar um processo administrativo contra empresas e associações signatárias do acordo.

Uma semana depois, a Justiça Federal de Brasília derrubou em caráter liminar a decisão do Cade, restaurando a vigência do acordo.

A moratória da soja é um acordo privado entre grandes tradings e exportadoras do produto, que impede a comercialização do grão produzido em área desmatada da Amazônia Legal após 2008.

O trato foi firmado após a implementação do Código Florestal e, portanto, impede a compra do grão de áreas mesmo que o corte de vegetação tenha ocorrido obedecendo às leis.

O acordo divide o agronegócio. Por um lado, as tradings argumentam que a moratória foi responsável por frear o desmatamento, melhorando a imagem da soja do Brasil no exterior. Do outro, os produtores de soja criticam o acordo por entenderem que é uma conduta anticoncorrencial.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional

Agricultores franceses disparam contra acordo Mercosul-UE: ‘traição programada’

Maior sindicato agrícola da França acusa Bruxelas e Paris de sacrificar os agricultores franceses para favorecer grandes exportadores industriais

A assinatura do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul voltou a ser alvo de críticas dos agricultores franceses que classificam o tratado como “uma traição programada ao modelo agrícola francês e ao consumidor”. O movimento ganhou força na última semana, depois que a Comissão Europeia apresentou ao Conselho Europeu a proposta final para a assinatura e conclusão do acordo.

A Coordination Rurale, maior sindicato agrícola da França, acusa Bruxelas e Paris de sacrificar os agricultores franceses para favorecer grandes exportadores industriais, — como os setores de máquinas, aviões e automóveis — enquanto o setor rural arcaria com os maiores custos. “O rolo compressor avança, e a agricultura vai se ver esmagada em nome dos interesses de financistas e de grandes grupos”, disse Véronique Le Floc’h, presidente da Coordination Rurale.

O comunicado não poupa críticas ao governo de Emmanuel Macron. Segundo o sindicato, Paris “deixou de defender seus agricultores” e aceitou um processo acelerado de negociação que permite a aplicação provisória do acordo mesmo antes da ratificação pelos 27 parlamentos nacionais. 

A entidade vê ainda uma fragilidade nas cláusulas de salvaguarda, que, na prática, dependerá da iniciativa dos próprios Estados para denunciar violações e poderiam ser acionadas apenas após prejuízos já consolidados. Ao apresentar as medidas de salvaguardas, a Comissão Europeia, destacou-as como proteção à produção agrícola do continente, uma vez que as mesmas, estabelecem ações contra a importação excessiva de carne bovina, frango e açúcar de países membros do Mercosul.

Além disso, para a Coordination Rurale, o acordo ameaça a sobrevivência da agricultura francesa, colocando-a em concorrência direta com produtos do Mercosul que, segundo a entidade, seriam menos rigorosos em termos de normas ambientais e sociais. “Trata-se do fim da nossa soberania alimentar e da ruína de anos de esforços por uma alimentação de qualidade”, afirma o comunicado.

O sindicato também critica a abertura dos mercados públicos da UE a fornecedores estrangeiros, alertando que escolas e serviços públicos podem acabar servindo alimentos “de qualidade medíocre, em detrimento da saúde dos consumidores”.

Por fim, a organização pede que os deputados franceses assumam responsabilidade e bloqueiem a adoção do texto no Parlamento Europeu. O sindicato ainda convoca partidos políticos a buscarem soluções constitucionais para impedir a entrada em vigor do acordo. “A França e a Europa vivem de ilusões ao acreditar que sua agricultura poderá resistir ao tsunami da concorrência global”, enfatiza a Coordination Rurale. 

Fonte: Agro Estadão

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Negócios

Brasil e Costa Rica fortalecem cooperação agrícola e ampliam comércio bilateral

Missão oficial do Mapa resultou em novas aberturas de mercado e reforçou integração regional

Após dois dias de missão oficial à Costa Rica, encerrada no dia 29 de agosto e voltada ao fortalecimento das relações bilaterais e à ampliação da cooperação agrícola entre os dois países, a delegação brasileira liderada por Augusto Luis Billi, diretor de Negociações Não-Tarifárias e de Sustentabilidade da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), acompanhado por Danilo Tadashi Tagami Kamimura, coordenador-geral de Temas Sanitários e Fitossanitários, e pela adida agrícola em San José, Priscila Rech Moser, conquistou avanços concretos com a abertura do mercado costarriquenho para subprodutos bovinos destinados à alimentação animal e milho de pipoca do Brasil, além da autorização para a entrada de sementes de quiabo e de aspargo da Costa Rica no mercado brasileiro.

A missão incluiu reunião bilateral com o diretor do Serviço Fitossanitário do Estado (SFE), e o diretor-geral do Serviço Nacional de Saúde Animal (Senasa), ocasião em que foram discutidos avanços em temas como carnes, material genético, farinhas, mel e cooperação técnica.

A delegação brasileira também esteve na sede do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), onde foi recebida pelo diretor-geral, Manuel Otero, e pelo vice-diretor-geral, Lloyd Day. O encontro tratou da integração regional e dos preparativos para a Junta Interamericana de Agricultura (JIA), que será realizada no Brasil em novembro, antecedendo a COP 30.

No IICA, os representantes conheceram ainda o Centro de Interpretação para a Agricultura e a Inovação (Cimag), espaço interativo de 400 m² dedicado à agricultura digital e às tecnologias aplicadas ao campo, que combina recursos de realidade aumentada, inteligência artificial e simulações digitais.

Com cerca de 5,2 milhões de habitantes, a Costa Rica importou mais de US$ 272 milhões em produtos agropecuários brasileiros em 2024, com destaque para cereais, farinhas e preparações. O fortalecimento da relação comercial com o país e a diversificação da pauta exportadora fortalece a presença brasileira no mercado local e amplia o potencial de comércio bilateral.

A missão reforçou o empenho do Brasil e da Costa Rica em ampliar parcerias agropecuárias, diversificar mercados e fortalecer a cooperação técnica em favor do desenvolvimento sustentável de ambos os países.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agricultura, Economia, Exportação

Brasil fecha acordo com Japão para exportar produtos de gordura animal

Produtos são usados na fabricação de ração animal e pet food

O Ministério da Agricultura e Pecuária informou nesta terça-feira (2) ter concluído negociação tarifária com o governo do Japão para exportação de produtos à base de gordura de aves, suínos e bovinos.

Esses produtos são usados na fabricação de ração animal e “pet food”. De acordo com o ministério, a autorização “amplia a presença brasileira em um dos mercados mais exigentes do mundo”.

O Brasil já é um dos maiores fornecedores de soja e milho para o mercado japonês. 

Com 125 milhões de habitantes, o Japão é a terceira maior economia do mundo e o 7º destino dos produtos agrícolas brasileiros em 2024. As exportações para os japoneses totalizaram US$ 3,3 bilhões no ano passado. De janeiro a julho de 2025, as vendas já somaram US$ 1,8 bilhão.

No total, 422 novos mercados foram abertos para os produtos agropecuários brasileiros no atual governo.

Fonte: Agencia Brasil

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Agricultura, Agronegócio

Abertura de novos mercados para o Brasil

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 415 aberturas de mercado desde o início de 2023, em 71 destinos

O governo brasileiro concluiu, nesta semana, negociações sanitárias e fitossanitárias que resultam em novas aberturas de mercado para produtos do agronegócio nacional.

No Togo, as autoridades locais autorizaram a importação de sementes de milho, de braquiária, de soja e de sorgo do Brasil. As sementes brasileiras são reconhecidas internacionalmente por sua qualidade genética, alta taxa de germinação e sanidade, resultado de investimentos contínuos em pesquisa e inovação, o que contribui para aumentar a produtividade e a segurança alimentar em países parceiros.

Na Indonésia, as autoridades locais aprovaram a exportação de bovinos vivos para reprodução, o que permitirá fortalecer a pecuária local, além de oferecer aos produtores brasileiros oportunidades futuras para ampliação de negócios na Ásia.

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 415 aberturas de mercado desde o início de 2023, em 71 destinos.

Tais avanços são resultado do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Notícias

Casos de gripe aviária disparam entre aves de quintal no Brasil

Mudança nas rotas migratórias impulsiona a disseminação; áreas urbanas registram infecções.

O Brasil registrou um aumento acentuado nos surtos de gripe aviária entre aves de subsistência e de quintal em julho, levantando alertas em todo o setor avícola do país. Especialistas alertam que reforçar as medidas de biosseguridade é essencial para evitar que o vírus atinja as granjas comerciais, como ocorreu em maio no Rio Grande do Sul — incidente que ainda impõe restrições às exportações de frango brasileiro.

Segundo o Ministério da Agricultura, oito surtos de influenza aviária altamente patogênica (H5N1) foram confirmados em julho, sendo sete deles envolvendo aves de quintal e um uma ave silvestre. Este é o maior número de casos em criações domésticas desde o início do monitoramento em junho de 2023. Ao todo, 185 surtos foram confirmados no país desde então.

Luizinho Caron, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, atribui o aumento a mudanças nas rotas migratórias e nas espécies de aves que vêm ao Brasil.

“Nas duas últimas temporadas, a maioria das aves migrando do Hemisfério Norte para o Sul seguiu a rota atlântica e pertencia principalmente à espécie de trinta-réis, que voa ao longo das zonas costeiras. Este ano, no entanto, estamos vendo mais aves costeiras que preferem lagos e rios utilizando a rota migratória do Mississippi, indo para o interior”, explicou Caron.

Aves costeiras têm maior probabilidade de carregar o vírus da gripe aviária, segundo Caron. Entre elas, o quero-quero é particularmente comum.

“É impossível separar o vírus trazido por aves migratórias das infecções em criações de quintal. Evitar o contato entre espécies é extremamente difícil em um país tão grande quanto o Brasil”, afirmou Raphael Lucio Andreatti Filho, professor de ornitopatologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Pela primeira vez, o H5N1 foi detectado nos principais centros urbanos do Brasil. Aves infectadas foram confirmadas no Parque Ibirapuera, em São Paulo, no BioParque do Rio de Janeiro e no Zoológico de Brasília.

“As aves migratórias tratam esses locais como resorts, com muita água e alimento disponível, o que aumenta o risco para as espécies locais”, disse Andreatti Filho.

Caron acredita que foram as aves costeiras que provavelmente levaram o vírus aos zoológicos de Brasília e do Rio.

Embora a atual onda de surtos esteja concentrada em criações de subsistência, especialistas alertam que as granjas comerciais estão mais expostas à medida que a circulação ambiental do vírus se amplia.

“Com mais vírus circulando, aumenta a chance de contato indireto”, disse Caron.

Andreatti Filho observou que a atividade humana pode, inadvertidamente, espalhar a doença: “Às vezes o vírus viaja no pneu de um carro ou na sola da bota de um produtor rural.”

Em março, o Ministério da Agricultura emitiu uma suspensão de 180 dias para exposições, feiras e competições de aves, com o objetivo de reduzir o risco de transmissão do vírus.

Mesmo assim, o monitoramento eficaz continua sendo um grande desafio. “O Brasil é um país enorme com inúmeras criações de quintal. É praticamente impossível inspecionar todas elas”, ressaltou Andreatti Filho.

Pesquisadores concordam que a vigilância é essencial: detecção rápida, isolamento imediato das aves infectadas e cumprimento dos protocolos do governo são fundamentais. Um surto comercial em Montenegro, no Rio Grande do Sul, em maio, serve como lembrete dos riscos.

Desde que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) declarou esse surto como contido, em junho, o Brasil tem trabalhado para recuperar o acesso a mercados de exportação importantes. No entanto, grandes compradores como China e União Europeia continuam impondo proibições totais ao frango brasileiro.

O Ministério da Agricultura não respondeu aos pedidos de comentário sobre o aumento dos surtos antes da publicação.

Fonte: Valor International

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Agricultura, Exportação, Notícias

Pluma: Mato Grosso registra em junho o 2º maior volume exportado para o mês

Volume de pluma enviado pelo estado representou 69,77% das exportações nacionais no período

As exportações de pluma em junho somaram 92,67 mil toneladas em Mato Grosso. O volume é considerado o segundo maior para o mês em toda a série histórica, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Compilado das exportações, trazido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em seu boletim semanal, destaca que a quantidade embarcada pelo estado representou 69,77% do total enviado pelo Brasil no mês.

Bangladesh e Turquia lideraram os embarques mato-grossenses de pluma, com 21,60 e 19,21 mil toneladas, respectivamente.

A China, que foi a maior importadora das últimas seis safras, adquiriu apenas 667 toneladas de pluma mato-grossense em junho, volume, conforme os dados, abaixo do habitual e o menor desde julho de 2022.

Ainda segundo o levantamento, o total observado até o momento, inclusive, é 2,31% acima das exportações totais da safra 2022/23.

A expectativa, frisa o Imea, é que o estado exporte 1,81 milhão de toneladas de pluma no fechamento do ciclo 2023/24. Dessa forma, para fechar a estimativa, o estado necessita exportar 75,05 mil toneladas em julho.

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Importação

Alta nas importações de trigo expõe escassez no Brasil

Brasil importou 487,04 mil toneladas de trigo em junho

A indústria moageira brasileira tem aumentado a importação de trigo, principalmente da Argentina. A medida busca contornar a escassez de oferta interna e antecipar possíveis impactos da redução de área cultivada na safra atual. A movimentação acende o alerta para a dependência externa do país em um momento de incertezas no mercado nacional.

Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o Brasil importou 487,04 mil toneladas de trigo em junho, sendo que 94,1% desse volume teve origem na Argentina — cerca de 458,18 mil toneladas. O Paraguai foi responsável por 5,9% do total, com 28,85 mil toneladas embarcadas. No acumulado do primeiro semestre de 2025, o volume importado somou 3,58 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 6,3% em relação ao mesmo período de 2024.

O movimento reflete, além da baixa disponibilidade interna, a estratégia dos moinhos em se antecipar a uma possível redução na produção nacional. A perspectiva de menor área cultivada, somada a fatores climáticos e incertezas econômicas, tem levado os agentes a buscar segurança no abastecimento via importação.

Mesmo com o aumento na entrada do cereal no país, os preços domésticos seguem em queda. Levantamentos do Cepea apontam que o recuo é influenciado pela pressão do câmbio e pela menor atuação dos compradores no mercado. A desvalorização tem gerado cautela por parte dos vendedores, que preferem adiar negociações à espera de melhores condições.

Esse cenário reforça a sensibilidade do mercado brasileiro de trigo às dinâmicas externas, especialmente à produção argentina. O país vizinho, historicamente o principal fornecedor de trigo para o Brasil, mantém sua posição estratégica no abastecimento nacional.

Nos próximos meses, o comportamento cambial e a evolução da safra nos países do Mercosul devem continuar influenciando os preços internos e o ritmo das importações. A atenção também se volta à nova temporada brasileira, que ainda apresenta incertezas quanto à área e produtividade.

Fonte: AgroLink

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Agricultura, Agronegócio, Industria, Informação, Sustentabilidade

EUA e Europa Enfrentam Queda de 40% na Produção de Alimentos, Alertam Cientistas

Andrew Hultgren, da Universidade de Illinois, e Richard Waite, do World Resources Institute, dizem que países grandes produtores estão menos adaptados que aqueles de áreas naturalmente mais quentes do planeta

Produção de alimentos têm se tornado um desafio em várias regiões do mundo

As regiões agrícolas mais férteis do planeta estão enfrentando um adversário formidável: as mudanças climáticas. Um novo estudo revela que países desenvolvidos, conhecidos por sua alta produção de alimentos, podem ver uma redução drástica na produção de milho e trigo, com perdas de até 40% nas próximas décadas.

O Estudo Revelador

Pesquisadores de instituições renomadas dos EUA e do exterior mapearam mais de 12 mil regiões em 55 países. A pesquisa, publicada na revista Nature, descobriu que, para cada aumento de 1°C na temperatura global, a produção de alimentos pode cair cerca de 120 calorias por pessoa por dia — quase 4,4% do consumo diário.

A Vulnerabilidade dos Celebridades da Agricultura

O estudo destaca que, mesmo com a implementação de estratégias de adaptação, áreas conhecidas como “celeiros agrícolas” estão sob grave ameaça. Andrew Hultgren, professor da Universidade de Illinois, sintetiza essa realidade dizendo: “Quem mais tem a perder, realmente, perde mais.” Ele ressalta que, em vez de as regiões mais pobres enfrentarem os maiores desafios, são os agricultores de locais como os EUA que agora correm riscos maiores.

O Papel do Aquecimento Global

Este estudo surge após outra pesquisa, que aponta um aumento sem precedentes na gravidade das secas globais devido ao aquecimento. Em 2022, 30% da superfície terrestre enfrentou secas de intensidade moderada a extrema, com grande parte disso sendo atribuída a temperaturas mais altas.

Um Paradoxo Assustador

Esse fenômeno cria um padrão surpreendente: as regiões que atualmente se destacam como grandes celeiros, beneficiadas por climas favoráveis, são as mais vulneráveis. Como destaca Hultgren, essas áreas não estão tão expostas ao calor extremo e, portanto, não desenvolveram adaptações a ele. Em contraste, as regiões mais quentes e de baixa renda já estão habituadas a lidar com extremidades climáticas, o que lhes confere uma leve vantagem.

O Impacto nas Culturas

As consequências para cultivos específicos são alarmantes. A produção de milho, por exemplo, poderá enfrentar uma queda de até 40% em áreas como o cinturão de grãos dos EUA, leste da China e partes da Ásia Central. Já o trigo, em países como Estados Unidos, Canadá e Rússia, deve ver perdas entre 30% e 40%.

Um Novo Olhar Sobre a Adaptação

A pesquisa também vai além de meras previsões, analisando como os produtores realmente se adaptam às mudanças climáticas. Hultgren comenta que, embora a adaptação não elimine por completo os riscos, ela pode mitigar cerca de um terço das perdas futuras.

Questões de Segurança Alimentar

A situação é crítica para a segurança alimentar global. Enquanto o arroz pode escapar de perdas significativas, outros cultivos enfrentam destinos sombrios. O impacto potencial é impressionante: as áreas mais produtivas do mundo podem ver suas rendas reduzidas, elevando a produção global e gerando aumento nos preços dos alimentos.

  • Desafios em Países de Baixa Renda
    • Mesmo que se adaptem melhor ao calor, essas regiões enfrentam suas próprias dificuldades.
    • Culturas essenciais, como a mandioca, podem sofrer perdas de até 40% na África Subsaariana, colocando em risco a segurança alimentar de populações inteiras que dependem da agricultura de subsistência.

O Custo das Mudanças

Os pesquisadores também calcularam como essas perdas agrícolas impactarão as políticas climáticas. Cada tonelada de CO₂ emitida pode custar à sociedade entre US$ 0,99 e US$ 49,48 devido a essas perdas, dependendo das suposições econômicas adotadas.

Uma Espiral de Desafios

Richard Waite, do World Resources Institute, ressalta que a diminuição dos rendimentos em um mundo que exige mais comida levará a uma pressão adicional sobre os ecossistemas naturais, criando um ciclo vicioso. Essa interação entre a produção agrícola e a saúde dos ecossistemas destaca a urgência de estratégias mais eficazes para se adaptar a um clima em mudança.

Propostas para o Futuro

Waite sugere que as abordagens tradicionais de adaptação precisam ser repensadas. “Devemos desenvolver culturas alimentares que não apenas aumentem os rendimentos, mas que também possam resistir a temperaturas altas e padrões de chuva imprevisíveis.”

A Necessidade de Ação Imediata

A pesquisa indica a urgência em reduzir as emissões e em apoiar a adaptação da agricultura e pecuária. O fracasso em agir pode resultar em uma crise alimentar global e em instabilidade social. Hultgren alerta: “Devemos acender um sinal de alerta sobre a segurança alimentar global e as tensões políticas em um futuro de aquecimento acentuado.”

Reflexões Finais

À medida que enfrentamos esses desafios climáticos, é crucial nos unirmos para buscar soluções. A situação pode parecer desalentadora, mas cada passo em direção à inovação e adaptação pode fazer a diferença. Convidamos você a refletir sobre o futuro da agricultura e como nossas escolhas de hoje moldarão os dias de amanhã.

Sua Opinião É Importante

Por fim, gostaríamos de ouvir o que você pensa sobre essas questões. Quais soluções você acredita que podem ser adotadas para mitigar os impactos das mudanças climáticas na agricultura? Sua voz é fundamental para construirmos juntos um futuro sustentável.

Fonte: Fronteira Econômica

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Agricultura, Comércio

Fundos elevam apostas na alta dos preços de soja na semana até 17 de junho

Fundos de investimento aumentaram suas apostas na alta dos preços de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) na semana encerrada em 17 de junho.

De acordo com dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), a posição líquida comprada desses participantes cresceu 77,6%, de 35.071 para 62.289 lotes.

No período, fundos elevaram suas apostas na queda dos preços de milho. A posição líquida vendida aumentou 12,6%, de 150.143 para 169.072 lotes.

Já o saldo vendido em trigo diminuiu 15,3% na semana até 17 de junho, de 87.669 para 74.256 lotes.

Fonte: Compre Rural

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